terça-feira, 10 de janeiro de 2012

….. Antes do SCP ( I )

O FCP não tem apresentado um futebol agradável e os resultados têm sido (em média) apenas razoáveis. Cedemos mais 4 pontos que na época passada (a acreditar que venceremos na próxima jornada), não estamos longe do SLB e conservamos 6 pontos de avanço sobre o terceiro classificado. Não é o que gostaríamos, mas não vamos ser campeões todos os anos.

A época começou com uma parte do plantel meio fora meio dentro, com jogadores a querer sair, com outros tantos que o FCP gostaria de ver pelas costas e com um treinador promovido a principal, sem o carisma do anterior e, eventualmente, menos adepto da política de proximidade que AVB conseguiu manter junto do plantel, sem que essa filosofia de maior liberdade produzisse efeitos nefastos, nomeadamente na capacidade de iniciativa que incitava aos seus atletas na disputa do jogo.

AVB dispensou os jogadores de muitos dias de estágio, Helton considerou e considera-o um amigo e que essa era a sua maior qualidade e Sousa confidenciou que nunca tinha tido tantos dias de descanso, como na época passada. Apesar disso, a equipa manteve um alto ritmo em quase toda a temporada. Foi introduzida uma inteligente rotação, aumentando a condição de “efectivos” a alguns jogadores utilizados, anteriormente, na qualidade de meros suplentes. Melhorou-se a auto-estima de uns quantos sem colocar na prateleira nenhum, com excepção de Walter que esteve longe de ser utilizado, na proporção do elevado investimento que foi feito. Tornou-se, prematuramente, um problema sério, por razões desportivas e pessoais.

A pré-época foi marcada por uma série de incidentes, semelhantes nos efeitos aos vividos em 2004. Não havia jogador que não estivesse no mercado ou em vias de sair, os que restavam chegaram tarde em função de compromissos nas selecções dos seus países, outros apresentaram-se lesionados, outros pretendiam rodar noutros emblemas para poderem jogar com assiduidade e aceder à selecção portuguesa, outros foram cedidos, outros estavam contrariados, outros por aportar sem se saber quando e muito poucos estariam felizes por continuarem na família e, provavelmente, com este treinador.

Creio que as condições para VP continuar o trabalho feito anteriormente, estavam longe de ser as ideais. Por isso, ou por questões de carácter, VP (não é nem podia ser um clone da AVB) forçou a diferença e tornou-se (a meu ver) mais exigente, rigoroso e sisudo. O medo de falhar (ou de ser considerado “fraco”) poderá não lhe ter criado as melhores condições psicológicas para liderar um grupo habituado a um tipo de relação mais próximo e amigável. Por outro lado, uma boa parte do plantel, acreditava que tinha procura e queria partir para outras paragens, para ganhar mais, ou para entrar num campeonato mais competitivo ou apenas por entender que tinha terminado o seu ciclo no FCP. E quando se fecha o ciclo, não há nada a fazer. E quando os jogadores sonham persistentemente com a saída, pulam pouco, correm menos e operam pior no seio da equipa. Não querem que o futuro passe por aqui e, subconscientemente, estão menos predispostos a dar o máximo, lamber a relva, meter o pé e dar o corpo às balas. Não se querem sacrificar porque a cabeça já não mora cá e as pernas são ouro. É próprio da natureza humana.

Não discuto a escolha de VP. Como não discuti a de qualquer outro treinador. As minhas simpatias são instintivas e mais em função da maior ou menor empatia que formei – por conhecimento prévio ou estudo posterior - relativamente ao eleito. Não fiquei encantado com a escolha de VP e reagi à sua promoção de forma muito próxima da que tive relativamente à contratação de Jesualdo.

Por direito, é uma matéria que o Presidente reclama para si. Por isso, compete-lhe apoiar se acredita no homem ou despedir se reconhece que foi uma fraca solução de recurso. Não sei se alguma vez VP foi ouvido na formação do plantel, sobre as saídas e entradas de jogadores, ou se a sua função é exclusivamente de treinar a matéria prima que a SAD coloca à sua disposição. Os treinadores treinam e a SAD é a quem cabe por inteiro (com toda a justeza) as tarefas de alocação do investimento, de potenciar mais valias e de intervir no mercado. E o futebol é cada vez mais um negócio em que brilham os intermediários, investidores e terceiros.

A SAD põe e dispõe na formação do plantel. É minha convicção que, salvo no reinado de Mourinho, tem sido quase sempre assim. Se AVB tem continuado, é provável que lhe coubesse uma maior participação na formação do plantel. VP ainda não conquistou os galões que o autorizem a uma justificada intervenção nessa área. Acho que são PdC e Antero Henriques que decidem nesse domínio.

Para esta época gastámos como nunca, e ficamos sem um jogador credível e com experiência para a posição 9. Há muitas contas que não entendemos e muitas opções (gastar mais de 30m€ em três defesas é um disparate para um clube da nossa dimensão) que parecem pouco curiais, se atentarmos à larga experiência de PdC & Cia.

Na minha perspectiva, cabe cada vez mais ao treinador uma intervenção na formação do plantel, na definição dos perfis dos jogadores que carece, das posições e dos sectores mais deficitárias ou excedentárias de jogadores, dos que deveriam ser emprestados, dos que poderiam ser dispensados, dos que está pessoalmente empenhado em acompanhar e fazer crescer. A decisão não é sua, mas nunca um treinador, no quadro actual, se deveria isentar de apresentar um plano, propor soluções ou elencar sugestões, no âmbito desportivo.

Até ao jogo com o SCP mantivemos a liderança e contabilizamos menos dois pontos que na época passada. Fomos eliminados da Taça, não passamos aos oitavos da CL e não vencemos o SLB no Dragão. No sorteio da liga Europa saiu-nos a fava. Até 31 de Janeiro muitos boatos vão sair e alguns lesionados vão continuar nessa condição. É uma história conhecida. Em comentários e em artigos saídos na CS de portistas que sabem da poda, davam como certa a vitória do FCP em Lisboa se VP não inventasse. Porém, por esses dias, anotei muitas reclamações da parte de outros ilustres portistas, relativamente ao plantel do FCP: da pouca qualidade, do desinteresse e da improdutividade de alguns atletas que dele fazem parte, e do destino a que deveriam estar condenados. Dispensa, venda, ou despromoção eram as hipóteses mais avançadas. Cito os mais visados: Kléber, Maicon, Beluschi, Djalma, Souza, CR, Sapu, Fucille, Rolando, Fernando, Moutinho, Guarin, Walter e Varela. Não entendo como num quadro destes, a vitória com o SCP pudesse ser mais que um desejo, feito de esperança que não de realismo.

8 comentários:

Duarte disse...

Vou ser curto e grosso. Temos um problema central, chama-se Vítor Pereira. Este só se resolve com a demissão do dito. Tudo o resto é lateral.

Mário Magalhães disse...

Concordo plenamente com o Duarte, a demissão deste senhor é a única solução, o VP está a destruir um plantel que ganhou o que ganhou, mais de 50% dos jogadores andam descontentes com os seus métodos e sua politicas, já fomos eliminados da taça e não tivemos a astucia de passar um grupo bastante acessível na CL.
O nosso politica de defesa do nosso presidente é compreensível, mas no final da época tenho a firme certeza que vai torcer as orelhas pela fraca decisão que tomou, porque todos nós erramos e ele também erra menos vezes que os outros mais erra.
Ando desiludido e triste com este porto, sou portador de lugar anual e desde do jogo com o Benfica que não vou a um jogo enquanto este senhor estiver naquele lugar, não lhe vejo nem reconheço competência para estar no lugar, fez mais o nosso antigo capitão (Jorge Costa) para estar lá sentando de que o VP.
Vamos aguardar por melhores dias...

Pedro disse...

Caro Mário Faria,

Mais uma vez louvo-lhe a perspicácia e a inteligência. Desta vez não comecei pelo fim (pelo autor e pelo número de comentários), e mal comecei a ler o post, parece que adivinhava que este era da seu autoria.

Tenho pena de não o ler mais vezes.

Um bem haja.

Jorge disse...

Excelente post, inteligente e racional. Tambem gostaria de ler mais comentarios deste tipo mesmo que defendendo opinioes diferentes.

reine margot disse...

Não sei se tem alguma informação fidedigna e então calo-me, mas escreve como se supusesse. Aí, direi então: - Se é um facto que as equipes, como a moda, se preparam com bastante antecedência, a sua análise parte do princípio que o VP é mudo e quedo, e que antes dele já o AVB era mudo e quedo... não creio que isso seja verdade, e não gostaria de por em dúvida a competência de nenhum deles, mesmo ambos estando este ano mostrando menos do que deles se esperava. Porque essa ideia viabiliza então a seguinte: que o AVB nunca será nada como treinador a não ser que regresse ao clube gerido pelos srs PdC e AH, ou então que o russo contrate em definitivo o AH...
Sobre as compras não quero comentar: não temos dados para isso, pelo menos os dados oficiais, e cada um faz a sua análise, sendo até verdade que se supõe que o porto possa vender percentagens de activos que não lhe pertencem...
Quanto à gestão do plantel, ela tem obviamente muito de "hocus-pocus", para o qual uns são mais talhados que outros, mas também se faz de oportunidades e de conjunturas. Obviamente que a conjuntura no ano passado era favorável a um perfil como o de AVB, e porque tudo lhe saiu bem - acredito que ainda se pergunte como - a missão do VP ficou demasiado balizada por uma inatingível repetição...e, por um desejo de brilhantismo na forma de jogar da equipe que não reflete nem sequer a realidade do ano transacto. (Por acaso no ano passado ganhámos ao Zbording em Lisboa?)
Ou seja, para mim e, apesar de parecer quase tolice dizer isto, o "problema" de hoje é a consequência do ano passado. Alguém com os dois pés no chão alguma vez achou que o Porto ganhava ao Barcelona? com o coração muitos achámos, até mesmo os jogadores... mas não é só com propaganda que se ganham jogos.
Simplesmente, a grande equipe do ano passado foi grande, mas não tão grande como a pintaram.

Duarte disse...

Reine Margot, a conjuntura que AVB herdou no Chelsea não tem comparação com a que VP herdou no Porto. Em Londres, Villas-Boas encontrou uma equipa envelhecida, com jogadores a auferir ordenados milionários e em fim de carreira. Em suma, atletas sem nada por que correr, nem sequer por salários mais elevados noutras bandas. Vítor Pereira encontrou um plantel de campeões, com a moral em alta e ansiosos por fazer uma grande Champions. Mais, ainda viu a equipa ser-lhe reforçada, coisa que não aconteceu praticamente com AVB nos blues.

Villas-Boas fez a época memorável que todos conhecemos no FC Porto porque é um enorme treinador, Vítor Pereira está a falhar em toda a linha porque não tem competência. Mesmo na época passada, a situação de Villas-Boas era bem mais complicada que a de Vítor Pereira. O AVB entrou numa época em que o Benfica mantinha a estrutura que lhe havia dado o título em 2010 quase intacta. Quanto mais não seja, estava lá o mesmo treinador.

Não me lembro de ninguém ter pedido a Vítor Pereira uma repetição do que havia sucedido em 2010/2011. Além disso, comparativamente com o ano passado, nós não vamos sequer em metade. Esta época assemelha-se muito mais à de 2001/2002 com Octávio Machado, do que com qualquer outra.

Que haja quem ainda defenda o Vítor Pereira, eu aceito (custa-me muitíssimo a compreender, mas aceito), agora que o façam à custa da desvalorização de um ano memorável e de um treinador extraordinário como AVB é que me parece intolerável. Não estou a dizer que seja o seu caso, mas há gente que nem se importa de minimizar e atacar a história incomparável do FC Porto se com isso fizer a defesa de um homem que nada provou em lado nenhum e que nada deu, nem a nós nem ao futebol em geral.

Duarte disse...

"Por acaso no ano passado ganhámos ao Zbording em Lisboa?"

Não, ficou 1-1 com o golo deles em fora de jogo e com o Porto a jogar com 10 durante grande parte do jogo. Mas se quer ir pelos confrontos directos, qual foi o resultado do jogo com os lampiões no Dragão da época passada? E qual foi o deste ano? Se formos por comparações simplistas, então esta também vale.

"Simplesmente, a grande equipe do ano passado foi grande, mas não tão grande como a pintaram."

Pois não, golear o Villarreal é facílimo. Ir virar â Luz uma desvantagem de dois golos é algo que Vítor Pereira faria com uma perna às costas. Difícil é ganhar em casa ao APOEL. Difícil é ir a Coimbra passar uma eliminatória da Taça. Enfim...

Luís Negroni disse...

"A SAD põe e dispõe na formação do plantel"

Felizmente! Nem quero pensar no que seria se fosse Vítor Pereira a pôr e dispôr na formação do plantel.