quinta-feira, 19 de março de 2009

Superliga europeia na forja?

Clubes participantes na Liga dos Campeões 2008/09 (fonte: billsportsmaps.com)



«Dans son édition de mardi, France Football révèle le projet secret des grands clubs européens. Pour faire face à la crise, les grandes écuries occidentales souhaitent créer un Superchampionnat d'Europe des clubs avec trois divisions et un système de montées et de relégations.
Une telle idée n'est pas neuve. Dès le début des années 1990, certains grands clubs, regroupés ensuite au sein du G14, avaient mené la vie dure à l'UEFA et à la FIFA en se battant par exemple contre le principe de libération des joueurs au profit des équipes nationales et surtout en répudiant les compétitions européennes existantes pour réclamer un Championnat entre «super-grands», à l'instar de la NBA américaine. Mais ce projet n'avait pas abouti à l'époque et avait conduit à la dissolution du G14, remplacé par l'Association des clubs européens (ECA). Mais ce projet a visiblement été soigneusement conservé. Et aujourd'hui les membres les plus illustres du gotha européen sont bien décidés à revenir à la charge. Mais cette fois ils veulent agir de concert avec l'UEFA et sont prêts pour cela à faire certaines concessions. Alors un tel projet a-t-il une chance de voir le jour? Et surtout, un tel Superchampionnat européen des clubs serait-il bénéfique pour le football?»
in France Football (n°3284), Mardi 17 mars 2009


«C’è voglia di Superlega. Di un grande torneo che sostituisca la Champions, con il quale affrontare meglio scenari finanziari non esaltanti, se è vero che lo stesso Sepp Blatter ha lanciato l’allarme: "Sul calcio sta per abbattersi uno tsunami". La Superlega è un’idea (minaccia?) che si ripresenta ciclicamente, con la quale i club, negli anni 90, convinsero l’Uefa a trasformare la Coppa Campioni in Champions. Ma oggi c’è una novità: nessuna voglia di scissione, ci mancherebbe, il torneo dovrebbe svolgersi all’interno della stessa Uefa che, per una volta, potrebbe essere meno negativa.
Con Platini è stata la svolta nei rapporti Uefa-grandi club. Johansson rifiutava il dialogo, il francese è riuscito a far sciogliere il G-14. In cambio, naturalmente, di concessioni importanti: soprattutto la presenza dei club nel Consiglio Strategico, con un indiretto potere decisionale. Il neo-presidente ha poi varato la "sua" Champions che il prossimo anno, con la nuova formula, dovrebbe aumentare il montepremi da 850 a 1.150 milioni.
Però gli scenari dell’economia mondiale sono drammatici. Le uniche notizie positive arrivano dagli Usa, dove la Nba sembra resistere meglio. Ma la Nba è un torneo chiuso, sempre le stesse squadre che si sfidano e nessuna chance per chi è fuori. Questo, in Europa, non si può fare: l’Unione Europea farebbe saltare tutto perché contrario ai principi affermati dalla Commissione. La soluzione? Promozioni e retrocessioni.
Viene in aiuto un vecchio progetto di Superlega. Un grande torneo (che sostituirebbe tutte le coppe) strutturato in divisioni: come se ci fosse la Superlega di A, di B e di C. Ad ogni torneo parteciperebbero 20/22 club. La "Superlega A" assegnerebbe il titolo di campione d’Europa. Ma ci sarebbero le retrocessioni: le ultime 3/4 scenderebbero in "Superlega B", sostituite naturalmente dalle promosse.
E così fino alla "Superlega C", anch’essa aperta, per consentire l’ingresso di chi arriva dai preliminari. Non sarebbe troppo diverso da oggi: Champions a 32, Uefa (Europa dal prossimo anno) a 48, le altre eliminate ai preliminari estivi. Ma la differenza sarebbe nel monte partite. Una Superlega da 20 squadre, con tutte le più grandi assieme, in un girone all’italiana, con partite di sola andata, consentirebbe a ogni club di giocare 19 gare di altissimo livello: senza Artmedia e Bate Borisov, ma con Liverpool, Barcellona e Real. Sempre, a meno di improbabili retrocessioni.
Il girone all’italiana non basta. Alle 19 partite seguirebbero almeno quarti, semifinali e finale. Totale: 24 gare. Oggi sono 13. Sarebbe necessario ridurre i campionati nazionali (che nessun club si sogna di cancellare) da 38 a 30 giornate (da 20 a 16 squadre). E le date sarebbero quasi le stesse.
Non ama Superleghe o altro, però una crisi prolungata potrebbe indurlo al pragmatismo: "La mia Champions è il più egualitaria possibile, ma è l’Esecutivo che decide: capisco le preoccupazioni dei club per la crisi", ha detto la settimana scorsa. Non è un "no" deciso. Oggi ad Amsterdam si riunisce l’Eca (associazione dei club al posto del G-14) e domani a Zurigo la Commissione Calcio Fifa presieduta da Platini. In agenda non c’è la Superlega, che ora sembra piuttosto un progetto strisciante favorito dal possibile rientro di ex sostenitori quali Florentino Perez (al Real).»
in Gazzetta dello Sport, 17 marzo 2009


No mesmo dia, duas das principais publicações europeias de desporto/futebol publicaram artigos sobre uma futura Superliga europeia, estilo NBA, que substituiria as actuais Liga dos Campeões e Taça UEFA.
Será coincidência? Não me parece.

Segundo estas publicações, a Associação de Clubes Europeus, que representa 137 clubes na Europa, abordou (através do AC Milan) a potencial criação de uma Superliga na reunião da semana passada em Nyon, na Suíça. O modelo que supostamente apresentou previa a existência de três divisões europeias, as quais teriam entre 20 e 22 clubes cada (um total de 60 a 66 clubes – actualmente, a Liga dos Campeões é disputada por 32 clubes e a futura Liga Europa, que irá substituir a Taça UEFA, por 48).

Nesta primeira versão (proposta), a divisão principal arrancaria, grosso modo, com os clubes que habitualmente disputam a actual Liga dos Campeões, isto é, quatro clubes ingleses, italianos e espanhóis, três franceses e alemães e um apenas de Portugal, Holanda, Escócia e Bélgica.
As duas divisões inferiores seriam preenchidas por clubes de acordo com critérios desportivos e convites a clubes históricos, estando previstas pré-eliminatórias de acesso à 3ª divisão europeia, de clubes vindos dos campeonatos nacionais.
Em cada época, e de acordo com a classificação da época anterior, subiriam/desceriam três ou quatro equipas entre as três divisões europeias.

Como é óbvio, o objectivo desta eventual Superliga europeia é garantir mais jogos e, principalmente, mais jogos entre os grandes clubes europeus, de modo a captar maiores receitas provenientes dos patrocinadores, televisões e bilheteira. Daí que não surpreenda o interesse dos grandes clubes da Europa.
Segundo a revista “France Football”, Milan, Manchester United, Real Madrid, Barcelona, Inter de Milão, FC Porto e Lyon são alguns dos clubes que defendem esta ideia e estarão directamente relacionados com o projecto.



Principais problemas suscitados por este projecto:

1. A UEFA tem um contrato com a Team, que a impede de encerrar ou mudar a Liga dos Campeões até à época 2011/12
Solução: Arrancar com a Superliga europeia em 2012/13.

2. A Superliga europeia ia exigir muitas mais datas do que as actualmente disponíveis
Soluções: i) reduzir para 16 equipas (30 jornadas) os campeonatos nacionais; ii) adoptar o modelo da NBA, isto é, repartir a Superliga europeia em duas zonas, Este e Oeste por exemplo; iii) jogar apenas a uma volta (como é feito actualmente na fase de grupos da Taça UEFA).

3. Insatisfação dos clubes médios/pequenos por se verem afastados da 1ª divisão europeia
Solução: Na prática, isso já acontece actualmente. Quantos clubes médios/pequenos disputam actualmente a Liga dos Campeões?
Uma maneira de minorar este problema, seria a 2ª e 3ª divisões europeias distribuírem verbas significativamente superiores às que actualmente são distribuídas pela Taça UEFA. Tal seria possível, porque o bolo de receitas global iria, previsivelmente, crescer bastante.


4. A oposição de Michel Platini
Solução: O Platini não é o dono da UEFA e, por outro lado, as transformações da Taça dos Campeões em Liga dos Campeões e da Taça UEFA em Liga Europa demonstram que as competições europeias não são imutáveis. Além disso, desde que sejam eles a controlar, os senhores da UEFA costumam gostar (e muito!) de competições milionárias


A Superliga europeia seria boa para o FC Porto?
Segundo o Record, os dragões são defensores acérrimos da criação desta prova. Embora seja preciso refinar diversos aspectos, a ideia base parece-me interessante, quer desportiva, quer financeiramente. De facto, clubes como o FC Porto (um clube grande num país pequeno) teriam numa competição destas acesso a receitas que doutro modo são impossíveis de obter.

11 comentários:

Uminho1 disse...

Entretanto os ex-G14 já vieram desmentir oficialmente essa hipotese. Ainda está tudo muito nubloso para avaliar se seria bom ou mau para o FC Porto. Eu sou a favor de eliminatórias, gosto pouco de campeonatos nas provas da UEFA. Veremos.

Nightwish disse...

Isso é muito bom é para se deixar de apoiar os clubes locais e começar-se só a ser fã dos grandes clubes...
Tá masé tudo doido.

Luís Carvalho disse...

Sim, na teoria um sistema de eliminatórias favorece-nos mais do que uma qualquer "superliga".

Isto de um ponto de vista desportivo, claro.

HULK Onze milhas disse...

Eu ficaria feliz de deixássemos de competir na Liga Portuguesa e passássemos a jogar apenas numa liga europeia, mesmo que fosse numa 3a. divisão!!!
Preciso explicar porque ficaria tão imensamente feliz?

Pedro Mota disse...

O Porto é grande demais para a liga portuguesa...Se o Porto quer mesmo crescer tem de competir com os melhores e em Portugal isso não aconteçe,para alem de que não teriamos que levar com a constante imprensa lisboeta a nos xatear...Eu sempre disse que o Porto em Portugal era de outro campeonato,e felizmente isso pode vir a acontecer...

bLuE bOy disse...

Sinceramente, nem sei bem se é bom ou mau a entrada neste projecto, no caso deste vir a avançar e nos moldes aqui referidos.

Partilho da opinião do Uminho1... a concretizar-se, preferia uma versão "eliminiatórias" do que "campeonato", pois nesta 2ª hipótese, penso que seria mais prejudicial aos nossos intentos, dados os tubarões das grandes potencias futebolisticas que ocupariam sempre os lugares de primazia, deixando para os outros, os lugares de sobe e desce de divisão.

A ver vamos no que dá... para já, é muito fumo e pouco fogo!

HULK Onze milhas disse...

Já imaginaram um cenário em que não teríamos que levar com os "Vieiras" que fazem as coisas "por outro lado"?
Com uma Procuradoria que só nos lixa?
Com umas arbitragen,s tipo Cosme, João Pode Ser, Lucílios, etc?
Com uma comunicação social centralizada na Capital e sempre a querer ajudar a "fazer as coisas por outro lado"?
Que iriam fazer dos "Trios de Ataque", dos "Dias Seguintes" e similares?
Que 1a.s páginas iriamos ter nos rascordes,nos correios da noite e nas borlas?
E os justiceiros do nosso futebol que tanto nos teem prejudicado?
Deixem-me sonhar... e sorrir!!!

José Correia disse...

HULK Onze milhas disse...
«Eu ficaria feliz de deixássemos de competir na Liga Portuguesa e passássemos a jogar apenas numa liga europeia, mesmo que fosse numa 3a. divisão!!!»

Não vou tão longe como o amigo Hulk onze milhas, mas percebo e partilho o sentimento.

José Correia disse...

Penso que seria viável termos uma Superliga europeia nos seguintes moldes:
26 clubes em cada uma das três divisões (o que daria 78 clubes no total), divididos em duas zonas - 13 na Zona Este e outros 13 na Zona Oeste.
Jogando a apenas uma mão (como acontece na fase de grupos da actual Taça UEFA), isso daria 12 jogos, 6 em casa e 6 fora.

A seguir, teríamos os quartos-de-final da competição, em que os 4 primeiros da Zona Este jogariam contra os 4 primeiros da Zona Oeste (1º contra 4º e 2º contra 3º) e por aí adiante até à final.

No mínimo um clube disputaria 12 jogos (o que duplicaria o número de jogos da actual fase de grupos da LC) e os dois finalistas disputariam 17 jogos (agora o máximo são 13).

Parece-me viável.

José Correia disse...

«(...) a divulgação feita esta semana, de forma consertada, pelos mais influentes jornais desportivos de Itália e Espanha, do projecto de criação de uma Superliga europeia em três divisões a partir de 2012 (quando acabam os contratos televisivos da Champions) basta para que se alertem os espíritos acerca da revolução que aí vem e pode ser mais impactante que a da criação da Liga dos Campeões, em 1992.

A corrida aos lugares no futuro do futebol europeu está aberta e já se sabe que é da abrangência dos mercados em que se inserem que vem o poder dos clubes. Fazer boa figura nos próximos anos é, por isso, determinante. O futuro começa hoje.»

António Tadeia
in O JOGO, 20/03/2009

hmocc disse...

Eu penso que mais tarde ou mais cedo o modelo Champions irá ser substituido por um Campeonato europeu de clubes.

As várias tentativas de NBA-izar o futebol não darão grande fruto pois o produto (futebol vs. basquetebol) e o mercado (Europeu vs. Americano) são bastante diferentes.

O Futebol europeu está assente nas "grassroots" que, ao implementar um modelo estilo NBA, seriam completamente ignoradas e ostracizadas a um limbo ainda mais obscuro que aquele em que já se encontram actualmente.

A minha unica solução para este problema será a Uefa sancionar uma nova competição onde os 20-24 melhores clubes europeus jogam para os pontos a 2 voltas, sendo que todos os clubes envolvidos são convidados a participar e ao aceitar o convite, automaticamente dispensados dos respectivos campeonatos nacionais.

Os convites estender-se-iam aos melhores clubes no Ranking da Uefa.