quarta-feira, 4 de março de 2009

Jorge Costa



Obviamente que JC deixou de ser o nosso grande capitão quando saiu do FCP, mas emocionalmente para os portistas nunca perdeu esse lugar, porque o exerceu de tal forma que passou a ter um valor simbólico que desafia a lei do tempo, tal qual o nº 2 que vestiu, nas pisadas de João Pinto.

Hoje é um cidadão, profissional, no mercado para servir sob a melhor proposta, e isso requer para algumas personalidades um posicionamento que não crie anti-corpos que possam pesar desvantajosamente na sua carreira. Esta é uma posição inatacável e que se compreende.

Os clubes, também eles, quando os jogadores atingem o seu prazo de validade nem sempre se comportam com a grandeza do clube e o respeito devido aos atletas que o serviram de forma irrepreensível. Não é só no futebol que acontecem estas “coisas da vida”.


Vem tudo isto a propósito da ida de JC, na quinta-feira passada, ao programa “Pontapé de Saída” da RTPN, na qualidade de treinador, mas essencialmente em função de ter sido atleta do FCP, com grande experiência e carisma e poder relatar – com conhecimento de causa – o que se passa na casa, como a equipa é capaz de se transcender, como funciona o balneário e como o FCP consegue revitalizar-se num período em que a mobilidade dos jogadores é bastante maior que no passado.

Ouvir essa experiência de alguém que é reconhecido como digno representante dessa mística que é cultura do FCP, antes de um jogo com um rival, depois de comportamentos bem dispares de ambas as equipas na CL, era uma curiosidade, certamente, dos promotores do programa, que os portistas agradeceram, mas que foi uma total desilusão, digo eu.

JC foi sempre muito equidistante e uma das suas primeiras frases e mais marcantes foi relevar a forma (ingénua) como o SCP acedeu a antecipar o jogo, perdendo 24 horas de descanso relativamente ao FCP, e que Freitas Lobo logo aproveitou para o choradinho do costume.

Foi quase sempre parco de palavras – Marlon Brando não faria melhor – com um discurso cheio de “over acting”, com pausas para meditar bem no que dizia, para depois deixar sair meia dúzia de vulgaridades, sem qualquer interesse.


Pareceu-me que pretendia camuflar a sua ligação ao FCP e em todas as respostas, mesmo quando lhe perguntaram se gostaria um dia de treinar o FCP? Não comentou diferente que o faria qualquer outro treinador em Portugal.

Talvez seja ingenuidade minha, talvez tenha que ser assim: um jogador como Jorge Costa ficou com um carimbo de que dificilmente se livra, para o bem e para o mal. Não vale a pena falar como um “senhor”, não vale a pena tentar passar a ideia que o FCP já foi e que amigos, amigos, negócios à parte. Não havia necessidade, porque JC ficou com esse cunho do qual se deveria orgulhar e servir, porque deveria fazer parte da sua pele e nada há que esconder ou de que se envergonhar, quando alma não é pequena.

Pode ser que tenha tomado a nuvem por Juno, mas aquele aparente “descomprometimento” chateou-me, e só por uma vez JC se enganou quando disse “estávamos” (referindo-se ao FCP), para logo emendar com “estão”. Ao JC símbolo do FCP não basta pensar que o é, é preciso ser e parecer. E não são precisas juras de amor eterno. Basta ser inteligente.

15 comentários:

ACCM disse...

Saudações,

Concordo em absoluto! Subscrevo!

Nightwish disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Aristodemos disse...

Para quem não viu o programa:
http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?tvprog=21238&formato=flv

Daniel disse...

Não é de agora esta maneira de estar do Jorge Costa. Digo mais... em conversa que mantive com antigos colegas de equipa no Porto, alguns me diziam que ele não era o que que fazia passar cá para fora. Uma autêntica desilusão esta postura. Digo com mágoa que é um símbolo do clube (que há-de sê-lo sempre) que já não me diz nada. Vejo-o com a mesma distância com que ele coloca o Porto nas suas palavras. Dizem-me também que com Pinto da Costa no Porto ele não volta para qualquer cargo. Espero que não volte nunca.

Aristodemos disse...

«Maniche prepara-se para um regresso emocionante ao Estádio do Dragão, quando o Club Atlético de Madrid defrontar o FC Porto em jogo referente à segunda mão dos oitavos-de-final da UEFA Champions League. A partida realiza-se na próxima quarta-feira e o médio de 31 anos insiste que "o Atlético precisa de estar ao seu melhor nível para alcançar os quartos-de-final".

Oportunidades perdidas
Os pupilos de Jesualdo Ferreira têm a vantagem de terem marcado dois golos fora de casa no empate (2-2) verificado no Vicente Calderón, há uma semana, mas a antiga estrela do FC Porto acredita que o resultado poderia ter sido pior ainda para os "colchoneros". "O FC Porto jogou melhor do que nós. Controlou praticamente todo o jogo e, de facto, nem sei como não marcou mais golos", admitiu. Os golos do avançado Lisandro Lopéz anularam por duas vezes os remates certeiros de Maxi Rodríguez e Diego, num encontro em que Hulk e o argentino, melhor marcador da prova, desperdiçaram inúmeras oportunidades. "Sabíamos das dificuldades se não estivéssemos ao nosso melhor. Eles mostraram-se tranquilos e depois de igualarem pela primeira vez conseguiram criar bastantes oportunidades", acrescentou Maniche.

Adeptos satisfeitos
Voltar a um sítio do qual guarda tão boas memórias, onde o internacional português jogou sob as ordens de José Mourinho e conquistou a Taça UEFA e a UEFA Champions League em épocas consecutivas, é sempre algo sentimental. "É especial", referiu o jogador do Atlético. "Passei três anos fantásticos nessa grande instituição e gostaria de enviar uma mensagem aos adeptos do FC Porto para agradecer o apoio que sempre me deram". A afeição é mútua, mas necessariamente secundária pois o conjunto espanhol precisa de dar tudo para vencer: "Claro que podemos ganhar", revelou. "Há ainda 90 minutos para serem jogados e, apesar das coisas estarem difíceis, julgo que temos bons jogadores. Temos de estar no nosso melhor".»

http://pt.uefa.com/competitions/ucl/news/kind=1/newsid=806497.html?cid=rssfeed&att=competitions/ucl/index

HULK Onze milhas disse...

Não vi a entrevista mas já tinha essa ideia acerca da "nova" postura de Jorge Costa.
Nas entrevistas que tenho lido dele, o seu discurso é muito diferente do de outros profissionais que passaram pelo FCP e que nem portistas são: Inácio, Fernando Santos, Eurico, etc...
E Domingos, estando excactamente como ele a iniciar carreira, não esconde a sua origem e o seu afecto ao FCP.
Para mim... Jorge Costa é passado... e é pena que ele procure esconder-se do seu passado, mas, se ele quer assim, então nós, adeptos do FCP temos que o ignorar...

FCPortoSempre disse...

estao muito enganados quanto ao que parecia e o que era o jorge costa. este dentro do balneario so ajudava o treinador se fosse tambem ele apaparicado por esse mesmo treinador. todos sabem que ele fez a cama a alguns treinadores e ate a proprios colegas de equipa. tentou faze-la ao co adrianse, felismente nao conseguiu e fomos bi-campeoes sem ele. nao se iludam ele nao e' quem pensam que ele e'. mais a mais basta comparar a sua postura com a postura do baia, esse sim com o porto no coracao. o jorge costa ficara com essa alcunha de capitao, mas não a merece e' ate desrespeitante para outros grandes capitaes. o joao pinto ao lado dele e' um enorme Homem, com um H muito grande.

Daniel disse...

O Domingos vi-o ao meu lado na última final de taça no jamor contra o Sporting com o cachecol do FCP ao pescoço. Mesmo quando joga contra o Porto, nas conferências de imprensa antes e depois do jogo, nunca esconde qual a sua cor. O Jorge Costa devia ainda assim estar agradecido pelos jogadores que o Porto lhe emprestou para o Olhanense. Ingrato. Começo a desconiar que nunca foi Portista e me saiu sim um belo actor.

Hymne disse...

a comparação com o Domingos faz algum sentido...afinal quando como treinador ganhou ao Porto no flash interview só lhe faltou dizer que estava triste com o resultado, e nunca deixou de sublinhar que o Porto é o Porto e será sempre o seu objectivo um dia como treinador

AZUL disse...

Fico com pena de verificar que podem fazer sentido quer o post quer os comentários.Este afastamento do JC... se motivado por interesses económicos ou não, é uma desilusão.Afinal era para mim uma referência quer como jogador, quer como defensor das cores azuis e brancas! Coluna vertebral vai sendo cada vez mais necessária para que , nos dias de hoje, a reverência ao poder instalado não substitua a integridade intelectual. Como diz a frase: só faz falta quem cá está!

José Correia disse...

Ao contrário do que espero de Vítor Baía, nunca tive grandes ilusões em relação ao Jorge Costa.

Quer como jogador, quer como treinador, parece-me que sempre colocou os seus interesses pessoais acima da "paixão" (que acredito que tenha) em relação ao FC Porto, o que é perfeitamente legitimo.

Até pode ser que um dia venha a ser treinador do FC Porto, mas antes terá de demonstrar competência, tal como os benfiquistas Fernando Santos ou Jesualdo Ferreira.

Luís Carvalho disse...

Não procuremos criar mais inimigos dos que aqueles (muitos!) que já temos.
E esses, como sabemos, são mesmo bem reais.

O próprio Baía também já teve umas histórias "estranhas".
Não entremos por aí...

Diogo disse...

É uma vergonha o que aqui já li em relação ao nosso Capitão. Ele é um profissional, e o seu "engano", prontamente corrigido com um "estão", porque ele está ao serviço do Olhanense, só serve para provar que por muito que queira não se consegue distanciar deste Clube. Os vossos comentários e este post são VERGONHOSOS para a Nação Portista. Não queiram fazer inimigos à força, já nos chega um país inteiro contra nós.

Anónimo disse...

Mais um ídolo com pés de barro. Concordo que não é preciso cair nos exageros do Manuel Fernandes, que fala sempre como sportinguista e não como profissional do futebol, mas nem 8 nem 80. Se calhar quem tinha razão era o Octávio (ui! o que eu fui dizer!:-))

Pedro Reis disse...

Acho que é uma visão redutora e até um pouco mesquinha achar que ex-jogadores do FCP têm que ser subservientes ou reféns do nosso clube.
Acabou a carreira deles como jogadores profissionais do FCP e começaram uma carreira como treinadores. Independentes e equidistantes como é normal que sejam. Pelo contrário, até digo que não gosto particularmente de uma postura "à Domingos", porque isso só serve para sermos mais atacados pelos nossos inimigos.
A única coisa que espero de ex-profissionais do FCP é que não andem a denegrir o clube nem a atacá-lo. Devem respeitá-lo mas sem grandes reverências.

P.S. Atenção que não ouvi as declarações do Jorge Costa e só estou a escrever com base no post e nos comentários subsequentes.

P.S. Já agora aproveito para elogiar o João Pinto que nesta fase como comentador é uma pessoa equilibrada e equidistante. Jogou no SLB e no SCP, sempre teve o FCP como rival, mas hoje sempre que se justifica reconhece aquilo em que o FCP é melhor que os outros. Um exemplo.