segunda-feira, 6 de julho de 2015

A chamada que ninguém quis gravar

"Por vezes recebemos telefonemas de dirigentes a dizerem: 'Olha que o jogo tem de correr bem porque há um clássico no mês seguinte'. Recebi um telefonema [de Vítor Pereira] em que me dizia isso mesmo, ou então não poderia contar comigo para o clássico. Se isto é mais grave ou não do que os clubes fazem... Sim, estou a falar de Vítor Pereira. Recebi um telefonema a 17 de Março e outro a 19 de Março. Gostava de falar com Vítor Pereira sobre algumas nomeações cirúrgicas. É mentira que diga que não tenha poder a nível classificativo. Quando nomeia, sabe quem está a nomear."
Marco Ferreira em declarações à RTP Informação

Vítor Pereira e Marco Ferreira

O futebol português é um antro de corrupção mas, curiosamente, só se fala nisso quando há alvo azul e branco que abater. Aí sacam-se todos os Apitos do armário e volta o velho discurso de sempre, esquecendo talvez que os primeiros casos de corrupção em Portugal beneficiaram - e muito - clubes da capital e são tão antigos que a esmagadora maioria dos adeptos actuais nem sequer estava vivo quando ocorreram. 
Mas o importante é ir sacando, de tempos a tempos, a mancha do AD para colar à corrupção que vivemos ano sim e ano também.

2014/15 foi o ano do #Colinho, tão escandaloso que até o próprio clube beneficiado, num arreigo de falta de vergonha que só surpreende quem anda a dormir, tentou até capitalizar as evidentes acusações em produtos de marketing. É assim a pouca vergonha em Portugal, um pais dirigido por pessoas que preferem apertar com os coitados dos gregos, quando estes ainda estão piores que nós, a levantar a voz para defender quem de direito. Que podemos esperar dessa gente? Tudo. Incluindo o que o árbitro Marco Ferreira diz no parágrafo que abre este artigo.

Ferreira desceu de categoria no final do ano. Curioso, visto que, segundo o próprio, era um dos nomes apontados para apitar o "Jogo do Titulo" na Luz. Só tinha de se portar bem, fazer as coisas como devem ser feitas, segundo quem manda claro, para entrar no grupo dos "elegidos". Teve azar. Ferreira apitou uma das poucas derrotas do Benfica, em Vila do Conde, e esse resultado negativo do clube todo-poderoso marcou-o para o resto do ano. Nem sequer foi chamado a apitar o tal Clássico que lhe tinham prometido nem conseguiu manter a categoria. E quem lhe prometeu tal coisa? Pinto da Costa? Antero Henriques? Não: Vítor Pereira.

Vítor Pereira, o homem que diz que não tem poder para nada, o homem que estava atrás desse circo que foram as nomeações, foi, nas palavras do próprio árbitro, quem lhe ligou como quem não quer a coisa, antes do jogo de Vila de Conde, para coagir um arbitro a "portar-se bem". Há alguma fruta que seja sinónimo de portar-se bem? Banana talvez?


O certo é que o sistema de nomeações, feito a dedo, tem as horas contadas e que o sorteio vai trazer um pouco - não demasiado - de ar fresco a este circo que são as arbitragens a Portugal. O que não é menos certo é que, perante estas gravíssimas acusações, não se vêm telejornais a abrir, diários com capas apelativas nem sequer nada nem ninguém a pedir a cabeça do homem que dirige os árbitros. O silêncio é de ouro.

Vítor Pereira fez, neste chamada, algo muito mais grave do que a maioria das acusações - por provar - feitas aos dirigentes do FC Porto durante o Apito Dourado. Provou que há árbitros realmente limpos e imunes ás suas pressões - ao contrário do que a maioria dos adeptos pensa - e também deu razão aos que pensam que o problema está menos nos homens de negro e mais em quem lhes faz chamadinhas na calada para garantir que o país está "sereno", em palavras de outros tempos. 

Marco Ferreira pagou o preço de ter apitado um jogo que correu mal e talvez se não tivesse sido despromovido de categoria esta história acabasse esquecida, sem sair cá para fora. Como tantas outras. Mas a cabeça de Vítor Pereira continua no sitio, ninguém a pede, ninguém a exige, ninguém pensa que está por detrás de uma série de anos vergonhosos na história da arbitragem em Portugal?

Pois. Fosse Vítor Pereira um reconhecido sócio, dirigente ou adepto do FC Porto e já tinha as malas em Tuy e um letreiro de "bandido" ao pescoço. É assim que funciona tudo por aqui, que não surpreenda ninguém quando acordarem, amanhã, apenas para descobrir que Vítor Pereira ainda é o chefe dos árbitros portugueses. E que as suas chamadas, ao contrário de outros, lamentavelmente, não estão sob escuta!

quarta-feira, 1 de julho de 2015

20 Milhões de Euros!

Sabem porque é que o FC Porto é um clube vendedor?
Eu explico. Vendemos, todos os anos, dois a três titulares - entre os melhores negócios da Europa - porque somos obrigado a isso. E sabem porque somos obrigados a isso? Há várias razões mas estas são as principais:

a) Porque não temos liquidez habitualmente e estamos constantemente a vender partes de passes e a pedir empréstimos a curto prazo.
b) Porque temos um passivo tremendo (ainda que á SAD isso pouco pareça importar, aos Relatórios Contas me remito) que tem de ser reduzido quanto antes a valores sustentáveis
c) Porque não temos meios de gerar ingressos que nos permitam manter esses jogadores sendo que recebemos amendoins por contratos televisivos, de patrocinio e vestuário em comparação com outros clubes europeus.

Essa realidade não vai mudar porque somos um clube da periferia.
Com titulos dignos de uma grande liga mundial, sim, mas sempre de periferia. E como chegamos a esse nivel e respeito mundial?

Comprando barato e vendendo caro, tendo uma margem de lucro que sustentava o clube enquanto seguiamos com um processo que, auto-destructivo a longo prazo, nos iam mantendo com a cabeça á tona de água.

O orçamento para esta temporada esteve a ponto de ser um desastre e só as vendas milionárias de Danilo e Jackson salvaram as contas. A cada ano que passa há menos "Danilos" e "Jacksons" e o clube paga cada vez mais por eles, reduzindo a margem de lucro que possamos obter. Dos tostões pagos pelos Decos, Costinhas, Maniches, Paulo Ferreiras ou Cissokhos passamos aos milhões que custaram Hulk, Danilo, Alex Sandro e companhia. O modelo está em decadência e a corda ao pescoço vai sendo esticada cada vez mais.

Todos chegamos á conclusão que pagar 18 milhões por Danilo era um risco imenso e não era para repetir. Temos o caso de um Alex Sandro que ainda não renovou e pode sair daqui a um ano a zero depois de um investimento de mais de 10 milhões no seu passe que pode nem ter retorno financeiro. E no entanto, forçados a vender, a pedir jogadores emprestados para completar o plantel ou a contratar jogadores a custo zero - uma politica sensata para um periodo de transição - eis que o Futebol Clube do Porto anuncia hoje que bateu o seu recorde de transferência e pagou 20 milhões por um jogador.


Vou só deixar que reflictam nesse valor, um pouco.
Que pensem o que custaram Falcao, Moutinho, Meireles, Pepe, Lisandro, Lucho, Anderson, James e afins. E depois voltem a olhar para a cifra que é recorde em Portugal e que só os clubes da Premier ou algum que outro clube da elite europeia - Dortmund, Bayern, Schalke 04, PSG, Monaco, Atletico, Valencia, Sevilla, Real Madrid, FC Porto e Juventus - podem pagar.

São 20 milhões de euros!

Esse jogador chama-se Imbula, tem uma margem de projeção interessante  e jogava na liga francesa. Não é uma estrela consolidada. Não é Neymar, nem Messi, nem Cristiano Ronaldo. Também não é um Isco, um Insigne ou um Reus. É um médio defensivo trabalhador como foi Casemiro - por quem pagar 15 já seria uma barbaridade - Fernando, Costinha ou Paulo Assunção.

O FC Porto acabou de pagar 20 milhões de euros por esse futebolista. Tudo aquilo que seja dito a partir de agora pelos gestores do clube, via SAD, sobre necessidade de ajustar contas, de orçamentos controlados, de ter de vender para sobreviver vai sempre esbarrar contra este anuncio oficial. Nós pagamos 20 milhões de euros por um jogador que não justifica nem sequer a metade desse valor e fizemo-lo no ano em que mais perto estivemos de cair no poço financeiro.

A partir de este momento tudo aquilo que seja relativo à planificação do plantel da próxima época me parece totalmente irrelevante. Este clube está entregue a canibais mas em vez de se devorarem entre eles - como têm feito na sombra - vão acabar por comer o dragão do escudo. Façam bom proveito!

terça-feira, 30 de junho de 2015

O PODER DA TURBA E AS ASSEMBLEIAS PLEBISCITÁRIAS




No passado domingo o Sporting Clube de Portugal ("esforço, dedicação, devoção e glória", que o caso não é para menos), realizou uma Assembleia Geral, na qual, entre outras coisas, uma turba de mil sócios assanhados votou favoravelmente a expulsão de sócio de um antigo presidente.

"Foi 'democrático'", dirão aqueles que da democracia têm um conceito que raia o comicieiro. Mas eu acho que isto é tudo menos democracia e é, sim, a típica mobilização da turba para fins pouco dignos, por gente, também ela, muitas vezes pouco digna, e sem qualquer ponta de respeito por vozes dissidentes, as quais, muitas das vezes, nem vão a estes "comícios" por  prezarem a sua integridade moral e física.

Não detém, obviamente, a agremiação do Campo Grande o exclusivo deste tipo de manipulação das massas e de perversão da democracia associativa. Lembro-me, a propósito, de um episódio ocorrido no nosso clube em 1969: o treinador José Maria Pedroto saíra do clube, a dois jogos do fim do campeonato, em conflito com o presidente, Afonso Pinto de Magalhães (os pormenores desse conflito ficarão, talvez, para um artigo futuro). O presidente, acossado na imprensa pelo referido treinador, decidiu promover uma assembleia geral, na qual propôs aos sócios que José Maria Pedroto nunca mais pudesse servir o F.C. Porto. A turba, claro, votou favoravelmente.

O calendário avançou e chegou-se a 1976. O presidente de então, Américo Sá, convidou Jorge Nuno Pinto da Costa para chefiar o Departamento de Futebol. Segundo constou, Pinto da Costa terá dito que só aceitaria o cargo se pudesse trazer Pedroto de volta ao clube. Nada mais simples: organizou-se nova assembleia, e os sócios, claro, votaram a favor do levantamento do "banimento" (a seca de 17 anos sem título de campeão e o esmorecer das memórias obviamente ajudaram.).




Onde pretendo eu chegar? Pois bem, em tempos existia no quadro estatutário do clube uma entidade chamada Assembleia Delegada, uma espécie de parlamento clubístico, para a qual os sócios elegiam os seus representantes. Muita matéria era da exclusiva competência dessa assembleia, assim retirando às decisões o imediatismo, irreflexão e demagogia - quando não traulitada - em que as assembleias gerais são mestras. Se a memória me não atraiçoa, foi Pinto da Costa quem propôs, e conseguiu, a abolição da Assembleia Delegada, que considerava elitista, ou coisa que o valha. Como hábil tribuno que sempre foi, a Assembleia Geral chegava-lhe perfeitamente. Mas perante os pouco edificantes espectáculos de muitas assembleias gerais, e atendendo até à parca representatividade que sempre manifestam, acho que chegou a hora de reinstituir a Assembleia Delegada, ou algo semelhante.

Decerto que o clube ficará a ganhar com o fim do poder da turba.



Fotos: ao alto, Afonso Pinto de Magalhães; em baixo, Juan Domingo Perón, antigo presidente argentino e hábil manipulador das massas.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

SMS do dia - a imagem de sucesso

Ao ver o resumo oficial do Portugal - Alemanha de sub21 no site da UEFA (aqui), não deixei de reparar num lapso do comentador inglês.

Nomeadamente, após o quinto golo (por volta dos 2min30s) disse ele: «Porto are cruising into the final!».

Sim, Porto. Não Portugal. Mas compreende-se o lapso... quando se pensa em «sucesso», mais facilmente vem o FCP à cabeça do que a seleção das Quinas, no estrangeiro ;-)

Camisolas para a nova época II

Sobre as (novas) camisolas do equipamento principal, e se deviam ser azuis-e-brancas ou brancas-e-azuis, e porque "uma imagem vale por mil palavras", aqui fica uma fotografia(?) com 93 anos, que torna essa discussão completamente estéril -


Se ainda assim houver quem ache que há 93 anos, o Porto era "menos Porto" do que é hoje porque as camisolas não tinham o número certo de faixas ou eram mais brancas do que azuis, está no seu direito. Se há coisa que mudou desde há 9 décadas atrás, é o número e a qualidade de "ayatollahs do Portismo" - e quão mais rico e pujante é o Porto de hoje graças a eles...

Já sobre o infame segundo equipamento, impõem-se duas considerações:

1 - É temporário, para o ano será diferente e daqui a uns anos já ninguém se vai lembrar dele; bem sei que se usarmos esse equipamento "horrível" e de "mau gosto" (e vencermos) na final da Liga dos Campeões ou da Liga Europa, ou no jogo do título, vai ser mais difícil esquecê-lo - mas com esse vosso sofrimento, podem uns quantos de nós bem.

2 - Pese embora o ponto anterior - o carácter temporário deste equipamento - relembro a iniciativa do Augusto Baptista Ferreira, também conhecido como Simplício, que há quase 100 anos atrás, achou que o símbolo do Futebol Clube do Porto (e não um segundo equipamento que será usado umas 5 ou 6 vezes durante uma temporada), precisava de ser alterado - oh heresia! - de

para

Feliz do Simplício que nasceu há mais de um século, pois se sugerisse tal coisa hoje, nem sei que lhe aconteceria... E no entanto, ninguém hoje se atreverá a exigir o regresso ao símbolo anterior, por ser "mais Porto" que o actual - e eu até acho o primeiro mais interessante.

No final do dia é apenas um equipamento castanho, e o Porto é mais que o azul-e-branco, o castanho-e-azul, o roxo ou o laranja - afinal, quem sofre de "daltonismo", também tem direito a ser adepto do FCP!

domingo, 28 de junho de 2015

O que se passa com Jackson!

Desde que o ano começou que todos sabiamos de uma coisa. Jackson ia embora.
Foi uma promessa realizada no final do ano passado ao jogador por Pinto da Costa, um homem que habitualmente honra o que promete aos jogadores. Fez o mesmo a Deco há uns anos e por isso o "Mágico" saiu por menos do que poderia ter valido num leilão aberto. Um gesto que só honra ao presidente e á SAD porque diz claramente aos jogadores que somos um clube de fiar. Jackson sabia portanto que no final de este ano ia sair. Foi renegociado o contrato, ajustada a clausula e o pacto era simples. Se um clube batesse a cláusula, o Jackson saía. Se nenhum chegasse a essas cifras, iria pelo valor mais elevado possível. No final do ano passado houve 3 ofertas reais pelo Jackson. A primeira não ultrapassava os 20 milhões - pagos na totalidade - e era do Borussia de Dortmund. Acabou por ser Immobile o novo avançado dos "borussers" para render Lewandowski. As outras duas eram do Atlético de Madrid e do Valência. Ambos negócios foram tratados pelo amigo Mendes mas ficaram emperrados por dois motivos muito concretos. No caso do Atlético porque Simeone preferiu apostar em Cerci e Griezzman em vez de pagar os 30 milhões que o FC Porto pedia. No do Valência porque não havia ainda a oficialização da compra do clube por Peter Lim o que levou os "Ches" a contratar com empréstimo com opção obrigatória de compra a Negredo. Em ambos os casos Jackson estava satisfeito com o que lhe iam oferecer mas aceitou ficar. Não ficou pactado com o colombiano que tinha um destino certo. Era esperar e ver.

O problema foi que ninguém estava á espera de um grande ano na Champions League e de um leilão aberto.
O Arsenal foi o primeiro a mostrar interesse mas nunca ofereceu mais que 30 milhões de euros. A Jackson a ideia não lhe desagradava - tinha boas referências do seu amigo David Ospina, guarda-redes colombiano dos gunners - mas o FC Porto queria mais e estava disposto a esperar. Foi então que apareceu em cena o Milan. A Doyen é o novo parceiro dos italianos mas, além disso, Pinto da Costa e Galliani são conhecidos (e amigos) há mais de vinte anos. O Milan, com dinheiro fresco, punha os 35 milhões na mesa com um primeiro pago já a cobrir quase toda a totalidade do valor. Um negócio brilhante para o clube. Não só se conseguia uma valorização recorde de um futebolista que ninguém conhecia e que Vitor Pereira insistiu em trazer para render a Falcao (com um ano de atraso, é certo) depois do departamento de scouting do clube o ter descoberto ainda na liga colombiana, como também estava garantido que o dinheiro no seu grosso entrava já. Ficou tudo apalavrado, um acordo de cavalheiros que o clube esperava que Jackson cumprisse.
Pinto da Costa, que esteve brilhante na negociação com o Milan, avançou publicamente que o negócio estava quase fechado, uma frase na altura que colocava toda a pressão no jogador. Agora era Jackson que tinha de cumprir com o que tinha sido acordado no Verão anterior. Mas algo se estava a cozer atrás das costas da SAD do FC Porto.


O Atlético de Madrid não se esqueceu de Jackson.
O avançado não era a prioridade do clube. Era o segundo nome na lista. Durante um largo mês Simeone tentou convencer Carlos Tevez a abdicar da promessa que tinha feito ao Boca Juniores e assinar pelo Atlético. Tevez tinha uma clausula com a Juve em que saía grátis para o seu clube do coração e a Juventus não estava disposto a vendê-lo por menos de 20 milhões a outro clube europeu. Durante esse mês o Atlético tentou baixar o preço - porque o salário de Tevez é muito mais alto que o de Jackson, por exemplo - mas sem exito. O próprio Tevez pareceu sempre preferir voltar a casa e tinha grandes pressões familiares para fazê-lo. Ao mesmo tempo, nas costas do FCP, o Atlético pediu a Jackson que esperasse até ao limite. Ofereciam-lhe menos do que lhe pagava o Milan - cerca de 5 milhões de euros de salário, o Milan oferecia 6 - mas em troca jogava na liga dos seus sonhos (a espanhola), na Champions e era treinador por uma referência actual como já foi Mourinho. E Jackson, ás costas do FC Porto, e alentado pelo seu empresário, esperou. O Atlético fez uma proposta á SAD do FC Porto que foi recusada inicialmente. Pinto da Costa fez saber que estava tudo tratado com o Milan. O Atlético não dava mais de 30 milhões a principio e depois pensou incluir a Oliver Torres - com novo empréstimo - a Moya ou a Manquillo, lateral direito, no negócio. O dinheiro também seria pago a três anos e com um baixo valor no imediato. Um negócio muito diferente daquele que propunha o Milan. A SAD do FC Porto fez saber que não estava interessada e defendeu os interesses do clube. Como tinham de o ter feito e bem.

O problema chegou quando Tevez formalmente disse que não ao Atlético e, em resposta, Jackson rejeitou a oferta do Milan quebrando o pacto de cavalheiros com Pinto da Costa. O Milan ainda insistiu mas percebeu logo que era um caso perdido. Agora vão contratar por menos 5 milhões a Carlos Bacca, o colombiano do Sevilla que era a terceira opção do Atlético, caso falhasse Jackson também. O Sevilla vai ver quase a totalidade do dinheiro já e beneficiar-se de um negócio que era nosso. O Milan fez o que lhe competia mas deixou agora o FC Porto numa posição extremamente delicada. Jackson decidiu bater o pé e não aceitar ir para mais lado nenhum, nem sequer para o Arsenal que ainda espera desenvolvimentos. O Atlético sabe-se forte neste negócio e tem procurado baixar ainda mais o valor a pagar, utilizando o agente de Jackson para fazer pressão pública. As noticias lançadas sobre o interesse do FC Porto em jogadores do Atlético têm sido lançadas de parte a parte para justificar uma eventual redução no valor oficial mas no Dragão ninguém duvida que, de um negócio perfeito, passamos a um negócio perigoso. Porque o Atlético paga mal, paga tarde e está a ter uma atitude que não inspira confiança. Por outro lado está Jackson. O Porto cumpriu com o colombiano mas este não o fez e está agora, informalmente, em rebelião. Não vender o jogador este Verão - tem contrato - é ter a um jogador caro insatisfeito no plantel e com a possibilidade de sair a zero em pouco tempo (algo que ao empresário interessa pessoalmente porque a comissão a cobrar de um negócio futuro seria sempre maior). Um bico de obra.



Que tem de fazer o FC Porto?
Defender, como tem feito, os nossos interesses. Jackson perdeu o meu respeito a partir do momento em que quebrou a palavra dada e negociou ás costas do clube e deixou-nos numa situação delicada. A sua saida é inevitável e o Atlético deverá ser mesmo o seu destino mas por valores, na prática, inferiores aos do negócio Milan. Por isso mesmo ainda nada foi formalizado. O FC Porto recusa-se a tratar com o agente de Jackson, Jorge Mendes está a tentar mediar a situação e ainda ninguém sabe que contrapartidas pode haver (e Oliver é a mais provável) para acalmar as águas. Jackson pode dizer que já é jogador do Atlético mas até o FC Porto não disser de sua justiça, é futebolista nosso e deve comportar-se como tal. Não há nada, absolutamente nada a apontar á gestão da SAD neste caso, mas será curioso ver como a história se desenvolve nos próximos capitulos.


Brahimi e os aproveitamentos manhosos

COMUNICADO
A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD vem comunicar, nos termos do artigo 248º nº1 do Código dos Valores Mobiliários, ter adquirido por 3.800.000€ (três milhões e oitocentos mil euros), 30% dos direitos económicos do jogador Yacine Brahimi à Doyen Sports Investments Limited, ficando a deter 50% dos direitos económicos do jogador.
O Conselho de Administração
Porto, 26 de Junho de 2015


Este comunicado da Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, serviu para o jornal Record fazer um artigo intitulado “Brahimi dá prejuízo agora para… dar lucro depois?” onde, para além da estupidez habitual (prejuízo?!), vem ao cima uma evidente desonestidade intelectual do(s) autor(es).

No meio de umas contas manhosas, segundo o velho princípio de “todos os burros comem palha, a questão é saber-lha dar…”, o autor (desconhecido, porque o artigo do Record nem sequer é assinado) escreve o seguinte:

«(…) certo é que, caso o jogador seja vendido, o FC Porto ficará com uma parte significativa da venda e não apenas os 20% que inicialmente detinha»

“os 20% que inicialmente detinha”?
Mas, ó senhores do Record, então, segundo a tese que suporta o vosso artigo, a FCP SAD não comprou 100% dos direitos económicos do Brahimi e depois, “muito depois” (cerca de 86400 segundos depois!) vendeu 80%?
Ai estas (in)coerências…

Pois é, este é o busílis da questão.

Formalmente, o FC Porto comprou (ao Granada Club de Fútbol) a totalidade dos direitos económicos de Brahimi pelo montante de 6.500.000€, no dia 22 de Julho de 2014 e, no dia seguinte, alienou (à Doyen Sports Investments Limited), em regime de associação económica, 80% desses direitos pelo montante de 5.000.000€. Formalmente foi isto que se passou.

Na prática, e na perspectiva do FC Porto, tratou-se de uma única operação, em que a FCP SAD comprou 20% dos direitos económicos de Brahimi por 1.500.000€ (mais um valor desconhecido de encargos adicionais).

Brahimi - Comunicados da FC Porto SAD

Porquê, então, comprar 100% do passe num dia e vender 80% no dia seguinte, sem que, pelo meio, o jogador tenha sequer vestido a camisola do FC Porto num treino?

Não ficaria surpreendido, que tal se tenha devido aos acordos existentes entre a Doyen Sports Investments e o Granada Club de Fútbol (clube que tinha uma parte do passe e os direitos desportivos do Brahimi). Aliás, é muito provável que, entre a Doyen e o Granada, houvesse um compromisso que obrigava o Granada a vender a sua parte do passe do Brahimi, se alguém pagasse um determinado valor.

Não teria sido melhor a FC Porto SAD ter ficado com 100% dos direitos económicos de Brahimi por 6,5M?

Concerteza. Contudo, falta saber se o Granada/Doyen estavam dispostos a vender os direitos económicos de Brahimi por apenas 6,5 milhões. Tudo indica que não.

«(…) não podemos estranhar esta incapacidade aritmética do fundo Doyen, pois o seu CEO, Sr. Nélio Lucas, conseguiu transformar uma proposta que fez ao Sporting de 20M, no dia 24/05/2014, para a aquisição do atleta Brahimi, em 6,5M para outro clube português conforme é do domínio público»
in Comunicado da Sporting Clube de Portugal, Futebol, SAD, de 14-08-2014


No contrato com a Doyen, a FC Porto SAD salvaguardou uma opção de compra de, até 55% dos direitos económicos de Brahimi, até Junho de 2017.

Ora, com os 30% adquiridos em 26 de junho de 2015, a FCP SAD passou a deter 50% do passe (direitos económicos) do Brahimi, nos quais investiu 5,3 milhões. E ainda poderá comprar mais 25% até Junho de 2017.

Quando a FCP SAD acordar com outro clube a transferência do Brahimi e vender a percentagem dos direitos económicos que detiver, veremos se os títulos dos jornais irão incluir a palavra “prejuízo” ou “lucro”. Até lá, podem continuar a destilar o fel habitual, porque “os cães ladram e a caravana passa”…

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Distracções Diário

Parece que a coisa está decidida, mas nunca se sabe - Jackson Martínez, o mais completo - eu diria o melhor - ponta-de-lança que passou pelo Porto no últimos 30 anos (ou mais), está de partida para Espanha; com cerca de 30 golos marcados em cada uma das 3 épocas que passou no Dragão, leva na bagagem um título de campeão, e duas Supertaças - só há uma palavra para descrever este palmarés: trágico.

domingo, 21 de junho de 2015

Tchau Guido!

Guido Carrillo (capas de O JOGO de 10 e 18 de Junho)

«Seduzidos pelas exibições do argentino, os portistas conversaram com Mariano González e obtiveram as melhores referências do jovem de 24 anos. Clube de La Plata está a pedir cerca de dez milhões de euros»
O JOGO, 10-06-2015

«A lista de clubes que já foram apontados como possíveis destinos de Guido Carrillo neste defeso é interminável. Todavia, um nome salta à vista: o Monaco. A equipa de Leonardo Jardim perdeu o búlgaro Berbatov e em França garante-se que está muita atenta ao avançado. O Olympiacos, o Inter e o Palermo são os outros clubes que, tal como o FC Porto, também estão de olho no argentino.»
O JOGO, 10-06-2015

«O CEO da sociedade azul e branca está na Argentina e o objectivo é muito claro: tentar fechar negócio rapidamente, antecipando-se à concorrência, que não é tão pouca quanto isso. Na agenda já estiveram duas reuniões: uma com o presidente do Estudiantes, Juan Sebastián Verón, e outra com o pai e os empresários do avançado do momento na América do Sul.»
O JOGO, 14-06-2015


Guido Carrillo aceita proposta do Monaco (O JOGO, 21-06-2015)

O que falhou na hipotética contratação de Guido Carrillo, como eventual substituto de Jackson Martínez?

Bem, para começar, a novela Jackson ainda não terminou. Aliás, depois de parecer estar tudo acertado com o AC Milan, o jogador e o seu empresário fizeram um compasso de espera (aparentemente, à espera do Atlético Madrid), deixando o FC Porto pendente, quer da confirmação da saída do Cha-Cha-Cha, quer da consequente entrada de uma verba significativa (20, 25, 30 ou mesmo os 35 milhões da cláusula de rescisão).

Mas, o problema principal foi o FC Porto ter concorrência de peso e, obviamente, o FC Porto não tem os argumentos financeiros do “tubarões” como o Inter ou o AS Monaco.

AS Monaco que, recorde-se, foi comprado por Dmitry Rybolovlev em Dezembro de 2011. Ora, daí para cá, a fortuna do bilionário russo permitiu ao clube monegasco investir centenas de milhões de euros em contratações milionárias (Radamel Falcao, James Rodríguez, João Moutinho, Bernardo Silva, etc.) e oferecer aos jogadores salários estratosféricos.

Foi o caso de Guido Carrillo. Para além de pagar ao Estudiantes o valor que o clube argentino pretendia (9-10 milhões de euros), o AS Monaco ofereceu ao jogador um contrato de cinco anos, com um ordenado líquido de três milhões de euros por ano. E falta saber quanto receberam os intermediários (empresários e pai do jogador)…

Se tal fosse necessário, esta disputa por Guido Carrillo veio demonstrar que será cada vez mais difícil o FC Porto vencer, dentro do campo, clubes médios/grandes europeus (endinheirados), como este AS Monaco de Rybolovlev. E digo que será difícil o FC Porto vencer dentro de campo porque, sem recurso a partilha do passe com Fundos, fora das quatro linhas já não tem qualquer hipótese.

sábado, 20 de junho de 2015

Camisolas para a nova época

As novas camisolas da equipa de futebol do FCP foram apresentadas. A principal:

Gostei.  

E penso que isto demonstra que havendo vontade podemos manter um padrão-base, e por isto refiro-me ao número de riscas - mudando apenas detalhes de forma inteligente (como as mangas, a gola, a parte de baixo da camisola, ...) de forma a termos na mesma uma camisola claramente distinta da época anterior. Pessoalmente prefiro de longe o padrão mais parecido possível com a camisola q tivémos durante muitas décadas (muito parecida com esta nova - pelo menos na parte frontal - mas trocando as riscas brancas por azuis e vice-versa), e não camisolas que às vezes fazem pensar que estamos na presença do Gotemburgo ou do Blackburn.

Quanto à 2a e 3a camisolas, aí sim acho que a Direção pode usar de maior liberdade criativa. Pelo que vi gosto muito da 2a camisola para a nova época, e detesto a 3a (uma grande trampa, literalmente).

Finalmente, há a questão do patrocinador na camisola. A ver vamos como isto acaba, mas fiquei muito desiludido com as declarações de PdC a propósito de um hipotético patrocínio do governo angolano: chamem-me maluco mas, apesar de achar natural que o dinheiro fale muito alto, não concordo minimamente que fale acima de tudo o resto: era só o que faltava sermos patrocinados por um governo ditatorial em que ainda por cima os seus dirigentes batem recordes mundiais a roubar dinheiro público para os seus bolsos, da família e de compinchas.

Se hipoteticamente houvesse muitos portistas entre os habitantes do Estado Islâmico, será que PdC iria usar esse argumento para dizer que teria muito prazer em ser patrocinado pelo E.I.? Obviamente o E.I. está bem para além do governo angolano, mas isso não impede que este último também esteja bem para além da «linha vermelha» que defendo para os princípios que devem reger a gestão do FCP.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Herrera e novamente Jackson

Dragões de Ouro (O JOGO, 19-06-2015)

Numa altura em que Pinto da Costa já anunciou a sua saída, Jackson Martínez volta a surgir (pelo terceiro ano consecutivo!) na lista dos galardoados com um Dragão de Ouro. É mais um recorde para Jackson, o qual, como jogador, atleta e pessoa vai deixar saudades.

Polémica é a atribuição a Herrera do dragão de ouro para futebolista do ano. Eu concordo, mas haverá muitos portistas (a maioria?) que estarão em desacordo.
Talvez Danilo, Casemiro ou Óliver merecessem mais do que Herrera mas, levando em conta que estão os três de saída do FC Porto e que, no caso de Danilo, já ganhou na época passada, penso que é compreensível e aceitável a escolha de Herrera.

A escolha dos dragões de ouro implica ponderar este tipo de aspectos e, também, gerir algumas sensibilidades. Por exemplo, não deve ter sido por acaso, que foram escolhidos dois atletas do Andebol – Gilberto Duarte e Miguel Martins –, os quais renovaram e vão continuar de azul-e-branco e um treinador do Basquetebol – Moncho López – que renovou contrato com o FC Porto até 2020!

Indiscutível e inteiramente justa é a atribuição do ‘Dragão de Ouro – Recordação’ a Domingos Pereira.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Distrações Diário

Maxi Pereira no Porto? Nunca, jamais e em tempo algum. A SAD do FC Porto, atarefada que deve andar com a preparação da próxima temporada, ainda não desmentiu a intenção de contratar o conhecido jagunço - mas devia.

Um suplente de luxo

Quaresma na Seleção de Fernando Santos (O JOGO, 17-06-2015)

Depois de ter sido ostracizado por Paulo Bento, Fernando Santos recuperou Quaresma para uma Seleção que, com o “engenheiro do Penta” ao leme, voltou a ser nacional.

E Quaresma não tem deixado ficar mal o selecionador nacional, bem pelo contrário, como provam os seus números de golos e assistências (algumas das quais absolutamente decisivas).

A questão que se coloca nesta altura é outra.
Deverá Quaresma continuar a ser uma espécie de suplente de luxo, ou o Mustang já fez mais do que suficiente para ser titular nesta seleção de trintões?
Ou dito de outra forma, Nani e Danny têm feito mais do que Quaresma, de modo a justificarem a titularidade que lhes foi dada por Fernando Santos?

terça-feira, 16 de junho de 2015

Um salário de 7 milhões

Salário de 7 milhões de euros (O JOGO, 16-06-2015)

A ser verdade o que diz o jornal espanhol Marca, segundo o qual o AC Milan acenou a Jackson com um salário anual de 7 milhões de euros (livres de impostos), nem vale a pena dizer nada, só resta abrir a boca de espanto.

Fair play financeiro? Pois, pois… Para moralizar o futebol, há é que acabar com os Fundos, que parece que incomodam os clubes mais ricos e poderosos, não é senhor Platini?

sábado, 13 de junho de 2015

É Obra… dovic!

Sporting tenta Ljubomir Obradovic (in Record, 06-06-2015)

Ljubomir Obradovic
«Sporting dobra salário do treinador portista Obradovic
Depois do futebol, o andebol. Após o golpe que foi a contratação de Jorge Jesus, o Sporting está a tentar reeditar uma “bicada” noutro rival e noutra modalidade. Ljubomir Obradovic, técnico que conseguiu seis campeonatos consecutivos ao serviço do FC Porto, é alvo dos leões para treinar a equipa de andebol. (…)
À imagem do que o clube liderado por Bruno de Carvalho fez no futebol, no andebol o plano para regressar aos títulos na modalidade passa por tirar o treinador a um rival.
Obradovic, que também foi campeão nacional pelo Belenenses (em 1993/94, época do último título do histórico lisboeta), está em final de contrato com o FC Porto e há interesse entre todas as partes para que o treinador de 60 anos, que também acumula o cargo de selecionador de Montenegro, continue no Dragão Caixa. Mas o Sporting quer aproveitar o facto de a renovação de contrato ainda não estar definida para “desviar” o técnico.»


Conforme é público, o Sporting teve de fazer uma reestruturação financeira, que incluiu a emissão de 80 milhões de valores mobiliários, obrigatoriamente convertíveis em ações, as quais servem para pagar dívidas ao Novo Banco (24 milhões de euros) e Millenium BCP (56 milhões). Este processo só ficou concluído em 17 de Dezembro de 2014.

Conforme é público, a Doyen Sports entregou uma queixa no Tribunal Arbitral do Desporto contra o Sporting (a qual deverá ser decidida nas próximas semanas), onde exige 16 milhões de euros, por a SAD leonina não ter pago o valor correspondente aos 75% dos direitos económicos que este fundo de investimento detinha do jogador Marcos Rojo (transferido do Sporting para o Manchester United por um valor de 20 milhões de euros).

Conforme é público, devido a incumprimento das regras do fair play financeiro, o Sporting foi punido pela UEFA e só vai ter a possibilidade de inscrever 22 jogadores (e não os habituais 25) nas provas europeias da próxima época (relativamente à lista A).

Perante estes factos (todos referentes ou concluídos nos últimos meses), perante esta realidade, como é possível que o Sporting, quer no futebol (a SAD), quer nas modalidades (o Clube), revele tamanha saúde financeira e tenha capacidade para estas abordagens milionárias ao mercado?

É Obra… dovic, carago!