domingo, 29 de março de 2015

À atenção do psicólogo

[Aboubakar] Precisa de calor humano. Se estiver num contexto confiante, é um jogador que se transcende.

os problemas de antecipação [do Aboubakar] prendem-se com o feitio dele, porque respeita muito as pessoas e não toma a iniciativa e isso nota-se no seu jogo.

Christian Gourcuff (O JOGO, 15-03-2015)

Estas declarações, feitas por Gourcuff (seleccionador da Argélia), que treinou Aboubakar no Lorient, tocam num aspecto crucial: a personalidade, o feitio de Aboubakar.

Ou seja, Aboubakar é um jogador psicologicamente vulnerável, que precisa de apoio (“calor humano”) para se libertar e render mais dentro do campo.

E o mesmo se passa com outros jogadores que chegaram esta época ao FC Porto, como é o caso de Brahimi, que também parece precisar de um contexto favorável à sua volta.

À atenção da equipa técnica e dos psicólogos que trabalham com a equipa profissional do FC Porto.

sábado, 28 de março de 2015

Estofo de campeão!?



Embora me custe, confesso que não tenho estofo de campeão. Enquanto cidadão/atleta, falhava com frequência um golo fácil e metia outros de complexa realização, que enchia de inveja, colegas e adversários, pela elegância dos movimentos. No basquete, falhava com a mesma facilidade bolas debaixo do cesto, quase tanto como acertava de três pontos e, quando venci alguns jogos assim, atingi os “pontos mais altos da minha carreira”. Obviamente, que ao sucesso destes feitos está associada a menor ansiedade do cidadão/atleta em função do julgamento público ser muito mais benevolente em situações complicadas. Ou seja: tremia muito mais quando a responsabilidade do sucesso do movimento me cabia por inteiro. Como adpeto, sigo o mesmo rumo: acredito na vitória do FCP depois de alcançada a vantagem de três golos e já com uma boa parte do tempo do jogo realizado. Antes dos confrontos, prevejo uma série de ameaças prontas a explodir e a prejudicar os meus intentos. Tenho medo do inesperado e na dúvida, duvido. Até já pensei em fazer como o meu Pai que vestia a mesma roupa (e outras que foi fazendo sempre iguais) para puxar a sorte para o seu lado. Como se constata, é um problema de família, esta falta de estofo.
Dei por mim a pensar nestas coisas, quando assistia, cheio de gozo, ao Barça/Real Madrid. Desfrutei do jogo intensamente e vivi com entusiasmo todas peripécias que ocorreram durante os 90 minutos. Embora tenha havido vencido e vencedores, considerei que ambos estiveram perfeitos (inclui os erros cometidos) na excelência do espectáculo apresentado. Nem fiz acusações, nem me atreveria a considerar que os derrotados o tinham sido por manifesta falta de estofo de campeões, no seguimento do esbanjamento, em jornadas anteriores, do pecúlio que tinham amealhado. O espectáculo valeu pelo  todo, e nesse mérito colaboraram ambas as equipas, por igual.

No jogo entre o Nacional e o FCP, não gozei nem um bocadinho o jogo, culpei todo o mundo pela desgraça final (e o treinador por maioria de razão), dormi mal, acordei cedo e zangado com a vida. Apesar desse desassossego, nem por uma vez pensei que tínhamos realizado uma exibição vergonhosa ou que os atletas (e o treinador) não tinham estofo de campeões. É provável que estivessem ansiosos e manifestassem cansaço, mas isso não é próprio da natureza humana? E não é mais atendível quando as grandes decisões são tomadas pelos jogadores de forma quase instantânea? Não fomos, assim, campeões ao minuto 92? Gosto muito do FCP, mas ainda não aprendi (e não vou aprender) a viver de bem com o jogo antes da vantagem de três golos para o nosso lado e aceitar uma derrota com naturalidade. Das sentenças, procuro libertar-me o que ocorre naturalmente ao fim de gozar um nojo de 72 horas. Acho que o treinador é bom, esta equipa é boa e não é por morrer uma andorinha que acaba a primavera. A equipa do FCP tem muitos campeões, recomenda-se e merece todo o apoio dos sócios e adeptos.

sexta-feira, 27 de março de 2015

"Business as usual"


O Benfica está em negociações com Mauro Goicoechea, guarda-redes uruguaio do Arouca, com vista à próxima época. Segundo apurou o CM, a aposta no guardião, de 26 anos, destina-se a rejuvenescer o setor da baliza, o mais veterano do campeonato (Júlio César e Paulo Lopes têm 35 anos e Artur Moraes 34). Goicoechea tem contrato com o Arouca até 2016, mas o CM sabe que tanto da parte do jogador, como do seu clube, existe total disponibilidade para chegar a acordo com as águias. 


Esta notícia aparece duas semanas depois do jogo Arouca 1 - 3 Benfica a contar para a 24ª jornada da Liga Portuguesa. Vá lá, desta vez o interesse do SLB em jogadores de clubes adversários aparece depois do jogo entre ambos e não antes.

Nesse jogo, o Arouca marcou primeiro por Iuri Medeiros aos 7' e assim terminou a primeira parte. Com o SLB a perder por 1-0, no início da segunda parte, aos 51', o guarda-redes Goicoechea aliviou mal a bola, contra Lima, e esta sobrou para Jonas que fez um golo fácil com a baliza escancarada... Passados 5 minutos Gaitan subiu pelo lado esquerdo junto à linha de fundo e rematou/cruzou, com a bola a passar por entre as mãos do guarda-redes Goicoechea, para Lima completar a reviravolta no marcador...


Este jogador uruguaio começou a sua carreira profissional no Danubio FC do Uruguai em 2006/2007, onde se manteve até ter sido contratado pela AS Roma em 2012/2013. As suas exibições em Itália oscilaram entre o bom e o péssimo e em 2013/2014 foi cedido ao FC Otelul Galati da Roménia. No início da época 2014/2015 foi contratado por 2 épocas pelo FC Arouca tendo uma cláusula de rescisão de 1,5 m€.

Da sua passagem pelo AS Roma, ficaram algumas exibições péssimas, para não dizer estranhas...

   

quinta-feira, 26 de março de 2015

O ponto de situação do "caso Oliver"

A notícia da semana em Madrid foi a renovação – até 2020 – de Diego Pablo Simeone.
É uma renovação com matizes (todos os anos, até 2020, ambas partes podem chegar a um acordo amigável que basicamente quer dizer que quando Simeone quiser aceitar uma das muitas ofertas que tem, pode sair sem prejuízo financeiro) mas que consolida definitivamente a sua presença como máxima figura no Calderón. Tudo gravita à sua volta e a sua obsessão – ganhar a Champions League com os “colchoneros” – vai ser o motor dos próximos anos. O clube assume que a 38 jogos é difícil ombrear com Real Madrid ou Barcelona para repetir o titulo da liga do ano passado mas sabe que na Europa, com jogos a eliminar, a conversa é outra. E essa é também uma noticia importante para o FC Porto.

O clube está desde Janeiro a falar com os principais responsáveis desportivos do campeão espanhol, Gil Marin (filho do mítico presidente Gil y Gil) e Caminero, director desportivo e a voz de Simeone nas reuniões. O que tínhamos adiantado na altura parece confirmar-se cada vez mais e a renovação de Simeone reforça-o. Muito dificilmente Oliver Torres voltará a jogar no Atlético de Madrid enquanto o argentino for treinador. Em equação – e fundamental para a renovação – entrou outra variável. O investimento de um milionário chinês Wang Jianlin, que adquiriu um pack importante de acções da SAD colchonera, cerca de 20%, sob a promessa de sustentar financeiramente o clube na sua corrida à Champions, correspondia às exigências do treinador que quer que o Atlético deixe de ser uma equipa vendedora e possa atrair ao Manzanares jogadores de topo. Na lista de exigências do argentino há três nomes escritos em letras maiúsculas: o avançado uruguaio Edison Cavani, o médio argentino Javier Pastore e o extremo Marco Reus. São os principais objectivos do novo Atlético e é altamente provável que, pelo menos dois deles, sejam contratados para o próximo ano.
O clube de Madrid vai estar muito activo no próximo defeso. Com ordem de saída no plantel estão Siqueira, Mandzukic, Miranda e Oblak. Arda Turan tem ofertas importantes e poderá sair. Tiago ficará apenas mais uma temporada e o capitão Gabi – debaixo de um processo de corrupção desportiva – vai ter cada vez menos protagonismo. Simeone quer montar uma estrutura de meio-campo e ataque onde Reus, Koke e Griezzman sejam o apoio a Cavani, com Saul e Tiago ou Gabi no apoio medular. Seria um onze muito mais forte do que o actual e, sobretudo, um onze sem espaço para Oliver Torres.


Simeone já deixou claro que não conta com o jovem criativo no seu esquema de jogo. O clube  não se quer desprender de uma das suas maiores pérolas nem o jogador que quebrar o vinculo com o Atlético mas se essas movimentações taparem qualquer possibilidade de jogar de Oliver, a saída parece inevitável .O Atlético vai comprar muito mas também vai ter de vender para respeitar o Financial Fair Play e é importante cortar o máximo de pontas soltas no plantel. Um novo empréstimo só é opção se for o FC Porto. Nem o jogador quer ir para outro lugar emprestado nem o clube está disposto a ter Oliver noutro clube sem sacar algum tipo de rendimento ou emprestá-lo a um rival directo em Espanha (Sevilla e Villareal são os interessados) não é opção para o clube. Oliver tem mercado – e muito especialmente depois deste ano – e a sua recuperação para posterior venda é neste momento o cenário mais provável. O Atlético guardaria uma opção de recompra sobre o jogador no período de dois anos para onde quer que vá por um valor nunca superior aos 20 milhões de euros. O médio tem mercado em toda a Europa mas as necessidades de Simeone são prioridade. E aí entra o eventual duelo que pode ditar o seu destino. Um FC Porto vs Borussia Dortmund.

Simeone quer Reus. Já tentou de tudo neste último defeso – o jogador esteve mesmo a ponto de assinar mas as exigências do Dortmund (pagamento a pronto da cláusula) impediram o negócio – e vai voltar à carga. O jogador também está interessado em jogar em Espanha. Klopp já assumiu que vai perder Reus – o último pilar da sua grande equipa com Gotze e Lewandowski no ataque – mas em troca quer Oliver. É um admirador confesso do médio, acredita que pode ser importante para impor ordem no meio-campo do Dortmund e sabe que incluir o jogador pode baixar o preço a pagar por Reus. Por dez milhões de euros teria um jogador de uma enorme projecção que taparia uma vaga na equipa e ainda deixava dinheiro para reforçar outras áreas. O Atlético está disposto a ir por esse caminho – o jogador não acha tanta piada – e a operação já teve luz verde de Simeone mas o FC Porto voltou à carga explorando a grande debilidade dos colchoneros este ano: o lateral esquerdo.
Depois da venda de Filipe Luis, jogador fundamental nos anos anteriores, o Atlético foi ao mercado buscar Siqueira (num negócio mediado por Mendes com Quique Pina) e conseguiu, por empréstimo, o argentino Ansaldi. Simeone está insatisfeito com ambos. Ao primeiro considera pouco profissional e aplicado e ao segundo, a situação de empréstimo, o elevado salário que recebe e a falta de rendimento por contínuas lesões parecem descartar a sua contratação. Tanto que é Jesus Gamez, lateral direito, quem tem ocupado a posição. Assinar com um lateral é a prioridade máxima da equipa e o Atlético tem tentado convencer Mendes a persuadir o Chelsea a emprestar de novo um Filipe Luis que não tem tido minutos em Londres. Tudo depende desse negócio. Se Mourinho se mantiver inflexível, o Atlético vai ter de ir ao mercado. E aí aparece Alex Sandro. O lateral acaba contrato no próximo ano (como Danilo), tem mercado e o rendimento desportivo, ainda que bom, tem baixado esta época em relação à anterior. No Dragão a opinião geral – que partilho – é que é a melhor altura para vender o brasileiro e se essa venda incluir Oliver no negócio (com um empréstimo com opção de compra ou, cenário mais improvável, compra definitiva imediata), todos saíam a ganhar. O jogador, claramente, prefere esta segunda opção. Está com o seu “pai” futebolístico, perto de casa e num clube que já conhece e que o valoriza.


Neste cenário o destino de Oliver está nas mãos de muita gente. Uma equação complicada que envolve Jorge Mendes, José Mourinho, Jurgen Klopp, Marco Reus e Alex Sandro. Um cenário assim é sempre imprevisível e tudo pode suceder até Julho. O que é certo é que Simeone não quer Oliver, o jogador prefere o FC Porto a qualquer outro cenário longe de Madrid e o clube tem feito de tudo para garantir o seu concurso para o próximo ano. As cartas estão na mesa mas o jogo ainda está longe de acabar.

quarta-feira, 25 de março de 2015

A credibilidade do futebol português


"A eleição do Dr. Fernando Gomes para o Comité Executivo da UEFA representa não apenas um sinal de reconhecimento em relação à capacidade e empenho do trabalho desenvolvido pelo Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, mas acima de tudo um sinal da credibilidade e do crescimento do Futebol português no contexto europeu.
Os números da votação são inequívocos e expressam bem a avaliação que as federações europeias fazem do trabalho da FPF e do seu presidente.
O SL Benfica deseja os maiores sucessos ao Dr. Fernando Gomes e espera que a sua ação no comité executivo contribua para o crescimento e afirmação do Futebol português. Estou seguro de que assim será!
Luís Filipe Vieira
Presidente do Sport Lisboa e Benfica


Ó senhor presidente, então e o apito dourado?

Nada como uma época inteira de colinho, para o presidente da instituição “enterrar” a cassete do apito dourado e, oficialmente, decretar a credibilidade do futebol português no contexto europeu.

terça-feira, 24 de março de 2015

O que queremos para o futuro, o Campeonato ou a CL?


Não são objectivos mutuamente exclusivos, mas têm de ser compatíveis no seio de qualquer plantel do FC Porto.
A FC Porto, SAD terá que responder a esta pergunta para começar a planear a próxima época e decidir qual o lote dos jogadores que fará parte do plantel disponível para Julen Lopetegui. E aqui surge uma importante equação: queremos ser campeões nacionais e esse será o principal desígnio ou queremos fazer uma boa campanha na Champions League?

O jogo na Madeira, contra o Nacional, mostrou que existem jogadores pouco focados no campeonato, em deficiente forma física ou com a cabeça nos jogos a disputar nos quartos-de-final da Champions League contra o Bayern de Munique. Sem ter feito uma primeira parte brilhante, a equipa chegou ao balneário a vencer por 1-0, fruto da inspiração de Tello que, da direita, flectiu para o centro e à entrada da área desferiu um pontapé indefensável. Esperava-se que na segunda parte o FC Porto conseguisse aguentar o resultado ou até dilatá-lo para segurar um triunfo que deixaria o campeonato em aberto praticamente até ao fim.

Como aqui já sugeriu o Miguel Lourenço Pereira, Lopetegui poderia fazer subir Marcano ou Maicon para a posição de pivot e colocar Indi a central ou fazer entrar mais cedo o Quaresma, substituindo o desinspirado Brahimi ou ainda colocar o argelino no meio campo tirando o Evandro. E tinha no banco Oliver, que presumo estivesse em condições de jogar, caso contrário não teria sido convocado. O jogo pedia jogadores meio campistas com capacidade para fazer pressing e segurar o jogo. As substituições realizadas (Casemiro por Ruben e Quintero por Evandro) não surtiram efeito e permitiram a continuação das jogadas de perigo do Nacional que, verdade seja dita, só sabe jogar em contra-ataque. Lopetegui leu mal o jogo.

Mas o problema não foi apenas o treinador. Viu-se bem que há demasiados jogadores que não metem o pé e que não arriscam o contacto físico. Uma equipa que quer ser a melhor a nível interno tem de dar o máximo e encarar com grande seriedade todos os jogos do campeonato. Em minha opinião estamos, também, com um problema de atitude. Jogadores como Tello, Brahimi, Alex Sandro e Quintero não deram tudo o que tinham na Choupana e não têm dado tudo em vários jogos disputados na liga nacional. O próprio Herrera, que tem feito exibições de grande nível na Champions League, mostra-se uns furos abaixo quando o jogo é a contar para o campeonato. 


A meu ver, o projecto FC Porto foi vendido a demasiados jogadores apenas e só como uma oportunidade para jogarem na Champions League. Não sabem o que é o FC Porto, não sabem qual é a sua história e sobretudo não sabem que não lhes basta ser melhores, que têm de ser muito melhores para conseguirem vencer. A montra mundial pode atrair muitos jogadores mas não aqueles com a disponibilidade e a capacidade de entrega que o clube precisa para ser campeão nacional.

E por isso, quando se constrói um plantel, é necessário entender que nem só de jogadores talentosos se constrói um campeão. É preciso jogadores com garra, com querer, com ambição e com capacidade de sofrimento. Porque também é disto que um jogador “à Porto” é feito. A preparação para a próxima época já estará, seguramente, em curso. Cabe à Administração da SAD, em articulação com o treinador, construir um plantel com ambição e talento, mas também com garra para disputar todos os jogos da principal competição interna com nível máximo de intensidade, não apenas os jogos que respeitam à competição favorita dos jogadores, a Champions League.
     

segunda-feira, 23 de março de 2015

AG do Clube - 25 março

Convocatória para a AG Extraordinária do dia 25 de Março de 2015

Uma 2ª Parte para recordar

Texto de Miguel Lourenço Pereira


Ainda faltam algumas jornadas para o término do campeonato, mas parece claro que o último fim-de-semana irá ter contornos decisivos, que nos acompanharão até ao fim do curso.

Era muito difícil que o Benfica – e a sua legião de admiradores de negro – conseguissem perder pontos antes do Clássico da Luz. E, ainda assim, em Vila do Conde, uma inesperada derrota dos encarnados, permitiria ao FC Porto – que entrava minutos depois na Choupana – reduzir a um misero ponto uma diferença pontual que, há umas semanas atrás, parecia irrecuperável.

Alguém se lembrou, seguramente, de 2012/13. Eu, pelo menos. O que se seguiu foi uma vergonhosa exibição na Madeira, sobretudo para uma equipa que sabia que tinha em mãos a melhor oportunidade da temporada para vencer um campeonato que, a todos, estava entregue à partida.

Esta época, o FC Porto perdeu 5 pontos na Madeira e esses podem ter sido precisamente os pontos que nos separam to titulo.

O que também se viveu na ilha, foi uma nova demonstração de erros de gestão de plantel e de cálculo de Julen Lopetegui em momentos de aperto. Sobretudo no segundo tempo.

O Porto chegou ao intervalo a ganhar. Não o merecia, propriamente. Tivera mais a bola, mas causara pouco perigo. O golo brilhante de Tello tapava muitas deficiências do jogo coletivo. Mas era um golo de 3 pontos, como se costuma dizer.

Para os segundos quarenta e cinco minutos era, simplesmente, necessário fazer o mais fácil, deixar o relógio correr, controlar o jogo e procurar ampliar a vantagem em lances pontuais. Sucedeu o oposto.

Tudo começou com a saída de Casemiro, ao minuto 52.

Não sei porque Lopetegui decidiu tirar o brasileiro. Tinha amarelo, sim, mas até então o jogo não tinha sido duro, não tinha exigido a Casemiro uma acumulação de faltas que o levasse a uma eventual expulsão. Quase todos os médios jogam largos minutos com amarelo e não saem por isso.

Há a possibilidade de que Casemiro – como quase todos em campo – tivesse problemas físicos já ao intervalo. Tentou aguentar, não conseguiu e pediu para sair. É um cenário possível que levanta outra questão, a do péssimo planeamento do plantel para uma posição chave, esse imenso flop que foi Campaña e a ausência de um médio defensivo de raiz no plantel, porque Lopetegui queria apenas um perfil muito concreto de jogador e que era demasiado caro para a SAD (Darder, Clasie, Camacho...).

Tendo em conta o estádio onde se jogava, a importância do jogo e a natureza do rival, a saída de Casemiro exigia um perfil próprio para a posição. Basicamente, qualquer jogador, menos Rúben Neves.

Evandro e um "carro de combate" do Nacional (fonte: Maisfutebol / REUTERS)

Gosto muito, muito do Rúben, mas nem ele é um seis de raiz, nem tem capacidade física para aguentar um meio-campo sozinho num jogo de máxima tensão longe de casa. Rúben está em processo de crescimento, é um interior reconvertido e tem tido um excelente primeiro ano. Mas na Madeira foi “queimado” por Lopetegui.

Que podia ter feito o espanhol?

Subir Marcano ou Maicon para a posição de pivot e colocar Indi, por exemplo. Era importante segurar a vitória, mais do que procurar a nota artística. Não era noite para floreados. Mas Lopetegui é teimoso, acredita que o seu estilo prevalece sobre as circunstancias – viu-se no Estoril, contra o Boavista (em casa), contra o Marítimo – e a partir daí o meio-campo perdeu-se.

Herrera estava só, porque Evandro fisicamente não podia (a gestão do plantel, outra vez em questão, face ao claro mau estado físico de muitos jogadores).

Herrera cercado por jogadores do Nacional (fonte: Maisfutebol / REUTERS)

Nesse cenário o Nacional cresceu. Procurou transições laterais rápidas, porque os alas estavam expostos. Não havia ajudas dos interiores nem dos extremos. João Aurélio parecia a reencarnação de Cafu e, ainda para mais, Alex Sandro estava em modo de não meter o pé e não correr mais do que o básico.

O perigo multiplicou-se e o Nacional deu sucessivos avisos. Lopetegui, impávido, voltou a errar. Ciente de que o meio-campo se perdia, lançou Quintero e Quaresma para os lugares de Evandro e Brahimi. Manteve o 4-3-3, mas deixou em campo um leque de jogadores macios, sem capacidade pressing, proclives a perder a bola e não recuperar. Abdicou de tudo aquilo que funcionou contra o Basileia. O descalabro foi inevitável. Rúben, Quintero e Herrera no meio e Quaresma, Tello e Aboubakar no ataque foram trucidados por um Nacional que pressionava, recuperava e lançava rápidos contra-ataques sem encontrar resistência. Marcaram um, podiam ter sido dois ou três. O título – perdido na Madeira, se é que está perdido – foi-se por má gestão táctica do colectivo.

O que podia e devia ter feito Lopetegui?

Dando por descontado que não queria quebrar a dupla de centrais (inconsequente num jogo assim a meu ver) e que Rúben entraria por Casemiro, o espanhol devia ter mudado o esquema de jogo de um frágil 4-3-3 para um mais compacto 4-4-2, quando o meio-campo deu os primeiros sinais de fraqueza.

Defender o resultado segurando o meio-campo. Procurando ter a bola e que ela circulasse, explorando dois avançados moveis nos espaços. Podia tê-lo feito de distintas maneiras.

Colocando Oliver no lugar de Brahimi, deixando Tello e Aboubakar nas alas, garantia mais posse, mais clarividência no jogo e as alas fechadas às incursões do Nacional. Deixava Tello em liberdade para explorar diagonais e Aboubakar a prender os centrais.

Outro cenário seria o de retirar Aboubakar e Brahimi e apostar em Quaresma e Oliver, com duas setas no ataque e um meio-campo de quatro.

Havia ainda uma terceira opção, a de colocar a equipa num claro 4-5-1 com Brahimi e Oliver acompanhados de Rúben, Herrera e Evandro no meio e Aboubakar ou Tello só no ataque. Os 3 pontos valiam o sacrifício e isso teria reduzido ao mínimo qualquer opção do Nacional.

Evandro a lutar contra o meio-campo do Nacional (fonte: Maisfutebol / REUTERS)

Qualquer um destes três cenários alternativos teria garantido tudo aquilo que as opções de Lopetegui não deram: controlo da bola e do espaço. Um ritmo de jogo imposto pelo nosso meio-campo, a exploração das diagonais entre o meio-campo e a defesa do Nacional e o impedimento de que os laterais pudessem subir em demasia para criar perigo. Lopetegui foi teimoso, mantendo o 4-3-3 com os jogadores mais macios que tinha e com isso provocou um naufrágio colectivo.

Um treinador está para treinar durante a semana – e aí o trabalho de Lopetegui tem sido positivo – mas também está para adaptar-se aos acontecimentos durante o jogo. Nesse cenário o espanhol ainda tem muito que aprender. O Porto raramente produz reviravoltas, a equipa raramente altera o esquema táctico e, num jogo de capital importância, exige-se mais ao líder do colectivo.

Duas viagens à Madeira complicadas, cinco pontos perdidos e a dupla sensação de um plantel mal definido com o seu consequente desgaste e, sobretudo, de um treinador que toma decisões erradas em momentos críticos.

Duas áreas a melhorar – e muito – para o próximo ano. Será difícil que o Benfica volte a perder pontos e será difícil ganhar por 0-2 na Luz (e ter um melhor goal-average). Mas talvez o mais difícil será não repetir erros cíclicos como tem sucedido esta temporada.

domingo, 22 de março de 2015

As árvores morrem de pé

Desde Janeiro passado, que a renovação do hóquei portista tem vindo a ser pré-anunciada, por quem acompanha de perto as modalidades do FC Porto e costuma estar bem informado.

Em Fevereiro, esses rumores confirmaram-se e saíram várias notícias (não desmentidas) nos jornais…

O novo treinador (fonte: O JOGO, 18-02-2015)


A renovação/revolução do plantel (fonte: O JOGO, 26-02-2015)

Na bluegosfera, há quem questione (e bem) o timing destas notícias e se estamos perante uma renovação ou revolução.

Também eu questiono o timing, o processo e alguns dos nomes envolvidos nesta renovação/revolução mas, tal como escrevi em Junho de 2014, parece-me que seria inevitável e, inclusivamente, penso que esta renovação talvez venha com um ano de atraso.

Dito isto, faço questão de escrever este pequeno texto a seguir a uma importante vitória do FC Porto sobre o grande rival de Lisboa (3-2), para a Liga Europeia, porque, se é verdade que “os cavalos também se abatem”, estes jogadores, estes dragões, os que ficam e os que vão sair, mostraram hoje que “as árvores morrem de pé” e que merecem o nosso respeito.


P.S. Fruto da vitória de hoje, o FC Porto irá disputar, pela oitava vez nos últimos dez anos, a final a quatro da Liga Europeia de Hóquei em Patins

sábado, 21 de março de 2015

Más opções de Lopetegui

Lopetegui (fonte: Maisfutebol / LUSA)

No desafio anterior (contra o Arouca), com o FC Porto a jogar com menos um desde muito cedo, Quaresma fez uma grande exibição e foi considerado, quase unanimemente, o melhor em campo.
Como “prémio”, hoje foi para o banco e Lopetegui apenas o chamou, já com a equipa em desespero de causa, à procura de recuperar a vantagem perdida no marcador. Não foi a tempo…

Em contrapartida, os três jogadores do trio de ataque – Brahimi, Tello e Aboubakar – tiveram hoje uma exibição entre o medíocre (Tello e Brahimi) e o péssimo (Aboubakar). Aliás, na linha do que já se tinha visto em jogos anteriores, Aboubakar denotou imensas fragilidades a jogar de costas para a baliza e, em muitos momentos do jogo, pareceu completamente desligado do resto da equipa. Em jogos como este (e há muitos assim no campeonato português), Jackson faz imensa falta.

Aboubakar (fonte: Maisfutebol / REUTERS)

Mas, se me parece evidente que Lopetegui errou, ao deixar o Quaresma (a atravessar um bom momento) no banco de suplentes, também penso que fez uma má leitura do jogo e não foi nada feliz nas substituições.

Rúben Neves ainda não tem a intensidade de jogo e a agressividade sobre a bola que tem Casemiro e isso foi notório na quebra, a pique, do meio campo portista.
E a coisa piorou quando Evandro foi substituído por Quintero. O colombiano foi um claro erro de casting, numa altura do jogo em que, após a saída de Casemiro, o FC Porto já estava a perder a luta e o domínio do meio campo.

Por aquilo que já disse, na minha opinião, Lopetegui esteve mal nas substituições e no timing em que as fez.
Por exemplo, no momento em que retirou Evandro, por que razão não entrou Quaresma (em vez do inexistente Quintero), passando Brahimi para o meio-campo, tal como tinha feito no Bessa?
Se Lopetegui tivesse optado por esta configuração, para além de reeditar uma solução que deu resultados (contra um Boavista semelhante a este Nacional), ficaria ainda com uma terceira substituição, que tanto poderia ser a entrada de Gonçalo Paciência (para o chuveirinho nos últimos minutos), como poderia ser Óliver (se, entretanto, interessasse recompor o meio-campo).

No computo geral, foi uma exibição fraquinha do FC Porto, em que faltaram jogadores importantes (Jackson e Óliver), faltaram jogadores em melhor forma (Brahimi, Herrera, …), faltou Quaresma a titular, faltou Casemiro nos últimos 40 minutos, faltaram pernas, faltou experiência e faltou treinador.

Após o "milagre" do SL Andor ter perdido em Vila do Conde, o FC Porto não podia ter desperdiçado a oportunidade de ficar colado ao 1º lugar e aumentar enormemente a pressão sobre o líder deste campeonato.
Hoje, na Choupana, faltou estofo, estofo de campeão, a esta equipa e a este treinador.

O novo "normal" II

Como já se previa, o imundo Jorge Jesus justifica o aberrante número de expulsões de que a sua equipa beneficia, com a "imparabilidade" da mesma - basicamente, eles são tão bons, que só os páram com faltas - (os adversários) recorrem a faltas grosseiras porque a capacidade do Salvio ou do Talisca, ou da equipa em geral, é difícil de contrariar de forma legal, in O novo "normal".

Liga dos Campeões à parte - onde os membros da APAF não podem arbitrar jogos desta super-equipa, e onde os adversários não tiveram de recorrer a muitas faltas para empurraá-la para o último lugar do grupo - são, para já, onze as expulsões em favor da equipa treinada pelo Jorge Jesus. E nos outros campeonatos? Vejamos:

Expulsões a favor
Bayern de Munique2
Wolfsburgo (2º clas.)2
Barcelona5
Real Madrid (2º clas.)1
Juventus4
Roma (2º clas.)6


A conclusão é óbvia: nenhuma destas equipas, practica um futebol com a mesma qualidade do slb; que sorte tem Portugal, em ter uma equipa assim! Veja-se, o Barcelona tens lá uns rapazes jeitosos, um tal de Nessi, e dois outros moços, o Reymar e o Suazo, mas não passam de amadores frente à onda vermelha - já diz o cântico: Ninguém Pára o slb Sem Falta!

P.S.: Com que espírito entrará mais logo o Rio Ave em campo (e com que espírito entraram e entrarão outras equipas), para mais um "sacrifício"? Quão condicionadas são/serão as escolhas do Pedro Martins (ou de outro treinador), sabendo que mais tarde ou mais cedo, verá a sua equipa reduzida?

sexta-feira, 20 de março de 2015

Pior (sorteio) era impossível

Fotos uefa.com (clicar para ampliar)

Maisfutebol

Bayern Munique!
Grau de dificuldade máximo!
Nesta altura, não há nenhuma equipa mundial acima dos rapazes de Pep Guardiola.

Num jogo de futebol tudo é possível mas, realisticamente falando, penso que as probabilidades do FC Porto superar este Bayern, numa eliminatória a duas mãos e, ainda por cima, com o 2º jogo em Munique, são muito reduzidas.

O único aspecto positivo deste sorteio é o facto de ninguém, por essa Europa fora, apostar um cêntimo na passagem do FC Porto às meias-finais.

E, como disse o Miguel no artigo de ontem, tendo o FC Porto superado as expectativas, a partir de agora tudo é positivo: o encaixe financeiro, a exposição mediática e a possibilidade destes dragões se medirem com uma das melhores equipas do planeta porque, salvo uma goleada, o importante será desfrutar os quartos-de-final da Champions, crescer como equipa e, sobretudo, sonhar!

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REACÇÕES:

"É uma equipa [o Bayern Munique] com um nível extraordinário. A posse de bola é a matriz principal do seu jogo, numa equipa que tem muita qualidade e mobilidade no ataque. Pode ser que um ou outro jogador do Bayern não esteja ao seu melhor nível… ou cinco ou seis, já agora (…) num dia perfeito tudo pode acontecer", Vítor Baía

"Tenho boas memórias do FC Porto. Acho que podemos estar satisfeitos com o resultado do sorteio", Manuel Neuer, guarda-redes do Bayern e da seleção alemã

quinta-feira, 19 de março de 2015

Os potenciais rivais para o sorteio da Champions



Amanhã vai realizar-se o sorteio dos Quartos-de-Final da Champions League. 
Pela primeira vez desde 2008/09 o FC Porto marca presença, reflexo de uma brilhante campanha europeia. Na última ocasião que chegamos tão longe na competição, fomos eliminados pelo vigente campeão (e finalista vencido desse ano), o Manchester United. Na anterior, fomos campeões europeus. O certo é que tendo o clube superado as expectativas possíveis, a partir de agora tudo é positivo para o clube. O encaixe financeiro, a exposição mediática, a possibilidade de medir-se com algumas das melhores equipas do planeta. Salvo uma goleada (difícil), não há nada que possa passar que suponha um problema, pelo que o importante será desfrutar da eliminatória, crescer com ela como equipa e clube e, sobretudo, sonhar. É grátis.

Entre os sete possíveis rivais – recordamos que o sorteio é puro e por isso pode haver duelos nacionais – do FC Porto aqui segue uma lista ordenada de forma descendente desde aquele que os portistas parecem considerar o rival mais favorável – apalpando um pouco o ambiente – e aqueles que não queremos ver nem pintados de ouro. Pessoalmente, já o disse aqui depois do jogo com o Basel, a minha escolha seria o Real Madrid. Uma equipa em fase descendente física e animicamente, com um pedigree que justificaria qualquer derrota e imortalizaria qualquer vitória e ainda o facto de ser o campeão em titulo (e todos sabemos que nenhum campeão renovou o titulo na era Champions League).

AS MONACO

Toda a gente quer o Monaco. Pudera. Os franceses são quartos na liga – e é muito provável que para o ano estejam na Europa League – e têm passado os últimos meses a viver de uma boa organização defensiva. Foram piores que o Arsenal colectivamente, mas cometeram menos erros e aproveitaram melhor o hara-kiri ofensivo dos gunners em Londres para marcar em contra-golpes rápidos e incisivos. É a sua arma. Vão defender os 180 minutos e atacar pontualmente. Já sofremos isso em Basileia. É uma equipa que nos vai dar a bola e deixar jogar o nosso jogo até ao último terço, que vai ser dura nas marcações e jogar no nosso erro. Não têm, como nós, nada a perder. O precedente é positivo. Todos temos Gelsenkirchen tatuado na alma.

A Favor: A equipa mais fraca do sorteio
Contra: A velocidade a explorar os espaços na defesa (cuidado Fabiano, Maicon e Alex)

PARIS SAINT-GERMAIN

Quando o PSG jogou contra o FC Porto – há duas temporadas atrás – já era um dos novos-ricos do futebol europeu com jogadores de nivel mundial. Essa mesma equipa melhorou com o tempo. Está mais compacta em defesa, organizada na criação e demonstrou em Londres ter a garra que parecia faltar – e que na Ligue 1 às vezes ainda falta – para triunfar na Europa. Sem Ibrahimovic para a primeira-mão, o PSG conta com um grupo de jogadores talentosos o suficiente para não sentir a falta do sueco. São uma equipa que aposta forte na Europa, é a sua máxima prioridade e desde os anos 90 que não chegam a uma meia-final. Vão disputar a bola a qualquer equipa e só o eventual desgaste de estarem numa luta a três pelo titulo pode supor um problema num conjunto que tem opções válidas em todos os sectores.

A Favor: Já os conhecemos e é uma equipa que joga o jogo pelo jogo, deixando espaços que podemos aproveitar graças à nossa notável capacidade de recuperação de bola.
Contra: Vão apostar tudo este ano na Champions e chegam hiper-motivados. Têm jogadores de sobra para fazer a diferença.

JUVENTUS

A Juve já ganhou praticamente o Scudetto e vai concentrar os próximos dois meses a sonhar com um regresso à ribalta europeia. Não disputam uma final desde 2003 a última vez que chegaram também ás meias. É mais de uma década. Muito tempo. Graças ao génio imortal de Pirlo e ao trabalho incansável de Pogba, possuem um dos melhores meio-campos do mundo. Tevez e Morata parecem ter encaixado e o jogo colectivo da equipa, agora sobre o comando de Allegri, é uns furos superiores ao do ano passado. Ainda assim não é um “papão”, nem de longe nem de perto. Sofrem contra equipas bem organizadas e que sabem medir os tempos de jogo e podem ser encurralados no seu campo com relativa facilidade com uma boa circulação de bola. Apostam forte na Champions mas ao mesmo tempo são claros outsiders.

A Favor: Equipa acessível como colectivo, Pogba estará lesionado provavelmente por alturas da primeira mão e anulando Pirlo a equipa sofre imenso.
Contra: Não tem de se preocupar com o campeonato e sabem que são outsiders.

REAL MADRID

São o campeão em título. São o Real Madrid. Parece ser suficiente cada uma das frases por si mesma e juntas mais ainda. Mas este Real nem é o do ano passado – tacticamente muito mais desorganizado, fisicamente muito mais condicionado – nem a equipa tem estado á altura do pedigree desde que começou 2015. Cristiano Ronaldo está uma sombra de si mesmo, a dupla Kroos-Isco está sem fôlego e tanto Bale como Benzema continuam a ser questionados. Tacticamente não necessitam da bola mas exploram os espaços como nenhuma outra equipa, quando estão em forma. No entanto, até nisso têm estado decepcionantes. Foram fracos contra o Schalke, têm um guarda-redes que é um ponto fraco assumido e jogam com toda a pressão nos ombros. Se perderem este domingo em Barcelona, renovar o titulo europeu pode ser o único troféu a que aspiram. E como sabemos, nunca ninguém conseguiu isso.

A Favor: Estão na pior fase física-anima desde que Ancelotti chegou ao banco e o cenário não parece ter-se alterado. Jogam com toda a pressão de favoritos.
Contra: Está em baixo de forma mas, quando está bem, Cristiano Ronaldo é o maior killer do futebol mundial. E tê-lo frente a Maicon naquelas diagonais dá pesadelos.

ATLETICO DE MADRID

Este Atletico é claramente uma equipa mais débil que a do ano passado. Diego Costa, Filipe Luis e Courtois fazem muita falta, nenhum dos seus suplentes parece ter estado ao mesmo nivel. No entanto a chegada de Torres, a consagração definitiva de Koke e a ascensão de Gimenez têm sido boas noticias. Griezzman é um jogador fenomenal e eléctrico e Tiago e Arda continuam a dominar a bola e os tempos de jogo como poucos. São, sobretudo, um rival temível a 180 minutos. Jogam com as falhas do rival como nenhum outro, exploram muito bem as poucas ocasiões que criam e são uma rocha defensiva. Contra o Leverkusen concederam meia dúzia de oportunidades em 210 minutos de futebol. Sofrem mais no capitulo ofensivo mas têm também a consciência de que em casa são intransponíveis. Com a revalidação do titulo quase impossível (o esperado) apostam tudo na Champions. É o único titulo que falta a Simeone.

A Favor: Uma equipa que nos deixará a bola, que conhecemos bem e que tem sofrido para marcar.
Contra: Peritos em bola parada, difíceis de vencer fora e ainda mais em casa, jogam sempre no erro do adversário e aproveitam-no como poucos.

BARCELONA

Não é o Pep Team mas tem o melhor trio de ataque do mundo. Não tem Guardiola mas recuperou o Messi mais estelar. Neste Barcelona não há tanto aquela magia quase inocente dos dias de Pep, mas a forma como Luis Enrique entendeu que o meio-campo se tornou prescindível, quando há três demónios no ataque, tornou o Barcelona uma equipa ainda mais perigosa. Apanhou as virtudes do melhor Real Madrid (jogar em velocidade, transições, bola da defesa directamente ao ataque) mas sem abdicar, quando quer, da cultura de posse e de domínio de jogo no meio-campo, onde ainda conta com Xavi, Iniesta, Mascherano, Busquets e Rakitic. Tem o melhor Messi dos últimos três anos e isso, só por si, pode valer meio titulo.

A Favor: Que o Dragão possa voltar a ver um génio chamado Messi
Contra: Os defesas laterais sofrem muito – Dani Alves sobretudo ainda que Alba esteja a uns furos do que foi – e o meio-campo já não é tão protagonista. Se conseguimos pressionar a saída de bola e recuperá-la, são frágeis na recuperação posicional.

BAYERN MUNCHEN

Favoritos absolutos a tudo. São a melhor equipa da Europa. Possuem o melhor jogo colectivo, algumas das melhores individualidades posicionais, de longe o melhor treinador e a melhor estrutura. Atípica foi a sua eliminação em 2014, o normal seria que este Bayern fosse campeão europeu perene enquanto os astros continuem a manter viva a conexão do clube com Guardiola. O técnico tem tudo para conquistar o seu terceiro titulo europeu (outro que pode ultrapassar pela direita o Special One depois de Ancelloti) e salvo um surto de lesões (que tem sido habitual) é muito difícil defrontar o Bayern e sair vivo para contar a história. A melhor opção até agora que algumas equipas conseguiram foi defender bem uma das mãos para acabar trucidada na segunda.

A Favor: Que o Dragão veja pela primeira vez o baile de Guardiola desde o banco. Ou que se reencarne o espírito de 1987.
Contra: Tudo. São o máximo favorito e quase não possuem pontos fracos. Exigem a posse – o que faz sofrer equipas habituadas a ela como a nossa – e quando perdem a bola são ainda melhores que nós na recuperação, muitas vezes com Neuer a jogar na linha do meio-campo. 


Denunciado por Vítor Pereira, confirmado por Collina

Numa conferência de imprensa realizada a 20 de Março de 2012, o treinador do FC Porto, Vítor Pereira, denunciou os bloqueios efectuados pelos jogadores do SL Benfica e, aproveitando a ocasião, revelou parte de um diálogo que teve com o árbitro Artur Soares Dias, acerca deste tipo de infracções, a que os árbitros fechavam (e continuam a fechar) os olhos.

Três anos depois, num artigo publicado, esta semana, no jornal italiano Gazzetta dello Sport, Pierluigi Collina, responsável pela arbitragem da UEFA, escolheu uma jogada efectuada pelos jogadores do SL Benfica na meia-final da Liga Europa de 2012/2013, frente ao Fenerbahçe, como exemplo de um bloqueio faltoso.

Meio a brincar, meio a sério, era caso para Vítor Pereira vir novamente a público e, a propósito dos bloqueios encarnados, dizer: “I speak da True!”

No mesmo artigo, Collina referiu que cantos, livres laterais e lançamentos (olá Maxi!), são jogadas propícias à origem deste tipo de lances irregulares e recomendou aos árbitros que assinalassem falta, sempre que vislumbrem uma situação em que um futebolista corra na direcção de um adversário, sem a possibilidade de disputar a bola e com o único propósito de o bloquear.

Gazzetta dello Sport, 16-03-2015
«HAMSIK E IL BENFICA L?adozione di tattiche o schemi particolari viene analizzata nel corso degli stage per gli arbitri organizzati dalla UEFA e, ritengo, anche in quelli organizzati dalle singole Federazioni. Forse qualcuno ricorderà un gol annullato da Rosetti ad Hamsik in un Palermo Napoli, prima giornata del campionato 2009-10: calcio di punizione laterale e Campagnaro che parte da una posizione di chiaro fuorigioco e ostacola il difensore che doveva marcare Hamsik. In pre-campionato avevamo parlato di questa tattica e gli arbitri erano pronti al verificarsi di simili episodi. E ancora nel 2013 a tutti gli arbitri UEFA è stata inviata una clip che evidenziava proprio la tattica utilizzata dal Benfica in occasione dei calci di punizione laterali, con almeno due-tre attaccanti che avevano il solo compito di bloccare in maniera irregolare gli avversari. La raccomandazione data ad arbitri, assistenti e addizionali è stata quella di essere particolarmente attenti quando su una palla inattiva gli attaccanti di una squadra si posizionano in chiaro fuorigioco, perché a quella posizione farà certamente seguito un movimento che influenzerà lo svolgimento dell?azione. In altre parole deve scattare una sorta di allarme per essere pronti a vedere e valutare un?eventuale azione fallosa.»
Pierluigi Collina
Gazzetta dello Sport, 16-03-2015


A propósito do artigo de Collina, o subdiretor de O JOGO, Jorge Maia, fala (e bem!) nos maus hábitos de algumas equipas portuguesas.

Jorge Maia, O JOGO, 18-03-2015

Perante este esclarecimento de Pierluigi Collina, falta saber o que irão fazer, daqui para a frente, os árbitros portugueses, nomeadamente nos jogos que ainda faltam até ao final deste campeonato.

Eu sei, todos sabemos, que o Sistema (o verdadeiro Sistema!) tudo tem feito (golos limpos anulados, golos do SLB em fora-de-jogo, expulsões de jogadores adversários, etc.), sem olhar a meios, para levar o SL Andor ao colo até ao título. Mas, ó gente, olhem que até no estrangeiro (Espanha, Itália, …) já se fala nas falcatruas do SLB.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Expulsões: uma “aberração estatística”

SL Benfica x Moreirense

À 5ª jornada, após uma difícil vitória em casa sobre o Moreirense, Jorge Jesus, em declarações à Benfica TV, afirmou:

Na primeira parte, tivemos alguma lentidão de processos, mas fizemos uma segunda parte onde fizemos três golos e podíamos ter feito mais. A expulsão? É verdade que facilitou


Há cerca de uma semana atrás, um grupo de adeptos afetos ao Sporting, autodenominado de “Verdade Desportiva”, lançou uma petição pública dirigida ao Presidente da República, para que os adversários do SL Benfica terminem os encontros com toda a equipa em campo...

“Durante um jogo de futebol, existe uma decisão arbitral com grande influência direta no seu resultado final e na distribuição dos pontos em disputa: a expulsão de um jogador através da exibição de um cartão vermelho. Como é evidente, a expulsão desequilibra o número de elementos disponíveis na luta pelos pontos. Todas as equipas têm uma vantagem competitiva quando se encontram em superioridade numérica e diminuem a probabilidade estatística de melhorar um resultado quando ficam em inferioridade numérica”, é dito no documento, no qual é igualmente pedido que sejam acionados “os procedimentos necessários a uma garantia de equidade do Campeonato Nacional de Futebol 2014/2015, de isenção do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol na nomeação dos árbitros para os jogos e na atuação desses mesmos árbitros durante os desafios”.

Enviar esta petição para o Presidente da República roça o ridículo, mas o seu conteúdo tem fundamento, senão vejamos…

Disputadas 25 jornadas do campeonato 2014/2015, o SL Andor já beneficiou de 11 expulsões de jogadores adversários (Sporting e FC Porto beneficiaram de quatro, cada um).


Destas 11 expulsões, sete foram em jogos fora. Ou seja, dos 13 jogos que o SL Andor disputou fora de casa, em mais de metade a equipa adversária terminou reduzida a 10 jogadores.

À rasca. Em 8 das 11 expulsões, no momento em que a expulsão ocorreu, o jogo estava longe de estar decidido. Numa ocasião o SL Andor estava a perder, em duas ocasiões estava empatado e em cinco ocasiões estava a ganhar pela margem mínima.

Happy hour. Em 7 destes 11 jogos a expulsão ocorreu entre os minutos 57 e 68, o que significa que, nesses desafios, o SL Andor jogou 25 minutos, ou mais (contando com os minutos de desconto), em superioridade numérica (no caso do FC Porto, só por uma vez – em Barcelos – os dragões jogaram mais de um quarto de hora em superioridade numérica).

Arouca x SL Benfica

No total, neste campeonato, o SL Andor já jogou mais de 220 minutos em superioridade numérica. Os factos mostram que isso foi uma boa ajuda para o número de golos marcados pelos encarnados de Lisboa…

Alargando a amostra e olhando para as últimas seis épocas – 2009/2010 a 2014/2015 – o cenário, em termos de expulsões de jogadores de equipas adversárias, é o seguinte:

Expulsões favoráveis (fonte: Maisfutebol)

Sim, eu sei que, vistas uma a uma, é quase sempre possível dizer-se que “a expulsão foi justa” ou que “o critério do árbitro aceita-se”.

A questão é que olhamos para estes números, de uma amostra significativa, e percebemos haver uma tendência clara: os árbitros portugueses (com árbitros estrangeiros a coisa pia mais fino) expulsam com muito maior facilidade jogadores das equipas adversárias do SL Andor, do que das equipas adversárias de Sporting ou FC Porto.

Neste campeonato (2014/2015), o SL Andor tem quase o triplo de expulsões favoráveis (expulsões de jogadores de equipas adversárias) em relação ao FC Porto. Isso é normal?

Nas últimas seis épocas, o SL Andor tem quase o dobro de expulsões favoráveis (52 versus 28!!) em relação ao FC Porto. Isso é normal?

Alguém consegue apresentar uma explicação, lógica e racional, para esta aberração estatística?