sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Dicionário do Sistema - King, Howard

King, Howard – No dia 28 de Dezembro de 1995, o jornal “A Bola” reproduziu uma entrevista dada ao News of the World pelo ex-árbitro internacional inglês Howard King, onde o mesmo revelou ter recebido favores sexuais em Lisboa, oferecidos por Sporting e Benfica nos dias que antecederam jogos destas equipas para as competições europeias.

O primeiro caso passou-se em 1984, num jogo entre o Sporting e o Dínamo de Minsk. Na noite anterior, afirmou King, foi levado a um clube, em Lisboa onde, segundo o próprio, “se encontravam muitas raparigas das mais belas e bonitas”, tendo-lhe sido dada a possibilidade de escolher a que ele desejasse (o que veio a suceder).

O segundo caso ocorreu em 1992, para um jogo entre o Benfica e o Sparta de Praga. Segundo o próprio Howard King, dessa vez, para além da rapariga que esteve com ele, “o valor dos presentes que me enviaram excedeu em muito o limite de 40 libras a que estamos autorizados”.

Que me recorde, estas afirmações do ex-árbitro inglês nunca foram negadas pelo Sporting e Benfica.

Que me recorde, este caso não motivou qualquer processo disciplinar por parte da FPF, ou da UEFA.

Apesar de, pelos vistos, em Lisboa haver “fruta” de alta qualidade à disposição dos árbitros (desde os anos 80!), também não consta que o Ministério Público tenha algum dia demonstrado qualquer interesse neste caso.
Porque será?
Talvez por acharem que é tudo tão claro, tão óbvio, que nem vale a pena investigar...

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Assistências no Dragão - parte I

O FC Porto teve ontem a assistência mais baixa de sempre no Dragão num jogo oficial (12mil) - e já lá vão cerca de 100 jogos oficiais. Isto apesar da equipa estar claramente na "mó de cima" (ao contrário por exemplo da época 2004/05).

No campeonato a média é de 38mil até ao momento (atrás do slb com 43mil), equivalente a 73% da capacidade do estádio; recentemente a tendência tem sido para descer, com 32mil contra o Leiria e 31mil contra o Paços de Ferreira.

Isso leva a uma reflexão sobre o tópico das assistências - este artigo específico é dedicado a uma análise comparativa FC Porto - slb, e à desmistificação de um lugar comum: o mito de que o slb tem a obrigação de meter mais gente no estádio.

Premissa nr 1: Lisboa tem muito mais gente do que o porto

Sim, o grande Porto tem menos gente que a grande Lisboa (mas a diferença não é tão grande como isso: 1,4 milhões contra 1,9milhões) - mas a % de portistas no grande Porto é maior que a % de lamps na grande Lisboa (onde têm a "concorrência" do SCP). Segundo as sondagens mais credíveis que vi o Porto tem 65% dos adeptos no Grande Porto, enquanto o slb não passa dos 45% na grande Lisboa.

Ou seja: fazendo as contas, tanto um como outro clube terão uns 900mil adeptos na sua "base".

O que, diga-se de passagem, é uma base de adeptos mais do que suficiente para se poder encher um estádio de 50 ou 60mil regularmente (não me parece que um objectivo de 5% de adeptos a menos de 30min de distância a aparecerem no estádio seja demasiado ambicioso). É preciso é que se criem as condições certas (como as horas dos jogos, a flexibilidade nos lugares anuais de forma a poder trazer-se um amigo, etc), não é só com campanhas de charme que lá vão. Essa é que é essa.

Premissa nr 2: o estádio da Luz tem maior capacidade

A lotação do estádio só interessa nesta comparação caso o Porto tivesse um excesso de procura em muitos jogos. Ora o estádio muito raramente enche ou fica perto disso, logo também não será por não termos um estádio de 65mil que não temos maiores assistências (e o slb só beneficia disso verdadeiramente nos clássicos, i.e. 2 jogos em 15 - este ano só por uma vez teve assistências acima dos 52mil, a capacidade do Dragão).

Outros factores

Acessibilidades? No mínimo são tão boas no Dragão como na Luz (estradas, Metro, estacionamento). Este factor é irrelevante na comparação.

O "desconto" que se pode dar é no poder de compra (mais alto em Lisboa). No entanto, tanto quanto sei os preços na Luz são mais altos do que no Dragão - logo também não é por aí que temos desculpa para termos menos assistências.

No campeonato o slb tem uma média de 43mil e o Porto 38mil, apesar de estarem a fazer uma campanha muito pior do que a nossa (tanto ao nível de resultados como em exibições - tenho amigos benfiquistas com lugar anual que deixaram de ir aos jogos, tão desgostados/revoltados estão com as exibições em casa). Não quero pensar como seria ao nível de assistências se fosse ao contrário...

Concluindo: penso pois que se impõe um certo número de medidas para atrair mais espectadores ao Dragão: seja pelo apoio, seja pela fidelização, seja pelas receitas. Mas isso será assunto para outro artigo.

(a continuar)

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O Jornalismo Desportivo

A TV mudou, não tanto na programação desportiva que sempre se pautou por uma grande mediocridade e por dar um tempo de antena excessivo ao clube do regime. Recordo Alves dos Santos, o primeiro comentador residente na RTP. Depois seguiram-se muitos outros, quase todos vulgares. Saídos da rádio, nem todos souberam fazer a ponte para a TV.
Apesar disso, os programas desportivos atraíam vastas audiências, porque não havia directos, que é uma realidade relativamente recente. O que pecava por diferença, peca, hoje, por excesso. O futebol ajustou-se à força da TV, porque não consegue subsistir sem essa receita. Pode ser que a cura seja pior que a doença. Lá mais para diante, saberemos!

De resto, a TV no desporto tal como na restante programação sujeita-se ao império das audiências. E transmite (vende) mais o SLB em função dos tais 6 milhões. Tudo roda à volta do clube do regime, não pelos êxitos desportivos ou em função do valor competitivo, mas em função do prestígio da marca e do valor exponencial de penetração junto dos consumidores. É o que dizem! E a divulgação massiva da marca SLB multiplica-se de forma sistemática, pois o modelo tem de reproduzir até à náusea os valores de um passado majestático que jaz morto e apodrece, pois não tem sustentação em vitórias desportivas, internas ou externas. E, sendo assim, serve-se a bondade e as glórias do passado e denuncia-se os horrores do presente.

A Comunicação Social para cumprir o seu papel reverentemente, teve de virar a informação em propaganda, para salvar a “coroa” do império e vender a promessa que a marca SLB, equipada e armada segundo a versão pós-moderna de Vieira, há-de regressar a galope numa águia e aterrar pela sua mão na Catedral, a fim de recuperar o fausto do antanho.

Num país excessivamente centralizado à volta da capital, só uma RTP vocacionada para um serviço público que equilibrasse os desvios que o oportunismo comercial apoia, poderia moderar essa obsessiva tendência em fazer propaganda a propósito de tudo e de nada a favor do clube do regime que ”obriga”, por outro lado, que todos os outros se tenham de contentar com as migalhas a que têm direito e os melhores se vejam diabolizados por ousarem concorrer e ser melhores no plano interno e externo.
Mas, a nossa RTP não está para aí virada, como comprova a forma como os clubes de Lisboa têm sido tratados na taça UEFA e como o foi o FCP.

Não sendo um consumidor habitual de rádio, bastou-me ouvir o relato da Antena 1 do Souzense-FCP para concluir que até o cheiro é o mesmo. Os locutores de serviço repetiram mais de uma dúzia de vezes que tinha havido um grande penalidade indiscutível contra o FCP e nem uma vez referenciaram que nos tinha sido anulado um golo por pretenso fora de jogo, em lance mais que duvidoso.

A Imprensa parece-me, apesar de tudo, ser o segmento que melhor trabalha o desporto e o futebol, com excepção do Record que é um jornal, declaradamente, anti-FCP que assume como um posicionamento estratégico. Só por histerismo ou fanatismo se pode compreender que o FCP esteja “proibido” de aparecer na capa desse jornal. O Correio da Manhã segue o guião: vale tudo desde que seja para denegrir o FCP. É uma bandeira do grupo Cofina, que exibem sem pudor. Uma vergonha!

Não prevejo que o futuro vá ser melhor. Ou será? O poder da informação – muito particularmente no âmbito desportivo – segue os poderes dominantes. O poder atrai o poder e abundam, lamentavelmente, na actividade os incapazes e os capazes de tudo. Mas, a esperança é a última a morrer e quero acreditar que um dia possa ser melhor. Aliás, é tão mau o panorama, que só pode melhorar.

O Porto nas meias finais

O jogo para a taça de Portugal entre o FCP e o Gil Vicente foi mauzinho. Com um meio campo fraquinho, com o ZBo em ritmo de treino, com Lino mole a defender e pouco inspirado a atacar, com Mariano longe da ala, com Kas demasiado lento e com o Helder excessivamente individualista e pouco entrosado, pressionámos pouco, atacámos sem sufocar e criámos poucas ocasiões de golo. Sobrou o Paulo sempre muito atento, o Tarik mexido mas algo perdulário e Farías activo, mas com pouca bola.
Os centrais estiveram regulares e o Nuno sempre muito atento, fez algumas defesas valiosas. Na 2ª. Parte com a entrada de Lucho melhorámos consideravelmente, perdemos alguns golos e falhámos demasiado o último passe.
Depois, o jogo foi caindo no marasmo e foi com um imenso bocejo que o vimos até ao final. O apito derradeiro foi talvez o momento mais agradável desta fase do jogo.

Como nota final, queria referir que a arbitragem foi péssima. Do tipo “Robin dos Bosques”: roubar aos ricos para dar aos pobres. O Gil Vicente – arrumadinhos, mas pouco mais – seguiu uma estratégia que resultou na perfeição: ao mais suave encosto de um jogador do FCP, atiravam-se imediatamente para o chão para ganhar a falta e, por esta via, chegar junto da área do FCP, pela via mais rápida. Foi uma sucessão de faltas que os gilistas aproveitaram para se aproximar. E não me lembra uma vez em que o árbitro não tivesse deixado de apitar, ainda o jogador adversário não tinha chegado ao tapete. O FCP, diga-se, não soube evitar e contrariar este jogo de repelões na procura da falta permanente do Gil. Nem no Basquetebol actual, o contacto pessoal teria sido tão castigado.

O bandeirinha do lado Poente deu um autêntico festival. Um autêntico show man da bandeira. O Gil Vicente tinha passaporte para entrar em todos os domínios e na jogada mais perigosa que fez, fiquei com a ideia que o jogador adversário estaria em posição flagrante de fora de jogo.
Na 2ª. Parte com o FCP a atacar procedeu de forma inversa: tirou uma série de foras de jogo que nos deixaram imensas dúvidas. Gostaria de rever essas jogadas, mas provavelmente não estarão filmadas.

Jogo pobre, vitória justa, arbitragem péssima e irritante por tanta apitadela, num jogo fácil.

Dicionário do Sistema - João Rodrigues

João Rodrigues – Ex-dirigente do Benfica, presidente da Federação entre 1989 e 1992, João Rodrigues ocupou também altos cargos na FIFA, designadamente nas comissões de disciplina e justiça.

Considera Pinto de Sousa um dos "cinco amigos" que possui no futebol e várias escutas do processo ‘Apito Dourado’ demonstram que os árbitros para o Benfica eram combinados com João Rodrigues, a quem Pinto de Sousa telefonava regularmente para que fosse ele a contactar Luís Filipe Vieira, no sentido de se acertar qual o melhor árbitro para os encontros. Exemplos no processo ‘Apito Dourado’ da existência dessas conversas abundam.

Pinto de Sousa: “Eu precisava de uma ajudinha. Amanhã, ao meio-dia tenho de escolher os árbitros internacionais para a taça. [...] Precisava de dois nomes de árbitros que o Benfica considerasse.”

João Rodrigues: “Eu vou ligar ao Luís Filipe.[...] Já lhe ligo”.


O que disseram João Rodrigues e Luís Filipe Vieira nas conversas que tiveram entre si?
Não está documentado, visto que o Procurador de Gondomar (na altura detentor do processo) entendeu que não se justificava colocar os respectivos telefones sob escuta.

Também há exemplos de conversas entre Valentim Loureiro (eleito para a presidência da Liga com o apoio do Benfica) e Pinto de Sousa, em que este procura justificar a razão de não poder escolher os árbitros pretendidos pelo Benfica:

Pinto de Sousa: “A única coisa que eu tinha dito ao João Rodrigues é o seguinte... É pá, há quinze [dias] ou três semanas, ele perguntou-me: Quem é que você está a pensar para a Taça?... Eu disse: Estou a pensar no Paraty...”

Valentim Loureiro: “Bem, o gajo [LFV] está f... (...) O Paraty então não consegues, não é?”

Perante tamanhas evidências, é inexplicável porque razão João Rodrigues, Luís Filipe Vieira e também José Veiga nunca tiveram os seus telefones sob escuta.
Não admira, pois, que haja cada vez mais razões para suspeitar, que o ‘Apito Dourado’ é um processo «ad hominem» e que os alvos da “caça” estavam (estão!) todos no Norte.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Já tem Mestrado, mas sem contrato renovado...

Jesualdo Ferreira celebrou este fim de semana, com uma vitória, o seu 50º jogo para campeonato a comandar o FC Porto, que coincidiu com mais um tropeção do rivais directos, estendendo definitivamente a passadeira para o Tri azul e branco, dois com a marca do Professor. E foi, também, neste mesmo final da semana passada que Pinto da Costa acedeu pela 1ª vez abordar de forma ligeira, em entrevista à SIC, a eventual renovação de contrato do treinador.


Por entre elogios e louvores, elevando inclusive o Professor ao patamar de Mestre, Pinto da Costa lá foi dizendo que “não vê razões para não renovar”. Certo, porem, é não ter sido taxativo se vai mesmo avançar para a dita renovação de contrato, o que poderá ser interpretado como uma cautela sobre algumas névoas que ainda pairam nesta situação.


A passagem de Jesualdo pelo FC Porto tem sido marcada pelo sucesso desportivo, cumprindo em quase toda a linha os objectivos propostos, onde apenas a eliminação da Taça de Portugal na época passada e da Taça da Liga já este ano, perante equipas de escalões inferiores, mancham o seu percurso. Ficam no entanto em destaque o Título do ano passado, a tremenda vantagem do campeonato deste ano e as boas campanhas Europeias.


Contudo e apesar dos exitos conseguídos neste ultimo ano e meio, das palavras de circustancia de Pinto da Costa, os sinais de alguma insegurança vindos do interior da SAD Portista são notórios, bem como notória é a falange assinalável de adeptos Portistas, que não se agrada com a forma de jogar da equipa e, olha de soslaio para a capacidade do Professor em fazer do Porto um conjunto ainda mais forte.


Mesmo estando longe de ser um treinador de Top, tem sido capaz de gerir a equipa de forma criteriosa e equilibrada. É, após Mourinho, o técnico que conseguiu dar maior estabilidade a este Porto, com tudo o que isso acarreta quer no campo desportivo, quer no campo da gestão do plantel (onde é visivel uma maior aposta na continuidade do nucleo base dos jogadores, ao invés das constantes mudanças que existiram ate à chegada do Professor) e, isso, por si só, já é um grande ganho para todos. Olho em redor e não vejo um treinador em Portugal que se possa dizer que encaixaria melhor no FC Porto e, do estrangeiro é sempre um tiro no escuro, excepção aos consagrados (mas esses são muito caros para nosso carteira).


Da minha parte prefiro a renovação de Jesualdo Ferreira apostando em alguém que já conheço e sei do que é capaz, do que embarcar numa aventura com um outro qualquer treinador, que por muito boas indicações que tenha, quererá sempre impôr novas ideias, metodologias e tambem exigirá, quiça, outro tipo de jogadores.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Da Dimensão Ética do Assobio

Vou ao futebol desde meados dos anos 60 e já perdi a conta ao número de jogos a que assisti, tanto em Portugal como até em Inglaterra. Além de outros aspectos, há um que distingue claramente os adeptos nos dois países: a mania do assobio ou do apupo.

Não que em Inglaterra se não apupe a nossa equipa, mas isso é, regra geral, deixado para depois do derradeiro siflo do senhor árbitro. Então sim. Se houve uma exibição vergonhosa ou, pior, se esta vem na sequência de outras desgraçadas demonstrações quejandas, eis que surge das bancadas, não um côro de assobios - que os ingleses não sabem assobiar - mas sim um soturno eco de "uuuuuu", audível várias centenas de metros à volta do estádio.

Em Portugal a coisa é diferente. Somos todos treinadores de bancada e - pior - temos uns elevadíssimos padrões de exigência (para com os outros, claro). Vai daí, chega-se de hoje em dia ao cúmulo e ao absurdo de se assobiar um jogador que erra um passe aos 5 minutos de jogo ou, coisa inacreditável, só por ouvir o seu nome na linha inicial.

Mas recentemente esta praga dos assobios por tudo e por nada (atribuídos por alguns a uns tais "pipoqueiros", suposta nova espécie de adepto do futebol) deu origem a um caricato episódio em torno do nosso craque Ricardo Quaresma. Devido a uns seus "exageros" ou "displicências", os pipoqueiros (mas não só) tê-lo-ão assobiado de modo que apenas deveria ser reservado para o Sr. Lucílio Baptista e seus émulos. O visado reagiu dizendo que se calhar daqui a uns meses já cá o não teriam para assobiar, declaração que posteriormente esclareceu referindo que iria naturalmente de férias (o que pressupõe que haverá pipoqueiros que se deslocam ao Estádio do Dragão no defeso para assobiarem quem está de férias: estes pipoqueiros são capazes de tudo, de facto). Saíu depois à praça o Dr. Fernando Póvoas, salomonicamente criticando assobiadores e assobiado, e a coisa parecia ter ficado sanada. Mas eis senão quando, a SAD do FCP emite um comunicado em que o desamparado Dr. Póvoas é, por assim dizer, "posto no seu lugar", que isto de criticar pipoqueiros não é para qualquer um na severa estrutura da dita SAD. E mais, até o próprio presidente ao assunto se referiu, aparentemente num editorial na revista "Dragões", chegando a apelidar esses assobios de encomendas. Num conhecido forum de portistas que por vezes leio anda uma discussão semântica em torno dessa referência pouco subtil do habitualmente muito subtil Jorge Nuno Pinto da Costa, havendo até quem por lá defenda a dimensão ética da crítica emanada da presidencial pena.

O que me leva a concluir que, para alguns, o irritante e cavernoso fulano sentado ao nosso lado nas bancadas do Dragão que passa o jogo a criticar tudo o que equipa de azul-branco e que assobia sempre que as coisas nos não saem bem, muito mais do que um portista doente que não enxergou ainda a melhor maneira de apoiar a sua equipa, é uma execrável criatura eticamente deficiente.

Os adeptos passam assim a distinguir-se pelo nível "ético" do seu procedimento e não, no que a manifestações como os assobios diz respeito, pela sua maior ou menor emotividade ou melhor ou pior feitio. Um portista "como deve ser" não assobia os próprios jogadores, não pelo que de desagradável e contra-producente isso encerra, mas pela fealdade moral do acto. Meditemos...

Quem não chora, não mama

Devido ao castigo do treinador do Paços de Ferreira, o adjunto Jorge Mendonça assumiu o “protagonismo” de dirigir a equipa, via instruções de telemóvel, e teve também direito aos seus cinco minutos de glória, ficando encarregue das declarações no final do jogo.

Primeiro, no flash interview, perante as câmaras da SportTV, começou por afirmar o seguinte:

«No futebol não há momentos bons para sofrer golos, mas aquela altura, quando sofremos o primeiro, foi mesmo muito má. Depois, logo a abrir a segunda parte, sofremos o segundo. Dizem-me que era fora-de-jogo e complicou muito para nós. (...) O Paços de Ferreira esticou-se, correu riscos e o FC Porto, naturalmente, aproveitou. Marcou outra vez e podia ter marcado mais golos...»

Entretanto, alguém lhe deve ter dito que tinha “chorado pouco” e que na situação periclitante em que está o Paços de Ferreira tinha de berrar muito mais. Assim, chegado à sala de imprensa o tom já foi outro e afirmou o seguinte:

«Tivemos o azar de todos os foras-de-jogo mal assinalados terem sido fundamentais. Em foras-de-jogo mal assinalados também perdemos seis ou sete a um, mas tivemos azar sobretudo no fora-de-jogo mal assinalado que dá o segundo golo do F.C. Porto. Naturalmente acontecem erros, mas esse foi um grande azar».

A gente ouve uma mentira destas e até duvida se ouviu bem. Mais. O pobre adjunto disse esta enormidade sem se rir, como se estivesse a falar a sério (até me fez lembrar as entrevistas que o Vale e Azevedo dava à SIC...).

De facto, na jogada que antecede o segundo golo de Lisandro, Farias quando recebe a bola está milimetricamente adiantado em relação ao último defesa do Paços de Ferreira.
Mas se alguém se queixa desta jogada, como pode ignorar três outros lances semelhantes, em que foi erradamente assinalado fora-de-jogo ao ataque portista (uma vez a Tarik e duas a Lisandro), em situações em que os avançados do FC Porto estavam claramente em jogo (mais de um metro)?

E o que dizer da impune agressão de Furtado a Raul Meireles, aos 73’, quando o jogador pacense atingiu deliberadamente o médio portista com o cotovelo?

Percebe-se a intenção do Paços de Ferreira – quem não chora, não mama – mas é inconcebível vir queixar-se da arbitragem num jogo em que foi claramente beneficiado.

Cavalgando em cima destas declarações, alguma comunicação social optou por ignorar todos os lances em que os árbitros ajuizaram em prejuízo do FC Porto, fazendo de conta que nunca existiram (veja-se a forma como foram seleccionadas e comentadas as imagens dos resumos do jogo) e repetindo 33 vezes as declarações do adjunto do Paços de Ferreira...

Assim se explica a vantagem do FC Porto no campeonato português...

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Tango no Dragão

"It takes two to Tango", como se costuma dizer e hoje, no Dragão, tivemos 3 vezes Tango. Como? Os 3 golos argentinos tiveram 3 assistências... argentinas!

Se Lucho e Lisandro já estavam entre os principais protagonistas das boas exibições do FC Porto, hoje a eles se juntaram mais dois argentinos, Farías e Mariano, com uma assistência e um golo, respectivamente.

Mesmo assim não estivemos nada bem no início deste jogo. Conforme acabou por admitir o próprio mestre (leia-se Jesualdo, mas com minúscula porque Mestre com maiúscula só há um, José Maria Pedroto) na conferência de imprensa, a equipa ressentiu-se psicologicamente da derrota na Alemanha. O Paços quis, de certa forma, imitar a forma de jogar do Schalke, entrando com um pressing alto e intenso e o meio campo bem povoado. Essa estrutura solidária, bem montada, conseguiu travar o nosso jogo durante pelo menos a primeira meia hora (salvo erro o nosso primeiro remate à baliza "on target" aconteceu aos 18 minutos). Depois começámos a jogar com maior objectividade e sem surpresa conseguimos o golo em cima do intervalo, depois de algumas jogadas de perigo para a baliza pacense (já tínhamos atirado uma bola ao poste).

Pelo meio da primeira parte vimos ainda um Paços igual a si próprio no Dragão, a usar e abusar de perdas de tempo com lesões simuladas e demoras na reposição da bola em jogo, com o objectivo de prolongar o empate e enervar o FC Porto. O golo veio dar justiça ao resultado e obrigou os pacenses a correrem atrás do prejuízo.

Na 2ª parte mudou tudo, com ênfase na atitude e objectividade dos nossos jogadores. E aí começou o espectáculo dos golos falhados, com Tarik e depois Farías a falharem isolados cara a cara com o guarda-redes. O lado direito do ataque do FC Porto esteve em destaque com os centros para a área de Tarik, Bosingwa, Farías(!) e Lucho.

Lisandro é o nosso grande ponta de lança e, apesar de deslocado dessa posição devido à presença de Farías, continua a facturar em todos os jogos. Farías, lento até dizer basta, recebe a bola, ajeita-a, dá-lhe mais um adorno e quando chega a hora de rematar já está com 1 ou 2 adversários em cima. Tem de ser bastante mais rápido a executar e deve convencer-se de que já não está na Argentina. Ainda bem que o Mariano finalmente marcou um golo. Pode ser que agora não se sinta tão desmotivado e comece a mostrar o que vale, porque até aqui mostrou ainda muito pouco.

A entrada do Helder Barbosa foi importante para a sua afirmação no seio da equipa. Se há jogos bons para se fazerem "testes" este era um deles. Tenho a ideia que não é contra um grande na Liga dos Campeões ou para "surpreender" os de Lisboa que devemos fazer experiências na equipa titular. As inovações devem ser feitas com equipas fracas e em casa preferentemente.

O árbitro, para não variar, foi habilidoso contra o FC Porto. E os seus fiscais de linha coitadinhos, tal a sua prestação medíocre: desde os inúmeros erros na decisão dos lançamentos laterais até ao fora de jogo mal tirado a Lisandro. Um jogo fácil e uma arbitragem tão fraca.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

O perito do Apito Dourado

Na rubrica “O árbitro d’O JOGO”, assinada por Jorge Coroado no jornal O JOGO de 19/02/2008, este ex-árbitro de Lisboa e actual comentador de arbitragem em vários órgãos de comunicação social, analisou em detalhe a arbitragem de Pedro Henriques no Marítimo – FC Porto, tendo seleccionado os seguintes quatro lances duvidosos:

- um vermelho que terá ficado por mostrar a Lisandro, por suposta conduta violenta sobre Mossoró;

- em vez de um lançamento lateral, deveria ter sido assinalado um livre directo contra o FC Porto (no mesmo local do lançamento), por o Quaresma ter dado um pequeno toque em Djalma;

- uma mão na bola de Raul Meireles, que o árbitro não viu, no início de um contra ataque do FC Porto;

- rigor a mais do árbitro na mostragem do 2º cartão amarelo a Djalma, porque o “remate/cruzamento feito pelo portista foi potente, desferido praticamente à queima-roupa”.

Na opinião de Jorge Coroado, foram estes os quatro erros mais relevantes de Pedro Henriques e, conforme se constata, não há um único em que o árbitro de Lisboa tenha ajuizado em prejuízo do FC Porto.

Assim, ao contrário da opinião dos dois elementos da SportTV (Rui Orlando e José Gomes, os quais, seguramente, não podem ser acusados de serem portistas) e da generalidade dos comentadores desportivos (entre os quais destaco a opinião de Rui Santos no ‘Tempo Extra’ e de Rui Oliveira e Costa no ‘Trio d’Ataque’), Jorge Coroado não viu que, com o resultado ainda em branco, Bruno fez uma falta por trás sobre Ernesto Farias, a qual deveria ter dado origem a um penalty a favor do FC Porto e cartão amarelo para o jogador do Marítimo.

Jorge Coroado também não terá visto, ou pelo menos não considerou um erro grave, que uns instantes antes de Tarik ter concretizado o segundo golo do FC Porto, Evaldo comete um penalty claríssimo sobre Lisandro, quando este estava isolado, o que, para além de penalty a favor do FC Porto, deveria ter motivado a expulsão do defesa do Marítimo.

Mas há mais.

Na 1ª parte, num lance de ataque rápido, o Raul Meireles é completamente ceifado por um jogador do Marítimo, o árbitro deu a lei da vantagem (e bem), mas quando o jogo parou deveria ter mostrado o cartão amarelo a jogador do Marítimo. Não o fez, ao contrário do que posteriormente faria em lances semelhantes, mostrando cartões amarelos aos portistas Raul Meireles e ao Kaz.
Jorge Coroado terá visto?

Ainda na 1ª parte, o Djalma teve uma entrada por trás sobre o Fucile, perto da área do Marítimo. O árbitro viu, marcou a falta, mas deixou o cartão amarelo no bolso (seria o 2º cartão amarelo para o Djalma, que acabaria por ver, mas na 2ª parte, quando cortou um cruzamento com o braço).
Mais um lance que Jorge Coroado ignorou.

Ou seja, quem não viu o jogo e se limitou a ler as análises de Jorge Coroado, ficou convencido que o lisboeta Pedro Henriques apenas errou a favor do FC Porto, quando a realidade dos factos é bem diferente.

Mas porque razão pretendeu Jorge Coroado transmitir a ideia de que o árbitro errou muito e sempre a favor do FC Porto?

É este tipo de “isenção” que poderemos esperar de Jorge Coroado quando, no âmbito do processo Apito Dourado, for chamado a prestar declarações em tribunal, como perito de arbitragem?

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

O hino, o estádio e os adeptos

Oh, meu Porto, onde a eterna mocidade
Diz à gente o que é ser nobre e leal.
Teu pendão leva o escudo da cidade
Que na história deu o nome a Portugal.

Oh, campeão, o teu passado
É um livro de honra de vitórias sem igual
O teu brasão abençoado
Tem no teu Porto mais um arco triunfal
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto

Quando alguém se atreve a sufocar
O grito audaz da tua ardente voz
Oh, Oh, Porto, então verás vibrar
A multidão num grito só de todos nós.

Oh, campeão, o teu passado
É um livro de honra de vitórias sem igual
O teu brasão abençoado
Tem no teu Porto mais um arco triunfal
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto, Porto, Porto
Porto, Porto

O hino do FC do Porto emociona-me.
Sou daquelas pessoas que quando ouve o hino no estádio antes do jogo se levanta, estica o cachecol, e que canta o que tem gravado no coração (acompanhando Maria Amélia Canossa), com o olhar vazio de quem relembra as glórias que nos enchem de alegria.

O FC Porto tem neste hino um dos seus símbolos, que exalta não só o clube, mas também a cidade e o país. Gostava portanto de poder ver todo o estádio a entoar estas palavras, com a voz embargada, sentindo a emoção de todas as alegrias do meu clube, do nosso clube.

Um dos problemas é que a grande maioria das pessoas não conhece as palavras do hino, não quer ser uma ilha num mar de gente, ou simplesmente não se sente compelida a participar.

O FC Porto já faz a sua parte ao reproduzir nos altifalantes do Estádio do Dragão, no momento em que as equipas entram em campo. Mas podia fazer mais! Podia também passar a letras nos ecrãs do estádio, ao estilo do "karaoke", para permitir que as pessoas que ainda não o soubessem o pudessem aprender.
As claques podiam acompanhar o hino, ajudando a massificar o momento, e compelindo a generalidade dos adeptos a acompanhar.
Quem actualmente já canta o hino, deve continuar, educando as pessoas que se encontram à sua volta (a repetição e a imitação são boas formas de ensinar/aprender).

Dicionário do Sistema - Impostos SLB (II)

Impostos do SLB (II) – Em finais de 2001, o Benfica necessitava de uma certidão da administração fiscal atestando a sua situação de não devedor, com vista à assinatura do contrato com o Estado relacionado com as obras do novo estádio.
Ora, sendo a situação a já descrita, como resolver este imbróglio?
A certidão só poderia ser passada se a impugnação da liquidação estivesse conforme a lei e, para tal, o Benfica tinha de entregar garantias.

O que diz a lei?
Na impugnação, “caso não se encontre já constituída garantia, com o pedido deverá o executado oferecer garantia idónea, a qual consistirá em garantia bancária, caução, seguro-caução ou qualquer meio susceptível de assegurar os créditos do exequente”.

O que fez o Benfica?
Entregou acções da Benfica SAD, não cotadas em bolsa, num total de 20 por cento do capital.

O que fez a administração fiscal, sabendo que as acções são de valor mais do que discutível (ainda por cima quando não estão cotadas em bolsa) e que a própria lei das sociedades desportivas não permite ao Estado poder deter acções de sociedades desportivas (que seria o que aconteceria em caso de execução da garantia)?

Numa primeira reacção, passou uma certidão em que, obviamente, se referia que o Benfica não estava regular do ponto de vista fiscal.

Mas isso impediu o Benfica se assinar um contrato com o Estado, de modo a beneficiar de subsídios para a construção do novo estádio?

Não, apesar da Lei, o contrato para construção do estádio foi assinado, em Janeiro de 2002, pelo então ministro do Desporto e Juventude, José Lello.

Já com um novo governo, cujo primeiro ministro era Durão Barroso, a ministra de Estado e das Finanças, Manuela Ferreira Leite, deu o seu aval para que as acções da Benfica SAD fossem aceites como garantia para impugnação da dívida fiscal do Sport Lisboa e Benfica. A ministra assinou um despacho em que corroborou o parecer da administração tributária sobre a avaliação das acções da Benfica SAD. Dessa forma, interpretou a lei no sentido favorável ao clube, ao aceitar esses títulos como uma garantia idónea para a impugnação da dívida fiscal por parte do Benfica.

Um dos aspectos que convém salientar, é o facto do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do governo liderado por Durão Barroso, Vasco Valdez, que defendeu a “interpretação de lei” de acordo com o pretendido pelo Benfica, ser a mesma pessoa que, como advogado representante do clube, tinha negociado com o anterior governo socialista...

Como é que a administração fiscal descobriu um critério de avaliação das acções da Benfica SAD, as quais nem sequer estavam cotadas em bolsa?

Com base nas regras do imposto sucessório, avaliou os títulos não ao seu valor nominal de cinco euros, mas de 3,3 euros por acção.

O despacho da ministra Manuela Ferreira Leite colocou um ponto final no pedido do Benfica, aceitando as acções da Benfica SAD como boas e, com elas, toda a situação fiscal do clube regularizada.

Sobre este assunto, o deputado do PCP Lino de Carvalho, escreveu o seguinte em 13/06/2002:
«(...) neste caso há fumo demasiado para não se desconfiar que por detrás haja muito fogo (...) ninguém esqueceu as célebres declarações do Presidente do Benfica ao apelar na campanha eleitoral, institucionalmente, ao voto no PSD com o argumento de que se este vencesse as eleições o Benfica veria resolvidos os seus problemas fiscais. (...) é também conhecido que o advogado do Benfica no processo que começou a ser negociado com o anterior Governo é o actual Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Vasco Valdez. Demasiada coincidência!?
(...) não há nenhum caso idêntico ao nível dos contenciosos fiscais que se têm desenrolado entre os clubes e a Administração Fiscal. (...)
Porque é que podendo e devendo o Estado exigir do contribuinte em falta, e ainda por cima com um longo processo de dividas e compromissos não honrados perante o fisco, garantias mais idóneas – garantia bancária; caução ou, por exemplo, receitas dos jogos ou passes dos jogadores – aceita desde logo um património que menos sólido se apresenta, as acções. E assim sendo qual o critério da avaliação?
Não estando cotadas na bolsa, tendo a SAD Benfica um largo passivo, como se chegou aos 3,3 euros por acção?
E se no final do processo não for dada razão ao Benfica e este não tiver condições para pagar?
Como a Administração Central não pode ser accionista das SAD’s a quem vende, e porque valor, o penhor que recebeu?»

Nota: A foto que ilustra este post foi tirada no denominado “Jantar do Desporto”, realizado em Rio Maior, em 04/03/2002, durante a campanha do PSD para as eleições legislativas de Março de 2002.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Dicionário do Sistema - Impostos SLB (I)

Impostos do SLB (I) – Em 1998, o então presidente do Benfica, João Vale e Azevedo, negociou directamente com o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais o pagamento faseado das dívidas fiscais do Benfica, tendo entregue um cheque de 254 mil contos.

Contudo, em 31/10/2000 tomou posse uma nova Direcção do Benfica, liderada por Manuel Vilarinho, a qual, no início de 2001, auto denunciou uma dívida fiscal gerada entre 1998 e 2000, num valor próximo dos três milhões de contos (15 milhões de euros!).

«(...) durante os anos de 1998, 1999 e 2000, a anterior Direcção do Sport Lisboa e Benfica levou o Clube a apropriar-se, usar indevidamente e, assim, não entregar ao Estado grande parte das verbas retidas na fonte, em sede de IRS, Taxa Social Única e, ainda, a maioria das recebidas para serem entregues ao Estado em sede de IVA.
(...) iniciada a actividade da Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD, e até Outubro de 2000, o Conselho de Administração dessa sociedade fez o necessário para que ela, como contribuinte, fizesse, neste domínio, rigorosamente o mesmo.
Foi durante estes anos de 1998, 1999 e 2000 que estes dois contribuintes, reiteradamente, e como descrito, deixaram de entregar ao Estado, incumprindo obrigações fiscais relevantíssimas, cerca de 3 (três) milhões de contos, ou se preferirem, 15 (quinze) milhões de euros.»
Comunicado oficial do Sport Lisboa e Benfica, de 4 de Julho de 2002

Perante estes factos, a primeira questão que se levanta, e que é particularmente relevante do ponto de vista desportivo, é a seguinte: tendo o Benfica entregue na Liga de Clubes uma certidão em como tinha as suas dívidas regularizadas, a qual era comprovadamente falsa, porque razão, quando este facto foi do domínio público, a Liga de Clubes não actuou, fazendo cumprir os regulamentos e determinando a descida de divisão dos encarnados?

Convém salientar que a Liga de Clubes tinha criado uma comissão para acompanhar e validar a situação fiscal dos clubes, a qual era presidida por Fernando Seara (conhecido benfiquista, ex-Director do jornal do Benfica e actual presidente da Câmara de Sintra).

Para além do aspecto desportivo, há a questão do relacionamento entre um contribuinte (altamente devedor) e a Administração Fiscal. Sobre isto, é elucidativo o que a própria Direcção do SLB disse sobre este assunto:
«(...) a Administração Fiscal sabia ou não devia ignorar que eram extremamente avultados os montante das retribuições pagas aos jogadores de futebol pelo Clube e quando eram públicas as importantes e vultuosas transacções de direitos desportivos relativos a futebolistas profissionais realizadas nesses três anos, fonte da constituição de obrigações de pagamento de IVA. É inexplicável, e continua por explicar, a razão ou as razões que justificaram que, durante três anos, as entidades acima referidas nada tivessem feito apesar de nada de significativo receberem do Sport Lisboa e Benfica a título de IVA, de IRS e de Taxa Social Única.»
Comunicado oficial do Sport Lisboa e Benfica, de 4 de Julho de 2002

Havendo uma comissão de acompanhamento das dívidas fiscais dos clubes, criada em Março de 1998 (após o Plano Mateus), a funcionar no âmbito da secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais, por que razão foi necessário haver uma auto denúncia do infractor? Por se chamar Benfica?

«(...) o Dr. Vale e Azevedo gozou, ao longo dos três anos do seu mandato, da maior complacência por parte das autoridades do país.»
Comunicado oficial do Sport Lisboa e Benfica, de 4 de Julho de 2002

É, de facto, inexplicável, mas há mais. De acordo com uma auditoria efectuada pela Deloite & Touche em 2001, o Benfica cometeu o crime de não ter entregue o IRS descontado nos vencimentos dos futebolistas (entregava apenas uma pequena parte).

Se assim é, porque razão o Ministério das Finanças declarou não haver motivo para um inquérito crime por abuso de confiança fiscal aos dirigentes do Benfica? Porque razão teve de ser o ministro das Finanças, Guilherme de Oliveira Martins, a quase intimar o director-geral dos impostos, António Nunes dos Reis, a comunicar o caso ao Ministério Público?

Posteriormente, este mesmo ministro das Finanças, aceitou que se procedesse a uma inspecção para quantificar a dívida e que as notificações ao Benfica fossem feitas à medida que se quantificasse a dívida de cada ano em causa.

Porque razão o governo aceitou este expediente (na prática, um pagamento a prestações), quando a lei determina que uma dívida auto denunciada deve ser paga na íntegra? Pelo infractor ser o Benfica?

Estranhamente, o Benfica apenas foi notificado para pagar as dívidas de 1998 quase no final de 2001, num valor aproximado de um milhão de contos (cinco milhões de euros). Mais. Apesar de ter sido o clube a assumir essa dívida, a direcção do Benfica contestou-a na parte dos juros!

(continua)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A Europa dos ricos

Acaba de ser publicado o ranking de receitas orgânicas dos clubes europeus para a época 06/07 (Deloitte Football Money League). Antes de mais convém assinalar que este ranking de receitas exclui receitas com jogadores (i.e. transferências). Dois factos saltam à vista:

1) As receitas dos maiores clubes europeus continuam em forte crescimento: os 20 clubes mais ricos viram em média um aumento de 15% em relação à época anterior.

2) A diferença entre eles e... nós, FCP. Principalmente entre os clubes do top10 e nós (que não entramos sequer no top20).

O Real Madrid lidera a lista com receitas de 350 milhões de euros; no 9o lugar temos o Inter com 195 milhões - compare-se isso com os ~55 milhões da FCP SAD. Dito de outra forma, o Real tem receitas orgânicas cerca de 6x superiores às nossas, o Inter 3,5x.

Alguns olharão para estes números e encolherão os ombros, dizendo que no futebol a "lógica é uma batata". Pois bem, desde que a Lei Bosman impera que não é bem assim: nas últimas 3 épocas os clubes do top10 de receitas açambarcaram 71% dos lugares nos 1/4 de final da Liga dos Campeões. Se a isto juntarmos outros clubes um pouco mais abaixo, temos que em média 7 das 8 vagas nos 1/4 final são preenchidas pelos 20 clubes mais ricos da Europa.

Será pois a nossa sina ficar para trás? Penso que "nim". Em média sim, teremos cada vez menos sucesso comparativo em relação ao top10; mas penso ao mesmo tempo que podemos ir sistematicamente aos 1/8 final e fazer "umas flores" de vez em quando, indo mais longe - vencer a Liga dos Campeões é um sonho, mas não impossível.

Que fazer? Muita coisa poderia ser dito sobre isto, mas resumidamente: penso que as receitas podem ser esticadas, em particular as receitas televisivas. Mas acima de tudo penso que temos que apostar na nossa grande vantagem competitiva: o mercado português, começando pela formação (e passando pelos estrangeiros que jogam em Portugal).

Mercado português onde ainda por cima há pouca rivalidade financeira, o que leva a que a pressão a nível de salários e passes seja mais baixa do que em Inglaterra, Espanha ou Itália.

O objectivo será pois conter as despesas o melhor possível (contendo as despesas em passes e salários) potencializando as mais-valias financeiras de futuras vendas (não esquecendo no entanto que nem todas as compras devem ser na perspectiva de vender mais tarde), sem comprometer a valia desportiva do plantel. Sem se gerar mais-valias financeiras consideráveis não teremos hipóteses de discutir taco-a-taco, ano após ano.

Isto não invalida naturalmente que se explorem outros nichos (ultimamente tem sido o argentino) - mas que ninguém se ilude que o FCP vá conseguir sistematicamente comprar jogadores argentinos com cartaz (como era o caso de um Lucho ou Lisandro) a preços acessíveis. Isto pode parecer um paradoxo mas quanto maior sucesso tiverem Lucho e Lisandro no FCP, menor a probabilidade de que façamos negócios idênticos no futuro (já que cada vez mais os clubes europeus ricos irão directos à "fonte"...).

A médio e longo prazo, o nosso futuro na Europa passa pela aposta no mercado português: repare-se que as grandes mais-valias geradas nos últimos anos foram todas oriundas do mercado português: R Carvalho, Pepe, Deco, P Ferreira. Anderson foi vendido por valores elevados, mas com mais-valias mais baixas (já que foi bastante mais caro - tal como um Lucho, já agora).

Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Football_Money_League

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Incompetência na RR

Esta mensagem destina-se a mostrar aqui a minha indignação para com o péssimo trabalho dos jornalistas da Rádio Renascença (RR) no relato do último jogo Marítimo - FC Porto. Apesar de ter visto o jogo quase todo pela Sporttv, a partir do momento em que o FC Porto marcou o 3º golo tive de sair e decidi, já no carro, ouvir os instantes finais da partida através do relato da RR.

Já é sobejamente conhecido por todos os portistas o tratamento parcial primário que é dado aos clubes da capital na generalidade dos órgãos de comunicação social portuguesa. É com esta realidade que temos vivido, apesar de alguns deles (RDP e RTP) viverem de receitas provenientes do Orçamento de Estado e, como tal, pagos pelos impostos de todos os portugueses.

Até aqui, e apesar de alguns desvarios de Ribeiro Cristóvão (entre os quais a final da Taça dos Campeões Europeus de 1987), sempre tive a RR como uma rádio diferente e que primava por uma certa independência e rigor nas suas reportagens desportivas (o programa Bola Branca até tem demonstrado que existe a preocupação e exigência com uma informação credível e completa dos mais diversos acontecimentos e intervenientes do fenómeno futebolístico).

No entanto, e depois de ouvir o relato do final do jogo do FC Porto na Madeira, a minha opinião sobre a diferença da RR mudou completamente. E porquê? Pelos comentários que estavam a ser difundidos, e para quem de facto não tivesse assistido ao jogo, parecia que o resultado era muito injusto e que havia sério dano (prejudicando o Marítimo) no trabalho do árbitro Pedro Henriques. No final do jogo, e na análise dos comentadores (cujos nomes desconheço, apenas reconheço as vozes) o árbitro foi avaliado com nota 2 porque o seu trabalho teve "influência directa no resultado" (e adivinhem lá quem é que o árbitro terá prejudicado...). Um dos comentadores chegou mesmo a dizer que se o jogo tivesse sido bem apitado Lisandro tinha sido expulso numa entrada a um jogador do Marítimo e já não estaria em campo para marcar os 2 golos pelo FC Porto. Esse mesmo comentador disse também que o árbitro errou ao aplicar "a lei da vantagem" no lance em que Lisandro é derrubado na área e Tarik acaba por marcar o 2º golo do FC Porto. Ou seja, uma reportagem plena de cegueira histérica anti-portista.

O que na verdade estes senhores desejariam é que o FC Porto entrasse já derrotado no Estádio dos Barreiros: isso sim seria um óptimo estímulo a um sério trabalho de reportagem jornalística. Assim, e depois de um concludente 0-3 para o FC Porto, uma enorme azia afectou a generalidade dos jornalistas desportivos de Portugal, tendo eu tido a oportunidade de o comprovar aos da RR .

Mas vamos por partes:

1. Lisandro não merecia (nem de perto nem de longe!) ver um cartão vermelho pela entrada sobre a bola (!) que fez. Só quem não teve acesso às imagens televisivas é que pode acreditar nessa história. Mau trabalho dos jornalistas da RR.

2. E quem é que disse aos comentadores que Pedro Henriques aplicou a "lei da vantagem" no lance em que Lisandro é derrubado e Tarik marca o 2º golo do FC Porto? Mais uma vez, e depois de ter ignorado uma grande penalidade sobre Farías na primeira parte, o árbitro prestou-se a ignorar mais uma na segunda parte. Azar o dele, Tarik estava lá e aproveitou a sobra para fazer o golo. Mas SE o penalty tivesse sido marcado isso implicaria também a expulsão do defesa do Marítimo uma vez que Lisandro só tinha o guarda-redes adversário pela frente, ficando a partir daí o Marítimo a jogar com 9. Mais uma análise que revela, no mínimo, má-fé jornalística da RR.

Pelo exposto sou levado a concluir que os jornalistas da Rádio Renascença foram INCOMPETENTES no trabalho que realizaram relativamente aos comentários do jogo Marítimo - FC Porto. Quem ouve rádio não vê imagens, o que acrescenta mais responsabilidade a quem está a comentar. Se não transmitem de forma rigorosa o que se passa nesse momento, estão a distorcer a forma como os ouvintes entendem o jogo. Se conseguissem (os comentadores) despir-se (ainda que por breves momentos) da sua preferência clubística, tenho a certeza que conseguiriam ser mais profissionais na análise aos jogos. Ganham eles, ganha a RR e agradecem os ouvintes. Assim é que não.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Com um brilhozinho nos olhos

O jogo entre o Marítimo e o FCP foi bom, o resultado melhor. O FCP entrou bem no jogo, mas rapidamente perdeu o controlo do meio campo. Com menos homens nessa zona do terreno e com Quaresma a perder demasiadas bolas e Fucile e Cech a perder demasiados passes, permitimos que o Marítimo crescesse e levasse o jogo, durante uns 20 a 30 minutos, para demasiado perto da nossa grande área. Sem ocasiões de golo, criaram uma ou outra situação de frisson que podiam ter sido evitadas. Pedro Emanuel fartou-se de passar recomendações para os colegas.
Acho que o árbitro ajudou um pouco a este ascendente do Marítimo, com uma dualidade de critérios que me pareceu notória. O FCP "fez" quase o dobro de faltas que o Marítimo, assim o entendeu o árbitro Pedro Henriques, que no balanço entre o estilo inglês e português
aplica sempre o que dá menos jeito ao FCP. Feitios!

Fomos melhorando com o aproximar do fim da 1ª parte, o Farías teve uma oportunidade de golo que falhou por pouco, e o árbitro esqueceu-se de assinalar uma grande penalidade sobre o nosso avançado. Ao cair da 1ª parte marcámos o nosso primeiro golo. Um golo à Lisandro. Um golo à ponta de lança.

Como aspecto negativo, aponto aquele pequeno sururu que temos de saber evitar. Não acho que houvesse motivos para expulsão, mas há que que saber controlar o ímpeto e ser mais inteligente na "retaliação".

Na 2ª parte e após a expulsão do jogador do Marítimo (não havia necessidade), dominámos completamente o jogo e vencemos com todo o mérito. É um campo tradicionalmente difícil para o FCP. A rapaziada do Marítimo aparece sempre com muita força e cheia de saúde, principalmente quando joga em casa.

Na TV não dá muito para descodificar as nuances tácticas e a movimentação da equipa, mas creio que Meireles jogou mais pela direita e Lucho pela esquerda.
Quaresma melhorou na 2ª parte, tal como toda a equipa do FCP que com mais espaços foi capaz de jogar bem e construir um resultado que ainda poderia ter sido mais volumoso.
Porém, é prioritariamente sobre aqueles trinta minutos em que não estivemos bem que a equipa deve atentar. Farías não teve tempo para jogar, pois raramente a bola lhe chegou. Foi esforçado, mas Lisandro dá outra profundidade ao jogo e quando não somos capazes de jogar em ataque continuado, temos de saber aproximar as linhas e não permitir ao adversário ter a iniciativa.

Enquanto o Marítimo só tinha um jogador fixo na frente (André Pinto) o FCP tinha três: a) Quaresma que é um jogador "indisciplinado" tacticamente, e gosta pouco de marcar o defensor que lhe compete; b) Farías que não está habituado a rotinas defensivas e não é agressivo; c) resta Lisandro, esse sim, mais agressivo e já rotinado no nosso campeonato e disponível para pressionar e recuar para linhas mais atrasadas.
Jogando "demasiado" aberto e com o desacerto dos laterais, transviou-se muito passe e teve-se pouca bola, durante aquele período em que o Marítimo dominou.
Falta-nos um outro elemento para o meio campo com capacidade para reforçar essa zona nevrálgica do terreno e permitir ao Lucho mais liberdade e pisar mais frequentemente outras zonas mais próximas do último terço do terreno, e funcionar como elemento municiador e finalizador. Acho que Quaresma e Lisandro agradeceriam essa proximidade.

Individualmente comentaria que Paulo Assunção continua a ser um dos jogadores mais fiáveis do FCP e Bruno Alves parece menos categórico na abordagem dos lances, e com alguns lapsos de marcação e colocação. Lisandro continua com aquele brilhozinho nos olhos que particularmente aprecio e os adversários temem.
Um bom treino para o jogo da CL, que aguardo ansiosamente. Um exame.

A última palavra para o nosso treinador. Impecável no comentário do jogo, teria preferido que não tivesse abordado - na antevisão do jogo - "criticamente" a nomeação do árbitro, mas se não for ele a falar quem haveria de ser? Está tudo mudo! Fica a coragem de chamar a si o "odioso" do comentário. Só por isso, acresce o respeito que me merece a forma como tem exercido as funções de técnico do FCP.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Dicionário do Sistema - Hélio Santos

Hélio Santos – Árbitro filiado na Associação de Futebol de Lisboa, teve como seu árbitro assistente um tal de Luís Guilherme, que haveria de chegar a presidente da Comissão de Arbitragem (segundo se disse na altura, por indicação do Benfica).
Ao longo da sua carreira as tendências benfiquistas foram sempre notórias, mas o jogo que o projectou para a história do futebol português foi o célebre Estoril-Benfica, da época 2004/05, disputado no Estádio do Algarve, para o qual foi nomeado pelo seu compadre Luís Guilherme.

O jogo, da 30ª jornada, ficou marcado por várias casos, todos eles em prejuízo do Estoril.
Logo ao 24 minutos, expulsão do estorilista Rui Duarte, naquela que foi a expulsão mais rápida dessa época;
aos 37 minutos, ficou por assinalar um penalty claro contra o Benfica, bem como, a expulsão de Ricardo Rocha;
aos 76 minutos, uma falta de Petit foi transformada em falta contra o Estoril, e deu origem ao 1º golo do Benfica;
finalmente, aos 79 minutos, nova expulsão de um jogador do Estoril (João Paulo, por palavras), imediatamente antes do 2º golo do Benfica.

Entretanto, após o jogo, soube-se que o árbitro o tinha apitado com botas emprestadas pelo Benfica. Tudo normal, aliás o próprio Hélio Santos confessou que, no final, lavou as botas e as devolveu. Só faltou engraxá-las...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Dicionário do Sistema - Gonçalves, Jorge

Gonçalves, Jorge – A 24 de Junho de 1988, Jorge Gonçalves, também conhecido por ‘Bigodes’, foi eleito presidente do Sporting. Apesar de várias contratações – apresentadas como as “unhas do leão” – a sua presidência ficou marcada por fortes polémicas e a 8 de Maio de 1989 a Direcção do Sporting foi demitida pelo presidente da Assembleia Geral, devido a falta de quórum.
A 24 de Junho de 1989, Sousa Cintra foi eleito como novo presidente do Sporting e apenas dois dias depois Jorge Gonçalves foi preso pela PJ, devido a uma série de processos-crimes relacionados com dívidas. Tendo sido solto, saiu imediatamente de Portugal antes de enfrentar um tribunal.

Em 27 de Janeiro de 1997, quando estava em Angola foragido da justiça portuguesa, afirmou numa entrevista televisiva ter cometido diversos actos de corrupção desportiva, enquanto foi presidente do Sporting. Estranhamente (ou não) a comunicação social nunca se interessou em aprofundar os casos por detrás de tão espantosa confissão. O alvo a abater era (é!) outro.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Dicionário do Sistema - Ferreira, João

Ferreira, João – "Estou chateado com a arbitragem? Não. É com o nó da gravata. Tenho aqui – levou a mão ao pescoço – uma coisa a sufocar-me... Custa muito perder assim, mas se disser aquilo que me vai na alma, fico com o salário hipotecado até ao fim da época. Coisas como as que aconteceram nesta partida, só se resolvem com pau de marmeleiro. Tenho que dizer coisas bonitas. Sou treinador do Moreirense e não tenho dinheiro para pagar multas. O que interessa é que o Benfica vai à frente e, se calhar, vai continuar até ao fim. Mas eu, se fosse benfiquista, saía daqui frustrado. Não é justo ganhar assim ao Moreirense", foi deste modo, com estas palavras, que Manuel Machado, treinador do Moreirense, reagiu no final do jogo Moreirense – Benfica, disputado em 14/09/2002.


A partir deste jogo, realizado na época 2002/03, toda a gente percebeu que João Ferreira iria ter uma carreira auspiciosa, que rapidamente chegaria a internacional e que tinha o perfil certo para arbitrar jogos do FC Porto (principalmente nas deslocações que se previam mais difíceis), senão vejamos:

Época 2003/04, João Ferreira foi escolhido para arbitrar um dos jogos mais importantes do campeonato: o Benfica – FC Porto. Pois bem, para o painel de ex-árbitros do ‘Tribunal de O JOGO’ (e até para A BOLA!) não houve dúvidas, o árbitro prejudicou o FC Porto, ao não assinalar uma grande penalidade contra o Benfica aos 52', por falta de Argel sobre Jorge Costa. Mais. De acordo com a opinião de Jorge Coroado e António Garrido, para além do penalty, o jogador do Benfica também devia ter sido expulso.

Época 2004/05, 27 de Outubro de 2004, V. Guimarães – FC Porto (Taça de Portugal): Depois de um jogador do Guimarães já ter partido o nariz ao Areias, sem sofrer qualquer tipo de punição (aliás, durante o período de assistência e com o FC Porto reduzido a 10 jogadores o Vitória de Guimarães inaugurou o marcador), o Costinha sofreu uma entrada de tal modo perigosa que, para além de o ter deixado inconsciente, podia tê-lo morto ou incapacitado para sempre. O árbitro, que não hesitou em amarelar vários elementos do FC Porto por terem dito “isto é falta”, nem amarelo mostrou ao “rambo” de Guimarães. Até o Victor Fernandez, um autêntico gentleman, teve de ver dois jogos da bancada à conta do senhor João Ferreira.

Época 2004/05, 6 de Fevereiro de 2005, Estoril – FC Porto: Neste jogo, João Ferreira revelou ter um “olhar cirúrgico”. No meio de um aglomerado de jogadores na área portista, viu o Costinha a tocar na bola com o braço e assinalou penalty contra o FC Porto, mas não viu, instantes antes e na mesma jogada, um jogador do Estoril com o braço no ar bem esticado, desviar a bola. Ou seja, em vez de falta a favor do FC Porto e cartão amarelo para o jogador do Estoril, penalty contra o FC Porto!
A propósito deste lance, Jorge Coroado referiu o seguinte em O JOGO de 08/02/2005: «Pena não ter observado a mão do estorilista que desvio a trajectória da bola atraiçoando Costinha na grande penalidade.»

Época 2004/05, 21 de Março de 2005, Sporting – FC Porto: A injustiça com que expulsou um jogador do FC Porto em cada parte, levou os ex-árbitros que compunham o ‘Tribunal de O JOGO’ a dizer que o FC Porto tinha sido claramente prejudicado. «McCarthy e Seitaridis terão sido mal expulsos do clássico no entender dos especialistas de O JOGO. No lance do grego, punido com vermelho pela grande penalidade cometida, as críticas a João Ferreira são unânimes: Seitaridis deveria ter visto apenas um amarelo por cortar uma linha de passe e não uma situação de golo iminente. Na avaliação feita à cotovelada do sul-africano, apenas António Rola aceita o entendimento do árbitro, apesar de, à semelhança dos outros, ter ressalvado que achava a expulsão demasiado severa.», O JOGO, 22/03/2005

Em resumo, estamos perante um árbitro muito coerente nas suas arbitragens: na dúvida (ou não) e por sistema, prejudica o FC Porto e beneficia os clubes da 2ª circular.

É vantajoso ser sócio?

Longe vão os tempos em que as pessoas se filiavam numa qualquer Agremiação, por simples carolice ou simpatia pessoal. Salvo honrosas excepções, que mantêm intactas a suas convicções desportivas e, demonstram um assinalável “sentido de estado” perante a vida quotidiana do Clube, (participando nos mais importantes actos públicos da Instituição, como as AG´S ou eleições) a maioria do público nos dias de hoje exige espectaculo e entretenimento.


Segundo o Relatório e Contas referente ao ultimo ano do FC Porto, Clube, havia em registo nos seus serviços administrativos 83.669 sócios com quotas em dia, o que significa cerca de menos 3.400 sócios que existiam um ano antes. Apesar da inscrição de quase 7.000 novos associados, desistiram da filiação ao FC Porto cerca de 10.200 pessoas, tudo isto numa conjuntura desportiva altamente favorável.


Se a entrada de novos sócios não surpreende, (apesar de não ser muito expressiva) dado tal periodo positivo que o Clube atravessa, a perca de mais 10.000 sócios em apenas um ano deixa-me abismado. A acrescentar a tudo isto, todos estes dados são respeitantes à temporada 2006/07, onde entrou em funcionamento do novo conceito de sócio, um sistema de parcerias com varias entidades e de acumulação de saldo para quotas e bilhetes numa conta virtual.


Com estes numeros, a primeira coisa que facilmente se conclui é que as vitórias não chegam para as pessoas se manterem ligadas ao Clube e, o tal novo conceito de sócio, não cativa novos públicos, ou pelo menos não o faz nos moldes actuais. Não se pode sequer dizer que o FC Porto pratica preços nas quotizações altos, pois dos 3 grandes é aquele que apresenta uma tabela mais acessivel, apesar de estar inserido numa região mais constrangida pelas dificuldades económicas que o país atravessa.


Na minha óptica, o FC Porto tem falhado essencialmente na forma de se relacionar com os sócios. Actualmente, as unicas comunicações vindas do Clube para os associados, visam o incentivo à compra de lugares de época ou um qualquer produto promocional. Muito pouco. Penso que cabe tambem nas competências da Instituição informar, esclarecer e questionar de forma regular, os sócios sobre assuntos do quotidiano do Clube. Enviar-lhes as convocatórias e respectivos Relatórios e Contas das AG´S, incentivando-os à sua participação, bem como o envio sugestões por RSF com vista a melhoria do funcionamento dos serviços e satisfação do sócio. Incrementar um maior leque de ofertas e serviços através do uso do cartão de sócio, tornando-o um utensílio indespensavel para todos os dias (por exemplo estabelecer parcerias para descontos com as grandes cadeias de hipermercados como o Continente ou Jumbo), maior abertura e criação de novas funcionalidades no site do Clube, com acesso a conteúdos exclusivos. Em suma, há que envidar esforços de forma a fazer sentir aos sócios que existem reais vantagens em estar ligados ao FC Porto, porque os simples descontos nos bilhetes para jogos não chegam.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Dicionário do Sistema - Estoril SAD

Estoril SAD – Em 16 de Agosto de 2004, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) anunciou que José Veiga tinha aumentado a sua participação no Estoril Praia – Futebol SAD, SA para 80,55%, depois da última Oferta Pública de Aquisição (OPA), que tinha tido lugar em 30 de Julho de 2004. Para além de ser o accionista maioritário da Estoril SAD, cuja posição acabava de reforçar, Veiga era, na mesma altura, também o homem forte do Benfica para o futebol. De salientar que o Estoril tinha subido de divisão e que nessa época (2004/05) iria jogar duas vezes contra o Benfica. Promiscuidade? A verdade desportiva estava em causa?

Preocupado com as aparências (não fosse alguém pensar que ele estava a jogar em dois tabuleiros...), em 18/10/2004, já em pleno campeonato, José Veiga anunciou ter vendido 18% do seu capital à KCK Developments Limited, 18% à Mexes Marketing Limited e 4,767% à Primera Management Limited.
Não será estranho o súbito interesse de três empresas inglesas, ainda por cima sem qualquer ligação anterior ao fenómeno desportivo, em investir numa equipa desconhecida do futebol português?
Mais. Os supostos novos accionistas da Estoril SAD (que nunca foram vistos em Portugal...), não quiseram nomear qualquer administrador e mantiveram como presidente da Estoril SAD o antigo dirigente do Benfica, António Figueiredo, o qual tinha sido nomeado em 15/09/2004.
Nomeado por quem?
Pois, por José Veiga! Ou seja, Veiga, enquanto accionista maioritário da Estoril SAD, mas numa altura que já era o responsável do futebol da Benfica SAD, nomeou um antigo dirigente do Benfica para presidente da Estoril SAD. Lapidar!

Mas afinal, quem eram as tais empresas inglesas a quem, supostamente, José Veiga vendeu parte da sua participação na Estoril SAD?
Nunca se soube mas, em 25 de Julho de 2005, a CMVM emitiu um comunicado onde informou o mercado “da falta de transparência quanto à titularidade das participações qualificadas detidas pela Mexes Marketing Limited e pela KCK Developments Limited na sociedade aberta Estoril Praia – Futebol SAD, SA.” Além disso, as duas empresas tinham o mesmo representante, entre outros dados comuns. Mais palavras para quê?

Resta dizer que durante a época 2004/05, os jogos entre o Benfica e o Estoril foram recheados de casos. Desde contactos (pressões?) sobre jogadores do Estoril, antes dos jogos com o SLB, até à transferência do Estoril – Benfica para o Estádio do Algarve (com a concordância da Administração do Estoril, constituída por ex-dirigentes do Benfica, nomeados por José Veiga), a arbitragens polémicas, houve de tudo. Contudo, o episódio mais caricato talvez seja o que veio a público após o jogo disputado na Luz, em que no intervalo um jogador do Benfica (Petit) se dirigiu a um antigo colega do Boavista (Paulo Sousa), aconselhando os jogadores do Estoril a “terem calma e não forçarem muito na 2ª parte”...

Se no início da época 2004/05 poderia haver dúvidas de que lado iria estar o coração (e a cabeça) de José Veiga nos dois jogos entre o Benfica e o Estoril, no final da época não restavam quaisquer dúvidas.

Os sócios e a SAD

O FC Porto sempre viveu sob a influência, maior ou menor, dos sócios. Essa influência é renovada de três em três anos (podendo ser estendida por mais um ano se não existirem listas concorrentes) de modo democrático através de eleições para os órgãos administrativos do clube.
A SAD veio introduzir um novo actor neste sistema: o accionista. O accionista investe o seu dinheiro na SAD (do futebol ou de outra modalidade) e mediante os estatutos da mesma pode ou não ter poder suficiente para decidir quem são os administradores da SAD.

Com a cada vez mais eminente saída de Pinto da Costa do FC Porto (os anos passam, e infelizmente o Presidente não fica mais novo), e como consequência do Conselho de administração da SAD, começo a preocupar-me seriamente com o rumo que o futebol do FC Porto possa vir a tomar. A minha preocupação não tem a ver com a maior ou menor capacidade das pessoas que possam ser nomeadas para esses cargos, mas com o facto de poder deixar de representar tudo aquilo que esperamos de uma equipa do FC Porto.

De momento o FC Porto tem 40% do capital da SAD. Este capital é suficiente para garantir, até ao momento, o controlo da mesma. Mas os tempos e as situações também mudam... E se por ventura aparece um Americano ou Russo multimilionário com interesse em "investir" no FC Porto, Futebol SAD? E o que acontece se esse investidor se esquecer do FC Porto, Futebol SAD ou achar que não faz sentido existir o FC Porto, Futebol SAD? É nessa altura que nos devemos preocupar, ou devemos começar já?

Os sócios devem começar a pensar seriamente se querem correr estes riscos! É possível fazer alguma coisa para o evitar? Claro que é! Para começar os sócios devem participar activamente na vida do clube (e por força da representação dos 40%, na SAD), participando nas AGs e nas eleições. Podem pensar em qual será o perfil das pessoas que queremos à frente do Clube, que garantam que o mesmo vai ter sempre a maioria das acções da SAD, e que estas não vão ser alienadas.

Nesta perspectiva, vejo com bom olhos qualquer iniciativa que vise agregar as vontades dos sócios e adeptos (à semelhança do que aconteceu por exemplo em Inglaterra com o Man. Utd., que foi criada uma associação de adeptos/accionistas), que tivesse como único interesse o sucesso do FC Porto, Futebol SAD associado ao Clube. Por muito poucas que sejam as acções detidas por sócios/adeptos, conjugadas com as do Clube, podem fazer a diferença.

Da minha parte, vou fazendo o que posso para estar preparado para tomar as minhas decisões: frequento assiduamente as AGs do clube, adquiri acções do FC Porto, Futebol SAD, e vou falando com/ouvindo outros portistas.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Dicionário do Sistema - letra D

Direcção-Geral dos Desportos – Durante os longos anos em que no futebol português vigorou o sistema do antigamente, o poder discricionário da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) era apoiado na Direcção-Geral dos Desportos, um organismo do estado, centralista e, obviamente, protector dos clubes da capital. Contudo, em 1955, as arbitrariedades federativas ultrapassaram todos os limites. Nesse ano, um FC Porto-Sporting foi adiado pela FPF, porque José Travassos, um dos melhores jogadores de sempre do Sporting, ficara retido em Madrid devido ao nevoeiro e não iria chegar a tempo ao jogo.
Esta atitude de descarado proteccionismo, levou à revolta dos adeptos e dirigentes do FC Porto e, para além de ter sido ameaçado pela PIDE em pleno Estádio das Antas, o presidente Cesário Bonito foi irradiado pela FPF. Não satisfeita, a FPF suspendeu, por três anos, seis directores do FC Porto, que também não tinham calado a sua revolta.
O escândalo assumiu tal proporção, que o ministro da Educação, Eng. Leite Pinto, percebendo que o caso poderia ter consequências políticas sérias, devido ao levantamento dos portuenses e ao apoio que teve por todo o lado (o embaixador americano escreveu para Washington, dizendo que havia ameaça de guerra civil), decidiu atender a contestação dos dirigentes do FC Porto.
Este é apenas mais um exemplo do quero, posso e mando dos clubes da capital que, por sistema, dividiam os títulos entre si.


Donato Ramos – No dia 2 de Janeiro de 1993, o Sporting tinha uma deslocação difícil ao Estádio da Mata Real onde, na época anterior, a de estreia do Paços de Ferreira entre os grandes, perdera por 1-0. O Sporting ganhou por 3-0, mas no fim do jogo estalou a polémica: Jaime Cardoso, chefe do departamento de futebol do Paços de Ferreira, acusou o seu congénere Juca de ter entregue presentes escondidos em sacos de plástico à equipa de arbitragem chefiada pelo viseense Donato Ramos.
O árbitro confirmou a recepção de "insignificantes máquinas fotográficas", mas disse que deixava a arbitragem se o caso desse lugar a algum castigo. Uns dias depois, a 7 de Janeiro de 1993, foi instaurado um processo disciplinar ao Sporting, por suspeita de aliciamento ao árbitro mas, apesar de ter ficado provada a oferta, não houve qualquer tipo de sanção e o processo foi arquivado.
Donato Ramos andou pela I Divisão durante mais uns anos e da parte do Ministério Público / PJ, também não houve, que se saiba, qualquer interesse em investigar.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Dicionário do Sistema - Dias da Cunha

Dias da Cunha – Após o FC Porto se ter afastado dos órgãos dirigentes da Liga (já lá vão 7 ou 8 anos), Dias da Cunha andou dois anos de “braço dado” com aquele que, posteriormente, acusou de ser um dos “rostos do sistema” (Pinto da Costa). Juntos defenderam a saída da arbitragem da Liga, apoiaram a candidatura derrotada de José Guilherme Aguiar à presidência da Liga (em 2002) contra o outro “rosto do sistema” (Valentim Loureiro, apoiado por Luís Filipe Vieira) e ambos os clubes – FC Porto e Sporting – votaram contra o fim do sorteio e o retomar das nomeações dos árbitros.
Ora, como Luís Filipe Vieira fez exactamente o caminho contrário (de “braço dado” com os Loureiros), o Dias da Cunha, de forma “muito coerente” com aquilo que defendia, zangou-se com o FC Porto e voltou a aproximar-se do Benfica. Percebem?

É fácil, depois de dois campeonatos ganhos, os resultados desportivos do Sporting começaram a ser pouco menos do que desastrosos e, como não havia (nem há) dinheiro para contratar jogadores melhores, houve que seguir uma estratégia segura, semelhante à de Manuel Damásio após um célebre Benfica-Boavista: cortar relações com Pinto da Costa.
As suas intervenções públicas eram motivo de chacota nacional e vários dirigentes sportinguistas, como Filipe Soares Franco, Miguel Ribeiro Telles e José Eduardo Bettencourt, fartaram-se e bateram com a porta (haviam de regressar mais tarde quando ele saiu da presidência do Sporting).

Puma?

Recentemente foi notícia o retorno que os patrocinadores do FC Porto tiveram pelo facto de estarem associados ao clube (eu não acredito muito naqueles números, mas isso é outra conversa). Um dos patrocinadores com maior retorno é a Nike.

E se hoje em dia toda a gente sabe que o FC Porto equipa Nike, a Kappa teve uma passagem mais efémera (mas fortemente marcada pela camisola laranja com o dragão em silhueta), a grande referência do passado do FC Porto é sem dúvida nenhuma a Adidas - as camisolas com as três riscas na manga, fazem indubitavelmente parte das memórias.

O que já não fazia parte das minhas memórias, era que o FC Porto tinha em 1982/83 equipado Puma. Há tempos a navegar por alguns blogs encontrei esta foto do Frasco no Glórias do Passado (de onde obviamente gamei a foto), e depois de mais alguma investigação, confirmei que não era nenhuma montagem :-D

E agora esquecendo que os patrocínios são importantes, que a mudança de n.º de riscas é agora anual, e que disso não nos vamos livrar. Mas repito, esquecendo isso, digam lá se não era um orgulho voltarmos a ter uma camisola assim.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Dicionário do Sistema - letra C

Cunha Leal – Ex-dirigente do Benfica, foi um dos homens escolhidos por Luís Filipe Vieira, em Julho de 2002, para ocupar um dos lugares-chave na estrutura da Liga – o de Director Executivo. Adoptou uma postura de low-profile e não foi considerado um dos “rostos do sistema” (nestas coisas, o Dias da Cunha é que sabia!), mas foi, seguramente, um dos peões mais importantes no xadrez benfiquista, tendo sido decisivo no caso Ricardo Rocha e na aceitação da transferência do jogo Estoril – SLB para o estádio do Algarve (ambos os casos na época 2004/05). Em consequência da operação ‘Apito Dourado’, substituiu o Major Valentim Loureiro na presidência da Liga, com o beneplácito do presidente da Assembleia Geral da Liga, o também benfiquista Adriano Afonso.


Calheiros, Carlos – Em 31/01/1997, o Director-adjunto do Diário do Notícias (DN), António Ribeiro Ferreira, escreveu o seguinte a propósito do designado “caso Calheiros”: «O Independente noticiou a possível acusação de Pinto da Costa no caso da viagem ao Brasil do árbitro Carlos Calheiros. Rádios, jornais e televisões deram o devido destaque à notícia (...). Ontem, depois de vários dias de investigação, o DN fez a seguinte manchete: «Pinto da Costa ilibado no caso Carlos Calheiros.» E isto porque o DN acompanhou o desenvolvimento das investigações e o resultado da análise aos documentos entregues por Pinto da Costa no momento em que foi interrogado nas instalações da PJ no Porto. Muito zelosa, e provavelmente com medo do inquérito de Cunha Rodrigues, a Judiciária tornou público um comunicado em que acaba por não desmentir – nem confirmar – a manchete do DN. O pior foi depois. Com base nesse comunicado, assistiu-se a um autêntico festival de analfabetismo militante de jornais, rádios e televisões, com a honrosa excepção da RTP 1. Para esses órgãos de comunicação social, do comunicado da PJ poderia concluir-se que a notícia do DN não era verdadeira ou, numa versão mais inocente, que a Judiciária desmentia a nossa manchete. (...) Quando polícias e analfabetos povoam este país, o mundo está mesmo perigoso.»


Campanhas anti-Porto – Em 1922, pela primeira vez na história, um clube iria poder intitular-se Campeão de Portugal. Patrocinada pela União Portuguesa de Football, a final oporia os campeões regionais do Porto e de Lisboa, FC Porto e Sporting respectivamente. Depois de dois jogos que terminaram com vitórias para as equipas da casa, foi preciso realizar um 3º jogo e o sorteio determinou que ele se realizasse no Porto, no campo do Bessa, no dia 18 de Junho de 1922. A partida foi dramática e no termo dos 90 minutos estava empatada a uma bola. Foi preciso recorrer a um prolongamento, no qual o Porto se revelou claramente superior, tendo ganho por 3-1.
Como, já nessa altura, o Sporting nunca perdia por mérito dos outros, após o jogo queixaram-se de um alegado clima de intimidação vivido no Porto e ameaçaram protestar o jogo. A reacção portuense não se fez esperar. Na edição de 1 de Julho do jornal ‘Sporting’ (não tinha nada a ver com o clube com o mesmo nome), num artigo intitulado “campanha vergonhosa”, lamentava-se “a atitude anti-desportiva de certa imprensa de Lisboa” acusada de revelar “um espírito faccioso, uma forma de apreciar e louvar apenas o que é seu, desprezando o que é dos outros e levando-a à campanha mais feroz alguma vez ventilada nas colunas dos jornais desportivos, porque não aceitava que o título supremo não fosse apanágio de um clube da sua terra mas de um clube de província”. E mais à frente acrescentava, “protestar contra a decisão de um match disputado o mais regularmente possível só lembrava ao Sporting e aos que lhe acalentam os vagidos; tenham juízo e vergonha”. Se em 1922, sportinguistas e imprensa lisboeta já reagiam assim, porque é que passados 86 anos havia de ser diferente?

Sistema de bilhética do Dragão

Este assunto tem surgido recorrentemente em conversas com amigos, família e colegas. Neste fim-de-semana este tópico surgiu novamente: tinha três pessoas que queriam ir comigo ao jogo FC Porto – UD Leiria! Aproveitei a deixa para pensar um pouco no assunto: - Como fazer quando se quer levar alguém connosco para assistir a um jogo?
A resposta mais usual quando faço esta pergunta é um sorriso sarcástico acompanhado por um comentário mordaz do género «Vais à bilheteira e compras um bilhete!»

A questão vai um pouco além da simplicidade que aparenta:
- Sou sócio com lugar anual.
- Quero que as pessoas que me acompanhem fiquem junto a mim.
- Os lugares à minha volta estão geralmente todos ocupados por outros sócios com lugar anual

Existe alguma resolução para este problema? Que seja do conhecimento público, não! Se for comprar os bilhetes através do processo actual, o mais provável é que acabe por ficar separado das pessoas por umas filas, um sector ou mesmo uma bancada.

A solução lógica para esta situação é permitir que um sócio (ou um grupo de sócios) com lugar anual mude de lugar para poder ir para perto dos seus convidados. Quando fosse comprar os bilhetes para os seus convidados o sócio poderia requisitar a alteração do seu lugar (alteração válida exclusivamente para esse jogo) para outro lugar.

Quais são os ganhos para o FC Porto de uma medida deste género? Parece-me evidente que iria existir um aumento na venda de bilhetes. Se cada sócio com lugar anual levasse um convidado por época, significaria uma receita adicional de cerca de 350.000€ (valor puramente especulado e baseado no preço para um bilhete para público mais barato, a 10€, para um total de 35.000 sócios com lugar anual). Eu por ano "deixo" de levar companhia para o estádio 4/5 vezes por época!

Será que o ganho justifica o investimento na alteração do sistema? A isso só o FC Porto e a empresa encarregue da bilhética (Novabase) podem responder... Mesmo que a curto prazo seja um investimento, creio que a longo prazo pode ser transformado num proveito, potenciando os lugares que habitualmente ficam por preencher no Estádio do Dragão.
Entretanto, os convidados vão ficando por casa...

A SAD pós-Pinto da Costa (II)

Para continuar a discussão em título, cito duas lúcidas afirmações do ilustre colega Mário Faria num fórum sobre o FC Porto:
- Os sócios querem (eu também) manter um controlo (ainda que indirecto) sobre a SAD, mas quem mais pode é o dinheiro, e quem tem o ouro é que faz as regras.
- Por outro lado, acho que quem investiu tem “direito” a um determinado controlo desse financiamento. E como chegar a esse controlo se o FCP – os seus dirigentes – com 40% consegue o monopólio do poder.

Eu, enquanto sócio, não faria questão de manter um controlo (ainda que indirecto) sobre a SAD se, aquando da sua criação, o clube não tivesse contribuído com todo o plantel de futebol que serviu para representar 40% do seu capital, como foi o caso. Do modo como as coisas se passaram, o clube passou a ser o principal accionista e, assim sendo, faço mesmo questão que mantenha o controlo da SAD.
Se se vier a revelar necessário um novo aumento de capital para a sobrevivência financeira da SAD, isso significaria o fim do modelo pensado e criado em 1997 e nesse caso seria aconselhável que Pinto da Costa convocasse eleições de onde sairia um presidente mandatado e legitimado para operar todas as alterações tendentes a uma nova estrutura accionista na SAD.

A ideia de que quem mais pode é o dinheiro e que quem tem o ouro é que faz as regras está correcta mas, a aplicar-se à SAD do FC Porto, então quem mais pode é, ainda, o clube.

Falando em poder, há normalmente uma tendência para se confundir duas formas diferentes de poder numa sociedade: a administração e os accionistas. Nas grandes empresas (e na SAD também) raramente estas duas figuras são a mesma entidade e, por isso, surge o chamado “Problema de Agência” (Jensen e Meckling, 1976). Uma relação de agência existe quando uma ou mais pessoas (os principais, neste caso accionistas) delegam poder de decisão em outra pessoa (o agente, neste caso a administração). O principal contrata o agente para realizar uma acção que ele próprio não tem tempo ou capacidade para realizar. Ora sucede que os factores que maximizam a utilidade das partes não são necessariamente os mesmos, o que dá origem a conflitos e provocam custos ou perdas de valor. Estes autores defendem que se deve “abrir a caixa negra (a empresa) e evidenciar a estrutura de relações e os conflitos de interesses ou objectivos individuais que nela se verificam”. Eu acrescento: antes de se proceder a qualquer alteração dos estatutos e/ou modificação da estrutura accionista, há que abrir a “caixa negra” e garantir a separação entre Gestão (propostas e implementação) e Controlo (ratificação e monitorização). A partir daí criar as condições para que: - os administradores venham a agir de acordo com o objectivo de maximização da riqueza dos accionistas; - não haja expropriação dos recursos da empresa pelos administradores.

Se se verificar mais cedo ou mais tarde um aumento de capital ou a modificação da estrutura accionista da SAD com “takeover”, certamente que os novos accionistas irão exercer a sua influência na constituição de um novo conselho de administração. E se é certo que até aqui os investidores confiaram cegamente na equipa liderada por Pinto da Costa, estou seguro que sem a presença do actual presidente poucas probabilidades existirão de se manter um único dos actuais membros no conselho de administração. Quem investe o seu dinheiro quer normalmente alguém de confiança a geri-lo, para que depois não lhe venham “exigir” novos aumentos de capital. No futuro, os “técnicos” e especialistas em futebol não têm necessariamente de ser administradores, antes podem e devem ser funcionários da sociedade, independentemente de quem seja escolhido pelos accionistas para compor a administração. Vejo a necessidade de os especialistas no futebol permanecerem o máximo de tempo possível na SAD, como funcionários, sem estarem sujeitos às normais alterações na composição dos conselhos de administração. Aliás, acredito que as estruturas fortemente organizadas criadas em torno do futebol sejam já “hard skills” da SAD, que não estão dependentes da presença de uma ou de outra pessoa.

A segunda frase também tem a sua razão. Mas lembremo-nos que ao longo dos anos os demais accionistas têm vindo a renovar a sua confiança nas sucessivas administrações lideradas por Pinto da Costa. Eles têm efectivamente prescindido da sua “parcela de controlo” pela confiança que depositam no actual presidente. Mas a questão colocada pelo Mário Faria é pertinente: como tornar então a sociedade atractiva a investidores se o clube detém 40% e os estatutos da sociedade lhe estão “blindados”?

Serão necessários novos investidores?
A administração da SAD terá de saber se a actual estrutura lhe é suficiente ou se realmente precisará de investidores no futuro. Poderá aparecer com o tempo a necessidade de uma estrutura accionista diferente, principalmente no pós-Pinto da Costa. E uma nova arquitectura financeira da sociedade poderá ser a base de uma estratégia para maior criação de valor, isto se houver a necessidade de financiamento externo e se o negócio se revelar incapaz de continuar a gerar os cash-flows necessários à prossecução da actividade. Aguardemos os resultados dos próximos anos.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Dicionário do Sistema - Calabote

Calabote, Inocêncio – Faltava uma jornada para o fim do campeonato de 1958/59 e o FC Porto e o Benfica seguiam empatados na liderança do campeonato. Tendo empatado os dois jogos entre si, a diferença global de golos era decisiva e, nesse item, o FC Porto tinha uma vantagem de 4 golos. Tudo se ia decidir a 22 de Março de 1959, com o FC Porto a deslocar-se a casa do último classificado (o Torreense) e o Benfica a receber na Luz uma equipa do meio da tabela (a CUF).

Durante a semana que antecedeu o jogo, o Torreense transformou-se numa espécie de Benfica B, com os treinos a serem orientados por elementos dos encarnados, tendo-se chegado ao cúmulo de, durante o jogo, um treinador do Benfica – o argentino Valdivieso – se ter sentado no banco do Torreense. A muito custo o FC Porto venceu por 3-0, com os dois últimos golos a serem marcados nos minutos finais da partida.

No entanto, como nesse tempo não havia “sistema” mas valia tudo, os portistas tiveram de esperar quase quinze minutos após o fim do jogo para poderem festejar.
E porquê?
Em primeiro lugar, e apesar dos regulamentos dizerem que os jogos tinham de começar à mesma hora, o do Benfica começou com sete minutos de atraso; depois, porque na Luz se destacaram dois “artistas”: o guarda-redes da CUF – um tal de Gama (que nome tão apropriado!) – que, de tão “infeliz” nesse jogo, teve de ser substituído a pedido dos próprios colegas e, principalmente, o árbitro alentejano Inocêncio Calabote que, entre outras decisões incríveis, marcou três (!) penalties a favor do Benfica e prolongou o jogo por mais oito minutos. O Benfica ganhou por 7-1, mas não chegou (faltou mais um golo).

Manuel de Oliveira, que viria a ser um dos mais cotados treinadores portugueses, era na altura jogador da CUF. Em declarações ao jornal RECORD de 23/01/2006, não teve dúvidas em afirmar: “Estava tudo feito. Foram assinaladas três grandes penalidades contra nós e nenhuma delas existiu. (...) O jogo foi preparado muito antes (...) Para começar, o Benfica promoveu um atraso de 7 minutos para o recomeço do jogo e depois confirmou-se o momento mau pelo qual passava o nosso guarda-redes, Gama, que foi muito pressionado durante a semana por elementos ligados ao adversário. E a verdade é que ele não foi feliz. (...) O jogo obedeceu a um arranjo e, quanto a isso, não tenho a menor dúvida”.

Perante tamanho escândalo que, ao contrário do que era habitual, não foi possível abafar (graças à força política da família Mello, donos da CUF), o “inocente” Calabote foi irradiado em 11 de Outubro de 1959.
No entanto, até hoje perdura uma questão: se o árbitro foi irradiado por, supostamente, ter sido subornado, porque razão nada aconteceu a quem o subornou?