quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Renovação de contrato de A. Pereira

Álvaro Pereira acabou de renovar (na semana passada) pelo FCP.

Normalmente as renovações são despoletadas (da parte do FCP) pela vontade de evitar outro caso Assunção (se não renovarmos de 2 em 2 anos estamos sujeitos a ve-los sair por uns tostões à luz do acórdão Webster), ou então para aumentar cláusulas de rescisões no caso de jogadores bastante cobiçados.

Lembrando o que está em jogo com o Acórdão Webster: um jogador de menos de 28 anos que cumpra contrato há já 3 anos pode sair do clube pagando apenas os salários que ia receber até fim de contrato, o que normalmente corresponde a "peanuts" comparado com o valor do passe. Idem para jogadores de mais de 28 anos, ao fim de 2 anos de contrato.

Neste caso parece-me mais ou menos evidente que nenhuma dessas duas hipóteses se coloca (tinha renovado há apenas um ano - não havendo portanto o risco de invocar o acórdão Webster por pelo menos mais 2 anos - e já tinha uma cláusula de rescisão bastante alta), por isso é menos claro porque quis a SAD renovar. Duvido que eles pensem que ele se vai valorizar este ano para cima da clausula de rescisão que detinha, quando neste Verão o Chelsea de AVB não se aproximou sequer desse valor (aliás, não é sequer claro que a cláusula de rescisão tenha agora aumentado).

A hipótese mais plausível é que lhe aumentaram o salário como rebuçado por não o terem deixado sair no Verão... uma espécie de "vitamina" monetária para a sua motivação, digamos.

Agora falar em querer dar "sinais de confiança" como se escreveu n O Jogo é que é um bocado para o ridículo: penso que o facto de ser titular indiscutível e o facto de o clube não aceitar vende-lo no Verão já eram sinais claríssimos de que o treinador e SAD tinham e têm imensa confiança nele, ou não?

Falar em "dar sinais de confiança" aquando de uma renovação de contrato faz sentido quando se trata de um jogador que raramente joga e com pouco mercado (sei lá, um Mariano há um ano ou um E. Rafael hoje). Não é de todo o caso, o que estava aqui em jogo era uma coisa bem diferente.

O que fica então o FCP a ganhar com isto? Bem, apesar de aumentar um pouco a folha de salários, fica com um jogador menos amuado (se é que o estava...) depois da transferência gorada, e evita ter que se preocupar em negociar uma renovação com ele daqui a 12 ou 18 meses (por causa do tal acórdão) caso ainda cá esteja (o que duvido muito, tendo em conta o elevado investimento feito em Alex Sandro).

14 comentários:

José Rodrigues disse...

Acrescentando um ponto ao artigo (aqui para que não fique demasiado extenso): ao contrário de um MST, não acho que a SAD se veja necessariamente obrigada a aumentar o salário a um jogador quando recusa vende-lo.

Os jogadores podem ficar chateados, mas mais tarde e a frio vão concluir que amuar e fazer fretes, ao ponto de perder a titularidade, será um tiro no pé.

Seja porque não querem deixar de ser chamados à sua seleção, seja porque passando a jogar menos regularmente (ou mal) perdem "montra" e potenciais pretendentes a comprá-los na próxima oportunidade.

Ou seja, se calhar em alguns casos fará sentido aumentar o salário (tendo em conta tb outros factores como o acórdão Webster), mas em outros não. Não é nenhuma inevitabilidade como o MST diz.

Pegando no caso do "Palito", não me parece sequer que ele tenha andado a fazer fretes antes da renegociação de salário.

Nelson Coutinho disse...

Infelizmente este caso nao é virgem no futebol portugues.

Partindo do principio que o Empresário de A. Pereira nao mentiu ao afirmar que PdC tinha prometido a A. Pereira que o deixava sair (e eu acredito que falou a verdade), nao tenhamos a mínima dúvida que o "Palito" ficou contrariado no FCP, tal como afirmou o seu Empresário (certamente a mando do seu cliente). Para mais quando o clube que o desejava comprar, tem outras condicoes financeiras.
Ora após esta novela, A. Pereira, pasme-se, vem a público defender o FCP e contradizer o seu Empresário ao afirmar que entende perfeitamente que o clube nao o tenha deixado sair. Certamente que ao ter proferido estas palavras, ja tinha um acordo verbal com PdC sobre um aumento salarial, como "prenda" por nao ter saido.

Ora, á luz dos argumentos referidos no já mencionado artigo do Miguel Sousa Tavares, isto é evidentemente ridículo e trata-se mesmo de uma afronta a quem tem que ir trabalhar 8 horas por dia e nao recebe 1/10 do que esta gente recebe. Mas, se queremos continuar a ter um FCP ao mais alto nível Mundial, sao estas as regras do jogo...

Jorge disse...

E possivel que tenha havido um acordo verbal durante as negociacoes com o Chelsea para um aumento salarial caso o Chelsea nao fizesse uma oferta que o Porto nao quisesse aceitar.

RS disse...

Segundo a lei Webster se um jogador tiver cláusula de rescisão no seu contrato será esse o valor a pagar ao clube e não o valor dos salários. Acho deveriam corrigir isso no post.

José Rodrigues disse...

Caro RS

lamento mas tem a informação errada, o que escreveu não está correcto. Facilmente dissipa dúvidas com uma pesquisa na Net.

Aliás, é precisamente por um jogador poder sair por (muito) menos q a cláusula de rescisão que este acórdão geriu tanta polémica entre os clubes.

Alexandre Burmester disse...

Foi também para contrariar o Acordão Webster (e não Lei) que os clubes passaram a praticar cláusulas de rescisão astronómicas, isso é verdade.

Jorge disse...

Nelson nao vejo porque e que um aumento salarial em resposta a uma oferta de peso tenha de ser interpretada de forma tao negativa. Parece-me que para alguns o copo esta sempre meio vazio.
E necessario saber interpretar o papel da clausula de rescisao dentro numa relacao laboral salutar. Nao sei como e que o mercado laboral funciona em Portugal, mas uma relacao laboral salutar e que resulte em niveis de produtividade elevada nao pode ser feita na base do come e cala.
A clausula de rescisao e apenas uma forma de garantir poder negocial ao clube, para que o clube possa ter algum controlo sobre quando e por quanto e que vende um jogador, mas essa decisao nao pode ser feita de forma unilateral sem ter em conta os interesses do jogador.
Se o clube nao responder de forma razoavel quando houver ofertas inesperadamente boas pelos seus jogadors, nao so os jogadores em questao poderam ficar menos motivados (o que e uma resposta perfeitamente normal em qualquer actividade profissional) como outros jogadores se poderao recusar a assinar contratos com clausulas de rescisao elevadas. As duas situacoes sao altamente prejudiciais para o clube.

José Correia disse...

O montante da cláusula de rescisão manteve-se nos 30.000.000€
(trinta milhões de euros).
Ver em:
http://web3.cmvm.pt/sdi2004/emitentes/docs/FR35751.pdf

Nelson Coutinho disse...

Caro Jorge, estaria inteiramente de acordo consigo se estivéssemos a falar de uma outra profissao que nao a de jogador de futebol profissional.
É certo que A. Pereira certamente iria para o Chelsea receber um salário milionário, mas o vencimento que tem no FCPorto é mesmo assim elevadíssimo! Eu nao sei quanto é que ele aufere por mes, mas será possivelmente mais do que eu ganho num ano.

JOSE LIMA disse...

Caros amigos
Este tema é muito interessante e contém elementos para alguma discussão.
Em face das cláusulas surrealistas que alguns dos principais clubes europeus pedem para negociar os seus atletas, tem surgido ultimamente pareceres de alguns juristas alertando para a tese de que algumas delas poderão ser consideradas “ilegais”.
Não havendo uma fórmula milagrosa para a “formação” do seu valor, a base de cálculo tem a ver essencialmente com factores como: custo de aquisição; idade do jogador; prazo do contrato; vencimento; performances anteriores; resultados ou classificação da equipa etc.
Vejamos o caso do Hulk. Se daqui por 2 anos ninguém pagar os 100M€ e o atleta, por qualquer motivo não quiser ficar no clube põe-se a questão:
O jogador deve ser “obrigado” a ficar eternamente no Clube, mesmo que, eventualmente tenha motivos de ordem pessoal ou profissional para sair que não sejam “atendíveis” pela entidade patronal? Não será um impedimento “ilegal” não o deixar sair, só pelo facto de ter uma cláusula que ninguém paga? No meu entender, e estou bem acompanhado neste raciocínio, o atleta ou o seu representante, poderão invocar que se trata de “cláusula abusiva”, logo, “nula de pleno direito”, e passível de denuncia contratual.
Vamos lá ver o que é uma “cláusula abusiva”. É por exemplo aquela que seja “incompatível com a boa fé ou a equidade”. Ou, “que possa ser considerada excessiva”. Ou ainda, “aquela que, inserida num contrato, possa contaminar o necessário equilíbrio ou possa, se utilizada, causar uma lesão contratual à parte a quem desfavoreça".
Abraço

Alexandre Burmester disse...

Caro José Lima,

As questões que coloca são oportunas, mas as dúvidas que levanta acerca da legalidade de certas cláusulas de rescisão só podem ser levantadas em tribunais de países onde impera a "norma do coitadinho", ou seja, aquele que não sabe o que assinou. Essa norma não se aplica nos direitos anglo-saxónico e germânico, os quais, felizmente, protegem o primado dos contratos.

É por causa dessas atitudes de "coitadinhos" e de "vítimas", apoiadas pelos respectivos poderes judiciais, que o Sul da Europa atravessa as circunstâncias que todos conhecemos.

Quem assina um contrato não pode - jamais! - pretender a ele eximir-se. O resto é conversa.

Nightwish disse...

Tente fazer um contrato em que se vende à escravatura e vai ver o quanto isso é verdade.
Estou farto de economistas de pacotilha que a única coisa que sabem dizer é que os portugueses não valem nada e que os outros é que são bons, é por causa de gente assim que cada vez mais os melhores fogem daqui o mais depressa possível e ficamos com os Álvaros e as teorias da roda quadrada.

José Rodrigues disse...

"Essa norma não se aplica nos direitos anglo-saxónico"

Ó Alexandre, olha q ironicamente foi precisamente no país mais anglo-saxónico de todos q tivemos a origem do acórdão Webster... afinal tb se preocupam com os "coitadinhos" por aqueles lados ;-)

Nightwish,

olha q se calhar é precisamente por muitos dos melhores portugueses emigrarem q o país é um pantano em tantos aspectos - o q por sua vez leva a q mais dos melhores portugueses emigrem, aumentando ainda mais o pantano, e assim por diante num ciclo vicioso...

Metendo a minha colherada, acho q o Alexandre exagerou um bocadinho mas concordo no ponto fulcral q ele faz de q os portugueses estão viciados numa atitude paternalista: a maioria da população está à espera de q o Estado tome conta deles em multiplos aspectos, ou q lhes de uns subsidios para se decidirem a investir, etc.

Mas isso já é mesmo off-topic.

Nightwish disse...

"q lhes de uns subsidios para se decidirem a investir"

Como a Sonae e quejandos?
Eu estou à espera que o estado cuide de mim (e dos outros) porque é para isso que lhe pago, para poder aproveitar o efeito de escala e o poder negocial e legal para lutar de maneiras que eu não consigo.
Senão que me devolvam o dinheirinho. Ai, espera, isso é para os subsídios à Mota-Engil, Brisa e outros que tais não é? Pois...