quarta-feira, 3 de setembro de 2008

BPPDD

No tempo em que a gente jogava a bola na rua, para mal das velhas da rua e dos nossos joelhos, era obrigatório sermos um jogador: "Eu sou o Oliveira", "Eu sou o Gomes", "Eu sou o Frasco", ... e havia sempre um personagem que era o "Freitas".

O "Freitas", por definição, era o gajo mais tosco, que ficava sempre na defesa e tinha como missão dar porrada, impedir que gajos que ficavam na mama marcassem, baseado num lema: ou passava a bola ou passava o jogador, passarem os dois em simultâneo é que não podia acontecer.

E o Freitas era mesmo assim, foi a minha primeira referência do jogador que BPPDD - Bate Primeiro e Pede Desculpa Depois.

Chegou ao FC Porto, na época de 76/77 pela mão do Pedroto, vindo do Belenenses e foi 9 vezes internacional.

Foi pedra basilar no bicampeonato do jejum de 19 anos e ficou no FCP, como jogador, até ao início dos anos 80 - mais concretamente 82/83 em que realizou um jogo como suplente utilizado, passando depois a treinador dos escalões de formação - infantis, onde ainda há pouco tempo se mantinha.

Não era daqueles jogadores de quem se diz que me fariam pagar um bilhete só para os ver jogar, mas era daqueles jogadores que aprendi a admirar, e que pelo sim pelo não prefiro ter um desta espécie sempre no 11. Felizmente temos tido sucessores dignos desde o Rodolfo, ao André, ao Paulinho, ao Fernando Couto, Jorge Costa, ...

Mas nos últimos anos a coisa tem estado fraca, hoje o mais próximo que temos é um mero aprendiz de feiticeiro, o Bruno Alves, que ao pé do Freitas é mesmo um aprendiz, mas que está uns anos luz à frente em termos de classe. Por isso é bom que andem distraídos a pensar que o Bruno é um top BPPDD, enquanto isso ele vai pondo a sua classe ao serviço da equipa e quando derem conta já a Inês estará morta.

A minha verdadeira esperança agora reside no Pelé.

7 comentários:

Bruno Ribeiro disse...

Não o conheci como jogador, mas como treinador era impecável!

Paulo disse...

Freitas, o 115, era uma máquina. Lembro-me bem do Jordão a voar quando tentava passar por ele (como bem diz, passava a bola mas não o homem).
A complicação era quando passava do meio-campo. Lembro-me de o ver, nas Antas, a ter de avançar no terreno porque foi apertado pelos adversários e não tinha a quem passar a bola. Fintou um, dois, três (a passar para a frente e correr) e, já perto da área contrária, reparou onde estava, fez um pase de meio metro para um companheiro que estava ao lado e voltou a correr para trás. à conta deste medo de passar o meio-campo (e tinha razão para isso porque era tecnicamente tosco) esteve para marcar um golo à Académica, em Coimbra. Teve de fintar os adversários para a frente e deu consigo no meio campo contrário (sobre a esquerda). Olhou para o lado e como não tinha a quem passar deu um estouro na bola (um pontapé-banana) que passou o guarda-redes e foi bater no poste.

Rui disse...

Não conheço o jogador em questão, nem que seja, poque quando deixou de jogar tinha 2-3 anos!!

Tenho pena de o FC Porto, não ter no plantel um jogador com essas características.

Acho que um Paulinho Santos,um Fernando Couto ou um Jorge Costa emprestavam um tipo de agressividade, que intimidava os adversários de certo tipo de entradas, tipo a que o Luisão fez no ultimo clássico.

Nunca me vou esquecer das chapadas das pelo Jorge Costa, Costinha e Maniche ao Simão!!

Armindo disse...

Desculpem-me ,mas...
E imagens do suposto golo dos gaivotas?
Não há?
Agora já é suficiente dizerem-nos que é golo e toda a gente aceita o suposto golo como verdadeiro?
Custa assim tanto mostrarem-nos o suposto golo?
E se não foi golo?
Será que têm receio de mostrar algo que poderia indiciar um acto de "cobardismo" por parte do árbitro auxiliar?
NÃO TEMOS DIREITO A VISIONAR O SUPOSTO GOLO???

João Saraiva disse...

Foi golo.

Se formos aos vídeos sapo, e fazendo pausa por volta dos 34 segundos, obtemos a seguinte imagem:

Essa imagem é clara, tendo o Bruno o pé de apoio sobre a linha de baliza e a outra perna esticada dentro da baliza.
Estando o Fucile sobre a linha de baliza e vendo-se a bola à sua frente.
A bola só pode estar na sua totalidade dentro da baliza.

Não vale a pena irmos por aí.

Mefistófeles disse...

Recordo-me que uma vez perguntaram ao Freitas de onde lhe vinha aquela força, ao que ele respondeu que, quando era pequenino, tinha roído um osso de elefante !
Impagável.

José Correia disse...

Para além das suas características como jogador, o Freitas formava uma belissima dupla com o Simões.

No artigo
http://reflexaoportista.blogspot.com/2008/08/
um-benfica-porto-h-30-anos.html

pode ser vista uma foto em que estão os dois (os primeiros de pé, a contar da esquerda para a direita).