quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Maicon a capitão? Próximo!

O que é um capitão do FC Porto? Qual é o perfil de jogador?

A pergunta terá certamente muitas respostas, algumas com partes bem antagónicas, mas todas elas têm de certeza uma coisa em comum: o FC Porto está em primeiro das prioridades, no topo, sem excepções. No campo só há um pensamento, e esse é o FC Porto!

Tem que ser alguém que quebra antes de torcer, que quando a situação aperta cerra os dentes e empurra para a frente, que não conhece a palavra desistir, que quando perde não dorme, que chora com os adeptos sofrem com uma derrota. Tem de ser um de nós. Um portista!

O Maicon, o Herrera, o Brahimi, o Indi, algum deles é isso?
Já foi visto várias vezes, mas no ultimo jogo assistiu-se, mais uma vez, ao atropelo de uma das tradições em campo do FC Porto desde que eu me lembro: em casa jogamos a segunda parte para sul. Isto só não acontece quando o sorteio não o permite. No domingo passado, o Arouca saiu com a bola, o que faz com que tenha sido o capitão do FC Porto a pedir para jogar na primeira parte para sul.
A gota de água que fez transbordar o copo que tinha a paciência para aturar um jogador medíocre como o Maicon, foi ele ter abandonado o campo a meio de uma jogada, quando os seus colegas de equipa precisavam dele... Naquele momento devia ter pedido a substituição, cerrado os dentes, e aguentava em campo o tempo que fosse preciso, nem que tivesse que disputar os lances com o pé debaixo do braço!

Melhor do que utilizar palavras, há dois vídeos que mostram bem o que para mim é um capitão.

Capitão João Pinto a receber a Taça de Portugal debaixo de uma chuva de objetos


Capitão Pedro Emanuel, a mancar, tenta em desespero de causa tirar um bola de dentro da baliza

"Quando falo da ausência e do desaparecimento daquilo que é a mística e as referência do que é a cultura do FC Porto, refiro-me a isto. Isto é impensável. Vi o João Pinto, e só para falar dos meus capitães, a ter um dedo do pé fraturado e a obrigar o médico a dá-lo como apto para ir lá para dentro, rasgando a bota do lado esquerdo onde o dedo estava em contacto e pintando a meia branca de preto para poder ir lá para dentro. Quando vemos o nosso capitão a fazer aquilo, vamos com ele até à morte. É isto a transmissão de valores. Ele aprendeu com alguém, eu e o Fernando Couto com ele, o Jorge Costa connosco e a seguir o Bruno Alves e outros tomaram o testemunho."
Por Vitor Baia

Há várias histórias de capitães que deram tudo pelo FC Porto, noutros tempos, em que estar no FC Porto era o destino, um concretizar de um sonho, e não apenas um mero ponto de passagem para um salto para um contrato das arábias. Esses tempos passaram, e nunca mais vão existir planteis carregados jogadores satisfeitos por este poder ser o seu último clube, mas não há espaço para dois ou três? Que possam ser capitães em campo e fora dele, e que possam representar tudo aquilo que este clube é para nós? 

O que preciso num capitão? Que seja portista, que seja do Norte,que tenha feito o máximo percurso na formação, que sofra connosco quando as coisas não corram bem, que seja dos nossos... 

Neste plantel vejo um candidato: André de seus dois nomes...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O programa eleitoral

O FC Porto está a uma distância praticamente irrecuperável do título e depende, e muito, do que faça na próxima sexta-feira o acesso directo à Champions League e aos seus 12 milhões de euros garantidos. Não é por casualidade que o sorteio preliminar é cada vez mais exigente. Não caem Lille´s todos os anos do céu. Como se ninguém desse por isso, como habitual, daqui a dois meses há igualmente eleições. Possivelmente, como habitual, com lista única e vencedora antecipada.

Um processo eleitoral é algo que não se valoriza nunca o suficiente. É um elemento fundamental - não único nem exclusivo mas fundamental - da vida de uma instituição, a voz daqueles que fazem dessa instituição algo seu. E antes de uma eleição o lógico é que quem possa votar tenha acesso ao programa eleitoral ou, pelo menos, a um programa de intenções para os anos de mandato. Há clubes que transformam as suas eleições numa espécie de corrida à Casa Branca - casos do Real ou Barcelona - onde se prometem estrelas, investimentos, projectos, onde se debatem ideias. Cada candidato apresenta o seu programa e sabe que corre o risco de ser culpabilizado durante os anos de mandato se não cumprir o prometido. A Laporta muitos adeptos lhe criticaram o bluff que foi dizer que contava com Beckham mas ninguém ousou questionar quando colocou no seu programa a extinção da claque Boixos Nous, um grupo ultra-violento. Não cumpriu o primeiro - trouxe Ronaldinho, melhor decisão ainda que menos mediática então - mas fez o que tinha de fazer com a claque. Florentino Perez, já sabemos, colocou por escrito que pagaria do seu bolso o lugar anual de todos os sócios do Real Madrid se não trouxesse Figo. Com as cartas na mesa é mais fácil votar.
No caso do FC Porto, não sabemos realmente nada disto porque discutir ideias eleitorais para o futuro do clube é algo que desde 1982 desapareceu do mapa. Basicamente o caminho tem-se feito caminhando, à base da crença. Não foi, longe disso, um mau caminho. Mas há muito que derrapou ainda que se continue a avançar, agora por descampados abandonados em vez de estradas bem asfaltadas. E porquê? Porque sim.



A dois meses das eleições eu gostava de saber qual era o programa eleitoral para os próximos quatro anos de clube. Que podemos esperar de quem vai governar na certa - mesmo que surja, espontânea, das entranhas do portismo mais corajoso, uma lista alternativa - os destinos do clube até 2020?
Já sabemos que o candidato ganhador está de boa saúde (felizmente) e quer construir um grande centro de formação para o futuro. É um discurso copiado dos anos oitenta, quando se prometiam museus (que demorou mais de duas décadas), pavilhões (que demorou uma eternidade), e um eterno pulso contra os interesses asfixiantes da capital (que é um discurso indigno, aparentemente, nos dias que correm). Portanto calculem o centro de formação lá para 2030. Se tiver atrás o mesmo gestor do projecto Visão, juntem mais uma década até resolver todos os problemas estruturais e em 2040 La Masia vai estar nas margens do Douro na certa.
Mas, há algo mais a que o sócio portista possa acudir quando vá colocar o seu voto? Tem havido sinais de ideias para o futuro? Neste momento, prima, o silêncio o que nos permite suspeitar que o programa ainda está a ser organizado pelo que podemos antecipar, talvez, que pontos poderão ser incluídos. A saber:

- o FC Porto deixará de falar de árbitros. O FC Porto deixará de falar do Conselho de Arbitragem, dos kits a árbitros, dos jantares e almoços, dos sorteios...o FC Porto deixará de denunciar a corrupção arbitral e a influência dos clubes de Lisboa nas tomas de poder. Isso é indigno do FC Porto. Quando, em última análise, a direcção quiser mencionar algo, será de forma metafórica e graciosa - via email - porque estamos acima dessas coisas.

- a comunicação externa será gerida por mulheres, companheiras e amigas de funcionários do clube, independentemente do seu estatuto no organigrama. São pessoas de confiança e tudo o que disserem reflecte o que pensamos. Poupam-se assim os salários dos eventuais relações públicas que podem ser investidos em contratações para instituições ligadas ao clube de pessoas de confiança. Que sejam ou não familiares directas de funcionários do clube é irrelevante...porque estamos acima dessas coisas.



- não há necessidade de uma direcção desportiva. Temos externalizados os serviços de contratação, negociação de contratos, agenciamento, scouting e empréstimos a uns amigos porreiros que só querem o melhor para o clube. Vamos brevemente abrir duas novas delegações negociais, uma numa aldeia perdida das Midlands a meio caminho de tudo o que é clube rasca mas rico da Premier e outra na costa chinesa, a pouca distância de Macau, porque esse é o futuro. Não se preocupem com os orçamentos desproporcionados, o aumento dos gastos anuais em salários ou o plantel de guarda-redes que estamos a formar paralelamente para começar um novo desporto. Confiamos nos nossos amigos mesmo quando publicamente dizemos que nos enganaram por contratarem um jogador um ano antes de nós nos termos dado conta e cuja chegada foi evidentemente exigência do treinador.

- a pessoa que estiver sentada no banco com o estatuto do treinador é um acessório que se vende em separado e pode ser trocado ciclicamente sem influenciar a qualidade do produto. A estrutura somos nós, quem ganha somos nós e esse senhor sabe disso e deve assumi-lo desde o primeiro momento. No entanto, como lhe estamos a fazer um favor ao tê-lo ao serviço do maior clube português, como contrapartida deve assumir que no contrato há uma clausula invisível que diz que deve dar a cara pelo clube sempre, dizer tudo aquilo que nos reservamos e que ao menor sinal de barulho terá de abandonar o navio, mesmo que o tenhamos elogiado semanas antes, porque aqui o mérito é nosso...a culpa, dele.

- os sócios, adeptos, simpatizantes ou turistas da Ryanair que vão ao estádio são consumidores e o que pensem ou não do clube importa-nos pouco porque temos claro o nosso caminho e com quem e como queremos trabalhar. Agradecemos os aplausos, os gritos de apoio, as compras de equipamentos, kits, cachorros e pipocas e sobretudo que tenham a sensatez de assobiar a pessoa que estiver sentada no banco ou qualquer um dos tipos vestidos em campo que pertencem à empresa de externalização de serviços porque nos permitem resolver os problemas facilmente. Como? Porque a culpa, já sabemos, é deles.

- ser campeão está demodé. ser uma equipa competitiva na Europa é tão século XX. Nós pensamos em grande. O nosso objectivo é "Somos Porto" e com isso dizemos tudo. A questão desportiva de ganhar, perder ou empatar, ser eliminados de torneios de primeira ou terceira, conectar a equipa B com os A, isso são questões aborrecidas. O mundo intenso e emocionante dos jantares, das transferências com clubes presididos por tipos que nos insultam, o falar espanhol para o El Pais e falar chinês para o Diario de Pequim, isso é que está a dar. Temos um canal catita e familiar, um estádio state of the art com pavilhão e museu ao lado que é a inveja do mundo e ganhamos umas coisas nos últimos cinco anos, que mais querem?



Há coisas que se dizem, há coisas que se sentem. O FC Porto vai a eleições, provavelmente sem listas (no plural) e sem programa (no singular). Mas isso não significa que se vá a eleições sem um plano de futuro concreto, mesmo que oculto e silenciado por ruidos externos que permitem tapar tanta, tanta coisa. A votos, realmente, vão duas Champions League, duas Intercontinentais, duas UEFA/Europa League, 20 Ligas... tudo entre 58 titulos. Que o mais recente campeonato seja de um mandato anterior e que, desde então não haja nada para oferecer a não ser um bilhete para o museu, diz muito da necessidade de um programa publico de futuro (que treinador, que fazer com a formação, que direcção desportiva, que organigrama, que fazer para controlar gastos....) e de uma lista alternativa com as suas ideias claras. E não vale qualquer lista nem qualquer programa porque isto é o FC Porto e os sócios do clube merecem sempre o melhor. Duvido que seja isso que vão ter sobre a mesa no boletim de voto daqui a dois meses.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

“Cansei dessa merda aqui!”

Mensagem da mulher de Maicon no Instagram (fonte: Maisfutebol)

«A mulher de Maicon, Úrsula Roque, partilhou uma publicação no Instagram na qual tece duras críticas a quem descreve como “quem se diz doutores” e que responsabiliza pelas dificuldades físicas do defesa-central.

Eu vou apoiar-te sempre porque sei o tanto que ama esse clube por que tantas vezes já brigou comigo para focar no Porto! Quem está vaiando não sabe o que passou aqui. A culpa não é sua, já faz 4 meses que tenta voltar a 100% e não consegue porque o erro não foi seu e sim de quem se diz doutores! Um absurdo não conseguir melhorar um jogador que treina de manhã e à tarde todo o dia para voltar a jogar e pede para parar e não pode! Cansei dessa merda aqui! Desculpa Maicon, sei que ama, mas eu já não aguento mais essa falta de dedicação e seriedade!”

Entretanto, Maicon já colocou a sua conta do Instagram em modo privado, assim como a sua mulher.»


Será que o FC Porto já bateu no fundo ou, como diz um amigo meu portista, ainda há mais fundo?

Enfim, como é óbvio, o que é preciso é atacar o Vítor Baía (inclusive em termos pessoais), para que isso sirva de aviso a todos os sócios do FC Porto que se atrevam a criticar esta Direção/Administração e, pior, que tenham a veleidade de estar disponíveis para assumir responsabilidades no Clube/SAD.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

SMS do Dia

Obrigado, Maicon! O que estávamos mesmo a precisar era que alguém desviasse a atenção do facto de termos sido roubados descaramente pela enésima vez.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Lampiões “exemplares”

Um jovem adepto portista, em cadeira de rodas, ficou sem uma camisola oferecida pelo guarda-redes Raul Gudiño, após ter assistido a um jogo disputado em Inglaterra, entre as equipas B do SLB e do FC Porto, para a Premier League Cup.




Os contornos desta notícia, que descreve um acto “exemplar” de uns quantos lampiões valentões, podem ser lidos aqui.


Quem também parece ser “exemplar”, são estes dois ex-dirigentes do SLB…

Capa do Correio da Manhã de 04.02.2016

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

4 milhões de lucro?

Capa de O JOGO 02.02.2016
O jornal O JOGO enche a 1ª página da sua edição de hoje (edição Porto) com a seguinte frase (a letras garrafais):
Imbula dá 4 milhões de lucro

4 milhões de lucro? Será?
Bem, segundo as contas de O JOGO, “a SAD garante um lucro imediato de quatro milhões de euros com a saída do médio, seis meses depois de o contratar ao Marselha por 20 milhões de euros”.

Ou seja, nas contas de O JOGO, está implícito que estas duas transferências de Imbula, primeiro do Marselha para o FC Porto e agora do FC Porto para o Stoke City, não implicaram quaisquer encargos e/ou pagamento de comissões por parte da FC Porto SAD.
Eu gostava de acreditar nisso…

Mais. Também está implícito, nestas contas de O JOGO que, em ambas as transferências, a FC Porto SAD não pagou qualquer contribuição de solidariedade ao(s) clube(s) formador(es) do Imbula, ao abrigo do mecanismo de solidariedade da FIFA.

Eu espero que sim, que todo este cenário idílico apresentado por O JOGO (e não só) seja verdade.
Mas eu, se fosse ao O JOGO, antes de anunciar lucros de 4 milhões e abrir as garrafas de champagne, esperava pelo Relatório e Contas do 3º trimestre do exercício 2015/2016.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

AA está de volta!


O “Porto Lopetegui”, colheita 2015/16, foi-se deteriorando até azedar. Contudo, antes de azedar, a melhor combinação de “ingredientes” foi sempre com André André (AA) em campo, como médio “vagabundo”, jogando a toda a largura (e comprimento!) do campo, preferencialmente nas costas do trio de ataque.

Aliás, logo em Setembro, não tive dúvidas em afirmar que, para mim, era André André e mais 10. E, uma semana mais tarde, reforcei a ideia, com a loja do mestre André.

Quando AA deixou de jogar, ou passou a jogar menos tempo a equipa, (des)orientada por Lopetegui, ficou menos ligada e passou a render (ainda) menos dentro de campo. Coincidência? Não me parece.

Vem isto a propósito do último jogo do FC Porto, na Amoreira, onde um AA de regresso à boa forma, encheu o campo durante 86 minutos e foi decisivo para os dragões “matarem o borrego dos jogos na capital”, o qual já durava há 14 jogos.

Série de jogos em Lisboa sem ganhar (fonte: O JOGO, 30.01.2016)

Assim de cabeça, e que me lembre, foi ele, AA, que conquistou a bola cá atrás e arrancou por ali fora no lance do 1º golo do FC Porto.

Foi ele, AA, que interceptou uma linha de passe à saída da área do Estoril, combinou com Aboubakar e falhou por centímetros um golo na cara de Pawel Kieszek.

Foi ele, AA, que reagiu e acorreu prontamente à recarga a um forte remate de Maxi Pereira, vendo o guarda-redes do Estoril negar-lhe o golo com a ponta da chuteira.

Foi ele, AA, que ofereceu um golo feito a Aboubakar e que o ponta-de-lança camaronês desperdiçou de uma forma inacreditável (como é possível o FC Porto ter um ponta-de-lança titular que falha golos destes?).

Foi ele, AA, que marcou o 3º golo e acabou com as veleidades que o Estoril ainda pudesse ter.

André André, novamente MVP

Já agora, eu sei que André André só chegou à equipa principal do seu FC Porto esta época mas, na ausência de Helton e de Rúben Neves (ambos no banco de suplentes) era ele, AA, e não um qualquer jogador que está aqui de passagem (o mexicano Herrera ou outro), quem deveria ostentar a braçadeira de capitão.


P.S. Grande jogo de Maxi Pereira, um dos melhores que fez com a camisola do FC Porto. E, com um árbitro “perigoso”, foi inteligente a forma como soube provocar a mostragem de um cartão amarelo perto do final do jogo.

P.S.2 Muito bom jogo, principalmente em termos ofensivos, do “rei das assistências” do campeonato português. Conforme eu escrevi mais do que uma vez, o problema não está nos laterais e muito menos foi por causa das trocas dos dois laterais – saíram os brasileiros Danilo e Alex Sandro e entraram Maxi e Layún – que o FC Porto 2015/16 estava pior que a equipa da época passada.

P.S.3 Mais um golo sofrido na sequência de uma bola parada. Nas bolas paradas defensivas a equipa está (continua) um desastre. De quem é a culpa? Da marcação à zona, que está mal trabalhada? Do Casillas, que não tira os pés de cima da linha de golo? Da deficiente articulação entre o guarda-redes e os companheiros de equipa? É bom que José Peseiro resolva este (sério) problema rapidamente, porque faltam apenas 12 dias para o FC Porto se deslocar à Luz e 17 dias para o jogo no Westfalenstadion.

P.S.4 As virtudes e defeitos do novo modelo de jogo, que José Peseiro parece estar a querer implementar (o jogo terminou com o FC Porto, pela primeira vez, com menos posse de bola do que o adversário – 47% versus 53%), é assunto para outro(s) artigo(s).

domingo, 31 de janeiro de 2016

Aleluia, Aleluia!


O FCP ganhou e jogou de forma muito satisfatória. Gostei. Entrou mal, reagiu muito bem ao golo madrugador do Estoril. Conseguiu dar a volta ao resultado, com mérito, depois de uma transição rápida e de um canto, ambos contando com a colaboração do  nosso assistencialista mor.
Demos demasiada bola, na primeira parte do segundo tempo, que levaram a alguns sobressaltos próximos da nossa área. O treinado mexeu bem na equipa e chegámos ao terceiro golo, numa altura em já o controlávamos as operações, com bastante critério. Fiz as pazes com Peseiro.
O Estoril não jogou fechado como a maioria dos adversários. O que ajudou a fluidez do jogo, nomeadamente no primeiro tempo.
Individualmente, estiveram muito bem: Maxi, Láyun, Marcano, Herrera (o melhor em campo) e André André. Os restantes estiveram regulares. Brahimi esteve longe do melhor. Rúben Neves preocupa-me: dores de crescimento? O treinador mudou bem, quando colocou André junto à linha e Brahimi como pivô atacante. Herrera jogou como segundo pivô e acabou mais à frente a pressionar a saída de bola do Estoril. Essa zona de pressão alta é que precisa de ser trabalhada.
Precisávamos desta vitória como pão para a boca. Abriu-se uma janela para entrar alguma esperança para que este tempo que falta correr não seja de desânimo. Dormi bem e sem pesadelos.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Charters da Madeira, os nossos novos melhores amigos


Jose Sá. Marega. Dois novos jogadores para serem pagos pelo clube o que não significa, desde logo, que sejam dois novos jogadores para atacar o titulo, a Liga Europa e a Taça como prometeu Peseiro. Chegam (e se calhar já vão) em mais um negócio com um clube assumidamente anti-Porto nos últimos vinte anos e parecem acrescentar pouco, muito pouco, ás necessidades reais do plantel. O fantasma de outros tempos, com uma folha salarial de 60 jogadores dos quais, metade, não servem para nada (Josué foi para Braga por empréstimo, não podia ter servido para trazer Rafa, por exemplo?) é cada vez mais evidente e os negócios deste defeso invernal prometem muito pouco.

Marega estava na terceira divisão francesa há um par de anos. Como Cissokho. 
É um jogador conflituoso, um tanque para bombear as bolas, um jogador habituado ao espaço e ao jogo do contra-ataque (quem viu o Marítimo jogar este ano sabe como é) e que não deu nunca prova de saber jogar em ataque posicional. É um avançado que não encaixa no que o Porto foi ou no que aparenta querer ser (Suk, pelo menos, é um futebolista com mais técnica mas sofre de problemas parecidos). E no entanto, com Aboubakar no mercado, com André Silva á procura do golo ainda e sem avançados goleadores no plantel, foi a opção. Claro que temos duas opções. Ou acreditar em Pinto da Costa ou não. Para os que acreditam nele, Marega foi uma inspiração divina que chegou na noite do jogo com o Maritimo, numa amena cavaqueira com Carlos Pereira, e que depois de uma conversa com o treinador (já saído do balneário, imaginamos) chegaram à conclusão que era "O Homem" a contratar. O jogador (que não simulou sequer querer sair nem nada pelo estilo) foi apanhado totalmente de surpresa porque todos o davam como jogador do Sporting e acabou a noite no Porto a celebrar o momento mais alto da sua vida. Negócios de inspiração divina habitualmente são assim, inesperados. A outra opção é não acreditar em contos da carochinha e entender que o Porto controla bastante quem quer Jesus e tenta antecipar-se sempre que pode e como Marega corria o risco de ser o novo Derley (aquela pérola do Marítimo que Jesus levou para no Benfica esquecer-se dele) havia que minar o negócio e simular inclusive um comportamento do mais vergonhoso - e que tanto criticamos ao Benfica noutros tempos - do jogador que demonstrou ser tudo menos um profissional. Qualquer das versões é válida, cada um acredita no que quer, mas o certo é que nem o presidente do Setúbal falou com Pinto da Costa (ou não sabe quem ele é) nem o negócio Marega parece ter sido cozido ao jantar (sabe-se lá onde jantam). E que Lopetegui, com todos os seus mil e um defeitos, já não pode ser culpado desta aventura como foi, post-mortem, do pobre Suk.

De José Sá basta ler o que foi escrito no Mais Futebol, a opinião do seu descobridor e principal mentor. Aos 23 anos, o jogador que ainda não cumpriu uma só época como titular - e que fez um excelente Euro sub21 como Bruno Vale há uns anos atrás - foi, na palavra do seu técnico, suplantado na formação do Benfica porque Ederson (suplente de Júlio César) e Bruno Varela (terceira opção, emprestado ao Valladolid) eram melhores e mais consistentes do que ele. Como aliás tem sido o francês Salin nos últimos dois anos na Madeira. Em que é que ficamos afinal?
O FC Porto passa de ter o melhor guarda-redes da liga - Hélton - para ir buscar um dos melhores do Mundo - Casillas - ao mesmo tempo que investe como nunca investiu numa das maiores promessas mundiais - Gudiño - e afinal a grande revelação para a baliza é um jogador que, com 23 anos, nunca foi primeira aposta de ninguém porque havia sempre alguém melhor?
É este o nível que se quer da baliza que foi de Zé Beto, Mlynarzick, Vitor Baía ou Helton antes de Casillas? Porque para esse nível não valia a pena ter incomodado o Marítimo. Basta olhar para os guarda-redes que o FC Porto já tem em sua posse e a quem paga os salários, de Fabiano a Bolat sem esquecer Kadu, Andrés Fernandez, Ricardo Nunes e as promessas da equipa B e dos juniores. A lista de guarda-redes que vieram fazer corpo presente, essa, é antiga. E as das jovens promessas à espera também. Desde Hilário que nenhuma agarrou a titularidade e isso que Bruno Vale e Ventura prometiam muito como agora parecem prometer Andorinha e Caio, os suplentes de Gudiño. 
Precisa o FC Porto realmente de Sá ou dava assim tanto receio que um guarda-redes que pode crescer muito mas não é, no presente, uma referência, acabasse nas mãos de Jesus em Alvalade? É Jesus quem dita as politicas de contratação do clube ou é a direcção desportiva? Cada vez temos menos a certeza.
José Sá pode até dar o salto - e sinceramente espero que seja assim - mas para isso vai precisar de acumular minutos e experiência e não vai ser no Dragão. A sua chegada agora ou em Junho é irrelevante mas já Pinto da Costa o disse, o importante é que "já tinha acordo com outro clube". E nós não podemos permitir isso pois não?

Quanto a Carlos Pereira, de quem já tanto aqui se falou, acabará por ser Dragão de Ouro.
Houve poucos dirigentes que fizeram tanto por prejudicar o FC Porto como o madeirense mas agora, subitamente, Pereira parece um velho amigo da alma. Senta-se no gabinete presidencial como se estivesse em casa e tem até direito a elogios de Pinto da Costa. Tempo ao tempo. De momento já tem preferência por Maurício (que anda no Portimonense a pagar favores) e André Silva (pobre André). Entretanto o Marítimo continua a facturar com os desvios de jogadores da ilha para o Dragão - ainda com ponte aérea em Portimão - e a juntar ao dinheiro dado pelo Porto ao que já recebe do governo regional. Assim é fácil gerir um clube sem grandes aspirações e que seguramente merecia mais e melhor.

Terminado o artigo  - e a cinco dias do fecho do mercado - continuamos à espera. 
De reforços digo. De reforços no sentido de reforçar, tal como diz a palavra, o plantel que já existe. Continuamos à espera daquele central a sério que não temos desde Otamendi (e com a saída de Lichnovsky, na prática, não temos nem sequer quatro centrais no plantel). Continuamos à espera do número 10 que ocupe o vértice mais adiantado do novo 4-2-3-1 que Peseiro que implementar e para o qual não há um só jogador no plantel - talvez salvo Evandro - que possa cumprir com essa função ao melhor nível (Quintero está renovado mas longe e com Fonseca não se saiu demasiado bem aí). Continuamos à espera de um extremo rápido e desequilibrante que saiba abrir o campo e ao mesmo tempo explorar o jogo diagonal uma vez que Tello saiu e Hernâni e Ricardo (bem como Ivo, cada vez mais decepcionante) continuam longe e o treinador tem apenas Corona, Brahimi (extremo adaptado) e Varela para essas funções. Continuamos à espera de um matador, um jogador que garante golo e que seja titular no próximo ano uma vez que Aboubakar está à venda segundo todos os indícios e quem chegou não está talhado para a função. 

Portanto, quando houver REFORÇOS avisem porque isso de pagar favores ou desviar jogadores para rivais está muito bem mas em nada beneficia o Futebol Clube do Porto e a sua equipa principal que, recordo, está a disputar ainda três títulos!
   

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Líder silencioso, clube desamparado


Já passaram 2 dias do jogo FC Porto x Marítimo e nem uma reacção pública do Presidente – ou de alguém ligado à SAD – sobre a arbitragem de Jorge Ferreira. A única posição oficial, ou oficiosa, surgiu esta manhã pela pena de Francisco J. Marques no “Dragões Diário”. Já aqui disse que esta rubrica expõe muito bem os podres da arbitragem e as artimanhas dos adversários, mas não tem o mesmo impacto nem impõe o mesmo respeito que afirmações in loco pelos responsáveis da SAD aos microfones da comunicação social.

A opinião de Jorge Coroado sobre esta arbitragem:
"Parece mas não se trata de perseguição, é mesmo muito fraquinho. Insistir na sua manutenção é contributo indelével para a descredibilização do setor. Castigos máximos por assinalar e atropelos à lei da vantagem engordaram prestação negativa."

Não me esqueço que foi este árbitro que esteve no empate com o Boavista no Dragão em que expulsou Maicon por uma entrada de carrinho. Não me esqueço que foi este mesmo o árbitro do jogo Moreirense x SLB de Fevereiro de 2015 que marcou um canto escandaloso, inexistente, de onde nasceu o golo do empate do SLB para, logo de seguida, expulsar um jogador do Moreirense por palavras que lhe terá dirigido. E no passado Domingo, este “habilidoso” de Fafe veio ao Dragão para nos roubar descaradamente. Outra vez.

árbitro Jorge Ferreira, da A.F. de Braga

Veja-se por exemplo a arbitragem do algarvio Nuno Almeida no jogo da Taça de Portugal, no Bessa (Boavista 0-1 FC Porto). Foram mostrados 6 cartões amarelos e 1 cartão vermelho directo à equipa do FC Porto e apenas 1 cartão amarelo à equipa do Boavista e quem assistiu ao jogo sabe que para os do Boavista era “canela até ao pescoço”. O problema é que qualquer árbitro da merdaleja de baixo já se sente à vontade, com uma legitimidade quase natural para prejudicar o FC Porto, porque sim. Na imagem abaixo, perante o submisso capitão Herrera, aquando da amostragem do vermelho directo a Imbula por uma calcadela, o árbitro algarvio, de dedos em riste e pose autoritária e ameaçadora. Esta imagem vale mais que mil palavras.

árbitro Nuno Almeida, da A.F. do Algarve

Há muitos anos que nem Presidente nem qualquer outro membro destacado da SAD defendem publicamente o clube de arbitragens tendenciosas, de nomeações incompreensíveis, de pontuações desvirtuadas e de falsidades e tratamento discriminatório da comunicação social lisboeta. O “pós-apito dourado” tem-se revelado penoso do ponto de vista da comunicação externa no FC Porto. Acabaram por ser os treinadores que, na última década, defenderam publicamente o Clube contra os referidos abusos. E nunca é demais nomeá-los, porque merecem: Jesualdo Ferreira, André Villas-Boas, Vítor Pereira, Paulo Fonseca, Luis Castro e Julen Lopetegui. Mas essa defesa pública trouxe-lhes muito desgaste. Ao treinador do FC Porto, para além do seu trabalho core, é-lhe exigido que defenda o seu grupo de trabalho e o clube perante uma comunicação social hostil e ardilosa e perante uma corporação – a arbitragem – dominada desde o topo pelos emblemas lisboetas, com o SLBà cabeça. E não deveria ser assim.

O Futebol Clube do Porto precisa de quem o defenda de viva voz e no momento certo. O Clube precisa de um Presidente que, no final de um jogo com uma arbitragem da estirpe da de Jorge Ferreira, desça à zona de imprensa e faça uma declaração pública acusando e denunciando estas situações. E, se necessário for, que afirme peremptoriamente que o “artista” em causa não volta a apitar o FC Porto. Ponto.

Infelizmente, das linhas orientadoras para o mandato a que Pinto da Costa se recandidatará, e que foram reveladas pelo próprio na entrevista da semana passada ao Porto Canal, não faz parte um combate forte e determinado ao poder instituído do SLB no seio da arbitragem nacional.
   

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Temos de cumprir a nossa parte!


Porque não se escreve sobre uma boa (e justa) vitória e um mau jogo do FCP? Não sei. Fruto dos tempos que apelam às rupturas, que ninguém parece disposto a protagonizar. E, então, o pessoal vinga-se através da oferta fácil das redes sociais. Ou nem isso.

Fizemos um jogo medíocre, entrámos muito mal e foi o jogo da época com menos remates realizados pela nossa equipa. Notei que o Herrera posicionou-se menos à frente (funcionou mais como duplo pivot) e, como jogou devagar e falhou muitos passes, não foi o único, o jogo não fluiu; por isso e porque o Marítimo soube encurtar, linhas e espaços, a equipa teve muitas dificuldades em ultrapassar a barreira construída pelo adversário. E de se defender dos contragolpes do Marítimo. A equipa não é rápida, nem ágil. Perdemos muitas segundas bolas e não conseguimos formar um bloco coeso. Estranho é constatar que o Maxi é dos que joga mais à Porto.

O FCP está doente. Conheço os sintomas, mas não faço diagnósticos. Os jogadores estão mal fisicamente, o modelo de jogo é uma trapalhada e tenho dúvidas se uma eventual mudança reverterá os seus efeitos maléficos que muitos remetem para erros primários de geometria táctica. Não me chega. Considero que o plantel do FCP é caro, mas não é bom, nem equilibrado. E há uma tarefa enorme para cumprir: a recuperação de muitos jogadores que chegaram a um nível inexplicavelmente baixo, pelo menos para quem habita o lugar da bancada. Cito apenas dois, porque são valiosos: Aboubakar e Rúben Neves.

Esta época vai continuar a ser dolorosa. A equipa está a ser remendada. Já não temos um qualquer Lucho para retornar e lhe dar mais experiência. Pode ser que o pesadelo seja apenas consequência da ideia que temo: de que o que já aconteceu, ainda pode ser pior. Temos de cumprir a nossa parte para que não o seja.

Nota: mais uma arbitragem miserável.
   

domingo, 24 de janeiro de 2016

Os erros que Peseiro não pode cometer


- Entar em "mind-games", polémicas, etc, com Jorge Jesus, Bruno de Carvalho ou outro;
- Pensar que Casillas deva ser automaticamente titular na liga portuguesa e na Europa;
- Acreditar que estes actuais "centrais" chegam para as encomendas;
- Julgar que esta equipa pode viver sem um médio criativo de ataque;
- Deixar que um jogador de remate fácil e faro de golo como Bueno fique tanto tempo de fora das opções;
- Autorizar que Brahimi comece a driblar tão longe da área adversária;
- Tardar nas substituições quando as coisas não estão a correr bem;
- Renunciar ao senso comum ou fechar-se completamente nas suas próprias ideias;
- Não colocar um certo saudável distanciamento em relação à SAD;

Boa sorte, Mister.


sábado, 23 de janeiro de 2016

O Chainho da Doyen

Antes de começar quero deixar claro que este artigo não visa, em nenhum momento, insultar o Chainho. Um jogador que deu tudo pelo Porto quando jogou. Nunca foi um fora de série, muito longe disso. Mas suou a camisola e fê-lo com brio. Chainho, se me estás a ler, não quero que te sintas mal quando descrevo o Imbula como o "Chainho da Doyen".

Agora vamos ao que importa.
Gianelli Imbula. Com nome e apelido. E, sobretudo, com um valor para justificar que seja, a dia de hoje, jogador do Futebol Clube do Porto. Porque esqueçam lá as contas e as falsas sensações de que se pagou ou não se pagou por Imbula com ou sem a ajuda da Doyen. Imbula é, a todos os efeitos, tão jogador do Porto como foi Chainho. Que exista uma promessa de venda, isso é algo lógico e básico na politica desportiva da Doyen e do clube. Mas se, por algum motivo, a Doyen se lembra de deixar aqui o francês a apodrecer (não foi o próprio Presidente que disse que foi enganado no caso Adrian?), quem comerá a carcaça é o Futebol Clube do Porto. Não tenham a menor dúvida.
Imbula é um jogador com um potencial muito bom. Nunca vai ser um Pogba apesar de ter condições físicas semelhantes, mas pode ser um jogador de potencial em muitos clubes europeus. Tem o físico, tem as condições técnicas de ultrapassar dois ou três jogadores em velocidade para criar desequilíbrios. Tem a meia distância para lançar misseis teleguiados e a frieza necessária para um último passe. Tem condições, sim, mas não tem o fundamental para jogar futebol profissional, a atitude. Imbula está no Porto de corpo mas não de alma. Chegou a contra-gosto. Não era aqui que ele queria acabar. Tinham-lhe prometido outra coisa, um ano dourado em Milão, onde podia rivalizar todas as semanas com dois internacionais gauleses como Pogba e Kondongbia com quem, em teoria, poderia disputar um lugar na selecção. Mas a coisa torceu-se. O Milan pensou duas vezes - talvez com motivo - e deixou a Doyen a arder. O negócio Jackson pode não ter ajudado em nada a situação entre os italianos e o fundo que gere a carreira do jogador. Sem clube onde o colocar, Imbula ficou no limbo. Não fazia sentido voltar ao futebol francês, assinando pelo Monaco. Em Espanha a situação estava complicada para colocá-lo no Valencia ou no Atlético de Madrid. Ninguém queria Imbula ao preço estipulado pela Doyen do mesmo modo que o fundo teve tanta dificuldade em meter nos dois clubes espanhóis o médio Rodrigo Caio - apesar das fortíssimas pressões a ambos clubes - que o jogador não teve outro remédio que não fosse o de ficar um ano mais no Brasil. O caso era muito similar ao de Imbula e em Marselha começavam a pensar que iam ter de aguentar contrariado o jogador durante um ano. E então apareceu o Porto na equação.



Lopetegui não queria o "Ferrari" Imbula por muito que Pinto da Costa diga o contrário porque, como se viu na sua entrevista mansinha, tudo o negativo lhe alheio (os assobios dos adeptos, os jogadores que correm mal, o treinador que de ser bestial passou a besta). Não o pediu. Pediu, sim, Sergio Darder. Pelo segundo ano consecutivo. Disseram-lhe que não e Darder, noutro "negócio escuro", saiu a mal do Malaga e acabou em Lyon onde está a ter um ano sofrível. O basco sabia que precisava de um pivot defensivo para competir com Danilo e um substituto para Oliver. O que não necessitava era um "Herrera II" quando o plantel já tinha André André, Evandro e até Ruben para esse lugar. Mas disseram-lhe que tinha de ser e que se fizesse com Imbula o que fez com Casemiro, os louvores seriam ainda maiores porque tudo aquilo onde tocasse seria ouro. Engoliu em seco e aceitou o jogador. A Doyen taxou o jogador em vinte milhões. O Porto oficializou o negócio dessa forma.
A forma de pagamento é relativa tal é a forma como hoje é quase impossível distinguir entre clube e fundo em matéria de negócios. Quanto se abaterá no negócio Brahimi para o próximo verão? Que jogador se sobrevalorizará no mercado para pagar esse favor como se fez com Mangala? Tudo é demasiado cinzento para afirmar, taxativamente, algo a não ser que, para o bem ou para o mal, Imbula foi forçado pela Doyen a ir para o Porto e o Porto foi forçado a ficar com ele de forma oficial. O casamento tinha tudo para correr mal e correu. 
Imbula não se impôs como seria de esperar porque não quis. Ele é o primeiro que sabe que vai sair em Junho e que este ano é um ponto de paragem, nada mais. A Doyen vai colocá-lo no Verão noutra liga e ele seguirá a sua vida profissional. Este foi um parêntesis. Por isso não valia a pena treinar no duro, aplicar-se a sério, ir ás bolas divididas, sentir o peso da camisola no peito. Essa atitude começou a sentir-se na pré-época e tem vindo, in crescendo, a ser cada vez mais evidente. Imbula quer que todos saibam que não gosta de estar aqui. Se isso é inteligente ou não, o problema é dele. Cá estaremos para ver o que será o Imbula fora do Porto. Esqueçam é de ver o Imbula que podia ser aqui. E não é dois gritos do treinador que seguramente o vão fazer mudar de ideias.

Imbula é tudo aquilo que André André não é. Para o bom e para o mal. As condições técnicas e tácticas que tem o francês o filho do nosso André não tem e dificilmente terá. Mas a este ninguém lhe ganha em atitude. Não se pode (pelo menos não se devia poder num clube como o Porto) fazer uma carreira apenas com base na atitude. Em algum momento ou o jogador evoluiu ou deve vir alguém melhor. Mas o certo é que a André não lhe podemos apontar absolutamente nada e mesmo sendo pior futebolista do que Imbula é, seguramente, melhor profissional. O francês poderá acabar por explodir e transformar-se numa referência mundial mas nos nossos livros de história ocupará um lugar semelhante a Chainho, um médio esforçado que Fernando Santos foi buscar ao seu Estrela da Amadora para reforçar o meio-campo e que cumpriu sem deslumbrar. A diferença é que Chainho não custou oficialmente 20 milhões nem foi imposto por um fundo que, daqui a nada, vai subministrar até o papel higiénico do Dragão em exclusividade. Afinal de contas, olhando para o rendimento de um e de outro, o lugar na história do clube de Chainho está a um patamar superior. Pelo menos ele soube vestir a camisola do clube com o respeito e dedicação que se lhe exige. Por tudo isso, desculpa Chainho, este artigo não era para ti.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Está explicado!


Em 26 de Novembro de 2015 escrevi um artigo questionando a consecutiva titularidade de Cristian Tello, independentemente da qualidade das suas prestações em campo. Era uma situação, no mínimo, estranha:

Mas eis que, há alguns dias, surgiu a resposta a esta questão numa notícia na imprensa desportiva: “Por cada vez que Cristian Tello não entra em campo, a fatura a pagar pelo FC Porto ao Barcelona pela cedência do jogador aumenta”.

Espera aí! Como é que é? Um determinado clube empresta-nos um jogador, ao qual nós pagamos o salário (ou parte dele), e se ele não jogar na nossa equipa nós ainda temos de indemnizar o clube ao qual ele pertence?! Que negócio espectacular! Às tantas a responsabilidade por estes termos do Contrato de Empréstimo do Tello ainda é imputável ao Lopetegui…
   

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O (meu) Porto não era isto

Como é (presumo) do conhecimento de todos os portistas, Vítor Baía proferiu um conjunto de afirmações muito críticas do momento atual do FC Porto e, particularmente, dos dirigentes que rodeiam o presidente Pinto da Costa:

Se eu [Vítor Baía] fosse presidente do FC Porto, a primeira coisa que fazia era correr com aquela gente toda [que rodeia Pinto da Costa]. Acabava com todas aquelas relações promiscuas que existem e recolocava o clube na senda da honestidade e seriedade

Ora, é perfeitamente natural que o núcleo duro de Pinto da Costa, a célebre “estrutura”, não tenha gostado destas declarações. Agora, como é óbvio, quem exerce cargos em clubes/SAD's, tem de estar preparado para ouvir este e outro tipo de críticas (treinadores e árbitros ouvem pior todas as semanas).

Assim sendo, e não tendo havido qualquer ataque pessoal, por alma de quem é que a esposa do presidente do FC Porto veio a público responder e fazer ataques pessoais a um sócio do Futebol Clube do Porto (o qual também é um destacado ex-atleta e ex-dirigente do clube)?

Notícias na comunicação social da resposta-ataque da esposa de Pinto da Costa

Li e ouvi muitas reacções às declarações (feitas nas redes sociais) da esposa do presidente do FC Porto.
Podemos especular sobre os motivos desta sua intervenção intempestiva, a tentar silenciar uma voz crítica e, pelos vistos, incómoda.
Contudo, na minha perspectiva, o essencial é dito no artigo seguinte, da autoria de Luís Aguilar, e do qual reproduzo, com a devia vénia, os seguintes extractos.


«E eis que o FC Porto se transforma num clube em que as mulheres dos dirigentes dão bitaites nas redes sociais e ofendem figuras históricas da instituição. Longe vão os tempos em que os dragões falavam a uma só voz – a do presidente – e em que os outros testemunhos, que raramente apareciam, serviam apenas para sublinhar o que Pinto da Costa já tinha dito, fosse bom ou mau. Era um clube com estratégia e organização. Era uma equipa com muitas referências de balneário. Com jogadores que tinham muitos anos de casa. Símbolos como Vítor Baía. Não havia espaço para eleger um capitão como Bruno Martins Indi, por exemplo, que chegou apenas na época passada. Os tempos, porém, são outros. Pinto da Costa deve estar muito mal para permitir que a forte estrutura que criou seja agora uma mercearia de bairro em que todos julgam ter o direito de lavar roupa suja.

A esposa do presidente dos dragões usou o Instagram para atacar Vítor Baía. O antigo capitão do Porto tinha dito, entre outras coisas, que "pessoas que dão facadas a Pinto da Costa estão ao seu lado" e que, no lugar do presidente, "corria com toda a estrutura atual", manifestando, uma vez mais, a sua disponibilidade para um dia assumir os comandos do clube. É uma opinião de quem conhece bem a casa. Uma ambição legítima. Mas logo veio a esposa do líder dos dragões defender a honra do marido – que não tinha sido posta em causa por Baía – num post lamentável. "Quando me chamaram à atenção para essas declarações do ex-guarda-redes Vítor Baía não contive a gargalhada", começa por escrever a mulher de Pinto da Costa. Tudo o resto que se segue é demasiado triste para rir.

(...) Se Baía não pode falar dos dragões, então ninguém pode. Mais grave: teve de ler, entre outras apreciações, que "passeava as suas namoradas em trajes mínimos" na SAD e que "não soube gerir o seu próprio dinheiro", num ataque claro aos problemas financeiros da sua fundação. O que tem isso a ver com futebol e o estado atual do clube? Nada!

Em 2014, Maldini criticou severamente a gestão do Milan. Nessa altura, contudo, o histórico capitão da equipa italiana não foi atacado pelas esposas de Berlusconi ou Galliani. No reino do dragão, a história é outra. O clube que durante tantos anos se orgulhou da forma como controlava a sua comunicação – característica que se dizia ser um dos segredos de tantas vitórias – está transformado numa república das bananas em que falam as mulheres dos presidentes e até os pais dos treinadores. Cada um diz/escreve o que quer. Os resultados – ou falta deles – estão à vista. O Porto não era isto. Agora, pelos vistos, parece não ser mais do que isto.»