segunda-feira, 21 de abril de 2008

Chamem a Polícia!

No final do jogo, antes mesmo do burgesso se precipitar novamente aos microfones da comunicação social, em jeito de pedido desesperado, a clamar pela intervenção da PJ e do Ministério Público, o speaker do Dragão brindou aquela enorme plateia com o “Chamem a Polícia!”, o célebre tema dos “Trabalhadores do Comércio”.

O F.C. Porto ganhou com toda a justiça num jogo que controlou o adversário com a organização e a frieza táctica que tem caracterizado esta equipa. Vimos um FC Porto descontraído, a trocar muito bem a bola, que até se chegou a divertir com os olés que se ouviram desde o início do jogo. Depois conseguiu marcar no primeiro remate à baliza, num grande lance de Lisandro, que demonstrou toda a sua flexibilidade para marcar com qualquer dos pés. O visitante estava rendido à superioridade portista e o melhor que conseguiu foram uns pífios ataques, sempre iniciados pelo maestro (da orquestra do garrafão) e sem resultados práticos.

Na segunda metade o FC Porto regressou com vontade de matar o jogo com o 2º golo, adiado por várias oportunidades perdidas, mas que acabou por chegar aos 80 minutos com mais um grande golo de Lisandro, que aproveitou um pequeno espaço à entrada da área para atirar certeiro. O argentino é o cada vez mais distanciado líder dos marcadores com 24 golos, em 27 jogos.

Há que dizer que a substituição de Tarik por Mariano surtiu efeito. O FC Porto cresceu, dominou por completo o meio campo e ganhou mais rapidez nas transições. A equipa adversária mostrou nessa altura todas as suas debilidades e o ambiente festivo voltou às bancadas do Dragão.

Resta agora ao clube lisboeta que as forças da autoridade ouçam o seu apelo desesperado e prendam alguém, porque existe certamente um culpado para este estado de coisas. Agora que vão para Lisboa com dois secos no bucho e se puderem que parem em Leiria e sigam com o Sporting para então, juntos, curtirem as mágoas.

Restam apenas 3 jogos para cumprir calendário e Jesualdo deve aproveitar para dar alguns minutos aos jogadores menos utilizados.

9 comentários:

Nuno Silva disse...

Este não era mais um jogo qualquer… Era um clássico Porto - Benfica a meio de uma batalha judicial liderada pelos Mouros contra o Porto e o seu presidente, e com o porto destacadíssimo na frente do campeonato. O Pinto da costa já tinha agitado a motivação dos portistas e dos jogadores com declarações sucessivas na últimas jornadas, e o seu objectivo era claro: trazer motivação para a equipa e em especial para este jogo.

Desportivamente nada estava em jogo, mas no íntimo de todos os Portistas poucas coisas dão mais prazer do que ajudar a enterrar este Benfica liderado por alguém mais que um adversário… um inimigo. Os festejos do Pinto da Costa no segundo golo do Lisandro são bem prova da motivação e da vontade de vencer que o presidente tinha para esta partida.

Deste jogo fica a excelente segunda parte realizada pelo Porto com momentos de muito bom futebol aos quais faltou apenas mais eficácia na concretização para conseguirem uma goleada. O Benfica levou de facto um “abafo” na segunda parte e o Porto jogou como quis e onde quis, não permitindo oportunidades de golo e remetendo o Benfica para o seu meio campo. Imagem deste Benfica foi o Nuno Gomes que sai na segunda parte sem ter desperdiçado uma única oportunidade e nem se notou que tivesse estado em jogo.

Pena foi que a primeira parte não tivesse o mesmo nível. Ao contrário do que dizem os comentadores, o Porto mostrou os seu hábitos de gerir resultados logo a partir do 1º golo. Assim aconteceu nesta primeira parte e desde que o Jesualdo comanda a equipa. Apenas nas últimas jornadas se tem verificado uma vontade anormal de marcar e jogar para a bancada.

Ninguém fica indiferente ao grande jogo que fez, e faz consecutivamente, Lisandro Lopes… é um avançado fantástico! Raçudo, voluntarioso, eficiente e humilde… Ele é o grande avançado que o Porto tentava encontrar desde o Jardel (com as devidas diferenças) e desta vez bisou num clássico com 2 excelentes golos de fora da área, o primeiro com o pé esquerdo e o segundo com o direito… Fica ainda para mas tarde recordar os enormes sprints que fez a recuperar bolas, especialmente quando veio roubar a bola ao Rodrigues no lugar onde devia estar o Fucile: defesa esquerdo. Reparo que ele executa com muita calma e quase sempre realiza a preparação para o remate como mandam as regras: domina para um dos lados, já preparando o remate, remata prontamente sem necessitar de um segundo toque na bola e remata sempre para o lado inverso ao qual fez a preparação do remate. Além dos remates saírem fortes, são sempre bem colocados e com uma movimentação prévia que desarma o guarda-redes…

Não podemos ainda esquecer o grande jogo que fez o Lucho… é de facto um luxo! Tem um raio de acção enorme, tem tanta mobilidade que faz tudo parecer simples, sempre no sítio certo e com um toque de bola simples mas muito eficiente no passe e desmarcação. Foi neste jogo um 10 muito eficiente e conseguiu dar muita dinâmica ao ataque estando sempre como maestro das manobras da equipa. Parece que tem o comando da PS2 nas mãos!

Para mim, além de alguma apatia e mau jogo realizado na primeira parte, o jogo só teve mais uma nota negativa: a constante atitude de brincadeira de Quaresma. Continua a ser um jogador exagerado e irresponsável no estilo de jogo, continua a querer marcar todos os livres e cantos, continua a ser ineficiente nos lances de bola parada, continua a não querer participar no jogo sem bola… alguém devia ter mão neste miúdo! E o Jesualdo até já o substituiu por algumas vezes, já o reprimiu durante os jogos e nunca resulta… no entanto, continua a conferir-lhe a tarefa de ficar como elemento mais avançado quando a equipa defende para depois ficar livre para o contra-ataque, parece-me pouco pedagógico. Não se sabe que pedagogia se realiza durante a semana mas colocá-lo de castigo a ver DVD’s do Lisandro podia ajudar! Mais a sério: os capitães de equipa e o presidente deviam de dar-lhe um puxão de orelhas, se eu mandasse ficava já de pré-estágio para o EURO, a ver se depois o Porto consegue despachá-lo. Tacticamente é um elemento prejudicial à equipa e inibe a equipa de experimentar outros esquemas tácticos, além do efeito nefasto que têm as suas perdas de bola, brincadeiras e da não participação nas tarefas defensivas.

Nuno Silva disse...

o comment anterior em www.remateabaliza.blogspot.com

Nuno Silva

José Correia disse...

Deste jogo recordo:

1) Os jogadores do FC Porto muito relaxados. A espaços, quando aceleravam, a estrutura defensiva do SLB tremia como varas verdes.

2) Os dois grandes golos do Lisandro e, mais do que isso, a enorme atitude deste jogador. Na retina fica uma jogada em que o Fucile perdeu a bola no ataque e, enquanto o relaxado defesa uruguaio recuperou a passo, o Lisandro fez um sprint e foi ele que cortou o contra-ataque encarnado. Que grande jogador!

3) A coreografia do Colectivo. Mais uma vez excelente.

4) A música 'Chamem a polícia' mal acabou o jogo. Na mouche!

José Correia disse...

Caro nuno silva, muito bom o teu comentário ao jogo.

Volta sempre e felicidades para o www.remateabaliza.blogspot.com

Nelson Carvalho disse...

Este deverá ter sido um dos FCP - slb onde foi possivel presenciar a uns dos maiores "bailes" da assistência aos jogadores do benfica, treinadores e à propria instituição em si. Chegou a ponto de ser algo humilhante para eles. Desde os canticos de campeões, passando pelos olés do 1º ao ultimo minuto, até a cereja no topo do bolo com a musica dos trabalhadores do comercio. Receberam em dobro a noite passada do estádio do Dragão, toda verborreia que nos foram dirigindo ao longo da época.

Agora só espero é que o Lisandro deixe marcar golos (tirando a final da Taça), porque a facturar este ritmo não o seguramos.

Mário Faria disse...

Com excepção de uma boa parte da 1ª. metade do jogo, acho que o FCP, tal como em Setúbal (para a Taça), conseguiu jogar à campeão.
Mesmo sem jogar com grande intensidade, teve bola, circulou-a bem, movimentou-se melhor, criou oportunidades de golo e o que fez foi agradável, às vezes bonito.
Em vários momentos da 2ª. Parte, jogámos ao ritmo do Arsenal. A bola gira, com paciência mas sempre numa rotação alta, e depois lá aparecem as rupturas e os momentos em que se anda muito próximo do golo.
Lisandro foi fantástico, dois golos para mais tarde recordar, Mariano trouxe mais velocidade, melhor cobertura e "lisandrou" um pouco o meio campo.
A festa foi bonita. O Chamem a Polícia : a cereja em cima do bolo.
Gosto de ouvir os comentários da TV, depois destes jogos. Tanto choro, tanto ralho, tanta azia... como lhes fica bem.
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João Saraiva disse...

Quando vinha embora, numa das escadarias, uma senhora - que já devia ter os seus 70 e tal anos - apoiada numas canadianas lá vinha a descer devagar-devagarinho e a lamentar-se: "Devíamos ter dado uma cabazada a estes badalhocos!".

E assim se resume um jogo de futebol.

fernando machado disse...

Excelente análise ao jogo. Quanto ao QUARESMA, o costume. Produtividade ZERO. É apenas artista de circo. E o circo tem sempre um palhaço. É confrangedor ver um colega sugar o esforço dos outros. Em gíria brejeira, chama-se AZEITEIRAR.
O final com a música CHAMEM A POLÍCIA, dos Trabalhadores do Comércio - grupo Portuense e TODOS PORTISTAS, que se orgulham da coisa nortenha em geral e da Portuense em particular, deixou-me de grande sorriso. É que o JOÃO LUIS, o célebre puto da banda faz o favor de ser o meu genro e o maior favor é ser Pai dos meus 3 netos. TODOS SÓCIOS DO NOSSO CLUBE, OBRIGATÓRIAMENTE.

José Correia disse...

Caro Fernando Machado, os meus parabéns pelos seus três netos dragões.

Quanto ao Quaresma, tenha paciência e faça como eu quando ele nos brinda com os seus "números de circo": nessas alturas recordo momentos como o golo portentoso que marcou o ano passado ao SLB, os golos que marcou este ano em Braga, ou o golo fantástico que na 1ª volta nos deu a vitória na Luz.

Abraço e volte sempre.