quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

“Nós só queremos Lisboa a arder”


"Portugal é cada vez mais um país estrangulado e centralista. Os momentos que se vivem no nosso país são extremamente delicados e difíceis para todos aqueles que querem fazer alguma coisa fora da capital do império.
Por mais pasquins que Lisboa tenha ao serviço e à promoção dos seus clubes e entidades, vamos continuar a lutar com a dignidade das gentes do Norte, com as gentes deste país, de Norte a Sul, que não se confundem com o poder centralista da capital.
O FC Porto está a mais no país que temos, mas é necessário para o país que nós queremos que Portugal seja."
Pinto da Costa, 27/11/2009

Coincidência ou não, estas declarações de Pinto da Costa na Casa do FC Porto de Amarante, foram feitas no mesmo dia em que Manuel Brito, vereador do Desporto da autarquia lisboeta, confirmou ao jornal PÚBLICO a existência de negociações com a Red Bull Portugal tendo em vista desviar a Red Bull Air Race do Porto para Lisboa. Segundo o PÚBLICO, para além da Câmara de Lisboa, os contactos da Red Bull com as entidades portuguesas têm também envolvido o Turismo de Portugal e a Secretaria de Estado de Turismo.

Perante isto, e como seria de esperar, os presidentes das câmaras municipais do Porto e de Vila Nova de Gaia já reagiram: Rui Rio de forma contida e politicamente correcta (a ambição de chegar a líder do PSD e depois a primeiro-ministro a isso obriga) e Menezes sem tibiezas, pondo os pontos nos iis.

"A empresa [Red Bull] tem todo o direito de ir para onde quer. Depois há o financiamento público e para-público de empresas públicas (...) Não estou a falar deste Governo, isto é transversal aos partidos. (...) A seguir às eleições, fomos contactados para saber se estávamos interessados em ter a prova no Porto e dissemos que sim"
Rui Rio, 27/11/2009

"É uma situação escandalosa, o Estado estar a suportar um país a duas velocidades. Não tem nada contra as pessoas de Lisboa, não tem nada contra a Câmara de Lisboa. Tem contra um atitude, mais uma, discriminatória do Estado, que directa ou indirectamente, está a esquecer-se que o Porto é fundamental para o desenvolvimento económico e social do país"
Luís Filipe Menezes, 27/11/2009


Menos soft que os políticos, foi a reacção inflamada de dois conhecidos comentadores e respeitados elementos da sociedade civil portuense:

O Porto não perdeu, o Porto foi roubado, como de costume. Como já se sabia, porque já no Verão isso foi falado, o Governo resolve subsidiar o Red Bull Air Race desde que seja realizado em Lisboa, no Tejo. O governo de hoje em dia é um governo perfeitamente colonial, que vive concentrado em Lisboa, que concentra todo o investimento em Lisboa e acha que nós somos seus colonos e seus súbditos e portanto não está interessado em investir aqui, principalmente no turismo. Tem-se visto o comportamento do governo relativamente ao fomento do turismo nesta região
Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto

"O Porto é permanentemente roubado, na medida em que há uma transferência sistemática de impostos dos cidadãos da região, para a capital do Império. Isso é uma lógica que vem de sempre. Já não temos colónias, já não temos Macau, já não temos Timor, já não temos nada desse Império, só que Lisboa continua a funcionar como uma capital imperial. Quer dizer que cada vez que algum projecto com alguma notoriedade, com algum valor para o país, como é claramente o caso do Red Bull Air Race, tinha de haver esta vontade por parte da capital do Império, de nos roubar, penso que é a palavra correcta, esta iniciativa aqui ao Norte. Acho que é uma vergonha"
Paulo Morais, ex-vereador da Câmara do Porto


Desta vez, até o Senhor Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, reagiu: "esta era uma maneira da região e as duas cidades do rio ficarem mais conhecidas não só em termos portugueses, mas sobretudo, em termos internacionais: falar-se do Porto, de Gaia, do Douro e do Norte".

Era, de facto, uma maneira de promover a nível internacional a marca Porto, Douro e Norte de Portugal, dinamizando o turismo na região, mas está visto que isso não interessa aos governantes deste país. O que é "estratégico" é promover mais e mais eventos em Lisboa, nem que sejam no mesmo dia (veja-se o caso da XIX Cimeira Ibero-Americana e da comemoração do Tratado de Lisboa). Aliás, habituados a que tudo o que se passa em Portugal tenha de ser em Lisboa, há mesmo quem olhe para estas reacções com a altivez e o desdém próprios de quem lida com "provincianos", a quem, de vez em quando, os magnânimos senhores da capital distribuem umas migalhas que sobram dos banquetes na corte. Na sua cegueira, de quem não vê para além do eixo Lisboa-Cascais, ainda não perceberam que a reacção a esta negociata não é uma tempestade num copo de água, mas sim a consequência da gota de água que faz transbordar um copo demasiado cheio.

Depois de uma década de centralismo cavaquista, que meteu a regionalização na gaveta e avançou em força com um modelo de concentração e desenvolvimento unipolar, ostentando a riqueza da nação no Centro Cultural de Belém e na EXPO'98, estamos novamente a assistir a um período em que os recursos do país são sugados para a "capital do Império" e para as mega obras para aí projectadas - aeroporto e terceira ponte. Paralelamente, verbas do QREN são roubadas ao Norte e canalizadas para Lisboa (graças a um tal efeito difusor ou "spill over") e, como o dinheiro não chega para tudo, a 2ª fase do Metro do Porto foi adiada para as calendas e o TGV irá avançar a duas velocidades (a ligação de Lisboa a Badajoz avança já, enquanto que a do Porto a Vigo ver-se-á quando avançará).

Sócrates e a sua entourage andam a brincar com o fogo. Não devem ter lido, ou se leram não perceberam, o que o jornalista Jorge Fiel escreveu no Expresso, em 13 de Agosto de 2005:
"O grito de raiva «Nós só queremos Lisboa a arder» é a expressão (grosseira) da revolta de quem se sente discriminado. A única vacina eficaz contra esta raiva é corrigir as assimetrias que desequilibram o país."

O problema é que por via da acção de sucessivos governantes pirómanos instalados no Terreiro do Paço, as assimetrias são cada vez maiores. A região rica (Lisboa) está cada vez mais rica e as pobres (Norte e Interior) estão cada vez mais pobres.

«Entalada entre o Suriname e o Brasil, na América do Sul, fica uma das duas únicas regiões dos Quinze países da União Europeia cujo índice de riqueza é mais baixo do que o do Norte de Portugal. Trata-se da Guiana francesa que, a par da zona de Dytiki Ellada, na Grécia (...) são as únicas regiões de países que entraram ao mesmo tempo (antes, no caso francês) que Portugal na União Europeia e que têm um índice de pobreza superior ao nortenho. (...) no início da década, o poder de compra das famílias nortenhas correspondia a 86% da média nacional (a região de Lisboa estava nos 137%); cinco anos depois, quase todas as zonas do Norte tinham maior poder de compra, mas esse ganho foi anulado pelo mergulho de uma só: o Grande Porto.»
in JN, Dossier ‘Norte em crise’


Nada tenho contra os "alfacinhas" e escusado será dizer que não quero ver Lisboa a arder, mas com o desemprego a alastrar no país e, particularmente, no Grande Porto e com as oportunidades a serem concentradas numa única região, não me admiraria se um dia destes já não forem apenas os Super Dragões a entoar este cântico.

72 comentários:

Pedro Reis disse...

Infeliz José Correia, extremamente infeliz o título do post!

A partir de hoje terá pelo menos menos um leitor no seu blog (se bem que isso lhe deva importar pouco)...

Sou de Lisboa, sou do FCP e gosto muito da cidade do Porto, mas duma coisa pode ter a certeza não é assim que se desenvolve uma cidade nem uma região. Comprar ódio não leva a lado nenhum.

Era o mesmo que eu como lisboeta andar a dizer "eu só quero ver Madrid a arder!"

Enfim, por estas coisas se percebe, com muita pena minha, porque é que certas coisas não se desenvolvem... Porque sou adepto do FCP e da cidade do Porto e muito gostaria de os ver cada vez mais afirmados em Portugal e no Mundo.

Hugo disse...

A mim parece-me que o Pedro Reis não percebeu nada do que está escrito no post.

José Correia disse...

Hugo disse...
«A mim parece-me que o Pedro Reis não percebeu nada do que está escrito no post.»

Mesmo tendo eu o cuidado de no último parágrafo escrever "nada tenho contra os "alfacinhas" e escusado será dizer que não quero ver Lisboa a arder", é óbvio que o Pedro Reis não percebeu o post. Paciência.

Nuno Nunes disse...

Pedro Reis,
1)Tem de entender que aqui no Reflexão Portista temos total liberdade para escrevermos sobre o que quisermos. Assinamos os artigos sem nickname, com o nosso próprio nome e por isso assumimos total responsabilidade por aquilo que escrevemos.
2) Não é pela ameaça de mais não aparecer por aqui que vai condicionar a nossa forma de escrever e a nossa opinião. Já não é o primeiro que nos últimos dias vem aqui com essa ameaça, mas isso connosco não resulta. Escrevemos por gosto e amor ao FC Porto mas quando se justifica fazemo-lo também pela Região Norte. Todos somos desta Região e respeitamos convictamente as nossas raízes.
3) O ideal seria apresentar os seus pontos de vista e certamente que o autor do artigo ou outros leitores apresentariam os seus, podendo até esta tornar-se numa discussão interessante e proveitosa. Se não está para aí virado então ADEUS.

José Correia,
O artigo está Excelente e de uma pertinência assinalável. Faço minhas as palavras do Rui Moreira: a cidade do Porto e a Região Norte foram mais uma vez roubadas pela capital. As práticas centralistas dos sucessivos governos recheados de Beirões convertidos um dia vão acabar. Mas só terminarão quando nós, aqui no Norte, dermos um murro na mesa e pusermos essa gente na linha. Mais tarde ou mais cedo o dia vai chegar.

John Aarson disse...

Tanta m*rda só por causa da porcaria da Red Bull Air Race? Título extremamente infeliz, muito mesmo.
Quanto muito, até se têm feito esforços contra a descentralização do país nos últimos tempos, mas sejemos realistas: só com um país regionalizado é que seremos verdadeiramente descentralizados até lá qualquer tentativa de descentralizar o país será pura ilusão, deixemo-nos de m*rdas. E isto não tem a ver com má vontade do pessoal de Lisboa nem do governo por melhor ou pior que seja. Sendo um país não regionalizado, económicamente a tendência será sempre para sermos Lisboa + o resto, por mais que o Porto se tenha desenvolvido nos últimos tempos.
Agora, deixemo-nos de m*rdas. O título está muito, muito infeliz. O texto demonstra claramente dor de cotovelo por causa da Red Bull querer mudar a porcaria do showzinho deles lá para a capital. Por mim é igual. Sou um Lisboeta que estuda no Porto já há uns quantos anos. Os suficientes para me sentir melhor no Porto do que em Lisboa. Mas se há coisas que me deixam tristes ler e ouvir por parte dos seus autores são cenas como estas.

Este texto é claramente algo escrito "a quente" por alguém que se sente inferiorizado e magoado por algo que não tem nada a ver. Acabemos com estas guerrinhas e este sentimento de inferioridade sentido por alguns Portoenses.

O Blog tem qualidade e não vou deixar de vir cá e de comentar. Mas também não vou deixar de dizer o que me vai na alma, e sinceramente quem devia arder não era Lisboa, nem o Porto e sim certas e determinadas bestas quadradas Lisboetas, Portoenses e outros tantos por esse país fora, que se acham melhores que os outros.

Saudações Olisiponenses com espírito Ciêncito Portoense.

John Aarson disse...

nuno nunes:
"Mas só terminarão quando nós, aqui no Norte, dermos um murro na mesa e pusermos essa gente na linha. Mais tarde ou mais cedo o dia vai chegar."

E como exactamente é que pretendem fazer isso? Trata-se da realidade de um país desregionalizado e não de falta de vontade do "pessoal da capital". O "pessoal da capital" tem tanta culpa nisso como o "pessoal do resto do país". Vocês andam a ver fantasmas onde não os há.

Pedro Reis disse...

Já vi que a arrogância é a pedra de toque, eu não percebi nada do que se escreveu, a inteligência está toda do vosso lado, mas se lerem o que eu escrevi vão ver que eu critiquei o título não o texto. Simples. Ou talvez não...

Fui eu que escolhi o título?
O título não é inócuo e quando o escrevem têm que ter a nocão disso. Depois não se admirem que os Super Dragões e outros energúmenos na mesma linha, utilizem estas palavras indistintamente das situações. É assim que se lançam as guerras!
E podem ter a certeza que o Porto (cidade, clube) é quem mais perde com este tipo de postura.

Já agora uma nota: não fiz ameaça nenhuma (porque não preciso, não faz o meu género, nem sequer qq sentido neste contexto), só disse que para ler coisas como estas prefiro não vir cá.
Mas já agora, pela forma como reagiram ao meu comentário, parece que não se dão muito bem com o contraditório...

José Correia disse...

John Aarson disse...
«Tanta m*rda só por causa da porcaria da Red Bull Air Race?»

Não, a "porcaria da Red Bull Air Race" é apenas mais um episódio, por pequeno que seja, que reflecte uma tendência de sucessivos governos.
E que tendência é essa?
Concentração de obras, eventos, recursos e organismos públicos em Lisboa e em torno de Lisboa, contribuindo assim para uma espécie de efeito de sucção, porque obriga as empresas e as pessoas mais qualificadas a ir atrás.

A "porcaria da Red Bull Air Race" é, conforme escrevi no post, a gota de água que faz transbordar um copo demasiado cheio.

José Correia disse...

John Aarson disse...
«Título extremamente infeliz, muito mesmo.»

Caros John Aarson e Pedro Reis, conforme devem ter reparado, o título está entre aspas e no texto do post a sua utilização está devidamente contextualizada. Se leram com atenção, verificam que eu refiro parte de um artigo que o jornalista Jorge Fiel escreveu no Expresso, em 13 de Agosto de 2005, onde ele escreveu o seguinte:
"O grito de raiva «Nós só queremos Lisboa a arder» é a expressão (grosseira) da revolta de quem se sente discriminado. A única vacina eficaz contra esta raiva é corrigir as assimetrias que desequilibram o país."

Mais claro do que isto não podia ser.
E, já agora, este título serve para chamar à atenção e, se possível, despertar consciências.

John Aarson disse...

Tal como acusaste o Pedro Reis, também te digo que não percebeste muito bem o meu post. Ou isso ou não queres perceber. O problema não está em Lisboa e sim no país. Porra, falas do Porto que é sempre roubado e não sei quê, isso é completamente falso! Há cenas que vão para a capital em deterimento das outras cidades? Sim, é verdade e é mau para essas cidades. Também é mau para o país de alguma forma... mas é a TENDÊNCIA NATURAL DE UM PAÍS NÃO REGIONALIZADO!

Mas sim, caro José Correia, a melhor maneira de lutar contra isso é escrever "só queremos ver lisboa a arder" e postar uma foto do Chiado ardido e um texto digno de qualquer burro com palas nos olhos.

É esse o caminho para o Porto atingir o estatuto socio-económico que quer!

É por haver pessoas como vocês que o país e a cidade não evoluem...

John Aarson disse...

"Mais claro do que isto não podia ser.
E, já agora, este título serve para chamar à atenção e, se possível, despertar consciências."

Não. Esse título só serve para reabrir uma guerra parva que já devia estar extinta entre Lisboa e Porto. Se há boa rivalidades que têm sentido dentro de campo, para espicaçar qualquer competição desportiva, há outras que não têm sentido nenhum. Querem um porto com mais poder socio-economico e que não seja "roubado" de maneira nenhuma pela capital? Das duas uma, ou o porto se torna capital ou exijam um novo referendo da regionalização e desta vez votem na opção certa ;)

drdcc disse...

""Porra, falas do Porto que é sempre roubado e não sei quê, isso é completamente falso! Há cenas que vão para a capital em deterimento das outras cidades?""

É falso????!!!!! Anda viver no Porto ou no norte de Portugal que já vês. Como podem falar de uma realidade que não conhecem???

Quanto ao título se achem que foi infeliz é porque definitavamente não têm empatia suficiente para querer peceber o texto.

José Correia disse...

John Aarson disse...
«O problema não está em Lisboa e sim no país.»

Ninguém disse que o problema estava em Lisboa e muito menos nos lisboetas.
As assimetrias crescentes que existem em Portugal estão perfeitamente documentadas e, em grande parte, são devidas às políticas de "desenvolvimento unipolar" seguidas por sucessivos governos nos últimos 30 anos.

Pedro disse...

1- O artigo está excelente, depressivo mas excelente. E depressivo porque não tem mentira alguma. Se de facto o titulo pode chocar... bem mas essa é uma técnica jornalistica ou de comentário. Está explicado no último parágrafo a real intenção do autor.

2- Caro Nuno Nunes. Parece que ficou melindrado com criticas que recebeu a um seu post. Tanto que nas suas intervenções realça sempre isso.

Diz que os autores podem escrever sobre o que querem sem condicionalismos. Muito bem. Mas também as respostas dos leitores devem ser assim não? Diz ADEUS a um leitor com a mesma arrogância com a qual não soube receber uma critica a um texto seu.

Mas porque razão um dos autores deste blog entra em dialogo directo com alguém para o enxovalhar? A única explicação é a mesma que já dei há uns dias atrás. É o mais limitado dos cronistas, intelectualmente e lexicamente. E vê na liberdade de escrita um escape a uma tremenda falta de capacidade argumentativa. Isso sim é sinal de opressão e tirania. Pode desejar ADEUS a muitos leitores, mas estes não perdem nada, o que perderá o blog?

José Correia disse...

John Aarson disse...
«Há cenas que vão para a capital em deterimento das outras cidades? (...) é a TENDÊNCIA NATURAL DE UM PAÍS NÃO REGIONALIZADO!»

A "tendência natural" pode ser contrariada, desde haja vontade politica para tal. Exemplos? Podia dar-lhe tantos.
Por exemplo, sabe quais foram os tratados que antecederam o 'Tratado de Lisboa'?
O 'Tratado de Nice' e o 'Tratado de Maastricht'.
Antes do tratado que a lançou para a ribalta europeia, já tinha ouvido falar em Maastricht?
Porque razão é que holandeses e franceses não terão seguido a "tendência natural" de fazer as cimeiras nas suas capitais?
Porque razão é que o 'Tratado de Lisboa' não poderia ser 'Tratado de Braga', 'Tratado de Guimarães' ou 'Tratado de Évora'?

Porque razão é que os espanhóis não seguiram a "tendência natural" aquando das suas Exposições Mundiais (uma em Sevilha e outra em Saragoça) e dos Jogos Olímpicos (em Barcelona)?

Pedro disse...

"Mas já agora, pela forma como reagiram ao meu comentário, parece que não se dão muito bem com o contraditório..."

Isso já 99% dos leitores do blog notaram. Até ficaram ofendidos por lerem que um parágrafo dum texto era a coisa mais parva escrita por aqui.

Censuram essa resposta inclusive, com a desculpa das boas maneiras. Sim porque parva é uma ofensa tremenda. Depois de em muitas discussões se ver filhos da p*** pra aqui e pra acóla. Desde que... apoiem o sentido do post...

José Correia disse...

John Aarson disse...
«É por haver pessoas como vocês que o país e a cidade não evoluem»

Não, a razão porque Portugal não evolui e as assimetrias não diminuem é por haver pessoas, políticos e não só, que entendem e defendem a concentração de eventos, obras e recursos na capital, por essa ser a "tendência natural"...

Pedro disse...

Porque razão é que os espanhóis não seguiram a "tendência natural" aquando das suas Exposições Mundiais (uma em Sevilha e outra em Saragoça) e dos Jogos Olímpicos (em Barcelona)?

Não sei se é um bom exemplo esse... Madrid tem de longe o maior orçamento local e a maior fatia de investimento público (mais 32% do que Barcelona segundo o ElPais).

Os jogos Olimpicos foram uma decisão politica na altura, para tentar melindrar uma Catalunha que nas eleições locais dava sinais de radicalismos. As Expos... segundo se sabe os Alcaides de Madrid nunca se mostraram interessados em tal.

No ano da Expo-Sevilha Madrid recebeu o maior investimento público na história espanhola em redes de transporte com a reestruturação da sua rede ferroviária.

Nuno Nunes disse...

John Aarson:
"(...)é a TENDÊNCIA NATURAL DE UM PAÍS NÃO REGIONALIZADO!"

"Mas sim, caro José Correia, a melhor maneira de lutar contra isso é escrever "só queremos ver lisboa a arder" e postar uma foto do Chiado ardido e um texto digno de qualquer burro com palas nos olhos."

"É por haver pessoas como vocês que o país e a cidade não evoluem..."

Muito bem, Caro Aarson, os meus parabéns pela qualidade da sua argumentação. No entanto não foi capaz de negar os roubos ancestrais à cidade do Porto pela capital. Chamou-lhe "guerra parva" e pouco mais conseguiu dizer.

A diabolização da Regionalização para não a implementar, as medidas de construção, promoção e desenvolvimento de infraestruturas e prestação de serviços lançadas apenas em Lisboa, os desvios do QREN do Porto para Lisboa são medidas que em muito têm contribuido para o aumento do fosso que separa as duas cidades e negar essas evidências é apenas e só meter a cabeça na areia como a avestruz. Enfim, no fundo tem a mesma reacção dos políticos que se passeiam pela capital: uma visão provinciana centrada em Lisboa e que não vê para além desses limites.

É pena que o Porto esteja (mal) representado por um Rio submisso que se deixa roubar e remete-se ao silêncio para não comprometer a sua carreira política futura.

John Aarson disse...

drdcc:

"É falso????!!!!! Anda viver no Porto ou no norte de Portugal que já vês. Como podem falar de uma realidade que não conhecem???"


Eu vivo no porto há 4 anos ;)

José Correia:

"Porque razão é que holandeses e franceses não terão seguido a "tendência natural" de fazer as cimeiras nas suas capitais"

Porque já existiam Tratados de Amesterdão e de Paris :D
Se esses e os dos jogos olimpicos são os melhores exemplos de "o Porto estar a ser roubado, então nesse caso I rest my case.

José Correia:
"Não, a razão porque Portugal não evolui e as assimetrias não diminuem é por haver pessoas, políticos e não só, que entendem e defendem a concentração de eventos, obras e recursos na capital, por essa ser a "tendência natural"..."

Este é o meu quinto ano no Porto e sabes o que verifiquei? O Porto é uma cidade muito mais cultural do que Lisboa, para além de ser em grande parte uma cidade de estudantes. Não queiram que o Porto se torne uma segunda Lisboa. Agora, se Lisboa recebe a maioria dos concertos, obras, etc., sim, caro correia, É NATURAL. Lisboa é a maior e mais populada cidade, para além de ser a capital do país. O Porto não lhe fica assim tanto atrás, para ser sincero. E acho muito estranho que só te refiras a eventos culturais, quando a parte socio-económica é de longe a mais importante, e onde o Porto fica a perder. E já disse umas 4 ou 5 vezes a receita para mudar esse paradigma e descentralizar este país. Na verdade até nem temos opiniões tão diferentes. Simplesmente tu (espero que seja OK tratar-te por tu) optas pelo "vandalismo escrito", que não olha a meios para chegar a um fim, colocando Lisboa e os Lisboetas (embora digas que não tens nada contra os Lisboetas no fim do teu texto e nos teus comentários, apenas entras em contradição contigo mesmo no resto do texto).

John Aarson disse...

Nuno Nunes:

"Muito bem, Caro Aarson, os meus parabéns pela qualidade da sua argumentação. No entanto não foi capaz de negar os roubos ancestrais à cidade do Porto pela capital. Chamou-lhe "guerra parva" e pouco mais conseguiu dizer."

Agradeço os parabéns. Quanto aos "Roubos Ancestrais", não sei muito. Só moro no Porto há 4 anos e sei que não me sinto minimamente "roubado" aqui. Até me sinto bastante melhor financeiramente, tendo em conta que a cidade é mais baratinha e tem melhor qualidade de vida :P
Mas sim, eu sei que Lisboa é muitas vezes escolhida em deterimento do Porto, tal como o Porto é escolhido em deterimento de qualquer outra cidade no Norte do país. Mais uma vez, já dei a receita para acabar com isso ou pelo menos, para dar um grande avanço...

Nuno Nunes:

"A diabolização da Regionalização para não a implementar, as medidas de construção, promoção e desenvolvimento de infraestruturas e prestação de serviços lançadas apenas em Lisboa, os desvios do QREN do Porto para Lisboa são medidas que em muito têm contribuido para o aumento do fosso que separa as duas cidades e negar essas evidências é apenas e só meter a cabeça na areia como a avestruz. Enfim, no fundo tem a mesma reacção dos políticos que se passeiam pela capital: uma visão provinciana centrada em Lisboa e que não vê para além desses limites."

Mas os chulos que permitem esse tipo de desvios que contribuem para esse "fosso" entre lisboa e as outras cidades do país são os mesmos que f*dem forte e feio os Portugueses em geral. Sejam eles Lisboetas ou não. É contra esse punhado de gente que são uns parasitas da sociedade que temos de nos revoltar, e não generalizar para Lisboa. F*da-se, há tanto parasita por aí a aproveitar-se das gentes do Porto e não só que não é Lisboeta nem tem nada a ver com Lisboa...

Nuno Nunes:
"É pena que o Porto esteja (mal) representado por um Rio submisso que se deixa roubar e remete-se ao silêncio para não comprometer a sua carreira política futura."

Se eu votasse no Porto, nunca teria o meu voto. E não me vou estender mais para não transformar esta discussão numa luta de ideologias políticas.

Tripeiro disse...

Bom post José Correia.

Delindro disse...

A solução já não passa pela Regionalização. Neste momento as coisas só se resolverão com INDEPENDÊNCIA.

José Correia disse...

John Aarson disse...
«Se esses e os dos jogos olimpicos são os melhores exemplos de "o Porto estar a ser roubado, então nesse caso I rest my case.»

Caro John Aarson, exemplos é o que não falta.

A Agência Europeia de Segurança Marítima e o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, são duas agências da União Europeia atribuídas a Portugal. Porque razão ambas têm sede em Lisboa? Porque razão o governo português não optou por contrariar a "tendência natural" e descentralizar estes dois organismos, para cidades como Faro, Évora ou Vila Real?

Havendo duas Bolsas em Portugal, uma no Porto e outra em Lisboa, porque razão o governo português optou por fechar a do Porto em vez de fechar a de Lisboa?
Que eu saiba, não é obrigatório que a Bolsa tenha de ser na capital do país (na Itália é em Milão e na Alemanha em Frankfurt).

E podia continuar a dar mais exemplos porque, infelizmente, os exemplos de decisões políticas centralistas que contribuem para agravar as assimetrias são como os cogumelos.

Jorge Aragão disse...

Eu nem sequer gosto da Red Bull Race mas subscrevo o post na medida em que estamos permanentemente a ser desrespeitados pelo centralismo.
OK,até poderia mudar o titulo para " Eu só quero o Centralismo a arder"...
Mas confesso .. estou farto destas manobras que so prejudicam todas as regiões do País. Cada vez mais me orgulho de me ter recusado, mesmo no meu trabalho em ir à expo, por exemplo !!!
Em bom calão nortenho, centralistas deste triste país, fodei-vos.

Capitão Bacalhau disse...

Saudações,

Antes de comentar o texto gostaria de comentar o título, que gerou tanta celeuma. Na minha opinião o título é tão chocante como o são as desigualdades e tratamento discriminatório não só para com o Norte do país mas para com o país que não é Lisboa e Vale do Tejo. Entende-se perfeitamente o ênfase do título no contexto mas o que me preocupa é que se desvie, em tom de manipulação, a atenção para o título quando o tema principal tem pano para mangas. Desculpem se estou a ser demasiado prático.

Penso que não falta informação sobre o definhar da região Norte desde os anos 90. Atenção que nem sempre por culpa de Lisboa, não podemos esquecer os modelos de gestão dos nossos pseudo-investidores e pseudo-patrões. Mas desde “obrigarem” empresas a deslocalizarem a saque de fundos da comunidade tem valido tudo (ver links do post). Numa óptica perversa até se justifica, já viram se Lisboa tivesse o mesmo índice de desemprego do Grande Porto? E como a politica é perversa… já viram se o Porto se assemelhasse ao Pais Basco na comparação deste com Madrid, por exemplo?

Alguém comentou: «Há cenas que vão para a capital em deterimento das outras cidades? (...) é a TENDÊNCIA NATURAL DE UM PAÍS NÃO REGIONALIZADO!»
Não está mal observado mas está incompleto. É a tendência natural de um país não regionalizado e sem qualquer respeito pelo conceito de Estado de Direito.

Também não compreendo como é que os próprios lisboetas não se queixam por estarem a pagar para 10% da classe activa estar a tocar viola em casa e no café. Eles próprios deveriam exigir que todos tivessem acesso ao emprego e não só eles. Ou não? Ou estão com medo de perder os seus empregos para um provinciano qualquer? O que é que se passa aqui?

Pedro Reis disse... Era o mesmo que eu como lisboeta andar a dizer "eu só quero ver Madrid a arder!"
Entendo perfeitamente que o Pedro Reis quer dizer com isto mas se o estado de coisas se mantiver vai ser dos poucos que não o vai gritar.

Não sei se a regionalização é a melhor solução. Só fico triste de ver o Porto e a região Norte morta sem o ânimo de outras lutas do passado onde fomos exemplo.

Nuno Nunes disse...

Pedro disse...
2- Caro Nuno Nunes. Parece que ficou melindrado com criticas que recebeu a um seu post. Tanto que nas suas intervenções realça sempre isso.

Diz que os autores podem escrever sobre o que querem sem condicionalismos. Muito bem. Mas também as respostas dos leitores devem ser assim não? Diz ADEUS a um leitor com a mesma arrogância com a qual não soube receber uma critica a um texto seu.

Mas porque razão um dos autores deste blog entra em dialogo directo com alguém para o enxovalhar? A única explicação é a mesma que já dei há uns dias atrás. É o mais limitado dos cronistas, intelectualmente e lexicamente. E vê na liberdade de escrita um escape a uma tremenda falta de capacidade argumentativa. Isso sim é sinal de opressão e tirania. Pode desejar ADEUS a muitos leitores, mas estes não perdem nada, o que perderá o blog?


Como é óbvio não fiquei melindrado com as críticas do Pedro mas não me coibi de chamar a atenção para o facto de me ter colado afirmações que não proferi. O diálogo entre os autores e os leitores é aceitável desde que haja respeito mútuo, o que me parece não ter sido quebrado em qualquer das situações. Quanto às explicações que "encontra" não vou comentar, no entanto, acho ridículo, quase pueril, o uso dos termos opressão e tirania.

Como já referi, já não é a primeira vez que aqui assistimos a uma certa pieguice por parte de alguns leitores que, discordando do conteúdo dos artigos, ameaçam não mais cá voltar. É a esses que eu, arrogante se quiser, digo ADEUS. Porque não participar e contra-argumentar como tem feito o John Aarson?

Anónimo disse...

Gostei do artigo, caro José Correia, e o título não me choca, até porque se limita a citar um cântico de claque. Já a constante referência às supostas ambições do Rui Rio é que começam a soar a falso: ele já é presidente da CMP há 8 anos e ainda não deu o tal salto de que muitos há tanto tempo falam. Se fosse tão ambicioso como isso, já o teria feito. A diferença entre as declarações de Rio e de Menezes é que um bebeu chá em pequenino e o outro não. Apenas isso, uma distinção que você, uma pessoa educada pelo que me é dado ver, decerto entenderá.

Quanto aos leitores que se queixam de os bloguistas se lhes dirigirem directamente em tom de reprovação, só lhes resta comentar os textos e não as pessoas, a sua inteligência ou os seus dotes léxicos, isso sim, uma coisa verdadeiramente ofensiva. Aliás, se há coisa em que este blogue tem qualidade, é precisamente na inteligência e domínio do Português que os seus autores demonstram. E eu nem conheço nenhum deles, pelo que digo isto completamente descomprometido.

Anónimo disse...

Outra coisa: o índice de riqueza do Grande Porto é muito superior ao do Norte de Portugal globalmente considerado e está bem acima da média nacional, pelo que essas referências me parecem um pouco deslocadas. O FCP, ao contrário da propaganda, não é o clube representativo do Norte de Portugal (basta ver os lamentáveis benfiquistas do Minho), mas sim do Grande Porto.

Orgulhoazulebranco disse...

Compreendo muito o contexto do título do post,não percebo onde está a confusão por causa disso,ao lermos o texto percebemos bem o porquê do título ser aquele.É uma citação,mas enfim.

Concordo inteiramente com o post.Subscrevo tudo o que foi dito.
Eu não consigo é concordar com quem diz que o Norte não é prejudicado...
E não propriamente por perdermos aviões barulhentos a contornar cones insufláveis que está o problema...é "apenas" mais um exemplo...

Anónimo disse...

Desculpem estar a conta-gotas, mas também houve um Tratado do Porto (para aqueles que estão muito preocupados com essas ninharias): trata-se do tratado que, em 1991 ou 1992, instituíu o Espaço Económico Europeu, que engloba os estados membros da UE e da EFTA.

Ah, e essa fantochada da Comunidade Ibero-Americana (uma comunidade castelhana a que Portugal e Brasil pacoviamente aderiram) já teve uma cimeira no Porto, por causa da qual se fez à pressa aquele viaduto na Rua de Monchique, apropriadamente baptizado na altura pelos humoristas mais oportunos de "Viaduto Fidel Castro" : -)))

Orgulhoazulebranco disse...

*compreendo muito bem
**e não é propriamente

pc disse...

o Sr Rio é um dos responsáveis (não o único) pelo q está a suceder...ao colocar-se ao lado dos "centralistas" contra o clube da sua pp cidade durante dois(!!!) mandatos- abriu caminho para q todo o bicho- careta anti-portuense (já não digo antiportista para n sensibilizar ng)pudesse menosprezar a cidade.
Esse Rio é tratado nos meios alfacinhas como o "bimbo do norte que está ao serviço da capital -" isto diz alguma coisa certamente...

INDEPENDÊNCIA

John Aarson disse...

Não vale a pena discutir com pessoas tão retrógadas como alguns de vocês. Acham perfeitamente natural que se use esse tipo de linguagem insultuosa, portanto também não vejo mal de vos chamar retrógados ou atrasados porque basicamente é o que demonstram ser. Baseiam-se num cântico entoado por um bando de gunas para generalizar um problema real do nosso país, mas que não é por aí que se vai resolver. Fico triste por defender o porto com unhas e dentes face a alguns amigos e conhecidos meus Lisboetas que falam mal do Porto, muitos que nunca cá estiveram ainda por cima, e agora deparo-me exactamente com o mesmo problema só que no caminho inverso.
Tenho pena que a mentalidade de algumas pessoas seja tão retrógada e que - ao contrário da cidade do Porto - não tenha evoluido ao longo dos tempos.

Divirtam-se a dizer cobras e lagartos de Lisboa e a entoar cânticos trogloditas. Cá estarei para festejar com ricos e pobres, gente de esquerda e de direita, os títulos do nosso clube e discutir as novidades do nosso clube.
E assim que o pessoal começar com esses primarismos em relação à minha cidade natal, descerei ao mesmo nível que eles e mandá-los-ei para a real **** que os pariu.

Cumps

nobigdeal disse...

quem foi que disse a propósito de uma discussão: "ambos têm razão... quando dizem que o outro não tem razão?"

tava a tentar não me meter nisto pq já há tempos aqui "levei pra tabaco" numa outra questão lateral ao futebol, mas...

Pedro Reis, já faltou mais, vá afinando a garganta pra gritar "eu só quero ver Madrid a arder!" :)

o "Red Bull Air Race" é um evento de uma empresa privada, que vá pra onde quiser e os seus patrocinadores apoiarem.

se esta mudança de local de que se fala for feita à custa do erário público, isso sim, já me merece censura.

mas pergunto, por desconhecimento (não sei mesmo): esse evento não teve apoios públicos nos dois anos que aqui foi realizado?

é que estamos tão habituados ao subsidiozinho... :)

cumps. :)

Anónimo disse...

Diz o PC : «Esse Rio é tratado nos meios alfacinhas como o "bimbo do norte que está ao serviço da capital -" isto diz alguma coisa certamente...»

Eu também podia vir para aqui com citações apócrifas, mas acho isso uma perda de tempo.

A obsessão de certos portistas com o Rio já cansa. A verdade é que muitos deles continuam a votar nele,se não ele não ganhava sucessivas eleições - e com cada vez mais votos. E mais uma vez o JNPC perdeu uma boa ocasião para estar quieto quando - pela enésima vez - vem misturar o clube com a política ao apoiar o candidato do PS. Já sei que ele dirá que o fez a título pessoal, mas isso é um sofisma, pois quem o conheceria e que importância teria o seu apoio se ele não fosse presidente do FCP?

Aliás, o JNPC apoiou o Fernando Gomes logo aquando da primeira candidatura do Rui Rio, ainda se não sabia das opiniões "anti-futebol" do actual presidente da CMP, pelo que nem sequer pode dizer que apenas continua a apoiar os candidatos do PS por se opôr ao Rio. E, já agora, não dá para apoiar o Rui Sá de vez em quando?;-) Isto é uma mistura inaceitável do clube nos assuntos políticos da cidade, e o mais triste é que um dos temas da campanha de JNPC aquando da sua primeira eleição foi precisamente o de separar completamente o clube da política. E não percebo, portanto, por que fica agora tão chocado por o presidente da CMP fazer o mesmo que ele dantes defendia.

Os sócios do FCP são de todas as cores políticas e o seu presidente não tem o direito de usar o clube em campanhas eleitorais, essa é que é essa.

Pedro disse...

Os sócios do FCP são de todas as cores políticas e o seu presidente não tem o direito de usar o clube em campanhas eleitorais, essa é que é essa.

Caro V.R. A única coisa algo sofistica... é a sua incessante defesa do Rio. Mas porque raio não haveria JNPC de a titulo pessoal apoiar um candidato?

Conhece algum presidente de um clube grande europeu que não o faça? Mesmo em Portugal? Quem apoiou o Bettencourt? Era o que faltava o JNPC ter de estar calado porque algumas virgens ofendidas não gostam do sujeito da sua opção.

Ainda para mais quando o sujeito é um presidente da câmara cobarde e medroso, que rege o seu discurso não para o Porto, mas sim para a sua ambição pessoal de ser lider do PSD.

Se não gosta da liberdade pessoal dentro do FCP, então coloque a sua questão numa assembleia e proponha que qualquer pessoa dentro do clube, e já agora adeptos, não possam apoiar um candidato politico.

Pedro disse...

Caro NobigDeal,

Pense no seguinte. Existe um evento com sucesso em Portugal. Tal evento é realizado no Porto, situado na região mais pobre do pais.

Faz sentido mudar esse evento para a região que mais apoios tem? É uma decisão justa e racional?

Não fará sentido potenciar ao máximo estes eventos em regiões menos favorecidas?

Logicamente a RedBull vai para onde tiver mais apoios, mas eles não se queixaram... estão a ser seduzidos com mais dinheiro público.

miguel87 disse...

Tanta gente ofendida com o titulo!?
Vê-se logo que não estão acostumados á "pronuncia do norte"...

A propósito, sabem porque aos de lisboa se chamam alfacinhas e não saladinhas?
-É que para saladinhas, faltam os tomates!!

José Correia disse...

«Defendo a tese que não é o Porto que vive obcecado com ser a segunda cidade do país, mas Lisboa que não suporta a ideia de não ser primeira. Em tudo. É essa a sua concepção do país. Em Portugal, um evento como a "Red Bull Air Race" só faz sentido em Lisboa. Pela ordem natural das coisas. Só não será lá se o governo decidir governar, ou seja, fazer acontecer o que, de outro modo, não aconteceria. Ou se forças mais altas se levantarem. Confesso que o alarido de Menezes e Rio me parece conversa de perdedores. Se os financiadores da eventual mudança são empresas de âmbito nacional é falar-lhes a linguagem que conhecem: deixar de ser cliente delas e desencadear uma campanha para que outros o façam. Se o financiamento vem, pelo contrário, de organismos públicos, denuncie-se e use-se a Assembleia da República para pedir explicações e a ameaça do voto (Francisco Assis percebeu-a de imediato!).»
Professor Alberto Castro
in JN, 01/12/2009
http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=Alberto%20Castro

José Correia disse...

«Sempre que por estas bandas se corre o risco de ter sucesso, corre-se também o risco extra de a capital não demorar muito a copiar ou a cobiçar a ideia. Nos casos em que é mais complicado, como a Casa da Música ou Serralves, a atitude centralista passa sobretudo pelo desprezo e pelo voto de silêncio, que a Comunicação Social lá sediada tão bem interpreta. Nos casos como este em que basta agitar os euros e acicatar os lóbis, não há dinheiro que falte nem face que se oculte: Lisboa quer, Lisboa paga e Lisboa tem. (...)
Para os centralistas que estão recorrentemente a queixar-se de que o Porto sofre de provincianismo, por estar sempre a cobiçar a galinha do vizinho da capital, esta investida de Lisboa sobre o Aquela Bebida Air Race é um espécie de feitiço que se vira contra o feiticeiro.»
Manuel Serrão
in JN, 02/12/2009
http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=Manuel%20Serr%E3o

José Correia disse...

«O aeroporto Francisco Sá Carneiro (ASC), decerto o mais importante instrumento de desenvolvimento regional do Norte, está, a prazo, ameaçado de morte. (...) Com cerca de quatro milhões e meio de passageiros por ano, poderá a muito breve trecho melhorar as suas condições operacionais e atingir números de 12 ou até de 15 milhões, o triplo da sua capacidade actual. O potencial de crescimento decorre desde logo da sua área de influência, estimada em cerca de 4,5 milhões de pessoas, que é superior em mais de um milhão à área equivalente do aeroporto de Lisboa. Quem diria!
Mas, mais do que as vantagens comparativas no negócio aeroportuário, importam as oportunidades que o ASC apresenta para a região. Tem um enorme potencial de captação de turistas, nomeadamente dos clientes das companhias de low-cost. Poderia constituir o "porto de partida e de chegada" da nossa vasta comunidade emigrante, que apesar de ser, no continente, maioritariamente originária do Norte, tem muitas vezes de embarcar em Lisboa.
Acresce que o Porto tem, a par de Barcelona, condições únicas na Península Ibérica para albergar uma plataforma multimodal de transportes, rodoviária, marítima, ferroviária e aeroportuária. Este nó intermodal poderia gerar milhares de empregos e induzir a criação de empresas de alto valor acrescentado, essenciais numa região que apresenta o menor rendimento per capita (79% da média nacional) e onde a taxa de desemprego é maior.
Mas um futuro sombrio perfila-se no horizonte. A construção do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL), em Alcochete, associada à privatização da ANA, irá sacrificar o ASC. Na engenharia financeira desta operação, está previsto que a infra-estrutura do Porto seja subalternizada. Os voos rentáveis serão artificialmente desviados do ASC para o NAL. Além de que as taxas aeroportuárias cobradas no Porto serão aumentadas, pois também estas irão financiar a construção de Alcochete. O resultado será uma drástica diminuição do tráfego e a inversão da tendência positiva ultimamente verificada.»
Paulo Morais
in JN, 25/11/2009
http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=Paulo%20Morais

Nuno Nunes disse...

O Red Bull Air Race no Porto foi um sucesso desde a primeira hora e há que dar esse mérito aos patrocinadores e aos edis de Porto e Gaia que em esforço conjunto conseguiram trazer o evento para Portugal.

Ano após ano o número de pessoas a assistir foi aumentando e consolidou-se.

Não foi certamente da organização da Red Bull que terá partido a ideia de transferir a prova para Lisboa. São públicas as afirmações de pilotos e staff de que a cidade e a sua envolvência são únicas para a realização deste tipo de prova.

A ideia terá partido do Governo e da C.M. Lisboa na pessoa do seu presidente António Costa e os patrocinadores, na ânsia de obtenção de maior receita e visibilidade, entraram na onda.

A atitude, per se, é de canalhada. Nada que seja inédito em Portugal no que concerne a transferência de riqueza do Porto para Lisboa. É um roubo e não existem atenuantes para tal atitude.

Mas a saída para isto não está em implorar aos dirigentes lisboetas que não nos roubem o evento. A solução depende, uma vez mais, dos portuenses e daquilo que de melhor pudermos oferecer à Organização para que esta mantenha a sua realização na cidade do Porto. Trata-se tão só daquilo que tantas vezes o Porto assume que tem de ter: capacidade de fixação de recursos que gerem riqueza. Se disso não formos capazes então é porque não merecemos mesmo ficar com o evento.

A seguir de perto a atitude de Rui Rio e a forma como ele se propõe ultrapassar o problema.

nobigdeal disse...

Pedro:

"Não fará sentido potenciar ao máximo estes eventos em regiões menos favorecidas?"

certamente que sim Pedro, mas tem que se lutar por isso e não estar à espera que esses eventos nos caiam em cima da cabeça (o tal subsidiozinho, o pedidozinho...)

"estão a ser seduzidos com mais dinheiro público"

esse foi também o meu reparo (a confirmar-se a veracidade)

:)

José Rodrigues disse...

A gente (no Norte, e em geral fora de Lisboa) "come e cala", com a pior raça a ser os centralistas saídos da região. O q vale aos nossos políticos é q este é um país de brandos costumes, e, lamento dizê-lo, uma população q na maioria não tem grande coisa na cabeça e vai facilmente em demagogias baratas (ou não fôssemos o país mais iletrado da Europa - de longe)...

Sobre a notícia em si, só tenho a dizer isto: q o pessoal de Lisboa (digamos CML) faça pela sua vida puxando a brasa à sua sardinha, acho normal e não tenho nada a apontar.

Já se o Estado apoia os de Lisboa em desfavor de outra cidade (mesmo q não seja financeiramente; e se o fôr é ainda pior), isso é q é INACEITÁVEL E VERGONHOSO. E pelo q li parece ser o caso (o q não seria nada de admirar, havendo tantos exemplos).

Eu não digo q quero Lisboa a arder. Quero sim o Terreiro do Paço e São Bento a arder, metaforicamente falando... com os centralistas todos, sejam eles oriundos do Norte, de Lisboa ou da Madeira.

Pedro Rocha disse...

É com enorme pena minha que verifico que de repente já desviamos as nossas atenções do tema principal do post, ou seja, este roubo descarado de um dos poucos eventos que consegue por o norte do país nas bocas do mundo com participação directa do nosso governo. Estas questões eleitorais já não nos levam a lado nenhum. Na minha sincera opinião Rui Rio podia ter sido mais efusivo nas críticas a esta situação, não o foi e como se diz aqui no post, porque ele tem outras ambições políticas, ambições essas que vão além das paredes da CMP. Posto isto, cabe a cada um de nós defender os nosso interesses e mostrar a nossa indignação por esta situação que para muitos pode parecer irrisória, mas que para 90% por cento da população do Grande Porto e Norte em geral não o é.
Esta é uma luta que transcende qualquer rivalidade clubística, esta é uma luta, e espero que ninguém se ofenda com tal palavra, de todos aqueles que vêm diariamente Lisboa a crescer e o Porto a apodrecer. Até o nosso metro eles pararam. Dizem que é uma utopia defendermos esta causa uma vez que sem regionalização não haverá descentralização, mas não somos nós que legislamos, não somos nós que nos sentamos quando calha nas cadeiras do parlamento.
Que esta situação sirva de alerta para esses indivíduos que têm responsabilidades, quer do governo quer da assembleia.

Abraço

José Correia disse...

«Ao contrário de Madrid para Espanha, de Londres para o Reino Unido, de Paris para a França, de Haia para a Holanda, de Bruxelas para a Bélgica, Lisboa não é um foco de desenvolvimento para Portugal, tal como Atenas não é um foco de desenvolvimento para a Grécia.
Nos outros países europeus a capital é um centro político e administrativo dinamizador de todo o território, que percebe que se desenvolver o resto do País acaba por ganhar em riqueza e em qualidade de vida, porque a si deixam de acorrer os migrantes do País.
Em Lisboa, tal como Atenas, os migrantes tomam conta do poder e agarram-se a ele com a fome e a força de que tem medo de tudo perder por ter tido tão pouco, tudo mitigado com aquele tipo de novo-riquismo que, chegado à capital, se transforma em provincianismo puro. (...)
Por tudo isso todos percebemos que a regionalização vai chegar apenas quando os fundos comunitários se esgotarem. Porque tal como na Grécia (único País da União Europeia que, com excepção de Portugal, também não está regionalizado), em Portugal a regionalização não avança por boicote de uma cidade que tem medo (tonto, tacanho e infundado) de perder dinheiro e poder.
Por isso é que há empresas ex-públicas-pseudo-privadas que têm benefícios para se instalar no interior e depois acabam por "apostar" ... em Lisboa.
Só regionalizando é que nos podemos livrar de um centralismo que Lisboa representa e que tolhe o nosso desenvolvimento há séculos e que explica que Lisboa e seus arredores-tipo-gueto-semi-favelizados tenha muito mais semelhanças com Lima, com a Cidade do México, ou com La Paz do que propriamente com Madrid, ou Roma.»
Rui Valente
http://ocharutoaceso.blogspot.com/2009/11/lisboa-e-os-provincianismos.html

Nightwish disse...

Lido o post e os comentários, só posso dizer que também quero "Lisboa a arder", independentemente de para onde me mandarem.

Anónimo disse...

Pedro,

Quem foi o primeiro a opor-se à intervenção do clube em matéria política foi precisamente Pinto da Costa, criticando asperamente - e com toda a razão - o seu antecessor Dr. Américo Sá por se ter servido do clube para chegar a deputado.

O Pinto da Costa cidadão privado e o Pinto da Costa presidente do FCP são a mesma pessoa, e não é o apoio do cidadão prvado que os políticos - especialmente os rosinhas - procuram afanosamente.

De resto, se as Assembleias Gerais do FCP se pautassem pelo civismo e pelo respeito pelas opiniões contrárias à "ideologia" dominante, eu não teria problema nenhum em nelas me manifestar no sentido que você amavelmente recomenda. Simplesmente não estou na disposição de ser enxovalhado pelo Dr. Sardoeira e ameaçado pelos jagunços que costumam "policiar" essas assembleias.

Para esclarecê-lo devidmente, devo dizer que nunca votei no Dr. Rui Rio, apenas me causa enfado esta obsessão dos portistas com esse fantasma.

Anónimo disse...

Com o devido respeito: que tem tudo isto a ver com o FCP?

Não estarão alguns a adquirir o hábito do NGP de se proclamar o grande defensor do Norte?;-)

pc disse...

Caro V.R. quer queira quer não, o Sr.Rio é uma “estrela" entre os "centralistas". As suas vitórias (muito festejadas por socialistas!) são comemoradas como triunfos contra a própria cidade do Porto!

Isto são duras verdades ... que eu conheço, por estar longe da Bela Invicta, que, para esse “amigos “ do Sr. Rio, não passa de uma cidade “típica, cheia de típicos...”

Para além disto “dos clubismos e dos partidarismos” Rio, poupa os “centralistas” ao trabalho de acalmar as “hostes reivindicativas do norte". “Tem sido um sossego!”

Nos últimos tempos até as pequenas migalhas e as palavras de circunstância do tipo “são gente trabalhadora que sabe receber” regressaram ao discurso “oficial” ...
E nada disto tem a ver com as opções políticas do Sr. PdC ou do Sr Rio.

São tempos....
Mas, Viva o nosso FCP!

José Correia disse...

David disse...
«Com o devido respeito: que tem tudo isto a ver com o FCP?»

O que é que o FCP tem a ver com a cidade do Porto, a Área Metropolitana do Porto e até com o Norte de Portugal?
Se calhar, algo de parecido (não igual) ao que o Barça tem a ver com Barcelona e com a Catalunha.

Anónimo disse...

Talvez seja defeito meu, caro José Correia, mas eu não me revejo nessa visão do FCP. Eu sou tripeiro e com muita honra nisso, e sou portista, mas ainda não havia FCP e já a cidade do Porto era o centro da livre iniciativa, do trabalho e do progresso.

José Rodrigues disse...

Este é sem dúvida um tema fracturante entre adeptos do FCP, principalmente entre (a esmagadora maioria dos) portistas do Norte e (alguns) portistas da Grande Lisboa.

Como o blog não tem veleidades de entrar em concursos de popularidade, quem se sentir ofendido com o conteúdo dos artigos azar nítido: se quiserem argumentar o conteúdo muito bem, se não gostam paciência, ninguém os obriga a vir aqui.

E se vierem e quiserem (e souberem) argumentar o CONTEÚDO do q foi escrito, são muito bem-vindos por muito que discordem. Mas se é para insultar as pessoas em vez contra-argumentar o conteúdo o artigo, não fazem falta absolutamente nenhuma.

De resto agradecia q o pessoal evitasse considerações de carácter partidário. O que não invalida que seja "on topic" falar do Rui Rio, nomeadamente nas suas relações com o FCP que são, tal como o J Correia aludiu, indissociáveis da cidade (seja-se adepto do clube ou não).

Viajo imenso pelo mundo fora, sigo o futebol de perto, e NUNCA vi nenhuma cidade (ou melhor, as autoridades locais) a ignorar ou mesmo tratar mal um ex-libris da cidade, e fruto de orgulho para a mesma. Seja Manchester, Bremen, Madrid, Londres, Barcelona, Atenas, Istanbul, Moscovo, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Nova Iorque, São Francisco, Bruxelas, Lisboa ou Amesterdão. Exemplos só mesmo um, com o Porto de R Rio.

paulop disse...

A imagem foi mal escolhida, não se quadra com a frase, que para mim tem a ver unicamente com o poder centralista, que chega a ser porno, asqueroso e acima de todo prepotente, medieval, mas muitas vezes alimentado até por politicos do norte, então quando chegam ao grande panelão conseguem ser mais javardos que os politicos lisboetas . quero que ardam todos os centralistas, esta metáfora acaba no dia que houver uma regionalizaçao, o mesmo se aplica á frase do titulo do artigo.

condor disse...

Curioso!Tenho lido cada vez com mais frequencia artigos de opinião escritos em jornais e não só protestando contra esta gula insaciavel da capital do império que tudo o que vê tudo cobiça!
Agora até em blogues da bola como este e outros isso acontece!
Será que o pobo da probincia está a reparar mais nos verdadeiros problemas do país e a passar o futebol para segundo plano?
Se assim fôr é saudar pois já era tempo de deixarmos de andar distraidos com o acessório esquecendo o principal!

Carrela disse...

Pedro Reis,
Acho q está a exagerar! Ninguém quer realmente ver Lisboa arder, sou da Póvoa de Varzim, vivo e trabalho em Braga e quero ver TODO o país bem!!! Inclusive Lisboa, e não tenho nada contra o Lisboa estar melhor que o resto do país, mas custam-me q o faça em detrimento de outras regiões!! E é revoltante este tipo de atitude centralista, para quem não sabe, tb tentaram levar o FastasPorto para lá... ENFIM!
"... ver Lisboa arder..." é figurativo!

Mefistófeles disse...

Pois eu vivi 35 anos em Lisboa e 1 ano no Porto e concordo inteiramente com o post. É uma vergonha o que se passa com o favorecimento da capital em detrimento do resto do país. Mas o mais engraçado, é que os senhores de Lisboa, os tais que tomam as decisões, nem sequer são de lá...isso é o que me mete mais nojo em Lisboa: os governantes, que até das suas regiões de origem se esquecem. Danem-se !

Mário Faria disse...

O título é politicamente incorrecto e o artigo é polémico. Mas está óptimo, se não estivera não teria uma nível de participação tão elevado. Estou-me a marimbar para o Bull Race, mas discordo que sejam verbas do poder central que sustentam esta mudança, se tal for confirmado. Agora, este facto, não muda em nada as questões dominantes, e que marcam a tendência centralista do reino e que a regionalização não cura, porque o capitalismo segue os seus paradigmas e a regulação dos mercados é uma boa ideia que serve para “enganar meninos”.
Na era da informação, seria suposto que as novas tecnologias constituiriam a melhor ferramenta em defesa da descentralização, o que não aconteceu, bem pelo contrário. A força centrifuga da capital (e do capital) aumentou ainda mais, e tem empobrecido quem está mais afastado dos centros de decisão e onde as estruturas do poder estão instaladas.
O tecido económico e social do Porto perdeu importância e, hoje, uma boa parte das grandes empresas sediadas no Porto, são meras prestadoras de serviços menores, balcões de atendimento que seguem as instruções desenhadas nos gabinetes em Lisboa. E quando a missão apresenta alguma complexidade, lá vem o pessoal “altamente especializado” da sede para prestar os serviços adequados. Não é tudo assim, mas a tendência é esta.
E esta situação não muda com voluntarismos ou em função de discursos mais ou menos fervorosos ou bairristas, por muito justos e bem intencionados que sejam . Aliás, acho que este tipo de comentários marca uma certa impotência para inverter o rumo que não depende apenas da n/vontade. Obviamente que não tenho soluções, mas acho que o Porto (que não é confundível com o Norte) tem de tomar a iniciativa política, ultrapassar as clivagens partidárias (e outras), encontrar os consensos e os homens capazes para a luta. E esse é que é o verdadeiro problema.

Tiago disse...

Apesar de ser leitor assíduo, não costumo ser grande participante mas, neste caso, não queria deixar de escrever.

Confesso que fico admirado com as virgens ofendidas que cá vêm mostrar a sua indignação pelo título, conteúdo ou forma do post. Parecem o Saddam, muito admirado, quando o confrontaram com o facto de ser genocida! "Eu, não! Só matei uns quantos milhares, nada de mais!"

Eu sou portuense e vivo há +-6 anos em Lisboa. Conheço, como muitos outros aqui, as duas realidades. E, tendo este conhecimento, espanta-me como há quem lhe chame "guerra parva". Parvo é que lhe chama "guerra parva".

Se para esse lote de "iluminados" DESVIAR DINHEIROS PÚBLICOS LEGALMENTE ATRIBUÍDOS À ZONA NORTE DO PAÍS é normal...
Se para eles ATRASAR A OBRA DO METRO (tão importante e simbólica para as gentes do Grande Porto) para começar um TGV (em Lisboa, claro!) é normal... Isto quando temos um Alfa que pode circular a uma média de 150Km/h e anda a maior parte do tempo a 40 ou 50...
Se para eles é normal FINANCIAR EVENTOS COM DINHEIROS PÚBLICOS SÓ PARA QUE SE REALIZEM EM LISBOA é normal...

Se calhar para estas pessoas, nada de mal teria se lhes tirassem uma fatia do ordenado para reverter a um qualquer governante lisboeta.

Acham que é concorrência leal, o governo usar-se de dinheiros públicos para influenciar a realização de um evento? Quer dizer, enquanto a RBAR foi no Porto, nem um cêntimo, mas agora já há dinheiro????

Qual era, para vocês, a reacção a ter? Ficarmos caladinhos, à espera que os generosos senhores de Lisboa nos dêem uma migalhita do seu manjar? Quem não se sente não é filho de boa gente.

Lisboa é como um eucalipto. Seca tudo à sua volta. E não vão parar até asfixiar qualquer "foco de resistência".

Entre o Mar e o Céu disse...

Gostei e retrata a verdade deste país de governantes miseráveis. Quem quiser esconder a floresta atrás da árvore pode sempre fixar-se no acessório esquecendo o essencial. O título é forte, quiçá polémico mas acessório. Parabéns pelo artigo de opinião.
Eduardo Cohen

Barba azul disse...

Caro John Aarson

Acho que forças a nota ao insistir na atitude anti-lisboeta do texto, do autor e de diversos comentadores. Quanto muito, seria efectivamente dispensável a fotografia, que associa uma frase conhecida mas obviamente de sentido figurado com um acontecimento real e de triste memória.

És obviamente um tipo inteligente (se achares que estou a dar graxa, chamo-te já burro!) pelo que não acredito que não percebas e aceites (depois de tantas explicações do autor) que a intenção da escolha daquela frase para título não é incendiar animosidade violenta contra Lisboa ou os lisboetas.
Claro que pode provocar isso, há gente para tudo. Mas deixar de a usar por causa disso?! Seria mais ou menos o mesmo espírito que desaconselha uma rapariga a não usar mini-saia para não provocar potenciais violadores, ou que aconselha à prudência na manifestação da fé cristã para não irritar algum extremista muçulmano.
Somos suficientemente crescidos para não termos medo de usar palavras ou para deixarmos de expressar opiniões desassombradamente.

Acho que forças a nota como consequência da tua situação "mestiça". Por um lado, não podes deixar de "sentir" posições ou declarações dalguma maneira pejorativas para a tua origem e para os teus "irmãos de sangue", nem queres ser dalguma maneira um traidor. Por outro lado, por muito que gostes do Porto, que gostes de aqui estar, não és completamente daqui. Agrada-te o nosso espírito, a nossa ruralidade, algum provincianismo, esta meia quietude. Para quê mudar isso?

Mas para nós, trata-se da cidade onde provavelmente viveremos sempre, trata-se do nosso futuro de bem-estar, de oportunidades de trabalho, de futuras oportunidades para os nossos filhos. Desculpa lá se vivemos isto mais a quente do que tu! Desculpa lá se não conseguimos ter a tua pose fidalga e altiva, se te envergonhamos! Aceitar a fatalidade estatística do "é assim em todo o lado", é "a natureza das coisas", sem ao menos reclamar dos governos não só a atitude isenta que devem ter, como também a sua função de desenvolver esforços políticos para o desenvolvimento harmónico de todas as regiões e para a correcção de assimetrias injustas e artificiais?
Não obrigado!

Só para acabar, peço-te que não sejas paternalista, nem presumas alguma superioridade cosmopolita. Sabes lá quem somos nós…

Metz disse...

Gostei, COMPREENDI, concordo e se for preciso assino por baixo caro José Correia!

Cumpz

Carlos disse...

Por acaso já tinha perguntado aos meus botões, quando é que ouviriamos um discurso tipo coitadinhos do Norte sempre prejudicados pelos corruptos do Sul, este ano.

O que vos digo é que sempre que as coisas não correm completamente de feição ao FCP, este tipo de discurso, por parte do Sr. Pinto da Costa, aparece.

Esta é a tactica usada para desviar a atenção do péssimo futebol praticado pelo FCP. Alguem ouviu esta conversa na epoca passada? E este ano acham que vai parar por aqui?

José Correia disse...

Penso que a maior parte das pessoas perceberam o sentido e o objectivo deste artigo, bem como a pertinência do mesmo (o FCP e a cidade do Porto são indissociáveis). O tema é polémico e provoca discussão, por vezes mais acalorada, mas lendo os comentários escritos até agora (e foram muitos!), embora algumas coisas fossem dispensáveis, o balanço que faço é bastante positivo.

Tiago disse...

Para quem tiver memória curta, um importante investimento luso-espanhol foi desviado para Badajoz-Elvas porque e passo a citar "manter esse investimento no eixo Porto-Vigo podia trazer à baila uma vontade da população em querer algo mais que uma simples cooperação." Isto veio publicado no El Pais.

Um exemplo muito simples: fizeram a A6 entre a capital do império e Espanha mas quanto tempo foi preciso para darem andamento ao que falta da A4?

Anónimo disse...

Este assunto ultrapassa - e muito - o futebol. Conheço benfiquistas tripeiros perfeitamente capazes de subscreverem este artigo (desde que o Estádio da Luz escape às chamas), e decerto haverá muito portista da capital que se sentirá horripilado ao lê-lo. É portanto antes um tema de discussão entre tripeiros e alfacinhas, sejam quais forem os seus clubes.

John Aarson disse...

Barba azul disse...
"Caro John Aarson


Acho que forças a nota ao insistir na atitude anti-lisboeta do texto, do autor e de diversos comentadores. Quanto muito, seria efectivamente dispensável a fotografia, que associa uma frase conhecida mas obviamente de sentido figurado com um acontecimento real e de triste memória."

se achas que forço a alguma coisa, convido-te a reler principalmente alguns dos comentários. Pois foi a partir daí que comecei a escrever as coisas muito mais a quente. Tanto primarismo por parte de gente que nem sabe o que Lisboa é, mete nojo.

Barba azul:
"És obviamente um tipo inteligente"

:D

Barba azul:
"(se achares que estou a dar graxa, chamo-te já burro!) "

:(

Barba azul:
"pelo que não acredito que não percebas e aceites (depois de tantas explicações do autor) que a intenção da escolha daquela frase para título não é incendiar animosidade violenta contra Lisboa ou os lisboetas."

Mas aí é que está! Não sei qual é o verdadeiro objectivo por detrás desse texto - e isso só o autor saberá - mas sim, em princípio não há intenção de incendiar animosidades violentas nenhumas. O problema é que esse tipo de "grito de revolta popular" faz isso. E a meu ver, é completamente descabido.

Barba azul:
"Claro que pode provocar isso, há gente para tudo. Mas deixar de a usar por causa disso?! Seria mais ou menos o mesmo espírito que desaconselha uma rapariga a não usar mini-saia para não provocar potenciais violadores, ou que aconselha à prudência na manifestação da fé cristã para não irritar algum extremista muçulmano."

Nada a ver. Simplesmente acho que não há necessidade nenhuma de tanto primarismo. Acho que as gentes do Porto são melhores que isso. Pelo menos eu convivo diáriamente com Portuenses, já tive discussões desse tipo e nenhum tem coragem para me dizer esse tipo de coisas na cara que vocês me dizem agora. E como vim a aprender nestes ultimos anos, os Portuenses dizem bastante o que têm para dizer e dificilmente escondem os seus sentimentos (irónicamente tenho estado a fazer o mesmo nestes comentários).

Barba azul:
"Somos suficientemente crescidos para não termos medo de usar palavras ou para deixarmos de expressar opiniões desassombradamente."

Também somos suficientemente crescidos para não ter de recorrer a primarismos.

Barba azul:
"Acho que forças a nota como consequência da tua situação "mestiça". Por um lado, não podes deixar de "sentir" posições ou declarações dalguma maneira pejorativas para a tua origem e para os teus "irmãos de sangue", nem queres ser dalguma maneira um traidor."

Não há traições nenhumas. Eu até prefiro morar no Porto. Simplesmente não vejo as coisas como vocês vêem, e não consigo deixar de pensar que é por muitos de vocês apenas conhecerem a realidade do norte e não a do sul. Sinceramente não acho que as pessoas lá de baixo vivam melhor que as pessoas cá de cima.
Se há uma ou outra coisa que acontece em Lisboa em detrimento do Porto ou de outra cidade qualquer, é óbvio que o facto de ser a capital e a maior cidade do país, reflete algum favoritismo por parte de quem está a realizar o evento... mas isso já disse umas 5 ou mais vezes aqui.

John Aarson disse...

Barba azul:
"Por outro lado, por muito que gostes do Porto, que gostes de aqui estar, não és completamente daqui. Agrada-te o nosso espírito, a nossa ruralidade, algum provincianismo, esta meia quietude. Para quê mudar isso?"

Porque sei que apesar de terem grande espirito, algum provincianismo, etc, sei que também são mais inteligentes do que isso para se deixarem levar por guerrinhas parvas. Pelo menos as pessoas com quem tenho convivido ao longo do tempo o são.

Barba azul:
"Mas para nós, trata-se da cidade onde provavelmente viveremos sempre, trata-se do nosso futuro de bem-estar, de oportunidades de trabalho, de futuras oportunidades para os nossos filhos."

Se a minha vida pós universitária não seguir para fora deste país, subscrevo por inteiro o que estás a dizer. Não tenho a minima vontade de voltar para Lisboa.

Barba azul:
"Desculpa lá se vivemos isto mais a quente do que tu!"

Desculpa? Tens lido os meus comments???? Eu estou a viver isto muito mais a quente do que muitos de vocês que se limitam a dizer "ya, grande post! Lisboa a arder! weee!!!".

Barba azul:
"Desculpa lá se não conseguimos ter a tua pose fidalga e altiva, se te envergonhamos! Aceitar a fatalidade estatística do "é assim em todo o lado", é "a natureza das coisas", sem ao menos reclamar dos governos não só a atitude isenta que devem ter, como também a sua função de desenvolver esforços políticos para o desenvolvimento harmónico de todas as regiões e para a correcção de assimetrias injustas e artificiais?
Não obrigado!"

Sim, envergonham-me. Já vos dei a receita para ajudar a acabar com o poder centralista: pedir a regionalização. Agora, é isso que acontece? Não, não é. Se calhar eu, a pregar a "velha" ideia da regionalização, com a minha "pose fidalga e altiva" estou a fazer MUITO MAIS para acabar com o poder centralizado que que TODOS vocês. Pensa nisso, caro colega.
Se calhar muitos de vocês ficaram em casa a coçar a tomateira ou votaram não no referendo de (salvo erro 1999) da Regionalização.
Estou certo ou estou errado?

Barba azul:
"Só para acabar, peço-te que não sejas paternalista, nem presumas alguma superioridade cosmopolita. Sabes lá quem somos nós…"

Não estou a ser paternalista nem estou a presumir superioridade cosmopolita nenhuma, nem sei sinceramente o que é isso. Porque continuas convencido que eu acho que o Porto é uma aldeia? Isso é mais uma ideia errada que vocês têm acerca dos Lisboeatas. Que nós pensamos que Lisboa é que é a cidade e é só aldeias à nossa volta. Pára de ter essa ideia que vocês são inferiorizados pelos Lisboetas. Não são. E se há uns atrasados mentais que dizem isso, que digam. Não passam disso mesmo. Uns ignorantes por não conhecerem esta grande cidade que é o Porto.
Dizes "sabes lá quem somos nós". Sei que faço uma ideia melhor de quem são os Portoenses do que vocês, comentadores deste post e o seu autor, faz sobre os Lisboetas.

José Rodrigues disse...

Já por diversas vezes vi aqui escrito "Portoense". Ora isso é tão ridículo como falar em "lisbuetas"...

As pessoas da cidade do Porto são PORTUENSES.

E se preferirem alcunhas, "tripeiros" (q erroneamente tem sido abusivamente utilizado para os portistas em geral, sejam eles de onde forem).

Replica disse...

Mas este caramelo, que eu não conheço o deserto por onde ele anda vem para aqui falar do R.Madrid mas a mim que me interessa
este Pedro Reis, que fique pela Mouraria, que fica bem, quanto ás chamas não tem importância, pois ,segundo alguns ciêntistas os terramotos são ciclicos 275 anos em 275, por isso, a coisa está próxima há que fugir, mas mais para o SUL como Marrocos.


Fiquem bem, mas por enquanto não houver sapatada isto não vai ao sitio.

Di disse...

http://zonadesportiva.blogspot.com/2009/12/red-bull-voa-da-invictagaia-para.html

excelente post sobre este tema...