segunda-feira, 30 de abril de 2012

Esta é a liga que vencemos

Ontem vi em Leiria algo que nunca pensei ver num jogo de uma competição profissional que, segundo consta, a UEFA considera como a quinta melhor do ano. Uma equipa sobe ao terreno de jogo com oito (8!!) jogadores, a maior parte deles forçados, segundo o Sindicato de Jogadores, tanto pelos clubes de origem (nomeadamente o SL Benfica) como pela própria direcção da Liga. 

Com esta imagem impensável o jogo realiza-se, o circo continua e a União de Leiria evite a despromoção automática, porque a pontual é coisa de mais jogo menos jogo. Este é o futebol português, o mesmo dos que quer ter três equipas na Champions League, o mesmo daqueles que dizem que é complicado sagrar-se campeão nacional quando vai haver uma equipa a lutar pelo titulo que talvez jogue contra sete ou oito jogadores rivais na próxima jornada. Este é o futebol português que temos e que mostramos ao mundo que já fez eco em várias páginas web da situação de ridículo absoluto em que nos encontramos.

Pinto da Costa falou sobre esta situação e acertou em cheio quando se referiu a esta directiva da Liga - a mesma que quis inventar o ano sem despromoções e que alterou o acordo estabelecido com o protocolo de equipas B que tanta ilusão me fazia pessoalmente - como a prova viva de que o futebol português não se toma a sério. Vale a pena ler:


«É uma tristeza e um motivo de chacota do futebol português, como pude comprovar hoje [ontem] quando falei com pessoas que ligaram do estrangeiro a perguntar o que se passa. Talvez seja bom que alguns artistas que andam por aí reflitam se há capacidade de termos mais equipas na Liga», afirmou, sem rodeios, o líder portista, que deixou ainda vincada a sua rejeição sobre o alargamento da Liga.

«Se há um clube que desiste a três jornadas do fim, podendo alterar os resultados, se há clubes que com muito sacrifício não conseguem não ter três ou quatro meses de salários em atraso, pergunto como é que com liguilha ou sem liguilha podemos ter mais clubes na primeira divisão?»

Na Escócia, uma liga que não é tão diferente da nossa, o mais histórico dos clubes, o Glasgow Rangers, está em falência técnica e perto da desaparição. Numa liga de 12 clubes é difícil garantir a sustentabilidade do torneio e falamos de um país que ensinou os continentais a jogar sem apelar ao kick-and-rush inglês. Já nem vou falar dos casos suiços, austriacos, dinamarqueses, suecos e belgas, tudo países financeiramente muito mais sólidos que Portugal e onde há um pequeno mercado de patrocínios e financiadores que permitem que as provas se realizem sem situações limite como a que se viveu na Marinha Grande. 

Portugal é um país pequeno que tem a mania que é grande. Não o é, nem em população, nem em espaço geográfico e muito menos em recursos financeiros para sonhar emular as verdadeiras potências do continente. Se nas ligas espanhola, italiana e inglesa com 20 equipas há muitos clubes com a corda ao pescoço, como se pode sonhar em Portugal com uma liga de 18 clubes quando num torneio a 16 a maioria dos clubes não paga salários a tempo e horas - veja-se Guimarães, Setúbal, Beira-Mar - os clubes sustentados por Alberto João Jardim na Madeira - e vivem-se ridículos como este.

Ser campeão português é o mínimo que se pode exigir ao FC Porto mas uma prova destas é cada vez menos prestigiosa lá fora. A SAD deve entendê-lo e assumir de uma vez que o projecto de futuro deste clube passa forçosamente por reforçar o seu papel na elite europeia (falamos de Quartos de Final de Champions League e de vencer as Europe League quando lá cair-mos) sob pena de nos deixarmos apanhar por esta espiral auto-destructiva. A planificação desta época deixou a nu que um titulo nacional, ganho contra equipas como estas onde os jogadores não têm para comer, pesa muito pouco comparado com competir ao mais alto nível com a nata europeia. A liga lusa deveria ser imediatamente reduzida a 10 ou 12 equipas e o clube devia cada vez mais pensar em montar os seus planteis para brilhar de forma constante na Europa. Por muito que a UEFA diga o contrário, pessoalmente acho que vencer um titulo de campeão português nunca valeu tão pouco!

25 comentários:

JRP disse...

"esta é a liga que vencemos"

Quem precisa do João Querido Manha na TVI quando tem o Miguel Lourenço Pereira no Reflexão Portista?
Passaram apenas 24 horas do triunfo na liga e o sábio blogger já teve tempo de escrever dois posts com comentários a diminuir a nossa vitória.
Estou até surpreendido que a culpa dos salários em atraso no Leiria não seja culpa da SAD azul e branca, esse demónio à solta que tem levado o nome do nosso clube à lama com 19 títulos em 30 anos.
(já agora, "cair-mos" é um erro ao nível de uma SAD qualquer de um clubezeco da periferia da Europa...)

Agora a sério... este blogue era uma referência. Zé Correia, que se passa?

Pedro disse...

Caro Miguel,

Creio que é importante não confundir 2 coisas. O número de clubes e a sustentabilidade financeira.

Podemos ter um campeonato de 10 com salários em atraso e um campeonato de 40 com tudo em dia. Basta que as regras sejam rigidas e implementadas. Se os clubes têm de reduzir orçamentos então que sejam obrigados a fazê-lo. Não me parece que isso interfira com a competitividade. Senão como explicar os casos de Feirende e Paços de Ferreira? Não são equipas dificeis de bater? Será assim tão dificil ter um plantel competitivo com jovens portugueses ou jogadores contratados da 2ª liga e 3ª?

Eu sou a favor do alargamento, mas só se as regras financeiras foram cumpridas.

Não podemos esquecer que todas as ligas que foram reduzidas em número morreram lentamente. A dificuldade em subir afastou equipas e patrocinadores. Diminuiu a formação e número de equipas inscritas nas competições profissionais e amadoras.

Também não concordo com a comparação internacional. Espanha é competitivo? Também não tem salários em atraso na 1ª divisão? Será por isso que o titulo do Real vale pouco?

O titulo do FC Porto foi dificil e conseguido contra boas equipas.

InVicturioso disse...

JRP,

o Miguel Lourenço refere-se neste artigo a um facto que embora já fosse conhecido, foi só nesta jornada que tomou proporções vergonhosas e escandalosas. Por coincidência, foi também nesta jornada que o Porto se tornou matematicamente Bicampeão.
A coincidência dos acontecimentos, não tira mérito nenhum ao nosso clube, são factos separados que me parece que foram tratados separadamente no artigo.

Quanto ao facto de o facto de ser campeão nacional nunca ter valido tão pouco, isso é que já não concordo minimamente.

Benfica foi aos quartos-de-final da Liga dos Campeões tendo sido eliminado no limite; Sporting foi à meia-final da Liga Europa; o ano passado tivemos 3(três!!!!!) equipas portuguesas na meia-final da Liga Europa, etc. E atenção, é contra estas equipas que nós realmente discutimos o campeonato, não é contra Feirenses, Rio Aves e Uniões de Leiria.
Aliás, como este ano provou nitidamente, os jogos que decidem os campeonatos são mesmo os jogos onde os canditatos jogam entre si!

Por isso, na minha opinião, ser campeão nacional em Portugal, nunca foi tão difícil como hoje!

RCBC disse...

De facto o título conquistado numa liga destas não vale nada...k péssima época...campeões nacionais e vencedores da supertaca...sad treinador e jogadores deviam ter vergonha na cara...mais a sério,um post desses é bem revelador do sentimento de alguns portistas...o excesso de vitórias tb faz destas coisas...enfim...sem mais comentários...

MBC disse...

Miguel Lourenço Pereira,

Pare, pense e só depois escreva!

Do alto do seu discurso pretensamente elaborado só saem bacoradas atrás de bacoradas.

Depois de muito refletir, V. Exa. foi dos que desejou que o Porto não fosse campeão de modo a que o treinador fosse despedido.

Hoje V. Exa. diz que o título do Porto vale pouco como nunca outro título valeu tão pouco!!!!

Permita-me dizer-lhe o seguinte: uma coisa é ter opinião outra é escrever pérolas como as que acima referi, próprias de uma qualquer Leonor Pinhão, nunca, nunca, nunca, nunca de um Portista.

V.Exa. não hesita em zurzir em tudo o que mexe no FCP; da administração ou treinador, todos são uns incompetentes desgraçados, sobretudo quando comparados com a sua luminosa inteligência capaz de, a dormir, gerir melhor o Porto do que que os que lá estão acordados.

Em comentário anterior disse-se que V. Exa. estava ao nível do João Querido Manha; permito-me discordar, a sua imensa "classe" eleva-o ao estadio em que se encontram o Silvio Cervan e o Rui Gomes da Silva.

Uma coisa é refletir portistamente - o que maior parte dos bloggers do RP faz com elevada qualidade - outra coisa, muito diferente, é a arrogância balofa que escorre dos seus escritos.

Cure-se e veja lá se para de insultar o Porto e os Portistas.

Miguel Cunha

Mário Faria disse...

Sou um dos co-fundadores do RP, embora a minha colaboração tenha sido escassa, ultimamente.
Também fui alvo de alguns raspanetes e o Miguel também não se livra dessa contingência de ousar ser livre. Quem anda à chuva molha-se.
Embora possa discordar pontualmente do “nosso” Miguel, acho que as críticas que lhe foram feitas não são excessivas, são insultuosas.
Não me agrada esta "guerra", a intolerância e, por isso, fui sempre um "defensor" de VP, porque a crítica, muitas vezes esqueceu o homem e da crítica passou-se - ainda que não premeditada - ao enxovalho.
O que foi escrito em relação ao Miguel em alguns comentários, anda lá perto. Não o posso aceitar.

Alexandre Burmester disse...

Acrescento às palavras do Mário que houve um comentário, por mim autorizado, que esteve quase a não o ser, pois usou alguns termos impróprios. Sempre recebemos bem as críticas e continuaremos a fazê-lo, mas a nossa tolerância para com a má-criação tem limites.

HULK 11M disse...

O campeonato foi bem difícil e o nosso título bem saboroso!
Neste campeonato competiram equipas que, como alguém aqui já disse,tiveram bons ou razoáveis desempenhos nas competições europeias. Mesmo o FCP, apesar da nossa desilusão, teve um desempenho igual aos Manchester´s, por exemplo!
Ao contrário dos nosso vizinhos espanhóis, nós tivemos 3 e não apenas duas equipas a lutar pelo título até bem perto do fim! E a 2 jornadas do fim estão muitos lugares em aberto incluindo o acesso à Liga dos Campeões!
O nosso FCP perdeu pontos importantíssimos com Clubes como a Académica, o Gil Vicente, o Olhanense, o Feirense e o Paços de Ferreira!
Agora o problema dos salários em atraso é uma vergonha e fácil de resolver. É só e apenas fazer cumprir a legislação que existe! E, ao não se fazer cumprir a lei esta-se a desvirtuar a verdade desportiva, sem dúvida! Felizmente o FCP não foi prejudicado por esta situação, mas poderia ter sido!
Agora, por favor, não nos tirem o mérito, ainda por cima depois dos muitos tiros nos pés que demos na preparação da época!

José Rodrigues disse...

Ca' eu acho q o futebol portugues esta' podre e ao mesmo tempo considero q esta liga tem muito valor. Eu explico.

So' posso considerar q a liga tem muito valor ao verificar a performance das 4 melhores equipas na Europa, como ja' foi aqui assinalado em comentario; enquanto ao mesmo tempo nao se ve^ cabazadas da parte dos dito-cujos 'as equipas mais fracas da Liga (como me lembro tao bem nos anos 80 e 90).

Ao mesmo tempo o futebol portugues esta' podre por causa do q se passa fora das 4 linhas, em q parecemos uma republica das bananas (como no caso dos salarios em atraso).

Quanto ao numero de equipas, assinalo q ao contrario do q o Miguel disse nao ha' necessariamente uma forte correlacao entre o numero de equipas na Liga e a dimensao economica do campeonato. Como tb ja' foi dito, o q e' preciso e' q haja um 'fair play' financeiro q seja colocado em pratica 'a forca pelas instancias competentes; se assim fosse, havendo mais equipas a unica consequencia seria q os orcamentos, em media, seriam ligeiramente mais baixos.

Diga-se no entanto de passagem q sou TOTALMENTE contra o alargamento.

José Correia disse...

JRP disse...
Quem precisa do João Querido Manha na TVI quando tem o Miguel Lourenço Pereira no Reflexão Portista?

Caro JRP, uma coisa é discordar veementemente de um dos co-autores do Reflexão Portista (no caso, o Miguel Lourenço Pereira), no que está no seu direito; outra coisa é compará-lo a um jornalista/comentador benfiquista, que destila ódio contra o FC Porto em tudo o que escreve ou diz.
Sinceramente, acha que foi justo neste seu comentário?

G. disse...

Eu só acho que "cair-mos" é mau demais....

José Correia disse...

JRP disse...
este blogue era uma referência. Zé Correia, que se passa?

O Reflexão Portista é aquilo que sempre foi. Um blogue que junta diversos adeptos e sócios portistas, de diferentes gerações, com perspectivas próprias, e na maior parte das vezes dissonantes, acerca de temas quentes da vida do FC Porto.

Eu acho normalíssimo que assim seja e, se for bem aproveitado, contribui para uma discussão enriquecedora entre portistas com perspectivas diferentes.

Aliás, o Miguel Lourenço Pereira costuma responder, com elevação, às criticas que lhe são feitas, mas quando a discussão descamba para o ataque pessoal (se me comparassem ao Querido Manha, Sílvio Cervan ou Rui Gomes da Silva eu, mais do que um ataque pessoal, consideraria um insulto), é natural que ele não tenha vontade em responder.

José Correia disse...

Pedro disse...
Eu sou a favor do alargamento, mas só se as regras financeiras foram cumpridas.

Alargamento para 18 clubes significa 34 em vez de 30 jogos. Nesse caso, teria de se acabar com a Taça Lucílio Baptista. Não sei se o slb estaria de acordo...

José Correia disse...

InVicturioso disse...
Benfica foi aos quartos-de-final da Liga dos Campeões tendo sido eliminado no limite; Sporting foi à meia-final da Liga Europa; o ano passado tivemos 3(três!!!!!) equipas portuguesas na meia-final da Liga Europa, etc.

O campeonato português é bipolar. Tem quatro equipas de nível médio ou médio/alto europeu (conforme o comprovam os resultados nas competições europeias), mas as restantes são fracas, ou muito fracas, e vivem o dia a dia com a corda na garganta.

Daniel Gonçalves disse...

Respeito a opinião do Miguel Lourenço Pereira, umas vezes concordo outras discordo, mas considero valorosas as suas análises. Neste caso em particular considero, em parte, incorrecta a sua análise sobre o valor do campeonato português, não é pelo facto de existirem clubes com salários em atraso que desvaloriza o nível competitivo da prova, aliás é o facto de alguns clubes possuirem jogadores, sobretudo estrangeiros, de médio - digamos assim - valor que implica salários e, portanto, custos financeiros mais elevados para esses mesmos clubes suportarem. Compare-se o nível competitivo da prova actual com o nível competitivo da prova nos anos 70 e 80 e concluiremos que actualmente é mais difícil ser campeão.
Não desvalorizo a vitória do nosso clube no campeonato pelos factos aludidos na análise do Miguel, mas não coloco em causa o "portismo" do Miguel ou de outros que pensam como ele, como li em certos comentários. A análise do Miguel está fundamentada, errada na minha opinião, mas racional, nada comparado com os textos demenciais do Querido Manha, da Pinhão ou de outros comentadores do mesmo calibre.
Noutro ponto da análise do Miguel - que não vi ninguém focar nos comentários - compreendo e concordo com a opinião dele: não basta ao nosso clube ser campeão nacional, uma boa campanha europeia é fundamental para a dimensão, financeira e desportiva, do FC Porto. Cada vez mais as avaliações das temporadas e do valor do treinador vão depender disso, não é à toa que muitas das críticas dirigidas ao Vítor Pereira se deveram à fraca prestação nas provas europeias do nosso clube.

PS: quanto a erros gramaticais toda a gente os comete, até os laureados pelo Prémio Nobel da Literatura.

Vitor Hugo disse...

Estou completamente de acordo com o autor do artigo. Seria muito mais interessante um campeonato mais pequeno.

Pergunto: quem é que, no seu perfeito juízo, ainda vê jogos da liga portuguesa? Com a SportTV e os streams piratas a transmitir bom futebol, qual é o interesse? Em 9, NO MÁXIMO há 3 jogos apelativos por jornada. Resultado:
http://www.lpfp.pt/futebol/pages/espectadores.aspx?epoca=20112012&info=Clube

Menos equipas, mais equilíbrio, mais público, mais patrocínios, mais receitas. E, claro, uma séria aposta na formação, que virá por consequência do rigor nas contas que deve ser exigido. Clubes com dívidas devem pagá-las. Clubes sem sustentabilidade financeira devem fechar. Facínoras como o Bartolomeu e muitos outros devem ser chamados à responsabilidade, perante a lei.

"Ser campeão nacional em Portugal, nunca foi tão difícil como hoje"? Equilíbrio entre 3 equipas (de cada vez) não é novidade. Mesmo para o FCP, ganhar com 20 pontos de avanço é um fenómeno raro e recente...

Parece-me que campeonato difícil é, por exemplo, o alemão: vários REAIS candidatos à vitória (Dortmund, Bayern, Schalke, Bayer, Estugarda, Werder), vários outsiders capazes de surpreender e vencer a competição, como amiúde acontece (Mönchengladbach, Wolfsburg, Hoffenheim, Hamburgo, ...), estádios repletos (até nas divisões inferiores). A liga inglesa também é um bom exemplo com, no mínimo, 8 equipas de top, das quais todos os anos pelo menos 3 ou 4, raramente as mesmas, lutam pelo título.

Meus caros, com um campeonato tão grande, como se fôssemos um país enorme, nunca haverá clubes capazes de lutar com os 3 maiores. E isso não é bom, é defender um centralismo, neste caso... bipolar (o que não deixa de ser curioso, vindo de portistas). Por um lado facilita a vida ao trio, porque têm adversários "complicados" como este U. Leiria. Por outro, é a morte, porque são arrastados para o nível da concorrência tanto a nível desportivo como financeiro.

Ah, lamentáveis, alguns dos comentários, na forma como desrespeitam ao autor. Haja educação, por favor.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Peço desculpa a todos pela tardança em responder, estive fora e só agora vi a "revolução" que me este meu artigo levantou.

Antes de responder um por um, como é meu hábito, que fique claro que não acredito que o FC Porto tenha menos mérito por ter sido campeão. Não é isso que está em causa. O artigo estava escrito antes do Benfica ter empatado em Vila do Conde e a minha ideia continua a ser a mesma. O meu nivel de exigência ao FCP já há muitos anos que ultrapassou o mero titulo nacional.Defendo que o clube deve pensar mais alto porque vencer uma liga onde há tantos clubes que vivem situações dramáticas (Setubal, Guimarães, os clubes da Madeira com sustento que acabará, Académica...) não deve chegar para quem tem um orçamento de 100 milhões de euros.

O FC Porto é o justo e mais que justo ganhador desta liga e não é nossa responsabilidade que os restantes clubes tenham uma má gestão desportiva. Mas também não alinho na teoria que ganhamos uma liga complicada porque as diferenças financeiras são tais que a estatistica obrigaria ao FC Porto a pensar em cada liga com 70 pontos quase obrigatórios.

Essa é a ideia do artigo e essa mantêm-se. Peço-vos que sejam educados nas vossas respostas como sou sempre que vos respondo, o RP é um dos espaços mais plurais que conheço na blogosfera, há espaço para todos!

Duarte disse...

Vitor Hugo, a Holanda não é propriamente um país grande e tem 18 equipas. Espanha é uma potência futebolística, tem duas equipas na final da Liga Europa e só dois clubes é que lutam pelo título todos os anos.

Estou totalmente de acordo com o Pedro. Eu sei que hoje em dia pode parecer uma heresia, mas eu defendo o alargamento. Não o defendo agora, claro, porque tal traria consequências inacreditáveis para a verdade desportiva, mas para a próxima época parece-me possível.

O palerma do Rui Santos, por exemplo, não quer o alargamento, mas depois diz que temos jogos a menos. Pois temos, mas com 16 equipas é impossível jogar-se mais. A redução poderia ditar uma Liga a três voltas e aí o problema da escassez de jornadas resolvia-se. Na Escócia chegou a ser assim, agora não sei se é. Só que um campeonato a três voltas traria factores de aleatoriedade e sortilégio que me parecem aberrantes. A título exemplificativo, poderia haver campeonatos em que fazíamos dois jogos fora com o benfica e eles apenas um em nossa casa e vice-versa. Que em competições a eliminar, como a Taça, os sortilégios sejam uma inevitabilidade e façam parte, tudo bem, mas transportar isso para o campeonato, conhecido em qualquer país por ser uma prova de regularidade, discordo totalmente.

Além disto, quais são as ligas onde há menos de 16 clubes? Existem, claro, mas qual a sua expressão futebolística? Na Escócia, onde o número de clubes é reduzido, também há clubes com problemas financeiros graves e um deles é o Rangers, um clube grande.

Estou sem tempo infelizmente, porque gostava de aprofundar mais este meu comentário.

Miguel Lourenço Pereira disse...

JRP,

Não sei onde vê no artigo que eu diminuo o valor do nosso titulo. Deve ser no mesmo sitio em que vê em mim a alma de comentadores facciosos e anti-portistas consagrados. Simplesmente acho que o FC Porto deve ser campeão sempre e que eu saiba essa é a politica da SAD. Há anos em que não acontece mas são tão poucos que parece que estamos em sintonia.

Pedro,

Não acredito que o mercado português tenha espaço para 32 equipas profissionais, especialmente vendo a realidade em que vivem. Muita culpa disso tem a Olivedesportos e a politica de negociar os direitos televisivos tal como está estruturada actualmente. Certamente porque em Portugal há pouca tradição em apoiar clubes locais e a isso juntamos directivos corruptos até à medula. Quando eu tenho um clube com um orçamento de 100 milhões de euros não devia ser dificil vencer uma liga contra equipas como o Leiria ou Setúbal. Da mesma forma que em Espanha o abismo pontual do Barcelona e Real espelha também o abismo financeiro de ambos, em Portugal a situação é bastante similar. Com a diferença que não há na nossa liga um clube com a mesma estrutura e profissionalidade que temos. Claro que uma liga de 10 sem saude financeira também não será competitiva. Mas pessoalmente não vejo em Portugal 18 equipas sustentáveis financeiramente em nenhuma circunstância.

InVicturioso,

Obrigado por ter entendido à primeira a ideia do post. Quando à dificuldade, eu sou dos que pensam que a Europe League não é uma boa vara de medir e a cada ano que passa sinto mais que é uma prova dificil de analisar a nivel de qualidade futebolistica. Apesar de não retirar o mérito aos clubes que chegam tão longe como o Braga, Benfica, Sporting e nós, claro, sinto que o fosso com a Champions é tal (e nós deviamos ser um equipo de Quartos de Champions) que isso não me basta. Quanto ao duelo com os 3 pelo titulo, aí subscrevo totalmente e foi aí que vencemos a liga. E nesse particular o nosso mérito foi de empatar 2 jogos e vencer (de momento) 3.

um abraço

Miguel Lourenço Pereira disse...

RCBC,

Gostava de saber no artigo onde encontra essas reflexões tão interessantes. Particularmente da sua habilidade em adivinhar os meus sentimentos ;-)

MBC,

Não me trate de V.E. por favor que esse bacoquismo português me incomoda tanto como tentarem comparar-me ao senhor Manha ;-)
Agora a sério, senhor Miguel Cunha, gostaria de saber o que toma habitualmente antes de escrever comentários. O RP, como sabe, é um espaço bastante plural, mas da última vez que eu vi é composto por portistas, alguns deles sócios de muitos anos, e não conheço portistas que querem perder, seja pelo motivo que seja. Infelizmente o que tenho vindo a conhecer com maior detalhe são portistas cegos, portistas que se comportam como ovelhas, portistas incapazes de ouvir opiniões que não a sua, portistas que se reclamam arautos da verdadede desportiva, enfim, portistas que se parecem cada vez mais ao adepto comum do Benfica de largos e largos anos. A mim o que me dá medo não é vencer titulos em ligas fracas ou fortes, é que ganhar tantos titulos tenha tido o poder de mudar a mentalidade do adepto portista, antes gente guerreira e perspicaz, e transformá-lo em intolerantes crónicos. Sinceramente, tenho toda a pena do Mundo.

Mário, Alexandre,

Já sabemos que a exposição dos nossos textos está aberta a todo o tipo de interpretações, como se diz aqui em Madrid "no pasa nada"!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Hulk11M,

Não há nenhum interesse nem intenção de tirar mérito ao titulo do FCP. Simplesmente, para mim, a liga portuguesa não pode ser a verdadeira vara de medir de um clube que deve pensar mais alto. O FC Porto perdeu pontos com equipas com um orçamento infinitamente inferior ao seu e isso, na matemática do futebol, faz pouco sentido. Claro que cada jogo é um jogo e há motivos especiais para que isso passe, mas pessoalmente não acredito que faça da nossa liga mais competitiva do que é. Apesar do que diga a UEFA.

Quanto aos salários, é mais do que isso. São os salários, são as infra-estruturas, é a politica de preços, os horários, a ditadura da Olivedesportos, a gestão dos abutres da Liga e FPF, são muitos elementos que fazem com que a liga portuguesa perca valor e mérito. E por isso, insisto, ser campeão português é o minimo que devemos conquistar num ano. Um clube que em 25 anos venceu 17 ligas não pode sentir que teve um grande ano numa época em que vence uma Liga e uma Supertaça. Ser Porto é pensar mais além, não contentar-se com o pouco, por muito meritório que seja, que se ganhe.

Daniel,

Obrigado por ter entendido a minha ideia, por muito que não concorde. Quanto à realidade financeira do nosso futebol, o que penso pode explicar-se neste raciocinio. Os jogadores do Porto defrontam jornada sim, jornada não, equipas com os salários em atraso. A culpa não é nossa, mas contra quem jogamos certamente que não está no máximo da sua concentração, quem já trabalhou sem cobrar a tempo e horas sabe o que afecta um trabalhador profissional e os jogadores também o são. Mas isso passa com o Porto, o Benfica, o Sporting e o Braga. Eu falo do que me doi. A culpa está na gestão alheia mas a mim custa-me mais que o FCP jogue contra o APOEL (onde há portugueses que preferem jogar numa liga menor mas ganhar no final do mês o seu) e seja incapaz de ganhar quando, em teoria, se temos equipas tão boas na Europa, não deveria ter sido dificil chegar aonde chegou o Benfica este ano, por exemplo.
O futebol português profissionalizou-se e não há tantas goleadas e amadorismo, é certo. Mas é uma especie de paz podre, de realidade virtual, porque não sei quantos clubes nos anos 90 tinham os imensos problemas financeiros que têm os clubes de hoje.

um abraço

Miguel Lourenço Pereira disse...

Vitor Hugo,

Obrigado. A Bundesliga é, para mim, o cúmulo da excelente gestão desportiva, já não peço tanto. Mas o certo é que a qualidade de jogo em Portugal não me atrai em absoluto. Um Braga-Guimarães, futebolisticamente, está muito por debaixo da maioria dos jogos da Ligue 1, Bundesliga, Eredevise para não falar da Liga espanhola ou da Premier, e não falo dos jogos dos grandes. E no entanto são equipas com ambições europeias.

Eu sou a favor de uma liga de 10 ou 12 clubes, com direitos televisivos bem distribuidos, 4 rondas e uma aposta forte na formação, algo que venho reclamando há muito para o nosso FCP. Seria muito mais importante para o nosso clube, especialmente para o seu crescimento europeu, que ter de jogar contra cinco ou seis equipas que não têm condições para ser profissionais.

um abraço

JRP disse...

Miguel Lourenço Pereira e José Correia,

Não coloco em causa o portismo do Miguel Lourenço Pereira. Mais, que fique claro, estou convicto que o MLP é portista.
A comparação com o Manha é sobretudo provocadora, mas eu obviamente não confundo um com o outro.
Tendo dito isto, quero-lhe dizer, sem ironias, que não gosto do que escreve. Sem dramas. Cada um com a sua opinião. E mais, se não gosto do que escreve e do que pensa, gosto da sua educação e perseverança.
Não gosto do que escreve sobretudo por duas razões:

1 - Falta humildade e clarividência na sua escrita. O MLP surge sempre como o profeta que tudo sabe, analisando as questões "a posteriori", como se tudo fosse óbvio para qualquer cabeça iluminada como a sua. Recordo-lhe que sempre que se antecipou a um acontecimento, a sua posição ruiu... não tinha sido para si um erro a contratação de AVB? Para si, é tudo fácil, tudo óbvio, e as análises surgem sempre envoltas numa posição de superioridade intelectual e moral em relação aos que verdadeiramente lidam com os problemas. Aqueles que tantas vitórias nos têm oferecido, precisamente acertando a maior parte das vezes nas escolhas e nas decisões tomadas, embora, naturalmente, aqui e ali, falhando como qualquer outra organização, são sempre diminuídos nos seus textos, como se tratassem de gestores e líderes medíocres.

2 - Os seus textos nunca trazem alegria ao clube, mas depressão e desmoralização. Entre vários exemplos emerge naturalmente a sua ode anti-AVB no momento imediato à sua contratação. Talvez fosse mais fácil criticá-lo a partir da desvalorização que o MLP faz dos feitos da época passada, mas a mim incomoda-me mais que depois de um êxito como a vitória na liga deste ano, ou num momento em que a equipa precisava de ser empolgada como no final da época dos túneis, o MLP venha ensinar a malta que estamos a ser demasiado entusiastas e que tudo está a ser mal feito. Mais, que podíamos fazer muito melhor, embora ninguém mais em Portugal (no mundo?) o faça. Isso, desculpe-me a franqueza, soa a fanfarronice ou gabarolice tardo-adolescente. Não se apoquente com as minhas palavras, eu também já passei por isso. Como deve ser mais novo que eu, talvez até seja natural essa sua postura.

No mais, deixe-me aplaudir a sua destreza e simpatia nas respostas às provocações.

Miguel Lourenço Pereira disse...

JRP,

Obrigado pelo feedback, o debate é sempre feito a duas bandas, especialmente quando não há acordo de ideias.

Vou respeitar cada uma das suas palavras porque tem direito a elas, incluindo os juizos de valor que faz sobre as minhas motivações, as minhas falhas como futurólogo e humildades. Cada um pode pensar o que queira de mim, naturalmente não é algo que me afecte, sempre que o faça, como está a fazê-lo, do respeito.

Quanto aos meus artigos, por muito que me engane, e muitas vezes me enganei e mais me irei enganar, é o que tem ser humano, digo sempre o que penso em cada momento. Não escrevo para recolher os louros futuros nem para apontar o dedo. Escrevo o que me sai da alma, no Reflexao e noutros locais. Pensei que o Villas-Boas ia durar menos do que durou e fico feliz ter-me enganado em cada virgula.

Mas uma coisa deixo sempre clara. Eu não escrevo para empolgar, não trabalho para a SAD. Prefiro escrever sobre o que vejo mal e ser impopular do que escrever "n" textos a celebrar, a dar palmadinhas nas costas. Porque aprendi na vida que os sucessos celebram-se pouco e é das derrotas e dos problemas que se aprende e se dá um passo em frente.

A nossa SAD tem feito coisas muito boas. Mas deixo para outros o elogio. Preocupa-me que haja pouca gente que pense nas más. Eu não escrevo para motivar os jogadores, nem os adeptos, nem sou velho do Restelo, sou simplesmente alguém que sofre e se preocupa e que quer algo mais do que já temos porque sou um insatisfeito crónico, com a vida e com o clube.

O JRP, ou qualquer outro portista que por aqui passe, pode achar que é fanfarronice, mas acredite que é todo o contrário. E que o objectivo de todos é o mesmo. A diferença é que muitos pensam no bonito que seria chegar a determinado nível, seja desportivo ou económico, mas ficam-se pela ideia. Eu tento, além da ideia, pensar no que há que melhorar para chegar lá. Seguramente sei muito pouco em comparação com os senhores da SAD, os campeões europeus e mundiais são eles, mas pelo menos direi sempre o que penso ;-)

um abraço

Vitor Hugo disse...

Duarte (peço desculpa não ter tempo de me alongar): não acho que deva existir uma relação directa entre a dimensão do país (ou população) e a do campeonato. Há outros factores decisivos, como o poder de compra. E nesse, p.ex, a diferença é abismal entre Portugal e Holanda... Como consequência, não faz ideia da diferença que existe entre clubes médios da 2ª liga holandesa (de pequenas cidades, da dimensão comparável a Coimbra ou Aveiro) e alguns clubes da 1ª liga portuguesa.
Cumps a todos.