sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Gestão desportiva e as culpas do treinador

Por Rui Silva Domingos


Há uma tendência geral para, quando tudo corre mal numa equipa, endereçar as culpas ao treinador. Os adeptos do FC Porto (onde me incluo) estão a incorrer neste erro. Na minha perspectiva, deveriam olhar directamente para o topo da hierarquia.

Este ano, após uma época única e histórica em que ficou demonstrada a nossa superioridade perante os outros a nível interno, e que se reflecte nas competições extra-portas, tornando o FC Porto como um dos clubes europeus no séc. XXI, as coisas não estão a correr bem.

Têm sido inúmeras as críticas ao treinador que são, na sua maioria, injustificadas. Vejamos porquê.

Pinto da Costa, que normalmente vai conseguindo gerir as saídas de jogadores chave com a contratação de outros, deparou-se com a saída de Falcao de uma forma prematura. As saídas dos ponta de lança têm sido regulares no FCP, Lisandro e McCarthy são exemplos disso, e não tem havido problema, pois estas situações têm sido previstas antecipadamente com a aquisição de outro ponta de lança de valor. Isto tem sido feito de uma forma que estes, ao entrar no FCP, façam o seu processo de integração de uma forma gradual na estrutura, antes de serem lançados na equipa principal do FCP. Vejam o Lisandro, que demorou a ser titular indiscutível. Este ano, com a saída de Falcao por 40 milhões, o FC Porto teve que se virar para Kléber. Um ponta de lança com um potencial enorme mas que entra sobre brasas pelo peso que é lhe posto em cima.
Esta foi a primeira falha do FCP em termos de gestão desportiva na presente época.

A forma como nos impusemos no ano passado por todo o lado, no campeonato e na taça de Portugal, depois de muitos terem dito que a taça já era deles e de ainda dizerem que, apesar de estarem a 12 pontos, ainda iriam ser campeões, o sucesso na Liga Europa, com uma dinâmica única em Portugal foi avassalador e de sucesso ímpar em Portugal. Mas este sucesso acaba por trair o FCP.

Este sucesso cria um efeito nefasto na equipa, pois muitos jogadores, de repente, querem ir para outros campeonatos onde são muito mais bem pagos, ou seja, querem sair do FCP. Álvaro Pereira, Belluschi, Guarin, Sapunaru, Falcao, Fucile e, por momentos, Moutinho.
Na minha opinião, deveriam ter sido todos vendidos. Pois é muito complicado gerir pessoas que trabalham contrariadas e que demonstram-no com falta de profissionalismo. Ou seja, parte do esqueleto da equipa está por estar.
Esta foi a segunda e grande falha da gestão desportiva no FC Porto.

Metade destes jogadores já saíram e espero que sejam vendidos no final da época (Fucile, Guarin, Belluschi, Sousa, Walter). Outros espero que se lhe sigam, o caso do Álvaro Pereira, que começou a época a jogar por frete, tendo o FC Porto que jogar com ele por falta de alternativa. Na faixa direita optou por Maicon, porque os outros dois também andavam contrariados (por isso não estranho o afastamento do Sapuranu, nem dos outros, e defendo-o).

Vítor Pereira foi o senhor que se segue nos comandos da equipa do FC Porto.
É o treinador que dá a cara numa altura extremamente complicada, em que metade da equipa não quer estar, e sem uma referência de ataque, o que a haver traduz–se numa menor dependência dos outros colegas de ataque.

O mercado de inverno foi positivo para o FC Porto e felizmente, apesar do desaire em Manchester, tem-se traduzido numa melhoria das exibições.

A vinda de Lucho, além da qualidade que traz, é uma injecção de moral enorme, pois trata-se alguém que vem e que diz que é aqui que quer estar e em mais lado nenhum. E o Janko traduz-se já em alguns golos.

Na minha perspectiva aquilo que tem sido o “modus operandi” do FC Porto falhou.

O Vítor Pereira poderá não ser um excelente treinador mas, perante isto, parece-me evidente que é mais difícil ter sucesso.

Independentemente disto tudo, estamos em condições de vir a ser campeões, dependendo de nós próprios só para isso.

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao leitor Rui Silva Domingos a elaboração deste artigo.

28 comentários:

João disse...

Concordo na íntegra, estou farto de dizer o mesmo. Com as suas limitações, que certamente as terá, as culpas pelo que se passou esta época começam no Antero Henrique e acabam no Pinto da Costa, ponto final. E já não é a 1ª vez que o Porto começa o campeonato sem categoria ou alternativas para uma determinada posição (leia-se no primeiro caso, Àlvaro Pereira, o jogador mais inflacionado do planeta, ou Kléber, muito mas muito mau, e no 2º Fernando, por exemplo) ou demasiado dependente de jogadores de performances flutuantes (de Quaresma a Hulk também não faltam exemplos), pelo que das duas uma - ou é sobranceria ou, bastante mais grave, incompetência.

M. Teixeira disse...

Caro Rui Silva,

Antes de mais, parabéns pelo artigo. Sóbrio e equilibrado.
No geral, este artigo vem ao encontro do que tenho defendido... a culpa desta época desastrosa não é apenas do VP, é repartida com a penosa preparação e gestão desportiva desta temporada por parte da SAD e dos amuos de uma boa parte do plantel porque queriam sair após um época de sonho (seguindo o exemplo do anterior maestro da banda... AVB).

Contudo, pelo que temos visto, VP também já demonstrou não ter qualidade para um clube como o nosso. Já com o grosso do plantel a dar o litro dentro das 4 linhas, por várias vezes demonstrou não saber mexer na equipa, não sabe ler os acontecimentos do jogo e reagir em conformidade. Além disso, parecem óbvias as suas fragilidades em termos de comunicação e liderança de equipas.

No entanto, o VP está a sofrer do síndroma "Jesualdo Ferreira"... o pessoal não gosta e acabou. Isso faz com que vários portistas só consigam ver um culpado em tudo o que de mal acontece ao FCP... VP. Erros de arbitragem contra nós, erros individuais dos nossos jogadores, etc etc... deixaram de ser argumento válido!

Saudações portistas,
Marco Teixeira

reine margot disse...

Chamado a comentar no ano passado, sobre o campeonato na Grécia, país do qual é selecionador, o engenheiro do penta - outro mal-amado- falou sobre o também-mal-amado Jesualdo Ferreira, dizendo: "o Jesualdo precisa de tempo! Dêem-lhe tempo, e ele será campeão!"

Dêem ao VP, um adjunto que tenha um bom discurso!

Quanto à programação da época, acredito que seja difícil em cima da hora fazer alterações, para quem tem por custume preparar com um ano de antecedência. Acho que foi óbvio que os jogadores mudaram as suas agulhas assim que viram o Libras ir embora.
Achando que tinha de não acontecer o mesmo que aconteceu quando saiu o Mou a SAD segurou os que pode.
também se demonstrou ser um erro.

InVicturioso disse...

Pois eu concordo com muito pouca coisa do que foi escrito no artigo.

Com todo o respeito, quem é o responsável pela gestão da moral no balneário? Não é o treinador? E se o caro Rui Silva Domingos tira a culpa ao treinador neste ponto, vai dá-la à direcção porquê? Você acha mesmo que é viável uma equipa como o Porto pura e simplesmente vender os jogadores que estão com a cabeça noutro lado? É que se assim fosse então todos os anos não tínhamos equipa de futebol.

Para além disso, o Rui Silva Domingos reflicta um pouco e diga-me: quais foram os jogos de grau de dificuldade maior que o Porto ganhou este ano? Estou a pensar nos jogos com o Zenit, com o Apoel, com o Benfica, com o Sporting, com o Manchester City. Em nenhum destes jogos a equipa saiu-se bem, por nítida falta de liderança.

Além disso, foi o Presidente que substituiu o Guarin contra o Benfica quando este estava a ser o melhor em campo? Foi ele que "adaptou" o Maicon a defesa-direito? Por amor de Deus...

Vítor Pereira é claramente um indivíduo sem ideias próprias, após o jogo com o Manchester City da primeira mão, ao ver que o golo do Porto surgiu quando Hulk estava na ala esquerda, a crítica berrou que Hulk só rendia na ala e ele toca a por o Varela a ponta-de-lança. É ridículo.

Isto de querer inocentar o treinador é muito bonito, mas tenho a plena convicção que a culpa desta época desastrosa é 80% dele.

miguel87 disse...

@José Rodrigues:

«15 de Fevereiro de 2012 16:19
miguel87 disse...
José Rodrigues, se perdermos por 4 ou 5 com o City retirarei todas as palavras que escrevi em defesa do treinador desde o inicio da época e não voltarei a invocar nos meus comentários o arrebatador futebol apresentado na vigência do Prof. Jesualdo.»

Embora em circunstancias completamente diferentes das últimas goleadas sofridas em Inglaterra, vejo-me compelido a manter a palavra dada no passado dia 15 e como tal retiro tudo o que disse em defesa de VP e não voltarei a invocar o anterior Prof. que usou a braçadeira de treinador!

Boa sorte para o resto da temporada e que os constantes azares que nos têm perseguido esta época terminem logo após a nomeação do João "pode ser" Ferreira para o jogo da próxima jornada!

João Diogo Reis disse...

A culpa da péssima época não é unicamente do Vítor Pereira, mas é principalmente dele.

O FC Porto perdeu 5 dos 9 jogos europeus que disputou esta época!

Perdeu a Taça de Portugal, que tinha ganho nas últimas 3 épocas.
Foi eliminado na fase de grupos da Liga dos Campeões, onde quase sempre se qualificava para a próxima fase.
Foi eliminado da Liga Europa, com a maior derrota da história do clube, uma competição que tinha ganho das últimas duas vezes que tinha participado.

O Vítor Pereira por mim tinha sido despedido em São Petersburgo, já nem tinha voltado no avião com a equipa. Tinham-se evitado as humilhações seguintes.


O Lisandro “demorou” a ser titular porque na primeira época era treinado por uma besta, que preferia o Sokota e o Adriano e gostava de jogar em 3-3-4… e queria mandar vir o Venegoor of Hesselink. Só mesmo um estupor destes é que faz o Vítor Pereira parecer “not so bad”.

Verdade, o Falcao saiu, e a equipa ficou sem ponta-de-lança… Mas tem vários avançados, não podia um TREINADOR modificar o ataque e passar a jogar com 3 avançados móveis (Hulk, Varela e James)? Ou passar a jogar em 4-4-2 losango com o James no vértice mais ofensivo e dois avançados móveis na frente?
Mas isso era trabalho para um TREINADOR, não para o Vítor Pereira. O Vítor Pereira é um tipo que põe uns cones no relvado para os jogadores correrem à volta, e distribuiu uns coletes. Não tem competência para mais que isso.

E essa de se repetir “over and over again” que o Kléber ainda se tornará num bom jogador… O Kléber é PÉSSIMO. É tão bom a jogar como o Vítor Pereira é a treinar.
O FC Porto não teve paciência com grandes avançados, por exemplo o Luís Fabiano, que chegou como vencedor da Copa América, melhor marcador da Copa Libertadores, e ao fim dum ano puseram-no a andar (o Sevilha agradeceu)… agora vai ter paciência com este traste rejeitado do Atlético Mineiro?
Se ele valesse alguma coisa, o Atlético Mineiro não o tinha considerado excedentário e mandado emprestado 2 anos para o Marítimo.


Não me preocupam minimamente os jogadores do FC Porto que são muito assediados por outros clubes. É bom sinal, quer dizer que são bons jogadores. Preocupa-me é aqueles que ninguém quer!

Nunca percebi esta mania que os adeptos do FC Porto têm, de ingratidão com aqueles que lhes deram tudo, e depois de lealdade a admiração com aqueles que não lhes dão nada. Incompreensível.

Eu gosto do Fucile, do Guarín, do Falcao. Não gosto do Vítor Pereira, do Kléber, do Belixo…


Eu acho que os jogadores estão contrariados não por quererem ir para outros clubes, mas sim por serem “treinados” por um incompetente como o Vítor Pereira. Se ele saísse o problema da desmotivação acabava também.


E agora vou dizer uma coisa que se calhar nem vai ser publicada, e se for vai com certeza ser atacada pelos que se auto-intitulam “portistas a sério”:
Espero que o FC Porto termine a época em TERCEIRO lugar, e tenha de disputar pré-eliminatórias da Liga dos Campeões logo em Julho. Talvez assim construa uma equipa decentemente, tal como o Benfica o fez esta época.

Franco Baresi disse...

Nota prévia:
Eu sou Portista. E não há ninguém mais Portista do que eu. Pode é haver tão Portista como eu.

Agora o meu ponto, no seguimento do expresso neste artigo:
Os jogadores, os treinadores, os directores , os presidentes, e até os estádios, todos passam. O FC Porto mantém-se. O que predomina (ou devia) nos interesses dos Portistas é o interesse do FC Porto e não os dos outros factores/actores que enunciei.
Por isso é que penso que Pinto da Costa devia ter saído da presidência em 2004, depois de construir o estádio novo e de ter ganho a Liga dos Campeões. Tínhamos ganho um Presidente "herói" pois saía em grande. Tínhamos ganho um avanço na remodelação dirigente no Clube, que agora já está a tornar-se um atraso (e que vai ser cada vez mais difícil recuperar). Já tínhamos ganho um nome bem mais apropriado para o estádio (que se irá chamar, no futuro, "Estádio Pinto da Costa" - tenho a certeza).
É a lei da vida. Receio que Pinto da Costa desfaça parte da sua aura nestes tempos porque não se apercebe que já não é o que era. E ninguém próximo lhe faz ver isso (síndroma "yes man").
E quase sacrilégio o escrevi, mas atentem na minha nota prévia e, fazendo jus ao nome deste Blog, pelo menos façam uma reflexão sobre isto.

PA

Luchugo disse...

Penso que a culpa terá de ser repartida por todos desde a direcção que planeou mal a época - para mim não ter planos de contingência é falhar - ao treinador - boa pessoa com boas ideias mas sem carisma - e aos jogadores que seja porque razão for andam desconcentrados.

Hélton, Pereira, Fernando, Moutinho, James e Hulk.

Se juntarmos o Lucho e o Danilo passam a ser 8 acima da média.

Tal como em qualquer clube que tenha aspirações sérias na Champions são precisos pelo menos 15 bons dentre os quais 2 ou 3 excepcionais que desequilibrem a balança.

Quero ver se o Mangala, o Defour e o Iturbe se juntam ao grupo acima para termos 11. Talvez se aproveite um dos restantes centrais e o Janko, se continuar a marcar, também se possa incluir.

Fora isto não vejo mais nada... e dentro nenhum se sobressai, nenhum eleva a fasquia, nenhum demonstra ser capaz de puxar pela equipa quando ela está em baixo.

Quando penso que actualmente o nosso melhor jogador é o Fernando, penso que está tudo dito.

Anónimo da Silva disse...

Não consigo formar uma opinião definitiva sobre o VP em relação às tácticas e aos métodos.
Isto porque, como se costuma dizer, sem ovos não se fazem omoletes.
Há erros gravíssimos no planeamento da época, começando na substituição do Falcao por Kléber e meio Walter, passando pelo ridículo de não deixar o treinador usar Alvaro Pereira nos 1ºs jogos por estar quase a sair para o Chelsea, pelos 3 ou 4 jogadores que ficaram mas com a cabeça noutro lado (Guarín, Fucile, Belluschi, etc) e acabando na ridícula negociação de Danilo que ficou mais 6 meses, era para ficar ainda mais 6 e acabou por vir apenas porque lhes emprestamos um lateral.

Posto isto e considerando que os grandes culpados desta época são os senhores da direcção, penso que Vítor Pereira tem limitações. Não ao nível do discurso (honestamente quero que se f*** o que ele diz aos jornalistas se a equipa ganhar), mas sim ao nível da união e motivação do balneário. A equipa não está com ele, há claramente gente ali que não está minimamente preocupada com os resultados desde que no fim do mês recebam o deles. Isso, AVB fez muito bem e VP não conseguiu fazer.
No entanto, AVB tinha também Pedro Emanuel e o próprio VP como adjuntos enquanto o pobre VP tinha Rui Quinta (quem?) e Semedo, um ex-jogador sem qualquer perfil para o cargo que ocupa. E a recente promoção do Paulinho Santos a adjunto demonstra mais uma vez os erros cometidos inicialmente.

Posto isto, para a próxima época penso que será melhor a saída do VP. Agora a questão da substituição terá que ser bem tratada. E digo já, entre VP e Domingos prefiro o 1º. Domingos fez um trabalho miserável no Sporting, não só pelos resultados mas também pelas exibições e organização da equipa em campo (aquela defesa treinava? Era cada um por si!). Além disso mostrou também ter dificuldades enormes na gestão do balneário e isto já sei através de alguns bons analistas de futebol, os seus métodos de treino são rudimentares, totalmente atrasados em relação a Mourinho ou AVB por exemplo.
Entre as escolhas possíveis em Portugal Leonardo Jardim ou Pedro Martins parecem-me candidatos interessantes e acredito que o nosso presidente conheça bem o seu valor.
Portanto espero que para a próxima época o plantel seja devidamente elaborado, com a chegada dum ponta de lança de classe (sim, acho que mesmo só o Janko não chega), com a integração do Castro e Atsu no plantel e se possível com a promoção do Tiago Ferreira à 1ª equipa para ver se finalmente voltamos a recuperar a mística e garra que nos caracteriza.

Sansoni7 disse...

Olá
Caro José Correia, excelente post que obviamente assino por baixo.

Augusto

José Correia disse...

Sansoni7 disse...
Caro José Correia, excelente post que obviamente assino por baixo

Caro Augusto, o seu a seu dono. Este artigo é da autoria de Rui Silva Domingos, um leitor do 'Reflexão Portista'.

Daniel Gonçalves disse...

Vítor Pereira pode não ter a totalidade da culpa/ responsabilidade pelas más exibições, e correspondentes maus resultados, mas tem a maior parte.
Invocar a ausência de um avançado-centro e da não substituição do Falcão para desculpar parte do trabalho de VP parece-me errado. No passado quando ficamos sem Bosingwa e Paulo Assunção logo de uma vez - eram peças fulcrais na estratégia da equipa - continuamos a vencer na temporada seguinte, apesar de uma fase má (derrotas com Leixões e Naval), e da integração de jogadores novos (Fernando, argentino Benitez, e depois a deslocação de Fucile para a direita). Não me lembro de, na altura, ninguém vir desresponsabilizar o treinador de então pelo facto de se estar a processar mudanças necessárias na equipa-base.

Outra questão que me deixa perplexo é Walter, este ia ser o segundo ano dele no FC Porto, ora se ele não tinha o valor para continuar no plantel, já deveria ter sido dispensado no final da temporada passada, pois se não tinha valor em Dezembro também já não o tinha em Junho. Teríamos então contratado outro jogador para o substituir, sendo que VP já o conhecia da temporada anterior, se não contava com ele - e não o incluiu na lista da Champions - talvez já tivessemos o Janko desde Julho. A verdade é que Walter sempre que jogou, marcou golos, tinha um rácio bastante bom, mesmo que fosse contra equipas de nível médio e a única vez que jogou contra uma equipa com maior valor - Sporting na temporada passada - também marcou um golo. Mas a questão é esta: se tivessemos contratado um avançado para substituir Walter, o Kléber - supostamente para substituir Falcão - não teria sido lançado às feras tão cedo.

Sansoni7 disse...

Olá
Caro José Correia, excelente post que obviamente assino por baixo.

Augusto

Miguel Magalhães disse...

Em 1988, após termos sido campeões europeus, vendemos as duas estrelas da equipa (Madjer e Futre), mudamos de treinador (quis ganhar mais dinheiro) e ganhamos tudo excepto a Taça dos Campeões da qual saímos eliminados pelo Real Madrid. Os jogadores que ficaram, apesar de grande maioria deles ser da casa, viraram as costas ao treinador que viu difícil gerir o balneário - ficou célebre a frase "Gomes é finito". Os adeptos passaram a época contra o treinador que acabou por sair no final da época. Ivic era um treinador conceituado na Europa.
Em 2004, após ganhar a Taça UEFA, mantivemos o treinador, a estrutura da equipa que foi reforçada com um ponta de lança a sério, jogamos muito, tivemos sorte e fomos campeões europeus. Os adeptos estiveram sempre com a equipa e o treinador.
Em 2005, após ganhar a Champions, saiu o treinador (quis ganhar mais dinheiro), o presidente inventou a contratar um treinador de segunda linha em Itália, depois o Rui Barros, depois o Fernandez (conceituado em Espanha), depois o Couceiro. Os melhores jogadores da equipa saíram e os que ficaram, ficaram contrariados, não jogaram nada, criaram mau ambiente e fizeram a cama aos vários treinadores. A época foi má, apesar de termos ganho a Intercontinental. Os adeptos estiveram contra a equipa e os vários treinadores.
Em 2012, a história repete-se após termos ganho a Liga Europa. Saiu o treinador porque quis ir ganhar mais dinheiro. O melhor jogador da equipa (na minha opinião) também saiu e os que ficaram, ficaram contrariados pois também queriam sair. Quando vieram para o Porto não foi para cá ficarem toda a vida. Foi para terem um trampolim para os campeonatos espanhol, inglês ou italiano. O treinador, desta vez, nem foi conceituado, nem foi um desconhecido de outra liga europeia. Foi um profissional ligado ao clube do qual tinha sido adjunto na época anterior. Também não conseguiu lidar com o balneário, também não teve a simpatia dos adeptos, vamos ver se ganha alguma coisa.
Olhando para a história, estou de acordo com este artigo.
A SAD? deveria ter vendido os jogadores todos que queriam sair e assumir o ano zero de um novo ciclo. (interrogo-me se não ganharmos o campeonato, mas ainda assim o exercício der resultado positivo como consequência da venda de jogadores, a administração recebe bónus)
O treinador? não está a fazer pior do que os anteriores fizeram em idênticas circunstâncias nem está a ter mais apoio por parte dos adeptos do que aquele que os outros tiveram. Destino: sair no final da época. Costumo dizer que são apenas 40cm a distância entre uma palmada nas costas e um pontapé no cú.
Os adeptos? iguais a sempre. A culpa é do treinador...

Daniel Gonçalves disse...

Miguel Magalhães,

além do problema óbvio com as datas:
- "Em 1988, após termos sido campeões europeus..." Foi 1987
- "Em 2004, após ganhar a Taça UEFA..." Foi 2003
- "Em 2005, após ganhar a Champions..." Foi 2004

A sua análise parece-me errada.

"O treinador? não está a fazer pior do que os anteriores fizeram em idênticas circunstâncias..." Idênticas circunstâncias???? O ambiente e as circunstâncias pós-Viena não têem nada a ver com a actual, na altura saiu o único jogador - Futre - que teve propostas para sair; Madjer só saiu em Janeiro, após a Intercontinental, para o Valência, e nos 3 meses que esteve na equipa, após Viena, não esteve amuado. O balneário nunca levantou problemas a Ivic, e este só saiu no final da temporada de 1987/88 porque assim o quis. Houve contestação dos adeptos, mas foi ao tipo de futebol apresentado, cínico e calculista, pois as bancadas estavam habituadas ao brilhantismo da equipa de Viena. Ivic saiu porque terá pressentido o que implicava a sua permanência como treinador: uma limpeza de balneário, situação com a qual não quis arcar, foi o regresso de Artur Jorge, após a experiência de Quinito a treinador, que permitiu renovar um plantel envelhecido: Lima Pereira, Frasco, Eduardo Luís, etc. Tal situação não tem nada de semelhante com a actual, neste ano tinhamos um plantel valorizado, recheado de talento e potencial, que só a incapacidade do treinador em o potenciar, e dele tirar proveito, produziu resultados além do esperado.

Daniel Gonçalves disse...

(continuação)

Em 2003, saiu Postiga e Capucho, porque Mourinho - que continuou como treinador, portanto também não se pode comparar com a situação de 2011/2012 - prescindiu deles. Houve interesse em Deco por parte de clubes ingleses e do Barça, mas penso que nunca houve propostas em concreto para levar o jogador luso-brasileiro. Também surgiram rumores do interesse em Ricardo Carvalho. Se houve amuos, nestes jogadores, pela não saída para outros campeonatos decorrido pouco tempo, os mesmos já estavam concentrados assim como perfeitamente motivados na equipa, e esquecido completamente qualquer saída para outro campeonato, portanto qual a diferença para a situação actual? O treinador, que soube mentalizar os jogadores, fazendo-os esquecer qualquer não saída, e possível amuo, e integrando-os no espírito da equipa. Aqui Vítor Pereira falha completamente, embora eu não considere que os possíveis amuos sejam justificação para as más exibições desta temporada, e concordo com João Diogo Reis quando afirma que " os jogadores estão contrariados não por quererem ir para outros clubes, mas sim por serem “treinados” por um incompetente como o Vítor Pereira. Se ele saísse o problema da desmotivação acabava também."

Daniel Gonçalves disse...

(continuação)

Em 2004, após ganharmos a Champions, aqui sim é possível uma semelhança com a actual. Mas convêm considerarmos uns detalhes: foram jogadores ("vacas sagradas") do plantel que se incompatibilizaram com Luigi Del Neri e com as tácticas deste, nesta temporada não existiam jogadores "intocáveis", como em 2004, dentro do balneário, que se considerassem superiores ao treinador, além de que Vítor Pereira já era conhecido do plantel, embora noutras funções, e não um perfeito desconhecido, como Del Neri, que entrou pelo balneário dentro. E sim, havia jogadores que desejavam ir para outros lados, e os treinadores desse ano - exceptuando em parte Fernandez - não souberam mentalizá-los e motivá-los para darem o máximo pela equipa.

De salientar ainda que Mourinho, em 2003, para participar na Champions, quais 2 avançados, Jankauskas e Benny Macarthy, além de Derlei, o Hulk da altura. Ora se Vítor Pereira não contava com Walter deveria, logo no início da temporada, ter colocado a o problema à SAD (na verdade não sabemos se colocou, mas duvido que a SAD não lhe fornecesse alternativas, caso VP tivesse colocado o problema em cima da mesa), em vez de ir para a Champions com um novato e inexperiente Kléber. Aqui vemos a diferença de visão e de planeamento estratégico entre estes dois treinadores.

Daniel Gonçalves disse...

Miguel Magalhães,
"A SAD? deveria ter vendido os jogadores todos que queriam sair e assumir o ano zero de um novo ciclo."
As suas ideias, se aplicadas, levariam ao fracasso e insucesso, desportivo e financeiro. Não somos um clube milionário para estar todos os anos a comprar uma equipa, 11 jogadores ou mais, e devemos tirar o máximo proveito dos jogadores que compramos, senão não temos estabilidade na equipa - onze base - e passamos a ser uma "estância de férias" de jogadores que usam o FC Porto como veículo passageiro para projectos pessoais. O Clube dando oportunidade para aqui jogar tem o direito de exigir algo em contrapartida, e isso implica mentalizar o(s) jogador(es) para recusarem a 1ª proposta, e talvez a 2ª, claro que chegará a altura em que o FC Porto não podendo competir, financeira e desportivamente, deixará o jogador sair, mas não deve ser logo que o jogador - ou melhor o agente dele - assim o queira. Penso que foram as ideias que o Miguel Magalhães preconiza que, aplicadas, levaram o Ajax a deixar de ser um gigante na Europa para passar um clube banal e a ser encarado como um mera estação de passagem.

Bernini disse...

Post de bradar aos céus!!

Que é preciso mais para o treinador vaidoso mostrar que é o pior que já passou por aquele lugar??

Multiplicam-se os jogos em que passamos 45 minutos sem rematar à baliza, a equipa não tem dinâmica, é lenta e previsível, as substituições são tardias...

A defesa está desorganizada, não tem comparação com a solidez defensiva da época passada, e os jogadores são exactamente os mesmos...

Então as substituições são de rir! A forma como ele mexeu na equipa no jogo com o Feirense foi do pior que já vi em tantos anos de futebol...

Todos os portistas têm a noção que há falhas que devem ser apontadas à administração, principalmente a nível de contratações ou à saída do Falcao que não foi realmente colmatada, mas mesmo sem o Falcao continuamos com a mesma estrutura da época anterior e seria de se esperar mais...

Mas pelos vistos o treinador vaidoso que nada vale tem muitos afilhados... Eu se fosse lampião ou lagarto também o adorava!!

Daniel Gonçalves disse...

Miguel Magalhães,

"Os adeptos? iguais a sempre. A culpa é do treinador..."

Nem sempre é do treinador, e eu falo por mim, procuro efectuar uma análise racional e objectiva, baseada em dados e factos, antes de responsabilizar alguém. Mas neste caso, de 2011/12, a grande parte da responsabilidade (75% a 80%) pelos maus resultados cabe a Vítor Pereira, pelas razões que o Invicturioso e o João Diogo Reis tão bem explicaram. Na minha humilde opinião a SAD tem responsabilidade porque, quando se tornou evidente que Vítor Pereira não tinhas capacidades para treinar esta equipa, optou por o manter como técnico principal. Embora, como eu escrevi num comentário no post anterior - O papa recordes III -, considere que a SAD só optou pela permanência de VP devido a razões financeiras.

Anónimo da Silva disse...

Daniel Gonçalves, a SAD tentou vários avançados mas falhou. O Leandro Damião foi um deles, mas falaram-se em muitos outros.
Não era para ser só Kleber e Walter e obviamente o VP contava com isso.
Agora do que ele é culpado sim, é de acatar todas essas decisões. Se calhar se fosse um Mourinho, quando lhe disseram que não podia usar o Alvaro Pereira com o Barça ou quando lhe vendiam o melhor avançado e não iam buscar ninguém, batia com a porta.

Duarte disse...

Eu acho extraordinário que os defensores do VP usam sempre o argumento de que aqueles que o criticam o fazem sem conhecimento total de causa. Costumam eles dizer que se fala sem se estar lá dentro e que por isso não se pode saber se não existirão obstáculos ao trabalho do treinador. Pois bem, eu só posso concluir é que os defensores (cada vez em menor número, felizmente) de VP estão todos por dentro da realidade vivida na estrutura e no balneário azul e brancos.

Os jogadores estão contrariados, ou alguns jogadores estão contrariados. Mas isto é dito com base em quê? Lá está, a menos que quem o afirma tenha informações privilegiadas não percebo como é que se pode chegar a essa conclusão. Eu até posso acreditar - e admito que estou a entrar no campo da especulação, não pretendo dizer uma verdade insofismável, ao contrário dos que falam nos "contrariados" - que haja jogadores que cedo se desencantaram com o rumo que as coisas levaram. Ao aperceberem-se das incapacidades de Vítor Pereira para segurar o leme, é bem possível que tenha havido jogadores desagradados. Claro que isso não é correcto, mas ninguém se pode sentir feliz no seu trabalho quando sente que o seu líder/patrão não tem o perfil para o cargo que ocupa e que, com ele, as coisas dificilmente serão risonhas.

"Na faixa direita optou por Maicon, porque os outros dois também andavam contrariados (por isso não estranho o afastamento do Sapuranu, nem dos outros, e defendo-o)."

Mais uma vez, andavam contariados porquê? Não consta que tenha havido o interesse de grandes clubes europeus em Fucile e em Sapunaru muito menos. De qualquer modo, nem sequer é rigoroso dizer que a aposta do treinador tenha recaído em Maicon. Começamos a época com Sapunaru no lado direito da defesa, depois veio Fucile e só seguidamente é que houve a aposta em Maicon.

"Na minha opinião, deveriam ter sido todos vendidos. Pois é muito complicado gerir pessoas que trabalham contrariadas e que demonstram-no com falta de profissionalismo. Ou seja, parte do esqueleto da equipa está por estar."

É tão fácil falar e ter raciocínios como este. Primeiro, neste defeso foram poucos os clubes a abrir os cordões à bolsa. Os italianos estão na penúria. Em Espanha, Madrid e Barça reforçaram-se cirurgicamente com contratações pré-definidas pelos seus treinadores. Em Inglaterra só o City investiu e, mesmo assim, só nos últimos dias de Agosto. A grande esperança que poderíamos ter de encaixar uma boa quantia na venda de jogadores vinha de Londres. Villas-Boas poderia querer levar (e quis, aqui tenho a certeza) com ele alguns dos jogadores que havia treinado por cá, mas cedo se percebeu que Abramovich lhe "cortou as pernas" no capítulo de contratações e também foi época de contenção em Stamford Bridge. Segundo, a esmagadora maioria de notícias sobre alegados interesses de clubes nos nossos jogadores não passou de especulação, muitas das vezes nem contactos informais existiram. Como é público - e notem que, mais uma vez, estou a falar daquilo que foi conhecido - para além da proposta do Atl. de Madrid pelo Falcao, só o Chelsea se chegou à frente, mas com valores considerados irrisórios. Estou a falar de uma proposta pelo Álvaro Pereira. Se o uruguaio ficou contrariado ou não, não sei. A julgar pela maioria das exibições diria que não. Deveríamos então ter vendido ao desbarato aqueles que tudo nos tinham dado? Andaríamos de mão estendida ou de porta em porta a oferecer os nossos activos por tuta e meia?

Ainda a este propósito, relembro uma entrevista dada pelo Fernando aqui há tempos. Uma entrevista exemplar, diga-se. O Polvo, que também fazia parte da lista dos contrariados ainda no tempo de AVB (mas esse, no passado, insinuou várias vezes que queria sair), disse que não teve uma única proposta nem concreta nem indirecta para se mudar para outras paragens. Era tudo mentira e se há jogador que tem estado bem este ano (ao contrário do que aconteceu na época passada) é ele.

Felisberto Costa disse...

Mas Pinto da Costa é um deus!!!! Jamais erra, jamais se engana!!!!

Duarte disse...

Continuação

Só mais uma "pequena" coisa. Lembram-se de um jogador que em 2003 disse com todas as letras que tinha chegado a altura de partir? Esse jogador foi o Deco. Acabou por ficar, jogou o que jogou e até venceu a Champions. Contrariado, ou motivado e bem treinado? A resposta parece-me simples.

Cada um tem o direito à sua opinião, eu sei que o Reflexão Portista é um espaço de ideias plural e livre, mas discordo totalmente e transversalmente com este post. O destino de Vítor Pereira está traçado, espero. Também não sei o que é que ele (não) tem de fazer mais para que todos percebam de que poderá não ser o único culpado, mas é o principal. E se há quem em Portugal tenha uma visão demasiado simplista das coisas, também não falta quem as complique sem necessidade e dispare em todas as direcções. Contrariamente a 2005 e 2010, creio que esta crise é bem mais fácil de se resolver. Assim haja sagacidade, bom-senso e nenhum tipo de teimosias. Esta direcção já demonstrou que é capaz de juntar estes ingredientes várias vezes, mas isso dava outra discussão.

PS: Ao Anónimo da Silva;

Se Vítor Pereira tem Rui Quinta como adjunto foi porque quis. O Rui Quinta foi o homem da sua confiança, foi ele que o escolheu, por isso não é por aí.

Duarte disse...

PS 2: Como já é hábito, concordo com o Daniel. De resto, acho que o comentário do João Diogo Reis tem passagens excelentes e que merecem ser destacadas, embora não concorde com algumas outras coisas:

"Não me preocupam minimamente os jogadores do FC Porto que são muito assediados por outros clubes. É bom sinal, quer dizer que são bons jogadores. Preocupa-me é aqueles que ninguém quer!"

Ora aí está. Mas se algum clube quer um jogador nosso, esse atleta passa logo a ter o estatuto de "contrariado" para os adeptos. Não há volta a dar. Até pode fazer 8 grandes jogos em 10, que os outros 2 em que não esteve ao seu melhor nível não lhe serão perdoados. Álvaro Pereira é talvez disto o melhor exemplo.

"Nunca percebi esta mania que os adeptos do FC Porto têm, de ingratidão com aqueles que lhes deram tudo, e depois de lealdade a admiração com aqueles que não lhes dão nada. Incompreensível."

Na mouche, basta pensar em Falcao.

"Eu acho que os jogadores estão contrariados não por quererem ir para outros clubes, mas sim por serem “treinados” por um incompetente como o Vítor Pereira. Se ele saísse o problema da desmotivação acabava também."

Esta já vem sido dita por mim e pelo Daniel há meses. Bem vindo ao clube, João;)

Miguel Magalhães disse...

Como é óbvio você sabe que não há qualquer problema com datas. Estamos em 2011 ou 2012?

"1987/88 o balneário nunca levantou problemas a Ivic... era preciso uma limpeza de balneário...". Parece-me um raciocínio contraditório até porque um dos problemas do Ivic foi começar a encostar o Gomes.

"2003/04 não se pode comparar com a actual." Pois não. Não creio que possa interpretar o contrário naquilo que escrevi.

"Aqui vemos a diferença de visão e de planeamento estratégico entre estes dois treinadores."
Aqui reside a diferença de opinião entre nós dois. Para mim, num clube com o modelo de gestão que o Porto tem, a visão e o planeamento estratégico são da exclusiva responsabilidade da SAD e não do treinador.

Daniel Gonçalves disse...

Miguel Magalhães,

quando me referi às datas não era minha intenção ridicularizar ou escarnecer dos seus conhecimentos, se entendeu nesse sentido apresento o meu pedido de desculpas. É que a exactidão cronológica é uma exigência que tenho comigo próprio e que deixo passar para os outros.

Ivic nunca prescindiu de Gomes. Em 1988 eu tinha 11 anos, mas ainda me lembro e, até pelo que me contaram posteriormente e pelo que li, tenho uma ideia muita próxima do que realmente aconteceu. Gomes nunca deixou de ser utilizado por Ivic, lutou pelo título de melhor marcador até à última jornada, mas a frase "Gomes é finito" era uma indirecta, não só ao próprio jogador, para a massa associativa - era sabido que os adeptos idolatravam o bi-bota - e à estrutura dirigente do FC Porto de que era necessário uma renovação de plantel. Ivic queria dizer que alguns jogadores de Viena estavam a tornar-se veteranos e já não conseguiam acompanhar o nível competitivo das provas europeias e nacionais, mas penso que nunca houve problemas de disciplina no balneário, pois era uma equipa muito disciplinada e.... havia Octávio Machado a zelar por isso.
Quinito veio na temporada seguinte e não conseguiu (ou não quis) compreender essa necessária renovação de balneário, e para agradar aos adeptos, não ficando numa situação frágil, veio com a frase "comigo é Gomes e mais 10", ora a evolução da temporada mostraria que Ivic estava certo e havia que renovar o plantel, Artur Jorge regressou de Paris e compreendeu essa necessidade. Foi já nos finais de 88/89 que surgiram alguns problemas de "indisciplina", numa viagem à Madeira, se não me engano, houve uma azeda troca de palavras entre Gomes e Octávio Machado. O fim de linha para alguns veteranos estava a chegar, e face ao crescimento dos nossos adversários, as "unhas de Leão" do Jorge Gonçalves e as contratações benfiquistas dos internacionais suecos (Magnusson, Jonas Thern) e brasileiros (Valdo, Ricardo, Aldeir), tornava-se premente a renovação do nosso plantel para acompanharmos a evolução.

Abraço.

Daniel Gonçalves disse...

Miguel Magalhães,

""Aqui vemos a diferença de visão e de planeamento estratégico entre estes dois treinadores."

O que eu queria dizer era relativamente ao plantel que, na minha opinião, o planeamento cabe ao treinador, claro que essa responsabilidade estratégica é partilhada com a SAD, pois o treinador pode colocar nomes em cima da mesa à SAD, e cabe a esta decidir se, face aos valores financeiros, é possível ou não ao clube contratar esses nomes.
Agora decidir se no lote/lista de jogadores a participar na Champions entra o jogador X ou o Y, e se fica de fora o Z, considero que a última palavra cabe sempre ao técnico. Já tivemos "yes man" a treinar o FC Porto, mas mesmo esses tinham sempre o poder de decidir quais os jogadores a incluir no lote de convocados para cada jogo.
Pedroto não admitia intromissões no seu trabalho de orientar a equipa e de decidir quais os que deviam jogar ou não, o mesmo para Mourinho, por exemplo.