quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Palito dá, Varela confirma


Em noite de clássico espanhol ter de redireccionar a atenção para uma competição de cariz dúbio, torna-se um acto de disciplina exigente. O encontro do estádio do Dragão, tal como era espectável, nunca conseguiu elevar-se a ponto de esquecer quem em Madrid jogava, ainda assim, o FC Porto carimbou a vitória sem grandes sobressaltos e sem grande réplica.

Um Estoril organizado, apenas comprometido no espírito de “não ir muito além do seu meio campo”, foi adiando como pode o único resultado possível. O conjunto azul e branco também foi pouco incómodo, apenas ritmado a espaços por um Álvaro Pereira supersónico, merecedor dos maiores encómios da noite pela forma como encara uma partida de tão amorfa importância.

Ainda não foi desta que Danilo calçou a bota, e nem mesmo Iturbe garantiu vaga no onze inicial. Vítor Pereira fez-se conservador nas escolhas e optou pelos nomes mais regulares a fim de garantir o apuramento para a fase seguinte da Taça da Liga. Objectivo quase apontado, escapou-se a oportunidade de um jogo de olho arregalado.



Com efeito, num encontro pautado pelo ritmo baixo, durante grande período o frisson passou apenas por bolas paradas. Destaque para o livre de Moutinho aos 37 minutos onde guarda-redes dos visitantes salvou à queima. Até ao intervalo soçobrou o desperdício de Kléber a um golo feito, fazendo levar ao desespero os 15 mil heróicos adeptos que se deslocaram ao Dragão.

O segundo tempo não trouxe melhor futebol, mas a vitória haveria de ser garantida. Kléber, em noite infeliz, viu Vagner negar-lhe o golo de forma ortodoxa, que contudo não foi capaz de evitar aos 61 minutos o remate vitorioso de Varela com o pé esquerdo à entrada da área. Golo com assinatura do extremo, mas o grande artífice foi, claro está, Palito, num dos seus raides desconcertantes.

James viu o poste roubar-lhe o golo da suprema tranquilidade, mas estava escrito que o enguiço das bolas paradas jamais hoje seria proscrito. Nada que tenho levado a por em causa o sereno triunfo portista e os consequentes objectivos da equipa nesta competição. O futebol jogado, esse, é que continua ser pobrezinho.

10 comentários:

Pedro disse...

No outro jogo o qual me obrigava a zapping uma equipa teve 73% de posse de bola e a outra 27%.

Faz-me pensar que para além de um porto amorfo e desinspirado há um tal de melhor treinador do mundo que escreveu uma das páginas mais negras do Real Madrid. Desde que há estatisticas foi o jogo no Bernabeu com menor posse de bola do Real.

Os treinadores fazem de facto toda a diferença. E é pena que o nosso não faça diferença nenhuma. Jogamos pouco, com pouca gente nos movimentos ofensivos. Vale ao FCP alguns grandes jogadores que tem.

Daniel Gonçalves disse...

"O futebol jogado, esse, é que continua ser pobrezinho."

De facto, o principal ponto a ser focado, continuamos com muitos problemas no último terço do terreno e na construção de jogadas para marcar golos. Estamos a meio da época e este problema tem de ser (já devia ter sido) corrigido.
O jogo valeu pela vitória.

miguel_canada disse...

Eu mantenho a opinião de que dizer que o Porto não joga nada é um bocadinho exagerado. Há de facto ali algumas coisas interessantes porque, para todos os efeitos, aqueles jogadores são de classe media alta e tirando alguns momentos em que parece que existe uma pressa demasiadamente asfixiante de chegar a área adversaria, os jogadores do Porto até constroem jogadas interessantes.
O problema é que me parece que o nosso futebol é planeado e organizado, dentro das visíveis limitações técnicas do Sr.Pereira, até ao meio campo. Dali para a frente é o improviso total, tudo ao monte e fé em Deus. Eu às vezes até coloco algumas reticencias quando me dá a vontade de criticar o Kléber porque para mim, um mau jogador é um jogador que falha constantemente, um mau avançado é um avançado que falha praticamente todas as oportunidades de golo que lhe surgem pela frente. Mas o Kléber nem oportunidades de golo tem!!! Ou porque o Álvaro continua a insistir em cruzar a meia altura ou porque se falha o ultimo passe de forma quase cronica ou porque em termos ofensivos a ala direita funciona a meio gás por causa de um central adaptado a lateral ou seja lá porque raio for mas o Porto continua a ter pouquíssimas oportunidades de golo claras porque aquele ataque é uma balburdia, uma bagunça inqualificável para uma equipa do nível da nossa.
Sinceramente, acho que o Kléber teve um azar incrível que lhe poderá ser fatal para o resto da carreira...chegou ao FCPorto quando o Sr.Pereira era o treinador.

Pedro Reis disse...

Além de incompetente parece que temos um treinador que também é surdo...

"Assobios das bancadas? Não ouvi nada..."

Enfim nada de novo a não ser um jogo razoável do Varela, mas não nos esqueçamos que o adversário era o Estoril...
Continua a não haver fio de jogo, nem construção, mesmo num jogo destes (Estoril em casa) contam-se pelos dedos as oportunidades de golo que se criam; Iturbe continua a sua adaptação, ao banco de suplentes; continuamos a ser comidos como lorpas na questão do Danilo; etc. etc.
Para que é que estavam 2 jovens no banco, para fazer número? Se não é nestas situações que jogam é quando, contra o Benfica na Luz? Uma miséria aquilo que o FCP nos tem reservado para esta época, desde a direcção à equipa técnica!

Quanto ao jogo: notas positivas para o Mangala, Moutinho, James e Varela. O Alvaro apesar de correr muito e o jogo todo, raramente faz um cruzamento em condições...; a nota negativa vai para o Kléber, até pensei que tinha saído ao intervalo...

Pedro Reis disse...

Crónica do Jogo:
"Danilo, que se tinha juntado à equipa de manhã, na habitual rotina dos jogadores convocados antes dos jogos disputados em casa, teve de assistir ao encontro com o Estoril novamente na bancada do Estádio do Dragão. A estreia do lateral-direito ficou, deste modo, uma vez mais adiada, para grande desilusão dos mais de 15 mil adeptos que assistiram à partida, podendo o brasileiro ser lançado por Vítor Pereira no próximo domingo, na recepção ao Guimarães para o campeonato, num cenário que se afigura, porém, como pouco provável, tendo em conta o grau de dificuldade do jogo."

Não consigo perceber como um jogador com a qualidade e experiência do Danilo, "não pode" ser lançado num jogo em casa com esse colosso que é o Guimarães, quando ainda para mais a alternativa é um central adaptado... Espero que pelo menos uma vez o VP me surpreenda!

Ana Martins disse...

19 de Janeiro. Nenhum ponta de lança contratado.

Pedro disse...

@Miguel

"Mas o Kléber nem oportunidades de golo tem!!!"

Teve pelo menos 3 oportunidades claras... em pelo menos 1 delas nem acertou na bola. Nas outras foi algo infeliz, mas é um jogador sem confiança e "estaleca" para estas andanças.

Daniel Gonçalves disse...

Off topic:

espero que não saia Guarin, pelo menos para já, seria um erro.
O descalabro estratégico acentuar-se-ia.

Silver(io) disse...

Penso que o miguel_canada resumiu,brilhantemente, em poucas palavras,aquilo em que se transformou a equipe de futebol..

Mário Faria disse...

Estou em grande parte de acordo com Miguel _Canada. Saliento os aspectos que me pareceram mais importantes:

1. Foi dos jogos do FCP em que tivemos “posse” como deve ser : com boa movimentação e circulação de bola, criação de linhas de passe, pressão e capacidade de recuperação, e quase sempre no meio campo defensivo adversário. O Estoril raramente chegou perto da nossa grande área ;

2. Não fomos capazes de marcar, nem de criar situações de golo que o largo domínio exercido deveriam proporcionar. Por acerto da defesa do Estoril, por incapacidade : último passe, mais presença na área, maior capacidade individual para desequilibrar;

3. O FCP teve o seu pior período depois do golo. Os suplentes não acrescentaram mais folgo e perdemos alguma coesão, o que é recorrente .

4. Acho que foi um belíssimo treino e na minha perspectiva serviu para considerar que Varela não pode ser uma carta fora do baralho, que Defour deve acompanhar Moutinho e Fernando no meio campo, que Mangala e Souza são opções credíveis e que carecemos de um número nove que seja reforço.