domingo, 18 de abril de 2010

Agora é um provinciano


André Villas-Boas estreou-se como técnico principal na Académica, ao substituir Rogério Gonçalves, em meados de Outubro. De imediato recebeu elogios dos jogadores e da imprensa “especializada”. A sua carreira no futebol começou com José Mourinho no F. C. Porto numa época em que o clube conquistou a Taça UEFA (2003) tendo na época seguinte conquistado a Liga dos Campeões (2004). Villas-Boas foi o "olheiro" de Mourinho e especializou-se na descoberta de talentos e na análise técnico-táctica das equipas adversárias. Depois do FC Porto seguiu com o “Special One” para Londres, onde trabalhou no Chelsea, e depois para Milão, na equipa do Inter. Em Outubro passado regressou profissionalmente a Portugal.

Quando o Sporting atravessou uma crise de resultados Bettencourt viu nele o substituto ideal para Paulo Bento mas por vários motivos a transferência gorou-se tendo-se mantido a ideia na comunicação social de que poderia ser o técnico dos Viscondes para a próxima época.

No entanto, no passado dia 5 de Abril, a Sporting SAD enviou um comunicado à CMVM em que afirma que “na sequência da especulação jornalística (...) vem informar o mercado que o actual treinador da Associação Académica de Coimbra, André Villas-Boas, não será o treinador do Sporting para a época de 2010/2011.”. A comunicação social garante que houve efectivamente um contrato assinado entre as partes mas que foi anulado por mútuo acordo devido à influência do novo director desportivo Costinha.

Na edição de 12 de Abril do Diário Económico, na sua rubrica “A Face Visível”, o jornalista Miguel Coutinho afirma que “o treinador André Villas-Boas é um exemplo do sempre surpreendente deslumbramento provinciano da sociedade portuguesa”. Mais afirma que “o treinador da Académica tem feito uma campanha entre o mediano e o medíocre e, apesar disso, já foi apontado como futuro treinador do SCP e do FCP”. Não entende “por que razão se idolatra Villas-Boas” que de Mourinho partilha uma “boa imagem e um feitio aparentemente insuportável”.

O André Villas-Boas não tem apenas um mas vários defeitos incorrigíveis para a “sociedade portuguesa”. Além de ter talento, é portuense e portista e isso é indesculpável aos olhos da comunicação social de uma capital míope e desonesta. Não fazia a mínima ideia que ser natural do Porto, estudar em Inglaterra e posteriormente trabalhar em cidades como Porto, Londres, Milão e Coimbra fazia de alguém um “provinciano deslumbrado”. Mas se atentarmos à cidade que falta no rol das que enunciei facilmente se percebe porquê.

Não conheço este Miguel Coutinho nem sei as suas origens mas textos deste teor servem para se perceber o que é verdadeiramente um deslumbrado.

14 comentários:

João disse...

Não tendo qualquer intenção de desculpar o referido jornalista, que pode ser a maior besta à face da terra (o que será difícil, porque tem, pelo menos, 6 milhões de concorrentes de peso) ele não diz em lado nenhum que Villas-Boas é "provinciano", "deslumbrado" ou ambas mas sim que a sociedade portuguesa o é.

Facto é que a folha de serviço de Villas-Boas não terá extensão suficiente para tanta expectativa. Ou terá?

João disse...

Porra, só reparei agora que o Domingos liderava ali a lista para próximo treinador do Porto. Oh gente, ponham os olhinhos no futebol do Braga.. Para futebol caga tremoços já temos o Jesualdo, por amor de Deus.

Ana Martins disse...

Só 1 pequena correcção, Nuno Nunes:

o André Villas Boas não chega ao FCP por intermédio de José Mourinho. Foi Robson, de qm era vizinho, que lhe deu um papel na estrutura. Sendo Mourinho adjunto de Robson, conheceu aí o André. Quando JM regressa ao FCP quer alguém competente e desconhecido para ir ver os jogos das equipas adversárias todas as semanas. Villas Boas vira um "treinador sombra". POr ser desconhecido (toda a gente conhece um Frasco ou um Eduardo Luís) e por ter revelado capacidades acima da média na análise dos adversários (Mourinho dizia meio a sério, meio a brincar, q o Cenourinha sabia mais das equipas adversárias do q muitos treinadores dessas mesmas equipas), que se manteve como "discípulo" de Mourinho.

Em relação ao post, tenho apenas a dizer q concordo em parte com a crítica de Moutinho, já q tudo o q faz parte de Mourinho é idealizado. Villas Boas tem excelente potencial, é competente, mas ainda n está no ponto para ser treinador de um grande. Aliás, é o q vai acontecer, atá para bem dele.

cumps

Adolfo Dias disse...

Realmente, e como já foi dito pelo João no 1º comentário, o Nuno Nunes interpretou mal a critica de provincialismo. A critica é feita à sociedade portuguesa no geral e não ao Villas Boas em particular.
Sendo que até concordo integralmente com o que diz Miguel Coutinho acerca deste assunto. E penso que se a ideia do Nuno Nunes é a de que o jornalista fez uma critica deste género apenas por se tratar de um portuense e Portista (desconhecia que Villas Boas tinha estas duas características), querendo apenas desvalorizar o homem por ele ter nascido no Porto e ser do clube da cidade onde nasceu, está errado, quer se dizer, pelo que li não vejo onde se perceba que a critica feita nessa noticia seja explicita ou implicitamente conotada ao facto de ele ser outra coisa que não um fraco treinador principal. A não ser que este tipo já seja conhecido por ser contra o FC Porto ou um apoiante declarado de um qualquer outro clube, coisa que desconheço mas aí sim seria de interpretar o texto doutra forma e com outra intenção.

Para mim o Villas Boas é um bom adjunto mas uma fraca fotocópia de um bom treinador principal. Diria mesmo que não passa de um José Gomes (o adjunto de Jesualdo).

Anónimo disse...

Também concorco com o João e com o Adolfo Dias, Nuno. Eu aco que o articulista chama provinciana à sociesade portuguesa por se ter embasbacado com pouco, ou seja, com a curta e pouco relevante carreira do Vilas Boas.

Mas para bater em mouros já sabes que contas empre com o meu apoio! : -)

Anónimo disse...

Bolas, tantas gralhas no meu comentário: "concordo", "acho", "sociedade", "sempre"

Zemis disse...

Caríssimos

A sociedade portuguesa sofre, efectivamente, de um deslumbramento provinciano que se traduz em inveja por quem é bem sucedido (sendo os exemplos mais gritantes, no universo futebolístico português, Cristiano Ronaldo e José Mourinho) Mas não é por causa disso que eu acho que o Vilas-Boas não deve ser o próximo treinador do FCPorto.

O Vilas-Boas ainda não provou nada. Está há alguns meses na Briosa e o seu desempenho tem sido errante e nada de fenomenal. Não digo que não tenha potencial mas ainda tem que melhorar para merecer um lugar como treinador principal do FCPorto. Nesta fase prefiro perder uma potencial estrela e ganhar um futuro consolidado para os próximos dois anos do que apostar numa incógnita chamada André Vilas-Boas.

Do outro lado veja-se o Domingos (a minha preferência se a opção for um treinador português) que tem tido uma carreira em ascensão, bem sucedida (note-se duas vitórias com a Briosa no Estádio da Luz) e que é visto como 'not good enough' para o FCPorto. O SCBraga com um plantel mais fraco que FCPorto e Sporting está em segundo lugar e ganha jogos. O Domingos sabe mexer na equipa, adapta a táctica, e a dinâmica, aos jogadores disponíveis e transformou jogadores medianos em peças fundamentais num candidato ao título (Vandinho, Mossoró, Alan, Matheus, etc.) assente numa defesa boa (só tremeu no Dragão). Para mim o mais importante é GANHAR JOGOS! Só o Barcelona e a selecção do Brasil conseguem, e nem sempre, ganhar troféus e jogar maravilhosamente... e houve largos períodos, sob a égido do Jesualdo Ferreiro, que o FCPorto jogou bem e ganhou... mas pelos vistos isso também não é suficiente. Eu sinceramente não sei o que vos deixa feliz...

Mas, para terminar, digo que preferia um treinador estrangeiro, de craveira e experiente secundado pelo Jorge Costa (que também ainda não provou ter qualidade suficiente para treinador principal) e a minha escolha seria o Manuel Pellegrini. Já passou por River Plate e Villareal, com excelente resultados, e não é, de longe, o culpado pela má época do Real. Vai receber uma ideminzação choruda e creio que estará dentro das possibilidades do FCPorto... E eu acho que o treinador deve ser o elemento da equipa que ganha mais, afinal de contas é ele quem manda, não é?

Nuno Nunes disse...

O Villas-Boas era um tipo respeitado, independentemente da sua experiência, até ao ponto em que foi descartado oficialmente pelo Sporting. Opiniões destas não saíram antes do acordo com os de Alvalade ser desfeito.

victor sousa disse...

o que eu acho, é que deslumbramento "provinciano", tem muito mais cultores na "corte" do que na província. Logo, o deslumbramento em causa será elogioso, quando citado pelos cortesãos.
Uma adjectivação negativa,seria mais do tipo:

um aristocrático deslumbramento...

Que é o estado normal destes sibaritas.

Anónimo disse...

Para mim o mais absurdo é que agora qualquer jornalista ou colunista, seja qual for a sua especialidade, se sente no direito de mandar umas bocas futebolísticas. Vide este Miguel Coutinho do Diário Económico...

Mefistófeles disse...

Sinceramente tambem ainda nao percebi qual o pecado deste Miguel Coutinho.

E ate concordo com o que diz. Anda tudo a espera de um novo Mourinho, tal como o povo esperou por D.Sebastiao numa manha de nevoeiro... So para saloios. Villas Boas ainda tem muito pao para comer. Ele, e outros.

Nuno Nunes disse...

É só anjinhos. Há duvidas que se este treinador fosse um alfacinha esta adjectivação não seria usada?

João disse...

Zemis, sendo óbvio que discordo com grande parte do seu comentário, deixo apenas dois apontamentos por manifesta falta de tempo para mais.
1) Dizer que jogadores como Vandinho, Mossoró, Alan, Matheus, etc. são medianos é um exercício de coragem.. Não o eram com Jesus nem passaram a ser com Domingos. Aliás, Alan já não era propriamente mediano no Marítimo e Porto e Vandinho já não é mediano desde os tempos de Jesualdo no Braga.
Da mesma forma, não são propriamente medianos João Pereira, Hugo Viana, Eduardo, Meyong, Rodriguez, etc.. Eu percebo o que quer dizer (tanto que alguns destes não se conseguiram impor no Porto, Sporting ou Benfica, lá está) mas a adjectivação parece-me muito exagerada. Basta dizer que do 5º classificado para baixo, nenhum ou quase nenhum jogador teria lugar no Braga.
2)"e houve largos períodos, sob a égido do Jesualdo Ferreiro, que o FCPorto jogou bem e ganhou..."
A sério? Eu recordo-me da 2ª metade de 07/08 e, honestamente, pouco mais. Aliás, só com o "Benfica" ("" porque me refiro a todos os 14) a este nível e com o estádio a esvaziar é que Jesualdo tem sentido necessidade de cavalgar no resultado (como hj, mesmo não tendo resistido à tentação de alargar as linhas até ao limite do tolerável no princípio da 2ª parte), durante o tetra, a partir do 1-0 era para entregar o jogo.

Pedro disse...
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