domingo, 3 de outubro de 2010

Mais transparência nas transferências?


Entrou dia 1 de Outubro em vigor o Transfer Matching System da FIFA. Através deste sistema online aquele organismo pretende flexibilizar e dar mais transparência às transferências de jogadores.

Dois aspectos me chamaram principalmente à atenção:

a) "For every single transfer it is mandatory for both clubs to declare that there are no ‘third party’ influences on this transfer."

Uma interpretação literal desta frase diz-nos que doravante não será permitida a posse conjunta de passes de jogadores (o que não é uma total novidade, pois pelo menos em Inglaterra tal posse não é permitida). Embora a palavra "influence" não seja sinónimo de "propriedade", não vejo que outro aspecto pretenda a FIFA salvaguardar com isto. Também é possível, tratando-se de quem se trata, que a ambiguidade da frase seja propositada.

b)"(...) such as information on the player, club details, all payments including the amount, timing and bank details, as well as agents involved and the payments to them."

Esta parte resolveria de uma vez por todas as dúvidas que muitas vezes surgem acerca dos valores das transferências e das comissões pagas aos agentes. E uso o condicional porque não estou certo que a informação seja de livre acesso, embora o termo "online" o possa dar a entender.

Outra dúvida que tenho é se isto se aplicará apenas a transferências internacionais, e quer-me parecer que sim, pois nas transferências domésticas não há lugar à emissão de certificados internacionais, a qual passa a ficar dependente do cumprimento destas normas.

Enfim, já é um princípio. Mas estas coisas só funcionam se a sanção por incumprimento for pesada.

1 comentário:

Marreta Vizcaya disse...

Alexandre Burmester disse: "(...) Embora a palavra "influence" não seja sinónimo de "propriedade", não vejo que outro aspecto pretenda a FIFA salvaguardar com isto. Também é possível, tratando-se de quem se trata, que a ambiguidade da frase seja propositada. (...)"

Nem mais caro Alexandre. Assim lavam as mãos e deixam as coisas rolar, até porque apenas nos países da Europa do Norte é que a partilha da propriedade dos direitos desportivos e/ou económicos dos jogadores não acontece com regularidade.

Tanto em Portugal, Espanha, Itália, como na esmagadora maioria dos países Sul-Americanos a partilha dos direitos dos jogadores é algo tão "commonplace" que não vejo como seja possível inverter a situação.

O que este novo esquema vai filtrar, e bem na minha modesta opinião, são as trafulhices com as idades dos jogadores e a exploração dos jogadores que vem de meios desfavorecidos e estão mais vulneráveis aos costumeiros abutres que deles se aproveitam.