sábado, 16 de outubro de 2010

Falemos de futebol

Apesar do prometedor início de época, convém reflectirmos um pouco sobre os pontos menos bons de molde a minorarmos possíveis amarguras futuras. Qualquer equipa, seja ela qual for, tem sempre margem para melhorar, mesmo quando muita coisa parece já bem feita.

Começando pela baliza, mesmo mal batido aqui e ali (e o mais evidente terá sido o primeiro golo do Braga no Dragão), Hélton continua a ser digno da confiança da esmagadora maioria dos adeptos. Não será por aqui que não reconquistaremos o título. Porém, é mesmo verdade que ter um guarda-redes como capitão de equipa pode trazer os seus riscos, nomeadamente quando este necessita de se afastar vários metros da sua baliza para dialogar com os árbitros. Cuidado com este aspecto.

A defesa é o sector em que mais interrogações se levantam. Ainda com um genuíno sentimento de orfandade em relação a Bruno Alves, convém não nos deixarmos enganar pelo (ainda) escasso número de golos consentidos. As falhas foram já bem visíveis em diversas partidas, esperando apenas por confrontos com adversários mais complicados para eventualmente se traduzirem em pontos desperdiçados.
Maicon está ainda uns furos abaixo de Rolando, sendo que mesmo este último continua longe de dar garantias plenas para poder ser considerado um indispensável naquela defesa.

Muitas esperanças estão depositadas em Otamendi mas ainda é demasiado cedo para uma verdadeira avaliação deste. Deverá, ainda assim, ser atribuída a titularidade ao argentino? Desta vez, e por excepção, seria mesmo necessário observar os treinos para poder dar uma resposta minimamente honesta, tal o pouco tempo de jogo do atleta com as nossas cores. Confiemos pois em Villas-Boas, que já acumulou crédito suficiente para que acreditemos que fará mesmo alinhar a melhor dupla disponível, sem olhar a nomes.

E agora, o tema da moda: Fucile ou Sapunaru?
Apetecia responder que, neste momento, nem um nem outro... mas o mercado só reabre em Janeiro.
Fucile é um jogador de garra e esforço, o que é louvável e raro. Obviamente que nunca foi, nem será, um fora-de-série e tem ainda o handicap da altura mas era alguém que dava gosto ver pela forma com se entregava ao jogo, mesmo com alguns erros aqui e acolá. Temo é que o sucesso do Mundial e a perspectiva de uma eventual transferência milionária lhe tenha feito mal. A rever.
Já Sapunaru continua o que sempre foi: um atleta cujas mais-valias não são suficientes para ser titular numa equipa tão ambiciosa como a nossa.

Chegados ao meio-campo, é evidente que a troca de Meireles por Moutinho nos foi benéfica. Finalmente a bola rola mais no nosso pé do que no do adversário. Porém, daí até consagrarmos o antigo capitão de Alvalade como um grandíssimo jogador, ainda vai uma certa distância. É um jogador útil e regular, porém deve melhorar no aspecto do remate, arriscando mais, e também no do último-passe que tem sido, ainda, coisa rara. Titular sim, mas não por uma qualquer obrigatoriedade apenas por ter vindo de um rival lisboeta.

Chegamos assim, à maior questão de momento: Belluschi ou Micael?


Todos nós desejamos muito que o argentino engrene definitivamente de uma vez por todas, e o seu início de época parecia promissor nesse campo. Contudo, com o avolumar das partidas, voltamos a ter o "velho" Belluschi: boa visão de jogo mas demasiado tempo alheado da partida. Será apenas feitio ou pura incapacidade daquele físico de render mais? Como está, infelizmente não chega. Convém também que deixe de acertar tantas vezes na trave. Há que exercitar o remate mais e mais. A qualidade está lá, requer é mais trabalho.

Micael: mesmo que a qualidade do passe não esteja ainda calibrada, após uma ausência demasiado longa, trata-se de um jogador em que vale a pena continuar a apostar. Nomeadamente porque, em termos de golos e assistências, ainda acaba por ser o nosso médio de maior rendimento.

Por último, o ataque: Varela parece oscilar demasiado entre o muito bom e noites em que pouca coisa resulta. Necessita de um rendimento mais homogéneo para que se confirme definitivamente com um bom jogador.


Já o sub-rendimento de Cristian Rodriguez, seu mais óbvio substituto, parece ser algo mais complexo do que apenas uma debilidade física que origina lesões em série. O seu elevado vencimento e as grandes expectativas que sempre origina, exigem que este seja o ano em que faça definitivamente a diferença.

2 comentários:

João Saraiva disse...

E faltou a questão do ponta de lança.

Se a titularidade parece bem entregue, ainda falta ver se temos uma verdadeira alternativa e/ou complemento, para os casos de aperto, para lesões ou abaixamentos de forma do Falcao.

FernandoB disse...

Quetões soltas:
GR - não é fantastico, mas vai cumprido. Mal batido ? sim, mas... vejam hoje o Van Der Saar, como é batido no 2-2, e lá se foram 2 pontos.
DEFESA - Fucille, tem de ser acompanhado sobretudo psicologicamente. Maicon é na minha perspectiva superior a Rolando, agora, e no futuro, sem comparação possivel...Tem 22 anos, alguém se lembra do Bruno A. com 22anos ?
MEDIOS - AVB, é só trabalhar !!!
Ponta de lança - Falcão é fantastico, precisa de confiança, e sobretudo não marcar penaltis... Se falha entra numa crise de confiança, fica em branco uma serie de jogos..é dos livros, PL não marca penaltis...
Quanto ao resto, afirmo-o hoje e aqui ! Não há desculpa para não recuperar o Titulo... É só evitar aquelas 2ª partes que fizemos, à lá Jesualdo, com futebol tipo prisão de ventre...