segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Tivemos o que merecemos

Desta vez começámos bem o jogo, mas só durou uns 15 minutos em que estivemos muito bem, que foi exactamente o tempo em que Lucho foi mesmo “El Comandante”, pautando todo o jogo do FCP, desta vez mais sobre a esquerda. Meireles postou-se, desta vez, do lado direito e creio que esse posicionamento teve mais a ver com as características do defesa de cada um dos lados. Pedro é um defesa esquerdo para fechar ao centro. Ora num jogo que era preciso construir e atacar, terá levado JF a colocar desse lado o nosso melhor play maker para equilibrar o flanco em termos qualitativos, apoiar as transições ofensivas de Rodriguez e colaborar nas missões defensivas junto do nosso defesa esquerdo, já que tacticamente é um jogador muito evoluído.

Lucho foi perdendo fulgor e a equipa rapidamente foi-se banalizando: não entrámos praticamente na grande área adversária, a não ser na sequência de bolas paradas. Aliás, nessa primeira parte todas as jogadas perigosas partiram de remates de meia distância e a melhor oportunidade saiu de um ressalto de bola, a partir da marcação de um canto, que sobrou para Bruno Alves que atirou por cima da barra.

Na 2ª parte entrámos bem, jogámos com mais intensidade, mas os lances de perigo raramente saíram de forma fluente. Mais uma vez fomos uma equipa muito intermitente. Não conseguimos desmontar o bom sistema do Marítimo, e assim torna-se muito difícil ganhar. Aliás, foi o Marítimo que nos colocou ainda mais problemas ao meter Djalma a jogar sobre o flanco direito do seu ataque.

Tivemos algumas oportunidades, mas tive sempre a convicção que só ganharíamos através de um golpe fortuito, pois nunca nos mostrámos suficientemente fortes para vencer os três centrais e raramente fomos capazes de atacar pelos flancos de forma a criar verdadeiro perigo.

A entrada de Mariano deu um safanão no jogo – entrou com vontade e tomou iniciativas – mas mais uma vez o FCP tentou de forma individualizada chegar à vitória. Colectivamente não fomos competentes e não me lembro de uma transição rápida capaz de colher o adversário em desvantagem.

Hulk não resolve sempre e pareceu-me menos possante (fadiga, talvez), Lisandro esteve longe do seu melhor e Rodriguez foi o mais perigoso, mas pelo bom aproveitamento nos lances aéreos.
Contra este tipo de equipa só jogando com alta intensidade e uma pressão permanente se pode desfazer a muralha.

Claro que um lance genial ou um lance feliz pode resolver um jogo, mas tal como nos desafios anteriores que vencemos, continuo a achar que o FCP está longe de ser uma equipa forte colectivamente, e hoje se tivemos oportunidades de golo poderia dizer que o adversário também as teve e não foram tão poucas.

Acho o empate justo, uma má arbitragem que não teve influência no resultado, mas que ajuda a este futebol empastelado, cheio de interrupções, repetições, admoestações e uma dualidade de critérios que acaba por beneficiar quem joga para não perder. Uma arbitragem antipática e conflituosa, num jogo difícil em que o árbitro quis ser o principal protagonista.

Como nota final, não entendo a entrada de Farías tão perto do fim do jogo, e mais uma vez lamento um Lucho tão ausente na fase de construção. Creio – a não ser que Meireles estivesse estourado – que talvez fosse mais acertada a saída de Lucho.

Pedro Emanuel a defesa esquerdo num jogo como este, diz bem do desequilíbrio do nosso plantel.

Este era um jogo para ganhar nesta viragem do ano. Mais uma vez não ganhámos um jogo tão importante, num momento decisivo. Os 40.000 adeptos mereciam um melhor espectáculo, um jogo mais entretido e um melhor resultado. Fica para a próxima.
E por favor, tenham um BOM NATAL!

8 comentários:

Nelson Carvalho disse...

Concordo com muito do que o meu Caro Mário refere na sua crónica. Se é um facto que a equipa está mais estabilizada, tambem é verdade que sente aqui e acolá algumas dificuldades para desmontar as defesas adversárias, por intermédio de uma forte organização colectiva.

Dito isto, acho que FC Porto já venceu um bom punhado de jogos esta temporada a jogar menos do que ontem. Quando o adversário se mostra bem organizado, e os elementos mais dinamicos do Porto por seu lado não estão particularmente inspirados, evidentemente a euipa sente muitas dificuldades.

Na partida de ontem tambem ficou vincado que para alem de termos defesas laterais limitados, não têm projecção ofensiva. E é muito importante nestes jogos as equipas terem defesas laterais que saibam subir e acompanhar as investidas dos alas para criar desiquilibrios nas defesas contrarias.

Foi um empate que não veio numa grande altura. Mas o futebol é assim mesmo.

José Correia disse...

«Lucho foi perdendo fulgor e a equipa rapidamente foi-se banalizando»

Este é um dos problemas da equipa. Quando o Lucho não pode jogar, está em gestão de esforço ou, simplesmente, em menos boa forma (o que esta época tem acontecido frequentemente), pura e simplesmente não há alternativas.
No plantel actual, o que mais se aproxima de poder desempenhar as funções do Lucho é o Guarin mas, convenhamos, ainda está longe de ser uma alternativa credível.

José Correia disse...

«Tivemos algumas oportunidades, mas tive sempre a convicção que só ganharíamos através de um golpe fortuito, pois nunca nos mostrámos suficientemente fortes para vencer os três centrais e raramente fomos capazes de atacar pelos flancos de forma a criar verdadeiro perigo.»

Este é outro dos problemas do plantel actual. Não tem extremos de qualidade em boa forma que, entrando de inicio ou a meio do jogo, consigam alargar o jogo de ataque da equipa, obrigando as defesas contrárias a abrirem espaços.
Na época passada tínhamos o Quaresma e o Tarik na sua melhor forma. Esta época nem um, nem outro. Sobra o Rodriguez, que não é um extremo e tem uma tendência natural em descair para o meio e o... Mariano!

José Correia disse...

«não entendo a entrada de Farías tão perto do fim do jogo»

E teria valido a pena que o Farias entrasse mais cedo?
Desde que cá está, quantos jogos complicados é que o Ernesto ajudou a resolver?
Ora deixa cá ver... zero?

O Adriano não é um ponta-de-lança fenomenal mas, ao contrário do Farias, foi muito útil em jogos como o de ontem, em que a partir de determinada altura do jogo se exigia um ponta-de-lança mais fixo, com capacidade para lutar e ganhar bolas de cabeça aos centrais do Marítimo.

Sinceramente, o que eu não entendo é que um jogador como Farias faça parte do plantel e o Adriano tenha sido arrumado.

José Correia disse...

«Pedro Emanuel a defesa esquerdo num jogo como este, diz bem do desequilíbrio do nosso plantel»

O plantel actual tem alguns problemas, mas a questão dos defesas laterais é gritante.
Já muito foi dito e escrito sobre este assunto e, por isso, não vale a pena dizer muito mais, tão óbvia é a realidade do plantel do FC Porto neste aspecto.
Digo apenas que, para mim, será absolutamente incompreensível se a SAD não aproveitar a reabertura do mercado em Janeiro para resolver, ou pelo menos tentar minimizar, este problema.

C disse...

Bem, digamos que se o FCP jogar em todos os restantes jogos como ontem o fez, certamente irá ser campeão.

Globalmente foi um bom jogo, e só não houve golos (para ambos os lados) por mero capricho da sorte.

O que falta para darmos uma maior dimensão ao nosso jogo (indispensável, por exemplo, numa Champions League)?
Um novo meio-campo, como não me canso de dizer, há já uns anitos largos.
É pois, novamente, aquela velha conversa do "sistema-Jesualdo não prever um médio ofensivo".
É aqui que está o fulcro dos problemas que temos ainda que resolver.
Isto porque a raça e a determinação ontem estiveram lá.

Face a isto, a questão dos laterais aparece num plano secundário. Não é por aqui que se ganham ou perdem campeonatos.

Quanto aos extremos, não entendo em quê exactamente as pessoas se baseiam para categoricamente afirmar que o Tarik está em má forma. Não vi nada disso em Cinfães: sempre que lhe chegava jogo em condições mínimas, ele criava perigo, como habitualmente faz.
Julgo que, a este propósito, as pessoas estão a confiar cegamente na opinião de uma única pessoa: Jesualdo Ferreira.

Ora, já vimos que em relação a Hulk e Guarín, o professor foi um pouco lento de raciocínio...

Mefistófeles disse...

Não vi o jogo, só ouvi o relato.

Mas do que ouvi, fiquei com a sensação que o Marítimo estacionou o autocarro à frente da baliza ( não obstante as bolas na trave ).

Compreensível, depois de ter encaixado 9 golos da 2ª circular. A minha leitura é que não fomos assim tão maus. Saiu-nos a fava...

Vicent Russell disse...

Além das óbvias diferenças técnicas entre a equipa do Arsenal e do Marítimo, ressaltou outra, prejudicial ao Porto: o Marítimo jogou com o bloco defensivo bem recuado...Ainda vale a pena, nestes jogos, fazer a apologia das transições rápidas?O Jesualdo que vá treinar uma equipa que dispute a permanência,onde a sua filosofia deve triunfar...But, then again (leia-se aqui a crítica à política de contratações,que não resolve posições cronicamente bem débeis) a culpa é da Administração...