terça-feira, 4 de março de 2008

FCP SAD - resultados 1o Semestre

A SAD acabou de anunciar as contas referentes ao primeiro semestre de 2007/08, com um resultado líquido positivo de 7,3 milhões de Euros.

À primeira vista o resultado é positivo, mas é de salientar que está aqui incluída a venda de Pepe por 30 milhões (19 milhões de mais-valias).

Apesar do relatório ser semestral a novidade está no resultado do 2o trimestre, já que já sabíamos que no 1o trimestre tínhamos tido 10,8 milhões de lucro (devido à venda do Pepe). Ficámos agora pois a saber que no 2o trimestre fizémos 3,5 milhões de prejuízo sem que nesse período tenhamos comprado ou vendido qualquer novo jogador, o que é um bom indício de que continuamos dependentes da venda de jogadores para ficarmos no positivo ou perto disso.

Se exceptuarmos as vendas de jogadores verifico que os proveitos praticamente não evoluíram em relação à época anterior (28,5 contra 27,9 milhões, um aumento inferior à taxa de inflação) enquanto os custos aumentaram mais de 10% (de 35,6 para 39,3). Não é exactamente uma boa notícia, e espero que não seja para continuar, senão cada vez mais temos que vender mais jogadores (ou comprar menos).

Indo mais ao detalhe, verifica-se que os Fornecimentos & Serviços Externos subiram imenso (28% em relação há 1 ano atrás, atingindo no 1o semestre o valor de 9,2 milhões) e os custos com pessoal um bom bocado (8%, para os 18 milhões).

Porque é que os FSE subiram? Fico sem saber, até porque o texto do relatório não ajuda muito - dizem que o aumentos dos custos "assenta em grande parte no aumento de FSE para fazer face aos eventos organizados pela PortoEstádio" quando na realidade se verifica que os custos TOTAIS da PortoEstádio (que inclui FSE e custos com pessoal) só subiram 0,3 milhões, ou 15% do aumento total em FSE; a bota não bate com a perdigota.
Também não foi na PortoComercial que os FSE tiveram um grande salto, já que os custos totais da mesma só aumentaram 0,1 milhões.
Sendo assim que tipo de FSE é que aumentaram em flecha? E foi one off, ou é estrutural? Impossível descortiná-lo através do relatório. Concluindo sobre este ponto, dá-me a impressão que os FSE estão um bocado fora de controlo, o que é particulamente má notícia porque os FSE não ajudam grande coisa a ganhar títulos - a não ser que seja um "servicinho" do Mestre Alves, claro :-)

De resto o aumento dos custos com pessoal só deve surpreender os mais distraídos: não era preciso ser-se o Mestre Alves para se saber no Verão passado que, com as renovações de contrato que iríamos ter durante o ano e sem a entrada de mais jovens da casa no plantel, seria muito provável que subissem consideravelmente.

Do lado das receitas os resultados com a bilheteira e TV são decepcionantes: evolução negativa (quedas de 10% e 6%, respectivamente) quando estas são rubricas em franca expansão por essa Europa fora.

Finalmente: penso que vamos acabar o ano no positivo - devido à venda de um ou mais titulares daqui até Junho, apenas e só. Penso mesmo que não teremos quaisquer grandes novidades nos resultados do 2o semestre, a única incógnita é quanto dinheiro é que vamos fazer em vendas (ou se conseguimos ir muito longe na Liga dos Campeões).

Vou arriscar uma previsão: antes da venda ou compra de mais jogadores até 30 de Junho e extrapolando do comportamento histórico do 2o semestre e dos resultados deste 1o semestre (e das movimentações do defeso), eu arrisco que se não ultrapassarmos o Schalke (i.e. indo tão longe na Liga dos Campeões como no ano passado) teremos um prejuízo anual entre os 8 e 10 milhões.

Daqui concluo que será quase certo que sairá pelo menos um titular até fins de Junho para colmatar esse défice, até porque a tesouraria está bastante mais apertada do que no início da época.

Relatório e contas consolidado 2007/2008:
http://www.fcporto.pt/PDF/RelatoriosContas/FCPSADRC1S07CONSOLIDADO.pdf

P.S. No relatório diz-se que os custos de aquisição de Farías, Stepanov e Bolatti foram de 15,5 milhões (ou seja, em média 5 milhões cada um); os valores avançados na imprensa foram de 9,5 (4, 3.5 e 2, respectivamente).
Viva a transparência, como disse o João Saraiva noutra mensagem...

4 comentários:

jorge disse...

Comecei a dar uma vista de olhos no relatório, mas admito que não é o meu forte e a paciência falta-me neste preciso momento :P
Não deverá estar aqui a reaquisição do resto dos passes dos jogadores que estavam no fundo de jogadores?
Se sim, pode estar aí.
O blog da bola estava a levantar a hipótese de o porto fazer parte do capital desse fundo e por isso é que foi necessário extingui-lo, pelo que seria preciso uma reengenharia para juntar custos/proveitos de forma a apenas aparecer o prejuízo no relatório de contas.
Poderá ser isso, ou estou a inventar? :P
Se fosse, acabava por ser talvez menos mau pois era um custo pontual...

José Correia disse...

De facto, não se percebe a razão de tão grande crescimento na rubrica FSE.

Relativamente à evolução negativa dos resultados de bilheteira e TV, surpreende-me no caso da TV, porque não vislumbro razão para tal.

Já a queda de 10% das receitas de bilheteira, só surpreende quem não tem ido ao estádio. Apesar da boa carreira no campeonato, tem havido muitas bancadas vazias a pedirem iniciativas da SAD para combater esse fenómeno.

José Rodrigues disse...

"Não deverá estar aqui a reaquisição do resto dos passes dos jogadores que estavam no fundo de jogadores?"

Não, e por 3 razões:

1) Isso só aconteceu em Janeiro (i.e. no 2o semestre)

2) o valor de aquisição das % do fundo é, no cômputo geral, irrisório (1,5 milhões)

3) os passes são amortizados ao longo do contrato com os jogadores. Ora como esses jogadores têm contrato em média por 3 ou 4 anos, desses 1,5 milhões só teremos menos 0,5 reflectidos nas contas de 07/08.

Saudações portistas

Nuno Nunes disse...

Os salários dos jogadores até ao fim dos respectivos contratos não
podem estar incluídos nas contas deste semestre. Há um princípio
contabilístico no POC (Plano Oficial de Contabilidade) que
consagra o Princípio da Especialização dos Exercícios sob a designação de princípio da efectivação dos encargos e determina que os proveitos e os custos sejam contabilizados à medida que são obtidos ou suportados, sendo assim imputáveis ao exercício a que digam respeito.
Se forem considerados como respeitando a outros exercícios, só podem imputar-se ao exercício em causa quando na data do encerramento das contas daquele a que deveriam ser imputadas fossem imprevisíveis ou manifestamente desconhecidos (também previsto no Art.º 18 da CIRC).

A resposta a esta questão é simples: estas aquisições não foram, que eu saiba, alvo de comunicado à CMVM, portanto o clube pode perfeitamente alegar que estes sempre foram os verdadeiros valores dos negócios e que a comunicação social especulou valores para essas contratações.