terça-feira, 24 de junho de 2008

Platini: parabéns, batota e silêncio

Nyon, le 7 avril 2008

Monsieur le Président,

Je tenais à vous adresser mes plus sincères félicitations pour ce nouveau titre de Champion du Portugal acquis ce week-end grâce à votre écrasante victoire 6-0 contre Estrela Amadora.

Ce troisième titre d’affilée, le cinquième en six saisons, place assurément le FC Porto parmi les clubs majeurs du football européen et ne fait que confirmer les bons résultats que vous obtenez désormais régulièrement depuis quelques années dans les compétitions européennes, que ce soit en UEFA Champion’s League ou en UEFA Cup.

Permettez-moi donc de féliciter par la présente tous les acteurs qui on œuvré au quotidien tout au long de cette saison pour réussir cette magnifique performance. Je pense bien évidemment à votre entraîneur, M. Jesualdo Ferreira, à son staff ainsi qu’aux joueurs, mais également à l’ensemble des bénévoles qui s’investissent sans compter au FC Porto par amour de leur club de cœur et aux supporters qui vous apportent match après match leur soutien sans faille. Ce sont eux, bénévoles et supporters, qui donnent vie aux clubs et permettent bien souvent aux joueurs de se surpasser.

Et vous réitérant mes félicitations et en me réjouissant par avance de voir le FC Porto disputer à nouveau la saison prochaine l’UEFA Champion’s League, je vous prie de croire, Monsieur le Président, en l’assurance de mes sentiments les plus sincères.

Michel Platini
Président

carta de felicitações publicada na Dragões de Maio de 2008

Em 4 de Junho, menos de dois meses depois do presidente da UEFA ter enviado esta carta de felicitações ao Monsieur Jorge Nuno Pinto da Costa, Président du FC Porto, a Comissão de Controlo e Disciplina da UEFA decidiu punir o FC Porto com a exclusão da Liga dos Campeões 2008/09.
Baseados na nota de culpa elaborada por um inspector, que apontava para a penalização do FC Porto, os três elementos que tomaram esta decisão foram o húngaro Sándor Berzi (presidente), o alemão Rainer Koch e o italiano Maurizio Laudi.

Um dos argumentos que constava das 15 páginas enviadas pelo departamento jurídico do FC Porto, era a exigência de igualdade de tratamento em relação aos clubes italianos envolvidos no Calciocaos, particularmente a Juventus. Contudo, no relatório desta comissão, este argumento não foi considerado válido.
Porquê?
Não é dito, mas o facto de um dos três elementos ser italiano, levantou fortes suspeitas.

Precisamente para evitar suspeitas e prevenir conflitos de interesses, o artigo 26 do Regulamento Disciplinar da UEFA impede os membros dos corpos disciplinares de tomarem parte em processos que envolvam clubes da sua federação. Ora, Maurizio Laudi, não só é italiano como, ainda por cima, é um adepto confesso da Juventus.

O facto de Maurizio Laudi ter assinado um relatório, onde é defendida a inexistência de semelhanças entre o Apito Final e o Calciocaos, não traduz uma clara violação do Artigo 26?

Este “pormenor” não preocupou Michel Platini (um ex-jogador da Juventus) que, em 6 de Junho de 2008, comentando os castigos impostos pela UEFA ao FC Porto, CSKA Sofia e Steaua Bucareste, afirmou o seguinte:



«É uma mensagem muito forte contra a batota. Se tivermos casos em que os visados são reconhecidos como batoteiros pelas suas federações, é igual serem ricos ou pobres, do norte ou do sul.
Estamos a afirmar que não se pode falsear as regras e isto aplica-se também aos clubes com dívidas, já que colocam os seus adversários em desvantagem
».

Ressalvando que apenas dirige a UEFA há um ano, referiu ainda que a decisão em admitir o AC Milan na Liga dos Campeões, após o Calciocaos, não teve o seu aval.


Em 13 de Junho, o Comité de Apelo da UEFA, composto por cinco dos seus 12 elementos – o suíço Michel Wuilleret, o holandês Michael Joseph, o alemão Goetz Eilers, o inglês Barry Bright e o búlgaro Ivaylo Ivkov – decidiu atender ao recurso do FC Porto e revogar a decisão do órgão disciplinar de 1ª instância, concluindo que os factos que ditaram a não admissibilidade do FC Porto da Liga dos Campeões 2008/09 não estão estabelecidos.


A decisão do Comité de Apelo da UEFA não foi apenas uma derrota para o "Orelhas" (nome carinhoso pelo qual Carolina Salgado tratou publicamente o presidente do SLB). Foi, também, um forte "puxão de orelhas" aos três membros da Comissão de Controlo e Disciplina da UEFA e, já agora, um aviso para Michel Platini. Desde aí, não se voltou a ouvir o presidente da UEFA a falar em batota...

9 comentários:

João Saraiva disse...

Se adicionarmos a isso a remodelação da Liga dos Campeões, é caso para dizermos:

Monsieur le Président Platini,

Va te faire futre!

Paulino disse...

E no caso de outros clubes terem cometido infracções?

Vão dizer que vão querer tratamento igual ao Milan e ao Porto?

Quando é que isto irá acabar...ou seja, quando é que a palmatória realmente se irá ouvir?

Na minha opinião só se estão a criar regras para serem quebradas...

Mefistófeles disse...

Se há alguém que não pode falar em batota é justamente Platini. Foi batoteiro na França e na Juventus. Na sua França, o maior foi Tigana ( esse, sim, grande jogador).Platini foi Simão. Na Juventus, Boniek roubou-lhe a palma de batoteiro-mor, a ponto do (saudoso) Zé Beto querer aplicar um clister ao bandeirinha com a bandeirola de canto. É um cínico
francês, e cobarde. E, por isso, compreendo muito bem os ingleses em relação à raça Platini. Fico a aguardar uma retratação em relação ao FCP - que sei nunca existirá, pela cobradia ancestral.

Mário Faria disse...

Detesto as palmatórias, talvez por ser do tempo em que eram usadas, sem dó nem piedade.
A UEFA deve conformar as suas regras num quadro de legitimidade, sob pena de ver revogadas as suas decisões. O poder da UEFA não é ilimitado.
E, ainda bem que assim é.
As palmatórias já não se usam felizmente, nos países civilizados. O caso do FCP não deve ser tomado como uma derrota da UEFA, mas antes uma oportunidade. Uma entidade de bem aprende e progride, corrigindo os seus erros.
Só os ditadores e as ditaduras é que não carecem de mudança. Têm sempre razão !
Julguei que Platini ia ser uma lufada de ar fresco numa entidade bafienta que usava e abusava da autoridade e a exercia, quase sempre de forme prepotente. Platini escolheu o caminho populista e ficou muito mal na fotografia.

José Correia disse...

«Michel Platini insurgiu-se ontem contra a participação do FC Porto na próxima edição da Liga dos Campeões. Numa extensa entrevista ao jornal espanhol "El Mundo Deportivo", realizada num restaurante de Viena, a última pergunta foi sobre o FC Porto, e a resposta foi esta: "Como presidente da UEFA, não estou nada contente com a inclusão do FC Porto na Liga dos Campeões. Digo-o claramente." Para o presidente do organismo que tutela o futebol europeu, durante o seu mandato "a UEFA irá lutar até à morte contra a corrupção".»

in O JOGO, 27/06/2008

José Correia disse...

"São declarações inqualificáveis e inacreditáveis. A que título as fez? Era como se fosse um Madail caseiro a questionar as decisões da FPF ou de outro órgão desportivo português. É inacreditável. Platini tomou o FC Porto de ponta. Ficou claríssimo que não percebe nada de Direito e também ficou claro que não se deve manifestar contra as instâncias jurisdicionais da UEFA, até porque o caso ainda corre na Justiça portuguesa depois do recurso apresentado por Pinto da Costa no Conselho de Justiça da Federação. Acho que Platini devia aprender uma nova modalidade, como hóquei, para sair de patins da UEFA. Revelou-se um homem inculto e que não está à altura do cargo."

Manuela Aguiar

José Correia disse...

"As declarações de Michel Platini não me admiram absolutamente nada. Afinal ele está habituado às batotices da Juventus e da selecção francesa. Acho que Michel Platini está a tentar explicar a reacção que teve fora de tempo, e penso que estas declarações revelam o que foi como jogador e o que tem sido como dirigente. Não nos podemos esquecer que o sr. Michel Platini fez parte da batota da Juventus na final da Taça das Taças com o FC Porto, em 1984, e depois, mais tarde, não o vi preocupado no caso de jogos arranjados em que o clube italiano se envolveu e que culminou mesmo com a descida à segunda divisão."

Rui Moreira

José Correia disse...

"O primeiro comentário que as declarações de Michel Platini me merecem é o de que ainda bem que não foi ele a decidir a continuidade ou o afastamento do FC Porto da próxima edição da Liga dos Campeões. Há uma coisa que me parece clara com tudo o que passou e tem passado: a UEFA tem as pessoas certas nos lugares certos, e, por aquilo que Michel Platini disse, já se percebeu claramente que o presidente daquele organismo não serve minimamente para desempenhar o papel de juiz. O segundo comentário a fazer é que Michel Platini tentou corromper os juízes com as afirmações que fez, influenciando-os com este tipo de comentários."

Manuel Serrão

SG disse...

Escrevo hoje (19/11/2009), no dia seguinte ao jogo de play-off para o Mundial da Africa do Sul, em que a França eliminou a Irlanda no último minuto do prolongamento com um golo cuja assistência foi feita pelo Henry, com a mão.
Não quero deixar de registar o ensurdecedor silêncio de Michel Platini neste dia!
(para memória futura)