domingo, 26 de fevereiro de 2017

A “verdade” televisiva

Na edição de O JOGO de ontem (Sábado), o diretor do jornal, José Manuel Ribeiro, assinou uma crónica, intitulada ‘Verdade televisiva’, onde escreveu o seguinte:

«O complicado é quando o Benfica se reclama uma pessoa de bem (…). Porque uma pessoa de bem faria questão de repetir, no canal televisivo que é seu e que transmite em exclusivo os seus jogos em casa, todas as jogadas duvidosas e não apenas as que parecem favorece-lo, como tem acontecido ultimamente com uma desfaçatez notável.»

Esta questão – a “verdade” televisiva – não é nova, mas está na ordem do dia, quer devido à transmissão televisiva (feita pela SportTV) do FC Porto x Tondela quer, principalmente, após a desfaçatez da Benfica TV na “criteriosa” transmissão do SLB x GD Chaves.






Aos mais distraídos, isto pode parecer um assunto de somenos. Contudo, se pensarmos no surreal comunicado da Direção do Tondela e na surreal conferência de imprensa do treinador do Tondela (o benfiquista Pepa), cujas declarações foram suportadas nas imagens que a SportTV (não) mostrou do jogo FC Porto x Tondela, percebemos até onde pode ir a “verdade” televisiva.

E a coisa torna-se ainda pior, quando a “verdade” televisiva é utilizada para pressionar e condicionar as nomeações e as arbitragens dos jogos seguintes, algo que foi evidente com a nomeação do algarvio Nuno Almeida (conhecido no meio da arbitragem por “Ferrari vermelho”) para o SLB x GD Chaves.

«Lutamos [FC Porto] contra muita coisa e o valor dos adversários não é a mais difícil de vencer. Ontem, na Luz, o Ferrari vermelho fez "pendant" com o Benfica, o que nem aos mais distraídos surpreende - estava lá mesmo para isso, para fazer "pendant"»
Francisco J. Marques (Diretor de Comunicação do FC Porto), ‘Dragões Diário’ de 25-02-2017


Portistas, é fundamental lutarmos contra este tentáculo do “polvo encarnado”.
Mas este combate não pode ser, apenas, travado com as queixas dos adeptos nas redes sociais e as denúncias do novo diretor/departamento de comunicação do FC Porto.
Esta é uma batalha crucial, que tem de ser assumida pelo FC Porto ao mais alto nível – presidência e administração do clube/SAD –, mesmo que isso custe amizades antigas.
Lamento, mas os interesses do FC Porto têm de estar acima disso.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Esta não é a nossa guerra

Não NES, não foi o árbitro.
O FC Porto é um clube que se faz respeitar na Europa. Nenhum outro, fora do quarteto Real-Barcelona-Manchester-Bayern tem tantas participações, tantos minutos de antena e tantas referências na história da Champions League como nós. Ao contrário do que sucedia antes, qualquer adepto europeu associa Portugal ao Porto e fá-lo não só pela hegemonia interna mas, sobretudo, pelas participações europeias, com vários títulos pelo meio. E esse respeito foi sempre ganho em campo, com suor, arrojo e atitude. Se sabemos que no futebol europeu há uma natural tendência para beneficiar os tubarões (igual que nas ligas nacionais os pequenos têm sempre mais razões de queixa) também sabemos que na Europa o Porto brilha quando joga com atitude, raça, espírito ofensivo e faz do seu estádio um forte intransponível. Tudo aquilo, em suma, que o FC Porto de NES não foi contra a Juventus. Claro que a expulsão de Alex Telles dá a NES o pretexto ideal para tapar as misérias do jogo colectivo. E sim, todos nós somos conscientes de que o mais que provável Hexacampeão italiano, é uma equipa superior ao Porto em todos os sentidos do jogo e em todas as linhas do campo. Isso nem sequer está em discussão. Mas uma coisa é saber a qualidade dos argumentos do rival e outra é ignorar as próprias valências. Como quando Pepe foi expulso, num celebre clássico europeu entre o Real Madrid e Barcelona, e Mourinho teve a lata de dizer que minutos depois era quando "ia atacar", jogando em casa e a medo, também NES sempre poderá dizer que o Porto ofensivo ia surgir mais tarde ou mais cedo se não fosse a expulsão de Telles. Talvez fosse assim. Conhecendo o treinador, permitam-me duvidar.

A expulsão é inquestionável.
Chorar sem sentido é de pequenos. O Porto beneficiou-se das expulsões - merecidas - contra a Roma e chegou á fase de grupos num momento tremido da época, dentro e fora de campo. Na altura todos no clube disseram que, com ou sem hara-kiri romano, o Porto era melhor e passaria. O mesmo passou no jogo de quarta-feira. Com ou sem a expulsão de Telles ficou claro que a Juve é melhor e tem todas as condições para seguir em frente. Falamos de um campeão italiano, de um finalista da Champions de há dois anos, não de uma equipa qualquer, não há vergonha em assumi-lo, especialmente quando somos nós que há três anos que não celebramos absolutamente nada. Mas não, tinha de ser culpa de um árbitro que, salvo algum que outro erro pontual - um cartão que ficou no bolso numa falta sobre André Silva, um fora-de-jogo mal assinalado a Dybala e um amarelo a Cuadrado por simulação recorrente - esteve bastante bem. Byrch não condenou o Porto. Como Defour em Málaga, foi Telles que obrigou os colegas a remar contra o temporal com menos um. E foi NES, com o seu esquema táctico inicial numa espécie de 4-2-2-2, que entregou desde o primeiro momento as armas á Juventus. Allegri, que não é um treinador italiano comum, e que já no ano passado teve Guardiola e o seu Bayern contra as cordas até cometer o erro supremo de tirar Morata em Munique, chegou ao Porto com a ideia de atacar e nunca abdicou de alinhar três avançados e dois defesas que actuavam quase como extremos. Antes e depois da expulsão. Procurou sempre o golo e quando o conseguiu procurou o segundo trocando Lichsteiner por Alves e mantendo três avançados bem dentro da área para criar superioridade como se viu no golo de Pjaca. Podia ter aguentado o excelente 0-1 mas não o fez. Algo que dificilmente alguém verá a NES fazer num campo qualquer. Se o FC Porto tivesse procurado entrar de forma imponente, talvez a mentalidade dos jogadores fosse outra, de uma e de outra equipa. Telles não tem desculpas mas será que o discurso medroso do treinador não inculca também negatividade nos futebolistas? Da mesma forma que um treinador ofensivo retira pressão aos jogadores quando os manda para a frente, aquele que só pensa em defender coloca sempre uma dose extra de pressão e nervosismo porque quem defende sabe sempre que não pode cometer falhas. Telles e Layun - este Layun, o de este ano - não se têm revelado mentalmente fortes (não são Maxi Pereira para por um exemplo) e foram claramente superados pela noite. O primeiro com duas entradas, uma das quais podia perfeitamente no contexto da Champions dar vermelho directo, e o segundo com uma assistência que não se permite nem em infantis (passe para o coração da grande área sem ver um colega) e deixando-se superar por Alves, não marcando correctamente a sua zona de influência, no lance do segundo golo. Empurrados para trás desde o primeiro momento, sucumbiram ao momento. Têm toda a responsabilidade individual mas fazem parte de um plano colectivo que ia dar a bola e o campo á Juventus e procurar a bola parada e o contra-ataque num jogo em casa para criar perigo. Aquilo que nunca se deve ver no Dragão...contra ninguém.



Todos se lembram dos mil e um defeitos de Lopetegui mas contra o Bayern de Guardiola - que era bem mais equipa que esta excelente Juve - a pressão alta de Jackson e Quaresma foi o que destroçou o jogo dos alemães. Contra o United de Ferguson, o Porto de Jesualdo soube impor-se e só um missil de Ronaldo fechou uma eliminatória sempre discutida taco a taco. Na Quarta o Porto não entrou para discutir a eliminatória olhos nos olhos e nestas alturas isso paga-se bastante caro salvo se se dorme com a sorte como sucedeu na Luz. E contra os italianos a sorte, habitualmente, está do seu lado. Soares foi engolido por dois dos melhores centrais do mundo. Brahimi, o único que tentou, caminhou sempre só. A Herrera apenas se lhe viu aquando do duro golpe no pé e Ruben e Danilo estiveram sempre mais dentro que fora da sua grande área e no caso do primeiro podem dar-se por satisfeitos de terem acabado o jogo. Com 20 milhões de euros por pagar por Oliver, o jogador mais criativo do clube dormiu no banco. Mensagens para quem está atento. E a Juventus, já se sabe, não é o Vitoria de Guimarães por muito que partilhe cores.

Felizmente, dentro do mal resultado e da má exibição, todos sabemos que no contexto presente esta não é a nossa guerra. Haverá tempo para dar um salto de qualidade na Europa mas o importante é focar-nos naquilo onde realmente temos de estar a 100%. O Campeonato deve ser a máxima prioridade do clube em todos os sentidos. Devolver o sabor de vitórias, quebrar um ciclo negativo nosso e positivo do rival e garantir o encaixe da Champions no próximo ano com o pequeno bónus extra de se ser campeão nacional. Tudo isso hoje vale mais que uma reviravolta milagrosa em Turim. Moralmente o grupo e os adeptos não se devem deixar afectar por um resultado natural, com ou sem expulsão, mas isso não significa que não seja necessário tirar lições, sobretudo para o jogo na Luz onde se pede, não, onde se exige, um Porto com uma atitude muito diferente da que se viu ontem. Até ao final do ano é muito provável que existam jogos perigosos, jogos tensos mas só por duas vezes o Porto se medirá contra rivais de altura, no Juventus Stadium e na Luz. Que o primeiro sirva de balão de ensaio para gerar medo no coração dos segundos. Que sintam o bafo do Dragão e não a versão medrosa de rabo entre as pernas. Mais do que uns quartos de Champions o FC Porto precisa de espetar uma lança no "salão de festas". Essa é a nossa batalha. E é para ganhar!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Um FCP à moda da Roma, sai pela esquerda baixa


A Juventus é melhor que o FCP. Ponto final, parágrafo.
Na verdade, parece mesmo estar de regresso aos seus bons velhos tempos de glória europeia.
Pelo menos está a dar passos bem seguros para tal. Tem uma excelente equipa e todos os seus jogadores do "11" inicial são grandes futebolistas. E ainda guarda mais um ou dois no banco. Coisa rara, mesmo entre os chamados "tubarões" da Europa.

Este ponto prévio praticamente esgota qualquer outro tema sobre a partida que teve um resultado certo.

Sim, o Telles teve duas entradas parecidas com aquelas que originaram o hara-kiri da Roma quando nos defrontou no início desta aventura da Liga dos Campeões 2016/17 e foi, assim, bem expulso (e se 11 contra 11 já tínhamos uma tarefa dificílima pela frente, com 10 tornou-se missão impossível).
Sim, o árbitro esteve mal, depois, ao não marcar uma ou outra falta e no "amarelo" ao Maxi.
Sim, o NES fez uma estranha alteração de R.Neves por Corona quando se sabe que um 0-0 pode nem ser assim tão mau resultado em jogos caseiros.
Sim, o Layun que é rei nas assistências, desta vez "assistiu" na baliza errada.
Sim, o Dani Alves estava completamente só, em zona proibida, e outra vez pelo lado esquerdo da nossa defesa.

Mas todos estes "sins" não podem esconder a realidade: esta Juve de Fevereiro de 2017 é de outro campeonato e ganharia sempre esta partida e esta eliminatória, sucedesse o que sucedesse.
Se não fosse assim como foi, seria de uma outra forma qualquer.

Dá-se aliás um prémio ao jogador do FCP que conseguir criar um lance de perigo que seja, na segunda mão, perante uma equipa que defende quase na perfeição como esta Juve e que, ainda assim, consegue ser uma temível equipa ofensiva. Estão de parabéns pelo trabalho que têm feito pós-descida aos infernos da segunda divisão.

Sim, já se assistiu a uma equipa ser esmagada em jogo-jogado, ver o adversário falhar escandalosamente duas, três, n vezes e, ainda assim, marcar e ganhar com um único remate à baliza, com toda a sorte e mais alguma.
Mas, desse tipo, só existe uma única em todo o Mundo.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

A SportTV faz parte do “polvo”?

Estoril x FC Porto, 28 Jan 2017
Minuto 7: «Fora de jogo assinalado a Diogo Jota, quando o jogador do FC Porto partia para se isolar»

«(…) o FC Porto tomou conta do jogo desde o apito inicial, mas revelou dificuldades em criar situações de perigo na primeira parte (apenas três remates). No entanto, fica o registo para um fora de jogo mal tirado a Diogo Jota, que se isolava aos sete minutos (…)»

O que teria acontecido se a equipa de arbitragem não tivesse, erradamente, assinalado um fora-de-jogo inexistente (o Diogo Jota estava mais de 1 metro atrás do penúltimo jogador do Estoril) neste lance?
Não sabemos. O que sabemos é que o lance foi interrompido (mal!), quando o jogador do FC Porto seguia, completamente isolado, em direção à baliza do Estoril.
E o que também sabemos é que a SportTV, tendo imagens que mostravam o erro grave da equipa de arbitragem (em prejuízo claro do FC Porto), não repetiu este lance uma única vez.

Ora, como aquilo que não passa na TV não existe, este lance foi ignorado nas análises feitas ao Estoril x FC Porto e, consequentemente, não fez parte dos ‘casos do jogo’.


FC Porto x Tondela, 17 Fev 2017
Minuto 44: Osório, que já tinha um cartão amarelo, fez uma “gravata” a Otávio (agarrou-o pelo pescoço) provocando o derrube do jogador do FC Porto.

Osório faz uma "gravata" a Otávio

O árbitro viu, assinalou a infração do jogador do Tondela, mas deixou o 2º cartão amarelo (e consequente cartão vermelho) no bolso.

Um minuto depois, o mesmo jogador do Tondela haveria de ver o 2º cartão amarelo (por obstrução a Soares), num lance que foi repetido pela SportTV inúmeras vezes.
Já o lance da “gravata” a Otávio, ocorrido um minuto antes, caiu no esquecimento e nem sequer fez parte dos resumos do jogo. Porquê?

Isto é surreal?
Não sei se “surreal” é a palavra certa para classificar este comportamento (que começa a ser recorrente) da SportTV, mas sei que é com habilidades destas (escondendo lances em que o FC Porto foi prejudicado e destacando lances em que possa ter sido beneficiado), que se consegue criar uma mistificação acerca das arbitragens e até enganar comentadores portistas (como foi o caso de Rodolfo Reis, comentador na SIC).

P.S. Já passaram quase 4 dias desde o último FC Porto x Tondela. Segundo julgo saber, no lance do penalty assinalado (e bem!) a favor do FC Porto, a SportTV continua sem apresentar as imagens filmadas de um dos topos do estádio.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

As imagens que a SportTV escondeu










Tive conhecimento destas imagens a partir de um vídeo colocado ontem no Twitter de Francisco J. Marques.

A propósito deste lance, na newsletter 'Dragões Diário' de hoje, é dito o seguinte:
«Regressamos ao encontro com o Tondela. Podemos estar na era da pós-verdade, mas nem os factos alternativos que têm sido por aí apresentados resistem a uma imagem do ângulo certo, que por acaso também era o do árbitro. Sim, no vídeo aqui divulgado pelo 'JN' pode ver-se que Osorio puxou Soares no jogo de sexta-feira e sim, a grande penalidade que permitiu a André Silva abrir o marcador foi bem assinalada. Pode ser que estas imagens ajudem a puxar algumas pessoas para a realidade: o FC Porto é líder da Liga e os adversários não vão ter descanso. Não há pedidos de reunião em momentos estratégicos que alterem os factos: há pelo menos um clube que tem ganho pontos à custa de más decisões dos árbitros, mas não é esse certamente o caso do FC Porto.»

Muito bem, mas este caso não acaba aqui. Eu quero saber, por que razão imagens semelhantes a estas (filmadas de um dos topos) não foram mostradas pela SportTV, aquando de uma qualquer das inúmeras repetições deste lance?

Será que foi porque deste ângulo (o ângulo em que o árbitro viu o lance), se vê claramente o defesa do Tondela a puxar a camisola de Soares (e este, posteriormente, a tentar soltar-se)?

Partindo do princípio que a SportTV tinha imagens que provam, sem qualquer sombra de dúvida, que a decisão do árbitro (ao assinalar um penalty para punir a infração do jogador do Tondela) foi correta, por que razão as ocultou, deixando que se instalasse a dúvida, a mentira e a contestação acerca deste lance?

Penso que o FC Porto, através do seu departamento de Comunicação e não só, deveria exigir explicações à SportTV.

Como se não bastasse estarmos a disputar um campeonato, em que o slb pode transmitir os seus jogos em casa através da televisão do próprio clube (com tudo o que isso significa de potencial manipulação de imagens e comentários), temos também, agora, de assistir a transmissões dos nossos jogos que são manipuladas de forma cirúrgica?

sábado, 18 de fevereiro de 2017

É preciso ter lata

Ainda a noite estava a começar e os tremores já se começavam a sentir na Segunda Circular. Há genuíno medo, pânico até, perante a possibilidade de se perder uma oportunidade histórica e, não se enganem, esta vai ser a tónica até Maio. O vitimismo de uns contra a resistência de outros. A tudo e a todos. Como realmente nos gosta ser. No entanto, por muito que um triunfo à Porto saiba melhor "contra tudo e contra todos", não deixa de ser igualmente necessário recordar que é preciso ter muita, mas muita lata, para que se levante um coro de indignação depois do que temos visto ao largo desta década nas arbitragens do futebol português. Claro que a hipocrisia é moeda corrente em Portugal e hoje o Sistema - através de outras redes financeiras, do sistema podre bancário, das conexões com fundos e empresários e, sobretudo, com a conivência política do eucalipto a que chamam Lisboa - está mais enraizado que nunca esteve o que transforma ainda este coro de Madalenas em algo mais anedótico se não fosse tão perigoso esquecer-nos que os mesmos que hoje choram são os mesmos que têm feito o que querem do nosso campeonato nos últimos anos. E é preciso dizer chega. Em campo e fora dele.

Em campo, sem ser brilhantes, a resposta tem sido dada. Era um ciclo complicado este antes do jogo com a Juventus e foi cumprido com pouca qualidade de jogo mas com muita eficácia que é o que se exige nesta etapa de uma competição a pontos onde cada escorregão conta. Os tropeções que o Porto teve quando havia Depoitre, não havia Soares e André Silva não dava para tudo e que nos custaram pontos importantes em empates fora de casa (e o malfadado momento Herrera), foram recuperados com vitórias importantes sobre Sporting, Vitória e Tondela e capitalizadas pelos tropeções do mais fraco Benfica dos últimos anos, uma equipa sem um modelo de jogo ofensivo claro, que sempre que sofre um golo primeiro mostra-se incapaz de dar a volta por cima e que de celebrar em Novembro um tetra histórico começa agora a acordar cada fim-de-semana a ter de remar contra um Porto que não descola e que, para todos os efeitos, só depende de si próprio para sagrar-se campeão. A isso chama-se medo. A isso chama-se pânico e tem-se feito notar pouco a pouco através dos canais do costume, uns que tentam desviar a atenção a microfones e postes e outros com eleições certeiras para arbitrar encontros, capas de jornais interessadas e declarações como as de ontem onde, já abertamente e sem nenhum tipo de vergonha, se declara o estado de emergência nacional porque, pasme-se, o FC Porto teve um tratamento em casa remotamente parecido - nem sequer idêntico - ao tratamento que o Benfica tem tido em casa, fora de casa e até em campo neutro nos últimos anos. Até porque ir a Braga é algo que não se lhes costuma dar bem e convém preparar o antidoto antes de levar com a vacina.

Foto: JN

Que ninguém se engane.
Se o FC Porto quer ser campeão terá de continuar a ser tão eficaz como tem sido até agora. No ano passado o Benfica e o Sporting conseguiram vencer todos os jogos desde o duelo em Alvalade até á última jornada e nenhum perdeu pontos. Sem jogar bem, sem ser brilhantes, mas sem tropeçar. Este é um cenário que provavelmente se vai repetir de aqui até ao fim do campeonato e não há margem de manobra para erros. Ir á Madeira e Luz e jogar em Braga são três desafios tremendos mas cada jogo vale três pontos e de nada adianta ir ganhar a campos perigosos e depois tropeçar onde menos se espera. O "forte" do Dragão será fundamental para garantir a pontuação necessária para chegar á Luz com uma diferença pontual que permita olhar o jogo sem pressas e angustias. Os jogos fora serão, como sempre, um fartote de roubos mais ou menos descarados e mais ainda depois deste grito de alarme que todos - árbitros, dirigentes de clubes, jogadores, agentes - ouviram e que, imaginem, vão agir em conformidade. Há um alvo a abater a cada fim-de-semana e não é quem se queixa. É quem tem suado a camisola e encontrado caminhos para por ponto e final a um cenário que há uns meses atrás soava a utopia. Os outros, os de sempre, vão continuar a gritar, espernear e fazer as coisas pelo civil e pelo criminal, se falta fizer. A nós terá de bastar com ser Porto, ser Porto de verdade, um clube de resistência, de camisola suada em campo, de golos nos últimos minutos em campos onde vale tudo e, sobretudo, um clube que não se cala.

Quando Pinto da Costa afirma - porque nem sequer acusa, não é preciso, basta afirmar - uma "jornalista" de ser mentirosa, está a dar o mote. Acabou-se o silêncio. Tem de acabar o silêncio. Em campo com gritos de golos. Fora dele com respostas á altura. Em Maio fazemos contas. O clube do colinho tem medo. E muita lata. Mas não tem o ADN FC Porto!


Passo a passo


Há uns dois meses ou menos, o penalty que abriu caminho à nossa goleada não teria sido assinalado. Talvez, menos ainda, aquela expulsão bem perto do intervalo.
Quem disse que o "status quo" nunca mudaria no futebol português? Bem, pelo menos pode ser suavizado, sem estar sempre a favor dos mesmos.

E que importante foram esses dois lances para que assistíssemos, finalmente, a uma segunda parte tranquila. Quem já não tinha saudades?

Mas este é um FCP diferente. A confirmação aconteceu ontem, após os fortes indícios contra Estoril, scp e Guimarães. Abdicámos daquelas percentagens assustadoras de posse de bola e tendo-a menos, conseguimos explorar agora os buracos deixados na defesa adversária. O ramerrame em que se estava a tornar o nosso mastigado jogo começa a desvanecer-se e os golos e lances de perigo aparecem agora com muita mais facilidade. Durante demasiado tempo, eram muitos aqueles que não compreendiam quem alertava para este problema da posse de bola excessiva. Esta apenas estava a ter como consequência o deixar os nossos adversários bem cómodos na arte de defender sempre do mesmo modo durante os 90 minutos e os empates tornavam-se cada vez mais frequentes.
NES detectou, com perspicácia, este entrave ao fluir do nosso ataque e está agora a ensaiar estas novas soluções. Mas cuidado, esta nova táctica apenas terá que ser mais uma das hipóteses, quando as coisas não resultam, e não se pode tornar na norma. Até porque, não será fácil aos muitos clubes pequenos que defrontamos durante toda uma época aceitarem o nosso convite para assumirem mais a posse de bola.

Também é claro que esta "geringonça" tem resultado melhor que o esperado devido à entrada, absolutamente à matador, de Soares, que além de nos dar uma profundidade até aqui impossível, tem revelado uma classe mesmo acima daquilo que terá exibido na sua passagem por Guimarães e Nacional. Parece estar a superar-se. Coisa, aliás, que era habitual nos jogadores quando assinavam pelo nosso clube, até há poucos anos. O peso da nossa camisola fê-los ainda melhores futebolistas. Infelizmente, ultimamente parecia que estávamos a assistir, demasiadas vezes, ao inverso de tal tradição. Ainda bem que voltámos ao caminho certo com este brasileiro, que ontem voltou a ser o melhor em campo pela terceira vez consecutiva. Três em três. Melhor era difícil.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Soares, a emenda ao "erro Lima"

Em dois jogos "Tiquinho" Soares já demonstrou que é um jogador que vale a pena desfrutar. O seu impacto imediato na equipa, uma equipa a quem faltava uma alternativa goleadora a André Silva desde o arranque da temporada, já valeu seis pontos e excelentes sensações. Depois de meio ano a bom nível a Guimarães nesta ocasião a direcção do clube esteve certeira e decidiu fazer aquilo que podia ter feito e não fez há anos atrás quando a trajectória de um outro avançado brasileiro soava familiar. Chamava-se Lima.

Lima despontou no Belenenses, em 2009. Rapidamente se percebeu que era um avançado com várias qualidades, faro de golo, velocidade e bom sentido posicional. Em Belém - depois de cinco anos de idas e voltas pelo futebol brasileiro e uma passagem curta pelo Vizela - causou um impacto imediato e transformou-se numa das pérolas do mercado local. Na altura o FC Porto deixou-se adormecer e o jogador acabou por assinar pelo Braga onde, em dois anos, confirmou todo o seu potencial permitindo aos arsenalistas viver as suas melhores épocas, com um vice-campeonato e uma final europeia pelo meio. Quando em 2012 surgiu o Benfica em equação, as boas relações entre os dois clubes - algum dia alguém explicará aos adeptos do Porto porque é que o clube dá tanto e recebe tão pouco a António Salvador - fizeram o resto e Lima tornou-se figura fundamental nos títulos conquistados por Jorge Jesus nas temporadas seguintes. Todos os adeptos do Porto se lembram perfeitamente a cada projecto de avançado falhado - nesse período pós-2011, com a saída de Radamel Falcao, o clube teve apenas em Jackson Martinez um goleador de nível - do nome do brasileiro. E o que podia ter sido um negócio de tostões na primeira temporada de Lima em Portugal (o Belenenses foi despromovido) ou um investimento controlado no final da sua primeira temporada em Braga (que coincidiu com a saída do "Tigre" e a entrada de Kleber para um ataque que acabou entregue a Hulk) acabou por ser uma dor de cabeça em forma de títulos para o rival. Soares ameaçava ser um take II da mesma história. Felizmente Pinto da Costa e a sua equipa anteciparam-se e bem.



"Tiquinho" não é necessariamente um jogador como Lima mas o impacto que tem causado evidencia bem o quão esquecido ás vezes é o mercado nacional num clube sempre habituado a virar-se para a América Latina á procura de negócios. A sua história tem tudo para funcionar. É um jogador com ética de trabalho evidente, que não só dá golos á equipa como trabalha para o colectivo. Tem um perfil complementar ao de André Silva e portanto não se atrapalham - como sucedia com Depoitre - e sim encontram formas diferentes de atacar o espaço e a jogada como o golo em Guimarães demonstrou.
Até à sua chegada a opção de Diogo Jota oferecia um perfil totalmente distinto com um jogador mais tecnicamente vistoso mas menos killer que podia ajudar André Silva mas que raramente o substituía como ameaça goleadora. Com Soares esse cenário mudou e não é de estranhar que depois de meia época nas pernas agora o jovem avançado da formação seja regularmente substituído à hora de jogo. NES pode finalmente prescindir de um futebolista na sua primeira época sénior completa e que, portanto, não tem ainda a capacidade física para aguentar um ano completo sem ser dosificado, fisica e mentalmente. Até nisso Soares é o reforço perfeito. Não só marca, luta e descoloca o rival como potencia André Silva e permite-lhe também ter os seus dias maus. Ninguém se esquece que a sequência de jogos sem vitórias e golos se deveram e muito á falta de acerto de Silva nesses encontros a tal ponto que até teve de ser Rui Pedro a salvar a honra frente ao Braga, numa noite épica, e Depoitre a marcar o único golo do ano num encontro angustiante contra o Chaves, ambos em casa.
Ter um futebolista do perfil de Soares permite encarar a segunda volta e esses momentos de outra forma. Não significa que marcará sempre, que a taxa de eficácia seja tão alta mas garante sim opções, tanto em campo como fora dele. Com Tiquinho á disposição NES poderá jogar cada vez mais entre o 4-2-3-1 que tinha vindo a utilizar com Jota como eixo de conexão como o meio-campo como com um claro 4-4-2 em que Soares e André se movem em parceria no ataque desde o arranque do encontro para potenciar o modelo de jogo do técnico, mais defensivo e apostado no trabalho de contenção do meio-campo e na amplitude ofensiva dos laterais. Com Brahimi como único elemento criativo fixo, o jogo de Telles e Maxi revela-se fundamental na construção ofensiva, e ter duas referências na área ajuda a potenciar esse modelo muito mais do que quando André Silva era engolido pelos centrais contrários.

Lembrando Artur e Derlei, outros jogadores brasileiros que partiram de um clube menor para brilhar no Porto nas últimas décadas - ainda com perfis radicalmente diferentes, o primeiro por ser um nome consagrado no Boavista e o segundo por chegar como petição expressa de Mourinho - Soares tem tudo para revelar-se uma figura extremamente importante neste suspiro final de campeonato. Mistura em campo de Hulk, Derlei e Lima, Soares é o perfil de futebolista ofensivo que habitualmente encaixa com a exigência dos adeptos portistas e talvez por isso, mais do que pelos três golos em dois jogos, deixa a ideia que os 3,5 milhões de euros pagos ao Vitória - uma cifra importante para o mercado nacional - poderão num futuro não muito distante, soar a bagatela. Não é uma jovem promessa - tem 26 anos - nem sequer um jogador que vá demonstrar ser muito mais do que aquilo que já é. A questão é precisamente essa. O Porto precisava de um perfil assim para complementar um plantel que tem recursos para lutar pelo título até ao fim. E agora que o tem o ponto de atraso contra o Benfica parece cada vez mais pequeno. Se em Maio esse ponto tiver sido engolido e cuspido com os seus golos, Deco - o agente - e o staff de Pinto da Costa merecerá um aplauso sonoro. Soares pode fazer pelo Porto este ano o que Lima e Jonas fizeram pelo Benfica no passado. Sem serem estrelas ou foras de série, acabarem por ser decisivos. Acabarem por valer um título!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Coação (a sério) sobre árbitros

A propósito do tema 'coação sobre árbitros', alguns extratos de uma interessante e reveladora entrevista de Jorge Coroado (ao jornalista Rui Miguel Tovar)

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[Jorge Coroado]: No final do jogo [Benfica x Torrense], o Gaspar Ramos convidou-me para ir à sala de imprensa e aceitei. Cheguei lá e não havia nem um jornalista, só sócios do Benfica. (…)

[Rui Miguel Tovar]: E há sempre aquele Benfica-Sporting de 1995 [30 de Abril de 1995].

[Jorge Coroado]: Que processo, esse. Bem kafkiano.

Jorge Coroado e Caniggia (foto: jornal i)

[Rui Miguel Tovar]: O vermelho ao Caniggia, porquê?

[Jorge Coroado]: A ideia é dar um amarelo ao Caniggia e outro ao Sá Pinto, por troca de empurrões na sequência de uma falta perto da área do Benfica. Só que o Caniggia insulta-me. Chama-me ‘filho da puta’ e manda-me para a ‘puta que te pariu’. Dei-lhe o amarelo. Depois ouvi isso e dei-lhe vermelho direto. O que as pessoas pensaram foi que eu me tinha enganado. Que eu julgava que ele já tinha amarelo e que portanto foi segundo amarelo. Nada disso. Foi amarelo, o primeiro dele naquele jogo, e depois o vermelho direto, porque não aceito insultos de ninguém. Seja em português ou em castelhano.

[Rui Miguel Tovar]: E depois?

[Jorge Coroado]: Na cabina do árbitro, o Gaspar Ramos [dirigente do Benfica] estava muito nervoso e incontrolável. Pedi-lhe então que se retirasse. É verdade que aquela casa [Estádio da Luz] era dele, e ele até era delegado ao jogo, pelo que podia estar ali mas não naquele estado, mas aquele espaço era meu.

Gaspar Ramos no banco de suplentes na década de 90 (foto: SAPO Desporto)

[Rui Miguel Tovar]: A verdade é que a FPF instaurou-lhe um processo?

[Jorge Coroado]: Já lhe disse que foi kafkiano, não já?

[Rui Miguel Tovar]: Então?

Sampaio e Nora (foto de 2010)
[Jorge Coroado]: Mal entrei na sala para depor, o relator do processo [Sampaio e Nora, membro do Conselho de Justiça da FPF, pertencente à lista de Vale e Azevedo para as presidenciais do Benfica uns anos depois] disse-me para estar tranquilo porque não gostava de mim. (…)

[Rui Miguel Tovar]: Arrumado? Sei de uns episódios estranhos por conta do vermelho ao Caniggia.

[Jorge Coroado]: Nada de especial. Fui ameaçado de morte com uma pistola e depois com uma faca, à porta do meu emprego, ali na José Malhoa.

[Rui Miguel Tovar]: O quê?

[Jorge Coroado]: De manhãzinha, ainda antes da 8h30. Foram pequenos-almoços diferentes. Eram adeptos de cabeça perdida que queriam fazer justiça com as próprias mãos. O da pistola só me queria assustar, o da faca do mato tentou atingir-me só que falhou o alvo e estragou-me o casaco. A sorte dele é que conseguiu fugir. O azar é que lhe fiquei com faca.

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Num período em que o “polvo encarnado”, com os seus múltiplos “tentáculos”, controla (quase) tudo e todos, é sempre bom relembrar estes episódios, porque há quem ande um bocado esquecido…

Nota: A entrevista completa do ex-árbitro Jorge Coroado pode ser lida aqui.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Invasão Portista a Guimarães

Adeptos portistas "invadem" Guimarães (Fotos da Curva)

«O Estádio D. Afonso Henriques registou a melhor assistência da época, com 27212 espectadores, ou seja, perto da lotação máxima. Desta forma, foi batida a afluência do jogo com o Benfica, presenciado por 26985 adeptos. A partida com o Sporting teve uma lotação de 23104. Os portistas encheram o topo norte, com cerca de cinco mil adeptos entre a bancada inferior e superior.»
in O JOGO, 12-02-2017


Durante anos, ouvi dizer que o Minho era vermelho.

E existe o mito, criado pela máquina de propaganda benfiquista, de que por esse país fora os estádios só enchem quando lá se desloca o SLB.

Pois parece que não é bem assim…

domingo, 12 de fevereiro de 2017

À primeira



Ainda até há pouco tempo, os nossos adversários facturavam na primeira (e muitas vezes única) vez que se aproximavam da nossa área, agora, e pelo menos nestes últimos dois jogos, sucede quase o oposto.

Até à entrada Jota (ao minuto 74, note-se), o FCP não tinha ido mais do que 2 ou 3 vezes à grande área adversária. Aliás, quase se poderia dizer que Soares marcou na única oportunidade real do FCP até à entrada do jovem português em campo.

Com alguma ironia, poder-se-ia afirmar que o grande mérito do FCP nesta vitória deu-se antes sequer do pontapé de saída, ao conseguir "desfalcar" os vitorianos dos seus melhores jogadores (Hernâni, Marega, e claro, Soares). Ter Tiquinho do nosso lado, foi de facto uma grande ajuda. O ex-Guimarães foi, mais uma vez, decisivo e terá sido o melhor jogador em campo.
Verdade se diga que a maioria dos seus novos companheiros realizou uma exibição cinzenta, num jogo pobre de ambos os lados.
Para além do nosso mais recente reforço, apenas os "centrais"e Danilo estiveram num plano aceitável.
O caso mais agudo teria sido mesmo André Silva que passou completamente ao lado desta partida.

No fundo, um jogo com muito pouco para contar, ao contrário daquilo que era de prever.
Mas de jogos com pouca história também se faz a corrida para o título.

Seis pontos em dois jogos que se anteviam de grau de dificuldade elevado (scp e Guimarães), não pode senão ser considerado algo de positivo.
Pena que o slb tenha tido, neste mesmo calendário, dois jogos extremamente fáceis.

A verdadeira luta entre os dois continua já dentro de momentos...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A propósito da nomeação de Xistra…

A propósito da nomeação do árbitro Carlos Xistra para o Vitória Guimarães x FC Porto de amanhã…

Carlos Xistra
«Há muitas pessoas, incluindo portistas, que desconhecem ou já não se lembram dos factos que estão na origem do “Xistrema”.
Recuemos então à época 2001/02. José Mourinho tinha substituído Octávio Machado no comando técnico dos dragões e, com alguns hiatos pelo meio, a equipa vinha encetando uma recuperação segura, chegando-se aos lugares da frente da classificação.
Entre a 20ª e a 23ª jornada, quatro vitórias consecutivas, com 10 golos marcados e apenas 4 sofridos: (…)
23 de Fevereiro de 2002, 19h30, Estádio das Antas, ia jogar-se o FC Porto x Beira Mar da 24ª jornada. Árbitro nomeado: Carlos Miguel Taborda Xistra, de apenas 28 anos (nasceu na Covilhã a 2 de Janeiro de 1974) e que tinha subido à 1ª categoria dois anos antes. (…)»


Esta é a parte inicial de um artigo que publiquei em Agosto de 2009, a que dei o título “A origem do Xistrema”, sobre factos que remontam à época 2001/02.

Relendo esse post (publicado há quase oito anos), constato que há muitas coisas que continuam a ser perfeitamente atuais.

Ele é a preocupação do “polvo”, sempre que a equipa do FC Porto, depois de parecer estar “morta”, consegue várias vitórias seguidas e recupera pontos em relação aos rivais.

Ele é as nomeações cirúrgicas, de árbitros que dão totais “garantias”...

Ele é os árbitros jovens, que querem “mostrar serviço” e agradar a quem manda, por forma a subirem rapidamente na carreira.

Tantos anos depois e, a este nível, tudo ou quase tudo continua na mesma neste triste “campeonato dos vouchers”…

Carlos Xistra recebeu prendas do SLB

Vamos ver como é que as coisas correm amanhã. Há cerca de um ano atrás, num jogo em que foi nomeado para arbitrar outra deslocação do FC Porto ao Minho, as coisas não correram lá muito bem ao senhor Carlos Xistra. Ou se calhar correram, depende da perspectiva...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O Senhor Andebol

O final do SCP x FCP em andebol

«A nossa equipa de andebol é extraordinária e ontem à noite chegou às 30 vitórias em 30 jogos na época, depois de vencer em Lisboa o Sporting por 27-26, ampliando para seis os pontos de vantagem sobre os de Alvalade, segundos classificados no campeonato. Se esta diferença se mantiver até ao final da primeira fase cairá depois para metade, para a disputa da fase final.
A vitória dos Dragões foi verdadeiramente épica, com a equipa a perder por 26-19 a pouco mais de dez minutos do final, iniciando depois uma recuperação espetacular, fechando o jogo com um parcial de 8-0 que valeu a vitória.
Ricardo Costa não poupou nos elogios ao desempenho da equipa e à capacidade de superação nos grandes momentos: “Esta equipa tem uma alma enorme, jogando bem ou mal, muito bem ou muito mal, há uma coisa que sempre nos caracteriza: não desistimos e vamos à luta com tudo".»
Francisco J. Marques
Dragões Diário, 09-02-2017


O FC Porto não é só futebol. Assim sendo, após uma vitória como a de ontem à noite, é mais do que merecido o destaque dado hoje ao andebol portista, quer na comunicação social, quer nas redes sociais e são mais do que justos os elogios feitos a esta Equipa, que honra a gloriosa camisola azul-e-branca.

Jogadores do FC Porto festejam vitória histórica em Lisboa

Equipa técnica e jogadores festejaram uma vitória épica em casa do principal rival, vitória essa que, para além de prolongar um incrível recorde de invencibilidade (30 vitórias em 30 jogos oficiais), coloca o FC Porto em muito boa posição para os 14 jogos que faltam até ao final do campeonato.

Estamos aqui para lutar e queremos muito ser campeões. Temos mais 14 jogos pela frente. 10 da fase final e quatro da regular, vamos procurar ganhar todos
Ricardo Costa (treinador do FC Porto), em declarações feitas no final do jogo de ontem

É este o espírito desta Equipa de andebol!
É este o espírito dos Grandes Campeões!
É este o espírito que nós, Portistas, queremos ver em todas as Equipas dos dragões!

José Magalhães
Mas falta falar de um homem.
Um homem que percebe de andebol como poucos em Portugal.
Um homem que reorganizou o andebol do FC Porto.
Um homem com uma visão estratégica para o andebol do FC Porto.
Um homem com uma rede de contactos enorme, a qual permite ao FC Porto “pescar” grandes jogadores antes de o serem, em Portugal e para lá do Atlântico.
Um homem que consegue muito (vitórias e títulos) com pouco (dinheiro).
Um homem que foge das camaras, nunca aparece nos festejos e que praticamente não dá entrevistas, mas que é a Alma Mater do andebol portista do século XXI.

Os adeptos do FC Porto, particularmente aqueles que acompanham o andebol mais de perto, sabem de quem eu estou a falar…

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Com o escudo de Campeões ao peito

Num intervalo de tempo de apenas 42 horas (entre as 21h00 de sexta-feira e as 15h00 de domingo), a equipa de basquetebol do FC Porto disputou três jogos (a eliminar) para a Taça Hugo dos Santos.


Foram três jogos intensos, contra adversários da metade superior do campeonato – Illiabum nos quartos-de-final, Oliveirense na meia-final, SLB na final – e todos muito exigentes do ponto de vista competitivo.

Ontem, no jogo contra o SLB, a equipa do FC Porto pareceu cansada e perdeu (por muitos pontos de diferença) a final da Taça Hugo dos Santos. E se o desgaste físico é um factor que não pode ser ignorado (o SLB fez os seus três jogos num intervalo de tempo de 70 horas e o primeiro, contra a Sampaense foi, na prática (92-59), uma espécie de jogo-treino) há aspetos que têm de ser analisados.
Por exemplo, os 16.7% (3 em 18 tentativas) em lançamentos de 3P (contra os 48.5%, 16/33, do SLB) é uma percentagem muito fraca.
E aqui começam os motivos de reflexão para Moncho Lopez. Por onde andaram os atiradores do FC Porto?

Se alargarmos a análise aos três jogos e, por exemplo, olharmos para as estatísticas dos dois Bases portugueses da equipa, verificamos que o André Bessa marcou 5 pontos em cerca de 45 minutos de utilização e o Pedro Bastos marcou 1 ponto em 43 minutos de utilização!
O que se passa com estes dois jogadores e particularmente com o Pedro Bastos, talvez o melhor jogador “produzido” pela Formação Portista nos últimos anos e que, esta época, tem andado muito longe do valor que mostrou em épocas anteriores?

Para o FC Porto chegar aos play-offs em condições de discutir o título de campeão, é preciso que jogadores como o Pedro Bastos, mas também o Miguel Queiróz e o Ferran Ventura, voltem a jogar ao nível que já mostraram em épocas anteriores e atinjam, na equipa principal, o muito que prometeram enquanto atletas da equipa Dragon Force.

Nota: Um dos aspetos que merece reflexão no basquetebol portista, é percebermos se existe mesmo um projeto Dragon Force (com resultados concretos em termos de jogadores para a equipa principal), ou se o que existe é um "projeto Moncho Lopez", que exige padrões de qualidade mais elevados.

Thomas Bropleh
De resto, o aspeto mais positivo da participação do FC Porto nesta competição foram os desempenhos do jogador americano Thomas Bropleh. Não é um novo Troy (como alguns adeptos portistas suspiram desde o início da época), mas é um jogador de equipa (como o Moncho tanto gosta), bom defensor, forte fisicamente e bastante completo, conforme mostram as suas estatísticas nestes três jogos:
Illiabum: 27m04s, 6 pontos, 5 ressaltos, 5 assistências;
Oliveirense: 35m19s, 16 pontos, 6 ressaltos, 3 assistências;
SLB: 30m58s, 18 pontos, 5 ressaltos, 1 assistência.

Até ao final de Fevereiro, Moncho vai ter de decidir entre Jeff Xavier e Thomas Bropleh, para um deles ocupar a vaga de 3º americano do plantel mas, perante as indicações deixadas por Bropleh na Taça Hugo dos Santos, suspeito que a escolha está feita.

Voltando ao jogo da final de ontem, foi a terceira derrota consecutiva do FC Porto, em quatro jogos que esta época já disputou contra os encarnados de Lisboa.

Sempre que o FC Porto perde com o SLB, há adeptos portistas que entram em depressão e, nas redes sociais, atiram a torto e a direito contra tudo e todos. Contudo, eu quero lembrar duas coisas:

1º) O FC Porto continua a ser líder do campeonato, o qual ainda irá ter uma 2ª fase e só se decidirá nos play-offs.
2º) A equipa de basquetebol do FC Porto, com este mesmo treinador e sete dos atletas que jogaram ontem, sagrou-se campeã nacional na época passada e, portanto, merece o respeito e consideração de todos os adeptos portistas.

FC Porto Campeão nacional basquetebol 2015-2016

Mais. Esta equipa é a única equipa sénior coletiva do FC Porto que, esta época, ostenta o escudo de campeões nacionais na gloriosa camisola azul-e-branca.

Por isso, e porque o FC Porto não é só futebol, sugiro aos adeptos portistas, particularmente aos que gostam de basquetebol, que apareçam no Dragão Caixa, na próxima sexta-feira (10/Fevereiro), às 20h30, para assistir e apoiar a equipa no jogo contra o Vitória Guimarães.

É nestas alturas, e não na final do play-off, que marcar presença é mais importante.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Com merecida estrelinha

Se no encontro com o slb nos queixámos, e com toda a razão, da falta dela, hoje não poderemos ter muita razão de queixa em relação à "estrelinha". Dizem que esta, habitualmente, protege os futuros campeões. Então que seja esse, novamente, o caso na presente época.



NES deu a mão à palmatória e apresentou (quase) o nosso melhor "11" de início. Só faltou lá Layun, do lado direito da defesa, e jogaríamos na máxima força. As únicas dúvidas pairavam sobre o estreante Soares mas este cedo as desfez. Dois grandes golos (principalmente o segundo, que é enorme) e já não está aqui quem falou.
Que tenha continuação e que não se repita a história de um outro herói de jogos contra o scp. Tello celebrou um hat-trick em 2015 mas, em boa verdade, pouco mais fez do que isso no resto do tempo em que pelo Dragão passou.
Que a Soares também não aconteça o que sucedeu a André André, que foi a nossa grande estrela, na vitória contra o slb na época transacta, mas que não mais actuou a esse mesmo grande nível.

Foi um jogo em sofremos, a bom sofrer, até à defesa final de Casillas (finalmente decisivo). E nada o faria prever quando chegámos ao 2-0. A táctica que NES utilizou, durante a primeira parte, foi atípica mas resultou, ao menos durante esse período: a posse de bola deixou de ser fulcral e a ideia era colocar rapidamente a bola na frente. Daí que até o nosso próprio guarda-redes tinha ordens para despachar a bola, com lançamentos longos com o pé, mal a recuperasse. Não foi, por isso, estranho termos perdido, em termos de percentagem de posse de bola, para o nosso adversário, ainda durante o primeiro tempo.
Ora, na segunda parte, e dada a melhoria gigantesca do nosso oponente, estes números agravaram-se de tal forma que a própria vitória (importantíssima para as contas finais) chegou a estar mesmo em causa. Aí valeu-nos o nosso poste e também algumas estrelas (outras) cá da terra.

As substituições, ainda que talvez defensivas em demasia, acabaram por equilibrar a nossa equipa em termos defensivos, apesar de que Óliver deveria ter sido um dos eleitos, de tal forma andou desaparecido desta partida.
Nota positiva, uma vez mais, para a entrada de João Carlos Teixeira. A ideia tem que ser esta mesma: para segurar resultados devem entrar jogadores que sabem guardar a bola e não um Rubén Neves ou um Herrera, que não passam, ambos, de um convite ao adversário para estes terem ainda mais posse e, como consequência, mais lances de possível perigo.

Ah, e não jogámos de amarelo desta vez...