domingo, 3 de fevereiro de 2008

Um tango à moda do Porto

Partiu ontem do Estádio do Dragão a expedição "Dragões em África", que vai ligar Luanda a Maputo numa viagem solitária de mota. Coincidentemente, também no relvado do Dragão se viu mais um episódio de uma caminhada solitária: mais concretamente, a caminhada do FCP para o título.

Da mesma forma que Mark Twain afirmou "As notícias da minha morte são francamente exageradas", o relançamento da corrida pelo título tão estridentemente apregoado na última semana em função da estocada que o FCP levou em Alvalade teve um não-sei-quê de ficção científica.

Se é verdade que o Leiria é uma equipa muito acessível, também é verdade que vinha da sua primeira vitória no campeonato e que é em campo que se demonstra que a lógica não é uma batata: ora o FCP demonstrou-o de forma convincente, ao contrário de outros que 300km mais a sul se viram incapazes para o fazer. Quase que dá vontade de dizer que enquanto uns competem na maratona do campeonato num bólide de Fórmula 1, outros fazem-no de bicicleta...

Ontem viu-se um FCP sério, determinado e competente e em crescimento de produção ofensiva - pela 2a vez consecutiva marcou 4 golos em casa (e se não os marcou em Alvalade não foi por falta de oportunidades). Nota-se que tem havido um aumento progressivo de maturidade, tanto individual como colectiva: Lisandro está como o aço; Meireles, Lucho e Bosingwa integram-se cada vez melhor nas manobras ofensivas; "last but not least", Farías começa a confirmar em pleno os galões de "matador" com que chegou há 6 meses - aliás, se há alguém que pode rever-se em pleno nas palavras acima citadas de Mark Twain, esse alguém é certamente Ernesto Farías.

Neste jogo, saliente-se também a forma como Quaresma arrumou (positivamente) com as dúvidas sobre como seria o reencontro com o público do Dragão; e a estreia auspiciosa de Castro no campeonato.

Concluindo: não há razões para entrar em euforias desmesuradas, até mesmo porque algumas dúvidas permanecem no ar (alternativas no meio-campo a Lucho e Meireles, ainda mais com o "desaparecimento" de Leandro Lima e o ocaso de Kaz; confirmação - ou não - de Mariano como uma alternativa credível). Mas como Jesualdo Ferreira diz, há que "encarar o futuro jogo-a-jogo" - e com toda a confiança, apetece-me acrescentar.

PS - Apenas 32mil espectadores num fim de tarde de sábado, quando o FCP tem 1 milhão de adeptos a menos de 30 minutos do Dragão e quando a equipa liderava o campeonato com 8 pontos de avanço: penso que são números que merecem uma forte reflexão da parte da SAD.

2 comentários:

João Saraiva disse...

Num fim de semana quase perfeito, à alegria das vitórias junta-se a dúvida: esta falta de competitividade nacional, não nos é prejudicial? Não será também um dos motivos pelos 32 mil? É certo que o público gosta de vitórias, mas quando estas são "certas" a motivação não é a mesma. Como diria o Jardel, falta naftalina a este campeonato.

José Correia disse...

62 minutos de muito bom nível. Com 4-0, ao minuto 63 o Jesualdo iniciou (e bem) a poupança, substituindo o Lucho.

Destaque para 3 assistências do Quaresma para 3 golos do Farias, mas só dois é que contaram (e bem, porque aos 37 segundos (!) o Faria estava mesmo fora-de-jogo).

É verdade, o FC Porto ainda não é matematicamente campeão mas, olhando para as exibições dos três habituais candidatos ao título e para os 10/14 pontos de avanço a 12 jornadas do fim (e ainda vamos receber o SLB no Dragão), apetece perguntar: quando é que recomeça a Liga dos Campeões?