quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Fernando, outro insubstituível?

Por Filipe Sousa

O último jogo com o Besiktas, trouxe de volta uma visão do passado, e uma visão que não trouxe boas recordações. Terá causado alguma estranheza, perante um registo de decisões praticamente inatacável, que André Villas-Boas (AVB) tenha optado por substituir o lesionado Fernando - deixo aqui os meus parabéns ao sr. Duarte Gomes; no jogo de Coimbra, o Porto conquistou os 3 pontos mas com custos; para o sr. Duarte Gomes foi um jogo que só deu "lucro" - por Guarín. Essa opção, várias vezes defendida por Jesualdo Ferreira, sempre resultou em fracasso, para o jogador e para a equipa. E frente no jogo frente ao Besiktas, não muito foi diferente. Não vou tecer grandes considerações sobre a qualidade do jogador, mas julgo que é óbvio para a maioria dos Portistas, que naquela posição, não deve jogar. Nesta experiência mais recente, foi nítido que o meio-campo não funcionou como devia - também por mérito do adversário, reconheça-se - e embora não se esperassem milagres, os resultados ficaram abaixo do razoável. Durante a primeira parte, numa das fases mais intensas do jogo, não foram poucas as vezes que tanto Rolando como Otamendi, fizeram cortes in extremis e se viram "sozinhos", situações que raramente têm lugar quando o Fernando ocupa o seu lugar.

Esta preponderância de Fernando nas equipas do Porto, já vem de longe, tendo o jogador ocupado lugares de destaque (dentro do destaque que um jogador naquela posição habitualmente tem) tanto na equipa de AVB como nas de Jesualdo, sendo um dos principais responsáveis pelo baixo registo de golos que o Porto tem sofrido ao longo das últimas épocas. Porém, e à semelhança do que acontecera quando o Paulo Assunção desertou para Madrid, não há hoje uma alternativa (a qualquer prazo) válida para o titular daquela posição. Na altura, Fernando assumiu o lugar mas não sem uma boa dose de risco, dada sua idade e relativa inexperiência. Hoje, já como titular indiscutível, e embora o Porto possua um plantel com várias soluções para o meio-campo, é notório que não há alternativa ao "Polvo" Fernando.

Com que pode AVB então contar no curto-prazo? Já várias vezes ficou demonstrado que o Guarín não deve ocupar aquela posição, pelo que será uma carta fora do baralho, apesar de ter tido uma actuação bastante meritória na "goleada da década". Mas uma exibição meritória, naquela posição, não apaga um historial considerável de exibições fracas. Belluschi e Rúben, pelas suas características, por aquilo que oferecem à equipa em soluções ofensivas, também não serão à primeira vista soluções; sobram assim Souza, Moutinho e Castro. O primeiro, como o próprio AVB já afirmou, ainda não reunirá as condições necessárias fruto da sua reduzida experiência no futebol europeu, mas será a meu ver, pela fisionomia e estilo de jogo a opção mais indicada para jogos de menor risco, e quiçá, no futuro o substituto definitivo. Do Castro, não conheço o suficiente para dizer se reúne a experiência e demais requisitos, mas pela sua raça será sempre uma opção a ter em conta. Sobra assim Moutinho, que julgo terá já alguma experiência na posição, e que para além de ser táctica e tecnicamente um jogador acima da média, é um jogador extremamente inteligente. Terá contra si, tal como o Castro, o facto de ser algo franzino e pouco resistente ao choque, ao contrário do que a posição exige, e a sua deslocação para aquela zona do campo, poderá também prejudicar a equipa na medida em que fará falta na sua posição natural. As soluções do tipo "Pepe", não me agradam minimamente, embora possam ser consideradas em casos extremos. Num cenário desses, julgo que o Rolando seria a primeira opção - na medida em que permitiria que Otamendi e Maicon formassem a (mais forte) dupla de centrais. Em todo o caso, e nesta fase da época, estas serão sempre alternativas de curto/médio prazo. Não se pode ter tudo, mas urge encontrar uma alternativa a Fernando, até porque é um jogador "transferível" e deve evitar-se o vazio que se criou aquando da saída do Paulo Assunção.

No jogo contra o Clube do Regime, e graças ao "voluntarismo" de Duarte Gomes, o Porto não pôde contar com Fernando. A sua substituição pelo Guarín, não augurava nada de bom. No entanto, a avalanche ofensiva foi tal que o Guarín, que ocupou uma posição defensiva no esquema da equipa, pouco ou nada teve de defender. Mas jogos como o de domingo, não acontecem todas as semanas, nem todos os adversários colocarão tão poucas dificuldades no futuro. Será prudente que esta goleada, não sirva também como uma espécie de reafirmação de Guarín como trinco, que já demonstrou várias vezes que o não é, e que faça crer que aquela posição, ao contrário de quase todas as outras, possui alternativas ao nível do jogador titular.


Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Filipe Sousa a elaboração deste artigo.

12 comentários:

Pedro Reis disse...

Embora entenda o essencial deste texto, parece-me que não é adequado ao presente momento.

Sou o 1º a admitir que o Guarin, nestes anos que leva no FCP, raramente me convenceu, mas a verdade é que na recta final da época passada ele cumpriu razoavelmente. No início desta época lesionou-se e agora que recuperou e foi chamado nestes 2 ultimos jogos (por lesão do Fernando), cumpriu!
Se o grau de dificuldade foi maior ou menor não é da responsabilidade dele, pelo que estar agora a questionar se ele é ou não solução, não me parece normal...
Melhor não tenho dúvida que ele é neste momento "a alternativa" ao Fernando. E o treinador AVB, que conhece melhor do que qualquer um de nós os jogadores do plantel, não teve qualquer dúvida em escolhe-lo para estes dificeis testes. E podia ter optado pelo Souza, pelo Castro ou pelo Moutinho e se não o fez, foi por alguma razão...

José Correia disse...

Ponto prévio: eu faço parte da minoria de portistas que vê utilidade em ter um jogador com as características de Guarin no plantel.

A posição 6 exige um jogador com uma cultura táctica acima da média e, nesse sentido, eu partilho da opinião que Guarin não tem as características ideais para jogar nessa posição. Nota-se que ele se esforça por cumprir mas, na minha opinião, rende muito mais num meio-campo com quatro unidades e jogando mais adiantado no terreno (isto ficou demonstrado na parte final da última época, em que Guarin foi um dos jogadores do FC Porto de melhor rendimento).

José Correia disse...

Contudo, Guarin tem vindo a evoluir de época para época e, hoje em dia, já é uma solução razoável para a posição 6, onde impõe a sua capacidade física nos duelos individuais (quantos cortes de cabeça, quantas disputas de bola ganhou Guarin no último FC Porto x slb?) e, de vez em quando, sobe no terreno para aplicar o seu forte pontapé de meia distância.
Por tudo isto, não me surpreende que, tal como Jesualdo Ferreira, também AVB aprecie as características de Guarin, já o tendo usado como alternativa a Moutinho, a Fernando e também quando entendeu reforçar o meio-campo com mais uma unidade.

Nota: Eu olho para as exibições do Guarin na perspectiva do copo meio cheio.

Jorge disse...

Discordo do post por varias razoes.
Em primeiro lugar, nao ha uma definicao rigida do que e que deve ser um seis. O Fernand e um seis ultra-defensivo que tem caracteristicas de central e joga muito perto da defesa de uma forma agressiva mais parecendo um central adiantado, um stopper, possibilitando a subida dos laterais, o Guarin e um seis que joga mais alto e esta mais preocupado em atacar as segundas bolas, cortar linhas de passe e pressionar os medios ofensivos, nao se preocupando tanto em tirar a bola ao adversario. O Guarin tambem teve uma missao mas ofensiva do que o Fernando normalmente tem, e viu-se em varias jogadas que o Guarin tem uma capacidade de passe que o Fernado nao tem. Eu diria que o Fernando e um seis com caracteristicas de stopper e o Guarin e um seis com caracteristicas de oito.
Tambem discordo das caracteristicas fisicas necessarias para desempenar o paper de 6, entre os melhores seis de que eu me lembro sao poucos aqueles que tinham altura: Makelele, Paulo Sousa, Mascherano, P. Assuncao, o que e necessario e uma boa leitura de jogo, sangue frio e agressividade q.b.

Nelson Machado disse...

Pois eu acho que Castro é sem duvida o mais acertado como escolha para substituto de Fernando e ao contrário do que diz no post não acho mesmo nada que seja pouco resistente ao choque, bem pelo contrário, é raçudo o suficiente para "deitar abaixo" um Guarin ou até mesmo um Nigel De Jong se for preciso. Não deixa de ser(relativamente) baixo mas compensa com a entrega e força de vontade os poucos centímetros que lhe falta para ser considerado alto.
E é um 6 ao gosto de V-B. Sabe defender e atacar. Quem não se lembra dos golos de belo de efeito que marcou na época passada pelo Olhanense?
Se bem que sendo um 6 ao estilo do seu treinador é de estranhar que o deixe tantas vezes de fora.

Com quem acho que nos devemos preocupar é com este.
Ainda durante o jogo de Domingo passado, mais precisamente a seguir ao ultimo golo, lembrei-me:
Só estou a ver uma equipa com capacidade de cometer uma loucura e pagar já em Janeiro a clausula de rescisão do Hulk e levá-lo.
Li ontem uma entrevista com o empresário do Hulk que diz que ele próprio(Hulk) já disse que não sai do FC Porto sem voltar a ser campeão para vingar o que lhe fizeram na época passada e por isso não está interessado em propostas até Junho, isso deixou-me mais descansado mas hoje leio isto e ponho-me a pensar que se calhar ainda lhe fazem a cabeça e ele esquece a "vingança" e deixa os petro-dólares falarem mais alto e ficamos sem mais uma "pérola".
Só espero é que ele seja campeão esta época em Portugal e para o ano(ou não) vá fazer trocas de flancos com o Cristiano Ronaldo. Como será que se consegue parar uma equipa com estes dois a jogarem juntos no ataque?

A VERDADE disse...

Se há quem conheça bem a posição de trinco,agora apelidada de 6 é o André..pois era ele que a desempenhava como jogador no MGM (Marechal Gomes da Costa),assim,deixem-no,trabalhar e aproveitar os recursos humanos postos à sua disposição.Mas,curioso era na epoca transacta,muitos aqui dizerem que olhando para o banco do Porto,o que se poderia fazer..Para mim para lá do Villas-Boas,está também uma preparação física exemplar e aí a comparação com as duas últimas epocas do Jesualdo(após ter saído o adjunto)a diferença é gritante,para melhor.

correia disse...

No meu ponto de vista o Guarin tem lugar no plantel do FCP, sempre que é chamado tenta cumprir, deixa tudo em campo, logico que o Fernando é dono do lugar mas tal como muitos jogadores que foram indiscutiveis em vários planteis do FCP se não jogarem não se nota, não é Bruno Alves não será Raul Meireles Lisandos e Luchos.

Daniel Gonçalves disse...

Espero que o Fernando já esteja recuperado e disponível para o próximo jogo, contra o Portimonense. Tem uma excelente capacidade de recuperação de bolas e de pressing, mais do que a semelhança com o Paulo Assunção considero que Fernando faz o papel que o Costinha tinha no Porto de 2003 e 2004, era o "pêndulo" (como lhe chamava o Mourinho) da equipa.
Relativamente ao Guarin, reconheço que demonstrou, no último terço da temporada passada e em jogos nesta temporada já com o AVB, ser um jogador importante para partidas que exigam mais esforço físico e joga numa posição de campo mais avançado do que o Polvo, lembro-me da excelente prestação dele o ano passado contra o Chelsea.
Creio que o Souza vai ser uma aposta de futuro, tem bom toque de bola, e faz lembrar o Marcel Desaily.

ricardompr disse...

Para ver com atenção!

http://www.youtube.com/watch?v=N_RSi3UDejI

José Rodrigues disse...

Bem, eu acho q o Fernando pode fazer bastante falta mas é num número reduzido de jogos, nomeadamente os jogos contra equipas fortes (e por acaso não fez falta contra o "recreativo", se bem q é discutível se estamos a falar de uma equipa "forte").

Isto porque na maior parte dos jogos encontramos pela frente equipas defensivas e pouco perigosas, logo jogar com um jogador q defenda menos bem mas q ajude a atacar (Souza, etc) pode resultar perfeitamente.

Quanto ao Guarin, acho q é jogador para médio de transição, não para trinco. Tiro-lhe no entanto o chapéu e a AVB porque cumpriu perfeitamente no jogo contra o "recreativo".

Em teoria o jogador q mais me agradava ver a trinco (estando Fernando indisponível) seria Castro. No entanto já aprendi q o AVB me merece todo o benefício da dúvida e portanto o q ele escolher está bem, até prova em contrário.

ze disse...

Acho que este comentário parte de uma premissa muito utilizada para descrever o jogo, que é dar demérito ao clube do regime e tirar mérito aos nossos.


Posto isto, penso que um jogador tem que jogar não 1 jogo esporadicamente naquela posição para se perceber se serve ou não, mas uns 4 ou 5 seguidos, e o guarin nunca teve essa oportunidade no FCP.

Penso que o guarin pode fazer o lugar mas de maneira diferente, e convido o autor do texto a ver alguns jogadores da colombia onde o guarin joga a 6.

Uma nota sobre os centrais vb testou em coimbra otamendi como trinco pelo que deverá ser a primeira opção nesse caso. E o castro não é franzino antes pelo contrario.

Cumprimentos.

José Correia disse...

«No dia 16 de agosto de 2008, Jesualdo Ferreira tomou a mesma decisão de André Villas-Boas num clássico. Colocou Fredy Guarín na posição de trinco. Nessa altura, frente ao Sporting, na Supertaça, o colombiano, acabadinho de chegar ao clube, teve uma exibição desastrosa, tendo mesmo sido substituído. Agora, perante o Benfica, o médio foi aplaudido de pé quando deixou o relvado. Foi uma exibição “à Fernando”. Discreta, mas plena de eficácia.

Depois de bons desempenhos com a Académica e o Besiktas, o camisola 6 afirmou-se como principal alternativa ao brasileiro, ganhando a corrida a Souza, aquele que supostamente seria a opção natural para o lugar do Polvo. Mais uma prova superada. Mas o que mudou desde o primeiro jogo?

Passaram-se mais de dois anos e Guarín foi consolidando processos que desconhecia nos clubes que já representou. Não obstante o carisma de emblemas como o Boca Juniors e o Saint-Étienne, o colombiano assumiu que o FC Porto é o melhor clube por onde passou na carreira. Com Jesualdo Ferreira e Villas-Boas, o médio evoluiu a olhos vistos e amadureceu sob o ponto de vista tático. Foram queimadas várias etapas para conquistar o coração da nação portista.»
in record.pt