quinta-feira, 10 de junho de 2010

FC Porto nos Mundiais (I)


Entre os 22 "Magriços" que foram a Inglaterra, no Mundial de 1966, três eram jogadores do FC Porto:
- Américo, guarda-redes, 33 anos
- Custódio Pinto, médio ("interior")/avançado, 24 anos
- Festa, defesa-direito, 26 anos

Apenas Festa teve oportunidade de jogar (em 3 jogos, contra a Bulgária, Inglaterra e URSS), apesar de muita gente considerar que Américo era o melhor dos três guarda-redes convocados (os outros dois foram Carvalho do Sporting e José Pereira do Belenenses).

Foto: Portugal x Bulgária, Festa é o terceiro em cima, a contar da esquerda para a direita.

14 comentários:

Pedro disse...

Por acaso tinha mesmo cara de defesa à Porto :-)

A história do Américo, sempre me disseram os mais velhos, teve a ver com indicações ou orientações exteriores. Terá mesmo havido um pedido para só jogarem jogadores de clubes de Lisboa.

Também me diziam que o verdadeiro mágico desta equipa se chamava Coluna...

R.M.Silva da Costa disse...

Foi um magnífico defesa, o Festas. O Américo era, efectivamente, o melhor guarda-redes naquele momento, bem superior ao sportinguista Carvalho. Manuel da Luz Afonso, benfiquista, lá saberá porque não deu o lugar ao lourinho dos tripeiros.

José Correia disse...

Caro R.M.Silva da Costa, o afastamento de Américo terá sido por influência de Manuel da Luz Afonso ou foi uma opção de Otto Glória?

Quando outro treinador brasileiro - Scolari - afastou Baía do EURO 2004, houve quem se lembrasse e fizesse o paralelismo com o caso de Américo.

R.M.Silva da Costa disse...

R. a José Correia:
Manuel da Luz Afondo, era o seleccionador...

Anónimo disse...

José Correia,

Naquela altura vigorava um bizarro mecanismo na selecção: havia o seleccionador e havia o treinador. O seleccionador - que se chamava, apropriadamente, Manuel da LUZ Afonso - não só seleccionava os jogadores como fazia as linhas! Mas para sermos justos devo dizer que, anos depois, ele disse numa entrevista que deveria ter posto o Américo e que, nos últimos jogos, o cansaço dos médios Jaime Graça e Coluna era tal, que deveria ter dado uma oportunidade a Custódio Pinto e ao sportinguista Fernando Peres (recentemente contratado ao Belenenses).

O Carvalho foi à baliza contra a Hungria em Old Trafford no primeiro jogo, mas "frangou" e nos 5 jogos seguintes foi substtuído pelo José Pereira, cuja capoeira ficou bem recheada (especialmente nos jogos coma Coreia do Norte e com a Inglaterra).

O Festa era nitidamente o melhor defesa-direito, mas repartiu os jogos com o sportinguista João Morais (há pouco falecido), claramente porque o segundo (o do famoso canto directo que dera a Taça das Taças ao SCP dois anos antes) jogava num clube de Lisboa.

No meio-campo e no ataque jogaram sempre os mesmos seis jogadores (e não havia ainda substituições): Jaime Graça, Coluna, José Augusto, Eusébio, Torres e Simões.

Nota : Esta foto é do jogo com a Bulgária em Old Trafford, único em que jogou o Germano (o careca com o galhardete na mão). Jogámos aí os dois primeiros jogos, em Goodison Park contra o Brasil e a Coreia do Norte e em Wembley contra a Inglaterra e a URSS.

Mário Faria disse...

O Germano não seguiu para Inglaterra e o defesa central foi o Alexandre Baptista, salvo o erro, em todos os jogos realizados.

jogava-se muito devagarinho, naquele tempo, e quando havia um mais apressadinho (como o Eusébio) passava a fenómeno.

O Américo nunca foi guarda redes titular pela selecção nacional. Costa Pereira era o dono da baliza.

Jorge Aragão disse...

O caso do Américo foi um escândalo...
Lo go a seguir ao Mundial fez um jogo fabuloso contra a Itália a demostrar isso mesmo.
Mas como era do FCPorto!!!
Um ENORME guarda redes.

Anónimo disse...

O Germano está nesta foto, cro Mário. Como eu disse, fez apenas o segundo jogo, contra a Bulgária. Nos outros 5 jogos jogou de facto o Alexandre Baptista (que, a propósito, encontrei em Inglaterra, mas não no futebol, quando em 1996 fui a Sheffield ver o Dinamarca-Portugal do Euro 96).

Se bem me lembro, o Costa Pereira já fez poucos jogos na qualificação para este Mundial. Depois do Mundial passou o Américo a ser o titular, e foi-o regularmente até se retirar em 1969.

meirelesportuense disse...

Tive(mos) a oportunidade de rever alguns destes jogos há muito pouco tempo na televisão Portuguesa.
No segundo jogo desse Mundial frente à Bulgária, jogou o Festa -no primeiro tinha jogado o Morais-, que não fez uma exibição por aí além, no jogo seguinte contra o Brasil saiu o Festas e entrou novamente o Morais que dizem arrumou definitivamente com o Pelé.
A verdade é que o Pelé estava já preso por arames...
Festa voltou a entrar nos jogos contra a Inglaterra e URSS, porém os outros dois Portistas, Américo e Pinto, nunca jogaram em Inglaterra e poderiam perfeitamente ter jogado que mais não fosse, no jogo derradeiro, que era mais para cumprir calendário...Aliás estou seguro que Américo era melhor que Carvalho e este melhor que José Pereira...Houve ali uma vontade de unir grupos que no caso do Porto não foi tão notório, Custódio Pinto poderia perfeitamente jogar na frente, pois tinha mais técnica que José Torres e possuía igualmente um excelente jogo de cabeça...
Caro Mário Faria, o Germano jogou contra a Bulgária e foi um buraco de todo o tamanho -revi agora esse jogo- , não fosse a qualidade do Vicente e Portugal teria sofrido a bom sofrer com o Germano que estava já no ocaso da sua carreira, creio que nunca mais jogou no Benfica e rumou depois ao Salgueiros juntamente com mais dois ou três jogadores encarnados já em fim de ciclo, Melo, Santana...

Anónimo disse...

Nessa altura, caro Meireles, o Custódio Pinto ainda não jogava a ponta-de-lança, mas sim a médi0 ("interior").

Não creio que o Germano tenha deixado de jogar no Benfica logo nessa altura. Veio para o Salgueiros (com o Yaúca, além dos que refere)em 1968/69, e o treinador era o Ângelo, na altura ex-treinador do juniores do Benfica. Essa incursão salgueirista na Luz revelou-se desastrosa, e quem subiu foi o Boavista, com o Lemos, por n´so emprestado, a "facturar" largo.

Ah, e é verdade que o Morais foi um autêntico carniceiro na marcação ao Pelé. Se fosse hoje era expulso, mas naquela altura era preciso agredir um adversário para isso acontecer. Aliás, o brilhantismo do futebol da selecção portuguesa nesse Mundial foi toldado pela maneira de jogar desse caceteiro.

A lesão do Vicente tramou Portugal. O José Carlos, que o substituiu, foi um "passador" contra a Inglaterra.

meirelesportuense disse...

É verdade, Burmester, o Pinto jogava na linha média, mas podia perfeitamente jogar como ponta de lança e acredito que seria muito mais complicado marcá-lo assim, que ao José Torres muito mais estático, é também engraçado verificar, por simples contradição, que o Torres no fim da sua carreira tenha recuado no terreno e jogado como médio defensivo, por exemplo, no Estoril...E safava-se muito bem.
-O Porto tinha então também um excelente quarto-defesa, Rolando, que não foi seleccionado e era melhor -na minha opinião- que o sportinguista José Carlos.

Anónimo disse...

Também concordo que o Rolando era melhor que o José Carlos, mas na altura não devia ter mais que uns 22 anos, e na altura era raro alguém tão novo jogar na selecção.

meirelesportuense disse...

Uma coisa que também reparei foi as cores do equipamento, o azul nos calções fica bem melhor que o verde e liga melhor com a cor escura das meias.
Portanto, camisola vermelha com orla verde, calção azul Porto e meias azuis escuras.
-Mas não me repugnaria que a cor dos calções fosse também azul escura...

José Correia disse...

Aproveitando as indicações do Alexandre Burmester, fiz uns ajustes no texto.