sábado, 11 de setembro de 2010

E por que não o João Loureiro?


O séc. XXI do futebol português começou com um fenómeno do Entroncamento: um clube modesto do Porto, com a particularidade até de contar entre os seus "adeptos" um grande número de apoiantes (mal) disfarçados de um clube de Lisboa, venceu o campeonato. Na época seguinte brilharia de novo ao terminar a prova em 2º lugar, e duas épocas depois atingiria as meias-finais da Taça UEFA. Pelo meio teve uns briosos desempenhos na Liga dos Campeões.

Estou a falar, é claro, do Boavista. Na altura choveram os elogios de índole desportiva (bem merecidos, diga-se) mas não ficaram por aí os encómios. Não, além da proeza desportiva e do mérito do treinador Jaime Pacheco, promoveu-se também a ideia de que o clube do Bessa era gerido de forma brilhante. Lembro-me bem, por exemplo, de ler o nosso correligionário Miguel Sousa Tavares, aproveitando para mandar umas alfinetadas à SAD do F.C. Porto, a tecer rasgados louvores àquilo que considerava ser a brilhante gestão do clube por parte do Dr. João Loureiro, nomeadamente na sua política de contratações e na gestão financeira (esses elogios de MST - cuja leitura normalmente muito prezo, devo dizer - estendiam-se também ao Dr. Pimenta Machado, outro "brilhante" gestor de um clube de futebol, no seu entender).

Todos sabemos o que aconteceu entretanto ao Boavista e à sua famosa gestão: uma precipitada queda no abismo que o Apito Final (desculpa esfarrapada dos boavisteiros e dos revisionistas da história para esse colapso) apenas apressou.

Deparamo-nos agora com a brilhante ascenção do Sporting de Braga aos mais altos patamares do futebol português e aos palcos da Liga dos Campeões, uma ascenção digna de aplauso, sem dúvida nenhuma. Pois concomitantemente está a assistir-se a um processo de glorificação do presidente do clube, António Salvador, em tudo semelhante ao sucedido com João Loureiro. Chega mesmo a aventar-se a hipótese, aqui referida pelo meu colega José Correia, de ele poder vir a suceder a Pinto da Costa!

Eu não pretendo comparar a gestão de Salvador à de Loureiro, até porque nem sequer conheço as contas da SAD do Braga, mas não posso deixar de lamentar a aparente precipitação com que se faz este tipo de juízos e de promoções em Portugal. Se António Salvador serve para sucessor de Pinto da Costa por causa dos recentes êxitos do Braga, então o mesmo raciocínio poderia ter-se aplicado a Loureiro há uns anos atrás. Bem sei que, ao contrário do presidente do Braga, o "pardalito dos telhados" (Jaime Pacheco dixit) não era (que se saiba) sócio do F.C. Porto, mas eu também estou apenas a teorizar. E digam-me lá se acham que teríamos feito uma boa escolha?

Resumindo e concluindo: o Braga está de parabéns (e nesses parabéns obviamente se inclui o seu presidente), é um rival na luta pelo título (e não digo isto por ser politicamente correcto dizê-lo), mas por favor não entremos em fantasias. Ah, e já agora, que levem mais cinco logo à noite (sem maldade!;-)).

12 comentários:

Zé_Lucas disse...

Concordo consigo, principalmente com o que escreve nos dois últimos parágafos.
Cumps

José Correia disse...

Há várias diferenças entre o Boavista de João Loureiro (JL) e este Braga de António Salvador (AS).
Conforme se constatou, o Boavista de JL era um balão de oxigénio, que estourou após a construção do estádio e "morreu" após o Apito Dourado.
O Braga de AS tem tido um crescimento sustentado, conforme se constata pelo aumento de sócios, média de assistências e receitas operacionais (excluindo venda de jogadores).

José Correia disse...

António Salvador nunca teve o pai na Liga de Clubes (vocês sabem do que eu estou a falar...) e, numa cidade/região tradicionalmente encarnada, nos últimos jogos entre o Braga e o slb disputados no estádio Axa, já se via e ouvia mais bracarenses do que benfiquistas.

Também não me lembro de ver adeptos boavisteiros a encherem estádios por esse país fora, conforme vi adeptos do Braga fazerem na época passada. Bem sei que os bilhetes foram oferecidos, mas mesmo assim denota um crescimento surpreendente da massa adepta.

José Correia disse...

Há mais duas diferenças fundamentais entre João Loureiro (JL) e António Salvador (AS).
Para além de um ser anti-FCP e outro sócio do FC Porto há 30 anos, o Boavista ascendeu ao topo do futebol português fazendo uma guerra contra o FC Porto e de braço dado com o slb na Liga de Clubes. Já o Braga chegou ao topo mantendo boas relações com o FC Porto e tendo nos seus quadros vários ex-portistas (Jorge Costa, Domingos, Fernando Couto).

Alexandre Burmester disse...

"O Braga de AS tem tido um crescimento sustentado, conforme se constata pelo aumento de sócios, média de assistências e receitas operacionais (excluindo venda de jogadores)."

Nos seus anos de fulgor também o Boavista aumentou o número de sócios e as assistências - e consequentemente decerto que as recitas operacionais também.

Eu sei que há muitas diferenças entre Salvador e Loureiro, mas elas são irrelevantes para a minha tese, sustentada nas semelhanças - que também eixtem: o sucesso desportivo do Braga não justifica a promoção da ideia de que António Salvador venha a ser presidente do FCP, pois tal como vimos com João Loureiro, nada nos garante que esse sucesso não seja efémero e as coisas até azedem.

Mas já que falamos em diferenças entre os dois, José Correia, há uma diferença fundamental: é que o Braga tem por trás de si uma câmara municipal, enquanto que o Boavista vivia (acima) dos seus meios.

Pedro Azevedo disse...

Concordo em absoluto com o Alexandre.

E há muita gente que não conhece o Salvador. Uma rica peça.

Quanto à saúde financeira do Braga, agora estão na fase do deslumbramento, mas bastava terem visitado o ano passado e dois anos a foruns bracarenses para verem que havia quem questiona-se muita coisa na gestão bracarense.

José Correia disse...

Ajudas das câmaras municipais também os três grandes tiveram (com destaque para o slb), já para não falar nos apoios que os clubes da Madeira recebem do Governo Regional.
Não me parece que isso possa servir para diminuir o mérito na transformação e crescimento operado no Braga nos últimos sete anos.

José Correia disse...

Não sou auditor, nem nunca consultei os relatórios e contas do Braga. Contudo, por aquilo que tem vindo a público, tem havido uma gestão cuidada das contas do Braga, ao ponto da época passada o orçamento ter baixado 3 milhões de euros (de 14 milhões gastos em 2008/09, com Jorge Jesus, para apenas 11 milhões no ano passado).

Por outro lado, apesar de já ter garantido 10 milhões de euros da Liga dos Campeões, não parece que esta época o Braga tenha entrado em loucuras. Também neste aspecto António Salvador marca a diferença em relação a João Loureiro.

reine margot disse...

O Loureiro ao menos sabia cantar!

Abrenuncio, só a ideia de um ou outro até agonia:

nem Loureiro, nem Salvador, nem outro que tal, independencia nacional!!!

David disse...

Especialista em trabalhos de alvenaria por especialista em trabalhos de alvenaria, então eu recomendo outro para suceder a PdC: trouxe um pequeno clube ribatejano à 1ª divisão, e já levou o clube a que actualmente preside a dois títulos de campeão. Uma grande gestão! Também é sócio do FCP e dá pelo nome de Vieira. As receitas do seu clube também têm crescido "sustentadamente", fez dele o clube do mundo com mais sócios segundo o insuspetio Guinness Book of Records e tornou-se um verdadeiro herói das suas gentes. Há que apostar nele!

rbn disse...

Nos próximos 5 anos é que veremos se Salvador é rica peça ou o sucessor de PdC.

Já leva 7 anos a fazer muito com o pouco que dispõe, já ganhou a Intertoto, que queiram ou não, é uma taça da Uefa e, pelo que sei, não injetou dinheiro no clube, ao contrário de Pimenta Machado ou os Loureiros.

O que sei é que escolhe bem os misters, a começar por Juju, passando pelos Jorges Costa e Jesus e culminando com um Domingos firme e forte no discurso, na ambição e na atitude.

Salvador acabou com as invasões ben7as em Braga, que assim como em Guimarães, a claque rosinha galinácea já não "joga em casa" e já não há aquela subserviência de até os 90's.

Sinceramente, este Braga de Salvador faz lembrar o Twente e o Alkmar holandeses, que tem se intrometido no meio dos 3 grandes, tendo o AZ já se sagrado campeão nacional.

E com este "palmarés" de Salvador nos últimos 7 anos, é óbvio que PdC já deve refletir há muito no herdeiro do trono, planeando uma maneira de encaixar o "intruso" na estrutura.

FernandoB disse...

Conheço as pessoas em causa...

Não comparem Salvador com o Joãosinho dos BAN...

quanto a ser o nosso futuro, não se põe nos próximos 3 ou 4 anos... Logo se vê...