terça-feira, 27 de junho de 2017

Contrainformação, Mentiras e Jornais

O SLB, o jornal Record e o jornalista-comentador Rui Santos mentiram. Isto é, divulgaram notícias falsas, divulgaram mentiras.

O Diretor de Informação e Comunicação do FC Porto reagiu, no Twitter, às fake news

Mensagens de Francisco J. Marques no Twitter

E, para que não ficassem dúvidas, o FC Porto emitiu mesmo um comunicado.

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A máquina de propaganda do Benfica continua a tentar abafar e desvirtuar o chamado caso dos e-mails.

Porque o país merece saber a verdade, sem filtros, sem artimanhas, o FC Porto é obrigado a voltar ao tema para informar:

1 - É falso que o FC Porto tenha sido intimado pela Polícia Judiciária, ou por qualquer outra entidade, para entregar qualquer tipo de documentação sobre este caso. Esta falsidade tem sido difundida por comunicação social que se deixa intoxicar pelas versões que têm como objetivo distrair sob a matéria de fundo e que está a ser investigada.

2 - É mentira que o FC Porto tivesse sido alvo de qualquer tipo de buscas, como erradamente disse o comentador Rui Santos, no canal televisivo SIC Notícias. Esta afirmação é tanto mais grave por pretender transmitir a ideia que o FC Porto foi forçado pelas autoridades a alguma coisa, o que não é verdade. E aqui fica o desafio para que Rui Santos confirme junto da própria Polícia Judiciária essa informação e depois faça a correção pública da mentirosa afirmação.

Para que não fiquem dúvidas, o FC Porto foi contactado pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária por causa da investigação em curso e não devido a uma qualquer queixa do Benfica.

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Apesar deste desmentido formal e oficial do FC Porto, o Record e o SLB insistiram na mesma tese e voltaram à carga…

«Fonte oficial do Benfica garantiu a Record que o "comunicado do FC Porto deturpa a verdade".
"O despacho da PJ que determinou a entrega de todo o material está no âmbito e resulta da queixa apresentada pelo Benfica; isso mesmo foi objeto de notícia em vários órgãos de comunicação social ontem. Só o desespero pode levar a mentir perante factos concretos. O que diz o comunicado do FC Porto é totalmente falso", afirmou.»


O comunicado do FC Porto é totalmente falso, dizem eles.
E no entanto…
O JN de hoje, após contactar a PJ, publicou a seguinte notícia (e esta não é fake news):

'Judiciária confirma versão dos dragões', JN de 27-06-2017

E agora?
O mais provável é que continue o tráfico (de notícias) entre o SLB e os seus agentes na comunicação social, de modo a suportar a estratégia de contrainformação em curso.

domingo, 25 de junho de 2017

Os vencedores, os vencidos e os derrotados

Taça de Portugal, Supertaça, Campeonato, Taça de Portugal

19 de junho de 2016. A equipa de hóquei em patins do FC Porto conquistou a sua 15ª Taça de Portugal, ao vencer o SLB por 4-2, na final da prova disputada em Ponte de Lima.

24 de setembro de 2016. A equipa de hóquei em patins do FC Porto conquistou a sua 20ª Supertaça, ao vencer o SLB por 13-7, num jogo disputado na Mealhada.

17 de junho de 2017. A equipa de hóquei em patins do FC Porto conquistou o seu 22ª Campeonato, ao vencer o Riba D´Ave, por 11-4, na 26ª e última jornada.

24 de junho de 2017. A equipa de hóquei em patins do FC Porto derrotou o SLB por 10-0, nas meias-finais da Taça de Portugal 2016/17, num jogo que ficará para a história devido aos encarnados de Lisboa terem sido amplamente derrotados por… falta de comparência!

25 de junho de 2017. A equipa de hóquei em patins do FC Porto conquistou a sua 16ª Taça de Portugal, ao vencer o SC Tomar por 5-1, na final da prova disputada em Gondomar.

PARABÉNS a todos, equipa técnica, jogadores e dirigentes da secção de Hóquei em Patins do FC Porto, por estas quatro conquistas seguidas.

E mais. Desde a temporada de 2005/06, que as três competições nacionais – Campeonato, Taça de Portugal e Supertaça – não eram ganhas pela mesma equipa.

Mas os PARABÉNS são, acima de tudo, porque este grupo honrou o emblema do FC Porto.

PARABÉNS, também, porque não sujaram com atitudes indignas, a camisola que grandes campeões e grandes nomes da modalidade (Cristiano Pereira, Vítor Hugo, Vítor Bruno, Franquelim, Realista, Paulo Alves, Pedro Alves, Tó Neves, Filipe Santos, Pedro Gil, Reinaldo Ventura, Edo Bosh, etc.) envergaram antes deles.

Podemos perder um ou mais jogos.

Podemos perder campeonatos ou taças.

Não podemos é perder o respeito pela história e pelo emblema do FC Porto. Isso jamais podemos perder.

A história do desporto é feita de vencedores e de vencidos. De treinadores e atletas, que saibam honrar as camisolas que envergam e dignificar as modalidades que praticam.

Dos derrotados ninguém se lembra. Dos derrotados não reza a história.

E se há algo que esta época de hóquei em patins e, em particular, esta edição (2016/2017) da Taça de Portugal demonstrou, é que só é derrotado quem desiste de lutar.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Fanatismo religioso Vermelhusco


Não admira nada que o clube representativo do poder central se ache dono da verdade. Eles olham para si mesmos e revêem-se no papel de bispo ou cardeal do futebol português. Bispo, que vem do latim episcopus que se traduz para "aquele que vê por cima, pelo alto, que supervisiona". E Cardeal tem origem etimológica em cardo/cardinis, ou seja aquele que roda ou gira (normalmente à volta do Papa mas neste contexto à volta do futebol Português, qual matilha de lobos à espera de atacar a presa). Até nas críticas que fazem aos rivais eles optam por um prisma religioso, não fossem eles dar o cognome Papa ao Pinto da Costa.

Quem tem prestado atenção ao futebol Português deve ter reparado na forma lisonjeira com que o clube Lisboeta tenta se rever como instituição religiosa. Têm uma Catedral (a espelunca da Luz), o manto sagrado (o equipamento), têm um Santo Padroeiro, o Santo Eusébio, Santo Protector dos tremoços, e com esforço um gajo até pode associar o milhafre ao Espírito Santo. E finalmente, para rematar, até têm a Bíblia do Futebol: A Bola.





De tanto se acharem um clube destinado a conquistas divinas só lhes fica bem terem a cabeça nas nuvens, ou seja, é um clube cheio de húbris.

Esta doutrina religiosa espalha-se por todos: dirigentes, adeptos e jogadores. Reparem: 

CRISTANTE: «O BENFICA É UMA RELIGIÃO»

Mandamentos da religião Benfica
Religião Benfica

Tudo isto não espanta quem tenha ouvido falar da Tríade: Fátima, Fado e Futebol. Mas digo-vos uma coisa, o epíteto Diabos Vermelhos fica-lhes bem. São realmente um clube diabólico, de duas faces, sem carácter e hipócrita.


Omnia autem delere
Amen!

terça-feira, 20 de junho de 2017

Voando sobre um ninho de hipócritas

Após o FC Porto, através do seu Diretor de Comunicação, ter revelado publicamente um conjunto de e-mails comprometedores para o SLB, trocados entre um ex-árbitro de 1ª categoria (Adão Mendes) e um diretor da Benfica TV (Pedro Guerra), os benfiquistas ficaram atarantados, sem saber o que fazer ou dizer.

Em termos de reações, houve de tudo. Silêncios ensurdecedores, falhas de memória seletivas, reações envergonhadas, não-reações e até confissões implícitas (do tipo “vocês fizeram parecido”).

O jornal A BOLA, após ter saído do estado de choque inicial, decidiu entrevistar um ex-árbitro. Contudo, em vez de entrevistar Adão Mendes, o ex-árbitro implicado no tráfico de influências revelado nos e-mails (e que se remeteu ao silêncio), os senhores de A BOLA entenderam que era mais relevante ir ao baú da história e entrevistar um outro ex-árbitro – Carlos Calheiros.

Assim, a edição de A BOLA do dia 10 de junho (4 dias após a divulgação pública dos primeiros e-mails), trazia uma encomenda… perdão, uma entrevista (com destaque de 1ª página!) de Carlos Calheiros, um ex-árbitro e, atualmente, pintor nas horas vagas.

Carlos Calheiros nunca chegou a árbitro internacional e apenas apitou jogos do campeonato português durante seis épocas, mas ficou famoso por, alegadamente, o FC Porto ter pago uma viagem que fez ao Brasil, em Julho de 1995.

À época, devido à pressão da comunicação social lisboeta, o caso foi exaustivamente investigado mas, após os esclarecimentos prestados pelas três partes envolvidas – Carlos Calheiros, FC Porto e agência de viagem Cosmos – foi arquivado. Contudo, o ex-árbitro de Viana de Castelo nunca mais se livrou deste ferrete e, pouco tempo depois, abandonou totalmente a arbitragem. Já lá vão 22 anos.

Volvidos todos estes anos, perante factos altamente comprometedores do presente, há que tentar desviar as atenções com episódios do passado. Mas, já que o jornal A BOLA se lembrou de fazer esta “oportuna” viagem pelo passado do futebol português, então vamos um pouco mais atrás e recordar outras famosas viagens de avião, envolvendo árbitros de futebol e um clube de… Lisboa.

Recuemos, então, a Junho de 1978…

Após ter posto fim a um jejum de 19 anos, com a conquista do campeonato de 1977/78, o FC Porto também se apurou para a final da Taça de Portugal. O outro finalista era o Sporting e, claro, a final ia realizar-se no “muito neutral” estádio de Oeiras (há 40 anos atrás, uma deslocação a Lisboa não era, propriamente, pera doce…).

Naquele tempo, o “mau da fita” ainda não era Pinto da Costa, mas sim José Maria Pedroto que, sem medo, comentava: “É tempo de acabar com a centralização de todos os poderes na capital”.

A final foi um jogo muito quente, com uma arbitragem escandalosa e ficou marcada por um penalty polémico, favorável ao Sporting, que foi convertido por Menezes. Tendo o jogo terminado empatado (1-1), foi necessário disputar-se uma finalíssima, no dia 24 de Junho de 1978, arbitrada pelo senhor Mário Luís de Santarém.

Com uma arbitragem idêntica ao que era (é!) habitual nos jogos do FC Porto em Lisboa e que validou um golo irregular à equipa leonina, o FC Porto perdeu por 1-2, provocando a natural indignação dos seus jogadores, treinador e dirigentes. No final do jogo, Seninho, o autor do golo portista, diria o seguinte: “O árbitro entregou a Taça ao Sporting”.

Finalíssima da Taça de Portugal 1977/78 (fotos: Memória Azul)

Mas o mais escandaloso estava ainda para vir. Menos de 48 horas depois dessa finalíssima, o Sporting partiu para uma digressão à China.

Ora, qual não foi o espanto, quando se constatou, que integrados na comitiva sportinguista e vestidos com um fato à medida, igual ao dos restantes elementos, iam dois... árbitros!
Dois árbitros?
Sim, o senhor Porém Luís, de Leiria e, nada mais, nada menos, que Mário Luís, o árbitro da finalíssima, que a partir daí passou a ser conhecido como o “chinês”.

Caricatura de Francisco Zambujal publicada no jornal A BOLA
alusiva a um Sporting x Belenenses da época de 1981/82

Perante o escândalo, esta situação foi devidamente “esclarecida” pelos envolvidos – Sporting e árbitros – por forma a “lavar consciências” e evitar mal entendidos...

Os árbitros Mário Luis e Porém Luis
Jogadores, dirigentes de Sporting e os dois árbitros no estádio olímpico de Pequim

Talvez por isso, não houve inquéritos da FPF, nem investigações da PJ e muitos menos punições para o clube de Lisboa e para os árbitros envolvidos, os quais continuaram a “passear a sua classe” pelos relvados portugueses.

Bons tempos, em que convidar árbitros no ativo, para integrar comitivas de um clube ao estrangeiro, não era escandaloso, nem tinha consequências nefastas nas carreiras e reputação desses árbitros.

domingo, 18 de junho de 2017

Um título com dedicatória

FC Porto campeão nacional de Hóquei em Patins 2016/17 (fotos: FC Porto)

«O FC Porto Fidelidade conquistou na tarde deste domingo o 22.º título de campeão nacional de hóquei em patins. Na derradeira jornada do campeonato, os Dragões ultrapassaram o Benfica na classificação após ambas as formações terem partido com 65 pontos para os jogos de todas as decisões. Com desvantagem no confronto direto (primeiro critério de desempate), os azuis e brancos eram obrigados a fazer melhor do que os encarnados no pavilhão do Sporting e conseguiram-no: na 26.ª jornada venceram o Riba D´Ave por 11-4 e beneficiaram do empate no dérbi lisboeta (5-5). (…)
Um minuto de sofrimento e tensão máxima, numa comunhão entre adeptos, jogadores e equipa técnica, que terminou com uma explosão de alegria.»
Texto extraído de ‘Sprint final para o Título


A equipa técnica, liderada por Guillem Cabestany, os jogadores, os dirigentes da secção de Hóquei em Patins do FC Porto e o vice-presidente do clube com a tutela das modalidades, Vítor Hugo, estão de PARABÉNS!

Este foi um título merecido e inteiramente justo.

Mas este foi, também, um título sofrido, muito sofrido, com várias dedicatórias.

Em primeiro lugar, é um título dedicado aos dedicados adeptos das modalidades do FC Porto, principalmente a adeptos como o Sérgio Gomes, o Joaquim Vidal, o Fernando Delindro, o Pedro Ferreira, o “Ricky”, etc., que estão lá sempre e não apenas nos jogos grandes, ou quando há possibilidade de comemorar títulos. Com adeptos destes, acredito que há futuro para as modalidades do FC Porto.

Em segundo lugar é dedicado aos árbitros, na pessoa do senhor Miguel Guilherme, os quais tiveram a “infelicidade” de, em inúmeros jogos deste campeonato, errar contra o FC Porto e/ou a favor do SLB. Obrigado. Ganhar assim, contra tudo e quase todos, faz parte do nosso ADN e dá-nos mais força para enfrentar o futuro.

Finalmente, é um título dedicado à comunicação social nacional-benfiquista (um dos principais tentáculos do polvo), particularmente aos pseudo jornalistas da (B)TVi24, cujos comentários, ditos num misto de frustração e raiva, ficarão para a história do jornalismo tuga, “isento e imparcial”.

P.S. Parece que o golo anulado ao clube do regime, a cerca de 20 segundos do final do Sporting x SLB, foi bem anulado (as regras do hóquei não permitem que um golo seja marcado com o corpo…). É uma pena porque, se o golo tivesse sido mal anulado, eles, que estão tão habituados a ganhar títulos ao colinho, iriam provar do próprio veneno.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Querem reabrir o Apito Dourado, eu também

Consta que o medo no estádio da Luz é parecido àquele que sentiam cada vez que viam a Hulk pela frente. Está em níveis de alerta máximo. Normal. O que primeiro eram emails forjados agora são emails roubados (e portanto, verídicos). O que primeiro eram detalhes e conversas de pessoas que, na realidade, nada tinham a ver com o clube hoje são teias tecidas entre personalidades das altas esferas. O que primeiro era um programa para consumo interno no Porto Canal hoje é um pesadelo parecido ao que sofrer Cavaco Silva cada vez que lhe entregavam um exemplar do Independente de Paulo Portas. O estômago de Luis Filipe Vieira não deve andar de boa saúde. Entende-se. O homem, que até já foi julgado por um crime cometido há mais de duas décadas, preside actualmente o período mais delicado e sério de um clube que tem elementos que nem sequer sabem seguir uma simples instrução:

"AGORA, APAGUEM TUDO!"

No meio das revelações feitas sobre os emails - que se seguiram ás divulgações sobre os favores a presidentes de clubes, a novela da cartilha e tudo o que pode estar ainda por chegar - e retirando-se estrategicamente de entrevistas programadas há semanas, o Benfica lá se dignou a reagir e achando-se, uma vez mais, moralmente superior, decidiu repetir um estratagema velho conhecido, o de desviar as atenções. Vai acusar o Sporting de ingerências, vai acusar o Porto de pagar a hackers para roubar emails - recordamos que a denúncia anónima que está a ser tratada pelo DIAP não tem qualquer vinculo oficial com o FC Porto e como o processo não se encontra em segredo de justiça, "ainda", essa informação pode ser divulgada por qualquer cidadão - e vai pedir para que se volte a abrir o Apito Dourado. Parece-me uma excelente ideias. Já é hora de reabrir o Apito Dourado e explicar de uma vez por todas que aquilo que se vendeu foi areia para os olhos de muitos adeptos, portistas incluídos, quando o que mais não era do que o início da reconquista do poder do polvo de Luis Filipe Vieira e amigos. É hora de colocar os pontos nos "is" e explicar que em todo o processo do Apito Dourado - em todas as escutas, as completas, não a versão editada e "leakada" com ajuda de agentes policiais e jornalistas "amigos - o nome do Benfica tem tudo para ficar ainda mais pelo chão do que qualquer associação ao FC Porto, reforçada anos depois por um livro de fantasia, encomendado, de uma mulher a quem, e isso ao Presidente do FC Porto nem eu nem qualquer portista de bem perdoará jamais, achava que tinha acesso a informação relevante quando o que contou foi uma fábula escrita por outras duas mulheres - uma, "pseudo" jornalista que agora anda pelo Correio da Manhã e outra, "pseudo" jornalista, filha de um cronista celebre dos anos cinquenta e sessenta - para dar sabor a uma coisa que, na prática, não tinha nem sal nem pimenta.

Querem reabrir o Apito Dourado? Eu também. Começamos então por isto Luis Filipe. 
Quando decidirem reabrir o processo, tenham encarecidamente o favor de explicar - à Justiça e ao público em geral, não só aos cordeiros de sempre - o seguinte:



- Que fazem na candidatura de honra de Luis Filipe Vieira 12 agentes e inspectores da Polícia Judiciária, alguns dos quais envolvidos directamente no processo de investigação do Apito Dourado?

- Porque não se constituiu como arguido o seu amigo António Salvador, que numa das escutas aparece a exigir que não quer três árbitros dos nomes propostos por Pinto de Sousa - Pinto da Costa não quer um deles na mesma sequência de escutas - e que desde então parece ter florescido como dirigente, sendo que uma das suas empresas de construção, Britalar, foi também responsável pela obra desse maravilhoso centro de formação do Seixal?

- Porque não se constitui arguido José Veiga, amigo da alma de Luis Filipe Vieira e seu braço direito desportivo então, que também surge em escutas a pedir árbitros para determinados jogos e, árbitros que favorecessem o Benfica, com quem aliás o presidente do Benfica jantou em diversas ocasiões e cenários, do sul ao norte do país, com o Presidente e vogais do Conselho de Arbitragem em Lisboa antes da nomeação de vários árbitros para jogos decisivos, tanto próprios como dos dois rivais na luta pelo título de 2004/05?

- O celebre "Estorilgate" e os comentários de técnicos do clube da Linha sobre como o processo foi conduzido, incluindo uma promessa falhada de contratação de um jogador que se revelou fundamental nessa derrota do seu clube.

- Quem pagou um adiantamento a Carolina Salgado, e ao progenitor da mesma, depositado num banco espanhol da fronteira para não levantar suspeitas, antes do lançamentos das acusações que acabaram em livro, filme e novela?

- Será que as escutas completas nos vão permitir comprovar quem, como presidente do Alverca, andou duas temporadas envolvidas em compra de jogos envolvendo o Beira-Mar, Salgueiros, Vitória de Setúbal, Marítimo e Campomaiorense, através do aliciamento de jogadores, técnicos, árbitros ou dirigentes dos distintos clubes em modo de pagamento de promessas de favores, um esquema aparentemente agora repetido a maior escala. Seria curioso não seria?

Se quiserem começar por estes míseros pontos de investigação, bastante mais profundos e complexos do que os supostos favores, nunca confirmados, para que uma equipa que em dois anos venceu dois troféus continentais - o tipo de títulos que Luis Filipe Vieira anda há quinze anos a prometer sem êxito aos seus - disputasse dois jogos irrelevantes na sua corrida a dois títulos conquistados com enorme facilidade face à sua imensa superioridade sobre os rivais, sou totalmente a favor da reabertura do processo Apito Dourado.
Pode ser que com as escutas completas, sem serem editadas em programas de software e divulgadas a membros da imprensa amiga que por sua vez ajudaram a dar eco através de redes sociais, tudo isso venha à tona e se saiba um pouco mais do que se passou nesses anos "infames", onde o Porto era "Palermo", sobre o dia a dia da vida do Benfica e dos seus dirigentes. A não ser que, como os emails, se lembrem de dizer agora que essas escutas também eram "ilegais" e portanto já não valem como prova. Não surpreenderia ninguém pois não?

Em caso de dúvidas, se não souberem que fazer, pensem sempre que Luis Filipe Vieira é um homem decidido e determinado e que em momentos de aperto tem sempre resposta na ponta da língua, do estilo... "o João, sim...pode vir o João"!


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Os milhões de Ederson, a outra cara do Polvo

Ederson foi vendido este defeso ao Manchester City por 40 milhões de euros, parte da nova aposta de Pep Guardiola para a baliza do clube citizen. O brasileiro transformou-se assim num dos guardiões mais caros da história mas, ai essa ironia, o SL Benfica só vai receber metade dessa verba estratosférica. Curioso, porque não era isso o que o clube tinha comunicado no seu Relatório Anual de Contas onde indicava, taxativamente, deter o 100% dos direitos económicos do futebolista. Afinal, enquanto o FC Porto está debaixo da alçada da UEFA por ter feito as coisas muito mal - e a correr o risco de ter de vender três titulares, a que se junta André Silva, já despachado para o Milan - o Benfica pode jogar com as regras e não há ninguém que diga nada ao respeito a começar pelas autoridades como a CMVM.

No Relatório de Contas apresentado este ano em relação ao exercicio de 2016, o Benfica declara, como se pode ver, possuir o 100% dos direitos de Ederson, contando portanto o valor do passe do brasileiro como uma mais valia plena nos livros de contas do clube. Meio ano depois o mesmo clube indica à CMVM que vai vender o futebolista mas arrecadar apenas 50% dos 40 milhões pagos (a que terá de descontar os habituais gastos de solidariedade sendo que, na prática, o jogador renderá pouco mais de 16 milhões de euros no total). A imprensa, que vendeu a transferência como mais um super-negócio de Luis Filipe Vieira, esqueceu-se de investigar os porquês dessa súbita alteração dos valores num espaço de tempo tão curto.
Explica o Benfica que estão "prometidos" os restantes 50% a outras "entidades", sem especificar nunca quem, quando e porquê, algo que em nenhum momento foi indicado no Relatório de Contas onde apenas se indica o controlo na totalidade do passe do futebolista. A 1 de Janeiro Ederson era totalmente do Benfica, a 1 de Junho afinal só o é a metade do seu valor de mercado.



São cenários assim que explicam dois pontos importantes.

O primeiro é a a total ausência de fiscalização das autoridades neste tipo de casos e em particular quando se trata do Benfica. Ninguém na CMVM decidiu abrir uma investigação ou aprofundar nos dados facilitados, uma vez que sendo clube cotado em bolsa, os valores e cifras apresentados nos Relatórios de Contas têm de estar de acordo com a realidade. As autoridades em Portugal, sejam da Procuradoria Geral da República, da Polícia Judiciária, do poder político, das instituições desportivas ou de reguladores como a CMVM fazem constantemente vista grossa às irregularidades cometidas pelo clube da Luz, desde as claques ilegais ao doping financeiro, enquanto mantêm um olhar crítico ao que corresponde a todos os seus rivais, dispostos a actuar com prontidão, celeridade e, curiosamente em muitos casos, depois de receber "dicas" de como e quando fazer as coisas.

Por outro lado, e isso é mais sério ainda, este é o tipo de negócios - tão habitual nos últimos cinco anos - que explica o porquê de que o Benfica jamais entrará debaixo da alçada do Financial Fair Play ou passará por apuros económicos. Tem um amigo de confiança.
Jorge Mendes, através da Gestifute, e o Rio Ave, clube que gere à distância, recebem assim a fatia de um bolo que não lhes correspondia, oficialmente. A todos os títulos a proibição da partilha de passes por parte da FIFA acabou por dinamitar um modelo de negócio mas abriu as portas a outro. Agora os clubes vivem à volta do empresário para explorar "promessas" que ficam no ar. Ninguém as pensa em não cumprir porque as consequências podem ser terríveis. Sendo assim o Benfica, ao adquirir Ederson, terá "prometido" ao empresário e ao seu clube na liga - com quem o Benfica, curiosamente, gerou uma excelente relação nos últimos anos - dar essa metade do bolo sem que, no tempo em que o jogador foi atleta do clube, essa informação tivesse sido pública. Para todos os efeitos Ederson foi sempre, a 100%, atleta do Benfica. Quando o negócio, mediado pelo próprio empresário, naturalmente, foi completado então é que, por questões legais, o Benfica comunica a origem dessa "promessa", que não está em papel em nenhum lado, para justificar o ingresso de menos de metade desses valores. Naturalmente o Benfica sabia, desde o primeiro momento, que era o máximo que podia aspirar talvez porque sabem também que sem esses pactos nunca haveria, em momentos de apertos nas contas do clube para pagar salários, comissões e favores a "padres", há sempre um clube desinteressado que aparece para levar os Gonçalo Guedes, Bernardo Silva, João Cancelos, André Gomes e afins por cifras curiosamente sempre muito parecidas e pouco escrutinadas.

Com esta teia muito bem montada entre o universo Mendes e os clubes que lhe são afins - em Portugal o Rio Ave e o Sporting (que se podia passar perfeitamente a chamar de Sport Lisboa) de Braga, e por essa Europa fora o Valencia, Atlético de Madrid, Granada, Deportivo la Coruña, Zaragoza, PSG, Bessiktas e afins - o Benfica tem garantido sempre um pulmão extra de finanças, um doping financeiro de que não dispõe a concorrência. Não é casualidade que os seus únicos dois rivais reais tenham estado, ambos, debaixo da lupa da UEFA e ao Benfica, clube com um passivo descomunal, nunca o máximo organismo europeu tenha sequer mencionado. Claro, com Relatórios de Contas com estes truques à portuguesa, uma instituição pode até dar o ar de ser sólida quando na realidade basta um arrufo de um empresário para o castelo de cartas se desmoronar. Quem sabe isso bem é Luis Filipe Vieira que entende que tem de manter contente o homem que, essencialmente, lhe permite manter-se vivo financeiramente. O Polvo também é isto. Se por um lado os emails revelados por Francisco J. Marques e as informações reais que têm saído com os anos sobre quem estava por detrás, realmente, da corrupção no Apito Dourado, mostram o lado escuro da teia, este exercício é mais um reflexo do polvo financeiro externo que alimenta o monstro.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Até que enfim, Duarte....





... estamos de acordo - nunca compreenderemos.

terça-feira, 13 de junho de 2017

O Estado Lampiânico não dorme

O sempre vigilante Estado Lampiânico aprofundou ontem, por via dos seus acólitos, a farsa em que está transformado o futebol em Portugal.

No que toca às suas forças paramilitares, nada vai mudar já que a proposta (do Porto) que previa castigos para clubes que apoiassem claques(?) ilegais, foi naturalmente chumbada.


Por outro lado, a proposta que visa despeitar os adversários (mas também zelar pela sua saúde, já que fumar faz mal!), foi aprovada.

Prevê-se em breve a aprovação de propostas para que o Estado Lampiânico tenha direito a 6 pontos por vitória, e que qualquer golo que lhe seja apontado seja punido com multa.

Por fim, é de lamentar que os votos tenham sido secretos, caso contrário poder-se-ia ficar a saber quem é que anda a ser "carregado pelo Estado Lampiânico".

segunda-feira, 12 de junho de 2017

André Silva, depois de NES outro culpado do buraco nas contas

André Silva abandona o FC Porto pouco mais de um ano e meio como jogador sénior.
É muito triste que um atleta da casa, portista desde pequeno, um dos nossos melhores produtos da formação em décadas seja empurrado para fora do clube sem sequer poder cumprir dois anos completos de Dragão ao peito. No futebol moderno os jogadores detêm cada vez mais poder e quase sempre decidem se, quando e para onde querem ir. André Silva, como Ruben Neves há duas épocas atrás, não queria sair do seu clube mas acabou vitima de uma gestão tão nefasta que agora o FC Porto nem sequer tem independência na gestão das suas contas. Com a UEFA a observar cada gasto, cada receita, acabaram-se os pretextos para elogiar a "estrutura". Um dos cinco clubes com mais ingressos por vendas de jogadores da última década é hoje um clube forçado a vender ao desbarato, um clube com uma multa em cima que se pode ampliar de ano para a ano e um clube limitado na sua gestão económica e desportiva. O André Silva não merecia ter aparecido como profissional neste FC Porto.

Há muitos críticos do avançado do FC Porto, muitos.
Poucos se lembram seguramente da sua aparição estelar no final do ano passado já, daquela final da Taça de Portugal onde parecia o único a remar contra o desânimo colectivo de um final de época penoso a tal ponto que muitos sonharam com a sua convocatória para o Euro 2016 no lugar de Eder. Ainda bem que não aconteceu. No arranque da nova temporada, com um treinador medíocre e um plantel desequilibrado, sem nenhuma alternativa real para a sua posição - Depoitre não o era - durante meio ano coube-lhe a ele, sozinho, alimentar de golos o Dragão. Nunca um jovem tinha sido tão exposto e nunca um jovem respondeu tão bem. André Silva terminou o ano como o maior estreante goleador numa temporada completa vindo da formação desde os dias do "Bibota" Fernando Gomes. Não é brincadeira falar das suas cifras num primeiro ano que o viu também bater o recorde de precocidade de golos com a camisola da selecção batendo o ratio goleador de estrelas históricas como Eusébio ou Cristiano Ronaldo. Está claro que, dentro da sua faixa etária, André Silva é já um dos melhores do mundo na sua posição e que ia ser um dos activos mais apetecíveis no mercado. Marcou na Champions League, mostrando frieza para anotar penaltis determinantes, e só o desgaste físico de meio ano a correr praticamente só e a falta de arrojo táctico de Nuno, que o preteriu sempre a Soares em vez de encontrar uma forma de os fazer coabitar, passando André demasiados jogos perdidos numa posição que nunca foi a sua, fizeram que as suas cifras fossem baixando à medida que se aproximava Maio. Foi um primeiro ano notável a pedir um segundo ano de máxima confirmação. Um ano que André Silva queria disputar de azul e branco. Quem o conhece sabe do seu portismo, da sua adoração pelo clube, por viver na cidade e por partilhar da aventura com vários amigos de formação e de balneário. Silva quer jogar o Mundial de 2018 e sabe também que sair agora é um risco e ficar um ano mais no FC Porto garantia-lhe a titularidade, os minutos e os golos necessários para manter-se na pole position como parceiro de ataque com Cristiano Ronaldo na equipa das Quinas.
Mas André Silva já não vai estar aqui na próxima época e não por vontade própria.

Fernando Gomes, um homem que trocou a cidade do Porto, o Norte e a luta contra o centralismo por mais um tacho na capital, primeiro no governo e depois numa das empresas para onde saltam os políticos desempregados, surgiu na SAD do Porto de para-quedas, provavelmente como consequência dos muitos favores devidos e por dever. Sem nenhuma preparação, talento ou know-how, passou a ser porta-voz da SAD em muitos assuntos. Quase sempre o que diz é um disparate pegado. Há uns dias acusou NES de ser o responsável das sanções da UEFA. Sim, a Estrutura, aquela que defendia que o FC Porto era um clube gerido como nenhum outro, com um plano cuidado e em que o treinador tinha todas as condições para triunfar (não foi o reeleito Presidente que disse que com Hulks, Falcaos, Jacksons qualquer um é campeão?) deixando a parcela de gestão para quem sabia, agora tem a lata de culpar um homem de um buraco financeiro histórico que obrigou a UEFA a intervir e a castigar com mão pesada o Dragão.
NES pode perfeitamente ter pedido ao clube que não vendesse ninguém no último defeso. Que ia fazer? Pedir que lhe tirassem os únicos bons jogadores que tinha? Que tipo de treinador era capaz de dizer algo assim? E desde quando no FC Porto o treinador tem o poder de negar-se a vender ou jogador ou de impor outro? Adriaanse saiu pela porta fora com um título debaixo do braço porque não podia trazer um avançado do seu gosto. Conceição seguramente queria contar com André Silva. Em ambos casos a SAD disse que essa responsabilidade não era sua. Porque não o fez com NES? Ou então, porque mente?
Talvez os números ajudem a entender.
O buraco actual do FC Porto é histórico. O passivo cresce exponencialmente mas, sobretudo, o que cresce são os gastos em comparação com as receitas. O FC Porto paga cada vez salários mais elevados - ter Maxi Pereira e Casillas custa dinheiro, muito dinheiro - compra cada vez mais caro, vende cada vez menos e com menos percentagem de lucro. Tem uma rede de emprestados que roça as quatro dezenas de atletas, a maioria dos quais com salários pagos pelo clube, tem no Porto Canal um gasto fixo sem sentido e continua a pagar comissões, prémios de final de temporada e "outros gastos" (como gostam de eufemismos os amigos da SAD) muito por cima das suas possibilidades. O buraco, que já vem de 2011, atingiu o fundo e obrigou a UEFA a intervir. Há uma multa a pagar que de 700 mil euros pode chegar quase aos dois milhões (é anualmente ajustada ao cumprimento do acordado), três jogadores menos a inscrever na Champions League quando o clube já nem sequer cumpria o critério de formação local e nunca podia chegar aos 25 o que vai prejudicar o trabalho de Conceição, e ainda a necessidade de vender muito e já para evitar ficar suspenso das provas europeias no final do próximo ciclo de três temporadas. A culpa de tudo isso deve ser sem dúvida de NES. Jamais ninguém entenderia que fosse de Antero Henriques, Fernando Gomes ou, pasme-se, de Jorge Nuno Pinto da Costa, três nomes que tinham em mãos gerir a parcela desportiva e económica neste período desastroso em que o aumento do investimento nem sequer foi acompanhado de um só título desportivo. Livre-nos o senhor e as páginas de Facebook de sequer sugerir algo que não seja a cartilha oficial. NES, maldito sejas!



Nesse cenário, o FC Porto que sempre foi um clube vendedor, não tem outro remédio se não dizer aos seus próprios jogadores que dá exactamente igual o que eles queiram, o que o treinador queira ou o que o adepto sonhe. A debandada vai ser geral.  André Silva será o primeiro - e por valor muito abaixo do seu potencial de um mercado inflacionado mas que está condicionado pelo conhecimento geral do buraco nas contas, culpa sua e de NES - mas Conceição sabe que até Agosto o destino do avançado será o mesmo de Brahimi, de Danilo Pereira, de Hector Herrera e provavelmente de Felipe e Miguel Layun estando ainda sobre a mesa o dossier Casillas e o facto do FC Porto não poder pagar a 100% um salário que até agora era, na maioria, suportado pelo Real Madrid. Até Ruben Neves e Corona estão no mercado. Conceição sabe perfeitamente que o seu próximo plantel será composto por jogadores como Marega, Hernani, Soares, André André, Boly, Ricardo Pereira, Rafa Soares, José Sá, Rui Pedro ou Marcano, todos eles futebolistas de grande nível, sem lugar a dúvidas. Se não fosse pelo Dragão e pelo o azul e branco, o técnico poderia até acreditar que tinha regressado ao comando do Vitória de Guimarães ou do Sporting de Braga. A qualidade média do plantel não será muito diferente.
Para um cenário assim contar com elementos diferenciais é fundamental mas o FC Porto de Pinto da Costa já não se pode dar a esses luxos. O cenário é tão dantesco que mesmo a aposta no melhor do que temos na formação agora não garante um ciclo sequer de dois anos. Ruben Neves pode sair e há ofertas pelo imensamente promissor Diogo Dalot que nem sequer a camisola principal vestiu. Os olheiros europeus sabem perfeitamente que é Fernando Fonseca e Rafa também tem mercado. A situação é tão "Sporting" que da mesma forma que o clube de Alvalade teve de vender por tostões a um tal de Cristiano Ronaldo, o FC Porto começa a entrar numa espiral em que por muito boa que seja a sua cantera, ela não vai transformar-se no core de balneário de outros tempos, e o dinheiro das suas vendas a clubes melhor geridos ou com milionários atrás servirá para pagar os desastres de gestão dos últimos anos e os jogadores de comissionistas que vão continuar a entrar. Porque vão continuar a chegar ao clube. Sem qualquer dúvida.

André Silva, no meio disto tudo, foi uma vitima do tempo em que decidiu explodir com a camisola do FC Porto. Há quatro anos atrás talvez a consequência de uma década de gestão acertada no deve e no haver, o clube pudesse bater o pé e guardar para a recordação dos adeptos um ou dois anos mais do jogadores com a camisola do seu clube. Hoje o cenário é impossível. No final do dia, quando os adeptos se perguntam porque é que o FC Porto não ganha, é fácil criar páginas por encomenda para falar dos árbitros e assobiar para o lado. Assobiar para o lado e esconder o buraco financeiro que foi criado desde dentro. Assobiar para o lado e esconder o desmantelamento de uma cultura de balneário que foi propiciada desde dentro. Assobiar para o lado e esconder esta necessidade de vender todos os aneis e algum dedo que foi propiciada por dentro. Nenhum árbitro tem o poder de fazer o rombo nas contas do clube. Nenhum árbitro tem o poder de escorraçar do clube a prata da casa para esconder as misérias da gestão desportiva e económica. Nenhum árbitro tem a força de dizer aos adeptos de um clube tão grande como o FC Porto que têm de voltar a contentar-se com Maregas e Hernanis enquanto André Silva vai andar lá por fora a espalhar portismo e talento. E não vai estar só. Chegará o dia em que, para além dos árbitros - cuja realidade é indesmentível - a alguém se lhe ocorra fazer auto-critica. Pode ser que nesse dia a ponte D. Luis venha abaixo. Afinal de contas, tanto uma coisa como a outra são improváveis.

É fazer as contas


"O André Silva, que na altura valia 25 milhões de euros, neste momento vale 60, porque é a sua cláusula de rescisão, para a qual, se quiséssemos, já o teríamos vendido", esclareceu o presidente do FC Porto - in OJogo (link)

O FC Porto acertou a transferência de André Silva para o Milan, este domingo, e, sabe O JOGO, vai receber 40 milhões de euros pelo passe do jovem jogador - in OJogo (link)

São urgentes saídas no FC Porto, mas não de jogadores.

sábado, 10 de junho de 2017

Oremos pelos “padres” pecadores

Francisco J. Marques a ler os e-mails no 'Universo Porto da Bancada'

Na última terça-feira à noite, no programa ‘Universo Porto da Bancada’, o diretor de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, denunciou um esquema de poder, um esquema de tráfico de influências, um esquema de corrupção moral na arbitragem portuguesa (dificilmente se consegue provar a corrupção material). E, para suportar as suas afirmações, apresentou (leu) um conjunto de e-mails trocados entre um ex-árbitro da AF Braga (Adão Mendes) e um funcionário de peso do SLB, o mediático diretor de conteúdos da Benfica TV (Pedro Guerra).

As reações a esta denúncia não se fizeram esperar.

Os jornais, quer os desportivos, quer os generalistas, mais ou menos contrariados, com maior ou menor destaque, fizeram eco desta “bomba”. Primeiro nas suas edições online

[Record], [O JOGO], [JN], [DN], [PUBLICO], [A BOLA], [AS, Espanha], com as palavras "corrupção", "árbitros" e/ou "Benfica" nos títulos…

… e depois nas versões em papel.

Os e-mails comprometedores nas capas de vários jornais


As três televisões do regime – RTP, SIC e TVI – também não puderam ignorar esta denúncia bombástica, com o assunto a ser notícia em telejornais e a ser objeto de comentário/debate noutros programas.

Na sequência do impacto mediático, vieram as reações das instituições:
da associação de classe dos árbitros (APAF);
e da Federação Portuguesa de Futebol (Conselho de Disciplina da FPF).

Perante a avalanche mediática e as reações em cadeia que se verificaram, qual foi a resposta do SLB?
A nação benfiquista ficou em choque, sem saber muito bem o que dizer (a cartilha da semana não previa este assunto…), ao ponto do “primeiro-ministro” (Luís Filipe Vieira) ter adiado uma entrevista à RTP 1, a qual estava agendada (e chegou a ser anunciada) para a passada quarta-feira (dia 7 de junho).

E que disseram os dois interlocutores dos e-mails?
Adão Mendes, o “árbitro vermelho”, remeteu-se ao silêncio.
Quanto a Pedro Guerra, cuja cabeça começa a ser pedida por alguns benfiquistas desesperados, a comunicação social anunciou que irá reagir domingo à noite, na TVI24, numa edição especial do programa ‘Prolongamento’.
Cinco dias para reagir?
É normal. Depois do choque, é preciso tempo para o grupo de crise do SLB reler todos os e-mails que foram trocados (é bem provável que o FC Porto tenha em seu poder mais e-mails do que aqueles que já mostrou) e preparar a cartilha oficial a debitar…

Chegados a este ponto, pode dizer-se que todos os objetivos imediatos (de curto prazo), resultantes da denúncia feita no último ‘Universo Porto da Bancada’, foram alcançados. Eu diria mesmo que foram ultrapassados, tal foi o impacto mediático e a desorientação evidente que provocou nos “milhafres” de carnide, que mais parecem galinhas tontas.

Agora, para além de manter o assunto na ordem do dia, os responsáveis do FC Porto precisam de preparar as próximas etapas, de modo a pressionar e obrigar as diversas instituições a (re)agir.

Evidentemente, o inquérito aberto pelo Ministério Público terá como destino o arquivamento (ninguém está à espera de outra coisa, quando o alvo é o clube do regime).

E o processo aberto pelo Conselho de Disciplina da FPF também resultará em nada (no dia em que o SLB for punido, a sério, na justiça desportiva, o futebol português acaba).

Por isso, as “munições” de que o FC Porto dispõe têm de ser bem gastas tendo, como alvo principal, o “polvo” da arbitragem – árbitros no ativo, responsáveis pela nomeação dos árbitros, observadores, responsáveis pela classificação dos árbitros.
Este “polvo”, que foi criado pelo SLB com “muito trabalho”, tem de ser desmantelado.

Para começo de conversa, sugiro que, ao longo dos próximos ‘Universo Porto da Bancada’, vá sendo apresentada uma seleção de jogos das últimas quatro épocas (2013/14, 2014/15, 2015/16 e 2016/17), que tenham sido adulterados por decisões dos oito “padres” – Jorge Ferreira, Nuno Almeida, Manuel Mota, Vasco Santos, Rui Silva, Hugo Pacheco, Bruno Esteves e Paulo Baptista.

Em cima: Manuel Mota, Bruno Esteves, Nuno Almeida, Hugo Pacheco
Em baixo: Vasco Santos, Jorge Ferreira, Rui Silva, Paulo Baptista
(foto: maisfcporto.com)

Não havendo provas concretas de corrupção material (que são sempre muito difíceis de obter, a não ser que os próprios confessem), de modo a suportar o seu afastamento da arbitragem, parece-me que a melhor estratégia é cozinhar estes “padrecos” em lume brando.

Ora, como todos estamos recordados, não faltam decisões arbitrais, que permitem estabelecer um nexo de causalidade entre o que é referido nos e-mails e a atuação dos oito “padres” em inúmeros jogos.

Alguns exemplos que, ao longo das últimas quatro épocas, foram referidos neste blogue:











Meus senhores, ajoelharam?
Pois agora vão ter de rezar…

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Sérgio Conceição, que esperar?

Formalizado o acordo com Sérgio Conceição, chega a hora de entender o que se pode esperar do novo treinador do FC Porto, o sétimo treinador que orienta a equipa depois do último título oficial conquistado. O antigo lateral e extremo direito do clube sucede assim a uma lista que inclui Paulo Fonseca, Luis Castro, Julen Lopetegui, Rui Barros, José Peseiro e Nuno Espirito Santo. 

Está claro que Conceição não era a primeira opção do clube, algo facilmente comprovável pelo facto de há menos de um mês o técnico ter renovado com o Nantes, reforçando um forte laço de compromisso com o clube francês. Tivesse já tido conhecimento do interesse do FC Porto seguramente não teria colocado a sua assinatura nessa renovação para sair, semanas depois, custando ao clube uma indemnização em forma de dois jogadores da equipa B. Falhado o processo Marco Silva, sem grandes alternativas no mercado de técnicos dispostos a queimarem a sua carreira num banco que já foi de sonho e hoje é uma cadeira de electrocussão, chega então um homem que já teve uma passagem consolidada pela liga portuguesa em clubes de perfil médio alto como são o Braga e o Vitória e que, desde Dezembro, tem uma melhor carta de apresentação do que alguma vez poderia ter Marco Silva. Recordamos que ambos começaram 2017 a treinar equipas na linha de água do seu respectivo campeonato. Silva desceu de divisão, Conceição levou o Nantes ás portas da Europa alcançando o melhor resultado em dez anos na história do clube. A reter!

Conceição é um pragmático como técnico, reflexo do que era como jogador. 
Todos nos lembramos daquele lateral de projecção ofensiva que se curtiu no Felgueiras de Jorge Jesus e que explodiu no FC Porto de António Oliveira, passando mais tarde para extremo, antes de passar para Itália onde viveu a época dourada da Lazio antes de voltar ainda ao Porto, com Mourinho, para ser campeão europeu em 2004. Durante esse período como jogador foi sempre vertical, directo, frontal e raçudo, traços que tem repetido como técnico. Não vive colado a um sistema táctico e isso é positivo. Nuno Espirito Santo, sem ir mais longe, chegou no ano passado a prometer que ia respeitar o 4-3-3 histórico do FC Porto para acabar perdido num desenho táctico que só ele parecia entender. Lopetegui, por outro lado, nunca quis sair do seu 4-3-3 mesmo quando era evidente que a equipa pedia variantes. Ter um treinador ambicioso e flexivel tacticamente é sempre importante num cenário de incerteza com o futuro do plantel. A sua matriz de jogo é portanto um reflexo do material de trabalho que tem e isso garantirá sempre uma abordagem realista, algo que o projecto necessita claramente. 
Até ao presente Conceição não tem títulos para apresentar nem jogos memoráveis das suas equipas a nível táctico mas o que tem é uma clara mensagem de trabalho e de preparação consciente de cada jogo dentro das suas particularidades, podendo portanto ser altamente provável que a equipe oscile entre o seu habitual 4-3-3, o 4-4-2 ou o 4-2-3-1, modelos que usou em distintos momentos da época em cada um dos seus três projectos mais significativos como técnico. 

Paralelamente à dimensão táctica, Sérgio é inevitavelmente um técnico com um discurso pro-activo, muito distante da figura quase patética de Nuno Espirito Santo e do autismo de Lopetegui. Conceição não precisa de desenhos nem de sacar frases feitas como "Somos Porto" para reforçar a sua união emocional com o clube e com os adeptos. A sua liderança é verbal e frontal, um discurso para os adeptos, para os rivais e também para dentro, para a motivação colectiva e individual dentro dos elementos do plantel uma vez que é um reflexo daquilo que foi jogador e como se tem visto em várias experiências recentes, ser um treinador com um passado de futebolista de elite não deixa de ser um reforço para a mentalidade grupal. Está claro que vai herdar um plantel com fome de títulos e dentro da sua dimensão de discurso tem tudo para transformar a ânsia de comer com a consecução dos objectivos traçados.



Inevitavelmente Sérgio será também julgado por títulos e para isso dependerá inevitavelmente do plantel à sua disposição. Fernando Gomes deixou cair recentemente que a culpa do estado actual das finanças do clube é de NES pela exigência em manter vários titulares - afinal a culpa é sempre do treinador no FC Porto - e portanto parece óbvio, mais depois da confirmação das sanções da UEFA, que muitas pedras chave vão sair. Quem ficará, quem chegará e como será o plantel, dentro do equilíbrio necessário, ditará muito da sua própria ambição de trabalho. Sem ovos não há omeletes e ainda que o FC Porto tenha ganho um título com Sebas, Liedsons, Izmailovs e Kelvins o certo é que nesse plantel havia também Jackson, Fernando ou Moutinho. A necessidade de apostar na formação, em jogadores do perfil baixo que terão de dar um passo em frente no clube são, ironicamente, também reflexo da própria ascensão de um técnico que foi campeão de juniores antes de ser campeão de seniores. Transmitir essa fome e os valores do clube encontra reflexo na sua própria mensagem e atitude pro-activa. 

Resta portanto saber como vai poder Sérgio Conceição lidar com essa nova realidade dentro do que é a sua primeira grande etapa como treinador principal e como uma etapa de preparação de meia dúzia de anos se transformará em ferramenta útil dentro do seu processo de afirmação como o novo leme do Dragão. Para o final fica a mensagem dada pelo próprio Conceição no seu discurso de apresentação. Acreditemos pois!   

"Muito obrigado ao presidente, às pessoas do FC Porto e aos portistas que acreditam e aos não acreditam. Estarei aqui para provar que posso dar-lhes alegrias. Estou plenamente consciente. Trabalhar ao mais alto nível é conquistar títulos"  

quarta-feira, 7 de junho de 2017

"Esquema de corrupção", o que está Pinto da Costa disposto a fazer pelo FC Porto?

No último "Universo Porto", o Director de Comunicação do clube, Francisco J. Marques, leu em directo uma troca de emails entre um antigo árbitro que continua envolvido no meio - Adão Mendes - e um dos individuos mais asquerosos que rondam o futebol português, um tal de Pedro Guerra. Nessa sequência de emails estão claras as provas que faltavam para confirmar as suspeitas da imensa maioria de adeptos não benfiquistas (e de alguns próprios, também, porque nem todos são idiotas) sobre a influência crescente do clube dentro do universo arbitral durante esta década. Sob linguagem codificada, ex-árbitro e presente-idiota debatem sobre como o clube está protegido por uma nova seiva de árbitros "amigos", que consequências há para os árbitros que os "desafiam" e como o "primeiro-ministro" (leia-se Luis Filipe Vieira) controla o mundo religioso dos "padres" (leia-se árbitros) do futebol português.

Exemplos do citado incluem expressões como:
"Não temos de ser mãezinhas, temos de usar a inteligência a nosso favor. Confidencial: o [Manuel] Mota ganhou o processo. O primeiro-ministro é um grande homem e um grande líder, conheço as suas capacidades. O Benfica manda mesmo e os outros já não mexem nada. Dizem os grandes sábios dos painéis que algo está a mudar. Este espaço foi conquistado com muito trabalho do primeiro-ministro. Temos de rezar e cantar bem. Quanto às missas, temos bons padres para todas"

quarta-feira, 31 de maio de 2017

O complexo de inferioridade do novo "velho" Dragão

Há quem pense que o pior dos últimos quatro anos tenha sido a ausência de títulos para o Futebol Clube do Porto. Não é. O pior é a constatação da incompetência recorrente e da cobardia de quem dirige os destinos da instituição perante várias situações transversais que têm condicionado os resultados apresentados pelo clube. O FC Porto perde títulos por muitos motivos mas um dos mais importantes é, sem dúvida, que passou a ser gerido como o clube pequeno, de mentalidade pequena, com gestores pequenos e de ambições e objectivos pequenos como era antes de 1976. Não foi por casualidade que o clube viveu um longo deserto de títulos entre Guttman e Pedroto. É muito fácil e prático culpar o "Regime" desses anos negros mas o certo é que durante o "Regime" o FC Porto venceu vários troféus incluindo todos os títulos nacionais que ostentava. Não, a ausência, em muitos casos, desses títulos devia-se muitas vezes à gestão pequena e complexada dos seus dirigentes, capazes de despedir um treinador e irradia-lo do clube quando este está a forjar uma equipa ganhadora ou de dar sucessivos tiros nos pés na escolha de jogadores ou técnicos. O mesmo cenário do presente com o simbolismo tão doloroso para qualquer portista que alguns dos homens que acabaram com esse ciclo nefasto presidam agora a uma repetição da História.

O caso do baile de nomes de treinadores é só mais um exemplo. Nuno nunca esteve implicado no Porto, como se disse tantas vezes, porque era um homem que sabia que à mínima ia sair do clube amparado pelo seu agente e amigo que tão bem o colocou num emblema do seu império. Que o treinador com quem o Porto quis ser campeão acabe na segunda divisão inglesa, um lugar de acordo com a sua valia, diz muito da narrativa do último ano. O Porto hoje é rejeitado pelos Marco Silvas da vida, técnicos que não são ninguém no mundo do futebol mas que já perceberam que a gestão negativa do Porto não vai ajudar em nada as suas carreiras. Alguns comentadores a soldo querem atirar areia para os olhos dos adeptos dizendo que há filas e filas de nomes conceituados a pedir de joelhos para treinar no Dragão, algo coerente com a colecção de fracassos pos-Vitor Pereira e que será devidamente explicado - ou não - quando Sérgio Conceição, amigo intimo do filho do Presidente e um treinador de terceiro nível, apareça com o seu discurso do "Somos Porto versão Até os Comemos Carago que eu Parto isto Tudo". Comer a relva em campo e querer comer a relva desde o banco nunca funciona como sabem bem aqueles que conheceram os treinadores de maior êxito na história do clube, futebolistas finos como Pedroto, Artur Jorge, Bobby Robson ou mentes analíticas como José Mourinho e André Villas Boas. Sim Sérgio, és o exemplo desta mentalidade desencontrada por muito respeito te tenhamos todos!



O que mais indigna neste circo em que se tornou o quotidiano do FC Porto é a cobardia da sua gestão.
O silêncio confrangedor em momentos em que o clube é expoliado por quem antes levantava as pedras da calçada, a entrevista da praxe ao menor sinal de coisas boas para colocar medalhas no peito, continua tudo lá. Mas o que preocupa verdadeiramente e o que dá sinais de desnorte ou de absoluta e nefasta mediocridade é quando o FC Porto decidiu deixar de se preocupar consigo mesmo e passou a querer ser uma réplica anedótica dos clubes do sul, com o vitimismo sagrado do Sporting e o complexo de perseguição do Benfica. Para atirar areia aos olhos dos sócios e adeptos, como esses clubes tantas vezes fizeram, a autocritica desapareceu do FC Porto para dar lugar a uma bipolaridade confrangedora que, ainda para mais, se beneficia do silêncio oficial do clube, amparando-se assim na desculpa de que os adeptos é que são a voz desse descontentamento. Nesse cenário de atirar as culpas para os outros há desde a tentativa de criar um novo modelo de cartilha azul e branco - o Porto sempre teve os seus jornalistas e comentadores encartilhados, como qualquer outro clube - á anedótica criação de uma página de supostos "portistas" que se quer transformar num espaço de defesa do clube, na ausência da disposição deste. Essa página, criada há semanas no Facebook, quer aparecer como um acto espontâneo de revolta quando transpira a encomenda por todos os poros e surge no seguimento de uma mudança na política de comunicação que faz de um programa televisivo semanal o novo livro de queixinhas do "portismo". Em ambos casos o silêncio de Pinto da Costa é substituído pelas criticas dos seus novos lacaios, oficiais ou não, que em nenhum momento parecem estar interessados em discutir o que está mal com o clube - algo evidente aos olhos de todos - para desviar atenções ao que outros clubes fazem. Ninguém vai questionar a estas alturas o tamanho gigantesco do "Polvo" - aliás, o silêncio do clube até agora quando espaços como este o denunciavam sim é confrangedor - nem a influência que o Benfica tem em todos os membros do organismo desportivo, judicial, financeiro e político em Portugal. Não é necessária uma página de bitaites para isso. Se o FC Porto quer realmente fazer-se ouvir deve-o fazer onde pode e tem de exercer toda a sua influência, nos tribunais desportivos e nas assembleias gerais da Liga e da Federação, espaços onde a sua presença tem sido exigua e a lista de aliados encolhida de ano para ano. Institucionalmente o Porto continua a mexer-se ao ritmo de uma lesma, talvez de acordo com a idade de quem o dirige, num ritmo similar ao do Partido Comunista soviético dos anos oitenta pre-Gorbachov, tanto na defesa do clube frente aos inimigos externos - a alguma claque do clube sim se podem tratar ao velho estilo soviético ou "salazarista", como preferirem, banindo-as do campo ao menor sinal de discordância - como na preparação de um plano de futuro sustentável e positivo a nível interno. 

O triste, tal como sucedeu nos anos sessenta e setenta, é que esse plano não existe e enquanto não surgir outro José Maria Pedroto e outro Jorge Nuno Pinto da Costa, ainda que o contexto seja radicalmente distinto, não há esperanças de que algo quebre o ciclo. O que sim ameaça ridicularizar ainda mais o clube é a importância que se tem dado a este tipo de "portismo" mesquinho, aziado e sem argumentos que se tem dedicado a levantar podres alheio - em alguns casos de uma forma falaciosa e confrangedora que dá vergonha a qualquer portista minimamente informado e sem palas nos olhos - e como esse posicionamento sufragado desde o clube pelo tempo de antena que se lhe dá em oposição a outros espaços mais críticos - basta recordar o que disse dos blogues "anónimos" o recém re-eleito presidente há poucos meses - para entender que essa mensagem é para o consumo interno, ou seja, para doutrinar ainda mais os portistas a uma submissão intelectual a partir de um complexo de inferioridade e de perseguição que não tem qualquer motivo para existir. O FC Porto fez-se grande, precisamente, quando deixou de se vitimar, de se queixar e de se comportar como "bons rapazes", actuando onde tinha de actuar para equilibrar a balança do poder. O regresso a esse vitimismo que faz rir qualquer rival e dá vergonha a qualquer portista só augura um cenário negro para o futuro imediato. Em 1977 Pinto da Costa percebeu onde estavam os grandes cancros do clube que iam desde detalhes tão insignificantes como a presença dos sócios nos treinos até à logística das deslocações do clube. Quarenta anos depois, num triste e previsível fecho de ciclo, reabriu essas portas a sócios escolhidos a dedo para vociferarem idiotices em seu nome e do clube e abriu os corredores do Dragão a todos, fazendo com que decisões que antes eram tratadas no segredo dos deuses hoje sejam conhecidas na praça pública de imediato. Contra isso, problemas reais e graves do Dragão, os comentadores a soldo nos programas semanais e as páginas serviçais e de mente pequena, nada têm a dizer. O discurso oficial é outro, disparar para o ar para que os adeptos e sócios se entretenham a olhar para as nuvens enquanto o chão se continua a abrir debaixo dos pés.