quinta-feira, 5 de março de 2009

Como nos estamos a defender

Nos últimos tempos tenho estado mais atento às nossas movimentações defensivas por ter reparado que concedemos muitos cruzamentos ao adversário. As razões para esta situação não são do meu conhecimento. Não sei se são a consequência de um comportamento defensivo ou se são o objectivo do comportamento defensivo.

Creio que em parte este sistema defensivo será um resquício de uma estratégia que (com Bosingwa à direita e Fucile à esquerda) apostava na rapidez dos laterais para impedir os cruzamentos. Por outro lado, e apesar de termos perdido a rapidez e capacidade de recuperação nas laterais, este sistema parece-me continuar a funcionar na prevenção de golos pelo facto de possuirmos dois centrais altos, com boa impulsão e com bom jogo de cabeça e um guarda-redes relativamente seguro a sair dos postes.

Há vários elementos, na minha opinião, que sustentam esta tese:

Recuo das linhas avançadas e concentração no centro do terreno
Parece-me consensual que este ano actuamos com as linhas mais recuadas e com uma certa passividade no momento de recuperar a bola. Os jogadores tendem a "amontoar-se" em frente à área sem fazer movimentos de pressão sobre os oponentes, apenas procurando tapar as linhas de passe. A consequência disto é que os nossos adversários tenham tendência para lateralizar o jogo, apostando mais na velocidade nos flancos e nas variações de jogo (mudando o jogo rapidamente para o lado oposto do ataque).

Postura dos laterais
Os nossos laterais têm tido uma atitude mais passiva, fechando mais no centro do terreno e dando mais espaço para a entrada de jogadores pelo flanco. O posicionamento dos laterais quando se encontram no um para um, tem sido na expectativa de se o atacante conseguir passar, que seja para a lateral e não para o centro.

Golos sofridos em remates à entrada da área
Temos sofrido muitos golos em remates de fora da área, e muitos sustos por aparecerem jogadores sozinhos a rematar nessas zonas. Parece-me lógico que sendo essa uma das lacunas da nossa equipa (a falta de agressividade na recuperação em frente à área) que consciente ou inconscientemente se tente que a bola não esteja tanto nessa zona do terreno. Como tal parece mais simples fazer com que o adversário jogue nas laterais e no jogo aéreo (onde o FC Porto costuma ter predominância).


Em resumo, creio que uma parte da estratégia defensiva passa por "dar" ao adversário a linha de fundo, ganhando depois a bola no jogo aéreo dentro da área. Concordando ou não com a estratégia, parece-me que estão a ser aproveitadas as capacidades dos nosso jogadores (jogo aéreo) para suprir outras falhas dos mesmos (agressividade na recuperação da bola).


Quero deixar claro que não tenho qualquer formação na área de futebol. As conclusões a que chego são baseadas exclusivamente em senso comum e na experiência adquirida a ver futebol ao longo dos anos.

6 comentários:

José Correia disse...

Parece-me que os principais problemas na fragilidade defensiva que a equipa vem denotando são:

1) A grande instabilidade na escolha dos dois defesas laterais.
À direita já jogaram Sapunaru, Tomás Costa e Fucile
À esquerda já jogaram Benitez, Lino, Fucile, Pedro Emanuel e Cissokho

2) A menor qualidade dos dois defesas-laterais "titulares" (Fucile é pior que Bosingwa e Cissokho é pior que Fucile)

3) O processo de adaptação e crescimento por que está a passar o Fernando, o que faz com que, nesta altura, ainda não dê as mesmas garantias que dava o Paulo Assunção

4) Os problemas físicos que vêm afectando Lucho quase desde o início da época

Nuno Nunes disse...

Ao que afirmou o José Correia eu acrescentaria:

5) O défice físico do Raul Meireles que devia fazer um treino específico para ganhar massa muscular.

Luís Carvalho disse...

"Quero deixar claro que não tenho qualquer formação na área de futebol. As conclusões a que chego são baseadas exclusivamente em senso comum e na experiência adquirida a ver futebol ao longo dos anos."

Pedro,
Era o que faltava que, após tantos e tantos anos a ver futebol, uma pessoa precisasse de qualquer "formação" para se poder pronunciar livremente.

"Eles" bem querem fazer disto uma ciência exacta e algo obscura mas trata-se tão somente da simples relação entre o Homem e uma bola...

Pedro Mota disse...

Concorco totalmente com tudo o que foi escrito aqui...Uma crónica muito pertinente...Abraço

Zezé disse...

Queria convidar-vos a uma visita ao meu novo blog:

www.orgulhodainvicta.blogspot.com


Futuro do nosso clube está lá retratado.

Marco Ferreira disse...

Mais uma excelente visão do que tem acontecido com o nosso FC Porto.

É certo que estamos mais permeáveis, mas penso que a principal razão tem a ver com a falta de pressão ofensiva. A nossa linha da frente faz pouca pressão e vai-se deixando descair para a zona defensiva. Com mais pressão para recuperar a bola na zona defensiva do adversário metade dos problemas estavam acabados.

Sei que não é fácil jogar da mesma maneira quando as pedras mudam, e foi esse o nosso problema.

marinheiroaguadoce a navegar