domingo, 21 de Setembro de 2014

O Clube, a SAD e o Estádio (I)

No passado dia 10 de Setembro, às 23:15, a Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD enviou um comunicado para a CMVM, correspondente ao Aviso Convocatório de uma Assembleia Geral Extraordinária, a realizar no dia 2 de Outubro de 2014, cuja Ordem de Trabalhos inclui seis pontos.

O ponto 3 desta AG extraordinária, prevê “deliberar sobre a aquisição, pela Sociedade ao Futebol Clube do Porto, de acções representativas de até 50% do capital social da sociedade EuroAntas – Promoção e Gestão de Empreendimentos Imobiliários, S.A.”.

O ponto 4 prevê “deliberar sobre o aumento de capital social da Sociedade no montante total de €37.500.000, a realizar por entradas em dinheiro através da subscrição particular pelo Futebol Clube do Porto de 7.500.000 acções preferenciais sem voto, escriturais e nominativas”.

Num outro documento enviado à CMVM pela Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD, onde são descritas as propostas a apresentar na AG Extraordinária agendada para 2 de Outubro de 2014, é dito que “A Direcção do Futebol Clube do Porto manifestou à Sociedade a sua disponibilidade para, sujeito à aprovação pela Assembleia Geral do Futebol Clube do Porto, subscrever esse aumento de capital no mencionado calendário”.

Conforme é fácil de perceber, os assuntos que vão ser discutidos nesta AG extraordinária da SAD, são de enorme importância, nomeadamente para o futuro do Futebol Clube do Porto, clube fundado por António Nicolau de Almeida, em 1893.

O emblema do Futebol Clube do Porto

E é precisamente por aqui que eu quero começar a análise a este conjunto de propostas, que irão ser discutidas numa AG da SAD, mas que eu espero, que naquilo que ao Futebol Clube do Porto diz respeito, sejam também discutidas numa Assembleia Geral do Clube, com os sócios a serem devidamente informados das consequências do seu voto.

Há muitos portistas que, propositadamente ou não, confundem o Clube (Futebol Clube do Porto) com a empresa que gere o futebol (FC Porto SAD).

Ora, o Clube e a SAD são entidades distintas e esse é um ponto fundamental de toda a discussão, que tem de ser claramente desmistificado.

A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD é uma sociedade anónima desportiva, constituída no dia 30 de Julho de 1997, com o objectivo de desenvolver as actividades relacionadas com o futebol profissional anteriormente desenvolvidas pelo Futebol Clube do Porto.

Sendo uma sociedade aberta, com o capital aberto ao investimento público, o capital social da FC Porto SAD encontra-se, actualmente, dividido em 15 milhões de acções da categoria A e B. As acções de categoria A só integram tal categoria enquanto na titularidade do FC Porto ou de sociedade gestora de participações sociais em que o FC Porto detenha a maioria do capital social, convertendo-se automaticamente em acções da categoria B no caso de alienação a terceiros a qualquer título.

A FC Porto SAD é a entidade mãe do Grupo FC Porto SAD, formado pela FC Porto SAD e pelas sociedades que com ela se encontram em relação de domínio ou de grupo, nos termos do artigo 21.º do CódVM.

Grupo FC Porto SAD (fonte: Relatório e Contas Semestral, reportado a 31 de dezembro de 2013)

À data de 31 de Dezembro de 2013, a lista de participações qualificadas, com indicação do número de acções detidas e a percentagem de direitos de voto correspondentes, calculada nos termos do artigo 20.º do CódVM, que são do conhecimento da FC Porto SAD, era a seguinte:

Futebol Clube do Porto
- Nº de Acções: 6.000.000
- % Direitos de voto: 40,0%

Inmobiliária Sacyr Vallehermoso, S.A.
- Nº de Acções: 2.818.185
- % Direitos de voto: 18,79%

António Luís Oliveira
- Nº de Acções: 1.651.730
- % Direitos de voto: 11,01%

Joaquim Oliveira (através da Sportinveste - SGPS)
- Nº de Acções: 1.502.188
- % Direitos de voto: 10,01%

Jorge Nuno Pinto da Costa
- Nº de Acções: 220.000
- % Direitos de voto: 1,47%


CONCLUSÕES que importa salientar:
1) O Futebol Clube do Porto e a FC Porto SAD são entidades diferentes.
2) Nesta altura, o Futebol Clube do Porto detém, apenas, 40% dos direitos de voto na SAD.
3) Alguns dos actuais accionistas de referência da FC Porto SAD nem sequer são portistas.
4) Nada impede que, no futuro, mais ou menos próximo, todas as acções da SAD não detidas pelo Futebol Clube do Porto, estejam na posse de um único accionista, nacional ou estrangeiro, portista ou não.

(continua)

sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

4 dias depois, 4 anos antes

Quatro dias depois de uma arbitragem muito (in)competente ter sido determinante para o FC Porto perder 2 pontos em Guimarães, foi a vez de Rui Vitória, treinador da equipa vimaranense, reconhecer, implicitamente, que o FC Porto foi prejudicado:

Houve erros, de parte a parte e, se o Vitória foi beneficiado, noutras alturas foi prejudicado e calou-se

Deixa ver se eu percebi. O Vitória foi beneficiado (o que significa que a equipa adversária foi “gamada”), mas como já foi prejudicado noutros jogos e calou-se, os elementos do FC Porto deveriam ter feito o mesmo.

Pois, como eu compreendo o antigo treinador da equipa de juniores do SLB (entre 2004 e 2006)…

Quatro anos antes do trio liderado por Paulo Baptista ter “travado” o FC Porto, disputou-se um outro jogo polémico em Guimarães.
No dia 10 Setembro 2010, também para a 4ª jornada do campeonato (época 2010/2011), o Vitória Guimarães recebeu a equipa do SLB e venceu por 2-1.

Inconformados com algumas decisões do trio de arbitragem liderado por Olegário Benquerença, os responsáveis benfiquistas, não só não se calaram, como “crucificaram” o árbitro de Leiria na praça pública.

… houve quatro lances com influência directa no resultado: dois foras de jogo, ao Saviola e ao Cardozo, e dois 'penalties' claríssimos. As imagens são muito evidentes e não deixam nenhuma dúvida. (…) assumimos as nossas falhas no campo, mas não podemos assumir as dos outros”, disse Rui Costa (director desportivo do Benfica) na sala de imprensa do Estádio D. Afonso Henriques, na presença de todos os membros da SAD benfiquista, presidente Luís Filipe Vieira incluído.

Mais. Na “crucificação” pública do árbitro, o Benfica contou com o apoio entusiástico da comunicação social do regime e, surpreendentemente (ou talvez não), de Vítor Pereira, o líder dos árbitros (depois desse jogo, Olegário esteve mais de um ano sem ser nomeado para jogos dos encarnados de Lisboa).


Dois pesos e duas medidas? Que ideia…

Mais A’s do que B’s

O JOGO, 18-09-2014

«A precisar de pontos para respirar melhor, o FC Porto B reforçou-se a sério para vencer o Oriental…»

Foi desta maneira, que o jornalista Carlos Gouveia iniciou a crónica do FC Porto B x Oriental (1-0), publicada no jornal O JOGO de 18 de Setembro.

De facto, o onze inicial escalado por Luís Castro, incluía seis jogadores do plantel principal: Ricardo (GR), Opare, Reyes, Campaña, Otávio e Kelvin.

De fora ficaram, entre outros, Kadú, Rafa, Tomás Podstawski, Victor Garcia, André Silva e Gonçalo Paciência (lesionado).

Chamo à atenção para o seguinte: dos cinco jogadores do FC Porto (André Silva, Francisco Ramos, Ivo Rodrigues, Rafa e Tomás Podstawski) que, em Julho passado, se sagraram vice-campeões europeus, apenas Ivo fez parte do onze inicial frente ao Oriental.

Deste conjunto de factos, podem-se tirar várias ilações. Uma das mais óbvias é que, para a estrutura técnica do FC Porto, estes jogadores ainda não têm a estaleca necessária para, nos momentos difíceis, serem titulares da… equipa B. E, por isso, o trajecto para poderem ser opções para a equipa principal ainda será necessariamente longo.

Na época passada, o FC Porto B projectou Tozé e Pedro Moreira, os quais, após dois anos a jogar na II Liga, concluíram o seu trajecto na equipa B e saíram para clubes da I Liga (Estoril e Rio Ave).

Veremos o que vai acontecer esta época.

quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

FC Porto BATE no Borisov


O título é pouco original e, por isso, pensei noutras possibilidades:
"Muda aos 3 e acaba aos 6"
"Dragão esturrica bielorrussos"
"Show de bola na montra dos milhões"
"Sem o Baptista e o Rufo é mais fácil"

Acabou por ficar "FC Porto BATE no Borisov" mas, para começo de conversa, digo já que esta equipa bielorrussa é bem melhor do que aquilo que aparentou hoje e estou convencido que o vai provar nos restantes 5 jogos desta fase de grupos.

No arranque da 19ª presença do FC Porto na fase de grupos da Liga dos Campeões; no 200º jogo do FC Porto na Taça/Liga dos Campeões; os dragões brindaram as 35108 pessoas que se deslocaram ao Estádio do Dragão com 6 golos (mais duas bolas aos postes) e uma exibição de gala.

Seis golos num só jogo da Liga dos Campeões é recorde para o FC Porto e são mais do que o total de golos (4) que o FC Porto de Paulo Fonseca marcou nos seis jogos da Liga dos Campeões 2013/2014 (sim, eu sei, o BATE Borisov é fraquíssimo, bons eram o Austria Viena, o Artmedia Bratislava, entre outras equipas do pote 4 que defrontamos nos últimos anos).

Houve duas inovações no jogo de hoje, relativamente aquilo que temos visto nos jogos anteriores:

- um meio-campo com dois jogadores - Casemiro e Herrera - sem se saber qual deles jogava na posição 6 (foi frequente ver Herrera a vir atrás buscar a bola e estar posicionado numa linha mais recuada que Casemiro);

- Adrián López a jogar, não encostado à linha, mas com grande mobilidade, muitas vezes perto de Jackson, numa frente de ataque que também incluía Brahimi (a maior parte das vezes do lado esquerdo) e Quaresma (do lado direito).

Numa muito boa exibição global, destaco duas exibições individuais:

Maicon - Está na sua melhor forma de sempre e, nesta altura, é "só" o melhor defesa-central a jogar em Portugal (ao intervalo, um amigo, meio a brincar, meio a sério, disse-me que o íamos vender ao Real Madrid por 30 milhões, para substituir o Pepe...)

Danilo - De jogo para jogo, justifica, cada vez mais, a chamada de Dunga à seleção brasileira. Se continuar assim, a SAD ainda vai recuperar os quase 18 milhões de euros que investiu na sua contratação

E o Brahimi, não merece um destaque?
Não. Não tenho palavras para falar do Brahimi. Digo apenas que mal vi o seu número na placa de substituições, me levantei e só parei de bater palmas quando o "mago argelino" se sentou no banco de suplentes.

A propaganda do regime

Ontem, a propósito de mais uma exibição “convincente” do SLB e do “encorajante” resultado final (0-2), que os encarnados de Lisboa alcançaram frente aos azuis de São Petersburgo (Parabéns André! Parabéns Hulk!), voltei a ouvir a desculpa-explicação de que, ao contrário do FC Porto (que, segundo eles, fez um investimento brutal para esta época), o clube amparado pelo BES tinha desinvestido na sua equipa de futebol.

Eu sei que a propaganda ao serviço do clube do regime usa e abusa de uma conhecida máxima (lição de propaganda) ensinada por Joseph Goebbels – “If you tell a lie big enough and keep repeating it, people will eventually come to believe it” –, mas, sinceramente, convinha terem algum pudor e olhar para os factos.

1 – O “investimento brutal” do FC Porto para a época 2014/2015

Tal como já demonstrei no artigo ‘Saídas e Entradas: as contas finais’, referente às saídas e entradas de jogadores no FC Porto durante o último defeso (Maio a Agosto de 2014)…
… é FALSO que tenham saído poucos jogadores;
… é FALSO que não tenham saído jogadores importantes (titulares indiscutíveis nas últimas épocas);
… é FALSO que o valor investido em contratações seja superior ao encaixe que a FC Porto SAD obteve com as transferências, neste mesmo período;
… é FALSO que a FC Porto SAD tenha investido muito mais do que em anos anteriores (ver Relatórios e Contas dos últimos anos).


2 – A “contenção” e “desinvestimento” do SLB para a época 2014/2015

De acordo com a informação que foi do conhecimento público, durante o último defeso (Maio a Agosto de 2014), a Benfica SAD fez as seguintes contratações:

Paweł Dawidowicz. | Lechia Gdansk | Custo do passe: 2 M€
César | Ponte Preta | Custo do passe: 3 M€
Loris Benito | Zurique | Custo do passe: 3 M€
Djavan | Corinthians Alagoano | Custo do passe: 1,5 M€
Bebé | Manchester United | Custo do passe: 3 M€
Talisca | Bahia | Custo do passe: 4 M€
Derlei | Marítimo | Custo do passe: 2,5 M€
Eliseu | Málaga | Custo do passe: 1,5 M€
Samaris | Olympiacos FC | Custo do passe: 10 M€
Cristante | AC Milan | Custo do passe: 6 M€

E, para além dos 36,5 M€ investidos nestas 10 contratações, a Benfica SAD também contratou dois nomes sonantes a “custo zero”: Júlio César e Jonas.

Quanto é que estes dois internacionais brasileiros, contratados a “custo zero”, receberam de prémio de assinatura? E quanto vão receber de salário anual?
Não sabemos (a Benfica SAD não divulgou essa informação).
O que sabemos é que Júlio César auferia no QPR um salário anual de aproximadamente de €6.000.000 e tinha um vínculo contratual ao clube da Premier League de mais dois anos (até Junho de 2016).


Em resumo, a “contenção” do SLB para a época 2014/2015, traduziu-se num investimento de 36,5 M€ (o maior entre os clubes portugueses!), mais os valores (desconhecidos) de duas contratações milionárias a… “custo zero”.
De facto, foi um enorme “desinvestimento”…

terça-feira, 16 de Setembro de 2014

A irrelevante contratação de Otávio

O JOGO, 13-09-2014
As SAD’s são obrigadas a comunicar ao mercado todos os factos relevantes mas, o que é um “facto relevante”?

Na realidade, não há uma regra minimamente objectiva que defina o que são “factos relevantes”, ficando ao critério das sociedades desportivas decidir o que entendem como sendo “relevante” para a vida da empresa.

Peguemos no exemplo de Otávio. Através de notícias que chegaram do Brasil, soube-se que a FC Porto SAD investiu 3,25 milhões de euros em 50% do passe de Otávio, ficando os restantes 50% na posse do próprio Otávio (15%), dos seus representantes (20%) e de um grupo de empresários japoneses (15%).

3,25 milhões de euros por 50% do passe (significa que a totalidade do passe de Otávio foi avaliada em 6,5 milhões de euros), não parece ser irrelevante, mas a FC Porto SAD entendeu o contrário e, por isso, não efectuou qualquer comunicado.

Qual é o critério da FC Porto SAD para comunicar a contratação de jogadores?

Vejamos. Neste defeso, a FC Porto SAD elaborou comunicados, que enviou à CMVM, acerca das seguintes contratações:

12/07/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre a aquisição dos direitos desportivos do jogador Adrián López

15/07/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre a aquisição dos direitos desportivos do jogador Martins Indi

16/07/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre empréstimo do jogador Cristian Tello

19/07/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre o empréstimo do jogador Casemiro

23/07/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre aquisição dos direitos desportivos do jogador Brahimi

24/08/2014: Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informa sobre a aquisição dos direitos desportivos do jogador Aboubakar


Por que razão é comunicada a contratação de 30% do passe de Aboubakar e não é comunicada a contratação de 50% do passe de Otávio?

Por que razão são comunicados os empréstimos de Cristian Tello e de Casemiro e não foram comunicados os empréstimos de Óliver Torres e de José Campaña?

Alguém consegue descortinar um critério minimamente coerente, seguido pela FC Porto SAD, para comunicar ou não-comunicar contratações de jogadores?

Evidentemente, a CMVM tem coisas mais importantes com que se preocupar, mas é, também, por causa deste tipo de (in)coerências que, no mercado de capitais, ninguém leva a sério as sociedades anónimas desportivas e os respectivos grupos empresariais.

segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Em memória de Pedroto

Há 37 anos atrás, em 1977/78, uma dupla carismática, constituída pelo chefe do Departamento de Futebol e pelo treinador do Futebol Clube do Porto, tiveram de lutar muito fora do campo para que, dentro das quatro linhas, fosse possível a uma grande equipa azul-e-branca interromper um longo jejum de 19 anos.

FC Porto campeão? Depende dos árbitros”, afirmou José Maria Pedroto de forma desassombrada, e Pinto da Costa (na altura chefe do Departamento de Futebol) acrescentava: “O critério de nomeação dos árbitros, se não é uma palhaçada, o que é que é?

Estávamos no pós 25 de Abril e, no final da década de 70, Pedroto proferiu um conjunto de frases históricas contra o “polvo” que dominava o futebol português, denunciando o sistema herdado do antigamente, frases essas que haveriam de perdurar por muitos anos:

É tempo de acabar com a centralização de todos os poderes em Lisboa

Um campeonato ganho pelo FC Porto vale por dois ou mais dos clubes de Lisboa

Verifica-se um estado de espírito geral de apoio incondicional ao Benfica

Temos de lutar contra os roubos de igreja!

Era assim, sem papas na língua, que o grande Zé do Boné colocava os nomes aos “bois”. Sem falinhas mansas, sem se preocupar com o politicamente correcto, na defesa do Norte e do seu muito amado Futebol Clube do Porto.

Se, quase 40 anos depois, a maior parte das frases de Pedroto continuam a ser perfeitamente actuais, há uma que está mais actual do que nunca:

Quanto a árbitros, em casa serve qualquer um. Fora convém que seja um bom árbitro


Vejamos o que se está a passar neste campeonato, com as deslocações do SLB e do FC Porto…

24-08-2014, 2ª jornada, deslocação do SLB ao Estádio do Bessa (Porto)
Aos 83’, numa altura em que os encarnados de Lisboa ganhavam apenas por 1-0, o boavisteiro Brito marcou um golo perfeitamente legal, mas que prontamente foi anulado por um dos árbitros assistentes do senhor Marco Ferreira.

12-09-2014, 4ª jornada, deslocação do SLB ao Estádio do Bonfim (Setúbal)
Aos 19’, numa altura em que os encarnados de Lisboa ganhavam apenas por 1-0, o jogador sadino Giovani marcou um golo perfeitamente legal, mas que prontamente foi anulado por um dos árbitros assistentes do senhor João Capela.

14-09-2014, 4ª jornada, deslocação do FC Porto ao Estádio D. Afonso Henriques (Guimarães)
Os “roubos”…, perdão, os erros do trio de arbitragem liderado pelo senhor Paulo Baptista, que prejudicaram, de forma clamorosa, o FC Porto, são claros e estão perfeitamente documentados.

Vitória Guimarães x FC Porto, Tribunal O JOGO

Perante todos estes casos, perante este reiterado “estado de espírito geral de apoio incondicional ao Benfica”, o que disseram os responsáveis do FC Porto?
Nada!

Vejo com muita preocupação este silêncio de Pinto da Costa, de Antero Henrique e da estrutura do FC Porto.
O que ganhamos em ser bem comportados e compreensivos com os sucessivos “erros” das arbitragens?

Há quem tenha memória curta, mas eu lembro-me bem de quatro deslocações na época passada – Estoril, Benfica, Sporting, Nacional – em que, com a influência de “roubos”…, perdão, erros de arbitragem, foram subtraídos ao FC Porto 9 a 11 pontos!

E chamo à atenção que a próxima deslocação do FC Porto para o campeonato é já daqui a 11 dias, ao estádio de… Alvalade.

domingo, 14 de Setembro de 2014

Os homens de vermelho


Há 40 anos atrás, o grande José Maria Pedroto, que nunca teve medo nem papas na língua, denunciava, e muitíssimo bem, os roubos de igreja de que o FC Porto era alvo.

Hoje, no final de uma autêntica roubalheira em Guimarães..., perdão, de um "jogo muito bem disputado" em Guimarães, os jogadores do FC Porto foram, amistosamente, cumprimentar os senhores de vermelho e, quer na flash interview, quer na conferência de imprensa que se seguiu, o treinador do FC Porto, muito compreensivo, disse que os árbitros se equivocaram, mas que ele também se equivoca todos os dias.

Eu não sei o que a estrutura do FC Porto disse ao senhor Lopetegui, mas se vamos fazer o papel de bons rapazes, se vamos levar e dar a outra face, digo já que podem esquecer o campeonato porque, assim, não vamos lá.

E não vamos fazer de conta (eu, pelo menos, não vou). Esta tarde, em Guimarães não houve "apenas" um golo mal anulado ao FC Porto, como já ouvi para aí dizer.

Comecemos pela 1ª parte. Ao minuto 31, houve uma falta clara sobre Brahimi, que deveria ter dado origem a um penalty a favor dos dragões e, em simultâneo, o Vitoria de Guimarães deveria ter passado a jogar com menos um jogador (Defendi deveria ter sido expulso).

No insuspeito website do Record, no acompanhamento do jogo ao minuto, escreveram o seguinte:
«31': Yacine Brahimi (FC Porto) apareceu sozinho, na cara de Douglas, e atirou-lhe a bola para os braços. Defendi puxou o extremo portista que se se deixasse cair dentro da área, seria certamente grande penalidade...»

Convém lembrar que neste tipo de lances, nos lances para grande penalidade, não se aplica a lei da vantagem.

Ainda na 1ª parte, após a paragem originada por distúrbios provocados pelos adeptos vitorianos nas bancadas, Cafu desvia a bola com o braço dentro da área vimaranense.
Penalty a favor do FC Porto? Não, o senhor Paulo Baptista (a camisola vermelha que vestiu hoje fica-lhe tão bem...) mandou seguir.

Finalmente, na terceira situação para penalty a favor do FC Porto, o senhor Paulo Baptista achou que já era demais e lá teve de apontar para a marca dos 11 metros (era muito complicado deixar passar um lance em que Brahimi é agarrado durante uns 5 ou 6 metros...). Contudo, 8 minutos depois, quiçá para "equilibrar as contas", o senhor Baptista assinalou um penalty contra o FC Porto, por uma pretensa falta de Jackson Martinez.

Já vi este lance varias vezes e não consigo descortinar qualquer falta.
Talvez por isso, no Maisfutebol, na crónica do jogo, acerca deste lance escreveram o seguinte:
«Pénalti, gritou-se no estádio. Paulo Batista hesitou, mas apontou para o marca de grande penalidade, vendo, talvez, um toque no calcanhar do médio vitoriano. Bernard empatou.»

Pois, talvez tenha sido mais um lapso, mais um equivoco do benfiquista..., perdão, do senhor árbitro de Portalegre no jogo de hoje, sempre, sempre, sempre em prejuízo do FC Porto.

Para fechar em beleza a sua actuação, três minutos depois do penalty inventado... perdão, assinalado contra o FC Porto, os senhores de vermelho decidiram anular um golo limpo a Brahimi.

Já não via uma arbitragem destas, num jogo do FC Porto, desde um célebre Gil Vicente x FC Porto, arbitrado pelo nosso conhecido Bruno Paixão.

Por isso, por tudo isto, recuso-me a dizer uma única palavra sobre as escolhas de Lopetegui ou a actuação dos jogadores portistas no jogo de hoje.

Hoje, o FC Porto perdeu dois pontos em Guimarães, mas não os perdeu de forma natural. O FC Porto foi espoliado de dois pontos em Guimarães, porque o trio vestido de vermelho assim quis. Ponto final.


P.S.1 O árbitro auxiliar que anulou o golo a Brahimi (como se chama este senhor?), não se limitou a "errar" nesse lance. Ele foi "coerente" e, durante a 2ª parte, quando os dragões ameaçavam marcar a qualquer instante, este senhor, qual libero do Vitória, levantou (erradamente) a bandeirola três vezes, interrompendo esses lances de ataque do FC Porto.

P.S.2 É muito mais penalty um lance de Traoré sobre Quintero (obstrução com contacto), que Paulo Baptista não assinalou, do que o penalty que foi assinalado contra o FC Porto e que resultou no empate final.

P.S.3 Numa 2ª parte que teve 6 substituições (a última já em tempo de descontos), um sururu provocado por um encosto de cabeça entre Tomané e Maicon, 9 cartões amarelos (e as consequentes paragens) e duas "lesões" do guarda-redes vimaranense, o vermelhusco... perdão, o árbitro Paulo Baptista deu 3 minutos de desconto...

sábado, 13 de Setembro de 2014

Um lado B cinzento


Eu sei que, no Farense x FC Porto B (1-0) de hoje, o senhor Manuel Mota (o benfiquista dos talhos de Braga) expulsou o Tiago Rodrigues aos 36 minutos e que o único golo do desafio foi marcado ao minuto 88, através de um penalty assinalado contra o FC Porto.

Também sei que, em alguns dos outros jogos da equipa B, o treinador Luís Castro se tem queixado de falta de sorte e de falta de eficácia.

Mas, sejam quais forem as razões, uma coisa é certa: o balanço destes primeiros 6 jogos da equipa B – 1 vitória, 1 empate, 4 derrotas – é francamente mau.

E, se uma equipa com jogadores como Kadú, Víctor García, Lichnovsky, Rafa, Tomás Podstawski, Kayembe, Gonçalo Paciência, André Silva e Ivo Rodrigues, entre outros, não consegue fazer melhor, algo está mal.

Ou, então, teremos de concluir que este lote de jogadores promissores, ainda está demasiado verdinho para jogar contra equipas profissionais da … II Liga.

P.S. Não acham estranho um jogo entre o Farense e o FC Porto ser transmitido na Benfica TV?

sexta-feira, 12 de Setembro de 2014

Lille, Monaco e a propaganda lisboeta

«O treinador português Leonardo Jardim, do Monaco, reconheceu esta quarta-feira que “os objetivos iniciais eram muito ambiciosos”, sobretudo depois de ter “perdido” jogadores como Falcao, James Rodriguez, Rivière e Obbadi.
Questionado, em conferência de imprensa, se o clube mantinha os mesmos “alvos” da época passada – luta pelo título e oitavos de final da Liga dos Campeões –, o técnico respondeu negativamente: “Os objetivos perderam um pouco de força, mas a equipa mantém-se ambiciosa”. (…)
Jardim considerou-se “satisfeito” com o fim do mercado, “por duas razões: porque o Monaco perdeu cinco titulares, os seus três melhores goleadores e o seu capitão, por um lado, e porque agora os jogadores estão completamente concentrados no seu trabalho”.»
in record.pt, 10-09-2014


Notoriamente, o AS Monaco está num processo de brutal desinvestimento e de decomposição da equipa ambiciosa que tinha começado a ser montada na época passada.

Consequentemente, as quatro primeiras jornadas do campeonato francês, que incluíram um AS Monaco x Lille na 4ª jornada, mostraram que, neste início de época, o Lille é claramente melhor equipa que o Monaco.

Contudo, quem lesse a comunicação social lisboeta, após o sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões, ficava convencido que o FC Porto tinha eliminado uma equipa francesa fraquinha no play-off (o Lille), enquanto que o SLB vai defrontar um colosso europeu na fase de grupos (o AS Monaco).

Evidentemente, isto não tem nada de novo ou surpreendente. A comunicação social lisboeta é coerente e a lógica da sua propaganda é sempre a mesma: desvalorizar as equipas que o FC Porto defronta e hipervalorizar os adversários europeus do SLB.

E já sabemos, se a equipa de Jorge Jesus voltar a ficar em 3º lugar do grupo, a Liga Europa passa a ser, automaticamente, uma competição de grande nível…

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

Bruno e os “maléficos Fundos”

Bruno de Carvalho (BdC) é um homem frenético, um verdadeiro faz tudo e, notoriamente, alguém com uma ânsia enorme de aparecer.
Ele fala aos jornalistas, dia sim, dia não; ele promove (assina) comunicados oficiais do clube, semana sim, semana não; ele dá conferências de imprensa; ele tem um programa regular na Sporting TV; ele vai ao “Você na TV”, da TVI, para ser entrevistado pela giraça da Cristina Ferreira;
Ele vai para o banco de suplentes (imitando o que o tão criticado Pinto da Costa fazia… há 20 ou 30 anos atrás!)


E, depois de ter sido o representante do Sporting no recente sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões, foi também ele o representante do clube de Alvalade no Soccerex, que decorreu em Manchester.

Ora, precisamente num dos intervalos do Soccerex, BdC falou novamente aos embebecidos jornalistas portugueses para, como sempre, dizer coisas “muito relevantes”:

«Estes eventos são sempre interessantes, há várias temáticas que vão sendo discutidas. Saímos agora de uma abordagem de vários membros do comité executivo da FIFA, com a presença de um vice-presidente, que deram a sua própria visão daquilo que é a FIFA e a sua visão do mundo do futebol, várias temáticas sobre fundos e o seu papel, que quase todos consideram nefasto, no futebol.»

«Achei curioso que, de entre vários exemplos que foram dados, a utilização dos fundos pelo FC Porto foi dada [pelo brasileiro Daniel Cravo Souza, apresentado como sócio de uma Sociedade de Advogados] como um dos grandes exemplos do que não se deve fazer no futebol».

«O mundo do futebol está cada vez mais atento ao que se vai passando em Portugal e ao que considera que é uma distorção da verdade desportiva».


Olha que interessante. Nos últimos anos, ouvi e li imensa gente, desde o presidente da Federação ao ainda presidente da Liga, passando pela generalidade de jornalistas e comentadores desportivos, a defenderem/justificarem a utilização de fundos de investimento por clubes e SAD’s, como meio para contornar a crónica falta de cash-flow e as crescentes limitações no acesso ao crédito bancário.
Aliás, o recurso aos fundos era de tal modo bem visto, que o Sporting e o Benfica criaram os seus próprios fundos de jogadores, em parceria com os “espíritos maus” do antigo BES (a ESAF - Espírito Santo Fundos de Investimento Mobiliário, S.A.).


Mas, como dizia um histórico presidente do Vitória Guimarães, o benfiquista Pimenta Machado, no futebol português o que é verdade hoje é mentira amanhã. Por isso, numa altura em que a Benfica SAD se viu obrigada a recomprar as percentagens dos passes de vários jogadores que tinha no seu Fundo (o Benfica Stars Fund) e, do outro lado da 2ª circular, BdC rasgou o contrato que tinha com a Doyen, o recurso aos fundos, perdão, aos “maléficos fundos”, passou a ser algo que tem de ser fortemente combatido, porque agora “distorce a verdade desportiva”…

Fundos? Depois de terem “enterrado o dragão” na época passada, vejo é cada vez mais gente preocupada com… o renovado plantel portista.

Preparem-se para a campanha que aí vem.


P.S. Atualização…

O JOGO, 11-09-2014

quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

Chicago PD e a seleção do Bentinho

«Não tem nada a ver com o equipamento ser vermelho. A minha cor preferida ser o azul - do céu, do mar, do F. C. Porto - não faz de mim um touro que marra sempre contra o vermelho, da mesma maneira que amar o Porto e odiar o centralismo não me impede de achar Lisboa uma cidade muito bela.

Não tem a ver com o vermelho, mas a Seleção cada vez me diz menos. Quando começou o jogo com a Albânia, eu ia a meio do 2.° episódio do Chicago PD e não interrompi a gravação. Não perdi nada. Mais tarde, aos 52 minutos de jogo, se estivesse no relvado de Aveiro, fazia como o Pepe e dava os parabéns ao Balaj pelo magnífico golo que marcou. Não é de agora. O primeiro responsável pelo meu divórcio da Seleção foi o pateta do Luís Filipe Scolari, que hostilizou a nação portista ao não convocar Vítor Baía e perdeu o jogo inaugural do Euro 2004 por teimar em não usar como espinha dorsal da Seleção o Porto de José Mourinho, que acabara de ganhar a Champions com dez portugueses em campo.

A incompetência de Scolari, evidenciada pela proeza de com um equipa de luxo perder em casa a final do Euro contra a Grécia, foi no entretanto confirmada por um percurso imaculado de organizador de derrotas - foi despedido do Chelsea, atirou com o Palmeiras para a 2.ª divisão, proporcionou ao Brasil a suprema humilhação de levar 7-1 da Alemanha no seu Mundial - com a exceção do título de campeão nacional do Uzbequistão, ao comando do prestigiado Bunyodkor.

Após a tragédia Scolari (que deixou o nome associado a fraudes fiscais e às trafulhices do BPN) e o mal-entendido Carlos Queiroz, esperava-se que Paulo Bento conseguisse duas coisas: o apuramento para o Euro 2012 e reconciliação de toda a nação com a Seleção. Teve êxito na primeira, falhou a segunda.

Bentinho (assim era conhecido quando debutou aos 13 anos no Académico de Alvalade) não conseguiu despir o benfiquismo fanático da adolescência, nem ultrapassar o reconhecimento por o Sporting lhe ter dado os únicos quatro títulos (duas Taças de Portugal e duas Supertaças) do seu currículo como treinador, que não chega a encher uma página A4.

Em vez de fazer mais amigos e gerar consensos, Bentinho está sempre a arranjar inimigos, a fomentar divisões e a armar zaragatas. Divide, em vez de somar. Na gestão dos jogadores, é forte com os fracos e fraco com os fortes, dando a ideia de que quem manda não é ele mas Ronaldo. Na gestão da convocatória, dá a ideia de não ser o selecionador mas tão-só o zelador dos interesses de Jorge Mendes.

No discurso, irrita com frases arrogantes debitadas no irritante ritmo do Espanhol que lhe ficou da passagem por Oviedo. Na hora dos lenços brancos, Bentinho não compreende que é preferível sair pelo seu próprio pé do que ser empurrado - que é muito melhor que as pessoas se interroguem sobre os motivos que nos levaram a sair, do que perguntarem, impacientemente, por que é que que ainda não demos a vaga.

Bentinho não merece ter um salário de 1,5 milhões de euros por ano, o que equivale a receber em três meses e meio mais do que a média dos portugueses ganham em 35 anos de trabalho. Se persistir em não querer perceber que estamos fartos dele, não resta outra solução ao presidente da FPF senão despedi-lo - e pedir-nos desculpa pelo equívoco (que custará três milhões) de lhe renovar o contrato após a tragicomédia brasileira. A ver se daqui em diante todos nós, portugueses, podemos olhar a Seleção como Nacional e uma coisa nossa.»
Jorge Fiel
JN, 10-09-2014


Subscrevo, quase a 100%, esta crónica do jornalista Jorge Fiel (subdiretor do JN).
E só não o faço a 100% porque, à hora em que a “seleção do Bentinho” estava a defrontar os “briosos” albaneses, eu estava entretido a ver outro programa, que não o 2° episódio do Chicago PD…

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

terça-feira, 9 de Setembro de 2014

10,7 milhões e outras vantagens

«Na última temporada, a participação [do FC Porto] nas competições europeias valeu 15,5 milhões de euros (já com o market pool incluído), mesmo com a eliminação precoce na fase de grupos da Champions – a Liga Europa pouco contribuiu para o bolo final.
Esta época, o FC Porto receberá 2,1 milhões de euros só pela participação neste play-off, verba à qual acrescerá, na eventualidade de apuramento, a de 8,6 milhões pela presença na fase de grupos. Ou seja, em jogo nesta eliminatória estão, no mínimo, 10,7 milhões de euros de receitas diretas, que crescerão com os pontos acumulados nos seis primeiros jogos da prova.»
in O JOGO, 07-08-2014


Segundo este texto do jornal O JOGO (publicado no início de Agosto), o FC Porto (3º classificado do campeonato 2013/2014) irá iniciar a fase de grupos da Liga dos Campeões 2014/2015 com mais 2,1 milhões de euros do que o Sporting (2º classificado do campeonato 2013/2014).
Isto sem contar com a receita de bilheteira do FC Porto x Lille a qual, presumo, terá superado os 500 mil euros, visto que estiveram presentes mais de 45 mil espectadores.

Mas, para além do aspecto monetário, este play-off teve outras vantagens “imateriais”, nomeadamente:

i) “obrigou” a Administração da FC Porto SAD a reforçar qualitativamente o plantel, de uma forma que me parece significativa;

ii) “obrigou” a fechar o núcleo duro do plantel 2014/2015, sensivelmente, um mês antes do fecho do mercado;

iii) proporcionou ao treinador dois jogos “extra”, de elevado grau de dificuldade, que puseram muitos dos novos jogadores à prova e contribuíram para dar rotinas a uma equipa em construção.


Em resumo, tendo o FC Porto superado o play-off da Liga dos Campeões, foi melhor ter ficado em 3º do que em 2º lugar no último campeonato. Mas isto, claro, é uma análise a posteriori.

segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

Análise aos homens de Lopetegui - Sector Ofensivo

Depois de analisar as posições iminentemente defensivas no esquema de Lopetegui, vamos concentrar-nos agora no core do trabalho ofensivo que, com o técnico espanhol, vive sobretudo da sala de máquinas no miolo e da forma como esse grupo de talentosos jogadores - os sucessores dos "bajitos" da Roja espanhola - conecta com as alas e o ponta-de-lança.

Médios Interiores
As posições mais importantes no modelo de jogo de Lopetegui estão no coração do corredor central. Foi aqui onde o clube mais se reforçou e onde há maior opções de qualidade. A sala de máquinas tem de tudo para dar pausa, verticalidade, força, classe e dinamismo ao meio-campo do FC Porto.
Já dissemos que tanto Ruben Neves como o próprio Casemiro podem encaixar como interiores. A principio parece que as duas posições, sobretudo com equipas mais débeis, caibam a Herrera e Oliver. O primeiro é um jogador que oferece a Lopetegui o que mais nenhum pode no plantel. Corre como poucos, move-se entre-linhas, faz a ponte defesa-ataque e seria ideal num esquema de 4-2-3-1 com um colega á frente responsável pela tomada de decisão no último terço. Porque aí o mexicano é um desastre absoluto. A sua propensão para o erro é constante, falha mais passes que qualquer outro jogador no plantel, remate mal e no momento errado e muitas vezes transforma a sua verticalidade num problema. Mas jogará até que Lopetegui tenha entrosado o seu sistema. Oliver é o oposto. Corre pouco, sempre com a bola colada nas chuteiras, mas na cabeça dele o jogo flui a outra velocidade. Vem sem opção de compra ainda que Simeone esteja farto da sua falta de intensidade - já o emprestou ao Villareal em Janeiro depois de uma discussão no balneário em que se queixou da sua falta de empenho em tarefas defensivas - mas para o modelo de Lopetegui encaixa como uma luva. Em jogos mais dificeis pode ser colocado como extremo num 4-5-1 mas para mim é um desperdicio te-lo longe do miolo. O mesmo se passa com Brahimi, que devia ser o médio interior por excelência deste modelo, com Oliver e o médio mais recuado. Brahimi é tudo o que Herrera é em termos de velocidade, dinamismo e omnipresença mas com a bola é um maga. Tecnicamente é o melhor jogador do plantel e tacticamente a sua presença é fundamental. Na ala cumpre porque sabe abrir o campo e cortar em diagonal como poucos e a falta de extremos top e excedente de interior o empurra para a posição 11 mas pode fazer melhor que ninguém o posto de interior.
Ao contrário, Quintero continua a ser um jogador incapaz de se definir no meio como opção válida. Perde demasiadas bolas, é lento na recuperação e no pressing e neste esquema essas caracteristicas são fundamentais. Evandro será, provavelmente, o melhor recurso na ausência de Brahimi visto que é o futebolista que mais se lhe parece em condições e a sua incorporação parece trazer muito mais á equipa do que a que trouxe Carlos Eduardo (que também veio do Estoril, prometeu muito, perdeu-se na mediania e acabou emprestado, inevitavelmente). Por fim temos Otávio. É um daqueles meninos brasileiros que encantam nos torneios sub19, sub21, que se estreiam muito novos no Brasileirão mas que lhes custa adaptar-se ao jogo europeu. Já vimos esse filme com Anderson e Diego e vai ser preciso ter paciência. Muito provavelmente seja o understudy de Oliver para o próximo ano e tem mais perfil de jogador da SAD do que de Lopetegui. Custaria 7 milhões se tivesse vindo a 100% mas não sabemos se o clube comprou 30%, 40% ou 70% do passe e não o vamos saber até sair o RC. No papel soa bem, na prática era uma compra dispensável com o que já há.
A estes nomes juntam-se também os de Pité, Francisco Ramos, Graça, Belinha e Pavlovski que terão na equipa B minutos para demonstrar se cabem neste projecto a curto prazo. Para estes jogadores, mais que para quaisquer outros, seria fundamental que a SAD fosse coerente consigo mesma e deixasse Lopetegui escolher o treinador dos B. Seria melhor para todos se ambas as equipas falassem o mesmo idioma.



Veredicto: Muita qualidade, muitas opções para desenhos e esquemas diferentes. Ao trio Casemiro-Ruben-Herrera de Agosto seguramente que veremos um Campaña-Oliver-Evandro a médio prazo, com Casemiro e Ruben a ter minutos importantes. Um whisful thinking pensando em que Herrera não estará para enganar-se pela milésima vez.

Extremos
Se a posição de central tem problemas, a de extremos não está francamente melhor. Sobretudo porque Quaresma vai contar pouco para Lopetegui. Não falo sequer da luta de galos de balneário. Neste esquema o extremo tem de saber ser interior e avançado ao mesmo tempo que se posiciona na linha e isso exige pressing, abnegação e dinamismo fisico, algo que Quaresma não tem nem provavelmente teve no corpo. Jogará, sobretudo em casa, contra rivais que se encerrem e seguramente dará alguma que outra assistência e golo mas não é o futebolista que este modelo de jogo precisa. Tello é precisamente o oposto, um jogador que entende o idioma táctico de Lopetegui e que será fundamental, sobretudo quando seja eleito no onze titular, mas os seus recorrentes problemas fisicos podem ser um enigma para o técnico. Adrian é outro problema. O pior jogador do Atlético de Madrid acabou no Porto num ajuste de contas pendentes e ainda que tenha um valor acima da média para o padrão nacional dista muito de valer o que se "pagou" por ele. O seu maior problema está na interpretação que faz do jogo do que propriamente nas suas condições mas será progressivamente uma opção na ausência de Tello quando Oliver deixe, definitivamente, a ala. Por fim está Ricardo, pau para toda a obra (também pode ser lateral) mas que tem velocidade, desborde e "ganas" para abrir o campo e esticar o jogo num perfil mais parecido ao de Tello que qualquer um dos outros jogadores no plantel.
Kelvin - que continua a treinar com os B - o colombiano Quintero e ainda Ivo Rodrigues ou Kayembe podem ser ainda opções mais distantes mas nenhum deles tem ainda perfil para fazer a diferença o que explica a utilização crónica de Brahimi longe de onde mais rende.

Veredicto: Perder Brahimi e Oliver onde mais conta diz muito do que há para utilizar. Com Tello a 100%, a ala fica a ganhar e muito mas sem ele e com um duo Quaresma-Adrian que é um enigma, será dificil ver as alas fazerem a diferença.

Avançados
Temos um dos melhores avançados do mundo. Durante o próximo ano "Cha-Cha-Cha" continuará no Dragão e essa é a melhor noticia do defesa. Com a braçadeira ao ombro, Jackson ganhou mais carisma e reforçou a sua auto-confiança o que será fundamental durante a época. O seu principal problema é Lopetegui e a falta de tempo em ensaiar um modelo que aproxime os interiores de um jogador que, muitas vezes, está a ser engolido pelos centrais rivais e desaparece do jogo. Quando Brahimi, Oliver e Tello se aproximam e conectam com Jackson, inevitavelmente algo especial acontece. É preciso trabalhar mais essa conexão porque será de aí que virá o plus de qualidade que este Porto tem de utilizar cada vez mais para lá do controlo de posse de bola a meio campo. Aboubakar chega para estudar Jackson e preparar-se para ser o seu sucessor. É uma jovem promessa do futebol africano, um jogador de tremenda eficácia e que pode complementar Jackson mas também ocupar o seu perfil sem que se note em demasia a mudança de peça (a qualidade é diferente, isso sim). Adrian será o terceiro avançado mas já demonstrou que é uma posição onde rende pouco. Na equipa B temos dois dos melhores jovens pontas-de-lança do futebol europeu, André Silva e Gonçalo Paciência. Precisam de minutos mas também de um empurrão e a Taça da Liga ou a Taça de Portugal poderiam ser oportunidades ideais para se começarem a familiarizar com o Dragão.

Veredicto: Quem tem Jackson tem, forçosamente, golo. E o colombiano é um seguro de vida como não há em Portugal. Enquanto tudo estiver bem com o colombiano os golos deverão surgir com naturalidade.



Empréstimos 
Uma palavra para os que sairam emprestados. Neste contexto há dois tipos de negócios. Aquele que resulta de uma compra que correu mal ou que simplesmente não fazia sentido e que continua a prolongar essa velha mania do clube de ter muitos jogadores nos quadros sem futuro no clube. É aí onde encaixam Sammi (por muito que tenha impressionado na pré-época era um negócio que já se via que era para emprestar desde o dia em que se anunciou), Carlos Eduardo (não teve dedos para a guitarra), Josué (foi um dos menos maus da era Fonseca mas a diferença de qualidade com o que há agora é evidente) ou Quiñones (que ainda hoje ninguém entendeu bem a que veio). Depois há os casos de Tozé, Ghilas e Kleber.
Kleber foi um Sammi com maior potencial que nunca se concretizou e que há dois anos que é um karma para o clube. Ghilas foi um investimento importante que não desiludiu em campo e cujo o empréstimo é incompreensível. Tinha perfeitamente lugar no plantel e dificilmente voltará, uma pena. Tozé tinha tudo para afirmar-se este ano na equipa A depois de ter sido o melhor dos B no ano passado. Tendo em conta o empréstimo de Oliver ser de um ano, o empréstimo de duas épocas faz pouco sentido (alienar 30% do passe menos ainda) e o negócio de Otávio deixa uma péssima mensagem para o futuro do jogador mais promissor do meio-campo de formação dos últimos anos.

Tendo em conta o volume de emprestados (4, dois sem opção de compra, com os outros a poderem ser recuperados) e que é provavel que o clube tenha de vender entre dois a três titulares no próximo defeso (Jackson tem a saida prometida desde que renovou e é provável que Alex Sandro seja o próximo a sair) tudo indica que no próximo defeso poderá haver outra "pequena revolução". Mas se Lopetegui se mantiver como treinador, as bases tácticas e o idioma táctico estará consolidado pelo que o trabalho de integração será muito mais fácil! Só assim faz sentido mudar a directriz histórica de gestão do clube e centralizar o poder na figura de um treinador que é mais "manager" do que ninguém foi no clube com a excepção de Mourinho, Artur Jorge e Pedroto. Dois foram campeões europeus, um foi o "inventor" do FC Porto moderno. Resta saber onde se enquadrará Lopetegui neste quadro de ilustres!

domingo, 7 de Setembro de 2014

Análise aos homens de Lopetegui - Sector Defensivo

Agora que o mercado já fechou e sabemos com quem podemos contar, aproveito a paragem para os jogos internacionais (ou como o Paulo Bento diz, a reunião de amigos do Jorge) e dar uma vista de olhos ao plantel que o Julen Lopetegui vai ter ao dispor. Parece-me evidente que este é um dos anos da história do clube dentro da era Pinto da Costa com maior número de alterações de um ano para o outro. Desde o regresso de Artur Jorge (e o fim das vacas-sagradas do pedrotismo e de Viena), passando pela aterragem de Oliveira em 1996 e do ano pós-Mourinho, nunca saíram e entraram tantos jogadores diferentes. Foram 15 (um deles, Sammi, em estilo porta giratória, como se previa tendo em conta que o negócio foi feito para mostrar, uma vez mais ao Maritimo quem somos) o que basicamente é mais de metade do plantel principal. A isso podemos juntar igualmente alguns nomes da equipa B que vão ter uma palavra a dizer ao longo do ano.



Guarda-Redes
Não conheço nenhum clube de topo europeu com tantos guarda-redes entre equipa A e B. São 4 para os A´s e 3 para os B. Nesse caso, o de André Caio e Kadú, está claro que não convencem. Caso contrário nem havia motivo para avançar para a contratações de dois jogadores para a equipa principal nem de incorporar a promessa mexicana Gudiño. O Kadú anda a anos a procurar um lugar á sombra mas alguns erros infantis têm deixado claro que lhe falta algo para triunfar. Com 20 e 18 anos respectivamente, Caio e Gaudiño têm ainda muito que aprender. Na equipa principal o caso de Helton é especial. O capitão não está disponivel até finais de Outubro. É possivel, com a sua idade e o tipo de lesão que sofreu, que não volte nunca mais ao melhor estado de forma. Sei, de fonte segura, que Lopetegui fez saber ao clube que não conta com Helton, mesmo recuperado a 100% e só a excelente relação do capitão com Pinto da Costa impediu a rescisão do contrato como alguns na SAD equacionaram. Helton foi fundamental em recuperar o balneário após a saida de Villas Boas e PdC, como bom pastor de homens, não se esqueceu que o guarda-redes preferiu ficar no Porto a voltar ao Brasil com um bom contrato. Mas dificilmente será opção. Ricardo foi um dos melhores guarda-redes da época passada na Liga e foi uma aposta a custo zero da SAD sem o ok do treinador. Vai pagar o preço não jogando este ano e em Janeiro é possível que saia emprestado, o que faz todo o sentido. A titularidade será coisa de Fabiano e Andrés Fernandez. O brasileiro começou o ano a mostrar alguma insegurança e para muitos não é guarda-redes para o FCP que Lopetegui quer, onde se exige muito jogo de pés e um GR que seja libero. Fabiano efectivamente não o é. O problema é que Fernandez também não. É um guarda-redes posicional muito bom, mas com evidentes limitações e em Espanha (onde há uma excelente geração de "porteros" não estava nem no topo 8. Mas foi petição expressa de Lopetegui e imagino que mais cedo que tarde acabará por ser titular.

Veredicto: Há muitos jogadores disponíveis para uma posição concreta mas nenhum deles é top e parecem-me todos opções a curto prazo. O FCP sabe o que é ter um GR de topo e não ter. Os anos entre as etapas de Baía e os momentos menos bons de Helton deixaram-no evidente. Com este modelo de jogo ao GR do FCP vai-se pedir que intervenha pouco mas sempre com frieza e que ajuda a empurrar a equipa um par de metros. Fabiano e Fernandez terão uma missão dificil.

Laterais
Temos dois dos melhores jovens laterais do Mundo e depois do fim a condizer do reinado de Scolari fez-se luz na CBF e lá convocaram Danilo (muito melhor que quando chegou) e Alex Sandro. São jogadores de fiar, rápidos, com bom posicionamento e que se quiserem (será importante ver o grau de confiança e maturidade que tenham) podem fazer a diferença num modelo de jogo que centraliza muito a bola e deixa os carris mais par aos laterais que para os extremos. São titulares absolutos e vão descansar pouco pelo que se entende pouco a opção de mercado tomada pelo clube quando na equipa B estão disponiveis Victor Garcia e Rafa. O primeiro respondeu bem na época passada quando foi chamado. O empréstimo transformou-se em compra definitiva e acredito que temos ali um lateral de futuro. Rafa é mais novo e vai-lhe fazer bem acumular minutos com os B (especialmente quando alguém explicar ao Luis Castro um par de coisas) mas tem uma projecção tremenda e acredito que, numa ausência pontual de Sandro pudesse fazer as vezes do brasileiro. Opare foi uma promessa ganesa que se cruzou com Lopetegui no Castilla e que depois se perdeu do radar dos grandes (como Inkoom, outro lateral ganês promissor da mesma geração) e que pode fazer os dois lados da defesa. Vem a custo zero e jogará pouco mas podia ter fechado o plantel, como fazia Fucile, o que torna ainda menos compreensível a chegada de José Angel. O espanhol prometia muito nos seus dias com o Gijon, passou desapercebido pela Roma quando Luis Enrique o levou com ele e desde então tem penado sem que lhe se tenha visto o potencial que antecipava. Tem qualidade (mais que Opare), experiência (mais que Victor e Rafa) mas a sua chegada só se entende no contexto de que Sandro tenha previsto a saida para o próximo Verão e a titularidade seja sua até que Rafa se afirme. Não vão desiludir quando jogar mas estando fora da lista de Champions até Novembro jogará pouco.

Veredicto: Temos uma primeira linha excelente e quatro jogadores que podem cumprir. Acho que há demasiadas opções tendo em conta que a maioria dos minutos serão do duo brasileiro e vai ser dificil gerir as expectativas de dois jovens B ambiciosos e dois contratados que irão querer ter o seu protagonismo.

Centrais
Parece-me o sector mais débil da equipa. Perdemos Mangala - um dos melhores do futebol europeu - e quem chegou para o seu lugar, Martins Indi, é um jogador de perfil diferente e habituado a outro estilo de jogo do francês ainda que fisicamente possam parecer idênticos. É um jogador mais duro de rins, menos capaz de sair a jogar com a bola e que tem uma grande margem de progressão pela frente. Não se podem esperar milagres. Ao seu lado Maicon está a viver, felizmente, uma segunda juventude. Vejo-o autoritário, determinado e capaz de tapar debilidades técnicas (sair a jogar) com uma concentração superlativa. É importante tê-lo no meio de um quarteto jovem. Marcano vai trazer experiência ao grupo mas não é um central de encher os olhos e Reyes tarda já em afirmar-se. Ficar fora, outra vez, do lote de Champions não vai seguramente ajudar a dar-lhe confiança especialmente tendo visto que Lopetegui tendo a confiar mais em Marcano. Na equipa B não há centrais com grande futuro á vista (nós que eramos uma escola de centrais de nivel mundial) e a contratação de Lichnovsky é o perfeito exemplo do fracasso dos Tiago Ferreiras e afins.

Veredicto: Martins Indi precisa de crescer, Maicon está numa grande forma mas tem carências técnicas e tácticas relevantes pelo que Marcano, em algum momento, pode chegar á titularidade. Reyes está numa época de ou vai ou racha e, de momento, não parece que lhe esteja a sair demasiado bem.



Médios Defensivos
Com o overbooking de médios que temos acho melhor dividir entre os que podem jogar na posição 6 (médio defensivo, que não pivot, uma figura que não há este ano no plantel salvo por Mikel) e os interiores.
Para jogar no vértice mais recuado deste 4-3-3 ou 4-5-1, Lopetegui tem essencialmente quatro jogadores nos A e uma excelente opção nos B. O mais provável é que a titularidade pertença, originalmente, a Casemiro. O brasileiro - que pode voltar em Janeiro ao Real Madrid se o clube merengue pagar a indemnização correspondente devido á falta de opções no meio-campo defensivo - é um jogador fino de boa leitura de jogo e recorte técnico mas não é um 6 convencional. Move-se melhor num 4-2-3-1 a varrer com um colega ao lado do que só frente ao perigo onde se revela bastante macio. O mesmo se pode dizer de Ruben Neves, um projecto de interior perfeito que apareceu como médio defensivo mas que tem dado um passo á frente no campo e que, seguramente, se vai afirmar na posição 8 ao longo da sua carreira que promete e muito. Com essa equação o lógico é que seja Campaña o escolhido a médio prazo.
É um dos meninos dos olhos do treinador espanhol (que pediu primeiro Darder, que não saia por menos de 10 milhões de Málaga, enquanto que a SAD queria Clasie, que valia sensivelmente 8), guarda-costas dos seus criativos nos sub19 espanhóis ainda que a nível de clubes tenha sido sempre uma constante desilusão por onde quer que tenha passado. A Sampdoria empresta-o sem opção de compra (como sucede com Oliver) depois de o ter contratado este Verão mas o seu preço de mercado ronda os 5 milhões de euros pelo que, se despontasse no Dragão, seria fácil ficar com ele nos quadros do clube. Também não é um pivot ao estilo de Fernando, cuida melhor a bola e gosta de sair a jogar e incorporar-se nas acções ofensivas. Como o "polvo" só resta Mikel, que até Novembro está fora de combate e que, devido á sua lesão, perdeu o comboio. Podstawski é outra opção que pode ganhar protagonismo ao longo do ano, muito ao estilo de Lopetegui, e que também saiu prejudicado por falhar o estágio por culpa do Euro sub19. Na B terá um ano importante para fazer-se notar.

Veredicto: Estamos habituados há vários anos a um jogador escova na posição. Neste modelo esse jogador não existe e ao adepto seguramente que vai soar estranho. Todas as opções são válidas mas jovens, sem grande experiência internacional e isso, numa posição nuclear, pode funcionar tanto como um problema como uma benção (não há rotinas que alterar como haveria com um Fernando).