quinta-feira, 9 de junho de 2011

O império contra-ataca

Benfica ataca no Dragão” é o título de uma notícia publicada no jornal O Jogo da última terça-feira. Desta vez, o alvo dos euros encarnados são jogadores das equipas azuis-e-brancas campeãs de andebol e basquetebol.

«(…) o Benfica está focado na preparação da nova época e tenta levar, para a Luz, três dos novos campeões: Gregory Stempin, Sean Ogirri e Carlos Andrade. Ainda na edição de domingo de O JOGO, Pinto da Costa tinha revelado o assédio de rivais às equipas dos dragões. “Alguns dos nossos adversários já fizeram propostas perfeitamente irrealistas por alguns dos nossos melhores jogadores”, disse.
Depois de terem sido tricampeões no andebol ao serviço do FC Porto, Inácio Carmo e Nuno Grilo não tiveram propostas de renovação e mudam-se para o Benfica.
No caso do basquetebol, o futuro dos novos campeões nacionais deve rodar em torno da renovação do treinador, Moncho López, cujo vínculo termina no dia 30 deste mês. Se o técnico espanhol não ficar, será difícil manter a mesma estrutura de plantel.»

É com alguma pena que vejo as saídas de Inácio Carmo (Lateral Direito, 33 anos) e Nuno Grilo (Lateral Esquerdo, 24 anos) mas, sem pôr em causa o valor de ambos, no plantel tri-campeão de andebol existem alternativas válidas e talvez seja uma janela de oportunidade para alguns dos jogadores mais jovens. Mantendo o treinador Lubomir Obradovic e jogadores como Ricardo Moreira, Tiago Rocha, Dário Andrade, Wilson Davyes, Filipe Mota, Gilberto Duarte, Hugo Laurentino e Alfredo Quintana, penso que a equipa continuará sólida e competitiva.

A situação no basquetebol é que parece mais preocupante. A confirmar-se a saída de Gregory Stempin, Sean Ogirri ou Carlos Andrade, estamos a falar de três jogadores do cinco base, que foram fundamentais para o sucesso da equipa. Se a saída de qualquer um deles (e ainda por cima para o slb!) já obrigaria a reconstruir mecanismos, se saíssem os três seria uma machadada fatal na equipa, uma espécie de regresso à casa da partida sem receber dois contos.

O caso de Gregory Stempin é o mais preocupante de todos. O norte-americano de Detroit (32 anos e 2,03 metros) é só o melhor jogador a actuar em Portugal, tendo sido, sem surpresa, eleito MVP em três dos sete jogos disputados contra o slb e o jogador mais valioso da final do Play-off - 142 pontos (20,3 por jogo), 53 ressaltos (7,6) e 10 assistências (1,4) - , numa classificação em que Carlos Andrade foi o segundo melhor.


De acordo com uma entrevista que deu a seguir à conquista do título, por ele ficaria no FC Porto – “Adoro o clube, a cidade e os adeptos. Por isso quero continuar a viver cá e a fazer parte deste clube campeão.” – mas, lendo as declarações de Pinto da Costa ao jornal O Jogo, receio bem que o FC Porto não esteja em condições de acompanhar as propostas milionárias que chegam do império encarnado.

E tudo isto tem como pano de fundo a incerteza relativamente à continuidade de Moncho López, um treinador de top e que, por isso, deve ter propostas do estrangeiro financeira e desportivamente muito mais atractivas.

Sem entrar em loucuras, espero que a Direcção do FC Porto faça um esforço (o aumento de quotas a decidir na próxima AG do clube será uma pequena ajuda) para manter o galego Moncho López e os elementos fundamentais da equipa de basquetebol. Depois dos sucessos desta época, seria um enorme desperdício que não fosse dada continuidade ao extraordinário trabalho desenvolvido.

8 comentários:

Petrov disse...

A perda do Nuno Grilo no andebol é equivalente à do Stempin no basquetebol.
Este ano vi o Grilo a fazer todas as posições da defesa e do ataque e é uma perda enorme. O Stempin, enfim, nem vale a pena falar. Lembro-me bem de uma final do playoff em que ele pela Ovarense destruiu o Porto e sagrou-se campeão. É sem dúvida o melhor jogador do campeonato.
Isto não vai lá com aumentos de quotas aos sócios. Temos que começar a deixar de pensar em ponto pequeno e determinar 90 milhões de euros para o futebol e ninharias para o resto. Depois acontece ano após ano estas debandadas principalmente para o Benfica ...

José Correia disse...

Petrov disse…
A perda do Nuno Grilo no andebol é equivalente à do Stempin no basquetebol.

Não estou de acordo, independentemente da valia que reconheço ao Nuno Grilo.
O Nuno Grilo chegou ao FC Porto há duas épocas, contratado ao São Bernardo, mas veio reforçar um plantel que, sem ele, já era campeão nacional.
No plantel actual do FC Porto, jogadores como o capitão Ricardo Moreira ou o pivot Tiago Rocha seriam muito mais difíceis de substituir.

José Correia disse...

Petrov disse…
Isto não vai lá com aumentos de quotas aos sócios. Temos que começar a deixar de pensar em ponto pequeno e determinar 90 milhões de euros para o futebol e ninharias para o resto.

Pois, mas quantos sócios têm lugar anual no Dragão Caixa?
Durante a época, quantos sócios costumam ir aos jogos, mesmo com bilhetes a 1 e 2 euros por jogo?
Uma parte muito significativa dos sócios e adeptos do FC Porto só se lembram das modalidades quando as equipas respectivas conquistam títulos.

José Correia disse...

"O Sport Lisboa e Benfica decidiu encetar um novo ciclo relativamente ao basquetebol e à direção técnica da sua equipa. Em consequência, assumiu a decisão de não renovar contrato com o treinador Henrique Vieira."
Extracto de um comunicado oficial do slb

condor disse...

Eh pá que chatice!
Querem ver que para o ano não somos campeões de baloncesto e de andebol?
Lá vamos ter que nos contentar com o hoquei e o futebol!
A não ser que o bêfique cá venha buscar o hulk o falcao ou até o edo boshe!
Ai Petrove o frio da sibéria está a afectar-te o cerebro!
Atão um clube que ganha como o FCP pensa em ponto pequeno?
Se pensasse-mos em grande até poderiamos ameaçar o Real Madrid o Barcelona o Inter o Manchester e se calhar o presidente da républica!

Luís Negroni disse...

O monumental golo de Guarin ao Marítimo, foi bom o suficiente para ser considerado o melhor golo de todos os campeonatos europeus, pelo povo internauta que vê futebol, numa votação promovida por um dos mais prestigiados jornais europeus, o "The Guardian".

Mas não foi suficientemente bom para ser considerado o melhor golo do campeonato português, pela SportTv, já que um golo que até não constou sequer dos 20 melhores golos europeus a votação no "The Guardian", dum tal de Gaitan, jogador dum tal de Benfica, foi considerado o melhor.

Isto é que é pensar em ponto pequeno, Petrov. Isto é que é o pensar em ponto muito pequeno do mesquinho Portugal benfiquista.

Luís Negroni disse...

Outro exemplo do mesquinho pensar em ponto pequeno portuga benfiquista, levado ao extremo dos extremos do surrealismo, é a exclusão do melhor jogador brasileiro a actuar fora do Brasil (não sou eu que acho, é o "povão" brasileiro que vota na internet e são 250 jornalistas desportivos brasileiros), ou seja, do melhor jogador brasileiro tout court, que dá pelo nome de Hulk, do 11 ideal do campeonato nacional, por parte da inefável eminência parda da teoria futebolística da treta que é o benfiquista disfarçado de comentador Luís Freitas Lobo.

José Correia disse...

«Carlos Andrade, um dos jogadores mais importantes na caminhada do FC Porto até ao título, vai renovar por mais um ano com os dragões. Aos 33 anos, e depois de ter festejado o segundo título da sua carreira, Andrade tinha uma proposta tentadora do Benfica, mas optou por fazer nova temporada, a terceira consecutiva, no Dragão Caixa, sendo o primeiro exemplo da aposta do clube para 2012.»
in ojogo.pt, 10/06/2011