terça-feira, 1 de maio de 2012

Em Memória de Francisco Nóbrega (1942-2012)

Em tempos publiquei aqui um artigo sobre o nosso jogador Francisco Nóbrega, que recentemente nos deixou.

Em sua memória, aqui fica a reprodução do mesmo. Paz à sua alma.




"Cabeça caída, queixo quase colado ao peito, com um passo melancólico, esta era, de certo modo, a imagem de marca de Francisco Lages Pereira Nóbrega, que viu a luz do dia em Vila Real em 14 de Abril de 1942. De tal modo essa imagem se lhe colou que alguns adeptos de humor mais espontâneo diziam que ele perdera “cinco coroas” (antiga moeda de 2$50) no relvado das Antas.

Mas isto era nas pausas do jogo. Com ele a decorrer, o Nóbrega era um fogoso extremo-esquerdo, senhor de um drible mais que competente e um dos melhores jogadores a centrar uma bola que já vi actuar no F.C. Porto. E a isso aliava um poderoso pé esquerdo, que o viu facturar um número apreciável de golos durante a sua longa carreira no F.C. Porto, que decorreu de inícios da década de 60 a meados da década seguinte. Pelo meio, o Nóbrega foi quatro vezes internacional “A” por Portugal, entre 1964 e 1967.

Mas, de facto, pareceu sempre faltar-lhe alguma chama, dava a ideia de ser um jogador pouco motivado. O grande jornalista Vítor Santos frequentemente, ao escrever sobre ele, dizia que o Nóbrega patenteava “sempre os mesmos defeitos e as mesmas qualidades”.

A certo ponto dos anos sessenta irrompeu no clube um jogador da mesma posição que chegou a tirar-lhe o lugar, o angolano Serafim dos Anjos Mesquita Pedro, popularizado pela alcunha de “Malagueta”. Mas o Malagueta, coitado, que já não está entre nós e teve um fim triste, gostava muito das noitadas, e paulatinamente o “Xico” Nóbrega recuperou o lugar. Fez, por essa altura, parte da equipa que no Jamor venceu a Taça de Portugal de 1968, contra o Vitória de Setúbal (2-1), tendo apontado um dos golos, salvo erro o da vitória.

Ainda por cá estava, “sempre com os mesmos defeitos e as mesmas qualidades”, na época em que o Pavão morreu, em 1973, e participou nessa partida, também contra o Vitória de Setúbal.

Percorrendo as minhas memórias do Nóbrega, recordo-me da sua fulcral intervenção na jogada que deu o único golo da partida num jogo contra o Benfica nas Antas em Dezembro de 1968: antecipando-se a um defesa adversário dentro da grande-área, o Nóbrega rematou com violência à meia-volta, o guarda-redes do Benfica, José Henrique, apenas conseguiu rechaçar a bola, e o Custódio Pinto, ali mesmo à mão de semear, empurrou-a para a baliza. Nessa época disputámos o título renhidamente com o Benfica, e já dela falei no artigo sobre o “Bacalhau”. Voltarei a ela aqui, um dia, com mais pormenor. Hoje a tinta da minha pena virtual é derramada em homenagem ao “Xico” Nóbrega."

9 comentários:

Armando Pinto disse...

Grande Nóbrega. Também internacional pela Selecção Militar de Portugal, ao serviço da qual, inclusive, foi autor de um golo num jogo contra a Espanha - como anotamos no nosso blogue, em recente artigo sobre Custódio Pinto (post antecedente de outro de homenagem ao Nóbrega, por estes dias).
Que descanse em paz. Como fica na História do F C Porto e em nossos corações.

José Correia disse...

Lembro-me de ouvir falar nele mas, sinceramente, não me lembro de o ver jogar. Só comecei a acompanhar regularmente os jogos do FC Porto a partir da época 1976/77.

Sansoni7 disse...

Um craque da minha juventude.

Ainda o vi treirar por Gondomar e Esmoriz.

Até sempre, campeão!
Augusto

Ângelo disse...

Obrigado Alexandre Burmester pela evocação do Francisco Nóbrega; esperava ansiosamente para que o ”Reflexão Portista” escrevesse alguma coisa sobre esse grande jogador.
E, entretanto, avancei com este breve texto no meu “Mural do FB” perante a foto do autocarro do FCP, após nos termos sagrado campeões:

“Apenas uma nota dissonante e triste: a 200 metros do Estádio do Dragão, na Igreja de Sto. António das Antas, repousa a urna com o corpo do antigo jogador portista Nóbrega, um esquerdino de qualidade que muito admirei, mas que viveu sempre, na Selecção, na sombra do benfiquista Simões.
Fez parte da equipa do Porto nos anos 60 / 70, décadas onde, não obstante o FCP ter boas equipas, se passaram 19 anos de jejum; nesse deserto temporal, destaca-se a vitória da Taça de Portugal ganha ao Vitória de Setúbal em 1967 por 2-1 e onde Nóbrega marcou um golo”.
Paz à sua Alma.

Nota à Margem:
Dessa equipa de 1967/ 1968 que ganhou a Taça de Portugal, faziam parte os seguintes atletas, ordenados conforme poster editado pela Agência Portuguesa de Revistas e pelo preço de 2$50:
- Em baixo: Jaime, Djalma, Pinto Gomes e Nóbrega.
- De Pé: Bernardo da Velha, Atraca, Pavão, Rolando, Valdemar e Américo.

Há cerca de dois anos, ofereci esse poster ao Quim, ( Casa Louro, na Batalha) para substituir um idêntico mas muito danificado.

Ângelo Henriques

Alexandre Burmester disse...

Agradeço a todos os que comigo partilharam com o mesmo gosto que eu estas recordações do Nóbrega. Foi um jogador ue nos serviu num período muito difícil. Hoje em dia é fácil ser portista.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Nunca o vi jogar pela idade claro, mas lembro-me do meu pai falar dele, do Custódio e do grande Pavão com devoção.

Tens toda a razão Alexandre, nessa altura ser do Porto não era para todos.

Helena disse...

NOBREGA, FOI UM EXCELENTE JOGADOR TERMA ESQUERDA, DITO ATE POR OUTROS JOGADORES, COMO EUSEBIO QUE, CHEGOU A JOGAR COM ELE! AMAVA O DESPORTO O FUTEBOL NAO ERA POR DINHEIRO ! PORQUE PAGAVAM UM SALARIO ACIMA DO NORMAL MAS NADA DE EXURBITANCIAS! HOJE SIM SE EUSEBIO, NOBREGA JOGASSEM ACTUALMENTE TINHAM MILHOES! ELES TINHAM AMOR A CAMISOLA . PARA ALEM DE BOM JOGADOR ERA UMA PESSOA HUMILDE BOA COM TODO O MUNDO

Helena disse...

optimo jogador , terma esquerda ditto ate por outros colegas , o proprio Eusebio me disse que, Nobrega e um excelente terma esquerda ambos jogaram por amorr ela camisole nao pagavam muito o salario era bom mas nao como agora?!! que pagam fortunas eles amavam os clubes deles. Nobrega era um bom ser humano, humilde um bom amigo colega, pai especialmente um bom filho.

baia disse...

Pois, sem esquecer o grande CLUBE ATLÉTICO DE RIO TINTO (CART), onde além de treinador era jogador, e eu tive o privilégio de ver jogar/treinar, e até ter "dado"uns toques em futsal com ele. ENORME ser humano. RIP