sábado, 28 de agosto de 2010

A Comunicação segundo Rui Cerqueira


«Super-flash» marca início de uma nova era

O F.C. Porto já tinha anunciado que se encontrava a proceder a uma reformulação da sua política de comunicação. Pois bem, algumas mudanças começam, de facto, a ser perceptíveis. Na última semana soube-se da entrada de Rui Cerqueira, ex-jornalista da RTP, para o cargo de director de comunicação e amanhã, quarta-feira, vai ser possível à comunicação social falar durante 15 minutos com um atleta.
A «super-flash» terá lugar às 9h45, antes do início do treino matinal, num dos relvados do Centro de Treinos Olival. Na quinta-feira será a vez de Jesualdo Ferreira abordar o encontro com o Sporting, a contar para a Supertaça.

Maisfutebol, 07/08/2007


Na altura escreveu-se também (Jornal O JOGO) que o FC Porto iria "refrescar o modelo de comunicação, adoptando um relacionamento mais aberto". A "nova era" durou pouco. Três anos depois, em 2010, ainda se espera que refresquem o modelo de comunicação, tanto para o exterior como para os sócios e adeptos.

Desde a entrada para a SAD do ex-jornalista Rui Cerqueira a única acção positiva que do Departamento de Comunicação terá vindo foi, em minha opinião, a criação dos "Super-flash" com a participação de um jogador num encontro com jornalistas nos dias que antecedem os jogos. É importante para o sócio e para o adepto do FC Porto saber o que pensam os jogadores e dito na primeira pessoa. Mais e melhor que isso, até hoje, não vi nada.

Para que serve, afinal, um Departamento de Comunicação?
Depois de Agosto de 2007 ainda se viveu grande parte do apogeu dos processos Apito Dourado e Apito Final da Liga. Nessa altura o Presidente estava amordaçado e o clube foi atacado por todos os lados: o slb e seus clubes satélites, a comunicação social lisboeta, o ministério público, as cunhas leais e os costas na liga de clubes e a trupe benfiquista na federação portuguesa de futebol. Ao Director de Comunicação nem uma palavra se ouviu. Zero. A única voz que durante tanto tempo se ouviu a defender - e muito bem - o FC Porto foi, honra lhe seja feita, o Prof. Jesualdo Ferreira. Esteve sempre impecável, com muita correcção, mas claro e objectivo a apontar as acções dos mal-intencionados. Um gentleman. À semelhança da desenvoltura de Jesualdo já pudemos constatar entretanto que também Villas-Boas se tem portado muito bem frente aos jornalistas e tem passado com eficácia as suas mensagens (para fora e para dentro).

Com treinadores que tão bem se expressam na comunicação social e com Pinto da Costa a surgir recentemente mais afoito junto da mesma comunicação social (a fazer lembrar outros tempos) é caso para perguntar o que estará lá a fazer Rui Cerqueira. Deve andar ocupado com a escrita do Labaredas, essa ideia peregrina que tanto sucesso tem tido. Parece que a internet e a blogosfera são uma paixão do ex-jornalista.

Por falar em Labaredas, a mais recente (eu chamar-lhe-ia fogacho) data de 23/08/2010 e versa o seguinte:

"Faça favor de marcar?!?

Diz Rafael Bracalli que Saviola lhe pediu para deixar «a bola entrar» no último Nacional-Benfica. A frase tem direito a destaque na edição de hoje do jornal Record. O Labaredas nem quer acreditar que o argentino esteja habituado a esperar benesses de um qualquer guarda-redes, quando os jogos são nós difíceis de desatar...
Perante isto, será que alguma procuradora vai entrar em campo? Ou será necessário que, em vez de «deixar entrar», seja o próprio guarda-redes a rematar para a sua baliza? O «Labaredas» estranha se a revelação de Bracalli não for investigada. Será que a justiça se está a tornar colorida na recolha de indícios?"


Perante uma época 2009/2010 em que a dois jogadores do FC Porto foi negado o direito de exercerem a sua profissão durante vários meses a mais daquilo que seria o correcto e com um modus operandi digno de um regime ditatorial o clube optou por se remeter ao silêncio. Labaredas, houve algumas, mas pífias. Mais recentemente e perante os "erros" inadmissíveis do João "pode ser o João" Ferreira na arbitragem da final da Supertaça o Clube (e o Labaredas) voltou a remeter-se ao silêncio. Passados uns dias e pela voz de Pinto da Costa na inauguração de uma casa do Clube (é sempre nestas alturas!) o caso foi tratado como a vitória "numa taça contra uns caceteiros". O Labaredas ficou-se mudo e calado. Porque é que não abordou a arbitragem da Supertaça e veio agora tossir fumaça sobre um "não assunto"?

Questiono seriamente a pertinência da existência deste Labaredas que não passa de um anónimo a publicar provocações nem sempre bem escolhidas no site oficial. É certo que a ideia que esteve na génese da sua criação até pode ter sido boa: uma forma hábil de combater o jornalismo de trincheira dos Grupos Cofina e Impresa. A verdade é que na prática o conceito não funcionou e deixa muito a desejar. Porque não acabar com o Labaredas e assumir de vez uma crítica presencial na sala de imprensa, sempre que se tornar necessário, dando a cara e a voz ao desagrado? Pode ser um Director, um Administrador ou o Presidente, é preciso é que seja alguém que se faça ouvir. Não seria uma estratégia de comunicação mais eficaz?

13 comentários:

márcio disse...

Muito pertinente o artigo. Nem me lembrava que o Rui Cerqueira existia.
A dimensão do FCP exige que exista uma política de comunicação séria, o que infelizmente não se vê.

rbn disse...

Essa "caça às bruxas" ao Scolari já tá ficando chata.

O homem não tem que provar nada a ninguém.

Quer queiram, quer não, o homem escreveu em letras douradas um pouco da história futebolística no Brasil e em Portugal.

Não foi campeão cá, mas levou pela 1ª vez Portugal a uma final digna desse nome.
Só que os gregos, na tática "José Mourinho em Camp Nou", fizeram 1 único remate e levaram o caneco.

Repito:quer queiram, quer não, Scolari fez voces pela 2ª vez na vida sentirem que REALMENTE podiam ser campeões de uma competição internacional de nível, tanto em 2004, como em 2006.

O 1º foi Otto Glória, mas os ingleses não deixaram.

rbn disse...

O Labaredas é claramente o Pinto da Costa.

Já este tal depto de comunicação é na minha opinião irrelevante, porque fosse eu o presidente, PROIBIA qualquer membro do staff portista de falar com a Bolha e o Rascord, já que estes literalmente "cagam-se" para o nosso clube(até hoje tenho a 1ª página da Bolha da 2ª feira seguinte ao FCP ter se sagrado campeão do Mundo em 2004, onde está Trapatoni em destaque absoluto e o FCP abaixo.Mas bastou o ven7ica ganhar o futsal, para Orelhas aparecer em cuecas em todas as 1ªs páginas).

Raúl Meirelles que tenha toda a sorte do mundo no Liverpool(menos contra o FCP)e mais uma vez, PdC mostrou que igual a ele não há, é o Pelé dos presidentes(ou Pelé é o Pinto da Costa dos jogadores).

Vendeu os jogadores que queria vender(e que queriam sair), arrecadou mais umas patacas e se calhar, ainda aparece uma surpresinha até 3ª feira.

Alexandre Burmester disse...

«Essa "caça às bruxas" ao Scolari já tá ficando chata.»

Caro rbn,

Você colocou o seu comentário na caixa errada, portanto respondo-lhe aqui também.

Ninguém aqui critica o Scolari por ele ser brasileiro ou por ter sido vice-campeão da Europa, mas sim pelas suas atitudes para com o FCP. Falamos como portistas e não como portugueses. Se você tentasse fazer o mesmo, falar como portista e não como brasileiro (mesmo que não tenha essa cidadania, você fala como tal), se calhar já não precisava de dizer o que disse.

Certo, se não fossem dois treinadores brasileiros a selecção portuguesa etc., etc. E daí? Se não fosse um navegador português que se enganou no caminho quando seguia para a Índia o Brasil, tal como o conhecemos, não existiria. Portanto, dívida por dívida, o saldo é altamente favorável a este lado da poça.

Cumprimentos

Bruno disse...

Enquanto ainda não há um post sobre a saída do R.Meireles, aqui fica um link em que referem que a compra do seu passe pode ir até aos 17 Milhões de Libras...

http://www.liverpoolfc.tv/news/transfer-gossip/liverpool-poised-to-sign-raul-meireles

Força F.C.P.

Pedro disse...

@rbn

A Scolari pouco nos interessa a nacionalidade. Interessa-nos a sua falta de competências tácticas e o seu comportamento demasiado bacoco. Acredito que seja um grande motivador, muito profissional, mas custou-nos um Europeu que seria nosso sem grandes problemas.

Quanto ao post gostaria de juntar a tudo o que foi escrito o site oficial do FCP. Um péssimo veiculo de informação, angariação e marketing clubistico. Estamos em 2010, num clube que é dos maiores da Europa e temos uma comunicação fraquinha fraquinha.

Daniel Gonçalves disse...

Partilho totalmente da opinião do Nuno Nunes neste post: O Porto precisa de ter outra estratégia na comunicação, aquilo que o Presidente disse na inauguração da Casa de Caminha foi correcta, mas faltou o "antes", quero dizer que faltou, logo a seguir à Supertaça, uma crítica veemente por parte dos dirigentes do clube à nomeação do árbitro e à actuação no jogo, ora foi um silêncio ensurdecedor e depois aparece o Presidente a falar, ok mas aquilo que foi dito "numa taça contra uns caceteiros", foi dito para "dentro", ou seja, para os adeptos e não para o exterior para a opinião pública, tirando seriedade a essa crítica. Também não gostei que fosse o AVB a referir que, sempre que o Porto entre em competição por jogadores com o SLB ganhamos sempre, penso que QUEM DEVERIA efectuar estas afirmações eram os dirigentes e não o treinador, que deve tentar afastar-se da "política desportiva". Para tal precisamos no Porto de quem faça o papel que é actualmente cumprido pelo Costinha no Sporting.

joao abel calais disse...

CARÍSSIMOS
Bom post,Nuno Nunes, e bem oportuno,mais que não fosse( e "ISTO", é mais um acrescento,ao dito...) porque milhares de portistas,onde me incluo,teve que "gramar" com o verdoso do sapo,a dizer que: "o directo não está acessível de momento. Tente mais tarde" (Refiro-me, ao jogo com os belgas,na passada 5ª feira) .Qto ao "resto", da política de comunicação do clube:uma miséria,pelos vistos,SEM FIM ,SEM MEDIDA(s),SEM VISLUMBRE DE MELHORIAS ...Como( E QUANDO ) é que a administração do clube, pensa resolver esta tão "delicada" situação,com a C.S.? Não dando cavaco e explicações a ninguém,subalternizando os adeptos,sócios,simpatizantes?... mantendo "escassas" e, às vezes,desajustadas "labaredas",acessíveis(só) a "meia-dúzia" de "iluminados",que navegam nestas ondas da... net?!...Como "responder" à C.S.(envenenada) pela(s) impresas,cofinas e quejandos?!...Com uns "bitaites" do Jorge Nuno,aquando da inauguração de casas do N/FCP?...SÓ ?!...
Saudações Portistas.
BFDS para todos.
João Carreira

Mário Faria disse...

A imputação da política de comunicação da SAD tem de ir inteirinha para a sua administração. Um jornalista que se recruta é apenas uma peça da máquina e não creio que se possa ser o alvo principal por alguma menor visibilidade da SAD (e do FCP) nos media, e pela indefinição (?) no modelo e tipo de intervenção institucional.
A sua presença na máquina é, como de outros tantos colaboradores, “invisível”. Deve obviamente colaborar com a administração e instruir e aconselhar os que estão mais sujeitos ao assédio dos media. Mas até nessa área a sua acção deve ser mais de acompanhamento que de influência, pois grande parte da intervenção dos atletas está devidamente regulamentada.
Para além disso, cabe-lhe representar a área comunicacional o que dá sempre jeito à estrutura. A voz do clube é PdC que penso ser alérgico a falar (conteúdo e forma) segundo a doutrina e o registo de terceiros, ainda que sejam colaboradores.
Rui Cerqueira é apenas mais uma peça da máquina : faz parte do colectivo e a sua influência não é para se notar. Se tiver esse poder, (ainda que vago) de influência, é para se firmar devagar, devagarinho e sem dor. Não é para ser perceptível ao grande público. Se calhar nem ao pequeno (público).
O Labaredas é uma forma irónica de confrontar os media ou adversários, com um formato que não é conjugável com o registo institucional que deve ter a comunicação saída da SAD (e do FCP). Preferia que (o Labaredas) não existisse com tal registo, mas faz-me mais confusão a SAD (e o FCP) nada dizerem sobre a arbitragem da Super Taça, e terem ladeado o problema, fugindo ao cerne da questão (a arbitragem) para dar mais uma canelada ao SLB, apelidando os seus jogadores de caceteiros.
Sobre os problemas da arbitragem, percebo a contenção da SAD (e do FCP). Deve intervir através dos canais próprios para o efeito : a Liga e a seu Conselho de Arbitragem. Quando ocorrerem situações extraordinárias deve vir a público denunciá-las, evitando a linguagem populista ou do tipo “calimero”. O que criticamos aos outros não pode servir para nós.
Nota Final
Ainda que as verbas pagas pela TV fossem baixas, não valeria a pena à SAD (e ao FCP) pensar no benefício que da transmissão tirariam milhões de adeptos do FCP ? Essa comunicação informal é tão importante. Não é ?

rbn disse...

Penso que a comunicação deve ser dirigida apenas à imprensa que tenha um mínimo de isenção(de preferência, do norte), e totalmente negada ou vedada aos diários oficiais lampiões(bolha e rascord), que teriam que pegar notícia dos colegas de outros veículos de comunicação.

Por que digo isto?Porque é raríssimo ver o FCP com destaque nas 1ªs páginas destes pasquins lisboetas(era mais fácil ver Bento XVI vestido à Carmem Miranda), mesmo em jogos importantes.

Um belo exemplo disto foi quando o FCP jogou os 8ºs de final com o ATL Madrid e no mesmo dia, na capa do rascord estava...Moretto, na época, 3º ou 4º guarda-redes lampião.

Outro belo exemplo foi a 1ª página da Bolha, na véspera da final da Champions de 2004, onde Orelhas aparecia em foto e letras garrafais por ter invadido o estúdio da também ben7ikista SIC.

Já citei o trapattoni acima entre muitas e muitas outras coisas, por isso digo e repito: proibir qualquer funcionário do FCP de falar com os papéis higiénicos lisboetas.

Era o melhor recado do depto de comunicação portista a estes adeptos-lampiões-travestidos-de-jornalistas.

navegante disse...

Nunca vi rebater a política de comunicação do Porto.
Vejo sim, manifestar-se desagrado pelo silêncio, mas questionar-se o porquê da estratégia que lhe está subjacente, népias.
E a alguns não ficaria mal uma reciclagem pelos jornais desportivos, desde 1976. Talvez a opinião
se alterasse radicalmente, sobre a conveniencia em dar troco a esta gente.
Neste momento, não haverá um só portista que compre um daqueles pasquins.
O que para a estratégia duma qualquer entidade comercial é muito penalizador.

Alexandre Burmester disse...

A política de comunicação não se limita às relações com os pasquins lisboetas, longe disso. Se assim fosse, toda a gente concordaria com o silêncio.

Flávio disse...

Completamente de acordo, fico surpreendido com determinadas posições do FCP, depois do que se viu no ano passado, os castigos dos túneis, aquele amarelo ridículo ao Falcão em Setúbal e a única pessoa que eu via a reclamar a protestar era Jesualdo Ferreira, estou habituado a um FCP que dá a cara que vai à luta e não fica calado impávido e sereno.