domingo, 30 de setembro de 2012

4º penalty em 5 jogos

Rio Ave x FC Porto, Bruno Esteves (AF Setúbal), 1 penalty por assinalar


FC Porto x Vitória Guimarães, Hugo Miguel (AF Lisboa), 1 penalty por assinalar


Gil Vicente x FC Porto, Duarte Gomes (AF Lisboa), 2 penalties por assinalar


Estes quatro penalties por assinalar têm algumas particularidades. Para além de um consenso alargado, ou mesmo unanimidade, de opiniões dos especialistas em relação aos mesmos, todos eles ocorreram em momentos das partidas em que os jogos estavam longe de estar decididos a favor do FC Porto. Aliás, em dois dos jogos (Barcelos e Vila do Conde), pode mesmo dizer-se que tiveram influência no resultado final e nos pontos que o FC Porto perdeu nesses desafios.

Mais. O penalty que o árbitro Hugo Miguel se recusou a assinalar a favor do FC Porto é quase tirado a papel químico do penalty que, a semana passada, foi assinalado a favor do slb em Coimbra e que, ainda por cima, ditou a expulsão de um jogador da Académica a 41 minutos do final do desafio.

Os dirigentes portistas têm estado muito calados, mas não há dúvida que o FC Porto foi, de longe, a equipa mais prejudicada pelas arbitragens neste primeiro 1/6 do campeonato.

sábado, 29 de setembro de 2012

Mais 2 pontos desperdiçados


"depois de chegarmos à vantagem, deixámo-nos cair um pouco em termos de concentração. Nas bolas divididas começámos a ser pouco agressivos e acabámos por ser penalizados. E bem. (...) Por aquilo que produzimos na segunda parte não merecíamos vencer."
Vítor Pereira


Uma semana após o melhor jogo que o FC Porto fez esta época (FC Porto x Beira Mar), Vítor Pereira decidiu mexer na equipa. Trocou Danilo por Miguel Lopes (porquê?), apostou na dupla de centrais habitual - Maicon e Otamendi - e encostou, em termos táticos, James a uma das alas, voltando a apostar num "meio campo tradicional", desta vez formado pelo trio Defour, Moutinho e Lucho.

Desde o início que as coisas não correram bem, quer porque a equipa funcionava mal em termos ofensivos, quer porque James andava em terrenos muito longe de Jackson Martinez, quer porque o relvado não estava nas melhores condições, quer por outra razão qualquer.

Na primeira parte salvou-se o livre exemplarmente marcado por James, que esteve na origem do golo do FC Porto.

Mas se na primeira parte os jogadores portistas pareciam estar com pouca vontade de correr, após o intervalo a atitude foi ainda pior, com o pressing a desaparecer quase por completo e as bolas divididas a serem invariavelmente ganhas pelos jogadores vilacondenses.

E se a equipa portista estava mal, pior ficou quando Vítor Pereira decidiu mexer no jogo e fez uma dupla substituição (saídas de Lucho e Atsu e entradas de Fernando e Varela). Não discuto a saída de Atsu (fez um jogo fraquíssimo), mas em relação a Fernando é notório que está sem ritmo de jogo, não sendo de estranhar que, a partir daí, a cobertura à frente da defesa do FC Porto tenha piorado a olhos vistos.

Como se tudo isto não bastasse, ainda houve duas situações que foram decisivas para os dragões terem desperdiçado mais dois pontos neste campeonato:
i) o desatino de Maicon, seguido da tibieza de Miguel Lopes, a oferecer o 1º golo do Rio Ave;
ii) um penalty escandaloso sobre Kléber nos últimos minutos do jogo, que o setubalense Bruno Esteves decidiu não assinalar.

Depois do que vi neste e no jogo anterior do FC Porto, parece-me evidente que, em desafios contra equipas do nível do Rio Ave, faz muito mais sentido apostar em James de início na posição 10, a jogar no meio, nas costas de Jackson Martinez. Insistir em colocar o James numa ala e pô-lo a partir daí para o meio é algo que faz diminuir fortemente o seu rendimento e o de... Jackson Martinez.

Nota final: A falta evidente sobre o Kléber dentro da área é já o 4º penalty claro a favor do FC Porto que ficou por assinalar em apenas cinco jornadas. Na flash-interview, Vítor Pereira não disse uma palavra sobre este lance.

Atenção ao senhor Venâncio Tomé



O senhor Venâncio Tomé (árbitro desde 1993/94, filiado na AF Setúbal) irá ser um dos árbitros assistentes do Rio Ave x FC Porto de hoje.
Quem é este senhor?

«O presidente do FC Porto, Pinto da Costa, questionou, esta terça-feira, o facto de o árbitro Duarte Gomes ter desvalorizado o penalti que ficou por assinalar a favor dos “dragões” no jogo com o Marítimo, da 13.ª jornada da Liga de futebol. (...)
O árbitro lisboeta admitiu no Facebook que falhou ao não assinalar uma grande penalidade a favor do FC Porto, por empurrão a Belluschi, quando o resultado estava em 0-0.
A passividade do árbitro auxiliar também não foi poupada, pois “Venâncio Tomé, antigo fiscal de linha de Lucílio Baptista, está à frente da jogada, sem ninguém a perturbar a sua visibilidade, e também não viu e também achou [um lance] normal”.»
20/12/2011


Lembram-se do slb x FC Porto da época 2009/10? Lembram-se da forma como o slb obteve o único golo do desafio?

(slb - FC Porto, Dezembro de 2009)


Por tudo isto e muito mais, logo à noite atenção ao senhor Venâncio Tomé.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Bons olhos o vejam!


Hoje, a propósito das comemorações do aniversário do F.C. Porto, tivemos o grato prazer de ver Jorge Nuno Pinto da Costa em público, pela primeira vez, desde a intervenção cirúrgica a que foi submetido no início do mês. Muita saúde e bons olhos o vejam!

Foto Jornal de Notícias

A culpa é do Pinto da Costa e do Xistra...



Ontem à noite, no pavilhão nº 2 da Luz, realizou-se uma Assembleia Geral do slb, em que foram apresentadas as contas do clube (não confundir com a SAD encarnada):
- Resultado do exercício 2011/12: 12,9 milhões de euros negativos 
- Activo do slb (clube): 15,8 milhões de euros 
- Passivo do slb (clube): 113,4 milhões de euros 

A AG de ontem foi uma das mais concorridas dos últimos tempos e a votação dos cerca de 700 sócios presentes foi a seguinte: 6988 contra, 4000 a favor e 387 abstenções.
Consequência: Relatório e Contas do slb do exercício de 2011/12 chumbado!

De acordo com os relatos da comunicação social, o ambiente foi escaldante, com a AG a ser marcada por trocas de insultos e pelo rebentamento de um petardo logo após Luís Filipe Vieira ter acabado de discursar. Mas de uma AG em que um candidato às últimas eleições (Bruno Carvalho) marcou presença na companhia de seguranças e em que o atual presidente saiu do pavilhão protegido por seguranças e debaixo de vaias pouco haverá a dizer. Os factos falam por si.

Sobram algumas dúvidas.

Contestação a Luís Filipe Vieira?!! Então a culpa não é do Pinto da Costa e do Xistra?

Desta vez, ninguém avisou o Rui Gomes da Silva? O "SIS encarnado" anda a trabalhar mal...

O ativo do slb é de apenas 15 milhões? Depois do estádio ter passado para a SAD, não é possível valorizar a marca "Benfica" em 100 ou 200 milhões de euros? Ou será que a marca também já passou para a SAD?

Em que divisão está o Alverca?

Por onde anda o arcanjo Gabriel? É urgente uma entrevista de Luís Filipe Vieira ao jornal A Bola...

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

500 milhões em 10 anos



(clicar nas imagens para as ampliar)


Nos últimos 10 anos - entre os defesos de 2003 e 2012 - a FCP SAD ultrapassou os 500 milhões de euros (média de 50 milhões por época) em vendas de passes de jogadores, colocando o FC Porto no 1º lugar deste ranking a nível mundial.

Por mais que a nós (portistas) nos custe ver partir jogadores de top internacional como Ricardo Carvalho, Deco, Pepe, Falcao ou Hulk, entre outros, temos de perceber que é toda uma política desportiva que assenta neste modelo de gestão e que, pese o risco inerente ao mesmo, tem dado bons frutos.

E na calha, para o próximo Verão, já estão nomes como James Rodriguez.

Fonte: Transfermarkt
Infografias: O JOGO, 10/09/2012

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Extinção da Fundação PortoGaia

Diário da República, 1.ª série — N.º 186 — 25 de setembro de 2012
Resolução do Conselho de Ministros n.º 79-A/2012

ANEXO IV
Propostas formuladas para as fundações em cuja criação ou financiamento participam as autarquias locais
(nos termos e para os efeitos do n.º 7 do artigo 5.ºda Lei n.º 1/2012, de 3 de janeiro)

A proposta formulada para as fundações cuja competência decisória se encontra cometida às autarquias locais consiste no seguinte:

a) Extinção das seguintes fundações:
(...)
ii) Fundação PortoGaia para o Desenvolvimento Desportivo, Município de Vila Nova de Gaia;
(...)

Ver Diário da República aqui

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Era previsível. Falta saber qual vai ser o novo enquadramento jurídico que a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia irá encontrar para a gestão deste espaço desportivo (o qual, convém salientar, já se encontra integralmente pago) e se isso irá ter algum tipo de consequências na renda mensal/anual que a FC Porto SAD paga.

Contudo, com fundação ou sem fundação, penso que existe um contrato entre a CM Gaia e o FC Porto, que prevê a utilização deste espaço, por parte das equipas de futebol do FC Porto, por um período de 50 anos. Isso é que me parece ser fundamental salvaguardar.

Nota: Obrigado ao José Lima por, em cima do acontecimento, ter chamado à atenção para este assunto.

Tarzan e os macacos

O Benfica foi avisado do que poderia acontecer em Coimbra e sabemos que essa mensagem chegou a Vítor Pereira”, começou por afirmar Rui Gomes da Silva, em declarações prestadas à Antena 1.
Vejam-se os últimos cinco anos de arbitragem. Pedro Proença, Olegário Benquerença, Carlos Xistra, Soares Dias, João Capela, Hugo Miguel e Rui Silva. Será que e é tudo por mero acaso. Nunca se enganam contra um determinado clube, o FC Porto”.


Nem de propósito, no mesmo dia em que o “Tarzan” se juntou ao choradinho encarnado e veio a público berrar contra a arbitragem de Carlos Xistra no Académica x slb, dizendo que este era um dos árbitros que nunca erravam contra o FC Porto, o Record recordou vários casos de arbitragens polémicas de Carlos Xistra em 2011 e 2012.

Ora, uma dessas arbitragens vergonhosas foi precisamente num slb x FC Porto, disputado a 21 de abril de 2011:
«Benfica-FC Porto (1-3 para a Taça) – A nomeação de Xistra esteve longe de ser pacífica. O árbitro da Associação de Castelo Branco tinha estado no Sp. Braga-Benfica onde Javi García foi expulso e este simples facto e ainda o alarido daí resultante aconselhavam que não voltasse nessa temporada a cruzar-se com o Benfica.
Xistra voltou a fechar o jogo com um balanço negativo para os dragões, que reclamaram nomeadamente uma grande penalidade resultante de uma entrada de Jardel sobre Hulk na área do Benfica, coma agravante de, nesse lance, o Incrível ter visto o cartão amarelo por alegada simulação. Ainda na 1.ª parte, os azuis e brancos saíram com a convicção que Luisão agrediu Otamendi em plena área de rigor do Benfica. No cardápio das queixas portistas registou-se ainda o cartão amarelo mostrado a Alvaro Pereira, num lance em que o lateral-esquerdo não chega sequer a tocar em Maxi Pereira. Um cartão mostrado muito cedo e que de certa forma inibiu o belicoso lateral portista. Também Cristian Rodríguez viu um cartão amarelo, aos 31’, que os responsáveis dos dragões consideram não ter qualquer sentido.»
in record.pt


Mas há mais, muito mais. Por exemplo…

Como diz o meu amigo Alexandre Burmester, e eu estou de acordo, este Rui Gomes da Silva é a pior espécie de benfiquista, é um benfiquista do Porto. Sempre, ou quase sempre, que abre a boca para falar de futebol, já se sabe que o que vai sair dali é um conjunto de dislates, barbaridades e provocações, mas enquanto houver “macacos” que se babam a ouvir o que ele diz, não hão-de faltar pés de microfone a fazer de jornalistas.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

143 minutos

(clique na imagem para a ampliar)


«O Benfica bateu no domingo um recorde, porventura mundial, de tempo de jogo em superioridade numérica ao longo de uma temporada, chegando a 342 minutos (cinco horas e 42 minutos de jogo) com mais um (por vezes, dois) jogador em campo. O que corresponde a 13 por cento do tempo total da competição. E Fucile foi o 17.º jogador adversário a ver o cartão vermelho em partidas do líder.»
João Querido Manha
in Record, 04/05/2010


O porventura recorde mundial que o slb estabeleceu na época 2009/10 (o campeonato dos túneis), começa a ficar em risco de ser batido esta época e novamente pelos encarnados (como não podia deixar de ser).

Em apenas quatro jornadas, o clube do regime já jogou 143 minutos (sem contar com mais 13 minutos nos períodos de descontos) em superioridade numérica, o que significa 39,7% da duração total dos quatro jogos.

E nem sequer vou discutir se o jogador da Académica (Rodrigo Galo) cortou a bola com o braço ou com o ventre, ou se a cor da pele do bracarense Douglão é igual à do seu companheiro de equipa Custódio. Limito-me a constatar factos.


P.S. A equipa do FC Porto é, indiscutivelmente, uma das mais ofensivas e com maior posse de bola do futebol português, dispondo de vários jogadores criativos que são muitas vezes travados em falta por jogadores das equipas adversárias. Contudo, nos quatro jogos já disputados para o campeonato, os jogadores das equipas adversárias do FC Porto foram punidos com zero cartões vermelhos e apenas com oito cartões amarelos (média de dois por jogo). E convém notar que cinco destes oito cartões amarelos foram mostrados na parte final dos jogos (após o minuto 80), não fosse o diabo tecê-las e um dos árbitros ser “obrigado” a mostrar um 2º cartão amarelo a um jogador do Gil Vicente, Guimarães, Olhanense ou Beira Mar que tivesse sido previamente admoestado...

Nota: Os quadros que ilustram este texto foram extraídos do site zerozero.pt e correspondem aos jogos do slb contra o SC Braga (casa), Vitória Setúbal (fora) e Académica (fora).

De cabeça perdida

«Maxi Pereira e Luís Godinho, vice-presidente da Académica, protagonizaram ontem um momento bem quente. Corria o minuto 88, pouco depois de Lima ter empatado a partida, quando o defesa do Benfica e o delegado ao jogo da Briosa trocaram uns “mimos” cabeça com cabeça, situação que não mereceu qualquer reação por parte do árbitro Carlos Xistra.»
in record.pt


«Cerca de uma centena de adeptos esperava a comitiva benfiquista à saída do estádio e alguns não conseguiram evitar os assobios pelo empate em Coimbra. Cardozo foi dos jogadores mais contestados, mas os principais alvos foram o técnico bem como Cardozo e António Carraça – o diretor-geral esperava que os atleta entrassem no autocarro. Os dois não se livraram de ouvirem alguns comentários de adeptos mais irritados. “Vergonha” foi das expressões que mais se ouviram.»
in record.pt


«No final do jogo entre a Académica e o Benfica, cerca de 40 adeptos do Benfica tentaram vandalizar a sede da claque Mancha Negra, localizada nas proximidades do Estádio Efapel Cidade de Coimbra. Alguns elementos da PSP foram chamados ao local e os confrontos físicos que estiveram perto de acontecer acabaram por ser evitados. Ainda assim, alguns sócios da Briosa foram obrigados a permanecer no interior da sede até à situação ficar normalizada e dois adeptos afetos à equipa encarnada foram mesmo identificados
in record.pt


Dentro e fora do relvado, já anda muita gente de cabeça perdida. Para acalmar as hostes encarnadas, eu diria que é urgente voltar a nomear o Bruno Paixão para um jogo do FC Porto...
Quanto ao Maxi Pereira, nenhuma surpresa, assumiu de corpo e alma as "obrigações" de um capitão do slb e limitou-se a seguir os bons exemplos de Luisão.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

domingo, 23 de setembro de 2012

O tapete encarnado



Na passada quinta-feira, Académica, Marítimo e SCP jogaram para a Liga Europa, com a particularidade da Briosa ter tido uma deslocação longa à Europa de Leste, mais concretamente a Plzen, a cerca de uma hora de distância da capital checa.

41 anos depois da última participação nas competições europeias, para a esmagadora maioria dos atuais jogadores da Académica tratou-se mesmo de uma estreia absoluta nas eurotaças.

Por tudo isto, o intervalo para o jogo seguinte da Académica deveria ter sido o maior possível, dentro daquilo que está previsto nos regulamentos da Liga. Contudo, o calendário dos jogos destas três equipas na 4ª jornada do campeonato português, é o seguinte:


Ou seja, a única destas três equipas que, na quinta-feira, jogou fora de casa é precisamente aquela que vai jogar hoje, enquanto que as outras duas terão mais um dia para recuperar do esforço despendido. Fantástico, não é?

Há quem continue a trabalhar muito bem nos bastidores e a fazer as coisas por outro lado...

sábado, 22 de setembro de 2012

Com um "Bandido" à solta



Foram quatro golos por outros tantos homens mas bastou apenas um deles para desbaratar a teia aveirense que Ulisses Morais teceu em volta da baliza de Rui Rego. O extremo, que na realidade é um playmaker de luxo, James Rodriguez, multiplicou aos seus companheiros o caminho para golo. Serviu, marcou e reinou num jogo onde o FC Porto goleou de forma fácil mais uma medíocre equipa do nosso campeonato. Às vezes torna-se difícil "arranhar" motivação para enfrentar adversários destes.

E cedo se percebeu o que esta partida tinha para oferecer. Um visitante acanhado para um dragão mandão. De bola parada saíram os primeiros frissons do estádio com o guarda-redes oponente a corresponder positivamente. Domínio evidente apenas mergulhando em lume brando nos vinte minutos subsequentes. Nada de grande alarve, pois aqui e ali, surtiam uns pequenos ensaios tentadores. Faltava o génio dos grandes talentos para timbrar estas iniciativas sem rótulo.

Mais encostado ao seu companheiro de área, James foi tentando até finalmente combinar em pleno com os demais parceiros de ataque. Assim, nessa sua visionária missão, serviu Jackson Martinez para um grande golo e, nem muito tempo depois, triangulou de modo perfeito com Varela que dobrou a contagem. Em meia dúzia de minutos o colombiano partiu a loiça, viu os seus companheiros a darem sequencia a tudo de bom o que seus pés desenharam e o Porto foi a descanso, tranquilo e feliz.

Ao regresso, e logo de entrada, veio a retribuição ao miúdo. Varela cruzou com James a rematar enroscado fazendo a bola rodopiar até ao fundo das redes de Rui Rego. E aí vão três, que fácil é ganhar neste campeonato português. Culpa a nós não vem, se aos outros pouco ou nada tem.

Quarenta minutos faltavam até que o Sôr árbitro nos mandasse ir ver a Casa dos segredos com este jogo que já não come nem dá de comer, venha de lá, pois, esse Iturbe que tanta tinta escorreu nestes jornais lusitanos de lana-caprina. Calma, primeiro o que é da nossa horta. E só depois o “Messi”, ou qualquer coisa parecida com isso. O povo gosta destes bolos, mas eu cá me diverti mais com paulada de criar bicho que Mangala arreou todo o santo jogo.

Vá de retro mau feitio, que hoje mais uma goleada se deu, Maicon pôs as contas na ordem e quem agora se vem lembrar de Hulk com este futebol positivamente mais colectivo? A missão foi cumprida com total e inteiro sucesso. Aí vão dez pontos no saco e muitas – boas – interrogações para Vítor Pereira deslindar. Quem vais tu tirar para lá no meio James colocar?

Verdinhos, tenrinhos e muito macios


«A equipa B do FC Porto não acerta o passo e esta quarta-feira perdeu com o Belenenses, com um golo sofrido a segundos do final, num lance que nem sequer há a certeza que a bola tenha ultrapassado totalmente a linha de golo.
À sexta jornada da Segunda Liga a equipa soma três empates e três derrotas. (...)
Sempre com muita posse de bola, o FC Porto B voltou a ser completamente ineficaz e incapaz de finalizar as jogadas, tendo efectuado apenas dois remates à baliza em 90 minutos de jogo.
Depois de uma primeira parte em que o FC Porto B não conseguiu criar situações de finalização, apesar do domínio territorial, a segunda parte começou com duas boas chances: primeiro, foi Sebá a ficar perto do golo, negado por uma boa defesa de Matt Jones, e a seguir foi Dellatorre a falhar a finalização. A equipa, porém, não foi capaz de dar continuidade aos minutos iniciais da segunda parte e só voltou a criar perigo nos último minutos, quando Tiago Ferreira cabeceou por cima um canto de Sérgio Oliveira.
E foi o Belenenses a equipa mais perigosa, com Stefanovic a brilhar com um punhado de boas defesas, até que a dez segundos do terceiro minuto de desconto surgiu o tal lance, que o árbitro considerou golo.»


Este texto não foi escrito por um adepto do Belenenses. Foi, isso sim, extraído do site oficial do FC Porto e, mesmo quem não tem visto os jogos, basta ler o seu conteúdo para perceber o estado a que chegou a equipa B do FC Porto.

Há quase um mês atrás, tinha proposto um Plano B para a equipa B. Contudo, as coisas estão de tal maneira mal que, provavelmente, a coisa já também exige um Plano T (T de treinadores).

Sim, eu sei que a II Liga é uma maratona de 42 jornadas e ainda vamos na sexta jornada mas, perante os 15 pontos desperdiçados em 18 possíveis e, principalmente, atendendo ao fraquíssimo desempenho da equipa, parece-me que a Administração da SAD não pode esperar muito mais tempo.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O efeito Platini

O Dínamo de Zagreb é uma equipa bastante acessível, o que leva a que eu tenha ouvido ou lido por diversas vezes que «equipas destas só lá estão devido à reforma do sistema de apuramento para a Liga dos Campeões introduzida por Platini», que terá tornado a competição «bastante mais fraca». Reforma que implementou, claro, de forma a garantir mais votos entre as federações nacionais (ao garantir mais lugares de acesso a equipas de países mal cotados no ranking da UEFA).

Ora quando praticamente ninguém se tinha apercebido do que aí vinha (jornais desportivos incluídos), eu já fazia uma previsão do impacto das mudanças aqui no Reflexão Portista em Março de 2008.

Mas as mudanças serão assim tantas? Fiquei curioso... e nada como dados concretos para falar com conhecimento de causa: fiz pois o exercício de determinar as diferenças que teríamos nesta edição da LC se o modelo anterior ainda estivesse em vigor. Aqui ficam os dados:

1) As 6 equipas que teriam que disputar a última pré-eliminatória em vez de serem apuradas directamente seriam: Valencia, Arsenal, Schalke, Galatasaray, Olimpiakos e Nordsjaelland.

2) Destas só o Nordsjaelland é que não seria cabeça-de-série (haveria 16 cabeças-de-série no total, em vez de 5 + 5 como agora). Seria portanto provável (com a excepção dos dinamarqueses) que se apurassem todas na mesma, embora não fosse nada garantido (podiam por exemplo apanhar com um Málaga pela frente, ou ser mesmo eliminados por uma equipa teoricamente mais fraca como aconteceu uns 20% das vezes no passado).

3) Fenerbahce, Udinese e Lille disputariam na mesma a última pré-eliminatória, mas com uma mudança: seriam cabeças-de-série, aumentando a probabilidade de se apurarem, nomeadamente as duas primeiras (apanhando possivelmente com um Maribor, Cluj ou D. Zagreb pela frente, em vez de S. Moscovo e Braga). Destas 3 equipas só passou o Lille. Já o Málaga continuaria na mesma a não ser cabeça-de-série.

4) BATE e D. Zagreb perderiam o estatuto de cabeças-de-série na última pré-eliminatória, tendo portanto uma missão muitíssimo mais difícil até porque poderiam apanhar pela frente uma equipa cabeça-de-série não-campeã (i.e. uma Udinese, um Braga ou um Arsenal) ou um Galatasaray ou Olimpiakos, em vez do Hapoel e Maribor respectivamente.

5) O Cluj (que se apurou) continuaria na mesma fora dos cabeças-de-série, mas teria a eliminatória mais complicada em princípio, já que poderia apanhar um não-campeão pela frente (Arsenal, Valencia, etc) em vez do Basileia (na última pré-eliminatória do sistema actual, campeões defrontam-se entre si tal como os não-campeões).

6) O Panathinaikos (que seria cabeça-de-série na mesma) teria também menos probabilidade de apanhar um Málaga pela frente (probabilidade de 1/15, em vez de 1/4) mas sim uma equipa bem mais acessível.

Assinalei acima a vermelho as equipas que seriam quase certamente prejudicadas e a verde as que seriam quase certamente beneficiadas. Os mais atentos hão-de reparar que há mais equipas a vermelho do que a verde: falta o... Braga, que teria em princípio um sorteio mais fácil (já não poderia apanhar uma Udinese mas sim muito provavelmente equipas teoricamente mais acessíveis) - o principal ponto para que eu alertava em Março de 2008 - mas o facto é que o Braga passou na mesma.

Concluindo: quem teria ficado pelo caminho e quem se teria apurado? Isso é impossível dizer, só com acesso a um universo paralelo (até porque não sabemos quem-calharia-a-quem no sorteio de 16 x 16). Mas o mais provável a meu ver é que teríamos umas 3 ou 4 mudanças, com as equipas acima coloridas a serem os principais candidatos. 

Ora isto leva-me a concluir que sim, a Liga dos Campeões está agora mais fraca, mas... muito ligeiramente. Estamos a falar de umas 3 ou 4 mudanças prováveis em 32 equipas, e equipas do calibre de Fenerbahce ou Panathinaikos não iam elevar a fasquia por aí além (e equipas que poderiam ter ficado pelo caminho como o BATE ou Cluj não são nenhumas pêras doces, como se viu ainda ontem). Mais: poderia mesmo acontecer que um Valencia, Schalke ou Arsenal tivessem ficado pelo caminho.

PS - apesar do D. Zagreb ser uma equipa medíocre, isso não deslustra esta vitória do FCP. Por exemplo: mesmo que se considere que têm uma valia equivalente a um 5o ou 6o classificado do campeonato português, assinalo que quem nos dera (ou a um slb...) ganhar sistematicamente a um Marítimo na Madeira por 2-0 dominando quase por completo o jogo e criando mais de meia-dúzia de boas oportunidades de golo... Diga-se também de passagem que não me parece líquido que este D. Zagreb seja mais fraco do que o Artmedia de má memória.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Hillsborough: a Verdade 23 anos depois.




A 15 de Abril de 1989, antes da meia-final da Taça de Inglaterra entre Liverpool e Nottingham Forest em Hillsborough, Sheffield (estádio do Sheffield Wednesday) 96 adeptos do Liverpool morreram em consequência da sobre-lotação da bancada que lhes estava reservada. Foi a maior tragédia de sempre do futebol inglês, e uma das maiores a nível mundial.

Estava-se em pleno período da suspensão dos clubes ingleses das provas europeias devido ao hooliganismo, pelo que muitos rapidamente concluíram que a culpa só podia ter sido dos adeptos.

Apesar dessa atitude geral, o Relatório Taylor, elaborado na sequência do desastre recomendou a abolição das vedações e dos lugares em pé nos estádios britânicos, o que foi posto em prática (com a consequente redução das lotações, o que ainda hoje afecta muitos clubes que não puderam ampliar os seus estádios ou construir novos).

Um luto geral abateu-se sobre a cidade de Liverpool, aquela, provavelmente, onde a paixão pelo futebol é maior em toda a Inglaterra (e a que ostenta mais títulos de campeão de Inglaterra, 27 no total, sendo 18 do Liverpool e 9 do Everton). O ambiente aqueceu especialmente quando uma famigerada capa de The Sun lançou a culpa sobre os adeptos.

Também a polícia, nos seus relatórios, procurou culpar os adeptos e isentar-se de responsabilidades.

Entretanto, ao longo dos anos, cresceu uma onda de revolta em Liverpool, com muitas vozes exigindo um inquérito independente à ocorrência (estes inquéritos, em Inglaterra, tendem a ser feitos e a ter consequências). Entre essas vozes contou-se a do Ministro da Cultura, Comunicação Social e Desporto (2008/2010) Andy Burnham, natural de Aintree, arredores de Liverpool, e adepto do Everton, o qual, por altura do vigésimo aniversário da tragédia, reclamou a divulgação pública por parte da polícia e dos serviços de emergência de documentação a que o Relatório Taylor não tivera acesso. Esta posição de Burnham levou à formação de uma Comissão Independente, presidida pelo Bispo Anglicano de Liverpool, a qual, na semana passada, tornou públicas as suas conclusões, devastadoras para a polícia e serviços de emergência. Ficou demonstrado que houve um grande encobrimento e distorsão dos acontecimentos por parte da polícia.

Perante uma Câmara dos Comuns visivelmente consternada, o Primeiro-Ministro David Cameron informou das conclusões da comissão e pediu desculpa às famílias das vítimas em nome do governo e do país. As conclusões foram encaminhadas para o Procurador-Geral, o qual poderá dar início a processos-crime.


Na passada 2ª feira realizou-se em Liverpool o primeiro jogo desde a divulgação do relatório, entre o Everton e o Newcastle. Numa grande manifestação de solidariedade, o Everton homenageou antes do jogo as 96 vítimas da tragédia. Passaram nos ecrans os nomes de todas elas, enquanto a instalação sonora tocava  "He ain't heavy, he's my Brother" dos Hollies. O futebol consegue, por vezes, unir os maiores rivais.


Nota: Esta solidariedade entre Everton e Liverpool teve, aliás, há poucos anos, semelhante expressão em Anfield, na homenagem a um rapazinho, adepto do Everton, morto por uma bala perdida num parque de estacionamento. O Liverpool convidou a  família do infeliz e a instalação sonora de Anfield tocou o hino oficioso do Everton "Z Cars", antes de um jogo da Liga dos Campeões.

PS. Noutros tempos, vi muitos jogos em pé em Portugal, e que nem sardinha em lata. Não sei como uma tragédia destas nunca por cá aconteceu.


terça-feira, 18 de setembro de 2012

A Lei do mais forte



É sempre muito bom, seja em que circunstância for, somar três pontos numa competição de nível tão elevado como é a Liga dos Campeões. O 0-2 definido já bem perto do final espelha melhor a décalage entre a equipa da casa e campeão português. O conjunto azul e branco esteve muito longe de fazer uma exibição de gala. Bastou-lhe gerir a posse de bola com segurança e ir aproveitando as fragilidades evidentes do setor recuado do adversário croata. Vitória saborosa, pois claro. Mas, por aquilo que se viu, tinha de ser obrigatória.

Com efeito, este Dínamo de Zagreb não demonstra melhoras da paupérrima prestação da Champions da temporada passada. Pouca capacidade na posse de bola e demasiada tremedeira ao sair da sua área cristalizam as limitações desta equipa sem andamento para esta competição. Vítor Pereira, mesmo assim, não facilitou e respeitou o adversário. Sinal claro através da inclusão de Miguel Lopes à direita, privilegiando a robustez defensiva. O português cumpriu e integrou-se em manobras ofensivas sempre que solicitado.

Bem cedo a equipa azul e branca chamou a si a condução do jogo. Num ritmo sempre pausado o FC Porto circulava a bola de forma confortável perante a inépcia pressionante adversária. James e Varela fletiram muitas vezes das laterais para dentro afunilando a construção portista. Mas, curiosamente, eram mais perigosos e desequilibradores quando alargavam o jogo pelas suas alas. Alex Sandro, o outro defesa lateral, foi igualmente importante nestas manobras.

Se ao domínio do encontro já nada faltava para os comandados de Vítor pereira fazer o que queriam, pecava a equipa nos poucos lances de finalização que criava. James ainda tentou fora de área uma vez e depois veio o brinde de Kelava onde Jackson Martinez resvalou para o lado anedótico do futebol. Sem tempo para a merecida risada – ou insulto de todo o dragão que se preze, Lucho deu vantagem às nossas cores, na sequência de um bom “raide” de Alex Sandro até á linha final. O capitão corrigia o que deveria ter sido confirmado pouco antes.

Ao regresso das cabines as bases do encontro foram-se mantendo inalteráveis, num domínio portista total, sem um perceptível incómodo dos homens da casa. Até ao minuto 65 tudo era simplificado e fácil de ordenar. Uma letargia que quase contagiou o dragão, passando depois por um par de sustos quando o discernimento se toldou, o Dínamo acelerou e nosso meio campo se perdeu. Helton foi resolvendo sempre com muito acerto e ainda lançou dois contra ataques venenosos.

Ainda assim durou pouco a investida croata. Em pouco mais de dez minutos o entusiasmo caseiro afrouxou e a crença na reviravolta no resultado era quase nula. Cristian Atsu, pouco incomodado com os humores do adversário, lançou-se ao ataque do golo da tranquilidade. Com uma bela arrancada e um passe certeiro pôs Defour à mercê do golo que viria a selar o resultado final. Finalmente, mais folgado, como poderia e deveria ter saído, mais cedo.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Expectativa para Zagreb


Sem o presidente Pinto da Costa, a recuperar de uma operação ao coração, a comitiva portista viajou esta manhã para Zagreb para a primeira jornada do Grupo A da Champions.
(…)
A lista de convocados para o encontro em Zagreb é a seguinte: Guarda-redes: Helton e Fabiano. Defesas: Danilo, Maicon, Mangala, Miguel Lopes, Alex Sandro e Otamendi. Médios: Lucho González, Castro, João Moutinho e Defour. Avançados: Iturbe, Jackson Martínez, James Rodríguez, Kléber, Varela, Atsu e Kelvin.
Ojogo, 17/09/2012

Este será o primeiro jogo da era pós-Hulk. Esperamos que, agora, James Rodríguez se afirme como o novo esteio do ataque do FC Porto e que o promissor Atsu continue o seu processo evolutivo. Esperamos também que, finalmente, VP se decida a apostar em Iturbe, que foi um investimento considerável da SAD e que, apesar das boas indicações que tem dado, não tem tido oportunidades para se afirmar na equipa.

O jogo de estreia na Liga dos Campeões, em casa do Dínamo de Zagreb, o outsider do Grupo A, será muito importante para as aspirações do FC Porto nesta competição. É uma incógnita o FC Porto que teremos na Croácia. Será aquela equipa com lenta circulação de bola e futebol mastigado que vimos na final da Supertaça e na 1ª jornada da Liga ou a que acelerou o jogo e resolveu cedo contra o V. Guimarães?

Também na equipa B!


O Sporting está fadado a ser um dos clubes que usufrui de mais penalties a seu favor (a par do slb). O dado novo é que tal também se verifica na equipa B, que milita na II Liga. Ontem estavam a perder 1-0 em Arouca, com o clube local, e o árbitro João Capela marcou 2 penalties, aos 62 e aos 67 minutos permitindo aos de Lisboa dar a volta ao marcador em apenas 5 minutos! Não vi os lances mas a reacção do público de Arouca – que tentou agredir o Capela – diz tudo.

Faz lembrar um jogo da Taça da Liga em Alvalade, há uns anos, em que o FC Porto a jogar com as 'reservas' começa a ganhar 1-0 por intermédio de Farías mas ainda antes do intervalo o árbitro arranjou 2 penalties para o Sporting dar a volta (um desses foi uma simulação escandalosa do Postiga!).

domingo, 16 de setembro de 2012

Frases Lapidares

"Não me importava de perder a Supertaça se, em contrapartida, ganhasse o campeonato"

José Mourinho, actual Oráculo de Delfos, falando antes dos jogos contra o Barcelona para a Supertaça de Espanha.

sábado, 15 de setembro de 2012

O castigo mínimo que A Bola já sabia

I. «O Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol deve castigar Luisão, hoje, por um período mínimo de dois meses, no âmbito do processo disciplinar instaurado com caráter de urgência após o incidente entre o capitão do Benfica e o árbitro Christian Fischer, no particular entre os encarnados e o Fortuna Dusseldorf, a 11 de agosto, na Alemanha.
A BOLA sabe que a infração do defesa de 31 anos é referida na nota de culpa como agressão, embora sem provocar lesão de especial gravidade. O enquadramento do regulamento disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, que se aplica neste caso, determina suspensão de dois meses a dois anos, tudo indicando que os conselheiros terão em conta atenuantes favoráveis a Luisão.»
in abola.pt, 14-09-2012


II. «A Secção não profissional do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, reunida esta sexta-feira, dia 14 de Setembro, considerou procedente a acusação deduzida contra o jogador arguido, Anderson Luís da Silva e, em consequência, aplicou-lhe a sanção de suspensão por dois meses e, acessoriamente, a sanção de multa de 25 UC (2.550,00 €), pela prática da infracção prevista e punida pelo artigo 145º, nº 1, alínea b), do Regulamento Disciplinar das Competições Organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (cujo teor se anexa em baixo).
Tal como expressamente solicitado pela FIFA, esta decisão vai ser remetida para o organismo que tutela o Futebol Mundial.»
in www.fpf.pt

O Conselho de Disciplina da FPF reuniu ontem (sexta-feira) mas, conforme se comprova pela capa do jornal desse dia, A Bola já conhecia qual ia ser a decisão na... véspera.


III. «Artigo 145.º - Agressões
1. São punidas nos termos das alíneas seguintes as agressões praticadas pelos jogadores contra os membros dos órgãos da estrutura desportiva, elementos da equipa de arbitragem, observadores, delegados da Liga, dirigentes ou delegados ao jogo de outros clubes, agentes de segurança pública, e treinadores:
a. No caso de agressão que determine lesão de especial gravidade, com a sanção de suspensão a fixar entre o mínimo de três meses e o máximo de três anos e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 50 UC e o máximo de 250 UC;
b. Noutros casos de agressão, com a sanção de suspensão a fixar entre o mínimo de dois meses e o máximo de dois anos e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 25 UC e o máximo de 125 UC.»
in www.fpf.pt

Cumprindo com o seu "dever patriótico", o Conselho de Disciplina da FPF determinou que quer a suspensão, quer a multa para o jogador do slb, deveriam ser os mínimos que os regulamentos prevêem.


IV. «Tal como em cima da hora BnA prognosticou, Luisão foi castigado com dois meses de suspensão. Escapou, por isso, entre os pingos da chuva a um castigo que podia ser mais pesado. Não é todos os dias que se manda um árbitro para o hospital...
O jogador e o Benfica só podem estar satisfeitos e se recorrerem para o Conselho de Justiça apenas vão perder tempo. Vale pelo show-off.
Tendo em conta o que aconteceu, esta é uma pena sensacional.
O capitão pode regressar a tempo dos jogos com FC Porto e Sporting. Mais nada!»
Eugénio Queirós, record.pt, 14 setembro de 2012 | 14:41


Tal como A Bola, o Reflexão Portista também tem as suas fontes. Deste modo, estamos em condições de informar que, aparentemente, a Secção não profissional do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol terá levado em conta o "comportamento exemplar" de Luisão, dentro e fora dos relvados. Assim sendo, o capitão dos encarnados terá beneficiado de diversas atenuantes, entre as quais se destaca o seu comportamento e fair play nos seguintes jogos:


Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Quanto valem, afinal, os direitos televisivos?

"Estudo encomendado pela Liga coloca centralização de direitos e concorrência na TV paga como forma de potenciar receitas.

Os clubes da I Liga de futebol negoceiam cada um por si os direitos televisivos e ao todo recebem actualmente cerca de 60 milhões de euros. Se a negociação fosse feita em conjunto (de forma centralizada), as receitas podiam duplicar, passando para 120 milhões anuais num cenário intermédio. Esta é uma das conclusões de um estudo encomendado pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional à Oliver & Ohlbaum Associates e que foi divulgado nesta segunda-feira.

O estudo apresenta três hipóteses para 2013. Num cenário de baixa, os direitos de TV valeriam 83 milhões de euros; num cenário-base, o valor sobe para 120 M; e num cenário de alta chegariam mesmo aos 142 milhões, sendo que em qualquer um deles a maior parte da receita seria proporcionada pela venda dos jogos para transmissão em canal fechado – em 2017, o valor poderia atingir os 165 milhões."

Público, 11/09/2012

Este estudo encomendado pela Liga conclui que “se a venda centralizada de direitos de TV fosse implementada em Portugal (tal como acontece em boa parte dos países europeus, à excepção de Espanha), os maiores beneficiados seriam os pequenos e médios clubes”.

Embora não conhecendo a totalidade do estudo, nem parte dele, tenho sérias reservas sobre a principal conclusão dele retirada de que os direitos televisivos poderiam valer 120 milhões de euros se negociados em conjunto pelos clubes profissionais em Portugal. A economia portuguesa apresenta na actualidade um cenário macroeconómico fortemente recessivo e as expectativas dos agentes estão a piorar em face das dificuldades de recuperação e ajustamento sentidas em 2012.

Por outro lado, sabemos, pelos casos vindos a público na última década, que os “estudos de procura” encomendados pelos promotores de determinado projecto em Portugal devem ser encarados de forma muito conservadora dado que, em grande parte deles, quando os projectos chegam à sua fase madura, é o worst case scenario que se atinge.


A infografia acima foi retirada do jornal Record e mostra as receitas obtidas por cada clube profissional da comercialização dos seus direitos televisivos. O rácio top to bottom (a maior receita individual dividida pela menor receita individual) foi, em Portugal, de 7,75. Parece demonstrar algum desequilíbrio na repartição das receitas, no entanto ainda é bastante menor do que o da La Liga, em Espanha, de 12,5 e o da Serie A, de Itália, de 10,0 (Nota: estes rácios de Espanha e Itália são válidos para a época anterior, de 2010/2011, Fonte: The Guardian).

O sistema mais equilibrado – e o mais rico! – em termos de repartição de receitas provenientes dos direitos televisivos é o da Premier League. O rácio top to bottom é de apenas 1,54 (!) na época de 2010/2011. As receitas dos clubes ingleses provenientes das transmissões televisivas são divididas em 3 partes: 50% distribuídos de igual forma entre os 20 clubes, 25% são pagos mediante o custo das instalações e os restantes 25% são pagamentos baseados na classificação obtida por cada clube na temporada anterior. No entanto, os maiores clubes acreditam que sozinhos conseguiriam ganhar mais dinheiro do que vendendo os seus direitos em conjunto, principalmente no que respeita às receitas obtidas no exterior. Houve um movimento iniciado pelo Liverpool no ano passado com o objectivo de terminar com a negociação em conjunto no final do actual contrato, em 2013.


Voltando ao caso português. Duvido que os grandes estejam dispostos a ceder, à cabeça, parte das suas receitas aos clubes mais pequenos para, de seguida e com maior força negocial, puxarem para cima o valor de um pacote global dos direitos televisivos. Pode até existir a possibilidade de um Equilíbrio de Nash, mas será necessário ter em conta a força e a defesa dos seus interesses que fará o monopolista da aquisição de direitos televisivos – a Olivedesportos (Sporttv). A esta cabe-lhe preservar a sua posição de domínio, dividindo os clubes e criando obstáculos ao aparecimento de concorrência, nomeadamente através de contratos individuais, longos e em diferentes momentos no tempo.

Em suma, e voltando ao estudo da Oliver & Ohlbaum Associates: apesar da posição monopolista exercida pela Olivedesportos, tendo em conta a instabilidade do mercado português e o ambiente de crise generalizada, creio que o valor global dos direitos televisivos estará muito mais próximo dos 83 do que dos 142 milhões de euros (os cenários de baixa e alta, respectivamente, do recente estudo defendido pela Liga).

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Aqui há ga(i)tan






Com tantos e tão poderosos clubes europeus desejosos de o contratar e, segundo a comunicação social lisboeta, dispostos a pagarem 30, 40 ou quiçá mais milhões de euros, ontem, após semanas/meses de cura de banco, Gaitan regressou aos relvados com a camisola do... slb.

Sim, é verdade, o mercado já fechou e, apesar de ter "despertado a cobiça de clubes europeus", parece que Luís Filipe Vieira resistiu a todas as ofertas e o rapaz continua no slb, sendo um dos 6 ou 7 extremos que faz parte do plantel encarnado 2012/13.

Se não voltar a hibernar (leia-se, voltar para o banco de suplentes), é certinho que daqui a umas semanas teremos novamente A Bola ou o Record a fazerem primeiras páginas com este "prodígio" argentino.

Jogadores do FC Porto nas selecções



Nesta lista falta o Danilo (precisa de melhorar o seu desempenho no FC Porto para aspirar a regressar aos convocados da canarinha);
falta o Rolando (precisa de jogar, mas parece que recusou várias propostas e preferiu ficar no FC Porto como 3º ou 4º central);
faltam os internacionais uruguaios (no espaço de poucos meses saíram os três - Fucile, Cristian Rodriguez e Alvaro Pereira - pela porta pequena);
e, claro, falta o Hulk (que ontem voltou ao Porto mas já é uma imensa saudade).

Ainda assim, penso que o FC Porto continua a ser o clube português com mais jogadores internacionais e que são chamados regularmente às respectivas selecções.

Infografia: record.pt

terça-feira, 11 de setembro de 2012

SCP sob a alçada do Fair Play financeiro


«Os prémios monetários conquistados pelo Sporting nas competições europeias estão retidos pela UEFA, porque o clube português não comprovou o pagamento de dívidas a outros emblemas e/ou funcionários e entidades tributárias.

O Sporting é um dos 23 clubes com prémios retidos, uma lista que foi nesta terça-feira publicada pelo organismo que gere o futebol europeu. Na época passada, o clube de Alvalade arrecadou 4.319.383 euros pela presença nas meias-finais da Liga Europa.

No âmbito do processo de implementação das novas regras sobre controlo financeiro dos clubes – o Fair-Play Financeiro – os clubes participantes nas provas europeias desta temporada tinham de comprovar o estado dos pagamentos até 30 de Junho deste ano.

O Sporting já reagiu. Uma fonte do clube de Alvalade disse à Lusa que esta retenção de prémios “não tem qualquer efeito prático”, porque esses prémios não seriam pagos agora. (...) Os clubes têm agora até ao final de Setembro para actualizarem as suas situações.

O Fair Play financeiro entrará em vigor a 100% a partir da próxima temporada, altura em que a UEFA avaliará as contas de 2011-12 e 2012-13. Quem no conjunto dos dois exercícios tiver prejuízos superiores a cinco milhões de euros, ficará sob monitorização e quem tiver prejuízos superiores a 45 milhões poderá ficar sujeito a sanções, embora estas ainda não tenham sido divulgadas pela UEFA. Nos anos seguintes, a UEFA avaliará sempre os três exercícios anteriores, mantendo o limite de cinco milhões de prejuízos para não ficar sob monitorização e o limite de 45 milhões para não ficar sujeito a sanções.

Lista dos clubes com prémios retidos:
FK Borac Banja Luka (Bósnia)
FK Sarajevo (Bósnia)
FK Željezničar (Bósnia)
PFC CSKA Sofia (Bulgária)
HNK Hajduk Split (Croácia)
NK Osijek (Croácia)
Club Atlético de Madrid (Espanha)
Málaga CF (Espanha)
Maccabi Netanya FC (Israel)
FK Shkendija 79 (Macedónia)
Floriana FC (Malta)
FK Budućnost Podgorica (Montenegro)
FK Rudar Pjevlja (Montenegro)
Ruch Chorzów (Polónia)
Sporting Clube de Portugal (Portugal)
FC Dinamo Bucureşti (Roménia)
FC Rapid Bucureşti (Roménia)
FC Vaslui (Roménia)
FC Rubin Kazan (Rússia)
FK Partizan (Sérvia)
FK Vojvodina (Sérvia)
Eskişehirspor (Turquia)
Fenerbahçe SK (Turquia)»

in publico.pt, 11/09/2012


A SAD sportinguista não pode abdicar de 4,3 MEuros e, por isso, estou certo que até ao final deste mês irá comprovar que não tem dívidas pendentes a outros clubes, funcionários ou entidades tributárias. Se isso será verdade ou não é outra conversa (no tempo do Vale e Azevedo, o slb também arranjou maneira de "comprovar" que não tinha dívidas às Finanças e à Segurança Social).

Seja como for, o facto do SCP aparecer nesta lista negra da UEFA, reflecte as grandes dificuldades que a SAD leonina atravessa e é uma mancha que fica registada.


Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Contas à moda de Lisboa


O Record publicou hoje duas infografias, com as entradas e saídas de jogadores do FC Porto e do slb.

No caso do FC Porto, foi seguido o critério de avaliar as vendas de acordo com a percentagem dos direitos económicos que eram detidos pela FCP SAD. É nesta lógica que surgem os 40 MEuros de Hulk (valor pago pelos 85% que a SAD portista detinha), Alvaro Pereira, que foi vendido ao Inter por 10 Milhões de euros mais 5 milhões em objetivos, aparece com uma valorização de 7,5 MEuros (correspondentes a 75%) e Belluschi foi valorizado em apenas 1,25 MEuros (correspondentes a 50% dos 2,5 MEuros pagos pelo Bursaspor).

E no caso do slb?
Bem, aí os critérios do Record (tal como da generalidade da comunicação social lisboeta) já são outros. As vendas de Javi García, Felipe Bastos e Ishmael Yartey são contabilizadas pelos valores que os seus novos clubes pagaram, ignorando o facto da slb SAD só deter 80, 70 e 75% dos respectivos direitos económicos (as restantes percentagens dos passes pertenciam ao Benfica Stars Fund).

Estas contas à moda de Lisboa, são ilustrativas da habitual “coerência”, para não dizer manipulação, do clube do regime e seus acólitos.

domingo, 9 de setembro de 2012

A caminho do abismo

A SAD do SCP foi a primeira dos 3 grandes (se é que ainda são um grande...) a publicar as contas da época 2011/12 (curiosamente, ainda não estão disponíveis no seu site, mas apenas no da CMVM... será da vergonha?). E que resultados, meus amigos...

Conseguiram a proeza de ter um retorno nos proveitos de cerca de... - 100%. Os proveitos totais foram de cerca de 46M de Euros, mas os custos foram exactamente o dobro, nomeadamente 92M, traduzindo-se pois em resultados liquidos negativos de 45,831,000 Euros.

Verdade seja dita que não houve propriamente uma enorme surpresa com estes números, bastava seguir muito por alto as contas da SAD do SCP e os eventos no último ano e meio (compras, vendas, performance europeia): aqui há uns bons meses comentava eu com amigos que o SCP caminhava alegremente para o abismo, e que ou um sheik das Arábias comprava a SAD ou então bem possivelmente muito em breve iam passar a jogar só com ex-júniores...

O próprio presidente admitiu no R&C que estes resultados eram previsíveis e estavam mesmo programados, mas isso é como se o Napoleão dissesse no fim da batalha de Waterloo que já estava programado levar uma tareia dos Aliados... se era suposto servir para acalmar as «tropas» lagartóides, não me parece que deva ter tido muito sucesso.

O resultado por si só até não seria um desastre se os detalhes e o contexto fossem muito diferentes. A própria SAD do FCP já teve um prejuízo de 30M de Euros em 05/06, o nosso recorde negativo (não tão alto como este do SCP, mas bastante alto) e não foi por aí que tivémos problemas graves nos anos seguintes.

Acontece no entanto que:

- ao contrário do que aconteceu connosco em 05/06, esses resultados vêm na senda de maus resultados nos anos anteriores (prejuízo nas duas épocas anteriores, enquanto tinhamos feito um lucro acumulado de 23M em 03/04 & 04/05), de tal forma que os capitais próprios do SCP caminham alegremente na direcção dos 100M... negativos (já vai nos 75M). Em contraste, os nossos capitais próprios a Junho de 2006 eram de 7M positivos.

- ao contrário do que aconteceu connosco na altura, o SCP não dispõe de um conjunto de jogadores com elevado valor que perspectivem grandes encaixes futuros (acima de tudo porque nem 50% do passe detêm no caso da maioria dos jogadores: por exemplo, 35% de Wolfswinkel, 35% de Insua, 30% de Carrillo, 37.5% de Schaars)

- o balanço «estrutural» do SCP é muito pior do que o nosso na altura: os resultados operacionais excluindo compras e vendas de passes é de 25,5M negativos, quando em 05/06 era de 5,5M negativos no nosso caso. A isso acrescente-se também um contexto pior em termos de custos financeiros (devido aos altos % juros que as SADs pagam hoje em dia em empréstimos, seja o FCP, o SCP ou o slb).

- finalmente, a situação desportiva do SCP é bem pior do que a nossa em Setembro de 2006: SCP fora da Liga dos Campeões (com o que isso implica nas receitas e «montra» de jogadores) e não é nada provável que terminem nas 2 primeiras posições nesta temporada.

É caso para perguntar como é que continuam a funcionar... bem, pelo que vejo no R&C é em boa parte à custa de empréstimos bancários de médio e longo prazo (uns brutais 80M). 

Concluindo, penso que aquilo está mesmo à beira de dar o estouro e só com alguém a comprar a própria SAD (mais não seja tomando controlo através de um aumento de capital) é que vejo forma de evitar isso. Não vai ser certamente através de parcerias em compras de passe ou muito menos através da «potencialização da marca SCP», como o presidente da SAD se propõe fazer. Da forma que as coisas estão, talvez fosse mais acertado tentar contratar o Harry Potter...

Finalmente: fico à espera dos nossos resultados anuais e respectivo R&C, isso sim muito mais importante. Aceitam-se apostas, mas eu penso que deveremos ter tido um prejuízo em 11/12 entre 10M e 20M de euros.

sábado, 8 de setembro de 2012

O Mecanismo de Solidariedade

Artigo 21º Mecanismo de Solidariedade
Se um Profissional for transferido antes do termo do seu contrato, qualquer clube que tenha contribuído para a sua educação e formação receberá uma percentagem da compensação paga ao clube anterior (contribuição de solidariedade). As disposições relativas às contribuições de solidariedade constam do anexo 5 ao presente Regulamento.


ANEXO 5
MECANISMO DE SOLIDARIEDADE

Artigo 1º Contribuição de Solidariedade
Se um Profissional mudar de clube no decurso de um contrato, 5% do valor de qualquer compensação, à excepção da Compensação por Formação, paga ao Clube Anterior será deduzida ao valor total da compensação e distribuída pelo Novo Clube, como contribuição de solidariedade, aos clubes envolvidos na formação e educação do jogador ao longo dos anos. Esta contribuição de solidariedade será distribuída de acordo com o número de anos (calculado numa base percentual se for menos de um ano) que o jogador esteve inscrito em cada clube entre as Épocas do seu 12º e 23º aniversário, do seguinte modo:
- Época do 12º aniversário, 0,25% da compensação total
- Época do 13º aniversário, 0,25% da compensação total
- Época do 14º aniversário, 0,25% da compensação total
- Época do 15º aniversário, 0,25% da compensação total
- Época do 16º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 17º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 18º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 19º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 20º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 21º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 22º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 23º aniversário, 0,5% da compensação total

Artigo 2º Procedimento de Pagamento
1. O Novo Clube deve pagar a contribuição de solidariedade ao(s) clube(s) formador(es), em conformidade com as disposições acima estabelecidas, o mais tardar no prazo de 30 dias após a inscrição do jogador ou, em caso de pagamentos parcelares, 30 dias após a data de tais pagamentos.

2. É responsabilidade do Novo Clube calcular o montante da contribuição de solidariedade e a forma como deve ser distribuído de acordo com a história da carreira do jogador. O jogador deve, se necessário, apoiar o novo clube no cumprimento desta obrigação.

3. Se não puder ser estabelecida uma ligação entre o Profissional e qualquer um dos clubes dos quais recebeu formação, no prazo de 18 meses após a sua transferência, a contribuição de solidariedade é paga à Federação ou Federações do país (ou países) no qual o jogador recebeu formação. Esta contribuição de solidariedade será afecta aos programas de desenvolvimento do futebol jovem na Federação ou Federações em questão.

4. A Comissão do Estatuto dos Jogadores da FIFA pode impor medidas disciplinares a clubes que não respeitem as obrigações estipuladas no presente anexo.

Fonte: FPF

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“5% do valor de qualquer compensação paga ao Clube Anterior”

Aplicando ao caso do Hulk, temos:
5% do valor de qualquer compensação paga pelo Zenit ao FC Porto, será deduzida ao valor total da compensação e distribuída pelo Zenit, como contribuição de solidariedade, aos clubes envolvidos na formação e educação de Hulk ao longo dos anos.

Sendo o Zenit o clube responsável pelo pagamento da contribuição de solidariedade (algo que ficou claríssimo nos comunicados que a FCP SAD fez sobre este assunto), não é óbvio o interesse do clube russo em que o valor oficial da transferência seja 40 em vez de 60 milhões de euros?
É que só nesta habilidade a Gazprom poupa 1 milhão de euros!

Claro que habilidades destas só podem ser feitas se não entrarem em conflito com os interesses do clube vendedor (a FCP SAD, desde que receba 40 milhões pelos 85% do passe que detinha, não tem nada a perder em que o Zenit repita mil vezes que não teve mais encargos com esta transferência) e, evidentemente, só são possíveis em países onde as contas dos clubes/sociedades desportivas não sejam auditadas e/ou sujeitas a um escrutínio rigoroso.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Hulk, um caso extraordinário

«A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD vem comunicar, nos termos e para os efeitos do art. 248º do Código dos Valores Mobiliários, ter chegado a acordo com o Club Atlético Rentistas para a aquisição dos direitos de inscrição desportiva do jogador Givanildo Vieira de Souza.
Esta aquisição foi realizada pelo preço de € 5.500.000,00 (cinco milhões e quinhentos mil euros) sendo que a F.C.Porto, SAD adquiriu 50% dos direitos económicos do jogador.
Informa-se ainda que o jogador acordou com a sociedade um contrato válido para as próximas 4 temporadas, ou seja, até 30 de Junho de 2012. A cláusula de rescisão prevista é de € 40.000.000,00 (quarenta milhões de euros).
O Conselho de Administração
Porto, 25 de Julho de 2008»



Quando, em finais de Julho de 2008, o FC Porto contratou um tal de Givanildo, jogador sem currículo, praticamente desconhecido no Brasil (nunca tinha sido chamado à canarinha em qualquer dos escalões) e que nos três anos anteriores (2005 a 2008) tinha atuado em vários clubes japoneses - Kawasaki Frontale, Consadole Sapporo, Tokyo Verdy -, seguramente que a maior parte dos portistas (e não só) terá ficado admirada. E, inclusivamente, arrisco a dizer que alguns terão ficado de olhos em bico, perante os 5,5 milhões de euros que foram pagos por 50% do seu passe.

Quatro anos depois, e após ter sido absolutamente decisivo na conquista de 10 competições - 3 Campeonatos, 3 Taças de Portugal, 3 Supertaças e 1 Liga Europa (não foi por acaso que o dr. Ricardo Costa o suspendeu durante três meses…) -, Hulk sai do FC Porto pela porta grande, deixando atrás de si um rasto de saudade, naquela que é a maior transferência de sempre do futebol português e uma das maiores do futebol mundial.

Claro que nem todas as contratações, particularmente de jogadores sul-americanos, são comparáveis à de Hulk.
Se analisarmos apenas os que entraram e saíram no pós-Gelsenkirchen, houve casos cujo balanço desportivo-financeiro é excelente (Anderson, Pepe, Lucho, Lisandro, Falcao), outros que podemos classificar como bons/satisfatórios (Diego, Ibson, Bolatti, Ernesto Farias, Fucile, Guarín, Belluschi, Alvaro Pereira) e os que correram francamente mal (Lucas Mareque, Benitez, Ezequias, Valeri, Tomás Costa, Leandro Lima, Souza, Walter, Cristian Rodriguez).

Mas voltando ao caso do Hulk, o modo como se processou a sua contratação, aproveitamento desportivo e venda, traduz aquilo que a SAD portista tem de melhor e que tornou o FC Porto um case study a nível internacional:
1) Boa prospecção e/ou relação privilegiada com alguns dos principais agentes FIFA/empresários do futebol mundial;
2) Bom timing de contratação (a estratégia passa por contratar jogadores jovens de elevado potencial quando ainda não estão a preços proibitivos);
3) Excelente desempenho desportivo e ao longo de vários anos;
4) Valorização acentuada do jogador (Hulk chegou verdinho e saiu dourado, tendo sido distinguido com três dragões de ouro);
5) Renovação e extensão do contrato, juntamente com o aumento da respectiva cláusula de rescisão;
6) Venda inevitável por um valor irrecusável, com significativa geração de mais-valias.



Hulk foi um caso extraordinário (mesmo para os bons padrões do FC Porto). Nos tempos mais próximos, dificilmente voltaremos a ter um jogador que chegue ao Dragão como um desconhecido e saia como um super-herói.