quinta-feira, 25 de agosto de 2016

O sorteio da Champions

A distribuição dos clubes pelos quatro potes (fonte: O JOGO, 25-08-2016)

A participação na Liga dos Campeões é importantíssima para o FC Porto e para o seu modelo de negócio, quer em termos de receitas diretas (prémios), quer para potenciar e valorizar os "ativos" (jogadores).

Nesse sentido, após nos ter calhado a “fava” (AS Roma) no sorteio do Play-off, esperemos que hoje a sorte seja um pouco menos madrasta.

(em atualização a partir das 17:00 GMT)

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Com arbitragens sérias é outra coisa

Pensem um pouco para pensar. Imaginam a história do futebol português se todos os árbitros fossem como o polaco Szymon Marciniak. Imaginam que bonito seria ter árbitros que realmente apitam o que há que apitar e que expulsam o que há que expulsar, sem medo de incomodar os adeptos da casa. Imaginam uma distribuição de títulos bem diferente não é? Pois é. Hoje, em Roma, o FC Porto foi melhor equipa que uma equipa romana que teve pouco futebol, zero ideias e um espirito de hara-kiri, mas também contou com uma das arbitragens mais sérias de que há memória no futebol europeu. Marciniak não fez nenhum favor ao Porto, e aqueles seis minutos extra serão históricos num play-off de Champions. Não foi uma arbitragem amiga mas foi uma arbitragem séria. O homem do apito geriu o jogo com a coragem de que muitos árbitros carecem, sobretudo na Europa e em estádios tão intimidantes como o Olimpico. Duas expulsões, sem qualquer discussão, e um jogo resolvido e gerido com tranquilidade desde muito cedo selam o apuramento para a liga dos milhões.

O FC Porto foi uma equipa em três versões. A que entrou bem, pressionante, confiante, serena e segura de si mesma, uma equipa de personalidade, e que se manifestou assim até ao intervalo saindo a vencer de forma mais do que justa. Convém recordar que antes de De Rossi, numa entrada assassina, sair expulso por vermelho direto já o Porto ganhava, com um belo golpe de cabeça de Felipe - estás perdoado - e era a melhor equipa em campo. Depois, logo ao inicio do segundo tempo, a segunda expulsão, de Emerson, numa entrada criminal daquele que tinha entrado precisamente para fazer o lugar de De Rossi, selou as contas.
Ironicamente, contra nove, vimos o pior Porto, um Porto nervoso, sem capacidade de gestão da bola, ansioso e mais preocupado com não deixar a Roma jogar do que em gerir o jogo. O golo de Layun - que luxo ter um suplente como Layun dirão muitos - fechou definitivamente o resultado e acabou com a ânsia. De aí saiu um Porto mais dominador para os minutos finais que procurou e conseguiu o terceiro golo, merecidissimo. No fundo houve muito pouca Roma, com 11 e com 10 e também com 90 e houve muito Porto a abrir e a fechar e muito pouco na fase intermédia. É um trabalho para Nuno gerir e natural numa equipa jovem, com poucos jogadores experientes nestas lides e que se viu diante de um cenário que nunca imaginaria. Mas não se pode voltar a repetir perder assim o controlo de um jogo que esteve demasiado tempo equilibrado no marcador para o que realmente passava em campo.



A Roma foi um rival dócil contra todo o prognóstico. Entre as bolas areas a Dzeko e as arrancadas de Salah estava tudo o que tinham para oferecer o que era, manifestamente pouco. Se a isso juntamos o golo cedo dos Dragões, o seu poder de reacção viveu mais de erros do Porto, sobretudo em perdas a meio-campo, do que mérito da sua construção ofensiva. Casillas esteve bem quando foi necessário, Felipe não comprometeu e Layun, sobretudo ele, foi imperial pela direita, onde entrou para render Pereira, que se ressentiu da dura entrada que levou á expulsão do capitão romano. Ao 4-2-3-1 inicial, com Octávio e André André em permuta posicional, seguiu-se uma versão mais afunilada do jogo azul e branco com a chegada de Sérgio Oliveira - não pode um jogador entrar para render um amarelado e levar logo amarelo Sérgio, não pode - para o posto de um esforçado Otávio, a quem falta ainda um plus fisico para render ao mais alto nivel. Essa foi a pior etapa do Porto. Faltou criatividade, engenho e paciência e sobrou desacerto no passe e falta de apoio na constução. A segunda expulsão da Roma ajudou ainda mais e o erro de outro polaco, Szceszny, permitiu o golo a Layun e a fechar as contas que Corona, de menos a mais, tratou de confirmar quando em campo estava já um inexistente Adrian Lopez.

A mais do que justa e merecida vitória em Roma selou um apuramento fundamental e deixou também em evidência que Nuno está a construir uma equipa com mais caracter e personalidade do que jogo - e quando o primeiro falha, como sucedeu do minuto 52 ao 71 fica facilmente exposta ao rival, porque a ideia de jogo colectivo está verde e não deslumbra propriamente - e que o técnico carece também de opções de ataque a tal ponto que, quando o jogo pedia contra-ataque e velocidade, no banco só estava Varela, o homem-bala em pessoa. Provavelmente os mihões da Champions desbloqueiem entradas e saídas - outra coisa não seria aceitável - mas foi extremamente injusto forçar o treinador e o grupo a suportar um exigente mês de Agosto com as calças na mão por erros de gestão a que eles são alheios. O Porto estará no sorteio da máxima competição europeia e pode superar com laude o primeiro mês do novo projecto no próximo domingo. Pena que em Alvalade não arbitre um homem  como Marciniak.


SMA do Dia (II)

"Tenho genuína pena do Francesco Totti, um dos mais brutais jogadores dos últimos vinte anos que termina este ano a carreira. Não vai poder ouvir mais vezes o hino da Champions como merecia." - 5/8/2016

O bruxo Miguel, especialista em trabalhos ocultos, é um astrólogo experiente e de renome, está disponível para consultas, mediante marcação prévia. Facilidade de pagamento; se não ficar ficar satisfeito... acontece e não devolvemos o seu dinheiro. Fique atento a este espaço.

SMS do Dia (I)

Sì, possiamo!

domingo, 21 de agosto de 2016

Arbitragens: continua o silêncio da SAD

Ao minuto 4 do FC Porto x Estoril, ocorreu este lance…



… o qual não parece ser muito difícil de ajuizar e, naturalmente, mereceu a unanimidade dos três ex-árbitros do 'Tribunal O JOGO'.

FC Porto x Estoril (Tribunal O JOGO)

Isto significa que, se o penalty tivesse sido assinalado pelo árbitro Luís Ferreira da AF Braga, a super “muralha” defensiva do Estoril poderia ter sido derrubada logo nos primeiros minutos e, seguramente, o jogo teria sido muito diferente.
Assim, foi sofrer até ao fim e por pouco não assistimos a uma desagradável surpresa logo à 2ª jornada.

O que dizer disto?
Bem, se lances como este, em pleno Estádio do Dragão, não merecem uma reação (enérgica) da administração da FC Porto SAD (nem sequer do Dragões Diário!), ao nível da arbitragem já sabemos o que nos espera neste campeonato: mais do mesmo.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Obrigado Rafa

Tudo indica que a novela Rafa chegou ao fim. O extremo assinará a troco de 2,5 milhões de euros anuais pelo Benfica e o Braga embolsará á volta de 16 milhões de euros por um jogador que não tem mercado no futebol europeu, que não foi opção no último Europeu e que não tem sido realmente um futebolista capaz de levantar estádios na sempre exigente liga portuguesa como foram outros jogadores de clubes do perfil bracarense. No fim de isto tudo resta dizer uma coisa, obrigado Rafa.

Obrigado Rafa por teres escolhido o Benfica e nos teres poupado um sério problema. Ou dois. Ou três.
Não, Rafa Silva não passou de bestial a besta por ter assinado pelo Benfica. Não se trata disso. Rafa é um bom jogador. Um bom jogador. Não é um grande jogador. Não é um fora de serie. Mas também não é um jogador mediano. É bom e com potencial de crescimento.
Mais, é um jogador capaz de funcionar MUITO bem no Benfica. Porquê? Ora porque o Benfica de hoje é, em muitas coisas, similar ao melhor Porto, permitindo que jogadores absolutamente medianos como Mitroglu, Fejsa, Pizzi ou André Almeida pareçam muito melhores do que aquilo que realmente são. Estão protegidos pela "estrutura", pela organização táctica - criada por Jesus, potenciada por Vitória - e por tudo o resto que já sabemos. Nesse cenário, Rafa poderá ser decisivo como foi Gaitan, como pode vir a ser Cervi ou Carrillo e como tem sido Jonas, um jogador que em Espanha fracassou por completo e em Portugal parece um fora-de-serie. Não o é, nunca o foi, mas está no contexto perfeito para o parecer. E Rafa pode perfeitamente seguir o mesmo caminho. Isso no entanto não significa que fosse capaz de lograr o mesmo no Porto nem que valha por isso os 16 milhões que vai custar.

É fácil entender que este Porto em construção precisa de jogadores feitos e não por fazer se é para acrescentar algo. Já temos nos Andrés e Otávios as promessas da casa, o que vier de fora tem de ter impacto imediato como teve Moutinho, por exemplo. Rafa é ainda um projecto de bom jogador - apesar dos 23 anos - e podia tanto encaixar como não. E não estamos num momento para riscos dessa magnitude a estes valores. Rafa nunca valeria 16 milhões de euros. Nunca.
Nunca recebeu propostas fora do circuito externo das grandes ligas. Nem de Espanha - onde está o verdadeiro jogador perdido do Verão, Diogo Jota - nem de Inglaterra, onde 16 milhões são trocos para a imensa maioria dos clubes da...II Divisão. Não, Rafa não teve ofertas salvo a do Zenit e da liga turca e é natural que não quisesse ir para aí porque rapidamente cairia no esquecimento. Em Portugal sente-se protagonista e quer jogar com isso, é natural e lógico por sua parte. E o Braga, presidido por um tipo que é mais daninho aos interesses do Porto do que foram algum dia Valentim Loureiro ou Pimenta Machado, também sabia disso e de aí os valores na mesa. Um leilão que não fazia sentido para este Porto. Um Porto com muitos problemas de liquidez, de financiação, de necessidades gritantes de tesouraria e que tem de encontrar o "seu" Rafa numa cifra de valores muito inferior. Porque os há seguramente. O primeiro de todos chamava-se Carrillo, era grátis e o Porto perdeu a luta contra o Benfica no ano passado - porque entrou na luta, não a assistiu de fora - mas não seria o último. A diferença é que, como se viu com Depoitre, parece que o FC Porto, ao contrário de qualquer adolescente, não conhece mais de dois ou três jogadores por posição e insiste em perfis que não se adequam ás suas necessidades. Isso ou está á espera que Luciano D´Onofrio tenha um extremo á mão como teve um avançado que na lista apresentado por NES estaria provavelmente nos últimos lugares da fila.



Obrigado Rafa, também, porque era importante ter consciência de que um grande investimento num jogador sem garantias era um problema sério para NES. Não está claro que Rafa funcione no seu sistema de jogo - um sistema que ainda não está evidente, por outra parte - e a sua chegada obrigaria seguramente a novas adaptações, variações e tudo isso depois de mês e meio de trabalho e um play-off Champions pelo meio. O peso de um possivel erro de casting ou de uma prestação desportiva a la Adrian Lopez - que agora está a ser utilizado para ser revalorizado até dia 31 de Agosto e também por quem se pagou muito mais do que valia - pode ter consequências catastróficas para o grupo e para o staff técnico e esses já têm problemas suficientes agora em mãos. Rafa não é Lima. Nem vinha grátis, nem tinha o aspecto de ser o jogador determinante desde o minuto 1. Basta ver o seu ratio de golos e assistências para entender que o seu perfil não adivinhava a solução de todos os problemas ofensivos da equipa o que não invalida que um extremo, um avançado e outro médio criativo são necessidades gritantes porque os que estão no plantel - Brahimi, Quintero, Aboubakar - já deram, por uns ou outros motivos, sinais de estarem em figura de corpo presente.

Por fim, obrigado Rafa por teres deixado mais uma vez evidente que na dúvida os jogadores hoje escolhem o Benfica ao Porto. Doi ler, doi ouvir doi sequer pensar mas é absolutamente lógico. Os jogadores dos anos 2000 que o Porto sacou debaixo das barbas do Benfica não o faziam por amor ao Dragão. Faziam porque ganhavam mais, recebiam a horas, disputavam a maior competição mundial de clubes e ganhavam títulos. Tudo aquilo que o Porto lhes podia oferecer e que mais ninguém em Portugal era capaz de o fazer. Hoje o mesmo perfil de jogador, nacional ou não, opta pelo Benfica exactamente pelas mesmas razões, nem mais, nem menos. E isso o que nos diz? Que o Porto não tem problemas apenas em campo, na falta de títulos nos últimos três anos - nem uma misera Taça de Portugal - mas que tem problemas ainda maiores fora dele porque deixou de ser apelativo, tanto para os clubes compradores - que cada vez menos encontram aqui jogadores que valham os negócios mirabolantes que alimentavam a máquina - mas sobretudo para os jogadores de potencial futuro que alimentavam essa mesma dinamica. Os Rafas, como os Cervis, hoje preferem o Benfica porque estão mais perto de ganhar bem, vencer, exibir-se na Champions e depois dar o salto. O Porto já não é garantia de nada para ninguém.
Uma realidade que tem de ser interpretada de duas formas. A primeira, e mais importante, a confirmação do fracasso definitivo do poder desportivo e negocial da direcção desportiva de Antero Henriques e da presidência e que prossegue, um verão depois, apesar da esperada reeleição. A segunda, que o Porto terá de voltar a ser o que foi por um caminho alternativo, não o de depender de um modelo de negócio que já não funciona porque não captamos matéria prima para a revender, e sim de uma aposta na prata da casa e em jogadores de um perfil e de mercado distinto ao que agora domina o Benfica. Uma vez restablecida a paridade competitiva - os títulos, as presenças na Champions com regularidade e bons resultados - então aí sim poderão reavaliar a situação mas até lá os Rafas serão sempre jogadores com mais perfil Benfica do que Porto. E essa realidade é óbvia e inevitável.

Obrigado Rafo por não nos teres custado mais do que valias, por teres evitado ao treinador um potencial problema e por teres deixado exposto, pela enésima vez, os podres do modelo de gestão vigente e ao mesmo tempo caduco. Agora vai lá ter o pior ano desportivo da tua carreira para que mais tarde te arrependas de ter entrado no leilão e não teres lutado para servir o melhor clube português.

PS: A imprensa começa a falar do potencial empréstimo de Jota ao FC Porto. A questão é mais grave do que parece. Se Jota realmente vir, desportivamente fará sentido, mas a nível de gestão é mais uma mostra de incompetência. Jota está no radar do FC Porto há dois anos, não o estava no do Atlético de Madrid. Nem havia sequer urgência do Atlético em contratar o jogador. Nesse periodo o FC Porto empenhou todos os esforços em Rafa sem pensar em planos B e deixou Jota voar por uma ninharia de Paços de Ferreira para Madrid para agora ir valorizar um jogador alheio. Em que cabeça cabe que um gigante de Espanha seja capaz de se antecipar por um puto de 19 anos de Gondomar ao FC Porto? Quando nem o mercado geográfico mais próximo o Porto controla - e Jota está referenciado desde os 17 anos por quem segue o futebol no Grande Porto, como minimo - como querem realmente competir?

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Lutar 11 contra 11 depois de não ganhar a 10 será um desafio de campeões

Um empate que espelha perfeitamente a realidade do que é este Futebol Clube do Porto e que deixa o apuramento directo para a fase final da Champions League muito complicado. Um drama para as contas do clube, um drama desportivo mas uma inevitabilidade tendo em conta a realidade do plantel e staff técnico vigentes se em frente está uma equipa como a Roma e um treinador como Spaletti. Não se pode deixar enganar. Até á expulsao o FC Porto foi uma equipa manifestamente inferior á Roma, jogando em casa e com as unhas de cria sem capacidade de aranhar. Contra dez o FC Porto foi melhor o que era absolutamente lógico e inevitável. A Roma abdicou de atacar, reorganizou-se e jogou para o empate, um resultado justo e realista. A Roma não é muito superior ao melhor Porto mas o melhor Porto é ainda um embrião enquanto que o projecto de Spaletti vai in crescendo.

Que poderia o Porto, este Porto, uma equipa de processos ainda muito básicos e com jogadores muito limitados, fazer contra uma Roma bem organizada e estruturada? Os primeiros vinte minutos deixaram claro que competem, no presente, em duas dimensões distintas. Spaletti sabe o que faz e tinha a licção bem ensaiada e ficou evidente na forma como esmagou o Porto e o empurrou por completo não deixando os homens de NES colocarem em prático o seu plano. Foram vinte minutos unidirecionais com Felipe a salvar um golo e a oferecer outro e Casillas a demonstrar, pela enésima vez, que há muito que não é "Santo" e que o importante investimento salarial que exige não tem eco na sua prestação nos grandes momentos. Iker não é um mau jogador, não é isso, mas recebe muito mais daquilo que dá á equipa e num clube com os bolsos das calças furados que não pode sequer investir em áreas criticas, é mais um problema do que uma solução.
A Roma marcou da forma mais inocente - um erro brutal de Felipe na forma como se posiciona e se faz ao lance, mais um de muitos reflexos do Brasileirão no seu jogo, não surpreende ninguém que cometa esses erros de adaptação tendo a idade que tem - mas o golo vinha de acordo com o seu domínio de jogo. E podiam ter sido mais. Pouco a pouco o Porto foi reagindo - e isso tem sido um mérito de Nuno, o de mudar a mentalidade depressiva que acompanhava cada golo em contra - e procurando criar perigo. A equipa melhorou mas os processos eram ainda muito básicos. A Roma não é o Rio Ave nem o Arouca e agora mesmo se este Porto tem potencial para dominar a nivel caseiro dificilmente pode aspirar o mesmo na Europa. É uma dura realidade. Mas é a realidade.



O momento que mudou o jogo foi a expulsão de Vermalen. André Silva foi brilhante no movimento e na recepção - continua, como se viu no jogo, a ser um avançado que se move melhor do que finaliza e terá de trabalhar isso nos próximos anos - e a falta foi evidente e a expulsão justíssima. Foi um acerto arbitral tal como o golo bem anulado a Adrian se bem que, tal como em Basileia, o arbitro demorou demasiado tempo a corrigir a decisão inaugural. Adrian está em offside - a bola vem de um colega - mas pede-se mais profissionalidade aos árbitros nestes momentos. Onde o erro foi flagrante e que prejudicou as contas da eliminatória foi no primeiro penalty por assinalar, uma mão clarissima que podia ter antecipado o empate e provocado a reviravolta. O golo de penalti lá chegou, por André Silva, e Otávio, sobretudo ele, foi procurando sempre criar lances de perigo mas pareceu sempre demasiado só no processo ofensivo. Adrian desapareceu cedo do jogo. Corona entrou mal e André André e Herrera não se entendem no ultimo terço faltando sempre um último apoio, um disparo bem colocado, uma superioridade. Nuno lançou Corona e Layun e parece evidente que a falta de opções reais no banco - além do ausente Depoitre falta outro extremo e outro médio ofensivo para entrar em contas - vai ser um problema durante o ano se até ao final do mercado a situação não se resolve positivamente. Sem ter esses desbloqueadores o Porto manteve o guião a que a Roma respondeu posicionando-se cada vez mais á defesa e procurando contra-ataques que eram bem neutralizados. Iker foi um espectador na segunda parte. Mas na prática Alisson também não foi muito exigido. A superioridade númerica não se trasladou a uma superioridade em oportunidades claras de golo e isso é o maior problema que o Porto leva para a Cidade Eterna.

NES tem um plano A e procurou hoje um plano B nada treinado e viu-se no inicio que a aposta não funcionou e só quando a equipa se abriu e colocou o seu jogo na mesa - ainda com a vantagem de um homem - se aproximou ao seu melhor nível. Uma semana é pouco tempo para pensar que o plano B poderá funcionar em Roma. Quanto ao A, com as peças disponíveis, poderá ser suficiente para disputar a eliminatória mas vai exigir tudo dos jogadores e do treinador. O apuramento está comprometido mas não é impossível e um grande Porto pode perfeitamente triunfar em Itália mas muito mais não se pode pedir tendo em conta as armas que Nuno tem em mãos. O Porto actual tem um plantel de Europa League e quando se espera ao apuramento para a Champions para montar um plantel digno da competição o risco é enorme. Um risco que o Sporting sofreu no ano passado na pele e que a direção do Porto conhecia e assumiu. A responsabilidade terá sempre nome e apelido neste caso. A César, na cidade de César, o que é de César.



PS: Eu sou Ruben Neves, podia ser um hashtag de redes sociais. Nuno Espirito Santo, como qualquer treinador, tem todo o direito a decidir quem, quando e como lança em jogo. Mas quando um miúdo da casa quer tanto entrar para ajudar o clube do seu coração e que não jogar dez minutos, frente aos seus, com um resultado adverso á frente, que acaba em lágrimas por não poder contribuir - ele não mostrou raiva contra o treinador, como muitos, mas sim dor por não poder dar o seu contributo - percebemos que "Ser Porto" é algo ainda bem vivo na nossa formação. E que haverá esperança. Pessoalmente não vi nenhuma justificação para trocar Evandro por Ruben naquele momento e deve ter sido um golpe emocional muito forte mas em vez de transformar este episódio numa critica a NES utilizem-no para relembrar-se que este puto de 19 anos  - só tem 19 anos - transpira Porto por todos os poros. Que fique no Dragão por muitos e bons anos é só que se pode pedir em momentos assim.

Todos os caminhos vão dar a Roma

O JOGO, 16-08-2016
O primeiro jogo oficial no Dragão será um dos mais importantes da época. Essa importância decorre de aspetos financeiros e desportivos.
Do ponto de vista financeiro, os milhões da Champions não têm qualquer comparação com os valores da Liga Europa e um eventual não apuramento terá impacto imediato em contratações de última hora e possíveis saídas (já para não falar das contas globais da SAD)
Do que se viu até agora, há razões para estarmos confiantes, embora sem euforias.
Em caso de passagem, esse facto deve também ser aproveitado para unir o plantel, algo muito importante para o resto da época.
Caso não passássemos, o trabalho de união e motivação a realizar pelo treinador seria ainda mais relevante.
Eu estarei, na quarta-feira, com os meus 3 rapazes, no meu "posto de combate", para fazer a minha parte. Importa que todos apoiemos e tenhamos paciência, pois esta eliminatória só se decidirá, com toda a probabilidade,  em Roma e por pouca margem.
Vamos a eles!

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Filhos & Enteados - O Regresso

Cartão amarelo
Ordem do Infante D. Henrique

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Passo a passo

O FC Porto entrou a vencer na Liga com uma boa vitória no terreno de um claro candidato aos lugares europeus. Um excelente início, tanto pelo resultado como pela dificuldade do rival, um Rio Ave em mãos de um óptimo treinador e com muito futuro como é Capucho e que sabe ao que joga. O Porto está ainda num processo de crescimento coletivo como parece óbvio numa equipa que ainda não está fechada - esperamos - e que leva um mês e meio de trabalho colectivo.

O Porto entrou bem no jogo. Nuno alinhou o onze esperado. Brahimi e Aboubakar parecem ter o destino traçado. No caso do camaronês explica-se com dificuldade a decisão uma vez que nem uma venda será positiva - o FC Porto tem uma parte reduzida do passe - nem o camaronês parece ser inferior a Depoitre (e o FC Porto tem ainda um ponta-de-lança a menos nas contas colectivas) pelo menos visto o que conseguiu no inicio da época passada. Já Brahimi, praticamente banido do projeto de NES, está a desvalorizar-se a cada dia que passa, algo que pode prejudicar uma venda futura. Infelizmente longe vão os dias em que os clubes podiam fazer isso aos jogadores e ainda assim sair a vencer no pulso. Sem esses dois pilares da época passada, o resto do onze foi o esperado com André Silva, Otávio e Corona no eixo ofensivo em grande nível e André André, Danilo e Herrera afiançando o controlo da zona intermédia. A bola circulava com fluidez, com algum erro individual natural pela falta de treino colectivo, mas o Porto dava boas sensações até que o golo chegou num lance de bola parada, contra o ritmo do jogo, e colocou o Rio Ave na frente. Um canto ao primeiro poste, uma marcação zonal que precisa de ser trabalhada e Marcelo a antecipar-se a Casillas na pequena área para marcar sem oposição. Um golo em contra que o Porto não merecia mas que revelou o carácter da equipa. Todos nos lembramos do karma lopeteguiano de nunca dar a volta a resultados adversos. Pelo menos com esta equipa, percebeu-se que esses dias já acabaram. Não tinham passado ainda quatro minutos e já Telles - desacertado defensivamente mas com boa aportação no ataque - conseguiu centrar da melhor forma para a área onde André Silva ganhou o lance, sobrando a bola para Corona que num gesto técnico espectacular empatou o encontro. Um grande golo e um prémio merecido para o mexicano que esteve em boa nota ao longo do encontro.

O Porto voltou do descanso com vontade de mudar rapidamente a história de tropeções contra rivais dos últimos anos após começar a perder e voltou a assumir o jogo. Herrera era o responsável de trazer o esférico, André André de apoiar André Silva e Otávio e Corona muitas vezes procuravam zonas interiores deixando o jogo lateral a Maxi e Telles no apoio constante. Um modelo que foi empurrando o Rio Ave, que procurava nas transições rápidas a resposta, e que triunfou quando uma boa jogada de combinação no miolo encontrou um Herrera inspirado. O remate de meia distancia foi perfeito e adormeceu nas redes vilacondenses para selar definitivamente a reviravolta. Uma noite com sabor a tequilla e guacamole que teve o seu perfume luso quando, na recarga de uma grande penalidade, André Silva colocou o 1-3 final no marcador, demonstrando que está numa boa forma goleadora, precisamente o único que se lhe criticou durante a época passada. Cada vez mais completo, André Silva tem dado boa conta de si mesmo lembrando o arranque de Domingos há já quase trinta anos. NES lançou ainda no terreno de jogo a Adrian - parece determinado em encontrar-lhe utilidade - e  Depoitre para a sua estreia de dragão ao peito. Antes já Layun tinha rendido um excelente Otávio para tapar a aberta na esquerda deixada pelo desastrado Telles, expulso.

No final o Porto conseguiu não só o primeiro e importante triunfo do ano, e logo fora de casa, mas também uma injeção de moral antes dos próximos confrontos europeus e de um arranque de liga exigente. A equipa deu a sensação de estar ainda distante do que pode apresentar mas com uma ideia de jogo clara e, sobretudo, um importante plus de carácter e atitude como não se viu nos últimos quatro anos. Que Vila do Conde seja o primeiro golpe de efeito numa época para recordar.

Quem te viu e quem te vê

Disse aos jogadores que esta época acabou. E agora têm seis jogos até ao final da época, de pré-época, para mostrar quem tem caráter e valor para jogar no FC Porto

Há jogadores que não estão no FC Porto e que farão parte do plantel da próxima época, alguns emprestados, como é o caso do Rafa e do Otávio (...) O Josué é outro dos casos e também vai regressar

dar condições e motivação para que os jovens adiram ao futebol e ao FC Porto e tenham condições para chegar mais cedo à equipa principal (...) e não ter jogadores que, quando entram, perguntam qual é a porta de saída

Sabe quem é o Campaña? Foi um dos que acreditei que era jogador para o FC Porto, mas que nunca tinha visto...

Estas declarações foram feitas por Pinto da Costa, numa entrevista ao Porto Canal no dia 7 de abril, em que confessou ter-se sentido envergonhado com exibições da equipa e anunciou diversas mudanças para a época 2016/17.

Quatro meses depois (naquela que foi a pré-época mais longa de sempre...), comecemos, então, pelo caso de Rafa Soares.
Rafa Soares, capa de O JOGO de 27-06-2016

Bem, não só Rafa Soares não faz parte do plantel 2016/17 (foi mais uma vez emprestado) como, para a sua posição (lateral-esquerdo), a SAD presidida por Pinto da Costa gastou cerca de 13 milhões de euros (!) em dois jogadores: exerceu a opção de compra do passe do mexicano Layún e contratatou o brasileiro Alex Telles.

Outro jogador da formação portista que, tal como Rafa, Pinto da Costa anunciou que iria regressar para fazer parte do plantel 2016/17 é Josué. Na realidade, faz parte é do lote de proscritos que estão a treinar com a equipa B.

Quanto à anunciada aposta em jogadores da equipa B, depois da categoria demonstrada por vários deles na época passada e que culminou com a conquista do campeonato da II Liga, qual é o ponto da situação?

Plantel 2016/17, capa de O JOGO de 20-07-2016

Na realidade, no dia em que arranca o campeonato, nem o plantel é curto, nem há novos jogadores da equipa B a integrar o plantel principal.


«A pouco mais de uma semana do arranque da pré-temporada, Pinto da Costa confirma, ao JN, que o F. C. Porto persegue reforços para a defesa e o ataque, apesar de já ter contratado Felipe, central do Corinthians.
Estou convencido que vamos ter mais alguém. É prioritário ter mais um central e um ponta de lança”»

Um mês depois (em 19-07-2016)...

Ponta-de-lança, capa de O JOGO, de 19-07-2016

Com a "ajuda" do amigo Luciano D'Onofrio, à última da hora lá chegou o desejado ponta-de-lança, o qual, para além de não poder jogar no importantíssimo Play-off da Liga dos Campeões, apenas participou em 2 ou 3 treinos dos mais de 50 feitos pelos companheiros de equipa nesta pré-temporada.

Quanto à outra prioridade identificada por Pinto da Costa...

Alex, capa de O JOGO de 04-08-2016

... até agora nada (nem Alex, nem Boly, nem nenhum outro).

Revendo o "filme" desta pré-temporada e cruzando-o com as afirmações de Pinto da Costa, é com muita pena que cito um conhecido ditado (expressão) popular: quem te viu, quem te vê.


P.S. Apesar dos avanços, recuos, "certezas", indefinições e muitas vicissitudes que encheram esta pré-temporada do FC Porto, a expectativa para o jogo de logo à noite é que, obviamente, a equipa com o maior orçamento (de longe) entre no campeonato com o pé direito e traga uma vitória de Vila do Conde.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Posso esclarecer? Esclarecerei…

«Alex já está no Porto e pode ainda hoje ser oficializado como reforço para a defesa da equipa de Nuno Espírito Santo. O brasileiro aterrou no Aeroporto Francisco Sá Carneiro ao início da tarde e irá agora ser sujeito aos obrigatórios exames médicos. Se estes forem concluídos a tempo, então o central, ex-Milan, até pode treinar às 18 horas, em treino aberto ao público, no Dragão. Alex tem 34 anos e vai ser o segundo central brasileiro contratado, depois de Felipe



Todas as negociações foram feitas durante a Volta a Portugal, pelo telefone, e às duas da manhã do dia de hoje o jogador [Laurent Depoitre] chegou ao Porto. Já assinou, os clubes já trocaram os documentos e ficará já hoje inscrito na UEFA, de forma a poder disputar o play-off de acesso à Liga dos Campeões
declarações de Pinto da Costa, 08-08-2016


«ESCLARECIMENTO
O FC Porto assinou com Laurent Depoitre um contrato válido por quatro temporadas desportivas.
Face a diferentes interpretações regulamentares, especialmente no que diz respeito à interação entre Liga dos Campeões e Liga Europa, o FC Porto pediu esclarecimentos sobre a elegibilidade do atleta para o play-off da Liga dos Campeões.
Por mera cautela, entendeu-se incluí-lo na lista provisória enviada à UEFA dentro do prazo que terminou ontem. Tendo-se chegado à conclusão da impossibilidade da sua utilização, o jogador será substituído dentro do prazo previsto.»


Leio este “esclarecimento”, esfrego os olhos, volto a ler e custa-me a acreditar.
Olho para o que se passa atualmente (nos últimos 3-4 anos) no meu querido FC Porto e não sei se hei-de chorar ou rir.

Contudo, como rir faz melhor do que chorar, a propósito deste “esclarecimento” oficial do FC Porto, lembrei-me do Andorinha, personagem da ‘Escolinha do Professor Raimundo’, um programa de humor brasileiro. Andorinha (Agildo Ribeiro) era um aluno que sempre que tentava esclarecer alguma coisa, começava por: “Posso esclarecer? Esclarecerei”.


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

SMS do dia

Tenho genuína pena do Francesco Totti, um dos mais brutais jogadores dos últimos vinte anos que termina este ano a carreira. Não vai poder ouvir mais vezes o hino da Champions como merecia.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Otávio, André e o direito à esperança

Não são grandes tempos no Dragão, no meio de tanta incerteza e indecisão. Um cenário quase parecido ao vivido em 2010 que acabou como todos sabemos. Este ano promete ser relativamente diferente. Por um lado a exigência da Champions - com hipotéticos rivais perfeitamente acessíveis à partida - está ao virar da esquina enquanto aquela equipa teve meio ano cómodo na Europa League que acabou por ganhar com toda a justiça. Por outro, se em 2010 havia um claro rival pelo título agora, é inequívoco, há dois e ambos estão a fazer o trabalho de casa que lhes compete, um sacando mais valias e reforçando-se sem perder as pedras angulares do título conquistado e outro continuando a reforçar-se sem vender nenhum dos titulares de uma equipa que era, já de por si, competente. No meio desse cenário sabemos ainda muito pouco do que esperar. Os jogos de pré-época valem o que valem. O treinador é novo, tem ideias próprias mas não teve ainda a possibilidade de trabalhar com o que provavelmente será o 11 base ao largo do ano. Faltam saídas. Faltam entradas. Falta continuidade. Falta trabalho de casa que terá de surgir, inevitavelmente, após o fecho do mercado.

No entanto, há pequenos alardes de optimismo e esperança no meio deste cenário. Com nomes próprios.
Otávio e André Silva foram os melhores jogadores desta pré-época. Não foram os únicos. Corona voltou a deixar bons detalhes (veremos se mantém o ritmo, o que lhe faltou em 2015/16), André André continua igual a si mesmo e João Carlos Teixeira arrancou bem perante sinais de natural suspeita. Alex Telles e Layun parecem garantir que o lado esquerdo está bem entregue (podem mesmo jogar ambos, com o mexicano de falso extremo, alternando o 4-3-3 com o 4-4-2) mas realmente quem entusiasmou, dentro do possível, foi o criativo brasileiro e o novo menino bonito da formação portista.
Muitos olham para André Silva e vêm já um novo Gomes. Se for um novo Domingos já nos dariamos muitos por satisfeitos até porque convém não elevar demasiado as expectativas, tendo em conta que André ainda está a madurar como jogador profissional. Durante o ano passado mostrou grandes detalhes mas sempre se lhe criticou a falta de golo. Leiam uma entrevista de Eder ao Expresso para entender o porquê. Quando um avançado é habituado a entrar com dez, quinze, cinco minutos, sem poder entrar no ritmo do jogo, marcar é sempre mais díficil e o seu trabalho acaba por ser outro, o de descoordenar as marcações contrárias. O Eder sabe do que fala. Depois, depois chegou a final do Jamor e o AndréShow que abriu muito o apetite para o novo ano. Felizmente não convocado para o Europeu, Silva pôde começar a época desde o principio e tem mostrado finalmente que é um avançado que não se sabe apenas mexer e jogar bem com a equipa, também conhece o B-á-b-á do golo. E golo é coisa que tem faltado desde a saída de Jackson. Olhando para o mercado parece mesmo que o golo vá ser coisa de André e Aboubakar. Não há movimentações para trazer um avançado que garante 20 golos por ano - não há dinheiro, melhor dito - e as boas sensações dadas pelo avançado podem fazer o clube pensar que está preparado para ser o 9 titular. É um dilema, o de apostar tão cedo e com tanta pressão num jovem da formação mas ao mesmo tempo é preciso relembrar que foi assim que Gomes ou Domingos começaram. E para apanhar um exemplo mais recente, que melhor que o de Marcus Rasfhord no Manchester United. Van Gaal não olhou para o BI. Olhou para o talento. O resto tem sido história. Esperemos que seja o mesmo com André.



Otávio é outro caso. Foi dispensado por Lopetegui no verão passado, ninguém entendeu muito bem porquê depois de ter chegado e deixado bons detalhes. O ano em Guimarães fez-lhe muito bem e voltou em grande. Era uma das maiores promessas sub-20 do futebol brasileiro quando o Porto o contratou ao Internacional mas sabemos todos que quase nunca esses nomes juvenis brasileiros realmente dão o salto. Mas ao contrário de Quintero - um desastre absoluto como profissional - Otávio percebeu que tinha de trabalhar a dobrar para ganhar o seu lugar e foi o que fez, primeiro em Guimarães e agora durante a pré-época. Desterrado para a ala, como tem sucedido quase sempre com os criativos modernos, tem sabido dar uso ao seu inegável talento nas combinações com André e com os interiores. O uso de um lateral esquerdo mais ofensivo permite-lhe bascular para o interior e criar jogo. Tem sido uma delicia mas é preciso verificar se nos jogos a doer existirá continuidade ao bom momento actual. As sensações são bastante positivas e Otávio pode vir a ser aquilo que Anderson acabou por não ser, um jogador capaz de aliar o talento canarinho ao jogo mais táctico europeu, e revelar-se um dos grandes trunfos da época. A gestão da SAD - compra, aposta no jogador, empréstimo competitivo, recuperação - no seu caso tem-se revelado absolutamente perfeita.

Podem André e Otávio resolver todos os problemas? Claro que não.
Nuno precisa de tempo e precisa de ovos. A defesa continua a necessitar de uma dupla confiante e segura que não existe. Indi e Marcano têm mercado mas não têm substitutos até ao momento. Falta ainda um extremo capaz de desequilibrar e abrir os rivais quando Otávio não jogue pela esquerda, há apenas Corona com essa caracteristica no plantel. Falta eventualmente um nove de garantias, ainda que esse desejo seja o mais dificil de concretizar-se. E há quem pense que ao meio-campo lhe falta, sobretudo, um lider, algo sobreditado á eventual saída de Herrera, uma vez que Danilo e André André parecem fixos no triângulo e Ruben Neves, João Carlos Teixeira, Evandro e Sérgio Oliveira terão de lutar por render os dois titulares como 6 e 8 no esquema de Nuno. Muitos ajustes ainda por fazer mas que não escondem as boas notícias que têm dado André e Otávio. Que seja o seu ano.


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Ter talento é pecado?

Josué, Quintero, seguir-se-á Brahimi?

Com a mesma ligeireza com que se dispensou Quaresma, que não servia para o FCP mas que deu uma boa ajuda para que Portugal se sagrasse campeão europeu, deixa-se agora "escapar" para a imprensa que o argelino estará de partida.


Sim, na última época e meia, qualquer bom adepto lhe terá gritado 3, 4, 5 vezes por jogo para que não levasse a bola para casa mas, recomenda agora o simples bom senso, que todos os portistas (a começar pela SAD) pensem 3, 4, 5 vezes antes de mandar embora um jogador como ele, para todo o sempre, do nosso clube.

Por muitos "carregadores de piano" que se tenha num plantel é com jogadores de talento que se conquistam vitórias em grande escala e se deixa para a história o perfume do bom futebol.
Poderíamos ter 11 Andrés em campo, em Viena, que sem um Madjer nunca teríamos ganho.
Temo que o homem do golo de calcanhar, muito provavelmente o melhor jogador que alguma vez vestiu a camisola do nosso clube, não seria titular caso jogasse hoje em dia. Faltar-lhe-ia "intensidade", "posicionamento", "jogar sem a bola nos pés". Seja lá bem o que isso for, num contexto maior de Futebol com "f" maiúsculo.

E por que nunca se coloca a questão ao contrário? E que tal os médios defensivos (Danilo é apenas mais um deficitário) aprenderem a fazer um passe de 30 ou 40 metros e saberem executar um simples remate à baliza?
Ora tal nunca trespassa para a caixa de comentários dos jornais.
O adepto não deve fazer o jogo dos treinadores. Eles, sim, querem jogadores que "obedeçam" sempre e sejam "domesticáveis", mesmo que, para isso, seja difícil distinguir um médio de um outro que jogue a seu lado. Mas os treinadores ainda têm a desculpa de ter o seu próprio emprego em jogo. Ao adepto cabe-lhe contrabalançar esta perspectiva enviesada e limitada. O futebol - um clube - tem que, tal como a vida, ser um jogo de equilíbrios: o treinador zela pela sua carreira, o dirigente pelo clube e o sócio pelo clube mas também pelo futebol. Deve ser esse o seu papel antes que os empresários mandem mesmo nisto tudo.

Temos, felizmente, vindo a confirmar que o regresso de Otávio trouxe soluções que não existiam nas duas épocas mais recentes mas ainda não sabemos com que regularidade o conseguirá fazer.
O Corona de 2015/16 também tinha boas soluções nos pés...mas só de umas 4 em 4 partidas.
E a própria constituição física desta dupla lança mais duvidas do que certezas sobre a constância dessas tais exibições.

Com a saída do argelino, ficaríamos com apenas estes dois criativos no plantel (três, se João Teixeira for mais do que o pouco que mostrou até aqui).

Um plantel de um clube tão grande como o nosso não pode ficar definido por, num simples jogo de pré-temporada, um dado jogador não ter passado a bola no tempo certo ou um outro, que se vinha a arrastar desde sempre, ter conseguido um ou dois bons cabeceamentos.