quarta-feira, 16 de março de 2011

O Merchandising serve para quê, ao certo?

Como já mencionei anteriormente houve poucas surpresas no relatório e contas do 1o semestre, sendo essas pequenas surpresas positivas no desempenho dos proveitos "normais". Nesta categoria insere-se as receitas de merchandising, que subiram 400mil Euros em relação ao 1o semestre de 09/10.

No entanto os custos associados subiram mais ou menos na mesma proporção, com o resultado que a Porto Comercial continua sem contribuir com lucro para o grupo SAD (que se deseja, de forma a "financiar" o futebol). Aliás, isto não só é verdade para a Porto Comercial como para as outras empresas satélite (Porto Multimédia, Porto Estádio e Porto Seguro, sendo esta última a única que contribui com um lucro minimamente decente, em % do seu volume de negócios):


Sabendo-se que o merchandising é uma autêntica "cash cow" para os grandes clubes europeus, lamento que no caso do FCP este não contribua de todo com algum lucro de forma a termos mais dinheiro para investir no futebol (mesmo que se compreenda que em termos absolutos o nosso volume de vendas seja muito inferior). E com preços de camisolas aos 60 ou 70€ (com um preço de fabrico e transporte que é uma pequena fracção deste valor), admira-me que assim seja. Idem, em menor medida, para uma Porto Multimédia.

Tenho algumas indicações de que a "máquina" por detrás destas empresas (pequenas ou até mesmo pequeníssimas - repare-se que os proveitos de uma Porto Multimédia ou Porto Seguro são da mesma ordem de grandeza das receitas de uma única loja de vestuário num centro comercial) será muito "pesada", com um elevado número de Directores e outros funcionários, mas mesmo assim é difícil de imaginar razões para que uma Porto Comercial dê prejuízo. Acho mesmo extraordinário que o R&C passe por cima desse facto como se fosse algo perfeitamente normal: "A Porto Comercial e a Porto Multimédia tiveram um impacto negativo, ainda que de forma muito reduzida" [sic] é tudo o que têm a dizer sobre a sua performance.

Quero acreditar que isto será apenas devido a "engenharia" contabilística de forma a minimizar impostos sobre o lucro. Dito de outra forma, se calhar estas empresas até dão mesmo lucro mas haverá custos que lhe são atribuídos que pouco ou nada têm a ver com a sua actividade (nomeadamente alguns dos custos ambíguos da estrutura da empresa-mãe, que são difíceis de esmiuçar por um auditor) - mas esta "táctica" em princípio e para um semi-leigo só fará sentido se a empresa-mãe der prejuízo, o que até nem sido o caso.

De qualquer forma isso não teria qualquer impacto nas contas consolidadas de todo o grupo (quereria apenas dizer que os custos da empresa-mãe são na realidade mais altos do que parecem, com as contas consolidadas a darem uma soma "zero"; já agora, essa "creatividade" contabilística em teoria também poderia passar pela alocação de proveitos).

Para concluir: se partirmos por outro lado do princípio que não haverá qualquer "engenharia" contabilística (e não temos dados para afirmar o contrário), pergunto-me então porque diabo existem estas empresas (e a ausência de lucro não é um caso pontual: é assim desde sempre). São uma distração para os nossos administradores, e no meu simples entendimento a sua função deve ser - acima de tudo - angariar lucro para "alimentar" o futebol.

Se não há lucro, então "feche-se o tasco" e deixe-se quem assim o quiser vender artigos do FCP pagando-nos royalties sobre esses produtos (uns 15% não seria um mau começo), com o único esforço da nossa parte a centrar-se na cobrança dos dito-cujos e na fiscalização (e processos jurídicos se assim se justificar) na venda desses produtos... mas de uma ou de outra forma, acho que devia ser perfeitamente possível ter estas actividades a contribuirem com uns quantos milhões de euros por ano de lucro para aquilo que interessa no grupo, que é a pujança da equipa de futebol.

6 comentários:

Pedro Malaquias disse...

Falo sem conhecimento de causa, mas os proveitos com merchandising não serão obtidos a priori, isto é, através dos contratos que ligam os clubes às marcas, sendo que depois só cabe ao clube uma percentagem mínima das vendas dos produtos de merchandising?

Sendo esse caso, perceber-se-ia o pq dos valores diminutos dessa rubrica...

Jorge disse...

Desde 2003 e 2004 anos em que cheguei a mandar varios e-mails a direccao do clube que venho dizendo que o merchandising do Porto e uma merda e pouco evoluiu nos ultmos dez anos.
O Porto e um clube de renome internacional mas apos a vitoria na UEFA, na Champions nao so nao aproveitou esses momentos com merchandising a altura, mas o acesso a esse merchandising e praticamente nulo a partir do estrangeiro.
Ainda hoje, para quem esta habituado a fazer compras na internet, o site do Porto so se compara a um site rasca de artigos pirateados.
A quantidade de artigos disponiveis e escassa e a informacao sobre os artigos disponiveis e quase inexistente.
O Philadelphia Union (equipa que comeca agora o segundo ano de existencia na MLS) nao tem grande projeccao e tem uma loja online muito melhor.
O que e preciso e por gente competente ha frente da parte comercial e de merchandising do Porto.
Nao sei se e verdade, mas disseram-me que o tipo que esta a frente dessas areas no Benfica e muito competente e ate e adepto do Sporting.

FernandoB disse...

Ora pensem lá um bocadinho, se era possivel aquele lucro para aquele valor de "proveitos" !!! mas é legal. Eu também o faria.

José Rodrigues disse...

"Falo sem conhecimento de causa, mas os proveitos com merchandising não serão obtidos a priori, isto é, através dos contratos que ligam os clubes às marcas"

Estou 99% certo q os contratos de patrocínio do FCP não incluem quaisquer royalties sobre artigos do FCP, com os proveitos de merchandising a estarem incluídos na totalidade na Porto Comercial.

José Rodrigues disse...

"aquele" lucro qual, Fernando B? Confesso q não percebi minimamente o ponto.

Frederico disse...

Quando via camisolas licenciadas em Portugal a quase 70€ não ficava com vontade nenhuma de as comprar. Agora em Londres consigo comprar a mesma camisola (sim, é numerada pela Nike) por 25 libras. Perante isto honestamente não consigo entender como não podem ter lucro na venda de camisolas.