sexta-feira, 9 de julho de 2010

A encruzilhada portuguesa

Por Miguel Lourenço Pereira


A chegada de João Moutinho às filas do FC Porto desperta-nos para uma realidade que tem estado adormecida no desértico futebol português. Desértico de ideias. Desértico de jogadas arrojadas, transferências internas, o pão nosso de cada dia em qualquer país, menos no nosso. E também um espelho do que tem sido a realidade dos clubes portugueses, FC Porto à cabeça, com a histórica ligação lusa ao futebol de formação. Um fantasma preparado para assombrar um país nos próximos anos. Se tudo ficar na mesma.

O FC Porto que terminou a última época contava apenas com quatro internacionais A portugueses. Apenas dois deles (Bruno Alves e Raul Meireles) seriam titulares na viagem à África do Sul. E desta vez não houve sequer manobras de bastidores como a que vetou alguns dos nomes campeões europeus de 2004. A realidade é que o português é cada vez menos uma nacionalidade presente no balneário do Dragão. Mas não só.

A performance de Portugal no Mundial deixou claro que o mais grave problema da equipa das Quinas está na falta de opções. De futuro. Jogadores no final da carreira substituem jogadores no final da carreira. Pouco ar fresco, ambicioso e com vontade de encontrar um lugar ao sol. Um cenário que selecção e clubes têm partilhado nos últimos dez anos. Olhar para a formação do FC Porto e descobrir jogadores de primeiro nível tem sido como encontrar uma agulha num palheiro. Falhou a geração dos Ricardo Costa, Hugo Almeida e Helder Postiga. Posteriormente a dos Bruno Gama, Helder Barbosa ou Vieirinha. E agora estamos perante o dilema. Irá o cenário repetir-se com os Ukra, Castro ou Rabiola?

O certo é que Bruno Alves é o único atleta no plantel da época passada que fez a formação no clube. Muito pouco para uma equipa de dimensão mundial, particularmente quando os grandes da Europa começam cada vez mais a apostar na formação (mesmo que seja na última fase) e menos nos negócios milionários que marcaram a década.

Esta situação não é em nada diferente à de Benfica ou Sporting, que tem mais fama do que proveito com a sua “aclamada” Academia, mas é ainda mais grave quando olhamos para os clubes de média dimensão.

Verdade seja dita, a formação em Portugal sempre funcionou melhor fora do âmbito dos “Três Grandes”. O que sucedia, particularmente até ao aparecimento da Lei Bosman, é que estes captavam rapidamente os jovens talentos quando começavam a dar provas do seu valor na liga. Foi assim durante décadas com os jogadores que saiam das verdadeiras escolas que eram o Boavista, Vitória de Guimarães, Leixões, Belenenses, Montijo, Barreirense, Atlético, Marítimo, Braga ou Farense. Daí saíram jogadores que depois criaram um vínculo com um dos grandes, de tal forma que hoje são poucos os que se lembram que a aventura não começou aí. Quem se recorda de que o primeiro clube de Jaime Pacheco foi o Aliados de Lordelo (onde jogou até aos 21), ou que Sousa começou a jogar no Sanjoanense, ou como Futre arrancou no Montijo antes da breve passagem pelo Sporting?

Hoje essa realidade é o verdadeiro deserto. A lei Bosman encheu Portugal de jogadores estrangeiros de qualidade inferior. Não só nos grandes (onde a sua presença é excessiva e notória), mas nesses pequenos clubes, muitos deles hoje em falência por terem precisamente entrado nessa politica de gastos sem lucro. Clubes como a União de Leiria, Nacional ou Farense tornaram-se portas de entrada para jogadores brasileiros colocados estrategicamente por empresários. O mesmo se passou com Salgueiros, Campomaiorense, Alverca, Estrela da Amadora, Belenenses... todos eles hoje a viverem os piores anos da sua história.

Abandonando a formação, os clubes deixaram de ter uma politica sustentável. Passaram a viver exclusivamente do empréstimo dos grandes e dos jogadores que estes compravam a pechinchas para depois vender a peso de ouro. Até os jogadores que hoje aí se destacam são mais depressa “sobras” da formação dos grandes (Beto, Varela, João Pereira) do que formação da casa. Uma politica suicida que acabou com o futebol de base da selecção nacional.


Há vinte anos atrás, época em que Carlos Queiroz profissionalizou o futebol de formação português, era impensável que talentos como Tiago Targino e Diogo Lamelas (Vitoria Guimarães), João Aurélio e Edgar Costa (Nacional) ou Manu (Belenenses), Vitor Gomes (Rio Ave) e Yazalde (Braga) vivessem marginados dos onzes das suas próprias equipas, em detrimento de atletas estrangeiros. Mais. Há vinte anos esses seriam certamente titulares e estariam debaixo de olho dos olheiros dos grandes. Jogariam na selecção de forma competitiva (é imensa a diferença de equipas sub-21 e sub-19 com jogadores habituados a jogar ao mais alto nível do que aqueles que vivem no idílico mundo dos “juniores”, ou nos clubes que jogam sempre para não perder) e seriam o futuro do nosso futebol. Hoje são dúvidas mesmo antes de começarem. Ao contrário de Hazzard (belga, estrela do Lille), Berg (sueco, estrela do Hamburgo), Kadlec (checo, estrela do CSKA), Ninis (grego, estrela do Panathinaikos), não há um jovem jogador português que se destaque. Dentro e fora de Portugal. E isso é preocupante!

A principal razão do sucesso vertiginoso desta Alemanha (e desta Espanha, e desta Holanda, e até deste Uruguai) deve-se também à sua actual politica de formação. Das federações mas também dos clubes. São realidades, principalmente no caso holandês, em tudo similares à portuguesa. Mas gerida de uma forma diametralmente oposta. A média de idades dos planteis holandeses é infinitamente inferior à dos portugueses. O número de jogadores nacionais é muito mais alto. Na Holanda também há empresários, jogadores estrangeiros e clubes a disputar provas europeias ao mais alto nível. Mas o futebol é visto com outros olhos, sem o típico oportunismo do dirigismo português, dos escritórios da FPF até às oficinas do Dragão, Luz ou Alvalade.

Seria o ideal que os clubes que simbolizam o que de mais forte tem o nosso futebol tivessem nos seus onzes mais jogadores de formação própria. Mas talvez, mais importante ainda, seria que a segunda e terceira linha das equipas portugueses, hoje endividadas até ao tutano, mudassem por completo a sua postura e voltassem a apostar no que de melhor tem a sua cantera. A futura regra 6+5 pode ser polémica, mas no caso português adivinha-se fundamental para garantir a sobrevivência de um país e de um futebol desencontrados da realidade.

Os portistas podem sonhar com a afirmação de Ventura, Ukra, Castro, Rabiola ou Diogo Viana. Podem até ficar contentes com o sucesso de Bruno Gama, Hélder Barbosa, Vieirinha ou Bruno Vale. São produtos da nossa casa que beberam dos nossos ideais. Mas é preciso lembrar que desde sempre o FC Porto soube misturar o bom produto de formação da nossa escola com os melhores jogadores das pequenas escolas que gravitam à nossa volta. Beto, Varela ou Micael podem ser vistos já como os melhores exemplos desse regresso sadio ao passado. Talvez por isso seja simbólico que João Moutinho, produto da formação sportinguista, tome o testemunho de Raul Meireles, filho da escola boavisteira. Não importa a procedência. Importa a qualidade. A garra. O querer. Isso é a escola à Porto. Isso deveria ser a escola à Portugal!

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Miguel Lourenço Pereira a elaboração deste artigo.

Foto 1: origem desconhecida
Foto 2: Academia de Talentos

12 comentários:

José Rodrigues disse...

Não sei porquê tenho a forte suspeita que se um Ozil (tem 21 anos e começou a jogar regularmente pelos seniores do Werder aos 19 anos) fosse jogador do FCP andava a rodar pelos Olhanenses deste mundo... ou no mínimo estava tapado devido a várias contratações para a mesma posição.

Já estou a ver a conversa entre dirigentes (e alguns adeptos):

"19 anos? Ainda é muito novo, tem que ir rodar 2 ou 3 anos..."

"Agora tem 21 e deu bons sinais na Olhanense / E Amadora? Ah, mas o FCP não é um clube que possa arriscar; vamos mas é gastar muitos milhões em jogadores para a mesma posição, mesmo quando esses jogadores não têm mais provas dadas (e.g. Guarin qdo foi contratado vs P. Machado)."

O Castro e o Ukra, por ex, têm 22 anos; o P. Machado tinha 22 anos quando foi emprestado ao St. Étienne depois de já ter dado boas indicações por 3 épocas na 1a divisão; no entanto, muito gente fala dos primeiros (e falava do PM há 2 anos) como se ainda fossem bebés.

É como digo, por muito potencial q um Ozil tivesse mostrado se fosse prata da casa no FCP, estou certo que ia fazer o circuito dos empréstimos podendo muito facilmente estagnar ou "perder-se" (não há melhor "escola" do q trabalhar no plantel A do FCP, principalmente em jogadores do meio-campo para a frente, já q os restantes clubes portugueses jogam muito defensivamente).

Nightwish disse...

Mas os clubes são empresas ou não são? Quero lá saber da seleção, sempre rodeada de bestas que deviam ser abatidas. Se um gajo gosta do selecionador, vê uns joguitos e tal, mas enquanto for a seleção das vacas sagradas, não me importo muito com ela.

José Rodrigues disse...

"Mas os clubes são empresas ou não são?"

Bem, por acaso a grande maioria dos clubes até nem é, só para ser chato. ;-)

Mesmo os que são (pelo menos em Portugal), não são uma empresa normal (com por ex objectivos de distribuir lucros pelos accionistas), mas sim "sociedades desportivas" em que o principal objectivo de longe é o sucesso desportivo. Não é por acaso q as acções das 3 SADs não fazem parte de NENHUM fundo de investimento...

José Rodrigues disse...

Mas falando do cerne da questão...

A valia dos jogadores de uma dada selecção depende imenso da formação inicial q recebem, e das condições em q esta ocorre.

Nesse aspecto e ironicamente Portugal está hoje MUITO melhor do q há 20 anos (em q por ex a maioria dos putos jogava e treinava em pelados). Demos um salto enorme, se bem que ainda estamos atrás de muitos outros países (vivo na Bélgica e quando constato as condições e investimento que os putos têm aqui e na Holanda a partir dos 4 (!) anos de idade, vejo claramente o nosso atraso).

Apesar desse "salto" nos últimos 20 anos, há hoje menos talento nacional. Isso indica que há outros factores de peso, e o Miguel esteve "spot on" ao identificar a forma demasiado fácil com que os clubes avançam para contratações de estrangeiros, muitas vezes sem quaisquer provas dadas.

Eu não diria que se trata de "facilitismo", já q o mais fácil seria mesmo "estar quieto" e contratar menos gente; penso que será devido mais a um misto de outros factores, como o síndroma "a vaca da vizinha dá mais leite do que a minha" (os empresários mostram-lhes uns DVDs e eles ficam logo embasbacados); um lavar de mãos perante treinador e adeptos ("vocês estão a ver como a gente investe na equipa?"); e até mesmo, em casos pontuais, uma boa desculpa para ir a sítios porreiros (como o Brasil) combinando negócios com turismo. Entre outras razões, claro.

Para terminar: não sou pessoa para 8 ou 80, logo tb não acho q faça qualquer sentido cortar a torto e a direito em contratações... há sem dúvida certo talento no mercado estrangeiro q não é possível encontrar dentro de portas ou em q o rácio potencial / custo é muito interessante. Mas que acho que os clubes (começando pelo FCP) podiam evitar umas 2 ou 3 contratações por ano no estrangeiro (fazendo "apenas" 4, 5 ou 6 contratações em vez de 8) libertando 2 ou 3 vagas para prata da casa, lá isso acho.

José Rodrigues disse...

Mais uma achega final para a conversa: há quem diga que temos (portugueses) uma vantagem comparativa no mercado brasileiro (vs outros clubes europeus).

Ora eu acho que isso é chão q já deu uvas e hoje em dia pouco mais é do que um mito e o pessoal deve meter isso na cabeça de uma vez por todas: há 20 anos quando a profissionalização dos clubes era ainda uma miragem (e em q não havia uma míriade de canais desportivos por satélite, já agora), os laços culturais e linguísticos faziam com que de facto essa vantagem comparativa existisse.

Mas hoje em dia, NÃO (e quem diz Brazil diz Argentina, já agora). Qualquer jogador que dê minimamente nas vistas no campeonato brasileiro e argentino é seguido com alguma atenção por dezenas de clubes europeus, não tenham dúvidas disso, e isso reflecte-se naturalmente no eventual custo dos passes e nos salários. There's no free lunch.

Não é por acaso - para dar um exemplo q até nem é recente, q tivémos q pagar 7 milhões por um puto de 18 anos q ainda pouco tinha feito a nível senior (Diego), ou 9 milhões por Anderson. Aliás, eu pergunto: se tivéssemos clones portugueses do Prediguer ou do James Rodriguez a jogar num Marítimo ou Braga, respectivamente (clubes mais ou menos equivalentes àqueles em q eles jogavam), será que teriam custado mais dinheiro (do q 4 e 7 milhões, respectivamente)? Duvido muito.

AFC disse...

“O FC Porto que terminou a última época contava apenas com quatro internacionais A portugueses.”

O FCP contou com vários internacionais. Se eles não foram ao Mundial é outra questão. Beto, Bruno Alves, Rolando, Meireles, Varela, Orlando Sá e ainda que não internacional A incluo Ruben Micael no mesmo lote.

Na minha opinião há dois factores importantissimos no sucesso desportivo de um país. A paixão pelo jogo aliado à dimensão em termos populacionais do país. Só assim se explica que países com condições de treino inferiores aos países europeus, como o Brasil estejam sempre nas fases finais dos Mundiais.

Já países como a Holanda, embora de dimensão mais reduzida têm uma paixão pelo futebol extraordinária.

Aliado a isto será necessário que a estrutura do futebol, leia-se Federação, esteja unida num objectivo comum. Ora a próxima capa do Semanário Sol irá confirmar que união é coisa que não existe.

José Rodrigues disse...

"A paixão pelo jogo aliado à dimensão em termos populacionais do país"

Certo.

No longo prazo, naturalmente q há uma forte correlação entre uma forte competitividade sistemática, e o número de praticantes de futebol no país. Não é por acaso q os países q são constantemente competitivos têm todos paixão pelo futebol e populações de 40 milhões para cima.

O país q mais se aproxima de ser o "outsider" nestas contas é a Holanda (mas mesmo eles têm mais altos e baixos do as Alemanhas e Brasis deste mundo), e isso explica-se por outros factores (como uma forte aposta na formação e uma aposta considerável na transição para senior).

Mas o país com o melhor rácio resultados/população mesmo só pode ser o Uruguai. Mesmo q não costumem ir muito longe nos últimos 50 anos, o q conseguem fazer com uma população de apenas 3 milhões mete bastante respeito.

Só para colocar isto em perspectiva: há mais gente a viver em Madrid, Berlim ou Roma (e não é inocente que dê exemplos de cidades com paixão pelo futebol) do que no Uruguai inteiro!

AFC disse...

De facto o caso uruguaio neste último Mundial é excepcional. Várias condicionantes poderão explicar o sucesso da equipa, mas os uruguaios estão a marimbar-se para isso. O que interessa é que estão a discutir o terceiro lugar. Os outros irão ver o jogo pela televisão.

O facto de ter na fase de grupos uma França completamente desorientada, uma África do Sul claramente sobrevalorizada e um México de valia igual permitiu à equipa concretizar a passagem para os oitavos-de-final com alguma facilidade. As vitórias frente a uma Coreia do Sul e Gana foram resultados que não surpreenderam ninguém. Um país de 3 milhões de habitantes mas que já tem dois campeonatos do Mundo embora o primeiro (e creio não estar equivocado) foi ganho com uma equipa constituida maioritariamente por italianos até à altura a grande potência do futebol mundial.

Anónimo disse...

José Rodrigues comentou: "Não sei porquê tenho a forte suspeita que se um Ozil (tem 21 anos e começou a jogar regularmente pelos seniores do Werder aos 19 anos) fosse jogador do FCP andava a rodar pelos Olhanenses deste mundo... ou no mínimo estava tapado devido a várias contratações para a mesma posição."

Plenamente de acordo. Eu costumo dizer isso do Cristiano Ronaldo, o qual, se em vez e ter vindo da Madeira para o Sporting, aqui tivesse vindo parar, decerto teria tido uma história diferente. Não digo que não tivesse chegado onde chegou, tal é a sua qualidade, mas que o caminho teria sido mais penoso e íngreme, disso não duvido.

Sempre se emprestou jogadores, não é de agora, mas os talentos evidentes, de primeira água, raramente eram emprestados: Pavão, Oliveira, Jaime Magalhães, João Pinto, Rodolfo, Semedo, Domingos e Vítor Baía atestam o que estou a dizer.

José Rodrigues disse...

"Sempre se emprestou jogadores, não é de agora, mas os talentos evidentes, de primeira água, raramente eram emprestados"

Volto a repetir: eu acho bem que se empreste um ex-junior por 1 ou 2 épocas, a não ser q seja mesmo muito bom e "maduro" para a idade (tem é q se ter cuidado a quem é q se empresta, é tudo).

Esse "baptismo" do futebol senior num clube onde possa jogar regularmente em princípio só lhes faz bem.

No entanto, se as indicações forem minimamente positivas, ao fim de um par de anos para continuarem a evoluir e melhorar é melhor q o façam no plantel A do FCP, principalmente no caso de jogadores ofensivos. A partir do momento em q já ganharam algum ritmo, onde é q vão aprender mais: junto de jogadores de classe num FCP, ou junto de jogadores medíocres numa equipa que joga muito mais à defesa? Pois.

Um Ronaldo a rodar vários anos numa Académica ou equivalente (qdo saiu dos juniores do SCP) podia perfeitamente ter estagnado como um mero jogador jeitoso mas incompleto, quem sabe. Aliás eu pergunto: o Ozil há dois anos dava mostras de mais talento do q um H Barbosa (qdo tinha 19 anos), por exemplo? Não estou certo q assim fosse.

reine margot disse...

Não acho que a gente tenha em Portugal matéria prima suficiente para criar uma selecção lusa! Acho que essa é que é a verdade. A conversa em relação ao futebol tem de ser a conversa em relação à nossa sociedade: há um aburguesamento transversal; -eu lembro-me de em criança as brincadeiras serem sempre ou a bola ou o pilha! Então, hoje não é assim: bola joga-se na playstation, pilha provavelmente já ninguém sabe o que é, e o puto que sai da favela porque tem ginga e tem toque de bola, quer é ser um novo CR,brinco de diamante na orelha, não lhe basta ser do Olhanense! Essa é que é a realidade, e é por isso que a selecção alemã, ou a francesa, estão cheias de gente de outras paragens!... Hoje já são alemães e franceses e tratados com carinho, mas na realidade são os que precisavam do futebol para vingar na vida!...
Se virmos bem: há futebol português? A equipe de 66 era portuguesa? Teríamos feito o que fizemos sem Eusébio ou Coluna?
O futebol português necessita, como a sociedade portuguesa, que saibamos receber e tratar bem gente boa de outras paragens que cresçam aqui e que aqui fiquem, e dirigentes efectivamente profissionais que sintam as consequências (-rua!) se não atingirem as metas !

Em relação ao Uruguai só queria dizer que da equipe que entrou em campo para defrontar a Holanda, só um joga no Uruguai!...

Miguel Pereira disse...

José e Alexandre,

Concordo plenamente. Acho que o problema não é só a falta de matéria-prima. É a politica desportiva dos clubes, FCP incluido. Há um medo tremendo do risco em Portugal, aliado a uma eterna politica de aproveitamento financeiro. Há muito tempo que os clubes de várias ligas perceberam que o sucesso financeiro passa pelo risco 0. Lançar jogadores da casa é o negócio mais rentável no mundo do futebol. Se falhar, o salário é baixo e o custo de compra zero. Se funcionar, o lucro é a 100%. Tao simples como isso.

Em Portugal essa politica há muito que nao é posta em prática, levando os clubes a comprar aos 10 jogadores por ano, todos os anos. Salarios mais altos, risco de reembolso reduzido, fichas salariais enormes e altas, congelamento da progressao dos jogadores de formaçao. Uma equaçao com resultado final trágico.

Enquanto Portugal viver nesse espirito o mais certo é que a selecçao vá perdendo qualidade. Hoje em dia é fácil ver o dificil que é escolher 23 jogadores, por muito que a FPF tenha feito a sua listinha com 51. Com o passar do tempo, a situaçao será pior.

Um abraço e obrigado pelo feedback