sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Herdeiro de Robson

Por Miguel Lourenço Pereira


Quando foi apresentado, André Villas-Boas fez questão de reforçar que não era um “clone” de José Mourinho. Recuou no tempo e reclamou a sua sentida afinidade com Bobby Robson, por ter “ascendência inglesa, nariz grande e gostar de vinho”. Dois meses depois do arranque da época Villas-Boas continua a parecer-se mais ao treinador britânico. Até no relvado.

É só uma curiosidade repleta de ironia mas foi precisamente na Madeira que o discípulo igualou o mestre. Villas-Boas confirmou a sua quinta vitória consecutiva no arranque da Liga Sagres, emulando o feito do técnico inglês em 1994/1995. Precisamente o arranque que começou a definir o Pentacampeonato. E se o português está a só dois triunfos de igualar o recorde de Jesualdo Ferreira, as diferenças com o seu antecessor começam a ser mais do que evidentes. E as similaridades com o passado, uma realidade.

Villas-Boas entrou no mundo do futebol pela mão do ex-seleccionador inglês. Vizinho de Robson, um dia o jovem interpelou-o sobre a suplência de Domingos Paciência. Um encontro para a posteridade. De analista de Robson, o jovem técnico passou a ser uma presença regular nas Antas. Forjou-se a amizade com José Mourinho, então também um jovem flamante aprendiz, que permitiu a Villas-Boas regressar pela porta grande ao clube dos seus sonhos. Enquanto Robson, também ele, voltava tranquilamente a casa. Se o aspecto pessoal da relação entre ambos passou à esfera privada, os ensinamentos tácticos do técnico inglês mais bem sucedido no estrangeiro são visíveis no modelo de jogo aplicado por AVB.

Robson, que antes de chegar ao FC Porto tinha sido já bicampeão holandês com o PSV (de um tal Romário) e o mais bem sucedido seleccionador inglês pós-Ramsey, teve, tal como José Mourinho, um laboratório de meio ano para preparar a sua equipa. O seu despedimento abrupto em Alvalade abriu-lhe as portas das Antas e no final da época 1993/1994 montou uma verdadeira máquina de ataque, bem oleada, que garantiu uma recuperação histórica, suplantando no final do ano o flamante Sporting. Durante esses meses (como Mourinho) o técnico aprendeu a conhecer o plantel e a cultura desportiva do FC Porto. Ambos encaixavam como uma luva. O seu 4-4-2, com Kostadinov e Domingos primeiro e logo com Drulovic e Edmilson, funcionava como um relógio nas rápidas transições ofensivas, um conceito que AVB tanto aprecia, apesar de apostar preferir o 4-3-3 ao 4-4-2, então a táctica de voga no futebol europeu.

Tal como o inglês, também Villas-Boas parece gostar de apostar em jogadores capazes de imprimir dinâmica a um meio-campo equilibrado. Emerson ressuscitou em Fernando, fulcral no sentido posicional este ano, enquanto que Paulinho Santos e Semedo imprimem o trabalho que hoje cabe a Moutinho e Belluschi realizar. Ao contrário de muitos técnicos britânicos, a defesa era pedra essencial na estratégia de Robson. Com Vítor Baía na máxima forma acompanhado por um quarteto composto por João Pinto, Jorge Costa (no lugar de Couto), Aloísio e Rui Jorge, o trabalho do sector defensivo era peça nuclear na estratégia ofensiva dos dragões. Tal como Villas-Boas, que apesar de se encontrar com um sector mais recuado sem os nomes que tinha então o inglês e órfão de um líder da casa, se tem esforçado em demonstrar o quão fulcral é manter uma linha defensiva imaculada. O resultado, até agora, é espelho dessa aprendizagem. Uma defesa pouco batida, um ataque extremamente eficaz. A cartilha de Robson posta em prática por outro apreciador de bom vinho do Porto.


Porque nisto do futebol a subjectividade é muita, os números contam. E os números de Robson não mentem. Em 1994/1995, a época do primeiro título nacional, a máquina de ataque do FC Porto apontou 73 golos (num campeonato com 34 jornadas) e sofreu apenas 15. No ano seguinte, já com Inácio muitas vezes ao leme, a equipa superou-se na concretização (80 golos, uma média de 2,3 por jogo) e sofreu apenas 20 tentos. Números que incluem várias goleadas por 6-0 e 5-0 nas Antas, então um recinto inexpugnável, espelho de uma equipa com tracção dianteira. A única assinatura pendente do ainda curto mandato de AVB, o de concretizar as muitas ocasiões criadas. Mas com registos que para lá caminham.

Mas se nem tudo na vida são rosas, também há elementos onde Robson e Villas-Boas se distanciam. O técnico portuense é fruto de outros tempos, aprendiz atento de José Mourinho, o mestre do mediatismo desportivo, e não um gentleman à escola antiga. Sabe como lidar com as “guerras” que pautam o futebol português e é hoje a principal voz do clube.


Robson, técnico fleumático mas sempre correcto, chegou ao Porto na época áurea de Pinto da Costa como voz e rosto do clube e da região. O que não correu tão bem ao britânico, e que é um ponto em que AVB também se distancia, é nas prestações europeias do clube. Robson deixou a sua marca no historial europeu do clube com a mítica vitória por 0-5 frente ao Werder Bremen. Mas a derrota frente ao Barcelona (num jogo em que Aloísio jogou a defesa-esquerdo) abriu uma série negativa que duraria os dois anos seguintes. Primeiro eliminado pela Sampdoria na Taça das Taças por penalties (em 1994/1995) e depois ficando em terceiro na fase de Grupos da Champions League, atrás dos modestos Panatinaikhos e Nantes. Nesse aspecto, uma vez mais, o novo técnico portista tem as suas próprias ideias e prioridades. Bebeu o ADN competitivo de Mourinho, velha raposa, e sabe que no Dragão os objectivos são altos e é preciso corresponder. Misturar o melhor de dois dos mais influentes técnicos na história do clube, é uma missão difícil mas não impossível. AVB, companheiro de batalha de ambos, é o homem certo para fazê-lo.

Muito mudou desde as tardes em que Robson era brindado com os aplausos de um público que sempre engraçou com o técnico. Mas à parte do copo de vinho, do nariz grande e dessa ascendência britânica que tanto o orgulho, André Villas Boas sabe também que tem todas as condições para emular e quiçá superar os méritos do seu velho mentor e amigo. A história e o tempo estão do seu lado. O Dragão espera, relembrando nostalgicamente esses dias inesquecíveis.


Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Miguel Lourenço Pereira a elaboração deste artigo.

21 comentários:

Zero disse...

Não estou nada de acordo com a crítica implícita às prestações europeias do FC Porto de Robson. Há aqui um erro comum quando se procura fazer História, que é o de aplicar os padrões de hoje ao contexto passado.
Quando Robson chegou, o FC Porto tinha acabado de ser eliminado da LC pelo... IFK Göteborg (e o inatingível AC Milan). Na primeira época de Robson, perdemos em Barcelona, e era tão-somente a meia-final da LC... quantas outras meias-finais atingimos? Para não dizer que, se Jaime Magalhães tivesse marcado um golo fácil contra o Milan nos últimos minutos da fase de grupos, teríamos defrontado o Mónaco nas Antas em vez de ir a Barcelona...
Depois perdemos contra a Sampdoria nos penaltis dos quartos-de-final da TVT. A Sampdoria, nesses tempos (dois anos antes), tinha ido à final da LC, e era uma das mais fortes equipas da Europa. Ainda assim, a exibição em Génova foi das melhores que vi o FCP fazer na Europa.
Na época 1995/1996, Robson foi operado e estava ausente na LC, Inácio orientou a equipa. Ainda assim, convém não esquecer que o Nantes era na altura o campeão francês e o Panathinaikos, mesmo sem ser um nome sonante, tinha nessa altura uma equipa muito forte: ganhou o grupo com 5 vitórias e um empate e chegou às meias-finais (e o Nantes também!).
Finalmente, mas não menos importante, o FC Porto era então diferente. Nomeadamente a nível financeiro; as nossas equipas eram feitas com tostões, mesmo a nível nacional estávamos longe dos orçamentos de Benfica e Sporting, quanto mais a nível europeu.

flama draculae disse...

Gostei muito deste post. Muito pertinente. E muito bem complementado pelo comentário do ZERO.

Miguel Pereira disse...

Zero,

As criticas às campanhas europeias de Robson não seriam nunca diferentes das que podiamos fazer a Carlos Alberto Silva, António Oliveira ou até de Fernando Santos. Trataram-se de técnico que dominaram tranquilamente o campeonato interno mas que nunca souberam extrapolar para a Europa o bom futebol e, acima de tudo, a eficácia, que demonstravam intra-muros.

No caso particular de Robson que é até venceu uma Taça UEFA e uma Taças das Taças (Ipswich e Barcelona) e tinha um pedigree europeu assinalável, se a goleada contra o Werder Bremen foi histórica e se em Genova, efectivamente, não jogamos mal, nunca tivemos aquele efeito punch necessário. E o plantel era bastante bom, superior se formos analisar, do que o Alborg (vencemos um jogo, empatamos outro), Nantes e Panatinaikhos. Foi o grupo dos empates, a prova de que esse plus competitivo nunca o tivemos durante os anos 90.

Mas não é por isso que o Robson deixa de ser um grandíssimo treinador.

um abraço

Aurelio Estorninho disse...

eu acho q o robson nunca treinou o romario no psv...

Ana Martins disse...

Muito poder-se-ia dizer sobre Robson e o seu reinado nas Antas.

Mas, confesso: quando penso nas boas equipas de Robson,penso sobretudo em:

.killer instinct;
.estratégia de marcar nos primeiros 15 minutos de cada partida, com jogadas pré-definidas quando saíamos com a bola no início da 1ª parte;
.de jogos em q a equipa jogou tão mal tão mal que Robson, quando deu por acabada a partida, pôs titulares + suplentes a fazer exercícios físicos logo após o fim do jogo (com o Tribunal em cima).

Mas tb me lembro da teimosia de quem punha sempre os mesmos a jogar e o mesmo esquema (a seu favor, não havia mão de obra com a mesma qualidade como há hoje).

E lembro-me, sbtd, da forma infame e ingrata como saiu, colocando inclusivamente 1 processo em Tribunal ao FCP exigindo salários que lhe eram devidos. Honra feita a José Mourinho q, nessa altura, disse q seria incapaz de seguir o exemplo do chefe por tudo aquilo que o clube lhe proporcionou (no fundo, foi buscá-los ao desemprego).

Dirão: Mourinho n foi menos infame na forma como saiu de técnico principal. De acordo. Mas nunca colocou o clube em Tribunal, e Robson fê-lo. Esse mesmo Robson a quem PC, perante o seu 1º problema oncológico, deixou tranquilo quando sabíamos q íamos ficar sem treinador principal durante 4/5 meses. Mas n contente com ir para Barcelona ganhar o dele (inteiramente legítimo), ainda pôs o clube em Tribunal.

Cumps

Diogo disse...

AVB aprecia o conceito de transições rápidas?

O meu amigo que não me leve a mal, mas o que andou a fazer enquanto o FC Porto disputava os seus últimos 9 jogos?

Paulinho Santos e Semedo = João Moutinho e Belluschi? Ok...

Next...

Portuense Verdadeiro disse...

Aconselho todos a lerem a bibliografia do Robson...

"Farewell But Not Goodbye - My Autobiography Revised"

Grande treinador, sem dúvida...Mas acima de tudo um DESPORTISTA e um HOMEM com D e H maiscúlos...

Um dos meus ídolos de sempre!

abraço

http://saboraporto.blogspot.com

nobigdeal disse...

Ana, se a memória não me atraiçoa tratar-se-ia de prémios de jogo, perfomance desportiva ou qualquer coisa parecida...

o que não invalida (pelo contrário) tudo o que escreveu.

cumps.

Miguel Pereira disse...

Aurelio,

Não só treinou o Romário como teve vários problemas com ele durante os dois anos em que foi campeão em Eindhoven. O "Baixinho" tinha sido contratado pelo Hiddink e nunca gostou da disciplina britânica, saindo em 1993 para o Barça quando o Robson saiu também, para o Sporting.

Ana,

Totalmente de acordo, a forma de sair do Bobby Robson não se coadunou em nada com os seus dois anos e meio no clube. Lembro-me perfeitamente tanto das goleadas por 5 ou 6 em que, no banco, Robson desesperava quando Kostadinov, Drulovic ou Domingos baixavam o ritmo em vez de procurar mais e mais. E lembro-me das broncas monumentais e das caras largas do jogadores no fim do jogo a correr à volta do relvado com os adeptos a ver.

Foi um técnico que pessoalmente me marcou e que deu esse killer instinct a uma equipa que estava muito macia. Uma herança que se prolongou durante todo o Penta.

Diogo,

Depende do conceito que tem sobre transições rápidas. O 4-3-3 do AVB não acenta numa defesa baixa com lançamentos rápidos à Jesualdo, mas não é por isso que o jogo entre os laterais e os extremos, com o trio do meio na distribuição, muitas vezes lateral, deixa de consistir numa rápida transição defesa-ataque.

Quanto à comparativa dos jogadores, não falo naturalmente do valor de cada um mas sim de funções desempenhadas no terreno de jogo. Pensei que tinha ficado implicito.

um abraço

Hugo disse...

Artigo excelente! Nada a apontar.

Hugo

Daniel Gonçalves disse...

Relativamente às prestações europeias de Robson, considero que ele nem sempre esteve mal, claro que sempre ficou a ideia que podiamos ter feito melhor, mas contra a Sampdória, na altura com Lombardo, Mancini, Viali e outros dos melhores jogadores italianos, fizemos uma excelente exibição em Itália, e cá falhamos golos antes de sofrermos um do Mancini, e depois foi o velho catenacio dos italianos para levaram a eliminatória para os penaltyes. No ano seguinte, o Nantes e o Panathinaikos eram equipas fortes, e só correu mal o nosso percurso porque, logo de início, perdermos injustamente nas Antas contra os gregos, e como foi dito "Nomeadamente a nível financeiro; as nossas equipas eram feitas com tostões .... quanto mais a nível europeu." nesse ano fomos buscar o Lipcei e o Mielcarsky, para substituir o Kulkov e o Yuran, mas para enfrentar equipas na Champions era insuficiente, como se comprovou.
Quanto ao papel que Semedo e P. Santos faziam com Robson, aceito uma certa comparação com o que fazem actualmente Moutinho e Belluschi, embora P. Santos chegasse a fazer o papel de André (em pré-reforma), o de recuperador de bola e transportador antes da chegada de Emerson, assim como de lateral esquerdo na ausência do lesionado Rui Jorge, em Barcelona na meia final foi necessário "inventar" o Aloísio a lateral porque o R. Jorge estava ausente e era necessário o P. Santos no meio campo. Também convêm não esquecer que Semedo estava em fase descendente na carreira (daí Kulkov e depois Lipcei)

Daniel Gonçalves disse...

Não esquecer que goleamos o Ferencvaros (6-0) na Taça das Taças, onde ficou provado a marca de futebol de ataque que Robson imprimiu no Porto. Relativamente ao que veio depois, António Oliveira e Fernando Santos, sempre preferi Robson pelo estilo de futebol que jogavamos. Oliveira safou-se porque chegou Jardel, senão não sei o que teria dado, e depois não esqueço as asneiras tácticas (ex: Manchester) que cometeu. Independentemente da atitude de Robson para com o nosso clube depois de sair para o Barça, é o meu treinador da década de 90.
Concordo com o Miguel Pereira quando afirma "As criticas às campanhas europeias de Robson não seriam nunca diferentes das que podiamos fazer a Carlos Alberto Silva, António Oliveira ou até de Fernando Santos."

Zero disse...

Essa do Paulinho Santos e Semedo (que até pouco jogaram juntos) ser igual a João Moutinho e Semedo também me fez sorrir :^)

@Miguel Pereira: dado que não o tomaste em consideração, repito o que escrevi (que foi Inácio a orientar a equipa na fase de grupos da LC com Nantes e Panathinaikos, grandes equipas que chegaram às meias-finais desse ano) para afirmar que extrair essa época europeia menos conseguida num universo de três épocas com Robson, em que numa delas até chegámos às meias-finais da LC (quantas vezes aconteceu?), para forçar uma conclusão que as prestações europeias de Robson foram más, ao nível de CAS ou Oliveira, não é honesto nem cola.
Mesmo sem sequer reargumentar com a diferença (abismal) de matéria-prima de que dispunha Robson ou Fernando Santos, por exemplo, as duas épocas europeias efectivamente dirigidas por Robson só são suplantadas em média por Mourinho, obviamente, e Jesualdo, talvez. Mas a que preço.

Miguel Pereira disse...

Daniel,

Concordo plenamente que do trio de técnicos do Penta o Robson era o mais completo porque como bem dizes o Oliveira (e o FS) viveram muito do 4-3-3 com a cabeça do Jardel e a velocidade do Artur e Drulovic primeiro, e do Capucho e Drulovic à posteriori (com a ajuda do Zahovic).

Quanto ao Paulinho, ele era claramente o bombeiro da altura. E essa "invençao" obrigada do Aloisio custou-nos essa meia-final mas talvez com a profundidade de plantel que há hoje teria sido evitada. Mas, repito, o grande problema do FCP de Robson no seu 2nd ano de Champions foi nao só a sua ausencia mas os sucessivos empates. Por um ponto ficamos de fora e as coisas podiam ter sido diferentes. Com o Oliveira ganhamos o grupo para depois levar aquele correctivo em Old Trafford.

um abraço

Miguel Pereira disse...

Zero,

O chegar à meia-final da CL é enganador porque bastava superar a fase de grupos a 4 equipas, nada mais. Um feito que o Oliveira e o F. Santos superaram a posteriori. E tens razao no papel do Inacio nesses jogos europeus, mas mesmo assim acho que se podia ter feito mais, é uma opiniao particular minha.

Quanto à diferença de matéria-prima, nao a consideraria abismal porque, como bem dizes, eram realidades distintas. A equipa de Robson de 1993-1994 com F. Couto, Domingos e Kostadinov era de primeiro nivel e a do ano seguinte, com Yuran, Kulkov e Drulovic também. Podia nao haver tanta profundidade de banco, é certo. Mas eram óptimas equipas a meu ver.

Um abraço

joao abel calais disse...

Caríssimos
Gostei imenso do post( e dos comentários que o completam,digamos assim)...Recordar as grandes equipas treinadas por esse SENHOR, Bobby Robson, é sempre um prazer enorme.O Domingos,o Kosta,o Baia,o Aloísio, o Paulinho (que raça,carago!),o Drulo e o Jardel ...Que belos domingos,me(nos) proporcionaram!...Que um novo Penta,comece a perfilar-se este ANO!já que mais não seja, em Honra desses heróis...
Saudações portistas
João Carreira

Alexandre Burmester disse...

Ana Martins dosse: "Dirão: Mourinho n foi menos infame na forma como saiu de técnico principal. De acordo. Mas nunca colocou o clube em Tribunal, e Robson fê-lo."

Quem o podia ter posto em tribunal era o Porto, quando ele, anos mais tarde, fez aquele cozinhado às escondidas para ir para o Chelsea.

O Mourinho é um calculista, e uma das razões por que não terá posto o clube em tribunal quando foi para Barcelona pode muito bem ter sido para que se não lhe fechase uma porta no futuro. Vindo dali não esperem sentimento.

E já agora: devíamos ou não devíamos dinheiro a Robson e Mourinho? Pois...

Daniel Gonçalves disse...

Zero: um pormenor apenas, a chegada à meia final da Liga dos Campeões com o Barcelona, foi com mérito e labor mas não exageremos tal feito. Nessa época ainda só jogavam na Liga os campeões dos países e não os 2º e 3º lugares, tivemos de ultrapassar o Feynord, campeão da Holanda, ainda com o Ivic, para entrarmos na fase de grupos, onde encontramos o Anderlecht, o Werder Bremen e o Milan, passavam às meias finais (não havia quartos de final) o 1 e 2º de cada grupo, na meia final só havia uma mão entre o 1º de um grupo e 2º de outro, sempre em casa do 1º do grupo, daí só jogarmos com o Barça um jogo.
Recordo que em 1999/2000 com o Fernando Santos, tivemos de passar 2 grupos( nesta época já com 2º e 3º classificados de cada país) na 1º fase com o Real, ficamos em 2º lugar, na 2º fase em 2º lugar com o Barça em 1º, depois nos quartos defrontamos o Bayern Munique onde fomos eliminados. Portanto comparando esta época (2000) onde chegamos aos quartos, com a meia final em 1994 com o Barça temos de reconheçer que o nível de dificuldade da Champions foi, ligeiramente, superior em 2000.

José Correia disse...

O FC Porto de Robson foi muito forte a nível interno, mas em termos das competições europeias faltou qualquer coisa (jogadores e não só) para poder brilhar.

Ana Martins disse...

Caro Alexandre,
desculpe só agora responder à sua pergunta.

Sim: o clube devia dinheiro (por prémios de jogo, como relembrou e muito bem o No Big Deal). Desta forma, estava legalmente legitimada a ida a Tribunal. Como certamente compreende, n é isso q está em causa.

A dimensão é da ordem do ético, da moral e, se quiser, da gratidão. E sim, Mourinho fê-lo com calculismo - mas fê-lo com o reconhecimento do q o clube fez por ele. Quanto a Robson, passou 1 esponja pelos meses q o FCP ficou sem ele (e deve ter recebido ordenado por inteiro) quando a solução mais pragmática era despedi-lo (diz q até há aí 1 processo em q a ausência por mais de x jogos foi considerado motivo por justa causa!...). Mais uma vez, a questão não é jurídica, é moral.

Saiu-lhe a lotaria ao ir para Barcelona e, pela sua conduta, parece ter esquecido o clube q o foi buscar ao desemprego e deu-lhe uma estrutura para poder trabalhar.
Mais a mais: se me saíssem 10 milhões de euros, eu n me ia preocupar em ir buscar meio milhão a gente q me tratou bem...

cumps

Alexandre Burmester disse...

Cara Ana,

Claro que sim, é uma questão de ordem ética, como é evidente. Especialmente tendo em conta o tal período de doença em que ele esteve afastado do clube. Mas pagar a tempo e horas também é uma questão de ordem ética, acho eu, mas admito que seja coisa de que um inglês faça mais ponto de honra do que um português. José Maria Pedroto também colocou o FCP em tribunal quando foi demitido em 1969. E esse até era portista. E Nascimento Cordeiro, ex-presidente do clube, fizera o mesmo em meados dessa década. É uma coisa a que se está sujeito quando não se cumpre com as obrigações a tempo e horas.

O "desemprego" do Robson era sempre uma questão relativa. Se não fosse por cá, noutro lado qualquer ele rapidamente arranjava clube. Digamos que nós estávamos se calhar tão necessitados de um homem como ele, como ele de um clube como o nosso.

Cumprimentos