quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Assistências no Dragão - parte I

O FC Porto teve ontem a assistência mais baixa de sempre no Dragão num jogo oficial (12mil) - e já lá vão cerca de 100 jogos oficiais. Isto apesar da equipa estar claramente na "mó de cima" (ao contrário por exemplo da época 2004/05).

No campeonato a média é de 38mil até ao momento (atrás do slb com 43mil), equivalente a 73% da capacidade do estádio; recentemente a tendência tem sido para descer, com 32mil contra o Leiria e 31mil contra o Paços de Ferreira.

Isso leva a uma reflexão sobre o tópico das assistências - este artigo específico é dedicado a uma análise comparativa FC Porto - slb, e à desmistificação de um lugar comum: o mito de que o slb tem a obrigação de meter mais gente no estádio.

Premissa nr 1: Lisboa tem muito mais gente do que o porto

Sim, o grande Porto tem menos gente que a grande Lisboa (mas a diferença não é tão grande como isso: 1,4 milhões contra 1,9milhões) - mas a % de portistas no grande Porto é maior que a % de lamps na grande Lisboa (onde têm a "concorrência" do SCP). Segundo as sondagens mais credíveis que vi o Porto tem 65% dos adeptos no Grande Porto, enquanto o slb não passa dos 45% na grande Lisboa.

Ou seja: fazendo as contas, tanto um como outro clube terão uns 900mil adeptos na sua "base".

O que, diga-se de passagem, é uma base de adeptos mais do que suficiente para se poder encher um estádio de 50 ou 60mil regularmente (não me parece que um objectivo de 5% de adeptos a menos de 30min de distância a aparecerem no estádio seja demasiado ambicioso). É preciso é que se criem as condições certas (como as horas dos jogos, a flexibilidade nos lugares anuais de forma a poder trazer-se um amigo, etc), não é só com campanhas de charme que lá vão. Essa é que é essa.

Premissa nr 2: o estádio da Luz tem maior capacidade

A lotação do estádio só interessa nesta comparação caso o Porto tivesse um excesso de procura em muitos jogos. Ora o estádio muito raramente enche ou fica perto disso, logo também não será por não termos um estádio de 65mil que não temos maiores assistências (e o slb só beneficia disso verdadeiramente nos clássicos, i.e. 2 jogos em 15 - este ano só por uma vez teve assistências acima dos 52mil, a capacidade do Dragão).

Outros factores

Acessibilidades? No mínimo são tão boas no Dragão como na Luz (estradas, Metro, estacionamento). Este factor é irrelevante na comparação.

O "desconto" que se pode dar é no poder de compra (mais alto em Lisboa). No entanto, tanto quanto sei os preços na Luz são mais altos do que no Dragão - logo também não é por aí que temos desculpa para termos menos assistências.

No campeonato o slb tem uma média de 43mil e o Porto 38mil, apesar de estarem a fazer uma campanha muito pior do que a nossa (tanto ao nível de resultados como em exibições - tenho amigos benfiquistas com lugar anual que deixaram de ir aos jogos, tão desgostados/revoltados estão com as exibições em casa). Não quero pensar como seria ao nível de assistências se fosse ao contrário...

Concluindo: penso pois que se impõe um certo número de medidas para atrair mais espectadores ao Dragão: seja pelo apoio, seja pela fidelização, seja pelas receitas. Mas isso será assunto para outro artigo.

(a continuar)

6 comentários:

Mário Faria disse...

Fui cedo para o Dragão. Não tinha carro, fui a pé. O tempo estava chuvoso. A zona onde vivo não dispõe de transportes directos para o Dragão : nem metro nem autocarro.
Demorei três quartos de hora a chegar à bilheteira. Eram 15h45 quando tomei o meu lugar na fila, que não era grande.
Tinham três bilheteiras abertas para o jogo da taça e outras três para o Schalke.
Para tirar os bilhetes demorei mais três quartos de hora. E cheguei cedo.
Validar a compra no sistema informático, vender normalmente a cada pessoa da fila bilhetes para terceiros (familiares ou amigos), pôr as quotas em dia à maioria dos atendimentos e receber frequentemente por Multibanco, demora bastante : uma eternidade .
É muito tempo perdido para ver um jogo, que foi tão aborrecido. Não justificou tanta canseira, a pequena molha e os 7€ que paguei.
Estava uma "casa" muito boa : o jogo não mereceu mais. É preciso gostar muito do FCP, como dizia um amigo que já não via há algum tempo.

José Correia disse...

«não me parece que um objectivo de 5% de adeptos a menos de 30 min de distância a aparecerem no estádio seja demasiado ambicioso. É preciso é que se criem as condições certas (como as horas dos jogos, a flexibilidade nos lugares anuais de forma a poder trazer-se um amigo, etc.)»

As horas dos jogos, a flexibilidade nos lugares anuais e, já agora, um pack familiar mais barato, para aqueles sócios que gostariam de levar os filhos consigo.

P.S. Tenho muitas dúvidas que os números de espectadores comunicados pelo FC Porto e pelo SLB sejam fidedignos. Já assisti a muitos jogos em que me parecem claramente empolados.

João Branco disse...

«penso pois que se impõe um certo número de medidas para atrair mais espectadores ao Dragão»

O problema é os adeptos do FCPorto estarem muito mal habituados. A melhor (a pior, também, como é obvio) medida para atrair mais espectadores ao Dragão, mas numa perspectiva de longo prazo, era ficar mais 19 anos sem ganhar nada, para verem o que é bom pá tosse. Depois, quando a equipa voltasse a ganhar, era vê-los a voltar, todos contentes, com tantas saudades dos tempos vitoriosos, em que o FC Porto ganhava tantas vezes e quase sempre, que já nem dava gozo festejar.

Abraço de Cabo Verde

Nicolau d'Almeida disse...

Objectivamente, este Porto-Gil Vicente só teve 12 117 espectadores porque se iniciou a uma hora perfeitamente disparatada! Tão somente isto. Não foi por causa do tempo, do adversário ou do "cansaço" de ganhar mas unicamente porque começou às 18h30m de uma Quarta-Feira. Se começasse depois das 20h certamente que teria tido muito mais público. No Dragão a norma é ter sempre mais de 30 mil espectadores, o que para a realidade portuguesa não me parece nada mau. Registo, por último, que o Dragão tem a melhor taxa de ocupação em Portugal.

Cumprimentos.

www.guardiaodainvicta.blogspot.com

José Correia disse...

"Goleadores influenciam a lotação do Dragão"
Quando não há golos, o arredondamento faz-se com o recurso ao número de um dos titulares. O procedimento dura desde as Antas
O JOGO, 29/02/2008

ver artigo completo em:
http://www.ojogo.pt/23-373/artigo694103.asp

Nuno Nunes disse...

Não entendi essa do artigo n'O Jogo. Então com o sistema de validação electrónico das entradas não é possível saber ao certo quantas pessoas entraram no Estádio? Para quê 'arredondar'?

Tenho uma teoria diferente para a falta de espectadores que encham o Dragão. Experimentem comprar um bilhete para ver um jogo nos 3 últimos dias que o antecedem. Resultado: bancada G já não há (são as mais baratas), só há lugares muito em baixo, ou muito para o lado ou muito caros, etc. Porquê? porque os melhores lugares já estão vendidos desde o início da época. Seria interessante estudar o grau de absentismo dos detentores de lugar anual e na época seguinte agir em conformidade com o objectivo de reduzir o número de cadeiras vazias. Uma sugestão: enviar um sms a cada 'lugar anual' pedindo para confirmar presença no próximo jogo. A resposta ao sms seria paga naturalmente pelo clube. Os lugares que não fossem ocupados passariam imediatamente a disponíveis na bilheteira do Estádio. Depois de uma época compara resultados.