quinta-feira, 30 de julho de 2015

Quem policia o "polícia"?

Marco Ferreira, o árbitro da final da Taça de Portugal, foi despromovido da categoria de elite do futebol português. O juiz madeirense ficou mesmo na última posição na classificação apresentada nesta quarta-feira pela Federação Portuguesa de Futebol, com 3.472 pontos. 

O presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol, José Gomes, manifestou hoje “a maior surpresa” por o internacional madeirense Marco Ferreira surgir em último na classificação da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para a época 2014/15.
“Terá sempre de haver descidas, mas ter um árbitro internacional em posição de descida e tendo esse árbitro arbitrado uma final da Taça de Portugal é a maior surpresa que acabamos por ter nestas classificações”, disse, em declarações à agência Lusa.

A nota do árbitro Marco Ferreira no jogo Braga-Benfica é das piores de sempre atribuída a um juiz internacional português. O JOGO está em condições de confirmar que o árbitro teve uma avaliação de 2.0 no Braga-Benfica, da 8ª jornada, que terminou com o triunfo dos bracarenses por 2-1.
O observador Júlio Loureiro escreveu no relatório que houve erros graves com influência no resultado, num jogo de elevado grau de dificuldade, classificando a arbitragem de Marco Ferreira com a nota de 2.0.


O árbitro Marco Ferreira foi despromovido. Pode ser uma coincidência mas dos três jogos que resultaram em derrotas do SLB na época 2014/2015, dois foram apitados por... Marco Ferreira!

26 Outubro 2015
Jornada 8
SC Braga 2-1 Benfica

21 Março 2015
Jornada 26
Rio Ave 2-1 Benfica

No jogo da 8.ª jornada, Braga-Benfica, Marco Ferreira teve mesmo a pior classificação de sempre atribuída pelo observador Júlio Loureiro.
O trabalho dos árbitros é (felizmente) escrutinado pelas imagens televisivas todas as jornadas mas o trabalho dos observadores, que são determinantes nas classificações dos árbitros, não é escrutinado por ninguém (talvez pelo Sr. Vítor Pereira e seus amigos...). Isto está correcto? Quem é Júlio Loureiro? Quem são os observadores dos árbitros? O trabalho que executam é honesto e de qualidade?

Injustiçado e traído pelos seus, Marco Ferreira encetou uma luta contra aquilo que considera estar mal no seio da arbitragem e tem publicado as suas opiniões na sua página do Facebook. Recentemente, a propósito dos observadores, escreveu isto:
"Já agora, porque não explica [n.r. Vítor Pereira] a razão dos observadores do futebol profissional não terem classificação, ou seja, estão a desempenhar funções sem ser por mérito mas sim porque são convidados pelo Conselho de Arbitragem? Isto é promover a igualdade e o mérito? Quais os critérios para serem "convidados"? Numa estrutura em que desde a base todas as pessoas são avaliadas e classificadas, descendo e subindo consoante os seus desempenhos, os observadores que são as pessoas com mais influência no processo classificativo são "convidados"!!?"

Podemos argumentar que este árbitro só agora se insurge por ter sido excluído da arbitragem "profissional" mas não deixam de ser afirmações que demonstram o estado a que chegou o sector: uma marioneta (Vítor Pereira) a pôr e dispor dos árbitros, das nomeações e das classificações.
   

terça-feira, 28 de julho de 2015

Criatividade, procura-se!

Os jogos de pré-temporada servem quase sempre para muito pouco para o espectador comum e muito para quem segue as entranhas do desenvolvimento da equipa. Analisam-se ao detalhe a evolução da condição física, o entrosamento entre jogadores, a assimilação de sistemas. Os resultados são sempre o de menos mas para os adeptos, desde fora, perturbados sempre pelo excitante mercado de transferências, com os seus vais e vens, os amigáveis servem igualmente para ver até que ponto o plantel está bem concebido. E, neste momento, o plantel actual do FC Porto não é apenas um plantel com desiquilibrios pontuais. É um plantel onde não há uma chispa de criatividade.

O futebol mudou muito, evoluiu tacticamente, mudaram-se conceitos e sistemas mas continua a girar á volta de verdades absolutas. Uma delas, no que aos planteis diz respeito, é que se torna muito dificil a um clube triunfar sem um esqueleto bem definido onde há espaço para um grande guarda-redes, um defesa com capacidade de liderança, um médio recuperador capaz de trazer equilibrio à equipa, um goleador e um jogador com criatividade para desbloquear jogos. São cinco papeis chave entre vinte e cinco jogadores. Sem eles, dificilmente, uma equipa triunfa e muitas vezes são precisamente nestes pontos que se distinguem entre as boas e as grandes equipas. Actualmente o plantel do FCP carece de três desses cinco papeis, um preocupante ratio de 60%. Há médios recuperadores para dar e vender capazes de dar conta do recado e entre Casillas e Helton há segurança e experiência para dar e vender na baliza. Mas continuamos sem um central lider há muito tempo - Maicon é o mais veterano mas o mais propenso, igualmente, a cometer erros infantis, sobretudo na distribuição; Marcano é um jogador certinho mas sem chispa de liderança e Indi um projecto de futebolista complementar e pouco mais - e sem um número 9 no seguimento da melhor tradição do clube (a Aboubakar ainda falta muito para sonhar com esse patamar). Sobretudo, falta-nos quem ponha a arte e a criatividade na mesa e quem abra o livro nos momentos complicados.

 Todas as grandes equipas se definem pelos seus artistas. No final triunfa sempre o colectivo, está claro, mas sem esses artesões o conjunto perde sempre em influência, talento e capacidade de superação. Podem ser de um perfil mais contido - Iniesta, Isco, Zidane - ou mais espectacular - Neymar, Hazard, Robben. Podem ser omnipresentes - Ronaldo - ou divinos - Messi - mas estão sempre lá para fazer a diferença. O FC Porto 2015/16 não tem nenhum jogador dessas caracteristicas no plantel e há medida que a época avança, parece pouco provável que o venha a ter. O único jogador que pode encaixar nesse papel é Brahimi mas o ano passado deixou claro que o argelino é um futebolista que oscila demasiado entre o 8 e o 80 para ter e exigir o peso da equipa, o que se pede sempre a esses jogadores. Tem talento para ser um Deco mas não o perfil mental exigido. Será fundamental, quando estiver bem, para aportar esse desiquilibrio mas sempre desde a faixa lateral. É o único que sobra do plantel da épcoa passada onde Lopetegui contava com outros dois desiquilibradores natos, dos criativos únicos em perfis distintos. Por um lado havia Quaresma, o jogador que, quando abria o livro, não devia nada a ninguém no futebol mundial. Abria-o pouco, cada vez menos, mas tinha essa capacidade de "cair" no rival e desmontar defesas bem organizadas com um gesto técnico. Por outro lado Oliver Torres liderava desde a tranquilidade do passe certo no momento certo. A sua criatividade era cerebral, lendo o jogo, provocando desiquilibrios no espaço, movendo as peças a belo prazer, tanto em condução como com um só golpe no esférico. Sem os dois, a equipa ficou orfã.



Quem tem agora em mãos o treinador para esses papeis? Ninguém.
Sergio Oliveira e Ruben Neves são jogadores de bom toque de bola, que tanto podem servir nas transições em largo como no jogo rendilhado, mas não vão ser os alicerces criativos da equipa. Imbula, Herrera, Danilo, Evandro e André André são jogadores de um perfil similar, de ida-e-volta, box-to-box, com capacidade física, pulmão, sentido táctico apurado e boa leitura de jogo, mas sem a "magia" de dar o toque de graça no momento certo. Alberto Bueno tem a idade que tem e até agora, por onde passou, demonstrou ser um jogador seguro, "certinho", mas sem essa capacidade de improvisação genuina que se lhe exige a quem vai ser "criativo" em amplos sentidos. Nas alas, salvo Brahimi, estão os mesmos protagonistas. O vertical Hernani, um Ricardo que continua sem saber bem o que vai ser e um Tello bom no um par um, em diagonal, mas que só sabe um movimento, ainda que o utilize muitas vezes bem e para beneficio da equipa. Mas, em nenhum caso, é um jogador que a equipa pode sentir que vai pegar nela nos momentos mais dificeis.

A isso há que juntar dois factores. Existe, evidentemente, um overbooking no meio-campo. Lopetegui conta, actualmente, com oito jogadores para o que, em principio, seriam seis vagas - Sergio, Ruben, Imbula, Herrera, Danilo, Evandro, Bueno e André André. O mexicano ainda pode sair ou algum dos restantes (Evandro ou André) serem sacrificados. O que não abre espaço para esse "10" - Quintero, um projecto de 10 falhado, está aparentemente já fora destas contas e Otávio foi rodar um ano mais - que tenha alma de 8 como tiveram, no seu melhor momento, jogadores como Deco, Zahovic ou Lucho Gonzalez.
Por outro lado, e ainda que pareça que há petróleo para os lados de Contumil e arredores, não há fundos disponiveis para contratar um jogador desse perfil com impacto imediato - Oliver veio emprestado, Quintero foi um flop, James demorou o seu tempo a adaptar-se - e que faça esse elo de ligação com a equipa. Jogue Lopetegui no mesmo 4-3-3 ou no 4-2-3-1, esse perfil de jogador continua a ser necessário e os jogos até agora vistos só reforçam essa ideia. A equipa poderá estar tacticamente muito bem trabalhada, ser organizada e certinha. Mas sem as trivelas de Quaresma, os slaloms de Oliver ou os golpes de magia de um jogador desconhecido, o nosso modelo de jogo ofensivo tem todas as condições para ser previsivel. Funcionará no plano interno, seguramente, mas este plantel tem um "paper value" que exige uma ambição europeia significa e nesse cenário, como bem vimos o ano passado, a presença desse tipo de jogadores é chave.

Que pode o clube fazer?
Se tiver fundos e a certeza absoluta do impacto do jogador, esse perfil deve ser preenchido. Na dúvida, procurar, dentro do plantel, alguém que assuma esse papel ainda que, pela amostra e pelo que se viu no passado de todos os membros da equipa, nenhum parece ter no seu ADN a capacidade de ser o nosso maestro de cerimónias até Junho de 2016.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Uma Muito Importante Efeméride: o Título de 1984/85




Completaram-se este ano trinta anos do nosso titulo de campeões nacionais em 1984/85, uma efeméride que passou praticamente despercebida. Mas esse título foi importantíssimo, a vários níveis.

No historial do F.C. Porto, bem como no imaginário dos adeptos que conhecem a história do clube, o título de 1977/78, quebrando o famoso jejum de dezanove anos, acabou por fazer esquecer o significado de outros títulos nacionais posteriores. Mas a vitória no campeonato de 1984/85 teve vários significados muito importantes:

1. A verdade é que, em 1984/85 quebrámos outro "mini-jejum", que já vinha de 1979, ano do segundo título de José Maria Pedroto;

2. Tratou-se do primeiro título de campeão nacional de Jorge Nuno Pinto da Costa como presidente, o que lhe permitiu cimentar a sua posição de líder e calar as últimas vozes que ainda não tinham digerido o "Verão Quente das Antas" de 1980;

3. Foi também o primeiro titulo de campeão nacional de Artur Jorge, à sua primeira tentativa, e quando muita gente ainda exibia dúvidas quanto à sua capacidade;

4. Provou-nos que podíamos ganhar sem Pedroto. O grande Zé do Boné partira deste mundo em Janeiro de 1985, a meio dessa época, portanto. Nos vinte cinco anos anteriores só ele tinha ganho alguma coisa no F.C. Porto: dois campeonatos e três Taças de Portugal;

5. Mostrou a nossa renovada capacidade de fazer das fraquezas forças: no defeso anterior a essa época, o Sporting, servindo-se de uma cláusula muito portuguesa no contrato colectivo dos futebolistas (ainda existe contratação colectiva para eles?) tinha desviado dois nossos fundamentais jogadores, António Sousa e Jaime Pacheco. Tivemos que lançar às feras duas recentes contratações, Quim e André, os quais responderam magnificamente. Mas, mais que isso, servindo-nos da mesma bizarra cláusula, retaliámos, subtraíndo ao Sporting um dos maiores talentos de sempre do futebol português, o nosso caro e sempre estimado Paulo Futre.

O título de 1984/85 tem vários "pais", claro: Pedroto, cujo trabalho estivera na base dessa grande equipa, Jorge Nuno Pinto da Costa, homem de sangue frio e galharda atitude nessas difíceis circunstâncias, Octávio Machado, treinador-adjunto de grande gabarito, mas, fundamentalmente, o homem do leme, o técnico que, dois anos depois, nos faria agarrar o "grande caneco" numa célebre noite em Viena: Artur Jorge.

domingo, 26 de julho de 2015

Um Ensaio Trôpego



Foi fraquinho, mas estes jogos têm pouca importância do ponto de vista de resultado e até de exibição. Servem para aquecer os motores. Além disso, defrontámos o 3º classificado da Bundesliga.

PONTOS POSITIVOS

Em termos colectivos é difícil salientar pontos positivos, mas individualmente sempre se salientaram:

Aboubakar - tem sido insistente a notícia de que o FC Porto procura um ponta de lança, embora alguns dos nomes ventilados só possam cair no reino da fantasia, mas Aboubakar fez um excelente jogo, não só na sua comprovada eficácia de homem de área - excelente finalização no nosso golo - como no apoio que deu à equipa, recuando frequentemente.

Varela - Esta espécie de filho pródigo regressou com aparente vontade de impressionar. Há duas facetas "varelianas": a da molenga e a da eficácia. Esta última preponderou, especialmente na jogada do golo.

Marcano - não que tenha deslumbrado, mas cada vez me sinto mais seguro ao ver este homem no centro da nossa defesa. Decidido e firme.

PONTOS NEGATIVOS

O 4-4-2: não é o modelo que acho negativo, mas o modo como se apresentou. Jogar em 4-4-2 não é enfiar quatro médios, sejam quais forem as suas características, no meio-campo, e toca a andar. Se já temos uma monocórdica tendência a trocar a bola sem proficuidade, com quatro homens a meio-campo a coisa pode tornar-se verdadeiramente empastelante se entre eles não constar um tipo que seja capaz de furar "na vertical", como agora se diz.

José Angel - quando ataca até se lhe notam qualidades, mas na defesa este fulano chega a ser sobressaltante.

Maicon - bateu o recorde de biqueirada para a frente em toda a carreira, até agora detido por um voluntarioso central do Ramaldense dos anos 60. A FIFA presenteou-o com uma medalha comemorativa da efeméride. Não se confirma que vai para o Manchester United.


sábado, 25 de julho de 2015

O Zelota



«O termo zelota ou zelote (do grego antigo ζηλωτής, transl. zelotés, "imitador", "admirador zeloso" ou "seguidor"1 2 ), em hebraico קנאי, kanai (frequentemente usado na forma plural, קנאים, kana'im) significa literalmente alguém que zela pelo nome de Deus.»  Da Wikipedia

Os zelotas ficaram conhecidos no séc. I, mas o seu exemplo e inspiração não terminou na I Guerra Judaico-Romana. Pelo contrário, a sua sombra estendeu-se até aos nossos dias. Actualmente tendem a manifestar-se mais na internet, especialmente na blogosfera e nas "redes sociais". O perfil do zelota típico é o de um indivíduo que ronda a casa dos vinte/trinta anos (embora haja excepções), coisa que amiúde se nota na sua descontração sintática e modos rudes. Tem um grau de arrogância directamente proporcional ao do seu fanatismo. Só concebe um ponto de vista, o seu: todos os outros são hereges ou mal intencionados, numa palavra, têm uma "agenda".

O zelota não se preocupa demasiado em rebater racionalmente os argumentos daqueles que persegue: afinal de contas, os hereges só merecem a condenação às trevas eternas.

O zelota tem muitas certezas e muito poucas dúvidas. O zelota tem explicação pronta para todas as adversidades, pois sabe muito bem que as veredas do Senhor são íngremes. O zelota julga-se feliz, mas no fundo é um triste. Tem, contudo, uma grande ginástica. Os seus números de contorcionismo deixariam embasbacado o mais exigente espectador de circo.

O zelota será o primeiro a fugir do templo quando ele ameaçar ruir.


Imagem: estátua de Simão o Zelota na Catedral de Helsínquia

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Torre de Babel - o bom exemplo de Casillas

Pelo que tem transparecido em público Casillas tem tido até agora um comportamento exemplar, merecendo plenos elogios e não podendo estar mais longe de uma imagem arrogante ou de prima dona. Temos todas as razões para estar plenamente satisfeitos com a sua atitude (e da sua esposa), os sinais iniciais são encorajantes.

Gostei em particular da seguinte notícia (mesmo sendo um detalhe), ainda mais tendo em conta que o treinador e metade do plantel falam espanhol:

«O "El País" que o conta, num longo texto em que dá conta de outra preocupação das partes: começar com as aulas de português. Não que seja difícil para os colegas perceberam o que Casillas diz, mas porque o guarda-redes quer integrar-se da melhor forma possível no clube, na cidade e no país»

Para além da vantagem prática ao aprender a língua do país onde se vive, isto demonstra sem dúvida uma boa vontade que só pode granjear simpatia entre os colegas portugueses e brasileiros, dirigentes e adeptos em geral. Veio-me à cabeça o saudoso Bobby Robson, que se via grego com a nossa língua mas que, honra lhe seja feita, ao menos tentava.

Infelizmente muitos outros não fazem o mesmo esforço. É até mesmo a maioria... a mero título de exemplo temos um Jackson, que viveu aqui vários anos, e Lopetegui. E sobre este último (e de forma mais geral sobre os espanhóis) diz o El Pais:

«Julen Lopetegui se pelea con el idioma desde hace un año, aunque, para evitar malentendidos, prefiere hablar en portuñol en sus conferencias de prensa, idioma al que ya se han acostumbrado los portugueses, una vez visto que lo de lo españoles con el portugués no es de mala educación, sino, únicamente, incapacidad para aprender cualquier idioma»

Bem, antes de mais nada não sei o que o El Pais entende por «portunhol», mas para mim uma mistura 98% de espanhol e 2% de português (que é o que eu vejo, uma palavra solta em cada 50) certamente não chega para se poder falar nisso.

Em segundo lugar não deixa de ser irónico que digam isso a propósito de alguém que viveu até aos 19 anos numa região onde metade da população fala uma língua completamente distinta (basco).

De resto é grande «tanga» que os espanhois "tenham incapacidade para aprender qualquer língua" (já agora, será que incluem o espanhol na lista quando dizem isso?). Nota-se que se trata de um jornal de Madrid: duvido que um jornal de Barcelona, Bilbau, Corunha ou Valência afirmasse a mesma coisa... uma parte considerável dos espanhóis (nomeadamente dessas regiões) são no mínimo bilingues.

Mas mesmo excluindo esses bilingues catalães/bascos/galegos, por acaso conheço imensos espanhóis que falam bem outras línguas (ainda que muitos com um sotaque carregado, mas não é isso que está em causa); aliás, hoje em dia há imensos turistas espanhóis que viajam pela Europa fora e vêem-se obrigados a falar outras línguas (principalmente o inglês). Para nao falar dos emigrantes espanhóis (que houve muitos nos ultimos anos).

E certamente não me parece que tenham menos (ou mais) inteligência do que quaisquer outros povos.

O que se passa sim é que têm mais dificuldades iniciais do que outros países (como Portugal, Holanda, etc), principalmente na pronúncia, porque dentro de Espanha praticamente só ouvem espanhol (filmes/programas dobrados na TV, ...). Mas nisso não são nada diferentes dos franceses, italianos, alemães ou ingleses.

E se há língua fácil para eles aprender, é o português. Resumindo e concluindo: um espanhol (ou um argentino, mexicano, colombiano, ...) que viva em Portugal e não o faça é por pura preguiça (ou complexo de superioridade), o El País que não venha com histórias da carochinha. Ainda para mais quando vocabulário para um jogador ou treinador de futebol não é muito extenso, e quando este tipo de imigrantes se pode dar ao luxo de pagar a um professor para se deslocar a sua casa dar lições privadas conforme lhes der mais jeito.

Ninguém espera que comecem a recitar os Lusíadas, ou que falem sem um forte sotaque.

O que lhes vale é que os portugueses são mais simpáticos do que outros povos nestas coisas. Por exemplo, um jogador ou treinador alemão q vá para a Holanda (para pegar noutro exemplo de um tipo de um país grande a ir para um país pequeno em que as línguas são bastante parecidas) e ao fim de um ano fale apenas em alemão está «feito ao bife». Seria crucificado. Já agora, ainda não vi um jogador (ou treinador) português em Espanha a não aprender espanhol.

Como nota final e voltando a Casillas: para já trata-se apenas de declarações de intenções, mas se levar isso por diante espero que o bom exemplo faça escola entre os colegas. Claro que não exigimos isto aos jogadores (o que mais importa de longe é o rendimento, obviamente), mas seria um sinal bem-vindo de boa vontade.

PS - por razões pragmáticas usei o termo «espanhol» para a língua, mas o termo correcto é «castelhano».

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O FRADE MENDICANTE


Parece que o conhecido frade mendicante José Mário Félix proferiu umas declarações condenatórias dos gastos de algumas paróquias portuguesas neste Verão.

A inveja é um sentimento baixo, ao qual, contudo, nem certos religiosos escapam. No fundo, eles também são homens, e por isso pecadores. Mas a misericórdia é uma virtude de que o bom cristão deve fazer uso. Como tal, há que compreender a frustração de Frei Zé Mário, que há anos habita conventos que vivem de esmola, com priores avarentos que nem um rublo lhe dão (Frei Zé Mário tem convivido bastante com a Igreja Ortodoxa Russa). Por isso, ao ver a ostentação que vai por certas paróquias, o bom do frade não se conteve e manifestou publicamente a sua inveja, disfarçada de indignação dos justos.

Por este andar ainda chega a Dom Prior.
   

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Uma entrevista deselegante e contraditória

Pinto da Costa deu uma entrevista ao jornal El Pais, a partir do Dragão, capitalizando o eco mediático que as primeiras semanas de Casillas no Porto estão a provocar na imprensa espanhola. Nada mais normal e resultado de um bom trabalho do gabinete de comunicação do clube, que tem sabido posicionar-se correctamente nesta onda de "histeria" em Espanha com a saída de Casillas do seu clube de sempre. Não é qualquer dirigentes desportivo estrangeiro que tem honras de video-reportagem no El Pais - com leitores em toda a América Latina em valores muito superiores ao que tem em Espanha - e isso é sempre de saudar como reconhecimento mediático da aposta no guarda-redes espanhol.

A entrevista, em si mesma, teve um pouco de tudo. Pode ser lida aqui na integra.
Houve coisas óbvias - como é natural que haja - houve confissões que interessam mais à imprensa espanhola que a nós (a história Messi vs Ronaldo) e afirmações interessantes. O que houve, sobretudo, foi contradições e deselegâncias que não trazem nada positivo e que espelham bem o distante que está o presidente do Porto da sua melhor versão, aquele autêntico génio mediático que fazia parar o país com cada entrevista que concedia. A idade nota-se, cada vez mais, em cada intervenção, o que não deixa de ser algo absolutamente  natural. Poucos dirigentes se mantêm no activo com esta idade e não parece haver sinais de que Pinto da Costa pare neste último ano de mandato. Talvez seja essa falta de memória ocasional que o passar do tempo provoca ou talvez seja, pura e simplesmente, uma acção deliberada e selectiva. Isso é algo que cai no campo da imaginação pessoal de cada um, a verdade só ele a tem. E seguramente, não a vai partilhar.

O certo é que Pinto da Costa, nessa mesma entrevista, tocou em alguns pontos relevantes:

a) pela primeira vez, sem piedade, acusou o Benfica de ter sido campeão com erros arbitrais para justificar o ano sem titulo de Lopetegui à imprensa espanhola (essa era a pergunta original). 

Ora, se algo foi criticado, por grande parte dos portistas, foi precisamente a passividade e o silêncio de PdC - e da SAD - ao longo do ano, e como Lopetegui foi forçado a aguentar sozinho o peito às balas. Sair agora, já com a próxima época mais perto que a anterior, a falar num "pseudo estudo" que ainda para mais é pouco realista (o Benfica teve muito mais de sete pontos a mais do que devia) para justificar o que, durante o ano, se calou, é uma contradição. Faltou voz mais critica durante o ano. Criticas a posteriori valem de pouco. Se PdC eestava consciente - claro que estava, estavamos todos - de que o Benfica estava a ser levado ao "Colinho", porque não disse o mesmo durante o ano? Porque é que, desde o Apito Dourado - um tema tocado ao de leve e esquivado - se ouve cada vez menos Pinto da Costa falar dos erros de arbitragem que prejudicam o clube e se deixa os treinadores (como Jesualdo e Vitor Pereira bem sabem) como únicos porta-vozes? Não vale estar calado de portas para dentro para depois ir lá fora dizer algo que, além de ser óbvio, devia ter sido feito internamente. Não foi.



b) PdC por um lado reclamou que sempre está ao lado do treinador e que são escolhas pessoais e por outro deixou cair a alfinetada de que uma equipa com Falcao, Hulk e James só podia ganhar titulos, retirando mérito aos seus treinadores.

Foi uma frase sem qualquer tipo de contexto e que apenas fica mal ao presidente. Deselegante é o minimo que se pode dizer. Jesualdo teve Falcao e Hulk e perdeu uma liga por um escândalo arbitral. Villas-Boas teve os três e ganhou tudo, mas James era ainda um actor muito secundário e sugerir que qualquer treinador tinha feito o mesmo é retirar todo o mérito a um ano memorável. Não faz sentido. Por fim, Vitor Pereira teve Hulk e James mas passou um ano sem avançado e ainda assim foi campeão nacional. PdC pode afirmar isto como desculpando a Lopetegui não ter essas figuras mas nenhum desses jogadores era o que é hoje na altura em que aqui chegaram e deixar no ar a velha ideia que sempre reinou no Dragão de que se ganhavam titulos em "piloto automático" entra em contradição com a velha politica de escolher treinadores a dedo. Ou se escolhe treinadores porque se acredita na sua valia e competência ou se acha que qualquer um é capaz de ganhar e então não há mérito na eleição, a tal ponto de a mesma ser catalogada de ser "indiferente".
Foi Vitor Pereira um treinador indiferente para si, senhor presidente? Foi-o Villas-Boas? Foi-o Jesualdo? Se quiser esclarecer, tomaremos nota!

c) "Caros são os que não jogam!"
Essa frase, lapidar, faz parte de qualquer manual de gestão de grupo. Se só podem jogar 11 e se contamos com 25, convém que parte desses 25 sejam baratos o suficiente para rentabilizar o investimento nos 11. Ter 11 jogadores muito bons só compensa, financeiramente, se podemos permitir-nos ter outros 11 não tão bons mas que cumpram o papel. Ou isso disse Pinto da Costa.

Na prática, não há maior contradição possivel na entrevista.
Pinto da Costa, necessitado de justificar o investimento deste ano tanto no valor de passes - Imbula - como no aumento da banda salarial - Imbula, Maxi e Casillas...de momento - optou por outro salto em frente dizendo o óbvio, é preciso saber gastar bem e, se gastamos muito numas fichas, temos de poupar noutras. O curioso é que o FC Porto tem feito, nos últimos 10 anos, precisamente o oposto. O clube contratou dezenas de jogadores e dessas dezenas uma percentagem altamente relevante, a rondar os 35%, nunca trouxe nada ao clube. Excluímos já dessa lista as apostas que tinham tudo para dar bem e não deram, porque ninguém é infalivel e todos cometem erros. Mas mesmo excluindo esses casos, num clube com os problemas de financiamento do FCP 35% é uma cifra muito significativa. Que o homem que sancionou essa politica - e essas cifras - seja o mesmo que agora a renega como se nada fosse com ele, deixa perfeitamente clara a falta de critério em alguns negócios do clube. O plantel não teve dinheiro para ser investido nos anos pré-Lopetegui (e tanto Vitor Pereira como Paulo Fonseca sofreram isso na pele, ao contrário do espanhol que teve sempre quase tudo o que pediu) mas nesses anos o FC Porto continuou a ir atrás dos Djalmas, Sebas, Sammir, Quiñones, Izmailovs e companhia, continuando a pagar os seus salários durante anos sem nenhum retorno financeiro. Um mea culpa? Não, para quê? Se basta virar o rumo do navio para o lado oposto que ninguém se dá conta que o sol ficou do outro lado. Sempre e quando haja resultados - e o problema, para alguns, tem sido a ausência dos mesmos - tudo vale como politica.

d) o caso Artur Jorge. Felizmente há ainda quem tenha memória. Pinto da Costa saca peito de ter "descoberto" um Artur Jorge que ao "descer" o Portimonense era a escolha mais improvável, dando a sensação de que o FCP foi campeão europeu em Viena por um golpe de asa seu.

Todos os que conhecem a fundo a história do Porto sabem perfeitamente que, desde 1980, que Artur Jorge ia ser treinador do clube. Isso foi seis anos antes de ter sido contratado. Artur Jorge tinha, inclusive, um pre-acordo assinado com Pinto da Costa, a pedido de Jose Maria Pedroto, para tomar conta da equipa, uma vez que o "Zé do Boné", depois do bicampeonato, tinha tomado a decisão de passar a um posto de "Manager" com o "Rei Artur" como treinador de campo. O "Verão Quente" acabou com essa possibilidade. Pedroto, fiel á sua palavra, recrutou Artur Jorge para a sua equipa técnica em Guimarães e quando voltou ao Porto, apalavrou com Pinto da Costa e Artur Jorge que, uma vez que a ordem voltasse a estar estabelecida no clube, o plano original era recuperado. Morais, um treinador querido por jogadores, adeptos e alguns dirigentes, nunca esteve realmente destinado a treinar equipa, e só o agravar da condição de Pedroto o colocou como treinador principal no final da época 83/84. Pinto da Costa sabia que Artur Jorge - até porque Pedroto ainda vivia e nessa altura a sua palavra ainda era "lei" - seria o treinador para 84/85 independentemente do que sucedesse com Morais. Mas a memória não só é selectiva. Também pode ser traiçoeira. O que não retira - porque é impossivel - o absoluto mérito de Pinto da Costa nos seus longevos dias de cem anos

PS: Originalmente a data inserida, no caso do Artur Jorge foi, erroneamente, a de 1980. A mesma foi corregida, a história pertence a esse momento no tempo.

terça-feira, 21 de julho de 2015

SMS do Dia

Não é que me interessem muito as politiquices (normalmente baixas) do futebol português, mas por que razão o Duque, que servia para seis meses, já não serve para um mandato completo? E será verdade que se perfila no horizonte uma candidatura do Apito de Platina? Já agora: com o esvaziamento dos poderes da Liga, quer-me parecer que o principal interesse no seu controlo reside nos seus votos nas assembleias eleitorais da FPF.

A Bola pinchou!

Maxi e Casillas
A contratação de Maxi tem agitado as redes sociais; tem havido muitas críticas à direcção da SAD a propósito (e a despropósito) pelo facto desta contratação ter sido feita à revelia da cultura, da memória e do perfil de jogador à Porto. Outros não a reprovam e consideram que o FCP geriu bem esta oportunidade. Os do “Sim” e dos “Não” digladiam-se freneticamente num ping-pong, redundante e cansativo. A família está desavinda. Trocam-se insultos. Extraordinário, se não fosse lamentável!

Sou dos que não detectou qualquer contraindicação quanto à contratação de Maxi. Mais: acho que vai ter um desempenho profissional de qualidade. Sei que alguns considerarão esta opinião uma heresia, mas estou disposto a correr o risco. Já li coisas desagradáveis por ter esta atitude. És um colaboracionista, um vendido, gritaram. Não havia necessidade. Que deselegância, para ser elegante.

Quando comecei a ver a bola, a contratação de um jogador era para toda a vida, desde que o clube o quisesse. Obviamente que a longa duração contratual cimentava a ligação do atleta ao clube, mas tinha a inconveniência da acomodação num tempo em que o profissionalismo era pouco exigente e a estrutura amadora. As regras mudaram e as leis do mercado, apesar dos travões que o futebol ainda consagra, passaram a influenciar e a determinar as regras do negócio. Como na relação o capital tende a ser dominante, os sócios tendem a ser empurrados para a condição de consumidores. E isso é uma mudança radical que tem sido atenuada pelo facto dos clubes serem os administradores das SAD`s. Mas o laço aperta e é uma ameaça.

Apesar desse aperto, o futebol tem progredido e as melhorias são consideráveis: nas leis do jogo, na defesa dos direitos dos atletas, no aspecto técnico e táctico, na preparação física e na metodologia do treino, na arbitragem e na defesa de um desempenho que privilegie a qualidade. Falta uma regulação que funcione e limpar as estruturas supranacionais. E os sócios ousarem ir além das redes sociais.

O tema Maxi foi lançado como um dos erros maiores da gestão de PdC e como prova do seu declínio. Mas o tiro saiu ao lado, porque a discussão se centrou mais no pecado original do jogador que no presidente. Ora a contratação de Maxi é uma opção discutível mas não é estratégica, por assim dizer, e tem pouco para correr mal, na minha opinião, em termos de desempenho desportivo. Rui Águas encontrou, quando chegou ao Porto, um ambiente de hostilidade de jogadores e adeptos. Foi, com o regresso de Artur Jorge, finalmente integrado, e cumpriu de forma exemplar. Não estou de acordo com o discurso hostil relativamente a Maxi que é apenas um jogador que foi do SLB. Espero que o Maxi consiga ultrapassar este desprezo que rudemente se instala em nome da memória de não sei o quê. Espero que os adeptos se comportem de forma civilizada porque o desprezo não se deve intrometer: hostilizar um jogador que está ao nosso serviço e defende as nossas cores é incompreensível.

Esta fase alargada e tempestuosa em que o futebol se rende em demasia a interesses pouco condizíveis com o desporto profissional que acomodou e respeitou a força e alma dos sócios, tende a torna-lo um corpo estranho e disforme que se entranha no cumprimento de uma lógica de mercado cheio de duvidosos apetites e excessiva intermediação. Este cenário cresce de forma desmesurada na pré-época e sem o cheiro da bola e o apetite do jogo, torna-se insuportável, porque é o que se vê mais e não é bonito. O actual estado da coisa, deixa-me sempre muito incomodado porque o temo, porque não representa a história e duvido que seja sustentável. Não tenho chave para o problema.

Estou preocupado com a reformulação do plantel. Há muitos alvos, demasiada fuga de informação e ainda muita mexida por fazer. Temos a continuidade do treinador o que é positivo a meu ver mas não o é para muita gente, mas se a coisa não correr de forma compatível com as espectativas que criou, e foram muitas, temos o caldo entornado ou pior, porque o desalento pode dar em desistência.

Aleluia, Aleluia a bola pinchou, o FCP ganhou, o Brahimi encantou, o Sérgio confirmou, a cor de cacau passou e o povo portista serenou.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Regular excedentes, necessidade absoluta

A politica ambiciosa de contratações - as incorporações de Iker Casillas, Maxi Pereira, Imbula, já confirmadas e as "possiveis" de João Moutinho e Aleksander Mitrovic - dicta claramente o ritmo a que segue a planificação de temporada. Depois de um ano de investimento imediato mas sem um desembolso financeiro considerável (jogadores a custo zero e emprestados da liga espanhola) agora o objectivo é dotar de experiência e jogadores caros (seja no passe, seja no salário) para recuperar o titulo de liga e voltar a dar cartas na Europa. 

Considerações à parte sobre essa politica há algo imperioso para procurar equilibrar, de algum modo, a balança. As saidas de Danilo, Jackson, Quaresma e Casemiro desafogaram o topo da lista entre os mais bem pagos (ficou Tello), mas esta já foi imediatamente ocupada (e com juros). O caminho que o clube pode, deve e já está a seguir é um já reclamado há muito tempo, desde que se implementou uma politica de "contentores", como se chamou, onde havia um claro excedente de jogadores nos quadros do clube que não traziam nada de novo ao plantel. Esse excedente continua a existir e é preciso ser cortado pela raiz. Para um clube das nossas caracteristicas ter um Casillas ou um Moutinho (de regresso) é preciso deixar de ter, e já, muitos Carlos Eduardos, Josués, Andrés Fernandez, Opares e afins. Jogadores cuja aportação desportiva foi/é minima e que cobram o seu salário regularmente sem trazerem nada de novo. Envia-los para novos destinos (preferencialmente com vendas ou com o clube de destino responsável do seu salário) é forçoso para encontrar uma especie de equilibrio cada vez mais complicado. O FCP tem mais de duas dezenas de jogadores nos seus quadros que não pertencem ao primeiro plantel ou não estão nas contas de Lopetegui e nesta lista excluo já, à partida, os futebolistas de formação. Uma segunda equipa paralela que não faz sentido que continue nos quadros do clube. Não serve desportivamente, é um lastre económico e se é verdade que alguns vêm como algo util ter jogadores emprestados noutros clubes portugueses para manter sobre eles uma certa influência (politica popular, tanto no Porto como no Benfica desde os anos noventa), o facto de alguns desses jogadores andarem perdidos pelo estrangeiro sem qualquer seguimento anula, de certo modo, essa filosofia.

Felizmente a SAD está atenta a essa necessidade e tem trabalhado nesse sentido. 
Foi um problema que criaram - há contratações que, desde o primeiro dia, todos sabiamos que faziam pouco sentido - e que devem resolver quanto antes. O poder na gestão do plantel de Lopetegui, superior ao dos seus antecessores, também engrossou essa lista. Talvez um Vitor Pereira estivesse disposto a ficar com este ou aquele jogador, dar-lhe alguns minutos, mas Lopetegui não está pelos ajustes (ele que, também, foi responsável por algumas dessas incorporações) e sabe com quem quer trabalhar e quem não se enquadra na sua filosofia. É nessa lista que o clube tem de trabalhar para que não exista uma especie de Porto C por esse mundo fora. As saídas anunciadas de Carlos Eduardo e Kleber são um óptimo sinal nesse sentido. Ambos jogadores tiveram a sua oportunidade e, noutro cenário, podiam perfeitamente ser parte do plantel como fundo de armário. Mas no contexto actual- de elevado investimento - nota-se me excesso a diferença de qualidade que apresentam em comparação com outras opções. A venda desses dois activos representa de forma perfeita o que é necessário fazer com vários outros jogadores. Vão para mercados periféricos onde há dinheiro. O clube ingressa o que pode por apostas que não resultaram e livra-se de lhe pagar os salários. Um Win-Win em toda a regra.



A partir desse pressuposto há vários dossiers que há que trabalhar até ao final de Agosto. 
Jogadores que podem sair por empréstimo ou em venda definitiva (ainda em, alguns casos, com opção de recompra) para regular o peso do navio. Tal como as saidas da dupla de brasileiros é absolutamente lógica, também o é o empréstimo de Diego Reyes (sem opção de compra) à Real Sociedad e o eventual empréstimo de Juan Quintero ao Bologna (sem opção de compra). São jogadores que vão para os seus dois potenciais mercados (Quintero veio de Itália, Reyes assinou pelo Porto recusando equipas espanholas), exibir-se como potenciais titulares, contra rivais de nivel superior ao da liga portuguesa e que, se funcionarem, permitem ao clube negociar a partir de uma posição favorável. E - no improvável caso - de darem um importante salto de qualidade, poderão voltar ao plantel.
Distinto é o caso de Andrés Fernandez. Foi um erro de casting por assumir e agora em Granada - um clube amigo via Doyen - vai rodar para ser vendido a posteriori, a sua recuperação nem sequer se discute. A mesma situação aplica-se a Ghilas, cuja culpa de não estar no plantel é exclusivamente sua e da sua atitude (reproduzida em Espanha, aliás). Mas, cuidado com esses empréstimos. Os últimos Relatórios de Contas foram evidentes, os empréstimos dão prejuizo no modelo actual. Ou o clube que fica com o jogador para o seu salário ou o melhor é forçar a venda, ainda perdendo dinheiro à primeira vista. A SAD sabe perfeitamente dessa situação.

A partir destes nomes há uma lista variadas que podemos englobar em duas visões paralelas.
As que seguem a estela Reyes e, eventualmente, Quintero, jogadores que convém emprestar por um ano (com salário a ser pago pelo clube destinatário) para uma derradeira prova de fogo, e os jogadores que haveria de vender a todo custo de forma a aligeirar essa carga salarial. E vamos excluir a formação - Rafa, Gonçalo, David Bruno, Ivo Rodrigues, André Silva, Francisco Ramos - desta equação. Jogadores a quem um ano na equipa B já não traz nada e que podem potencialmente servir, num futuro próximo, ao plantel principal.

No primeiro grupo - a imitar o exemplo de Otávio que volta a Guimarães - estão Kayembe e Victor Garcia, contratados para a equipa B (e portanto não são formação) mas que precisam de minutos como titulares o mais depressa possível. Urge tê-los por perto, clubes portugueses, partilhando o salário mas com seguimento exaustivo. A prova dos nove.

No segundo falariamos de Josué (outro erro de casting), Kelvin, Caballero (emprestado a um clube suiço sediado no Lieschtein pela alma de quem?), Ricardo Nunes, Tiago Rodrigues (idem), Quiño, Ba, Djalma, Sami, Licá, Bolat, Opare, Rolando, Pedro Moreira, Izmailov e o inanarrável Adrian Lopez. Futebolistas que - por um motivo ou outro - não deveriam ter pertencido aos quadros em primeiro lugar (excepção feita a Kelvin e Rolando) e que são um peso morto para as finanças do clube. Se queremos contar com Casillas e Moutinhos é aqui onde temos de começar a cortar.

São, mais homem menos homem, quinze futebolistas a que podemos juntar ainda outros dos quais detemos percentagens nos passes que convinha que nos livrassemos num futuro não muito distante e que todos os anos lá vão aparecendo no Relatorio de Contas (Walter, olá). Uma autêntica equipa C que só nos prejudica. Se algum desses jogadores for realmente bom para o futuro (e há muito poucos que encaixam nesse perfil) então que se vendam com opção de recompra. Tal foi feito, por exemplo, com o Tozé que encaixa no perfil do Sergio Oliveira. Veremos daqui a um par de anos como se safa em Guimarães. Um FC Porto com um plantel principal de 24 jogadores e uma equipa B que faça a ponte com outros tantos jogadores - incluindo meia dúzia que saltem, nos treinos e convocatórias - entre um e outro, é o cenário ideal. A esse juntem meia dúzia de jogadores que não encaixam na B mas ainda não servem para A e temos o plantel ideal para o FC Porto do futuro. 

Tudo o resto são, inevitavelmente, sobras. Sobras caras e que em nada ajudam as contas no fim do trimestre. A SAD está a fazer o trabalho de casa como os sinais do mercado têm evidendiciado. Têm um mês e meio para dar vazão aos restantes jogadores. Estaremos atentos!

domingo, 19 de julho de 2015

Bora lá então vender camisolas

Penso que anda muita gente com a cabeça nas nuvens pensando que só com o lucro das receitas extra de merchandising - em camisolas, acima de tudo - o FCP vai conseguir pagar o salário ao Casillas. Sim, vai ajudar um bocadinho, mas muito menos do que alguns sonham. Acho que se conseguirmos fazer 100mil € extra/ano de lucro em camisolas já seria bom. O dobro seria fantástico.

Dizem alguns que só em vendas online para fora de Portugal vamos fazer um balúrdio.

Vamos?

Para começar dava jeito que os estrangeiros (ou até mesmo emigrantes!) pudessem comprar na loja online oficial do FCP. Se calhar não era uma má ideia, sei lá.

O site oficial do FCP deixa imenso a desejar, como se constata no seguinte:

1) O FCP tem tido imensos jogadores de língua espanhola ao longo dos últimos 15 anos (colombianos, argentinos, espanhóis, mexicanos, uruguaios etc). Não é de hoje, nem de há 5 anos. Muito se falou na simpatia granjeada pelo FCP na Colômbia desde que o Falcao veio para o FCP, já agora. Pois bem, no ano da graça de 2015 (e quando parece que já não vamos ter um único colombiano no plantel)... o site oficial do FCP ainda não tem versão em espanhol: apenas português e inglês.

2) Na versão inglesa do site, aparece um link para a «STORE» (muito «envergonhado», para o fundo da página). Os mais determinados em encontrar a loja online ao encontrar esse link e clicando nele encontram isto. Game over, dude.

3) Os emigrantes e os poucos estrangeiros audazes que tentarem prosseguir a visita da loja online na versão portuguesa (e vá lá que no «pulldown menu» para a lista de países disponíveis não aparece uma Colômbia mas aparece um México e Espanha, menos mal), deparam-se com o seguinte «pequeno» problema na altura de fazer «check out» e concluir a compra: é obrigatório dar um número de telemóvel. 

Ok, no big deal. Mas infelizmente e pelo que vi só aceita # de telemóvel portugueses e não do país correspondente à morada, já que ao preencher esse dado aparece isto: «Erro! Número de caracteres insuficientes». Agradecia que quem ler isto e viver em outros países no estrangeiro façam uma simulação e partilhem o resultado na caixa de comentários.

Enfim, há muitas outras coisas no site que são amadoras mas os três pontos que mencionei anteriormente parecem-se ser de uma negligência tremenda. É que são problemas muito fáceis de resolver (não estamos a falar de um re-design do site) e há já muitos anos que os adeptos assinalam o amadorismo do site (mas nem precisavam). Acho que não há desculpas possíveis (incluindo um hipotético problema de contrato. O contrato actual por acaso já foi feito há 10 anos? Claro que não, este problema passou de contrato para contrato. Nunca foi amendado? Não pode ser amendado?).

Enfim, pode ser que com a vinda do Casillas seja agora que finalmente vão fazer alguma coisa sobre isto. Não era mal visto que o fizessem antes que o último mexicano, colombiano e espanhol do FCP se fossem embora.

sábado, 18 de julho de 2015

Ponto da situação



Distraídos com Casillas, vamos lentamente encolhendo os ombros ao que
a Quaresma diz respeito.
O técnico não perdoa jamais aquele abraço ao "inimigo" e não descansou
enquanto não o viu pelas costas. A entrevista ao "Expresso" foi apenas mais um pretexto.
Lamento, mas o presente curriculum de Lopetegui ainda não autoriza tamanha
carta branca de dispensar jogadores apenas pelo seu comportamento fora
do campo.
A exigência extrema usada pelo treinador basco contra alguns (em
contraponto com a brandura com que aceitou uma péssima temporada a
Adrian Lopez, premiando-o até com um inusitado regresso num jogo tão decisivo
como aquele de Belém, que determinou a perda do campeonato), deve ter
correspondência na forma como os adeptos o avaliarão nesta temporada.
Se Lopetegui chamou a si o controlo completo sobre o futebol do nosso
clube, deve ser responsabilizado desde o início.
Chegamos ao cúmulo de ter no plantel um jogador que faz tudo para sair
(Rolando), ao mesmo tempo que se dá um pontapé a um outro que pretendia
manter-se fiel ao nosso clube.

Para mais nos distrair do essencial, temos agora o ingresso de Maxi Pereira.
Comecemos pelas "cambalhotas" que muitos terão que dar.
Não será este o melhor exemplo, mas frequentemente confunde-se atletas/treinadores que pontualmente representam o slb com os adeptos e/ou dirigentes do mesmo.
Por exemplo, constata-se agora abundantemente que era um erro colar
Jorge Jesus ao clube da águia.
Ou seja, critique-se de forma mais equilibrada quem está num dado momento ao
serviço dos clubes lisboetas pois não sabemos o que o futuro nos reserva.
Maxi Pereira excedeu-se em relação ao nosso clube mas não o confundamos
com um Barbas ou com um José Eduardo Moniz.
A verdade é que, quando ele estiver em Montevideu, daqui há uns anos, a gozar a sua
reforma dourada, tanto lhe fará que ganhe o FCP ou o slb.
O problema do uruguaio é outro: até ao momento, não demonstrou
valor suficiente que prognostique um grande sucesso no FCP. E isto deveria
ter bastado para vetar a sua vinda, por muito tentadora que esta surgisse ao olhos de Pinto da Costa.

E, enquanto desperdiçámos energia com estes e outros casos menores, o ponto
actual da situação é a seguinte: a eventual mais-valia da vinda de Casillas (e esta apenas em relação a Fabiano, entenda-se) não compensa a perda de Jackson, sendo que esta ainda não foi colmatada.
Alias, mesmo que o sérvio do Anderlecht venha, a coisa não ficará totalmente resolvida.

Tudo isto somado, resulta que hoje, dia 18 Julho, não estamos mais fortes do que em 2014/15.
A ligeira vantagem que tínhamos há um mês, com as trocas de treinadores nos rivais, está a escapar perante as nossas próprias inúmeras mexidas.


sexta-feira, 17 de julho de 2015

SMS do Dia

Já vieram Imbula, Casillas, Bueno e Maxi Pereira, para citar apenas os mais sonantes. Fala-se em Mitrovic, Llorente e Moutinho. E um centralzinho, daqueles que cheiram a cavalo e metem medo ao mais afoito, não se arranja?

O que é um jogador à Porto, afinal de contas?

Como sabemos muito bem, Pinto da Costa elogiou Maxi Pereira como sendo um «jogador à Porto». 

Pessoalmente vi isso muito mais como alguém que está a «vender o seu peixe», para usar a metáfora, do que fruto de uma convicção pessoal, mas não excluo que ele acredite mesmo nisso. Só ele sabe.

Mas o que é afinal um «jogador à Porto»? Este artigo não é só sobre o Maxi (para isso tivemos o artigo de ontem), mas sim para abordar de forma mais geral o que entendemos pela expressão.

Bem, a resposta é por natureza subjectiva: ninguém detém a resposta certa. Mas há alguns consensos. Uma condição que é frequentemente mencionada é ser um jogador «que dá o litro». Outra é ser «aguerrido».

Mas isto chega? Para mim não. Para mim um «jogador à Porto» inclui também as seguintes características:
  • é um jogador humilde (embora tenha um ego saudável, não se indo abaixo ao primeiro contratempo - alô Semedo). Ou seja, não se põe em bicos de pé nem muito menos se arma em prima donna.
  • é um jogador ambicioso e inconformado. 
  • é um jogador que sente a camisola do FCP e por isso «come a relva». Não precisa ser prata da casa ou portista de pequenino (vide Deco), nem muito menos precisa de sonhar em acabar a carreira no FCP, mas demonstra senti-la: sofre verdadeiramente com as derrotas do clube. Um exemplo clássico disso foi a atitude de Jorge Costa numa célebre derrota em Belém. Um jogador «profissional» dá 100%; um jogador profissional que sente a camisola FCP dá 110%. Ora como consequência lógica para mim não se sabe se um jogador é jogador «à Porto» ou não antes de... o demonstrar no FCP.
Isso para mim é o fundamental. Mas para além disso e em menor medida:
  • não é por natureza um jogador maldoso. Pode ser até bastante faltoso, mas não maldoso.
  • não é por natureza um jogador trapaceiro ou fiteiro (que isso aconteça raramente acontece a todos, infelizmente o mundo do futebol é assim). Admito sem problemas que já tivémos jogadores assim (não é exclusivo dos rivais), mas o que isso significa para mim é apenas que... esses jogadores em questão não eram jogadores à Porto.
Jogadores como Jorge Costa, Bruno Alves, João «Broas» Pinto, Rui Barros, Deco foram jogadores à Porto, cumprindo os meus critérios pessoais. Já outros dos nossos ídolos não, falhando claramente em um ou mais requisitos (Bibota, Madjer, Jardel), mas também não deixam de ter sido ídolos meus por causa disso.

Há quem diga, relativizando, que aos olhos dos lamps alguns dos exemplos que dei também falham nos meus critérios. Que Jorge Costa era um jogador maldoso, por exemplo. Ou que Deco era um fiteiro inveterado.

Pois bem, com todo o devido respeito eu estou a borrifar-me para o que eles pensam. Eles também acham que ganharam o último campeonato de forma limpinha, mas isso não muda de todo a minha convição de que sem colinho nunca teriam sido campeões. Portanto: não, não acho que Jorge Costa fosse por natureza maldoso ou Deco um fiteiro inveterado. Apesar de reconhecer que também já tivemos jogadores assim, e de reconhecer que já houve e/ou há jogadores no slb com potencial para serem jogadores à FCP. Posso ter óculos azuis e brancos, mas não sou cego.

Pegando no exemplo Maxi Pereira, para mim ele falha claramente em alguns dos critérios acima, por muito que dê o litro. Mais: é um símbolo-mor do «manto protector» que tanto criticamos ao slb, e depois de tudo o que disse e fez ao longo de oito anos no slb não vejo como algum dia possa vir a sentir verdadeiramente a camisola do FCP.

Há quem assinale que Moutinho (que já agora penso preencher em boa medida os meus critérios para «jogador à Porto», ainda que não totalmente) também era um símbolo do SCP. Sim, era um símbolo do SCP, mas não era um símbolo do que detestamos no SCP.

Resumindo e concluindo: é bem possível que Maxi venha a demonstrar ser 100% profissional no FCP (e é para isso que é pago, e muitíssimo bem pago). É também possível (mas menos provável) que demonstre ter arrepiado caminho completamente no que diz respeito à maldade e batotice inveterada. É até mesmo possível (mas extremamente improvável) que nos próximos 3 anos venha a sentir verdadeiramente a camisola do FCP, e o demonstre.

Mas que para mim ele hoje não é um jogador à Porto, lá isso claramente não é. You´ve got to earn it.

Termino com uma pergunta para reflexão: até há umas semanas atrás Maxi era visto pela maioria dos adeptos lamps como um «jogador à benfica». Será que «jogador à Porto» e jogador à benfica» afinal é a mesma coisa?