domingo, 11 de janeiro de 2009

Modificações às regras do futebol

Serve esta pequena crónica para dissertar sobre algumas ideias em como melhorar o espectáculo do futebol (e/ou torná-lo mais justo).

1) Sensores electrónicos para se a bola entrou ou não

Pessoalmente acho que isto era para "ontem".

A tecnologia já existe (conheço-a mesmo bem de um ponto de vista profissional), e não compreendo porque é que ainda não foi aplicada ao futebol. A minha estimação grosseira é de que não custaria mais do que 1 milhão de euros no total para equipar os estádios das equipas da 1a liga, algo que a FPF (ou Liga) deveria pagar (e esta quantia é pequena comparada com os seus orçamentos).

2) Segundo árbitro (tipo andebol)

Sou contra, não vejo qualquer valor acrescentado. 1 árbitro, 2 fiscais-de-linha e um 4o árbitro é mais do que suficiente.

3) 4o árbitro com mais poder, em função da visualização de lances na TV (tipo râguebi)

Em princípio sou contra, acho que só ia dar azo a mais confusão para além dos tempos mortos. Já hoje muitos lances de penálti não são nada consensuais depois de se rever 50 vezes a repetição na TV, quanto mais tendo que ser analizado a "quente"... seria sempre subjectivo, e sendo subjectivo prefiro que recaia no árbitro de campo. A não ser eventualmente se só fosse utilizado para pontos muito objectivos, mas não estou a ver quais.

4) Relaxar a lei do fora-de-jogo

Acho que para evitar que certos jogos sejam feitos apenas no miolo do terreno, não seria má ideia que só passasse a haver fora-de-jogo para lá do enfiamento da linha de grande área.

5) Medida anti-"fiteiros"

Li por aí que quem sai de campo lesionado não devia poder regressar antes de 2 ou 5 minutos. Sou contra isto, porque ia pagar o justo pelo pecador (podia dar mesmo azo a que se fizessem faltas mais violentas, ainda que de forma matreira).

6) Medida anti-jogo

Ainda não vi ninguém propôr isto, mas pessoalmente defendo que a partir de um certo número de faltas (digamos umas 20, ou 15) a equipa que defende só pudesse colocar 2 jogadores na barreira. Isto era capaz de levar a que certas equipas deixassem de fazer faltas por tudo e por nada.

6 comentários:

Diogo disse...

Estou praticamente em total acordo com o q expõe e penso que foi uma crónica clara sobre aquilo que está em discussão. Concordo totalmente que do ponto de vista tecnológico pouco mais há a avançar (ao contrário do espalhafato que se tem feito) que a questão da linha de golo (ou então fazemos depender o jogo de meios super sofisticado (como os q foram empregues no euro2008 por exemplo (mas q n foram usados na arbitragem) o q afasta o jogo profissional do da rua (e isso p mim a prazo condenaria o futebol). Não concordo apenas na totalidade com o ponto 4. Tenho sérias dúvidas de que fosse positivo para um futebol que se quer mais escorreito. Nesta minha opinião tenho esta premissa (discutível claro): o ataque e as condições em que se chega à baliza contrária são em grande parte consequência da forma como se recupera a bola. Ora se uma equipa que defende sabe que até à linha da grande área não pode condicionar o ataque com a lei do fora-de-jogo de facto a equipa tende a recuar a defesa (até aqui dou-lhe inteira razão). Mas já seria ingénuo pensar que as equipas ficariam menos compactas (havendo assim mais espaços: que seria o objectivo desta mudança). Para mim o previsível é que as equipas passassem a pressionar cada vez menos "alto". Ou seja para equipas ficarem compactas como jogam hoje (que é o que lhes garante a redução de espaços) assistir-se-ia a cada vez mais jogos com equipas a defender com o chamado autocarro. E isso não teria efeitos só na forma de defender, porque quando uma equipa joga assim (e eu prevejo que fossem muitas, porque só um louco poria 10 homens em 50 metros permanentemente) teria cada vez mais dificuldade em "sair a jogar" já que estaria sempre curta e o jogo tornar-se-ia menos rápido. Na verdade se repararmos hoje em dia a lei do fora-de-jogo não é apenas uma forma de não permitir um jogador se acampar lá a frente: é também uma chamariz para quem defende. E isso dá velocidade ao jogo. É como que um bónus/incentivo a quem arrisca em atacar melhor (porque recupera mais à frente). Tal medida teria ainda muitos e profundos impactos para mim negativos: - Muito possivelmente teríamos equipas com um jogo cada vez mais físico (com o previsível chuveirinho). - Com a defesa tão recuada deixaria de haver a necessidade de defesas rápidos como temos hoje em dia (Pepe por exemplo). - Futebol com menos necessidade de técnica (ou então teríamos super-heróis que furariam autocarros o que é pouco plausível). Em relação à ultima mudança que propõem concordo com a ideia mas acho que a aí sim se poderia ir mais longe. Ou seja colocar um limite de faltas (por cada parte do jogo para não haver "gestões criativas") que ultrapassadas dariam uma sanção como uma expulsão ou livres na meia lua. É óbvio que a falta continuaria a fazer parte do jogo (e há jogadores que a sabem usar com muito critério, ex.: Ricardo Carvalho), mas eu acho que ela deve estar fora das estratégias de jogo. (Ex.: acabar com a ideia que um treinador pode incentivar durante todo o jogo dizendo a um jogador "ou passa a bola ou passa o jogador" sabendo q isso teria consequências para toda a equipa.
Isto já vai longo mas ainda vou a tempo de dar os parabéns pelo blog e votos de bom ano.

João Saraiva disse...

1) Também acho que era para ontem. Mas o problema ainda está precisamente na tecnologia, não é assim tão simples fazer a verificação da totalidade da bola, e até hoje os vários sistemas testados falharam sempre. Também por isso é que ainda não se avançou. Mas é urgente investir mais neste ponto.

2) Sou a favor, ou dois 2 árbitros ou mais dois assistentes, assim aos estilo dos antigos árbitros de baliza do hóquei em patins

3) Completamente contra

4) Isso já foi testado há uns anos num mundial de sub-17 e foi um fracasso, as defesas deixaram de subir e ficavam sempre na linha de grande área para não serem surpreendidas.

Mas já sou a favor, de por exemplo não se marcar fora de jogo quando o jogador não tira partido dessa posição. Por exemplo, o jogador está em fora de jogo quando a bola é bombeada para a frente, no entretanto recupera para uma posição legal e quando joga a bola já não vai tirar nenhuma vantagem da posição inicial. Ou em situações de foras de jogos nas laterais da grande área - após algumas situações de lançamentos laterais, quando na grande área está mais de meia defesa.

5) Em princípio tb sou contra, só acho que deveria existir um sistema mais completo de contabilização do tempo perdido com essas paragens, e que o mesmo seja efectivamente compensado no fim. O que acontece actualmente é que essas paragens são compensadas pela metade.

6) Vem no seguimento do anterior e acho que sim, devem existir medidas para prevenir o anti-jogo.

E acrescentava o:

7) utilizar o spray brasileiro para marcar a distância da barreira e deixarmo-nos de perder uns 2 minutos sempre que há um livre à entrada da área.

KOSTA DE ALHABAITE disse...

Incrível arbitragem a do jogo dos lampiões. Que roubalheira incrível! Resultado totalmente falseado! É uma vergonha! Foi uma das mais vergonhosas arbitragens que já vi!
Espero que não seja o Porto a pagar esta roubalheira!

César disse...

Não sou contra possíveis evoluções na arbitragem, nomeadamente em tudo o que seja posicional (foras, linha de golo, fora de jogo), no entanto sou contra interrupções ao jogo.

Em relação ao post, devo dizer que o que se diz sobre o fora de jogo é um verdadeiro disparate. Citando o grande Trapattoni: "O fora de jogo é a lei que permite à defesa jogar com criatividade". Essa de só passar a contar na linha de grande área é de bradar aos céus, não só iria revolucionar o futebol, como iria tão simplesmente despojá-lo de uma grande componente táctica que têm.

David disse...

Eu defendo claramente a existencia de mais 2 arbitros. os chamados arbitros de area. um colocado em cada area com obrigaçao de visualizar lances de penalti e golo. de certeza que os amarroes nos cantos iriam diminuir.

Na questao do fora de jogo ta provado que é fisicamente impossivel a visualizaçao de certos lances. por isso so meios tecnologicos serao infaliveis. meios esses que nao defendo.

Aristodemos disse...

1) Sensores electrónicos para se a bola entrou ou não

Duvido que um sensor tenha precisão suficiente para determinar a localização exacta de um objecto que viaja a 100 km/h, ainda por cima com a deformação que a bola sofre após o contacto com a barra. É preferível uma ou mais câmaras na linha de baliza.

3) 4o árbitro com mais poder, em função da visualização de lances na TV (tipo râguebi)

Com esses meios acabavam as simulações, golos com a mão e as agressões nas costas do árbitro.

4) Relaxar a lei do fora-de-jogo

Isso ia tornar muito popular a táctica do autocarro.

5) Medida anti-"fiteiros"

Para mim era como no rugby: o jogo não pára quando um jogador está a ser assistido.

6) Medida anti-jogo

Como no basket, em que a partir de X faltas um jogador seria excluído da partida, mesmo que fosse só por Y minutos como no rugby.