quarta-feira, 7 de abril de 2010

O problema dos emprestados, ou talvez não...

Uma prioridade na gestão do futebol para que muitos adeptos apontam é a redução drástica do número de emprestados.

Permito-me discordar. Não porque não considere que é desejável ter quase 30 jogadores emprestados como temos hoje (penso que é um número exagerado), mas porque a curto prazo o impacto de tal medida seria negligenciável - e poderia mesmo ser contra-producente. As medidas que apontei há um par de semanas parecem-me muitíssimo mais importantes.

Antes de mais convém clarificar o que se pretende atingir com essa medida ao certo. Muita gente invoca o custo salarial com os ditos-cujos; no entanto gastamos uns 3M€/ano nisso, ou pouco mais, o que - não deixando de ser dinheiro que dava muitíssimo mais jeito em outras coisas - não é uma área para grandes poupanças em valor absoluto (compare-se, por exemplo, com os 10M€/ano em salários de administradores, funcionários e equipa técnica; ou com os 5 ou 6M€/ano gastos em juros de empréstimos).

De qualquer forma, se esse é o objectivo principal, então é preciso esquecer o número total de emprestados e olhar antes para os dois tipos de jogadores que temos nessa categoria: ex-juniores por um lado, e "refugo"do plantel principal pelo outro.

Os ex-juniores têm normalmente um salário muito baixo, que será normalmente pago pelo clube que os recebe (ainda que parcialmente). Já o "refugo" tem quase sempre salários muitíssimo mais elevados, salários que estão invariavelmente para além do alcance (ou da vontade...) dos Marítimos e Académicas deste mundo, sendo por isso muito mais difíceis de colocar sem uma forte comparticipação do FCP.

É portanto esta 2a categoria que interessa mais reduzir. Diga-se de passagem que temos neste momento poucos jogadores emprestados nesta categoria. No entanto, é também a mais difícil - precisamente porque sendo jogadores que "falharam" no FCP mas tendo salários relativamente bastante altos, os clubes interessados neles não têm apetite ou capacidade para abrir os cordões à bolsa. Aliás, não é raro que para quebrar contrato não só não arranjamos compradores como ainda temos que pagar um bónus de rescisão ao jogador - algo contraproducente para as contas a curto prazo...

... como também contraproducente pode ser uma eventual quebra prematura de contrato com jogadores com potencial, principalmente quando têm um baixo salário (como penso ter sido o caso com o Tonel há uns anos e com B Gama no último Verão).

Pessoalmente penso que o maior benefício a médio prazo no corte no "refugo" (jogadores contratados para o plantel A mas que não vingaram) está longe de ser o salário (ou parte dele) que lhes pagamos quando são emprestados; mas sim algo de que é raro ouvir falar, que é o seu custo de passe: não é rara a época em que temos 10 a 20M€ "empatados" no custo de aquisição de jogadores emprestados, que muito raramente são vendidos com lucro (Ibson foi uma honrosa mas raríssima excepção à regra, por exemplo). Mas para "atacar" isso a acção está mais a montante: fazer menos contratações à partida para o plantel A...

Para terminar, gostava de abordar uma vantagem de uma redução no número de emprestados (mesmo no caso de ex-juniores) de que nunca ouço falar: um seguimento com qualidade dos mesmos.

Não há dúvida que será mais fácil à equipa técnica (e direcção) seguir muito de perto a situação de uma quinzena de emprestados do que uma trintena; ora esse seguimento é extremamente importante, principalmente no caso de jovens adultos que ainda estão a "crescer". Não haja dúvidas: ao clube que recebe o jogador não interessa à partida nada mas mesmo nada investir no crescimento do jogador, já que não o vai vender nem sequer (muito provavelmente) usufruir do jogador na época seguinte. Cabe ao FCP escolher (com o jogador) esse clube com luvas de seda; criar incentivos contratuais (e não só) para que o jogador seja utilizado; e finalmente fazer um seguimento muito regular e pessoal de forma a que o jogador continue a crescer, tanto na vertente desportiva como na psicológica.

40 comentários:

Miguel Pereira disse...

José,

Como apontas o problema do elevado número de emprestados é sem duvida o "refugo", os constantes erros de casting da SAD e os "homens dos empresários", impostos ou comprados sem razão aparente.

Há clubes na Premier que têm quase 60 jogadores ao seu serviço entre primeira equipa, equipa de reservas e emprestados. Mas aí a questão financeira e a politica desportiva é bem diferente. No FCP sempre fez escola para os mais novos o "comer o pão que o diabo amassou" antes de chegar à primeira equipa. Raros foram os jogadores que deram o salto directo dos juniores ao primeiro plantel. Nem tanto ao mar, nem tanto á terra, mas o mais natural é que essa politica continue. Há, certamente, uma dezena de jovens a quem um ano de maior rotação pode ajudar. O problema é que os clubes para onde vão em Portugal estão feitos de uma mentalidade anti-porto. Sao equipas defensivas, que passam a época a lutar para nao descer, a jogar para o empate a zero e à procura de um golpe de sorte. Tacticamente e futebolisticamente esse ano de formação pouco lhes traz que depois possam aplicar ao mais alto nivel de uma Champions. Podem conseguir maturidade desportiva e sofrimento, mas pouco mais. É preciso repensar sim a quem emprestamos os jogadores e em que condições. Se para a SAD dá jeito ter jogadores espalhados por vários clubes para manter boas relações, isso é uma coisa. Mas se for só no aspecto desportivo (por ser mais fácil o acompanhamento), creio que há pontos a recapacitar.

Quanto ao refugo, aí pouco há a fazer. Há que apurar a politica de contrataçoes e, mais do que isso, a politica salarial. Contratar um jogador barato e com um salário médio/baixo nao prejudica. Contratar caro e com um salário pelas nuvens sim. Há demasiados jogadores no segundo exemplo ainda nos nossos quadros. Há que apostar na sua progressiva reduçao.

Um clube como o FCP terá sempre uma a duas dezenas de emprestados. Mas que sejam negócios bons para o clube, bons para a evolução do atleta e bons para o crescimento desportivo do plantel.

Gustavo disse...

O fcporto deveria ter estipulado uma clausula de rescisao em contratos de "refugos" em que estes poderiam ser emprestados e o seu salario seria menor, por nao representarem directamente os interesses do fcporto. Se nao houver inovaçao na aquisiçao de jogadores de qualidade incerta a SAD perde dinheiro!

Pq é q a SAD nao investe nuns jogadores mais afirmados do futebol europeu? Que eu saiba a SAD conhecia o Saviola, o Aimar, o Juninho Pernambucano, etc. mais valia pagar 3 ou 4 milhoes e ter jogadores que empolgam os adeptos e sabem jogar!!! mais.. ensinam os mais novos e fazem crescer o clube!
Mas para isto é preciso estar atento e conhecer o mercado, o que so se consegue trabalhando!

Uminho1 disse...

O número de emprestados era um problema até esta época, e isso foi reconhecido pelos responsáveis em entrevistas onde disseram que reduzir o número de emprestados estava previsto.

E como fez aí um blog portista, penso que foi o souportista ou outro, antes de iniciar esta época "desfizemo-nos" de 30 JOGADORES, logo actualmente temos um número inferior por exemplo, ao Benfica e dos que temos a grande maioria são jovens.

Acho que os emprestados neste momento não são problema como eram há uns tempos atrás e se em tempos ficava incomodado por emprestimos atrás de emprestimos, sem qualquer sentido, como em tempos se fez, renovar com o guarda-redes Paulo Ribeiro para continuar emprestado,simplesmente ridículo, agora a meia duzia que temos dos que potencialmente viriam reforçar a equipa estão dentro de valores perfeitamente normais, pois não há clube do mundo que consigo acertar em tudo.

O grande problema que se põe, é gastar pequenas fortunas em jogadores, como por exemplo o Prediguer, que não mostraram ter a mínima capacidade e pelos vistos no Boca Juniors, aspas aspas e a não ser que se transforme num novo Bolatti, vai ser mais um que vai andar por aí.

Os critérios é que terão que apertar, e sem Liga dos Campeões, como diz o outro, as contas de merceeiro voltarão.

José Rodrigues disse...

Como diz o Uminho, hoje temos pouco "refugo" emprestado. O maior problema são os 2 jogadores mais caros, nomeadamente Pelé e Prediger - gastámos nestes dois mais de 10M€, mas espero que venhamos a recuperar uma boa parte (mas parece-me impossível recuperar a totalidade do investimento).

De resto há um ou outro caso mais isolado q é difícil de compreender, como a renovação de contrato de Leandro, mas são a excepção.

José Rodrigues disse...

"O fcporto deveria ter estipulado uma clausula de rescisao em contratos de "refugos" em que estes poderiam ser emprestados e o seu salario seria menor, por nao representarem directamente os interesses do fcporto."

Isso teoricamente é bonito, mas tenho muitas dúvidas q os jogadores e empresários aceitem uma cláusula dessas no contrato inicial. Mas porque não tentá-lo... principalmente com jogadores q não têm muito mercado (estaria por exemplo um Benitez em condições de recusar tal cláusula? Penso q não, em casos desses a faca e o queijo estão nas nossas mãos).

Bruno disse...

"criar incentivos contratuais (e não só) para que o jogador seja utilizado"
Esta é a política seguida pelo FCP. A percentagem do salário paga pelo FCPorto é maior quanto mais utilizado for o jogador pelo clube a que está emprestado.
Parece-me 100% acertado e quase "obriga" a que o clube que recebeu o jogador o utilize de forma a baixar a percentagem que tem a pagar do salário.
(Lembro-me de um artigo do MaisFutebol a falar da política de empréstimo dos 3 grandes e explicava muito bem esta situação)

Traficante de pneus disse...

A propósito do comentario do Miguel Pereira, o ideal seria emprestar os jogadores que saiem dos juniores a clubes da liga de honra, com projectos de subida declarados. Normalmente são equipas com uma mentalidade mais ofensiva...É uma solução preferivel ao emprestimo aos Setubais, Belenenses, Academicas e afins!

Adolfo Dias disse...

Só um apequena correcção ao José Rodrigues.
"...nomeadamente Pelé e Prediger - gastámos nestes dois mais de 10M€,..."
O Pelé não custou nada, foram abatido 6 milhões de euros ao que o FC Porto pedia por Quaresma pela introdução de Pelé no negócio. O valor dele era 6 milhões, que o FC Porto não pagou, na venda/troca do quaresma com o Inter.

José Rodrigues disse...

Adolfo: o Pelé foi contabilizado como tendo custado 6M€, ponto.

Mais especificamente, custou 6M€ q foram abatidos à dívida de 24M€ no Quaresma.

Claro q se o Quaresma não fosse para lá, nunca pagávamos 6M€ pelo Pelé (digo eu). Mas se dizemos (como diz a SAD) q o Quaresma foi vendido por 24M€, então o Pelé custou 6M€. Caso contrário temos q dizer q afinal o Quaresma foi vendido por 18M€, por uma razão de consistência.

AntiPorcosCorruptos disse...
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penta1975 disse...

@ José Rodrigues

sou novato nestas 'lides' da blogosfera azul-e-branca, apesar de já ter um blogue há mais de um ano. por mero acaso, deparei-me com este salutar espaço de reflexão e cá estou! ;)

este "comentário" é mais um agradecimento: MUITO OBRIGADO! pela outra perspectiva do Futebol que presta. e este 'post' é uma delas.

sobre a notícia em si, há, realmente, factos que nos ultrapassam, enquanto adeptos, mas que são reveladores do quão distante estamos dos (chamados) "tubarões" do futebol. por vezes, dou comigo a pensar que o nosso clube ainda tem muitas "pontes" que atravessar até que o seu prestígio seja devidamente reconhecido - neste caso dos empréstimos, para que não seja "comido de cebolada" por aqueles tubarões.
explico com um exemplo: a política de incentivos contratuais para jogador seja mais utilizado pelo clube a que está emprestado já existe nos clubes da 'Championship'(equivalente à Liga de Honra portuguesa) e nalguns da Division One (o equivalente à segunda B). e note-se: com regras de empréstimos (não são permitidos empréstimos entre equipas da mesma liga) e laborais (os jogadores têm que fazer um mínimo de jogos para obterem autorização de trabalho) bem mais apertadas do que as nossas .
ou seja: os clubes da Premier League conseguem "aliviar" a sua folha salarial há bem mais tempo do que nós, possibilitando-os de, por exemplo, retocar o plantel se assim for necessário com outros nomes.

bem haja pelo seu trabalho! ;)

saudações PENTACAMPEÃS!

Anónimo disse...

Aparentemente a política de empréstimos do FCP tem também aquilo a que poderia chamar-se uma "vertente diplomática", procurando obter, através da escolha criteriosa dos clubes aos quais empresta jogadores, boas-vontades e apoios para iniciativas "políticas" no mundo do futebol. Segundo esta teoria, que ignoro se corresponde à realidade, o clube conseguiria desse modo aliados firmes em alturas como as eleições da Liga. Isto ajudaria a explicar o número exagerado de jogadores emprestados. Porém, chega a altura das referidas eleições e vemos o clube a declarar o seu alheamento, pelo que essa teoria poderá final não passar de uma fantasia. Claro que há daqueles que, julgando-se possuidores de grande argúcia e capacidade interpretativa, dizem ou sugerem que a candidatura de Fernando Gomes é uma maneira discreta de o FCP colocar um dos seus ao leme da Liga, e que a suposta diferença de opiniões que terá estado na origem da sua saída da administração da SAD mais não seria que uma cortina de fumo para melhor se levar a efeito o desiderato de o colocar na Liga. Este raciocínio enferma do mal de pensar que os outros - leia-se Benficas e Sportings - são tão anjinhos que nunca descondiariam da manobra.

Mas deixando de lado estas efabulações mais ou menos conspirativas - há quem se entretenha bastante com essas coisas - só pode conluir-se que o empréstimo de jogadores se tem revelado um relativo fracasso, pois contam-se com os dedos de uma só mão (e sobram) os jogadores do plantel que passaram por essa experiência, enquanto que alguns andam eternamente emprestados e acabam por ser vendidos sem nunca terem representado o clube em provas oficiais.

O excessivo número de estrangeiros, e consequente falta de oportunidades para os jogadores provenientes da Formação, também é responsável pelos altos números de jogadores emprestados e pelo fraco rácio de aproveitamento dos mesmos. João Moutinho e Veloso, se tivessem sido formados no FCP, teriam andado de Herodes para Pilatos em empréstimos sucessivos. Como demonstra a sua rápida integração na equipa titular do Sporting, se um jogador tem qualidade a idade não interessa. Eu sou do tempo em que os Pavões e os Oliveiras deste mundo nunca foram emprestados e rapidamente se tornaram titulares.

Adolfo Dias disse...

Acho que foi exactamente isso, José Rodrigues,
o Inter pagou 18 "dando" o passe do Pelé pelo valor de 6, perfazendo o total de 24 milhões.
As contabilidades (como ao que parece, por outros comentários seus, são a sua especialidade. Desconfio até que seja a sua área de trabalho, mas não tenho nada a ver com isso nem interessa a vida privada e pessoal de cada um aqui) dos clubes, assim como de certas empresas, são feitas com regras e com preciosismos que são próprios de quem tem de apresentar contas ao associados. Na verdade bem sabemos que o Inter pagou 18 milhões e deu o passe do Pelé.
Mas isto é também um preciosismo porque na verdade é uma simples conta de mercearia.
O que é certo é que hoje em dia nem o Quaresma vale o que o Inter pagou nem o Pelé tem o valor que naquela altura lhe foi atribuído.

Pedro disse...

Já agora, e apenas para ter algum rigor, os custos com a administração são de 2,5milhões e os salários de técnicos e administrativos ascendem a 10,4milhões. A soma dá quase 13. Os juros que são a quase totalidade dos custos e perdas financeiras são de 7,1 milhões. Portanto relacionando os tais presumíveis 4 milhões de salários de emprestados com os salários dos não atletas e juros, a proporção fica até bem menor, o que significa que o problema dos emprestados não é financeiro, talvez seja é desportivo. Também na questão dos passes, o problema é reduzido pois a amortização de algo que contabilisticamente tem valor zero, é também zero - e essa é a circunstância dos emprestados da cantera. Se eliminássemos um problema chamado prediguer e o Pelé começasse a fazer jus ao nome, então a política dos emprestados seria quase excelente.

Eu sou muito crítico em relação a muita coisa na gestão, mas sinceramente concordo com a parceria com o Olhanense, possivelmente a mais significativa da política de empréstimos. Parece-me particularmente inteligente até porque é o Jorge Costa que está no terreno e avalia o potencial de cada um daqueles emprestados. Não creio que seja só uma ideia de cultivo de amizades políticas (pode haver esse benefício, mas não me parece o principal). Recordo que quando o Mourinho veio, trouxe jogadores sub-avaliados mas que conhecia e que sabia lhe poderiam ser úteis. Aliás na votação, eu escolhi o Jorge Costa por isso, talvez me engane em relação à sua capacidade, mas pelo menos viria com conhecimento privilegiado sobre algumas das nossas promessas.

José Rodrigues disse...

Alexandre: "Mas deixando de lado estas efabulações mais ou menos conspirativas só pode conluir-se que o empréstimo de jogadores se tem revelado um relativo fracasso"

Eu diria mais q o (re)aproveitamento no plantel A dos emprestados é q tem sido um fracasso.

O problema não está tanto nos empréstimos em si (acho muito bem q ex-juniores façam um par de épocas em outros clubes onde possam continuar a crescer jogando), mas sim em q na hora de formar plantel há sempre mais vontade de ir comprar mais um gajo (mesmo q não tenha um CV q meta um mínimo de respeito - só para dar 2 exemplos: Guarin, Prediger) do q em dar a oportunidade a um dos emprestados.

É como a história do gajo q ao fim de uns anos casado começa a especular como seria com outra mulher, mesmo q à partida nada indique q essa tenha mais atributos... é o síndroma "novidade", ou "a vaca da vizinha dá mais leite do q a minha", com uns empurrõezinhos de empresários interessados em incentivar compras.

É uma fraqueza humana q convém resistir ao máximo (e já agora, aviso q estou muito contente com a minha esposa caso alguma alma maldosa pensasse q estava a falar do meu caso! :-D).

José Rodrigues disse...

Pedro disse: "Eu sou muito crítico em relação a muita coisa na gestão, mas sinceramente concordo com a parceria com o Olhanense, possivelmente a mais significativa da política de empréstimos."

Concordo.

É preferível ter uns quantos emprestados no mesmo clube, facilitando o acompanhamento, do q espalhados aos 7 ventos, cada um por si. E se for com alguém ex-casa a orientá-los (como o caso do J Costa), ainda melhor.

A cereja no cimo do bolo seria ter um Olhanense perto do Porto, de forma a q os jogadores se pudessem deslocar ao Dragão com alguma frequência e vice-versa. Só faria bem ter um treinador (JF ou substituto) a fazer um ponto da situação com eles face a face com alguma regularidade a ver como vão as coisas (digamos, trimestralmente), e a ir vê-los ao vivo pelo menos 1 vez/mês.

Já agora, também concordo q o problema é um Pelé e Prediger, de resto hoje não estamos mal nos empréstimos (como já disse anteriormente). Já estivémos bem pior, com Pibulls, Sokotas, etc espalhados por aí fora.

Pedro disse...

Já agora, e para não ser mal-entendido, quando eu disse política de empréstimos quase excelente, referia-me à política que tem por objectivo o aproveitamento futuro de jogadores, mas não me refiro à dificuldade crónica em fazer vingar um jogador mais jovem na equipa mesmo que ganhe muita maturidade noutras equipas como emprestado.

Anónimo disse...

«Alexandre: "Mas deixando de lado estas efabulações mais ou menos conspirativas só pode conluir-se que o empréstimo de jogadores se tem revelado um relativo fracasso"

Eu diria mais q o (re)aproveitamento no plantel A dos emprestados é q tem sido um fracasso.»

Era aí que eu queria chegar, Zé. Meço o sucesso dos empréstimos pelo que esses jogadores acabam ou não por fazer no FCP e não pelo que fazem nos clubes onde estão emprestados.

Pedro disse...

Eu entendo a crítica ao não aproveitamento dos jogadores. Mas sinceramente essa crítica parece-me injusta se for direccionada para a política de empréstimos.

A equipa técnica deve, em teoria, escolher o plantel a partir da base de 50 jogadores. Cabe à administração encontrar uma forma de fazer crescer os que não são integrados e que pela jovem idade podem ainda vir a ser úteis no futuro.

Das duas uma, ou há pressões para fazer jogar Guarins, T. Costas, Valeris, ou então e por muito estranho que nos pareça, esses são os melhores que poderiam constar na lista dos tais 25 do plantel principal. E jogadores da formação talvez não fossem ter esse aproveitamento todo no Porto. Também há a questão de apostar em alguém para colher um fruto melhor daí a pouco tempo, mas infelizmente o futebol é extremamente imediatista e se um jogador, jovem ou estrangeiro não dá logo retorno, é logo crucificado, porque todos nós adeptos, somos tudo menos pacientes.

Nightwish disse...

A cereja no cimo do bolo seria ter um Olhanense perto do Porto, de forma a q os jogadores se pudessem deslocar ao Dragão com alguma frequência e vice-versa. Só faria bem ter um treinador (JF ou substituto) a fazer um ponto da situação com eles face a face com alguma regularidade a ver como vão as coisas (digamos, trimestralmente), e a ir vê-los ao vivo pelo menos 1 vez/mês.
Se já agora há más línguas por todo o lado, imagino o que seria se o treinador do Porto falasse frequentemente com os jogadores emprestados...

José Rodrigues disse...

So' se fosse antes de um jogo com o FCP. De resto nao vejo qual e' o mal nisso.

De resto quero la' saber o q e' q as mas linguas dizem, com isso vivo eu bem. Quero mais e' q se f...

pois disse...

Vão desculpar-eme mas "na hora de formar plantel há sempre mais vontade de ir comprar mais um gajo (mesmo q não tenha um CV q meta um mínimo de respeito - só para dar 2 exemplos: Guarin, Prediger) do q em dar a oportunidade a um dos emprestados". Andamos à volta disto e entendo que todos querem ser jogadores da bola (ninguém quer ser trolha) e poucos o podem ser. Ao ir comprar mais um gajo, penso que se arrisca a ver se dá um bom jogador porque os emprestados (não todos mas a maioria) já o PORTO bem conhece e (não todos mas a maioria) é toca de onde não vai sair lobo.
Já sei (li) que não emprestamos Pavão, Oliveira nem F. Gomes, mas eram Pavão , Oliveira e F. Gomes.
Se o ideal seria acertar nas contratações seria...se seria o pior é acertar

pois disse...

E sabem o que me anda a preocupar fortemente é o Guarin (por, exemplo) só jogar quando o rei faz anos e ao fim de 2 ou 3 jogos para com mialgia de esforço. Como podem estar tantos jogadores lesionados. Não vos parece estranho? Que raio de preparação destroi os n/ jogadores todos. Não correm, não podem correr, se correm lesionam-se se param rasgam se...se...se.
Pá parem lá com isto (este) de um vez

Anónimo disse...

"Já sei (li) que não emprestamos Pavão, Oliveira nem F. Gomes, mas eram Pavão , Oliveira e F. Gomes."

Algo me diz que, nos tempos que correm, os três teriam sido emprestados. Com 18 anos incompletos o Gomes estreou-se a titular na 1ª jornada de um campeonato e marcou os dois golos da equipa. Com 18 anos o Pavão estreou-se a titular a uma 3ª jornada, nas Antas contra o Benfica e fez um jogão.O Oliveira foi inicialmente vítima de alguns equívocos acerca da sua melhor posição, mas com 21 anos era titular. Alguém vê isto a acontecer hoje?

Digo isto como uma mera constatação. Mas uma coisa é verdade: o treinador é importantíssimo aqui. Se ele quiser ficar com 2 ou 3 ex-juniores e pô-los a jogar regularmente, ninguém o proibe. Para haver uma mudança nestes hábitos é pois fundamental ter-se um treinador que arrisque neste aspecto.

pois disse...

Caro Alexandre,
Não esqueça que no tempo de F. Gomes, Oliveira e Pavão ainda não existia a lei Bosman e outras "democracias" que retiraram muito espaço. E tudo está diferente, hoje. Quantas oportunidades foram dadas a H. Postiga, e quê teve que sair e H. Almeida. O futebol é um jogo, o mais espectacular de todos e tem que ser jogado, nos mais infimos pormenores é disso que se trata de jogo a ser jogado

penta1975 disse...

@ Alexandre Burmester

«Mas uma coisa é verdade: o treinador é importantíssimo aqui. Se ele quiser ficar com 2 ou 3 ex-juniores e pô-los a jogar regularmente, ninguém o proibe».

exactamente o meu ponto de vista. daí que se pergunte, também? que frutos rendeu o projecto "Visão 6/11"?
bem sei que ainda estamos em 2010, mas será que só para o ano que vem é que iremos ter novidades?

@ pois

eu também questiono a preparação física desta época. quem é o responsável por este descalabro? não pode ser considerada "normal" uma onda de lesões deste calibre. a última vez que tal aconteceu na equipa principal foi nos tempos do Octávio Malvado, antes do ciclo Mourinho.

saudações PENTACAMPEÃS!

André disse...

isso da lei bosman é demagogia pura, basta olharem para o onze do barcelona e verem a quantidade de jogadores dos juniors- ou equipa B no caso do Pedro- a quem foi dada oportunidade de jogar, o problema do porto é que jogador das camadas jovens não conta para ganhar comissão e disfarçar passivo- do qual muito se queixa o sporting que o veloso moutinho e o carriço não contam como activos.

esta é a questão chave, porquê que o pedriger vale 4 Milhões e o Tomás Costa 20, nas contas surgem como activos de 24 milhões e o clube disfarça as contas - tem uma divida de 140 milhões mas regista que tem 130 de activos que pode vender para cobrir a divida, dai não estar em falência técnica. o ukra, o castro, o bruno alves, o sergio oliveira, o nuno andré coelho, etc... não são do interesse da sad que joguem ou estejam no plantel como por exemplo... o Maicon ou o Orlando Sá- que custou 5milhões e fez bem menos que o Rabiola.

Por isso é que vendemos à pressa o lucho, por isso é que pagamos o triplo - e não estou a falar do caso do fernando que é vergonhoso - por jogadores com empresários duvidosos, por isso é que vamos comprar ao colon e um suplente como o benitez. dizerem que a lei bosman é culpada é pura demagogia, só não vendemos ou apostamos nos jovens porque simplesmente não é o interesse da Sad do FC Porto

AntiPorcosCorruptos disse...
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Pedro disse...

Caro André,

De acordo com as regras contabilísticas, o valor do passe de um jogador registado no activo do clube é sempre igual ao total que foi efectivamente pago na aquisição desse jogador. Significa isso, que o passe do Tomás Costa vale 3,5 (o que se pagou há dois anos)+ 4,8 (o que se pagou agora) = 8,3. Este valor consta do activo bruto.

Depois, todos os anos, é amortizada uma fracção do valor do passe, fracção essa igual ao valor do passe dividido pelo número de anos de contrato que faltam. No caso do Costa tínhamos durante dois anos 3,5 milhões de investimento que depois de dois anos de amortizações passaram a valer 1,75. Depois adicionou-se 4,8 (investimento deste ano). Ou seja o valor líquido do passe deverá ser 6,55 milhões. Se o jogador não for transaccionado e por exemplo saisse sem receita para o clube, então a SAD registaria uma perda ano de 3,27 e outra no próxima de também 3,27 correspondentes à amortização do valor do passe que consta do activo líquido.

Não adianta dizer que um jogador vale 50 milhões para melhorar o balanço. A contabilidade apenas aceita o que efectivamente se pagou ou para as mais valias o que efectivamente foi vendido.

José Rodrigues disse...

"Não adianta dizer que um jogador vale 50 milhões para melhorar o balanço. A contabilidade apenas aceita o que efectivamente se pagou ou para as mais valias o que efectivamente foi vendido."

Exacto (embora hajam excepções obscuras, tanto quanto sei).

A teoria do André até faria sentido se não fosse o pormenor de q só precisamos dos tais empréstimos bancários porque... gastamos dezenas de milhões nos tais passes.

André disse...

empréstimos bancários não invalidam o que disse, fundos de jogadores, transferências de Estádio (património) do clube para a Sad, são manobras financeiras e nenhuma delas anulam que se comprem jogadores por valores exagerados para também (repito- também) disfarçarem passivo e manter a Sad operacional.

As dezenas de milhões nos tais passes são em muito inferiores às dezenas de milhões em vendas de jogadores nos últimos oito anos (200M?mais do que isso?)

Pedro disse...

José,

Eu acredito que as tais excepções obscuras têm mais que ver com luvas que podem ser pagas através de sociedades, etc..., esses pagamentos apenas precisam ser coerentes no negócio da SAD; porque para a SAD o negócio tem que estar absolutamente transparente e devidamente auditado. Depois para onde vai o dinheiro, ou quem são os donos das sociedades que o recebem é outro problema. Não é ingenuidade minha, é imposição da CMVM e o própria deloitte não vai querer auditar contas sem documentação e valores consistente com o relatório de contas.

Tocaste no ponto interessante na última linha, o Tomás Costa está avaliado (bem sobre-avaliado) num valor que é coerente com o que se pagou, foi um mau negócio, mas para as contas o efeito é nulo porque se trocou um activo líquido (dinheiro) por um outro activo (passe do jogador). Se se financiou a compra com dívida ou com capital próprio é irrelevante para o valor da situação líquida (capital próprio) da empresa.

Pedro disse...

André,

fundos de jogadores e transferências de estádio .... estamos a falar de outra coisa ... melhor de outro clube. O Porto já teve mas não tem neste momento um fundo activo detentor de passes de jogadores, nem o estádio pertence directa ou indirectamente à SAD. Isso é coisa da 2ª circular ;)

A SAD do Porto é dona de uma participação de 93% na PortoComercial, e de 90% da PortoSeguro. O estádio é património do clube e a SAD paga renda de utilização.

Pedro disse...

Esqueci-me de dizer o seguinte: o Porto SAD detem uma sociedade que é a Porto Estádio, mas essa sociedade é uma sociedade gestora e não creio que inclua no seu balanço a estrutura física (estádio).

Anónimo disse...

Pedro disse: "o Tomás Costa está avaliado (bem sobre-avaliado) num valor que é coerente com o que se pagou, foi um mau negócio, mas para as contas o efeito é nulo porque se trocou um activo líquido (dinheiro) por um outro activo (passe do jogador)."

Para as contas sim, mas para a Tesouraria, vulgo "cash-flow", não.

José Rodrigues disse...

Pedro (e outros)

só para clarificar: quando falei em "excepções obscuras" referia-me a mecanismos perfeitamente legais mas q só estão ao alcance de contabilistas q seguem directamente contas de SAD de futebol (invocando-se sub-alíneas de sub-alíneas); pelos R&Cs não dá para perceber ao certo.

Sei q há possibilidade (e por vezes isso acontece, mas parece-me q é raro) em rever em alta ou baixa o valor contabilístico de um jogador sem q haja nova movimentação de % do passe, mas os critérios não são claros.

De qq forma como disse isso é raro (dá para perceber isso pelo R&C), pelo menos no nosso caso - basicamente a contabilização dos passes corresponde a +-10% do custo inicial dos passes (menos depreciação, claro).

Pedro disse...

Caro José,

Presumo que haja possibilidade de fazer algo equivalente a uma reserva de reavaliação, mas que não teria um efeito aceite por exemplo a nível de fiscalidade. Fiquei curioso para saber de que forma é possível fazer "actualizações" de activo sem uma contraparte em outra conta, possivelmente na de fornecedores ou da caixa. A contabilidade não bateria certo. Se souberes da forma, e não for muito complicado explicar, eu acho que era até assunto mais interessante para um post do que para um comentário. Se isso é verdade estaria aberta mais uma caixa de pandora na contabilidade criativa do mundo do futebol.

Pedro disse...

Para as contas sim, mas para a Tesouraria, vulgo "cash-flow", não.

Para o cash-flow e para a equipa parece uma total perda. Mas a avaliar pelo que ele vem rendendo, será também um problema para o resultado líquido, pois para as contas o custo deste jogador será de 2,75 milhões/ano em amortização + salário. 3,5/4 milhões de custo/ano com um jogador como o T.Costa dói só de pensar.

André disse...

eu não disse que fizemos o "truque" do estádio,era apenas um exemplo de algo que é feito nas manobras das Sad's.

João Ferreira no Derby...

José Rodrigues disse...

André disse:

"As dezenas de milhões nos tais passes são em muito inferiores às dezenas de milhões em vendas de jogadores nos últimos oito anos (200M?mais do que isso?)"

Por acaso não são. Aqui há tempos fiz a contabilidade e basicamente nos últimos 10 anos re-investimos mais de 80% dos encaixes nas vendas em novos passes.

Não tenho a contabilidade em dia, mas o balanço dos últimos 10 anos anda em cerca de 300 milhões em vendas e uns 250 em compras, ou muito perto disso.

Aliás, basta olhar para a curta amostra desde Junho de 2008 até Janeiro passado, em q gastámos para cima de 60M€.