domingo, 26 de fevereiro de 2012

Liderança antes da deslocação à Luz


O FC Porto termina a 20ª jornada na liderança da Liga, com os mesmos pontos do slb. Um cenário pouco provável há duas semanas, até os comandados de Jesus se prostrarem em Guimarães e, depois, em Coimbra. A falta de vitaminas parece ser um problema recorrente deste treinador nas segundas voltas.

Vamos ao jogo: quem quer ser campeão não pode entrar em campo com a lentidão e a displicência com que o FC Porto o fez neste jogo, ainda por cima sabendo que a vitória daria a liderança. Os lances de perigo criados junto da área Feirense foram poucos e mal aproveitados – Varela e James remataram dentro da área e não foram felizes, assim como Hulk e Moutinho que tentaram a sorte em livres directos à entrada da área. A nossa defesa demonstrou algum nervosismo e desconcentração, possivelmente ainda com o jogo de Manchester na memória. As bancadas do Dragão pediram mais para a segunda parte.

No segundo tempo o FC Porto entrou melhor demonstrando vontade e capacidade para acelerar o jogo criando desequilíbrios na defesa contrária. Foi isso que aconteceu num lance em que Janko se isola e é derrubado pelo defesa Luciano só com Paulo Lopes pela frente. Penalty e expulsão indiscutíveis. Hulk marcou a penalidade e permitiu a defesa do guarda-redes que parecia conseguir sair do Dragão, outra vez, sem sofrer golos. No entanto, ao minuto 68, James marca um livre perto da bandeirola de canto e Maicon aparece na área com um cabeceamento fulgurante para o fundo das redes. Golo do FC Porto e jogo encerrado. A muralha feirense foi finalmente desfeita. Os jogadores portistas moralizaram-se e procuraram o segundo golo que acabou por aparecer ao minuto 72 na melhor jogada de ataque do FC Porto, finalizada por James Rodríguez.


O FC Porto terá de fazer muito melhor para conseguir ir vencer à Luz e consolidar a liderança. A defesa não pode tremer tanto quando se vê pressionada na saída para o ataque, Lucho e Moutinho têm de procurar mais bola e construir jogo, não apenas o passe para o lado, e os do ataque não podem evidenciar tanta ineficácia e precisar de tantos ataques para marcar um golo.

As aves de rapina deverão ficar satisfeitas com a nomeação de Pedro Proença. Não nos bastará sermos melhores, teremos de ser muito melhores para vencer o jogo.

Imagens: Getty images

6 comentários:

bruno cláudio disse...

ficou demosntrada mais uma vez a incapacidade deste treinador na gestão do plantel. depois de um intenso jogo em manchester, nas vésperas de uma semana de selecções e clássico na luz, jogar contra um fraquinho feirense, em casa, depois de saber o resultado do benfica em coimbra, este jogo servia perfeitamente para dar descanso a moutinho, hulk (por exemplo, pela nulidade que foram ontem á noite)e dar tempo de jogo a defour, kleber ou a iturbe (que se não tem oportunidade de jogar contra o temível feirense..)por exemplo. jogar com o maicon 90m também me pareceu arriscar em demasia. é um treinador a prazo, assim o espero, mas que saía com o titulo conquistado. saudades não vai deixar!

Rui Anjos (Dragaopentacampeao) disse...

Mais um jogo de um Porto de duas faces, como já vem sendo hábito. O primeiro de futebol pastoso, pausado e inconsequente. Ainda assim, com duas ou três boas oportunidades falhadas pela pouca acutilância dos rematadores portista e o brilhantismo do guardião Feirense.

O segundo (da segunda parte)já mais próximo de uma equipa com ambições. Futebol mais incisivo, esclarecido e perigoso. As oportunidades sucederam-se em catadupa e os golos apareceram inevitavelmente.

Custa a perceber este tipo de exibições. Os jogadores têm classe, são capazes de ultrapassar quaisquer obstáculos, mas a auto-confiança parece funcionar intermitentemente. Dá a ideia que o treinador não lhes consegue insuflar a dose certa de força anímica.

O Campeonato começa a caminhar para o seu epílogo, altura em que vai ser necessário, mais que nunca, essa força.

Um abraço

José Correia disse...

«Não é que Varela fosse um peso morto no ataque portista, mas o jogo parecia pedir um jogador de características distintas e James está, no campeonato, com o toque de Midas que tudo transforma em ouro. A entrada do colombiano teve efeitos quase imediatos, arrastando marcações que permitiram a Álvaro Pereira ser mais profundo e introduzindo um grão na engrenagem do duplo pivô do Feirense. Mais do que isso, James tem a facilidade de descobrir frinchas em portas blindadas, o que voltou a conseguir com desarmante simplicidade. A lesão de Varela foi o caminho errado para a solução certa.»
in ojogo.pt

Quando o Varela se lesionou, o Vítor Pereira poderia ter optado pelo Djalma ou pelo Cristian Rodriguez. Por isso, os meus parabéns para o Vítor Pereira e para a sua perspicácia…

José Correia disse...

«A figura: James
Vítor Pereira teima em deixá-lo no banco, e o colombiano não se cansa de gritar que merece ser titular. Ontem, até entrou timidamente para uma posição híbrida entre a ala e o meio, que o confundiu mais a si do que aos adversários. Na segunda parte ganhou asas para desbravar caminho e transformar-se na arma que há muito deixou de ser secreta. Primeiro isolou Janko para que este sofresse falta para penálti; a seguir, de livre, tirou as medidas à cabeça de Maicon e ofereceu-lhe o golo; por fim marcou na sequência de um lance que ele próprio iniciou ainda no seu meio campo. Com tanto brilho, é fácil esquecer os dois golos desperdiçados (45' e 61'). A sua inteligência e a sua capacidade técnica são grandes de mais para caber no banco de suplentes
in ojogo.pt

De facto, há inteligência a mais no banco de suplentes do FC Porto…

José Correia disse...

«Cinco golos para James Rodríguez, repartidos pelos últimos quatro jogos no Dragão, elevam-no desde ontem à categoria de maior goleador do FC Porto em jogos em casa, com um total de seis, contra os cinco que Hulk já marcou. A série de quatro jogos consecutivos a faturar no Porto é também um recorde pessoal que o colombiano juntará às melhores memórias de uma época especialmente produtiva, embora não seja titular absoluto. Já leva dez golos no campeonato.
El Bandido foi a solução que Vítor Pereira encontrou no banco para resolver os dois últimos jogos caseiros, mas isso não significa que o título de arma secreta lhe assente como uma luva, pois, como suplente, só marcou mesmo dois golos.
O crescimento de James surge em contraciclo com o momento vivido por Hulk: o Incrível está longe dos golos há sete desafios. Mais um e igualará o recorde negativo da época passada, em que esteve oito jogos consecutivos como titular em jejum.»
in ojogo.pt

Olhando para as assistências e golos marcados, se no futebol houvesse MVP, não há dúvida que, após 2/3 do campeonato, esse título seria para James Rodriguez (pelo menos entre os jogadores do FC Porto seria de certeza).

Anónimo da Silva disse...

É bom referir que em muitos jogos em que entra como titular o James tem sido uma nulidade e quando sai do banco normalmente decide. Não sei se é uma questão psicológica, se se dá melhor a jogar menos tempo, mas a verdade tem sido essa.

Quanto à opinião do Bruno Cláudio, realmente VP é preso por ter cão e preso por não ter. Se o homem tem poupado jogadores estava tudo a dizer que era um jogo fundamental e que não podia ter poupado, como não poupou já devia ter poupado.
Pergunto que diferença faz jogar 10, 20 ou 90 minutos neste jogo se depois vão fazer viagens longas e jogar pela selecção? O que os vai cansar são os jogos e deslocações para a selecção não é certamente este jogo. VP jogou com a equipa titular e mesmo assim o Porto teve algumas dificuldades, se tem jogado o Kleber então ia ser lindo, a esta hora o Paulo Lopes tinha uma estátua ao lado da do Eusébio.