terça-feira, 9 de novembro de 2010

O percurso e evolução de Hulk

Após mais uma exibição categórica, a qual motivou elogios de todos, incluindo do treinador adversário, vale a pena (re)ler a análise feita a Hulk por um treinador de futebol - João Carlos Pereira - e que foi publicada no jornal PÚBLICO de 27/10/2010.

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No jogo frente à U. Leiria, assistimos a mais uma demonstração da capacidade e dos poderes que têm associado o portista Givanildo ao lendário gigante verde da banda desenhada: o incrível Hulk! Acaba de receber o prémio de jogador do mês de Setembro, assume-se como o melhor marcador do campeonato português, e neste momento, como o elemento mais decisivo no jogo ofensivo do FC Porto.

Podia aqui enumerar os seus muitos atributos e fazer o panegírico da veia goleadora e do potencial do jogador do momento, ou fazer uma analogia com outros super-heróis do fantástico universo futebolístico, mas, ao invés, prefiro analisar o seu percurso e evolução.

Já antes havia estado em Portugal, onde ainda jovem passou despercebido pelo Vilanovense. Chegou no Verão de 2008 ao FC Porto vindo da 2ª divisão japonesa, onde já era figura no Tokio Verdy e a quantia envolvida no negócio já indiciava o seu potencial, tal como o valor da sua cláusula de rescisão o atesta também.

Os seus primeiros tempos no Porto não foram fáceis. Todos lhe reconheciam capacidades ímpares, mas tardava em entender e enquadrar-se no jogo colectivo da equipa. A enorme vontade de se mostrar à exigente massa adepta do clube jogava contra si.

Falhava no timing de soltar a bola e o seu lado egocêntrico estava a retirar eficácia às suas acções. Não parecia encontrar o espaço e o tempo suficientes para se desmarcar, de forma a receber a bola enfrentando os adversários, algo que o impedia de explorar um dos seus pontos fortes: o um contra um. Seguramente que o seu processo de evolução teve forte intervenção do prof. Jesualdo Ferreira, pois o treinador lucra com o aperfeiçoamento dos jogadores, tal como tem tido de Villas-Boas, não fosse esta uma das missões do treinador: aproveitar e potenciar os jogadores do seu plantel, dando ordem e organização colectiva aos contributos individuais dos mesmos.

Com Hulk, a equipa é vitoriosa e a interacção entre a individualidade e o colectivo foi amadurecendo. O seu nível de influência no jogo colectivo cresceu de forma gradual e a equipa ressentiu-se aquando do seu castigo de 18 jogos imposto pela Liga na época transacta. Se ele dá um forte contributo ao jogo colectivo, por outro lado, é a equipa que lhe permite brilhar, como ele próprio já afirmou.

Hulk tem sido um projecto individual dentro de um projecto colectivo, numa óptica de valorização e potenciação de activos. Tem agora um melhor entendimento e compreensão da lógica do jogo, aproveita melhor a sua capacidade de acelerar em diagonais interiores e em direcção ao golo, e não só serve a equipa, como finaliza mais o que a equipa lhe oferece. Creio que o próprio castigo lhe permitiu reflectir sobre o seu comportamento. Daí pôde tirar ensinamentos para melhor lidar com adversários agressivos e contextos mais adversos e o 4-3-3 do Porto de André Villas-Boas, onde o trio da frente é realmente formado por atacantes, faz um excelente aproveitamento das suas características.

Hulk sofreu um crescimento psico-sócio-técnico-táctico, e é neste momento, um jogador muito mais completo na totalidade da sua dimensão complexa. Tal como nos quadradinhos, onde o Dr. Bruce Banner, um cientista que ganhou super-poderes ao ser atingido por raios gama, enquanto salvava um adolescente, no FC Porto, Givanildo “Hulk” foi positivamente condicionado pelos seus treinadores, a crescer dentro de um ambiente potenciador de talentos, decisivamente influenciado pela cultura, meio e contingências. No Dragão mora o super-herói Hulk!

Nota: As fotos e os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

6 comentários:

Magalhães disse...

Como ja tinha dito na milinglist
o Hulk vai ser no fim da época a mior transferencia de sempre do nosso grande clube pena só termos 50% do passe

Telmo Magalhães

Ricardo Goucha disse...

Uma coisa eu reparei neste último jogo com o Benfica... o Hulk foi preparado ao pormenor para se evidenciar neste jogo e fugir à marcação (preparada durante a semana) que o JJ lhe ia mover.

Se repararmos bem, praí 90% dos lances individuais que o Hulk fez foram para a linha, e não para o meio onde poderia aproveitar o pé esquerdo... ou seja, conseguiu enganar a marcação dos adversários.

Com esta alteração o futebol de Hulk é cada vez mais imprevisível.

nobigdeal disse...

suponho que quem trata dessas questões não deve ter andado a dormir e que deve ter sido fixado um preço para os restantes 50% a poderem ser pagos em qualquer momento.

suponho...

José Rodrigues disse...

Não é 50%, mas sim 45%.

Ficámos a saber pelo R&C q a 30 de Junho 5% do passe do Hulk foi à vida (presumo q tenha sido vendido; porquê, é q não faço ideia pq mesmo em caso de necessidade urgente de tesouraria não ia ser 5% do Hulk q ia desenrascar grande coisa).

tasm disse...

Penso que supões mal os restantes 50% estão na posse do Rentistas (de Juan Figger)que é raposa velha e penso que não haverá nada estipulado em relação a venda desses 50%




Telmo Magalhães

Jorge Mota disse...

«Se repararmos bem, praí 90% dos lances individuais que o Hulk fez foram para a linha, e não para o meio onde poderia aproveitar o pé esquerdo... ou seja, conseguiu enganar a marcação dos adversários»

Hulk arrastava(ARRASAVA)lateral(?!) e Belluschi caia em cima.Golpe de mestre.Enquanto isto Maça Podre comia o cerebelo ao Javi Cotovelos.
Pareciam baratas tontas.Humilhante mesmo.

Em relaçao ao Hulk:

Estou incredulo.Andei a informar me e so temos mesmo 45% passe.Como e q e possivel????!!!!E agora?