sábado, 21 de janeiro de 2017

Com cabeça


Antes do mais, uma nota sobre Carlos Alberto Silva. Um treinador que não teve um grande número de fãs aquando da sua passagem pelo FCP, pese embora um registo vitorioso de dois campeonatos em outras tantas épocas. Mas o seu mérito esteve nisso mesmo: nunca levantou grandes paixões pró ou contra. Aproveitou bem o trabalho que vinha de trás e nunca foi um técnico de grandes revoluções ou invenções. Foi esse o seu segredo. Muitas vezes, evitar grandes mexidas no que já está bem, demonstra apenas inteligência.

Quanto ao jogo, mais um grande sofrimento até praticamente ao fim. Jogos tranquilos são cada vez mais uma raridade. Tal como o Chaves, também o Rio Ave terá feito uma das suas melhores exibições de sempre no nosso estádio. Tiveram, inclusive, uma posse de bola superior à nossa. Verdadeiramente inédito. Há clubes a crescer a olhos vistos na Liga Portuguesa. Nem tudo se resume à nossa pouca eficácia. Há algo de novo a acontecer no nosso futebol.

E por falar em crescimento: mas que exibição gigantesca de Danilo. Como aqui já foi escrito, é o nosso jogador que mais tem evoluído. Que saudades de ver um "trinco" a fazer mais do que apenas defender. E mesmo no aspecto defensivo tem, ultimamente, batido aos pontos os anteriores ocupantes do cargo.
Logo após o nosso campeão europeu, tivemos hoje também direito a um Alex Telles vintage. A sua melhor exibição desde que cá chegou. Que assim continue.
No sentido contrário, o grande jogador que é Layún teve um regresso completamente desastrado (e o penalty, desta vez, é mesmo penalty).
A sua longa ausência pode não explicar tudo. Precisamos com urgência que volte aos seus melhores dias, até porque a dupla Telles-Layún parece ser mesmo a melhor escolha para as laterais.

Esteve bem NES ao retirá-lo do jogo. Até poderia tê-lo feito mais cedo.
Aliás, nesta partida, o nosso técnico esteve bem nas três substituições. Todas elas fizeram sentido.
Poderia até ter voltado atrás na entrada de Rui Pedro já que o 2-2 surgiu imediatamente antes. Não o fez (talvez já não fosse a tempo) e isso deu um sinal positivo a todos: hoje era para atacar com tudo.
Igualmente inteligente a entrada de João Carlos Teixeira: é com jogadores destes, que seguram a bola, que se controlam resultados favoráveis e não com aqueles outros mais defensivos. O segredo é ter a posse de bola. O adversário, não a tendo, não pode causar perigo.

Por fim, houve também "estrelinha". Finalmente tivemos direito a ela depois de jogos e jogos em que a sorte nada quis connosco. O Rio Ave teve duas chances seguidas para o 3-3 e nós, na jogada seguinte, matámos o jogo.

Por falar em "estrelinha", esta nossa vitória teve algo de slb na forma como foi conseguida. Principalmente na forma como recuperámos rapidamente a vantagem no marcador. Do 1-2 ao 3-2 passaram-se apenas 14 minutos. Coisa habitual pelas bandas de Lisboa mas raríssima no nosso caso. A diferença é que nós o conseguimos sem apoios externos. O golo de Felipe vai ser tema de conversa mas este está apenas milimetricamente em posição de fora-de-jogo. Em caso de dúvida, deve-se beneficiar sempre quem ataca. Aconteça isso na Luz ou no Dragão.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Crise de quase-meia-idade?

Pinto da Costa e os Super Dragões estão em sintonia como nunca. São tudo rosas nos dias que correm entre o presidente e a claque, num contraste gritante com o corte de relações há 10 anos atrás, quando no final de uma sequência de 10 jogos, com 7 vitórias e 3 empates - o último dos quais contra o Rio Ave, em Vila de Conde, e numa altura em que liderava o campeonato com 4 pontos de vantagem sobre o segundo classificado - os Super Dragões sentiram-se na necessidade de "amachucar" o então treinador do FC Porto, Co Adriaanse, à saída do Olival. O confronto com o treinador foi a gota de água numa relação que se vinha a degradar, levando os Super Dragões a questionar por vezes a gestão da SAD em pleno Estádio do Dragão.

Na altura, não sabiam o que faziam, mas agora já sabem.
O Duda tinha tudo, menos o empresário certo.
Curiosamente - ou talvez não - 10 anos se passaram, o Clube está hoje - exclusivamente em resultado da tal gestão - numa posição muitíssimo mais delicada do que alguma vez esteve, desde que a claque foi fundada, e dos Super Dragões, não se ouve sequer um queixume. Chegou-se ao extremo de a posição oficial ser a de que o Clube "batera no fundo". Reacção? Calma, muita calma, apenas interrompida por umas bocas aos jogadores - a par dos treinadores, sempre os bodes expiatórios.

Batemos no fundo? Lá vamos ter de pintar mais uma faixa...
Os Super Dragões ocupam uma posição de relevo no universo do FCP. Estão sempre lá, faça chuva, sol ou neve, na Boavista ou em Moscovo. E em resultado do seu número e da sua história, têm uma voz que nenhum outro grupo de sócios ou simpatizantes consegue equivaler. É por isso trágico, que quando o FCP mais precisa que o defendam, os Super Dragões assistam impávidos e serenos. E ao invés de serem uma entidade autónoma e crítica, se tenham tornado em "facilitadores" da SAD. Pinto da Costa sabe que enquanto tiver os Super Dragões no "bolso", ninguém se atreverá a fazer-lhe frente ou a contestá-lo sequer de forma a fazer mossa; e se não cabe aos SuperDragões decidir sobre o destino do Clube, ou sobre quem deve ser ou deixar de ser presidente, também é improvável que o papel de quem certamente sofreu na pele - frio, longas viagens, pancada... - ao longo de tantos anos, seja agora tornar-se um mero acessório, cúmplice de uma gestão que vive enxameada de empresários e outras figuras que certamente não têm o interesse do FC Porto no topo das suas prioridades. Ou então - quem sabe? - era exactamente isso que os Super Dragões andavam à procura: um lugar à mesa. Mas será que há lugar para todos? E por quanto mais tempo?

Uma Supertaça em 3 anos? Chin chin!
Especulação à parte, certo é que aliando-se à SAD, os Super Dragões serão parte responsável pelo que aí vem (e que não se afigura nada bom) - para o final da época, já estão previstas e anunciadas mais-valias com a tranferências de jogadores no valor 115 milhões, que a concretizarem-se ainda vão obrigar o Clube a recorrer a alguns atletas do Canelas 2010 para compôr um plantel para próxima temporada. A hora de defender - sem violência e sem invasões patéticas - o Clube (e não a SAD) é agora, e não quando for tarde demais. Aconteça o que acontecer, Pinto da Costa será sempre lembrado mais pelos seus sucessos do que pelos seus fracassos. Aquilo pelo que os Super Dragões serão lembrados, depende deles próprios: a maior claque do FC Porto... ou o "escudo da SAD".


P.S.: Como já foi abundantemente referido em ocasiões anteriores, cada autor do Reflexão Portista, é exclusivamente responsável pelos seus textos; não há revisão, aprovação prévias ou uma "linha editorial" conjunta. Eu, e mais ninguém, sou responsável por este texto.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Lances iguais, decisões opostas

Uma das formas mais eficazes para demonstrar o atual estado da arbitragem portuguesa é pegar em lances iguais (muito idênticos), mas que, em função da cor das camisolas (azuis e brancas ou encarnadas), tiveram decisões opostas por parte das equipas de arbitragem.

Foi isso que a newsletter ‘Dragões Diário’ (Francisco J. Marques) fez hoje…

«A diferença de critérios tem sido um cancro esta época no futebol português. Este é só mais um exemplo de como alguns árbitros aplicam de forma diferente as universais regras do futebol. A fava, como de costume, saiu ao FC Porto.»

… salientando estes dois lances:

Há agarrar o braço e agarrar o braço...

O mesmo já tinha sido feito na passada terça-feira à noite, no programa ‘Universo Porto – Bancada’ do Porto Canal, ao ser comparado o lance da expulsão de Alex Telles logo na 1ª jornada (em Vila do Conde), com um lance muito idêntico de André Almeida num jogo do SLB (em que nem sequer foi assinalada falta).

Há anos que venho escrevendo sobre isto no ‘Reflexão Portista’ e, por isso, não posso estar mais de acordo com esta nova política de comunicação do FC Porto, quer em relação às arbitragens, quer ao “polvo” que, desde 2002 (quando Cunha Leal entrou para a Liga), domina o futebol português.

Contudo, nestas denúncias feitas pelo FC Porto, falta dizer três coisas:
1) Dizer o nome dos árbitros intervenientes nestes lances;
2) Dizer o nome dos observadores dos árbitros nesses jogos;
3) Se possível, dizer qual foi a classificação que os árbitros tiveram nesses jogos.

Não tenhamos ilusões, perante a podridão que grassa no futebol português, só escarrapachando os nomes dos “bois”, conseguiremos expor o “polvo encarnado” e, aos poucos, cortar alguns dos seus tentáculos.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

O e-tiro pela culatra

Em mais uma clara demonstração do seu crescente desfasamento com a realidade, este FCP, julgando-se ainda no século XX - quando bastava pegar no telefone e ligar a uns amigos jornalistas para fazer passar uma mensagem - achou que publicando no Facebook um vídeo onde se assiste à vandalização da propriedade de uns dos membros da Direcção, um imenso bruá de e-condenação se alevantaria, com sócios e adeptos a teclarem furiosamente contra o meliante. Nada mais errado. As redes sociais são péssimas fontes de informação, mas são óptimas a medir o pulso da comunidade. E a comunidade, quer na forma, quer no conteúdo, está muito longe daquilo que este FCP está habituado: nem a comunidade, numa relação de sentido único, se resigna a ouvir os ditames da Direcção, nem a comunidade é tão ignorante dos factos como a Direcção julga que é.

Não fui eu que o fiz. Mas teria vontade de escrever exatamente tudo o que foi escrito, e exatamente nos mesmos locais. 

É triste ver a direcção usar canais oficiais do clube para fazer propaganda.

Continuem a atirar areia aos olhos das pessoas e desviar as atenções do que realmente interessa.

Em vez de estarem preocupados em partilhar o vídeo deveriam estar preocupados com os atos de gestão desportiva e financeiras vergonhosos dos últimos 4 anos.

etc, etc...

Para completar o ramalhete, este FCP dá largas a certos tiques fundamentalistas, questionando se o coração do protestante "bate pelo FC Porto". Sobre isto valerá a pena dizer, até a propósito de declarações proferidas recentemente pelo próprio Presidente (), que até hoje nunca foi votado pelos sócios - sim, porque é aos sócios que a decisão cabe e a mais ninguém - um "código de conduta do Portista", pelo que até lá, ninguém tem o direito de tecer considerações sobre o que é mais ou menos portista. O problema dos fundamentalismos é a sua falta de limites; o portista que hoje só veste roupa interior azul-e-branca, se recusa a comer carne vermlha por causa da cor, e dá aos filhos o apelido Pinto da Costa (apesar de o seu ser Silva ou Antunes), é o "infiltrado" e o "portista menor" de amanhã.


O que os sócios e simpatizantes do FC Porto querem, incluíndo aquele que pichou as paredes, entre outras, do Adelino Caldeira, é abundantemente claro. Está lá escrito, não podia ser mais óbvio. Só este FCP ainda não o percebeu. Nem parece querer perceber.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Foi-se?

Com duas ou três excepções ao longo desta meia temporada já decorrida, na maioria dos jogos do FCP parece que estamos sempre a ver a mesma partida. Parece que pouco ou nada aprendemos com os desaires anteriores e, num cenário como este em que tudo aparentemente se esquece, tendemos a repetir sempre os mesmos erros.


Por exemplo, apesar de tudo o que foi dito e escrito, visto e revisto nos últimos meses, lá tivemos hoje direito ao regresso de Herrera a titular para a Liga. Muitos dirão que foi dos menos maus. A pergunta é: e qual foi o efeito prático disso? Se num jogo em que ele é "razoável", este jogador pouco ou nada acrescenta de real e concreto, que esperar dele naquelas outras partidas (a maioria) em que ele está ao seu nível habitual, ou seja, fraco?

Uma das virtudes do slb dos últimos anos é aprender com os erros cometidos, coisa que não sucedia em tempos anteriores por aquelas bandas. Já nós, pelo contrário, parece que queremos chegar a um resultado diferente, repetindo sempre os mesmos erros.
Os outros agradecem.

E depois, claro, temos os já nossos habituais falhanços de todas as primeiras-partes.
Bola bem trocada de pé para pé, sim, mas poucas oportunidades reais de golo e com estas sempre desperdiçadas sem que ninguém se pareça aborrecer muito como isso, erradamente acreditando que ainda falta muito tempo e que novas chances virão.
Que jogador do "11" do slb falharia aquela oportunidade do Diogo Jota, completamente isolado? Se calhar, nenhum. E quando é que Óliver vai deixar de se comportar como um júnior na hora do remate?
Mas NES e os jogadores acreditam sempre que no segundo tempo é que vai ser. Ora, muito raramente o é.
A equipa perde gás, de uma forma gradual, até quase desaparecer por completo.
As substituições, essas, são cada vez são mais tardias e, nunca por nunca, são feitas antes de cada jogador a entrar ter uma aula de Desenho ministrada pelo nosso treinador adjunto.
O factor-tempo jamais parece ser uma fonte de preocupação para os nossos lados.

E, claro, para a tempestade ser perfeita, e como se já não bastassem estes inúmeros problemas, temos ainda direito a esta lenga-lenga, que já vem de longe:
E agora sem Layun. E agora sem Otávio. E agora sem Brahimi. E agora sem Danilo.
Num clube tão disfuncional como o nosso actual e ainda com estas ausências de peso, não há quem aguente.

"Fizemos mais de 20 remates. Temos de trabalhar bastante esse aspecto para que não volte o problema que já foi". Pois, Nuno, mas isso já vimos ouvindo desde o início da época.
O que nós pretendemos saber é o que, neste aspecto concreto, foi feito até ao momento (e que não deu resultados) e o que será feito no futuro para resolver de vez o problema.

E já não falta muito para o dia 31...

sábado, 7 de janeiro de 2017

A "verdade desportiva" à moda do SLB...

Não preciso de acrescentar mais nada.
Este resumo de imagens fala por si.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Um dragão sem chama... 9 anos depois

O 'Reflexão Portista' foi criado no início de 2008.
Poucos meses depois, publiquei um artigo a que chamei 'Um dragão sem chama'.
Quase nove anos depois, ao reler esse artigo, decidi voltar a publicá-lo sem alterar rigorosamente nada.
E porquê?
Leiam-no (a seguir) e vejam se muito daquilo que escrevi há nove anos atrás não é perfeitamente atual.

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9 de Maio, 20h00, abertura dos telejornais.
Os três canais – RTP1, SIC e TVI – estão em directo do auditório do Piso 3 do Estádio do Dragão (bancada poente), para transmitirem a reacção de Pinto da Costa e da Administração da F.C. Porto – Futebol, SAD aos processos disciplinares instaurados pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional.
A expectativa é grande e milhões de portugueses estão de olhos nas televisões, particularmente os portistas.


20h03, Pinto da Costa inicia a conferência de imprensa:
«Senhores jornalistas, o FC Porto foi hoje notificado, às 15h50, das decisões da Comissão Disciplinar (CD) da Liga, sobre o denominado processo ‘Apito final’.
Em primeiro lugar, deploramos o facto desta notificação oficial ter sido antecedida, em quase dois dias, por uma divulgação oficiosa num órgão de comunicação social do grupo Cofina. Se nada podemos fazer para impedir a promiscuidade evidente entre a equipa especial da Dr.ª Maria José Morgado, a PJ e o ‘Correio da Manhã’, a qual tem servido para alimentar dezenas de capas desse jornal, o mesmo não se passa em relação à Liga de Clubes, da qual o FC Porto é um dos membros.
Por isso, e desde já, exigimos ao presidente da Liga de Clubes a abertura de um inquérito, para apurar quem, dentro do CD da Liga, são os informadores, ou agentes infiltrados, do ‘Correio da Manhã’.

Dito isto, queremos dizer a todos os portugueses e, particularmente, aos milhões de adeptos portistas espalhados por todo o Mundo, que o FC Porto considera esta decisão aberrante e irresponsável, sem qualquer tipo de sustentação nos factos ocorridos, a não ser nas declarações da dona Carolina Salgado. Aliás, recordamos, mais uma vez, que no âmbito do processo ‘Apito Dourado’ estes inquéritos tinham sido arquivados e apenas foram reabertos na sequência da publicação do livro escrito a meias entre a dona Carolina e a dona Leonor Pinhão.

Esta decisão da CD da Liga veio, de algum modo, dar razão ao presidente do Benfica, quando afirmou que era mais importante ter pessoas na Liga do que contratar bons jogadores. De facto, se Carolina Salgado tem sido a ponta-de-lança do Ministério Público, o Dr. Ricardo Costa mostrou ser um fantasista, quiçá com capacidades inatas para substituir outro Costa, o Rui Costa, como distribuidor de jogo dos encarnados.

Ora, quer a FCP SAD, quer o seu presidente, não aceitam esta punição ditada em tons de encarnado e irão, solidariamente, recorrer até às últimas instâncias em que tal for possível, ao nível desportivo e civil, para que seja feita justiça e para verem ressarcidos a sua honra e bom nome.


Relativamente à eventualidade de nos serem retirados 6 pontos e às declarações feitas esta tarde, pelo presidente da CD da Liga, de que se o regulamento da Comissão Disciplinar não exigisse o que exige, os clubes que hoje perdem pontos seriam punidos com descida de divisão, quero desafiar o Dr. Ricardo Costa a propor essa alteração ao regulamento e que, já agora, a mesma tenha efeito retroactivos. Tenho a certeza que esta sua iniciativa terá todo o apoio do presidente do seu clube, bem como, da comunicação social que o Dr. Ricardo Costa usa como instrumento para se auto-elogiar e pavonear.


Em função de tudo isto, a Administração da F. C. Porto – Futebol, SAD informa que tomou as seguintes decisões:

a) Até que sejam encontrados e punidos os informadores do 'Correio da Manhã' existentes no CD da Liga, o FC Porto corta relações com todos os órgãos sociais desta Liga de Clubes, mantendo apenas os contactos mínimos institucionais a que seja obrigado.

b) O FC Porto considera persona non grata todos os elementos dos órgãos sociais desta Liga, os quais não são bem vindos nos jogos disputados no estádio do Dragão. Contudo, como os regulamentos prevêem que os mesmos tenham lugares reservados no camarote presidencial, avisamos que nenhum dirigente da FCP SAD os receberá, nem ocupará lugares nesse camarote ao seu lado.

c) O FC Porto irá solicitar reuniões à UEFA e à FIFA, de modo a expor as suas razões sobre este assunto. Nessas mesmas reuniões irá apresentar um conjunto de documentação e vídeos sobre casos do futebol português, com ênfase para os escândalos que ocorreram na época 2004/05 e que passaram impunes.

d) Se os tribunais civis derem razão ao FC Porto, conforme esperamos e estamos convictos, o FC Porto irá exigir a demissão dos elementos que constituem o CD da Liga e a convocação de eleições antecipadas para este órgão da Liga.

e) Se os tribunais civis derem razão ao FC Porto, conforme esperamos e estamos convictos, o FC Porto irá exigir uma indemnização à Liga de Clubes, pelos prejuízos causados à sua honra e bom nome.

f) O FC Porto avisa os patrocinadores e canais televisivos detentores dos direitos da Taça da Liga, que na próxima época irá apresentar uma equipa de recurso nos jogos que tiver de disputar nesta competição e apela aos seus adeptos para boicotarem os jogos, deixando as bancadas vazias.

Muito obrigado pela vossa presença.
Viva o FC Porto! Viva o Porto! Viva Portugal!»

Era uma conferência de imprensa deste género que eu estava à espera.

Em vez disso, ouvimos o presidente do FC Porto afirmar:
«O FC Porto vai ter subtraídos seis pontos aos muitos que já ganhou este ano. (...) Não vamos, no que diz respeito ao FC Porto, recorrer da perda desses seis pontos. Nem precisarei de dizer porquê e, naturalmente, também não precisarei de dizer qual a razão (...) não recorremos e vamos passar a ter apenas 14 e 15 pontos de avanço. Mas a honra do FC Porto ficará salvaguardada, porque eu, pessoalmente, como presidente e como cidadão, vou recorrer, na segunda-feira, para o Conselho de Justiça. Esperamos, através desse recurso, que a verdade seja reposta e possamos mostrar que não existe qualquer razão para o FC Porto ser penalizado.»


Numa altura em que o FC Porto enfrenta uma poderosa coligação de interesses, formada por parte do Ministério Público e da PJ, clubes da 2ª circular e comunicação social, os sócios e adeptos do FC Porto estavam à espera de uma reacção enérgica, dura, sem contemplações e sem medo de eventuais sanções. Estávamos à espera de um Pinto da Costa que chamasse os “bois pelos nomes”, que desmascarasse esta teia encarnada que foi montada na “capital do Império” para atacar, denegrir e humilhar o FC Porto.
Mais do que nunca era preciso dar um murro na mesa, olhar essa gente olhos nos olhos e dizer-lhes que não temos medo e se querem guerra tê-la-ão. Dentro e fora das quatro linhas.

Em vez disso vimos um homem sem chama, sem o fulgor de outros tempos, quase resignado. Um velho leão cansado, que preferiu o calculismo de uma derrota com poucos feridas, ao risco de uma batalha pela justiça e verdade que sempre clamou e em que nós acreditamos.

Este não é o Pinto de Costa que, ao lado do saudoso José Maria Pedroto, não teve medo de enfrentar e derrotar os poderes instalados que estavam a sul.
Este não é o Pinto da Costa, que enfrentou e derrotou um presidente da FPF, o sportinguista Silva Resende, quando este ameaçou mandar o FC Porto para a 2ª divisão a propósito da marcação de uma final da Taça de Portugal.
Este não é o Pinto da Costa que enfrentou e derrotou um ministro das finanças de Cavaco Silva (Catroga), aquando da penhora da retrete do estádio das Antas.
Este não é o Pinto de Costa que eu e milhões de portistas aprendemos a admirar ao longo das últimas três décadas.


Não me revejo neste Pinto da Costa e menos ainda na gente que o rodeia.

P.S. De acordo com o jornal O JOGO, mal terminou a conferência de Imprensa, Pinto da Costa foi para a Casa das Artes de Famalicão, ao Festival Internacional de Música de Câmara Stellenbosch, tendo jantado com o maestro Vitorino d'Almeida. Ainda bem que depois de um dia negro para a honra e orgulho dos portistas o presidente do FC Porto tem disposição para ir ouvir música...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Absolutely nothing


A arbitragem estulta no último jogo da fase da grupos da Taça da Liga, ontem, em Moreira de Cónegos, foi motivo de chacota na imprensa internacional. Os ingleses do Mirror exclamam mesmo que Danilo foi "expulso por nada".

Há anos que afirmo aqui que esta competição não serve o Desporto e que, nessa medida, o FC Porto deve pura e simplesmente abandoná-la. Continuo sem entender o porquê de, ano após ano, a SAD sujeitar os jogadores e os adeptos a espectáculos tristes e encenados como o de ontem à noite.

A pergunta óbvia é: porquê?
Porque é que a Direcção não toma uma atitude face a estas arbitragens?
Porque é que a Direcção continua a levar a equipa a esta competição?
Porquê?
   

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Não Nuno, já nem aqui dependemos de nós

Distraído, dizia o nosso treinador, no final da partida, que ainda dependíamos apenas de nós para seguirmos em frente na Taça da Liga. Infelizmente, após mais este empate, tal não é o caso.
Aliás, se tivermos em conta outras declarações recentes, nomeadamente sobre a entrada e saída de jogadores, parece que anda muita gente distraída no nosso clube.


Foi mais um jogo com muita parra e pouca uva. Ou seja, golos (para tamanho domínio) nem vê-los.
Se juntarmos os encontros com o Belenenses para esta mesma Taça da Liga, e aqueles contra Braga, Marítimo e Chaves para o campeonato, este é o quinto jogo consecutivo, em casa, em que revelamos imensas dificuldades para resolvermos a questão em tempo útil. Sim, neste jogo também existiu o factor-arbitragem, mas desta vez, e por excepção, para os dois lados.

Vem aí a janela de transferências de Janeiro e, por isso mesmo, é mais uma altura para o adepto do nosso clube temer pelo que possa suceder nas próximas semanas. Muita asneira se tem feito em anos anteriores e o risco de tal voltar a acontecer é elevado.
Fala-se, uma vez mais, embora menos que em Agosto, da saída de Brahimi. Mas será que alguém realmente acredita que teremos a mínima chance de vencermos o campeonato sem o argelino?
Se, com ele em campo, a missão é já mais do que crítica, quanto mais se ainda andarmos a brincar com coisas (muito) sérias tais como equacionar a sua venda.
O slb, como já se viu, irá perder muito poucos pontos no que resta da temporada. Ou seja, o FCP é obrigado a ser praticamente perfeito. Por outras palavras, temos que vencer praticamente todos os encontros até ao final da época para a Liga Portuguesa.
Ora, melhor abre-latas do que Brahimi, infelizmente ainda não apareceu. Daí que nem por sombras o poderemos dispensar, isto se, efectivamente, queremos dar ainda alguma luta.
Sim, existe o problema da CAN em Janeiro, mas antes a Taça das Nações Africanas do que o problema maior de o vermos sair para outro clube.

À boca semi-fechada, anda também por aí o nome de Quaresma na baila (mera táctica para sentir o pulso aos sócios?). Certamente que a ideia original passaria pelo regresso deste para substituir Brahimi.
Eu diria que, pelo contrário, deveríamos ficar com os dois em simultâneo (e nem isso poderá ser suficiente, de tal forma as coisas parecem inclinadas para que ganhem os mesmos dos últimos três anos).
Ao menos ficaríamos de consciência tranquila de tudo termos tentado para o evitar.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Casillas, o novo líder

Não se pagou a si próprio como muitos alardeavam no momento da sua chegada. Teve um primeiro ano mais parecido - como era lógico - aos seus três anos anteriores do que ao computo geral da sua brilhante e irrepetível carreira. Com erros individuais custou pontos na corrida aos oitavos da Champions. Com momentos de génio individual garantiu pontos importantes - sobretudo na Luz - que mantiveram a chama de uma corrida ao título que cedo se esfumou. Casillas é, provavelmente, a contratação de maior profile mediático da história do futebol português depois de Schmeichel. Ao contrário do "Big Dane", a sua chegada, por si só, não fez a diferença e o Porto não só não foi campeão no seu primeiro ano como no segundo marcha segundo. Mas é preciso ser-se justos com Iker. Porque o merece. Porque o ganhou a pulso quando podia perfeitamente ter vindo ao Dragão para reformar-se. E porque, sobretudo, está a saber marcar o caminho, dentro e fora de campo, do que o FC Porto deve voltar a ser. Um clube com mentalidade de balneário ganhador.

Iker tem tido uma temporada até agora ao seu melhor nível. Não é só no apartado de golos sofridos que os seus números estão á altura dos seus melhores anos. O esquema de Nuno tem permitido, aliás, que toda a defesa se exiba com surpreendente autoridade, algo dificil de imaginar no Verão com a soma dos cromos disponíveis. Maxi - que vai melhorando depois da sua ausência por lesão - Layun (um dos melhores suplentes do futebol europeu), o recém-chegado Felipe e, sobretudo, Marcano, têm jogado com autoridade e contribuído, a par do imenso e enorme Danilo Pereira (e do gémeo que joga ao seu lado e que permite dar a sensação de que está em todas as partes...porque está), para uns excelentes registos defensivos. Mas é da baliza, da segurança e liderança que emana Iker, que se sente a grande diferença face ao ano passado. Na passada temporada, fosse pelas peças disponíveis (onde já havia Layun, Maxi, Marcano...), fosse pela adaptação, Iker não transmitia quase nunca a capacidade de comandar a sua zona recuada. Teve brilhantes momentos individuais sim da mesma forma que teve erros garrafais porque uns e outros são parte do oficio. O que não demonstrou, pelo menos em campo, foi essa liderança que sim exerceu nos seus quinze anos de guarda-redes do Real Madrid. Este ano é diferente. Este ano Iker manda com o olhar mais do que com os gritos. Posiciona, antecipa-se, lê e motiva. Tem exercido como um autêntico capitão sem braçadeira, a mesma autoridade que se viu nos seus melhores anos com a seleção espanhola e com a camisola do clube da sua infância. Mais do que para vender camisolas ou para que se falasse do Porto por esse mundo fora, Iker e o seu perfil de futebolista era importante por isso mesmo. Num projecto desgovernado desde a cúpula á base convinha ao Porto clube ter alguém mentalmente forte e sólido que sirva de rocha no balneário e em campo. Muitos jogadores têm carácter para isso sem ter experiência como tem demonstrado Danilo. Mas Iker Casillas tem ambos e isso nota-se cada vez mais.



A importância de Iker depois de um primeiro ano convulso é também cada vez mais notória no balneário. Chegou apadrinhado por um homem que conhecia bem - o homem que, ironicamente, lhe fechou agora as portas da seleção quando tem o melhor registo de um guarda-redes europeu - e talvez por isso mostrou-se menos activo nos primeiros meses do ano passado sofrendo depois, como todos, do desatino Peseiro imposto desde cima. Mas com um treinador que já foi guarda-redes e que sabe fazer balneário encontrou provavelmente a melhor forma de fazer sentir a sua presença. De portas para dentro Iker tornou-se num amigo e confessor dos jogadores mais novos - e há muitos no balneário - oferecendo apoio e conselho. Foi também valedor de alguns jogadores, Brahimi á cabeça, defendendo sempre a importância de que joguem os melhores para o êxito colectivo (algo que lhe custou a cabeça em Madrid quando Mourinho entendia que os melhores eram os que lhe obedeciam e corriam mais e não os mais talentosos) e tem sido um dos grandes mentalizadores do grupo. Na sua recente entrevista ao Porto Canal foi cru, sincero e disse o que pensava porque a estas alturas não deve nada a ninguém. E tem razão. O Porto, por culpa da sua gestão presidencial, perdeu o ADN de vitórias no balneário que hoje ostenta o Benfica. E esse ADN, que foi a primeira base do nosso sucesso nos dias de Pedroto, está a ser recuperado. Lentamente, mas está. Graças a homens como Iker (e como Marcano, e como Layun, e como Danilo, e como Maxi) que entendem como fazer grupo, como criar laços e como inculcar uma mentalidade de morrer pelo colega em campo, morrer pelo emblema ao peito, morrer pelos adeptos. O espirito que teve de aprender num clube de máxima exigência quando era só um adolescente. Também por isso ele sabe, melhor que ninguém, o que aconselhar a Jota, a André Silva, a Rui Pedro, a Ruben Neves, a Oliver e Otávio, a todos esses miúdos que são o pulmão e coração desta equipa mas que vivem só agora a exigência de levar um peso tão grande ás costas praticamente sem ajudas de veteranos de outros tempos, dessa cultura de balneário que se perdeu e que jogadores tão insuspeitos de serem portistas como Sapunaru denunciaram há não muito tempo.

Em campo Casillas tem estado soberbo. Se a defesa sofre poucos golos é, muito também, por culpa sua. Contra o Chaves, antes da reviravolta, evitou o naufrágio. Foi assim também em tantas outras ocasiões. Raramente tem sido mal batido, raramente tem sido apanhado fora de posição. A sua concentração e ambição estão a níveis máximos. Este pode ser o seu último ano no Dragão mas as sementes do seu trabalho podem dar muitos frutos no futuro. Este foi o Iker que merecia ter sido contratado no ano passado, não o das manobras de marketing que tanto fizeram salivar rostos gananciosos na SAD, e apesar do relativo atraso em fazer-se definitivamente sentir, este está a ser também o seu ano. Se o FC Porto chegou a Maio com um título nas mãos, muita da culpa será sua. Não se podia despedir de melhor forma. Esperemos é que o trabalho que está a fazer, sobretudo fora dos focos, não se perca á primeira oportunidade. Recuperar o balneário á Porto e esse ADN são a chave para a sobrevivência competitiva deste clube na elite. Não entender isso é não entender nada. Casillas entendeu-o bem. E por isso agora é um dos nosso líderes.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Depoitre não te preocupes que não vais a lado nenhum

Parece ser que os mesmos protagonistas do filme "Depoitre: Contratado para a Champions" querem agora lançar a sequela, "Depoitre: A não venda de Janeiro". É uma pena, sinceramente, que uma estrutura tão reconhecida como foi durante anos, merecidamente, a do FC Porto seja capaz de no curto espaço de quatro meses, com o mesmo jogador, por o pé pelas mãos. Ou pelo menos fazer crer aos adeptos que o poderia fazer. 

Depoitre foi contratado, supostamente, por petição expressa de Nuno Espirito Santo, provavelmente como Adrian Lopez chegou por exigência de Lopetegui. Em ambos casos, seguramente, o agente de cada um dos jogadores, Luciano D´Onofrio e Jorge Mendes, não tiveram absolutamente nada que ver com cada um dos negócios. Depoitre, como todos sabemos, já tinha jogado pelo Gent na Europa League e portanto foi impossível inscrevê-lo a tempo de jogar contra a Roma. Felizmente não fez falta nenhuma mas ficou evidente nesse lapso de principiante que algo não andava bem. Como era possível que um jogador contratado para ajudar no jogo que ia definir muito do ano que vinha (em questões económicas era O jogo) não pudesse jogar? Deixou-se cair que a culpa era de Antero Henriques, a sua incapacidade de contratar outros jogadores, falou-se no bloqueio de alguns jogadores de Mendes como represália á nega ao negócio Brahimi que acabou por ficar a contra-gosto quando havia na mesa uma (má) oferta do Everton, etc. Tudo menos pensar que o problema seguia. Parece ser que não.

Então não é que Pinto da Costa acaba de garantir aos portistas que Depoitre não se vende - pelo menos não se vende para já, em Janeiro. Porque se algum portista andava preocupado com isso - seguramente que tira o sono a muita gente - o presidente fez questão de referir que o Anderlecht fez uma oferta pelo avançado e que a mesma foi recusada. Obviamente soa bastante estranho que umas horas depois de ter marcado o seu primeiro golo em muito tempo e num resultado decisivo de repente alguém dentro do clube já queira passar a mensagem de que o avançado que tanto custou em Agosto já se está a valorizar. O que não é necessário é fazer dos adeptos lorpas. Nem do próprio jogador - aliás a desvalorização de Adrian por Pinto da Costa no último ano não tem sequer precedentes com um activo do clube - que sabe perfeitamente que até Junho, pelo menos, se quer jogar futebol profissional em competições oficiais tem de ficar no Dragão. Sim ou sim.

Seguramente ou o Anderlecht é gerido pela mesma classe de dirigentes que contratou Depoitre em Agosto ou alguém se esqueceu de ler os regulamentos da FIFA - outra vez - antes de abrir a boca. O certo é que o ponto V do regulamento de transferências da FIFA não podia ser mais claro:

"Players may be registered with a maximum of three clubs during one season. During this period, the player is only eligible to play offi cial matches for two clubs. As an exception to this rule, a player moving between two clubs belonging to associations with overlapping seasons (i.e. start of the season in summer/autumn as opposed to winter/spring) may be eligible to play in official matches for a third club during the relevant season, provided he has fully complied with his ontractual obligations towards his previous clubs. Equally, the
provisions relating to the registration periods (article 6) as well as to the minimum length of a contract (article 18 paragraph 2) must be respecte"

Resulta que ou Depoitre tinha uma oferta do Anderlecht do Paraná ou soa muito estranho que um clube como o belga, historicamente bem gerido, queira contratar agora um futebolista que tendo feito já jogos oficiais por dois clubes nesta temporada não poderia jogar nenhum encontro oficial até Julho. Talvez o Anderlecht queira ganhar alguns torneios amateurs e conte com Depoitre para isso. Se é o caso Pinto da Costa esteve bem, o avançado belga não tem culpa de ter sido contratado como foi e por quanto foi para agora passar meia época de castigo a jogar pelas reservas do clube de Bruxelas. Mas se a tal oferta nunca existiu convém recordar a quem lança noticias tão despropositadas para fora que os portistas podem estar a dormir, em alguns casos, mas não são idiotas.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Quinta exposição à Comissão de Análise do CA

«O FC Porto enviou esta terça-feira, como adiantado por Pinto da Costa logo após o final do FC Porto - Chaves, uma exposição à Comissão de Análise do Conselho de Arbitragem da FPF. A informação foi dada pelo Francisco J. Marques, diretor de comunicação e informação do clube, no Porto Canal. “Depois do envio por e-mail, amanhã segue pelo correio o DVD do jogo com o Chaves. Já pagámos a taxa para podermos fazer a reclamação”, referiu, precisando que se trata da quinta exposição feita pelos dragões esta temporada



Tribunal de O JOGO (lances aos minutos 52 e 57 do FC Porto x Chaves, com o resultado em 0-1)

Quinta exposição?!

Pelos vistos (e os "erros" grosseiros que se viram no último FC Porto x Chaves foram bastante elucidativos), estas exposições à Comissão de Análise do Conselho de Arbitragem (CA) da FPF servem para nada.

Ora, se esta 5ª exposição tiver o mesmo resultado que as quatro anteriores, o que irá fazer a Direção do FC Porto?

Fazer uma 6ª exposição e continuar a protestar (de vez em quando) num tom baixinho?

Ó meus amigos, será que ainda não perceberam que, no contexto atual do futebol português (de benfiquização em todos os domínios), isto só lá vai com um murro na… mesa?

Após 15 jornadas já disputadas, em que árbitros condicionados pelo Sistema fizeram vista grossa a 15 (QUINZE!) penalties, que ficaram por assinalar a favor do FC Porto;

Após 3 golos limpos, que foram anulados por três árbitros da AF Porto (que assim agradam ao Sistema) em pleno Estádio do Dragão - nos jogos FC Porto x V.Guimarães, FC Porto x SLB e FC Porto x Chaves;

Ainda não perceberam que isto chegou a um ponto, que já não vai lá com bons modos e exposições inóquas?

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Impossível

Isto ultrapassa tudo o que se viu nos últimos largos anos e que já tinha sido suficientemente mau. Assim, a Liga Portuguesa é absolutamente impossível de ser jogada, quanto mais de ser ganha.


Se neste passado Sábado, no Estoril, ficámos a saber que aquilo que 6 dias antes era "bola-na-mão" passava, de repente, a ser "mão-na-bola", hoje no Dragão aprendemos que nem vale a pena pensar mais no assunto: poderíamos até jogar com o nosso melhor "11" de sempre que, com contra este "poder supremo", não há qualquer hipótese.
Não terá sido ainda hoje mas, se todas e qualquer uma das decisões arbitrais continuarem a ser decididas em benefício do slb, é só uma questão de tempo até este campeonato ficar definitivamente resolvido em favor dos mesmos de sempre.

E só não aconteceu neste jogo devido a um golão de levantar o estádio. Danilo tem vindo a crescer a olhos vistos e mereceu completamente o título de herói do jogo. Isto numa partida em que tivemos um Chaves nunca antes visto. Seguramente a melhor exibição de sempre dos transmontanos num encontro, contra o FCP, na nossa cidade.

E tudo o resto que se poderia escrever sobre esta partida tem que, obrigatoriamente, passar para um plano secundário. As regras do futebol têm que ser iguais para todas as equipas participantes numa mesma competição e isso não está acontecer na edição actual da Liga Portuguesa. Ponto final, parágrafo.

Não vale a penar divagar sobre um qualquer outro assunto quando o básico não está garantido.
A continuar assim, a atribuição do título de campeão 2016/17 corre o risco de se tornar numa farsa sem vergonha.
   

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Uma entrevista de vergonha alheia

Pinto da Costa voltou a dar uma entrevista de uma hora. Provavelmente pudesse ter dado uma de dez minutos porque pouco mais tempo houve em que disse algo que realmente interessava ao presente e ao futuro do clube e porque a sua idade se torna cada vez mais evidente em cada ocasião que tem de falar de forma estendida, deixando uma recorrente sensação de vergonha alheia pelo homem que foi e que é. O curioso é que, apesar de todos sabermos uma vez mais que o que o Presidente do FC Porto diz em público muito raramente vai á missa, a cassete, ao bom estilo soviético, continua em modo play e entre as muitas pérolas que se pode ler e ouvir no Jornal de Noticias - a entrevista completa está aqui - encontram-se justificações tão assombrosas como estas:

- A culpa é dos árbitros sempre!
- A culpa também é dos blogs onde só há gente sem cara (o Reflexão Portista assina todos os textos com nomes e apelidos) sempre!
- A culpa é do Mendes porque nos espetou o Adrian Lopez numa jogada com o Lopetegui para nos tramar
- Só há um grupo de verdadeiros portistas, os das claques. Os outros não o são depreende-se!
- Chegou a hora de acabar com a pouca vergonha de encher os juniores e equipa B de jogadores africanos e apostar nos portugueses, como se quem manda oficialmente no clube tivesse estado seis anos em coma e não tivesse sido consciente de nada do que assinava!
- O meu filho é um homem de bem que não tem influência no clube e que só graças a ele é que hoje podemos desfrutar do Rui Pedro e só graças a ele nos livramos do Rolando!
- "Caro não é o jogador que joga, é aquele que custa muito e não joga"...podia estar a falar sobre o Depoitre não podia?

Também foi possível ouvir o Presidente do FC Porto - outrora um dos melhores e mais lúcidos e sagazes oradores em público portugueses - afirmar sem nenhum tipo de problema de consciência que Jorge Mendes escolhe treinadores para o FC Porto - foi essa a sua justificação á chegada de Lopetegui, o mesmo homem a quem proclamou amor eterno na imprensa espanhola há cerca de dois anos - e que Brahimi precisou de cinco meses de trabalho para se integrar no colectivo, um verdadeiro achado. Ficamos igualmente a saber que Pinto da Costa pensa pagar 20 milhões de euros por Diogo Jota e não pensa em vender André Silva nos próximos tempos porque, segundo ele, a dupla tem tudo para ser importante na história do clube nos "próximos anos". Talvez ter contratado Jota ANTES do Atlético de Madrid tivesse ajudado a fazer disso realidade. Pinto da Costa confessou ainda a escassez de "feeling" com treinadores como Paulo Fonseca, José Peseiro e Lopetegui porque agora já se sente bem vindo com Nuno Espirito de Santo a ser mais interventivo a favor do clube (a pergunta era porque tinha estado tanto tempo calado em relação a assuntos desportivos), depreendendo qualquer portista então que se o Presidente escolhe o treinador (parece que já não é bem assim) e depois o treinador não lhe dá "feeling", o Presidente deixa de querer intervir nos assuntos da equipa. Curioso, no mínimo.



Além de ter explicado com detalhe o negócio com a MEO - uma das poucas explicações coerentes e acertadas em toda a entrevista e que parece confirmar a "ruptura" de relações com Joaquim Oliveira...ou com os dois? - deixando cair que Antero era o mais interessado em manter-se associado á NOS e que isso pode ter custado dinheiro no passado ao clube, o discurso foi repetitivo, aborrecido e repleto de incoerências. Fazer crer que o Presidente desconhecia o jogo de comissões com agentes ligados a futebolistas africanos que chegavam para a formação e equipa B a ponto de o indignar tanto no presente é de um populismo extremo e patético. O êxito das apostas em André Silva, Rui Pedro e Ruben Neves permitiram a Pinto da Costa sacar a veia do populismo local e da necessidade de construir um centro de estágio para formar jogadores "de aqui". O mesmo Pinto da Costa que há uns anos dizia de peito feito que o Porto não se podia limitar geograficamente e que os jogadores "á Porto" estavam em todo o lado sempre e quando sentissem a camisola (algo que a história do clube já demonstrou várias vezes, por certo). A cadeia de justificações e elogios ao filho entram já no ramo da patologia psicologica e a eterna adoração pelo universo das claques em detrimento dos sócios que se escondem na internet - uma arena de discussão tão válida como qualquer outra especialmente se os sócios e adeptos, como no RP e em tantos outros espaços, têm nome, apelido e número de sócio - deixam clara a nota dominante dos próximos anos. A radicalização do apoio na guarda pretoriana presidencial, o desprezo pelos adeptos que não se manifestem favoravelmente pelo(s) projecto(s) que se vão acumulando de fracassos e a limpeza da imagem pública de Alexandre para um eventual futuro duelo com os restantes putativos presidenciais, sejam eles António Oliveira, Antero Henriques ou Fernando Gomes (o da FPF).

O certo é que mais uma vez foi Pinto da Costa abrir a boca e deixar claro que o seu tempo esgotou há muito tempo e que só o fio da vida ou a paciência dos adeptos com uma brilhante herança histórica ditarão o seu fim num cargo onde pretende prolongar-se sine die, onde já não parece ver com maus olhos uma sucessão familiar (ainda há pouco tempo dizia que era algo que não queria para os seus filhos) e onde a birra com Lopetegui e Jorge Mendes continuam a servir de justificação para muitos erros que em nada têm que ver como, eventualmente, poderá suceder num futuro não muito distante com Depoitre, Antero e Nuno Espirito Santos. Por certo, Nuno pode ser muito amigo de Pinto da Costa, ninguém o coloca em dúvida, mas qualquer que esteja dentro do mundo do futebol sabe que o melhor amigo de Nuno é e sempre foi Jorge Mendes (o sentimento é mútuo). Tentar vender uma guerra com Mendes sem nenhum sentido por culpa de Adrian (o contrato de Adrian, por certo, feito público pelo Football Leaks fala numa assinatura prévia á chegada de Lopetegui) e dizer que o agente do treinador nem sabia que este ia assinar pelo Porto (o mesmo agente que em conferências de imprensa liga directamente ao telemóvel do técnico para dar-lhe os parabéns) e que portanto a sua influência em NES, ao contrário da influência sobre Lopetegui, é nula, vai entrar para o livro de anedoctas á Pinto da Costa. Talvez um dia faça como Francesco Totti e publique um livro. Seguramente teria êxito.

Já agora, Pinto da Costa tem razão. Se a Juventus fizer como a Roma, o Braga e o Feirense e Bonucci e Chielinni se fizerem expulsar com hara-kiris, pode ser que tenham tido mesmo azar em tocar no sorteio com uma equipa cujas melhores exibições do ano foram contra 10, 9 ou suplentes. É que aí não perdoamos!

domingo, 11 de dezembro de 2016

Porque é Natal

E agora, como hoje se viu em Santa Maria da Feira, nem é apenas o nosso nível exibicional a subir à boleia do regresso de Brahimi, são os adversários a passarem, também eles, a acertar no poste em vez de marcarem de cada vez que iam à nossa grande área e ainda, pasme-se!, os árbitros a marcarem grandes penalidades a nosso favor.

Até custa a acreditar, não?


Claro que jogar contra menos um, tal como contra o Braga (ou ter, do outro lado, os suplentes do Leicester), dá uma boa ajuda mas o FCP, não tendo a mínima culpa destas falhas graves dos seus adversários, tem feito aquilo que lhe compete nestas situações: ganhar sem mácula e com um futebol uns bons furos acima da fasquia exibicional daqueles outros jogos em Setúbal, Belém e afins...

Foi pena que, no jogo seguinte, o scp não tenha dado também a sua ajuda.
Em termos futebolísticos puros, nada justifica este avanço, ainda significativo, do slb na tabela classificativa. Estes apresentam um jogo prático, sim, e têm, sem dúvida, um aproveitamento das oportunidades acima da média, mas a qualidade geral do seu plantel e mesmo da equipa como um todo, em condições normais, nunca poderia justificar a perda de apenas 7 pontos até ao momento.

Estamos a falar de uma liga portuguesa, onde nem um FCP imparável, dos melhores tempos de Hulk/Falcao, Jardel/Drulovic ou Domingos/Kostadinov, conseguia semelhante aproveitamento.
Como podem Pizzis e Fejsas fazê-lo, então?
Obviamente, o factor arbitral explica parte desta contradição. Quanto mais não seja, pela tranquilidade que dá, a cada um dos jogadores do nosso maior rival, saber que, em 99% das decisões, nunca será prejudicado.
Parecendo que não, isto pode mesmo ser um decisivo empurrão.

Mas não percamos a esperança: um árbitro marcou mesmo um penalty a nosso favor nos primeiros minutos de uma partida (quando foi a última vez que tal sucedeu?). Por isso, pode ser que o slb passe a ter também - quem sabe? - um rácio arbitral diferente.
Basta, aliás, que passem dos actuais 99 para uns 95% para que a Liga anime. Não é pedir muito e até já é quase Natal...