quarta-feira, 14 de abril de 2010

A Internet, o mercado brasileiro e os negócios

Por Pedro Carriço (*)


Desde 2005 que resido no Brasil e, sempre que posso, tento acompanhar o futebol em Portugal. Recentemente, e apesar de já ter passado muito tempo desde a minha última visita ao dragão, consegui acompanhar mais o clube do
que nos primeiros tempos por cá. Há coisas que estão a mudar, por conta do fenómeno da Internet, que teve abertura explosiva há uma década e cujo potencial era essencialmente desconhecido mas que criou uma onda de especulação generalizada sobre o Mundo que seria, nessa altura, para o dia do amanhã. O que sucedeu foi que a uma expectativa tão elevada de mudança repentina do Mundo como o conhecíamos, sucedeu um balde fria que foi a constatação que por muito rápida que viesse a ser, não seria tanto quanto já imaginariam aqueles analistas de acções que olhavam para as tecnológicas, dos media e telecomunicações.

Na verdade o Mundo mudou, e tem mudado de forma rápida, talvez não tanto como se previa nos idos anos de 1999 ou 2000 mas foi rápida o suficiente. Eu, sem assinar a SportTv, ou algum canal por cabo, tenho assistido regularmente a jogos do Porto, não com a qualidade de um LCD que recebe o sinal directamente da box, mas para lá caminha. A única coisa que eu tenho é uma fiável ligação à Internet e depois uns cabos que passam o sinal para a TV. Quase me sinto como em tempos, quando combinava com uns amigos para ver uma partida no café mais próximo. O que é curioso é que apesar da extensa oferta de futebol neste lado do Atlântico, raramente me sinto motivado para ver um jogo de um Corinthians, ou um do Cruzeiro ou, para falar da região em que resido, de um Bahia ou de um Vitória. Consigo explicar isso porque a relação que tenho com o futebol toca em questões de emoção antes ainda do simples espectáculo. Não é assim com toda a gente, mas é concerteza assim comigo. A emoção às vezes ultrapassa o clube mas muitas vezes é por relação com ele, diria por exemplo que via o Flamengo quando lá jogava (e bem) o Ibson, ou então também vejo hoje com prazer Lyon ou Marselha por causa de jogadores que tanto dizem ao Porto.

O que me parece mais do que evidente é que se o mundo mudou de forma tão clara em tempos recentes, haverá ainda muito mais mudança para ver nos próximos anos. Daí que faça sentido alinhar estratégias de gestão para um Mundo muito diferente do que o conhecemos hoje. Não querendo ser profeta, diria que o modelo de gestão de qualquer um dos clubes lusos já é ultrapassado. Tem dado para sobreviver, mas não sei se por muito tempo. Apesar disso, cada um dos três grandes tem tido resultados muito desanimadores e não fossem receitas extraordinárias, teríamos já tido falências, e no caso do Benfica essa situação foi até evitada por um aumento do capital. A lógica de sustentabilidade tem passado por um papel de intermediação de activos (jogadores) entre clubes de menor capacidade financeira e os outros. Manter essa lógica significará uma de duas coisas – ou um clube se torna uma referência absolutamente atípica e brutalmente competente em qualquer canto do mundo, ou então caminhará para o definhamento.

No outro dia via referências de que o Porto sondou o Grêmio de Porto Alegre sobre um tal de Mário Fernandes – defesa central de 19 anos – oriundo do Estado de São Paulo, mas já com um ano e alguma coisa no Grêmio. O preço seria, segundo diz a imprensa, de 13 milhões de euros. Um valor absurdamente alto se pensarmos com valores de há alguns anos, ainda que possa vir a ser uma estrela e valer ainda mais. Mas existe sempre o risco de tal não acontecer. Efectivamente algo está a suceder no mundo macroeconómico global que dita novas orientações. O Brasil, típico exportador de estrelas que dariam potenciais bons negócios, vai crescer mais de 5% este ano, e tem mantido um diferencial positivo bem generoso de crescimento face às economias na Europa e em particular face a Portugal nestes últimos 6/8 anos. Para além disso, falamos de crescimentos em moeda local e descontando a inflação. Ora se pensarmos que o euro valia quase quatro reais em 2005 (agora vale 2,4), se pensarmos que a inflação tem sido em média 4/5% aqui e ainda pusermos em cima o crescimento maior no Brasil, rapidamente chegamos à conclusão que o valor de 13 milhões de euros seria o equivalente a uns 5/6 há apenas quatro anos. Não é por acaso que estrelas como o Robinho ou o Ronaldo tenham vindo para cá, ainda que para o primeiro creio ter sido por empréstimo. O que quero dizer é que, se há alguns anos era possível vir e escolher e não arriscar muito, com menos dinheiro dava para comprar os melhores, dos mais importantes clubes e que já sentiam a pressão do campeonato brasileiro e da libertadores, agora para conseguir bons negócios é preciso conhecer campeonatos estaduais, arriscar mais e, possivelmente, ficar mais refém ainda do que os empresários podem oferecer. Parece-me muito arriscado.


Voltando ao início e tentando aproveitar as novas formas de negócio, creio ser tempo de mudar o paradigma; é fácil falar, mas creio que apenas um modelo de negócio que consiga sustentabilidade sem os resultados extraordinários pode sobreviver. O cálculo financeiro é simples e aplica-se a qualquer empresa – quando se investe, projectam-se os cash-flows que ele vai gerar no futuro e desconta-se para o presente. Se o valor descontado for positivo, depois de deduzido o investimento, então vale a pena, se estivermos a pensar na revenda para dar lucro, receio cada vez mais estarmos a dar tiros nos pés.

(*) Pedro Carriço é um portista de 38 anos, de Coimbra, que vive desde 2005 em Salvador, no Brasil. É portista desde os 5 anos por influência do irmão mais velho. Depois de acabar o curso, viveu no Porto dois anos, de 1997 a 1999. Nessa altura fez-se sócio e frequentava as piscinas das Antas. Foi também nessa altura que via mais jogos no estádio. Mais tarde, quando saiu do Porto, esteve num grupo que formava o núcleo portista de Coimbra - "os dragões de Coimbra". Neste ano, e graças à Internet, conseguiu voltar a ver a equipa a jogar com regularidade e isso motivou-o a procurar notícias e a aparecer em blogs, dos quais o ‘Reflexão Portista’ é parada obrigatória todos os dias.

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Pedro Carriço a elaboração deste artigo.

Fotos: Mário Fernandes e gráfico com os valores das maiores transferências.

29 comentários:

José Carlos disse...

Excelente artigo que põe a nú o principal problema dos clubes portugueses.

Eu gostaria de acrescentar outro (especifico de Portugal) que é a completa falta de sustentabilidade dos clubes mais pequenos.

Se repararem em Portugal quase não há transferências com dinheiro a circular entre os clubes grandes e os de média dimensão.

E se formos ver entre os clubes de média dimensão e os mais pequenos o caso ainda piora de figura !

Casos com o do avançado do Nacional Néné que os grandes não quiseram para ir buscar (no caso do Sporting) Pongolles muito mais caros são paradigmáticos desta situação.

Aproveito também para dar os parabéns aos autores deste blog pela qualidade dos artigos e das escritas.

Saudações desportivas a todos ...

AntiPorcosCorruptos disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Adolfo Dias disse...

Não sei se este artigo (texto) valia a pena ser publicado?
Não passa de futurismo barato. Não quero insultar nem diminuir ninguém mas há coisas demasiado óbvias para se dar como um bom exercício de raciocínio.
É óbvio que os clubes vivem acima das suas posses, há décadas. Logo um dia (mais tarde para uns e mais cedo para outros), terão de ser extintos (o que já se vê muito em Portugal e não só) ou terão de recorrer aos mercados internos e à formação, obrigatoriamente, sendo que alguns poderão até deixar de ser empresas para voltar a ser apenas clubes e até se calhar amadores.
Os salários pagos nos clubes portugueses, não só nos grandes, dão cabo das receitas dos clubes e hipotecam as receitas futuras também, e como é óbvio nenhuma empresa ou família ou pessoa, consegue gastar sem ter dinheiro disponível. O programa 6/11 do FC Porto é a prova de que a direcção do FC porto já se apercebeu que dentro de muito pouco tempo terá de recorrer a esse programa para não cair na banca rota.
O mercado futebolístico, assim como todos os outros, tem ciclos, em certas alturas há dinheiro que até parece que nasce nas árvores e noutras alturas nem para comprar um coxo há dinheiro, e para exemplificar isso temos o Sporting, que de uma "seca" forte no inicio desta época desportiva "ameaça" agora comprar uma equipa nova para a época que se segue. Têm lá um investidor pelos vistos (Jorge Mendes) que arrisca o seu dinheiro mas será pelo lucro de certeza, não é por "amor" ao clube. Já o benfica tem o dinheiro todo contadinho e com os credores à perna à espera do deles, com juros e correcção monetária, ou pensam que bancos e angolanos dão ou deram alguma coisa ao clube da gayvota? Ninguém dá nada a ninguém e o futebol como mercado de retorno financeiro exponencial (em pressuposto) atrai muitos investidores, mas são isso mesmo... investidores, não dadores ou doadores. Nesse aspecto o FC Porto é o pior pois não se conhece ninguém que anda a investir no FC Porto mas também assim não há ninguém (a não ser os empréstimos bancários, inclusive o obrigacionista) a pedir o dinheiro de volta e com lucro.
Os clubes enquanto não reduzirem as despesas, principalmente com os pagamentos de salários desajustados da realidade, e das

Adolfo Dias disse...

...comissões das compras e vendas de jogadores (mas isto das comissões está tão enraizado a nível mundial que nunca vai acabar) nunca vai conseguir acertar as contas e ter uma boa "saúde" financeira.
Para mim a solução passaria por apostar na prospecção de jogadores mais jovens e trazer-los para o clube através dos pais deles e formar cada vez mais jovens promissores e não andar a formar tudo o que lá aparece e/ou não andar a comprar jogadores por serem deste ou daquele empresário (lá está, por causa das comissões).
Depois há a possibilidade de se "esmifrar" mais e melhor nos direitos de transmissões de jogos e até nos patrocínios de certas marcas. Vi há uns dias um post no blogue porta19 que comparava o que a Nike paga ao Porto e o que paga a certos clubes ingleses, a diferença é estupidamente exorbitante.
Outra politica pouco explorada pelo FC Porto é a criação de novos sócios. Não percebo como é que depois de ser campeão europeu em 2004 não fez uma digressão pelos países de emigração portuguesa a pedir associados novos, pois nessa altura quem não quereria ser sócio de um clube vencedor da maior competição europeia? Ou ter um filho como sócio do mais bem sucedido clube português a nível internacional 2 anos seguidos?
Agora essa janela de oportunidade passou e não sei quando volta.
Assim como devia ter uma politica de preços diferentes para a bilheteira e loja de produtos oficiais do FC porto, consoante a utilização do cartão de sócio.
Devia ter uma grande variedade de investimentos que me passam agora pela cabeça mas que para pôr em palavras dava um livro.
Resumindo, o FC Porto tem de se controlar em despesas e saber ocupar melhor o lugar de destaque que tem no futebol português e com isso ir buscar mais receitas. Porque as recitas que tem tido nos últimos anos servem perfeitamente para o clube continuar a crescer para além de sobreviver, o problema é quando não há dinheiro a entrar de forma regular. Este ano recebemos mais da UEFA (champions) do que no ano da vitória europeia. Por isso cada vez mais será importante ficar em lugar de acesso a essa competição.
Já ouvi muitos benfikistas dizerem que se o benfica acabasse o campeonato português acabaria também, pelo numero de adeptos que tem. Pois eu pergunto; Se o o FC Porto deixar de participar no campeonato português, o campeonato não acabaria também?
Pensem bem e verão que se calhar acabaria não só o campeonato português como muitos outros clubes que de forma indirecta dependem do FC Porto.

Pedro disse...

Adolfo,
Apontei o seu comentário de que na sua opinião, o artigo não faz sentido ser publicado. Respeito a sua opinião, só acho estranho ter dado resultado em dois comments tão prolongados e cheios de sugestões. Se a um artigo que você acha desinteressante você fala assim, imagino se tivesse interesse.

Em relação à questão do futurismo barato, eu diria duas coisas - a parte do recrutamento e intermediação de jogadores sul-americanos é mais difícil HOJE em relação a 2004/2005. E é-o porque diminuiu a diferença na bagagem financeira entre clubes na europa e por exemplo no Brasil, ou seja, isso obviamente diminui possibilidades de comprar valores mais seguros que só precisariam de uns tempos de ambientação na Europa para se valorizarem.

E na questão da sustentabilidade, as coisas estão à vista de quem quer ver. Eu não acredito que algum clube vá fechar, mas acredito que se secarem as fontes de financiamento (o que me parece evidente havendo consecutiva inexistência de receita para cobrir despesa) haverá um choque significativo no orçamento e a consequência é a perda, possivelmente irreversível, da competitividade.

Quanto à questão dos novos negócios e em particular a utilização da internet, eu diria que faz sentido experimentar ferramentas para interacção com sócios/adeptos através de todos os meios possíveis e não apenas aqueles que são mais óbvios no presente. É que se por um lado, o crescimento de outras zonas económicas torna mais difícil a compra de jogadores a bom preço, por outro também cria um mercado de consumo mais global. pode ser ignorância ou presunção minha, mas tenho noção de que há um universo portista significativo que está presente em Angola/ Brasil/ França/ etc e que só precisa de meios para manter a ligação ao clube ... dou-lhe um exemplo, porque razão, o porto não disponibiliza (a início de forma gratuita e depois a pagar) as transmissões via web dos jogos que faz em casa para utilizadores de todo mundo menos Portugal (onde possivelmente haveria conflito com o detentor dos direitos).

Adolfo Dias disse...

O meu texto é longo porque falo de várias coisas mas se reparar não falo de nada que outros não se lembrem também.
A utilização da internet da forma como sugeriu também eu ia sugerir, o que faria o meu comentário ainda mais longo. Aliás eu digo a certa altura que há tanta coisa que a nível financeiro podia ser feito pelo FC porto que até dava para escrever um livro. Porque o nível de financiamento que uma empresa como esta tem só não se mete noutros negócios muito lucrativos se não quiser ou se não quer afrontar poderes instalados.
Quanto à parte de clubes fecharem, você acha que não, eu tenho a certeza que sim. Clubes que fecharam por falta de dinheiro: Boavista, Salgueiros, Farense, e de certeza que há mais no nosso país.
Clubes em vias de fechar por falta de dinheiro: Beira-Mar, Naval, V Setúbal e de certeza muitos mais.

Quanto à diferença de custo de jogadores sul americanos, é o tal futurismo barato. Se eles têm mais dinheiro é óbvio que vão pedir mais dinheiro pelos jogadores pois conseguem segura-los melhor mas... e o preço da moeda (taxa de câmbio entre dólar e o real e entre o euro) e a inflação de ambos os países e a vontade dos jogadores saírem para a Europa?
Tudo isso tem de ser levado em conta até se dizer que comprar barato lá acabou. Numa análise fácil e despreocupada é a ideia que dá, mas e se se utilizar todas as outras variáveis na equação em causa a coisa já não é tão linear.
Ainda há-de levar muitos anos até o Brasil ter dinheiro suficiente para igualar Portugal (a nível de clubes) e se alguma vez acontecer.
Mas eu não defendo a compra de sul americanos, muito pelo contrário. Devia era trazer-los para cá jovens se forem realmente foras de série e forma-los cá, através de contratos de trabalho com os país desses jovens.
De resto é dar sempre preferência a portugueses.

São opiniões.

Pedro disse...

Adolfo,
Uma outra coisa que referiu e que me parece não ser de todo exacta. O futebol não é deficitário há décadas, na verdade ninguém saberá bem a natureza das contas dos clubes antes das SAD's. Ainda por cima escudadas no facto de serem Instituições de Interesse Público conseguiam benesses que misturariam com as suas contas. Na verdade só sabemos com rigor os resultados desde há 12 anos e é dessa amostra temporal que emerge a minha (e a de toda a gente) preocupação.

Uma pessoa às vezes pensa que o clube e o futebol são tão importantes, que sempre haverá uma forma de o recapitalizar, que são demasiado importantes para cair. Olhem para o lado, e vejam, um clube menor mas também com histórico no futebol nacional, o Boavista, que havia sido campeão há bem pouco tempo. Caiu e creio bem virá a ter bastantes dificuldades para se reerguer.

Pedro disse...

Quanto à diferença de custo de jogadores sul americanos, é o tal futurismo barato. Se eles têm mais dinheiro é óbvio que vão pedir mais dinheiro pelos jogadores pois conseguem segura-los melhor mas... e o preço da moeda (taxa de câmbio entre dólar e o real e entre o euro) e a inflação de ambos os países e a vontade dos jogadores saírem para a Europa?

Adolfo, eu pensei que você estivésse a falar da internet quando se referia ao futurismo barato. Agora em relação a questão económica, eu aí diria: ou você não quer ver ou é cego. Não é pelo facto de um euro valer mais que um real que a economia é mais forte. Se fosse pelo valor facial da moeda coitadinhos dos Japoneses :).

Em relação à questão da inflação ... a hiper-inflação foi há duas décadas, e se é para falar de história, ela também existiu na Alemanha nos anos 20. Existiu e acabou! O desejo de jogar na Europa existe mas não é o que já foi; mas seja como for, esse desejo passa por equipas da Espanha, Itália, Inglaterra. Naturalmente que se pode ir buscar qualquer jogador a qualquer lado, particularmente aqueles a quem os clubes vendedores não têm interesse em manter.

O que lhe estou a dizer, e não colocando de lado a questão de grandes emblemas como Real, Barça, Milan seduzirem qualquer um, é também verdade que o fosso económico entre por exemplo Portugal e Brasil diminui de forma clara. Em linguagem económica, o PIB per capita cresceu (e vai crescer nos próximos anos) muito mais no Brasil que em Portugal.

Acredite por exemplo que o salário do Ronaldo, do Vagner Love, do Adriano e de outros é maior do que qualquer salário pago em Portugal (já traduzido em moeda local). E acredite também que o custo de vida em São Paulo ou Rio não fica atrás de Lisboa o que é sintomático do facto de serem cidades bem mais ricas do que o eram há 10 anos.

Anónimo disse...

Adolfo Dias disse: "Clubes que fecharam por falta de dinheiro: Boavista, Salgueiros, Farense, e de certeza que há mais no nosso país."

O Boavista está muito mal, como é do conhecimento geral, caro Adolfo, mas que eu saiba ainda não fechou. E mesmo o Farense não sei se chegou a fechar. Está de volta à 3ª divisão, creio, e penso que é o mesmo clube e não um novo clube com um nome parecido como é o caso do Salgueiros.

Adolfo Dias disse...

Pedro,
não acredito que o custo de vida de S Paulo ou Rio seja maior que o de Lisboa, não é de certeza. Sei que para um brasileiro um ordenado na ordem dos nossos 300 euros é já considerado um salário acima da média (tenho conhecimento disso através de um brasileiro que está cá em Portugal há uns 5/6 anos). Além disso foi-me proposto comprar um apartamento de luxo há 2 anos, nos arredores do Rio, com vista para o mar, por pouco mais de 50 000 euros.
E não acredito que haja um único jogador no Brasil que receba por exemplo o que recebe o C Rodriguez no Porto (150 000 euros/mês) e o real nem entra nas compras e vendas de jogadores do Brasil, é sempre o dólar que é utilizado mas há a variação entre as 3 moedas na equação total.
Quanto ao eu dizer que eles terão de voltar a ser clubes e deixar de ser empresas (SADs) estou a falar num cenário em que o clube já deixaria de existir, totalmente, e seria constituído outro que o "substituísse", como é exemplo disso o "novo" Farense.
Mas continuo a dizer que este assunto das finanças dos clubes são muito extensos, não dá para estar aqui nos comentários a explanar tudo e todos os pontos de vista.
São opiniões que mesmo baseadas em factos apenas reflectem pontos de vista diferentes com relação ao assunto em causa.

Adolfo Dias disse...

Que eu saiba (e posso estar redondamente enganado) o Boavista enquanto empresa já não existe e nem tem assalariados debaixo da sua alçada. Só usa miúdos e até esses tem de mandar embora quando se portam mal, pois nem lhes pode cortar no "prémio de jogo" ou cobrar multas.
http://desporto.sapo.pt/futebol/segunda_divisao/artigo/2010/04/12/boavista_prescinde_de_carlos_mig.html
O clube existe e provavelmente existirá sempre, mas não é de certeza aquele que conhecíamos há uns anos (poucos) atrás.

Pedro disse...

Adolfo,
É difícil discutir custo de vida e situação económica Brasileira com alguém que não é de cá. Eu vivo no Brasil! E vivo desde 2005, e desde 2005 tenho visto a situação mudar com rapidez.

Você pode encontrar hoje um apartamento por 50 000 euros aqui, mas não é de luxo e a localização não vai ser das melhores. O preço por m2 em área de luxo urbana não fica por menos de 4000/5000 reais em qualquer grande metrópole, e não estou a falar de apartamento de magnatas (esses custam para cima de 5/10 milhões de reais - faça as contas a um apartamento de 100m2. No exemplo do Rio, na zona sul (leblon, copacabana, ipanema) o custo é bem maior que isso.

A grande diferença para Portugal, está no facto de existir ainda uma grande faixa da população com pouca formação e exclusivamente dedicada a funções não especializadas e por isso muito mal pagas - porteiros, empregadas domésticas, etc.., que para essas funções ganham o salário mínimo que é, ao câmbio de hoje, 200 euros. Mas quanto você acha que ganha um funcionário público especializado? ou um técnico da petrobrás? ou um gestor? Não ganham menos do que aí, pode ter a certeza disso. Essa perspectiva de salário médio bom ser de 300 euros é completamente desajustada - eu vivo em apartamento arrendado (um T1 pequeno mas numa zona boa) e pago de renda bem mais do que isso. E olhe que eu procurei... A título de exemplo, sabe quanto ganha um auditor da receita federal quando ingressa (equivalente a um inspector das finanças)? ganha 10 000reais/mês (4200euros)! Sabe quanto ganha um técnico do Banco Central também quando entra? 10 000 tb! Sabe quanto um bancário em início de carreira? 2 000 reais! Sabe quanto ganha um engenheiro de petróleos? de 5000 a 20000 reais por mês! Diga-lhes a eles que 300 euros é um bom salário, e eles riem na sua cara!

Em relação à evolução do custo de vida em várias cidades, eu procurei um comparativo entre 2005 e uma data mais recente. Encontrei estes dois sites, em 2008 São Paulo e Rio estão muito mais caras que Lisboa o que não acontecia em 2005:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u97435.shtml
http://www.infoplease.com/world/statistics/most-expensive-cities.html

Falando de salários, o salário-base do Ronaldo é de 168 mil euros/mês (400 mil reais). O Adriano ganha mais ou menos o mesmo, não fica muito longe do que ganha o Rodriguez mas fica acima.

Quanto ao facto do real não ser usado nas transacções; a moeda é um instrumento, no fim de contas o valor importante para um clube na Europa vai ser o euro e para um clube no Brasil vai ser o real porque é nessa moeda que há as contas a pagar, salários, as receitas, etc..

Pedro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pedro disse...

Complementando a questão dos salários - o Ronaldo que deverá ganhar 5 milhões reais/época, junta mais 10 em receita publicitária. Ou seja por ano ganha 15 milhões, o equivalente a 1,25 milhões/mês - mais de 500 mil euros/mês. O Adriano tem salário-base de 500 mil reais (mais de 200 mil euros/mês), parcialmente pagos por um patrocinador. O Robinho ganha em torno de 1 milhão de reais/mês, sendo que o valor é parcialmente suportado pelo Santos e por patrocinadores Brasileiros.

E falando de promessas, um jogador como o Neymar, de 18 anos, mas já titular do Santos já ganha o equivalente a 63 mil euros por mês (150mil reais).

Adolfo Dias disse...

Você é o Pedro do texto!!
Então assim sendo não vou argumentar mais com quem está no Brasil no momento, usando informações de quem já lá não está. Eu acredito em tudo o que você escreveu, apenas não era essa a informação que eu tinha e claro que um ordenado médio não é o mesmo do que altos quadros.
Temos agora aqui os tipos da PT que estavam a ganhar 1,5 milhões por ano mais um bónus de 1 milhão, no entanto o ordenado médio (médio é mesmo a média de todos os salários do país, declarados, como você deve saber) é de 1500 (+ ou -) euros.
Eu apenas repeti o que me disse o brasileiro que está cá há uns anos acerca dos salários, mas a do apartamento foi mesmo comigo. Vi o apartamento em fotos e segundo a informação era nos arredores do Rio mas não era nenhuma zona do género do leblon. Na altura nem me interessei mas também me passou pela cabeça que podia ser uma burla, apesar de que o tipo que me sugeriu o negocio era (era e é) alguém que eu tenho em boa consideração, mas podiam estar a engana-lo também a ele. Eu não faço ideia de nada do Brasil e como tal nem sei se era ou não um bom negócio. Aliás, ao contrário da maioria do país (às vezes até parece obrigatório) nunca foi ao Brasil.

Essa do salário dos jogadores é que me deixa muito admirado. Se forem emprestados (como o Robinho) normalmente é pago, ou a maior parte, pelo clube europeu e não é de admirar, agora esses dois são pagos pelos clubes em que estão (o Adriano até estou na duvida se ele não é ainda do Inter) e nunca me passaria pela cabeça que o Brasil já pagasse essas quantias.

Agora esclarecer duas coisas.
Como disse no meu 1º comentário não pretendo nunca ofender ninguém, apenas acho óbvio que se uma empresa, país, clube ou pessoa, tem mais dinheiro, não venderá o que costuma vender, pelos mesmos valores, pedirá sempre mais.
A outra questão é que eu a certa altura percebi pelos comentários e não pelo post, que a utilização de transmissão de jogos pela net como gerador de receitas, no futuro, é que era o foco do texto e alertar para a necessidade do FC Porto se modernizar. Nesse aspecto já dei a minha opinião.
É que para mim o texto dá mais a entender que o facto de o Brasil estar mais rico e poder cobrar mais pelas vendas de jogadores é que era o tema principal e se fosse... aí é como eu disse antes, é óbvio que quem não tem tanta necessidade de vender vá pedir mais a quem queira comprar.

Obrigado pelas informações (é sempre bom actualizarmos os conhecimentos) e saudações Portistas.

Adolfo Dias disse...

Já agora uma "coisinha". Corrigiu-me pelo facto de eu não me acreditar em certas coisas e pôs 2 links para eu consultar.
Pois olhe que logo no 1º (ainda não vi o 2º) vê-se Lisboa no lugar 66º e São Paulo em 119º e Rio em 124º.

Pedro disse...

Adolfo,
Você falou antes do tempo ;) - o primeiro link é de 2005 e o segundo de 2008 e demonstra que as coisas mudaram significativamente nestes últimos anos.

Anónimo disse...

Está equivocado, caro Adolfo Dias. A Boavista SAD - estranhamente, admito - ainda existe.

Adolfo Dias disse...

No 2o link não aparece Lisboa. ou então vi mal.
Quanto ao Boavista podia jurar que li a noticia da extinção da Sad...mas ao que parece hoje não acerto uma.
Vou fazer mais um teste.
Rio Ave vai ganhar 3 - 1.

Pedro disse...

Adolfo,

Quando escreveu que o post talvez não devesse ser publicado eu entendi que em parte você teria razão porque de uma certa forma ele é bastante ambíguo na questão do aproveitamento da internet, mas não pelas questões ligadas ao Brasil. Fala-se de novas possíveis formas de negócio mas não se concretiza em algo palpável. Na verdade a minha expectativa era trazer para o debate aqueles que são mais conhecedores do mercado de redes e internet e contribuam com ideias de negócio que trabalhem em dois vectores - a aproximação aos sócios/adeptos que estão longe e simultaneamente se criem novas ferramentas para se ganhar dinheiro no mercado. A minha contribuição é apenas a de que pelo meu exemplo, ter conseguido resgatar alguma proximidade, que se alargada a adeptos do mundo todo, será interessante para todos. Mas infelizmente não domino com competência e conhecimento essas ferramentas, pelo que apenas posso falar sobre uma necessidade como consumidor.

Na questão do Brasil, eu diria que ela é apresentada aqui de forma acessória, apenas para dizer que será ainda mais difícil num futuro próximo fazer negócios como o do Anderson ou outros. O Brasil é um País imenso, cheio de heterogeneidades, e portanto será sempre berço de oportunidades interessantíssimas, mas estas não estão à vista ao virar de cada esquina, até porque o poder de compra local está notoriamente mais robusto, e caminha para níveis, que mesmo aqui, se julgavam impensáveis há pouco tempo atrás.

Ter por exemplo um jogador brasileiro de grande referência é muito bom, porque não só ajuda a equipa, como também permite vender conteúdos para um País que vai seguir o clube por conta desse jogador. Da mesma forma, seria interessante tentar promover uma ou duas jovens promessas angolanas sempre com duplo objectivo - sucesso desportivo e colocação comercial dos conteúdos com a equipa.

Pedro Carriço
P.S.1 - Neste post até ver ainda nao tive concorrência do outro Pedro, portanto a minha assinatura vale para os comments anteriores escritos pelo "Pedro"
P.S.2 - No 2º link não aparece Lisboa porque contrariamente a São Paulo e Rio, Lisboa está fora da lista das 50 cidades mais caras do mundo.

Adolfo Dias disse...

Eu percebi que o Pedro era sempre o mesmo, apenas não me tinha apercebido de inicio que era o Pedro autor do post.
A minha aposta de 3 a 1 para o rio ave saiu "certa" como tudo o resto para mim hoje.

Já agora e para terminar, estive a pensar sobre o que foi dito por si e percebi que pelo que descreve, hoje em dia no Brasil (nas cidades mais industrializadas possivelmente e não em todo o Brasil) vive-se como em Angola. Um país, duas realidades. Gente muito pobre e gente muito rica. A classe média não é significativa e deve haver é média alta ou media baixinha, pois com a disparidade de salários que falou deve ser mesmo como em Angola, onde a mensalidade de um infantário para "ricos" chega a ser mais do que aquilo que muito português ganha em Portugal.
Até porque convenhamos, pelos valores dados nos seus exemplos, o Brasil está então neste momento a pagar melhor que Portugal, pois um bancário em inicio de carreira em Portugal não começa com 840 euros. Anda mais pelos 600 até 750 euros. E um inspector das finanças em Portugal não começa com 4200 euros e provavelmente nem com metade disso.
Sendo assim o Brasil neste momento é o país ideal para quem queira emigrar.
Eu que conheço um tipo que foi para a Suíça há 6 anos a trabalhar no duro e que me contou estar a ganhar lá o equivalente a 4000 euros/mês, eu fiquei de boca aberta mas ainda encaixei a coisa com alguma naturalidade, agora você diz que no Brasil se ganha isso, e eu já só penso em fazer as malas e sair daqui para fora. Este país está mesmo um atraso de vida.
Mais... conheci uma rapariga pela net, norte-americana, que trabalha em part-time num restaurante perto de casa (estuda no secundário) e ganha por semana (com gorjetas incluídas) em média 1500 dólares.
Não estou a brincar, vou tratar o mais de pressa possível sair deste país miserável.
É uma questão de tempo mas a decisão está tomada.

Anónimo disse...

Mas não deixe de aparecer por aqui, caro Adolfo!;-)

Adolfo Dias disse...

Caro Alexandre, pode estar descansado que aparecerei muitas mais vezes. Desde que haja RP e posts para ler estarei sempre a par do que aqui se escreve. Não será de certeza por mudar de ares que deixarei de ser leitor assíduo deste blogue.
E até porque a decisão está tomada, mas para além disso não está mais nada decidido por isso ainda não será para breve, mas irei sair de Portugal quase de certeza. Se o acontecer isso dependesse só de mim saia já nos próximos dias mas ainda há muito a questionar a ponderar e decidir.

Pedro disse...

Eu acho que a comparação com Angola pode ter algum sentido, pese embora eu não seja um conhecedor profundo da realidade Angolana. Dá-me ideia no entanto que no Brasil a assimetria é menor e a classe média tem maior expressão. Ainda assim é um País onde persistem diferenças sociais profundas, mas já se definem classes média/baixa, média/média e média/alta com alguma dimensão e o mercado já oferece produtos para cada segmento.

Efectivamente é verdade que em algumas profissões os quadros são muito bem pagos, mas também exageria em dizer que são todos assim. Na verdade o que pretendi dizer com estes exemplos, é que não é formalmente equivalente trabalhar no Brasil e ser mal-pago. E como deve entender, O Brasil é um País de dimensão quase continental, e se em Portugal se vêem duas realidades separadas por alguns Km, imagine aqui. São Paulo, por exemplo, é a capital económica da América Latina, possuidora da segunda maior frota de helicópteros privados, sede de negócios de grandes empresas e alberga um PIB extraordinário. Em contrapartida existem locais longínquos que têm infraestrutura do século XIX.

Em relação às funções que lhe falei, lamento desiludi-lo, mas para ser auditor da receita ou técnico do banco central teria que ser Brasileiro ou então já ter estatuto de igualdade de direitos, e a burocracia torna a concessão deste estatuto muito demorada.

Em relação à sua saída de Portugal, desejo-lhe felicidades e que venha a ser como as suas melhores expectativas.

João Diogo Reis disse...

Este artigo é um bocado insólito.
Primeiro o autor confessa que vê os jogos sem pagar.

Depois critica a estratégia do clube. Eu acho a estratégia do clube muito boa. Contratar jogadores com 22-23 anos, tê-los no FC Porto durante 3, 4, 5 anos (durante os melhores anos das suas carreiras), e depois vendê-los por muito mais do que custaram quando eles estão prestes a ficar piores, é uma estratégia brilhante.

Depois informa-nos que o nível de vida no Brasil está a aumentar. Que bom, fico feliz por eles.
Se esse tal Mário Fernandes custa 13 milhões de euros, que fiquem com ele ou o vendam a outro qualquer.
Ainda agora em Janeiro o Shakhtar contratou dois brasileiros da selecção sub-20, Alex Teixeira e Douglas Costa, e pagou 6 milhões de euros por cada. O Benfica também contratou o Alan Kardec, também da selecção sub-20, e não me parece que tenha pago uma exorbitância.

Se fosse possível, gostaria que o autor do artigo me informasse, por exemplo, quanto custariam os médios Hernanes ou Diego Souza.


Outra nota, no segundo comentário do Adolfo Dias, ele diz que o FC Porto deveria andar a angariar novos sócios.
Parece-me ridículo, andar a pedinchar, de porta em porta, “quem quer ser sócio do FCP?” como outros fazem.
Se o clube tiver bons resultados, terá naturalmente mais adeptos, que comprarão camisolas, cachecóis, CD’s dos Super Dragões e todo o outro merchandising do clube.

Pedro disse...

Primeiro o autor confessa que vê os jogos sem pagar.
Ver conteudos disponibilizados na internet, não me parece que seja uma coisa ilegal, e tendo sido importante para evidenciar a questão da internet para melhorar a proximidade com adeptos que estão longe, pareceu-me interessante falar disso, não entendo o que vê de insólito nisso.

Depois critica a estratégia do clube. Eu acho a estratégia do clube muito boa. Contratar jogadores com 22-23 anos, tê-los no FC Porto durante 3, 4, 5 anos (durante os melhores anos das suas carreiras), e depois vendê-los por muito mais do que custaram quando eles estão prestes a ficar piores, é uma estratégia brilhante.
A compra do Tomás Costa por 8,3 milhões no total foi brilhante, ou a do Prediguer por 4, ou então 50% do Belluschi por 5 milhões. De facto brilhante é a palavra exacta.

O Shaktar comprou 80% do Douglas Costa por valor aproximado a 8 milhões de euros, ou seja, o jogador (que tem 19 aninhos) que pode muito bem dar para o torto custa 10 milhões. Para 13 que se pede pelo Mario Fernandes vai pouca a diferença. Mas negócios são assim, às vezes um clube vendedor está mais "apertado" e larga uma pérola por valor mais simpático, mas já que falamos de valores, o Keirrison, que nem lugar conseguiu na equipa do benfica custou ao Barcelona 16 milhões de euros. Como dizia o outro, é como os melões, só se vê depois se são bons ou não. Para além disso, 13 pode ser um valor de partida e se feche negócio por menos, o ponto de discussão não era esse - era o de que estaria mais difícil fazer negócios sem risco e com lucro garantido assegurando a estratégia que nas suas palavras é brilhante.

Sobre o Hernanes ou Diego Souza, talvez o ideal seja uma consulta aos respectivos empresários. Ou então ao Palmeiras e São Paulo. Mas a avaliar pela condição dos clubes parece-me que só sairiam baratos caso os clubes os queiram vender. Quer Palmeiras, quer São Paulo são dois dos mais ricos clubes paulistas. O Palmeiras foi quem inclusivamente vendeu o Keirrison pelos 16 milhões. Por isso eu desconfiaria se eles viessem para algum clube por um valor baixo.

João Diogo Reis disse...

Pedro,
Não o queria hostilizar, peço desculpa se foi essa a impressão que o meu comentário passou.

Não sabia que o Tomás Costa tinha custado isso tudo. O Belluschi foi uma péssima contratação.
Mas se reparar, eu escrevi no comentário “e depois vendê-los por muito mais do que custaram quando eles estão prestes a ficar piores”.
Como o Tomás Costa e os outros ainda não foram vendidos, vamos concentrar-nos nos que já foram. Quando eu disse que era uma estratégia brilhante, estava a pensar nos casos do Paulo Ferreira, Seitaridis, Bosingwa, Pepe, Ricardo Carvalho, Cissokho, Maniche, Lucho, Deco, Quaresma, Lisandro, Anderson… e possivelmente mais alguns que agora não me esteja a recordar.
Uns ficaram mais tempo, outros nem tanto, uns tiveram mais sucesso que outros, mas todos foram vendidos por muito mais do que aquilo que custaram.

Apesar de tudo, diria que há diferenças significativas entre o tal Mário Fernandes e os outros exemplos mencionados (Alex Teixeira, Douglas Costa, Alan Kardec, Keirrison). Esse Mário Fernandes nunca ouvi falar, os outros três primeiros penso que são todos jogadores da sub-20 brasileira que ficou em 2º lugar no último Mundial. E o Keirrison o ano passado marcou vários golos na Taça Libertadores pelo Palmeiras, penso que foi isso que atraiu o Barcelona. E estes 4 jogadores são todos médios ofensivos ou avançados, o Mário Fernandes é um defesa. Supostamente estes jogadores mais ofensivos deveriam ser mais caros, mas pronto.

Lucro garantido nunca há. O FCP quando deu 10 milhões (penso que foi isso) pelo Anderson, não tinha a garantia que o venderia depois por 30.
Por exemplo, no caso do Diego, penso que o FCP nem lucro teve, vendeu por aproximadamente aquilo que custou. E era dos jogadores que potencialmente daria lucro, ficaria 3, 4, 5 anos e depois seria vendido por 20, 30, talvez até mais.

Acha que o FCP deveria seguir outra estratégia?

Nota: o Diego Souza já cá esteve, no Benfica. E agora fala-se que poderá vir para o Sporting

Pedro disse...

Não o queria hostilizar, peço desculpa se foi essa a impressão que o meu comentário passou.
João,
De facto, deu-me essa impressão, felizmente parece-me ter sido impressão errada.

Vamos à estratégia: eu admito que haja negócios maus no meio de negócios bons. Essa é a circunstância de vida de qualquer empresa. Não está em questão a boa qualidade de algumas transacções que trouxeram receita interessante às contas do clube. Mas pensemos no período desde a constituição da SAD - o Porto desportivamente ganhou, desde a constituição da SAD, 11 campeonatos (se não estou em erro), teve presença quase constante na liga dos campeões, ganhou uma CL e uma UEFA. Apesar disso e apesar de ter vendido, como aliás muito bem referiu, muitas estrelas, conseguiu chegar a 2010 com os valores do capital próprio abaixo de metade do capital social. Ou seja apesar de todo o sucesso que leva a mais receita, maior valorização dos activos, maior valorização da marca, etc..., o Porto conseguiu acumular quase 50 milhões de euros de prejuízo acumulado desde o parto da SAD.

A pergunta a fazer ... se é assim ganhando como se ganhou, o que acontecerá ao Porto, se por um mero acaso os vermelhos conseguirem, por algum tempo, um domínio do futebol em Portugal? Se o Porto conseguiu, apesar das vendas milionárias chegar a contas e resultados tão deprimentes, não é caso para que se questione se o modelo de gestão pode ser melhorado? A resposta dos defensores do modelo costuma ser sempre a mesma - tem dado para ganhar, é o suficiente. Mas para mim e talvez para muito mais gente, existe uma séria possibilidade de perder o domínio tal como o tivemos até à data. E se tal acontecer, podemos vir a ter uma equipa com custos muito sobredimensionados face à receita e normalmente essa circunstância costuma ser irmã dos piores negócios. Quando se tem problemas vende-se por 10 o que valeria 20.

Quanto ao Mário Fernandes valer 13. Se reparar bem, eu não disse que valia isso, disse que li uma noticia sobre o valor dele, que parece realçar uma tendência de valorização muito acentuada dos passes dos jogadores daqui, e é essa tendência que reduz a margem de manobra para fazer bons negócios e talvez faça o Porto pegar num Tomás Costa por 8 milhões porque as opções se tornam mais excassas. Mas realisticamente eu acho que jamais o Porto deve gastar 13 milhões num jogador como o Fernandes. Talvez se o Grêmio o quiser mesmo vender baixe o preço para um terço e aí talvez valesse a pena.

Em relação às selecções aqui no Brasil, eu diria uma outra coisa que toda gente fala mas ninguém admite. Muitas vezes as convocatórias são definidas por critérios que ultrapassam a valia técnica dos jogadores. Um jogador que vale 3, passará a valer 10 se for à selecção. Esse ganho de 7 pode ser repartido por quem "promoveu" o jogador à selecção. Hoje este fenómeno é muito mais raro, ou talvez mesmo inexistente, na selecção principal, mas nos mais jovens, onde a rotatividade é muito maior e onde a maior parte dos jogadores estão em clubes nacionais, eu não me espantaria se ainda acontecesse. E quantidade e qualidade de jogadores é coisa que nunca faltou, e possivelmente o Brasil teria duas ou três equipas capazes de terminar em boa posição num mundial.

Adolfo Dias disse...

O FC Porto já faz transmissões de outras modalidades, através do seu site oficial.
Se calhar eles não descuraram nada e apenas estão a fazer as coisas como deve ser, com sigilo. Se calhar na próxima renegociação com a Sportv já vai entrar na conversa esse uso de transmissões, sejam pagas ou gratuitas, pelo "dono" ou por quem lhes quiser pagar para transmitir.
Se forem ver agora o site oficial do FC Porto estão a anunciar a transmissão do jogo de hóquei em patins de sábado às 17 horas contra o Follonica.
qualquer dia será o futebol.
Eles não andam a dormir. Se nós sabemos e nos lembramos disso, eles não saberão e se lembrarão, quando têm gente a ser paga para saber destas coisas?
Claro que sabem.