sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

8.1.1985/8.1.2010 - 25 Anos de Saudade


O título pode parecer um pouco chavão de jornal, mas cada vez que olho para trás e recordo José Maria Pedroto sinto de facto uma enorme saudade, misturada com a frustração de a morte ter levado tão cedo um homem tão genial.

Sobre o grande Zé do Boné já tudo se disse, já tudo se escreveu, e até aqueles que, quando ele vivia, lhe dedicavam o melhor da sua bílis, acabaram por se render às evidências, nalguns casos porventura por isso ser de bom tom.

É vulgar e normal dizer-se de José Maria Pedroto que foi o melhor ou um dos melhores treinadores portugueses de todos os tempos, mas tal descrição menoriza–o.
O Zé do Boné, tendo sido um técnico de enorme categoria e talento (na minha modesta opinião, de facto o melhor treinador português de sempre) foi muito mais do que isso. Para nós, portistas, a sua obra e o seu talento tiveram um significado especial, não só por ter sido ao serviço do nosso clube que ele alcançou os seus maiores êxitos, mas também porque ele foi o principal obreiro desses êxitos, não apenas no modo como orientou a equipa do clube, mas também na maneira arrojada, inovadora e profissional como revolucionou o futebol no F.C.P. E além disso, Pedroto vivia e sentia o clube como o mais dedicado dos adeptos. Mesmo quando, num dos seus “exílios”, treinava o Vitória de Setúbal, longe da Invicta, não deixava de discorrer e reflectir sobre os problemas do F.C.P e a sua penosa caminhada de então. Era dos nossos.

Quando hoje se fala da famosa “estrutura” do F.C.P. muitos ignoram que quem esteve na origem dessa afinadíssima máquina foi precisamente José Maria Pedroto. Foi com ele que o clube percebeu, de uma vez por todas, que não ganhava essencialmente por culpa própria, e não por causa dos Calabotes e quejandos, que sendo factor de peso, não eram o factor decisivo (com Calabote até fomos campeões, convém não esquecer). Pode dizer-se que a feliz conjugação Pedroto/Pinto da Costa foi o que de melhor aconteceu ao clube na sua centenária história.

Acima de tudo Pedroto era um homem que tinha a coragem das suas convicções e não cedia no que considerava fundamental. Por esse motivo bateu com a porta aquando do funesto “Verão Quente das Antas” em 1980, como já fizera ao serviço do Vitória de Setúbal, no início de 1974, quando aquele clube liderava o campeonato, “fresquinho” de uma vitória na Luz.

Além das épocas que representou o F.C.P. como jogador – de 1952 a 1959 -, nas quais fez parte das equipas campeãs de 1955/56 e 1958/59, Pedroto foi treinador do clube num total de nove épocas, decerto um recorde no principal escalão do futebol português. E foram "só" nove porque a doença que haveria de levá-lo veio intrometer-se. Foi na sua segunda passagem pelo clube (1976-1980) que o Zé do Boné lançou as fundações do F.C.P. que hoje conhecemos: pujante, organizado, profissional, vencedor. Os que se recordam do título de 1977/78 e das muitas frustrações e amarguras dos longos anos que esperámos por esse triunfo, certamente estarão de acordo comigo.

Termino com uma sugestão: por que não uma estátua de José Maria Pedroto junto ao Estádio do Dragão? Creio que seria um símbolo digno da gratidão e reconhecimento de todos nós a tão grande figura.
Até sempre Pedroto!

19 comentários:

Pedro Vale disse...

Alexandre, obrigado pela homenagem!

SecretHell disse...

Pode ser que o Jesulado se inspire no Mestre e ponha a equipa a jogar futebol ja a partir de Domingo até para nao deixar passar o nosso presidente por mentiroso...

Luís Carvalho disse...

Curiosamente, aquando do seus últimos anos como nosso técnico, muita gente definia Pedroto como um treinador algo defensivo.

Claro que o "defensivismo" desse tempo seria, hoje-em-dia, do mais ofensivo que se poderia observar.

"O FCP é um vulcão a que slb e scp não conseguem dar resposta".
Pedroto, já muitos anos "à frente" da sua época.

Obrigado, Zé do Boné.

Oporto disse...

Não domino esses assuntos, mas que tal a ideia de se criar uma petição a exigir ao FC Porto uma estátua de Pedroto junto ao Estádio do Dragão?
Junto á Superior Sul que representará para sempre o "Tribunal" das Antas...

Nuno Nunes disse...

Também sou da opinião que o Sr. Pedroto (como ainda lhe chama o capitão Rodolfo) merece uma estátua junto ao Estádio do Dragão. Ficava bem ali junto à bilheteira Norte, virada para a Alameda. O mínimo que podemos fazer é perpetuar a memória dos génios que nos fizeram ser o que somos.

O Anti Lampião disse...

Mas afinal o que foi o Orelhas fazer ao parlamento ? Qual a verdade desportiva ele representa ?

http://oantilampiao.blogspot.com/2010/01/olarapio-benquerenca-3.html
http://oantilampiao.blogspot.com/2010/01/olarapio-benquerenca-2.html
http://oantilampiao.blogspot.com/2010/01/olarapio-benquerenca-1.html

Pedro disse...

Creio que existe a ideia de da ra Pedroto o nome do "futuro" museu do FCP. Que essa obra não seja esquecida...

Quanto a Pedroto representou muito mais que um grande treinador, foi um dos pilares do nosso crescimento. E pertenceu a uma geração de portistas que vivia o clube sempre, que tinha um amor à camisola que hoje é quase utopico.

E junto o nome de Morais a isto, segundo rezam as crónicas um mestre a ler futebol.

Ricardo de Sousa disse...

Concordo com a estátua perto do Dragão...

Pedroto é eterno...
Obrigado Mestre!


Abraço
O Tunel Dourado em http://carregaporto.blogspot.com

Anónimo disse...

Caro Oporto e demais defensores da ideia da estátua:

Agradeço o apoio à minha ideia e concordo com a petição, mas esta, como etimologicamente se depreende, não pode "exigir" nada ao FCP, apenas pedir.

Poderemos de facto criar uma petição online e depois fazê-la chegar ao FCP.

Agradeço difundam a ideia e entretanto eu elaboro a petição.

Abraços a todos

John Aarson disse...

Estou 100% de acordo, e assim que essa petição estiver feita, por favor postem aqui no blog a informação sobre esta. Gostaria de a assinar (e como nós, certamente muitos outros portistas).

Zé Luís disse...

Havia nas Antas uma lápide com uma efígie em bronze do Zé do Boné.
Estão a esquecer-se.
Está esquecida.
Agora têm visões.

Anónimo disse...

Havia, sim senhor, José Luís, tal como uma do Pavão e outra do Rui Filie. Com a construção do novo estádio essas lápides desapareceram.

Mas uma estátua parece-me homenagem mais condigna. Junto ao seu estádio de Portman Road o Ipswich Town tem uma de Sir Bobby Robson, e em Old Trafford há também uma de Sir Matt Busby.

José Correia disse...

E há também uma estátua de Valeriy Lobanovskyi junto ao estádio do Dinamo Kiev.
Venha de lá essa petição, que o "Zé do Boné" merece e eu quero assinar.

João Saraiva disse...

Alexandre disse:

Havia, sim senhor, José Luís, tal como uma do Pavão e outra do Rui Filie. Com a construção do novo estádio essas lápides desapareceram.

Não desapareceram, passaram foi para áreas não públicas.

HULK 11M disse...

João Saraiva disse:
"Não desapareceram, passaram foi para áreas não públicas".

Pois... agora no FCP parece que é tudo "não publico", seja a homenagem ao "Zé do Boné" seja o hastear da bandeira no último aniversário... etc...
Só é "público" quando implica pagamento das entradas...
Enfim.... modernices do "ex-nosso" FCP...

Bi-Bota disse...

Caros Portistas. Realmente não me recordo com exactidão se a lápide do Pedroto está no Dragão a fazer companhia à do Rui Filipe e à do Pavão que se situam na entrada reservada do piso inferior do Estádio onde normalmente chegam os autocarros com as equipas. Ia jurar que sim.

Zé_Lucas disse...

Caros, faz algum ( bastante já )tempo, que eu propus num espaço semelhante a este, que o novo estádio das Antas se chamasse "Estádio José Maria Pedroto". Considero que foi ele o verdadeiro artífice do FCP moderno e vencedor, tendo levado atrás homens como o Pinto da Costa. Apareceu depois o nome "Dragão", que me pareceu na altura (Honny soit qui mal y pense), deixar a porta aberta a que um dia o estádio venha a ter outro nome ( pois, esse que estão a pensar).
Seja como for, o Pedroto foi demasiado importante para o FCP e o Norte em geral, para qualquer homenagem tipo "plaquinha à entrada".
Sem querer ser maçador, deixo-vos aquí uma pequena história passada com o mestre e que me foi contada pelo Francisco Baptista, jogador na altura do FCP e irmão do Magriço Alexandre Baptista. Um belo jogo de reservas, estava o Zé no banco a "cochilar", dizem-lhe - mestre, golo do Valdemar! Boa, diz ele. Mas, mestre, foi na própria baliza...

Velasquez disse...

Agradeço o email do Pivale para a petição da Estátua ao Pedroto. Depois de ler uma coisa assim, parece evidente. Parabéns ao Alexandre Burmester. Sem palavras mesmo. Vou assinar já.

Anónimo disse...

Zé_Lucas,

Apenas uma correcçãozinha: o Francisco Baptista não era irmão do Alexandre Baptista. Era, sim, irmão do antigo jogador do Boavista Serafim Baptista.