quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Há muito ainda para ganhar!


O FCP esteve ao nível do que vem fazendo. Se dentro de portas vai disfarçando, quando atravessa o rio tem sido uma desgraça.  Um plantel perdido nas suas hesitações, um treinador a insistir numa inexistente identidade, porque a posse tal como é exercida é um simulacro: não há pressão, o controlo do jogo é frágil, o ataque raramente passa do meio campo, a defesa treme quando o adversário coloca pressão, disputa as bolas com intensidade e a faz correr com velocidade que completa com sucessivas trocas de posições e diagonais que executa a preceito. Um jogo corrido que somos incapazes de desenhar. Não sabemos jogar juntinhos e não somos eficazes a defender, nem quando jogámos com o bloco baixo. Uma tremedeira permanente. O colectivo não funciona e as individualidades, ainda que famosas (?), repetem demasiado erros,  abordando os lances de forma desleixada, com frequência: Alex Sandro é um desses jovens com potencial que repete o mesmo tipo de falhas, tal como Danilo na direita. É muita presunção para tão parco rendimento.
Varela, tirou um coelho da cartola, mas não chegou. As substituições não resultaram e o treinador perdeu-se na repetição da receita que tem seguido para tentar mudar o curso dos acontecimentos, noutros jogos em que fomos derrotados. Quando uma equipa não é forte, há que camuflar os seus pontos fracos com capacidade de luta e muita entreajuda o que nunca ocorreu esta época; e sempre que o adversário reagiu e nos fez frente, acabou por ser premiado. Meia dúzia de "bons jogos" foi o máximo conseguido nesta época. Não somos capazes de fazer das fraquezas força, e não raramente os nossos pontos fortes (?) tornam-se inoperantes e fáceis de combater porque resultam de movimentos previsíveis que cumprimos,  trocando a bola para os lados e para trás. Falta muita coisa a este FCP.

Neste jogo, não há que destacar qualquer jogador e salvo o golo, foi tudo demasiado medíocre. A defesa oscilou demais e Reyes mostrou muita inexperiência e esteve em dois golos. Fabiano falhou no primeiro. Luís Castro não teve desempenho positivo e seguiu o rumo da equipa: foi previsível e pouco feliz nas opções para melhorar o comportamento da equipa . Quaresma foi muito provocado, mas devia ser capaz de suportar essas picardias. O que Lucho sabia fazer tão bem pois a sua acção ajudava a somar vontades, o Quaresma divide mais que junta, no campo e no balneário, muito provavelmente.
Por fim, acho que Proença fez uma péssima arbitragem e sempre com prejuízo para o FCP, salvo a expulsão  que se poderia justificar pela sucessão de faltas graves cometidas por Siqueira, mas que Pedro tinha autorizado ao SLB, desde o apito inicial, com muitas faltas sem serem devidamente punidas. A grande penalidade foi uma invenção que a rapaziada amiga de PP contemplou como justa.
O FCP continua doente e como já escrevi num comentário é bom que não haja muita gritaria não vá o doente ter uma recaída. Afinal, temos que defender o 3º lugar e jogar a meia final da taça da Liga. Há muito ainda para ganhar, como lembrou o nosso Presidente.

quarta-feira, 16 de Abril de 2014

SMS do Dia

Merecidíssimo.

terça-feira, 15 de Abril de 2014

Querido, mudei o jogo!


Eram quase horas, testava-se a radiofonia e eis que surgiu, à porta de um vestiário verde, aquele personagem de perfil anafado e rosto luzidio. Tinha estado no exterior a incendiar as massas e, durante essa semana, proclamou os princípios, as nobres causas e a missão de uma organização com brasões e pergaminhos, atirando sempre o odioso para cima do “velho senil” – a origem de todos os males. E teve alguma habilidade para o conseguir, embora com a mesma elegância e grau de civismo de um javardo bosqueiro.

Abriu a porta e deu de caras com alguém que lhe era familiar e que logo exclamou:
Bruno!
Com a educação que lhe é cara e a voz de bagaceira velha respondeu:
Meus senhores, bom jogo! – e ainda aproveitou para atirar:
Vi-te lá… no coiso… Estavas a… (mãozitas para a frente e para trás, como quem está a correr)
Estavas lá Bruno?
Estava… Adeusinho. Bom jogo!
Obrigado Querido! 
Já agora, qual é a ementa para hoje?
Que tal Polvo no espeto?
Gosto disso!… Bom jogo!
Bom jogo!

O jogo foi bom. Finalmente foi possível assistir a um desafio em que a verdade imperou do princípio ao fim.

Esquecendo a ficção e voltando à realidade: já se sabe quem vai estar na 2ª mão da meia-final da Taça de Portugal?

segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Letargia na pedreira

O FC Porto apresentou um 'onze' com algumas surpresas em Braga. Na defesa jogaram Maicon e Abdoulaye como centrais e Victor Garcia (da equipa B) e Ricardo nas laterais e o meio campo ficou entregue a Carlos Eduardo - que tinha estado muito mal em Sevilha - Fernando e Josué (que ontem foi um dos melhores no FC Porto). Na frente jogaram Varela, Jackson e o desinspirado Licá.

Apesar do maior controlo demonstrado na primeira parte, fomos sempre uma equipa muito lenta e sem motivação, situação decorrente de um final de época sem quaisquer objectivos nesta prova. O FC Porto entrará em campo nas 3 últimas jornadas apenas para defender o orgulho e a honra.


Voltando à equipa, alguns jogadores mostraram porque não têm lugar no plantel do FC Porto e eu destacaria desde já o Licá e o Abdoulaye. Outros mostram algumas boas notas mas o colectivo terá de mudar radicalmente o mindset para a próxima época. A tal 'revolução' de que falava o jornal OJOGO na sua edição de Sábado tem mesmo de acontecer.

O FC Porto marcou primeiro por Varela aos 23' aproveitando bem uma óptima desmarcação de Jackson. Ainda na primeira parte houve dois cabeceamentos em zona frontal desperdiçados, um pelo avançado colombiano e outro por Carlos Eduardo. Apesar das situações de golo iminente, há que realçar que a equipa portista opta quase sempre por parar o jogo no meio campo e circular a bola entre os centrais mesmo quando a recupera em terrenos mais adiantados e apanha a defesa adversária em desequilíbrio, o que é desesperante para o adepto. Que FC Porto é este? Não há motivação, não há drive, não há vontade para jogar futebol. O estado anímico desta equipa é preocupante.


Na segunda parte o FC Porto continuou o seu processo de adormecimento e, além de recuar demasiado para manter a posse de bola, bastou que o adversário aumentasse o pressing no meio campo ofensivo para a defesa portista começar a meter água. O Braga empatou aos 57' numa arrancada pela direita de Pardo, deixando Abdoulaye pregado ao chão, e cruzando de seguida para entrada fulminante de Moreno ao primeiro poste. Logo a seguir mais uma perda de bola do defesa senegalês e Rafa a desperdiçar isolado frente a Fabiano. Valeu um Josué que procurou sempre novos caminhos para a baliza bracarense e descobriu Carlos Eduardo na área aos 85' para, de cabeça, fazer o 1-2. Passados poucos minutos e já contra um Sp. Braga muito longe da equipa de 2010/2011, sem capacidade de resposta, Josué galgou terreno e encontrou Quintero que fez o terceiro para o FC Porto. O 2º e 3º golos portistas foram marcados já muito perto do final da partida.


Depois de Barcelos, esta foi a segunda vitória fora de casa do FC Porto na 2ª volta da Liga. Isto diz tudo sobre a época que terminará em poucas semanas.

sábado, 12 de Abril de 2014

Tinha o representante errado

Entrevista de Lucho Gonzalez (fonte: O JOGO, 09-04-2014)

sexta-feira, 11 de Abril de 2014

O pulso do Dragão

As más temporadas são aquelas de que nos temos de lembrar sempre. Para que não se repitam. A complacência é a maior inimiga daqueles que querem reinar muito tempo. No Dragão sabem isso melhor do que ninguém. Contava Bill Paisley, mítico treinador do Liverpool, que ele também tinha estado nos anos difíceis do Liverpool. "Um ano acabamos em segundo", dizia entre gargalhadas. Mas tinha razão. Nos seus tempos de jogadores e fisioterapeuta viveu anos de segunda divisão com o histórico clube de Merseyside. A glória e o inferno caminham sempre demasiado perto.

O FC Porto tem vivido 30 anos únicos. Dificilmente se vão repetir. Pelo menos trinta mais.
Cabe a quem gere o clube, aos sócios e adeptos que vão guiar o futuro, ter isso em consciência. Somos uma geração mal habituada porque vencemos mais do que perdemos e fazê-mo-lo com uma regularidade espantosa. Muitos dos que estão na direcção do clube estiveram nesses momentos. Outros tantos partiram ou perderam voz. Nenhuma equipa dura para sempre no topo. É impossível. O melhor que se pode fazer é continuar a lutar e evitar que estas épocas se tornem em algo regular. Vão ser cada vez mais frequentes. Mas não serão necessariamente o caminho para um longo deserto. Só se a caravela, que se desviou de curso, se afaste demasiado e acabe perdida no meio do Oceano. Este ano podemos e devemos medi-lo sobre diversos pontos de vista porque solucionar só um dos muitos problemas que tivemos será manifestamente insuficiente se querem continuar a ser competitivos nos próximos cinco ou dez anos.

PLANTEL

Entre os adeptos há a teoria de que este plantel é pior que o dos últimos anos e a oposta, de que é um bom plantel. Não creio que seja nem uma coisa não outra. É um plantel caro. Isso sem dúvida. Mas não necessariamente melhor. Que se pague mais dinheiro por jogadores que antes seriam contratados por metade do valor não faz das opções à disposição necessariamente melhores. O plantel que a SAD quis ter e que o anterior treinador aceitou é desequilibrado. É inexperiente. Falta-lhe liderança. Falta-lhe coerência. E faltam-lhe opções para posições determinantes a um nível que condiga com as aspirações do clube. O erro na concepção do plantel de 2013/14 partiu do mitico minuto Kelvin. Um título caído do céu depois de um sprint final de loucos fez a SAD acreditar que tudo era possível. E permitiu a desvalorização da equipa, deixando sair o jogador que equilibrava todo o cosmos em campo. Sem Moutinho - e mais grave, sem um jogador substituto para Moutinho - o FC Porto perdeu muito. A saída de James também não foi compensada à Porto. Desde há muito tempo que Pinto da Costa - e muito bem - tinha por hábito contratar o sucessor de um jogador com saída anunciada na época anterior para permitir a transição. Com James e Quintero não o fez e o colombiano não teve o tempo que teve James para adaptar-se e encontrar o seu ritmo.
A época arrancou com um overbooking de centrais e médios interiores e uma escassez atroz de alternativas nas alas, tanto na defesa como no meio campo. Os laterais e os extremos foram esgotados até à exaustão e só quando chegou Quaresma é que se percebeu o que podia ter sido esta equipa com um jogador top na ala durante todo o ano. Jogador que, por certo, Quaresma não é. Para o micro-cosmos "liga portuguesa" serve mas se o FC Porto quer ser uma potência como já foi não há muito tempo, não o vai conseguir com um futebolista que nunca triunfou em clubes exigentes e que faz do futebol um exercício estéril de egocentrismo. Esse erro inicial (a saída de Iturbe, a falta de um extremo, de laterais que rendessem Danilo e Alex Sandro) foi pago ao longo dos meses. Mas apesar de haver muitas opções na medular, a qualidade era pior. Fernando não tinha alternativa. Defour, Carlos Eduardo e Herrera nunca foram jogadores ao nível de Moutinho e Lucho jogou meio ano fora do lugar até que se fartou de ser visto como o bode expiatório da incompetência alheia. Izmailov desapareceu do radar sem dar noticias e Josué e Licá demonstraram que nem todos os jogadores que fazem uma razoável temporada merecem jogar no Dragão. Olhando, cruamente, para o plantel do FC Porto deste ano em comparação com os últimos anos há mais nomes, mas a média da qualidade decaiu claramente. Sobretudo o que há é demasiados projectos de jogadores. Inexperiencia (como a de Reyes e Herrera, com consequências nos jogos europeus), jovens demasiado ambiciosos e com a cabeça noutras paragens e muitos futebolistas que precisam de aprender a enganar-se e que não têm tempo se ao lado não há lideres. Porque não há. A saída de Lucho e a lesão de Helton deixa evidente uma situação de desnorte. Nem Quaresma, nem Varela nem muito menos Mangala são lideres para um clube como o FC Porto. E Fernando, num caso mal gerido desde o primeiro dia, está mais preocupado consigo mesmo do que com a possibilidade de exercer esse papel. Em suma, uma equipa com muitas opções mas mal distribuídas e preparadas estava fadado a gerar problemas de difícil solução.


EQUIPA TÉCNICA

Vitor Pereira tinha as horas contadas em Março. O titulo no último suspiro deu-lhe um colchão emocional e colocou a SAD contra a parede mas as cartas estavam já há muito na mesa. O seu mandato nunca foi consensual (talvez porque lhe foram tirando armas que AVB teve direito sem o reforçar condignamente em posições chave) e seria difícil aguentar a exigência de um terceiro ano. Até aí estou de acordo com a posição tomada pela SAD. Mas para trocar um técnico bicampeão português por Paulo Fonseca, mais valia ter esperado. Por um milagre.
Pinto da Costa acredita que encontra génios debaixo das calçadas da Sé. Pensou que Paulo Fonseca era um novo Mourinho. Saiu-lhe um Quinito II. E saiu-lhe cedo. Desde Agosto que era evidente que o erro de casting era sério. Mas foi-se perpetuando no tempo custando muito ao clube. Paulo Fonseca tentou jogar em 4-2-3-1 numa equipa feita e pensada para um 4-3-3. Fez com que jogadores que estavam tacticamente brilhantemente preparados parecessem futebolistas de distritais. Não acertou com um  onze, inventou tudo o que lhe era possível e nunca soube dar a mão à palmatória. Insistiu no erro até ao fim e acho que saiu do clube sem perceber o que fez mal. Luis Castro, por muito competente que seja, também não tem o status necessário, nem o know-how, para dirigir um candidato perene ao título e ao que caía no colo. O FC Porto tem um modelo de jogo consensual, inteligente e uma política de evolução de jogadores que casa bem com um esquema disciplinado e que permite uma ligeira margem de erro quando os jogadores certos estão nas suas posições. Este ano isso não sucedeu, as debilidades individuais foram expostas em excesso e a moral do colectivo voou cedo para não voltar. A derrota em Sevilla, mais do que por questões arbitrais, deixou claro que o mal feito em Agosto só poderia ser corregido com tempo. Até Mourinho perdeu no seu primeiro meio ano nas Antas jogos que jamais voltaria a perder. O problema com a escolha de Paulo Fonseca está tanto no homem como no perfil. Em lugar de optar por técnicos de perfil alto, consagrados, excelentes gestores de homens e desenhos tácticos, procura-se exportar treinadores com pedigree como se faz com jogadores. Os milagres não acontecem todos os anos. Em trinta anos, Pinto da Costa conseguiu isso três vezes. Um por década. Está claro que há que esperar pelo próximo algum tempo. Mas se o perfil de futuro continuar a ser o mesmo é provável que os problemas se repitam. Se a aposta for conservadora, uma "jesualidização" sob a forma de Fernando Santos (a minha aposta pessoal, a contra-gosto), o fosso com os adeptos aumentará. Dificil decisão.

INSTITUIÇÃO

O FC Porto perdeu esta época muito em campo. E também perdeu fora dele.
O Clube cresceu e afirmou-se em dois jogos diferentes mas complementares. Desde há algum tempo para cá, a instituição está calada. Não defende o Clube como o fazia e muito bem, quando era preciso. Uma que outra entrevista insossa, um processo a um portista reconhecido por um fait-diver, e alguns comunicados não são suficientes para defender os interesses do clube face a uma mais do que evidente aliança de Benfica e Sporting, muito parecida como aquela que precipitou o Verão Quente de 1980. Parece evidente que o crescimento leonino vem de mãos dadas com uma politica calculada de queixas para colocar o FC Porto isolado dos centros do poder, com a anuência do Benfica que está disposto a deixar o Sporting a voltar a ter algum protagonismo mediático e institucional, sempre que seja á custa do FC Porto. É o que tem sucedido. Do Dragão só se ouve silêncio.
O Clube não consegue colocar homens influentes em posições como a presidência da Liga. Tem um presidente da Federação claramente hostil e um conselho de arbitragem que segue pelo mesmo caminho. E ao contrário da política guerreira e de ataque dos melhores anos do melhor presidente que o clube já teve (e terá), temos que suportar esse afastamento progressivo que só serve para danificar a imagem do Clube. O FC Porto precisa reforços em campo, no banco mas também nas posições de poder. Lamentavelmente a situação não vai mudar tão cedo. Pinto da Costa é finito nem que seja porque é humano. Tarde ou cedo acabará por retirar-se. Poderá fazê-lo, como merece, pelo seu pé, salvo que aconteça alguma fatalidade. E quando sair o clube vai ser uma velha viúva milionária com muitos pretendentes interessados, alguns até que aparecem em cena amando a outras cores, sejam vermelhas ou verdes. O pior que pode passar é uma guerra civil interna mas sem um sucessor ungido (como acredito que Pinto da Costa não vai fazer) e com facções já a batalhar, neste momento, por protagonismo, é a defesa colectiva exterior do Clube quem perde.

ARBITRAGENS E RESULTADOS

O FC Porto sofreu um péssimo ano arbitral na pele. Foi prejudicado claramente no campo do Estoril, Belenenses, Sporting e Nacional. O facto de ter jogado bastante mal nos quatro encontros permite-nos uma análise mais fria. Mas os factos são esses. Na Europa também pagou o preço de uma arbitragem habilidosa nas duas mãos contra o Sevilla. Mas ninguém cai por 4-1 por causa, exclusivamente dos árbitros. Houve erros que custaram pontos importantes - muito por culpa dessa falta de peso institucional tanto dentro como fora, onde desde o Apito Dourado a influência do Porto é mínima - mas a maioria dos resultados da época foram merecidos. A péssima fase de grupos da Champions League e as prestações cinzentas contra o Frankfurt, na primeira parte em San Paolo e em Nérvion, são consequência de tudo o que disse antes. Na liga o FC Porto perdeu pontos por culpa própria, na maioria das ocasiões, e com alguma ajuda alheia noutras. Ainda que pese - especialmente porque o plantel do Sporting é o que é - a posição no campeonato adequa-se perfeitamente ao que foi feito, a eliminatória europeia é uma consequência natural na falta de competitividade e ordem da equipa e o duplo duelo contra um Benfica que está, claramente melhor, servirá apenas de consolo moral. Pela primeira vez em muito tempo, os encarnados estão, claramente, á frente em todos os sentidos de jogo do que o FC Porto. E essa é a pior noticia do ano.



VISÃO A CURTO PRAZO vs VISÃO A MÉDIO PRAZO

Num Verão que se adivinha quente, a SAD do FC Porto tem duas opções. Buscar uma solução imediata a um ano grave ou pensar a médio prazo. Foram feitas coisas boas este ano. Contratar jovens com potencial e do mercado nacional (o próximo a caminho parece ser o Ricardo Horta) é uma linha interessante. Aproveitar as sinergias com a equipa B também o será. Mas esses jovens não vão ser capazes de dar um passo em frente sem estarem devidamente acompanhados. O Clube pode emular o que fez em 2010, contratando o experiente Moutinho, não vendendo as estrelas da companhia (apenas dois jogadores em fim-de-ciclo) e apostando tudo em recuperar o ceptro. Mas há dinheiro para isso depois de tantos negócios excessivamente caros, de tantas comissões e do risco de falhar a Champions League, outra vez?
Se Fernando, Mangala e Jackson eventualmente saírem, a resposta terá de ser outra, a pensar numa recuperação a médio prazo em que os jovens jogadores tenham um par de épocas para se afirmarem, sendo reforçados, progressivamente, pelo mesmo modelo de jogadores que nos fez chegar onde estamos. Jogadores como Zahovic, como Derlei, como Drulovic, como Kostadinov, Deco, Jardel, Lisandro, Lucho ou McCarhty que sem terem sido excessivamente caros deram um plus de qualidade ao colectivo. Para isso urge procurar novos mercados, fugir da tentação de pagar cada vez mais caro e sobretudo, aceitar um modelo de gestão onde o treinador tenha uma palavra a dizer.

HOW THE MIGHTY FALL

Comecei este texto com o Liverpool. Não foi casualidade. Quando Shankly chegou ao clube, a final dos anos cinquenta, o "Pool" estava na II Divisão. Quando Pinto da Costa e Pedroto chegaram ao Porto, o clube estava a viver o seu maior deserto, acabando alguns anos fora do top quatro. Durante vinte e trinta anos, respectivamente, os dois clubes dominaram a sua liga nacional e brilharam na Europa. Depois, no caso dos Reds, veio um longo e penoso deserto. Cabe ao FC Porto estar atento a esse (E tantos outros exemplos que a história nos dá) caso para ter atenção ao futuro que nos espera. É preciso pensar no amanhã e no depois. É preciso que quem gere o Clube pense nele primeiro. Que os jogadores que fiquem e os que cheguem sejam escolhidos a dedo e para algo mais do que serem vendidos com margem de lucro. E que o próximo homem a sentar-se na "cadeira de sonho" seja mais do que uma flamante promessa ou um veterano amigo do Presidente sem nada nas mangas. É preciso tomar decisões dificeis. É nestes momentos que se vê a alma do Dragão. Os adeptos estão, seguramente, todos com o Clube e esperam. A um sinal de que isto é uma curva apertada e não um abismo!

O sucesso cega; o sucesso absoluto, cega absolutamente

 Melhor que aprender com os próprios erros, é aprender com os erros dos outros. 


Quem julga que sabe tudo, não aprende nem com uns, nem com outros. 

quinta-feira, 10 de Abril de 2014

O jogo durou 3:40

Antes do jogo começar, já se sabia que não era fácil jogar no Sanchez Pizjuán (há 15 dias atrás o Real Madrid perdeu lá por 2-1 e perdeu também a liderança da Liga espanhola); já se sabia que Jackson e, principalmente, Fernando não podiam jogar; e já se sabia que um dos trunfos do FC Porto era estar em vantagem na eliminatória (1-0) e, por isso, poder jogar com o relógio, bem como, com a ansiedade e adiantamento dos jogadores da equipa andaluza.

Mas o jogo durou apenas 3 minutos e 40 segundos, porque o senhor Gianluca Rocchi assim o determinou.

1:13 – Herrera recupera a bola no meio campo portista e parte num rápido contra-ataque, causando o pânico na defesa sevilhana que, in extremis, consegue interceptar um passe à entrada da área.

2:18 – Após recuperação de Carlos Eduardo, Varela parte em rápido contra-ataque, mas é agarrado e puxado por trás por Mbia. Quando se esperava que o árbitro mostrasse o cartão amarelo ao possante médio defensivo do Sevilha, o qual ficaria condicionado para o resto do desafio, nada!

Sevilha x FC Porto

3:40 – Vitolo (partindo de posição irregular) cruza da direita, Bacca antecipa-se e, depois de passar por Danilo, estica a perna esquerda para trás e mergulha para o relvado. O árbitro, em vez de mostrar um cartão amarelo a Bacca, por evidente e ostensiva simulação, decide assinalar penalty contra o FC Porto.

Para mim, o Sevilha x FC Porto acabou aqui, aos 3:40 (estou farto destas arbitragens).

O resto, os restantes 86 minutos, foram outra coisa, quer na cabeça dos treinadores, quer no estado de espírito dos jogadores de ambas as equipas. Do lado do FC Porto, os "cacos" que Luís Castro anda a tentar colar, desde que assumiu o lugar que era de Paulo Fonseca, nunca mais foram uma Equipa.

P.S.1 O 3º golo do Sevilha nasce de uma falta inexistente de Mangala, em que, ainda por cima, viu um cartão amarelo que o condicionou para o resto do jogo (e, se o FC Porto tivesse seguido em frente na Liga Europa, o impediria de jogar o 1º jogo das meias-finais).

P.S.2 Não sei se Fernando já está vendido (o seu empresário dá a sua saída, no final desta época, como certa) mas, num jogo a sério e de grau de dificuldade elevado, viu-se o que é esta equipazinha e, particularmente o meio-campo portista, sem o "Polvo". Algo para os responsáveis da FC Porto SAD meditarem.

P.S.3 No meio de tanta mediocridade, Quaresma voltou a ser um oásis de qualidade. Foi dos pés dele que saíram as melhores oportunidades do FC Porto e foi ele que marcou o único golo (e que golo!) dos dragões. Se Quaresma não fizer parte dos 23 seleccionados por Paulo Bento para o Mundial do Brasil, será um crime de lesa futebol.

quarta-feira, 9 de Abril de 2014

O sorriso amarelo de Bacca

Carlos Bacca versus Jackson Martínez (fonte: ViveFutbol)

Jackson e eu falámos e ele está aborrecido por não poder jogar esta partida. Disse-me que ninguém do clube o avisou que estava à bica. Ele não sabia. Devíamos oferecer à pessoa do FC Porto encarregada de o avisar um passeio por Sevilha
Carlos Bacca


Eu, que sou um mero adepto, sabia que se Jackson, Fernando ou Mangala vissem um cartão amarelo no FC Porto x Sevilha, não poderiam jogar no Sanchez Pizjuán. Por isso, acho muito estranho que o Jackson Martinez, profissional de futebol, não tivesse consciência dos amarelos que, ele próprio, já tinha visto em jogos anteriores da Liga Europa.

Mas, independentemente disso, o que impede Jackson Martinez de jogar em Sevilha não foi o (des)conhecimento da sua situação em relação ao número de cartões amarelos.

O que eu sei, porque vi (e disse-o na altura) é que o cartão amarelo mostrado a Jackson no FC Porto x Sevilha é ridículo, no meio de uma arbitragem do senhor Wolfgang Stark que, em termos disciplinares, foi uma vergonha.

Aliás, já na eliminatória anterior, o Alex Sandro foi afastado do jogo de Nápoles, por causa de um amarelo numa jogada com o Callejón que, para mim, nem falta era, que fará para amarelo.

Claro que Bacca tem razão em ficar satisfeito por Jackson não poder jogar mas, na minha opinião, Fernando vai fazer ainda mais falta que o ponta-de-lança colombiano. É que, para além de Fernando ser o melhor médio defensivo português, a sua ausência irá obrigar Luís Castro a mudar, pelo menos, duas posições no meio-campo portista, porque Defour terá de ser deslocado da sua posição habitual para jogar no lugar do “Polvo”.

Juntar os cacos…

«O trajeto de Paulo Fonseca no FC Porto tem sido marcado por muitos desvios. (…) Quintero chegou a ser um salvador, mas em 2014 ainda nem esteve em campo o tempo equivalente a um jogo completo. Licá começou a época em grande plano, mas no início de outubro já tinha perdido o lugar. Kelvin foi recuperado a dada altura, mas rapidamente «desapareceu». Maicon chegou a relegar Otamendi para o banco, para agora ser suplente de Abdoulaye, recuperado do empréstimo ao V. Guimarães no último dia do mercado.»
Nuno Travassos, 25-02-2014


Luís Castro no 1º treino (fonte: www.fcporto.pt)

«Nesta quarta-feira, véspera da importante visita a Sevilha, Luís Castro cumpre um mês como treinador do FC Porto. (…) para além da fria análise aos resultados há que ter em conta a forma como Luís Castro conseguiu juntar os cacos. Desde logo invertendo o meio-campo para a disposição habitual nos últimos anos, algo a que Paulo Fonseca sempre resistiu.

Castro teve também a coragem de apostar consistentemente em Diego Reyes, que continuará a cometer erros pontuais, mas integrados no processo natural de evolução de um jovem que vai dar muito dinheiro à SAD. O técnico tem também mérito na recuperação de Quintero, mesmo que o talentoso colombiano não tenha ainda lugar no «onze», e teve sobretudo a audácia de olhar para Ghilas como algo mais do que o suplente de Jackson Martínez. Entender o argelino como alguém compatível com o «Cha Cha Cha», e não apenas quando o resultado é desfavorável.»
Nuno Travassos, 08-04-2014


Extractos de dois artigos de opinião do jornalista Nuno Travassos, autor de um espaço de análise técnico-tática no site Maisfutebol.

Os dois artigos completos podem ser lidos em:

terça-feira, 8 de Abril de 2014

Gianluca Rocchi no Sanchez Pizjuán

Gianluca Rocchi
A UEFA escolheu o senhor Gianluca Rocchi para dirigir o desafio entre Sevilha e FC Porto.

O FC Porto não tem grandes recordações deste árbitro italiano, de 40 anos, natural de Florença. De facto, Rocchi já apitou dois jogos do FC Porto, ambos fora de casa e ambos terminaram com derrotas dos dragões:
- 2010/2011, Villarreal x FC Porto (3-2);
- 2012/2013, APOEL x FC Porto (2-1).

Neste regresso do FC Porto a Espanha, para decidir uma eliminatória da Liga Europa, recordo que o desempenho deste árbitro no El Madrigal, no 2º jogo das meias-finais da Liga Europa 2010/2011, foi muito caseirote (felizmente a eliminatória tinha ficado praticamente decidida no jogo da 1ª mão, após os 5-1 alcançados no Estádio do Dragão).
Recordando os três golos do “submarino amarelo” nesse jogo...
O 1º golo do Villarreal foi precedido de fora-de-jogo;
O 2º golo do Villarreal foi precedido de falta, não assinalada, sobre Sapunaru (empurrado);
O 3º golo do Villarreal foi de penalty, algo forçado, e com o executante (o seu compatriota Giuseppe Rossi) a fazer uma “paradinha”.

Ficha do jogo Villarreal x FC Porto (fonte: zerozero.pt)

Como se isto não bastasse, o árbitro revelou uma grande complacência para com os jogadores do Villarreal, que se fartaram de dar pau mas, em contraponto, mostrou quatro cartões amarelos a jogadores do FC Porto (André Villas-Boas teve o cuidado de substituir João Moutinho aos 52', não fosse o diabo tecê-las, para o salvaguardar de um amarelo que o afastaria da Final).

Por tudo isto, não gostei desta nomeação e, mal tive conhecimento da mesma, lembrei-me do perigo invisível, que referi em Abril de 2011.

E também foi inevitável lembrar-me da arbitragem de outro italiano, Nicola Rizzoli, numa outra eliminatória com o 2º jogo também disputado em Espanha - o Malaga x FC Porto da época passada. Aos 30 minutos, três jogadores do FC Porto já estavam amarelados: Otamendi (17’), Defour (24’) e Alex Sandro (30’).

Espero que todos estes factos sejam apenas más coincidências e que, na próxima quinta-feira, o árbitro italiano não se deixe influenciar pelo ambiente e/ou por pressões externas.

Um cretino, é um cretino

"(José Godinho [árbitro]) não presta como árbitro e como homem, porque foi prepotente para baixo e subserviente para cima." (21/03/2003)
 
"Não sou fiscal de arbitragens. (...) O futebol português tem a felicidade de ter muitos bons jogadores e treinadores e, de há 10 anos para cá, de ter também árbitros de excelência." (30/03/2014)

"Não sou ator de comédia. Este rio a gente sabe onde nasceu e onde quer desaguar. Não nasceu nem em Setúbal, nem em Palmela, nem aqui na zona, nasceu muito a norte. Foi um conjunto de erros que começou logo no penalty muito duvidoso aos 3 minutos. Depois um fora de jogo mal marcado a Rondon. Um penalty que não é marcado sobre o Gomaa." (06/04/2014)

Manuel Machado não conhece os conceitos de Hipocrisia, nem Coerência; não é fiscal de arbitragens, não é actor de comédia; como treinador, também não é grande coisa, mas é bom saber que há algumas certezas com que se pode contar (e que ele próprio gosta de divulgar).

P.S.: Mal vai o mundo quando se investe tanto em algo tão supérfluo como lipoaspirações, e tão pouco para ajudar quem sofre de atraso mental.

domingo, 6 de Abril de 2014

Académica e Sevilha ao mesmo tempo…

FC Porto x Académica: Onze inicial

Por muito que quiséssemos tirar o foco do jogo seguinte, com 3-0 era muito difícil. O jogo de Sevilha é demasiado importante para sair das nossas cabeças. Pronto, agora sim, passamos ao jogo de Sevilha. Mas passámos 45 minutos antes do que devíamos ter feito. (…)
Sim, pesou [o Sevilha x FC Porto da próxima quinta-feira]. Foi o primeiro jogo em que substituí a pensar na gestão e não no jogo. Mas fi-lo sem beliscar o rumo que queria dar ao jogo
Luís Castro, na conferência de imprensa após o FC Porto x Académica


Luís Castro diz que o jogo de Sevilha começou a ser jogado (na cabeça dos jogadores) ao intervalo do FC Porto x Académica, mas a mim pareceu-me que começou mais cedo.
E na cabeça do treinador começou (e bem!) antes do início do jogo, ao não convocar Mangala e Defour e ao deixar no banco de suplentes três outros titulares do recente FC Porto x Sevilha - Danilo, Carlos Eduardo e Quaresma.

Num clube habituado a lutar pelo título (convém lembrar que o FC Porto é “apenas” o atual Tricampeão nacional!), é normal que, com o 1º e 2º lugar a uma distância inalcançável, os jogadores sintam pouca motivação no que resta deste campeonato, visto que a única coisa que está em causa é assegurar o 3º lugar.

Ora, tendo este jogo com a Académica sido jogado a pensar no próximo (Sevilha x FC Porto), pode dizer-se que, no essencial, correu bem.
Correu bem porque ninguém se lesionou (já chega de lesões e castigos!).
Correu bem porque oito dos prováveis titulares no jogo a disputar no Sánchez Pizjuán – Danilo, Mangala, Alex Sandro, Defour, Carlos Eduardo, Varela, Quaresma e Ghilas – foram poupados ou o treinador geriu o seu tempo de jogo.
E correu bem porque, pela primeira vez na era Luís Castro, o resultado final (3-1) foi claramente melhor que a exibição.

Em termos individuais, de salientar as três extraordinárias defesas do Fabiano, duas delas a desviar para os postes da sua baliza bolas que levavam o selo de golo, mas também as exibições de dois jogadores que praticamente não contavam para Paulo Fonseca: Ghilas e Diego Reyes.

Acerca da exibição de Ghilas, a jogar de início e descaído numa das alas (algo que para Paulo Fonseca parecia quase proibido…), Pedro Jorge da Cunha, do site Maisfutebol, escolheu-o como a Figura do Jogo e escreve o seguinte:
«Ghilas somava 150 minutos para a Liga quando o anterior treinador saiu, sendo que grande parte desse tempo de utilização (90) foi somado no empate de Guimarães. Fonseca nunca olhou para Ghilas como verdadeira opção e jamais pensou nele como alternativa ao lote de extremos. A forma errada como geriu o tempo de jogo do ex-Moreirense é um bom exemplo da sua incapacidade no comando técnico do FC Porto.»

E eu aproveito para recordar aquilo que escrevi nos seguintes artigos:

Quanto a Diego Reyes, que andou “desterrado” sete meses pela equipa B, voltou a jogar 90 minutos e voltou a ser dos melhores. Sem me alongar muito (para já), diria que foi notória a diferença de qualidade em relação ao outro defesa-central (Abdoulaye Ba), com quem fez dupla neste jogo.

Faltam quatro jogos para terminar o campeonato. Não vão ser fáceis e, com a excepção do último (FC Porto x slb), prevejo que serão penosos.

sábado, 5 de Abril de 2014

Nós somos Porto!


O que mais importa aos sócios e adeptos do FCP não são as falhas da arbitragem que têm sido muitas, nem os azares que têm sido mais do que merecíamos, são as incertezas que lhe causam as intermitências da equipa, quer no plano colectivo quer individual. E a qualidade do grupo e dos jogadores são postos em dúvida, muito justamente. Os resultados não enganam, a não ser os que querem viver na ilusão.
Não sei o que passa na cabeça dos prezados consócios, mas ando confuso porque a equipa continua muito frágil, nomeadamente fora do Dragão, e parece não ter pernas para tanta competição. Não sei, nem tenho que saber, se a pré-época correu nos conformes para preparar a equipa, se o plantel é demasiado curto, se o recrutamento foi caro e não preencheu as necessidades imediatas ou se o treinador que foi escolhido foi demasiado frágil para servir uma equipa de topo. Se calhar, foi de tudo isso um pouco, que é uma outra forma de confirmar que tenho muitas dúvidas e poucas certezas. A SAD do FCP tem sabido merecer a confiança, e os títulos e a obra são prova disso. Mas, esses dirigentes e os sócios sabem que ao FCP, para estar por cima, é exigido um esforço muito maior e os erros custam muito mais caro que aos seus rivais. Se fosse economista, chamava-lhes os custos de contexto. Não é por acaso que três dos clubes da grande Lisboa ficarão nos quatro primeiros ligares da liga principal. Não podemos desbaratar o que tanto custou a construir. A revisão do que tem corrido mal (nos últimos três anos) não pode ser alienada a favor dos êxitos do passado e do dever da gratidão.

Aos sócios compete apoiar a equipa, muito prioritariamente nos momentos difíceis, e devem cumprir a sua parte, sem hesitações. É uma obrigação, nesta fase do campeonato. Mas, o seu compromisso com o FCP vai muito ia além disso. Os sócios não são meros consumidores e batedores de palmas ou de pateadas, conforme o grau de satisfação. Têm o direito (e o dever) de exigir boas contas e escrutinar o trabalho de quem dirige.
A SAD está mais longe de nós porque responde perante os accionistas. Mas, muito se pode fazer ouvir e não apenas no doce recato das redes sociais. Não basta. Os portistas têm de sair da sua zona de conforto e incomodarem-se um pouco, para além do assobio. E isso não significa estar contra: pela minha parte sou sempre e exclusivamente a favor do FCP. Apoiarei a equipa até que a voz me doa, mas farei todo o esforço que me for possível para participar nos locais próprios para esgrimir argumentos e denunciar o que me vai na alma, em nome do futuro. Nós somos Porto.

sexta-feira, 4 de Abril de 2014

Bolas aos postes e golos anulados…


«As balizas são constituídas por dois postes verticais equidistantes das bandeiras de canto e unidos na parte superior por uma barra transversal horizontal. Os postes e a barra deverão ser de madeira, metal ou outro material aprovado. Poderão ter forma quadrada, rectangular, redonda ou elíptica e não deverão constituir nenhum perigo para os jogadores.
A distância entre os dois postes é de 7,32 m e a distância do bordo inferior da barra transversal ao solo é de 2,44 m.
Os dois postes e a barra devem ter a mesma largura e espessura, que não devem exceder 12 cm. (…)»
Lei 1 - Terreno de Jogo


Desde que Luís Castro substituiu Paulo Fonseca no comando técnico da equipa de futebol principal do FC Porto, os dragões disputaram 8 jogos num intervalo de apenas 26 dias (entre 9 de Março e 3 de Abril).

8 jogos do FC Porto sob o comando de Luís Castro (fonte: zerozero.pt)

Para além da melhoria verificada no desempenho global da equipa portista (apesar dos sucessivos impedimentos de jogadores, por lesão e castigo, e do calendário difícil que teve de enfrentar neste período), há um fenómeno comum a esses oito jogos: bolas nos postes das balizas adversárias.

FC Porto x Arouca (09-03-2014)

8’: Ao poste! Jackson cabeceou e a bola foi ao poste da baliza defendida por Cassio.


FC Porto x Nápoles (13-03-2014)

21’: Golo mal anulado ao FC Porto! Jackson cruzou para Carlos Eduardo, que finalizou com sucesso, mas foi assinalado (erradamente) fora-de-jogo.

82’: Ao poste! Bola desviada por Quintero, foi directa ao poste de uma baliza completamente escancarada.


Sporting x FC Porto (16-03-2014)

29’: À trave! Quaresma flectiu da esquerda para o meio e rematou com força e em arco, fazendo a bola passar por cima de Rui Patrício e bater na trave.


Nápoles x FC Porto (20-03-2014)

33’: Ao poste! Jackson cabeceou e a bola “beijou” o poste da baliza defendida por Pepe Reina.

72’: Ao poste! Defour, lançado em contra-ataque, entrou na área, rematou, mas acertou no poste.


FC Porto x Belenenses (23-03-2014)

27’: Golo mal anulado ao FC Porto! Josué cruzou para Jackson Martínez, o qual saltou mais alto que o defesa do Belenenses (João Meira) e cabeceou para o fundo das redes, mas o golo foi anulado por pretensa irregularidade.

30’: Ao poste! Varela cabeceou, Matt Jones ficou parado a “defender com os olhos”, e a bola foi ao poste.

81’: À trave! Livre executado por Quintero e a bola bateu estrondosamente na trave.


FC Porto x Benfica (26-03-2014), Taça Portugal

77’: Ao poste! Recepção fantástica de Jackson, que ficou isolado e rematou ao poste da baliza defendida por Artur.


Nacional x FC Porto (30-03-2014)

59’: Ao poste! Na execução de um penálti, Quaresma enganou o guarda-redes, mas rematou “demasiado colocado” e a bola foi ao poste.

78’: Golo mal anulado ao FC Porto! Jackson saltou antes e mais alto que o defesa do Nacional (Marçal) e cabeceou para dentro da baliza, mas João Capela anulou o golo, assinalando uma pretensa falta do ponta-de-lança colombiano.


FC Porto x Sevilha (03-04-2014)

44’: Ao poste! Espectacular remate de Defour à entrada da área, com Beto a voar e a desviar ligeiramente a trajetória da bola com as pontas dos dedos, que foi bater no poste esquerdo da baliza do Sevilha.

90’+2: Ao poste! Livre de Quaresma, a bola bateu na barreira e, na recarga, novo remate do “mustang”, com a bola a desviar num defesa do Sevilha e ir embater novamente no poste esquerdo da baliza defendida por Beto.


Resumo: 8 jogos, 11 bolas nos postes da baliza adversária (!!!) e 3 golos do FC Porto mal anulados pelos árbitros!

É verdade que o futebol tem algo de aleatório e ter “azar/sorte” num jogo é algo que acontece, a todas as equipas, de tempos a tempos. Contudo, em cerca de 35 anos a acompanhar os jogos do FC Porto, não me lembro de alguma vez ter assistido a oito jogos seguidos, com o FC Porto sempre a enviar, pelo menos, uma bola aos postes da baliza adversária. Será recorde nacional/europeu/mundial?

P.S. Havia quem recorresse, frequentemente, ao “azar/sorte/infelicidade/...”, como argumento para justificar os maus resultados do FC Porto de Paulo Fonseca. Bem, se esse argumento era válido para Paulo Fonseca, o que dizer da “sorte” de Luís Castro?