quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Conversa de café


Reggie Jackson foi a figura da semana. Fez um jogo memorável na final da Taça, como José Correia escreveu. Com 28 pontos decidiu a partida com triplos impossíveis e entradas fantásticas. Incompreensível as perdas de bola do FCP em momentos cruciais, e inconcebível as ajudas dos árbitros que permitiram, durante uma boa parte do jogo, as aproximações do Barreirense e, por isso, nunca terem deixado de disputar o resultado, com um critério que muito nos penalizou relativamente aos contactos pessoais. O nosso poste quase não jogou. Fez-me lembrar aquele árbitro de futebol – hoje comentador – que para os nossos adversários apitava à inglesa e, relativamente ao FCP, à (pior) maneira portuguesa.

No hóquei patins, perdemos de forma categórica. Defendemos mal e não nos damos bem com equipas que jogam de forma muito fechada, com a defesa muito baixa, e sai bem para o contra-ataque. Os espanhóis também são fortes a defender, mas esses fazem-no quase sempre no homem a homem, em pressão alta, com ajudas e de forma exemplar. Por isso, não metemos a mão ao prato nas competições internacionais, há largo tempo. Só quando formos competentes a defender, em todo o campo, poderemos aspirar a ter êxito fora do burgo. E, como parece fácil e ficámos sempre tão distantes.


No futebol ganhar os três pontos foi o mais importante. Os destaques do jogo já foram comentados por especialistas e outros de nomeada, como o nosso João, que tal como o Alexandre também admitiu, que a presença de James (em função das suas características) talvez justificasse, na opinião de ambos, a evolução do nosso 4X3X3para um 4X4X2.

Não me parece que o mal venha daí. Considero que o 4X3X3 se enraizou no FCP com Jesualdo, e acho que é o sistema seguido nas escolas do clube. E, faz todo o sentido, diga-se. O sistema admite que os alas joguem por dentro, nomeadamente quando o lateral sobe. Do lado esquerdo James pode e deve ocupar zonas mais interiores sempre que Alvaro desce, e jogar mais junto à linha na ala na direita, porque Maicon ataca menos, tentando mais um contra um, como fez contra o Rio Ave : foi por esta banda que marcou os dois golos.

Vejo, como mais indicado um 4X2X3X1, que Mourinho disfarçava em 4X4x2 com Carlos Alberto (posicionado sobre a ala esquerda) a dar apoio a Derlei. A diferença maior resulta do facto do actual FCP ser menos sólido na primeira e segunda zona de pressão (excepção para Fernando) e inclinar demasiado o jogo pela ala esquerda. Até Alenitchev, um 10 por excelência, jogava frequentemente junto à linha, com liberdade para as diagonais que frequentemente fazia de forma primorosa. E, isso é que deve ser melhorado com mudanças mais frequentes de flanco, melhor ensaiadas e executadas, para contrariar o excesso de ataques pela banda esquerda que acabam em demasiados centros para a grande área, com destino mais que incerto.


No futebol actual, nenhum homem pode ficar dispensado de defender, e essa função é fundamental nos homens do meio campo para tamponar o fácil acesso à nossa última linha defensiva, e para roubar bolas ao adversário para sair no contra golpe.

O número 10 tradicional era um play maker que organizava, prioritariamente, as acções ofensivas. Aimar é, no nosso campeonato, quem se aproxima mais desse registo. Deco tinha um perfil idêntico. Ambos progrediram e tornaram-se mais completos, pela capacidade de organizar, impor os ritmos, defendendo e lutando, sem medo arriscar na jogada individual, de meter o pé e fazer a falta feia, no momento certo. Os centro campistas, box to box, são preferidos, actualmente, pela extensão do seu raio de acção, pela capacidade de luta e qualidade táctica. No nosso campeonato, acho que Moutinho é o que está mais próximo desse perfil, e que Scholes e Essien são excelentes jogadores que encaixam nesse registo.

No nosso FCP a abertura do mercado tem corrido de forma muito idêntica ao que ocorreu no defeso. Muitas dúvidas, e até o reforço certo de Inverno – Danilo – só foi possível porque cedemos às exigências do Santos a troco do empréstimo de Fucile. A novela Guarin parece não ter fim : o homem nem sai do ginásio nem vai para Itália. Temos que aprender a viver com o que temos e haja quem saiba improvisar se minguarem os recursos, por razões físicas ou outras.

Com o Gil vamos ter um jogo difícil. Como foi na primeira volta. Hulk não deve estar em condições, pelo que teremos mais um teste à equipa que também não vai contar com Fernando. Souza deve ocupar o seu lugar. Danilo continuará à espreita e Iturbe, no banco, não deve ser opção, ainda. Não espero alterações. Quero um Porto concentrado, lutador e ganhador. Venham lá mais três pontos.

2 comentários:

Luís Negroni disse...

"Fez-me lembrar aquele árbitro de futebol – hoje comentador – que para os nossos adversários apitava à inglesa e, relativamente ao FCP, à (pior) maneira portuguesa"

Nos jogos que eu vejo, seja futebol, andebol, basquete ou hóquei, é (quase) sempre assim. Para os adversários, critério largo nas faltas, para o Porto, critério muito apertado. Nada de espantar, portanto, o que aconteceu nesta final da taça da liga de basquetebol. E contra o slb, toda a gente sabe que é muito pior.

João Saraiva disse...

Não é só pela presença do James, é também por só termos o Kleber para jogar a ponta de lança e por termos vários jogadores que não podendo jogar como ponta de lança, podem jogar como avançados.