sexta-feira, 17 de junho de 2016

O espírito de Viena e do Dragão nas camisolas

É preciso animar as hostes depois de três anos de depressão e uma das formas que o clube encontrou foi realizando um reboot nas camisolas. Na prática sabemos que os projectos das marcas desportivas para os equipamentos da temporada seguinte começam a ser preparados em Novembro-Dezembro, pelo que realmente esta ideia já tem mais de meio ano na forja, mas o que conta é a intenção e o FC Porto 2016/17 vai olhar para o passado, no equipamento principal, e para as estrelas, no secundário.



Recuperar Viena é a ideia e o mote por detrás do primeiro equipamento.
Não é bem o equipamento regulamentário uma vez que as duas tiras são mais finais e com distintos tons de azul (e não o azul petróleo á Porto) e há alguma liberdade na zona das mangas mas a ideia está conseguida e colocar André André como protagonista com uma foto de fundo do pai André em Viena é um piscar de olhos nostálgico que os adeptos apreciarão. Também voltaram os saudosos - para muitos - números vermelhos, também marca da casa desses anos, ainda que tenha a apenas a apontar que as costas me parecem excessivamente brancas para tão pouco azul. Ainda assim é um equipamento mais aproximado ás tradições do clube - que já teve vários modelos mas cujas duas tiras grossas de azul sobre branco foram utilizados na esmagadora maioria dos anos e com regularidade até ao virar do milénio - e que pode trazer bons auspícios para a temporada que se avizinha.

O segundo equipamento criado pela New Balance não podia ser mais original, rompendo com esquemas antigos e com um tema que nos diz muito como Dragões. É uma excelente ideia por parte da firma, a de representar a constelação do Dragão num fundo negro - uma cor que fica sempre bem em equipamentos alternativos e que o FC Porto não utilizou nunca até ao momento - dando um aspecto visual interessante e esteticamente impecável. O emblema, esse, perde as cores normais - algo que a New Balance faz habitualmente com outros clubes quando se trata de equipamentos secundários e que pode levantar alguma polémica - e fica tipificado também em tons de branco e negro para enquadrar-se com a estética da camisola. De todos os equipamentos secundários que não recorrem ao habitual branco - estou a pensar no cor-de-rosa, castanho, azul escuro/azul marinho e os laranjas - este é provavelmente o mais original, pela positiva, e bonito. Falta saber se os jogadores se vão inspirar pelo temário e em campo, quando o utilizarem, sentir-se verdadeiras estrelas de dragão ao peito.



É sempre bom começar a sentir os sinais de uma nova temporada, renovando ilusões e esperanças, e a apresentação das novas camisolas tem o condão de gerar esse positivismo. Voltar a memórias felizes e sonhar com as estrelas apenas ajudam a reforçar essas boas vibrações. Em campo não contam para nada, ninguém ganha pelo escudo ou camisola que leve, mas ter o prazer de voltar a ver modelos que marcaram a nossa vida e que associamos directamente a grandes momentos não deixa de ser um motivo mais para acreditar que o futuro pode ser tão risonho como foi o passado. Daqui a dois meses, quando a bola efectivamente estiver a rolar, veremos se as boas sensações se traduzem em bom futebol.

Fotos: FC Porto

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Euro para dois


São dois apenas os jogadores do FCP que irão estar presentes nesta décima quinta edição do certame europeu de nações, que amanhã se inicia. Menos do que o slb (3) e também menos que o scp (4). Sinais dos tempos.

E o que podemos esperar de Casillas e Danilo? Bem, antes do mais, ambos não têm a titularidade assegurada e, por isso, até poderão ser actores secundários nas respectivas selecções. A parte positiva é que, caso consigam um lugar no primeiro "11", ambos poderão manter o lugar por mais alguns jogos dado que Espanha e, principalmente, Portugal estão em grupos relativamente fáceis e, logo, não será de esperar grandes sobressaltos, pelo menos nesta fase inicial de grupos onde, verdade seja dita, é quase impossível, a uma qualquer selecção de relevo, não obter a classificação para a fase a eliminar.

Casillas, vindo de uma época irregular, poderá ter aqui o seu último grande torneio com a camisola do seu país. David de Gea, não tendo, também ele, tido uma grande temporada, esteve, no entanto, a um nível superior. Será mais um clássico dilema entre história versus momento presente.

Danilo, ainda muito novo nestas andanças, foi dos raros jogadores portistas elogiados na época que agora terminou. Demonstrou, porém, uma tendência para cometer faltas em zonas perigosas e na comparação, talvez injusta é um facto, com Casemiro, fica claramente a perder. No jogo de Wembley demonstrou ainda uma certa lentidão de reflexos que a este nível poderão pagar-se caro.

E quanto a Portugal? Bem, após (mais) uma época demasiado longa para os grandes jogadores, o nível de cansaço das grandes selecções, poderá originar uma surpresa do género da Dinamarca em 1992 ou da Grécia em 2004.
Ora, havendo lugar a essa surpresa, ou seja não ganhando uma das favoritas (França, Alemanha, Espanha e Itália), a selecção nacional, que se encontra numa segunda-linha, poderá ter uma palavra a dizer.
Aliás, quem tem Ronaldo, nem sequer poderá falar de uma grande surpresa mas, digamos, apenas meia...

Contudo não se espera que este seja um Euro para recordar em termos de qualidade.
Será, provavelmente, semelhante ao Brasil 2014: muita parra na fase de grupos (onde os "pequenos" aproveitarão uma maior frescura física para fazer umas "flores") e, depois, um arrastar penoso até ao jogo da final, quando os "grandes" ficarem sozinhos em palco.

Neste contexto, o factor-casa terá um peso ainda mais importante. A França não falhou quando organizou em 1984 e 1998...


terça-feira, 7 de junho de 2016

Uma aposta séria na formação

Sub-19 e Equipa B (fonte: facebook do FC Porto)

A equipa B do FC Porto, formada na sua esmagadora maioria por jogadores Sub-20 e, em grande parte, por jovens provenientes dos escalões de formação portista, conquistou o duro, extenso (46 jornadas!) e muito competitivo campeonato da II Liga.


Ao serviço da seleção portuguesa, cinco jogadores do FC Porto – o guarda-redes Diogo Costa, os defesas Diogo Dalot, Diogo Queirós e Diogo Leite e o médio Lameira – sagraram-se recentemente campeões da Europa de Sub-17 tendo, uns dias depois, sido recebidos e distinguidos pelo presidente do FC Porto.


E no passado fim-de-semana…

«O FC Porto sagrou-se campeão de Sub-19. Bicampeão para ser mais preciso, depois de ontem bater o Belenenses por 3-2 na última jornada do campeonato. Foi uma recuperação fantástica, com uma segunda volta de seis vitórias e um empate que permitiram transformar o antepenúltimo lugar no final da primeira volta, a seis pontos da liderança, num saboroso título de campeão. Este título e o do FC Porto B são uma bela afirmação da nossa formação
in Dragões Diário, 05-06-2016


Estes sucessos não deixam grande margem para dúvidas. Há muitos anos que não havia tanta “matéria-prima” de qualidade nas equipas de formação portista, nomeadamente dos Sub-17 à Equipa B.

Assim sendo, parece não haver grandes desculpas para, já na próxima época, deixar de ser feita uma aposta séria e consistente em vários destes jogadores.
Naturalmente, a equipa principal não pode ser toda ela baseada em jogadores da formação. Contudo, num plantel de 23-24 jogadores, tem de haver espaço para, pelo menos, meia dúzia destes jogadores, cuja qualidade parece ser indiscutível (de outro modo não tinham ganho o que já ganharam).

Agora, de palavras de circunstância e boas intenções... Sejamos claros, só haverá uma aposta séria em jogadores da formação azul-e-branca se, da parte da Administração da SAD, essa estratégia for assumida e cumprida. Porque, como é óbvio, se neste defeso voltarem a ser contratados 10, 12 ou 15 jogadores, dificilmente haverá espaço, no plantel principal, para mais do que um ou dois jogadores desta geração portista de jovens campeões.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

E agora DD, o silêncio?


Este animal escreveu isto sobre o jogo de ontem da Selecção Nacional:

Bruno Alves, 34 anos, jogador de futebol com uma já longa carreira, iniciada no Varzim e com passagens por clubes da Grécia, Rússia, Turquia e, claro, no FC Porto, não tinha qualquer razão para, aos 35 minutos de jogo, numa jogada perto da linha de meio campo, ter dado um pontapé na cabeça de um inglês. Porquê? Não se sabe, nunca se perceberá.

Mas sabe-se que tramou Fernando Santos, impedindo o treinador da seleção de Portugal de testar fosse o fosse para lá da defesa que, segura, se manteve impecável até sofrer um golo já nos últimos minutos.

Estaria Bruno a pensar que ainda jogava no FC Porto, no início do século, com os árbitros desse tempo? Ou julgava que já tinha voltado a jogar no FCP, com os árbitros de hoje?


E agora pergunto se o Dragões Diário, sempre pronto para reagir e a atacar de forma infame Miguel Sousa Tavares, Rui Moreira ou Vítor Baía, entre outros portistas que se atrevam a criticar a gestão da SAD, vai reagir a estas declarações insultuosas e provocatórias para com o FC Porto ou se vai ignorar e remeter-se ao silêncio.
   

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Nuno, velho perfil, novo confronto

Nuno Espirito Santo é o novo treinador do FC Porto.
A sua eleição não surpreende. Há vários anos que faz parte da lista dos futuriveis do banco do Dragão. Pela sua relação com o clube - Nuno é portista, quis ser jogador do Porto muito antes de ter, finalmente, logrado sê-lo, e viveu momentos históricos com a camisola ao peito - mas também pela sua relação com Jorge Mendes e o seu perfil, tão caro a Pinto da Costa, de jovem treinador português promissor que não ganhou nada até chegar ao Porto. Um perfil não muito diferente de Paulo Fonseca, por exemplo.

É Nuno um treinador para o FCP?
Depende do que quer o FCP para os próximos dois anos. Acabaram os tempos das vacas gordas (a corda financeira está ao pescoço) e do paleio para simplórios de que até um macaco é campeão graças á estrutura. Hoje a estrutura não existe, há um reflexo dela, do que quis ser e representou mas joga de vermelho e tem ajuda extra. Hoje o que há é uma guerra de tronos entre três grupos á volta de um Presidente que promete estar apto para liderar este novo capitulo mas que perde mais tempo em gerir os egos de quem lhe quer suceder por osmose do que a preocupar-se em defender o clube de rivais externos (para atacar os rivais internos já está o Dragão Diario). Nesse contexto, Nuno chega a um clube em guerra civil interna - ele próprio representa essa luta - e sem titulos há três anos. No melhor dos cenários o FC Porto só poderá ganhar um titulo em Maio de 2017 já que nem a Supertaça irá disputar, algo que foi fundamental no ciclo Villas-Boas/Pereira, para por um exemplo. Nesse cenário um treinador com escassa experiência, zero resultados e com problemas de jogo e de gestão de balneários era a solução? Para Pinto da Costa, para o filho de Pinto da Costa e para Jorge Mendes, sim. Para o FCP? Provavelmente não.

O que é Nuno como treinador?
Um péssimo gestor de grupo, com problemas recorrentes com jogadores e que nunca saiu a bem de nenhum projecto. Aliás, só esteve em dois projectos e em ambos casos não foi por mérito próprio e sim pelo agente que o representa. Não é nenhum ataque a Nuno, o próprio confessou-o sem qualquer tipo de pudor. O Rio Ave é, em Portugal, o clube mais próximo a Mendes e foi aí que começou a sua aventura de dois anos. O Valencia, através de Peter Lim, parceiro de negócios de Mendes, é a sua ponte preferencial actual em Espanha (já foi o Zaragoza, o Deportivo e o Atlético de Madrid pre-Simeone) e a chegada de Nuno com a mudança de dono foi o reflexo dessa postura. Nuno é um dos melhores amigos de Mendes, um homem de confiança e um amigo fiel. E por isso Mendes tem-no sempre na sua lista de prioridades para colocar em distintos projectos. A sua relação de amizade é tal que há muitos rumores - de fontes diferentes mas a indicar o mesmo - que falam abertamente que o despedimento de Nuno do Valencia e a subsequente contratação de Gary Neville - comentador de TV e amigo pessoal de Lim com quem tem negócios no Salford City e em edifícios de Manchester como promotor imobiliário- foi uma jogada para enganar os adeptos, cansados do português, e os jogadores. Nuno, á distância, continuava a coordenar treinos, questões técnicas e trabalhava com Neville de forma directa e silenciosa. E por isso, quando o FCP o abordou em Janeiro - porque o abordou, como a outros cinco treinadores - rejeitou a oportunidade que agora abraça. No fundo, continuava a trabalhar, não para o Valencia mas para Mendes, algo que só cessou quando Neville foi finalmente substituído por Pako Ayerastan, que não quis prolongar a charada e assumiu o comando da equipa totalmente.
Tendo em conta os resultados do Valencia com Nuno e com Neville, não impressiona demasiado o curriculum. Um sexto lugar no primeiro ano com o Rio Ave - algo que não é feito histórico - uma presença na final da Taça e um quarto lugar em Espanha (nesse ano o Valencia tinha o terceiro maior orçamento e gastou mais que o Atlético de Madrid com o celebre pack de 15 milhões de jogadores do Academia Seixal Encarnada) são tudo o que Nuno tem para oferecer.



Em campo, as equipas de Nuno são parecidas tanto com o Rio Ave como com o Valencia. Defesa baixa, linhas recuadas, um 433 que aposta no contra-ataque, jogo lateral e entrega do controlo do esférico ao adversário. Com Nuno, tanto o Rio Ave como o Valência marcavam poucos golos, jogavam de forma pouco atractiva (em Valência ainda hoje há quem refira a sua equipa como uma das menos atractivas da história recente do clube) e sobretudo praticavam um futebol de contenção. Contra rivais que colocavam o autocarro, sofria. Contra rivais que entregavam a iniciativa, sofria. Ou seja, contra a imensa maioria dos rivais na liga portuguesa, sofria. Não é, desde logo, o melhor dos presságios. Mais do que nunca o FCP tem de transmitir uma dupla sensação. Controlo absoluto da bola e do jogo e um gene competitivo que se perdeu nos últimos anos. Nenhuma das suas equipas tem qualquer um desses traços.
No entanto, Nuno é apenas uma escolha que trabalhará com o material que lhe for dado. A culpa nunca é toda do treinador nem os méritos o são e para julgar a Nuno convém primeiro ver que plantel vai ter disponível e se os jogadores que tem se adequam á sua ideia de jogo ou se ele será capaz de se adaptar ao que tiver nas mãos. A sua amizade com Mendes poderá - repito, poderá - facilitar algumas chegadas e saídas nesse sentido mas não será suficiente. Depois de três anos de desinvestimento e erros de casting convém montar um plantel á altura do desafio. Não se podem pedir milagres a treinadores com Suks, Maregas e afins. Mas também não se lhes pode dar caviar e receber em troca papas de sarrabulho.

Nuno é o novo treinador do FC Porto porque Pinto da Costa assim o quis. Contra a vontade de Adelino Caldeiro e o seu grupo. Contra a vontade de Antero Henriques e o seu grupo (o homem que queria Jesus e Marco Silva vai ter, pelo terceiro ano consecutivo, de ser director do departamento de futebol de um treinador que desaprova, algo inédito...se fosse sério e estivesse realmente contra essa nomeação, demitia-se por falta de confiança no seu "projecto"). Chega da mão de um player cada vez mais relevante no jogo, um novo parceiro preferencial de Jorge Mendes. Curiosamente numa recente entrevista Pinto da Costa disse que não gostaria de ver nenhum filho a presidente do clube mas Nuno é um homem de Alexandre Pinto da Costa e o seu êxito (ou fracasso) também será o seu. Num momento em que o clube necessita, mais do que nunca, de unidade, Pinto da Costa preferiu tomar partido por uma facção contra outras. Num momento em que o clube necessita, mais do que nunca, competência, entregou a equipa a um treinador que não traz nada de relevante para mostrar no CV. O tempo julgará a decisão como o fez com as anteriores. Tempo ...precisamente o que o FC Porto tem cada vez menos.
   

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Obrigado

Pondo de lado a questão se tinha/tem ou não capacidade para ser treinador do Porto - eu acho que já tivemos treinadores piores com melhores resultados - o José Peseiro, é um cavalheiro e merece todo o respeito. Não anda muito longe da verdade, dizer-se que outros recusaram o desafio que ele aceitou - e dar um passo em frente, quando numa situação difícil, e outros não o fazem, é de louvar.

Embora a sua passagem pelo Porto tenha sido um fracasso, não considero que tenha tido grande responsabilidade nisso. Não foi o José Peseiro que falhou. Foram todos aqueles à sua volta, desde os melhores do mundo, passando pelos contratadores de Suk, pelos rascas que fingem lesões e fogem, até aos tocadores de cavaquinho que não conseguem estar concentrados durante uns míseros 90 minutos.

O José Peseiro é um Senhor e merecia melhor sorte.

O penteado é que não tem perdão

terça-feira, 31 de maio de 2016

Vergonha Diária


A newsletter enviada diariamente aos sócios que a subscreveram e com o nome "Dragões Diário" publicou, hoje, o seguinte texto:

"Miguéis"
Miguel Sousa Tavares voltou a pronunciar-se sobre a atualidade do FC Porto, enquanto comentador da SIC e, eventualmente, enquanto adepto, porque sócio deixou de ser estatutariamente aquando da última renumeração, em 2015, uma vez que já não pagava as quotas desde 2010. Não deve ter sido a crise ou até a resolução de um banco que o impossibilitou de cumprir o sagrado dever de sócio. Como comentador, MST pode ter muitas opiniões e é capaz de lhe dar mais jeito que sejam variadas para agradar a quem lhas patrocina e que nada têm a ver com o Porto, cidade e clube. Para descanso dos “Miguéis” deste país, os contactos para a contratação do novo treinador, seja ele qual for, estão a ser feitos diretamente pelo presidente do FC Porto, sem intermediários, não havendo por isso lugar ao pagamento de qualquer comissão. Já diz o ditado, quem muito fala, pouco acerta.

Que esta nova velha Direcção não se dá muito bem com a liberdade de expressão, já se sabia há muito.
O que é lamentável - e grave - é que o Clube divulgue publicamente informação sobre sócios ou ex-sócios, e de quando estes pagaram ou deixaram de pagar as quotas. Isto é que não deveria ser estatutariamente permitido.

Lamento que o FC Porto utilize formas de comunicação que extravasam para a restante comunicação social informação que deveria ser do estrito âmbito e privacidade dos associados do FC Porto. É uma vergonha.

Esta Direcção está sempre pronta a atacar os da sua cor que se atrevam a discordar publicamente das suas atitudes e dos seus actos de gestão mas é sempre muito benevolente para com os seus verdadeiros inimigos. Assim de repente, lembro-me das críticas veementes de um director do departamento de futebol ao então presidente Dr. Américo de Sá.
   

domingo, 29 de maio de 2016

Os campeões improváveis são CAMPEÕES!




Fotos: Facebook oficial do FC Porto

sábado, 28 de maio de 2016

A «ressaca» de um portista no estrangeiro

Em tempos como estes, dá vontade a muitos portistas de «desligar» um pouco de tudo o que tenha a dizer com futebol - seja para não lembrar coisas tristes sobre o que se tem passado no nosso clube, seja para não ter que aturar o «bombardeamento» da festa lampiã (festa em que os Media são com frequência os primeiros a fazer de cheerleaders...). Sou o primeiro a admiti-lo (nem tem dado grande vontade de escrever artigos aqui, mas lá vou fazendo um esforço...). Como «desligar», então?

Bem, antes de mais há que assinalar que a situação dos emigrante mudou muito nos últimos 30 anos. Longe vão os tempos em que as notícias de Portugal chegavam de forma esporádica através de conversas telefónicas, ou aquando da visita anual ao país. Hoje em dia a ligação a Portugal é contínua para muitos dos emigrantes (e sou um exemplo como tantos outros): temos as «apps» dos Media portugueses nos smartphones; os sites informativos, blogs e fóruns na Internet; os canais todos da TV Cabo por satélite (para quem quiser subscrever e viver na Europa ocidental); conversas diárias (telefone, Skype, email...) com amigos e familiares em Portugal; as redes sociais (Facebook, ...); viagens muito mais frequentes ao país (muito mais ligações aéreas e muitíssimo mais baratas), e aí por diante.

Ou seja: hoje em dia um emigrante está frequentemente tão bem informado (ou até mais) sobre o que se passa no país, cidade ou clube como muitos que aí vivem. Logo quem quiser «desligar-se» pode tomar medidas que são exatamente as mesmas, seja para quem está em Portugal ou para quem é emigrante: só ver canais de TV portugueses que são «seguros» (por ex Telecine); evitar os sites dos Media portugueses na Internet e redes sociais; evitar ir a cafés frequentados por lampiões (que os há em muitas grandes cidades fora de Portugal), etc.

Mesmo assim, não deixa de continuar a haver algumas diferenças: quem vive em Portugal dificilmente consegue evitar conversas com colegas lampiões no emprego (ou em outras interações do dia-a-dia), ou ser exposto às capas dos jornais nos quiosques e papelarias. Nesse aspecto os emigrantes portistas têm sorte. No que me diz respeito tenho «controlado» com bastante sucesso a exposição a coisas que me deixem mal disposto, muito embora até tenha um ou outro amigo - e até mesmo colegas - lampiões (ou lagartos) aqui na zona.

E para outros emigrantes, como tem sido? Fica o mote dado para a caixa de comentários.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Para quem foram os bilhetes?

«Ontem foram postos à venda os bilhetes para o quarto jogo [da final do playoff da Liga de Basquetebol], marcado para depois de amanhã [sábado, dia 28 de Maio], também às 21h00, e esgotaram logo a seguir. Nos dois jogos vai estar casa cheia, o que garante um forte apoio à equipa. Este jogo, como o de amanhã, terá transmissão em direto no Porto Canal.»
in Dragões Diário, 26-05-2016


Dragão Caixa

Sem contar com a pequena bancada amovível existente do lado poente e que, em jogos de basquetebol, é destinada a atletas dos diversos escalões, treinadores, seccionistas, elementos ligados à Associação de Basquetebol do Porto, etc., o Dragão Caixa tem uma lotação de aproximadamente dois mil lugares. Assim sendo, descontando os camarotes (120 lugares) e os lugares anuais vendidos esta época, para cada jogo devem sobrar cerca de 1700 lugares.
Contudo, é sabido que a Direção do Clube reserva (entrega gratuitamente?) uma parte dos bilhetes disponíveis nos jogos das modalidades para uma das claques do FC Porto (não é por acaso que a bancada Sul do Dragão Caixa é conhecida como a bancada dos SuperDragões).

Resta então saber: Quantos bilhetes foram postos à venda nos sete locais habituais – Loja do Associado; FC Porto Stores ArrábidaShopping, Baixa, NorteShopping, El Corte Inglés Gaia-Porto e Off Season; e papelaria Carlin (Shopping Center Cidade do Porto)?

Não sei, mas gostava de saber. O que eu sei é o seguinte: na FC Porto Store do NorteShopping, os bilhetes que, supostamente, foram postos à venda às 14h00 da passada quarta-feira, esgotaram às 14h20.

Quantos bilhetes se conseguem vender em 20 minutos?
Conhecendo o processo de venda de bilhetes para as modalidades (que implica pedir o cartão/número de sócio, verificar a existência de lugares disponíveis para o sector pretendido, imprimir o bilhete, processar o pagamento), eu diria que conseguir executar todo o processo de venda de um bilhete num minuto será muito bom.
Ora, admitindo que em cada um dos locais de venda se conseguiu, em média, vender 1 bilhete por minuto, como os bilhetes para o 4º jogo da final do playoff da Liga de Basquetebol esgotaram em 20 minutos então, no máximo, terão sido postos à venda uns 140 bilhetes (20 minutos x 7 locais de venda).

Apenas 140 bilhetes?
Para onde foram os restantes bilhetes?
Para amigos de elementos da "estrutura"? Para amigos de amigos? Para quem?
Tem a palavra a Direção do FC Porto se, em relação a este assunto, quiser ser transparente, esclarecer os sócios e não dar azo a especulações.


No último FC Porto x SLB disputado no Dragão Caixa (em 16-03-2016), não faltavam... cadeiras vazias

P.S. O basquetebol portista regressou esta época ao escalão principal, mas nem o bom desempenho da equipa azul-e-branca (em linha com as melhores expectativas) evitou que, nos jogos disputados em casa, o Dragão Caixa tenha estado quase sempre semi-vazio. E até nos quatro jogos dos playoff que já disputou em casa (nos dois jogos contra o Vitória Guimarães, para os quartos de final e nos dois clássicos contra a Ovarense, para as meias-finais), sobraram imensas cadeiras vazias e dezenas de bilhetes para adeptos das equipas adversárias (sim, eu estive lá e vi).
Chegados à final e havendo a possibilidade do FC Porto se sagrar campeão, "milagrosamente" o pavilhão esgotou… quase antes dos bilhetes serem postos à venda!
Ontem como hoje, nada como o cheiro a festa para mobilizar milhares de fãs do basquetebol (por onde andaram nos últimos três anos?) e até para transformar adeptos do futebol em adeptos das modalidades…

P.S.2 [atualização, 23:40] Segundo os serviços do FC Porto, para o jogo 3, disputado hoje à noite, o Dragão Caixa estava esgotado desde o passado fim-de-semana.
Esgotado? Eu não percebo como é que num pavilhão esgotado existem dezenas (centenas?) de cadeiras vazias, principalmente nas duas bancadas de topo (conforme foi perfeitamente visível durante a transmissão televisiva).

P.S.3 [atualização, 23:50] No jogo de hoje à noite, uma das cadeiras que esteve vazia foi a do presidente do clube. De facto, à mesma hora que a equipa de basquetebol do FC Porto disputava um jogo fundamental, Pinto da Costa estava em Nogueira da Regedoura, numa festa com elementos de várias casas do FC Porto.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

"Inesquecível, mas que ninguém diga irrepetível"



"Inesquecível, mas que ninguém diga irrepetível"

Tempo ao tempo Europa, tempo ao tempo....

quarta-feira, 25 de maio de 2016

A mãe de todas as fugas para a frente

Não estamos habituados a «jejuns» de 3 anos (felizmente!) e sendo assim é natural que os portistas estejam não só muito insatisfeitos como também inquietos e ansiosos para a próxima época que se avizinha. É frequente ouvirmos expressões do género «Para o ano não podemos falhar!». 

E de facto a próxima época deve ser preparada com toda a atenção e um apurado sentido de urgência. Dito isto...

...dito isto, tenho bastante receio que se exagere, apostando-se tudo no curto prazo hipotecando o futuro.

Flashback para o virar do século: o SCP vinha de um longo (longuíssimo) jejum de títulos nacionais e durante uns 2 a 3 anos apostou tudo no imediato, em particular contratando muitos jogadores experientes mas sem perspectiva de encaixes futuros (e isto quando já tinha vários jogadores titulares na reta final da carreira, como Iordanov, Edmilson, Pedro Barbosa ou Rui Jorge), vários deles com enormes salários. Falo de Schmeichel, JVP, Paulo Bento, Sá Pinto, Acosta, Jardel entre outros.

Apesar de tudo lá conseguiram ser duas vezes campeões (embora da forma que todos vimos...) mas foi em boa parte à custa disso que andaram depois outra vez muitos anos a «penar» (aliás, nunca mais voltaram a ser campeões). E isto porque financeiramente «deram o berro», tanto pelos custos elevados como pela ausência de 2 ou 3 jogadores por ano para vender caro de forma sistemática, todos os anos. Um Ronaldo aqui e um Nani ali não chega... Foi isso que levou a uma «aposta na prata da casa» em peso durante vários anos - a falta de dinheiro - e não uma estratégia deliberada.

Ora o FCP não é o SCP. O FCP é mais do que isto. Eu não quero que se aposte tudo na próxima época, hipotecando o futuro (por ex ao endividarmo-nos ainda muito mais, recorrendo a vários anos de receitas adiantadas de uma MEO, etc). Eu não quero ser campeão na próxima época (ou até mesmo nas duas próximas) se o preço a pagar for andarmos depois meia dúzia de anos seguidos em jejum.

Eu quero sim que as condições estejam criadas para podermos ser pelo menos 5 vezes campeões nos próximos 10 anos e para lutar pelo título até ao fim em todas as épocas (se mais do que isso, ainda melhor).

Ora tenho bastante receio que os nossos dirigentes tenham precisamente essa tentação de apostar TUDO no imediato, já que começam a ficar preocupados com a sua «pele» e reputação, uns e outros por razões algo distintas (não me admirava por ex que Pinto da Costa dê prioridade máxima a querer sair em grande do FCP, enquanto outros se preocupam mais em não perder ainda mais «capital» junto dos adeptos tendo vista uma corrida apertada nas primeiras eleições pós-PdC: e outros ainda contam sair junto com PdC e estão a borrifar-se para o pós-PdC). Ainda mais quando tenho assistido a várias fugas para a frente na última década, mesmo quando não se sentiam acossados (que levou por exemplo a que o clube tenha perdido metade do estádio, e a que andemos a pagar mais de 10 milhões/ano em juros da dívida, que explodiu nos últimos 10 anos).

Espero que resistam a essa tentação, que teria forte probabilidade de levar a uma «sportinguização» do FCP. Apostar no imediato sim, mas com inteligência e moderadamente, sem hipotecar o futuro.

terça-feira, 24 de maio de 2016

P.B.E.C.

Nos tempos "quentes" após o 25 de Abril houve uma coisa em Portugal chamada de P.R.E.C.; agora, assistimos no FCP ao P.B.E.C., que é o Processo de Benfiquização Em Curso.

Um processo que começou há já bastantes anos e que se foi acentuando - de forma gradual, mas palautina (aliás, já referi aspectos disso aqui em artigos no passado, com a primeira referência a remontar aos primórdios do RP, já lá vão 8 anos).

Por isto de P.B.E.C. não me refiro à seca de troféus em si, muito embora não deixe de haver certamente uma correlação considerável entre as duas coisas. Não. Refiro-me sim a...

...um clube que começa a tornar-se um cemitério de treinadores, e em que são estes que têm que dar o «peito às balas» sozinhos, até mesmo quando é para falar de assunto fora do terreno de jogo (como o Sistema).

...um clube em que muitas vezes os jogadores dão a clara impressão de pensar que as camisolas ganham jogos, ao ver a forma como entram em campo

... um clube em que adeptos, dirigentes e funcionários abusam de chavões ocos e estéreis (a «mística» no caso deles, o «somos Porto» no nosso)

...um clube que dá a clara impressão de, em várias coisas importantes - como por ex a contratação de jogadores ou treinadores, mas não só - ser gerido «de fora para dentro» e não «de dentro para fora». Seja essam os interesses das Doyens deste mundo, ou dos «Macacos», ou dos Jorge Mendes, ou dos irmãos ou filhos dos administradores e presidente, ou da MEO, etc etc.

...um clube gerido ao sabor do vento aos ziguezagues, em que num ano se contrata um certo tipo de treinador e um ano depois se contrata outro com ideias radicalmente diferentes; em que num ano se aposta forte $$ na contratação de jovens especulando para o futuro (mesmo para posições com «overbooking» de bons jogadores), para no seguinte se apostar antes em imensos empréstimos para tirar rendimento imediato; em que num ano se ignora totalmente a prata da casa, para no ano seguinte dizer que afinal é importantíssima; etc.

....um clube aburguesado na política de comunicação e nos jogos de bastidores.

... um clube com graves fugas de informação (por ex. certas contratações são uma autêntica telenovela na praça pública)

...um clube em que se instituiu a figura oficiosa de «primeira dama» (seja levando a companheira do presidente em comitivas oficiais do clube ao Papa, seja dando-lhe lugar privilegiado na tribuna presidencial, seja mandando bitaites aos jogadores através das redes sociais, seja aparecendo regularmente nas «revistas cor-de-rosa», etc).

...um clube em que adeptos festejam a conquista da 2a Liga com a equipa B como se fosse um grande feito da equipa A.

... um clube em que muitos adeptos se comportam a bem dizer como espectadores de um espetáculo como outro qualquer (ópera, teatro, cinema, etc), e que portanto assobiam ou debandam das cadeiras quando o espetáculo não é de qualidade. Aliás, parece que há uma % não dispicienda de adeptos «das vitórias», principalmente entre os que nasceram depois de meados dos anos 70 (e que se habituaram a ver um FCP dominador).

Sobre o último ponto: penso que muitos «adeptos» deviam meter a mão na consciência, mas... esse problema começa pela Direção, que tem tratado os adeptos há já bastantes anos precisamente como «consumidores de um produto». O apelo e incentivos à participação activa dos sócios e adeptos na vida do clube fora das bancadas é praticamente nulo, para não dizer por vezes negativo - a mensagem que tem passado claramente é que o que interessa é o dinheirinho deles (no merchandising, nos lugares anuais, nas cotas, ...). Ora: se os tratam como «clientes», não se admirem que se comportem cada vez mais como tal.

Para concluir: todos esses pontos são pontos que me habituei a ver no slb (principalmente nas décadas de 80 e 90), mas que hoje em dia vejo mais no FCP. É - acima de tudo - este PBEC que me deixa muito apreensivo para os próximos tempos (até porque um ponto que continua exclusivo do slb é o «colinho»). Mas nada é irreversível... esperemos que quem de direito saiba analizar corretamente a situação e saiba colocar os interesses supremos do FCP acima de tudo o resto. Esperemos que tenham vontade, energia e know-how para tal... e, se eventualmente não tiverem, que saibam dar o lugar a outros.

PS - imagem retirada do excelente site vermelhices.com (extinto, salvo erro)

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Chega de Saudade


Chega de saudade
A realidade é que sem ela não há paz
Não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Chega. Ponto final. Acabemos com isto de uma vez.
Chega de queixas, chega de nostalgia, chega de "ses" e mais "ses".
Chega de pensar que o passado é sempre melhor que qualquer futuro. Que tudo o que foi feito justifica tudo o que se faz ou vai fazer. Chega de pensar que a saudade controla a vida e que aqueles que no passado foram algo estão destinados a sê-lo para sempre. Porque se continuamos assim, meus caros, é muito simples. O FC Porto, tal como o conhecemos, desaparecerá. Tão simples como isso. E porquê?
Porque, precisamente, o FC Porto histórico foi construído contra essa nostalgia, essa saudade e essa resignação ao passado, ás inevitabilidades, ás guerras internas por dá cá aquela palha. Se estamos na situação em que estamos é precisamente porque nos desviamos do caminho. Todos e cada um de nós fomos tomando parte da progressiva "benfiquização" do FC Porto a tal ponto que hoje quem se comporta como o FC Porto sempre se devia ter comportado - com o plus de controlar uma série de variáveis que, pela sua condição natural, o FC Porto nunca controlou - é o Benfica. Inversão de papéis triste mas expectável. Porque quem dirige o Benfica (e, em menor medida, o mesmo passa no Sporting) é um aluno do modelo Porto, um modelo que estudou a fundo no seu estágio curricular em Alverca e que soube aplicar com manhã. E porque quem dirige o Porto esqueceu-se de que não se pode dar nunca nada por garantido e que o "aburguesamento" da gestão, essa política de que até um macaco é campeão no banco, em que o importante são os negócios e impressionar os jornais estrangeiros com vendas milionárias estava a condenar ao FC Porto a armar-se naquilo que não se pode dar ao luxo de ser, um "Benfiquinha" pretensioso mas sem substância. E depois de três anos chega de uma maldita vez esta espiral de auto-engano. Chega.

Começa a ser fundamental que tanto adeptos e sócios como dirigentes portistas entendam que nem antes éramos tão bons nem agora somos tão maus. Ninguém passa do oito ao oitenta na vida sem que existam motivos por detrás que o explicam. Pinto da Costa não foi um "Deus omnisciente e omnipotente" quando ganhava nem é um analfabeto futebolistico agora que perde. A diferença não está no know how mas sim no trabalho. Ninguém duvida que até há uns bons anos atrás o presidente comia, bebia, dormia e sonhava FC Porto e que essa dedicação e trabalho se plasmava no clube, nos resultados e na forma de gerir a instituição, motivos pelos quais nunca quis ter um director desportivo forte, nem sucessores ungidos nem treinadores mais mediáticos que ele. Enganou-se mais vezes do que gostamos de nos lembrar. Aproveitou - aliás, ajudou a criar mais do que se aproveitou - o caos organizativo num Benfica e Sporting que não estavam preparados para essa metodologia de trabalho á Porto (e que demoraram duas décadas a entender o caminho a seguir) e teve estrelinha com alguns treinadores e jogadores em momentos chave. Mereceu cada título ganho porque trabalhou para cada um deles ao máximo. Agora merece cada uma das derrotas e humilhações acumuladas porque é precisamente o seu desleixo que tem levado o barco ao fundo. Quando se cria um modelo de gestão tão pessoal é fácil entender que só funciona se a implicação for sempre a mesma do protagonista. Quando se começam a delegar coisas em filhos, ungidos e empresários a coisa está condenada a descambar porque nenhum deles come, dorme, bebe e sonha FC Porto. Alguns nem portistas são, querem saber de muitas coisas e o sucesso desportivo do FC Porto não é necessariamente sequer uma prioridade.

Portanto é óbvio entender que depois de três anos de desleixo absoluto (um desleixo que, a ser honestos, vinha de trás mas que foi tapado por Kelvins, Hulks, VPs e AVBs) e um novo mandato sufragado nas urnas, estejemos perante um momento chave: quatro anos mais de desleixo ou quatro anos de ética de trabalho á Porto?

Pinto da Costa não é diferente dos comuns mortais e a idade pesa mas se quis ser reeleito que assuma a exigência física e mental que ser presidente do FC Porto pede e que se comporte em correspondência ou abra o caminho a quem possa. Se quiser agarrar o desafio não tem de encontrar uma fórmula mágica para voltar a vencer. Afinal de contas, em três anos de vazio, quem triunfou em Portugal e a partir de que ideia? Foi por acaso o FC Porto superado por uma espécie de Barça futebolisticamente invencível, com jogadores e treinadores muito superiores e um modelo de jogo impossível de superar? É o reflexo da nossa seca de títulos uma inferioridade futebolística? Não.

O Benfica de Jesus e de Rui Vitória é uma equipa certinha, tacticamente competente, que arrisca pouco, sabe em que campeonato compete e que sabe da importância de ter X jogadores que decidam jogos, atrás e á frente. O reflexo da sua inoperância competitiva nos palcos europeus, a falta da célebre "nota artística" e a ausência de capacidade de atrair jogadores de perfil alto deixa claro que o atraso que existe é perfeitamente resolvido com uma ética de trabalho á Porto implicada a 100% com o clube. Nem Jesus - por muito que o pense - nem Vitória são treinadores superiores que não existam nomes que o FC Porto possa contratar que os superem. O problema foi que depois da saída injusta de Vitor Pereira (que manteve Jesus sempre atrás sem ser uma super-star) o Porto quis contratar três treinadores que sim, eram piores que esses dois e que tacticamente nada trouxeram de positivo ao clube. Não um. Não dois. Mas três. É dose. Sendo Jesus e Vitória treinadores medianos, só se pode exigir a quem dirige o clube que procure alguém tão bom ou melhor. A oferta é amplia mas o bilhete não é grátis. Que os tragam, sim, mas que os tratem como foram tratados Jesus e Vitória nos seus momentos difíceis, com apoio institucional, confiança e respeito. Algo que há anos nenhum treinador do FCP recebe.

Quanto aos jogadores, a situação é idêntica. O grosso do onze do Benfica saiu da sua formação, jogadores da sua equipa B, ou contratados por tuta e meia ao mercado português. Gaitán só vai sair agora, ninguém viu Rui Costa a dar entrevistas sobre "ciclos de três anos". Chegou ao mesmo tempo que Vilas-Boas. Se tivesse chegado ao FCP já tinha saído há muito tempo. Jonas chegou grátis e sem comissão a pagar. Decidiu duas ligas. Nunca teria sido contratado. Slimani andava escondido no radar de meio mundo, Ghilas é que era o "homem". João Mario, Adrien, Renato Sanches, Gonçalo Guedes, Lindelof, Ederson, Gelson, são tudo produtos da formação. Quanto foi preciso para dar oportunidades a André Silva? Onde andam Rafa, Gonçalo e onde andarão Francisco Ramos, Victor Garcia, Verdasca e afins? 
Não há uma formula mágica, apenas recuperar a mesma ideia que nos fez grande. Uma ideia que está tão actual que os presidentes que querem imitar Pinto da Costa em tudo decidiram colocá-la em prática e tiveram resultados positivos nessa abordagem. Menos vendas milionárias? Menos entrevistas ao El Pais? Sim, mas os seus clubes agradecem.
Não é assim tão dificil deixar de parte esse negócio cinzento por uns meses para ajudar o clube a voltar aos eixos, quero pensar. Mas é preciso ter essa ética portista que desapareceu.

Ao FC Porto restam-lhe apenas dois caminhos. O que está a percorrer que significará pura e simplesmente a dilapidação de trinta anos de história, a venda de jogadores que são fundamentais desportivamente e emocionalmente para ir buscar mais futebolistas comissionados, beneficiando-se dos milhões que vão entrar agora via contratos TV para viver as últimas horas de uma festa que se prolonga á anos...ou voltar a ser, pura e simplesmente, FC Porto. E ser Porto é tudo menos um chavão, é tudo aquilo que os nossos rivais querem e estão a tentar ser - com êxito - e que nada nos impede que voltemos a ser sempre e quando haja a vontade para isso mesmo. Vontade de lutar pelo clube nas batalhas fora de campo (onde o desleixo foi, quiçá, maior) e recuperar dentro dele uma ideia de clube que não só funcionou durante trinta anos como continua a funcionar, mas a sul, com os inevitáveis ajustes aos dias de hoje. Não parece ser uma escolha difícil. Chega de saudade e chega de pensar apenas no passado e no que trouxe. Há muito para ganhar, haverá muito Porto pos-PdC, pos cada um de nós. O importante é não ter de voltar a começar do zero. O importante é deixar de ter saudades do que se ganhou e trabalhar para o que falta ganhar!

domingo, 22 de maio de 2016

É uma injustiça…

Acho que fomos muito melhores do que o Sporting de Braga. Não tivemos sorte. Em dois lances em que foram à nossa baliza conseguiram fazer dois golos. Até aí, e depois disso, não tinham criado, nem criaram, qualquer situação de perigo em todo o jogo. Nós fizemos uma excelente segunda parte, criámos várias situações. Fizemos 27 remates e eles dez. O resultado é injusto, não ganhou a melhor equipa. Queríamos ganhar, esperávamos ganhar, fizemos tudo por conseguir, mas não tivemos sorte.
José Peseiro, no final do jogo de hoje


Penso que nenhum portista ficará surpreendido, se esta final da Taça de Portugal tiver sido o último jogo de José Peseiro como treinador principal da equipa A do FC Porto. O contrário, parece-me, é que seria muitíssimo surpreendente.

Ora, se há um traço comum nas muitas derrotas que o FC Porto acumulou durante os últimos quatro meses foi, no final desses jogos, ouvirmos o sucessor de Julen Lopetegui lamentar-se da falta de sorte e das injustiças deste mundo…

Por isso, com um toque de simpatia pelo homem e antecipando o adeus do treinador José Peseiro ao FC Porto, aqui vai…