terça-feira, 24 de julho de 2012

Dr Jekyll and Mr Hyde?


Serve este curto artigo para abordar a composição dos órgãos executivos de FCP clube e SAD, e a forma como isso pode hipoteticamente condicionar decisões.

Parece-me que o panorama actual em que todos os administradores executivos da SAD (Pinto da Costa, R. Teles, A. Caldeira, A. Ferreira) são também presidente e vice-presidentes do clube é nefasto aos interesses do clube, já que não são parte desinteressada em decisões SAD vs. Clube (leia-se «modalidades»), havendo à partida um «bias» intrínseco a favor da SAD. 

E porquê? Simples: é da SAD que retiram os seus rendimentos, que por acaso até são milionários (3,7 milhões de euros em 10/11, por exemplo, equivalente a uns 50mil euros/mês cada um, em média). O clube paga uma ínfima fração desse valor aos seus órgãos sociais (salvo erro não chega aos 200mil euros/ano na totalidade, e a dividir por muito mais gente). Sendo assim a tentação humana para «espremer» o clube em favor da SAD é muito considerável, mesmo que certamente algumas pessoas lhe consigam resistir. 

Quer isto dizer que eu defendo que se devia ter elencos diretivos totalmente diferentes? Não.

O extremo oposto parece-me também nefasto, podendo dar azo a prazo a guerras internas de que ninguém iria beneficiar.

Mas caramba, nem 8 nem 80... penso que o ideal seria um modelo em que o presidente coincide (tendo sido eleito pelos sócios, tal como os vice-presidentes do clube), mas mais ninguém teria assento em ambas as direções (ainda que 2 ou 3 dos restantes administradores executivos da SAD continuem a ir para lá por indicação do clube). Pode ser que nesse caso a direção do clube fosse menos "mansa" para não dizer escrava dos interesses da SAD... é que se hoje em dia não é assim, às vezes parece.

PS – o que acabei de escrever não invalida que eu ache também que a componente fixa (que foi superior a 20mil euros/mês/cabeça) dos rendimentos da direção da SAD, que é o que recebem no hipotético pior dos casos, devia ser fortemente revistos em baixa, como já aqui escrevi anteriormente. Por mim até podiam receber 50x mais do que isso em ano que se ganhe a Liga dos Campeões, por exemplo; mas considero até mesmo insultuoso para o adepto médio que tenham um salário-base tão elevado (mesmo que hipoteticamente acabemos um campeonato em 3º lugar, façamos zero na Europa e as contas estejam num estado miserável).

18 comentários:

JOSE LIMA disse...

Caro José Rodrigues
Tocou na ferida. Por diversas vezes abordei, noutro local, essa situação sempre que analiso as nossas continhas. Achei piada ao título. Se me tivesse ocorrido escrever um artigo semelhante talvez o intitulasse “NEGÓCIO CONSIGO MESMO”. Depois, como as cerejas, podia vir dependurado em subtítulo “ABUSO DE REPRESENTAÇÃO”.
No Encontro, abordei timidamente o tema. Porventura por deficiência minha ninguém percebeu onde queria chegar. Já vem do tempo dos “protocolos” da constituição da SAD, e EuroAntas. Enquanto não se assumir isto, não se consegue explicar porque acabou o Basquetebol.
Está aí a chegar a liquidação do 2009/2012. Lá teremos que “empurrá-lo para a frente com a barriga” e preparar o 2012/2015.
Abraço
PS – Desculpe a linguagem “criptográfica”. Os nossos inimigos não precisam entender.

José Rodrigues disse...

Diga-se em abono da verdade q me parece q nos outros grandes a situação é pior. Veja-se por exemplo a passag do estádio do slb para a SAD ou as guerras no SCP das empresas satélites (para não falar nas melhores infra-estruturas do FCP em geral vs rivais).

Logo podia ser pior, mas com os problemas dos outros posso eu bem...

Miguel Lourenço Pereira disse...

@José,

Precisamente. O FC Porto tem de aspirar a voos mais altos e a equipa directiva tem de ser participe. Num ano de sucesso inquestionável como foi 2011 ou 2004, é mais do que justo que todos os membros do projecto FCP sejam recompensados com bónus à altura dos seus feitos.

Mas em anos em que se vence apenas a liga, ou até anos em que não se chega a ganhar o campeonato, onde se encontra justificação para esses rendimentos criminais. Temos gestores da SAD com salários dignos de futebolistas de nível médio alto europeu sem que apresentem resultados que justifiquem esse investimento. No entanto no balneário sempre defenderam uma politica de salários relativamente baixos comparados com a realidade europeia o que já nos fez perder algum que outro jogador.

Sou absolutamente a favor que a presidência de ambos orgãos seja a mesma, mas como apontas, devia ser o único cargo comum a clube e sad.

um abraço

José Rodrigues disse...

Miguel, o ponto deste artigo centra-se na questao dos elencos diretivos, sendo a questao da remuneracao na SAD pano para mangas (i.e. artigo especifico), nao sendo a minha intencao expandir-me nesse ponto.

Dito isto, so' duas palavras sobre isso: ha' uma corrente de opiniao q o salario deve refletir "servico passado". Pessoalmente discordo: deve refletir o trabalho actual e recente (mais: pelo servico passado os administradores ja' levaram muitos milhoes nos ultimos 15 anos, o q e' recompensa mais q suficiente tendo em conta q sao supostos "correr por gosto", i.e. amor ao clube).

Ora eu acho q o salario base devia ser jeitoso mas nao mais do q isso (digamos uns 5mil euros/mes no maximo, o q ja' e' optimo para quem "corre por gosto"), com a media efectiva a ser consideravelmente mais alta ja' q e' de contar q em media recebam alguns premios de desempenho.

Acho q num panorama em q muitos socios e adeptos se vem 'a rasca para pagar quotas ou ir ao estadio isso seria mais do q justo, ate' a tipo de exemplo q vem de cima. E em eventuais alturas de forte aperto financeiro da SAD ate' acho q so' lhes ficava bem ter um salario minimo como base, exemplo de q correm mesmo por gosto (certamente nao iriam morrer de fome com os muitos milhoes q ja' arrecadaram nos ultimos anos ,e se acreditam nas suas capacidades seria de esperar q ganhassem premios de desempenho).

Quanto aos tais premios de desempenho, teriam uma vertente desportiva (principal) e outra financeira.

Na desportiva teriamos premios (exponencialmente maiores pelo grau de dificuldade) para vitoria na Supertaca portuguesa, Taca de Portugal, campeonato - mas nunca pelo 2o lugar ou mais baixo - e competicoes internacionais (apurar para os 1/8s na LC ou 1/2 finais na LE ja' daria direito a bonus, q aumentaria se fossem mais longe).

Na desportiva seria premiado a obtencao de lucro *sustentado*, i.e. o lucro acumulado ao longo do mandato de 3 anos (e isto pq as contas podem oscilar imenso de ano para ano em funcao de jogadores vendidos). Este aspecto nao pode ser descurado pq ganhar competicoes desportivas no imediato nao pode ser a qq custo (vide' Leeds nos anos 90).

Dai' eu achar q mesmo com um salario base inferior a 5mil/mes o salario efectivo medio poderia facilmente chegar aos 10 a 20mil.

José Rodrigues disse...

Falando do ponto principal do artigo, eu escrevo-o ja' mesmo a pensar no pos-PdC (mas tb no futuro mais proximo, nomeadamente quando o mandato actual da SAD caducar - e presumindo q PdC continua mais um mandato).

Enquanto PdC for presidente e pelo seu passado, penso q os adeptos em geral estao-se a borrifar para a questao q levanto. Alias isso e' notorio pela ausencia quase total de comentarios a este artigo.

Mas no pos-PdC e sem um presidente carismatico e com um CV do peso do CV do PdC, e' uma questao muito relevante.

Alguns defendem o corte "total" ou quase entre as duas direcoes, com o presidente do clube a ser uma especie de presidente da Republica (preocupando-se acima de tudo com as modalidades e infra-estrutura), "entregando" a SAD a um primeiro "governo" algo tecnocrata e muito autonomo.

Ora tendo em conta q o futebol e' a principal actividade - de longe - do clube, e q a SAD inclui outras atividades relevantes para todo o grupo, isso seria "estar a pedir" conflitos entre clube e SAD (ate' pq nem sempre vai tudo correr bem) com a instabilidade inerente e/ou um defice democratico. O presidente e o seu elenco eleitos *tem* obrigatoriamente q estar numa posicao de prestar contas aos adeptos e nao "lavar as maos" do q se passa no futebol.

Sendo assim penso q e' obrigatorio q o presidente eleito pelos socios seja tb o presidente da SAD.

No entanto o panorama atual de total "promiscuidade" como disse parece-me tao pouco desejavel pelas razoes apontadas.

Dai' defender q o presidente tenha dois "chapeus" distintos com duas equipas distintas, em q a "voz" institucional do clube (das modalidades etc) seja mais forte do q hoje, eliminando tentacoes de tomar decisoes enviesadas por motivos economicos pessoais (excepto na pessoa do presidente, q seria comum, mas sendo apenas uma voz entre muitas na direccao do clube quero crer q seria obrigado a ouvir mais atentativamente os restantes vices caso estivesse isolado numa discussao no seio do clube).

Anónimo disse...

Eu só gostaria de saber qual a razão de sermos... SAD!????
Que saudades do tempo em que eramos clube com as quotas a darem entrada e os famosos "dias de clube" por altura dos grandes clássicos!!!!
Mas se as SAD são necessárias então que se façam á europeia, e não saloiamente á portuguesa onde o clube detém a maioria das acções!!!! Por isso os clubes estão falidos! Ou sim ou sopas, meio dentro meio fora é que não!

Felisberto Costa

Mário Faria disse...

Sou, em princípio, a favor que só a presidência de ambos orgãos seja a mesma, mas acho que no FCP não faria qualquer diferença.
Não creio que haja alterações substantivas ao modelo, a menos que o nosso presidente as caucione.
Por uma questão de princípio, acho que os administradores da SAD não deveriam receber prémios.

José Rodrigues disse...

" mas acho que no FCP não faria qualquer diferença"

Ao certo so' eles o saberao. Mas eu suspeito que:

1)os restantes administradores da SAD serao mais "SADistas" e menos "clubistas" que PdC, e

2) PdC nao gosta de impor vontade propria se estiver em franca minoria nestas discussoes (alias, da-me a impressao de q ja' nao e' activo na gestao como era antigamente)

Se essas duas premissas estiverem corretas, entao sim, faria certamente uma diferenca (ainda q nao dramatica) se esses 3 saissem da direcao do clube (ou vice-versa).

Mas mais: a tentacao economica de q falei e' intrinseca, e nao sei como serao as pessoas no futuro: o melhor e' jogar pelo seguro e remover a tentacao 'a partida.

José Rodrigues disse...

"Eu só gostaria de saber qual a razão de sermos... SAD!????"

E' uma boa pergunta e ainda mais fundamental, e a resposta e' simples: a criacao da SAD foi uma forma de se injectar umas poucas dezenas de milhoes de euros no orcamento (q ninguem daria de mao beijada).

A sua continuacao so' fara' sentido se houver o risco de necessitarmos de um aumento de capital (i.e. em caso de crise financeira). Isso ja' aconteceu uma vez, ha' uns 10 anos, mas desde entao a coisa tem estado controlada - mas esse risco existe enquanto continuarmos a viver um bocado no "fio da navalha", em termos monetarios, como tem sido em grande medida o caso.

Infelizmente a criacao da SAD criou um pretexto para se estabelecerem salarios milionarios e mesmo, arrisco dizer, um numero de "tachos", en nome da "profissionalizacao" da estrutura.

Uma certa (maior) profissionalizacao seria sempre necessaria e desejavel, mas para mim NUNCA ao nivel do q se viu e tem visto, em termos de salarios e numero de diretores e tecnicos.

No ultimo ano em q ha' dados completos (10/11) gastou-se 15 milhoes na direcao, tecnicos e administrativos. Parece-me franco exagero e e' muitissimo mais do tinhamos no pre-SAD - e por favor nao me venham dizer q somos hoje 50x mais profissionais e competentes do q nos tempos pre-SAD...

Rui António Dias Moreira disse...

A SAD sabe as decisões que toma

Miguel Lourenço Pereira disse...

José,

Aí estamos totalmente de acordo apesar de eu achar que no caso da Supertaça e do apuramento da Champions League para os oitavos não deveria existir bónus. Na supertaça porque já se gera o bónus da participação por ter ganho algo meses antes e na Champions porque acredito que os Quartos devia ser o objectivo, não os Oitavos!

abraço

Miguel Lourenço Pereira disse...

E estamos de acordo. Seguramente que uma presidência com duas cabeças, com homens de confiança de cada lado, mas que remem pela sua instituição e não se limitem a fazer circular o dinheiro e as influências sempre no mesmo fluxo Clube-SAD.

José Correia disse...

«penso que o ideal seria um modelo em que o presidente coincide (tendo sido eleito pelos sócios, tal como os vice-presidentes do clube), mas mais ninguém teria assento em ambas as direções (ainda que 2 ou 3 dos restantes administradores executivos da SAD continuem a ir para lá por indicação do clube).»

O principio parece-me correto mas, num caso desses, quem é que aceitaria ir para vice-presidente executivo do Clube?
Dou um exemplo. Adelino Caldeira é administrador da SAD, na qual tem o pelouro jurídico. É também vice-presidente do Clube, no qual presumo que seja responsável pela área jurídica.
Uma das suas funções é remunerada - a que exerce na SAD -, mas suponho que não é remunerado pelo Clube.
Ou seja, o que recebe na SAD, compensa o trabalho (muito ou pouco, não sei) que tem no Clube.

José Correia disse...

«o salario base devia ser jeitoso mas nao mais do q isso (digamos uns 5mil euros/mes no maximo, o q ja' e' optimo para quem "corre por gosto"), com a media efectiva a ser consideravelmente mais alta ja' q e' de contar q em media recebam alguns premios de desempenho»

O valor base que propões - 5 mil euros/mês - é discutível, mas o principio - valor base + prémios crescentes - é algo em que estou inteiramente de acordo.

José Correia disse...

«Na desportiva teriamos premios (exponencialmente maiores pelo grau de dificuldade) para vitoria na Supertaca portuguesa, Taca de Portugal, campeonato - mas nunca pelo 2o lugar ou mais baixo - e competicoes internacionais (apurar para os 1/8s na LC ou 1/2 finais na LE ja' daria direito a bonus, q aumentaria se fossem mais longe)»

Mais uma vez, inteiramente de acordo.
Já agora, o facto de te teres esquecido da Taça da Liga deve ter alguma explicação freudiana...

José Correia disse...

«a criacao da SAD foi uma forma de se injectar umas poucas dezenas de milhoes de euros no orcamento (q ninguem daria de mao beijada).»

Correto.


«A sua continuacao so' fara' sentido se houver o risco de necessitarmos de um aumento de capital (i.e. em caso de crise financeira)»

O facto de existir uma SAD para o futebol e da a mesma estar cotada em Bolsa, permite (ou facilita):
1) Possibilidade de proceder a aumentos de capital;
2) Possibilidade de efectuar emissões obrigacionistas;
3) Maior facilidade em interagir (pedir dinheiro emprestado) com a Banca;
4) Contas mais transparentes e auditadas (têm de obedecer às regras da CMVM).

Por tudo isto, eu sou a favor que exista uma SAD para o Futebol, mas gostaria que o Clube tivesse 50,01% das acções (e não apenas 40%, como acontece desde a sua criação).
Mas isto é tudo off-topic. Talvez o Zé Rodrigues queira publicar um artigo sobre este assunto.

José Rodrigues disse...

"Por tudo isto, eu sou a favor que exista uma SAD para o Futebol, mas gostaria que o Clube tivesse 50,01% das acções (e não apenas 40%, como acontece desde a sua criação)."

A posicao do clube na (administracao da) SAD esta' em boa medida salvaguardada e os restantes 60% divididos por muitas partes (principalmente os 20% de free float na bolsa); e', portanto, quase impossivel aglutinar mais de 40% do capital numa votacao em AG da SAD q derrote a posicao do clube.

Repare-se que os dois irmaos Oliveira junto com a Chamartin (eu sei ja' nao sao eles, mas esqueci-me a quem venderem os seus 18%) tem juntos menos % do q o clube, e a restante % esta' extremamente espalhada por pequenos accionistas (q ainda por cima em caso de conflito estariam, na maioria, do lado do clube).

Enquanto isso for o caso (q pode mudar por ex se houver aumento de capital) nao me preocupo sinceramente com esse ponto.

Diga-se de passagem q 'a cotacao actual a *totalidade* da SAD vale uns 5,4 milhoes de euros - tanto como um unico jogador mediano. Ridiculo.

O q curiosamente quer dizer q teoricamente sera' preciso apenas meio milhao de euros para o clube adquirir os tais 10% q faltam para ter posicao maioritaria...

Digo "teoricamente" pq para convencer os donos de metade do free float (0.5 x 20%) a vender as suas accoes seria certamente preciso aumentar a consideravelmente a parada. Eu, por exemplo, nao venderia as minhas 300 accoes a menos de 5 euros cada uma, q e' quanto paguei por elas (a cotacao actual e' de 0.36 euros). Para nao falar do PdC, q detem mais de 1% da SAD a titulo individual...

José Rodrigues disse...

"O principio parece-me correto mas, num caso desses, quem é que aceitaria ir para vice-presidente executivo do Clube?"

Quem tiver amor ao clube, digo eu...

Financeiramente nao e' uma catastrofe ser vice no clube, ja' q a maior parte dos cargos de vice sao em part-time muito reduzido (alias, quanto tempo em media e' q um Caldeira ou R Teles se ocupam com assuntos do clube q nao digam respeito 'a SAD? Certamente muito pouco).

Penso q e' possivel para a maioria dos vices ter outro emprego, e mesmo qdo nao e' o caso sao remunerados de forma "q nao passam fome", mesmo q seja muito menos do q na SAD.

E se for preciso aumentar esses salarios, porque nao faze-lo... mesmo a ganhar 2mil euros/mes nao estamos a falar de um aumento salarial q nunca ultrapassara' na totalidade umas dezenas de milhar de euros/ano para esses 3 administradores da SAD q seriam "substituidos" no clube.

Se torcerem o nariz a uns 2mil/mes e preferem ir para outro lado ganhar mais, entao "boa viagem". Nao quero gente nestes cargos no FCP q so' esta' la' pelo dinheiro.

Idealmente e' gente q ja' tem, financeiramente falando, uma posicao minimamente confortavel na vida e em q o amor ao clube fala mais alto do q ambicoes monetarias.

Mas ja' agora, deixo uma pergunta... o FCP clube precisa *mesmo* de ter 14 (!!) vice-presidentes? Nao vejo porque^, sinceramente.