quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ciclo infernal


«Mas este ciclo do FC Porto é absolutamente infernal. Repare-se: dia 3 de Abril, foi a vitória do título, na Luz; quatro dias depois, a fantástica vitória de 5-1 sobre o Spartak, num jogo dificílimo; menos de 72 horas depois, o país inteiro atravessado para vencer em Portimão um dos aflitos e manter a invencibilidade no campeonato; mais quatro dias e novo jogo em Moscovo, culminando uma viagem de 12 horas, ida e volta, aos confins da Europa; mais três dias e jogo contra um repousadíssimo Sporting, a lutar pelo 3º lugar; outros três dias e nova viagem à Luz (…) são 6 jogos em 17 dias, com uma viagem a Moscovo pelo meio. E todos eles a lutar por qualquer coisa: pelo título, por um campeonato invencível, pela Taça, pela Liga Europa.»
Miguel Sousa Tavares, A Bola


E como se tudo isto não bastasse, após as temperaturas de Verão no Algarve, dois dias depois, ao aterrar ontem na capital Russa (18h40 locais, menos três horas em Portugal), a comitiva do FC Porto deparou-se com neve e com zero graus centígrados (!). Isto para os jogadores deve ser fantástico…

Conforme escrevi num dos comentários ao artigo 'O brinde e as favas do sorteio', a análise a um sorteio das competições europeias envolve várias componentes. A qualidade da equipa adversária é o aspecto mais relevante, mas há outros aspectos que não são desprezáveis. Questões como a deslocação (ir a Paris ou Eindhoven não é a mesma coisa que ir a Moscovo), as condições meteorológicas (jogar com neve ou com temperaturas baixas/negativas é uma dificuldade adicional) e o estado/tipo do relvado, são aspectos que não podem ser ignorados.

Enfim, não adianta chorar mais sobre os azares dos sorteios e as vicissitudes do calendário. Para o desafio de amanhã, para além do resultado espero, acima de tudo, que não resultem lesões de mais 90 minutos disputados no relvado sintético do Estádio Luzhniki. E veremos, nos jogos seguintes, como é que os jogadores irão reagir a esta sucessão de longas viagens e mudanças bruscas de temperaturas.

P.S.1 “Way to the hotel after a long journey”, Radamel Falcao no twitter

P.S.2 “Sei, por experiência própria, que as viagens longas são cansativas para os jogadores”, Fernando Gomes (director de relações externas do FC Porto), após o sorteio da fase de grupos da Liga Europa.

3 comentários:

Pedro Reis disse...

Quando uma equipa tem fibra de campeã, como tem este FCP de AVB, tudo isso se ultrapassa!

Nelson Machado ℗ disse...

Fernando Oliveira, presidente do V. Setúbal, foi suspenso por um mês, e condenado a pagar mil euros de multa, por «lesão da honra e da reputação». O emblema sadino terá de pagar mais mil euros por autorizar a permanência de pessoas não autorizadas junto ao relvado.

Esta noticia não tem nada nada a ver com o post mas não podia deixar passar.
Então um tipo por dar uma chapada a um jogador leva 11 dias de suspensão e outros levam 10 por palavras injuriosas contra o arbitro e este senhor Fernando, presidente de um clube que se sentiu "traído" pela verdade desportiva vermelha, leva 1 mês por injurias à maior instituição do país(um pouquinho maiores que a igreja católica), isto é de rir para não chorar.
Arre fod*-**.

José Correia disse...

«No regresso ao Estádio Luzhniki, onde marcou um golo ao CSKA, na eliminatória anterior, o colombiano [Guarín] confessou que não é nada fácil jogar num relvado sintético.
"É preciso ter cuidados maiores. A bola corre de forma diferente e lembro-me que o sintético deixou-me cansado"»
in record.pt