sábado, 10 de março de 2012

Pontos!? Para que vos quero?


Os avisos de que a disputa do campeonato não se esfumaria no encontro da passada semana na 2ª circular, fizeram mais sentido que nunca esta noite, após o apito final de Marco Ferreira que ditou o empate do FC Porto no seu terreno diante da Académica. A primeira parte insípida da nossa equipa em anteriores partidas no Dragão, pouco fez reflectir o grupo para algo pior num destes dias. E quem pensa que o mal só acontece aos outros, mais cedo ou mais tarde acaba surpreendido.

Como está bom de ver, depois de 10 minutos prometedores, onde a arbitragem fez vista grossa a duas penalidades na área da Briosa (mão de Reiner dentro da área e soco de Habib a Sapunaru na sequência de um canto), a nossa equipa acomodou-se ao jogo pastoso e na confiança do muito tempo que dispunha para arrebatar os 3 pontos do encontro. A descontracção foi tal que os orientados de Pedro Emanuel se permitiam a sair a jogar a seu bel-prazer e sem pressão. Não foi, pois, motivo de qualquer estranheza, o golo dos estudantes, nem tampouco a passividade da defensiva portista em toda essa jogada fatal.

O intervalo não chegaria sem outro erro crasso da equipa de arbitragem, num fora de jogo mal assinalado que deixaria Hulk e Janko isolados nas fronhas de Peiser. Não era providência divina, nem motivo para ficar de boca aberta. O Sr. Marco Ferreira tinha exibido a sua rastejante categoria e o FC Porto perdia ao intervalo dentro do seu burgo. Para lá dos “pregos” no apito, o resultado era merecido para quem dispõe tanto e faz tão pouco.



No 2º tempo a equipa azul e branca trouxe mais vivacidade – o que também não era difícil – mas nem por isso melhor discernimento. Vítor Pereira assumiu risco total na busca da vitória. Substituições temerárias que não valeram um jogo mais fluido. Janko e Kléber recalcavam-se e anulavam-se. Álvaro Pereira viu-se obrigado a tomar em atenção mais na retaguarda, ficando sem possibilidade de municiar alguns raides pelo corredor esquerdo sempre tão incisivos. E Lucho, estava anormalmente lento, chegando quase sempre tarde às bolas ou entregando-as mal.

A equipa nunca se encontrou, tendo isso resultado numa construção ofensiva pouco capaz de gizar jogadas a partir da sua corporação colectiva. O plano alternativo e, em teoria ambicioso, perecia. E nem o habitual Joker lançado no 2º tempo, hoje a titular, tornou fácil o difícil. Hulk, lá perto do fim empatou. Demérito adversário, porque virtuosismo nosso não foi certamente. Estratégia? Plano alternativo? Nada disso. Bastava aprender com os avisos de jogos caseiros recentes.

Pontos!? Para que vos quero?

20 comentários:

Tasqueiro Emigrante disse...

Que nervos... :)

Anónimo da Silva disse...

Como é possível ter tão pouca vontade de ganhar, de ser campeão?
Criticam Vítor Pereira? Pois hoje eu digo, se formos campeões é apenas e só graças a ele.
Os jogadores esses, 80% está ali a fazer o frete e só querem o dinheiro no fim do mês. Hoje na 1ª parte o problema foi o Vítor Pereira? Foi a táctica? James estava a titular como tanta gente andava aí a reclamar e o que aconteceu?
Não quiseram! Não tiveram vontade! Andaram a passear!

Salvo Hulk e Maicon, qualquer outro elemento para mim merece ser criticadíssimo. E no fim da época, faça-se uma limpeza de balneário a começar no Rolando se faz favor!

Vítor Pereira no meio destes mercenários é um herói por nos conseguir pôr a lutar pelo título!

Carlos Teixeira disse...

Para mim resume-se a isto: os jogadores do plantel deste ano jogam como querem e quando querem. São 22 jogos da Liga assim, a alternar alguns bons momentos com muita displicência e pouco empenho.
Como já estou cansado de bater no treinador, reparto as culpas pela direcção do clube também.
E cansa falarmos dos árbitros. Fomos roubados hoje é certo, mas pelo que (não) fizemos, incomoda-me bem menos isso que a exibição.

Louro disse...

Isto de dar 45 minutos de avanço é recorrente no Dragão , o treinador fala nisso, mas quem é que faz o planeamento e a gestão do jogo ?
Adiante..
Depois do João Capela em Olhão, do Bruno Paixão em Barcelos , veio este Marco Ferreira que tambem não é internacional , roubar até não poder mais!!
Mais, o Penalti indiscutivel a nosso favor foi assinalado aos 89 mns, mas só foi marcado aos 92 mn com o guarda redes da Academica a gozar com todos e o arbitro ainda não contente , reiniciou a partida aos 94!
Do anti jogo da Académica , da passividade e da cegueira do arbitro e da forma adormecida de enfrentar a partida .. valeu tudo..pagámos e bem a fatura da luz!

Nelson Carvalho disse...

Carlos Teixeira disse: "E cansa falarmos dos árbitros. Fomos roubados hoje é certo, mas pelo que (não) fizemos, incomoda-me bem menos isso que a exibição."

Por norma evito falar de arbitragens nas crónicas que aqui tenho escrito, no Reflexão Portista. Hoje aflorei esse capítulo, não pelos muitos erros graves da arbitragem (e foram vários), mas sim para vincar, precisamente, que o aspecto mais importante que influência os encontros é forma como as equipas abordam os respectivos jogos e não como os árbitros os apitam.

Na passada semana, apesar de toda a choradeira, assim foi. E hoje voltou a sê-lo, mesmo a nossa equipa tendo sido prejudicada pela arbitragem.

Deitamos 2 pontos ao lixo por culpa exclusivamente nossa!

Mário Faria disse...

Um mau jogo, um resultado justo. O treinador comentou o jogo com muita clarividência. A questão é que o treinador não serve só para isso. É recorrente o comportamento da equipa face a equipas que jogam muito fechadas. Raramente conseguimos atravessar o muro e frequentemente pomo-nos a jeito para os contra-golpes do adversário que entram na nossa defesa como manteiga em focinho de cão.

Hoje, foi mais do mesmo e ou treinador não é capaz de passar a mensagem e os processos, ofensivos e defensivos, para atacar as equipas que repetidamente usam o mesmo guião : todos ao ataque fechadinhos cá trás, com evidente sucesso, ou então são os jogadores que não lhe ligam nenhuma, não aprendem ou acham que o que lhes pede é algo sem nexo.

O golo sofrido é exemplar na forma como se defende : o Alvaro dá a linha ao adversário que centra sem oposição, o Sapu está meio a dormir dentro da área a marcar a sombra - aliás andou todo o jogo com uma grande sonolência – e Rolando saltou, não chegou e um homem solitário da AAC, mais ou menos estacionado na área só teve de encostar para marcar um golo facílimo.

Na primeira parte, fomos duas ou três vezes à baliza – o que está dentro da média nos jogos com este tipo de adversários – o guarda redes da AAC não teve que fazer uma defesa complicada até ao intervalo.

Com um meio campo macio – o que se agravou com a saída de Fernando – e sem o recuo dos alas para equilibrar a luta nessa zona nevrálgica do campo, com uma pressão pouco intensa é muito difícil ter bola – a não ser no nosso meio campo – e chegar próximo da zona de fogo. Só Hulk, apesar de não estar brilhante, conseguiu vantagens e desequilibrar os defesas.

Na segunda parte lutámos mais, atacámos mais, lutámos mais, batemo-nos para chagar à vitória, mas quase sempre com pouco discernimento. Muita garra, pouco jeito, e uma outra vez com um pouco mais de lucidez podia-se ter marcado, mas isso é o que vai faltando quando se perde meio tempo à espera que o golo caia do céu.

Não houve exibições dignas de mençãO; para além disso tivemos o azar de termos mais dois jogadores lesionados, nós que temos um plantel curto e não tão forte como é suposto, na minha opinião.

Destaco pela negativa Lucho que esteve muito mal e pouco influente, tendo sido notório a sua “disputa” com Hulk para marcar a grande penalidade.

Rolando saiu zangado e não foi bonita a forma como acatou a sua substituição. Os jogadores, aparentemente, não ligam nenhuma aos reparos do treinador.

Este FCP não merece ser campeão, a não ser que mude muito o que não é expectável. Por isso, tenho escrito que me dou por feliz se chegarmos ao fim do campeonato em segundo lugar. Para a semana há mais e não há muitos coelhos para tirar da cartola.

Por fim, não gostei que o treinador deixasse de ser teimoso e acedesse a colocar em campo a equipa que parece merecer maior consenso. Acho que, hoje, se pode reconhecer algumas das vantagens de ter Maicon a defesa direito, em vez de Sapu que esteve sempre algo ausente. Na minha opinião, insisto na minha opinião, parecia que estava ali, por engano.

Para a semana há mais.

ℙΣ₦₮∀ ➀➈➆➄℠ disse...

caríssimas(os),

"ser Porto" é termos um estado de alma capaz de suplantar emoções, como a de esta noite - em que esbanjámos dois pontos por culpa própria (e com uma ajudinha do árbitro) -, de mantermos a nossa cabeça bem erguida, de apresentarmos o nosso melhor sorriso às provocações - que já se (pres)sentem - e de prosseguirmos com o espírito crente (e ciente) de que, no final, venceremos!

"ser Porto" é, nesta altura de aperto e por muitas divergências que tenhamos para com quem lidera o nosso clube do coração, sermos capazes de o apoiar incondicionalmente, remando (com todos) para um mesmo lado, numa mesma direcção e com um fito comum: a conquista do campeonato nacional!

somos Porto!, car@go!
«este é o nosso destino»: «a vencer desde 1893»!

saudações desportivas mas sempre pentacampeãs a todas(os) vós! ;)

Miguel | Tomo II

Pedro disse...

Pedro disse...

o penalti do Habib não foi soco nenhum no Sapunaru. Foi sim um cabeceamento seu contra a sua própria mão, que até estava mais levantada que a cabeça do Sapu.

Pedro disse...

Cada vez masi estou convencido que apontamos culpas à pessoa errada. Dá-me a impressão que Vitor Pereira é dos poucos que quer ser campeão.

Há jogadores que passeiam a camisola durante as 1ªs partes de forma recorrente. Por mim Alvaro Pereira por exemplo era um que não jogava mais este ano.

Além disso é muito bonito não falar de arbitragem. Mas isso quando é um erro. O problema é que foram vários, e 3 deles claros. A nossa SAD anda muito mansa, e com isso depois de Barcelos levamos com isto. A verdade é que mesmo a jogar mal devemos ter direito a ganhar os jogos.

Tiago Burmester Baptista disse...

Este fica para a história como o campeonato que os jogadores (com ou sem razão) não quiseram ganhar.

miguel87 disse...

Finalmente leio mais Portistas a reconhecer que o treinador não é (pelo menos o único) culpado! Lastimáveis exibições de Alvaro, Lucho e Janko, por ex.
Rolando ficou a dormir no golo sofrido e ainda sai de campo à vedeta mimada! Sapunaru sempre lento. James foi titular, mas não resolveu/definiu...
Kleber (um dos alvos favoritos dos assobiadores) parece-me que ganhou mais lances (incluindo o que deu penalty) no pouco tempo que esteve em campo do que o outro PDL com 1 metro e noventa e tal nos 90 mins (ganhou algum lance pelo ar?).

A coisa não está fácil e o treinador tem cada vez menos armas para atacar o titulo...

Rui Anjos (Dragaopentacampeao) disse...

Decididamente O Porto desta época não convence! É uma equipa intermitente, capaz do melhor e do pior. Falta-lhe personalidade e estaleca de campeão.

Desta forma, vai colocar os adeptos com o coração nas mãos. Foi exactamente o que aconteceu na noite de ontem. Equipa com atitude displicente, sem inspiração e sem raça. Os jogadores nucleares estiveram todos em simultânea ausência e quando assim é, pouco ou nada há a fazer.

Se os processos ofensivos foram afectados por esse eclipse, os defensivos não dispensaram as abébias habituais, com Rolando como principal responsável pelo golo sofrido.

Enfim, quem assim joga não pode aspirar a ser campeão.

Depois de alguma esperança, renascida na semana passada, a desconfiança volta a pairar.

Esta equipa é imprópria para cardíacos.

Um abraço

Miguel Lourenço Pereira disse...

Já muito escrevi sobre as limitações do VP como treinador principal. Mas sempre apontei parte da culpa desta época sui generis á gestão da SAD e ao comportamento do plantel. Pareceu-me evidente que não só o plantel foi mal gerido desde o principio como havia muitas "maçãs podres" a fazer o que queriam dentro do balneário. As saidas de Guarin, Belluschi e Fucile não enganam ninguém mas não foram suficientes porque, salvo o jogo com o Benfica e a primeira parte com o City, tudo continua na mesma.

Ontem houve James de inicio, o onze titular parecia o mais bem preparado dos disponiveis e mesmo assim há jogadores que parecem ter o profissionalismo de um jogador de III Divisão. Isso nem o melhor treinador pode alterar, como dizia o Toshack depois de dar uma bronca no balneário no domingo na semana seguinte acabavam por jogar os mesmos 11 imbecis. É o que passa com VP e os seus e o campeão será, sobretudo, o melhor dos piores.

agostinhop disse...

Inaceitável a displicência com que a equipa entrou em campo. Quem quer ser campeão não joga assim. Mas a questão pprincipal é precisamente esta, ou seja, será que toodos os jogadores do FCPorto querem ser campeões?

Nuno de Campos disse...

1- Se houver patrão correm todos. Não se esforçaram na primeira parte? Mas vimos alguém correr à volta do campo no fim do jogo? Alguém perdeu o Domingo de folga ou vai ter que treinar às 6 da manhã esta semana? Alguém teve que ouvir um berro durante o jogo? Uma substituição por opção aos 20 minutos de jogo, aconteceu esta época? Estes jogadores são mercadoria valiosa e frágil. Ninguém lhes pode tocar, muito menos o treinador, para não estragar o negócio.

2- Quem é responsável por esvaziar o plantel de jogadores da formação, verdadeiros portistas como por exemplo o Castro? Esse corria tanto na primeira parte como na segunda, e ainda mandava os outros correr. Quem deixou sair o Pedro Emanuel e demorou meia época para encontrar alguém com estaleca para o substituir (Paulinho Santos)? Quem foi buscar o Lucho em Janeiro, assumindo que o plantel inicial tinha um enorme falta de lideranca e de carácter? E quem demorou meia época para encontrar um ponta de lança de segunda?

3 - Nos fracassos desta época não há inocentes. O défice de liderança e de empenho verificam-se a todos os níveis da estrutura, desde o Presidente até aos jogadores, passando pela equipa técnica.

4 - Os exemplos, bons e maus, vem de cima.

5 - As escadas varrem-se de cima para baixo.

6 - O clube que merece ganhar o campeonato - direcção, treinador e jogadores - é o Braga.

José Rodrigues disse...

O Nuno de Campos disse tudo.

Sem retirar a legitima quota-parte de culpas aos jogadores e 'a direcao, parece-me q VP e' (talvez a par de Couceiro) o pior treinador a nivel de trabalho psicologico q tivemos na ultima decada.

Da-me a impresssao de q nem sticks, nem carrots nem nada. Nem motivacao pela positiva, nem pela negativa. VP e' (como treinador principal) um peso muito leve e infelizmente parece comportar-se como tal perante os jogadores.

A primeira parte deste jogo, no contexto em q se coloca (i.e. apos vitoria na luz; em luta renhida pelo titulo) e' das coisas mais deprimentes q ja' vi nos ultimos 30 anos no FCP. Nao se compreende minimamente.

E o pior e' q nao somos apanhados totalmente de surpresa; precisamente por recear coisas do genero (com a amostra q tinhamos) e' q muitos portistas estavam circumspectos depois da vitoria no galinheiro.

Enfim, e' o q temos (pelo menos ate' ao fim da epoca). Esperemos q seja ainda o suficiente para ganhar o titulo, mas vai ser bastante dificil.

Nelson Carvalho disse...

Caro Nuno Campos, se nos permitir, gostaria de publicar um post com o seu comentário pela pertinência e importãncia no contexto actual do FCP que sua opinião expressa suscita.

Nuno de Campos disse...

Publique.
Cumprimentos,
NC

Ângelo disse...

De acordo com Anónimo da Silva, Carlos Teixeira e Mário Faria, ou seja, numa resultante global, como é possível,
- uma equipa do FCP a jogar a passo, medrosa, lateralizando, sem soluções e sem qualquer vontade dos jogadores em dar aquilo que sabem, (salários em atraso?).
Não me recordo de ver esta postura no FCP quando a rampa para ganhar o campeonato estava lançada e sem se contar.

- Este cenário tem acontecido algumas vezes e a equipa só reage na 2ª parte.
Não acho que seja culpa directa do treinador.

- É de catraio e que está nas nuvens o modo como Sapunaru sofre o golo.
Excepto Maicon, o resto foi muito mal na 1ª parte; Hulk safou-se uma ou outra vez.
Rolando não merece estar no FCP com aquelas atitudes.

- Neste cenário de desolação, a melhor e única maneira de enfrentar os porcos da arbitragem ( Bruno Paixão, João Capela e Mário Ferreira) é ganhar no campo ao adversário de modo que, com todas as artimanhas inventadas, eles se rendam à evidência da superioridade portista e se sintam naturalmente impotentes e achincalhados e partam, com o rabo entre as pernas, a dizer aos seus chefes da 2ª circular “ não foi possível fazer mais”.

- O silêncio da SAD em muitas vertentes da vida do Clube nesta época 2011 / 2012 pode ter muitas leituras. Alguém mais bem informado que eu que as faça.

- Contudo, uma coisa o FCP nunca teve – política de comunicação. É preciso ir ao campo do adversário não só com vitórias mas também com a arte da guerra da persuasão, dos novos tempos do marketing, das palmadas nas costas, dos almoços e cercá-los no seu reduto sem os deixar respirar – não como inimigos odiosos ( embora o sejam) mas como adversários que têm de reconhecer o nosso ascendente, agora e sempre.
É este o outro lado oculto da hegemonia nos media de hoje e que o FCP nunca quis reconhecer. A ironia e o estilo de Pinto de Costa tiveram e bem o seu tempo, mas outros tempos vieram e o FCP, nesse aspecto, não mudou.
Nota: Ainda bem que temos comentadores de eleição ( não é preciso estar sempre de acordo com eles), inteligentes, lúcidos e críticos ( mesmo como o Clube) como Miguel Sousa Tavares e Rui Moreira que lhes sabem morder as canelas e fazer-lhes ver a mediocridade em que vegetam.


Ângelo Henriques