segunda-feira, 28 de abril de 2008

À Campeão: 5 golos e 23 pontos de avanço


O campo cheio e bem guarnecido até ao fim do jogo, apesar da goleada sofrida, é demonstrativo da força do VG. O jogo foi bonito porque foi competitivo, sem quezílias e com ambas as equipas à procura do melhor resultado. Não são conhecidas escaramuças depois do jogo, o que se regista.

Na 1ª parte o jogo foi de baixa intensidade com o VG com mais posse de bola e maior tendência atacante. Não entrou, praticamente, na nossa grande área e o Helton esteve sempre atento quando a bola chegou com maior perigo à baliza. O nosso meio campo não funcionou bem, e o Paulo e o Bollati não foram capazes de “sintonizar” as suas acções, particularmente ofensivas. Bollatti não é Lucho e fiquei com a ideia, pela TV, que não raras vezes o Paulo subiu mais no terreno para colmatar alguma dificuldade táctica do argentino nas transições ofensivas e nas recuperações defensivas.

Apesar disso, ainda fomos capazes de uma ou outra jogada interessante e levar algum perigo às redes do VG. Mas tínhamos reais dificuldades em circular a bola, manter o ritmo certo e passar no momento adequado. Porém, é justo dizer que essa menor fluência do FCP não foi apenas por culpa própria. O VG fez uma pressão alta que funcionou e fechou todas as linhas de passe. Acho que essa eficácia vimaranense explica de alguma forma o colapso da 2ª. Parte, que foi completamente diferente. Correram muito e o calor era intenso.

Paulo foi substituído por Kaz e o meio campo passou ter uma arrumação mais conforme as características dos jogadores. O resto veio com o primeiro golo. A ânsia do VG em chegar ao empate, acrescida de algum cansaço físico e anímico, mais o espaço que deixaram de fechar, facilitou a manobra do FCP que, em transições rápidas, abriu autênticas auto-estradas nas linhas vimaranenses. Quaresma, Mariano e Cia. desbarataram completamente as defesas do VG e impuseram o seu jogo e a sua classe de forma categórica.


Nem as substituições que JF foi introduzindo tiraram eficácia ao FCP. Farias e Adriano entraram bem e mostraram serviço. O passe de Adriano para o golo de Farias é para mais tarde recordar. Também para recordar fica a vivacidade da movimentação do FCP, como a jogada do golo de Adriano exemplifica: Fucile acompanhou a jogada, desde lá trás, em grande velocidade e posicionou-se para poder ser uma alternativa para tentar o golo.

O FCP venceu e convenceu. Serviço é serviço e um campeão tem de se comportar como tal. Individualmente os jogadores estiveram bem, embora desta vez não tivéssemos um super Lisandro. Helton, Fucile, Bruno, Mariano e Quaresma estiveram bem e surpreenderam-me as actuações de Lino e Kaz. Stepanov também teve uma exibição boa e mostrou qualidade. Insuperável no jogo aéreo tem que aprimorar as suas saídas da defesa, melhorar o passe e o tempo de o executar.

Uma palavra final para o nosso treinador JF. Acho que o facto de ter ganho o campeonato por duas vezes refinou, e de que maneira, as qualidades que moravam lá. Personalidade, confiança nas decisões, a que não são alheias o (grande) mérito que lhe é reconhecido pelos resultados que vem obtendo o FCP, por parte da direcção, dos sócios e da opinião pública . Até o seu estilo de comunicação melhorou. Os êxitos ajudam, a sorte também, mas Jesualdo é, provavelmente, o principal artífice deste Porto à campeão, em todas as estações e em todos os momentos.

6 comentários:

Nicolau d'Almeida disse...

Bela tarde, belo resultado, magnífica atitude da equipa! Orgulho, muito orgulho!

Cumprimentos.

Nuno Nunes disse...

Depois de uma 1ª parte cautelosa por parte das duas equipas, um FC Porto insaciável na 2ª parte ofereceu-nos uma goleada das antigas.

O VG devia ter feito muito mais pela vida, se realmente queria ir à Liga dos Campeões.

Como dizia hoje Ojogo, mais sério é impossível.
Grande FC Porto!
Só falta a vitória na final da Taça para uma época perfeita.

Fernando disse...

Jesualdo Ferreira, só por má fé não lhe era e não lhe é dada categoria superior. De facto, este Senhor Professor é um dos mais notáveis estrategas de futebol que o futebol português conheceu. Possuidor de excelente formação académica, que lhe permite dominar a seu bel-prazer todas as áreas que o futebol comporta, sempre se deixou voluntáriamente acizentar, na convicção de que um dia, não interessaria quando, alguém lhe daria a oportunidade de tornar evidente os seus conhecimentos que o futebol português desconhecia. O Professor Jesualdo Ferreira, há muito que estava nas cogitações do nosso Presidente. Várias razões, que um dia melhor se saberá, foram impedindo de entrar num clube campeão. Por uma rabanada de sorte, entrou. E o Presidente há muito confidenciou. Finalmente.
O F.C.PORTO apresenta uma qualidade de futebol, moderna, atractiva, e terrivelmente eficiente. Estão para chegar dias que tornarão o Professor Jesualdo Ferreira como o treinador mais bem sucedido de sempre do F.C.PORTO. Já não falta muito. Mais vale tarde do que nunca. Ou... MAIS VALE SER RAINHA POR UMA HORA QUE DUQUESA TODA A VIDA.

É uma honra para qualquer PORTISTA saber que tem como treinador da sua equipa profissional de futebol, um EXPERT. José Mourinho com todas as suas virtudes, ao pé deste Senhor é um aprendiz de feiticeiro. Só o bate na soberba.

Rui disse...

Façam uma estatua ao Jesualdo no Dragão, mas não esqueçam de fazer outras 3: ao Atletico, ao Fatima e ao Schalke! Com tanta sabedoria só mesmo por milagre estas 3 equipas nos derrotaram, por isso merecem as estatuas!

José Correia disse...

Caro Rui,

Não será caso para fazer uma estátua ao Jesualdo Ferreira, mas os resultados obtidos pelo FC Porto nos últimos dois anos falam por si e, naturalmente, concordará que o treinador é uma peça-chave na obtenção destes resultados.

Volte sempre.

José Correia disse...

Caro Fernando,

É inquestionável que Jesualdo Ferreira é um bom treinador. Os resultados obtidos não são obra do acaso.
Contudo, discordo quando diz que ao pé do Jesualdo o Mourinho é um aprendiz de feiticeiro.

O Mourinho está num patamar a que o Jesualdo ainda não chegou e, apesar da forma como saiu do FC Porto, aquilo que conquistou enquanto cá esteve deve merecer respeito e gratidão de todos os portistas.

Volte sempre.