sábado, 3 de julho de 2010

Hóquei em Patins, a época 2009/10

Por Fernando Delindro



Chamo-me Fernando Delindro, sou sócio desde 1989, e sigo desde sempre todos os escalões das modalidades do nosso clube. A minha paixão pelo FC Porto surge pela envolvente familiar e depois, a minha vontade de apoiar sempre o clube, leva-me a que acompanhe, sempre que possível in loco, os jogos de todas as modalidades, independentemente do escalão. Desde miúdo que o fim de semana é reservado para o FC Porto, ritual que me foi passado pelo meu avô materno, que me meteu o bichinho de passar muito tempo no complexo das Antas. A ele o meu obrigado, porque sem ele os fins de semana não tinham tanta emoção.

Aceitei o repto de escrever sobre a época de uma das modalidades que mais títulos deu ao clube nos últimos anos e ao país desde sempre, o hóquei em patins, porque desde tenra idade acompanho a modalidade. Esta modalidade é aquela que mais me seduz, talvez ex aequo com o futebol. Este acompanhamento começou no Américo de Sá, manteve-se em Fânzeres e continua no palco das emoções, o Dragão Caixa, onde convido desde já todos os portistas a aparecer num jogo das modalidades, porque merecem o nosso apoio.

A época de 2009/2010 começou com a formulação de um plantel extremamente competitivo, talvez ainda mais que o da época anterior. Saíram dois jogadores, Ricardo Figueira (Oliveirense) e Ricardo Oliveira (clube da região sul do país). Entrou aquele que, por muitos especialistas, é considerado o melhor do mundo, Pedro Gil. Para ocupar a vaga do defesa/médio que saiu para a Oliveirense a equipa técnica, em consonância com a direcção, optaram por não contratar ninguém, tendo um grupo de juniores com muita qualidade a treinar diariamente com a equipa sénior, iriam ocupar a vaga disponível na convocatória a cada jogo. Os jogadores que treinaram com plantel sénior foram Leonardo Pais (G.R.) Francisco Silva, Henrique Magalhães e Rafa (Defesas/Médios) e Diogo Fernandes (Avançado).

Esta época trazia um aperitivo muito forte, a introdução das novas regras, as quais pretendiam tornar o hóquei menos físico e premiar quem tem melhores qualidades técnicas. O anti-jogo também seria castigado. Fazendo o balanço desta 1ª época com as novas regras, este tem de ser positivo pois conseguimos assistir a brilhantes espectáculos de divulgação da modalidade, havendo ainda pormenores que se podem melhorar para colocar esta modalidade de volta ao mais alto nível, pois temos tradição e títulos internacionais. Esta tradição merece o respeito de todos e as televisões não têm tido esse respeito.

A nível desportivo a época começou da melhor forma, com a conquista da Supertaça António Livramento, a 26 de Setembro, frente ao nosso maior rival. Foi a primeira oportunidade de contacto com as novas regras e, tirando um ou dois lances, não houve problemas graves. Notava-se, no entanto, que alguns árbitros não tinham tido contacto prático com as novas regras, em torneios de pré-época, e denotavam menor capacidade de análise.

O campeonato nacional colocava o FC Porto perante o objectivo do Enea e desde o início os nossos jogadores partiram com muita vontade de alcançar esse objectivo. Este objectivo foi alcançado a 24 de Abril, com a vitória em Oliveira de Azeméis e até à 21ª jornada o FC Porto apenas cedeu um empate e uma derrota, nas visitas ao clube onde alinhava o Ricardo Oliveira e na visita ao Candelária.

Depois da conquista do campeonato, a equipa virou a agulha para a Liga Europeia, cedeu uma derrota na visita ao Hóquei de Braga e foi eliminada da Taça de Portugal na visita à Fisica de Torres Vedras. Até ao fim do campeonato cedeu mais um empate na visita a Gaia ao reduto do Gulpilhares, na ressaca da Final 6 da Liga Europeia.

Na Liga Europeia, o grupo incluía uma equipa alemã (Iserlohn) e duas equipas italianas (Valdagno e Viarregio). Esta fase de qualificação não permitiu o acesso directo à Final 6 da Liga Europeia, em virtude do 2º lugar. Esta posição levou-nos a um play-off onde defrontamos mais uma equipa italiana, Follonica, que já nos tinha roubado a hipótese de festejar um título europeu em 2006 em Torres Novas. Este play-off correu da forma esperada e duas vitórias traçaram o nosso caminho até Itália.

O modelo desta final 6 colocou-nos num grupo extremamente complicado, onde defrontámos o Barcelona e os anfitriões Valdagno.
O primeiro jogo era contra o super Barça e uma entrada menos concentrada, talvez condicionada pelos nervos de se iniciar a luta pela principal competição europeia, colocou-nos em desvantagem no marcador desde o 1º minuto. Andámos sempre atrás no marcador e o empate foi conseguido a cinco minutos do fim da partida. Este resultado implicava uma vitória no 2º jogo ou seria o adeus à hipótese do título europeu. O jogo contra os anfitriões correu da melhor forma e levamos de vencida a equipa da casa por 4-2. Este resultado colocava os anfitriões arredados do título.
No 3º jogo defrontariam o Barcelona e o jogo foi apitado por uma dupla de árbitros de associações portuguesas, mas que não se portaram como tal. Se não se pretendia uma arbitragem em prejuízo do Barcelona, que levasse o FC Porto à final, também não era preciso que o Barcelona fosse beneficiado. A influência começou desde o 1º minuto com o que deve ser o recorde de faltas assinaladas. José Pinto, arbitro da AP Porto, mas que deve ter ascendência Catalã, assinalou nos primeiros 50 segundos quatro faltas e um penalti para os Catalães. O jogo que até se iniciava da melhor forma, com ritmo vivo e com os italianos na frente, o que permitia ao FC Porto sonhar com a final, foi-se inclinando para uma vitória do Barça. A partir do momento em que o Barça superou a diferença de golos que necessitava, os italianos começaram a pensar na batalha que se lhes seguia, o título italiano.

Os adeptos presentes em Valdagno, onde me incluo, estão orgulhosos da prestação dos Enea-Campeões. Sair da Final 6 da Liga Europeia sem perder é uma injustiça e ainda maior porque fomos empurrados por José Pinto e Rego Lamela, este conhecido como o Jorge Coroado do Hóquei em Patins.


Os escalões de formação também estiveram em plano positivo. Todos os quatro escalões de competição, Juniores, Juvenis, Iniciados e Infantis, foram campeões distritais e conseguiram, assim, vagas nos campeonatos nacionais. Nos campeonatos nacionais apenas os juvenis não conseguiram o apuramento para a final 4 do Campeonato Nacional.

Os juniores tiveram um percurso brilhante até à final 4 cedendo apenas um empate e uma derrota até à final 4. Nesta fase da competição tiveram um início menos feliz e um empate deixava ainda em aberto todas as possibilidades de sucesso. A segunda jornada trouxe-nos uma vitória expressiva de 18-2, que abria boas perspectivas ao título, porque depois da derrota do Turquel seria decidido o campeão por diferença de golos. Na jornada decisiva uma vitória por 9-3 implicava uma derrota do Gulpilhares por 18 golos de diferença para que o título fugisse. O Gulpilhares acabou por perder mas por 6 golos (17-11) e o título estava entregue à melhor equipa nacional como a Final 4, brilhantemente transmitida pela Turquel TV, demonstrou.

Os juvenis ficaram arredados por diferença de golos no confronto directo com o OC Barcelos.

Os iniciados tinham cedido um empate até à final 4 e entraram de modo intermitente na final 4, cedendo um empate ante o Sporting. O empate com o Sporting implicava duas vitórias nos jogos seguintes para que fosse possível a conquista do título. Com a derrota do Sporting no 2º dia só duas vitórias garantiriam o título. As vitórias alcançadas deram-nos o título.

Os infantis cederam uma derrota em toda a época, quando já estavam qualificados para a Final 4. A final 4 disputa-se este fim de semana em Alcobaça e apelo a quem gosta da modalidade na região que se desloque ao pavilhão e apoie os nossos Dragõezinhos rumo ao título. Já estive presente nas duas finais 4 realizadas (Sexta e Domingo, 25 e 27 de Junho) em Bragança, na de Juniores, e Sábado (26 de Junho) em Penafiel na de Iniciados e espero estar presente na de Infantis.

Passando a uma análise aos jogadores e sendo os juniores os que estarão mais próximos de entrar no plantel sénior, vou falar dos que já esta época treinaram com os Seniores.
O G.R. Leonardo Pais tem muito talento e poderá ser opção quando Edo resolver pendurar os patins, daqui a alguns anos. Sendo o último ano de júnior, irá reforçar a Juventude de Viana e não tenho dúvidas que irá lutar pela titularidade no Minho. Irá ser acompanhado do Diogo Fernandes, um avançado muito bom tecnicamente e que espero que o seu feitio não o prejudique porque, por vezes, é um pouco explosivo e os árbitros poderão prejudicá-lo. Vejo neste jogador qualidade para voltar ao plantel. Para a Oliveirense irá o Francisco Silva e poderá voltar para ser opção, mas a sua evolução deverá ser determinante para que possa voltar ao nosso clube, porque existe muita concorrência no posto de defesa/médio.
Com mais um ano de júnior ficam o Henrique Magalhães e o Rafa. O Henrique tem muita qualidade, mas vai certamente sair quando acabar a idade de júnior para evoluir. O Rafa é um dos jogadores mais talentosos da sua geração e poderá ser opção directamente no plantel no 1º ano de sénior. A evolução que os jogos pelos Seniores do OC Barcelos no seu 1º ano de júnior lhe permitiram poderá ser uma mais valia quando acabar a sua formação. Temos um grupo de jogadores que poderão vir a ser opção no futuro do nosso clube, mas tudo dependerá da evolução que o futuro lhes reservará.

Nos iniciados há dois jogadores que têm boas hipóteses de, se evoluírem ao ritmo normal da idade, poderem vir a ser opção no futuro. O Xavi e o Álvaro Morais são dois jogadores promissores e o Álvaro é ainda iniciado de 1º ano. Prevejo um futuro promissor para estes jogadores mas, não querendo correr o risco de ser injusto com os outros colegas, necessito de maior acompanhamento do escalão para poder avaliar a qualidade de todos.

O futuro da nossa equipa sénior estará bem assegurado e podemos classificar a época como muito positiva, faltando ainda disputar um troféu. Esperemos que o novo ano, em que veremos partir um brilhante jogador e que personifica o espírito do Dragão - Jorge Silva será substituído pelo Gonçalo Suíssas - nos permita manter a hegemonia a nível sénior. A nível da formação esperemos poder alargar o sucesso aos quatro escalões. A nível europeu esperemos que seja o ano da nova conquista da Liga Europeia.


Para terminar, resta-me deixar um obrigado especial a quem nos vai abandonar, mas que espero apenas temporariamente.
Obrigado Jorge Silva… Até Breve!!!

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Fernando Delindro a elaboração deste artigo.

Fotos: cedidas por Fernando Delindro

9 comentários:

Miguel disse...

fantastico, parabens pelo v/blog que esta cada vez melhor.
É um orgulho enorme ser adepto de um clube ecletico e que tem atletas e adeptos fantasticos como o Sr. Fernando Delindro.
Vou deixar uma sugestao, porque nao um comentario semanal às modalidades de alta competiçao? por exemplo às segundas o Sr. Delindro (ou outro) escrever-nos sobre hoquei; às terças alguem escreveria sobre basquete; às quartas sobre andebol and so on.... Seria optimo acompanharmos as modalidades mais de perto e seguirmos as dicas destes especialistas: os jogos a ver ao vivo e na tv, por exemplo.

Obrigado e bem hajam....

Força PORTO

Vitor disse...

Excelente texto Fernando.

Não faltou nada à tua apreciação.

Espero que escrevas mais vezes.

Abraço, amigo

Kilmer disse...

Parabéns Fernando bela belíssima cronica da nossa época a nível do Hóquei em Patins...

Fica aqui o meu desejo que para o ano estejas a comentar a vitória da liga Europeia...

Abraço

Alexandre

lucho disse...

Parabéns pelo post e pela tua dedicação ao nosso clube.

Abraço

Sevilha 03 disse...

Amigo, parabéns pela crónica! Está fantástica! Mais completa era impossível!

Um grande abraço!

Sevilha 03 disse...

Amigo, parabéns pela crónica! Está fantástica! Mais completa era impossível.

Um grande abraço!

João Silva disse...

Muito bom Fernando.

Tens de escrever sobre o Andebol, que é também uma das modalidades em que crescemos mais este ano..

José Correia disse...

Conheço o Fernando Delindro há uns anos (seis? sete?) e, para além de jogos de futebol, já nos encontramos em jogos das modalidades, AGs do clube e em almoços de adeptos portistas.

Este texto elaborado pelo Fernando, para além da análise à época 2009/10 do Hóquei em Patins portista, é revelador da enorme paixão que ele tem pelo clube. Penso que não é exagerado dizer-se que o Fernando vive para o FC Porto (de forma desinteressada, diga-se).

E o Fernando não é apenas adepto do Futebol. Este ano fui ao Dragão Caixa ver diversos jogos de andebol e basquetebol e o Fernando estava lá sempre.

Espero que este artigo, juntamente com outros que temos publicado no 'Reflexão Portista', contribua para na próxima época haver mais portistas a assistir aos jogos das modalidades.

Tripeiro disse...

Grande amigo, excelente texto, não falta lá nada!

Sendo o Hóquei também a minha paixão, compreendo-te perfeitamente! ;)

Obrigado pela tua dedicação ao mágico Porto!

Grande abraço

P.S- olha eu!!!!!!!! :D