sábado, 25 de Outubro de 2014

Treinadores de bancada

Não é raro ouvir o seguinte, quando são feitas críticas ao treinador em conversas entre amigos ou - principalmente - na Internet, para calar essas críticas sem se dar ao trabalho de as contra-argumentar: 

«Falar como treinador de bancada é muito fácil, mas o [Fulano X] é que é treinador profissional». 

Ora vamos lá a ver...

Que esses treinadores sabem muito mais do que o adepto comum em metodologias de treino e tal, acho que não há qualquer dúvida.

Que sabem melhor qual jogador está em melhor ou pior forma, penso que há poucas dúvidas (os treinadores de bancada não vêem os treinos).

Que sabem mais de táctica, é bem provável mas já começa a ser discutível em alguns casos.

Que conhecem melhor do que todos nós todas as vertentes do contexto em que nos inserimos, já é ainda mais discutível (e em particular um treinador estrangeiro no que diz respeito à história do plantel herdado e acima de tudo em relação ao contexto do futebol português).

Que são melhores do q nós na análise aos jogadores e acima de tudo adversários, bem... isso já depende. Até porque às vezes podem ter os seus enviesamentos, ou podem até mesmo nao ter uma inteligência ou bom senso por aí além (pelo menos não mais do que alguns adeptos).

É que o futebol não é como outras profissões... 

Antes de mais é empírico, não é propriamente lá muito científico (não é como por ex um eng. civil a fazer os cálculos na construção de uma ponte). Não é «rocket science», como se sói dizer, nem pouco mais ou menos, em que quantos mais anos se estuda melhor o desempenho. A partir de um limite minimo (que não é tao alto como isso), mais estudo e prática não leva necessariamente a melhor desempenho.

Aliás, em boa parte por causa disso é que é tão polémico (não é difícil arranjar 5 treinadores diferentes com 5 ideias diferentes em como montar uma equipa com o mesmo plantel, mas já é muito difícil senão mesmo impossível arranjar 5 eng civis com 5 ideias diferentes sobre se uma ponte é estruturalmente segura ou não....)...

...e sendo empírico, não falta gente que por via do mediatismo da coisa segue o futebol de muito perto há 10, 20, 30, 40 ou mais anos e por isso mesmo até percebe bastante de futebol, mesmo não fazendo disso a sua vida profissional (o mesmo certamente não se pode dizer de outras «indústrias», como por ex engenharia ou advocracia). Portanto, não me custa nada acreditar que há por aí muito leigo que seja mais sagaz do que uns quantos treinadores profissionais (mesmo que certamente não seja a maioria dos leigos, nem pouco mais ou menos; e um dado leigo até pode ter razão num dado momento, mas não a ter noutro momento ou contexto).

Aliás, muitas vezes as preferências dos treinadores são tão (ou até mesmo mais) subjectivas do que as nossas, quando se fala por ex de tácticas ou preferência fundamentalista por um certo tipo de jogador.

Sendo assim o pseudo-argumento de que «o treinador é que sabe» comigo não cola minimamente, em geral. 
Dito isto, em defesa do treinador - seja ele quem fôr - acho que muito leigo por vezes se precipita, em particular em assuntos em que o treinador tem sem qualquer dúvida mais e melhores dados (quando por ex se pede a titularidade para um jogador X que praticamente nunca jogou - e portanto sem se saber o que é que ele mostra ou deixa de mostrar nos treinos). E mesmo em áreas em que a crítica é mais legítima, o mais normal é que o treinador esteja certo mais vezes do que os críticos, ainda que às vezes estes tenham razão.

NB: este artigo não foi escrito com Lopetegui e os seus críticos em mente, sendo intemporal e aplicável a qualquer treinador e os seus defensores ou críticos.

sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Condicionar com cartões

O JOGO
No final do AS Monaco x SL Benfica, Jorge Jesus quis juntar-se ao choradinho sportinguista em relação às arbitragens (ai se o ridículo matasse…), procurando, dessa forma, justificar o empate da sua equipa no Principado.

O árbitro condicionou muito a equipa do Benfica nos primeiros 20 minutos, com dois cartões amarelos. Faz muita confusão que Portugal esteja à frente da Itália e da França no ranking. Já ontem, na Alemanha [Schalke 04 x Sporting], foi igual, fizeram o mesmo ao Sporting. Isto é político. Nota-se nos primeiros 20 minutos que o árbitro penaliza as equipas portuguesas, para depois poderem jogar com essa situação

Mesmo para os padrões do “mestre da táctica”, estas afirmações são tão ridículas (e falsas!), que nem sei o que dizer.

Para começar, os três cartões amarelos mostrados pelo árbitro polaco a jogadores do SL Benfica – Eliseu (8’), Lisandro López (26’), Salvio (36’) – foram todos bem mostrados.

Em segundo lugar, o cartão vermelho direto mostrado a Lisandro López (75’) é indiscutível mas, mesmo que o árbitro fosse condescendente e punisse a entrada às pernas do Moutinho apenas com cartão amarelo, seria o 2º cartão amarelo e as consequências práticas eram as mesmas.

Sendo estes os FACTOS, onde é que aqui houve “política”?

Agora, Jorge Jesus sabe bem do que fala, quando refere que a mostragem de cartões amarelos condiciona (muito) determinadas equipas.

Amarelos cirúrgicos (época 2011/2012)
143 minutos (época 2012/2013)

E, se olharmos para este início de época no campeonato português, o que vemos?

Boavista x SL Benfica (2ª Jornada)
Bobô (Boavista) – Cartão amarelo aos 56’; 2º cartão amarelo (e consequente expulsão) aos 86’.

SL Benfica x Moreirense (5ª Jornada)
Marcelo Oliveira (Moreirense) – Cartão amarelo aos 37’; 2º cartão amarelo (e consequente expulsão) aos 57’.

Estoril x SL Benfica (6ª Jornada)
Matías Cabrera (Estoril) – Cartão amarelo aos 40’; 2º cartão amarelo (e consequente expulsão) aos 66’.


E quanto a jogadores do SL Benfica?

De facto, não é normal os árbitros portugueses “condicionarem” os jogadores do SLB com cartões amarelos…
E muito menos com cartões vermelhos!

Claro que quem está habituado a “arbitragens simpáticas”, estranha (e muito!) quando, por essa Europa fora, encontra árbitros que não são subservientes e que não estão condicionados por histórias de “apitos”, ou por avaliações de observadores escolhidos a dedo.

Em vez de andar a inventar desculpas, ainda por cima com argumentos falsos, era muito mais honesto Jorge Jesus assumir, de uma vez por todas, que prefere disputar a fase a eliminar da Liga Europa, do que os Oitavos-final da Liga dos Campeões.


Até porque, se há coisa que os últimos anos demonstraram, é que o Benfica de Jorge Jesus, apesar dos muitos milhões investidos por Luís Filipe Vieira, sente-se mais confortável em confrontos com equipas de “classe média”, do que a tentar disputar eliminatórias com as grandes equipas europeias.

O Vitaliy russo e o Duarte lisboeta

Ao minuto 90’+2 do recente Schalke 04 x Sporting, numa altura em que o jogo estava empatado (3-3), o árbitro assinalou um penalty inexistente a favor da equipa alemã, por pretensa mão do defesa sportinguista Jonathan Silva (a bola bateu-lhe na cara).

O Schalke ganhou o jogo por 4-3 e, como seria de esperar, entre os calimeros caiu o Carmo e a Trindade, a começar pelo treinador que diz que não fala de arbitragens, mas que, pelos vistos, protesta (e de que maneira!) com os árbitros, mesmo que seja preciso comunicar por gestos…

Marco Silva e os árbitros russos, no final do Schalke 04 x Sporting

Como seria de esperar, sempre que o prejudicado é um dos clubes da 2ª circular, não foi só o universo sportinguista a decretar o “luto desportivo”. A comunicação social lisboeta não ficou atrás e, qual Auto de Fé, “crucificou” a equipa de arbitragem russa na praça pública.

A BOLA, 22-10-2014

Entretanto, com o clima de contestação a crescer hora a hora, soube-se ontem (através do Schalke 04) que os leões terão solicitado à UEFA a repetição do jogo ou, em alternativa, o pagamento do prémio referente ao empate (500 mil euros).

Tudo isto faz-me sorrir, até porque lembro-me, perfeitamente, de um erro de arbitragem muito parecido, que também ocorreu nos instantes finais de um jogo disputado na Amadora, em 26 de Setembro de 2007, para a 3ª Eliminatória da Taça da Liga 2007/2008.

Quando esse Estrela Amadora x SL Benfica entrou no período de descontos, a equipa encarnada, na altura treinada por José António Camacho, estava a perder por 0-1 e na iminência de ser eliminada.

Contudo, tal como em Gelsenkirchen na passada terça-feira, ao minuto 90’+2, o árbitro, um tal de Duarte Gomes (conhecem?), assinalou um penalty fantasma a favor da sua equipa do coração, por pretensa mão de Maurício, num lance em que o defesa da equipa da Amadora cortou a bola com… a cabeça.

Evidentemente, quer o treinador, quer os jogadores do SL Benfica não se importaram com esse clamoroso erro da equipa de arbitragem e, chamado à conversão do penalty, o norte-americano Freddy Adu não se fez rogado, marcou o golo que deu o empate (1-1) e levou a decisão da eliminatória para a marcação de grandes penalidades (tendo o Benfica eliminado o Estrela, por 5-4 nas gp).

No dia seguinte (27-09-2007), o árbitro Duarte Gomes, em declarações ao site da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, veio a público fazer o mea culpa, pelo penalty assinalado a favor do SL Benfica, em tempo de descontos, e que permitiu aos encarnados seguir em frente na Taça da Liga:

“Perante as evidências que resultam do visionamento das imagens televisivas reconheço que houve um claro erro de arbitragem”

“Pelo momento do jogo em que aconteceu e pelas características da competição, [a decisão] teve consequências que fazem com que pese ainda mais sobre a equipa de arbitragem”

“… é tempo de todos os intervenientes do jogo perceberem que os árbitros não são seres infalíveis e estão em campo durante 90 minutos a tomar dezenas de decisões em fracções de segundo”


Sabem o que é que aconteceu ao árbitro Duarte Gomes?
Nada!
Ninguém, desde jornalistas a dirigentes da arbitragem, passando por jogadores e treinadores o “crucificou” publicamente (até houve quem o elogiasse, por ter tido a coragem de assumir o erro da equipa de arbitragem).
E, após este caso, o senhor Duarte Gomes continuou tranquilamente a roub…, perdão, a arbitrar como muito bem sabe nos relvados portugueses e, claro, manteve o estatuto de árbitro internacional e as respectivas mordomias.



Por isso, tenho um recado para todos, principalmente jornalistas, que estão indignados com estes árbitros russos: deixem de ser hipócritas!


P.S. Li, algures, um idiota a explicar o penalty mal assinalado na Alemanha, como sendo consequência da interferência da máfia russa. Seguindo o mesmo raciocínio, em Portugal, os roub..., perdão, os erros clamorosos de arbitragem serão consequência da máfia do Seixal?

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

A história que se repete


Estádio José de Alvalade, 7 Maio 1995, Campeonato Nacional da Primeira Divisão

SCP: Costinha; Paulo Torres, Budimir Vujačić, Nélson, Oceano; Carlos Xavier, Krasimir Balakov, Luís Figo (futuro melhor jogador do Mundo); Andrzej Juskowiak, Ivaylo Yordanov, Emmanuel Amuneke

Suplentes: Zoran Lemajić, António Pacheco, Dani, Filipe Ramos, Chiquinho Conde

Treinador: ex-seleccionador nacional das camadas jovens, com grande sucesso, vulgo Carlos Queiroz

FCP: Vítor Baía, João Pinto (em final de carreira), Aloísio, Carlos Secretário, Jorge Costa (imberbe), Rui Jorge (imberbe); Vasili Kulkov, Rui Barros, Emerson, Paulinho Santos (imberbe); Domingos

Suplentes: Cândido, Ljubinko Drulović, Russell Latapy, Folha, Sergei Yuran

Treinador: Bobby Robson


No jogo que decidia o campeão da época 1994/95, Sporting e FC Porto defrontaram-se no Estádio José de Alvalade. Pese embora seguisse no segundo lugar da tabela, atrás dos azuis-e-brancos, o Sporting era o favorito à vitória no jogo: jogava no seu estádio, e contava com um plantel mais rico, onde pontificavam Figo e Balakov, entre outros. Do outro lado, o FC Porto, com muito menos recursos - uns meses antes dera-se o famoso caso da penhora do Estádio das Antas - e um plantel mais limitado, contando até com jogadores emprestados, propunha-se a não "deixar voar o pássaro" que tinha na mão. Como ingrediente extra, havia o facto de Bobby Robson, despedido do comando técnico do Sporting no decorrer da época anterior, orientar agora a equipa rival.

Apesar de claro underdog e de todas as adversidades que enfrentava, o Porto "fez das tripas coração", e venceu mesmo os riquinhos do Sporting - 0-1, golo de Domingos, de grande penalidade - que nem do árbitro se puderam queixar. Podíamos não ter individualidades de igual valia, mas tínhamos espírito e uma equipa de verdade (e mais jogadores portugueses no 11 inicial!).

Há (quase) 20 anos foi assim, uma noite inesquecível, mágica, marcante. Foi um daqueles jogos (e campeonatos) "contra tudo e contra todos", em que até com a morte de um jogador, Rui Filipe, sofremos. O Porto já goleou e venceu campeonatos com distâncias de 10 e mais pontos, mas poucos ou nenhuns se comparam a aquilo que nos foi dado a sentir no final daquele jogo.

Nunca tinha pensado o que teria sido estar do outro lado, viver uma derrota descoroçoante, no próprio estádio, contra uma equipa que a esmagadora maioria dos adeptos considerava inferior.

Salvo as devidas diferenças no que respeita à prova, e a alguns dos intervenientes - só para citar alguns casos: o Marco Silva não é certamente o Bobby Robson (embora pareça também ser capaz de fazer ovos sem omeletes), e o Rui Patrício não é o Vítor Baía, nem pouco mais ou menos - no último sábado, fiquei a conhecer essa sensação. É para mim impossível não traçar um paralelo entre os dois jogos, não inverter as posições, e muito menos não ver em Lopetegui um hipotético clone do Queiroz - um indivíduo pode ser o maior do Mundo no futebol jovem, e não dar uma para a caixa no futebol "a sério". Perder com o Sporting, em casa, não é uma coisa do outro mundo, só que não me parece que esta tenha sido apenas uma derrota mas porventura um sinal de que (se) não aprendemos com os erros (dos outros*), estamos condenados a repeti-los.

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

As contas da SAD - 2013/14


Já sairam as contas da SAD para o ano fiscal 2013/14. Podem encontrar o R&C consolidado aqui.


Primeiras impressões, muito por alto...

Os resultados são obviamente preocupantes, e não me refiro só ao prejuízo de 41M€ em si. Se excluirmos o que encaixamos em mais-valias de jogadores (que não só é muito variável como tanto pode cair dentro de um ano fiscal ou do seguinte, conforme uma grande venda é feita antes ou depois de 1 de Julho), teríamos feito um prejuízo de 64M€, ao nível do recorde negativo de 65M€ (na época 11/12).

O mesmo indicador andou durante muitos anos pelos -30M€ ou perto disso até há 3 anos atrás. Ou seja, nos últimos 3 anos subiu para o dobro, temos andado muitíssimo mais dependentes de mais-valias para equilibrar o barco do que nos anos anteriores - e isto já depois de termos visto as principais receitas «operacionais» subirem bastante nestes últimos anos (nomeadamente receitas de TV e receitas da UEFA - que tem vindo a pagar prémios cada vez mais altos pela mesma performance, como por ex o prémio de presença na fase de grupos).

Ora ainda por cima torna-se cada vez mais difícil fazer grandes mais-valias, já que:

1) temos gasto mais em passes, o que leva em média a mais-valias mais baixas (vamos aliás ver no próximo R&C trimestral quanto foram as mais-valias na venda do Mangala...muito menos do que muita gente espera, nem 1/3 vai cobrir do «buraco»)

2) Temos tido em média menos % dos passes do que no passado

3) Com o Financial Fair Play, torna-se mais difícil arranjar várias grandes vendas já que muitos dos potenciais compradores têm que apertar o cinto (já se começou a notar isso no último defeso)

Ora isto já é bater no ceguinho, mas temos mesmo que arrepiar caminho. Infelizmente no R&C não vejo qualquer sinal de poupanças, e houve mesmo alguns custos que aumentaram. As únicas poupanças de monta (num montante de cerca de 6M€) que lá aparecem são... não ter pago aos jogadores e treinador os bónus de performance por ganhar o campeonato e passar a fase de grupos da LC (curiosamente, já os administradores até ganharam mais do que na época anterior). Poupanças dessas dispensamos nós, muito obrigado...

PS - outros artigos se seguirão sobre este tema, mais aprofundados

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Clique emocional

Golo de Quaresma no FC Porto x Athletic

Aos 45’, em cima do intervalo, o “patinho feio” de grande parte dos adeptos portistas (Héctor Herrera), após uma jogada de excelente entendimento com o “maestro” (Juan Quintero), colocou o FC Porto em vantagem no marcador (1-0).

Durante o intervalo, Ernesto Valverde foi ao banco buscar dois “trunfos” que tinha guardado – Etxebarria e Muniain – e, no início da 2ª parte, viu-se uma equipa basca diferente, para melhor, e um FC Porto pior.

Aos 58’, na sequência de mais um passe lateral no meio-campo portista, interceptado por um jogador adversário (desta vez, o autor do “erro individual”, que esteve na origem de um golo da equipa adversária, foi Herrera), o Athletic chegou à igualdade (1-1).

Se a equipa portista já não denotava muita segurança, a partir daí tremeu bastante e, com a “ajuda” dos assobios vindos das bancadas, a bola parecia que queimava nas chuteiras dos jogadores que envergavam a camisola azul-e-branca.

Lopetegui foi rápido a reagir e, cinco minutos depois, reequilibrou a equipa com uma substituição eficaz, mas que desagradou a muitos adeptos: tirou Quintero (excelente com a bola nos pés, mas é menos um quando é preciso defender e correr atrás da bola) e meteu o “puto” Rúben Neves.

Mas o momento do jogo, que funcionou como um clique emocional (no relvado e nas bancadas), foi ao minuto 70.

Quaresma? Saiu com muita energia do banco e fez um golo importante para a equipa e para ele
Julen Lopetegui

Cinco minutos após ter entrado em campo, debaixo de uma “chuva de aplausos”, Quaresma, cheio de confiança (e com a preciosa colaboração de Gorka Iraizoz…), marcou o golo que deu a vitória (2-1) à equipa de Lopetegui.

Para mim, houve dois momentos fundamentais no jogo de hoje:
- o momento da Razão: a entrada de Rúben Neves.
- o momento da Emoção: a entrada de Quaresma.

Duas substituições (com a entrada de dois jogadores portugueses) que correram bem, muito bem. Mérito de Lopetegui, que soube ler o jogo e identificar o que, naquela altura, a equipa precisava.

O que passa aos Leões de Bilbao?

Quis a ironia do destino que o FC Porto fosse jogar hoje no Dragão - no dia em que José Maria Pedroto celebraria o seu aniversário - com aquele que foi o seu primeiro rival das "Noites Europeias". O Bilbao que participou naquela edição da Taça dos Campeões Europeus chegou via o segundo lugar obtido na liga espanhola. Como o campeão europeu e espanhol era o mesmo - o Real Madrid - a UEFA abriu uma vaga ao conjunto basco que eliminou o FC Porto antes de cair frente ao Manchester United dos Busby Babes numa das primeiras grandes batalhas europeias da história a duas mãos. Naquela época havia um critério geográfico para colocar frente a frente os rivais na primeira pré-eliminatória e não havia muita volta a dar. O FC Porto caiu de pé contra uma equipa que era claramente superior. Muitos passou desde esse momento. O Bilbao dessa altura era um "Grande" por direito próprio em Espanha e até aos anos cinquenta tinha mais titulos que Real ou Atlético de Madrid. Mas as provas europeias nunca foram o seu forte - apenas duas finais, perdidas, frente à Juventus e Atlético de Madrid, sempre na UEFA/Europa League. Ao contrário de nós como todos sabemos, hoje "Grandes" sim, mas da Europa.



No entanto havia quem pensasse que este projecto desportivo do Bilbao tinha tudo para dar uma boa imagem na Champions deste ano. O técnico Ernesto Valverde aproveitou o trabalho desenvolvido por Marcelo Bielsa e removeu a componente do conflito emocional habitual no treinador argentino. O ano passado montou uma equipa extremamente sólida na defesa e eficaz no ataque. Mesmo sem Javi Martinez e Fernando Llorente - peças chave do plano bielseano - conquistou o quarto lugar com autoridade. Nunca ameaçou realmente o trio da frente (era impossível) mas manteve sempre debaixo de olho a Villareal, Valencia e Sevilla. Dessa equipa para este ano houve apenas uma mudança substancial, a saida de Ander Herrera para o Manchester United. Pela cláusula. O Bilbao não é um clube vendedor e quem quer que queira um jogador seu sabe o que tem de fazer. Ou espera pelo fim do contrato ou bate a cláusula. Vantagens de quem vive da filosofia exclusivista de jogadores de ascendência basca (inicialmente eram apenas vizcainos mas isso foi mudando com os anos) e não precisa de ir ao mercado contratar jogadores salvo aqueles que já tem debaixo de olho desde os anos da formação. Mantendo treinador e o grosso do plantel muitas eram as expectativas para este ano. A forma exemplar como a equipa basca eliminou o Napoli - nunca pêra doce - com uma exibição personalizada no San Paolo e uma noite europeia das antigas no novo San Mamés - deixavam claro que as percepções iniciais pareciam confirmar-se. Eu disse na altura do sorteio que o Bilbao era o grande candidato a ganhar o grupo e que entre nós e o Shaktar se discutiria a segunda vaga. Hoje é dificil dizer o mesmo até porque à fraquissima performance europeia (empate com o Shaktar, derrota com o BATE) alia-se uma péssima participação na liga espanhola.

Em termos tácticos nada mudou do Bilbao do ano passado para este.
Em lugar de Herrera o meio-campo que Valverde coloca sobre o terreno de jogo não varia demasiado da variante que já utilizava no ano passado. A Iturraspe - um belissimo futebolista - unem-se Oscar de Marcos, Markel Susaeta e Iker Munian na linha de ataque. O seu acompanhante no meio-campo pode variar entre o "Pirlo basco", Beñat, ou uma abordagem mais fisica que oferece Mikel Rico. O primeiro além de pensar muito bem o jogo é um maestro das bolas paradas mas a capacidade fisica do segundo convida a pensar que pode ser mais útil a Valverde logo à noite. No ataque o golo é coisa de dois, o temivel Ander Aduritz e o oportunista Ibai Gomez, dois jogadores que precisam de pouco espaço e tempo para marcar. Não é estranho que ocasionalmente joguem os dois numa especie de 4-4-2, em jogos em casa, mas esse é um cenário dificil quando a coisa está tão apertada e o encontro é longe de San Mamés.
É uma equipa vertical, que sabe controlar bem os ritmos de jogo e domina à perfeição as rápidas transições entre um defesa que é uma pedra como stoper e um maestro na condução do esférico como Laporte, e a frente de ataque. No entanto esta temporada revelou também uma equipa que é bastante frágil a defender e que lhe custa criar oportunidades de golo. Apesar de todo o potencial ofensivo com que conta - o mesmo da época passada - torna-se cada vez mais complicado ao Bilbao criar verdadeiro perigo na área contrária. O meio-campo tem perdido mais bolas do habitual, deixando espaços atrás que qualquer equipa rápida e organizada saberá aproveitar. E Gorka Iraizoz, um guarda-redes de luas que no ano passado salvou a equipa em muitos jogos, não tem estado no seu melhor.



O que se passa afinal aos Leones de Bilbao?
Há quem aponte este péssimo arranque de época a um esforço muito grande para ter toda a equipa a 100% em Agosto, para a prévia, que depois se está a fazer pagar neste mês e meio. Fisicamente os jogadores não são os mesmos e esse cenário em Espanha não é novo. Já aconteceu com a Real Sociedade, o Villareal, o Celta de Vigo ou o Bétis. Equipas que surpreendem ao classificarem-se no quarto lugar da liga, apostam tudo por entrar na fase de grupos de Champions mas depois são incapazes de viver com a exigência de estar fisica e mentalmente a 100% nas duas competições. A Celta e Villareal esse desnorte custou inclusive a despromoção e a Real Sociedade que tanto prometia no ano passado terminou a época longe de repetir façanha. O Bilbao actualmente está na mesma linha. É dos últimos na liga espanhola - também é certo que já jogou contra Barcelona e Real Madrid - com uma vitória e apenas cinco golos marcados em oito jogos. O treinador Ernesto Valverde já foi claro em indicar que a máxima prioridade do clube é a liga (o Bilbao é um dos três clubes em Espanha que nunca foi despromovido) e depois deste noite, salvo um resultado surpreendente no Dragão, selô-à mais ainda. De favoritos a seguir em frente agora há quem não tenha muitas duvidas que serão últimos de grupo. E em Bilbao pouco se importam. A situação vivida na liga parece de tal forma dramática - na última década o Bilbao já esteve um par de vezes perto do abismo - que ninguém criticará a Valverde por abrandar o ritmo na competição que todos queriam jogar. Esperem hoje um Bilbao aguerrido sim, de orgulho ferido, mas com a cabeça e o corpo noutro lado. Depois da derrota contra o Sporting os bascos são, provavelmente, os leões perfeitos para caçar!

Seleccionador Lopetegui

A principal critica que teci á escolha de Julen Lopetegui como treinador do FC Porto deveu-se á sua crónica falta de experiência. Imediatamente ao resgate do "Lopes" muitos vieram lembrar que nem Mourinho nem Villas-Boas (nem sequer Artur Jorge se quiserem) tinham demasiado experiência. É uma falácia (os três trabalharam directamente durante anos com os melhores treinadores da sua época) e mais ainda se temos em conta que a experiência de Lopetegui - salvo uma desastrosa passagem pelo Rayo Vallecano na 2º Divisão B (ou seja, ao nível do Coimbrões) e do Real Madrid Castilla - se centrava exclusivamente no mundo das selecções. 

É verdade que há grandes treinadores que funcionaram tanto ao leme de clubes como de combinados nacionais. Casos como os de Rinus Michels, Alf Ramsey, Otto Glória, Sven-Goren Eriksson, Valery Lobanovsky, del Bosque ou Telé Santana são bons exemplos. Mas o facto é que, na maioria dos casos, um treinador de clubes raramente se transforma num grande seleccionador e vice-versa. O desporto é o mesmo mas os mundos são totalmente diferentes. Fabio Capello e Arrigo Sacchi venceram tudo o que havia para vencer com os seus clubes mas foram vulgarizados internacionalmente como seleccionadores. O mesmo sucedeu com Alex Ferguson, Artur Jorge ou Don Revie. Inversamente o cenário também se repete. Desde que assumiu em 2001 a selecção do Brasil que o Scolari treinador de clubes se transformou numa farsa. Klinsmann foi incapaz de repetir o modelo que aplicou á Alemanha no Bayern. Para não falar nos Vogts, Camacho, van Basten e companhia. No caso do futebol de formação o exemplo mais gritante foi o de Carlos Queiroz, ganhador indiscutível com os putos da selecção das Quinas e um desastre completo ao leme do Sporting e do Real Madrid. Não quer necessariamente dizer que um treinador é melhor ou pior. Simplesmente que os mundos onde vivem são de tal forma diferentes que é difícil conseguir adaptar-se a uma nova realidade. Isso é o que está a passar com Julen Lopetegui.



Quando questionamos as dificuldades que tem tido Lopetegui em impor a sua visão esquece-mo-nos de que essa visão vem de um homem que está habituado a conceitos radicalmente diferentes. Como seleccionador espanhol, Lopetegui tinha muitas vantagens que o actual posto não oferece. Podia escolher os melhores, variar constantemente as suas escolhas e escolher para cada jogo (eliminatória, fase grupos, amigável, jogo importante ou não) os futebolistas que achava certos. Não tinha forçosamente de construir um onze base porque o facto da maioria dos jogos se disputarem com intervalos de meses deixava demasiadas variantes na mesa para assegurar que o seu onze tipo estaria totalmente disponível de Fevereiro para Junho. Era também um trabalho que não exigia demasiado treino físico e táctico. Os jogadores já vinham fisicamente preparados dos seus clubes (muitos, aliás, baixavam a carga física nessa quinzena) e a nível táctico traziam também a lição estudada do trabalho quotidiano. Lopetegui podia inclusive dar-se ao luxo de escolher aqueles que já falavam o seu idioma em vez de trabalhar ele jogadores que estivessem habituados a outro estilo de jogo durante a época. Paralelamente, Lopetegui, como qualquer seleccionador, não era um gestor de egos de balneário. Convocava quem queria e como queria (muitas vezes uma eleição pactada com os clubes e o seleccionador principal) e não tinha de prometer nada a ninguém nem gerir expectativas frustradas. A sua estação era de passagem, não o destino final.

Essa experiência acumulada foi-lhe extremamente útil para exercer o cargo de seleccionador mas nada disso vale no trabalho diário de um plantel que aspira a tudo, que está rodeado de egos, de jogadores que querem sempre mais protagonismo e onde as aulas tácticas e a preparação física são a base sob a qual se constrói tudo. Lopetegui carece de conhecimentos tácticos suficientes para por em jogo aquilo que ele quer ver que a sua equipa jogue. Antes não necessitava de dominar esses conceitos a um nível de expert porque muitos dos seus jogadores vinham de ter aulas diárias com os Guardiola, Simeone, Mourinhos, Benitez, Pellegrinis e companhia. Eles faziam o trabalho táctico por ele. Também não necessitava possuir os importantes conhecimentos de preparação física que definem o sucesso ou fracasso de muitas temporadas. A Queiroz isso passou-lhe nas suas duas etapas em Alvalade e Madrid. Os jogadores, fisicamente, deram o berro cedo demais porque na pré-temporada o treinador portou-se como seleccionador e não fez o que lhe competia que era preparar os picos de forma durante uma larga e dura época. 

Estes problemas levam-nos á situação actual. 
A incapacidade de repetir um onze não é necessariamente má. O problema é o motivo porque se produz. Lopetegui não escolhe um onze base - fundamental num projecto desportivo que quer começar e que vem de um ano com o mesmo problema - com os respectivos ajustes que seriam necessários porque não lhe foi necessário fazê-lo. Ele mesmo não se esconde e diz que escolhe os melhores para cada jogo - como faz um seleccionador - esquecendo-se de que ás vezes não devem estar em campo forçosamente os melhores mas os mais aptos, os mais preparados e os mais entrosados. A ausência de um triângulo estável entre a dupla de centrais e a posição 6 - que nenhum outro treinador no Mundo está preparado para abdicar - é um problema grave e parte desse principio errado que o treinador do FCP teima em insistir quando se defende, dizendo que os problemas individuais escondem um grande trabalho colectivo. Não é certo. O FC Porto perdeu com o Sporting por culpa própria - sem dúvida - mas também porque nunca foi uma equipa e porque o tridente do meio-campo dos de Alvalade engoliu o nosso meio-campo. A diferença? Entre a rotatividade e o desnorte táctico estava em frente um conjunto de jogadores que têm estado a somar quase todos os minutos da época, incluindo internacionais. 

Lopetegui tem na rotatividade o espelho do seu perfil como treinador. Um homem que está diariamente em contacto com o mais diversificado plantel que o FC Porto tem em muitos anos - piores figuras individuais do que quando havia um Moutinho, James, Hulk, Falcao, Lucho, Lisandro ou o primeiro Quaresma mas muito mais opções - continua a distribuir minutos entre os jogadores por uma questão de desnorte absoluto táctico e também para ganhar o balneário. Se todos jogam algo, nenhum se queixa, deve pensar. Isso vale nas selecções mas não nos clubes onde é importante que o treinador tenha a coragem de dizer que há onze que jogam sempre que estiverem bem, que há um grupo de jogadores que é a primeira opção e um terceiro lote que está no plantel para ocupar vagas e que quando chegar a sua hora deve demonstrar o que vale. Isso não tem sucedido. A equipa já trocou de todas as posições possíveis e raramente se viram três jogos seguidos com os mesmos protagonistas em acção. Oliver é uma gema de futuro, Brahimi um jogador fabuloso e Jackson um avançado para nos lembrar-mos durante muitos anos mas quantos jogos consecutivos fizeram no trio de ataque?



Creio que há qualidade suficiente no plantel para conseguir os principais objectivos do ano - ganhar o Campeonato e garantir o apuramento na fase de grupos da Champions League - mas contra um Benfica que mantém um treinador estável como nós nunca fomos capazes de lograr é preciso acabar com as experiências de seleccionador e começar a montar uma equipa com os seus conceitos tácticos bem definidos, os seus níveis físicos devidamente preparados e o seu espírito de união claramente tipificado. Todos serão importantes, de isso não há dúvida, mas Lopetegui tem de deixar querer agradar a gregos e troianos, de ser seleccionador e dar um passo em frente dizendo, este é o meu onze, este é o meu modelo e é com estes que vamos até ao fim. Sob o risco de, com tanta rotação, acabarmos a temporada todos zonzos e sem saber afinal se o Andrés Fernandez é avançado e o Adrián é defesa!  

segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Rodar até cair


Já muito foi dito e escrito sobre o excesso de rotatividade de Lopetegui.
Aliás, para ver o erro em que o treinador basco teima em cair, basta comparar com aquilo que fazem as melhores equipas do país em que ele nasceu. Apesar de possuírem ainda melhores e maiores opções, nem Real Madrid nem Barcelona optam por fazer descansar atletas que supostamente venham fatigados das suas selecções. No caso dos catalães, nem contra um modesto Eibar tal acontece.
Se a arte de bem rodar fosse assim tão fácil como Lopetegui pensa (mudar uns 3 ou 4 de jogo para jogo), já há muito os melhores treinadores do Mundo o teriam feito.
E é exactamente aqui que está a origem de todos os defeitos do nosso técnico: a sua falta de experiência no futebol de clubes. Deste ponto de partida até ao experimentalismo a rodos, foi um pequeno passo.
Idealmente, e como nos mostram as grandes equipas europeias, apenas 1 ou no máximo 2 atletas devem ser trocados de jogo para jogo. Quando se vai para além disso, a confusão passa a ser tamanha que até bons jogadores correm o risco de se perderem pelo caminho. Uma coisa é entrar numa equipa com rotinas, outra totalmente diferente é jogar num "11" em que poucos se conhecem.
Basta ver o pouco que José Ángel jogou contra o scp em comparação com a boa impressão que tinha deixado quando incluído numa equipa sem tantas alterações.
Aliás, depois de tantas modificações, creio que nem o próprio Lopetegui saberá qual o nosso "11" base. Ao fim de 3 meses, afinal jogamos com 2 médios defensivos ou só com um? Óliver é extremo ou um "10"? Idem aspas para Brahimi e Quintero (a este último, Lopetegui tanto lhe dá o papel principal como o encosta para canto). Herrera é um "6" ou um "8"?

Existe contudo uma outra parte da história que começa, aos poucos, a se tornar cada vez mais evidente. Afinal, das tantas promessas contratadas para a presente época, quantas o terão justificado até ao momento? Os excessos de Lopetegui justificam tudo ou será que não existe assim tanta qualidade, como os nomes, e principalmente os clubes de origem das nossas aquisições, fariam prever?

Será que, para além da boa surpresa que tivemos em Indi e da qualidade indiscutível de Brahimi, os outros estarão num nível que um clube como o nosso exige?
Depois de tanta insistência de Lopetegui e a exagerada importância que lhe atribui, quantas assistências ou golos tem afinal um Óliver? E Tello? Justifica este o número de minutos que são "roubados" a Quaresma?
Já para não falar de Adrian, um caso que parece irremediavelmente perdido.
Em boa verdade, também nisto Lopetegui corre o risco de ficar mal na fotografia.

Aguardemos os próximos capítulos, a começar já contra o Bilbao.

domingo, 19 de Outubro de 2014

Sirenes de alerta no Dragão

O JOGO
«São demasiadas alterações na equipa-base. Independentemente dos jogos e das seleções, o problema é a mentalidade de Lopetegui, que, se calhar devido à falta de experiência, faz demasiadas alterações. A equipa não é constante, quebra com as mudanças, não cria ascendente e no último terço tinha de ser mais fluída, mais forte.»
António Sousa (ex-jogador do FC Porto e do Sporting), O JOGO, 19-10-2014


«Lopetegui voltou a experimentar e voltou a dar-se mal. Será cedo para começar a pôr em causa o lugar do espanhol, mas urge definir um rumo. Uma grande equipa precisa de ter estabilidade no seu onze, o que não quer dizer que tenha que ter sempre o mesmo onze.»
Germano Almeida (jornalista do Maisfutebol), 18-10-2014

«A defesa do FC Porto falhou. Marcano não é Martins Indi e, sobretudo, José Ángel não é Alex Sandro. Lopetegui mexeu demais e ofereceu «buracos» autênticos em zona crucial, que o Sporting soube aproveitar.»
Germano Almeida (jornalista do Maisfutebol), 18-10-2014


«A ideia que me dá é que o FC Porto fica sempre aquém do que quer aplicar. E quando sente isso, muda. Jogadores e suas posições.»
Luís Freitas Lobo, O JOGO, 19-10-2014


«Lopetegui quis colocar fogo no ataque, com Adrián López muito perto de Jackson, deu asas a Óliver e Quintero nos flancos e destapou a manta toda no meio campo.
(...) Falta jogo interior ao FC Porto e Lopetegui precisa de ter mais perícia a montar a equipa.»
Norberto A. Lopes, JN, 19-10-2014


José Manuel Ribeiro
«O FC Porto está fora da Taça de Portugal e perdeu pela primeira vez esta época, porque Julen Lopetegui leu mal o momento da equipa dele. Sem entender que estava semeada a dúvida entre os jogadores e que, por isso, precisava de se agarrar a alguns princípios, o espanhol rodou o barómetro da rotatividade e das inovações tácticas mais uns graus para lá do máximo recomendável e rebentou com a máquina.
(…) o treinador do FC Porto começou por provocar a sorte ao deixar Brahimi no banco e prosseguiu com alterações importantes no sistema táctico: em vez do 4x3x3, um 4x4x2 ou 4x2x4 (…)
(…) Lopetegui joga sempre vários jogos num só. Na cabeça dele, já estavam previstas outras etapas e até é possível que estivesse montado um plano infalível para disparar Brahimi e Tello na segunda parte.
(…) A reacção foi regressar a um meio-campo mais tradicional. Rúben Neves substituiu Casemiro, Quintero passou a jogar como dez e Óliver deu a vaga a um extremo genuíno (Tello). Ou seja, uma combinação nova, provavelmente nunca utilizada e que precisou de aprender em andamento num jogo desta importância (…)»
José Manuel Ribeiro, O JOGO, 19-10-2014


Depois de um início de época prometedor, a equipa do FC Porto, em vez de evoluir, regrediu.
Motivo(s)?
Semana após semana, tem-se vindo a formar um grande consenso, acerca de qual é a origem do principal problema (que não o único), que vem afectando a equipa do FC Porto nos últimos 4-5 jogos.

Capa de O JOGO
E há sinais importantes, transmitidos por jornais e jornalistas insuspeitos de serem anti-Porto ou anti-direcção do FC Porto.

Chamo à atenção para os extractos que reproduzi acima, da crónica do FC Porto x Sporting, assinada pelo director de O JOGO.

Eu aprecio bastante a forma, inteligente, como José Manuel Ribeiro escreve e escolhe, cuidadosamente, as palavras para transmitir o que pensa. Mas, o título da sua crónica – Como Lopetegui levou Lopetegui ao fundo – e os “recados” que espalhou ao longo do texto, são uma mensagem clara (para bom entendedor…).

E, tal como o anterior director de O JOGO (Manuel Tavares), ninguém pode dizer que José Manuel Ribeiro seja um crítico da administração da FC Porto SAD ou das suas escolhas.

Esta época, José Manuel Ribeiro começou a “torcer o nariz” muito mais cedo e isso, vindo do responsável máximo de um jornal editorialmente próximo do FC Porto, parece-me um sinal importante, que o director de O JOGO envia aos… responsáveis da SAD azul-e-branca.


Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sábado, 18 de Outubro de 2014

Experimentalismo de Lopetegui = VERGONHA

FC Porto x Sporting, Lopetegui (fonte: LUSA)

Por mais talento que exista (e no plantel que está à disposição de Julen Lopetegui há talento de sobra), não há boas equipas que sejam desorganizadas, cujos jogadores não saibam ocupar os espaços (com e sem bola) e que defendam mal.

Tendo ficado sem Otamendi (em Janeiro) e sem Mangala, uma das prioridades do novo treinador do FC Porto (fosse ele quem fosse) era formar e estabilizar uma nova dupla de defesas-centrais.
E Lopetegui parecia ter percebido isso, ao apostar (quase sempre) e procurar rotinar a dupla Maicon + Martins Indi.

Mais. Para além de mecanizar uma nova dupla de centrais é (seria) também crucial o entendimento dos defesas-centrais com o guarda-redes titular escolhido por Lopetegui (Fabiano) e a ligação com o médio defensivo que joga à sua frente (outro aspecto que teria de ser bem trabalhado, se atendermos a que o anterior titularíssimo - Fernando - saiu para o Manchester City).

Ora, se começarmos a análise do FC Porto x Sporting de hoje por estes aspectos - o entendimento entre Maicon e Iván Marcano, entre esta dupla e o guarda-redes Andrés Fernández e a articulação com o médio-defensivo Casemiro -, o que se viu hoje?
O caos!
Quantas vezes Maicon e Marcano, ou um deles e Casemiro se "atropelaram" uns aos outros?
A coisa foi de tal modo caricata que, na 1ª parte, houve uma jogada em que Maicon, Marcano e Casemiro saltaram os três à mesma bola!

A rotatividade imposta por Lopetegui é algo que até pode fazer sentido, quando existe um modelo de jogo consolidado e todos os jogadores estão perfeitamente identificados com esse modelo e com aquilo que o treinador pretenda que façam, sempre que são chamados a dar o seu contributo à equipa.
Mas, como é que isso seria possível nesta altura da época, tendo o FC Porto um treinador novo (o 4º treinador num espaço de 14 meses - entre Maio de 2013 e Julho de 2014), a trabalhar com um plantel muito jovem e que tem 15 (quinze!) jogadores acabados de chegar?

FC Porto x Sporting, onze inicial

E o caos provocado por Lopetegui já não se deve, apenas, às sucessivas mudanças de jogadores no onze base (algo que ainda não existe). É, também, devido às mudanças de modelo de um jogo para o outro e, inclusive, dentro do próprio jogo.
Foi isso que se voltou a ver hoje, da primeira para a segunda parte.

Na 1ª parte, apesar do caos instalado, principalmente na (des)organização defensiva, o meio-campo portista, com quatro elementos (Casemiro, Herrera, Óliver e Quintero) foi equilibrando as coisas.
Ao intervalo, a perder (1-2), Lopetegui voltou a trocar dois jogadores, para tentar corrigir/melhorar o seu plano de jogo inicial. Mas, se a troca do desinspirado Casemiro (regressou de 3-4 semanas de paragem) por Rúben Neves era inevitável, a substituição de Óliver por Tello (o extremo emprestado pelo FC Barcelona não trouxe nada de positivo), fez o FC Porto perder o meio-campo e fez a equipa, (des)orientada por Lopetegui, recuar para o que de mau já se tinha visto nos primeiros 45 minutos do jogo de Alvalade.

Pensava que Lopetegui tinha apreendido alguma coisa, depois do banho táctico que Marco Silva lhe tinha dado em Alvalade. Mas, afinal, parece não ter apreendido rigorosamente nada e hoje levou uma 2ª lição.
Espero que depois desta exibição miserável, desta humilhação, imposta pelo clube presidido por Bruno de Carvalho em pleno Estádio do Dragão (até deu para terminarem o jogo debaixo de olés), alguém, da estrutura do FC Porto, fale com o senhor Lopetegui e lhe explique o que é o FUTEBOL CLUBE DO PORTO.

Da minha parte e, por aquilo que ouvi no estádio, da parte de muitos portistas, terminou hoje o "estado de graça" do senhor Lopetegui.

Razão tem Ricardo Quaresma: com este plantel, o FC Porto tem obrigação de jogar muito mais.
É isso que os portistas esperam da equipa comandada pelo senhor Lopetegui e já a partir da próxima terça-feira, frente aos bascos do Athletic Bilbao.


P.S. Acabo de ler as declarações que o senhor Lopetegui fez no final do jogo:

"Oferecemos dois golos e falhámos um penálti. Foi isso que aconteceu"
"Confiamos nos jogadores, eles são responsáveis e sabem que têm de melhorar. Se queremos competir ao mais alto nível não pode ter erros destes."

Afinal, a coisa é pior do que aquilo que eu pensava. Para o senhor Lopetegui, a culpa é dos jogadores...


P.S.2 «A última vez que o Sporting, de resto, marcou três golos ao FC Porto fora de casa data de 1975, mais precisamente do dia 17 de outubro, quando a formação leonina venceu por 3-2 em jogo da sétima jornada.
Desde Fevereiro de 1965, de resto, que o Sporting não vencia o FC Porto, no Porto, por mais de um golo de vantagem
in Maisfutebol

sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

O fim dos milhões da PT

O JOGO, 17-10-2014
Ontem, numa entrevista ao Porto Canal (anunciada para as 21:00, mas que começou mais cedo…), Fernando Gomes, vice-presidente do Futebol Clube do Porto e administrador da FC Porto SAD, confirmou algumas más notícias que se anteviam e deixou sérios avisos à navegação, tendo em vista o equilíbrio das contas da SAD e a sua sustentabilidade futura:

Não nos vamos iludir. Quando grandes empresas, como a PT ou o BES, decidem deixar de patrocinar o futebol, com certeza que isso faz mossa

Sabemos o que vai acontecer com a PT e estamos em campo a tentar encontrar alternativas para a próxima época. Mas a perda é séria e pesada

É evidente que os recursos que estão afectos ao futebol, vão sendo cada vez mais curtos para fazer face às exigências. Tem de haver sensatez e prudência nesse equilíbrio. Senão, um dia, pode não haver recuperação fácil


O atual contrato entre a Futebol Clube do Porto, Futebol SAD e a Portugal Telecom SGPS (PT), no valor (mínimo) de 14,6 milhões de euros por 4 épocas (cerca de 3,7 milhões de euros por época), termina no final desta época (2014/2015) e, soube-se ontem, não vai ser renovado.

Primeiro foi o Banco Espírito Santo (BES) que, a partir de Junho de 2009, saiu das camisolas dos três grandes, optando por concentrar os seus patrocínios ao futebol no Cristiano Ronaldo e na Seleção.

Equipamento principal e alternativo do FC Porto na época 2008/2009

Agora é a vez da PT que, tudo indica, irá fazer o mesmo a partir de Junho de 2015.
E, no caso da PT, não devemos estar “só” a falar das camisolas.

Equipamento principal e alternativo do FC Porto na época 2013/2014

Também o patrocínio a bancadas/sectores dos estádios (Bancada “TMN”, Bancada “MEO”, etc.), bem como, as parcerias corporate, que envolvem a compra anual de camarotes, deverão terminar.

É um rombo (mais um) significativo nas contas das SAD’s, que irá exigir a procura de alternativas.

No caso do SL Benfica, tudo indica que já tem alternativa. A parceria que o SLB firmou com a Emirates, em Julho passado, visando o futebol de formação, deverá ser alargada a outros domínios, incluindo as camisolas da equipa principal e, possivelmente, também ao naming do estádio da Luz.

E no caso do FC Porto?

Infelizmente, a Emirates não voa de e para o aeroporto Francisco Sá Carneiro e, por isso, não poderá ser uma alternativa à PT.
Mas, olhando para o panorama altamente depressivo (para não dizer pior) da economia portuguesa, parece-me evidente que as alternativas terão de ser procuradas no estrangeiro.

Sponsors de clubes europeus (fonte: Record, Outubro de 2012)

Depois do ‘Museu do FC Porto by BMG’, será que os dirigentes do FC Porto (que, segundo Fernando Gomes, já estão em campo a tentar encontrar alternativas), irão ser capazes de “tirar outro coelho da cartola”?


Nota final: Penso que está mais do que na altura dos portistas (adeptos e dirigentes) encararem, seriamente, a possibilidade do naming do Estádio do Dragão. Eu sou a favor.

quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

FC Porto @ Redes Sociais

O JOGO, 04-10-2014
«A passagem de capital do Estádio do Dragão para a estrutura acionista teve o mérito de ressuscitar discussões sobre a relação entre clubes e associados. O burburinho virtual foi ensurdecedor, mas não teve expressão concreta, porque a febre do mundo binário contrasta com a mortificação das outrora apaixonantes assembleias gerais, hoje decrépitas e representativas do desinteresse que os sócios têm por tudo o que não envolva uma bola a rolar. Aliás, quantos saberão, sequer, que o FC Porto e a SAD do FC Porto não são uma e a mesma coisa?
É essa ausência de escrutínio e de participação que enaltece a dimensão do golpe de asa da Direção de Pinto da Costa que, perante a necessidade de transferência de parte da joia da coroa que é o Dragão para a estrutura da SAD, cuidou de sublinhar que esta, passando a ser também dos accionistas é, acima de tudo, do clube e dos sócios.
Um gesto porventura discreto, mas que espelha uma rara visão para além da vitória no próximo jogo.»
André Viana, O JOGO, 04-10-2014


Este texto de André Viana, que mais parece ter sido escrito com o jornalista de O JOGO sentado num lugar anual do Estádio do Dragão e de cachecol ao pescoço (e andamos nós a criticar a subserviência dos Delgados e Guerras deste Mundo em relação a Luís Filipe Vieira…), é susceptível de várias leituras.
Por exemplo, eu podia discorrer sobre o “golpe de asa” ou a “rara visão”, mas prefiro pegar na associação que é feita entre o “burburinho virtual ensurdecedor” e “febre do mundo binário” com a “ausência de escrutínio e de participação”.

Eu não sei se o jornalista André Viana, como sócio do Futebol Clube do Porto ou noutras funções, participou em alguma das “outrora apaixonantes assembleias gerais”, mas senhor jornalista, deixe que lhe diga uma coisa: nos últimos 30 anos, o Mundo mudou e muito!
Estamos no século XXI e, em 2014, desvalorizar o papel que a Internet e as redes sociais têm na intervenção e debate público, sobre as mais variadas matérias (futebol, política, educação, cidadania, etc.), é de alguém que pode ser jovem (e uma excelente pessoa), mas que, lamentavelmente, parou no tempo.

FC Porto - Redes Sociais
Se é verdade que, no passado, os sócios praticamente só podiam intervir na vida dos clubes marcando presença nas assembleias gerais, hoje em dia também o podem fazer recorrendo a outros meios.
Aliás, os próprios responsáveis do Futebol Clube do Porto têm plena consciência disso e, cada vez mais, o clube interage com os seus sócios e adeptos (espalhados pelo Mundo) recorrendo a diversos novos canais: E-mail, Website oficial, YouTube, Facebook oficial, Twitter @FCPorto, Instagram @FCPorto.

Neste contexto, alguns (poucos) fóruns e blogues portistas, entre os quais o 'Reflexão Portista', mostraram interesse e abordaram, sob diferentes pontos de vista, os assuntos que faziam parte das ordens de trabalho das últimas assembleias gerais do Clube e da SAD. E fizeram-no, estou certo, porque entenderam que o assunto era relevante e porque tinham opinião ou dúvidas que gostariam de ver esclarecidas.
Mas, pelos vistos, isso parece ter incomodado o jornalista André Viana, que classifica este tipo de intervenção / discussão / debate / participação de “burburinho virtual ensurdecedor”.
Tenho pena que o faça.

E tenho ainda mais pena que, antes destas duas assembleias gerais, a comunicação social e, particularmente jornais como O JOGO ou o JN, não tenham pegado no assunto como ele merecia e feito, sobre o mesmo, uma abordagem jornalística, o mais completa possível, tendo em vista contribuírem para um cabal esclarecimento de tudo o que estava (está) em causa.
Se o tivessem feito, talvez houvesse menos sócios e adeptos portistas a confundirem o Futebol Clube do Porto com a SAD do FC Porto…


P.S. O Porto Canal anunciou que, logo à noite, a partir das 21h00, irá transmitir uma entrevista com o vice-presidente Fernando Gomes, onde alguns dos assuntos discutidos nas últimas assembleias gerais do Clube e da SAD irão ser abordados.

quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Um plantel antivírus FIFA

Mal terminou o FC Porto x SC Braga, 11 jogadores (incluindo vários dos mais utilizados por Lopetegui) – Danilo, Martins Indi, Rúben Neves, Ricardo Pereira, Herrera, Óliver, Brahimi, Quintero, Quaresma, Aboubakar e Jackson – abalaram para as respectivas seleções (em alguns casos, para quase dar a volta ao Mundo).

Nos últimos dias, estes internacionais portistas têm vindo a regressar (a conta gotas) mas, a menos de três dias do FC Porto x Sporting, Lopetegui ainda não pôde contar com Danilo e Quaresma (são esperados no treino de quinta-feira), enquanto Aboubakar, Brahimi, Jackson e Quintero só estarão disponíveis na véspera da recepção ao clube presidido por Bruno de Carvalho.

Ponderando estes aspectos, bem como, o facto deste jogo entre dragões e leões ser para uma “competição menor” (Taça de Portugal) e, três dias depois, haver um jogo (FC Porto x Athletic Bilbao) para uma “competição maior” (Liga dos Campeões), é bem provável que Lopetegui recorra à sua estratégia de rotatividade.

Falta saber é se para este clássico que, obviamente, ninguém quer perder, a rotatividade será ligeira ou acentuada.

Uma opção “radical”, seria Lopetegui apresentar uma equipa que privilegiasse os jogadores que ficaram cá, ou que regressaram mais cedo dos compromissos das seleções, deixando de fora “estrelas” como Danilo, Brahimi ou Jackson Martinez.

Num cenário destes, mantendo o habitual 4-3-3, o onze inicial do FC Porto poderia ser algo do género:

Fabiano
Daniel Opare, Maicon, Iván Marcano, Alex Sandro
Casemiro, Herrera, Evandro (ou Óliver)
Ricardo Pereira, Adrián López, Tello

Muitos destes jogadores são segundas escolhas?
Concerteza, mas não me parece que o Sporting consiga apresentar um onze, cujo “valor facial” seja melhor do que este.

terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Uma Selecção do Carvalho

Após a equipazinha de Paulo Bento ter feito uma exibição miserável e sido derrotada, em casa, pela Albânia, logo no jogo seguinte, a Seleção de Fernando Santos foi à Dinamarca (teoricamente, o adversário mais forte deste grupo) e regressou a Portugal com uma vitória e “6” pontos (3 pontos para Portugal e 0 pontos para a Dinamarca) na bagagem.

Olhando para o onze inicial do jogo em Copenhaga, estavam lá três jogadores que não contavam, ou tinham sido proscritos por Paulo Bento: Tiago, Danny e Ricardo Carvalho.

Onze inicial da Selecção portuguesa em Copenhaga

E que jogo fez este “jovem” Ricardo de 36 anos, uma exibição do Carvalho!

Mas o melhor de tudo, a cereja em cima do bolo, foi aquele cruzamento teleguiado, ao minuto 90’+5, de outro Ricardo, outro dos mal-amados de Paulo Bento (e não só): Ricardo “mau balneário” Quaresma.

Eu imagino a azia que esta vitória do “engenheiro do penta”, com o forte contributo de alguns “proscritos de Paulo Bento”, causou nos geninhos deste país.

Ah, e ainda por cima a Seleção Nacional jogou de azul e branco!