sábado, 13 de outubro de 2018

Clássico do basquetebol na RTP 2

Ovarense x FC Porto (fonte: FPB)

Jogar em Ovar nunca é fácil. A Ovarense é uma equipa aguerrida, que faz muitas faltas e, debaixo do cesto, dá “porrada” a sério. Além disso, jogadores, treinador e público fazem uma pressão tremenda sobre a arbitragem.

Falando da arbitragem, houve partes do jogo em que pareceu querer equilibra-lo, adoptando um critério para as faltas pouco coerente. E os passos assinalados ao base croata do FCP foram de bradar aos céus.

No seu todo foi um jogo disputado, com uma vitória difícil (76-79), mas inteiramente justa do FC Porto neste clássico do basquetebol português.
Contudo, com uma percentagem normal nos lances livres (22 convertidos em 37 tentados é bastante fraco), os dragões teriam ganho de forma folgada.

Para além da vitória do FCP, a melhor notícia foi o regresso do Will Sheehey (após mais uma paragem por lesão), o qual, apesar de ter jogado apenas 16:33s, teve números muito interessantes (13 pontos, 6 ressaltos, 4 assistências).

A segunda melhor notícia foi a transmissão deste clássico na RTP2. O basquetebol português bem precisa de transmissões televisivas em canal aberto, que proporcionem maior visibilidade a esta modalidade.


sexta-feira, 12 de outubro de 2018

No pasa nada

De um Relatório e Contas que descreve um inescapável cambalear a caminho do abismo, a única conclusão digna de registo por parte dos responsáveis, é que a culpa é do Herrera.

Alienam-se passes de jogadores no valor de 50 milhões de euros, e consegue-se,mesmo assim, apresentar um prejuízo superior a 25 milhões de euros - devem andar a adubar o relvado com notas de €500. Mas o grande drama é que há um jogador que quer um aumento - sacana!


Intransigente na defesa dos interesses do FCP, o presidente deixou claro que o mexicano não verá o seu contrato renovado. Não tenho dúvidas de que o FCP sobreviverá à saída do Herrera (e do Brahimi, e de todos esses "mercenários"); já a sobreviver a esta gestão...


quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Vencer é o nosso destino


No último domingo fomos a Lisboa defrontar uma equipa que joga poucochinho e que, contra o FC Porto, joga quase sempre como equipa pequena.

Desta vez, os dragões estiveram ao nível da equipa da casa e também jogaram pouco. Criamos poucas oportunidades de golo e só nos últimos minutos tivemos um vislumbre do Fê-Cê-Pê entusiasmante da época passada.

E sim, é verdade que, esta época, as exibições dos campeões nacionais têm sido… desconsoladoras. Tipo comida sem tempero, aquecida no micro-ondas.
Razões para isso?
Bem, sendo o “cozinheiro” o mesmo e os “ingredientes” praticamente os mesmos (talvez um pouco menos frescos), não vejo qualquer razão para que não voltemos, brevemente, a saborear umas fantásticas “tripas à moda do Porto”.

E fazer das tripas coração é sempre o primeiro passo para jogar à Porto e para voltarmos a ter uma Equipa (com “E” grande).

O resto virá por acréscimo, de forma natural, com mais treinos, mais jogos, mais minutos nas pernas e mais vitórias. E o resto é…

A recuperação dos níveis físicos, ritmo competitivo e confiança (neles próprios) dos jogadores que estiveram lesionados – Danilo, Soares, Mbemba;

A integração plena de todos os reforços – João Pedro, Mbemba, Jorge, Bazoer, … - os quais, espero, não se venham a revelar apenas meras contratações para encher o… plantel;

Uma melhor mecanização entre os dois jogadores que constituem a dupla de centrais – Felipe e Militão ou, quem sabe, Felipe e Mbemba (com Militão a ser desviado para lateral direito);

Um entrosamento adequado entre o triângulo constituído pela dupla de centrais e o médio mais defensivo (Danilo);

E, claro, a recuperação da forma desportiva dos “três mosqueteiros” – Alex Teles, Herrera, Brahimi e Marega –, que foram os principais pilares da maior parte da época passada.

O capitão Herrera a mostrar a camisola e emblema, no SLB x FCP da época passada

É verdade que os sinais da pré-temporada, dentro e fora do campo, não foram os melhores.

É verdade que a maior parte das contratações efetuadas foram feitas tardiamente e, até agora, apenas o Éder Militão revelou ser um reforço.

É verdade que as exibições têm sido desconsoladoras e que, no “salão de festas”, jogamos pouco.

Tudo isto é verdade, mas eu estou optimista.

Estou optimista, porque apesar de tudo o que referi anteriormente, os nossos rivais também não impressionam e estamos a apenas dois pontos (um empate!) da liderança do campeonato.

Estou optimista, porque o nosso mister não é o Rui Vitória, nem o José Peseiro, é o Sérgio Conceição! Alguém que já mostrou o que vale – como treinador, como aglutinador, como líder – e que continua com fome de ganhar. Por isso, estou certo, não vai deixar os jogadores acomodarem-se ao título da época passada e espero que consiga renovar-lhes a ambição, metendo-lhes na cabeça que, até agora, ganharam quase nada e que há muito mais para ganhar.

Sérgio Conceição a mostrar o emblema, no final do último SLB x FCP

Estou optimista, porque faltam oito meses (outubro, novembro, dezembro, janeiro, ..., maio) e 27 jogos para terminar o campeonato, tempo mais do que suficiente para este Porto colheita 2018/19 amadurecer e melhorar o seu “sabor” (é inevitável).

Estou optimista, porque apesar de já termos perdido dois jogos (tantos como em todo o campeonato passado), tal como o nosso treinador, estou confiante que não iremos perder muitos mais (se é que iremos perder mais algum).

Estou optimista, porque já fizemos três das seis deslocações ao sul do país (Belém/Jamor, Setúbal, Luz) e, na 2ª volta, vamos receber o slb no Dragão (e haverá melhor motivação, do que o Sérgio Conceição fazer a palestra desse jogo ao som da música com que o slb terminou o jogo de domingo?).

Estou optimista, porque os Portistas não abandonaram a equipa e o mar azul continua a encher estádios.

E finalmente, estou optimista, porque temos a melhor equipa do campeonato português e vencer é mesmo o nosso destino.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Luz - Portas abertas a um mau jogo

Não é que não seja normal o nosso maior adversário vencer-nos, na sua própria casa, de quando em vez. Afinal de contas, já íamos em quatro partidas consecutivas sem perder na Luz.
Aliás, parece que a tendência é fazermos bons resultados na casa do nosso maior rival quando a partida se disputa na segunda volta. Quando ela acontece na primeira, sentimos habitualmente mais dificuldades. Talvez se deva mesmo ao facto de não ser tão decisivo quando ainda há muito campeonato pela frente.

O que é anormal, é o facto de, num jogo globalmente aquém das expectativas, ao slb, uma vez mais, bastar-lhe uma meia-dúzia de minutos de boa qualidade para marcar imediatamente. Já no nosso caso, quando defrontamos o nosso maior rival no Dragão, jogar praticamente 90 minutos em grande nível só tem resultado em empates.

O clássico foi fraco e não teve mais de umas quatro ou cinco oportunidades para ambos os lados. Das três do slb, duas foram em fora-de-jogo não assinalados (sê-lo-iam pelo VAR, caso estas resultassem em golo?).
O FCP com Soares ainda com falta de ritmo e com Marega bem marcado, não conseguiu esticar o jogo como gosta. Otávio, por outro lado, esteve sempre mais interessado nas faltas do que a produzir jogo e com Danilo a léguas do que pode e sabe e Herrera a ser outra vez Herrera, sobrava apenas Brahimi. Pouco, portanto.

Mas vejamos também o lado positivo: Militão, apesar de (talvez) poder ter esticado mais a perna no único golo da partida, foi o nosso melhor jogador. E andavam uns quantos preocupados com a saída de Marcano (suplente da Roma)...
Não há comparação possível. Ficamos claramente a ganhar e, com esta nossa actual dupla de "centrais", mais a indiscutível categoria de Telles e ainda toda a experiencia de Maxi, tudo leva a crer que sofreremos poucos golos esta época, para a Liga Portuguesa.
E isso pode ser decisivo nas contas finais.
Temos, porém, que solucionar o problema da falta de golo da maioria dos jogadores do nosso plantel.
Não basta Marega, Brahimi e Soares, de quando em vez. Têm que aparecer outros e rapidamente.

domingo, 7 de outubro de 2018

Um capitão "sem cabeça"


Um dos grandes protagonistas da época passada está a poucos meses de terminar o contrato que o liga ao FC Porto. Hector Herrera. Aparentemente não terá chegado a acordo para a renovação.

Até aqui tudo bem. Está no seu direito. O problema é que Sérgio Conceição continua a a confiar-lhe a braçadeira de capitão e a titularidade. Um jogador de qualidade que não sabe qual o clube em que jogará na época seguinte fica tendencialmente inseguro, não se quer lesionar até porque isso poderá condicionar a assinatura de um contrato milionário. É uma situação que não convém a ninguém, mas na qual o clube é invariavelmente o mais prejudicado.

Herrera tem sido um jogador bipolar ao serviço do FC Porto. Ora faz grandes jogos ora se perde em campo faltando presença e protagonismo. A última época foi a grande exceção aos últimos anos. E talvez por isso se esperasse mais de Herrera esta época.

Nas primeiras jornadas da presente temporada Herrera esteve irreconhecível, uma sombra do que foi no passado recente. E não faz sentido mantê-lo na equipa principal enquanto ele não se encontrar e decidir o que quer para o seu futuro. É preferível ter no seu lugar um jogador que esteja 100% focado no clube e que meta o pé em todas as jogadas. É uma situação que urge resolver. Que o espaço seja dado a quem o quiser agarrar, mas o FC Porto precisa de um meio campo mais dinâmico, mais corajoso e mais disponível. O Porto precisa de jogadores à Porto.
 

sábado, 29 de setembro de 2018

Espectáculo há 125 anos em cena



Se o Tondela jogasse sempre assim, o seu lugar natural seria nos lugares que dão acesso à Liga Europa e não, como presentemente acontece, num banal meio da tabela classificativa.
Pelo segundo ano consecutivo, este adversário colocou-nos as maiores dificuldades possíveis e imaginárias. Se nos lembrarmos da sua vitória na Luz, em Maio passado, parece mesmo que Pepa nasceu para este tipo de jogos.

E depois, é claro, o nosso desperdício ajuda muito pouco ou nada.
Como é que Marega e Aboubakar falham lances de golo feito, como aqueles de ontem, ainda se está por entender.
O camaronês lesionou-se e, provavelmente, ficará fora dos próximos encontros. Todavia, na realidade, já há muito que justificava uma saída do "11" titular. Tirando aquele golo em Setúbal, praticamente mais nada fez nos últimos largos tempos. Raramente, sequer, ganhava um único lance de um-para-um, quanto mais o resto.
Valeu-nos ontem Soares, que era o tal que ia ficar "seguramente" fora dos nossos três primeiros encontros da Liga dos Campeões e que, por isso, não valia a pena inscrever.
Afinal, estaria apenas de fora num único. Erro de cálculo.
Venha, pois, a hora de André Pereira. Ele que entrou muito bem no jogo contra os sadinos. Procurou jogo e "furar" entre os defesas. Tudo aquilo que Aboubakar (já) não faz.

O Teatro Sá da Bandeira está velho e precisa de obras. A Gala dos Dragões de Ouro, no Coliseu, é só por convite. Por isso, caro Sérgio Conceição, a malta quer mesmo é ver grandes espectáculos no Estádio do Dragão.
Tem, aliás, sempre sido assim. E já lá vão 125 anos, Mister.

Muitos Parabéns, FC Porto.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

28 de Setembro de 1893

Parece que foi ontem e já passaram 125 anos...

Notícia da fundação do Football Club do Porto, DIARIO ILLUSTRADO de 28/09/1893

sábado, 22 de setembro de 2018

Olá Futebol, chamo-me FC Porto e gostava de te conhecer

Dizem as lendas urbanas que treinadores tão diferentes mas tão triunfais como Helenio Herrera e Brian Clough tinham o hábito, antes dos jogos, no balneário, de reunir a equipa em circulo (onde é que eu já vi isto) e fazê-los tocar a bola com as mãos, acariciá-la, lembrando-lhes que aquela, a bola, tinha de ser querida, cuidada, conservada e utilizada para lograr o objectivo do grupo, a vitória. A bola, ah, essa entidade esférica misteriosa e de tons quase mitológicos, que alguns treinadores acham que deve permanecer nos pés dos seus jogadores o máximo de tempo possível, recuperando um velho refrão do futebol de rua que dizia sempre, "a bola corre mais que os pés" ou então "se eu a tenho, tu não a tens". Dizia Quique Setien, treinador do Bétis, que a filosofia de jogo que aplicava era aquela que gostava quando era miudo. E quando se é miudo o que se quer é ter a bola nos pés. Tocar, passar, driblar, chutar. Não é correr como um desalmado, não é pontapear a bola para a frente...é outra coisa. Costumam ter um nome para isso: Futebol.

O FC Porto de 2018/19 tem sido até agora uma caricatura. De si próprio e de tudo o resto.
De si mesmo porque, mantendo grande parte das peças chave - saiu um central, entraram dois melhores (Eder e Diogo), e saiu um lateral importante na manobra colectiva - o mesmo treinador e o mesmo espirito de grupo (a rodinha ainda lá está), desapareceu tudo o resto. Tudo, bem, tudo não. Continuasse a mandar pontapé para a frente á menor oportunidade (o que, quando eu jogava com o Valadares se dizia, prosaicamente, "bota-la nas couves") para que o Marega correr, tropeçar, ganhar a segunda bola, descolocar a equipa com a manobra e, tantas vezes, favorecer transições rivais que apanham os laterais a extremos, os interiores a avançados, os centrais sozinhos e Iker a benzer-se a si próprio. Isso mantém-se. O que desapareceu foi tudo o resto. O FC Porto 17/18 tinha registos defensivos impecáveis. Era uma máquina atacante trituradora. Não era uma equipa perfeita. A defesa também se desorganizava (quantas vezes não viamos Telles e Ricardo perdidos na frente sem ninguém a cobrir os espaços?) mas a pressão alta da equipa, a omnipresença de Danilo (a regressar ainda de lesões) e Herrera (já com a cabeça no contrato milionário que seguramente o espera longe de aqui) permitiam a rápida recuperação do esférico. Por outro lado atacava-se muito mais. Era atabalhoado, era. Era preciso rematar quinze vezes para marcar um golo? Também. Muitos centros morriam na pequena área porque não temos um avançado de nivel a condizer com a história do clube? Sim. Mas entre Brahimi em excelente forma (o apagão foi lá para Fevereiro) e a conexão Aboubakar (desaparecido em combate desde a última lesão) e Marega resolviam. Eramos uma equipa pouco atractiva para quem acha que o futebol significa jogar com a bola e não apenas correr, gritar e suar mais que o rival, mas eramos uma equipa eficaz, tremendamente eficaz, que sabia compensar as deficiências técnicas com a atitude.
As deficiências, essas, estão lá todas e vão a mais. Maxi não pode fazer de Ricardo e no entanto é ele que joga. Da mesma forma que no ano passado ninguém podia fazer de Marega e o treinador em vez de mudar o modelo o que tentou foi procurar o Marega II em Hernani, Corona e no próprio Ricardo. No meio campo há pulmão mas não há descernimento e Oliver (e agora Bazoer, que tal como Jorge tem experiência em competições europeias e vá-se lá saber porquê anda a jogar na equipa B) continuam a ser párias, em detrimento dos Oliveira e Herreras, jogadores para outra coisa que não seja pautar um ritmo de jogo. Porque o Porto campeão 17/18 nunca soube pautar o jogo porque nunca precisava de o fazer. Á meia hora já tinha o resultado feito. A versão de este ano como não é capaz nem de criar perigo real, quanto mais marcar, depois também não sabe gerir o jogo de outra forma, mais pensada, para vencer com astúcia, com a bola o que não conseguiu com o grito e com o suor. E isso é responsabilidade absoluta do treinador.



Sérgio Conceição foi um dos grandes responsáveis do titulo conquistado. Não há dúvidas disso.
Também nunca houve dúvidas sobre o seu perfil, sobre a forma como prefere um jogo vertical e menos pensado, um jogo mais físico e "másculo" a uma abordagem mais técnica e organizada. É parte do seu trademark e funcionou-lhe bem sobretudo porque na época passada era o perfil de jogadores que tinha para utilizar (salvo Oliver, sempre o patinho feio). Ninguém lhe podia criticar pegar em párias e remendos, dispensados e eternos emprestados e fazer deles um bloco ganhador. Havia também um aspecto motivacional fundamental, o de impedir o Penta corrupto do Benfica e o de voltar aos títulos. O objectivo foi logrado e é necessário criar novas metas. Competir na Europa não faz sentido porque o jogo com o Liverpool deixou claro que nem o FC Porto (nem o futebol português em geral) está para esses voos e mais a jogar assim. O que se pedia então? Provavelmente uma de duas: ou melhorar o sistema que já existia, sendo a equipa mais eficaz na frente e mais pressionante ou mudar o estilo de jogo, pelo menos de tempos a tempos.
Ao contrário do que podia parecer o plantel parecia ter mais opções para isso, sobretudo com a chegada de Bazoer (futebolista com excelente saída de bola) e a perda de um lateral como Ricardo e, sobretudo, pela possível saída de Marega. Teria sido o negócio perfeito - jogador limitado a todos os niveis faz época de sonho, aparece oferta, clube vende, todos felizes. Não foi. Marega ficou e com isso bloqueou a mudança do paradigma. Ou talvez não olhando para Marius, olhando para André Pereira e olhando para a evolução de Otávio num jogador cada vez mais ao gosto do treinador e distante da sua origem. Isso e vendo como o desenho não muda e a um lateral de 34 anos se pede que faça o que fazia um de 24, que um médio que se recusa a renovar se pede que deixe o corpo e alma com critério no passe frente ao mesmo jogador que tinha tudo para provar ao mundo e a ele próprio. Que insiste num Sérgio Oliveira que é, a todos os titulos, um excelente jogador de plantel mas, provavelmente, o pior dos médios centros disponiveis. E que continua a insistir numa fórmula que precisa de homens golo quando, precisamente, o plantel carece de um goleador nato, situação reforçada pela lesão de Soares. Tudo isso é entendivel para qualquer adepto e talvez por isso o facto de se repetir o 11, o modelo, a péssima qualidade de jogo, a dinâmica, a ausência de melhorias, de novas ideias, novos "truques" semana após semana, deixe antever um péssimo cenário. Afinal de contas o FC Porto apenas jogou com equipas muito inferiores - e já perdeu pontos no campeonato - e na Champions League, apesar da sorte do grupo em disputa, apenas defrontou uma das piores equipas da Bundesliga nesta época. Provas de fogo? Zero.

No fundo esta equipa continua a ser o espelho do seu treinador. O problema é que este não só não evoluiu com o êxito. Parece ter-se estancado sobre si mesmo. Nervoso, intranquilo, não transmite aquela aura que um título deveria otorgar, esse toque de varinha que até a um Vitor Pereira, tão criticado e marcado pela injusta sombra de "adjunto", conseguiu ter no ano do "Tri". Conceição comporta-se e actua como se fosse um "desperado" quando devia partir dele a ideia de jogo e a harmonia de gestão de grupo que se exige a um FC Porto campeão rumo ao Bi. Esse é o sinal mais preocupante. O de repetir nos mesmos erros e aplicar-se um discurso de melhoria continua que ninguém vê. O de abdicar permanentemente dos que tratam o esférico por tu para defender um ADN de mais força, mais suor, mais grito e pouco ou nenhum futebol. Não existe auto-critica (não só no discurso mas na prática, em campo), não existe uma clara vontade de fazer diferente e, pior que tudo, não parece que se esteja a fazer o melhor dentro do que já existia. Os pontos vão-se somando (menos mal) mas as sensações vão piorando.

E apesar da rodinha no fim dos jogos (para a galeria) a bola, nesses momentos, não está lá. Não está á vista. Ninguém quer saber dela. Ninguém a está a acariciar, a mimá-la, a pensar em ficar com ela largos minutos enquanto os outros correm com a lingua de fora. Ninguém está a pensar em passá-la bem, sem errar. A controlá-la bem quando chega aos pés sem tropeçar ou precisar de três toques onde um chegava. Ninguém está a pensar em sair a jogar com calma em vez de a chutar para longe, quase com despeito, sem medo a perdê-la em pés inimigos. Não se vê bola quando se vêm as camisolas suadas e aos gritos azuis e brancas. Não se vê a bola e quando não se vê a bola raramente se pode ver Futebol. E era bom que esse Futebol fosse parte desta viagem. Que encontrasse numa esquina qualquer de um relvado perdido no meio do nada com o FC Porto e trocassem um sorriso cumplice, um olhar compenetrado e que, para quebrar o gelo, o dragão azul e branco, determinado, lhe dissesse ao ouvido: "Olá Futebol, chamo-me FC Porto e gostava de te conhecer".

Não consigo imaginar melhor história de amor.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Impressões de Gelsenkirchen

Jogos do FC Porto na Alemanha (fonte: O JOGO, 18-09-2018)

1. Nos 16 jogos anteriores disputados na Alemanha (para as competições europeias), o FC Porto tinha obtido 3 vitórias, 4 empates e 9 derrotas. Desta vez empatou. Historicamente, não pode ser considerado um mau resultado.

2. Nas últimas cinco deslocações à Alemanha, o FC Porto tinha um saldo muito negativo - um empate e quatro derrotas.

3. Na época passada, o FC Porto iniciou a Liga dos Campeões com uma derrota (1-3) em casa, frente a uma equipa turca (Besiktas). Este ano iniciamos a Liga dos Campeões com um empate (1-1) fora, frente a uma equipa alemã (Schalke 04). Considerando todos os aspetos referidos atrás é indiscutivelmente melhor.

4. O Schalke 04 é um dos clubes históricos da Alemanha (é a sexta equipa com mais participações na Bundesliga) e, para as competições europeias, já tinha jogado cinco vezes, em casa, contra equipas portuguesas – FC Porto (em duas ocasiões), SL Benfica, Sporting e SC Braga. Pela primeira vez, uma equipa portuguesa não foi derrotada pelo Schalke em Gelsenkirchen. Para que conste…

5. O Schalke 04 não é uma equipa fraquinha. É, “apenas”, o atual vice-campeão da Alemanha. Contudo, a equipa está a atravessar um péssimo momento (3 jogos, 3 derrotas na Bundesliga) e isso ontem foi notório. Estou convencido, que um FC Porto perto do nível médio da época passada teria ganho este jogo tranquilamente.

6. A exibição foi cinzenta? Foi, mas se o Alex Telles tivesse convertido o penalti e o FC Porto ganho, queria lá saber da exibição. Como dizia o mestre Pedroto, após ganhar jogos com exibições cinzentas: “Querem ópera? Vão ao S. Carlos”.

7. O golo do Schalke 04 é resultado de uma sucessão de erros de vários jogadores do FC Porto. O processo defensivo da equipa (não é só o quarteto defensivo) tem de melhorar. Espero que o regresso do Danilo e uma melhor integração do Militão contribuam para isso.

8. Por falar em Éder Militão, o homem é um craque. Suspeito que irá ser vendido, brevemente, por uma pipa de massa.

9. Dois penalties (que me pareceram claros) assinalados a favor do FC Porto, num jogo fora de casa (em casa de uma equipa dos big five!) é algo que eu nunca tinha visto. (nota: com árbitros destes no campeonato português ia ser bonito…)

10. O Aboubakar jogou? Eu não o vi mas, segundo a ficha do jogo, esteve 60 minutos em campo.

11. Felipe, Alex Telles, Herrera, Brahimi, Marega, são alguns dos melhores (mais influentes) jogadores do FC Porto, mas não estiveram, nem têm estado, ao nível da época passada. Contudo, mais do que analisar individualmente, foi a equipa, como um todo, que esteve longe da dinâmica, da agressividade (no bom sentido), da intensidade e da vontade indomável de ganhar que tinha na época passada. E esse tem sido o principal problema da equipa do FC Porto nesta época.

sábado, 15 de setembro de 2018

Jogo sujo mas não só


Sim, existem um ou dois penalties a favor do FCP mas, muito possivelmente, também existem um ou dois que ficaram por marcar a favor do Chaves (agarrão de Herrera e possível braço de João Pedro).
Sim, existiram duas ou três lesões completamente inventadas pelo nosso adversário (ninguém toca no guarda-redes para este ficar ali estendido durante uns largos minutos) mas já se viram casos destes bem piores no Dragão...

Existe, isso sim e acima de tudo, algum exagero pois, no fundo, tratava-se apenas de um jogo para a Taça da Liga. Se Conceição reage assim numa competição sem peso, como reagirá naquelas outras realmente a doer?

E a verdade é que o FCP voltou a fazer uma primeira parte vergonhosa, em que praticamente não existiram oportunidades de golo.
E alguém consegue ainda encontrar uma única razão válida para Adrian Lopez continuar a ter oportunidades destas de 2 em 2 anos?
Sim, os nossos adversários usam frequentemente destes truques sujos que não os vemos fazer, de um modo tão "brilhante", numa Luz ou Alvalade, mas reparemos também, e ao invés, que em jogos contra equipas inferiores, um Braga, por exemplo, raramente falha nos dias de hoje.
Estamos a fazer algo de muito errado na forma sistemática como damos tantas abébias defensivas a este tipo de equipas menores. E já lá vão tantos golos sofridos e ainda não defrontamos as grandes equipas na presente época...

Convinha, também e já agora, que jogadores como Corona fizessem algo mais do que apenas uma única finta em todo aquele tempo em que estão em campo. E Otávio, se estava tão revoltado com o comportamento anti-desportivo do flavienses, deveria era caprichar no seu futebol, em termos de golos e assistências, em vez de levar cartões amarelos sem sentido.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Sem perdão

Isto só agora começou.

Durante semanas Francisco J. Marques - a quem tanto tentaram silenciar e cada vez mais se entende o porquê - fez o aviso. "O melhor ainda está para vir". Naturalmente ele sabia do que estava a falar. E o melhor continua a estar por vir mas é impossível não afirmar que já melhorou e muito.

Durante mais de um ano o FC Porto - através do Porto Canal e dos programas Universo Porto da Bancada - plataformas online, como esta, e alguns jornais e revistas de um modo independente, foram divulgando emails, dados, informações relacionadas às investigações que envolviam, entre outros, o SL Benfica. O que a principio eram emails tornaram-se investigações policiais, o que a principio eram mails falsos tornaram-se uma das bases para um processo do ministério público. O que a principio era uma cabala sem pés nem cabeça agora é o primeiro processo de imputação judicial de um clube de futebol em Portugal. Nunca uma instituição tinha sofrido a vergonha de ser levado pelo Ministerio Público a tribunal. Houve já casos de justiça desportiva - como esse Apito Dourado que acabou em Leiria na época em que o lodaçal de Ricardo Costa impartia "justiça"  - mas nunca daquilo a que um ignorante pateta chamou de "corrupção normal".
É preciso dar o desconto, esse individuo deve estar habituado a saber que é "normal" a palavra corrupção fazer parte da vida do seu clube e portanto qualquer acusação seria de "corrupção normal", mas convém explicar: o caso E-Toupeira, o primeiro de vários, trata a corrupção desportiva (com a sucessiva penalização desportiva que pode passar de perda de pontos, despromoção, perda de titulos ou suspensão das actividades) mas também da justiça civil porque o que foi feito, durante pelo menos dois anos, coloca em causa o próprio Estado de direito em Portugal.
Sim, porque o clube do Regime foi acusado exactamente porque exerceu como uma polícia política, um Estado dentro do Estado, utilizando alegadamente peões pagos para o efeito, para obter informação confidencial dentro do universo da justiça portuguesa, de árbitros, dirigentes, cidadãos, processos próprios e alheios...tudo o que lhe desse vantagem, não só competitiva como também nas catacumbas do futebol em Portugal.



Essa é a narrativa do E-Toupeira mas preparam-se porque poucas vezes vão ouvir isto.

O spinning começou ainda antes da noticia ter sido feita pública. Levamos dois anos a ver como a mesma imprensa que escalpelizou o Sporting e o seu anterior presidente nos últimos meses - com direito a intervenção do Presidente dos "Afectos Selectivos" (o Polvo não precisa de mimo ao contrário do leão, claramente) e do presidente da Assembleia da República, um cargo profundamente ligado ao futebol, não haja dúvidas, a calar.
A mesma imprensa que transformou falsamente o FC Porto num clube "corrupto", num clube culpado quando facilmente e em todas as instâncias a sua inocência foi privada, num clube quase do submundo, apoiada em escutas selectivamente divulgadas, livros e filmes encomendados e programas desenhados para criar uma narrativa falsa e com um propósito evidente. Essa mesma imprensa calou até não poder mais.
Durante dois anos os emails não existiam, a cartilha benfiquista era omnipresente, o discurso oficial e oficioso do clube era o seguido por jornais desportivos, generalistas, tvs, radios...queriam fazer de todos nós loucos assobiando para o lado e agora, lamentavelmente para alguns, tiveram de engolir o assobio. Mas não vão engolir facilmente.
Desde o minuto um que as armas estão na mesa. O Benfica conseguiu inundar facilmente, não fossem os tentáculos omnipresentes, de "especialistas", de comentadores "neutrais" (alguns, temos ouvidos, já nem disfarçam e apresentam-se como "benfiquistas mas isentos" como se as pessoas fossem idiotas) a divulgar um discurso que oscila entre o terror (que será do futebol português sem o "maior"), a despreocupação (isto não tem pernas para a andar, é só barulho) ou a tentativa de virar a cidadania contra a acusação, um discurso "socratiano", não andasse Luis Bernardo por ali. Pelo meio está ainda o caso Paulo Gonçalves (deixar ou não cair o mentor), aqueles que começam a cheirar o poder e a cadeira vazia na Luz (Rui Gomes da Silva, Malheiro e companhia) e os que se querem agarrar ao barco de forma tão desesperada que até se prestam aos maiores ridiculos e humilhações (David Borges, João Querido Manhã and friends). Tudo isso ocupa o espaço mediático de um modo omnipresente em lugar de se colocar o ênfase onde ele devia, precisamente estar.
Na imensa gravidade das acusações, as consequências política e sociais de um caso desta natureza que, tivesse acontecido no espectro político ou empresarial seria hoje um escândalo impossivel de tapar, e a necessidade de expugar essa ideia de quem ainda se acha "o dono de isto tudo", ainda que não saiba ler e precise de folhas a4 com palavras em tamanho 42 e caps lock para atirar areia aos olhos.



É por isso fundamental que os portistas, o FC Porto, e os adeptos do futebol português em geral que não queiram vivir com a venda nos olhos que só o triste fanatismo justifica, não se enganem, não se calem e não perdoem.

Estes senhores que povoam as tvs e a imprensa, este discurso cuidadosamente preparado nas cartilhas dos Gonçalves, Guerras e Janelas, esta maneira de actuar, pidesca, tem de ser punido à altura. Tem de ser perseguida, denunciada e isso só vai acontecer se, paralelamente à justiça que terá de percorrer o seu largo caminho (faltam processos, sim, mas também falta muito no E-Toupeira, entre recursos, julgamente, prova ou não de culpa, recursos à sentença, etc) não exista perdão. Não exista perdão de todos os que sofreram na pele os insultos, o desprezo, a atitude de superioridade moral durante o Apito Dourado (caso do FC Porto e Boavista e do futebol e das gentes "corruptas, parolas, bacocas" do Norte em geral) ou do Cashball (no caso do Sporting) das gentes do Benfica.

Não se pode confundir clube com dirigentes e adeptos, sim, mas todos sabemos que a atitude de superioridade moral, injustificada desde sempre, esta lá. É preciso não ter perdão, sobretudo a quem teve de engolir - por ser uma omnipresença impossivel de ignorar - com a imprensa desenhada para satisfazer os interesses da cupula encarnada, com os tentáculos do Polvo. É preciso não ter qualquer tipo de perdão com um clube que está habituado a viver à margem da lei desde tempos imemoriais e crer que o futebol em Portugal vive e sobrevive para e graças a eles. É preciso não calar. Até porque mesmo que haja consequências judiciais (que se vão arrastar no tempo) o Polvo continua a controlar as instituições desportivas que vão fazer de tudo, com o apoio de todos, para evitar um castigo à altura do crime. E esse castigo tem de acontecer porque é para isso que lutamos!

 A cada spinning, a cada mentira, levantem a voz. Utilizem as vossas redes, divulguem, partilhem, façam-se ouvir. A cada mentira, a cada comentador pago para vos enganar, façam com que se ouça a verdade. Este Polvo terá de ser morto e enterrado em campo pela nossa equipa, nos tribunais pelo Ministério Público, nas urnas por todos aqueles que não querem pactar com governantes que actuam em prol dos interesses da cupula benfiquista (alguém ouviu o Presidente da Republica? alguém viu o Primeiro Ministro ou a Ministra da Justiça a pronunciar-se? Já se demitiu o secretário de Estado do Desporto?) e no dia a dia, na praça pública, nas redes, nas casas, nos trabalhos e nos cafés por todos nós.

Todos os que vivem e sofremos com a mentira que tem sido o futebol português. Temos mais poder daquele que pensamos ter. É altura de o colocar em prática. É altura de actuar contra o Polvo, entre todos. Sem perdão!

terça-feira, 28 de agosto de 2018

SMS do Dia

O Porto está prestes a contratar um jogador do Belenenses, que só foi descoberto no jogo que as duas equipas disputaram recentemente. É pena que o mercado de transferências encerre antes de termos oportunidade de jogar contra todas as outras equipas. Quem sabe que outros jogadores interessantes podíamos descobrir até ao início da segunda volta do campeonato...

domingo, 26 de agosto de 2018

Atitude, ou a falta dela


O essencial, antes do mais: poderíamos estar já com dois pontos de vantagem sobre slb e scp mas, pelo contrário, com a derrota de hoje, ficamos a um ponto de ambos.
E não há muito a apontar a este triunfo do Vitória, que alinhou com alguns ex-portistas. Para André André e Tozé (ambos a facturarem na partida), este 3-2 poderá até ter um certo sabor a "vingança".
Pena que o filho do grande António André não tenha mostrado nada próximo à sua exibição de hoje na maioria das vezes em que vestiu a nossa camisola…

E o FCP lá continua mal e não se recomenda.

Aboubakar e André Pereira, ambos à boca da baliza, falharam, cada um deles, um golo certo, pura e simplesmente porque foram muito mais lentos que o (mesmo) defensor vimaranense. 
Mais atitude e garra, exige-se.

Uma primeira parte muito próxima da apagada exibição no Jamor, apesar do enganador resultado ao intervalo, já adivinhava uma possível derrocada para o segundo tempo. Sérgio Conceição e Felipe assim o reconheceram no final do jogo. O caudal ofensivo é insuficiente e na componente defensiva estamos muito leves e permissivos.
As substituições (se bem que duas delas forçadas) não funcionaram. Óliver, mais uma vez, volta a não acrescentar qualquer valor. Pelo contrário, a equipa piora sempre que o espanhol entra em campo.
O nosso treinador também reconheceu que esperava muito mais daqueles que vieram do banco. Corona pouco ou nada tinha feito antes de se lesionar.
Para rever o caso particular de Marega. Voltará a ser o que era, após o seu afastamento forçado?

Ah, sim: o nosso segundo golo é fora-de-jogo, sem a mínima dúvida. O VAR estava em "black-out", tal e qual como aconteceu no Aves X slb da época passada. Só falha em jogos dos "três grandes"?
O penalty de Sérgio Oliveira, aceita-se. Mas ficou também claro que Fábio Veríssimo tentaria compensar o golo em fora-de-jogo à primeira (meia) oportunidade.
O FCP, de tão desabituado que está a ser beneficiado pelo factor-arbitragem, fez ele mesmo justiça por mão próprias, com um hara-kiri que não se via desde 1972. Foi nesse ano a última vez que, para o campeonato, perdemos uma partida após nos apanharmos com uma vantagem de dois golos. E também não éramos derrotados em casa contra o Vitória desde 1996.

Tempo para reflexão haverá de sobra: segue-se, em breve, uma estúpida longa paragem na Liga para irmos todos brincar às Selecções. Com todos estes actuais jogadores e mais um ou outro eventual reforço? Fica a grande dúvida...

domingo, 19 de agosto de 2018

Como ele hesitou...


Curioso seria perceber se Carlos Xistra marcaria aquele penalty caso não tivesse apitado aquele outro a favor do Belenenses. Trata-se, contudo, de uma pergunta retórica. Todos os portistas saberão a resposta...

E lá foi ele ver o monitor, ao minuto 92. Viu uma, duas, três, quatro, dez, quinze vezes e, muito a custo, lá apitou para a marca dos 11 metros.
Alex Telles - quem mais, para um momento como aquele? - com toda a sua categoria e sangue frio, recolocou justiça no marcador.

E tudo parecia fácil quando, poucos segundos na segunda parte, Otavio fez o 2-0, num lance em que, com um misto de inteligência e rapidez, aproveitou da melhor maneira um arriscado atraso do um jogador contrário.
Na altura, dois golos de vantagem pareciam almofada mais que suficiente para conquistar a segunda vitória em outras tantas partidas, mesmo após um primeiro tempo sem grande brilhantismo da nossa parte, onde apenas duas acções dos nossos mais jovens jogadores em campo, causaram mossa na defensiva lisboeta: um bom cabeceamento de André Pereira com a bola a embater na trave e outro, ainda melhor, de Diogo Leite, a facturar após canto de...nem é preciso dizer quem.

Só que, em Portugal, existe sempre o factor-A. O factor-arbitragem.
Do nada, apareceu um penalty a favor dos de Belém (ou melhor, dos do Jamor). Parece que por "posição natural dos braços", os árbitros entendem "braços junto ao tronco". Só mesmo de quem nunca jogou futebol. Ou melhor, só de quem, no fundo, não gosta assim tanto de futebol e não o entende.
A nossa equipa tremeu, claro. O que já não estava fácil, pior ficou e não mais passaríamos do nosso meio-campo (sim, a relva prendia e estava muito calor, mas não só...).
Ninguém ficou, pois, muito surpreendido quando surgiu aquele 2-2, que parecia final para as nossas aspirações.

Só que, ironia do destino, o que o "dream-team" Xistra/Capela não contaria era com aquele penalty nos descontos e, por uma vez, não dava mesmo para não marcar. Não o fazer, após aquele outro oferecido ao Belenenses, até no país dos "padres", toupeiras e "vouchers" seria por demais.

sábado, 11 de agosto de 2018

De volta à linha de partida

O FC Porto inicia hoje mais uma participação no campeonato nacional. Ao contrário dos últimos anos, parte de uma posição mais confortável que os demais concorrentes: é o campeão em título (e já amealhou mais um troféu). Mas este "conforto" pode não configurar uma vantagem. Há um ano atrás, tínhamos um treinador novo (e sem certezas sobre a sua capacidade); uma equipa sem contratações  de relevo por causa do fair-play financeiro da UEFA - apenas um guarda-redes (inútil) - e um par de pretensos reforços na figura de jogadores regressados de empréstimos. Estavamos longe de ser vistos como favoritos. No entanto, dispondo de uma garra que há muito não se via, e com a felicidade de os "emprestados" se revelarem verdadeiros reforços, conquistamos o título de forma justa e inequívoca.


Alguns meses passados desde essa conquista, encontramo-nos porém, e contra (todas?) as expectativas, numa posição idêntica há de um ano atrás, quiçá ainda mais frágil. Perderam-se dois jogadores titularíssimos e importantes na conquista do título - Marcano e Ricardo - com as suas saídas a serem colmatadas com jogadores novos (e sem garantia de que estarão à altura do desafio, como é natural); perdeu-se também o factor surpresa e como campeões, somos o alvo a abater (mais do que o habitual); não há grande possibilidade de os jogadores regressados de empréstimo, virem a ter semelhante impacto a aquele que tiveram na época passada. Em paralelo com a época passada, perderam-se também jovens promessas, que poderiam trazer sangue novo e aumentar o leque de opções.


Neste aquecimento antes do tiro de partida, Marega está na ordem do dia. Sobre ele, há que dizer que, sem que ninguém o esperasse, se revelou (para mim) o jogador-chave para a vitória no campeonato. Nos últimos anos, é nos jogos contra as equipas "pequenas" mais do que nos jogos contra os "grandes" que se decide o título, e foi precisamente nos primeiros que o Marega brilhou. É um jogador que soube conquistar a admiração dos adeptos, e pessoalmente gostaria que ficasse. No entanto, o valor acima do qual a sua transferência é "obrigatória", é discutível, mas tranferi-lo por 30 milhões, não é um mau negócio... se a sua "rendição" estivesse acautelada. E não foi. Neste momento o Porto, de novo sem contratações de relevo, arrisca-se a ter nas suas fileiras um jogador desmotivado (ou um nada menos empenhado, o que para alguém com conhecidas debilidades, não é coisa pouca), porque não tem quem o substitua.


Ninguém estava à espera de facilidades, mas as adversidades são mais que muitas, e incluem até lesões - Soares está novamente lesionado no início da campanha; Mbemba já tem mais tempo de "estaleiro" do que de treino. Talvez a pressão de ser campeão seja melhor (e menor) do que a de não ganhar há vários anos, mas não há certezas sobre isso. Sérgio Conceição já tem o seu nome inscrito na história do Porto, quanto mais não seja, por ter sido campeão nas condições mais adversas de que há memória. Como "encore", o desafio que se lhe apresenta, é repetir o feito em condições ainda mais difíceis.