terça-feira, 3 de maio de 2016

Em tempos de tristezas, a SAD dedica-se à comédia

Mais certinho do que um relógio, saiu mais um comunicado da SAD em reação a uma crítica pública de portistas mediáticos (desta vez foi em reação a um comentário de Rui Moreira no Facebook).

Serve esse comunicado (alegadamente...) para fazer «esclarecimentos» a propósito do projecto «Visão 611» (que Rui Moreira abordou nesse tal comentário no Facebook). Ora dizem eles o seguinte, entre outras coisas:

«O Visão 611 foi um projeto do FC Porto que reestruturou transversalmente o futebol do clube. O conceito foi implementado durante cinco anos [...] A consulta do palmarés desportivo do FC Porto permite facilmente aferir qual o grau de sucesso nesse ciclo e nos anos que se seguiram, merecendo destaque a conquista da UEFA Europa League [...]».

Tendo em conta que o projecto em causa tinha como objectivo «alimentar» a equipa A com boa «prata da casa», temos que concluir logicamente que, para o Conselho de Administração da SAD [Pinto da Costa, Antero Henrique & Cia], o contributo da «prata da casa» foi importantíssimo na conquista da Liga Europa em 2010/11.

....nomeadamente, que os 51mins acumulados pela «prata da casa» nessa competição nessa época (45mins de Ukra e 5mins de Castro), com zero golos e zero assistências, num total teoricamente possível de quase 15000 mins (15 jogos x 90 mins x 11 jogadores em campo)...foram 51mins importantíssimos nessa conquista. Ficamos «esclarecidíssimos»!

Sinceramente: mas será que eles pensam que somos assim tão lorpas?

Recordo que o Projecto 611, que começou em 2006 com grande fanfarra sob "a batuta" de Antero Henrique, tinha como meta objectiva colocar 6 jogadores no núcleo duro do plantel A em 2011 - e de forma sustentada, ano após ano. Tendo em conta que em 2011/12 tínhamos apenas um (e quase nada mudou desde então), foi portanto um enorme falhanço. 

...falhanço ainda mais retumbante quando se constata que quando o projecto foi lançado tínhamos 5 ou mais jogadores «da casa» no plantel A (para não falar dos anos anteriores, em que conquistámos a Taça UEFA e a Liga dos Campeões). Quase que dá vontade de dizer: «Para isso, mais valia estarem quietos».

Bem, porque falhou? Penso que por várias razões: tanto na captação de jovens talentos, como na sua formação e finalmente na integração dos mais promissores na equipa A. A título de mero exemplo, eu diria que o problema passa certamente (também) por isto:

«Porque é que não fiquei no FCP? Bem, porque para assinar para a equipa B tinha de assinar antes um contrato de representação com a Gestifute, e eu já tenho o meu agente americano e não preciso disso"

Declarações de Pusilic em entrevista recente, a propósito da sua passagem-relâmpago pelo FCP em 2015 (isto é, há apenas um ano), onde esteve duas semanas a fazer testes. 

Christian Pusilic é o capitão dos sub21 dos EUA e já leva 11 jogos esta temporada ao serviço do Borussia Dortmund, apesar de ter apenas 17 anos. É um talentoso médio ofensivo, considerado por muitos como a maior promessa americana dos últimos anos.

E é assim

Sem mais comentários ou considerações - qual seria o interesse?...

 (em casa do Jamie Vardy)

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Diferença de tratamento

Após mais uma derrota para o campeonato - este FCP de José Peseiro continua a bater recordes pela negativa... - houve quem comentasse que a sorte do treinador é «não ser espanhol, ao contrário de Lopetegui».

Pois bem: é verdade que a contestação a Peseiro não assumiu contornos extremos, mas parece-me que as razões para isso são bem mais prosaicas e passam por duas vertentes:

1) uma certa «anestesia» dos adeptos vis-a-vis um campeonato em que a nossa posição final está mais do que definida. O desânimo - e até mesmo a indiferença - apoderou-se de imensos portistas, que entraram psicologicamente «de férias»

2) a convição de que Peseiro tem um «prazo de validade» que não vai para além de umas semanas, estando já o seu destino traçado (i.e. fora do FCP). Para quê então «bater no ceguinho», passe a expressão?

Acho portanto errado tentar descortinar nesta diferença de tratamento entre Peseiro e Lopetegui uma xenofobia da parte da maioria dos adeptos (diga-se de passagem que a meu ver mais depressa haveria preconceitos contra um «mouro» como Peseiro do que contra um estrangeiro, no que diz respeito à maioria dos portistas que são do Norte do país). Acho aliás que não só isso é errado, como é até mesmo altamente injusto.

Entre os adeptos há de tudo, claro (incluindo xenófobos), mas temos uma longa tradição no FCP de receber bem quem vem de fora, Espanha incluída. O próprio Lopetegui foi inicialmente muito bem acolhido, tal como o próprio declarou na altura. O problema dos adeptos com Lopetegui (que aumentou de forma gradual) esteve - como sempre no que diz respeito a treinadores - nos resultados e exibições. 

Mas em muito menor grau, houve outro factor que alguns confundem com xenofobia: Lopetegui teve também um problema com os adeptos que passou não por ser espanhol ou estrangeiro, mas sim um espanhol ou estrangeiro que demonstrou bastante «autismo» e arrogância não tendo feito um esforço de adaptação à «realidade FCP» (a forma como os pequenos defrontam o FCP, a rivalidade FCP-slb, o jogo dos Media, etc). Nada mais natural que isso não tenha «caído no goto» dos portistas.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Uma vez Calimeros, sempre Calimeros


Com que então o SCP queixa-se do número de bilhetes que recebeu para o jogo no Dragão... mas eles não receberam os 5% que ditam os regulamentos? Estão a queixar-se de quê, afinal?

"A título de curiosidade, nos últimos três jogos fora do Sporting para a Liga NOS (Estoril, Restelo e Moreira de Cónegos), as vendas em Alvalade foram, em média, superiores aos 2 500 bilhetes recebidos para o clássico da 32.ª jornada e que correspondem aos regulamentos que determinam 5% da lotação para o clube visitante. Na medida em que, no Estádio do Dragão, a venda é limitada a sócios do Futebol Clube do Porto é com enorme expectativa que veremos qual a assistência do clássico do próximo sábado.

Ah, já percebi melhor...o «problema» afinal é que não lhes fizémos o FAVOR de dar mais bilhetes do que os regulamentos ditam. Mas por alma de quem é que haveríamos de fazer favores aos lagartos? Não preciso de lembrar a postura do seu presidente perante o FCP desde o dia em que foi empossado, pois não? É preciso ter muita lata.

Seus Calimeros, metam lá isto na cabeça: nós não somos o Estoril, o Moreirense ou o Belenenses. Somos o FCP, e em nossa casa mandamos nós. Se hipoteticamente estiverem apenas 10mil portistas no estádio ficando muitos lugares vazios, que seja, mas isso é problema nosso e nosso - era o que faltava termos uma maioria de lagartos na nossa própria casa.

Se pensam que vamos vender a nossa honra e bem-estar a troco de uns 100mil euros extra de receitas de bilheteira que seja, andam muito equivocados. Bicho por bicho, preferimos de longe ter uma mosca ao lado do que um lagarto!

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Da clausula do medo ao amanho de resultados e o Porto em silêncio

O Sporting Clube Farense é um dos históricos do nosso futebol. Presenças europeias, equipas míticas, um estádio com alma própria, representante de uma região onde o futebol sempre teve um papel importante desde os grandes dias do Olhanense na década de vinte passando pelas gestas do Portimonense ou do Louletano. Que um clube assim se venda tão barato é sinal do que vale a moral no futebol português.
Não é novidade que os algarvios há muito decidiram posicionar-se no bando de subserviência do Benfica. Fizeram-no com vários protocolos, da venda dos direitos televisivos, da recepção de jogadores emprestados, etc. No fundo o Farense comporta-se hoje como muitas filiais se comportavam a meados do século passado, um regime de subserviência. É isso que os adeptos do Farense parecem querer para um clube que merecia outra coisa. Azar o deles.

O que não é tanto um problema dos adeptos do Farense, pelo menos em exclusividade, é a vergonha produzida no jogo entre o clube e a equipa B do Benfica. A Academia do Seixal, essa fábrica de produção de talentos mundiais que já é "uma das melhores do mundo", como alguém tentou vender por aí, está a ponto de cair nos campeonatos distritais. Enquanto a primeira equipa funciona bem, a segunda é uma miséria. Futebolisticamente ver um jogo do Benfica B é um autêntico suplicio. Entre que metade dos seus melhores produtos foram vendidos á Doyen para pagar dividas sem quase minutos na equipa principal e a outra metade já foi promovida á equipa A, não sobra nada salvo um ou outro jogador de potencial mediano. O resto é de um nível deplorável e não estranha a ninguém que a equipa esteja na luta pela manutenção. Ao mesmo tempo o Sporting continua consolidado na parte alta da tabela e o Porto B, bem, o Porto B anda a mostrar ao Porto A como se faz, o que não é pouco.

Ora muita gente começou a tremer, a entrar em pânico. Como vender aquela maravilha do século XXI com a equipa a jogar contra o Marialva e amigos semana sim, semana também? Podia o Benfica tapar a vergonha de ter um projecto tão bem vendido na imprensa e sites especializados com a equipa a definhar nos campeonatos semi-profissionais? Obviamente que não.
Era preciso resolver o problema e parte dele ficou solucionado. Como no Padrinho.
Há uma cena no filme original de Copolla em que Brando, magistralmente, relembrar ao cangalheiro a que decidiu ajudar no inicio do filme, que este lhe deve um favor e que está na hora de o cobrar. No filme o favor é deixar apresentável para a família o corpo de Sonny Corleone, baleado sem piedade. Na realidade da Liga de Honra - uma Liga sem Honra - é que o Farense não só se deixe perder como se prejudique ainda mais nas contas pela salvação. Provavelmente com a promessa de um ano no poço com ajuda financeira e uma subida garantida, de alguns trocos a mais debaixo da mesa ou, pura e simplesmente, a troco de nada porque já muito lhe foi dado. O Farense, recorde-se, pode ser um histórico mas até há bem pouco tempo era um histórico cheio de dividas a morrer no deserto.

A politica de empréstimos - que tanto critico e critiquei - criou há uns anos a chamada "clausula do medo", a de tu não jogas e não me prejudicas. Se isso faz com que a equipa rival saía debilitada, problema deles. Surgiu depois de alguns jogadores emprestados não colocarem "toda a carne no assador" nos duelos com as casas mães, o que dava demasiado nas vistas (ao Tozé, felizmente, ninguém lhe explicou isso, como já sabemos). Mas da clausula do medo agora passamos, directamente, ao amanho de resultados. Sim. Amanho de resultados.
As contas são simples. Um jogador emprestado não pode jogar contra o clube que o empresta segundo as regras da competição. O que faz o Benfica? Empresta vários jogadores ao Farense. Não é o único clube. O Farense joga com os outros clubes de quem tem emprestados e não há problemas. Porquê? Porque os emprestados não jogam. E o que faz o Farense contra o Benfica? Coloca em campo no jogo disputado no Seixal a 16 de Março - e que o Benfica ganha por 2-0 - um deles e com isso garante não só a perda de três pontos - a derrota na secretaria - como uma suspensão mais por infringir as leis da competição. Fazem-se de burros os que mandam, contradizendo a politica de comunicação do clube e no final de contas tudo corre bem para o Benfica como explica o TdD muito bem. Com esse resultado o Farense está quase despromovido e o Benfica a três pontos da salvação com quatro jogos - que vão ser muito curiosos de seguir - por disputar.



Ora não basta levar jogos para o estádio do Algarve em vez de serem disputados no Estoril. Não basta corromper meia dúzia de clubes comprando os direitos televisivos para transmitir na BTV. Não basta encher os clubes de emprestados ou comprar jogadores a esses clubes para depois voltar a emprestá-los sem que alguns cheguem a vestir a camisola do clube. Não basta ter um Vitor Pereira onde importa, um Mário Figueiredo onde importava nem sequer basta com controlar os media ou comprar uma bancada inteira de um clube rival para jogar em casa como passará em Vila do Conde. Não, isso não basta. E porque não basta? Porque quando se desce baixo uma vez, desce-se sempre e o Farense pagou o preço de se ter aliado com gente sem escrúpulos que é capaz de amanhar um resultado - nem que seja por omissão uma vez que os delegados de jogo do Benfica sabiam no momento em que Harramiz aparecia na ficha que o jogo estava ganho - para não transformar a sua preciosa Academia numa anedota mundial.

O triste nisto tudo é que nos últimos dias, após a sua eleição, Jorge Nuno Pinto da Costa preferiu apontar baterias a um portista e antigo dirigente do clube como Angelino Ferreira, preferiu voltar a atirar o morto para cima de Julen Lopetegui e Jorge Mendes, preferiu voltar a centrar-se em temas perfeitamente redundantes para a realidade do FC Porto em vez de ter aproveitado todo o tempo de antena para defender o clube de rivais deste nível, denunciando como fez no passado - melhor do que ninguém - este clima de impunidade. O homem que deixou Lopetegui levar com o peso da luta contra o #Colinho, que desde o Apito Dourado tem tido um tom muito mais condescendente com o que antes não tinha medo de catalogar como "Roubos de Igreja", podia começar o seu novo mandato de quatro anos a denunciar esta podre realidade como a do Farense vs Benfica em vez de se preocupar com Angelino, os impostos e Lopetegui. O caminho do FC Porto faz-se para a frente e contra rivais melhor preparados do que nunca. Desviar as atenções e os tiros para os seus em vez de expor os podres dos inimigos reais não é o melhor sinal de que algo vá mudar.

Caro Pinto da Costa, uma reflexão portista. Deixe de um lado os portistas que pensem de maneira diferente e que não deixam, por isso mesmo, de ser portistas e aponte baterias e todas as armas ao seu dispor a quem realmente quer prejudicar a instituição Futebol Clube do Porto. Que tal uma nova entrevista no Porto Canal dedicada exclusivamente a isso e não a disparar a alvos internos ou abrir caminho a sucessões pensadas?

segunda-feira, 18 de abril de 2016

21%

O processo eleitoral finalizado no dia de ontem confirmou a reeleição da lista única apresentada como era de esperar. No entanto, apesar de todos os obstáculos levantados por aqueles que temem o sócio portista e o seu grau de visível insatisfação com o rumo presente, a lista única coleccionou apenas 79% dos votos para a presidência e uns "meros" 74% para o Conselho Superior. Sem concorrência com cabeça visível ainda assim o homem que foi eleito em inúmeras ocasiões por aclamação popular e 99,9% dos votos a favor conseguiu perder 1/5 dos seus seguidores eleitorais. Ontem fez-se história no FC Porto.

A ironia, porque com alguns indivíduos a ironia tem de estar sempre presente, é que mal se acabou o processo de contagem e se divulgaram os números, houve quem saltasse de imediato á primeira linha de batalha para cometer mais um acto desonesto a seu favor. Divulgar o conteúdo dos boletins de voto - mesmo rasurados ou com mensagens de apoio ou em contra - pode ser legal ou ilegal (desconheço os estatutos do clube nesse sentido) mas o que não é, seguramente, é ético. Mas tal era o medo, tal era o pavor de que se começassem a juntar os As mais Bs que foi necessário lançar a mensagem - com o devido eco - de que esses famigerados 21% de votos nulos não eram mais que outra forma de demonstrar amor, carinho e devoção com lemas de "Força Presidente", "Força Porto", "Estamos com o Presidente" como se quem não estivesse a favor de Jorge Nuno Pinto da Costa não tivesse apenas de pegar no seu boletim de voto e colocá-lo na urna.

Não vou chamar mentiroso a Sardoeira Pinto nem a Pinto da Costa, há personagens que se retratam por si sós ao longo da sua vida e não é necessário entrar em qualificativos perjorativos. Acredito piamente que algum que outro boletim de voto tivesse essas inscrições. Também vi - porque muitos sócios portistas quiseram divulgar nas redes sociais a sua insatisfação - muitas afirmações que seguem no caminho oposto. O que é certo é que a ausência de uma lista alternativa - os resultados deixam claro que havia espaço para essa lista e que um nome sério e com um projecto sólido podia ter estado perto dos 30% de votos a favor - gerou nos últimos dias um movimento entre sócios e adeptos que apelavam ao voto nulo, algo que era conhecido por todos no clube. Não estranhará, seguramente, a quem viveu o processo eleitoral, que determinados sócios associados á direcção tenham juntado o seu voto nesse sentido com mensagens de apoio para tentar minorar o grau de contestação. Mais uma estratégia para desviar a atenção e dar a sensação de que todos continuam atrás de um homem que conseguiu desbaratar de forma assustadora uma herança histórica ímpar no futebol mundial. A esmagadora maioria dos adeptos que votaram nulo ontem alguma vez (ou muitas vezes) votaram a favor de Pinto da Costa por isso o que convém á nova direcção - cujo mandato de quatro anos, uma novidade, terminará se se cumprem os prazos em 2020 - entender porque perdeu apoios reais e não apenas tentar disfarçar o sol com a peneira.



O clube, que é gerido de forma que dista muito da ideia democrática de um processo eleitoral, já fez tudo o que era possível para desprezar os sócios que pensam de forma contrária. Quem foi votar ontem - e haverá vários relatos nos próximos dias - encontrou-se com um cenário digno de regimes que em nada têm de democrático. Boletins de voto escuros propositadamente (sempre foram brancos) para dificultar a rasuração necessária para o voto nulo, ausência de possibilidade de votar em branco ou a ausência de mesas de voto obrigando aqueles que não queriam votar a favor - ou seja, pegar no papel, dobrá-lo e deposita-lo na urna sem sair do sitio - a exposição pública diante de todos os presentes como se fosse uma eleição de braço no ar ao bom estilo soviético. A presença, junto dessas mesas de "reflexão" - só faltava uma bica e o jornal - do candidato da única lista a votos é algo sui generis, para dizer o mínimo que se pode dizer neste caso. A utilização das ferramentas do clube como o Porto Canal para fazer campanha, desacreditar qualquer posicionamento em contra e para reforçar o estatuto de liderança solitária - com mais uma entrevista agendada para hoje, sem que nenhum noticiário do clube tivesse sequer mencionado o movimento Acorda Porto ou falado com um sócio que fosse dos que votaram nulo sem declarar o amor eterno ao candidato único, permite entender que o jornalismo independente, como tal, é algo que nas instalações do PortoCanal pura e simplesmente se meteu na gaveta.

No meio de todos esses condicionantes, ainda assim, dos sócios do Grande Porto que puderam votar - os que vivem no estrangeiro, a quem o voto electrónico ou postal está proibido, e os que vivem no resto de Portugal, onde é proibido votar em Casas do Clube, que não faltam pelo país - houve 21% que disseram "Basta". Entre esses haverá de tudo, seguramente. Os que acreditam que o candidato único pode resolver o problema mas tem de acordar. Os que acreditam que o candidato único tem uma última oportunidade. Os que acreditam que o candidato único é o problema. E até os que lhe devotam amor eterno. Seguramente haverá de tudo um pouco. Mas eram 21% dos votantes. O sinal está dado. Quem acredita que o caminho do FC Porto é outro perdeu, com o acto eleitoral de ontem, todas as desculpas para permanecer em silêncio. Quem venceu, por muito que tente o contrário, pode considerar-se avisado pelos donos do clube - os donos de verdade do clube - de que a situação está no limite. Ontem o FC Porto desceu mais baixo do que em algumas das derrotas mais humilhantes que sofreu em campo mas depois de cada tempestade o sol volta a sair. Os raios de luz, tibios, fizeram-se notar. O FC Porto está vivo.

domingo, 17 de abril de 2016

SMS do dia

Hoje é dia de eleições.
Há um movimento que está a solicitar aos sócios a aderência ao #acordaporto.

Foi-nos solicitada a divulgação da seguinte página:
www.acordaporto.com

Os co-autores do Reflexão Portista irão expor a sua opinião, a seu tempo, sobre o acto eleitoral e os desafios futuros do FC Porto.
 

sábado, 16 de abril de 2016

A participação dos sócios

«As urnas abrem às 10.00 e encerram às 22.00, horário de Portugal continental. Os sócios do Benfica poderão votar no Estádio da Luz, em Lisboa, nas Casas do Benfica de Famalicão, Évora, Coimbra ou Faro ou através da Internet, para sócios residentes nas regiões autónomas e estrangeiro
in DN, 27-10-2012

Em Outubro de 2012, o SLB atravessava um período desportivo difícil, após um conjunto de derrotas muito dolorosas (para eles) nos dois campeonatos anteriores – 2010/11 e 2011/12.
Luís Filipe Vieira era objeto de alguma contestação pública mas, apesar disso, a Direção encarnada criou condições para que houvesse uma grande participação dos sócios nas eleições do clube, disponibilizando vários locais de maior proximidade, bem como, métodos eletrónicos de votação.
Assim, para além dos sócios do SLB que vivem na Área Metropolitana de Lisboa e que puderam votar no pavilhão da Luz, os que vivem no Norte puderam votar em Famalicão, os que vivem no Centro em Coimbra, os que vivem no Alentejo em Évora e os que vivem no Algarve em Faro.
Quanto aos sócios que vivem nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, ou em países estrangeiros, esses puderam votar através do website oficial do clube.

Como resultado, essas eleições do clube da Luz registaram o maior número de sempre de votantes (22676), os quais, para além de poderem votar na(s) lista(s) concorrente(s), também puderam votar em branco (sim, apesar de haver duas listas, 3,15% dos sócios benfiquistas que exerceram o seu direito votaram em branco).


Amanhã vão realizar-se eleições no FC Porto e, lamentavelmente, as condições em que as mesmas vão realizar-se são muito diferentes.

«As eleições para os órgãos sociais do FC Porto efetuam-se domingo, 17 de abril, entre as 10 e as 19 horas. As urnas estarão colocadas na Tribuna VIP da bancada nascente, “Tribuna VIP de Sócios”, entrada pela porta 16 do Estádio do Dragão.»

Ou seja, os sócios do Futebol Clube do Porto que vivem em Trás-os-Montes, na região Centro do país, na zona de Lisboa ou no Algarve, se quiserem votar, terão de se deslocar ao Porto. E já nem falo naqueles que vivem nas ilhas ou no estrangeiro. Não há dúvida que isto é um enorme incentivo à participação dos sócios…

Já agora, na perspectiva da atual Direção, para que servem as dezenas de casas do FC Porto espalhadas pelo país?

Pinto da Costa na Casa do FC Porto de Cantanhede (foto: Paulo Novais, LUSA)

Para o presidente descerrar lápides com o seu nome e discursar nas respetivas (re)inaugurações?
Para justificar o pelouro do vice-presidente Alípio Jorge?
Para encher camionetas e trazer “clientes” aos jogos disputados no Estádio do Dragão?

Relativamente ao boletim de voto e à impossibilidade dos sócios do Futebol Clube do Porto votarem em branco (originalidade que deve ser caso único a nível mundial), o presidente da assembleia geral, Dr. Miguel Bismarck, em declarações esta semana ao jornal Record, referiu o seguinte:

É um pormenor [possibilidade de votar em branco] que, naturalmente, pode ser ponderado numa próxima revisão dos estatutos do clube. Vou oferecer-me para fazer parte da comissão que se formar para proceder a essa revisão, pois é preciso fazê-lo, rever os estatutos e aperfeiçoar o regulamento eleitoral, pois há matérias reguladas nos dois documentos


Não percebo. Era assim tão complicado haver um boletim de voto normal, isto é, um boletim com quadradinhos para os sócios porem (ou não) uma cruz?
E se essa "inovação" implicava rever os estatutos e "aperfeiçoar o regulamento eleitoral", por que razão isso ainda não foi feito?

Há muito boa gente (portistas, claro!) que enche o peito para dizer que temos um estádio cinco estrelas, o primeiro a nível mundial a ter certificação ambiental, que temos o melhor museu de clubes do mundo, que somos os maiores das redes sociais, etc. mas, meus caros, em termos de “devolver o clube aos sócios” e criar condições para uma muito maior participação dos sócios/adeptos na vida do clube, continuamos com os velhos métodos de sempre.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

SMS do Dia

Que coisas mais ou menos positivas fizemos nós este ano?


  1. Ganhar dois jogos ao Benfica
  2. Chegar ao Natal em primeiro lugar
  3. Ganhar ao pior Chelsea dos últimos 12 anos
  4. Dar alegrias a muitos clubes pequenos: Arouca, Tondela, Famalicão e Feirense
  5. Dar valor ao terceiro lugar
  6. Proporcionar aos adeptos a possibilidade de ver jogos no Dragão sem grandes multidões
  7. Aumentar o vocabulário de insultos a muitos adeptos novos


quinta-feira, 14 de abril de 2016

Um Presidente que nem o balneário respeita

Houve uma altura em que uma palavra áspera de Pinto da Costa deixava o balneário de calças na mão, a tremer e temer pelo futuro. A palavra do Presidente era lei. E a lei era obedecida, repetida, assimilada e declamada de memória. Eram dias de glória mas também de luta, de champanhe mas também de pedregulhos. Eram os dias de um "balneário á Porto" que respeitava o homem que tinha estado por detrás do renascimento desportivo do clube. De certa forma era uma retro-alimentação. Pinto da Costa, com a sua sagacidade, criava esse balneário mas depois impunha as suas condições. E quando ele falava, todos ouviam e obedeciam. O pacto que esteve vigente tantos anos já não existe. Já não faz sentido.

Hoje o balneário do FC Porto não respeita Pinto da Costa. Não o respeita, pelo menos, como outros balneários o respeitaram, o temeram e o adoraram. Sim, há muitos e muitos jogadores que passaram pelo clube e que adoram Pinto da Costa. Faziam parte dessa cultura de clube e sabiam quem era o vértice central de tudo. E não vale a pena falar exclusivamente nos homens da casa. Basta falar com Deco, com Pepe ou com Derlei, para por alguns exemplos, para encontrar o mesmo discurso. Os jogadores tinham medo de Pinto da Costa quando esteve se chateava mas também sabiam que era o primeiro que estava lá para eles quando tinham problemas. Havia reciprocidade nessa relação. E o FC Porto saía a ganhar. Mas isso hoje já não existe. Pinto da Costa já não convive com os jogadores como noutros tempos. É uma consequência da idade, naturalmente, mas também da delegação de determinadas tarefas. A sua figura tornou-se mais crepuscular. Mesmo jogadores recentes do clube como Sapunaru se deram conta disso e o romeno saiu há pouco mais de quatro anos do clube. Pouco tempo.

Para os que chegam novos, Pinto da Costa é um presidente ausente e com que não existe conexão. Muitos jogadores entram e saem do clube sem apenas trocar meia dúzia de conversas. Tempos houve em que havia jogadores que iam jantar com o Presidente. Nessas reuniões, nessas descidas de Pinto da Costa ao balneário, o convívio nas concentrações, forjou-se muito da identidade do clube. Os futebolistas sabiam que precisavam do Presidente porque era ele que tinha o seu futuro pelas mãos. Era ele quem decidia quem ficava, quem saía, quem ia para onde e por quanto. Pinto da Costa tinha a faca e o queijo na mão. Zahovic queria forçar a saída para o Valência, fazia birra e não treinava? Acabava no Olimpiakos (já havia lei Bosman, já havia empresários, mas com Pinto da Costa ninguém brincava) e aguentava um ano no exílio grego. Era o preço a pagar por desafiar o Presidente e todos os jogadores o sabiam. E por isso o respeitavam. Ouviam o que tinha a dizer e quando este chamava a filas ninguém se atrevia a faltar.



Mas o que significa agora Pinto da Costa para jogadores que têm zero cultura de casa?
Jogadores que sabem que o seu destino depende dos fundos e não de Pinto da Costa? Do seu agente, e não do presidente. Jogadores que sabem que, no dia em que colocam a tinta no contrato, já têm data de saída, joguem bem ou mal. Alguém os colocará e não será o presidente. Muito poucos futebolistas chegam ao extremo de Imbula que chegou a dizer aos familiares que estava no Porto "de férias pagas", porque sabia perfeitamente que o seu futuro estaria sempre noutro lado. Mas muito sentem algo parecido. Ciclos de dois a três anos não chegam, quase nunca, para forjar respeito, carinho e uma conexão, especialmente se rodam todos e não apenas um punhado de futebolistas, como sempre passou. De certo modo o balneário hoje não tem porque respeitar um Presidente que em nada vai condicionar o seu futuro e o seu presente. Houve jogadores que rejeitaram o Porto porque a obrigação para assinar era mudar de empresário. Outros que saíram do clube por isso mesmo. Que respeito se gere a partir de aí? Que profissional que sabe desde o primeiro momento pelo seu agente ou o seu fundo - e quantos jogadores tem o FC Porto a 100%? - que não vale a pena esforçar-se que tudo tem arranjo, vai realmente tomar a sério a peregrina ideia de um casting para 2016/17?

Pinto da Costa quis sacudir a água do capote ao culpar treinador pretérito e o plantel da situação actual e lançou a Operação Triunfo Dragão 2016/17 em que cada jogador tinha seis jogos para mostrar o que valia. Mourinho (não o Presidente) fez isso em 2002 mas com um discurso totalmente diferente (eu sou o treinador, eu decido o vosso futuro e quem não me responder, comigo não joga) algo que Pinto da Costa não pode fazer (nem o treinador está seguro). No balneário seguramente ninguém o levou a sério. Os que sabem que vão sair sim ou sim, riram-se. Os que sabem que vão ficar, sim ou sim (porque os contratos são de longa duração, porque o Fundo exige, porque o empresário é amigo), também. Os putos da formação, que antes teriam tremido por todos os poros, agora sabem que são moeda de troca fácil e que comer a erva já não chega para terem direito a uma oportunidade se outros valores falarem mais alto. Enfim, num plantel de 25 jogadores e mais uns trocos, a imensa maioria estaria a jogar á consola ou a preparar-se para sair pela zona industrial em vez de ouvir o presidente. E os que o ouviram tiveram de contar algumas gargalhadas. Se havia alguma dúvida, o jogo do Tondela desfez isso mesmo. Ninguém se atreveria a não morrer em campo noutro tempo, por outro Pinto da Costa. Agora? Who cares..

Pinto da Costa já não é respeitado nem sequer por aqueles que foram, realmente, durante três décadas, os seus maiores aliados. A Pinto da Costa os jogadores raramente falharam porque lhe deviam tudo e o sabiam. Mas já ninguém deve nada a quem não se sabe dar ao respeito e entrega o clube a um destino que o próprio Pinto da Costa, o de 1982, acusaria de indigno. Os jogadores ligam aos seus agentes, ás marcas que os calçam, aos fundos que são os seus reais donos. Fomos nós que quisemos entrar por esse caminho quando dinamitamos a cultura de clube. Foi Pinto da Costa o padrinho dessa metamorfose. Seguramente houve mais dinheiro para distribuir por todos mas o respeito perdeu-se. Hoje poucos respeitam o FC Porto mas menos ainda respeitam a palavra do seu Presidente.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

O clube onde qualquer treinador se arrisca a ... tramar-se

Enquanto estamos entretidos a discutir a dimensão da responsabilidade do Peseiro - porque o Peseiro é que tem culpa de o Marcano estar sempre lesionado, de o Maicon ser um palhaço, de o Indi ser um flop e do Chidozie só ser titular porque não há mais ninguém - e sabendo de antemão que se alguma coisa correr mal a culpa é apenas do treinador - vide Lopetegui - algum treinador que se preze arriscará (a carreira, actual ou futura, para) treinar o Porto?

Se reivindicar controlo na escolha dos jogadores, já sabe o que o espera, se a coisa der para o torto - daqui a 10 anos, Pinto da Costa ainda vai andar a fazer queixinhas do Lopetegui; se se submeter aos ditames da SAD, arrisca-se a levar com um plantel de pernetas, com 5 jogadores para uma posição, e apenas 1 para outra, além de condicionado por interesses de empresários e cláusulas de utilização (jogos realizados), etc.

Podia ser pior...

segunda-feira, 11 de abril de 2016

A sério?


Mais um jogo miserável do FC Porto. Nova derrota, desta vez em casa do Paços de Ferreira. 

Não há fio de jogo, não há agressividade, não há a procura do golo, não há organização, não há nada. Nada de nada. A equipa está destruída e, apesar de isento de culpas, Peseiro foi (mais) um erro de casting. A tal “estrutura” que era tão elogiada e “vítima do reconhecimento exterior” afinal não foi capaz de encontrar um treinador decente para substituir Lopetegui. O final de época está a ser penoso. E pode sempre piorar.

Não é difícil adivinhar os motivos pelos quais os jogadores do FC Porto se mostram apáticos, lentos, sem ideias e extremamente inseguros. A médica que outrora Mourinho expulsou do Chelsea, Eva Carneiro, esteve este fim-de-semana numa conferência médica em Londres e, entre outras ideias do seu discurso, deixou uma frase interessante: “The relationship with management absolutely affects how ready [players] feel to take on a risk”. Numa tradução livre, disse a doutora que a relação dos jogadores com a “gestão” (edit: leia-se equipa técnica) afecta a forma como eles se predispõem a assumir riscos.

Depois da entrevista dada esta semana por Pinto da Costa ao PortoCanal, em que não só não assumiu por inteiro a responsabilidade pela actual situação do clube, como ainda culpou o ex-treinador de inadaptação e de contratações falhadas e acusou os actuais jogadores de falta de portismo e de carácter, estaria agora à espera que eles “metessem o pé” e dessem tudo em campo? A sério?!
   

domingo, 10 de abril de 2016

SMS do dia

Aguardo com expectativa o candidato Pinto da Costa a posicionar-se contra o presidente Pinto da Costa depois de mais um naufrágio no ocaso de um mandato que mete água por todos os lados. No meio de tanta dualidade, não surpreenderia que o psiquiatra de serviço leve a habitual comissão de 10% e uma percentagem na futura venda milionária do Rafa.
   

Políticos na Direção do FC Porto

Sessão de esclarecimento aos sócios em 1982

Em 1982, descontente com a situação que o clube atravessava, o Eng.º Armando Pimentel fez parte de uma comissão de sócios, a qual dinamizou várias sessões de esclarecimento e apresentou uma lista concorrente à Direção do Futebol Clube do Porto, lista essa que era encabeçada por Pinto da Costa.

Ora, uma das razões de descontentamento e que mereceu inúmeras críticas da parte do sócio Jorge Nuno Pinto da Costa, era o facto do presidente do clube – Dr. Américo de Sá – ser, simultaneamente, deputado do CDS. Daí que, quer durante as semanas/meses que antecederam as eleições de Abril de 1982, quer já como presidente do clube, Pinto da Costa tenha defendido uma rigorosa separação entre o clube e a política, tendo ficado definido que nenhum membro da Direção do FC Porto poderia ocupar cargos políticos.

Por isso, em 1989, quando foi eleito vereador da Câmara Municipal do Porto, o Eng.º Armando Pimentel, amigo de longa data de Pinto da Costa e, segundo o próprio, o mentor da sua candidatura à presidência, teve de deixar a Direção do FC Porto, onde ocupava uma das vice-presidências.


Mudam-se os tempos, mudam-se os interesses, mudam-se os princípios orientadores e em 2016…

De acordo com os estatutos que foram discutidos e aprovados em Assembleia Geral, e em que eu não interferi em nada, foi decidido que os 14 vice-presidentes passavam a seis (…) introduzi um novo setor, que é o do planeamento dos novos projetos e do qual será responsável o professor Emídio Gomes, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte.
declarações de Pinto da Costa, em entrevista ao Porto Canal, 07-04-2016


É normal as pessoas mudarem de opinião sobre diversos assuntos. O que já não é tão normal é as pessoas fazerem tábua rasa dos princípios éticos que as nortearam no passado e, sem darem qualquer justificação, mudarem radicalmente de posição.

O que terá levado Pinto da Costa a convidar um político no ativo, e que ocupa um importante cargo na administração pública, para uma das vice-presidências do Clube?

Pinto da Costa (FC Porto), Rui Moreira (CM Porto) e Emídio Gomes (CCDRN)
na inauguração das novas instalações da piscina de Campanhã (fonte: Porto.)

P.S. Como é óbvio, o que está em causa neste artigo não é o portismo e muito menos a competência do professor Emídio Gomes.

P.S.2 Há muitos portistas que confundem Pinto da Costa com o FC Porto e vice-versa. Eu, infelizmente, tenho idade suficiente para me lembrar do anterior presidente do clube – Américo de Sá. Do que eu não me lembro, é de Pinto da Costa, Sardoeira Pinto, Armando Pimentel, Álvaro Pinto e os outros sócios que, em 1982, fizeram parte da comissão que dinamizou uma lista alternativa à da Direção em exercício, terem sido catalogados de “oposicionistas”, “divisionistas” ou “inimigos do clube”.

sábado, 9 de abril de 2016

Jogadores à Porto: procura-se

..e pronto, ficou o diagnóstico feito pelo presidente: afinal a razão pela qual os resultados foram maus nos últimos 3 anos é porque os jogadores «não são à Porto». Está explicado.

Mas será que está mesmo? Coloco a seguinte pergunta: mas por acaso temos hoje menos «jogadores à Porto» do que nos anos anteriores, em que conquistámos 7 campeonatos num período de 8 anos?

Mas afinal Maxi Pereira, Casillas, Ruben Neves, André André não foram elogiados por Pinto da Costa como «jogadores à Porto»?

Ah, «e os outros do plantel?» Bem, mas afinal isso era muito diferente na era «tri»? Era tudo «jogadores à Porto»? Danilo, Otamendi, Alex Sandro, Belluschi, Mangala, Rolando, James etc eram «jogadores à Porto» que deixavam tudo em campo e não estavam cá a pensar no «salto» para outro clube, ao contrário de Herrera, Aboubakar, Marcano e Cia? Poupem-me.

Desde 2003/2004 que não temos um núcleo considerável de «jogadores à Porto». Pinto da Costa demorou mais de uma década para reparar nisso, se era um problema assim tão grave? Digo isto e por acaso até acho q é um problema para tentar melhorar, mas nunca com a dimensão que Pinto da Costa lhe quis dar e um problema que certamente não explica os resultados dos últimos 3 anos em contraponto aos dos anos anteriores.

Se calhar o maior problema passa por outros lados, digo eu. Se calhar é um problema muito maior que - independentemente de serem jogadores à Porto ou não - o plantel actual seja desportivamente mais fraco e desequilibrado mas custe o DOBRO (salários e passes) do plantel de há 5 ou 6 anos atrás. Como se chegou a esse ponto? Isso é que eu gostava de ver discutido.

Se calhar é também um problema maior que os gastos totais da SAD tenham aumentado a um ritmo muito mais elevado do que as receitas nos últimos anos.

E se calhar é também um problema maior a forma como Pinto da Costa escolhe treinadores. Independentemente dos jogadores, acho que quase todos vão concordar que, na época em que passou pelo FCP, Paulo Fonseca foi mais parte do problema do que parte da solução: e cada vez mais há mais gente que também se convence que o mesmo se aplica a José Peseiro. De Lopetegui nem preciso falar (e é irónico que Pinto da Costa diga que lhe deu demasiada confiança - mais do que aos outros, presume-se - tratando-se de um treinador sem qualquer currículo a nível de clubes e já com uma longa carreira de treinador).

Pois bem, cá eu acho que Pinto da Costa fez essa afirmação não por convição mas sim com dois objectivos em mente: o primeiro e mais imediato, desviar a ira dos adeptos da Direção para com os jogadores (e nem é a primeira vez ou segunda vez que faz isso); o segundo, preparar os adeptos para tempos de vacas magras em contratações (não há dinheiro), «vendendo» aos papalvos a recuperação de emprestados, jogadores da equipa B e contratações de tostões como uma estratégia deliberada de ir buscar «jogadores à Porto»... quando a falta de pilim é a principal razão para o apertar do cinto, senão a única.

Mas pronto, quem quiser acreditar que basta mudar metade do plantel para «jogadores à Porto» e assim passamos a ganhar tudo, está no seu pleno direito, claro. Afinal de contas, também há quem  acredite no Pai Natal.