quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Projecto 011?

Aqui ha' uns 5 anos anunciou-se com alguma pompa o lancamento do projecto "611", consistindo numa forte aposta em estabelecer as condicões para que em 2011 tivessemos 6 jogadores formados da casa no plantel A.


5 anos mais tarde, constato que não temos um unico jogador no plantel A que tenha sido formado na casa. Ironicamente, quando o projecto comecou tinhamos 3: andamos portanto muito para tras nesse objectivo, em vez de andar para a frente. Pode-se portanto concluir que esse projecto redundou num fracasso total (e' legitimo no entanto discutir se o objectivo fazia sentido ou não, e se o seu fracasso e' um problema ou não; o que ja não e' discutivel e' que o projecto - que mereceu bastante destaque pela direcão na altura - foi um rotundo fracasso, apesar de termos continuado a vencer).


Curiosamente, a equipa com mais sucesso da ultima decada (eu diria "de sempre") - nomeadamente a de 03/04 -tinha 8 jogadores da casa no plantel. Isto ja' em plena "era Bosman" e com uma Liga dos Campeoes no formato actual (i.e. muito mais dificil do que nas decadas anteriores).


Verifico no entanto e com curiosidade tambem que nao e' so' o numero de jogadores da casa que tem vindo a diminuir no plantel nos ultimos anos, mas tambem o numero de portugueses em geral, como se pode verificar no seguinte grafico.


A meu ver colocam-se algumas questoes ao constatar isto. A primeira e': sera' que a materia-prima portuguesa baixou tanto de qualidade nos ultimos anos?

A resposta parece-me ser um enfatico ''não": os nossos sub-20 acabaram de ser vice-campeões mundiais, e a selecão A tem feito muito boas campanhas no Euro e nos Mundiais na ultima meia-duzia de anos.


Outra: sera' que o problema e' que os portugueses jovens com valor são agora tão valiosos que são raptados por tubarões europeus com quem não conseguimos aguentar a parada? Bem, parece-me que tambem não, ja que não vejo carradas de portugueses jovens e de outras equipas mais pequenas do campeonato portugues (comecando por sub21s) a serem vendidos para o estrangeiro por imensos milhões de Euros.


Certamente não vejo os sub21s portugueses a serem vendidos por valores tão ou mais elevados do que as compras do FCP de sub21 estrangeiros, como James, Mangala, Alex Sandro ou Danilo, logo não sera' por ai'.


Outra pergunta: no que diz respeito ao zero aproveitamento da formacão, sera' que o problema passa por ter uma formacão muito fraca, tendo perdido muito terreno para outros clubes portugueses? Não me parece, ja' que o FCP tem mantido um numero elevado de jogadores nas seleccões jovens nos ultimos anos (sub20, juniores).

Mais outra: sera' que os jovens portugueses são sistematicamente mais impacientes e imaturos do que os jovens estrangeiros? Pergunto isto porque leio muitas vezes que os nossos jovens "precisam e querem jogar regularmente'', o que levara' a que sejam sistematicamente emprestados; no entanto e' costume ter varios jovens de idade similar (ou ate' mais novos) no banco que foram contratados no estrangeiro - esses ja' não precisam nem querem jogar regularmente?


Mais perguntas haveria por colocar, mas concluo aqui com apenas mais uma, a mais fundamental de todas: mas afinal este nulo aproveitamento da formacão (e fraco de portugueses em geral) e' um eventual problema, ou não?

Não me parece de todo que seja um enorme problema; certamente não sera' (so') por ai' que vamos deixar de ganhar campeonatos e fazer boa figura na Europa. Mas ao mesmo tempo parece-me claro que e' um problema (em certa medida no imediato, e ainda mais no medio prazo).
E e' um problema por varias razões:


1) para comecar, ha' a questão das vagas para inscricões. Na Europa por exemplo temos, em 25 vagas para inscricões, 4 reservadas para jovens da casa e mais 4 reservadas para jovens portugueses (ou estrangeiros que tenham jogado em Portugal um minimo de 3 epocas ate' atingirem os 21 anos). Ora neste momento so' podemos inscrever 21 jogadores num plantel muito mais extenso (por não haver ninguem da casa), e estamos agora em risco de comecar a perder tambem vagas na restante quota para portugueses (ou para ser tecnicamente correcto, "jogadores formados no pais''').


Deixar varios jogadores do plantel fora das inscricões (se fosse um ou dois ainda va' que não va'...) e' um problema, porque 1) da' menos opcões (para mais em caso de lesões ou castigos) , 2) e' dificil ao treinador determinar com certeza em Agosto que jogadores serão menos uteis semanas ou meses mais tarde, e 3) e' muito desmotivador para quem fica de fora das inscricões, sabendo que por muito que corresponda nos treinos nunca sera' chamado. À custa disto acabamos agora mesmo de ter que deixar 3 jogadores de fora da LC que nos custaram mais de 20M€ (A. Sandro, Walter e Iturbe).

2) de um ponto de vista financeiro, os jogadores da casa são muitissimo mais baratos (passe & salarios) do que qualquer dos jogadores contratados no estrangeiro. Os portugueses costumam em media ser tambem um pouco mais baratos do que jogadores contratados no estrangeiro.


Sabendo-se que de um plantel de mais de 25 jogadores so' uns 15 e' que irão jogar regularmente, dava muito jeito que varios dos 5 a 10 jogadores menos utilizados fossem jogadores baratos.

3) A questão das viagens. As viagens para o estrangeiro (e principalmente para a America do Sul) seja em ferias para ver familia e amigos, seja principalmente para estagios e jogos de selecão, são um inconveniente consideravel.


4) a questão da adaptacão e sentir da camisola: cada caso e' um caso (da casa, portugues ou estrangeiro) mas em media os da casa e outros portugueses adaptam-se muito mais facilmente do que um jogador vindo de longe e sabem melhor o que quer dizer ao certo "Somos Porto", como esta' agora na moda dizer.

5) a empatia com os adeptos. Se e' verdade que para uma grande parte dos adeptos (possivelmente a maioria) não interessa se jogamos com 11 portugueses ou 11 indonesios, desde que se ganhe, tambem e' inegavel que para um numero significativo de adeptos isso faz uma diferenca por uma questão de identidade.


Isto não e' um problema por ai' alem, sem duvida, mas tambem sem duvida que não havendo jogadores da casa ou portugueses no plantel a empatia de muitos adeptos para com a equipa diminui (diminuindo tambem a tolerancia para periodos ou jogos menos bons).


Concluindo, nos dias de hoje parece-me inevitavel que hajam bastantes estrangeiros no plantel de forma a sermos competitivos; mas dai a termos zero jogadores da casa e 4 portugueses num plantel de 26 ou 27 jogadores vai uma grande distancia - isso ja' não me parece de todo inevitavel, nem sequer desejavel (pelas razões acima expostas). Nem 8, nem 80.

28 comentários:

Gelo disse...

Contrariamente ao que diz no seu post eu julgo que este é um GRANDE problema e o único exemplo de má gestão desportiva do nosso clube.

O projecto 611 foi uma manifesta declaração de intenções de mudar esse aspecto particular mas quer tenha sido por insucesso do projecto, quer por incúria de gestão, não funcionou.

A minha expectativa é que repensem isto e voltem a apostar no jogador português. A identidade PORTISTA, que muito bem refere no post, assim o exige.

Cumprimentos

Ricardo Melo disse...

Há uns dias comentei num post acerca de declarações do Evangelista, e (apenas) por ser benfiquista, fui completamente vilipendiado pelos restantes leitores portistas do blog.
O que eu defendi nesse comentário é EXACTAMENTE o que o José Rodigues expôs neste post, embora por outras palavras, e também na altura extendi esta preocupação a todos os clubes portugueses.
José, você não o poderia ter dito melhor: isto não é uma preocupação extrema, tanto para o seu clube como para o meu, mas é, a meu ver uma preocupação a ter no médio/longo prazo. E não consigo prever que impactos isto poderá ter na nossa Selecção.

Alexandre Burmester disse...

Ocorre-uma frase que os americanos usam muito em contextos semelhantes: "It was a great idea, but it didn't work".

hulk mocc disse...

Subscrevo por inteiro, apenas com uma ressalva: à semelhança daquilo que muitos outros clubes de top europeus estão a fazer, penso que o FC Porto abriu a prospecção a jovens de todo o mundo que venham completar a sua formação no clube de modo a poderem contar como "Locals" quando assim for necessário. Iturbe, Kelvin e Atsu, por exempplo, poderão ser inseridos nesta categoria. Cada vez mais será comum ver jovens dos 15 aos 18 anos e de todos os pontos do globo aparecerem no FC Porto para fazerem a sua formação.

JOSE LIMA disse...

Jogadores estrangeiros
Concordo inteiramente com tudo o que disse o José Rodrigues. Entretanto, e sabendo que não interessa nada o que faz a “instituição”, veja-se que o caso é idêntico.
Dos 85 jogadores com contrato que poderiam ser utilizados no plantel, 44 são estrangeiros. Para o Ricardo Melo e restantes comentadores, passo a demonstrar estes números, com a indicação dos clubes onde se encontram ou para onde foram cedidos/emprestados.
Ficaram no plantel: Aimar, Alex Witsel, Artur Moraes, Bruno César, Capdevila, Emerson, Enzo Pérez, Ezequiel Garay, Jardel, Javi Garcia, Luisão, Matic, Maxi Pereira, Nico Gaitan, Nolito, Oscar Cardozo, Rodrigo, Rodrigo Mora, Saviola. (total plantel: 19)
Foram cedidos/emprestados: Airton (Flamengo), Alan Kardec (Santos), Alípio Brandão (América), Carole (Sedan), Daniel Wass (Evian), Éder Luis (Vasco da Gama), Felipe Bastos (Vasco da Gama), Felipe Menezes (Botafogo), Fernández (Estudiantes), Franco Jara (Granada), Freddy Adu (Philadelphia), Giles Binya (rescindiu), Hassan Yebda (Granada), Javier Balboa (Beira-Mar), Julio César (Granada), Keirrison (Cruzeiro), Leo Kanu (Belenenses), Melgarejo (Paços Ferreira), Oblak (União Leiria), Roberto (Saragoça), Shaffer (União Leiria), Sidney (Besiktas), Urreta (Guimarães), Weldon (Cluij), Yartley (Servette). Total fora: 25).
Mesmo com esta desastrosa gestão, conseguem “meter” no plantel 8 jogadores portugueses e nós, apenas, 4. A nossa unica vantagem é não termos 40 “nacionais” encostados.
Para terminar: Interessante a apresentação da candidatura de Soares Franco. Bateu bastante na tecla “formação”.
Abraço

José Rodrigues disse...

Hulk mocc disse: "penso que o FC Porto abriu a prospecção a jovens de todo o mundo que venham completar a sua formação no clube de modo a poderem contar como "Locals" quando assim for necessário"

Certissimo.

No entanto, verifico que apesar da SAD ter aberto as portas dos juniores a estrangeiros ha' pelo 5 anos (nos ultimos anos devem ter contratados pelo menos 15 estrangeiros para os juniores), nao ha' um unico deles q se tenha afirmado ou q de^ pelo menos a indicacao de q se possa afirmar a curto prazo. Essa estrategia, para ja', tem fracassado.

Amphy disse...

Concordo inteiramente com as preocupações do post, como de resto já as tenho colocado em comentários anteriores.

Deixo mais uma questão:

O problema será do projecto e da forma como foi desenhado? Ou estará nos executantes do projecto, isto é, treinadores da equipa principal e Luís Castro (Director Técnico para a Formação do F.C. Porto) que dá palestras como por exemplo "O Futebol de Formação como Aposta Estratégica"?

Rui disse...

O problema a mim parece-me ser de comissões, um estrangeiro rende duas vezes, na entrada e saída, um português só na saída.

O problema para mim não está na qualidade dos formados mas na política de transferências.

Neste momento formamos jogadores para os vender antes de fazerem um jogo na equipa principal.

Eu digo sempre que jogadores como o Pedro Rodriguez e Busquetes do Barcelona ou o Evans e Weelbeck do Manchester nunca na vida que conseguiam chegar ao plantel principal do FCP quanto mais serem titulares.

reine margot disse...

It was a good idea but it didn't work... tão simplesmente porque é impossível poder assegurar que um jovem talento irá ser um "jogador com H grande"...
- Em Portugal temos os melhores ciclistas, os melhores tenistas, os melhores surfistas, andebolistas, todos os outros istas , incluindo os melhores cientistas, jornalistas, trotzkystas, camionistas, etc...? Não!
Porque iríamos ter os melhores futebolistas?...
E o mundo, hoje em dia, quer algo que não seja o melhor? E os melhores querem ficar em casa ou ir para onde lhes pagam mais?...
Lamento, mas esta é a verdade.
Isto aliado às comissões e aos negócios, só pode dar uma "bisão de ber" se em 2021 ainda jogará algum português em portugal!...

José Rodrigues disse...

Conhecem o ditado "the grass is green on the other side"?

Ou "a vaca da vizinha da' mais leite do q a minha"?

Suspeito q esse sindroma se manifesta em certa medida nos nossos responsaveis no momento de formar planteis: aparece algum empresario ou olheiro com uma recomendacao e DVDs para uma contratacão, e o pessoal fica com agua na boca, menosprezando a prata da casa. As novidades tem sempre o seu fascinio, comparadas com o pessoal da casa q ja' e' conhecido... ha' uma grande propensão para a especulacão.

Pessoalmente não tenho duvidas q tem havido jogadores da casa com valor para fazer parte do plantel, como P. Machado, H. Barbosa ou Castro (ainda q possivelmente não jogassem regularmente na 1a epoca no plantel A, como alias acontece num Man Utd ou num Barcelona). Mas a propensão à especulacão e' tanta q preferimos ir contratar jogadores sem valor confirmado, como por ex o Guarin (q pouco jogava num St. Etienee).

DC disse...

O Porto prefere ter os seus jogadores a jogar do que andar a fazer número.
Ora vejamos, inscrevemos 21 jogadores porque não tinhamos portugueses. Essas 4 vagas podiam facilmente ser ocupadas por Ventura, Castro, Ukra, Sérgio Oliveira e Orlando Sá ou Rabiola.
No entanto o Porto preferiu inscrever menos mas ter esses 4 jogadores ou a jogar ou a não custar salários ao Porto, do que andar a fazer de conta que tem uma boa formação.
Não há talento nos júniores portugueses com raras escepções. O Sérgio Oliveira é um flop e daqui a uns anos anda pela Orangina, o Ventura pode dar um bom suplente no máximo, o Ukra pode servir para ser o "Folha" do plantel e apenas vejo o Castro com algumas hipóteses de um dia ser titular.

E dos recentes anos só Paulo Machado e Vieirinha podiam jogar hoje no Porto e a dispensa desses temos que agradecer ao Jesualdo (lembro-me do Porto renovar por 5 anos com o Vieirinha, ele marcar um golo na Supertaça e a partir daí ser queimado pelo Jesualdo).

Os bons resultados dos sub-20 vieram iludir muita gente, mas a minha pergunta é, qual deles teria alguma hipótese de jogar no Porto. Eu respondo: Nuno Reis e Nélson Oliveira, ponto final! Ou acham que Mikas e Rodericks vão dar alguma coisa?

E quanto aos restantes portugueses do plantel, Sereno, Beto, Ruben, Miguel Lopes, nunca passariam de bons suplentes.
Embora aí, na minha opinião, se é para estar no banco mais valia se calhar um português mediano do que um brasileiro.

Temos que criticar a formação portuguesa na generalidade mas perceber também que somos um país com pouquíssima matéria-prima. Somos 10 milhões com uma população envelhecida!

Faço um desafio final, além da questão da formação, se defendem que o Porto deve apostar em portugueses pergunto-vos quais os jogadores portugueses, acessíveis aos nossos cofres, podiam realisticamente reforçar a equipa?
Eu sinceramente só me lembro de Vieirinha e Paulo Machado...

José Rodrigues disse...

DC escreveu: "O Porto prefere ter os seus jogadores a jogar do que andar a fazer número".

Antes de mais, presumo q o DC quisesse dizer os seus jogadores "jovens".

Como resposta pergunto (mais uma vez, ja' q ja' tinha falado nisto no artigo): isso so' se aplica aos jovens da casa, não aos jovens vindos de fora?? Se sim, porque diabo?

E' q como temos visto não tem havido qq problema em deixar jovens (da mesma idade dos tais formados na casa, ou ate' mais jovens) vindos de fora no banco, jogando de forma pouco regular (Guarin quando chegou, Iturbe agora, e tantos tantos outros).

Pode ser q o DC me consiga explicar a diferenca (uns jovens precisam de jogar, outros jovens ja' não precisam so' porque vem de fora), porque eu pessoalmente não entendo.

José Rodrigues disse...

reine margot disse:

"Porque iríamos ter os melhores futebolistas?..."

Bem, nao me parece q haja assim tanto um problema de ilusões sobre a real valia dos portugueses, quando constato q somos vice-campeões mundiais em sub20, e a nivel senior (utilizando alguns jogadores q 'apareceram' nos ultimos anos, como um Coentrão) chegamos a meias-finais de mundiais e europeus...

Ou seja, pelos vistos os jogadores portugueses são mesmo bons. Se calhar não são tao bons como alguns resultados de seleccões dão a entender, mas mesmo dando esse desconto estarão certamente os 10 melhores paises do mundo em formacao.

amorim disse...

e com esta "terrivel" politica o FCPORTO ganhou 4 campeonatos nos ultimos 5 anos. Realmente temos mesmo que nos preocupar com o futuro...

Luís Negroni disse...

Qual é o jovem português melhor ou pelo menos não muito pior que o James Rodriguez, para a(s) mesma(s) posições?

E pra quem conhece bem o futebol jovem português e tem visto os jogos do Brasileirão e da Taça Libertadores, quais são os jovens portugueses iguais ou melhores ou pelo menos não muito piores que Alex Sandro e Danilo para as mesmas posições?

Se alguém conhecer algum diga, por favor, e diga a quem é responsável pelas contratações no FCPorto, eu vou ficar agradecido e eles de certeza que ainda vão ficar muito mais.

Alexandre Burmester disse...

amorim,

O meu colega José Rodrigues até escreveu isto:

"Não me parece de todo que seja um enorme problema; certamente não sera' (so') por ai' que vamos deixar de ganhar campeonatos e fazer boa figura na Europa."

Portanto, o seu comentário é deslocado.

Mas não foi o Reflexão Portista ou o José Rodrigues que tiveram a ideia do Projecto 611.

Eu acho que sem ovos não se fazem omeletas, e essa é para mim a principal razão do falhanço do projecto. Mas isso não impede que haja jogadores formados na casa que poderiam ser bons suplentes, e a sua inclusão no plantel teria vantagens de vária ordem.

Quizzer disse...

"Mas isso não impede que haja jogadores formados na casa que poderiam ser bons suplentes, e a sua inclusão no plantel teria vantagens de vária ordem."

Eu sigo muito de perto as camadas jovens do Porto e, francamente, não vejo vantagens nenhumas.

A treta do "sentir a camisola" e "empatia com os adeptos" é, lamento muito dizê-lo, isso mesmo, uma treta.

Neste Verão ouvi um jogador que é portuense, portista e joga nas camadas jovens do Porto desde as escolinhas afirmar que o grande sonho dele é um dia jogar no.... Barcelona. E não é caso raro, até pelas deserções que aqui e ali vão acontecendo.

Aliás, esta época tivemos o caso de um jogador das camadas jovens que recusou um contrato profissional com o Porto - o Ricardo que foi para o Milan. Foi para o estrangeiro e, pasme-se, ganhar menos. E isto foi-me dito por um tio do jovem. Uma das razões? Precisamente os regulamentos de "formação local" da UEFA - é que assim conta como formado localmente em dois clubes e duas federações. Isto tem pés ou cabeça?

Depois há um problema: os resultados da selecção dizem pouco porque o Ruben Micael é titular na selecção e seria 4ª ou 5ª opção no Porto. È melhor que o Moutinho, o Guarin, o Belluschi? Não. É melhor que o Defour? Duvido. O mesmo é verdade para o Castro. E até para o Sereno e o Beto. Aliás, segundo sei, todos esses quatro jogadores pediram para sair e não ficar no plantel este ano precisamente para terem hipóteses de estar no Europeu no fim da época.

O resultado da selecção de sub-20 é claramente um outlier para quem anda atento ao futebol jovem português. Há quantos anos não existia uma participação positiva? Para mais, alguém acredita mesmo que algum jogador do Porto (ou mesmo de outros clubes) daquela selecção tem neste momento qualidade para estar no plantel do Porto? É que forçar jogadores a estarem para "treinar" é correr o risco de matar uma carreira. Nem os jogadores aceitam isso e muito bem. Para isso estão lá os 4 ou 5 dos juniores que frequentemente treinam com os seniores.

Por isso, o Luis Negroni tem razão: em concreto, onde estão esses jogadores portugueses que poderiam jogar pelo Porto? Eu não os vejo.

Para mim a prioridade deveria ser o de pressionar a UEFA para acabar com aquela lei absurda do 4+4. É u regulamento sem pés nem cabeça que prejudica a formação e beneficia clubes de maior dimensão para além dos jogadores que já tiveram a sorte de terem feito a formação em clubes "grandes" a expensas de todos os outros. É uma lei que beneficia clubes de paises com campos de recrutamento maiores, ou clubes que se podem dar ao luxo de ter 44 jogadores inscritos vindos de todo o mundo aos 16/17/18 anos na equipa de sub-21, tipo Chelsea. Está completamente a desvirtuar a formação em todo o mundo e a causar uma erosão de talento. E beneficia clubes como o Barcelona ou o Chelsea que podem manter os melhores jogadores indefinidamente, ao contrário do Porto. Ou seja, se o Chelsea produzir 4 jogadores localmente, tem para uma década. O Porto para ter para uma década precisa de produzir uns 15. Uma das leis mais estupidas da história do futebol.

Quizzer disse...

E o Guarin é umas 10x melhor que o Paulo Machado. Isto não é uma questão de especulações ou comissões. É de talento. Era óbvio que o Paulo Machado tinha algum potencial mas que o do Guarin era muítissimo mais largo - felizmente ele transformou esse potencial em talento.

O Helder Barbosa tem dificuldades em afirmar-se como titular num Braga. O Vierinha é jeitoso, mas temos uns 6 extremos melhores.

Eu, francamente, não vejo ninguém. Para completar o plantel, claro, mas isto não são os anos 80 em que havia gajos a fazerem uma carreira de 10 anos como suplentes de equipa grande. Os tempos mudaram.

DC disse...

José Correia a diferença parece-me evidente.
Se Ukra, Castro, Ventura e companhia têm 10 anos de casa, os jovens como Iturbe e Alex Sandro têm zero.

Daí naturalmente é necessária a integração do jovem à nova realidade e também o aumento do conhecimento dos técnicos e dirigentes do Porto ao potencial do atleta, coisa que num empréstimo se torna muito mais difícil. Ficando no plantel, pormenores como a adaptação ao país, conhecimento dos métodos do clube e entrusamento com o novo futebol são muito mais eficazes, pelo menos até se tirar a conclusão definitiva se devem ou não ficar.
Além disso relembro que tanto Ukra como Castro tiveram direito a 6 meses com o plantel mas não o aproveitaram.

Se me disser que acha mal ter um estrangeiro de 25 anos no banco em vez dum português (por exemplo Vieirinha faria o papel de Cebola) concordo, agora em relação a miúdos de 20 anos acho normal que fiquem no plantel para serem mais facilmente "domados".

paulop disse...

Caro José Rodrigues o problema é mesmo o 8, acima não tem aparecido ninguêm.

VIVA O FUTEBOL CLUBE DO PORTO

José Rodrigues disse...

Se bem entendi, o Quizzer foi um acerrimo critico da SAD quando anunciou e enveredou pelo projecto 611...

Ca' eu achei q fazia muito sentido e aplaudi a iniciativa na altura (cheguei a elogia-la aqui no blog, por exemplo). Se calhar ha' gente q aplaudiu na altura e aplaude tb agora o fracasso do projecto, mas ca' eu faco questao em ser consistente.

Tenho portanto pena q tenha sido um fracasso total (seja pq nao sabemos apanhar putos bons qdo sao jovens, ou pq nao sabemos forma-los, ou por nao os saber aproveitar, ou por outra razao qualquer).

joao abel calais disse...

Li com muito interesse o seu post de hoje,assim como li,todos os comentários (15,até ao momento)sobre um tema que me desperta muita curiosidade e inquietação.
Já manifestei,em tempos,aqui na Reflexão Portista,esta "dor" de constactar que a "Quinta do Baía" deixou de dar ... frutos , o projecto "611" foi um buraco de todo o tamanho,os estrangeiros da formação evaporaram-se e chegámos ao descalabro de, em 25, caberem apenas quatro "portugas" e SOBRAREM -por inexistentes- outros quatro lugares elegíveis se ...
Ressalta nos comentários, um- RUI às 14h47 - que sobremaneira, vai ao encontro do que penso sobre a matéria,quando diz que o "problema" estará nas comissões que um estrangeiro "deixa": o dobro de um dos n/formandos.
Reine Margot, à semelhança dum pensamento(?) do ex-presidente do Sporting - João Rocha- que um dia, em resposta a um jornalista, aviou o mesmo, com uma pergunta do género:se-nós-portugueses-não-somos-bons-em-nada- porque- raio- teríamos -de-ser-em-futebol?!... e no caso,em formação contínua?!...Já sei,já sei, que tívemos uma espécie de ínclita geração no futebol,como tivemos em certa fase da n/História Homens Ilustres... Infelizmente, essas "coisas" são breves e passageiras (veja-se por ex. o que tem "parido" esta Pátria, em políticos ineptos,corruptos,mentirosos, do 25 Abril para cá,para não irmos mais longe...)e creio que,após Ronaldo e Cia.,vamos amargar esta falta de investimento na nossa ... formação (quase, em pleno,tb. de acordo com o comentário de DC-16h13-).
O seu post é bem pertinente e motivador para uma discussão a sério: pode ser que o "partir pedra" nos conduza a outros caminhos.O argumento -muito usado-"ah,pois é,mas nos últimos cinco anos ganhámos quatro",não nos deve desviar do (quanto a mim )"trágico" panorama de HÁ anos NÃO se ver um "Baía" sequer na equipa do N/FCP!
Saudações Portistas
João Carreira

PeidoMestre disse...

Carissimos

Sou leitor assíduo do blog, mas raras são as vezes que comento. Em relação ao post do João Rodrigues sou da mesma opinião de fundo, isto é, o projecto 611 foi realmente um fracasso. Todavia, as razões para tal fracasso na minha opinião são em toda a linha diferentes das do autor do texto. Os casos que o autor do post dá como exemplos, Castro, Helder Barbosa e Paulo Machado poderiam fazer parte do plantel do FCP, mas passariam disso? Diga-me um nome de um jogador formado no Porto nos últimos 2/3 anos que acrescentaria algo ao plantel, ou por outro lado, dos jogadores que o FCP colocou na Selecção de sub20 ou mesmo de sub21 quais os que acrescentariam valor ao actual plantel? No limite, atrevo-me a perguntar, de todos os sub20 ou até sub21 quais os que encaixaria no actual plantel? A responsabilidade é do scouting e da equipa técnica, claro que sim, concordo. Mas formamos assim, e de um modo geral, em Portugal, tantos jogadores portugueses que possam fazer parte de uma equipa com o estatuto que o Porto tem?
E é aqui que está a questão de fundo, o mercado é cada vez mais alargado e os olheiros têm os olhos no mundo, passo a redundância. Concordo com opiniões aqui já expressas, não temos os melhores, andebolistas, não temos os melhores tenistas e seguramente não teremos os melhores futebolistas, ou por outras palavras, esses futebolistas não podem “alimentar” uma equipa com os objectivos que o Porto tem
Empatia com os adeptos, adaptação e sentir a camisola, as viagens, a questão financeira são tudo “balelas” passo a expressão, os adeptos sentem empatia é com golos, seja um chinês ou um madeirense a marca-los. A adaptação e o sentir a camisola, um jogador quando é bom futebolisticamente e mentalmente a breve trecho entra na equipa, veja-se o caso do menino James. As viagens não são fáceis, mas não é por aí, os grande clubes europeus também têm internacionais sul americanos e sabem gerir essas situações, ou seja, a questão das viagens nunca pode ser um entrave á contratação. A questão financeira é relativo…quanto nos custa a formação de um “miúdo” desde os escalões de formação á equipa sénior? O único ponto que de facto concordo, por razões óbvias, é com a questão das vagas para inscrição.

Para terminar, o autor dá o exemplo do Guarin…mas na minha opinião, ao contrário:

“…a propensão à especulacão é tanta q preferimos ir contratar jogadores sem valor confirmado, como por ex o Guarin (q pouco jogava num St. Etienee).”

sim, é verdade que ninguém conhecia um tal de Guarin…mas o que se fez com o Guarin não é mais que um “projecto 611” fora de portas!! É ir buscar um jogador que tinha claramente características morfológicas e técnicas para ser um bom médio e transformá-lo, efectivamente, num médio apetecível para qualquer grande clube europeu!

Cumprimentos

Amphy disse...

Off topic:

Caro José Rodrigues, será que apanhou o vírus BugBear, que provoca dupla acentuação e por isso usa uma plica em substituição?

Se for isso, resolve-se. Se não for ignore este comentário.

Paulo disse...

Quizzer disse...

"E o Guarin é umas 10x melhor que o Paulo Machado. Isto não é uma questão de especulações ou comissões. É de talento. Era óbvio que o Paulo Machado tinha algum potencial mas que o do Guarin era muítissimo mais largo - felizmente ele transformou esse potencial em talento.
O Helder Barbosa tem dificuldades em afirmar-se como titular num Braga. O Vierinha é jeitoso, mas temos uns 6 extremos melhores."

Guarin precisou de 2 épocas inteiras para começar a render decentemente. O P. Machado nem dois meses esteve na equipa principal em 2004/05...Comparativamente, um foi pago a peso de ouro e o outro ao custo do tremoço.
Quanto ao Hélder Barbosa, até posso concordar que teve oportunidades mas, tanto ele, como o Vieirinha são melhores que o Djalma seguramente e que o Mariano (4 épocas!) obviamente (só para citar 2 exemplos). E nem falo do Ukra..

A única diferença para mim, e acho que isto é fácil de perceber para qualquer adepto, é que de certeza existem interesses de parte a parte (clube, empresários de jogadores e/ou grupos financeiros) que levam à venda de um maior número de jovens jogadores sul-americanos em detrimento dos portugueses. Quantos jovens portugueses tem um empresário na imberbe idade de 16/17 anos? E logo um que tenha os mais variados contactos nos principais clubes europeus (muito vulgar com os sul-americanos)?

Em termos de potencial propriamente dito, tivemos muitos bons jogadores formados na nossa casa (exemplo mais recente, Castro). Simplesmente, nunca se lhes deram uma oportunidade continuada (não estar 6 meses no plantel ou dar 5 min 1 vez como fazia o Jesulado, mas sim convocá-los e dar 25 min ou mais nos jogos que estejam bem encaminhados, no minímo).

O Futre no seu livro relembra o caso do lançamento do Fernando Torres na equipa principal do Atlético com 17 anos. Aos receios do treinador de juniores, o qual achava que o Torres era muito novo, Futre respondeu-lhe que se o treinador que o lançou no sporting pensasse dessa forma, que ele (Futre) nunca poderia ter sido bola de prata aos 21 anos.

Amphy disse...

Todos nós gostamos de vencer. Há aqueles que o querem fazer a qualquer preço e outros que também valorizam o "meio" utilizado para chegar ao "fim". Eu valorizo o "meio".

Assim, acredito que as vitórias construídas são melhores que as compradas e por isto quero dizer que as vitórias fruto da participação de talentos criados, educados, descobertos no seio da família Portista são mais saborosas que as outras. Claro que as outras são boas, mas não serão bem a mesma coisa.

Por exemplo, dá-me mais gozo ver uma conquista da Fernanda Ribeiro do que propriamente de uma Ineta Radevica. É um título, sabe bem, mas não é a mesma coisa... (alguém sabe se estas atletas continuam ligadas ao clube? Mesmo tendo suspendido a participação nas provas nacionais. Se calhar foi acto único ou recibos verdes...)

http://www.fcporto.pt/OutrasModalidades/Atletismo/Noticias/noticiaatletismo_atlfemcampea_130610_53194.asp

http://desporto.publico.pt/noticia.aspx?id=1457315

Pedro Reis disse...

É um tema altamente pertinente. Deixo algumas opiniões:
1. O Projecto 611 foi efectivamente um fracasso, é só olhar para os objectivos e para os resultados;
2. A aposta em jogadores estrangeiros em detrimento de jogadores portugueses, embora esteja longe de se esgotar neste questão, tem uma relação importante com a questão das comissões, empresários, etc. etc. Não vale a pena assobiar para o lado só porque é o nosso clube;
3. De facto os jogadores formados no clube, que têm "aparecido" no plantel principal do FCP nos últimos largos anos, na sua esmagadora maioria, revelou insuficiente capacidade (física, técnica, mental) para vingar na equipa principal do FCP (para mim uma excepção poderá ser o Castro, mas nunca nomes como Helder Barbosa, Vieirinha, etc.)
4. Para concluir, seria de facto importante, até do ponto de vista financeiro, conseguir capitalizar de forma efectiva a formação no FCP. E não acredito que isso não possa ser feito!

Charlie Big Potato disse...

Parece-me que o maior problema pode ser solucionado com a criação de equipas B!
A formação do FCP trabalha excepcionalmente bem mesmo a nível internacional, mas o período de adaptação ao futebol sénior é feito em clubes que não fazem o melhor trabalho e onde os jovens não se conseguem impôr.
Dou o exemplo do Sérgio Oliveira que precisa desesperadamente de tempo de jogo para poder elevar o seu nível a um nível sénior e que não o teve numa equipa com más condições de trabalho, mau plantel e objectivos a que nunca esteve habituado: "não perder"!
Com a criação das equipas B prevejo um aumento exponencial de jovens jogadores a ingressarem na equipa A. Por manterem o nível de excelência no trabalho diàrio, as óptimas condições para o desenvolver, a identificação com a equipa e sobretudo os seus principios tácticos.
Vou citar o Barcelona como exemplo não só do que equias B podem oferecer em termos de integração e aumento de opções de um plantel principal como também do tempo que leva a um projecto destes dar frutos. O projecto 611 foi/é, um sucesso de formas que não são, nem podem ser públicas, mas que se reflectam, por exemplo na substituição do Sporting como principal equipa de formação em Portugal (basta comparar os números de títulos e a forma como esses números mudaram!)