segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Uma equipa incapaz de jogar

«Sejamos claros: há muitas maneiras de perder e empatar jogos de futebol. Ou de os ganhar. O que se passou com os dois últimos encontros do FC Porto na Liga dos Campeões - a derrota em S. Petersburgo e o empate desta quarta-feira no Dragão com o Apoel – foram dois resultados muito negativos mas, pior, duas exibições ainda mais negativas. Não é jogar mal, é ser incapaz de jogar. O que é estranho.

Enquanto se vê o Benfica e o Sporting em trajectória ascendente, a equipa de Vítor Pereira parece na trajectória contrária, ou no mínimo indefinida, se nos lembrarmos que pelo meio houve uma vitória clara frente à Académica.

Há, claro, erros que hoje são evidentes: foi uma temeridade não inscrever Walter na Liga dos Campeões. E não estou a dizer que a culpa do que se passou com o Apoel foi de Kleber. Se fosse, era fácil ver onde está o mal. Mas o problema que se viu foi de uma equipa inteira incapaz de ter qualquer acção colectiva coerente. Uma equipa que defende mal desde o início da temporada e que por isso nunca se encontrou. Mas defender mal não é apenas uma questão do sector defensivo, porque qualquer equipa com aspirações, hoje, tem que começar a defender no ataque.

A culpa é de Vítor Pereira? Alguma terá, claro, mas nenhum treinador, por mais inepto que fosse – e não é o caso – era capaz de treinar uma equipa com aqueles jogadores a jogarem tão mal como nesta quarta-feira ou em S. Petersburgo. Facto é que a equipa não tem atitude, não é solidária, não tem boas soluções, a atacar ou a defender. Ouvem-se muitas coisas sobre o balneário, sobre salários, mas certo é que a equipa a jogar assim não vai passar desta fase da Liga dos Campeões, quando ainda tem dois jogos fora para realizar. O que seria um golpe duríssimo.»

----------

Este texto é da autoria do jornalista portuense (e portista!) Manuel Queiroz, e foi publicado no Semanário 'Grande Porto', em 21/10/2011, após o empate em casa contra o APOEL.

Daí para cá a equipa melhorou?
Será que o Manuel Queiroz e o Semanário 'Grande Porto' fazem parte de alguma conspiração para denegrir o Vítor Pereira e/ou prejudicar o FC Porto?

P.S. Destaco o "ouvem-se muitas coisas sobre o balneário, sobre salários..."

33 comentários:

Maria Da Fonte disse...

Pode ser portuense,mas portista?????

David Duarte disse...

é obvio que sim! O problema de quem tem a mania da perseguição e que vive assim na logica da teoria do complot é considerar que existem inimigos não apenas no campo adversario, mas sobretudo no seu proprio campo.

Uma achega meus caros tripeiros (aos que têm orgulho em sê-lo sobretudo!). O Benfica, ainda não se sabe muito bem o que é este ano. Sera as ultimas exibições são o resultado de um gestão? Mas se assim fôr, isso não justifica a falta de fio de jogo que tem sido manifesta... e o Jesus voltou a inventar ontem em Braga.

O Sporting ainda està muito fragil, e não é o facto de ter ganho contra equipas todas elas a lutar para não descer que isso muda a minha opinião (vitorias relevantes, apenas em Guimarães, não pela equipa em si, mas pela tradição, e em casa contra a Lazio, num jogo que se tivesse acabado 2-4 ou 2-5 não seria surpresa nenhuma com a quantidade de golos que os italianos falharam). Ainda não jogaram nem contra Benfica, nem Porto nem Braga. Agora é que vamos ver o que são.

O Porto, com o VP continuara na instabilidade actual. Sem motivação, sem fio de jogo. E com isto os empates (e algumas derrotas) vão continuar a chegar. Ora se o Porto quer ganhar alguma coisa tem de mudar jà se não entra no jogo do "ganha quem fôr menos instavel" como em 2004-2005 onde ganhou o menos mau.

Votei na sondagem pela, obviamente, continuidade do VP. Mas, racionalmente, o Porto devia mudar para alguém que volte a dar a ambição que faz parte do clube (porque fio de jogo, mesmo escondido, ele ainda està là... não desaparece em 4 meses!). E assim as hipoteses não são muitas. Um Pedro Emanuel ou mesmo Jorge Costa.

reine margot disse...

Imagine-se, então, como será o balneário do Real!

Odeio mentideiros, e o futebol português é pródigo nisso. Tudo se insinua e nada se sabe! - Vocês sabem do que falo...-

(Prólogo:
E, no final da época marcham todos para o Shaktar, o Zenit, o Chelski, o Atlético Madrid para serem muito felizes para sempre, e ganharem muitas champions!...)

David Duarte disse...

"o Benfica ainda não se sabe muito bem o que é este ano. Serà que as ultimas exibições são o resultado de uma gestão de esforços?"

Duarte disse...

David Duarte e porque é que temos forçosamente de contratar um treinador português que tenham sido ex-jogadores ou ex-adjuntos? Não há outros treinadores neste mundo?

Que Vítor Pereira tem de sair está mais do que claro.

Duarte disse...

Depois do ano do Octávio Machado e de 2004/2005 em que andamos, como disse o David Duarte, a ver qual era o menos mau, fiquei vacinado. Percebi os erros cometidos e muitos portistas como eu, também. Pena que ainda haja alguns que ou não têm memória ou então não querem entender as coisas e pronto.

Zé Luís disse...

José Correia, como sabes tenho muita consideração pelo RP e pelo
MQ em espcial por conhecê-lo bem.

Esse apontamento dele teve oportunidade no momento e para os dois jogos em concreto. Jogos que foram mesmo muito maus, os piores desta nova época algo conturbada.

Mas trazer isso, deslocá-lo no tempo, agora é muito feio, para não dizer pior. Acho, sim, que a equipa fez melhor em Chipre do que no Dragão com o APOEL e fez muito melhor ainda em Olhão.

Não alinho é em catarses colectivas, mas quanto a aspirações vingativas este post faz todo o sentido por si só.

Peço desculpa pela contestação, nem quero apelar a militância muito menos trazer alguns à razão, cada qual fica na sua. Não é meu hábito criticar quem quer que seja na sua casa. Como o fiz no meu espaço, não gosto de passar por desleal sem o dizer directamente, até pela repulsa que me provoca e isto vai, obviamente, muito para lá da mera apeciação ao jogo e à equipa, suas virtudes e defeitos.

Mas pela consideração altíssima em que tenho o RP, e também o MQ, não podia resistir a deixar este meu lamento.

No resto, a bola continuará a girar. E isso da perseguição, o que é comparado a arbitragens miseráveis, retiradas das capas dos pasquins, que "conspiram" contra o FC Porto mais do que meras opiniões avulsas?

Jorge disse...

Teorias de conspiracao deixo-as para os paranoicos, mas o "bandwagon effect" e um fenomeno comum especialmente entre adeptos "resultadistas."

Daniel Gonçalves disse...

Repito que o Vítor Pereira, não sendo o único, é claramente o principal responsável pelas péssimas exibições da equipa e pela falta de qualidade do futebol demonstrado pela mesma. A desorganização táctica da equipa é consequência da incapacidade do Vítor Pereira em colocar a equipa a jogar e não causa, tudo o resto (desmotivação e desorientação dos jogadores em campo) são razões secundárias que derivam da principal.

Parece-me absurdo que os portistas atirem a responsabilidade para o "vedetismo" ou os "amuos" de jogadores, não creio, e parece-me evidente, que não é essa a razão para a "crise" que se vive dentro da equipa. Os jogadores poderão estar desanimados mas tal deve-se à falta de motivação que lhe é transmitida pela equipa técnica. No geral parece-me um balneário muito disciplinado, e considero errada a ideia generalizada de que muitos estrangeiros trazem indisciplina à equipa. Basta olhar para o passado para vermos que os casos de indisciplina/insubordinação dentro do balneário vieram de jogadores portugueses e "da casa": em 1989 Fernando Gomes; em 1994 Fernando Couto, foi necessário Robson remetê-lo para o banco de suplentes alguns jogos para o F. Couto ficar mais "manso"; em 2001 Jorge Costa com Octávio; em 2003 Vítor Baía com José Mourinho, sendo necessário a mesma receita de Robson - banco de suplentes - para o Baía aprender a ser mais disciplinado; e recentemente no tempo de Jesualdo, o Bruno Alves, por considerar que possuía mais estatuto dentro da equipa do que os outros, teve uma rixa com o Tomás Costa. Portanto o passado demonstra que foram os jogadores da "casa" que trouxeram instabilidade e indisciplina ao balneário, isto não quer dizer que não tragam a disciplina quando esta é necessário, mas o vedetismo de "capitães" também tem o reverso da medalha.

Mário Magalhães disse...

Boas,

No sábado á tarde desloquei-me a Braga para ver a nossa equipa de Hoquei a jogar contra a equipa local, e em conversa com um amigo que é jogador da equipa local confessou-me que os nossos jogadores de Hoquei estão com 3 meses de salários em atraso. Quem lhe confessou foi um colega que neste momento joga no Porto e tinha jogado com ele em outra equipa.
Chego a conclusão que alva vai muito mal no nosso reino.

Daniel Gonçalves disse...

O Mário Faria uns dias atrás referiu, e com sentido, que a Gala dos Dragões de Ouro e a entronização do André VB poderia indirectamente significar uma desvalorização do actual treinador, Vítor Pereira, e que consequentemente deveria existir da parte da Administração do FC Porto uma mensagem de confiança para a actual equipa técnica. Eu acredito que essa mensagem de confiança existiu, mas foi feita nos bastidores e não na praça pública. Agora não se pode pedir que seja a SAD/Administração a fazer o papel que cabe à equipa técnica: motivar os jogadores e montar o sistema táctico que permite um futebol eficaz e ganhador, já não digo brilhante.

Miguel Pereira disse...

Por natureza sou contra o conceito de chicotada psicológica e continuo a ver nesta equação um problema que supera, e muito, o trabalho do técnico.

Há muitos adeptos que imaginam que um treinador que nunca fez nada na vida como o Jorge Costa - apenas por ser um dos nossos grandes jogadores do passado - pode trazer o que VP não parece dar. É uma opinião que apela mais ao sentimento do que à razão. Eu não confiaria num homem que anuncia a retirada definitiva para meses depois aparecer na Roménia. Quanto a Pedro Emanuel, parece-me que sofre do mesmo mal de VP, um secundário no elenco de AVB da época passada e que pode ter sobre os jogadores o mesmo impacto que tem o técnico actual (apesar de prognosticar ao PE um óptimo futuro).

Sendo que não há técnicos portugueses de nivel livres actualmente (até terça-feira suponho), e que Pinto da Costa se dá muito mal com treinadores de caracter como são Hiddink, van Gaal ou Lippi (homens que, desconfio, não gostariam de treinar o FCP), que me expliquem se é melhor o trocar por trocar, como o Zé Luis apontou bem - que foi um conto aplicado ao Jesualdo porque sim durante 4 longos anos - ou trocar quando realmente a troca faça sentido.

Mudar o VP fará os jogadores correrem, pressionarem, passarem a bola, jogarem com o mesmo empenho? Fará com que a SAD traga jogadores para posições chave como sucedeu no Inter o ano passado?

Alguém pode dizer isso como um facto?

um abraço

Duarte disse...

Zé Luís, desculpe, mas mesmo não se dirigindo a mim tenho de dizer qualquer coisa.

Parece-me uma discussão inútil tentar aferir qual o jogo que correu melhor: se o do Apoel no Dragão, se o de Chipre, se o de Olhão. Se esta discussão é mesmo necessária, então sugiro que púnhamos a questão central de uma forma correcta: qual foi o jogo deste lote que correu menos mal? Se tiver de ser que seja assim, mas o debate sobre quais dos jogos que não ganhamos foi o pior não deixa de ser sintomático relativamente às incapacidades do treinador. Há quem o compare a Octávio (metodologicamente, talvez), embora para mim Vitor Pereira pareça resultar de uma fusão do agricultor com o Carlos Queiroz.

José Correia disse...

Maria Da Fonte disse...
Pode ser portuense, mas portista?????

Sim, o Manuel Queiroz é portista. Disso tenho a certeza absoluta.

José Correia disse...

Zé Luís disse...
Esse apontamento dele teve oportunidade no momento e para os dois jogos em concreto. Jogos que foram mesmo muito maus, os piores desta nova época algo conturbada. Mas trazer isso, deslocá-lo no tempo, agora é muito feio, para não dizer pior.

Zé Luís, na minha opinião muito do que o Manuel Queiroz escreveu a seguir ao empate em casa contra o APOEL continua a ser actual. Exemplos:

“uma equipa inteira incapaz de ter qualquer acção colectiva coerente”

“uma equipa que defende mal desde o início da temporada e que por isso nunca se encontrou”

“a equipa não tem atitude, não é solidária, não tem boas soluções, a atacar ou a defender”

No teu comentário anterior, dás a entender que a equipa evidenciou melhorias substanciais no jogo de Chipre e que fez ainda muito melhor em Olhão. Ora, eu estou em desacordo com esta tua perspectiva e entendo que, no essencial, o artigo do Manuel Queiroz continua a fazer sentido, daí o ter publicado.

José Correia disse...

Zé Luís disse...
quanto a aspirações vingativas este post faz todo o sentido por si só

Interpretaste mal. Este post não tem nada a ver com vinganças (da minha parte? contra quem?) e o próprio Manuel Queiroz não centra a culpa unicamente no treinador:
“A culpa é de Vítor Pereira? Alguma terá, claro, mas nenhum treinador, por mais inepto que fosse – e não é o caso”

Zé Luís disse...

Não, o arrastamento do post não condiz com a realidade. Nem me admira, de resto, pois entretanto houve 5-0 e 3-0 e parece que não passou nada a não ser bater no mesmo.

Zé Correia, a coisa passou para o campo da subjectividade. Já andaram a falar de forma física, o JVP conselha um psicólogo. Parece-me boa ideia, mas não me sinto sequer atingido.

O que é jogar bem? Ganhar bem? Como? Quando? Bah...

Do caso em apreço, totalmente a despropósito e não foi da parte do MQ (obviamente um portista dos sete costados).

Duarte, peço desculpa eu por ter inferido que me referia a si.

Nunca faço comentários a comentários, apenas a alguém que faça um post. Como foi o caso em apreço.

Daniel Gonçalves disse...

Miguel Pereira afirmou "Hiddink, van Gaal ou Lippi (homens que, desconfio, não gostariam de treinar o FCP)". Discordo de si Miguel, considero que na hipótese de haver propostas da Liga inglesa, do Calcio, ou da Liga espanhola, entre essas propostas e a proposta do FC Porto esses técnicos possivelmente escolherão as Ligas mais prestigiadas, agora estando no desemprego e havendo um convite do FC Porto obviamente que esses treinadores preferem treinar o nosso clube, até por gosto da profissão, a estarem desocupados.
Qual era o treinador que estando desocupado, e esses nomes que citou estavam/estão, não gostava de vir treinar o FC Porto sabendo que havia contrapartidas desportivas excelentes: possibilidade de defrontar o Barça de Guardiola na Supertaça Europeia, estar no pote 1 da Champions, com boas perspectivas de nos oitavos/quartos defrontar um "tubarão" e demonsrtar o seu trabalho à frente do FC Porto.

"e que Pinto da Costa se dá muito mal com treinadores de caracter". Qual a razão porque Jorge Nuno PC se dá mal com treinadores de carácter? Se existe um excelente treinador que dá garantias de sucesso será que vamos preteri-lo apenas porque o Presidente não gosta da personalidade do treinador? Que raio de critério é esse para escolher treinadores? Um treinador deve ser escolhido de acordo com a competência do mesmo e não porque é do agrado/desagrado da Administração. O "cérebro" é que deve ditar a escolha de técnicos e não o "coração" ou o gosto pessoal. O Presidente do FC Porto não está acima do Clube.

Pedro Reis disse...

Nem os 3-0 à Académica, nem os 5-0 ao Nacional (que ainda ontem perdeu com o ultimo apesar da superioridade numérica e de resultado o jogo todo) foram sequer exibições razoáveis, foram tão apenas e só bons resultados.
Mas basta ver as exibições contra o Appoel e Olhanense para se perceber que a equipa está moribunda, medíocre, não faz 3 passes, não constrói uma jogada, tem raríssimas oportunidades de golo, treme cada vez que os adversários (mesmo "pobrezinhos") se aproximam da nossa baliza.
Se quisermos podemos enterrar a cabeça na areia, agarrarmo-nos a alguns bons resultados e fingir que está tudo bem, mas eu não vou por aí...

P.S. E o calendário do Campeonato neste início de época "era um passeio" para nós. É que entretanto o Benfica já foi ao Dragão e a Braga...

José Correia disse...

Miguel Pereira disse...
me expliquem se é melhor o trocar por trocar (…) ou trocar quando realmente a troca faça sentido

Miguel, não se trata de trocar por trocar. A questão, na minha perspectiva, é outra.
Para aqueles, como eu, que entendem que Vítor Pereira já demonstrou não reunir as condições para ser treinador principal do FC Porto, a substituição é uma necessidade, um mal necessário, se assim quiseres, e quanto mais tarde for tomada essa decisão pior.

Claro que poderás perguntar: Por quem?
Não sei, compete à SAD definir o perfil que pretende, conhecer o mercado (de treinadores) e fazer essa escolha.

E há alguma garantia que a troca de treinador vai resolver os problemas (ou pelo menos parte deles) que a equipa evidencia?
Claro que não e muito menos que os vai resolver de imediato.
Muitas vezes é dado como exemplo a época 2001/02. De facto, José Mourinho já não veio a tempo de resolver os problemas dessa época (não sabemos o que teria acontecido se ele tivesse chegado 1 ou 2 meses mais cedo) mas, pelo menos, identificou os problemas e criou as bases para o FC Porto das duas épocas seguintes.

José Correia disse...

Miguel Pereira disse...
Mudar o VP fará os jogadores correrem, pressionarem, passarem a bola, jogarem com o mesmo empenho?

Não sei, mas faço-te a pergunta ao contrário: por aquilo que tens visto, mantendo o Vítor Pereira, achas que algum dia isso vai acontecer?

José Correia disse...

Zé Luís disse...
entretanto houve 5-0 e 3-0 e parece que não passou nada

Neste período houve 4 jogos, dois em casa e dois fora. Contudo, oscilações à parte (uns jogos foram melhores e outros piores), se fizermos a derivada (peço desculpa por estar a recorrer a um conceito matemático) entre o FC Porto x APOEL e o Olhanense x FC Porto, a evolução verificada é muito pequena, se é que existe.

Além disso, quem viu atentamente as vitórias robustas em casa contra o Nacional e o Paços de Ferreira, sabe que os resultados não traduzem, nem de perto, nem de longe, as exibições da equipa nesses jogos e, inclusivamente, as dificuldades que o FC Porto teve até o avolumar do resultado ter feito as equipas adversárias baixarem os braços.

Mas já vi que vai ser impossível chegarmos a acordo, porque partimos de premissas completamente diferentes. Tu vês uma evolução positiva e melhorias notórias no desempenho da equipa, onde eu vejo a repetição dos mesmos problemas e defeitos.

JON disse...

Duas perguntas:

Há quanto tempo não aparece o Pinto da Costa publicamente a defender e apoiar o Vitó?

Quantos de vocês estão desejosos (por mais que uma razão) que o Paulo Bento qualifique a nossa selecção para o Europeu?

Duarte disse...

"Quantos de vocês estão desejosos (por mais que uma razão) que o Paulo Bento qualifique a nossa selecção para o Europeu?"

Estou eu, Jon, e por dois motivos: porque sou português e quero ver Portugal no Euro e porque sei que se Paulo Bento não ganhar e perder o emprego torna-se num alvo muito apetecido para futuro treinador do Porto, quanto mais não seja, para uma franja significativa de adeptos. Provavelmente os mesmos que gostavam de ver Pedro Emanuel já como treinador. Ora, até porque não gostava de ver o Paulo Bento a treinador do FC Porto, espero que elimine a Bósnia e continue na selecção de pedra e cal.

Não gosto do estilo de jogo de Paulo Bento, nunca gostei de ver o Sporting dele jogar, nem quando ia conseguindo algumas séries de bons resultados e a equipa algo limitada de que dispunha não explica tudo. Depois é um treinador muito conflituoso, não há sítio por onde passe em que não arranje confusões com determinados jogadores (por sinal, quase todos bons e importantíssimos na manobra da equipa). Só coloca a jogar aqueles com quem mantém boas relações e não estou para ter um treinador dessa intransigência. Disciplinador, sim, intransigente, não.

Paulo Bento seria uma boa solução se houvesse problemas latentes de indisciplina e falta de empenho. Aí sem dúvida, traria resultados a curto prazo, mas de qualquer modo também precisamos de um treinador que pense a médio/longo prazo e que, mais do que fazer uma chicotada psicológica, efectue uma chicotada metodológica. Como para mim, e sei que sou uma minoria, o problema está a léguas de ser a falta de disciplina e entrega, Paulo Bento não é a melhor solução.

Miguel Pereira disse...

Zé,

Nem eu tenho essa resposta, está claro, mas a questão está em mudar para quê? Que perfil buscamos? Porque se é para ir buscar um Couceiro que faça um curso intensivo de meio ano, sinceramente não vejo onde isso possa ser benéfico. Está claro que o trabalho de encontrar a alternativa é da SAD e o silêncio ensurdecedor a lembrar os dias do Jesualdo podem denunciar uma apatia ou um trabalho na sombra que já está a ter lugar, mas da mesma forma que fui muito critico com o Octávio e com o Fernandez, há que saber se nos vamos meter num "Mourinho", salvas as devidas distâncias, ou num "Couceiro".

Daniel,

Sinceramente acho que esses treinadores diriam que não. São técnicos que gostam de ter o controlo absoluto de tudo e o FCP é um clube de presidente, não de técnico. Ao técnico são-lhe dados os jogadores, as condições, a estrutura, e depois tem de trabalhar. Esses nomes,como provaram nas suas carreiras, envolvem-se com a própria estrutura de uma forma que não estou a ver a SAD aguentar. Isso já passou com o Adriaanse que queria mudar alguma coisa mais do que o onze titular.

E isso leva-me ao segundo ponto. O PdC gosta de técnicos que se adaptam á SAD, não o contrário e imagino que o perfil de um Mourinho ou um Villas-Boas em principio de carreira seja o ideal, mas quando são homens já feitos, com ideias próprias para lá do tapete verde, o choque é inevitável. Ivic, Fernando Santos, Oliveira, Jesualdo, Octávio, Carlos Alberto eram todos "yes man", Robson e Adrianse managers atipicos e Artur Jorge, Mourinho e Villas-Boas, rising stars. Nenhum deles era um técnico consagrado como os que se pedem aqui.

um abraço

Duarte disse...

"da mesma forma que fui muito critico com o Octávio e com o Fernandez, há que saber se nos vamos meter num "Mourinho", salvas as devidas distâncias, ou num "Couceiro"."

Miguel, concordo, e é nesse sentido que também eu tenho batalhado. Justamente por isso é que me tenho posto aqui, noutros blogs e nalgumas páginas do Facebook, contra a contratação do Pedro Emanuel, que tem sido o nome mais ventilado pelos adeptos. Precisamos de um treinador com experiência, qualidade de trabalho e diplomacia. Ou seja, tudo coisas que Vítor Pereira não tem objectivamente, mas que também não creio que Pedro Emanuel tenha ainda (experiência então não tem de certeza).

Também percebo o que dizes na tua resposta ao Daniel. Claro que a mim me agradava ter um treinador que assumisse as rédeas do clube, nem que fosse em conjunto com a direcção, mas Pinto da Costa não vai nisso. Talvez Frank Riijkaard fosse o meio termo. Tem curriculum, é defensor de um futebol atacante e tem muita experiência na relação com os futebolistas porque ele próprio foi um enorme jogador. Podíamos pôr o Paulinho Santos ou o Rui Barros como adjunto e depois também há o Will Coort, que é igualmente holandês, o que poderia facilitar a integração. Ao mesmo tempo, Riijkaard não me parece ser nenhum mandão, nem demasiado autoritário, como é Van Gaal por exemplo, além de que seria por certo mais barato. Creio que se saberia adaptar às idiossincrasias do clube, já no Barcelona trabalhou bem sob as directrizes do Laporta.

David Duarte disse...

Duarte, quando falei de P. Emanuel ou de J. Costa foi para sublinhar o facto deste Porto não ter a alma que o caracteriza. Sei bem que apoio um clube rival, mas isso parece-me evidente.

Sobre a hipotese do treinador estrangeiro, não sei se isso funciona com o Porto (com o Benfica funciona tradicionalmente). O Porto tem uma identidade muito especifica ligada à historia recente do clube (Pinto da Costa em termos administrativos e Pedroto em termos de espirito de equipa para ser mais claro) e à cidade. Não é qualquer treinador que percebe isso e muito menos vindo de fora... a saida do Del Neri, não estarà neste facto a causa?

Obvio que não é impeditivo, mas não é qualquer um que se adapta.

Daniel Gonçalves disse...

Miguel,

compreendo e aceito o seu ponto de vista sobre a adequação do técnico ao clube e vice-versa. Mas há um ponto no qual eu discordo nas suas afirmações, Tomislav Ivic era um treinador consagrado em 1987, quando chegou pós-Viena, tinha vencido na Holanda, na Bélgica e tinha experiência no Calcio (Avellino) e era um dos treinadores jugoslavos mais consagrados da altura, foi ele que lançou as bases do renascimento do futebol jugoslavo (servo-croata), foi com base nos "ensinamentos" dele que surgiu um Estrela Vermelha de Belgrado a ser campeão europeu em 1991, por ironia dos destinos contra um Marselha de Papin, treinado por Ivic.

Abraço.

agostinhop disse...

A opinião de MQ é evidente. Realmente a equipa do FCP, não parece 1 equipa. Jogadores claramente em má forma jogam com outros com um rendimento melhor. Jogadores desmotivados, arrastam para o fundo a pouca motivação que resta aos restantes. O ano passado, parecia uma inevitabilidade que o FCP, iria chegar à vitória mais cedo ou mais tarde. Os golos vinham, com o sol nasce todos os dias. Agora, é quase o oposto. O adepto que não vê a equipa a marcar até aos 20-30 minutos. começa a desesperar. Ou mudamos a atitude, ou não é só a CL que vai voar.

Mário Faria disse...

O VP foi uma escolha de risco. A promoção de um subalterno, que desempenhou esse cargo junto do grupo, numa época cheia de sucesso, só pode ser compreendida se quem se decidiu por essa promoção conhecia de forma segura as capacidades do profissional, do seu carácter, competência e capacidade de liderar um grupo laureado, e uma parte dele, apetecido e atraído por outros horizontes.

PdC nem sei se fez consultas a terceiros (falou-se na altura do Rui Faria, adjunto de Mourinho, que não aceitou o cargo), nem sei se decidiu, à primeira, segunda ou à quarta, por VP. Sei que essa escolha, só pode ser justificada pelo reconhecimento da capacidade de VP de levar o FCP a bom porto.

Provavelmente, PdC terá ouvido pareceres de dirigentes (nomeadamente de Antero Henriques) que acompanham de perto a equipa, e não me admirava que tivesse ouvido um ou outro jogador (da sua estrita confiança) para consolidar ou arrefecer a opção de passar o VP de adjunto a chefe.

Não acredito que PdC tivesse recorrido ao mal menor ou à solução mais prática e fácil de tomar, no imediato, ao escolher VP. As suas declarações foram categóricas e convenceram os mais cépticos. Incluía-me nesse grupo.

Feito o prefácio, e voltando-me para o assunto desta crónica, também me associo aos que não se sentem agradados com as exibições do FCP, com o estilo comunicacional de VP e com a gestão que tem feito do grupo, nomeadamente a partir do banco.

Todas as equipas que não estão em bom momento apresentam os mesmos sintomas. O MU tem tido exibições demasiado medíocres (incluindo a CL), mas é evidente que o seu treinador merece um crédito de confiança que de maneira nenhuma pode ser concedido a VP.

Noutro escrito José Correia perguntava : o que fazer ? Era muita presunção minha julgar o VP e declarar a sua culpabilidade do momento que o FCP atravessa. Não sou assim tão esperto na matéria, e engano-me bastante, embora mande muitos bitaites acerca de quase tudo porque essa é uma vocação nossa e que no futebol é apaixonante. Não condeno VP porque não tenho provas que seja o mal maior. A pressão sobre VP é asfixiante, como poucas vezes constatei. Nem com Octávio. Não consigo perceber esta reprovação tão “furiosa”, assumida por tantos adepto, mas obviamente é um direito que lhes assiste.

O clube não deve(pode) ser gerido pelas bancadas, a não ser em momentos especiais que ponham em causa o normal funcionamento da equipa e do clube, o que não é de todo o caso.

Competirá a decisão à SAD, se é quer vai haver alguma, embora entenda que o silêncio do presidente valha mais que mil palavras, a aguardar o momento certo para serem ditas. A SAD tem de tomar as decisões como se não cedesse a pressões. Vai tentar um acordo sem melindre. Aguardo com toda a serenidade a actuação da direcção, mas é minha convicção que a corrente partirá pelo elo mais fraco. Além disso, é sempre uma boa forma de sacudir a água do capote. Será ?

Miguel Pereira disse...

Duarte,

Totalmente de acordo.
A emotividade dos adeptos em recorrer a figuras da casa muitas vezes prejudica uma visão em grande plano e nem Pedro Emanuel - um projecto de bom treinador - nem Jorge Costa - um projecto de treinador medianito - neste momento parecem ser a solução.

Quanto ao Rijkaard, é sem dúvida um yes men, mas como provou em Istambul também é um técnico muito mais limitado do que se podia supor (este Barça, como outros clubes, funciona até em motor automático) e foi clara a sua passividade a lidar com o balneário nos 2 últimos anos. Não me fio nada.

Daniel,

Quanto ao Ivic, o pedigree europeu que tinha era muito similar ao do Eriksen quando chegou ao Benfica. Muita fama no seu país e pouco mais, apesar das passagens pelo Benelux. Só depois do sucesso com o FCP é que veio realmente a consagração internacional, a passagem por Madrid e Marseille. Até lá era um técnico bom, respeitado mas sem a fama do Robson quando cá chegou, por exemplo.

Mário,

O peso da época passada e os anos de insatisfação com Jesualdo e o medo de voltar ao mesmo rum-rum é o que pesa sobretudo sobre o técnico. Por isso é que defendo que nesta equação VP é um mal menor entre muitos factores de atitude e gestão que o ultrapassam. Mais do que o Octávio, faz-me lembrar o Quinito.

um abraço

José Correia disse...

Miguel Pereira disse...
O peso da época passada e os anos de insatisfação com Jesualdo e o medo de voltar ao mesmo rum-rum

Miguel, lendo esta frase, interpreto que fazes um balanço globalmente negativo dos quatro anos em que Jesualdo Ferreira foi o treinador principal do FC Porto. É assim?

Independentemente dos resultados, consideras que este FC Porto de Vítor Pereira tem-se exibido a um nível melhor do que foi o nível médio das quatro épocas de Jesualdo Ferreira?

Miguel Pereira disse...

Zé,

Nada disso, todo o contrário, sempre fui um defensor do Jesualdo Ferreira como um técnico cumpridor, pouco entusiasmante, mas cumpridor.

Mas os adeptos, o Tribunal e muitos dos leitores do RP nunca puderam com a imagem, as equipas, o modelo de jogo e os resultados do Jesualdo e depois de viver o ano passado um futebol refinado, aliado ao sucesso indiscutivel de AVB, o medo de voltar a um formato Jesualdo, onde até se é lider, até se podem ganhar coisas mas sem convencer, tira margem de manobra para o VP (ou outro qualquer).

Durante a época de Jesualdo houve jogos do FCP de adormecer no sofá e acordar ao dia seguinte mas também houve grandes noites, sendo o jogo em Manchester o que mais me satisfez. Com VP houve uma dezena de jogos, entre os quais uma boa exibição no Mónaco e em Coimbra e uma boa primeira parte com o Benfica. Mas um teve 4 anos para trabalhar e outro está a ter 4 meses. Só que a maioria assusta-se com a possibilidade dos meses se transformarem em anos e o homem não tem a culpa.

um abraço