quinta-feira, 24 de Abril de 2014

O perfil do próximo treinador

Com o campeonato há muito perdido e após duas eliminações dolorosas, quer na Liga Europa, quer na Taça de Portugal, parece ser claro que, independentemente do que acontecer nos três ou quatro jogos que o FC Porto ainda terá de disputar até ao final desta época, o treinador interino Luís Castro não irá continuar depois do dia 11 de Maio. Consequentemente, é natural que já se especule com o nome ou, pelo menos, com o perfil que deverá ter o novo treinador dos dragões.

O JOGO, 21-10-2013
Uma das hipóteses mais faladas é a do regresso de Fernando Santos, o “engenheiro do Penta”, mas nomes como Marco Silva, Nuno Espírito Santo ou Sérgio Conceição, encaixam como uma luva no perfil que foi definido por Antero Henrique, numa grande entrevista publicada por O JOGO, em 21-10-2013.

O FC Porto gosta de ter treinadores com muito espaço pela frente. (…) O Paulo Fonseca é mais um exemplo, a juntar a Mourinho, Villas-Boas, Vítor Pereira, a todos os treinadores que praticamente começaram a sua carreira no FC Porto e que, a partir daí, foram por aí fora.

Entre estes três “treinadores com muito espaço pela frente”, Marco Silva parece ser o que está melhor colocado para tentar seguir as pisadas de José Mourinho MAS…, ao contrário de Nuno Espírito Santo ou Sérgio Conceição, não conhece o FC Porto por dentro e nunca andou pelo balneário de um clube grande.

Em qualquer dos casos, será sempre uma aposta de alto risco e, em 2014/2015, a dupla Pinto da Costa / Antero Henrique não se pode dar ao luxo de voltar a falhar estrondosamente na escolha do treinador.

quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Proibição da partilha de passes

O JOGO, 10-04-2014
Emanuel Medeiros, ex-presidente-executivo da Associação das Ligas Europeias de Futebol Profissional (cessou funções no final de Março), deu uma entrevista a O JOGO (publicada na edição de 10-04-2014) em que disse o seguinte:

A breve trecho, a inscrição de jogadores para participação nas provas europeias só será possível desde que todos os direitos estejam concentrados no clube ao serviço do qual o jogador milite. A participação de terceiros nos direitos económicos dos atletas será vedada, à semelhança do que já acontece em Inglaterra, França e Polónia. Isso vai provocar impacto, ainda que a FIFA possa seguir um rumo diverso deste. Procurei sensibilizar o presidente da UEFA para que essa proibição não entrasse em vigor de forma imediata e fosse permitido aos clubes de todos os países onde essas práticas existem – e são mais do que aqueles que abertamente o confessam – um período transitório para proceder a ajustamentos desportivos e financeiros.


Se esta intenção da UEFA for mesmo para a frente, a política de contratações e a estratégia de gestão de “ativos” das SAD’s do FC Porto e SL Benfica vai ter de mudar e mudar substancialmente.

E, além de mais arriscado, muito provavelmente será também mais difícil clubes portugueses contratarem (passando a deter desde logo 100% dos passes) jogadores como Luís Fabiano, Lucho, Lisandro López, Anderson, Hulk, James Rodriguez ou Quintero.

terça-feira, 22 de Abril de 2014

Divórcio com os adeptos

De acordo com os números divulgados pelo FC Porto, ontem estiveram 17509 pessoas a assistir ao FC Porto x Rio Ave. Mais 202 pessoas do que no FC Porto x Paços Ferreira da 18ª jornada, que continua a ser, oficialmente, a pior assistência em jogos do campeonato nacional desde que o Estádio do Dragão foi inaugurado (em 16 de Novembro de 2003).

Mas não é só no campeonato que esta época foram batidos os recordes negativos de assistências no Estádio do Dragão. O mesmo aconteceu na Liga dos Campeões – FC Porto x Áustria de Viena, com apenas 24809 espectadores – bem como o FC Porto x Estoril para a Taça de Portugal, cujos 10507 espectadores representam a pior assistência de sempre em todas as competições.

E tudo isto numa época em que existiram inúmeras iniciativas, promovidas pelo FC Porto e por alguns dos seus parceiros comerciais, com o objetivo de encher os 50 mil lugares do Estádio do Dragão.

O JOGO, 06-04-2014

Depois de uma época que se revelou horribilis, a próxima época está repleta de desafios para Pinto da Costa, Antero Henrique e restante administração da FC Porto SAD.
Na minha opinião, um dos principais desafios é recuperar do evidente divórcio existente entre os adeptos portistas e a equipa de futebol, de modo a que o Estádio do Dragão volte a ter, regularmente, assistências acima dos 30 mil espectadores (vale a pena lembrar que há apenas três anos atrás, na época 2010/2011, a média foi de 36987 espectadores).

Serviços mínimos cumpridos


O FCP entrou bem, alegre e a praticar um futebol solto e a bola a rolar a preceito. Varela, na ala esquerda, estendia o jogo e nos primeiros vinte minutos fomos dominadores e criámos perigo, com Herrera muito activo na zona de finalização. Varela quebrou por inferioridade física e foi substituído por Ghilas que esteve bastante mal em todos os momentos do jogo. Não apoiou, não fechou, nem atacou ou segurou a bola. Com a quebra de Josué que desapareceu completamente e a acção errática dos restantes homens do meio campo, com Alex demasiado displicente e os demais pouco esclarecidos, a equipa eclipsou-se: faltou organização, intensidade e assertividade na condução do jogo. Muito repelão e regressou o inevitável (e dispensável) assobio. A verdade, porém, é que a equipa funciona de uma forma  tão irritante que chega para desanimar os mais crédulos.
No segundo tempo, a equipa apareceu mais empenhada e Quintero ajudou a que se instalasse um jogo mais vivo; a bola corria mais depressa e com mais critério. Chegámos ao golo através de uma grande penalidade que me pareceu indiscutível e que Martinez concretizou de forma muito competente. Alargámos o score com um golo muito bem esgalhado: um passe primoroso de Quintero e Herrera a desmarcar-se, num excelente movimento de ruptura, antecipando-se à saída do guarda redes adversário, para de cabeça aumentar a vantagem. Ainda houve tempo para mais um golo e o resultado acabou por estar bem acima da exibição.
Individualmente, destaco Danilo, Herrera, Quintero e Ricardo que pode ser um reforço a ter em conta, porque é jovem e tem uma grande margem de progressão. Ghilas foi uma decepção e não perece convertível para jogar na ala. Falta-lhe escola e cultura de jogo.
Em resumo: serviços mínimos cumpridos, no jogo e no campeonato. Foi esta a assinatura dominante da presente época.

segunda-feira, 21 de Abril de 2014

Bruxarias e “jornalismo de referência”

Eugénio Queirós (fonte: Blogue ‘Bola na área’, Fevereiro 2014)

Isto sim, é “jornalismo de referência”, publicado na plataforma de blogues do Record

Perante estas “certeiras” previsões do Bruxo de Fafe (feitas há dois meses), ficamos a aguardar que Eugénio Queirós, jornalista do Record (desde 2004), confesso consócio de Pedro Proença…

«Só falei uma vez com Proença. Foi no tribunal de Gondomar, em 2008, durante o julgamento do processo originário do Apito Dourado. O árbitro lisboeta esteve lá na condição de testemunha de defesa do árbitro Manuel Valente Mendes (...).
No átrio do tribunal, na companhia de Duarte Gomes, que também testemunhou, Proença aceitou falar aos jornalistas e respondeu a todas as perguntas. Até quando lhe perguntei se era benfiquista. E você?, contra-atacou. Lá tive de me confessar. “Então somos consócios”, atirou com um desarmante sorriso.»
Eugénio Queirós, Blogue ‘Bola na área’, 09 maio de 2013 | 17:03

“especialista” em apitos, tendo até publicado um livro sobre o ‘Apito Dourado’, nos proporcione mais peças deste “jornalismo de investigação” de alta qualidade.

Quiçá uma entrevista ao seu amigo Marinho Neves, acerca do “excelente” momento atual da arbitragem portuguesa e do malfadado Sistema…

domingo, 20 de Abril de 2014

Pedro, Tozé e Gonçalo, tenham paciência...

Devido à lesão de Helton, o angolano Kadú foi "promovido" a guarda-redes suplente de Fabiano. Evidentemente, necessita de continuar a jogar na equipa B, mas parece-me claro que o FC Porto não precisa de contratar um 3º guarda-redes para o plantel da equipa principal.

Víctor García já teve duas oportunidades na equipa principal, uma na Taça da Liga e outra no campeonato mas, tendo já em vista a próxima época, penso que Luís Castro deveria voltar a apostar neste defesa-direito venezuelano para a recepção ao Rio Ave e, eventualmente, experimentar Danilo onde ele mais gosta de jogar (no meio-campo).

Mikel é outro dos jogadores da equipa B que já integrou algumas vezes o lote dos 18 convocados da equipa principal. Será desta (2ª feira, frente ao Rio Ave) que, finalmente, o médio defensivo nigeriano vai ter oportunidade de jogar no lugar do castigado Fernando?

Há outros jogadores da equipa B que, na minha opinião, já poderiam (deveriam) ter tido uma oportunidade na equipa principal, casos de Pedro Moreira, Tozé e Gonçalo Paciência, mas penso que isso só acontecerá na próxima época, após a anunciada "revolução"...

Tozé, 2º golo do FC Porto

Pedro Moreira, 3º golo do FC Porto

Nota: Resumo do FC Porto B x Benfica B (4-1), disputado ontem, referente à 39.ª jornada da II Liga.

sábado, 19 de Abril de 2014

Ah!...Aaaaaaah!... Impressionante!


Hoje jogou-se um SL Benfica x FC Porto para o campeonato nacional de Andebol e os últimos segundos foram... impressionantes!
O FC Porto estava a perder por um golo (25-24) e chegou ao empate quando o cronómetro marcava 59:54.
Depois disso, bem... vale mesmo a pena ver o vídeo dos últimos 3 segundos deste jogo e ouvir o que disse o desolado comentador de A BOLA TV (o que terão dito os comentadores da Benfica TV?).

sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Gostos caros

Um golo não faz um jogador. Mas ser-se Gomez, ao invés de Gomes, e custar um balúrdio, não é garantia de qualidade. Seja para fazer parte do plantel, ou ser titular sem fazer nada que o justifique.

A fina ironia



André Gomes, antigo jogador dos escalões de formação do Porto, durante a vigência do patético projecto Visão 611, marca o golo que afasta da final da Taça de Portugal, o mesmo Porto, treinado por Luís Castro, figura de proa ... do projecto Visão 611

quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Há muito ainda para ganhar!


O FCP esteve ao nível do que vem fazendo. Se dentro de portas vai disfarçando, quando atravessa o rio tem sido uma desgraça.  Um plantel perdido nas suas hesitações, um treinador a insistir numa inexistente identidade, porque a posse tal como é exercida é um simulacro: não há pressão, o controlo do jogo é frágil, o ataque raramente passa do meio campo, a defesa treme quando o adversário coloca pressão, disputa as bolas com intensidade e a faz correr com velocidade que completa com sucessivas trocas de posições e diagonais que executa a preceito. Um jogo corrido que somos incapazes de desenhar. Não sabemos jogar juntinhos e não somos eficazes a defender, nem quando jogámos com o bloco baixo. Uma tremedeira permanente. O colectivo não funciona e as individualidades, ainda que famosas (?), repetem demasiado erros,  abordando os lances de forma desleixada, com frequência: Alex Sandro é um desses jovens com potencial que repete o mesmo tipo de falhas, tal como Danilo na direita. É muita presunção para tão parco rendimento.
Varela, tirou um coelho da cartola, mas não chegou. As substituições não resultaram e o treinador perdeu-se na repetição da receita que tem seguido para tentar mudar o curso dos acontecimentos, noutros jogos em que fomos derrotados. Quando uma equipa não é forte, há que camuflar os seus pontos fracos com capacidade de luta e muita entreajuda o que nunca ocorreu esta época; e sempre que o adversário reagiu e nos fez frente, acabou por ser premiado. Meia dúzia de "bons jogos" foi o máximo conseguido nesta época. Não somos capazes de fazer das fraquezas força, e não raramente os nossos pontos fortes (?) tornam-se inoperantes e fáceis de combater porque resultam de movimentos previsíveis que cumprimos,  trocando a bola para os lados e para trás. Falta muita coisa a este FCP.

Neste jogo, não há que destacar qualquer jogador e salvo o golo, foi tudo demasiado medíocre. A defesa oscilou demais e Reyes mostrou muita inexperiência e esteve em dois golos. Fabiano falhou no primeiro. Luís Castro não teve desempenho positivo e seguiu o rumo da equipa: foi previsível e pouco feliz nas opções para melhorar o comportamento da equipa . Quaresma foi muito provocado, mas devia ser capaz de suportar essas picardias. O que Lucho sabia fazer tão bem pois a sua acção ajudava a somar vontades, o Quaresma divide mais que junta, no campo e no balneário, muito provavelmente.
Por fim, acho que Proença fez uma péssima arbitragem e sempre com prejuízo para o FCP, salvo a expulsão  que se poderia justificar pela sucessão de faltas graves cometidas por Siqueira, mas que Pedro tinha autorizado ao SLB, desde o apito inicial, com muitas faltas sem serem devidamente punidas. A grande penalidade foi uma invenção que a rapaziada amiga de PP contemplou como justa.
O FCP continua doente e como já escrevi num comentário é bom que não haja muita gritaria não vá o doente ter uma recaída. Afinal, temos que defender o 3º lugar e jogar a meia final da taça da Liga. Há muito ainda para ganhar, como lembrou o nosso Presidente.

quarta-feira, 16 de Abril de 2014

SMS do Dia

Merecidíssimo.

terça-feira, 15 de Abril de 2014

Querido, mudei o jogo!


Eram quase horas, testava-se a radiofonia e eis que surgiu, à porta de um vestiário verde, aquele personagem de perfil anafado e rosto luzidio. Tinha estado no exterior a incendiar as massas e, durante essa semana, proclamou os princípios, as nobres causas e a missão de uma organização com brasões e pergaminhos, atirando sempre o odioso para cima do “velho senil” – a origem de todos os males. E teve alguma habilidade para o conseguir, embora com a mesma elegância e grau de civismo de um javardo bosqueiro.

Abriu a porta e deu de caras com alguém que lhe era familiar e que logo exclamou:
Bruno!
Com a educação que lhe é cara e a voz de bagaceira velha respondeu:
Meus senhores, bom jogo! – e ainda aproveitou para atirar:
Vi-te lá… no coiso… Estavas a… (mãozitas para a frente e para trás, como quem está a correr)
Estavas lá Bruno?
Estava… Adeusinho. Bom jogo!
Obrigado Querido! 
Já agora, qual é a ementa para hoje?
Que tal Polvo no espeto?
Gosto disso!… Bom jogo!
Bom jogo!

O jogo foi bom. Finalmente foi possível assistir a um desafio em que a verdade imperou do princípio ao fim.

Esquecendo a ficção e voltando à realidade: já se sabe quem vai estar na 2ª mão da meia-final da Taça de Portugal?

segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Letargia na pedreira

O FC Porto apresentou um 'onze' com algumas surpresas em Braga. Na defesa jogaram Maicon e Abdoulaye como centrais e Victor Garcia (da equipa B) e Ricardo nas laterais e o meio campo ficou entregue a Carlos Eduardo - que tinha estado muito mal em Sevilha - Fernando e Josué (que ontem foi um dos melhores no FC Porto). Na frente jogaram Varela, Jackson e o desinspirado Licá.

Apesar do maior controlo demonstrado na primeira parte, fomos sempre uma equipa muito lenta e sem motivação, situação decorrente de um final de época sem quaisquer objectivos nesta prova. O FC Porto entrará em campo nas 3 últimas jornadas apenas para defender o orgulho e a honra.


Voltando à equipa, alguns jogadores mostraram porque não têm lugar no plantel do FC Porto e eu destacaria desde já o Licá e o Abdoulaye. Outros mostram algumas boas notas mas o colectivo terá de mudar radicalmente o mindset para a próxima época. A tal 'revolução' de que falava o jornal OJOGO na sua edição de Sábado tem mesmo de acontecer.

O FC Porto marcou primeiro por Varela aos 23' aproveitando bem uma óptima desmarcação de Jackson. Ainda na primeira parte houve dois cabeceamentos em zona frontal desperdiçados, um pelo avançado colombiano e outro por Carlos Eduardo. Apesar das situações de golo iminente, há que realçar que a equipa portista opta quase sempre por parar o jogo no meio campo e circular a bola entre os centrais mesmo quando a recupera em terrenos mais adiantados e apanha a defesa adversária em desequilíbrio, o que é desesperante para o adepto. Que FC Porto é este? Não há motivação, não há drive, não há vontade para jogar futebol. O estado anímico desta equipa é preocupante.


Na segunda parte o FC Porto continuou o seu processo de adormecimento e, além de recuar demasiado para manter a posse de bola, bastou que o adversário aumentasse o pressing no meio campo ofensivo para a defesa portista começar a meter água. O Braga empatou aos 57' numa arrancada pela direita de Pardo, deixando Abdoulaye pregado ao chão, e cruzando de seguida para entrada fulminante de Moreno ao primeiro poste. Logo a seguir mais uma perda de bola do defesa senegalês e Rafa a desperdiçar isolado frente a Fabiano. Valeu um Josué que procurou sempre novos caminhos para a baliza bracarense e descobriu Carlos Eduardo na área aos 85' para, de cabeça, fazer o 1-2. Passados poucos minutos e já contra um Sp. Braga muito longe da equipa de 2010/2011, sem capacidade de resposta, Josué galgou terreno e encontrou Quintero que fez o terceiro para o FC Porto. O 2º e 3º golos portistas foram marcados já muito perto do final da partida.


Depois de Barcelos, esta foi a segunda vitória fora de casa do FC Porto na 2ª volta da Liga. Isto diz tudo sobre a época que terminará em poucas semanas.

sábado, 12 de Abril de 2014

Tinha o representante errado

Entrevista de Lucho Gonzalez (fonte: O JOGO, 09-04-2014)

sexta-feira, 11 de Abril de 2014

O pulso do Dragão

As más temporadas são aquelas de que nos temos de lembrar sempre. Para que não se repitam. A complacência é a maior inimiga daqueles que querem reinar muito tempo. No Dragão sabem isso melhor do que ninguém. Contava Bill Paisley, mítico treinador do Liverpool, que ele também tinha estado nos anos difíceis do Liverpool. "Um ano acabamos em segundo", dizia entre gargalhadas. Mas tinha razão. Nos seus tempos de jogadores e fisioterapeuta viveu anos de segunda divisão com o histórico clube de Merseyside. A glória e o inferno caminham sempre demasiado perto.

O FC Porto tem vivido 30 anos únicos. Dificilmente se vão repetir. Pelo menos trinta mais.
Cabe a quem gere o clube, aos sócios e adeptos que vão guiar o futuro, ter isso em consciência. Somos uma geração mal habituada porque vencemos mais do que perdemos e fazê-mo-lo com uma regularidade espantosa. Muitos dos que estão na direcção do clube estiveram nesses momentos. Outros tantos partiram ou perderam voz. Nenhuma equipa dura para sempre no topo. É impossível. O melhor que se pode fazer é continuar a lutar e evitar que estas épocas se tornem em algo regular. Vão ser cada vez mais frequentes. Mas não serão necessariamente o caminho para um longo deserto. Só se a caravela, que se desviou de curso, se afaste demasiado e acabe perdida no meio do Oceano. Este ano podemos e devemos medi-lo sobre diversos pontos de vista porque solucionar só um dos muitos problemas que tivemos será manifestamente insuficiente se querem continuar a ser competitivos nos próximos cinco ou dez anos.

PLANTEL

Entre os adeptos há a teoria de que este plantel é pior que o dos últimos anos e a oposta, de que é um bom plantel. Não creio que seja nem uma coisa não outra. É um plantel caro. Isso sem dúvida. Mas não necessariamente melhor. Que se pague mais dinheiro por jogadores que antes seriam contratados por metade do valor não faz das opções à disposição necessariamente melhores. O plantel que a SAD quis ter e que o anterior treinador aceitou é desequilibrado. É inexperiente. Falta-lhe liderança. Falta-lhe coerência. E faltam-lhe opções para posições determinantes a um nível que condiga com as aspirações do clube. O erro na concepção do plantel de 2013/14 partiu do mitico minuto Kelvin. Um título caído do céu depois de um sprint final de loucos fez a SAD acreditar que tudo era possível. E permitiu a desvalorização da equipa, deixando sair o jogador que equilibrava todo o cosmos em campo. Sem Moutinho - e mais grave, sem um jogador substituto para Moutinho - o FC Porto perdeu muito. A saída de James também não foi compensada à Porto. Desde há muito tempo que Pinto da Costa - e muito bem - tinha por hábito contratar o sucessor de um jogador com saída anunciada na época anterior para permitir a transição. Com James e Quintero não o fez e o colombiano não teve o tempo que teve James para adaptar-se e encontrar o seu ritmo.
A época arrancou com um overbooking de centrais e médios interiores e uma escassez atroz de alternativas nas alas, tanto na defesa como no meio campo. Os laterais e os extremos foram esgotados até à exaustão e só quando chegou Quaresma é que se percebeu o que podia ter sido esta equipa com um jogador top na ala durante todo o ano. Jogador que, por certo, Quaresma não é. Para o micro-cosmos "liga portuguesa" serve mas se o FC Porto quer ser uma potência como já foi não há muito tempo, não o vai conseguir com um futebolista que nunca triunfou em clubes exigentes e que faz do futebol um exercício estéril de egocentrismo. Esse erro inicial (a saída de Iturbe, a falta de um extremo, de laterais que rendessem Danilo e Alex Sandro) foi pago ao longo dos meses. Mas apesar de haver muitas opções na medular, a qualidade era pior. Fernando não tinha alternativa. Defour, Carlos Eduardo e Herrera nunca foram jogadores ao nível de Moutinho e Lucho jogou meio ano fora do lugar até que se fartou de ser visto como o bode expiatório da incompetência alheia. Izmailov desapareceu do radar sem dar noticias e Josué e Licá demonstraram que nem todos os jogadores que fazem uma razoável temporada merecem jogar no Dragão. Olhando, cruamente, para o plantel do FC Porto deste ano em comparação com os últimos anos há mais nomes, mas a média da qualidade decaiu claramente. Sobretudo o que há é demasiados projectos de jogadores. Inexperiencia (como a de Reyes e Herrera, com consequências nos jogos europeus), jovens demasiado ambiciosos e com a cabeça noutras paragens e muitos futebolistas que precisam de aprender a enganar-se e que não têm tempo se ao lado não há lideres. Porque não há. A saída de Lucho e a lesão de Helton deixa evidente uma situação de desnorte. Nem Quaresma, nem Varela nem muito menos Mangala são lideres para um clube como o FC Porto. E Fernando, num caso mal gerido desde o primeiro dia, está mais preocupado consigo mesmo do que com a possibilidade de exercer esse papel. Em suma, uma equipa com muitas opções mas mal distribuídas e preparadas estava fadado a gerar problemas de difícil solução.


EQUIPA TÉCNICA

Vitor Pereira tinha as horas contadas em Março. O titulo no último suspiro deu-lhe um colchão emocional e colocou a SAD contra a parede mas as cartas estavam já há muito na mesa. O seu mandato nunca foi consensual (talvez porque lhe foram tirando armas que AVB teve direito sem o reforçar condignamente em posições chave) e seria difícil aguentar a exigência de um terceiro ano. Até aí estou de acordo com a posição tomada pela SAD. Mas para trocar um técnico bicampeão português por Paulo Fonseca, mais valia ter esperado. Por um milagre.
Pinto da Costa acredita que encontra génios debaixo das calçadas da Sé. Pensou que Paulo Fonseca era um novo Mourinho. Saiu-lhe um Quinito II. E saiu-lhe cedo. Desde Agosto que era evidente que o erro de casting era sério. Mas foi-se perpetuando no tempo custando muito ao clube. Paulo Fonseca tentou jogar em 4-2-3-1 numa equipa feita e pensada para um 4-3-3. Fez com que jogadores que estavam tacticamente brilhantemente preparados parecessem futebolistas de distritais. Não acertou com um  onze, inventou tudo o que lhe era possível e nunca soube dar a mão à palmatória. Insistiu no erro até ao fim e acho que saiu do clube sem perceber o que fez mal. Luis Castro, por muito competente que seja, também não tem o status necessário, nem o know-how, para dirigir um candidato perene ao título e ao que caía no colo. O FC Porto tem um modelo de jogo consensual, inteligente e uma política de evolução de jogadores que casa bem com um esquema disciplinado e que permite uma ligeira margem de erro quando os jogadores certos estão nas suas posições. Este ano isso não sucedeu, as debilidades individuais foram expostas em excesso e a moral do colectivo voou cedo para não voltar. A derrota em Sevilla, mais do que por questões arbitrais, deixou claro que o mal feito em Agosto só poderia ser corregido com tempo. Até Mourinho perdeu no seu primeiro meio ano nas Antas jogos que jamais voltaria a perder. O problema com a escolha de Paulo Fonseca está tanto no homem como no perfil. Em lugar de optar por técnicos de perfil alto, consagrados, excelentes gestores de homens e desenhos tácticos, procura-se exportar treinadores com pedigree como se faz com jogadores. Os milagres não acontecem todos os anos. Em trinta anos, Pinto da Costa conseguiu isso três vezes. Um por década. Está claro que há que esperar pelo próximo algum tempo. Mas se o perfil de futuro continuar a ser o mesmo é provável que os problemas se repitam. Se a aposta for conservadora, uma "jesualidização" sob a forma de Fernando Santos (a minha aposta pessoal, a contra-gosto), o fosso com os adeptos aumentará. Dificil decisão.

INSTITUIÇÃO

O FC Porto perdeu esta época muito em campo. E também perdeu fora dele.
O Clube cresceu e afirmou-se em dois jogos diferentes mas complementares. Desde há algum tempo para cá, a instituição está calada. Não defende o Clube como o fazia e muito bem, quando era preciso. Uma que outra entrevista insossa, um processo a um portista reconhecido por um fait-diver, e alguns comunicados não são suficientes para defender os interesses do clube face a uma mais do que evidente aliança de Benfica e Sporting, muito parecida como aquela que precipitou o Verão Quente de 1980. Parece evidente que o crescimento leonino vem de mãos dadas com uma politica calculada de queixas para colocar o FC Porto isolado dos centros do poder, com a anuência do Benfica que está disposto a deixar o Sporting a voltar a ter algum protagonismo mediático e institucional, sempre que seja á custa do FC Porto. É o que tem sucedido. Do Dragão só se ouve silêncio.
O Clube não consegue colocar homens influentes em posições como a presidência da Liga. Tem um presidente da Federação claramente hostil e um conselho de arbitragem que segue pelo mesmo caminho. E ao contrário da política guerreira e de ataque dos melhores anos do melhor presidente que o clube já teve (e terá), temos que suportar esse afastamento progressivo que só serve para danificar a imagem do Clube. O FC Porto precisa reforços em campo, no banco mas também nas posições de poder. Lamentavelmente a situação não vai mudar tão cedo. Pinto da Costa é finito nem que seja porque é humano. Tarde ou cedo acabará por retirar-se. Poderá fazê-lo, como merece, pelo seu pé, salvo que aconteça alguma fatalidade. E quando sair o clube vai ser uma velha viúva milionária com muitos pretendentes interessados, alguns até que aparecem em cena amando a outras cores, sejam vermelhas ou verdes. O pior que pode passar é uma guerra civil interna mas sem um sucessor ungido (como acredito que Pinto da Costa não vai fazer) e com facções já a batalhar, neste momento, por protagonismo, é a defesa colectiva exterior do Clube quem perde.

ARBITRAGENS E RESULTADOS

O FC Porto sofreu um péssimo ano arbitral na pele. Foi prejudicado claramente no campo do Estoril, Belenenses, Sporting e Nacional. O facto de ter jogado bastante mal nos quatro encontros permite-nos uma análise mais fria. Mas os factos são esses. Na Europa também pagou o preço de uma arbitragem habilidosa nas duas mãos contra o Sevilla. Mas ninguém cai por 4-1 por causa, exclusivamente dos árbitros. Houve erros que custaram pontos importantes - muito por culpa dessa falta de peso institucional tanto dentro como fora, onde desde o Apito Dourado a influência do Porto é mínima - mas a maioria dos resultados da época foram merecidos. A péssima fase de grupos da Champions League e as prestações cinzentas contra o Frankfurt, na primeira parte em San Paolo e em Nérvion, são consequência de tudo o que disse antes. Na liga o FC Porto perdeu pontos por culpa própria, na maioria das ocasiões, e com alguma ajuda alheia noutras. Ainda que pese - especialmente porque o plantel do Sporting é o que é - a posição no campeonato adequa-se perfeitamente ao que foi feito, a eliminatória europeia é uma consequência natural na falta de competitividade e ordem da equipa e o duplo duelo contra um Benfica que está, claramente melhor, servirá apenas de consolo moral. Pela primeira vez em muito tempo, os encarnados estão, claramente, á frente em todos os sentidos de jogo do que o FC Porto. E essa é a pior noticia do ano.



VISÃO A CURTO PRAZO vs VISÃO A MÉDIO PRAZO

Num Verão que se adivinha quente, a SAD do FC Porto tem duas opções. Buscar uma solução imediata a um ano grave ou pensar a médio prazo. Foram feitas coisas boas este ano. Contratar jovens com potencial e do mercado nacional (o próximo a caminho parece ser o Ricardo Horta) é uma linha interessante. Aproveitar as sinergias com a equipa B também o será. Mas esses jovens não vão ser capazes de dar um passo em frente sem estarem devidamente acompanhados. O Clube pode emular o que fez em 2010, contratando o experiente Moutinho, não vendendo as estrelas da companhia (apenas dois jogadores em fim-de-ciclo) e apostando tudo em recuperar o ceptro. Mas há dinheiro para isso depois de tantos negócios excessivamente caros, de tantas comissões e do risco de falhar a Champions League, outra vez?
Se Fernando, Mangala e Jackson eventualmente saírem, a resposta terá de ser outra, a pensar numa recuperação a médio prazo em que os jovens jogadores tenham um par de épocas para se afirmarem, sendo reforçados, progressivamente, pelo mesmo modelo de jogadores que nos fez chegar onde estamos. Jogadores como Zahovic, como Derlei, como Drulovic, como Kostadinov, Deco, Jardel, Lisandro, Lucho ou McCarhty que sem terem sido excessivamente caros deram um plus de qualidade ao colectivo. Para isso urge procurar novos mercados, fugir da tentação de pagar cada vez mais caro e sobretudo, aceitar um modelo de gestão onde o treinador tenha uma palavra a dizer.

HOW THE MIGHTY FALL

Comecei este texto com o Liverpool. Não foi casualidade. Quando Shankly chegou ao clube, a final dos anos cinquenta, o "Pool" estava na II Divisão. Quando Pinto da Costa e Pedroto chegaram ao Porto, o clube estava a viver o seu maior deserto, acabando alguns anos fora do top quatro. Durante vinte e trinta anos, respectivamente, os dois clubes dominaram a sua liga nacional e brilharam na Europa. Depois, no caso dos Reds, veio um longo e penoso deserto. Cabe ao FC Porto estar atento a esse (E tantos outros exemplos que a história nos dá) caso para ter atenção ao futuro que nos espera. É preciso pensar no amanhã e no depois. É preciso que quem gere o Clube pense nele primeiro. Que os jogadores que fiquem e os que cheguem sejam escolhidos a dedo e para algo mais do que serem vendidos com margem de lucro. E que o próximo homem a sentar-se na "cadeira de sonho" seja mais do que uma flamante promessa ou um veterano amigo do Presidente sem nada nas mangas. É preciso tomar decisões dificeis. É nestes momentos que se vê a alma do Dragão. Os adeptos estão, seguramente, todos com o Clube e esperam. A um sinal de que isto é uma curva apertada e não um abismo!