quarta-feira, 29 de outubro de 2008

10 anos de contratações

Faz cerca de 10 anos que a SAD para o futebol foi criada, e penso que será interessante fazer um ponto sobre o sucesso (muito, assim-assim ou pouco) no que diz respeito à política de contratações, até porque é um tema na ordem do dia.

Há quem se queixe de que a taxa de sucesso se deteriorou imenso recentemente e/ou que agora contratamos a granel, que "antes não era assim". Aliás, tanto se bate nesse ponto que por curiosidade decidi investigar isto de uma forma menos superficial: recolhi a lista de todas as contratações de jogadores seniores nos últimos 10 anos e atribuí a cada uma delas uma nota (“F” para fracasso, “S” para sucesso, “A” para assim-assim e “D” para dúvida).

Essa avaliação toma em conta o custo de aquisição, o rendimento desportivo e o encaixe numa eventual venda. Ou seja, o factor financeiro não é despiciendo quando se sabe que um clube como o FCP deve vender mais caro do que compra para ser competitivo.

Por exemplo, um Seitaridis é para mim um caso de sucesso (o rendimento desportivo foi razoável mas as mais-valias na venda imensas); Diego é um caso “assim-assim” por ter sido vendido muito ligeiramente abaixo do preço de custo e ter tido altos e baixos enquanto esteve no FCP; Paulo Assunção é um caso de sucesso, já que apesar de ter saído praticamente a custo zero foi um pilar incontestado da conquista do tricampeonato (e custou relativamente pouco).

Dividi a análise em 3 períodos: o pré-Mourinho (1999-2002), o período Mourinho (2002-2004) e o pós-Mourinho (2004-2008).

Por curiosidade, no triénio anterior a Mourinho fizémos em média 11 contratações de jogadores seniores em cada época; com Mourinho contratámos 9 jogadores por época; e nos últimos 5 anos contratámos outra vez 11 jogadores/época.

Pois muito bem, o que constato é que no triénio 1999-2002 a taxa de sucesso (subjectiva, claro) foi de 12%; nos dois anos seguintes foi de 55%; e nos últimos 5 anos foi de cerca de 30%.

Saliento que estas contas excluem todas aquelas contratações que estão em “dúvida” (que é por exemplo o caso da grande maioria das contratações desta época, mas inclui também alguns jogadores contratados há já algum tempo, como um Ibson, que ainda não se impôs no FCP). Excluem também todos os jogadores contratados para os escalões de Formação (juniores ou ex-equipa B).

Vejo portanto que em quantidade de contratações houve um pequeno decréscimo com Mourinho, mas já antes dele chegavam praticamente tantos jogadores às Antas todos os anos como no passado recente, algo que possivelmente surpreenderá os menos atentos.

Mas acima de tudo verifico que o sucesso durante o “principado” de Mourinho foi a clara excepção nos últimos 10 anos (e, diga-se de passagem, o homem não é infalível como às vezes se diz - 55% é bom mas não é fantástico, mesmo dando o desconto de ter chegado um ou outro jogador sem que tenha sido consultado, como foi o caso de Serginho).

Na realidade, estamos melhor nos últimos anos do que nos 3 anos anteriores à chegada de Mourinho. No entanto penso que 30% é claramente insuficiente, principalmente quando se gasta tanto em contratações como nunca antes se tinha visto – só este ano foram 28 milhões de €, e desde 2004 já se gastaram bem mais de 100 milhões de €.

Repito, mais de 100 milhões de €. Neste momento suspeito que haja quem leia isto e diga: ah, mas dos jogadores que chegaram desde 2004 houve quem fosse vendido por muito dinheiro: então e o Pepe? Então e o Anderson? Então e o Quaresma?

Meus amigos: dos jogadores que chegaram depois de Mourinho (excluindo por exemplo Bosingwa), as grandes vendas consistiram (até ao momento) em Pepe, Anderson, Quaresma. Ora entre estes encaixámos uma receita total de venda inferior a 60 milhões de € (excluindo naturalmente a % dos passes que não nos pertencia). Ou seja, muitíssimo menos do que se gastou em contratações neste período.

E não me parece que a curto prazo um Lucho ou Lisandro (duas certezas) sejam vendidos por muitas dezenas de milhões ao mesmo tempo que são substituídos por jogadores ao seu nível.

Espero pois sinceramente que de entre todos os que ainda considero como “dúvida” (e são muitos: 22) haja uma alta % de acerto de forma a sustentar ou subir a média (de modo a sustentar as finanças da SAD e acima de tudo a conquistar campeonatos).

Aliás, mais do que um desejo isso é uma absoluta necessidade: recordo que no triénio anterior a Mourinho perdemos 3 campeonatos consecutivos e fizémos um rombo financeiro tal que fomos obrigados a injectar dinheiro fresco via um aumento de capital (e duvido que neste momento haja quem esteja disposto a meter muito dinheiro no FCP). Das imensos contratações desse período só encaixamos dinheiro que se visse com Costinha e J. Andrade, mas desperdiçou-se imenso dinheiro (como por exemplo no emblemático Ibarra).

E na altura ainda tínhamos um número considerável de jogadores da casa que eram mais-valias desportivas, o que ajudou a atenuar o problema. Hoje e no plantel temos apenas Bruno Alves (e mais dois ou 3 ex-júniores que para já não são mais-valias desportivas).

Para complicar ainda mais, as receitas milionárias de 2004 deram-nos um imenso fôlego financeiro em relação aos rivais da 2ª circular; 4 anos mais tarde, esse fôlego praticamente desapareceu (aliás, neste defeso o SCP deu-se ao luxo de gastar 10 milhões em contratações sem vender um único jogador fulcral).

Já agora, e sobre o tal fôlego financeiro: no período Mourinho o FCP gastou pouco mais de 20 milhões em contratações e encaixou mais tarde em vendas, nesse mesmo grupo de jogadores (para não misturar alhos com bugalhos), 85 a 90 milhões €. Ou seja, um saldo positivo de 60 a 70 milhões, um valor suficiente por si só para financiar meia-dúzia de anos do défice crónico. Por aqui se mede o sucesso da política de contratações enquanto Mourinho cá esteve (já nem falo no sucesso desportivo, claro).

Mas regressando às contratações mais recentes: a questão das “dúvidas” é tão pertinente que regressarei amanhã com um artigo sobre a “equipa em construção”.

Um último ponto: no período Mourinho tivémos 9 contratações de sucesso, e 8 delas (com a excepção de C. Alberto) saíram directamente do campeonato português. Coincidências?

Não creio.

E não aceito que se diga que a qualidade dos jogadores em Portugal (portugueses ou estrangeiros) tenha decrescido tanto nos últimos 5 anos: o Derlei de Leiria era mais do que o Wesley do Leixões? O P Emanuel do Boavista era mais do que alguns dos centrais que por aí andam? O P Ferreira do Setúbal ou o Bosingwa do Boavista eram mais do que o J Pereira de Braga ou o Antunes do Paços? Etc etc.

Outro factor que certamente também não entra aqui é o custo relativo dos jogadores (apregoa-se que os sul-americanos são mais baratos, mas nada mais errado).

P Ferreira custou 2 milhões; Antunes (tendo uma idade parecida e um CV parecido) custou menos do que isso à Juventus 4 anos mais tarde. Rolando custou agora ao FCP 1 milhão de €. Linz foi vendido ao Braga por 1 milhão €, mas um Hulk aparentemente vale 11 milhões apesar de um CV muito ligeiro. Preciso de dar mais exemplos?

Para que possam comparar com as vossas avaliações pessoais, aqui fica a lista das contratações dos últimos 10 anos, incluindo a nota que lhes atribuí.

1999/2000: Alessandro (F), R Sousa (A), Argel (A), Rodolfo (F), Romeu (A), Hilário (F), Clayton (A), Duda (F), Cajú (F), Domingos (A)

2000/01: Alenitchev (S), André (F), Pena (A), J Andrade (S), Ovchinikov (F), P Espinha (F), Maric (F), Pavlin (F), Luis Claudio (F), Pizzi (F)

2001/02: Costinha (S), Sousa (F), Rafael (F), Paulo Santos (F), M Silva (A), Rubens Jr (A), Soderstrom (F), Ibarra (F), Kaviedes (F), Quintana (F), Esnaider (F)

2002/03: M Ferreira (F), Nuno (A), P Emanuel (S), N Valente (S), P Ferreira (S), Bruno (F), Maniche (S), Tiago (F), Jankauskas (S), Derlei (S)


2003/04: C Alberto (S), P Mendes (S), Maciel (A), S Conceição (A), Bosingwa (S), R Fernandes (F), McCarthy (S), Serginho (F)


2004/05: H Postiga (F), Pepe (S), L Bonfim (F), Ibson (D), P Assunção (S), Pitbull (F), Diego (A), Meireles (S), Seitaridis (S), Quaresma (S), Leandro (F), L Lima (F), Rossato (F), Fabiano (F), H Leal (F), Areias (F)


2005/06: Sonkaya (F), Cech (A), Sokota (F), Anderson (S), Jorginho (A), P Ribeiro (D), Alan (F), Lucho (S), Lisandro (S), Helton (S), B Moraes (D), Sokota (F), C Peixoto (F)


2006/07: Tarik (A), Ezequias (F), João Paulo (A), Diogo Valente (D), Fucile (D), Mareque (F), Adriano (A), e Renteria (F)


2007/08: Nuno (S), Fernando (D), George Lima (D), Lino (F), Edson (D), Bolatti (F), Farias (F), Stepanov (D), Kazmierczak (F)


2008/09: Mariano (D), Guarin (D), Sapu (D), Rolando (D), Benitez (F), Tommy (D), Cebola (D), Hulk (D), P Moreira (D), Pelé (D), Scoppa (D).

15 comentários:

Mário Magalhães disse...

Depois de analisar todo o artigo exposto, e de mais uma vez lhe dar os parabens pelo trabalho e pela forma que descreve passo a passo toda a vida do clube nestes ultimos 10 anos. Devo dizer que como em tudo na vida, á coisas boas e coisas más, e neste momento o departamento de prospecção de jogadores tem colocado e muito o pé na poça, e porque? Vou passar a explicar, desde que o Porto existe este foi o ano em que se gastou mais dinheiro em jogadores, e essas contratações para já não estão a render o esperado, acredito que muitos deles tem valor, mas numa equipa como a do Porto, o jogador tem que render logo, porque neste momento o nosso clube aposta em todas as vertentes de tecnologia para explorar as capacidades dos jogadores. Como tambem existes jogadores que tem uma margem de evolução maior que os outros, mas muita dessa evolução parte dos nossos técnicos, e olhando para a nossa equipa tecnica, não vejo pessoas capazes de colocar novos metodos de trabalho para que os nossos jogadores possam evoluir mais, passo a citar: Jesualdo Ferreira, muito bem ganhou 2 campeonatos, mas com uma formação que foi montada por Co Adriennse, só moldou para um 4-3-3, o trabalho estva feito. Em termos tácticos não o vejo capaz de jogar noutro sistema senão o 4-3-3, em termos de prospecção de jogadores muito fraco, em trabalho psicologico muito limitado para não dizer fraco, porque não vejo o Porto a ter força mental para dar a volta aos jogos. José Gomes o nosso elo mais fraco foi CORRIDO por tudo quanto lado passou. Restante equipe tecnica são bons braços direitos para quem vá para lá orientar. Mas cheguei a um ponto que gostaria de focar com mais um bocado de relevo, o facto de neste ano termos perdidos 3 jogadores fundamentais, mas tambem perdemos uma pessoa que tinha muita influencia na planificação dos treinos, que era o Carlos Azenha, considero uma perda muito grande, e ouço a critica dizer que ele era que fazia e dava toda a metodologia de treino enquanto esteve no Porto.Relativamente aos escalões inferiores este projecto que foi implantado a pouco mais de 1 ano acho que ainda não podemos pedir resultados, acho que foi bem elaborado e futuramente vai dar resultados tem pessoas capazes e com visão futura.Quanto administração devo dizer que é uma equipe que trabalha á muito neste Porto, só não concordo com uma pessoa que ganhou uma influencia na estratura do Futebol do porto, e foi ele o principal culpado por este ultimos 4 anos de contratações e negociações de jogadores. Só me resta MAIS UMA VEZ PEDIR A CABEÇA DO ANTERO HENRIQUES E DO JESUAL FERREIRA.Saudações  

Zé Luís disse...

José Rodrigues, excelente esforço.

Vale, para mim, de três formas:

- antes do mais, rever a lista de reforços que mentalmente nunca fixo, porque a maioria nunca é para render e passa despercebida - como acontece em quase todos os clubes grandes.

- depois, pela conclusão parcelar que não era difícil de imaginar, com aquele período de desatino completo de 2000-2002, quando se instalou uma série de experts da bola no recrutamento de jogadores como Pavlin, Pizzi e Maric que, quando cheguei nesse ano de férias até me assustei com o novo plantel. E este período actual foi bem mais profícuo do que esse mais remoto.

- por fim, por constatar-se que o período Mourinho não foi só acertar. De resto, eu nunca valorizei imenso os dois laterais que sempre me pareceram banais, como P. Ferreira e Nuno Valente.

Mas há muitas variáveis e outras incorrecções.

Lembro que este último Scoppa nem sei quem é e não está com o grupo de Jesualdo, penso eu de que... Da mesma forma que o fantástico Luís Cláudio nunca jogou, apenas vestiu a camisola numa entrevista a O Jogo na Torre das Antas e do escritório do seu empresário Rui Neno...

E há noções que influem de forma errada, só porque alguém deu 20 milhões por Paulo Ferreira que foi dos maiores disparates que bem lembre no mercado de contratações e desequilibra a balança desse período.

Agora, que devia haver mais parcimónia na aquisição de jogadores estamos todos de acordo.

Parabéns, mais uma vez, porque nos leva a refletir e talvez a dizer menos asneiras.

Então se recuarmos ao período do início da saga do penta, com Ntsunda e Walter Paz, Mogrovejo e tutti quanti que chegavam para Bobby Robson, foi assustador.

E aí nem havia a SAD que, lembro, tem 12 anos após a sua constituição a 30 de Junho de 1997.

Abraços

José Rodrigues disse...

Caro Zé Luis,

de facto um dos meus objectivos era trazer um mínimo de objectividade a esta discussão tantas vezes tão radicalizada.

Mas assinalo q em nome dessa objectividade mínima (e digo mínima pq é um assunto sempre discutível) tomei em conta tão pouco quanto possível a minha opinião pessoal de cada jogador; limitei-me a tomar em conta se financeiramente a coisa correu bem ou mal, e se o jogador rendeu desportivamente minimamente à altura do investimento feito.

Sendo assim podemos discutir se o P Ferreira (por ex) era um grande jogador ou não; o facto é que encheu os cofres da SAD e jogou regularmente a titular em épocas em ganhámos imensos títulos, tendo cumprido. E por essa perspectiva acho q só pode ser considerado um grande sucesso.

Eu tb acho, pessoalmente, q um Diego foi uma boa contratação; mas o facto é q pouco rendeu desportivamente (a meu ver por culpa de incompatibilidade com as ideias do treinador, o q nem é culpa de um nem do outro) e financeiramente a coisa nào saiu bem (embora tb não tenha saído mal). Sendo assim embora pessoalmente lhe desse um sinal +, de forma muito subjectiva, ao constatar o q fez só posso considerar q foi uma contratação q resultou "assim-assim"; seja qual for a razão para o sub-rendimento.

Eu podia pois ter feito uma lista com um critério bem diferente, q seria se eu, subjectivamente, concordei com a contratação ou não; acho q o resultado global até nem ia ser muito diferente, mas preferi deixar a subjectividade de parte tanto quanto possível.

Saudações portistas

José Rodrigues disse...

"Então se recuarmos ao período do início da saga do penta, com Ntsunda e Walter Paz, Mogrovejo e tutti quanti que chegavam para Bobby Robson, foi assustador.

E aí nem havia a SAD que, lembro, tem 12 anos após a sua constituição a 30 de Junho de 1997"

Alto lá q há aqui uma grande diferença.

Nesses dias tínhamos imensos jogadores da casa (e bons!) e as contratações sendo muito menos do q agora tinham menor peso no sucesso ou insucesso da equipa (tanto desportiva- como financeiramente, já q havia jogadores da casa para vender: os Baías, S Conceições, F Coutos, etc).

Hoje em dia praticamente só temos jogadores contratados no plantel; daí q seja muitíssimo mais importante ter ou não sucesso na política de contratações.

Pedro Reis disse...

"Têm sido convocados o Nuno e o Ventura. Não há motivo nenhum para ele não ter sido chamado, atirou o técnico. (sobre a ausência do Helton)
Quando leio declarações destas do JF só me pergunto: Como é possível?
Pelo menos o PB ainda diz que o jogador A ou B não tem trabalhado o suficiente e por isso não é convocado. Agora dizer que não há motivo nenhum? É estúpido ou está a chamar estúpidos a quem o ouve?
Volto a dizer isto só se endireita se perdermos os próximos 3 jogos!

Mário Faria disse...

Faltará dizer que vendemos (bem) Paredes para Itália e vendemos (bem) o Postiga, que recuperámos demasiado caro.
Estes artigos têm imenso interesse, mas não dizem tudo, obviamente, porque são números, e os números não marcam golos.
Poderia dizer, se contasse os 5 campeonatos, as 4 taças de Portugal (?), as 3 super-taças (?), uma taça UEFA, uma CL e uma Taça Intercontinental que a política, fosse qual fosse o ratio de sucesso das contratações, pariu estrondosas vitórias desportivas, neste princípio do século.
Qual será o investimento - face ao mercado actual - que será correcto gastar, em função da situação económica/financeira e em função dos êxitos que se pretende obter (e a sua taxa de sucesso). Feito isto, não há quem garanta que o jogador contratado (mesmo com um curriculum invejável) vá ser um sucesso.
Maradona foi um meio fracasso no Barcelona e um herói em Nápoles, Roberto Carlos um dispensável no Inter e um prodígio no Real Madrid, o Ronaldinho que pouco produziu no PSG e depois cintilou em Barcelona, acabou por “fundir” e ser trespassado para o Milão, a preços da uva mijona.
Poderíamos dizer que o passado no FCP foi bem resolvido, face aos êxitos desportivos, não tão bem em termos da saúde da empresa, se calhar. Terá valido a pena, ou poderia ter sido melhor ? Obviamente que poderia ter sido melhor – é sempre possível melhorar -, mas não me julgo suficientemente seguro para tirar outra conclusão como dar como cumpridos os objectivos propostos com uma elevada taxa de sucesso.
Mais do que o passado importa o futuro. E nessa perspectiva tenho duas ideias fundamentais :
1)O FCP perdeu (na corrente época) a Super-Taça. O SLB vai um ponto à nossa frente no campeonato, mas até ao lavar dos cestos há muita vindima. Vamos ter uma semana muito importante, e desejo que sejam criadas todas as condições aos jogadores e equipa técnica para um bom desempenho no terreno. Vou ter alguma paciência e dar tempo ao tempo. Espero que os vândalos que perseguem jogadores façam o mesmo. Fiquei encantado quando na Luz ou nos Emirates assisti de perto ao calor da nossa claque. Como foi contagiante. Calma gente, não deixem que o bebé vá junto com a água do banho.
2)As contratações deste ano ainda não se mostraram o suficiente. O sucesso presente e futuro vai depender muito deles e dos ajustes que a SAD for capaz de introduzir nos postos mais frágeis, na abertura de Janeiro. Lá para o Natal saberemos melhor se o folar desportivo promete ser saboroso, ou nem por isso. Nessa altura, teremos mais dados para uma avaliação mais ponderada. Até lá, vamos dando os nossos bitaites, seguiremos a caminhada do FCP porque o futebol não dispensa essa paixão e o calor do debate.
Mas, desejo que o FCP nos próximos jogos honre os seus pergaminhos e nos honre com 3 vitórias, se possível.

José Rodrigues disse...

"Estes artigos têm imenso interesse, mas não dizem tudo, obviamente, porque são números, e os números não marcam golos.

Poderia dizer, se contasse os 5 campeonatos, as 4 taças de Portugal (?), as 3 super-taças (?), uma taça UEFA, uma CL e uma Taça Intercontinental que a política, fosse qual fosse o ratio de sucesso das contratações, pariu estrondosas vitórias desportivas, neste princípio do século."

Os números não marcam golos, mas as contratações não são de borla e os jogadores não jogam sem salário...

Os números e o sucesso desportivo sem em grande parte indissociáveis.

O meu ponto é que tivémos sucesso, sim senhor, mas nunca à custa das contratações (em geral), excepção feita às contratações do período Mourinho.

Os sucessos desta década a meu ver têm 3 razões fundamentais:

1) Mourinho.

Não só pelo q conseguiu ganhar, mas pelas receitas futuras q potencializou (como disse, as contratações da sua época tiveram um encaixe 60 a 70 milhões superior ao preço de custo).

60 a 70 milhões (mais as receitas da LC em 03/04) é MUUUITA GUITA. E sem guita não há palhaços; sem essa guita não haveria dinheiro para Andersons, Luchos e Lisandros e ainda se teria q vender mais cedo um Pepe ou um Quaresma.

Tenho IMENSAS dúvidas q nesse cenário tivéssemos conquistado o último tri. Se calhar nem o bi...

2) Formação (no início da década). Sem R Carvalhos, H Almeidas e Postigas para vender, teríamos tido q desinvestir de forma muito forte.

3) Estabilidade organizacional (em relação aos rivais)

Jorge Aragão disse...

Muito bom trabalho de pesquisa.
Interessante verificar o paulatino abandono do mercado brasileiro e o aumento de argentinos e outros sul americanos.
Entretanto da-me a impressão que os casos de maior sucesso se registam nos portugueses.
Custa-me entender a razão de não se investir mais no mercado europeu ou africano.
E sim, é um sem numero de fiascos que bem caro nos ficaram pois vieram aos molhos.
Há que repensar tudo isto, ver o que se passa na formação e diminuir grandemente a folha salarial.

The Turk disse...

Excelente artigo.

Zé Luís disse...
"Então se recuarmos ao período do início da saga do penta, com Ntsunda e Walter Paz, Mogrovejo e tutti quanti que chegavam para Bobby Robson, foi assustador."

tutti quanti? Isso é maneira de se referir aos talentos futebolísticos que foram Mandla Zwane e Ronald Baroni?
Mas nesse ano vieram também Emerson, Kulkov, Rui Barros e Yuran.

Quando a lei Bosman pôs fim ao limite de estrangeiros deu-se uma inversão no mercado. Anteriormente o limite de 3 estrangeiros nas competições europeias fazia que a contratação desses jogadores fosse muito mais rigorosa. Por outro lado, como todas as equipas mais ricas só podiam ter 3 estrangeiros, também havia mais por onde escolher.
Nessa altura em que só meia-dúzia de portugueses jogavam no estrangeiro, vieram para o Porto jogadores como Jorge Plácido, Morgado, Neves, Tozé, Ricardo Oliveira.

A principal diferença para a era pós-Bosman é o número de contratações, que aumentou. Por outro lado o número de vendas também.

The Turk disse...

"Antunes (tendo uma idade parecida e um CV parecido) custou menos do que isso à Juventus 4 anos mais tarde."

Esta época o Roma optou por emprestar o Antunes ao Lecce e pagou 5M€ pelo Riise. Lá como cá, os adeptos querem que os jogadores cheguem e rendam logo. Não têm paciência para esperar que os jogadores evoluam.

José Correia disse...

José Rodrigues disse: «Os sucessos desta década a meu ver têm 3 razões fundamentais:
1) Mourinho
Não só pelo q conseguiu ganhar, mas pelas receitas futuras q potencializou (como disse, as contratações da sua época tiveram um encaixe 60 a 70 milhões superior ao preço de custo).
60 a 70 milhões (mais as receitas da LC em 03/04) é MUUUITA GUITA. E sem guita não há palhaços; sem essa guita não haveria dinheiro para Andersons, Luchos e Lisandros e ainda se teria q vender mais cedo um Pepe ou um Quaresma.»


Inteiramente de acordo.
Para além do enorme sucesso desportivo, as épocas 2002/03 e 2003/04 trouxeram:
- receitas extraordinárias na Taça UEFA e, principalmente, na LC
- valorização dos jogadores
- valorização da marca (e montra) FC Porto

A capacidade financeira gerada, colocou-nos muito à frente de Sporting e SLB e, em certa medida, gerou um efeito bola de neve que dura até hoje.
Ou seja, conforme foi referido pelo Zé Rodrigues, não fossem as verbas encaixadas em 2004 e dificilmente teríamos arcaboiço financeiro para contratar jogadores como Diego, Lucho, Lisandro ou Anderson.

Zé Luís disse...

"Hoje em dia praticamente só temos jogadores contratados no plantel; daí q seja muitíssimo mais importante ter ou não sucesso na política de contratações".

José Rodrigues, o the turk antecipou-se-me. As condições eram muito diferentes. Havia um limite de estrangeiros a contratar e felizmente, nessa altura, tivemos a melhor safra de sempre na formação. Lembro-me de equipas do FC Porto que jogaram só com portugueses em competições europeias.

Não havendo produtos da casa, tem de se procurar fora. O mercado está aberto para todos, o FC Porto não pode encolher-se ou a pensar na morte da bezerra.

Nunca pode pensar-se que o FC Porto venda por 30 milhões e vá buscar um substituto por 30 ou mesmo 15 milhões.

Depois é preciso dar tempo, a estes reforços como a outros foi dado no passado. Uns mais do que outros, todos têm as suas oportunidades.

Há dias lembrei-me que a valia do plantel, que não se deve fazer agora, está agora a ser posta à prova com a diversidade de frentes para actuar.

A eliminação embaraçosa da Champions com Adriaanse deveu-se a:

- não haver referências de balneário/mística no plantel?
- os reforços não prestavam?
- os estrangeiros que já cá estavam eram uma nulidade?

Já sabemos que, em especial na Champions, o Farias é uma nulidade, o Bolatti ajuda pouco e o Mariano não é decisivo. Mas podem ajudar na Taça da Liga e na Taça de Portugal, em jogos da Liga até.

Esses acabaram por ser úteis na parte final da época passada na Taça de Portugal e nalguns jogos do campeonato.

Para mim ainda é cedo para "invalidar" vários nomes, conquanto não esteja satisfeito com o rendimento de alguns.

Não vejo, aí ainda é pior, que por estarmos a 2 pontos do Leixões e Nacional esteja a fazer-se um balanço definitivo e a sentença de morte sobre alguns reforços.

Eu acho que é uma questão de confiança que tem afectado todos e a sorte não tem ajudado praticamente ninguém.

Podíamos ter ganho perfeitamente os 5 primeiros jogos. Se calhar, com vantagem pontual mais dilatada na liderança, a inserção dos reforços seria melhor e as coisas não "queimariam" como sucedeu no sábado.

E a forma tonta como sofremos os golos, um de canto, outro na sequência de um livre e mais um depois de um lançamento lateral (tal como no golo mal anulado ao Leixões), não significa que os jogadores foram batidos em futebol corrido, mas estão desatentos e desorganizados.

Uma boa organização esconde sempre muitos defeitos.

Será o que melhor espelha a realidade da SAD na gestão, seja da sociedade seja só e,m matéria de contratações.

p.s. - apreciei muito o seu trabalho, não pense que o desvalorizo em nada; apenas não serve para tirar conclusões e quanto às avaliações estão praticamente de acordo com o que acho.

José Rodrigues disse...

"Para mim ainda é cedo para "invalidar" vários nomes, conquanto não esteja satisfeito com o rendimento de alguns."

Assinalo que dei a nota de "dúvida" a todos os reforços deste ano excepto a um: Benitez (F). Logo se há alguém que não começa a invalidar nomes de forma peremptória (a la MST, por exemplo), eu sou certamente um deles.

No caso do único que chumbei, Benitez: até pode ser q ele ainda venha a surpreender-me (o q seria óptimo), mas sinceramente acho extremamente improvável que esta não tenha sido uma contratação falhada daí arriscar o vatícinio já agora.

Armindo disse...

Os meus parabéns pelo excelente post.

É isto que me faz sossegar os meus 44 anos de PORTISMO!

Críticos, mas construtivos!

Mais uma vez, Parabéns!

Paulino disse...

bem, 8 milhoes de LUCRO exercicio final de epoca 07/08....contas que levam a contratação de grandes futebolistas...americanos