quarta-feira, 19 de julho de 2017

Portistas nas páginas de A BOLA

Nortada, Miguel Sousa Tavares (A BOLA, 18-07-2017)

«Os factos reportam-se a um jogo Beira-Mar - FC Porto, a quatro ou cinco jornadas do final de um campeonato que o FC Porto haveria de vencer tranquilamente com, salvo erro, uns 14 pontos de avanço sobre o segundo classificado – o Sporting. Ou seja, os 6 pontos retirados foram só para mostrar serviço. Recorde-se ainda que, nesses gloriosos dias, o FC Porto era treinado por José Mourinho, a sua superioridade interna era imensa e incontestável e estava a dias de se sagrar campeão europeu. Enquanto isso, o Benfica terminaria o campeonato a mais de 20 pontos de distância, em quarto lugar, atrás do Vitória de Guimarães.»
O que é feito de Carolina Salgado?
Miguel Sousa Tavares, A BOLA, 18-07-2017


O Miguel Sousa Tavares (MST) confunde algumas datas e factos (algo que, por vezes, acontece nas suas crónicas semanais publicadas na A BOLA), mas a mensagem essencial da crónica desta semana, além de pôr o dedo na ferida, é perfeitamente clara e correta.

As duas versões do livro de Carolina (jornal SOL, 08-09-2007)

Juiz acusa Carolina de mentir (O JOGO, 01-07-2008)

O célebre Beira-Mar x FC Porto, arbitrado por Augusto Duarte e que terminou empatado (0-0), foi disputado na época 2003/2004, jornada 31. Isto é, a quatro jornadas do fim desse campeonato e a cerca de um mês do FC Porto se sagrar campeão europeu em Gelsenkirchen, no dia 26 de Maio de 2004.
A equipa do FC Porto (treinada por José Mourinho) ganhou esse campeonato com 82 pontos. Mais 8 pontos que o SLB (2º classificado) e mais 9 pontos que o Sporting (3º classificado).

O campeonato que o FC Porto ganhou com 20 pontos de avanço (mais tarde reduzidos a 14) foi quatro anos depois, na época 2007/2008.
A equipa do FC Porto (orientada pelo prof Jesualdo Ferreira) terminou esse campeonato com 75 pontos e, após lhe terem sido retirados 6 pontos pelo CD da Liga (presidido pelo dr. Ricardo Costa), ficou com 69 pontos.
O Sporting terminou com 55 pontos. O V. Guimarães terminou com 53 pontos. E o SLB terminou esse campeonato em 4º lugar, com 52 pontos (a 23 pontos do FC Porto!).

Quanto à validade das escutas… Ao contrário do que afirma o MST, as escutas não foram ilegais, conforme foi explicado no último programa ‘Universo Porto’ (emitido no Porto Canal, na passada segunda-feira). As escutas não são é válidas para serem usadas no processo disciplinar da Liga/FPF que, “oportunamente”, foi (re)aberto pelo benfiquista de Canelas.

Percebe-se que este tipo de lapsos sejam aproveitados, por benfiquistas e sportinguistas, para descredibilizar o MST. O que me custa a aceitar é que também sejam aproveitados por portistas, para atacar e até insultar o MST, sempre que ele escreve uma crónica crítica do Presidente Pinto da Costa ou de decisões da Administração da SAD.

Ora, convém lembrar que, quando o Apito Dourado “explodiu”, enquanto o Presidente e o Clube/SAD se remeteram ao silêncio, o MST foi dos poucos, juntamente com alguns blogues (entre os quais tenho o orgulho de colocar o ‘Reflexão Portista’), a dar a cara e vir para a “frente de batalha” na praça pública.

É perfeitamente normal discordar das opiniões do MST e eu discordo com frequência, principalmente quando as opiniões são referentes a jogadores ou treinadores. Contudo, não me esqueço que o MST que critica o Presidente nas páginas de A BOLA é a mesma pessoa, o mesmo Portista que, nessas mesmas páginas, defendeu o FC Porto num dos períodos mais delicados da nossa história.

Por isso, e não só, obrigado Miguel.

domingo, 16 de julho de 2017

terça-feira, 11 de julho de 2017

Mesma trampa, cheiro diferente

Entre outros, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, demitiu-se recentemente quando ficou claro que iria ser constituído arguido num caso de "crime de recebimento indevido de vantagem" - pessoalmente, nem sequer sabia que tal coisa era crime. Ora, no caso específico de Rocha Andrade, este é acusado do crime por ter viajado e assistido, com todas as despesas pagas, a dois jogos da seleção nacional de futebol, durante o último campeonato da Europa, a convite da Galp... empresa que mantém um diferendo com o Estado, por causa de uma dívida que a primeira se recusa a pagar ao segundo. E esse diferendo estava no domínio de competências do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. Sendo certo que o seu comportamento é criticável, ninguém de bom senso acredita que Rocha Andrade se "vendesse" por uma viagem com despesas pagas (mas nunca se sabe). Mas o facto é que o Ministério Público considera, sem haver o famoso "nexo de causalidade" (porque nada está decidido em relação à tal dívida), que há indícios de crime.

Rocha Andrade, pouco talento na escolha de companhias
Pois bem, há uns certos elementos do Conselho de Disciplina da FPF, que receberam bilhetes para jogos de um certo clube... - estão a ver as semelhanças? A oferta dos bilhetes foi já confirmada por altos dirigentes desse clube, pelo que nem estamos a falar de meras suspeitas. Eu não sou de futurologias, nem adivinhações, mas diria que o Rocha Andrade e os outros secretários de Estado, estariam em muito melhor posição se tivessem antes ido ver uma "missa" à "Catedral". Na dúvida, deveriam ter conferenciado com o Centeno - nesse erro não cai ele - porque está bom de ver que para situações semelhantes, o Ministério Público terá seguramente decisões diferentes.

domingo, 9 de julho de 2017

Ruben, Oliver, Mendes e os interesses reais da SAD

Está definitivamente oficializada a venda de Ruben Neves ao Wolverampton Wanderers, um histórico do futebol inglês dos anos 50 e 60 - é por sua culpa, em parte, que existem competições europeias - mas que milita actualmente na Championship. Sim, o FC Porto vende o que de melhor tem produzido a clubes da segunda divisão inglesa por tuta e meia. Sim, o Wolves é a ponte do esquema Mendes no Reino Unido, mais um clube onde coloca jogadores como bem lhe apetece a modo de ponte para outros voos, sempre a troco de uma apetitosa comissão (ou duas, ou três). No espaço de semanas o FC Porto decidiu vender as suas maiores pérolas da formação por um valor total aproximado de 60 milhões de euros - com objectivos pelo meio. Friamente não são más cifras, na realidade ficam ambas aquém do potencial real de ambos os jogadores e do seu valor de mercado. Consequências da sanção imposta pela UEFA mas não só.

A ninguém parece estranho que os únicos negócios que o Porto seja capaz de operar estejam nas mãos de Jorge Mendes. O clube está a tentar livrar-se de algumas gorduras desnecessárias entre emprestados - muitos serão repescados porque não há dinheiro para mais, supostamente - e ao mesmo tempo cumprir com os prazos da UEFA. Sabendo que Casillas fica - com um salário muito inferior ao que ganhava mas, ainda assim, como o mais bem pago do plantel - e que há ainda excesso de laterais nas contas - Ricardo, Rafa e Fernando Fonseca juntam-se a Maxi, Layun e Telles quando deveria haver apenas quatro vagas livres - as vendas de André e de Ruben parecem anunciar que tanto Brahimi como Danilo vão ficar no plantel. Até 31 de Agosto no entanto livrem-se de pensar que são realidades concretas. A palavra de Pinto da Costa nunca valeu muito mas agora, que vale zero, nunca permitirá assumir nada por garantido até ao suspiro final do mercado e o FC Porto que já está mais debilitado do que no ano passado - onde não era uma grande equipa em traços gerais - pode ficar ainda mais fraco com o passo das semanas. Disso dependerá também muito Mendes. Afinal de contas nada se mexe no Dragão sem que o super-agente decida como tem sido claro.

O FC Porto entregou-se ao homem que tem alimentado o rival, insultando assim aqueles que tantos esforços estão a fazer para levantar o Polvo. E fê-lo de uma forma tão escandalosa que é capaz de tentar dar a volta aos factos para justificar o injustificável. E é aí onde entramos no circuito Ruben-Mendes-Oliver.
Oliver é um bom jogador, um jogador de classe, com talento e fino recorte que se exibiu bem nas duas épocas de azul e branco, melhor na primeira do que na segunda, é certo. Não é uma super-estrela e dentro da realidade espanhola há jogadores da sua idade muito superiores. É um falso dez, um falso oito, um jogador que se move bem e faz mover mas que nunca tem sido realmente um factor determinante. É um jogador cuja posição em campo podia ser ocupada por Otavio ou até mesmo por...Ruben Neves, noutro esquema de jogo mais vertical e assertivo - curiosamente o esquema que propõe Sérgio Conceição.
Oliver seria uma boa adição ao plantel, de forma definitiva, por uma quantia lógica. Nunca por 20 milhões de euros. Mas são 20 milhões de euros os que o FC Porto terá de pagar ao Atlético de Madrid em Janeiro de 2018. Não 19. Não 18. Não 19,5. Serão 20 milhões de euros, convertendo o jovem espanhol na compra mais cara de sempre do clube.


Nas contas do Financial Fair Play a operação Oliver não entra.
Jorge Mendes sabe fazer bem as coisas. No verão passado foi o intermediário do regresso do espanhol ao Dragão, operando, como sempre faz, em nome do Atlético de Madrid, clube da sua carteira habitual. O Atlético cedia o jogador, sim senhor, e colocava Diogo Jota de extra, mas em troca o FC Porto comprometia-se a comprar o jogador por 20 milhões de euros. Um valor superior ao seu valor de mercado e no entanto o Porto aceitou a proposta. Oliver e Jota foram utilizados por NES - que, como já todos vimos, esteve no Porto a valorizar activos e a valorizar-se a si e não a gritar "Somos Porto" - e tiveram um papel destaco na temporada, de mais a menos. Mas em nenhum caso a operação tinha qualquer lógica para um clube que, já então, sabia estar com a corda na garganta e com a UEFA nos calcanhares. Tanto que nesse mesmo defeso o próprio presidente disse que não havia avançado até haver Liga dos Campeões...o que nem sequer acabou por ser certo, como se viu com a farsa Depoitre (com outro amigo, D´Onofrio, ao barulho claro). Sabendo que não tinha 20 milhões para pagar pelo jogador o FC Porto fez na mesma operação e fê-lo porque essa era uma condição de Mendes e Pinto da Costa a Mendes já não diz que não, como não disse no caso Adrián, por muito que a posteriori goste de vir culpar os treinadores dos erros que ele consente como máximo gestor do clube. Se Mendes diz que se faz o negócio, faz-se o negócio por muito que prejudique o clube. Oliver nunca dará lucro ao clube e a sua operação apenas contribuiu para abrir ainda mais o buraco nas contas. Algo que o Porto sabia que ia passar e que, principalmente, Jorge Mendes sabia que ia passar..

Fazemos fast-forward para o seguinte defeso. Como esperado o Porto tem de vender mais do que nunca, agora principalmente pela sanção da UEFA - teria de vender de todos modos - e nem sequer contabilizou ainda os 20 milhões de gastos em Oliver (que o obrigará a vender, também, no defeso que vem, mas já lá vamos) e na mesa aparecem ofertas...sim, ofertas precisamente pelos jogadores de Mendes.
André Silva e Ruben Neves saem do Dragão - Mendes cobra comissão pelos três...jogadores, clube vendedor e clube comprador, esperem pelo relatório de contas - e o dinheiro do seu império continua a mexer-se mas havia realmente essa necessidade de vender dessa forma quando meses antes o clube parecia não ter problemas em pagar 20 milhões por um jogador da carteira Mendes - e há ainda o negócio Boly, outro que entra já na rotação de NES e Wolves, com um empréstimo com opção de compra para entrar no próximo exercicio financeiro - em lugar de procurar ficar com Ruben Neves no plantel?
O mesmo Ruben a quem Pinto da Costa pressagiou um futuro à João Pinto. A sua palavra, como sabemos, vale tanto como os seus dotes adivinatórios. Curiosamente o mesmo Ruben que foi afastado praticamente por Nuno Espirito Santo - que agora, pasmem-se, o reclama em vez de pedir um Herrera ou um André André, bem mais utilizados, bem mais baratos mas nenhum da carteira Mendes - e portanto passou um ano a desvalorizar-se para agorar surgir uma oferta baixa para o seu potencial real. Que teria sido do negócio de Ruben se este tivesse jogado mais vezes? Uma suspeita que não faria sentido salvo que quando quem o pede agora é quem não o quis antes a coisa começa a cheirar muito mal.

No próximo defeso - já lá chegamos - Boly provavelmente sairá para o mesmo clube a título definitivo numa operação que ajudará a maquilhar os números de Oliver, depois do empréstimo agora acordado. Outro jogador "pedido por NES", "gestionado por Mendes" e que não se valorizou porque o mesmo NES que agora o pede não o utilizou quase nunca.
Uma vez mais Mendes cobrará por todos e manterá a sua máquina activa e o Porto, desportivamente, ganhará pouco e estará nas mãos do super-agente para mover-se no mercado. Ainda assim terá de vender. De momento não há jogadores Mendes no plantel, salvo José Sá, mas até 31 de Agosto tudo é possível e não surpreenderá ninguém se voltemos a ver uma operação similar à de Oliver com futebolistas da sua carteira. Se ao largo do ano algum outro jogador da formação - Fonseca, Dalot, Rui Pedro - entretanto mudarem de agente, a sua saída em Junho torna-se óbvia e nem vale sequer a pena discutir a sua inviabilidade. Uma vez mais estamos a falar das máximas operações no mercado do clube nos últimos meses e todas com o mesmo agente, todas com a mesma filosofia. No final quem perde é sempre o clube. Algo que já deveria saber de experiências prévias sobretudo quando se destapou a rede do Polvo e como o super-agente em questão tem servido para salvar o pescoço de Luis Filipe Vieira. Ruben Neves não é mais que um novo Helder Costa (que por 14 milhões foi o recorde histórico anterior do Wolves) ou João Cancelo por quem o Valência pagou 15 milhões que na altura o Benfica gastou em outros jogadores da fábrica Mendes para seguir com a cadeia de montagem. O FC Porto não está a vender para apaziguar a UEFA - o negócio Ruben ultrapassou o deadline da UEFA, para os mais distraídos - mas sim para manter a máquina Mendes a funcionar. O clube decidiu que prescindir do seu mais jovem capitão, desvalorizado por um infiltrado do super-agente, é mais importante que bater com o pé na mesa e negar-se a negociar com essa personagem sinistra que tanto tem prejudicado o clube.

É em momentos assim, momentos como o da chegada de Oliver e a saída de Ruben que fica claro que quem dirige o FC Porto, hoje, o faz a pensar primeiro em si mesmo e nos seus interesses e só muito mais à frente nos interesses do Clube.  

sexta-feira, 7 de julho de 2017

O gesto de Iker

Casillas será guarda-redes do FC Porto pelo menos por um ano mais.
Era algo que estava sobre a mesa desde que o guardião espanhol aterrou, há duas temporadas, na Invicta mas ainda que o resultado final seja o mesmo, as formas são bastante distintas e essas apenas honram um jogador que soube, desde cedo, entender a mística deste clube e que aceitou ser capitão na sombra ganhando a pulso o respeito e carinho dos adeptos.

Iker chegou em 2015 com um contrato muito particular. Durante dois anos o Real Madrid comparticipava em 70% do seu salário cujas cifras eram incomportáveis para a realidade do FC Porto que se fazia cargo do restante valor. Era a forma de facilitar a desvinculação do jogador do seu clube de sempre sem criar grandes problemas à instituição. Sob esse pressuposto o contrato incluía a possibilidade de ampliar-se um ano mais de forma automática, tanto por parte do atleta como do clube, tivesse esse disputado 70 jogos oficiais nos dois anos anteriores. O problema? Essa prolongação mantinha a mesma base salarial mas já sem a comparticipação dos merengues o que faria de Casillas o jogador mais bem pago, em exclusividade, da história do futebol português por uma enorme margem. Salários de estrela mundial num clube luso era algo inconcebível de aí que, nos corredores do Dragão, se olhasse para a estância de Iker como um processo de dois anos com uma saída, grátis, para um outro clube, possivelmente norte-americano, neste defeso. Mas Iker não quis avançar para a reforma dourada da MLS e apesar de ser verdade que sondou outros clubes europeus nestes meses, através do seu agente - clubes da Premier, da Serie A e até da liga espanhola - a sua vontade principal era a de ficar nas Antas. Restava saber em que moldes.

O agente de Iker fez saber ao FC Porto no início do ano que o jogador queria ficar ao que o clube respondeu que desejava o mesmo mas na situação actual, mais ainda do que o costume, o seu salário original era inviável e que portanto nunca seria o FC Porto a activar a cláusula de extensão de contrato. Caberia ao jogador mover as peças no tabuleiro das negociações. Podia tentar forçar a situação, activando unilateralmente a sua cláusula - algo que o FC Porto sabia que seria muito dificil que sucedesse - ou simplesmente sair, com um aperto de mãos, como muitos temiam. Casillas fez o mais dificil. Não só recusou clubes que lhe ofereciam mais do que estava a ganhar, já então, como aceitou ficar num novo projecto, depois de dois anos sem ganhar nada - ele que, como atleta, já ganhou absolutamente tudo o que há para ganhar - ganhando substancialmente menos. Continuará a ser o jogador mais bem pago do plantel e ainda que as cifras não transcendam para fora, esse valor dista muito do que iria cobrar originalmente. O vinculo é de um ano e esse sim parece ser o final da sua etapa, entre outras coisas porque o futuro profissional da sua mulher está igualmente em jogo e vai ser prioritário na escolha do futuro destino do atleta, mas será um ano muito especial. Por um lado porque Iker ganhará menos do que nunca ganhou e por outro porque é a sua forma de mandar uma mensagem para dentro e para fora. O espanhol não quer sair de mãos a abanar da sua etapa como Dragão.



Nos últimos meses o internacional espanhol tornou-se uma especie de capitão silencioso e sem braçadeira no balneário. Foi fundamental na integração de vários jogadores jovens - alguns deles falam de Iker como um autêntico pai desportivo - e trouxe esse ADN de competitividade, espirito ganhador e raça que bebeu em Madrid para um balneário sem referências da cultura Porto nos dias que correm. Á medida que o clube prefere vender as suas pérolas com a desculpa que há um problema financeiro com a UEFA - um problema que não lhes impediu de bater o seu próprio recorde de transferências com Oliver Torres, curiosamente num processo gerido pelo mesmo homem que agora gere as saídas dos seus jovens internacionais lusos - contar com o perfil e a grandeza de Iker Casillas vale muito mais do que possa parecer á primeira vista. O FC Porto ganha um ano para preparar a sua alternativa nas redes, Sérgio Conceição ganha um líder dentro e fora de campo e os adeptos mantêm uma referência de respeito e carinho para com o clube numa altura onde muitos daqueles que o deviam defender e acarinhar do mesmo modo fazem precisamente o contrário. 

O gesto de Iker choca com o gesto de muitos assalariados do FC Porto. É preciso vir alguém de fora para mostrar grandeza e sentido de pertença com uma grande instituição. No final do próximo ano será livre mas Casillas do FC Porto já não se livrará nunca. Será sempre um dos nossos.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

“Se não fosse o caso do túnel, teríamos sido campeões”

O caso do túnel na capa do jornal A BOLA de 06-07-2017

Numa entrevista ao jornal A BOLA, Jesualdo Ferreira falou sobre o tristemente célebre caso do Túnel da Luz, em que dois jogadores do FC Porto – Hulk e Sapunaru – foram alvo de suspensões nunca antes vistas no futebol português.

Em quatro anos [como treinador do FC Porto] só uma vez é que não cumpri um objetivo. Cumpri sete. (...) E estou convencido ainda hoje que se não fosse esse caso teríamos sido campeões [na época 2009/2010]. O FC Porto teria feito o penta e eu teria feito o tetra. Esse episódio do túnel foi decisivo. (…)
Não, não foi justa [a decisão]. A forma como os meus jogadores foram tratados, como o FC Porto foi tratado, a forma como as coisas aconteceram... Não foi verdade. E digo isto cara a cara, quer as pessoas gostem ou não gostem. Quem sentiu na pele fui eu, estive lá e vi. E também senti durante um ano como as coisas aconteceram.

A revolta do plantel e o Somos Porto (20-02-2010)

Não foi a primeira vez que Jesualdo Ferreira (um homem que foi treinador dos três “Grandes” do futebol português) falou da injustiça deste caso.
Em 12 de Fevereiro de 2010, Jesualdo Ferreira disse o seguinte:

O Hulk é um jogador revoltado. O estado de espírito dele é de revolta, porque não pode trabalhar e fazer aquilo que gosta. Nós, internamente, também estamos revoltados porque temos um profissional bem pago e que não está a ajudar a equipa como devia em função do contrato que tem. Acho que quando erramos temos de ser penalizados, mas temos de ser penalizados na justa medida do erro que cometemos, e temos de ser penalizados de forma a não voltar a errar. Agora, isto tudo não deixa de ser uma coisa incompreensível para as pessoas.


Em 24 de Março de 2010, o Conselho de Justiça (CJ) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), instância de recurso, reduziu drasticamente o castigo que tinha sido aplicado a Hulk e a Sapunaru pela Comissão Disciplinar (CD) da Liga, à época presidida pelo célebre benfiquista de Canelas, o dr. Ricardo Costa.
Em vez de quatro e seis meses de suspensão, o CJ da FPF reduziu os castigos de Hulk e Sapunaru para três e quatro jogos respetivamente, indo de encontro ao enquadramento disciplinar, para estes dois casos, que foi defendido pelo FC Porto.

4 meses de suspensão
(O JOGO de 20-02-2010)
Se a suspensão decretada pelo dr. Ricardo Costa tivesse sido cumprida na totalidade, o FC Porto teria sido obrigado a disputar 23 jogos sem Hulk. Em função desta decisão do Conselho de Justiça da FPF, foram “só” 17 jogos oficiais sem o melhor jogador do campeonato português...

Recordar o caso ‘Túnel da Luz – Hulk’ é recordar o tempo em que Ricardo Alberto Santos Costa foi presidente da Comissão Disciplinar da Liga de Clubes (entre Outubro de 2006 e Julho de 2010).

É recordar a atuação do dr. Ricardo Costa neste caso, mas também nos casos ‘Apito Final’ ou ‘Diabo de Gaia’, entre outros menos mediáticos.

É recordar o impacto desportivo e financeiro que estes casos tiveram.

É recordar um tempo que não foi positivo, nas palavras de Fernando Gomes à Agência Lusa, após ter sido eleito para a presidência da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.

É, tal como referi em “Ando a falar da benfiquização do futebol português há anos”, sublinhar que o “polvo encarnado” não nasceu em 2013. O “polvo” começou a ser criado muito antes (Os tentáculos do SLB), tendo sido decisivo em vários momentos dos últimos 14 anos (*)

(*) Luís Filipe Vieira foi eleito presidente do SLB a 3 de Novembro de 2003.

sábado, 1 de julho de 2017

O caso Ruben Neves, o problema real para lá do Polvo

Nas últimas semanas, fruto do excelente trabalho realizado pelo Francisco J. Marques que não tem deixado ponto sem nó no Universo Porto de Bancada divulgando os emails que a Polícia Judiciária, via brigada Anti-Corrupção já tem em posse, tem-se vindo a por nomes e caras aos tentáculos do Polvo. É sem dúvida um trabalho histórico de investigação - que o Expresso também tem sabido desenvolver com independência surpreendente perante o resto do silêncio colectivo - e que destapa algo muito mais grave que qualquer outro caso de corrupção do futebol português. É também uma forma de entender como é que o Benfica venceu os últimos quatro títulos sendo que tanto o do #Colinho como o de este ano são, por demais, evidentes. Nos dois outros anos, por sucessivos tiros nos pés, de FC Porto e Sporting, é evidente que o Polvo estava activo mas foi menos necessário. Se a justiça desportiva existisse, no entanto, como em Itália, os últimos quatro campeonatos ficariam sem dono, entre outras penalizações que, pura e simplesmente, não vão suceder em Portugal.

Mas se o Polvo é real e está a ser exposto, o problema mais sério do FC Porto continua a chamar-se FC Porto.

Durante toda a história moderna do futebol português o Benfica sempre teve um ascendente sobre o sistema político, judicial, desportivo e arbitral. Não há nenhuma novidade. O que mudou em 1977 foi a capacidade do FC Porto encontrar formas de anular o efeito desse sistema - por um lado - e o de criar a sua própria estrutura de êxito que fosse capaz de traduzir a sua superioridade em campo em algo real. O Porto vencia não só porque era melhor...porque era e tinha de ser sempre muito melhor que o rival. E essa política de excelência teve nomes e rostos próprios, o mais antigo e evidente, o de Pinto da Costa. Ao criar esse Porto forte, estável e seguro de si mesmo o clube encontrou uma forma de defender-se do Polvo. Foi o desmantelamento dessa política de gestão interna que deixou em evidência o fácil que era, contra um Porto débil dentro, ao Polvo controlar o que queria e podia. E pode muito. Não é por casualidade que nos primeiros dez anos de Luis Filipe Vieira e do seu Polvo, o Benfica tivesse ganho dois miseros títulos. Havia um Porto forte a contrapor essa crescente influência. Um Porto que começou a acobardar-se com o Apito Dourado - onde fomos a vitima, não o culpado, note-se - e que se entregou numa política de useiros e vezeiros entregue a comissionistas, fundos de inversão, bancos de investimento e agentes preferenciais daqueles braços que ousavam sonhar em por as mãos no trono, fosse do bando anterista fosse do bando alexandrista. Essa guerra civil surda interna destruiu o que nos fez grande e continua a fazê-lo. É oportuno revelar todo o lixo do Polvo benfiquista mas isso não pode fazer esquecer que o Porto está a incumprir o Financial Fair Play apenas e só por culpa própria. Que os erros de casting de treinadores, com ou sem colinho e Polvo, são culpa própria. Que os erros de casting de formação de planteis, de ter uma lista de mais de quatro dezenas de emprestados, tudo isso é gestão interna e independente do Polvo.

O Porto agora tem de vender muito, comprar pouco, eliminar gorduras e começar praticamente do zero. É importante colocar toda a pressão no sistema antes do arranque de uma época em que já partimos com um pé atrás mas importante é também reerguer a estrutura interna e o que está a ser feito aponta na continuação de uma política penosa. Afinal de contas, Jorge Mendes, já ficou provado, é um dos maiores aliados do Polvo e tem sido instrumental nessa política de saneamento financeiro falso do Benfica, no alimento do Braga e Rio Ave, clubes da mesma esfera desse sistema podre, e também responsável por detrás de alguns dos nossos maiores flops financeiros. E no entanto, sabendo tudo isso e denunciando todas as terças a podridão do Polvo, o FC Porto continua a colocar-se nas suas mãos para resolver os seus problemas?
Há quantos anos, salvo casos excepcionalissimos, negoceia o FC Porto com alguém que não seja Mendes ou Doyen? Há quantos anos vendemos a clubes fora desse circuito, seja na Rússia, no Mónaco, na linha Atlético-Valencia-Bessiktas, nos clubes por onde anda Mourinho ou onde Mendes tem as portas escancaradas? O Porto não vende a Arsenal, Liverpool, Bayern, Dortmund, Inter porque demónios? Será porque são clubes que tentam trabalhar ao mínimo com o produto Mendes? Será porque são clubes onde Mendes não pode exercer de comissionista de jogador, de clube vendedor e comprador como acabou de fazer com o AC Milan e fará provavelmente com o Wolves e Ruben Neves?

Sim, o FC Porto está a ponto de vender o seu mais jovem capitão de sempre a um clube da segunda divisão inglesa por metade da sua cláusula de rescisão e o motivo é apenas um só: porque é onde Jorge Mendes quer que esteja o jogador.



O FC Porto já não actua há largos anos por vontade própria no mercado. Deu á Doyen um documento que lhes permitia negociar em seu nome - o caso Jackson com o Milan e depois Atlético - e desde há muito que tudo passa ou pelas mãos de Mendes ou por Luciano D´Onofrio. O mercado é enorme e move-se em milhões mas para o Porto encolheu-se a esses nomes. E claro, nessa circunstância a SAD vende a ideia - através de muitos dos seus acólitos - que a venda de André Silva é obrigatória e a Ruben Neves também o será, pelos números na mesa - culpa da situação financeira que eles próprios geraram e não assumiram ainda e que a UEFA controla - porque não há alternativa.
Mas alternativas há sempre.
Que explique o clube porque, curiosamente, só se movem no mercado - como passa com os Benfica, Atlético, Valencia, Monaco e afins - os jogadores do circuito Mendes, os que lhe vão gerar as comissões de verão? Porque os Layun (que recusou assinar com Mendes), Telles, Herrera, Maxi ou Corona estão fora do mercado quando a soma das suas respectivas vendas - sendo que para todos eles há opções já no plantel ou a muito menor custo salarial e de preço de venda - serviriam perfeitamente para segurar Ruben ou André? Porque é que Aboubakar não é vendido, será porque o clube prometeu dar 6 milhões de euros fixos ao seu anterior clube e só tem 37% do passe? Porque é que Brahimi vai ficando á medida que o clube foi hipotecando a sua percentagem ás mãos da Doyen? Porque é que os jogadores mexicanos do clube, que têm mercado, não se movem até ao dia em que passarem para a Gestifute? Porque é que o clube prefere manter dois salários incomportáveis no caso de Maxi e Iker Casillas para a realidade actual?

Vendo os milhões que se pagam em mercados como o inglês é anedótico pensar que o FC Porto não pode vender esses futebolistas negociando directamente clube a clube sem intermediários. Até o próprio Ruben, seguramente, seria mais facilmente vendido por essas cifras a um Liverpool ou Arsenal do que a um Wolves. O seu azar é que o único clube que Mendes controla em Inglaterra realmente é o de Wolverampton sendo que Mourinho está interessado noutro dos seus activos - Fabinho - para a mesma posição. Qualquer que veja o mercado a mover-se ano sim, ano também sabe identificar as tendências. Os jogadores de Mendes movem-se sempre nos mesmos clubes e sempre por um curto período de tempo que lhe permite cobrar as respectivas comissões. Os outros jogadores e os outros clubes negoceiam normalmente sem problemas. O Porto podia ser do segundo grupo não se tivesse colocado aos pés do "super-agente". O irónico é que se ajoelhou a quem está deliberadamente a ajudar o Polvo que tanto tenta combater. E para isso está disposto não só a vender por debaixo do seu valor real a dois grandes jogadores com enorme perspectiva de futuro. Está uma vez mais a destruir a possibilidade de criar um balneário á Porto, com jogadores da casa que sentem a camisola, para permitir que o homem que tem impedido o seu rival de ir á falência continue a enriquecer à custa dos portistas que preferem continuar a assobiar para o lado ainda que seja evidente de todos que a situação actual desportiva e financeira tem nomes, apelidos e salários a serem pagos por todos os accionistas do FC Porto.

No final de contas, por muito Polvo que saquem para fora, o grande problema continua a estar nas entranhas do clube. A "Sportinguização" da SAD do FC Porto com este processo de vender por tuta e meia a jogadores de formação com potencial de estrelas continentais ao mesmo tempo que enriquece os que o prejudicam é só mais um sintoma. Mas essa denúncia não interessa!

sexta-feira, 30 de junho de 2017

“Ando a falar da benfiquização do futebol português há anos”

Rui Santos num dos programas 'Tempo Extra'

«O polémico “caso dos emails” foi o principal tema do último programa “Tempo Extra” da SIC Notícias. Rui Santos defende que a influência do Benfica sobre as várias instituições do futebol é algo que vem de trás


Eu diria que depende dos dias mas, sim, há muitos anos que o Rui Santos fala na influência do SLB sobre as várias instituições do futebol.

Recuemos nove anos. Em 16-05-2008, numa crónica publicada no jornal Record, Rui Santos escreveu o seguinte:

«Acredito que o achamento de Cunha Leal foi o atalho encontrado para condicionar os excessos de Valentim Loureiro. Mas, nesta pretensa “nova era”, não faz sentido um jurista (seja ele qual for) pôr o seu “fundamentalismo clubístico” como instrumento manipulador de massas acríticas.
As cunhas desleais não honram o futebol nem os lugares, quando se percebe que o objectivo é prejudicar o FC Porto»

Valentim Loureiro, Cunha Leal e o poder na Liga de Clubes (entre 2002 e 2006)

E uns dias depois, perante a reação indignada da “virgem ofendida”, Rui Santos voltou à carga e foi ainda mais claro:

«Cunhal Leal está indignado. Tem toda a razão para estar. Ele foi mandado para a Liga pelo presidente do Benfica para contrariar o poder do major. Convenhamos que é um grande azar, sobretudo quando quem o mandou para a Liga confessou, perante a estupefacção geral, que seria porventura mais importante ter alguém naquele organismo do que contratar bons jogadores.
O estigma não fui eu quem lho pus. Aceitou-o, porque sabe muito bem ao que foi e não se pode confessar enganado. Se não soubesse ao que ia e se cumprisse o seu dever de isenção, não teria autorizado a farsa que constituiu a marcação do Estoril-Benfica para o Algarve, na jornada 30 do campeonato de 2004-05, cujo desfecho foi decisivo para a atribuição do título nessa temporada.
A sua credibilidade morreu nesse momento. Quem consente um escândalo dessa natureza (embrulhado noutros escândalos da época), quem se cala perante uma situação potencialmente subversiva, inquinando a verdade desportiva, não tem um pingo de moral para vir falar agora, como especialista de coisa nenhuma, a não ser o de defender interesses de um só clube e de uma só cor, de qualquer tipo de regulamentos, numa clara manobra de visar o FC Porto.
As “criadas de servir” dos clubes são, também, na Liga ou na FPF, grandes responsáveis para o estado lamentável a que o futebol chegou


Para quem não sabe, ou já não se lembra, Cunha Leal é um ex-dirigente do SLB, tendo ocupado, entre 2002 e 2006, um dos lugares-chave da estrutura do futebol português – o de Diretor Executivo da Liga.

Durante esses anos foi, juntamente com João Rodrigues (antigo presidente da FPF, cargo que ocupou entre 1989 e 1992), uma das peças mais importantes no xadrez benfiquista, tendo sido decisivo no caso Ricardo Rocha e na aceitação da transferência do jogo Estoril x SLB para o estádio do Algarve.

Árbitros escolhidos por João Rodrigues

Hoje pode parecer estranho mas, na altura, vivia-se na Liga o período de ouro da aliança entre o Boavista dos Loureiros (pai e filho) e o SLB de Luís Filipe Vieira, uma santa aliança forjada contra Pinto da Costa e contra o FC Porto, em que uma das primeiras vitimas foi José Guilherme Aguiar, o anterior diretor executivo da LPFP.

Fui convidado por Valentim Loureiro, mas provavelmente por indicação do Benfica
Cunha Leal, 2 junho de 2002

Em consequência da operação ‘Apito Dourado’, Cunha Leal substituiu o Major Valentim Loureiro na presidência da LPFP, com o beneplácito do presidente da Assembleia Geral da Liga, o também benfiquista Adriano Afonso.


Os e-mails divulgados abrangem as últimas quatro épocas (2013/14 a 2016/17), mas o “polvo encarnado” não nasceu em 2013. Na realidade, começou a ser criado muito antes, por alturas do início deste século. Daí para cá foi crescendo, com cada vez mais “tentáculos” e expandindo-se para todas as áreas do futebol português - Liga, órgãos de Disciplina e Justiça da FPF, delegados dos jogos, estruturas da arbitragem responsáveis pela nomeação e avaliação dos árbitros, observadores, APAF, etc.

A coisa atingiu tal dimensão e visibilidade, que o próprio Rui Santos, na parte final da época 2014/2015 (a célebre época do colinho), desabafou na SIC: “Não gosto de ver campeões forjados desta maneira”.

Época 2014/2015, Liga Real, Jornada 32 (fonte: SIC/Tempo Extra)

A grande novidade dos e-mails não foi revelar que havia (há) uma vasta rede subterrânea a “trabalhar” em prol do SLB. Mesmo sem termos acesso às provas digitais/documentais que foram divulgadas nas últimas semanas (quer pelo FC Porto, quer pelo jornal Expresso), isso há muito tempo que era óbvio.

O grande mérito dos e-mails é, sim, identificar vários dos rostos da rede, identificar uma parte relevante das “criadas de servir”, revelar as ligações existentes (que envolvem os mais altos responsáveis do SLB) e mostrar o refinamento a que se chegou nos métodos adoptados. Tudo para se conseguir forjar um treta campeão.

Agora, compete à Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária dar continuidade e, a partir de indícios sérios de tráfico de influências, aprofundar a investigação a todos os “tentáculos” deste “polvo”. Haja vontade de o fazer.

É hoje, é hoje...???

Tá na hora da pican... do almoço. Do almoço!
Será que é desta? Será que finalmente é hoje que o gordo Walter deixa de render uma gorda comissão - pago para jogar, não é certamente - a alguém? Com uma categoria de gestão como esta, não é de estranhar que nos últimos 4 anos, tenhamos conquistado tantos troféus como... o Moreirense.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Quem manda na Seleção Nacional?


A propósito de um desabafo que ouvi sobre o jogo de ontem da Seleção. “No jogo de ontem os laterais da Seleção foram o Cédric e o... Eliseu. Alguém percebe por que razão o Fernando Santos nem sequer convoca o Ricardo Pereira?”

A resposta que dei foi esta: Porque Fernando Santos é um Scolari parte II.
Observar jogadores dá muito trabalho. Pior: se não forem da cartilha Mendes nem vale a pena arranjar chatices. E, no futebol atual, as Seleções são usadas como plataforma para a valorização de jogadores. Se o Selecionador for “dócil” (check!), então ele é consensual nas esferas do poder, e como tal nos media, e lá se vai aguentando sem críticas de maior às suas convocatórias e à falta de renovação das suas equipas.

Hoje, o poder é do Benfica e do Jorge Mendes. Na FPF, na Liga, na comunicação social, nas relações institucionais com os maiores clubes do mundo.

Por exemplo, só foi aberto espaço na Seleção para o André Silva porque era do interesse do seu empresário, Jorge Mendes, e do seu patrocinador, a Nike. Aliás, foram certamente estas duas entidades que fizeram com que de repente o próprio Cristiano Ronaldo o começasse a elogiar publicamente, considerando-o até, pasme-se, o seu natural sucessor.

Foram estas idiossincrasias que o FC Porto deixou de entender - ou de levar muito a sério - ao longo da última década que contribuíram em boa parte para a situação em que nos encontramos hoje: um 'player' banal no seio dos grandes negócios de jogadores e dos grandes clubes europeus. Veja-se por exemplo o que aconteceu recentemente com o Emílio Peixe, o selecionador nacional de Sub-20: não levou o Rui Pedro ao Mundial na Coreia do Sul “por opção”. Ele que era dos melhores avançados disponíveis para os Sub-20. O facto de 3 dos 6 avançados convocados serem do Benfica será certamente uma coincidência. O Benfica teve 8 jogadores na convocatória, o Sporting teve 4, o FC Porto teve 3 e o Vitória teve 2 jogadores. Isto não quer dizer que os jogadores do Benfica não sejam muito melhores, mas a estatística é significativa e demonstra bem quem é que manda. 

O FC Porto tem de voltar a ganhar massa crítica dentro da FPF e das suas diversas estruturas. A convocação de jogadores para fases finais das seleções valoriza-os e valoriza os próprios clubes e o seu investimento no futebol de formação. 
   

terça-feira, 27 de junho de 2017

Contrainformação, Mentiras e Jornais

O SLB, o jornal Record e o jornalista-comentador Rui Santos mentiram. Isto é, divulgaram notícias falsas, divulgaram mentiras.

O Diretor de Informação e Comunicação do FC Porto reagiu, no Twitter, às fake news

Mensagens de Francisco J. Marques no Twitter

E, para que não ficassem dúvidas, o FC Porto emitiu mesmo um comunicado.

----------

A máquina de propaganda do Benfica continua a tentar abafar e desvirtuar o chamado caso dos e-mails.

Porque o país merece saber a verdade, sem filtros, sem artimanhas, o FC Porto é obrigado a voltar ao tema para informar:

1 - É falso que o FC Porto tenha sido intimado pela Polícia Judiciária, ou por qualquer outra entidade, para entregar qualquer tipo de documentação sobre este caso. Esta falsidade tem sido difundida por comunicação social que se deixa intoxicar pelas versões que têm como objetivo distrair sob a matéria de fundo e que está a ser investigada.

2 - É mentira que o FC Porto tivesse sido alvo de qualquer tipo de buscas, como erradamente disse o comentador Rui Santos, no canal televisivo SIC Notícias. Esta afirmação é tanto mais grave por pretender transmitir a ideia que o FC Porto foi forçado pelas autoridades a alguma coisa, o que não é verdade. E aqui fica o desafio para que Rui Santos confirme junto da própria Polícia Judiciária essa informação e depois faça a correção pública da mentirosa afirmação.

Para que não fiquem dúvidas, o FC Porto foi contactado pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária por causa da investigação em curso e não devido a uma qualquer queixa do Benfica.

----------

Apesar deste desmentido formal e oficial do FC Porto, o Record e o SLB insistiram na mesma tese e voltaram à carga…

«Fonte oficial do Benfica garantiu a Record que o "comunicado do FC Porto deturpa a verdade".
"O despacho da PJ que determinou a entrega de todo o material está no âmbito e resulta da queixa apresentada pelo Benfica; isso mesmo foi objeto de notícia em vários órgãos de comunicação social ontem. Só o desespero pode levar a mentir perante factos concretos. O que diz o comunicado do FC Porto é totalmente falso", afirmou.»


O comunicado do FC Porto é totalmente falso, dizem eles.
E no entanto…
O JN de hoje, após contactar a PJ, publicou a seguinte notícia (e esta não é fake news):

'Judiciária confirma versão dos dragões', JN de 27-06-2017

E agora?
O mais provável é que continue o tráfico (de notícias) entre o SLB e os seus agentes na comunicação social, de modo a suportar a estratégia de contrainformação em curso.

domingo, 25 de junho de 2017

Os vencedores, os vencidos e os derrotados

Taça de Portugal, Supertaça, Campeonato, Taça de Portugal

19 de junho de 2016. A equipa de hóquei em patins do FC Porto conquistou a sua 15ª Taça de Portugal, ao vencer o SLB por 4-2, na final da prova disputada em Ponte de Lima.

24 de setembro de 2016. A equipa de hóquei em patins do FC Porto conquistou a sua 20ª Supertaça, ao vencer o SLB por 13-7, num jogo disputado na Mealhada.

17 de junho de 2017. A equipa de hóquei em patins do FC Porto conquistou o seu 22ª Campeonato, ao vencer o Riba D´Ave, por 11-4, na 26ª e última jornada.

24 de junho de 2017. A equipa de hóquei em patins do FC Porto derrotou o SLB por 10-0, nas meias-finais da Taça de Portugal 2016/17, num jogo que ficará para a história devido aos encarnados de Lisboa terem sido amplamente derrotados por… falta de comparência!

25 de junho de 2017. A equipa de hóquei em patins do FC Porto conquistou a sua 16ª Taça de Portugal, ao vencer o SC Tomar por 5-1, na final da prova disputada em Gondomar.

PARABÉNS a todos, equipa técnica, jogadores e dirigentes da secção de Hóquei em Patins do FC Porto, por estas quatro conquistas seguidas.

E mais. Desde a temporada de 2005/06, que as três competições nacionais – Campeonato, Taça de Portugal e Supertaça – não eram ganhas pela mesma equipa.

Mas os PARABÉNS são, acima de tudo, porque este grupo honrou o emblema do FC Porto.

PARABÉNS, também, porque não sujaram com atitudes indignas, a camisola que grandes campeões e grandes nomes da modalidade (Cristiano Pereira, Vítor Hugo, Vítor Bruno, Franquelim, Realista, Paulo Alves, Pedro Alves, Tó Neves, Filipe Santos, Pedro Gil, Reinaldo Ventura, Edo Bosh, etc.) envergaram antes deles.

Podemos perder um ou mais jogos.

Podemos perder campeonatos ou taças.

Não podemos é perder o respeito pela história e pelo emblema do FC Porto. Isso jamais podemos perder.

A história do desporto é feita de vencedores e de vencidos. De treinadores e atletas, que saibam honrar as camisolas que envergam e dignificar as modalidades que praticam.

Dos derrotados ninguém se lembra. Dos derrotados não reza a história.

E se há algo que esta época de hóquei em patins e, em particular, esta edição (2016/2017) da Taça de Portugal demonstrou, é que só é derrotado quem desiste de lutar.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Fanatismo religioso Vermelhusco


Não admira nada que o clube representativo do poder central se ache dono da verdade. Eles olham para si mesmos e revêem-se no papel de bispo ou cardeal do futebol português. Bispo, que vem do latim episcopus que se traduz para "aquele que vê por cima, pelo alto, que supervisiona". E Cardeal tem origem etimológica em cardo/cardinis, ou seja aquele que roda ou gira (normalmente à volta do Papa mas neste contexto à volta do futebol Português, qual matilha de lobos à espera de atacar a presa). Até nas críticas que fazem aos rivais eles optam por um prisma religioso, não fossem eles dar o cognome Papa ao Pinto da Costa.

Quem tem prestado atenção ao futebol Português deve ter reparado na forma lisonjeira com que o clube Lisboeta tenta se rever como instituição religiosa. Têm uma Catedral (a espelunca da Luz), o manto sagrado (o equipamento), têm um Santo Padroeiro, o Santo Eusébio, Santo Protector dos tremoços, e com esforço um gajo até pode associar o milhafre ao Espírito Santo. E finalmente, para rematar, até têm a Bíblia do Futebol: A Bola.





De tanto se acharem um clube destinado a conquistas divinas só lhes fica bem terem a cabeça nas nuvens, ou seja, é um clube cheio de húbris.

Esta doutrina religiosa espalha-se por todos: dirigentes, adeptos e jogadores. Reparem: 

CRISTANTE: «O BENFICA É UMA RELIGIÃO»

Mandamentos da religião Benfica
Religião Benfica

Tudo isto não espanta quem tenha ouvido falar da Tríade: Fátima, Fado e Futebol. Mas digo-vos uma coisa, o epíteto Diabos Vermelhos fica-lhes bem. São realmente um clube diabólico, de duas faces, sem carácter e hipócrita.


Omnia autem delere
Amen!

terça-feira, 20 de junho de 2017

Voando sobre um ninho de hipócritas

Após o FC Porto, através do seu Diretor de Comunicação, ter revelado publicamente um conjunto de e-mails comprometedores para o SLB, trocados entre um ex-árbitro de 1ª categoria (Adão Mendes) e um diretor da Benfica TV (Pedro Guerra), os benfiquistas ficaram atarantados, sem saber o que fazer ou dizer.

Em termos de reações, houve de tudo. Silêncios ensurdecedores, falhas de memória seletivas, reações envergonhadas, não-reações e até confissões implícitas (do tipo “vocês fizeram parecido”).

O jornal A BOLA, após ter saído do estado de choque inicial, decidiu entrevistar um ex-árbitro. Contudo, em vez de entrevistar Adão Mendes, o ex-árbitro implicado no tráfico de influências revelado nos e-mails (e que se remeteu ao silêncio), os senhores de A BOLA entenderam que era mais relevante ir ao baú da história e entrevistar um outro ex-árbitro – Carlos Calheiros.

Assim, a edição de A BOLA do dia 10 de junho (4 dias após a divulgação pública dos primeiros e-mails), trazia uma encomenda… perdão, uma entrevista (com destaque de 1ª página!) de Carlos Calheiros, um ex-árbitro e, atualmente, pintor nas horas vagas.

Carlos Calheiros nunca chegou a árbitro internacional e apenas apitou jogos do campeonato português durante seis épocas, mas ficou famoso por, alegadamente, o FC Porto ter pago uma viagem que fez ao Brasil, em Julho de 1995.

À época, devido à pressão da comunicação social lisboeta, o caso foi exaustivamente investigado mas, após os esclarecimentos prestados pelas três partes envolvidas – Carlos Calheiros, FC Porto e agência de viagem Cosmos – foi arquivado. Contudo, o ex-árbitro de Viana de Castelo nunca mais se livrou deste ferrete e, pouco tempo depois, abandonou totalmente a arbitragem. Já lá vão 22 anos.

Volvidos todos estes anos, perante factos altamente comprometedores do presente, há que tentar desviar as atenções com episódios do passado. Mas, já que o jornal A BOLA se lembrou de fazer esta “oportuna” viagem pelo passado do futebol português, então vamos um pouco mais atrás e recordar outras famosas viagens de avião, envolvendo árbitros de futebol e um clube de… Lisboa.

Recuemos, então, a Junho de 1978…

Após ter posto fim a um jejum de 19 anos, com a conquista do campeonato de 1977/78, o FC Porto também se apurou para a final da Taça de Portugal. O outro finalista era o Sporting e, claro, a final ia realizar-se no “muito neutral” estádio de Oeiras (há 40 anos atrás, uma deslocação a Lisboa não era, propriamente, pera doce…).

Naquele tempo, o “mau da fita” ainda não era Pinto da Costa, mas sim José Maria Pedroto que, sem medo, comentava: “É tempo de acabar com a centralização de todos os poderes na capital”.

A final foi um jogo muito quente, com uma arbitragem escandalosa e ficou marcada por um penalty polémico, favorável ao Sporting, que foi convertido por Menezes. Tendo o jogo terminado empatado (1-1), foi necessário disputar-se uma finalíssima, no dia 24 de Junho de 1978, arbitrada pelo senhor Mário Luís de Santarém.

Com uma arbitragem idêntica ao que era (é!) habitual nos jogos do FC Porto em Lisboa e que validou um golo irregular à equipa leonina, o FC Porto perdeu por 1-2, provocando a natural indignação dos seus jogadores, treinador e dirigentes. No final do jogo, Seninho, o autor do golo portista, diria o seguinte: “O árbitro entregou a Taça ao Sporting”.

Finalíssima da Taça de Portugal 1977/78 (fotos: Memória Azul)

Mas o mais escandaloso estava ainda para vir. Menos de 48 horas depois dessa finalíssima, o Sporting partiu para uma digressão à China.

Ora, qual não foi o espanto, quando se constatou, que integrados na comitiva sportinguista e vestidos com um fato à medida, igual ao dos restantes elementos, iam dois... árbitros!
Dois árbitros?
Sim, o senhor Porém Luís, de Leiria e, nada mais, nada menos, que Mário Luís, o árbitro da finalíssima, que a partir daí passou a ser conhecido como o “chinês”.

Caricatura de Francisco Zambujal publicada no jornal A BOLA
alusiva a um Sporting x Belenenses da época de 1981/82

Perante o escândalo, esta situação foi devidamente “esclarecida” pelos envolvidos – Sporting e árbitros – por forma a “lavar consciências” e evitar mal entendidos...

Os árbitros Mário Luis e Porém Luis
Jogadores, dirigentes de Sporting e os dois árbitros no estádio olímpico de Pequim

Talvez por isso, não houve inquéritos da FPF, nem investigações da PJ e muitos menos punições para o clube de Lisboa e para os árbitros envolvidos, os quais continuaram a “passear a sua classe” pelos relvados portugueses.

Bons tempos, em que convidar árbitros no ativo, para integrar comitivas de um clube ao estrangeiro, não era escandaloso, nem tinha consequências nefastas nas carreiras e reputação desses árbitros.

domingo, 18 de junho de 2017

Um título com dedicatória

FC Porto campeão nacional de Hóquei em Patins 2016/17 (fotos: FC Porto)

«O FC Porto Fidelidade conquistou na tarde deste domingo o 22.º título de campeão nacional de hóquei em patins. Na derradeira jornada do campeonato, os Dragões ultrapassaram o Benfica na classificação após ambas as formações terem partido com 65 pontos para os jogos de todas as decisões. Com desvantagem no confronto direto (primeiro critério de desempate), os azuis e brancos eram obrigados a fazer melhor do que os encarnados no pavilhão do Sporting e conseguiram-no: na 26.ª jornada venceram o Riba D´Ave por 11-4 e beneficiaram do empate no dérbi lisboeta (5-5). (…)
Um minuto de sofrimento e tensão máxima, numa comunhão entre adeptos, jogadores e equipa técnica, que terminou com uma explosão de alegria.»
Texto extraído de ‘Sprint final para o Título


A equipa técnica, liderada por Guillem Cabestany, os jogadores, os dirigentes da secção de Hóquei em Patins do FC Porto e o vice-presidente do clube com a tutela das modalidades, Vítor Hugo, estão de PARABÉNS!

Este foi um título merecido e inteiramente justo.

Mas este foi, também, um título sofrido, muito sofrido, com várias dedicatórias.

Em primeiro lugar, é um título dedicado aos dedicados adeptos das modalidades do FC Porto, principalmente a adeptos como o Sérgio Gomes, o Joaquim Vidal, o Fernando Delindro, o Pedro Ferreira, o “Ricky”, etc., que estão lá sempre e não apenas nos jogos grandes, ou quando há possibilidade de comemorar títulos. Com adeptos destes, acredito que há futuro para as modalidades do FC Porto.

Em segundo lugar é dedicado aos árbitros, na pessoa do senhor Miguel Guilherme, os quais tiveram a “infelicidade” de, em inúmeros jogos deste campeonato, errar contra o FC Porto e/ou a favor do SLB. Obrigado. Ganhar assim, contra tudo e quase todos, faz parte do nosso ADN e dá-nos mais força para enfrentar o futuro.

Finalmente, é um título dedicado à comunicação social nacional-benfiquista (um dos principais tentáculos do polvo), particularmente aos pseudo jornalistas da (B)TVi24, cujos comentários, ditos num misto de frustração e raiva, ficarão para a história do jornalismo tuga, “isento e imparcial”.

P.S. Parece que o golo anulado ao clube do regime, a cerca de 20 segundos do final do Sporting x SLB, foi bem anulado (as regras do hóquei não permitem que um golo seja marcado com o corpo…). É uma pena porque, se o golo tivesse sido mal anulado, eles, que estão tão habituados a ganhar títulos ao colinho, iriam provar do próprio veneno.