terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Clique emocional

Golo de Quaresma no FC Porto x Athletic

Aos 45’, em cima do intervalo, o “patinho feio” de grande parte dos adeptos portistas (Héctor Herrera), após uma jogada de excelente entendimento com o “maestro” (Juan Quintero), colocou o FC Porto em vantagem no marcador (1-0).

Durante o intervalo, Ernesto Valverde foi ao banco buscar dois “trunfos” que tinha guardado – Etxebarria e Muniain – e, no início da 2ª parte, viu-se uma equipa basca diferente, para melhor, e um FC Porto pior.

Aos 58’, na sequência de mais um passe lateral no meio-campo portista, interceptado por um jogador adversário (desta vez, o autor do “erro individual”, que esteve na origem de um golo da equipa adversária, foi Herrera), o Athletic chegou à igualdade (1-1).

Se a equipa portista já não denotava muita segurança, a partir daí tremeu bastante e, com a “ajuda” dos assobios vindos das bancadas, a bola parecia que queimava nas chuteiras dos jogadores que envergavam a camisola azul-e-branca.

Lopetegui foi rápido a reagir e, cinco minutos depois, reequilibrou a equipa com uma substituição eficaz, mas que desagradou a muitos adeptos: tirou Quintero (excelente com a bola nos pés, mas é menos um quando é preciso defender e correr atrás da bola) e meteu o “puto” Rúben Neves.

Mas o momento do jogo, que funcionou como um clique emocional (no relvado e nas bancadas), foi aos 70 minutos.

Quaresma? Saiu com muita energia do banco e fez um golo importante para a equipa e para ele
Julen Lopetegui

Cinco minutos após ter entrado em campo, debaixo de uma “chuva de aplausos”, Quaresma, cheio de confiança (e com a preciosa colaboração de Gorka Iraizoz…), marcou o golo que deu a vitória (2-1) à equipa de Lopetegui.

Para mim, houve dois momentos fundamentais no jogo de hoje:
- o momento da Razão: a entrada de Rúben Neves.
- o momento da Emoção: a entrada de Quaresma.

Duas substituições (com a entrada de dois jogadores portugueses) que correram bem, muito bem. Mérito de Lopetegui, que soube ler o jogo e identificar o que, naquela altura, a equipa precisava.

O que passa aos Leões de Bilbao?

Quis a ironia do destino que o FC Porto fosse jogar hoje no Dragão - no dia em que José Maria Pedroto celebraria o seu aniversário - com aquele que foi o seu primeiro rival das "Noites Europeias". O Bilbao que participou naquela edição da Taça dos Campeões Europeus chegou via o segundo lugar obtido na liga espanhola. Como o campeão europeu e espanhol era o mesmo - o Real Madrid - a UEFA abriu uma vaga ao conjunto basco que eliminou o FC Porto antes de cair frente ao Manchester United dos Busby Babes numa das primeiras grandes batalhas europeias da história a duas mãos. Naquela época havia um critério geográfico para colocar frente a frente os rivais na primeira pré-eliminatória e não havia muita volta a dar. O FC Porto caiu de pé contra uma equipa que era claramente superior. Muitos passou desde esse momento. O Bilbao dessa altura era um "Grande" por direito próprio em Espanha e até aos anos cinquenta tinha mais titulos que Real ou Atlético de Madrid. Mas as provas europeias nunca foram o seu forte - apenas duas finais, perdidas, frente à Juventus e Atlético de Madrid, sempre na UEFA/Europa League. Ao contrário de nós como todos sabemos, hoje "Grandes" sim, mas da Europa.



No entanto havia quem pensasse que este projecto desportivo do Bilbao tinha tudo para dar uma boa imagem na Champions deste ano. O técnico Ernesto Valverde aproveitou o trabalho desenvolvido por Marcelo Bielsa e removeu a componente do conflito emocional habitual no treinador argentino. O ano passado montou uma equipa extremamente sólida na defesa e eficaz no ataque. Mesmo sem Javi Martinez e Fernando Llorente - peças chave do plano bielseano - conquistou o quarto lugar com autoridade. Nunca ameaçou realmente o trio da frente (era impossível) mas manteve sempre debaixo de olho a Villareal, Valencia e Sevilla. Dessa equipa para este ano houve apenas uma mudança substancial, a saida de Ander Herrera para o Manchester United. Pela cláusula. O Bilbao não é um clube vendedor e quem quer que queira um jogador seu sabe o que tem de fazer. Ou espera pelo fim do contrato ou bate a cláusula. Vantagens de quem vive da filosofia exclusivista de jogadores de ascendência basca (inicialmente eram apenas vizcainos mas isso foi mudando com os anos) e não precisa de ir ao mercado contratar jogadores salvo aqueles que já tem debaixo de olho desde os anos da formação. Mantendo treinador e o grosso do plantel muitas eram as expectativas para este ano. A forma exemplar como a equipa basca eliminou o Napoli - nunca pêra doce - com uma exibição personalizada no San Paolo e uma noite europeia das antigas no novo San Mamés - deixavam claro que as percepções iniciais pareciam confirmar-se. Eu disse na altura do sorteio que o Bilbao era o grande candidato a ganhar o grupo e que entre nós e o Shaktar se discutiria a segunda vaga. Hoje é dificil dizer o mesmo até porque à fraquissima performance europeia (empate com o Shaktar, derrota com o BATE) alia-se uma péssima participação na liga espanhola.

Em termos tácticos nada mudou do Bilbao do ano passado para este.
Em lugar de Herrera o meio-campo que Valverde coloca sobre o terreno de jogo não varia demasiado da variante que já utilizava no ano passado. A Iturraspe - um belissimo futebolista - unem-se Oscar de Marcos, Markel Susaeta e Iker Munian na linha de ataque. O seu acompanhante no meio-campo pode variar entre o "Pirlo basco", Beñat, ou uma abordagem mais fisica que oferece Mikel Rico. O primeiro além de pensar muito bem o jogo é um maestro das bolas paradas mas a capacidade fisica do segundo convida a pensar que pode ser mais útil a Valverde logo à noite. No ataque o golo é coisa de dois, o temivel Ander Aduritz e o oportunista Ibai Gomez, dois jogadores que precisam de pouco espaço e tempo para marcar. Não é estranho que ocasionalmente joguem os dois numa especie de 4-4-2, em jogos em casa, mas esse é um cenário dificil quando a coisa está tão apertada e o encontro é longe de San Mamés.
É uma equipa vertical, que sabe controlar bem os ritmos de jogo e domina à perfeição as rápidas transições entre um defesa que é uma pedra como stoper e um maestro na condução do esférico como Laporte, e a frente de ataque. No entanto esta temporada revelou também uma equipa que é bastante frágil a defender e que lhe custa criar oportunidades de golo. Apesar de todo o potencial ofensivo com que conta - o mesmo da época passada - torna-se cada vez mais complicado ao Bilbao criar verdadeiro perigo na área contrária. O meio-campo tem perdido mais bolas do habitual, deixando espaços atrás que qualquer equipa rápida e organizada saberá aproveitar. E Gorka Iraizoz, um guarda-redes de luas que no ano passado salvou a equipa em muitos jogos, não tem estado no seu melhor.



O que se passa afinal aos Leones de Bilbao?
Há quem aponte este péssimo arranque de época a um esforço muito grande para ter toda a equipa a 100% em Agosto, para a prévia, que depois se está a fazer pagar neste mês e meio. Fisicamente os jogadores não são os mesmos e esse cenário em Espanha não é novo. Já aconteceu com a Real Sociedade, o Villareal, o Celta de Vigo ou o Bétis. Equipas que surpreendem ao classificarem-se no quarto lugar da liga, apostam tudo por entrar na fase de grupos de Champions mas depois são incapazes de viver com a exigência de estar fisica e mentalmente a 100% nas duas competições. A Celta e Villareal esse desnorte custou inclusive a despromoção e a Real Sociedade que tanto prometia no ano passado terminou a época longe de repetir façanha. O Bilbao actualmente está na mesma linha. É dos últimos na liga espanhola - também é certo que já jogou contra Barcelona e Real Madrid - com uma vitória e apenas cinco golos marcados em oito jogos. O treinador Ernesto Valverde já foi claro em indicar que a máxima prioridade do clube é a liga (o Bilbao é um dos três clubes em Espanha que nunca foi despromovido) e depois deste noite, salvo um resultado surpreendente no Dragão, selô-à mais ainda. De favoritos a seguir em frente agora há quem não tenha muitas duvidas que serão últimos de grupo. E em Bilbao pouco se importam. A situação vivida na liga parece de tal forma dramática - na última década o Bilbao já esteve um par de vezes perto do abismo - que ninguém criticará a Valverde por abrandar o ritmo na competição que todos queriam jogar. Esperem hoje um Bilbao aguerrido sim, de orgulho ferido, mas com a cabeça e o corpo noutro lado. Depois da derrota contra o Sporting os bascos são, provavelmente, os leões perfeitos para caçar!

Seleccionador Lopetegui

A principal critica que teci á escolha de Julen Lopetegui como treinador do FC Porto deveu-se á sua crónica falta de experiência. Imediatamente ao resgate do "Lopes" muitos vieram lembrar que nem Mourinho nem Villas-Boas (nem sequer Artur Jorge se quiserem) tinham demasiado experiência. É uma falácia (os três trabalharam directamente durante anos com os melhores treinadores da sua época) e mais ainda se temos em conta que a experiência de Lopetegui - salvo uma desastrosa passagem pelo Rayo Vallecano na 2º Divisão B (ou seja, ao nível do Coimbrões) e do Real Madrid Castilla - se centrava exclusivamente no mundo das selecções. 

É verdade que há grandes treinadores que funcionaram tanto ao leme de clubes como de combinados nacionais. Casos como os de Rinus Michels, Alf Ramsey, Otto Glória, Sven-Goren Eriksson, Valery Lobanovsky, del Bosque ou Telé Santana são bons exemplos. Mas o facto é que, na maioria dos casos, um treinador de clubes raramente se transforma num grande seleccionador e vice-versa. O desporto é o mesmo mas os mundos são totalmente diferentes. Fabio Capello e Arrigo Sacchi venceram tudo o que havia para vencer com os seus clubes mas foram vulgarizados internacionalmente como seleccionadores. O mesmo sucedeu com Alex Ferguson, Artur Jorge ou Don Revie. Inversamente o cenário também se repete. Desde que assumiu em 2001 a selecção do Brasil que o Scolari treinador de clubes se transformou numa farsa. Klinsmann foi incapaz de repetir o modelo que aplicou á Alemanha no Bayern. Para não falar nos Vogts, Camacho, van Basten e companhia. No caso do futebol de formação o exemplo mais gritante foi o de Carlos Queiroz, ganhador indiscutível com os putos da selecção das Quinas e um desastre completo ao leme do Sporting e do Real Madrid. Não quer necessariamente dizer que um treinador é melhor ou pior. Simplesmente que os mundos onde vivem são de tal forma diferentes que é difícil conseguir adaptar-se a uma nova realidade. Isso é o que está a passar com Julen Lopetegui.



Quando questionamos as dificuldades que tem tido Lopetegui em impor a sua visão esquece-mo-nos de que essa visão vem de um homem que está habituado a conceitos radicalmente diferentes. Como seleccionador espanhol, Lopetegui tinha muitas vantagens que o actual posto não oferece. Podia escolher os melhores, variar constantemente as suas escolhas e escolher para cada jogo (eliminatória, fase grupos, amigável, jogo importante ou não) os futebolistas que achava certos. Não tinha forçosamente de construir um onze base porque o facto da maioria dos jogos se disputarem com intervalos de meses deixava demasiadas variantes na mesa para assegurar que o seu onze tipo estaria totalmente disponível de Fevereiro para Junho. Era também um trabalho que não exigia demasiado treino físico e táctico. Os jogadores já vinham fisicamente preparados dos seus clubes (muitos, aliás, baixavam a carga física nessa quinzena) e a nível táctico traziam também a lição estudada do trabalho quotidiano. Lopetegui podia inclusive dar-se ao luxo de escolher aqueles que já falavam o seu idioma em vez de trabalhar ele jogadores que estivessem habituados a outro estilo de jogo durante a época. Paralelamente, Lopetegui, como qualquer seleccionador, não era um gestor de egos de balneário. Convocava quem queria e como queria (muitas vezes uma eleição pactada com os clubes e o seleccionador principal) e não tinha de prometer nada a ninguém nem gerir expectativas frustradas. A sua estação era de passagem, não o destino final.

Essa experiência acumulada foi-lhe extremamente útil para exercer o cargo de seleccionador mas nada disso vale no trabalho diário de um plantel que aspira a tudo, que está rodeado de egos, de jogadores que querem sempre mais protagonismo e onde as aulas tácticas e a preparação física são a base sob a qual se constrói tudo. Lopetegui carece de conhecimentos tácticos suficientes para por em jogo aquilo que ele quer ver que a sua equipa jogue. Antes não necessitava de dominar esses conceitos a um nível de expert porque muitos dos seus jogadores vinham de ter aulas diárias com os Guardiola, Simeone, Mourinhos, Benitez, Pellegrinis e companhia. Eles faziam o trabalho táctico por ele. Também não necessitava possuir os importantes conhecimentos de preparação física que definem o sucesso ou fracasso de muitas temporadas. A Queiroz isso passou-lhe nas suas duas etapas em Alvalade e Madrid. Os jogadores, fisicamente, deram o berro cedo demais porque na pré-temporada o treinador portou-se como seleccionador e não fez o que lhe competia que era preparar os picos de forma durante uma larga e dura época. 

Estes problemas levam-nos á situação actual. 
A incapacidade de repetir um onze não é necessariamente má. O problema é o motivo porque se produz. Lopetegui não escolhe um onze base - fundamental num projecto desportivo que quer começar e que vem de um ano com o mesmo problema - com os respectivos ajustes que seriam necessários porque não lhe foi necessário fazê-lo. Ele mesmo não se esconde e diz que escolhe os melhores para cada jogo - como faz um seleccionador - esquecendo-se de que ás vezes não devem estar em campo forçosamente os melhores mas os mais aptos, os mais preparados e os mais entrosados. A ausência de um triângulo estável entre a dupla de centrais e a posição 6 - que nenhum outro treinador no Mundo está preparado para abdicar - é um problema grave e parte desse principio errado que o treinador do FCP teima em insistir quando se defende, dizendo que os problemas individuais escondem um grande trabalho colectivo. Não é certo. O FC Porto perdeu com o Sporting por culpa própria - sem dúvida - mas também porque nunca foi uma equipa e porque o tridente do meio-campo dos de Alvalade engoliu o nosso meio-campo. A diferença? Entre a rotatividade e o desnorte táctico estava em frente um conjunto de jogadores que têm estado a somar quase todos os minutos da época, incluindo internacionais. 

Lopetegui tem na rotatividade o espelho do seu perfil como treinador. Um homem que está diariamente em contacto com o mais diversificado plantel que o FC Porto tem em muitos anos - piores figuras individuais do que quando havia um Moutinho, James, Hulk, Falcao, Lucho, Lisandro ou o primeiro Quaresma mas muito mais opções - continua a distribuir minutos entre os jogadores por uma questão de desnorte absoluto táctico e também para ganhar o balneário. Se todos jogam algo, nenhum se queixa, deve pensar. Isso vale nas selecções mas não nos clubes onde é importante que o treinador tenha a coragem de dizer que há onze que jogam sempre que estiverem bem, que há um grupo de jogadores que é a primeira opção e um terceiro lote que está no plantel para ocupar vagas e que quando chegar a sua hora deve demonstrar o que vale. Isso não tem sucedido. A equipa já trocou de todas as posições possíveis e raramente se viram três jogos seguidos com os mesmos protagonistas em acção. Oliver é uma gema de futuro, Brahimi um jogador fabuloso e Jackson um avançado para nos lembrar-mos durante muitos anos mas quantos jogos consecutivos fizeram no trio de ataque?



Creio que há qualidade suficiente no plantel para conseguir os principais objectivos do ano - ganhar o Campeonato e garantir o apuramento na fase de grupos da Champions League - mas contra um Benfica que mantém um treinador estável como nós nunca fomos capazes de lograr é preciso acabar com as experiências de seleccionador e começar a montar uma equipa com os seus conceitos tácticos bem definidos, os seus níveis físicos devidamente preparados e o seu espírito de união claramente tipificado. Todos serão importantes, de isso não há dúvida, mas Lopetegui tem de deixar querer agradar a gregos e troianos, de ser seleccionador e dar um passo em frente dizendo, este é o meu onze, este é o meu modelo e é com estes que vamos até ao fim. Sob o risco de, com tanta rotação, acabarmos a temporada todos zonzos e sem saber afinal se o Andrés Fernandez é avançado e o Adrián é defesa!  

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Rodar até cair


Já muito foi dito e escrito sobre o excesso de rotatividade de Lopetegui.
Aliás, para ver o erro em que o treinador basco teima em cair, basta comparar com aquilo que fazem as melhores equipas do país em que ele nasceu. Apesar de possuírem ainda melhores e maiores opções, nem Real Madrid nem Barcelona optam por fazer descansar atletas que supostamente venham fatigados das suas selecções. No caso dos catalães, nem contra um modesto Eibar tal acontece.
Se a arte de bem rodar fosse assim tão fácil como Lopetegui pensa (mudar uns 3 ou 4 de jogo para jogo), já há muito os melhores treinadores do Mundo o teriam feito.
E é exactamente aqui que está a origem de todos os defeitos do nosso técnico: a sua falta de experiência no futebol de clubes. Deste ponto de partida até ao experimentalismo a rodos, foi um pequeno passo.
Idealmente, e como nos mostram as grandes equipas europeias, apenas 1 ou no máximo 2 atletas devem ser trocados de jogo para jogo. Quando se vai para além disso, a confusão passa a ser tamanha que até bons jogadores correm o risco de se perderem pelo caminho. Uma coisa é entrar numa equipa com rotinas, outra totalmente diferente é jogar num "11" em que poucos se conhecem.
Basta ver o pouco que José Ángel jogou contra o scp em comparação com a boa impressão que tinha deixado quando incluído numa equipa sem tantas alterações.
Aliás, depois de tantas modificações, creio que nem o próprio Lopetegui saberá qual o nosso "11" base. Ao fim de 3 meses, afinal jogamos com 2 médios defensivos ou só com um? Óliver é extremo ou um "10"? Idem aspas para Brahimi e Quintero (a este último, Lopetegui tanto lhe dá o papel principal como o encosta para canto). Herrera é um "6" ou um "8"?

Existe contudo uma outra parte da história que começa, aos poucos, a se tornar cada vez mais evidente. Afinal, das tantas promessas contratadas para a presente época, quantas o terão justificado até ao momento? Os excessos de Lopetegui justificam tudo ou será que não existe assim tanta qualidade, como os nomes, e principalmente os clubes de origem das nossas aquisições, fariam prever?

Será que, para além da boa surpresa que tivemos em Indi e da qualidade indiscutível de Brahimi, os outros estarão num nível que um clube como o nosso exige?
Depois de tanta insistência de Lopetegui e a exagerada importância que lhe atribui, quantas assistências ou golos tem afinal um Óliver? E Tello? Justifica este o número de minutos que são "roubados" a Quaresma?
Já para não falar de Adrian, um caso que parece irremediavelmente perdido.
Em boa verdade, também nisto Lopetegui corre o risco de ficar mal na fotografia.

Aguardemos os próximos capítulos, a começar já contra o Bilbao.

domingo, 19 de Outubro de 2014

Sirenes de alerta no Dragão

O JOGO
«São demasiadas alterações na equipa-base. Independentemente dos jogos e das seleções, o problema é a mentalidade de Lopetegui, que, se calhar devido à falta de experiência, faz demasiadas alterações. A equipa não é constante, quebra com as mudanças, não cria ascendente e no último terço tinha de ser mais fluída, mais forte.»
António Sousa (ex-jogador do FC Porto e do Sporting), O JOGO, 19-10-2014


«Lopetegui voltou a experimentar e voltou a dar-se mal. Será cedo para começar a pôr em causa o lugar do espanhol, mas urge definir um rumo. Uma grande equipa precisa de ter estabilidade no seu onze, o que não quer dizer que tenha que ter sempre o mesmo onze.»
Germano Almeida (jornalista do Maisfutebol), 18-10-2014

«A defesa do FC Porto falhou. Marcano não é Martins Indi e, sobretudo, José Ángel não é Alex Sandro. Lopetegui mexeu demais e ofereceu «buracos» autênticos em zona crucial, que o Sporting soube aproveitar.»
Germano Almeida (jornalista do Maisfutebol), 18-10-2014


«A ideia que me dá é que o FC Porto fica sempre aquém do que quer aplicar. E quando sente isso, muda. Jogadores e suas posições.»
Luís Freitas Lobo, O JOGO, 19-10-2014


«Lopetegui quis colocar fogo no ataque, com Adrián López muito perto de Jackson, deu asas a Óliver e Quintero nos flancos e destapou a manta toda no meio campo.
(...) Falta jogo interior ao FC Porto e Lopetegui precisa de ter mais perícia a montar a equipa.»
Norberto A. Lopes, JN, 19-10-2014


José Manuel Ribeiro
«O FC Porto está fora da Taça de Portugal e perdeu pela primeira vez esta época, porque Julen Lopetegui leu mal o momento da equipa dele. Sem entender que estava semeada a dúvida entre os jogadores e que, por isso, precisava de se agarrar a alguns princípios, o espanhol rodou o barómetro da rotatividade e das inovações tácticas mais uns graus para lá do máximo recomendável e rebentou com a máquina.
(…) o treinador do FC Porto começou por provocar a sorte ao deixar Brahimi no banco e prosseguiu com alterações importantes no sistema táctico: em vez do 4x3x3, um 4x4x2 ou 4x2x4 (…)
(…) Lopetegui joga sempre vários jogos num só. Na cabeça dele, já estavam previstas outras etapas e até é possível que estivesse montado um plano infalível para disparar Brahimi e Tello na segunda parte.
(…) A reacção foi regressar a um meio-campo mais tradicional. Rúben Neves substituiu Casemiro, Quintero passou a jogar como dez e Óliver deu a vaga a um extremo genuíno (Tello). Ou seja, uma combinação nova, provavelmente nunca utilizada e que precisou de aprender em andamento num jogo desta importância (…)»
José Manuel Ribeiro, O JOGO, 19-10-2014


Depois de um início de época prometedor, a equipa do FC Porto, em vez de evoluir, regrediu.
Motivo(s)?
Semana após semana, tem-se vindo a formar um grande consenso, acerca de qual é a origem do principal problema (que não o único), que vem afectando a equipa do FC Porto nos últimos 4-5 jogos.

Capa de O JOGO
E há sinais importantes, transmitidos por jornais e jornalistas insuspeitos de serem anti-Porto ou anti-direcção do FC Porto.

Chamo à atenção para os extractos que reproduzi acima, da crónica do FC Porto x Sporting, assinada pelo director de O JOGO.

Eu aprecio bastante a forma, inteligente, como José Manuel Ribeiro escreve e escolhe, cuidadosamente, as palavras para transmitir o que pensa. Mas, o título da sua crónica – Como Lopetegui levou Lopetegui ao fundo – e os “recados” que espalhou ao longo do texto, são uma mensagem clara (para bom entendedor…).

E, tal como o anterior director de O JOGO (Manuel Tavares), ninguém pode dizer que José Manuel Ribeiro seja um crítico da administração da FC Porto SAD ou das suas escolhas.

Esta época, José Manuel Ribeiro começou a “torcer o nariz” muito mais cedo e isso, vindo do responsável máximo de um jornal editorialmente próximo do FC Porto, parece-me um sinal importante, que o director de O JOGO envia aos… responsáveis da SAD azul-e-branca.


Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sábado, 18 de Outubro de 2014

Experimentalismo de Lopetegui = VERGONHA

FC Porto x Sporting, Lopetegui (fonte: LUSA)

Por mais talento que exista (e no plantel que está à disposição de Julen Lopetegui há talento de sobra), não há boas equipas que sejam desorganizadas, cujos jogadores não saibam ocupar os espaços (com e sem bola) e que defendam mal.

Tendo ficado sem Otamendi (em Janeiro) e sem Mangala, uma das prioridades do novo treinador do FC Porto (fosse ele quem fosse) era formar e estabilizar uma nova dupla de defesas-centrais.
E Lopetegui parecia ter percebido isso, ao apostar (quase sempre) e procurar rotinar a dupla Maicon + Martins Indi.

Mais. Para além de mecanizar uma nova dupla de centrais é (seria) também crucial o entendimento dos defesas-centrais com o guarda-redes titular escolhido por Lopetegui (Fabiano) e a ligação com o médio defensivo que joga à sua frente (outro aspecto que teria de ser bem trabalhado, se atendermos a que o anterior titularíssimo - Fernando - saiu para o Manchester City).

Ora, se começarmos a análise do FC Porto x Sporting de hoje por estes aspectos - o entendimento entre Maicon e Iván Marcano, entre esta dupla e o guarda-redes Andrés Fernández e a articulação com o médio-defensivo Casemiro -, o que se viu hoje?
O caos!
Quantas vezes Maicon e Marcano, ou um deles e Casemiro se "atropelaram" uns aos outros?
A coisa foi de tal modo caricata que, na 1ª parte, houve uma jogada em que Maicon, Marcano e Casemiro saltaram os três à mesma bola!

A rotatividade imposta por Lopetegui é algo que até pode fazer sentido, quando existe um modelo de jogo consolidado e todos os jogadores estão perfeitamente identificados com esse modelo e com aquilo que o treinador pretenda que façam, sempre que são chamados a dar o seu contributo à equipa.
Mas, como é que isso seria possível nesta altura da época, tendo o FC Porto um treinador novo (o 4º treinador num espaço de 14 meses - entre Maio de 2013 e Julho de 2014), a trabalhar com um plantel muito jovem e que tem 15 (quinze!) jogadores acabados de chegar?

FC Porto x Sporting, onze inicial

E o caos provocado por Lopetegui já não se deve, apenas, às sucessivas mudanças de jogadores no onze base (algo que ainda não existe). É, também, devido às mudanças de modelo de um jogo para o outro e, inclusive, dentro do próprio jogo.
Foi isso que se voltou a ver hoje, da primeira para a segunda parte.

Na 1ª parte, apesar do caos instalado, principalmente na (des)organização defensiva, o meio-campo portista, com quatro elementos (Casemiro, Herrera, Óliver e Quintero) foi equilibrando as coisas.
Ao intervalo, a perder (1-2), Lopetegui voltou a trocar dois jogadores, para tentar corrigir/melhorar o seu plano de jogo inicial. Mas, se a troca do desinspirado Casemiro (regressou de 3-4 semanas de paragem) por Rúben Neves era inevitável, a substituição de Óliver por Tello (o extremo emprestado pelo FC Barcelona não trouxe nada de positivo), fez o FC Porto perder o meio-campo e fez a equipa, (des)orientada por Lopetegui, recuar para o que de mau já se tinha visto nos primeiros 45 minutos do jogo de Alvalade.

Pensava que Lopetegui tinha apreendido alguma coisa, depois do banho táctico que Marco Silva lhe tinha dado em Alvalade. Mas, afinal, parece não ter apreendido rigorosamente nada e hoje levou uma 2ª lição.
Espero que depois desta exibição miserável, desta humilhação, imposta pelo clube presidido por Bruno de Carvalho em pleno Estádio do Dragão (até deu para terminarem o jogo debaixo de olés), alguém, da estrutura do FC Porto, fale com o senhor Lopetegui e lhe explique o que é o FUTEBOL CLUBE DO PORTO.

Da minha parte e, por aquilo que ouvi no estádio, da parte de muitos portistas, terminou hoje o "estado de graça" do senhor Lopetegui.

Razão tem Ricardo Quaresma: com este plantel, o FC Porto tem obrigação de jogar muito mais.
É isso que os portistas esperam da equipa comandada pelo senhor Lopetegui e já a partir da próxima terça-feira, frente aos bascos do Athletic Bilbao.


P.S. Acabo de ler as declarações que o senhor Lopetegui fez no final do jogo:

"Oferecemos dois golos e falhámos um penálti. Foi isso que aconteceu"
"Confiamos nos jogadores, eles são responsáveis e sabem que têm de melhorar. Se queremos competir ao mais alto nível não pode ter erros destes."

Afinal, a coisa é pior do que aquilo que eu pensava. Para o senhor Lopetegui, a culpa é dos jogadores...


P.S.2 «A última vez que o Sporting, de resto, marcou três golos ao FC Porto fora de casa data de 1975, mais precisamente do dia 17 de outubro, quando a formação leonina venceu por 3-2 em jogo da sétima jornada.
Desde Fevereiro de 1965, de resto, que o Sporting não vencia o FC Porto, no Porto, por mais de um golo de vantagem
in Maisfutebol

sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

O fim dos milhões da PT

O JOGO, 17-10-2014
Ontem, numa entrevista ao Porto Canal (anunciada para as 21:00, mas que começou mais cedo…), Fernando Gomes, vice-presidente do Futebol Clube do Porto e administrador da FC Porto SAD, confirmou algumas más notícias que se anteviam e deixou sérios avisos à navegação, tendo em vista o equilíbrio das contas da SAD e a sua sustentabilidade futura:

Não nos vamos iludir. Quando grandes empresas, como a PT ou o BES, decidem deixar de patrocinar o futebol, com certeza que isso faz mossa

Sabemos o que vai acontecer com a PT e estamos em campo a tentar encontrar alternativas para a próxima época. Mas a perda é séria e pesada

É evidente que os recursos que estão afectos ao futebol, vão sendo cada vez mais curtos para fazer face às exigências. Tem de haver sensatez e prudência nesse equilíbrio. Senão, um dia, pode não haver recuperação fácil


O atual contrato entre a Futebol Clube do Porto, Futebol SAD e a Portugal Telecom SGPS (PT), no valor (mínimo) de 14,6 milhões de euros por 4 épocas (cerca de 3,7 milhões de euros por época), termina no final desta época (2014/2015) e, soube-se ontem, não vai ser renovado.

Primeiro foi o Banco Espírito Santo (BES) que, a partir de Junho de 2009, saiu das camisolas dos três grandes, optando por concentrar os seus patrocínios ao futebol no Cristiano Ronaldo e na Seleção.

Equipamento principal e alternativo do FC Porto na época 2008/2009

Agora é a vez da PT que, tudo indica, irá fazer o mesmo a partir de Junho de 2015.
E, no caso da PT, não devemos estar “só” a falar das camisolas.

Equipamento principal e alternativo do FC Porto na época 2013/2014

Também o patrocínio a bancadas/sectores dos estádios (Bancada “TMN”, Bancada “MEO”, etc.), bem como, as parcerias corporate, que envolvem a compra anual de camarotes, deverão terminar.

É um rombo (mais um) significativo nas contas das SAD’s, que irá exigir a procura de alternativas.

No caso do SL Benfica, tudo indica que já tem alternativa. A parceria que o SLB firmou com a Emirates, em Julho passado, visando o futebol de formação, deverá ser alargada a outros domínios, incluindo as camisolas da equipa principal e, possivelmente, também ao naming do estádio da Luz.

E no caso do FC Porto?

Infelizmente, a Emirates não voa de e para o aeroporto Francisco Sá Carneiro e, por isso, não poderá ser uma alternativa à PT.
Mas, olhando para o panorama altamente depressivo (para não dizer pior) da economia portuguesa, parece-me evidente que as alternativas terão de ser procuradas no estrangeiro.

Sponsors de clubes europeus (fonte: Record, Outubro de 2012)

Depois do ‘Museu do FC Porto by BMG’, será que os dirigentes do FC Porto (que, segundo Fernando Gomes, já estão em campo a tentar encontrar alternativas), irão ser capazes de “tirar outro coelho da cartola”?


Nota final: Penso que está mais do que na altura dos portistas (adeptos e dirigentes) encararem, seriamente, a possibilidade do naming do Estádio do Dragão. Eu sou a favor.

quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

FC Porto @ Redes Sociais

O JOGO, 04-10-2014
«A passagem de capital do Estádio do Dragão para a estrutura acionista teve o mérito de ressuscitar discussões sobre a relação entre clubes e associados. O burburinho virtual foi ensurdecedor, mas não teve expressão concreta, porque a febre do mundo binário contrasta com a mortificação das outrora apaixonantes assembleias gerais, hoje decrépitas e representativas do desinteresse que os sócios têm por tudo o que não envolva uma bola a rolar. Aliás, quantos saberão, sequer, que o FC Porto e a SAD do FC Porto não são uma e a mesma coisa?
É essa ausência de escrutínio e de participação que enaltece a dimensão do golpe de asa da Direção de Pinto da Costa que, perante a necessidade de transferência de parte da joia da coroa que é o Dragão para a estrutura da SAD, cuidou de sublinhar que esta, passando a ser também dos accionistas é, acima de tudo, do clube e dos sócios.
Um gesto porventura discreto, mas que espelha uma rara visão para além da vitória no próximo jogo.»
André Viana, O JOGO, 04-10-2014


Este texto de André Viana, que mais parece ter sido escrito com o jornalista de O JOGO sentado num lugar anual do Estádio do Dragão e de cachecol ao pescoço (e andamos nós a criticar a subserviência dos Delgados e Guerras deste Mundo em relação a Luís Filipe Vieira…), é susceptível de várias leituras.
Por exemplo, eu podia discorrer sobre o “golpe de asa” ou a “rara visão”, mas prefiro pegar na associação que é feita entre o “burburinho virtual ensurdecedor” e “febre do mundo binário” com a “ausência de escrutínio e de participação”.

Eu não sei se o jornalista André Viana, como sócio do Futebol Clube do Porto ou noutras funções, participou em alguma das “outrora apaixonantes assembleias gerais”, mas senhor jornalista, deixe que lhe diga uma coisa: nos últimos 30 anos, o Mundo mudou e muito!
Estamos no século XXI e, em 2014, desvalorizar o papel que a Internet e as redes sociais têm na intervenção e debate público, sobre as mais variadas matérias (futebol, política, educação, cidadania, etc.), é de alguém que pode ser jovem (e uma excelente pessoa), mas que, lamentavelmente, parou no tempo.

FC Porto - Redes Sociais
Se é verdade que, no passado, os sócios praticamente só podiam intervir na vida dos clubes marcando presença nas assembleias gerais, hoje em dia também o podem fazer recorrendo a outros meios.
Aliás, os próprios responsáveis do Futebol Clube do Porto têm plena consciência disso e, cada vez mais, o clube interage com os seus sócios e adeptos (espalhados pelo Mundo) recorrendo a diversos novos canais: E-mail, Website oficial, YouTube, Facebook oficial, Twitter @FCPorto, Instagram @FCPorto.

Neste contexto, alguns (poucos) fóruns e blogues portistas, entre os quais o 'Reflexão Portista', mostraram interesse e abordaram, sob diferentes pontos de vista, os assuntos que faziam parte das ordens de trabalho das últimas assembleias gerais do Clube e da SAD. E fizeram-no, estou certo, porque entenderam que o assunto era relevante e porque tinham opinião ou dúvidas que gostariam de ver esclarecidas.
Mas, pelos vistos, isso parece ter incomodado o jornalista André Viana, que classifica este tipo de intervenção / discussão / debate / participação de “burburinho virtual ensurdecedor”.
Tenho pena que o faça.

E tenho ainda mais pena que, antes destas duas assembleias gerais, a comunicação social e, particularmente jornais como O JOGO ou o JN, não tenham pegado no assunto como ele merecia e feito, sobre o mesmo, uma abordagem jornalística, o mais completa possível, tendo em vista contribuírem para um cabal esclarecimento de tudo o que estava (está) em causa.
Se o tivessem feito, talvez houvesse menos sócios e adeptos portistas a confundirem o Futebol Clube do Porto com a SAD do FC Porto…


P.S. O Porto Canal anunciou que, logo à noite, a partir das 21h00, irá transmitir uma entrevista com o vice-presidente Fernando Gomes, onde alguns dos assuntos discutidos nas últimas assembleias gerais do Clube e da SAD irão ser abordados.

quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Um plantel antivírus FIFA

Mal terminou o FC Porto x SC Braga, 11 jogadores (incluindo vários dos mais utilizados por Lopetegui) – Danilo, Martins Indi, Rúben Neves, Ricardo Pereira, Herrera, Óliver, Brahimi, Quintero, Quaresma, Aboubakar e Jackson – abalaram para as respectivas seleções (em alguns casos, para quase dar a volta ao Mundo).

Nos últimos dias, estes internacionais portistas têm vindo a regressar (a conta gotas) mas, a menos de três dias do FC Porto x Sporting, Lopetegui ainda não pôde contar com Danilo e Quaresma (são esperados no treino de quinta-feira), enquanto Aboubakar, Brahimi, Jackson e Quintero só estarão disponíveis na véspera da recepção ao clube presidido por Bruno de Carvalho.

Ponderando estes aspectos, bem como, o facto deste jogo entre dragões e leões ser para uma “competição menor” (Taça de Portugal) e, três dias depois, haver um jogo (FC Porto x Athletic Bilbao) para uma “competição maior” (Liga dos Campeões), é bem provável que Lopetegui recorra à sua estratégia de rotatividade.

Falta saber é se para este clássico que, obviamente, ninguém quer perder, a rotatividade será ligeira ou acentuada.

Uma opção “radical”, seria Lopetegui apresentar uma equipa que privilegiasse os jogadores que ficaram cá, ou que regressaram mais cedo dos compromissos das seleções, deixando de fora “estrelas” como Danilo, Brahimi ou Jackson Martinez.

Num cenário destes, mantendo o habitual 4-3-3, o onze inicial do FC Porto poderia ser algo do género:

Fabiano
Daniel Opare, Maicon, Iván Marcano, Alex Sandro
Casemiro, Herrera, Evandro (ou Óliver)
Ricardo Pereira, Adrián López, Tello

Muitos destes jogadores são segundas escolhas?
Concerteza, mas não me parece que o Sporting consiga apresentar um onze, cujo “valor facial” seja melhor do que este.

terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Uma Selecção do Carvalho

Após a equipazinha de Paulo Bento ter feito uma exibição miserável e sido derrotada, em casa, pela Albânia, logo no jogo seguinte, a Seleção de Fernando Santos foi à Dinamarca (teoricamente, o adversário mais forte deste grupo) e regressou a Portugal com uma vitória e “6” pontos (3 pontos para Portugal e 0 pontos para a Dinamarca) na bagagem.

Olhando para o onze inicial do jogo em Copenhaga, estavam lá três jogadores que não contavam, ou tinham sido proscritos por Paulo Bento: Tiago, Danny e Ricardo Carvalho.

Onze inicial da Selecção portuguesa em Copenhaga

E que jogo fez este “jovem” Ricardo de 36 anos, uma exibição do Carvalho!

Mas o melhor de tudo, a cereja em cima do bolo, foi aquele cruzamento teleguiado, ao minuto 90’+5, de outro Ricardo, outro dos mal-amados de Paulo Bento (e não só): Ricardo “mau balneário” Quaresma.

Eu imagino a azia que esta vitória do “engenheiro do penta”, com o forte contributo de alguns “proscritos de Paulo Bento”, causou nos geninhos deste país.

Ah, e ainda por cima a Seleção Nacional jogou de azul e branco!

Champions, o teste do algodão



«O clube da Luz apresenta o segundo pior registo da presente edição da Champions. Neste momento há três equipas com zero pontos, o Ludogorets, o Benfica e o CSKA Moscovo. O saldo de golos desempata a situação: búlgaros (2-4, após enfrentarem Liverpool e Real Madrid); águias (1-5, Zenit e Leverkusen); e russos (1-6, Roma e Bayern).»
in record.pt, 03-10-2014


No final da época 2001/2002, o Sporting de Lisboa festejou, pela última vez, um título de campeão nacional.
Na época seguinte, o FC Porto de Mourinho disputou e venceu a Taça UEFA (era uma equipa “fraquinha” que, segundo a propaganda lisboeta, ganhou tudo a nível interno à custa da “fruta”…), enquanto que o SL Benfica nem sequer disputou as provas europeias.

Na altura era difícil de prever, mas a época 2002/2003 foi a última em que, simultaneamente, quer o FC Porto, quer o SL Benfica não disputaram qualquer jogo da Champions.
Daí para cá, de 2003/2004 a 2014/2015, quer o FC Porto, quer o SL Benfica têm sido “clientes habituais” da Champions. De facto, neste período, dragões por 11 vezes e águias 10 vezes tiveram, pelo menos, oportunidade de disputar jogos das pré-eliminatórias da mais importante competição de clubes do Mundo (se depois se apuraram, ou não, para a Fase de Grupos da LC, já é outra conversa).

Os quadros seguintes, resumem o que foi a participação na Champions dos dois principais clubes portugueses, ao longo das últimas 12 épocas (incluindo a época em curso).

Desempenho do FC Porto na Liga dos Campeões, entre 2003 e 2014

Desempenho do SL Benfica na Liga dos Campeões, entre 2003 e 2014

Os números não mentem e, comparando o desempenho do FC Porto com o do SL Benfica, verifica-se que a superioridade portista é evidente em todos os indicadores – #jogos disputados, maior % de vitórias, menor % de derrotas, melhores médias de golos por jogo.

Para além dos indicadores anteriores, um outro aspecto relevante é o número de vezes em que cada um dos clubes superou a Fase de Grupos.
Como é sabido, se na Fase de Grupos ainda se vêem clubes como o Artmedia Bratislava, Dinamo Zagreb, Austria Viena, FC Copenhaga, Hapoel Tel Aviv, FC Otelul, etc. (alguns dos clubes provenientes do pote 4 que, ao longo destes anos, calharam em sorte a FC Porto e SL Benfica), nos Oitavos-de-final a rede já é muito mais fina.

Na realidade, atingir os Oitavos-de-final da Liga dos Campeões funciona, de algum modo, como uma marca de qualidade.

Ora, enquanto o FC Porto, em dez ocasiões, atingiu os Oitavos-de-final sete vezes, no caso do SL Benfica, em nove ocasiões apenas por duas vezes superou a Fase de Grupos (veremos o que vai acontecer nesta época).

Mais. Nos últimos 14 jogos que disputou na fase de grupos da Liga dos Campeões, a “super equipa” de Jorge Jesus venceu apenas 5!

Perante o enorme investimento feito por Luís Filipe Vieira (eleito presidente a 3 de Novembro de 2003), como explicar este fracasso (não há outra palavra para caracterizar 2 sucessos em 9 ocasiões) dos encarnados de Lisboa na 1ª divisão europeia?

Bem, como na Liga dos Campeões não se pode atirar a culpa para cima dos “rostos do Sistema” ou de “apitos frutados”, teremos de procurar outras razões para este insucesso gritante do SL Benfica, numa prova que é uma espécie de “teste do algodão”.

Será devido a sucessiva falta de sorte nos sorteios?
Será devido a um incomum azar nos jogos?
Ou será que os árbitros europeus deixaram de ir ao Elefante Branco e, nos jogos do SL Benfica, têm actuações muito diferentes dos condicionados (a partir do Apito Dourado) árbitros portugueses?

Faixas mostradas pelos Super Dragões no FC Porto x SC Braga

Talvez por tudo isto, o “mestre” da táctica, no seu intimo, prefira ficar em 3º lugar na Fase de Grupos e saltar para a Liga Europa, que é um ambiente mais propicio para equipas de tração à frente com caceteiros atrás e que, na UEFA, não beneficiam do “suplemento de alma” de alguns apitos cirúrgicos.

segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

Andebol de nove?

Porque o FC Porto, apesar do nome, não é (nem nunca foi) apenas um clube de futebol…

ABC x FC Porto, expulsão de Alexis Hernandez
«A vitória azul e branca não foi fácil e foi preciso recuperar de entradas em falso na primeira e na segunda parte para conquistar os três pontos. Para além disso, o FC Porto teve que ultrapassar os obstáculos impostos pela dupla de arbitragem composta por Tiago Monteiro e António Trinca, que pareceu mais preocupada em equilibrar um encontro que pendia para os azuis e brancos do que em ajuizar bem os lances. As expulsões de Alexis Hernandez (na primeira parte) e Edgar Landim (na segunda) foram pouco menos do que incompreensíveis. (…)
Com Laurentino inspirado, uma defesa muito atenta e que impedia o ABC de contra-atacar e um ataque que encontrava quase sempre boas soluções de finalização, o FC Porto parecia ter o triunfo no bolso quando conseguiu quatro golos de vantagem em meados da segunda parte.
Porém, aos 49 minutos, quando o FC Porto vencia por 23-19, a dupla de arbitragem, num incomum excesso de zelo, mostrou o cartão vermelho a Edgar Landim, deixando os Dragões reduzidos a cinco homens (Hugo Santos já havia sido excluído). Foram momentos difíceis para os portistas e o ABC chegou a ter posse de bola para empatar o encontro, aos 23-24, quando Ljubomir Obradovic foi sancionado com dois minutos.»
in www.fcporto.pt


O JOGO, 12-10-2014
«(…) O hexacampeão foi-se organizando, mesmo quando, a meio da primeira parte, ficou sem Alexis Borges (vermelho direto) …
Na segunda parte, mesmo vendo-se por seis vezes em inferioridade numérica, o FC Porto nunca perdeu a liderança. (…)
Aos 49’, Landim foi desqualificado e Laurentino segurou o FC Porto nos últimos dez minutos, em que a equipa chegou a atuar com quatro jogadores de campo (até Obradovic foi excluído).
Aos 58’, o jogo foi interrompido: um dos árbitros queixou-se de ser atingido por água e pediu intervenção policial na bancada.»
in O JOGO, 12-10-2014



O FC Porto venceu (26-23), mas a arbitragem dos senhores Tiago Monteiro e António Trinca de Lisboa, não pode ser branqueada, nem passar impune.

Não há que ter medo das palavras. Aquilo a que se assistiu no sábado, no pavilhão Flávio Sá Leite, (felizmente, o Porto Canal transmitiu o jogo em direto e todo o país pôde ver), foi a uma arbitragem vergonhosa da dupla lisboeta, que até parecia trazer alguma “encomenda” nesta sua deslocação a Braga.

Quem tiver dúvidas, e tiver possibilidades para tal, sugiro que (re)veja o jogo no Porto Canal (transmissão no Sábado, entre as 17:00 e as 19:00).

Para além dos dois cartões vermelhos diretos (algo que eu nunca tinha visto num jogo de andebol), das N situações de exclusões/inferioridade numérica de jogadores do FC Porto e dos “critérios” adoptados para marcação de livres de sete metros, há um lance de recuperação de bola e contra-ataque por parte do ABC, durante a marcação de um livre a favor do FC Porto, que é absolutamente surreal.

ABC x FC Porto, Ljubomir Obradovic
Mesmo tendo ganho o jogo, os responsáveis do Andebol do FC Porto não podem ficar calados e muito menos de braços cruzados, sob pena de arbitragens destas continuarem a acontecer, naquilo que mais parece uma tentativa desesperada e sem olhar a meios, do Sistema evitar o heptacampeonato dos dragões.

O treinador e os jogadores fizeram a parte deles mas, ao Clube, exige-se uma exposição dura do que se passou, suportada no vídeo do jogo, dirigida à Federação de Andebol de Portugal e à Associação de Andebol do Porto.
E, se a nível nacional nada for feito, penso que o FC Porto deveria ponderar recorrer à EHF (European Handball Federation).
Porque, desta vez, foi demais.


P.S. Da equipa que, na época passada, se sagrou hexacampeã nacional de andebol, saíram vários jogadores, com particular destaque para Tiago Rocha (para o Wisla Plock), Wilson Davyes (para o Nantes) e Pedro Spínola (para o Sporting).
Para este jogo em Braga, também estiveram ausentes João Ferraz (lesionado) e Mick Schubert.
Ljubomir Obradovic está a reconstruir uma equipa mas, se os jogos forem de Andebol de Sete e decididos pelos jogadores, tudo indica (para já, seis vitórias em seis jogos do campeonato) que o treinador sérvio poderá voltar a ter sucesso.

domingo, 12 de Outubro de 2014

O melhor “golo” de Ronaldo

Paris, 12 de Outubro de 2014, Conferência de Imprensa da Seleção Nacional


[Jornalista da CMTV]: Boa tarde Ronaldo, em direto para a CMTV, queria-lhe perguntar…

[Cristiano Ronaldo]: Para onde?

[Jornalista da CMTV]: CMTV.

[Cristiano Ronaldo]: Que é isso, CMTV?

[Assessor de imprensa da FPF]: É a televisão do Correio da Manhã.

[Cristiano Ronaldo]: Ah, então esqueça, que eu não vou responder.

[Jornalista da CMTV]: Sobre o jogo com a Dinamarca…

[Cristiano Ronaldo]: Não vale a pena.

[Assessor de imprensa da FPF]: Então passamos à próxima pergunta…

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Em 2011, Cristiano Ronaldo processou o Correio da Manhã.
Três anos depois, em Julho deste ano, um tribunal criminal de Lisboa deu razão ao melhor jogador do Mundo e condenou um grupo de jornalistas do Correio da Manhã por devassa da vida privada agravada.

Hoje, em Paris, numa sala cheia de jornalistas portugueses (e não só), o capitão da Seleção Nacional de Futebol (com a saída de Paulo Bento e a entrada de Fernando Santos, a Seleção voltou a ser nacional), mostrou a sua fibra e humilhou, em direto, a televisão da Cofina (Grupo empresarial proprietário do Correio da Manhã, Record, Jornal de Negócios, etc.).

Com o guarda Abel “reformado”, espero que esta atitude de Ronaldo sirva de exemplo ao Universo portista e, particularmente, a treinadores e jogadores do FC Porto, quando estiverem em conferências de imprensa.

Parabéns, Ronaldo!
Hoje marcaste o melhor “golo” da tua carreira.


Zeinal Bava (PT), Paulo Fernandes (Cofina) e Octávio Ribeiro (CMTV) (fonte: Meios e Publicidade)

P.S. Em vez de andarem a “chafurdar” na vida privada das pessoas, tinha muito mais interesse jornalístico, o Correio da Manhã dizer aos portugueses, quantos milhões de euros é que a PT/MEO, outrora a maior empresa de Portugal, já “enterrou” na CMTV.

P.S.2 Um dos assalariados do Grupo Cofina, o pseudo jornalista Eugénio Queirós, já reagiu no seu blogue:
«Ao negar-se a responder a uma pergunta da CMTV, Cristiano Ronaldo conseguiu a proeza de unir o país dos moralistas e ressabiados, entre os quais muitos jornalistas que abominam a “cultura CM” mas que não teriam lugar na redação do mesmo nem na condição de paquetes de 2.ª categoria.»
É assim que eu gosto de os ver, a espumar de raiva.

sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

"Aqui jaz Bruno de Carvalho, abatido pelo ridículo"


Há sensivelmente um ano(!) escrevi:

Ia escrever qualquer coisa acerca do Bruno de Carvalho, e o seu estilo desbocado, as tiradas irónicas à la Pinto da Costa - eles odeiam o homem, mas não conseguem deixar de o imitar - o confronto aberto com o FCP e os seus dirigentes, e alegria com que se vem gabando que será mal recebido no Dragão. Mas não vou fazer nada disso. O presidente do SCP, clube que "não é dado a frutas" mas que aposta mais nos cheques, é irritante - ele deve inspirar-se no provérbio africano que diz "se pensas que és demasiado pequeno para fazer a diferença, tenta dormir num quarto fechado com um mosquito" - mas é em igual medida irrelevante (e esquece-se que um mosquito, por muito incómodo que seja, acaba invariavelmente "esborrachado"). Assim, e já que não é possível pedir a todos os Portistas que no próximo domingo, não recebam mal o sr. Bruno Carvalho, mas que lhe mostrem o mais perfeito desinteresse, faço aqui o desafio para que lhe ofereçam um ramo de flores, com um cartãozinho a dizer "seja muito bem vindo ao Estádio do Dragão!". Apresentem registos fotográficos da entrega do dito ramo, e da cara do indivíduo, e eu pago a despesa (até €20, vamos lá com calma!) - está prometido.

Considere-se o desafio de há um ano renovado.

O sr. Bruno de Carvalho tem direito a não gostar do presidente Pinto da Costa, até a não gostar do homem Pinto da Costa ou mesmo do FCP; o que ele não tem direito é de insultar toda a gente. Como descer ao nível dele é contraproducente - a experiência do homem nesse estado é por demais evidente - sejamos civilizados e "mortificantemente" simpáticos lançando-lhe flores, confetis e - porque não? - até beijos. Tudo, menos aquilo que ele quer.

quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

O banco bom e o banco mau

João Gonçalves deixou um novo comentário na sua mensagem "Impressões sobre Julen Lopetegui, parte II":

«(…) A rotatividade é fantástica para o espírito de grupo e para a competitividade interna... com Lopetegui, todos os jogadores sabem que amanhã podem jogar... com VP todos os jogadores sabiam quem ia jogar amanhã... uma pequena diferença mas que demonstra claramente a razão de quando não jogavam o núcleo de 12/13 jogadores a equipa simplesmente não rendia. (…)»


Sinceramente, não me apetece voltar ao tema “Vítor Pereira” e muito menos à discussão acerca dos méritos e deméritos que Vítor Pereira evidenciou durante os três anos em que fez parte da equipa técnica do FC Porto, dois deles como treinador principal.

Contudo, há algo que é por demais evidente e que não pode ser ignorado. O “banco de suplentes” que Lopetegui tem à sua disposição (um “banco bom”), não tem nada a ver com o que existia na época passada, ou há duas épocas atrás (um “banco mau”).

Por exemplo, no recente Sporting x FC Porto, Lopetegui não pôde contar com Maicon (estava castigado) e, mesmo assim, veja-se qual foi o onze inicial e as alternativas que tinha no banco à sua disposição…

Onze inicial e suplentes do FC Porto, no Sporting x FC Porto da época 2014/2015 (fonte: zerozero.pt)

… e compare-se com o banco de suplentes portista, no Sporting x FC Porto de há duas épocas atrás:

Onze inicial e suplentes do FC Porto, no Sporting x FC Porto da época 2012/2013 (fonte: zerozero.pt)

Melhor ainda, compare-se com as opções que Vítor Pereira tinha no banco, no Benfica x FC Porto da época 2012/2013:

Onze inicial e suplentes do FC Porto, no Benfica x FC Porto da época 2012/2013 (fonte: zerozero.pt)

Ou seja, Lopetegui recorre à rotatividade, porque quer e pode.
Com o plantel que tinha à sua disposição, como é que Vítor Pereira poderia, mesmo que quisesse, promover uma rotatividade alargada?