quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Noite de gala: o day after


Grande exibição!
Golo monumental de Corona!
Obra de arte de Brahimi!
Bis de André Silva!
Mão cheia de golos!
Tudo isto e, claro, ganhar 5-0 ao campeão inglês em título é ganhar 5-0 ao… campeão inglês em título.

Mas (e há sempre um "mas"...), quem tem acompanhado a Premier League 2016/2017, sabe que este Leicester ocupa o 16º lugar (ganhou 3 dos 14 jogos já disputados e está apenas dois pontos acima da linha de despromoção) e é uma equipa que tem tido um desempenho muito distante da equipa que, na época passada, surpreendeu o Mundo do futebol, ao sagrar-se campeão inglês.

Mais. O onze inicial do Leicester que alinhou no Dragão, não tinha o guarda-redes titular (Kasper Schmeichel), não tinha o seu suplente (Ron-Robert Zieler), nem tinha outros nove dos jogadores mais utilizados esta época por Claudio Ranieri (Danny Simpson, Robert Huth, Christian Fuchs, Daniel Amartey, Andy King, Riyad Mahrez, Jamie Vardy, Marc Albrighton, Islam Slimani).
Ou seja, Claudio Ranieri alinhou no Dragão com 11 jogadores sem rotinas (isso viu-se bem no 1º golo) e que nunca tinham jogado juntos.

Yes, we can. Sim, o FC Porto cumpriu com a sua obrigação, ganhou e qualificou-se (em 2º lugar) para os Oitavos-de-final da Liga dos Campeões, sem precisar de ajudas de terceiros (esta é para o Rui Derrota…).

Mas, convém lembrar que, num grupo muito acessível, o FC Porto só foi capaz de ganhar a este Leicester (de segundas e terceiras escolhas) e a um fraquíssimo Club Brugge (uma equipa que perdeu os 6 jogos que disputou nesta fase de grupos, com um saldo de 2 golos marcados e 14 golos sofridos!).

Estamos, naturalmente, felizes com esta vitória gorda e com a continuidade na competição de clubes mais importante do panorama mundial. Contudo, é capaz de ser um bocadinho precipitado embandeirarmos em arco com estes 5 golos (CINCO, carago!), pensarmos que agora é sempre a abrir, que o campeonato está no papo e que mesmo na Liga dos Campeões, com um sorteio jeitoso na próxima 2ª feira, se calhar vamos longe…

Calma. Pés no chão, porque os problemas do FC Porto não estão todos resolvidos. Nem, tão pouco, os da equipa principal de futebol. E, sem querer ser pessimista, apesar do próximo adversário (Feirense) vir de cinco derrotas seguidas (quatro das quais em casa), cheira-me que, já no próximo domingo, não vai ser fácil trazer os três pontos do estádio Marcolino de Castro.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Com esta atitude, tudo se consegue

Como tudo é mais fácil quando jogam os melhores. Como tudo é mais fácil quando se joga ao ataque, sem render-se ao medo. O FC Porto fez uma enorme exibição contra uma equipa a meio gás - compreensivelmente - do Leicester. Claro que ninguém fala de que o Kovenhague também estava a jogar com um Brugges B na Bélgica. Não, isso não interessará a ninguém. Mesmo que o Leicester tenha chegado ao Porto sem algumas das suas figuras, havia ali jogadores importantes na conquista do título (Morgan, Drinkwater, Okazaki) e promessas de grande futuro (Mendy, Gray) e uma equipa com vontade de completar uma fase de grupos imaculada. Felizmente para os adeptos portistas o plano de NES foi, hoje, totalmente diferente daquele dos jogos anteriores. Sem meias tintas, o técnico portista apostou nos melhores (salvo no caso Telles-Layun, opinião exclusivamente pessoal). A lesão de Otávio pode até ter precipitado a entrada de Brahimi mas quem viu o jogo entende que um jogador assim como o argelino, com os seus altos e baixos, não pode ser um pária nem uma opção de último recurso. Brahimi pode perder muitas bolas, agarrar-se demasiado ao esférico. Ninguém vai descobrir isso agora. Mas o que é capaz de fazer com ela e como faz jogar - e condiciona o rival - é algo de que o plantel carece. E a sua presença foi importante ainda que não determinante porque hoje o FC Porto jogou a alto nível como equipa. E aí fez a diferença.



NES abandonou um modelo mais medroso de jogo, em que os extremos muitas vezes recuavam para formar um 4-1-4-1 ou um 4-4-1-1 com Jota no apoio a André para assentar um 4-2-3-1 ofensivo onde Oliver começava a armar jogo desde atrás, com Danilo a fechar as subidas dos laterais ao mesmo tempo que o seu irmão gémeo tapava o bloco central com a sua autoridade habitual. Menos mal que ninguém se deu conta que eram dois e não um os que estavam a jogar com a camisola daquele que tem sido, provavelmente, o melhor jogador da época até agora. Corona bem aberto pela direita e Brahimi, idem pela esquerda, permitiam a Jota e Silva moverem-se com facilidade entre linhas frente a um Leicester apático e que deixava todo o espaço do mundo aos dragões. Com Maxi e Telles bem nos apoios laterais desde cedo o Porto deu sinal mais e deixou claro que ia atacar por todos os meios e caminhos possíveis. Foi o que fez sempre, mesmo quando se viu com um golo a favor quando, até agora, esse golo era o toque habitual de retirada para um jogo de contenção. Fosse o medo aos golos do Kovenhague - dois em doze minutos - fosse por uma mudança de paradigma, o certo é que o Porto hoje vulgarizou - e essa é a palavra mais simpática para os adeptos do Leicester - o campeão inglês. Pode não ser a melhor equipa inglesa nem ser a equipa com todos os titulares mas não deixa de ser o campeão inglês e esse boost de confiança chega no momento certo depois da fome de golos acumulada e que a explosão de Rui Pedro saciou de forma brilhante contra o Braga.

Os golos foram consequência do domínio e da atitude. André Silva, de cabeça, sem ter qualquer necessidade de saltar - falha clara de marcação - abriu a contagem e acabou com a ansiedade normal das últimas semanas. Tudo o que não entrou nos jogos anteriores, mesmo quando tanto se merecia, entrou hoje com uma naturalidade abismal. Corona fez um golo assombroso, um remate seco ao ângulo que mais parecia sacado dos últimos minutos de um treino do que um duelo decisivo da Champions League tal foi a naturalidade com que fuzilou a baliza inglesa. Em dois lances o Porto matou as dúvidas geradas, o borrego de golos e a ansiedade em relação ao resultado dos dinamarqueses. Depois dedicou-se a jogar á bola, na melhor acepção da palavra, com um bom jogo combinativo entre linhas e com a baliza contrária sempre em mente. Uma mudança de atitude que permite encarar o futuro com outros olhos. O golo de Rui Pedro com o Braga pode ter tirado o desespero da ineficácia - e ninguém sabe o que passará no fim-de-semana - mas a atitude desse jogo contra um Braga focado anti-jogo e sobretudo a de hoje, de uma equipa claramente ofensiva e competitiva, deixa a sensação de que tudo ainda se pode conseguir se lhe for dado o devido seguimento nas próximas semanas para que não se perca este estimulo. Para isso convinha não voltar a perder um génio como Brahimi - mesmo que a sua saída em Janeiro seja quase inevitável- que com um golo madjeriano voltou a demonstrar que tem um talento superlativo que tem sido desaproveitado de forma absolutamente incompreensível. Ao 3-0 merecido do intervalo seguiu-se uma segunda parte de monologo e em que Casillas foi mero espectador. Um penalti bem assinalado e melhor convertido por André Silva começou o desenho da goleada. NES trocou então Danilo - os dois - por Ruben Neves e Corona por Herrera, uma atitude lógica que não mudou a dinâmica vertical do colectivo e já com Rui Pedro merecidamente em campo - André Silva tinha amarelo e convinha não arriscar, além do justo prémio ao jovem da formação de disputar os primeiros minutos de Champions League na carreira - chegou o quinto golo anotado por um Diogo Jota que sempre se mostrou irrequieto e que teve a devida recompensa. O Leicester mesmo com as substituições continuou a ser uma equipa apática - e apesar de haver jogo contra o City no fim-de-semana esperava-se mais de muitos teóricos não-titulares de tal modo que a expressão facial de Ranieri dizia tudo o que havia para dizer - e o Porto manteve a tremenda sensação de superioridade que já devia ter demonstrado noutros momentos. Convém recordar que este foi, talvez, o (ou um dos) grupo mais fácil da história do clube na Champions League - algo que era quase comummente aceite em Setembro - e que com esta atitude nos jogos contra o Kovenhague e em Inglaterra, o apuramento podia ter sido resolvido a meados de Novembro. O Porto é hoje o que era em Setembro, maior e melhor do que qualquer um dos seus rivais, mesmo o Leicester na máxima força. Demorou a confirmar essa superioridade mas hoje ficou claro que ela não era produto da nossa imaginação.



Grande trabalho colectivo, grande atitude competitiva e muito boa iniciativa de jogo por parte de Nuno e dos seus, foi o que foi preciso para garantir o regresso, depois de um ano de ausência, aos Oitavos de final da Champions League. Todos somos conscientes das nossas limitações e que não seremos favoritos contra nenhum dos cabeça de serie - o mais débil será o Leicester com quem não podemos jogar - e que entre Barcelona, Juventus, Atlético de Madrid e Dortmund estão quatro favoritos a ganhar o troféu. Napoles, Arsenal e Monaco são equipas mais acessíveis mas os duelos seriam sempre intensos e nunca com o Dragão como favorito. O que pode ser até um bom sinal. O market pool e as receitas futuras da Champions vão ajudar a paliar as contas, o grande jogo de Brahimi poderá facilitar ainda mais a sua saída e Danilo e André Silva continuam a aumentar o seu valor a cada jogo que passa. Dezembro começou em cheio. Que termine do mesmo modo e abra caminho a uma nova dinâmica é a melhor forma possível de fechar um ano muito negro. Que os desenhos do NES vos acompanhem!

Fotos: MaisFutebol

Mensagem do NES


sábado, 3 de dezembro de 2016

Do fundo do baú...

Hoje não há muito a apontar. Se jogássemos sempre assim, tal como também contra o slb durante grande parte dessa partida, ganharíamos à vontade a actual edição da Liga portuguesa.
Não teríamos problemas pois, pelo menos até ao momento, ninguém se aproximou deste patamar de qualidade. Que pena que não o façamos muitas mais vezes...


Já estávamos quase a entrar no campo do sobrenatural (dado o número esmagador de lances de golo feito) quando, ao minuto 95, Rui Pedro deu a vitória justíssima ao nosso clube. Vitória essa que só peca por escassa.

Sim, nem Aboubakar, nem Bueno, nem Marega, nem Suk, nem Gonçalo Paciência, nem Adrián López, nem Depoitre e nem sequer André Silva: foi um júnior quem nos salvou. O último de todas estas opções atacantes que passaram pelas mãos de NES desde que este aqui chegou.

Foram oportunidades em cima de oportunidades, defesas inacreditáveis atrás de outras impossíveis, num jogo de raça e crer até, literalmente, ao último minuto. Sim, como contra o nosso maior rival, foi um jogo "com a alma que Pedroto ensinou". E quando assim é, os falhanços escandalosos de Óliver, Marcano, Maxi e, principalmente, de André Silva passam para segundo plano pois valores mais altos se levantaram.

Que, ao contrário do que sucedeu pós-slb, esta demonstração de força passe efectivamente para os encontros seguintes. Que, por exemplo, a aposta de NES em Brahimi seja mesmo real e para continuar e não apenas uma concessão ao desespero que se sentia no Dragão.

Que bonita e merecida a festa do golo. Não se via nada assim desde o célebre minuto-Kelvin em 2013.
E aquelas lágrimas de Luís Gonçalves podem mesmo ser um sinal de optimismo para um futuro melhor...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

New Balance, um patrocinador de fachada...


"A New Balance, a marca que veste o FC Porto, abriu uma loja na baixa do Porto, evento que contou com a presença dos jogadores Rúben Neves, Alex Telles, José Sá e João Costa, Francisco Ramos e Rui Pedro. A loja tem um piso dedicado em exclusivo ao FC Porto, o que justifica uma visita."
in Dragões Diário

Que a loja justificaria uma visita, estou de acordo. Mas que a marca tenha decidido iluminar ou pintar a fachada do prédio toda de vermelho, em plena Baixa Portuense, isso justificava uma atitude forte por parte do Clube. Tendo sido apanhados de surpresa - vamos partir do princípio que ninguém sabia que o prédio estava desta cor, pois caso contrário a situação seria ainda mais grave - os membros do staff que acompanharam os jogadores deveriam confirmar directamente com o Presidente se os atletas entrariam na loja ou se se anularia de imediato a visita. Se alguém mandasse. Mas como ninguém manda e o clube está em auto-gestão, não só a visita se concretizou como o próprio clube a promoveu alegremente com várias fotos no seu mural de Facebook...
   

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A vertigem do declínio

Fico furioso quando os sócios assobiam os jogadores.

Ontem, foram muito pacientes.

Perante uma exibição confrangedora, aguentaram que nem heróis. Fazia parte do grupo e assisti a corajosamente até ao fim. Alguns lenços brancos dirigidos ao treinador e uns quantos assobios. Há cansaço e medo do futuro. O povo portista sente-se desolado e sai cabisbaixo do Dragão: talvez considere que o FCP bateu no fundo e ficou lá.

Na noite passada, o FCP mostrou a inoperância habitual. Não há intensidade, velocidade, agilidade e criatividade. Passe para o lado, pressão frágil, sem alas nem laterais para esticar o jogo, sem profundidade, sem jogo interior: um bocejo para quem assiste. Um jogo macilento que afasta quem gosta de futebol. E como não há pulmão para a raiva castigar o adversário, a bola anda de cá, para lá a toda a largura, devagar, devagarinho, para parecer que os actores se movem. E ficámos angustiados porque percebemos que só chegaremos ao golo por acidente ou por bondade dos deuses que também nos viraram as costas.

O FCP sofre de esgotamento: do modelo do negócio, do modelo de jogo e da extrema penúria dos cofres. A dívida é brutal e os dirigentes afundam-se na repetição das práticas que nos levaram para próximo da falência, desportiva e financeira.

O treinador continua a ser o mal maior para um vasto auditório. É tempo de dar um passo em frente e pôr em causa o trabalho da SAD. 146 milhões de euros depois, o nosso Porto continua uma pálida sombra da sua imagem. Até os miúdos parece que desaprenderam. Ruben Neves é apenas um exemplo. O nosso clube, por este andar, passará a ser um cemitério de treinadores e jogadores. Lá em cima, pacientemente, quem nos dirige vagueia até aos balneários para ficar tudo na mesma.

Temo que se apodere do clube uma espécie de fatalismo que se entranha e paralisa a mudança. Sou o sócio nº 329 e vivi esses momentos no passado. Temos de evitar que este declínio se instale.

Ousemos agir, a bem do nosso amado clube.

sábado, 26 de novembro de 2016

Acabou a época?

Falemos de golos, então. Ou na falta deles, melhor dizendo.

Ora, na época passada, e falando apenas na Liga Portuguesa, temos que, no nosso clube, os três jogadores que mais contribuíram para eles foram:

1 - Layún: 5 golos e 15 (quinze) assistências;
2 - Aboubakar: 13 golos e uma assistência;
3 - Brahimi: 7 golos e 5 assistências;

Ora, mesmo que Layún não estivesse disponível para este jogo específico, sabe-se, porém, que NES não vê nele um titular mas apenas uma opção para o banco. O mexicano que, entre golos próprios e assistências, foi responsável directo por 30% dos golos marcados pelo FCP em 2015/16...
Os outros dois do pódio daqueles que mais contribuíram foram ambos proscritos pelo nosso treinador.
Aboubakar foi despachado para a Turquia porque, aparentemente, havia melhor no plantel e Brahimi está em vias de o ser também.
E, note-se, o argelino conseguiu estes números numa época tida como de "má" prestação do atleta. Imagine-se o que poderá fazer num ano mediano ou bom.


Continuando a falar de golos, recorde-se que o nosso técnico escolheu Depoitre porque entendeu que, para além de Aboubakar já citado, este era melhor avançado do que Bueno, Suk, Gonçalo Paciência e Marega (actual melhor marcador da presente edição do campeonato).

Sobre o jogo desta noite, este foi tão parecido com o de Setúbal que até teve um idêntico falhanço escandaloso por parte de Óliver.
Aliás, tirando os confrontos com o slb, todos os nossos jogos são praticamente iguais...

Se Guimarães e Braga vencerem nesta jornada, cairemos para o 5° lugar na tabela.

Eliminados da Taça de Portugal, com o topo da Liga a uma distância medonha e como certamente não ganharemos a Liga dos Campeões, resta-nos a Taça da Liga para vencer algo, certo?

E olhem só para a data de hoje: estamos a 26 de Novembro. Nem sequer ainda no famoso "Natal" com que gozávamos os nossos rivais lisboetas durante anos e anos...


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Bom senso, por favor

Óliver, Otávio, Corona e Jota são efectivamente bons de bola mas, devido a sua tenra idade, falta de experiência e, sobretudo, alguma leveza física, dificilmente conseguem engatar duas boas partidas consecutivas. Para que as coisas resultassem no imediato seria preciso dar uma outra dimensão à nossa equipa. Layún e Brahimi, pelo seu valor intrínseco e maior experiência, poderiam contribuir para mitigar parte dessas nossas lacunas. Que pena que o nosso treinador não o saiba ou não esteja para aí virado. 



Defender sempre com 11 homens, sempre certinhos atrás da linha de bola, é muito bonito mas provoca um cansaço que se paga numa menor lucidez e resposta física aquando da conquista da bola.
A Otávio, por exemplo, já não o vemos fazer aquelas grandes aberturas do início da temporada e também aqueles piques, bem dentro da área adversária são agora uma raridade. 
Corona ainda os vai fazendo, mas o último passe raramente sai nas melhores condições. Óliver apaga-se hoje com maior facilidade do que há meia dúzia de semanas. 
Já André Silva, faz furor com a sua pujança física ao vir cá atrás buscar jogo e muitas vezes para recuperar bolas. Tudo muito bem e os adeptos gostam disso mas e depois como fica a sua clarividência na frente do golo? Estará ele melhor ou pior do que em Agosto ou Setembro?
O nosso clube sempre teve jogadores que defendiam menos do que os outros e tal nunca foi um problema. E porquê? Porque ter a posse de bola continua a ser a melhor forma de defesa. Com o esférico do nosso lado, o adversário já não provocará o mesmo desgaste nos nossos jogadores, libertando-os assim para aquilo para o qual são mais dotados: o ataque. 
Jogadores como Brahimi nunca serão um exemplo de bem defender mas dão às equipas outros atributos que largamente compensam tais "lacunas". A tal outra dimensão.
E quem gosta de futebol quer ver, numa Liga dos Campeões, os futebolistas mais dotados. Por isso mesmo nesta competição há muito mais dinheiro em jogo, pois tudo é da melhor qualidade. Não se pode ter uma postura de não colocar os melhores em campo. Nem os "tubarões" o fazem, tendo eles muito mais por onde escolher.
Já sobre Layun, temos que, para além de ser melhor que Telles, pelo menos do lado direito teria sempre lugar. Maxi é um bom profissional mas nota-se que já lhe faltam pernas para estas andanças.

Se ontem o objectivo era empate, então NES esteve bem em fazer as alterações apenas para queimar tempo. Ele, melhor que ninguém, sabe que aquele banco não estava ao nível de uma prova de exigência máxima. O nosso técnico teve sorte, porém: se o Copenhaga marcasse, quem ele faria entrar para tentar, em desespero, resolver uma iminente eliminação? 
Quem tem Boly, Varela, André André, Evandro, Herrera e Depoitre como opções para dar a volta a um jogo, o melhor mesmo é ficar quieto.

Urge pois deixar as birras de lado e colocar todas as boas unidades em campo pois a nossa actual situação não está para brincadeiras dessas.
Que Brahimi não seja um novo Quaresma, despachado ao desbarato sabe-se lá bem porquê. 
Ele e Aboubakar, que continuam a marcar na baliza certa mas, infelizmente, já sem as nossas cores vestidas. 


domingo, 20 de novembro de 2016

Pior que cuspir na sopa

O presidente do SLB, foi esta semana castigado por supostas injúrias a um dirigente do Conselho de Arbitragem da FPF; nada de especial até aqui. Só que, pasme-se, o tal dirigente do Conselho de Arbitragem é, nem mais nem menos, que o inenarrável João "O João? Pode vir o João..." Ferreira, ex-árbitro. Para quem não está lembrado:

Foram vermelhos* a torto e a direito


Liedson também voa sobre os centrais
Atenção ao último lance, onde o João Ferreira "percebe" que o Luisão "escorregou" - são coisas que acontecem.

E por fim, entre outros episódios igualmente tragicómicos, João Ferreira, tão conivente com a popular "sarrafada" é também responsável por, num Marítimo x SLB, ter expulsado com vermelho directo, um jogador da equipa da casa, por... "palavras".

E o presidente do SLB, ainda tem a lata de injuriar uma alminha tão benemérita...

Recordar é viver:
O significado do “inferno da Luz”
O suspeito do costume estraga a festa
O contraponto do JN
O João?... Pode ser o João... e o "Ferrari"
Dicionário do Sistema - Ferreira, João

sábado, 19 de novembro de 2016

Avessos aos penalties

E pronto, lá voltamos ao mesmo de sempre, após a excepção que foi aquela grande exibição, durante boa parte da partida, frente ao nosso grande rival.
Como a maioria já suspeitava, aquela alma e garra "à Pedroto" era algo pontual que não iria ter grande continuidade.


Tal como em Tondela e Setúbal, para a Liga, este foi mais um jogo em que ficámos em branco e em que verdadeiras oportunidades de golo não foram assim tantas quanto tão grande "domínio" poderia fazer crer.
É um domínio entre aspas, portanto: muita parra e pouca uva. Ou seja, praticamente o mesmo que víamos nos tempos de Lopetegui.

E depois, já se sabe, a arbitragem faz o resto.

Um dos penalties reclamados não deixa a mais leve dúvida, mas dos três lances eventualmente passíveis de grande penalidade a nosso favor, pelo menos dois deles seriam seguramente marcados, caso acontecessem num jogo (e a favor) do nosso maior rival. Vira o disco e toca o mesmo.
Porém, o nosso técnico que por vezes é tão castigador (prossegue, por exemplo, com o seu processo pessoal de humilhação ao Brahimi), é muito mais suave quando tem que enfrentar os jornalistas.
Tal como após o empate no Bonfim, a mensagem que parece querer passar é de que são os jogadores os principais culpados dos maus resultados e a uma boa distância dos pecados arbitrais.
Tudo ao contrário, pois, daquilo que "Pedroto ensinou".

E que dizer da sua substituição única dentro dos 90 minutos?
Era já a pensar no prolongamento? Mas então uma equipa grande como o FCP não tem, pelo contrário, que fazer tudo para o evitar? O tudo-por-tudo tem que ser feito no tempo regulamentar. O prolongamento e os penalties só servem o adversário. É isso que eles mais desejam.
E só de pensar que contra o slb é que tal (não mexer) teria feito sentido...

E lá ficou Luís Gonçalves, no centro do relvado, a reclamar sozinho. Agora, já nem os jogadores se chateiam com isso.
Fiquem atentos à "newsletter" e ao Facebook...

domingo, 13 de novembro de 2016

As mensagens das claques do FC Porto

No último FCP x SLB, as duas claques do FC Porto – Super Dragões e Colectivo 95 – estiveram em grande. Na presença, no apoio e nas mensagens que transmitiram.

Provavelmente, quem assistiu ao FCP x SLB pela televisão não terá visto, mas foram várias as tarjas expostas, por ambas as claques, durante o jogo.

Tarjas das claques no FC Porto x SLB (fotos: Fotos da Curva)

Contudo, na minha perspetiva, a mensagem mais importante foi preparada pelo Coletivo 95 e apresentada antes do jogo começar.

Com a Alma que Pedroto ensinou!

A alma que Pedroto ensinou (Colectivo 95)

A Alma (com maiúscula), simbolizada por João Pinto e André (com poses de Viena, em 1987), que o mestre José Maria Pedroto nos ensinou.

Num momento difícil para o Clube, em que muitos dos valores que fizeram do Futebol Clube do Porto grande parecem esquecidos (ou arrumados no fundo de uma gaveta), esta é uma mensagem forte, para dentro, destinada a jogadores, treinadores e não só.

A alma que Pedroto ensinou. A alma que hoje em dia nos falta.

No pano gigante, que o Coletivo estendeu na Superior Norte do Estádio do Dragão, falta alguém?

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O canto do cisne feio

No último FCP x SLB, nos poucos minutos que esteve em campo, o mexicano Héctor Herrera provocou um canto ao tentar, sem conseguir, chutar a bola contra um adversário.
Um canto.
Ao longo do jogo, a equipa encarnada beneficiou de nove cantos, mas quis o destino, com a ajuda da má marcação feita por alguns jogadores do FC Porto, que fosse precisamente nesse canto que o SLB marcaria um golo.

Danilo Pereira e Lisandro no lance do golo do SLB

Sim, o Herrera provocou um canto de forma disparatada, mas não tem culpa que, na sequência desse canto, o Danilo Pereira tenha deixado o Lisandro cabecear a bola nas suas costas. Nem tem culpa que, ao contrário do que aconteceu no FC Porto x Brugge (disputado 4 dias antes), desta vez o Casillas tenha sido menos ágil e não tenha conseguido impedir a bola cabeceada por Lisandro de entrar na sua baliza.

Por outro lado, também não é culpa do Herrera que o FC Porto tenha chegado ao minuto 90+2’ com apenas um golo marcado. De facto, quer nas situações em que o seu compatriota Corona foi incapaz de marcar dois golos quase feitos, tendo apenas o guarda-redes adversário pela frente, quer quando o árbitro anulou um golo ao FC Porto, o Herrera estava… sentado no banco de suplentes.

FC Porto x SLB, golo mal anulado, análise do Tribunal O JOGO

FC Porto x SLB, Felipe cruza para André Silva marcar (golo mal anulado)

Um jogo de futebol é feito de erros, cometidos por jogadores (das duas equipas), treinadores e árbitros.

Esta época, o FC Porto já beneficiou de quatro expulsões de jogadores adversários em três jogos importantíssimos da Liga dos Campeões – FC Porto x AS Roma, AS Roma x FC Porto, FC Porto x FC Copenhaga.

Esta época, o FC Porto já beneficiou de dois penalties em jogos da Liga dos Campeões, cometidos por jogadores do AS Roma e do Brugge, os quais foram determinantes no resultado final dos jogos FC Porto x AS Roma e Brugge x FC Porto.

Esta época, o Felipe já marcou dois golos na própria baliza (ia marcando outro no jogo contra o SLB, ao desviar uma bola para o poste).

Ora, que eu saiba, nenhum destes jogadores foi insultado e enxovalhado na praça pública pelos adeptos dos clubes respetivos.

E tenho a certeza que, se em vez do Herrera, este canto fatídico tivesse sido provocado pelo André Silva, Ruben Neves ou Oliver, os insultos seriam substituídos por palavras de incentivo.

Sim, eu sei que mais vale cair em graça do que ser engraçado mas, antes de nós, portistas, lincharmos o Herrera na praça pública e culpá-lo de ser o grande e único responsável pelo empate, convém analisarmos os factos com um mínimo de frieza e racionalidade.
E os factos são os seguintes: o Herrera, de forma desastrada, provocou um canto contra a sua equipa. Não foi um golo na própria baliza, nem um penalty cometido, nem um livre direto em posição frontal, nem um passe errado a isolar um adversário (tipo Secretário - Beto Acosta, Fucile - Nedved ou Bruno Alves - Rooney), nem uma expulsão que tenha deixado a sua equipa a jogar com menos um. Foi um canto. UM CANTO!

Dir-me-ão que o problema não é o canto em si, mas sim o facto do Herrera parecer displicente. E que, além disso, o Herrera comete erros regularmente (passes falhados, perdas de bola, más decisões, …), que levam os adeptos ao desespero.

Eu aceito este tipo de crítica e percebo as reações emotivas no momento (incluindo os assobios dirigidos ao Herrera em pleno jogo), mas parte do que li após o final do jogo, escrito por portistas, além de ser insultuoso para o atual capitão do FC Porto, roça a irracionalidade.

E, lamentavelmente, até o jornal O JOGO ajudou à festa, fazendo do Herrera o único réu pelo empate e usando o seu nome para um trocadilho na capa do jornal.

Capa de O JOGO de 07-11-2016

O FC Porto tem uma longa tradição de jogadores mal-amados por parte dos adeptos portistas (lembram-se do Semedo?). O Herrera é mais um dessa lista negra. E faça o que fizer, só as coisas más serão destacadas (empoladas!) e lembradas.

Por exemplo, alguém se lembra que, na época 2014/2015, o Herrera marcou 4 golos na Liga dos Campeões e 3 golos no campeonato?
E que na época passada – 2015/2016 –, o Herrera marcou 9 golos no campeonato (incluindo um dos golos da vitória na Luz), isto sem ser marcador de livres ou de penalties?
Claro que ninguém se lembra disto, mas há quem se lembre de um jogo (FC Porto x Zenit) disputado há mais de três anos (no dia 22 de Outubro de 2013), em que o Herrera viu dois cartões amarelos em cinco minutos…

Perante este clima, penso que o Herrera tem cada vez menos condições para continuar no FC Porto (qualquer dia basta levantar-se do banco de suplentes para ser logo assobiado…).

O que nos vale é que o Herrera é um jogador com mercado e que mercado!
Na última AG do Clube, quer o administrador financeiro, quer o senhor presidente, garantiram aos sócios que a FC Porto SAD recusou uma proposta de 30 milhões de euros pelo passe do Herrera.
Portanto, o “problema Herrera” será muito fácil de resolver…

domingo, 6 de novembro de 2016

O quarto pilar: não estragar o que está bem

Existe alguma lei que obrigue um treinador a mexer na equipa quando as coisas até nem estão mal?
Hoje era dia para se fazer as substituições apenas nos últimos minutos. Nunca antes do minuto 85. E porquê? Porque, para além de vir de uma grande primeira parte, a equipa não parecia sofrer do habitual cansaço e, ainda mais importante, seguem-se agora duas longas semanas de pausa.
Nada, mas mesmo nada, obrigava a mexer tão cedo. Caramba, hoje até o Casillas estava seguro!
Ficar a jogar com 5 médios (4-5-1?) para quê, exactamente?


Então é assim, Nuno:

1 - Com a troca de Corona por Rúben Neves, conseguiste acabar com qualquer possibilidade de chegarmos aos 2-0. Sendo que o jovem português, mais uma vez, não veio acrescentar nada. Nem sequer uma hipotética maior segurança defensiva. Bem pelo contrário.

2 - Com a saída de Oliver, retiraste de campo o médio que melhor segura a bola.

3 - Com a entrada de Herrera, para além de ser uma aberração por si só, ofereceste, numa bandeja dourada, os últimos 8 minutos (3+5) ao adversário. Foi o derradeiro convite ao slb: "Fiquem com a posse de bola total e venham para cima de nós, que o FCP abdica de qualquer pretensão atacante".
Como brinde, quem saiu (Jota) foi precisamente aquele que mais falta iria fazer na frente...

Pela enésima vez, um treinador do FCP não sabe que a melhor forma de defender um resultado é esticando o jogo para que o adversário continue o mais longe possível da nossa baliza.
Quem seria o jogador ideal para isso? Brahimi, claro está. Se não entra num jogo destes, que clama por alguém que segure a bola, quando entrará então?

Bem, mas isto mesmo já tinha sido dito em relação ao Depoitre e ao jogo de Setúbal. Nada de novo, portanto. Trata-se mesmo uma questão de não querer aprender com os erros passados. Ponto

Vamos assim no terceiro jogo caseiro em que NES opta por recuar linhas, e apenas defender, logo após se colocar em vantagem no marcador.
Demo-nos mal contra o Copenhaga e slb. E contra o Brugge só não sucedeu o mesmo porque Casillas defendeu um lance de golo praticamente certo.

Terá NES perdão de uma próxima vez que repetir a gracinha?

sábado, 5 de novembro de 2016

Apelos à união…

Angelino Ferreira durante uma sessão de apresentação das contas do FC Porto

declarações de Pinto da Costa, na AG do Clube de 03-11-2016


Conforme a generalidade dos portistas sabem, o Dr. Angelino Ferreira não é um portista ou um sócio qualquer.
Angelino Ferreira foi dirigente do Clube e da FC Porto SAD durante cerca de 20 anos (no período entre 1994 e 2014), onde exerceu cargos de grande importância.
Em 1997, esteve na génese das sociedades anónimas desportivas em Portugal e, particularmente, da criação da FC Porto SAD e de todas as restantes sociedades do grupo FC Porto.
Mais tarde, por volta do ano 2000, foi ele que assumiu a responsabilidade de projetos cruciais para o futuro (presente) do FC Porto, como sejam o Estádio do Dragão (ligado ao Plano de Pormenor das Antas) e o Centro de Treinos e Formação de Gaia.

Angelino Ferreira: PPA (2002), Estádio do Dragão, Portomania (2005)

Há dois anos e meio, depois de ter dado uma entrevista a defender a necessidade da FC Porto SAD baixar a massa salarial do plantel, Angelino Ferreira demitiu-se do cargo de administrador financeiro por, segundo o próprio, a estratégia que defendia para a gestão do FC Porto, não ser coincidente com a que era preconizada pela maioria da restante administração da SAD.

Pinto da Costa, Angelino Ferreira e outros altos dirigentes do FC Porto

Daí para cá, Angelino Ferreira já deu algumas entrevistas (por exemplo esta ao JN, em dezembro de 2014), onde tem chamado à atenção para diversos problemas e alertado os portistas para o que pode acontecer se o rumo atual se mantiver.

Na entrevista mais recente, publicada no semanário Expresso (em 29 de outubro passado), Angelino Ferreira comentou o prejuízo recorde da SAD (quase 60 milhões), falou na saída do CEO do futebol (Antero Henrique), na opção da administração da FC Porto SAD em não vender jogadores quando, supostamente, tinha propostas milionárias (de 95 milhões de euros), etc.

Contudo, aquilo que parece ter enfurecido Pinto da Costa foram as referências às comissões pagas pela FC Porto SAD e, particularmente, por Angelino Ferreira ter dito que o pagamento de comissões à empresa do seu filho (Alexandre Pinto da Costa) era “uma situação que levanta questões de ética” e que “mesmo que não haja conflito de interesses legais, há questões de transparência”.

Estas afirmações são perfeitamente legitimas, nada têm de insultuoso e eu, José Correia, sócio nº 10839 do Futebol Clube do Porto, subscrevo-as a 100%.

Mais. Em lado nenhum da entrevista que deu ao jornal Expresso, o Dr. Angelino Ferreira disse algo que justificasse o ataque violento e insultuoso de que foi alvo por parte do presidente Pinto da Costa, na última assembleia geral do Clube.
E pior, com uma raiva incontrolada, o presidente Pinto da Costa foi ao ponto de dizer que portistas como o Dr. Angelino Ferreira eram piores que os inimigos externos do FC Porto.
L-A-M-E-N-T-Á-V-E-L!

Angelino Ferreira numa sessão na Euronext

Como é que alguém que centra o seu discurso no ataque a portistas, pode apelar à união de todos para o clássico de amanhã?

Felizmente, este ataque ao Dr. Angelino Ferreira mereceu poucos aplausos dos sócios do Futebol Clube do Porto presentes na última assembleia geral. De facto, ao contrário do que era habitual até há uns anos atrás, houve intervenções de outros associados que foram muitíssimo mais aplaudidas do que esta triste e lamentável intervenção do presidente Pinto da Costa.

Apesar deste discurso divisionista do líder, estou certo que amanhã, numa “batalha” importantíssima contra o nosso grande rival, todos os portistas estarão unidos e do mesmo lado.

VIVA O FUTEBOL CLUBE DO PORTO!

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Depoitre e o “novo rumo”

Crónica do Vitória Setúbal x FC Porto, em O JOGO de 30-10-2016

Para que jogos serve, afinal, um pinheiro no banco?

Não foi apenas o jornalista de O JOGO a questionar, publicamente, o facto de Depoitre não ter saído do banco de suplentes.

Muitos portistas ficaram surpreendidos com esta decisão de Nuno Espírito Santo e nas redes sociais não faltou quem fizesse idênticas observações. Por exemplo, aqui.

É natural que o façam, porque quem acompanha o futebol com interesse e já viu centenas ou milhares de jogos, tem um pouco de “treinador de bancada”. Contudo, não é minha intenção proceder a uma análise técnico-tática das opções e substituições feitas pelo treinador da equipa do FC Porto no jogo de Setúbal. A questão mais importante, para mim, é outra e é de fundo.

FC Porto SAD pagou 6 milhões de euros pelo passe de Depoitre

Por que razão a administração da FC Porto SAD gastou 6 milhões de euros na contratação de um jogador que, em 12 jogos foi titular duas vezes e que, nos últimos sete jogos, apenas foi utilizado 25 minutos, num jogo para a Taça de Portugal, contra uma equipa da 3ª divisão (o Grupo Desportivo da Gafanha)?

Num cenário de forte aperto financeiro, o que está em causa, como é óbvio, é a sustentabilidade da política desportiva e a estratégia da administração da SAD em termos de contratações.

Mais. Aquando da apresentação dos resultados do exercício 2015/2016, em que a FC Porto SAD registou um prejuízo recorde de 58,4 milhões de euros, o administrador com o pelouro financeiro, Fernando Gomes, afirmou que “em pouco tempo houve uma inflação dos custos do plantel, que, entende a administração, devem ser ponderados no sentido da sua inversão”, tendo acrescentado que “os custos com o pessoal têm crescido nos últimos anos e isso tem que levar um novo rumo”.

Inversão? Novo rumo?

No dia 8 de agosto, em declarações ao Porto Canal, Pinto da Costa afirmou que não conhecia Depoitre, mas que a SAD o tinha contratado porque “era o jogador que Nuno pretendia” e que “no meio de muitas opções possíveis [Depoitre] foi a que o treinador preferiu”.

Pinto da Costa e Depoitre

Bem, perante o que se tem visto, custa a acreditar que Depoitre tenha sido um pedido de Nuno Espírito Santo, pela simples razão que o ponta-de-lança belga nunca foi uma 1ª escolha (titular indiscutível), nem sequer é uma 2ª escolha (suplente utilizado) regular do treinador do FC Porto.

Juntando as peças do puzzle, parece-me evidente que alguma coisa não bate certo e, por isso, alguém deveria explicar este caso porque, seguramente, “novo rumo” não é gastar (desbaratar!) 6 milhões de euros num jogador de 27 anos, para ele ficar sentado no banco de suplentes.