sábado, 18 de abril de 2015

3 pontos a pensar em Munique

15 de Abril de 2015, 19:45: hora de início do FC Porto x Bayern Munique
21 de Abril de 2015, 19:45: hora de início do Bayern Munique x FC Porto

No interesse do FC Porto, mas também do futebol português (quantas vezes é que as meias-finais da UEFA Champions League tiveram a participação de um clube português?), o FC Porto x Académica não devia ter sido disputado hoje.

Contudo, como a Liga não aceitou o adiamento do jogo e, ainda por cima, o presidente dos árbitros, o senhor Vítor "Sistema" Pereira, teve o descaramento de nomear o "artista" Duarte Gomes, Julen Lopetegui fez o que tinha de fazer e escalou um onze inicial a pensar no jogo mais difícil e, talvez, mais importante que os dragões irão disputar esta época: o Bayern München x FC Porto da próxima terça-feira, no Allianz Arena.

Assim, fora do onze inicial, ficaram Maicon, Marcano, Indi, Casemiro, Herrera, Óliver, Brahimi, Quaresma e Jackson, que se prevê irem ser titulares em... Munique.

Pensei que Ricardo também ia ser poupado e que Danilo (que não poderá jogar em Munique) iria jogar. MAS, atendendo a que Danilo está no limiar dos cartões amarelos (o árbitro era Duarte Gomes!!) e que Ricardo precisa de ganhar algum ritmo de jogo, Lopetegui fez bem em o ter escolhido para o onze inicial.

Ricardo

Perante estas escolhas, suponho que ninguém estaria à espera de uma exibição de luxo. Isto não é pegar em 11 jogadores, por melhor que eles sejam, mandá-los lá para dentro e agora, olhem, entendam-se...
O futebol é um jogo colectivo e, para as coisas saírem bem, é preciso entrosamento, rotinas, mecanização, movimentações treinadas, jogadas estudadas, etc. e ritmo de jogo.

Mesmo assim, o jogo poderia ter ido para intervalo com o FC Porto a ganhar por 4-1 e podia ter terminado 7-2.
Não foi assim. Apesar das oportunidades flagrantes, para os dois lados, só houve um golo, marcado por Hernâni, que me pareceu um dos mais empenhados, no tal jogo que não deveria ter sido disputado hoje.

Quaresma e Brahimi, de fora, dão os parabéns a Hernâni

Em sentido contrário esteve Quintero, que voltou a desperdiçar a n-ésima oportunidade que Lopetegui lhe concedeu.
O que se passa com este rapaz? Quer seguir as pisadas dos seus compatriotas Falcao, Guarín e James?
OK, mas primeiro tem de mostrar o que vale, porque ter um talento inato não chega.

Quem também esteve abaixo do que seria expectável foi Aboubakar, ao ponto de obrigar Lopetegui a substituí-lo por Jackson, a cerca de 10 minutos do fim. Aliás, o ponta-de-lança camaronês deve ter consciência que fez um jogo muito fraco, porque me pareceu ter saído chateado consigo próprio.
Se Aboubakar continuar a jogar a este nível e confirmando-se a pré-anunciada saída de Jackson no final da época, a SAD terá de ponderar uma ida ao mercado.

Em resumo, este jogo valeu pelos 3 pontos, por mais ninguém se ter lesionado e por não haver castigados para o jogo da Luz.

E agora, Munique...

Os adeptos também a pensar em Munique

sexta-feira, 17 de abril de 2015

O jogo mais importante do ano?

É humanamente impossível pensar que, depois de uma noite europeia histórica, há pernas e cabeça para que uma equipa se consiga concentrar como se exige para um jogo do campeonato em casa.


José Mourinho, que não é suspeito, disse em 2004 que para que o seu FC Porto pudesse ambicionar ir à final da Champions League era necessário um colchão pontual importante para evitar essa tensão e as suas consequências. Onze anos depois estamos em boas condições de voltar a umas meias-finais mas, ao mesmo tempo, temos três pontos de atraso (e alguns golos) do rival do jogo de domingo a oito dias. Antes da Luz há uma super-desgastante viagem a Munique (ninguém duvida que o Bayern vai vender cara qualquer derrota) e um jogo fundamental contra a Académica. O jogo seguinte.

“Partido a partido” foi a máxima do Atlético de Madrid para ganhar a maratona ligueira contra o Real e o Barcelona e ainda assim chegar à final da Champions. Não tinham como adversário um rival com dez pontos de borla como se um cupão de descontos do Lidl fosse mas sim duas hiper-equipas (uma delas também tiveram de eliminar na Champions). Essa mentalidade não era só uma questão semântica. O sucesso passa pela capacidade de concentração e crença. Uma equipa não pode ou deve ligar e desligar porque algum dia pode confundir-se nos botões. Uma cultura de vitória é precisamente aquela que olha para cada jogo como se fosse o mais importante. E é isso que o FC Porto tem de fazer neste ciclo infernal e no que venha depois se tudo correr bem.

Não deixa de ser verdade que para o jogo no Dragão contra a Académica há importantes condicionantes. Fisicamente o plantel sofreu com alguns desajustes e lesões que forçaram jogadores a acumular minutos (as ausências de um Adrian ou Tello, a ida de Brahimi à CAN). Um descanso – se queremos repetir o mesmo desgaste na Alemanha e na Luz – é inevitável para pernas cansadas como as de Herrera, Oliver e um recuperado Jackson. Também há o temor dos amarelos – e Duarte Gomes inspira genuinamente temor – sobretudo no caso de Danilo que jogará seguramente (não vai a Munique), mas que tem o fantasma pendente de não ir também a Lisboa.

Temos de dar por garantido que a forma como o Belenenses já se despiu e deitou na cama em posição adequada com a série de ausências que recorda a vergonha da primeira volta dará não só três pontos como vários golos (e os golos vão ser importantes, acreditem) ao rival. Nós só podemos fazer o nosso trabalho, a saber, somar seis pontos e um goal-average superior nos próximos 180 minutos de campeonato. Nada mais. Quem jogou como jogou na quarta-feira é seguramente capaz de o lograr. Outra coisa é que o consiga fazer.

É nessa dinâmica que o trabalho de Lopetegui – que saiu hiper-reforçado do jogo da passada quarta-feira – é fundamental. Tem de convencer os que vão jogar, de entre os titulares habituais, no sábado, que é um jogo tão importante como qualquer outro. É verdade mas digam lá isso a miúdos que só querem brilhar na Champions e voltar aos seus clubes de origem ou assinar os contratos da sua vida. Não será fácil mas é nesses momentos que os “pastores de homens”, como dizia Homero, se mostram realmente. Lopetegui tem também de saber motivar os menos habituais, os que seguramente não vão jogar mais neste ciclo de três jogos de que a sua participação contra a Académica é tão importante para o clube como a de ontem. Muitos terão uma decisiva oportunidade, outros terão de responder à confiança do mister.

Lopetegui na conferência de imprensa antes do FC Porto x Académica

Vencer a Académica em casa devia ser quase uma garantia mas com muitas cabeças na noite de ontem e na de terça-feira (ou até no domingo a oito) claro que todos se lembram de tropeções históricos do passado. Chegar á Luz com possibilidade de passar à frente é tudo aquilo que se pode exigir a uma equipa roubada desde o primeiro minuto do campeonato do seu legitimo direito de aspirar a um título que merece muito mais que o seu rival.

Tendo em conta as ausências em Munique – Danilo, Alex Sandro – e a importância do jogo com o Bayern (não se enganem, a eliminatória vai a meio, um 2-0 não é um resultado tão improvável mas a 90 minutos de fazer história e sabendo a roubalheira que nos espera na Luz, o normal é mudar o chip) Lopetegui deverá apostar num onze que misture o melhor de dois mundos. Marcano, Danilo e Alex devem jogar com Reyes a fechar no centro. Ruben deveria ser titular como trinco – jogamos em casa e é a Académica – e Evandro e Quintero devem terminar por fechar o meio-campo. Para o colombiano pode (deve) ser a ultima oportunidade. Hernâni e Aboubakar são fixos no ataque e eu, pessoalmente, jogaria com Gonçalo. Dois avançados, intenção clara: marcar golos e dominar em casa.

Essa poupança de pernas permitia aos jogadores que sim vão ser titularíssimos em Munique descansar e não tirar a cabeça dos alemães e aos restantes membros do plantel demonstrarem que esta é uma equipa unida e que todos remam em conjunto, ainda que com tarefas divididas. No final as medalhas ao peito têm de valer por algo e há ali nomes que precisam de dar o seu contributo de forma definitiva. Não há melhor momento que agora.

Vencer a Académica garante um Jorge Jesus cagado na Luz. Um Jorge Jesus que vai passar a vergonha histórica de defender em casa um empate miserável que depois o resto dos seus amigos de negro confirmem que a diferença pontual se mantém vigente até ao fim da liga. Um Jorge Jesus que está eufórico com o desgaste físico desta eliminatória esquecendo-se de que o prestigio acumulado em noites europeias como estas valem mais que todas as suas pseudo-finais de UEFA e títulos de liga encomendados. Mentalidades pequenas pensam sempre da mesma forma.

O FC Porto tem no seu ADN o futebol europeu a cores e 3D e a vitória histórica de quarta-feira abre as portas a uma meia-final inesperada. Em casa temos de ser fiéis a nós próprios e competentes. Vencer a Académica garante um “showdown” na Luz, já com a questão alemã resolvida (para bem ou para mal). É por isso um jogo fundamental.

Uma vitória encherá a equipa de confiança, de vontade de vencer não só o Bayern mas também o Benfica. Uma sensação de dever cumprido que ajuda sempre ao ego. Uma sensação de – nem todos derrotados nos conseguem fazer perder o rumo – tão à Porto. Uma derrota ou empate, pelo contrário, condiciona a corrida ao título de forma definitiva e pode ser um golpe psicológico e um acrescento de pressão para Munique que a equipa não precisa nem merece. Resolver a equação matando o jogo de sábado cedo é fundamental. Se o Dragão ajudar como na quarta-feira, muito melhor.

No entanto, cuidado. Num campeonato viciado, ninguém poderá apontar o dedo se no meio deste ciclo de jogos de alto nível haja no plantel quem pense mais nas estrelas e nos hinos de glória que outros nunca ouvem do que em dar tudo contra uma equipa que na Luz foi amiga, amiga, para depois encontrar-se com os dados viciados na esquina seguinte. Este FC Porto pode não vencer nenhum titulo em Maio, mas já fez mais em meia dúzia de jogos que outras equipas em cinco anos. Essa memória não deixaremos que se apague.

A grandeza e globalização da Champions

Há uns dias atrás, num artigo sobre o prestígio, fama e os muitos milhões proporcionados pela Liga dos Campeões, escrevi o seguinte:
A Liga dos Campeões não se resume, “apenas”, aos milhões que distribui pelos clubes participantes. A UEFA Champions League é muito mais do que isso.

O JOGO, 15-04-2015
E, de facto, basta olhar para alguns dos números do último FC Porto x Bayern, para perceber o impacto e a notoriedade mundial que daí decorre.


300 jornalistas – No Estádio do Dragão, estiveram presentes mais de 300 jornalistas de quase 20 países, entre os quais Itália, Japão, Suécia, França, Espanha, Inglaterra, Irlanda, EUA, Suíça, Áustria, México, Holanda, África do Sul e Alemanha.

Audiência e share – O FC Porto x Bayern foi transmitido para dezenas de países (List of UEFA Champions League broadcasters). A transmissão da TVI, para Portugal, registou 49,3% de share e 2,35 milhões de pessoas de audiência média, sendo o jogo da Liga dos Campeões 2014/2015 mais visto, entre todos os que já foram transmitidos pela TVI neste ano.

“Tubarões” europeus – Para além de portugueses e alemães, estiveram creditados, para assistir ao FC Porto x Bayern, “olheiros” de clubes de todos os principais países/mercados futebolísticos, nomeadamente: Chelsea, Everton, Manchester City, Manchester United, Tottenham, Atlético Madrid, Real Madrid, PSG, Juventus e Nápoles.

50.092 espectadores – Lotação esgotada e melhor assistência da época no Estádio do Dragão. Os mais de 50 mil bilhetes vendidos para este jogo (tal como nos oitavos-de-final, os detentores de lugares anuais tiveram de comprar um bilhete especifico para este jogo), representaram uma receita bruta superior a 1 milhão de euros, fazendo deste desafio o jogo com maior receita de bilheteira entre todos os jogos disputados em Portugal nesta época.

3000 alemães – Mais de três milhares de alemães deslocaram-se ao Porto para assistir à 1ª mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões.
Quanto é que isso representou para a economia da cidade do Porto e da região envolvente?




Há um mês atrás, no âmbito de uma reportagem que fez para a beIN SPORTS Mena, Youssef Chippo afirmou que o FC Porto era le club portugais plus connu en Afrique. Eu não tenho qualquer dúvida sobre este facto.
E não é só em África e no Médio Oriente. É em todo o Mundo. Basta pensar em qual é o clube português que, desde o seu início, teve (de longe) mais exposição na UEFA Champions League, a maior “montra” do futebol mundial.


P.S. Ontem à noite, ao fazer um zapping, passei por um programa de debate na BOLA TV onde, entre outros, estavam Diamantino (ex-jogador do SLB) e Henrique Calisto (ex-treinador). Enquanto Henrique Calisto deu conta do enorme interesse que a Liga dos Campeões tem no extremo Oriente (foi treinador vários anos no Vietname), Diamantino afirmou e repetiu que, em termos de notoriedade internacional, a vitória do FC Porto sobre o Bayern tinha muito mais impacto do que uma eventual vitória do seu Benfica no campeonato nacional (haviam de ver a cara do José Manuel Delgado quando o Diamantino disse isto…).

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Uma arbitragem do (Carlos Velasco) Carballo


Como qualquer adepto, vivo no Dragão as emoções do jogo. E ontem foi um dia de emoções fortes. Um dia memorável, sobre o qual queremos manter as boas recordações: a garra; a força; a inteligência; a qualidade; a vitória.

No entanto, talvez por defeito profissional, não consigo desenquadrar as emoções do jogo de pormenores que me fazem duvidar do que - ou melhor, perceber o que - realmente se está a passar à minha frente.

Ontem foi um desses dias.

A arbitragem de Carlos Velasco Carballo (que apitou, no Mundial, o célebre Brasil x Colômbia) foi uma verdadeira vergonha, tal a predisposição, a premeditação e a organização de tudo o que fez.

A única coisa em que falhou – o árbitro ainda estava frio e foi surpreendido pela rapidez da jogada – foi ter marcado falta (na verdade, inexistente) ao Jackson, no princípio da jogada do penalti, com o que teria impedido o primeiro golo do Porto. Escapou-lhe essa, mas logo a compensou…

De facto, o senhor Carballo mostrou, ao longo de todo o jogo, ao que vinha: não mostrou cartão vermelho a Neuer numa jogada em que inquestionavelmente o merecia; apitava em favor do Bayern tudo o que eram lances a meio campo; amarelou os nossos laterais e ignorou o segundo amarelo ao lateral direito do clube alemão. Amarelou o Casemiro numa jogada de meio campo absolutamente normal e ignorou amarelos aos germânicos quando cortaram contra-ataques.

O resultado é o seguinte:
1. O Bayern jogou o jogo todo com um jogador a mais do que o que devia;
2. O Neuer jogou cá e vai jogar em Munique, quando não devia;
3. O lateral direito dos alemães vai jogar em Munique, quando não devia;
4. Nós vamos sem laterais para Munique.

O serviço estava bem encomendado para cá e não deixará de ser solicitado a outro servente em Munique.
Claro que, como adepto, tenho esperança. Mas só com uma exibição sem erros (difícil) e sempre contra a arbitragem que se adivinha conseguiremos passar.

Agora que desabafei, vou fingir para mim próprio que não me apercebi de nada disto e gozar, como uma criança, o sabor da grande vitória ontem alcançada.
   

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Melhor que a melhor equipa do Mundo

Tenho inveja.
Tenho genuína inveja de quem hoje esteve no Dragão. Há noites que nunca se esquecem. Tive a sorte de viver muitas ao vivo. Hoje houve 50 mil afortunados que jamais se vão esquecer da noite em que o FC Porto foi - como contra o Dinamo de Kiev em 1987 - melhor que a melhor equipa do Mundo. Que jogadores que estavam lesionados até há dois dias correram como búfalos. Que egos imensos foram encolhidos para encaixar no coração da equipa. Em que ninguém poupou uma gota de oxigénio a pensar no amanhã. A noite em que o Dragão engoliu o Bayern como poucas vezes alguém sonhou ser capaz. A noite em que Julen Lopetegui mostrou a Pep Guardiola que com menos ovos podia fazer uma omelete melhor. A noite, enfim, em que se demonstrou porque é que o FC Porto é a melhor equipa da Europa fora dos grandes das grandes ligas. E que de vez em quando até a esses mostramos que não andamos nisto para fazer número.

A primeira parte foi uma das maiores delicias futebolísticas da última década.
A entrada da equipa resume-se numa palavra: Avassaladora.
Julen Lopetegui tinha a lição bem estudada. Pode entender pouco do que significa jogar na Madeira mas o Bayern conhecia-o á perfeição. Sabia o que era preciso fazer. Asfixiar o processo de posse de bola roubando todas as opções de passe aqueles que sabem jogar. A equipa marcou á zona todos aqueles jogadores em quem Guardiola confia - Alonso, Lahm, Thiago - e deixou aos centrais, aos desastrados centrais, a tarefa de criar jogo. Com isso ganhou a partida. Forçou erro atrás de erro. E, por uma vez, o FCP soube aproveitar o erro alheio com precisão de cirurgião. Jackson - esse imenso avançado que vai deixar muito mais saudades do que deixou Falcao e que não devia ser vendido por menos de 50 milhões de euros - esteve imenso. Para quem vinha de uma lesão muscular parecia um tigre, um mamute de outras eras. Correu, correu, defendeu como o primeiro gladiador, ajudou nas compensações e não deixou respirar Xabi Alonso. Nos instantes iniciais roubou a bola ao ex do Real Madrid e frente a Neuer driblou o guarda-redes caindo de imediato. Penalti claro.
Neuer devia ter visto o cartão vermelho. O árbitro espanhol Vellasco Carballo no entanto deve ter ficado a pensar que Jackson fizera falta sobre Alonso (se fosse ao contrário, eu teria pedido falta) e para não condicionar os 180 minutos de eliminatória que faltaram quis ser diplomático. Fez mal. O FC Porto foi prejudicado nesse momento chave e o Bayern salvou-se de um cataclismo. Quaresma, que tinha estado naquela eliminatória dolorosa com o Schalke 04 quando Neuer se fez famoso pela primeira vez, tinha contas a ajustar e não perdeu a oportunidade. Estes foram os melhores 45 minutos de Quaresma desde que deixou o Porto. A confiança de Lopetegui - esteve impecável o basco no alinhamento inicial - foi recompensada. O numero 7 fez tudo para merecer ser titular. Não havia réstia do "velho Quaresma". Havia malabarismos e classe, sim, mas também recuperações ao sprint, desarmes, ajudas a Danilo, linhas de passe oferecidas a Herrera e Oliver e uma constante pressão sobre Bernat (que devia ter sido expulso no inicio da segunda parte depois de mais um baile quaresmiano) e Dante. Graças a esse exercício "sachianno", chegou o segundo golo. Outra recuperação, outro vendaval de ataque e Quaresma, frente a Neuer, define com a classe dos génios. Não tinham passado dez minutos e o Dragão já se tinha levantado duas vezes para fazer tremer os cimentos da Terra.

Jackson e Neuer (foto: UEFA.com)
O FC Porto foi nesses primeiros vinte minutos a melhor equipa do Mundo.
Com bola fez maravilhas. A visão periférica de Brahimi e Oliver e o trabalho do colectivo manteve o Bayern atónito, como se tivesse subido ao ring e estivesse a ponto de cair por K.O. Na recuperação a equipa esteve tremenda. É provavelmente o maior mérito de Lopetegui a forma como a equipa ocupa os espaços para haver sempre alguém a recuperar a bola. Naturalmente houve a reacção do Bayern. Os alemães continuam a ser a melhor equipa do mundo e encontraram a bola quando o ataque, como era inevitável, baixou ligeiramente o pressing. Não há equipa que aguente noventa minutos o que o FCP fez em vinte. Nesses seguinte quinze minutos o Bayern teve mais a bola mas não o controlo. O FC Porto mantinha-os longe da sua área, recuperava bem a bola e sai-a a jogar. Alex Sandro teve o terceiro nos pés - Neuer evitou um golo olímpico - e Casemiro podia também ter marcado de cabeça depois de um centro de Quaresma num livre indirecto. O Bayern raramente criou perigo real mas conseguiu marcar numa jogada onde a defesa estava totalmente fora de sitio. Casemiro foi fechar um centro de Boateng mas não chegou a tempo. Sandro estava na direita, Danilo na esquerda e Maicon perdeu a marcação a Thiago que apareceu a desviar na pequena área. Era um golo evitável, o unico erro colectivo em toda a primeira parte. O nível Champions é assim. Não se podia dizer que era imerecido - a reacção do Bayern foi positiva - mas doeu tendo em conta o imenso esforço que a equipa estava a fazer para reduzir ao mínimo o erro. Com esse resultado chegou-se ao intervalo, uma sensação de superioridade emocional tremenda mas com esse golo fora a pesar na consciência.

E o que faz uma equipa depois de 45 minutos assim? Quando se chama FC Porto a resposta é fácil: faz-se melhor.
A segunda parte foi isso. Melhor, em todos os sentidos menos no marcador. Só entrou um (golaço de um Jackson divino) mas o Bayern foi engolido pelo jogo de posse do Porto. Se na primeira parte havia a estratégia de pressionar, morder e contragolpear, na segunda parte os Dragões quiseram e tiveram a bola. Pautaram o ritmo, levaram o esférico para longe da sua área (onde tinha rondado muito na primeira parte), criaram lance atrás de lance e esmagaram a resistência escassas que o Bayern parecia oferecer. Herrera e Jackson conectaram para o 3-1 e pouco antes, numa jogada "a la Brasil de 70", o esférico rodou entre o colombiano, Oliver, Brahimi e Quaresma para Herrera forçar Neuer á defesa da noite. Uma jogada perfeita que o Bayern jamais soube emular. O momento mais simbólico da noite deu-se precisamente quando um Guardiola claramente superado - Lopetegui é, a partir de hoje, um nome em qualquer lista de um grande europeu e que "cojones" teve o basco ao encarar de frente o Bayern e ganhar-lhe no seu próprio jogo - tirou a Gotze e colocou Rode. Queria não sofrer mais, não sofrer mais golos, não sofrer mais sem a bola e para isso abdicava de atacar. O todo poderoso Bayern do mágico e melhor treinador do Mundo Pep Guardiola rendia-se á evidência. O Porto era superior. E assim foi durante todo o jogo. Um jogo que podia não ter acabado nunca.

Quaresma (foto: UEFA.com)

Pouco me importa hoje do que vai passar na terça-feira que vem em Munique. Não estão Danilo e Alex Sandro (mas sim Marcano) sendo que Ricardo e Indi nas laterais são a única opção que sobra. O Bayern seguramente terá outro ritmo, outra pressão e tocará sofrer, sofrer muito. Mas ninguém no seu perfeito juízo podia pensar noutro cenário que não fosse esse. O Bayern continua a ser o Bayern, o Porto continua a ser o Porto. Em noites assim é extremamente importante por tudo em perspectiva. Sonhar sim, sempre, sempre, mas sem esquecer que tudo o que se consiga, tudo é bónus, resultado de um grande trabalho colectivo desenvolvido desde o Verão. Resultado de uma politica de jogo recuperada depois do desastre do último ano, do talento de muitos jogadores que chegaram agora ou se têm consolidado e que sabem que hoje são a conversa de ordem dos maiores clubes mundiais. Depois da noite de hoje todos saem reforçados. A SAD que apostou forte, o treinador que muitos - eu incluído - duvidavam estar á altura mas também os jovens jogadores que alguns grandes da Europa descartaram ou que outros não tiveram o engenho de pescar. Todos eles são o baluarte desta noite, desta mágica noite europeia á moda do Porto.
O FC Porto até pode ganhar a Liga dos Campeões. Também pode sair goleado do Allianz. Não me interessa nada. Hoje nada interessa. Em noites assim, com chuva ou céus iluminados pelas estrelas, não há outra coisa a fazer senão sentir um imenso orgulho em ser portista. Um imenso orgulho em ser da equipa que sabe ser melhor que as melhores equipas do mundo.

Viena 87: O Céu na Terra

Por João Nuno Coelho

É impressionante a forma como o tempo altera a nossa percepção dos acontecimentos. A nossa enquanto indivíduos mas também enquanto colectivo. Viena 87 é hoje algo de completamente diferente porque aconteceram Sevilha 03, Gelsenkirchen 04, Dublin 11, e muitas outras datas deste Porto Feliz dos últimos 30 anos.
Viena 87 acabou por se tornar uma das referências máximas do sucesso portista, fénix renascida sob a égide de Pedroto e Pinto da Costa. Mas foi muito mais do que isso...

Pelo menos para nós, simples adeptos.
A realidade é que ao minuto 76 do jogo do Prater, para qualquer adepto portista, como eu que, com 17 anos, via o jogo no sofá de casa, ao lado do meu pai e do meu irmão (desde sempre a minha mãe decidiu que dava azar ao Porto e refugiava-se noutra divisão da casa) aquele não era um Porto de sucesso, muito menos um Porto Feliz. Tudo parecia demasiado semelhante a Basileia 84. Uma final perante um colosso europeu, bancadas preenchidas massivamente pelos adeptos contrários, uma resposta forte de excelente futebol portista a uma desvantagem no marcador que se eternizava, apesar do nosso domínio, por vezes asfixiante. E um frio no estômago a antecipar mais um troféu oferecido pelos adeptos para premiar outra extraordinária vitória moral.

Viena, 27 de Maio de 1987


E depois... Depois foi o que todos sabemos e não nos cansamos de rever e de reviver. E nunca nos cansaremos. Porque no fundo sabemos a importância deste depois no que aconteceu depois, anos a fio.

Mas na altura não sabíamos.
E, naquele minuto 77, quando uma jogada genial terminou com o mais genial dos toques de génio, eu, pelo menos, só sabia que afinal talvez a história não tivesse que se repetir. Talvez por isso desatei a correr pela casa fora aos saltos e acho que praticamente só voltei à sala quando o Madjer voltou ao campo depois de ser assistido, para partir os rins a um alemão e oferecer o golo da vitória ao Juary.

(Não sei se já pensaram nisto: decorreram cerca de 2 minutos entre os dois golos que mudaram a história do clube, mas o Madjer precisou de pouco mais de 20 segundos em jogo para marcar o empate e assistir para a vitória).

A história de Basileia não se repetiu e nada voltou a ser como dantes. Nunca saberemos como seria se o Porto tivesse perdido a sua segunda final europeia. O Porto europeu pode ter nascido em Basileia mas só começou a andar em Viena. E demorou dois minutos a aprender a fazê-lo.

No fim do jogo, os meus pais, primeiro, e os meus amigos, depois, não entenderam porque é que eu não os acompanhava à festa da Baixa. Na altura, não havia 10 programas diferentes de comentários e tangas à volta do jogo recém-terminado e portanto nem foi por isso que fiquei sozinho em casa. Precisava era de desfrutar plenamente, sem distracções, aquilo que o meu clube (e eu) acabara de alcançar: o Céu na Terra. Porque no futebol, deixemo-nos de tretas (nacionalistas... e outras), acima disto não há nada.


Éramos Campeões da Europa!

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao João Nuno Coelho, autor, entre vários livros, do "Porto 1987-2012: 25 Anos no Topo do Mundo" e defensor habitual do FCP em tertúlias televisivas, a elaboração deste artigo.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Desculpas antecipadas e… medo

No dia 21 de Outubro de 2014, o Bayern München deslocou-se a Roma, para enfrentar o vice-campeão italiano.

O onze titular e os suplentes do Bayern nesse jogo, para a fase de grupos da Liga dos Campeões, foram os seguintes:

Os 18 jogadores convocados para o AS Roma x Bayern (fonte: zerozero)

Ou seja, apesar de…
Ribéry ter sido suplente;
Schweinsteiger não ter feito parte do lote dos convocados;
Pepe Reina não ter feito parte do lote dos convocados;
Thiago Alcântara não ter feito parte do lote dos convocados (estava lesionado);
Javi Martínez não ter feito parte do lote dos convocados (estava e continua lesionado);

… no final, o Bayern saiu do estádio Olímpico com um resultado esclarecedor: AS Roma 1, Bayern München 7

Ora, oito dos onze titulares desse AS Roma x Bayern – Manuel Neuer, Philipp Lahm, Jérôme Boateng, Bernat, Mario Götze, Xabi Alonso, Thomas Muller, Lewandowski – estão no Porto e disponíveis para jogar.
A que se juntam mais alguns “mancos”, como Pepe Reina, Rafinha, Dante, Badstuber, Thiago Alcântara ou Claudio Pizarro.

Aliás, quem fala muito nos lesionados do Bayern, esquece-se, convenientemente, de referir que Philipp Lahm e Thiago Alcântara, após vários meses de ausência, voltaram a estar à disposição de Pep Guardiola.

Perante estes factos, é ridículo o choradinho do treinador e dirigentes do Bayern. Quem os ouvir falar e estiver distraído, até é capaz de pensar que Guardiola tem poucos jogadores de top à sua disposição, para utilizar nestes quartos-de-final da Liga dos Campeões.

Mas, ainda mais ridículo, é o papel, entre o sonsa e o coninhas, que a comunicação social portuguesa (?) está a fazer, só compreensível numa estratégia de desculpas antecipadas e de estar a “preparar o terreno” para qualquer eventualidade.

Correio da Manhã (capa) de 14-04-2015

Isto é, se o FC Porto conseguir um bom resultado, a explicação (preparada antecipadamente nas redacções de Lisboa) é simples: o Bayern, coitadinho, estava desfalcado e muito fraquinho.

Se acontecer o que todos, ou quase todos, prevêem (incluindo as casas de apostas) – a vitória do super favorito Bayern – então, a mesma comunicação social irá dizer que Lopetegui (o principal alvo a atingir) foi incapaz de aproveitar uma “oportunidade única” para derrotar um Bayern “fragilizado”.

Se eu não soubesse o que está por detrás desta estratégia de comunicação, diria que são maus profissionais, ou que andam distraídos. Assim, limito-me a dizer que são uns tristes.

E, após tantos anos e tantos exemplos, ainda há portistas que embarcam nesta conversa…


P.S. A RTP, a estação de serviço público, preparou uma peça sobre a chegada da comitiva do Bayern ao aeroporto do Porto (que tem vindo a repetir desde ontem à noite), em que o foco principal são os jogadores ausentes. Mas, o melhor desta peça jornalística de “alto quilate” é a referência à ausência de seis habituais titulares, incluindo nesta lista Ribéry (o qual tem menos de 1000 minutos na Bundesliga, sendo apenas o 14º jogador do plantel do Bayern neste ranking) e Javi Martínez que, devido a uma grave lesão, esta época tem zero minutos na Bundesliga e na Liga dos Campeões. Ou seja, dois “habituais titulares”…

P.S.2 Apesar do “cataclismo” de lesões que se abateu sobre o plantel à disposição de Guardiola, as casas de apostas desportivas - Bet365, Bwin e Betfair - não dão favoritismo ao FC Porto no jogo da 1ª mão e muito menos na passagem às meias-finais da Liga dos Campeões. Para o jogo do Estádio do Dragão, a vitória do FC Porto vale entre 4.50 a 5.20 por cada euro apostado, o empate entre 3.75 e 3.80 e uma vitória do Bayern Munique entre 1.70 e 1.82. Já a passagem dos dragões às meias-finais da competição, vale entre 6 a 7.60, sendo a «odd» mais alta de qualquer equipa ainda na Liga dos Campeões, enquanto que o apuramento do colosso da Baviera vale entre 1.10 a 1.14 e é a «odd» mais baixa. Por que será?

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Quaresma no onze inicial?

«No desafio anterior (contra o Arouca), com o FC Porto a jogar com menos um desde muito cedo, Quaresma fez uma grande exibição e foi considerado, quase unanimemente, o melhor em campo. Como “prémio”, hoje foi para o banco e Lopetegui apenas o chamou, já com a equipa em desespero de causa, à procura de recuperar a vantagem perdida no marcador. Não foi a tempo…»

Foi assim que iniciei o artigo que publiquei a após o Nacional x FC Porto (1-1).

Quaresma foi o melhor contra o Arouca.
Quaresma foi o melhor contra o Estoril.
Quaresma foi um dos melhores (senão o melhor) contra o Rio Ave.

Quaresma num grande momento, contra o Arouca, Estoril e Rio Ave

Quaresma está num grande momento de forma, provavelmente a atravessar um dos melhores momentos da sua carreira, ao ponto de mesmo os seus críticos o reconhecerem.

Assim sendo, e ainda por cima estando Tello lesionado, faz algum sentido questionar a titularidade de Quaresma na próxima quarta-feira?

Faz. Para começar, o desafio da próxima quarta-feira não é um jogo qualquer. É a 1ª mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões.
E o oponente é “apenas” o Bayern Munique, considerado, por muitos especialistas, a melhor equipa do Mundo.

Sendo o Bayern uma equipa fortíssima, é natural que Lopetegui adopte algumas cautelas e pretenda reforçar o meio-campo (José Mourinho fez o mesmo em 2003/04 – no campeonato jogava em 4-3-3 e na Liga dos Campeões em 4-4-2).
Ora, não podendo contar com o rapidíssimo Tello, nem com o goleador Jackson a 100% (está afastado dos relvados desde o dia 6 de Março), já para não falar em Iván Marcano e Adrián López (é hilariante ver a preocupação da comunicação social portuguesa, dedicando 10 vezes mais tempo/espaço a falar das ausências do Bayern do que nas importantes ausências do FC Porto…), não me admirava que o onze inicial escolhido por Julen Lopetegui fosse o seguinte:

Fabiano
Danilo, Maicon, Indi, Alex Sandro
Casemiro, Rúben Neves, Herrera
Óliver, Brahimi, Aboubakar

Se estão bem recordados, foi precisamente este o onze (com Jackson em vez de Aboubakar) nos dois jogos do Play-off de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões, numa altura em que o Lille estava com a preparação mais adiantada (o campeonato francês começa primeiro que o português) e era um dos líderes da Ligue 1.

Onze inicial no FC Porto x Lille

Sem bola, o FC Porto poderia (poderá) jogar numa espécie de 4-5-1, com Casemiro, Rúben Neves, Herrera e Óliver a pressionarem e correrem, correrem, correrem (a “fórmula de sucesso” referida por Luís Gustavo, jogador do Wolfsburgo).

Com posse de bola, Óliver e Brahimi abririam (abrirão) nas alas, com o apoio dos dois laterais (Danilo e Alex Sandro).

E Quaresma?
Quaresma seria um trunfo precioso, a usar a partir dos 60 minutos (Brahimi não aguenta muito mais).

P.S. Não sofrer golos em casa é muito importante e, por isso, tal como em 2003/2004, na meia-final contra o Depor, um eventual 0-0 no jogo da 1ª mão seria um resultado que manteria tudo em aberto para a 2ª mão.

domingo, 12 de abril de 2015

Os Auxiliares do Andor encarnado

Relativamente a eventuais lances de fora-de-jogo, as regras são objectivas e os árbitros auxiliares têm instruções muito claras: na dúvida, devem dar o benefício a quem ataca, isto é, não devem assinalar fora-de-jogo.

Assim sendo, o que dizer da decisão do árbitro auxiliar do Rio Ave x FC Porto, o senhor Sérgio Jesus, quando (com o resultado em 0-0) decidiu anular um golo ao FC Porto, assinalando fora-de-jogo a Brahimi?

Golo anulado a Brahimi (Rio Ave x FC Porto, 28ª Jornada)

Conforme as imagens demonstram, Brahimi está mais de 1 metro em jogo e, ainda por cima, a linha da pequena área servia de ajuda ao árbitro auxiliar.

Perante um erro tão grosseiro, que só não teve influência na vitória do FC Porto porque os dragões marcaram mais três golos, o que irá acontecer ao senhor Sérgio Jesus?
O mesmo que aconteceu ao árbitro auxiliar do senhor Paulo Baptista que, no Vitória Guimarães x FC Porto, num lance (esse sim) de dúvida, anulou um golo ao FC Porto, assinalando (erradamente) fora-de-jogo a Brahimi. Ou seja, não vai acontecer nada!

Golo anulado a Brahimi (Vitória x FC Porto, 4ª Jornada)

E se os dragões têm razões de queixa - 2 pontos a menos, devido a uma má decisão de um árbitro auxiliar -, no caso dos encarnados de Lisboa é ao contrário.
8 pontos conquistados pelo SL Andor neste campeonato (em quatro vitórias obtidas pela margem mínima), estão directamente ligados a decisões altamente “polémicas” de árbitros auxiliares.



Golo anulado ao Boavista (2ª Jornada)

Golo anulado ao Rio Ave (9ª Jornada)

Golo anulado ao Nacional (10ª Jornada)

Golo validado ao SL Benfica (14ª Jornada)

Ou, dito de outra maneira, não fosse o “auxílio” de vários árbitros auxiliares (nos jogos em que enfrentou o Boavista, Rio Ave, Nacional e Gil Vicente) e, provavelmente, o SL Andor teria menos 8 pontos.

E, nesta extensa lista de decisões favoráveis ao SL Andor, protagonizadas por árbitros auxiliares, ainda tivemos um golo mal anulado ao Vitória de Setúbal (4ª Jornada), quando os encarnados de Lisboa venciam por apenas 1-0, e um golo mal validado a Luisão (estava em fora-de-jogo), contra a Académica (11ª Jornada).

Golo anulado ao Vitória Setúbal (4ª Jornada)

Golo validado a Luisão (11ª Jornada)

É sabido que os árbitros auxiliares assumiram uma importância crescente nos jogos de futebol e não é certamente por acaso que indivíduos como Devesa Neto, José Luís Melo (o célebre benfiquista de Valongo), ou o "Ferrari" ficaram famosos.

Mas, o mais impressionante de tudo isto é o sentimento de impunidade. Na próxima jornada lá estarão eles, outra vez nomeados pelo Vítor "Sistema" Pereira, a desempenharem o seu papel nesse desígnio nacional, que é levar o SL Andor ao colo até ao título.

sábado, 11 de abril de 2015

Dragões continuam na luta

Quaresma a marcar o 1º golo

Entrámos fortes no jogo, fizemos o que tínhamos de fazer, com ambição desde o início, criando oportunidades para conseguir os três pontos. (…) Na segunda parte perdemos um pouco da intensidade e fomos castigados com um golo, apesar de [os jogadores do Rio Ave] não terem chegado à nossa baliza muitas vezes. Tivemos de reagir e de sofrer, sabendo que era preciso fazermos um terceiro golo, até porque antes tivemos várias oportunidades para isso (…) A equipa fez muitas coisas bem e acho que no global fizemos um jogo muito bom.
declarações de Julen Lopetegui no final do Rio Ave x FC Porto


Primeira parte muito bem conseguida, com destaque para Quaresma, Óliver, e os dois laterais – Danilo e Alex Sandro. O resultado ao intervalo (0-2) era claramente lisonjeiro para o Rio Ave, tantas foram as oportunidades flagrantes de golo de que os dragões dispuseram.

Danilo a marcar o 2º golo

Contudo, na 2ª Parte, o FC Porto baixou demasiado a intensidade e correu riscos desnecessários.

Brahimi e Herrera voltaram a estar longe do seu melhor (fisicamente parecem-me muito desgastados), com o internacional argelino muito complicativo e o mexicano a falhar demasiados passes em zonas de risco. Naturalmente, foram substituídos.

Maicon está lento e pesadão (espero estar enganado, mas suspeito que Marcano vai fazer muita falta contra o Bayern).

Após vários jogos como titular, Aboubakar continua a jogar numa frequência diferente dos restantes companheiros. Por exemplo, houve N transições ofensivas da equipa, em que Aboubakar parecia perdido, sem saber muito bem se havia de se desmarcar, dar uma linha de passe, temporizar e tabelar com um companheiro de equipa, ou… sair de posição de fora-de-jogo.

Sem os lesionados Jackson, Tello e Quintero (já nem falo no Adrián López), o FC Porto alcançou uma vitória clara num estádio onde o SLB foi derrotado.

E agora venha o Bayern.

P.S. Os treinadores erram, os jogadores erram e os árbitros erram. Mas, mais uma vez, assistimos a um erro grosseiro (no golo anulado, Brahimi estava mais de um metro atrás do penúltimo jogador do Rio Ave) em prejuízo do FC Porto, quando o resultado estava em… 0-0.

Respeitinho

«Vítor Baía vai fazer parte da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Segundo o suplemento ‘Ataque’ do Jornal de Notícias, o antigo guarda-redes do FC Porto vai rumar a Lisboa, para integrar a estrutura do organismo máximo do futebol português liderado por Fernando Gomes, candidato que o ex-jogador apoiou.
O cargo que irá ocupar ainda não é conhecido, mas a publicação do JN revela que a sua futura função implicará uma presença diária em Lisboa, na sede da FPF.»


Record, 08-03-2015
Ah, bom, sendo assim, já se percebe melhor a afirmação, feita em Fevereiro passado, de que “os árbitros são sempre a desculpa para o insucesso da gestão, para o insucesso daqueles que não conseguiram ter uma boa equipa nem o melhor treinador”.

Temos de compreender que a vida está difícil e, para o atual colaborador do Record e da TVI, um “tacho”… perdão, um cargo na FPF dá sempre jeito…


sexta-feira, 10 de abril de 2015

Podem algumas lesões ajudarem no sprint final?

A comunicação social tem vendido nos últimos dias a ideia de que o FC Porto pode vir a ser beneficiado por uma praga de lesões no Bayern de Munich. Ora quem escreve ou não sabe que, desde que chegou á capital bávara Pep Guardiola só teve o plantel completo em meia dúzia de semanas, ou não tem olhado para a lista de baixas do FCP. O Bayern está habituado a jogar ao máximo das suas capacidades sem alguns dos seus mais influentes jogadores. Têm plantel para isso. Não está Robben? Está Muller. Não está Schweinsteiger? Estará Javi Martinez. E assim sucessivamente. Já o Porto joga com as suas naturais limitações – muito superiores á dos alemães – e para nós uma baixa é um problema muito mais grave. É mesmo?

A eliminatória contra o Bayern vai ser bonito e emocionante especialmente porque há muito tempo que não se respira o vento dos quartos de final no Dragão. Mas, tal como sucedeu da última vez, o FC Porto não só não é favorito como tem pela frente o máximo candidato ao titulo. Em 2009 foi o Manchester United - detentor do troféu e agora é o Bayern. O que o FCP deve (e pode) fazer é, como mínimo, repetir a mesma atitude que teve então, obrigando o todo poderoso Man Utd a sofrer até ao fim para passar. Fomos Dragões em Old Trafford e em casa só caímos com um golo do outro mundo. Ninguém dava nada por nós e ninguém podia apontar-nos nada no final da eliminatória. Tudo o que não seja isso é um milagre (que também acontece no futebol) e é preciso assumir essa realidade sem baixar nunca a cabeça. 

(foto: Mais Futebol)

A prioridade é e deve ser o campeonato. 
A equipa perdeu uma grandíssima oportunidade na Madeira de depender de si mesma para ser campeã com um grau de dificuldade menor. Ainda depende de si, sim, mas depende sobretudo de marcar mais de 2 golos na Luz. Possível mas difícil, especialmente tendo em conta que em casa o Benfica nunca fica a zero. O que era impossível há dois meses agora não o é tanto (ainda que continue a ser muito difícil) e deve ser aí que Lopetegui tem de apontar o arsenal. O objectivo mínimo da Champions (chegar aos oitavos) e o óptimo (chegar aos quartos) foi cumprido. A Liga é outra história.

Tudo isto a propósito das lesões. A de Tello é um problema. Vai falhar o jogo com o Bayern e também, seguramente, o jogo na Luz. Contra os dois rivais seria um futebolista extremamente útil a explorar espaços e a utilizar o seu 1x1 nos duelos directos. Vamos sentir a sua falta. Mas qualquer outra baixa para os jogos europeus pode ser uma benesse para a liga. É verdade que o FC Porto tem de ganhar os dois jogos antes da Luz (Rio Ave e Académica, que não vão ser pêras doces) para ter alguma opção mas não é menos certo que chega com jogadores a recuperarem de lesões como Jackson e Oliver e, portanto, mais frescos que alguns dos seus colegas a que se nota claramente a falta de pernas. O mesmo se pode dizer de Danilo ou Casemiro, cujas breves paragens ajudaram a repor oxigénio. E Brahimi, que levou uma sova tremenda em Janeiro na CAN, está a pouco e pouco a recuperar o seu ritmo. 

(foto: Mais Futebol)

Não são as condições ideias para uma eliminatória Champions mas podem ser condicionantes positivos para preparar o assalto final á Liga onde temos de ser perfeitos em todos os sentidos. E são muitos minutos nas pernas (o Benfica está de férias desde Dezembro a meio da semana) para aguentar sem quebras esta tensão final. Ás vezes pausas forçadas – porque nenhum jogador quer parar de moto próprio e menos para jogos europeus – são um auxilio inesperado para o treinador. No final de contas, algumas das lesões em questão podem vir a ter efeitos positivos neste sprint final.  

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Champions League @ Estádio do Dragão

«A menos de uma semana para a receção ao Bayern de Munique, o FC Porto já vendeu 43 mil bilhetes para o jogo da primeira mão dos quartos de final da Liga dos Campeões
(fonte: ojogo.pt, 09-04-2014 | 15:14)


Não sei se a lotação do Estádio do Dragão irá esgotar, até porque ainda falta ir a Vila do Conde (no próximo Sábado) antes da recepção ao Bayern e há portistas muito susceptíveis, cujos “humores” e disposição varia drasticamente, consoante o último resultado da equipa.

Contudo, espero que a lotação esgote, até porque, não é todos os anos que os adeptos do FC Porto têm oportunidade de assistir, ao vivo, no nosso maravilhoso estádio, aos quartos-de-final da principal competição de clubes do Mundo.

15 de Abril de 2015, todos os caminhos vão dar ao Estádio do Dragão…



Quiz do dia: Quantas vezes é que os adeptos do SL Benfica e os adeptos do Sporting, tiveram oportunidade de verem as suas equipas disputarem uns quartos-de-final da UEFA Champions League (no formato actual da competição)?

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Quartos-de-final: faltam 7 dias

O Bayern Munique foi hoje a Leverkusen jogar os quartos-de-final da Taça da Alemanha.

Há uns meses atrás, a “nação benfiquista” fartou-se de repetir que o Bayer Leverkusen não era uma equipa qualquer.
Aliás, o “profeta” Jorge Jesus disse mesmo que o Bayer Leverkusen era a melhor equipa do grupo (daquele em que o SLB ficou em 4º e último lugar, lembram-se?).
E agora?

Na Liga dos Campeões, o Bayer Leverkusen foi eliminado nos oitavos-de-final (no desempate por grandes penalidades) pelos campeões espanhóis e vice-campeões europeus (Atlético Madrid), enquanto que na Bundesliga o Bayer vem de uma série de 5 vitórias consecutivas.

Bayer Leverkusen (fonte: zerozero)

Pois bem, apesar de jogar em casa e do bom momento que atravessa, o Bayer foi incapaz de derrotar um Bayern Munique “muito fragilizado” por várias ausências e, novamente no desempate por grandes penalidades, foi eliminado e quem seguiu em frente foi a equipa de Munique.

Manuel Neuer a defender uma das grandes penalidades (foto: REUTERS)

Ora, em vez de salientar este facto, em vez de salientar a qualidade super de Manuel Neuer ou o facto de ter sido anulado um golo limpo a Lewandowski (que daria a vitória ao Bayern sem necessidade de prolongamento e penáltis), a Rádio Renascença, com o objectivo claro de desvalorizar o adversário do FC Porto nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, disse/escreveu: «Bayern de Munique só ganha nas grandes penalidades»

Notícia sobre o Bayern no site da RR/Bola Branca

Só?!
O Bayern Munique apurou-se para as meias-finais da Taça da Alemanha; lidera, confortavelmente, a Bundesliga; e vai disputar os quartos-de-final da Liga dos Campeões. Só…

Eu costumo dizer que, de católico, a Rádio Renascença tem muito pouco, mas acerca do departamento de desporto (Bola Branca) não tenho dúvidas: é um antro infecto de anti-portistas nojentos.

Em Lisboa dão como certa a eliminação do FC Porto e há mesmo quem aposte na repetição de goleadas parecidas àquelas com que o Bayern esmagou o Sporting (5-0 e 7-1).
Veremos…

Prestígio, fama e muitos milhões

No passado mês de Março, e após negociação com a ECA (European Club Association), a UEFA aprovou o plano de distribuição de receitas da Liga dos Campeões para o triénio 2015 – 2018.

São muitos milhões e, por exemplo, se na próxima época (2015/2016) o FC Porto conseguir repetir o desempenho que teve esta época na fase de grupos, garantirá, só em prémios (sem contar com receitas de bilheteira e market pool), um total de 24,5 milhões de euros!

Receitas da Liga dos Campeões (fonte: O JOGO, 01-04-2015)

Mas a Liga dos Campeões não se resume, “apenas”, aos milhões que distribui pelos clubes participantes. A UEFA Champions League é muito mais do que isso.

A UEFA Champions League é uma das competições desportivas mais vistas em todo o Mundo, só tendo paralelo com Jogos Olímpicos e fases finais de campeonatos do Mundo de futebol (competições disputadas de 4 em 4 anos).


Os clubes que, regularmente, disputam a UEFA Champions League e, principalmente, os que atingem as fases mais adiantadas da prova, aos muitos milhões que recebem, juntam prestígio e notoriedade a nível mundial.

Por tudo isto, custa-me a compreender, que o desempenho do FC Porto na Liga dos Campeões 2014/2015 não seja devidamente valorizado por uma fatia significativa dos adeptos portistas. Aliás, ouvindo o que alguns desses adeptos dizem e lendo o que outros escrevem, fica a ideia que preferiam ganhar a Taça de Portugal ou, pior ainda,… a Taça da Liga!

Nota: Em contraponto aos adeptos portistas, eu percebo, perfeitamente, que adeptos de clubes que raramente passam a fase de grupos da Liga dos Campeões, digam que preferem ganhar a Taça da Liga ou ir “à festa do Jamor”. É a velha história da raposa e das uvas, que estão verdes…