quinta-feira, 5 de junho de 2008

O dramaturgo

Camilo Lourenço é jornalista económico e docente universitário. Foi um dos fundadores do Diário Económico, director da Exame e assina artigos de opinião no Jornal de Negócios. É frequentemente convidado para comentar questões económicas em várias estações televisivas.




Ultimamente tem enveredado por comentar as finanças e os negócios dos clubes de futebol, no programa Pontapé de Saída às quintas à noite na RTPN. Ah, é verdade, entretanto escreveu um livro sobre José Veiga - esse homem muito sério que esteve na origem do célebre Estorilgate (http://reflexaoportista.blogspot.com/2008/02/dicionrio-do-sistema-estoril-sad.html) - intitulado “Como tornar o Benfica campeão”. Será que Camilo Lourenço explica no livro que o ex-dirigente benfiquista fez do benfica campeão à custa destes expedientes e de outros como os jantares no Sapo com o ex-árbitro Devesa Neto ou a contratação, empréstimo e aliciamento de jogadores aos adversários na véspera de os defrontar?

Anteontem, no dia em que a UEFA tornou público o castigo aplicado ao FC Porto, a RTPN fez um programa para discussão e análise das consequências deste processo para o clube. Convidados estavam o especialista em Direito desportivo José Manuel Meirim, o jornalista Bruno Prata, Miguel Guedes como adepto portista, Camilo Lourenço e um ‘fatboy’ jornalista (benfiquista).
Acresce dizer que Camilo Lourenço, quando chamado a pronunciar-se sobre os eventuais efeitos económicos negativos para o FC Porto de estar uma época ausente da Liga dos Campeões, não resistiu, e apresentou um cenário apocalíptico para o futuro do clube. Desde desvalorização de activos a perda de receitas, Lourenço não fez por menos e anteviu já a desagregação da equipa e do clube.

Será aceitável aquilo que disse o jornalista económico? Não, a verdade é que não é de todo aceitável e Camilo Lourenço sabe-o e por isso foi intelectualmente desonesto. Não se preocupou minimamente em ser rigoroso e imparcial, e pior do que isso, exagerou nas consequências nefastas dando a sensação que o caos tomará conta do clube. Isso não é verdade.


Vejamos os números: na última época o FC Porto alcançou a receita de 12,5 Milhões de Euros na Liga dos Campeões, numa época em que foi aos oitavos de final, sendo eliminado pelo Chelsea de José Mourinho. Ou seja, a prova europeia representou 15% do total de Proveitos Operacionais (81,5 M€). A questão da desvalorização dos Activos é algo muito subjectivo, não mensurável e até o mais provável é que tal não venha a ocorrer. É que o FC Porto não cede a pressões exógenas e vende os jogadores em bons negócios finais. Se, a partir de 1 de Julho, data do novo exercício 2008/2009 vendermos 1 (um) passe de um jogador como Quaresma, conseguiremos mitigar os riscos financeiros de uma eventual não participação na Liga dos Campeões, sem precisar de vender a equipa toda, como sugeriu Lourenço, porque lhe dava jeito.

Com a queda para o drama demonstrada por este jornalista económico, sugiro que o próximo livro que escreva se intitule “Como imaginar o FC Porto um clube falido”.

4 comentários:

Mefistófeles disse...

É deixá-lo sonhar com a nossa bancarrota e com a Cinha Jardim. Não devemos contrariar os malucos.

Mário Faria disse...

Este homem sabe tudo : como gerir o país, como gerir os clubes, só não soube como gerir e inverter a quebra brutal da Revista Exame. Por isso, foi afastado.
É um pouco o mal dos nossos opinadores : sabem de tudo, escrevem sobre tudo, dão aulas, mas no terreno são fraquinhos.
Era como um dos majores do meu batalhão que era duro, mau, intolerante, mas quando chegamos à "mata" o homem virou. Afinal, ainda tinha mais medo que nós. Tornou-se razoável e humanizou-se.

José Correia disse...

É bom que eles pensem e tracem um cenário apocalíptico em torno da exclusão do FC Porto da LC.
Assim, quando derem por ela, vão ficar ainda mais surpreendidos.

Dito isto, não podemos também passar ao outro extremo, que é dizer que não há qualquer problema em ficar de fora.

Estas coisas devem ser tratadas com um mínimo de rigor, que foi o que o Nuno Nunes fez.

João Saraiva disse...

Esta semana não ouvi o Camilo, mas ouvi-o a semana passada, e a semana passada disse precisamente o contrário (basicamente disse o mesmo que o Nuno refere).

E para mim pior que concordar com ele ou não, é esta mudança súbita de opinião, passar do 8 ao 80.