terça-feira, 2 de outubro de 2012

Vitor, apresento-te o 4-4-2!

Desde 2004, e salvo algumas das inovações tácticas impostas, sem grande sucesso, pelo holandês Co Adriaanse, o FC Porto tem jogado preferencial e quase exclusivamente à volta de um 4-3-3.
Não é novidade. Desde a chegada de António Oliveira, em 1996, que o 4-3-3 se tornou no sistema táctico preferencial do clube, tendo sido apenas abandonado pontualmente por Octávio Machado e, sobretudo, por José Mourinho na sua segunda época completa.

De tal forma se gerou essa associação que parece que é impossível que a equipa jogue noutro sistema táctico que se afaste dos mandamentos que permitem explorar todas as vertentes desse 4-3-3.
Triângulo defensivo (com dois trincos), triângulo mais ofensivo (com um médio mais recuado), extremos mais abertos, mais interiores, laterais mais ou menos ofensivos. Variantes do modelo que não se afastam da mesma filosofia. Jogo com extremos, um só avançado, médios box-to-box e apostas em transições rápidas. De Oliveira a Pereira, creio que todos os adeptos azuis e brancos conhecem o santo e senha do sistema. E no entanto, pode parecer estranho, mas nem esse é o único modelo táctico do mundo nem sequer creio que seja o melhor, tendo em conta o plantel que ficou depois da saída de Hulk para as estepes russas.

Vitor Pereira, apresento-te o 4-4-2.


Um 4-4-2 que tem tantas variantes como o 4-3-3, (e que era o santo e senha antes do mandato de Oliveira, na sua versão mais conservadora) e que, com José Mourinho, transformou o FC Porto numa máquina de ataque perfeita com uma segurança defensiva invejável e um meio-campo capaz de funcionar, eficazmente, como uma sala de máquinas imbatível.
Naturalmente que muita da culpa do sucesso desse ano se deve à classe dos jogadores, infinitamente superior ao do plantel actual, e do treinador. Mas tendo em conta as especificidades do plantel actual, seria curioso ver como o treinador do FC Porto se manejaria num sistema que permitiria um maior controlo do jogo, movimentações em bloco mais constantes e uma basculação que tantas vezes falta quando a equipa se parte num 4-3-3 onde nem todos atacam e seguramente, nem todos defendem.

James Rodriguez seria talvez o grande beneficiado desta mutação. E com ele, a equipa.
O colombiano já deixou evidente que joga melhor no miolo, como número 10, livre de marcação e de prisões tácticas, livre de jogar colado à linha lateral. Foi assim nos seus inícios no Banfield e tem sido assim com a selecção colombiana. Num 4-4-2 em forma de losango, um esquema bastante similar ao que permitiu ao clube vencer a sua Champions League, em 2004, ele ocuparia o lugar de Deco, com equipas de menor perfil. Mas num modelo mais defensivo, em jogos europeus com rivais superiores se cabe, poderia ocupar o posto reservado a Carlos Alberto, atrás do ponta-de-lança com liberdade para jogar por todo o campo.

Sem Hulk na equipa, urge que o colombiano saque os galões de líder do ataque de forma definitiva e assim dar o salto qualitativo que dele se espera desde que AVB o usou como arma secreta na segunda metade de 2011.



Com a equipa a gravitar à volta de James, o técnico podia formar uma dupla de ataque com Jackson Martinez e um jogador mais móvel, seja Varela ou Atsu, basculando pelos extremos, abrindo espaços e tirando diagonais. Com equipas mais débeis isso permitiria que os laterais tivessem a ala para si, garantido que estava o meio-campo, ou que os médios se aproximassem mais da área e asfixiassem os rivais com mais frequência da que temos visto. Em jogos mais complexos, James e Jackson poderiam fazer dupla no ataque, lembrando os dias de Kostadinov/Domingos ou Derlei/McCarthy.

No miolo estaria a base da mutação táctica.
De uma linha de três, em que habitualmente um não tem ordens para subir e outro fica pendente sempre da movimentação dos extremos para tapar buracos, um meio-campo a quatro - com James - permitia uma maior solidez e habilidade na construção.
Fernando, Lucho e Moutinho reencarnariam nos papeis de Costinha, Maniche e Pedro Mendes/Alinetchev, operários fundamentais para tomar o pulso ao jogo e ditar os tempos, abrindo e fechando o campo, subindo e baixando linhas e apoiando na segunda bola os homens do ataque. Com James incorporado ao ataque, como segundo avançado, havia espaço para a incorporação de um quarto médio, que pode ser Defour ou Danilo, como interior direito, que daria ainda mais solidez ao jogo onde realmente ele faz mais falta. O modelo permitiria, igualmente, que os dois laterais tivessem mais liberdade ofensiva, particularmente útil nos casos de Sandro e Danilo, porque um meio-campo mais estável e sólido garantiria as coberturas necessárias de forma a que, em posse de bola, a equipa se posicionasse realmente num 3-4-3, com Danilo ou Sandro a surgirem como falsos extremos.



Num plantel sem muitos extremos de primeiro nível (Varela é uma sombra do que foi, Atsu começa a dar os primeiros passos, James não está cómodo), parece-me um suicídio táctico insistir num 4-3-3 como se não houvesse alternativas. Partindo do principio que o popular 4-2-3-1 não deixa de ser um 4-3-3 maquilhado no miolo pelo uso de dois médios de contenção, algo que numa liga como a Sagres, essencialmente, faz pouca falta, e tendo em conta que sem extremos abertos o FC Porto se tem encontrado com defesas concentradas à volta da grande área, sem espaço para criar jogo, porque não começar a trabalhar num sistema alternativo que a médio prazo se pode tornar no modelo preferencial de jogo?

Um 4-4-2 poderia ser a resposta para os grandes problemas actuais da equipa, desde a solidez defensiva ao papel de James no esquema de Vitor Pereira, sem esquecer o controlo de jogo que, como se viu em Vila do Conde, escapa do meio-campo com demasiada frequência. Potenciar o plantel actual, procurar alternativas a um sistema memorizado pelos técnicos rivais, surpreender próprios e estranhos, são condições que se exigem a qualquer técnico de um clube de elite. A bola está nos teus pés Vitor!

58 comentários:

miguel87 disse...

Concordo com esta sugestão e estranho que ela não tenha ainda sido testada.

Pedro disse...

Este pode ser um bom ponto de partida para discutir o actual Porto, embora nao seja defensor do 4-4-2 como sistema principal para a equipa, até porque penso que o plantel nao está construído para esse sistema, basta pensar que, já incluindo James e Danilo, o Porto contará com 6 médios para 4 posiçoes. Isto nao invalida que ele nao possa ser utilizado pontualmente.
Estritamente em termos tácticos, penso que o 4-3-3, para já pode perfeitamente ser mantido, quer no modelo actual, quer o 4-2-3-1 que foi utilizado no jogo do Beira-mar.
No 1º caso teríamos Fernando como pivô defensivo, e 2 médios à sua frente, James e Moutinho/Lucho. No segundo caso poderíamos ter um duplo pivô com Moutinho e Defour, por exemplo, com James à frente.
O 4-2-3-1 seria uma soluçao tao válida como o 4-4-2 com o objectivo de libertar os dois defesas laterais para o ataque, e ao mesmo tempo permitiria que os extremos possam fazer um jogo mais interior o que favorecia jogadores como Varela e também Kelvin e Iturbe poderia ter um maior espaço para entrarem no onze.
Mas tudo isto sao modelos estáticos, é necessário uma dinamica que a equipa neste momento pura e simplesmente nao tem. Parece que falta muito trabalho de casa, porque os problemas que existiam na época passada parecem continuar todos, já para nao falar em questoes especificas como a falta de trabalho nas bolas paradas, quer ofensivamente quer defensivamente

José Rodrigues disse...

"Um 4-4-2 poderia ser a resposta para os grandes problemas actuais da equipa, desde a solidez defensiva ao papel de James no esquema de Vitor Pereira"

Nao vejo como e' q o esquema proposto possa melhorar o rendimento defensivo, sinceramente.

De resto eu seria o primeiro defensor do 4-4-2 se tivessemos um Lima para meter ao lado do Jackson, mas nao temos. Sendo assim tenho duvidas. Varela e' uma opcao viavel, mas Atsu num 4-4-2 parece-me claramente ma' ideia. Tb ainda nao desisti completamente de Kleber, nao sei pq nao foi mencionado (q ate' mais caracteristicas para 4-4-2 q para 4-3-3).

Finalmente: os esquemas nao sao rigidos, aceito o conceito de 4-3-3 ou 4-4-2 como simplificacoes muito grosseiras como ponto de inicio para discussoes. O jogo e' fluido e um esquema de 4-3-3 na maior parte do tempo nao o e' (sendo num momento 4-4-2, noutro 3-4-3, etc). So' mesmo no Football Manager.

Isto para dizer q na realidade nao me parece q o esquema q o Miguel defende seja claramente diferente do esquema regularmente utilizado, sinceramente.

Hugo disse...

Este treinador é mais adepto do 4231... Como não pode tirar, e muito bem, Lucho, Moutinho e Fernando, então continua a bater na mesma, James na ala a ir para o meio. Contudo acho que temos um problema no 442 losango, o parceiro para Jackson, sendo que para mim Varela é o melhor... Mas não tenho ilusões, vamos continuar na mesma, com o mesmo futebolzinho lento e parado com passes para o lado e para o Helton... No jogo com o Rio Ave viu-se VP na segunda parte a pedir CALMA aos jogadores, eles que estavam parados! É o fim da picada! Depois não sabe o que se passou com a equipa, eu sei, o problema da equipa é dar ouvidos ao treinador! Porque se o problema é eles não darem ouvidos ao treinador temos o mesmo problema, ele não serve!

Miguel Lourenço Pereira disse...

@Miguel,

A mim não me surpreende, sendo Vitor Pereira o nosso treinador, que esta ou qualquer outra "inovação" seja testada.

Miguel Lourenço Pereira disse...

@Pedro,

Sinceramente, tendo os extremos que temos, particularmente com James avesso a jogar na banda, acho que o 4-3-3 tem menos profundidade neste plantel do que o 4-4-2. O 4-2-3-1 seria quase uma decisão de compromisso, com um extremo fico e um falso extremo, mas mesmo assim parece-me que os problemas com James mantêm-se.

Quanto à falta de trabalho, totalmente de acordo, com este ou com qualquer outro sistema, nota-se muito deficit de treino e de concentração.

João disse...

Onde é que assino? Sem dúvida, se é para jogar neste 4-3-3 de equipinha pequena (por contraponto aos esquemas do Barça, Bayern e selecção brasileira, por ex., com blocos mais subidos, pressão permanente sobre o portador e sem escoar de forma imbecil todo o jogo ofensivo pelas alas) à lá Jesualdo, que ninguém conseguiu por a jogar de forma menos deprimento com excepção do AVB, com doses industriais de sorte e Falcao à mistura, era MUITO preferível termos o 4-4-2. Primeiro, sentava logo o inconsequente do Lucho, o que era óptimo (apesar de provavelmente dar a titularidade na lateral ao significativamente pior Miguel Lopes, se a ideia fosse subir o Danilo para interior direito, que deve ser um Sr. nessa posição) depois potenciava muito mais os médios, principalmente o Moutinho e Defour mas também o Fernando, já para não dizer os avançados que passam metade do jogo perdidos entre os centrais no sistema actual. E nem quero imaginar os estragos que o James (e o Belluschi, porra!) fariam nessa posição, com liberdade de acção para distribuirem no miolo.

Dois entraves importantes: 1) este treinador nem num 4-3-3 com 6 anos de implementação se orienta, como não se orienta em qualquer esquema táctico de qualquer modalidade desportiva. Só com muita vontade se consegue acreditar que conseguia fazer esta transição sem nos deixar nos lugares de acesso à Liga Europa até Dezembro. Agradeçam aos adeptos e direcção que lhe "renovaram" o vínculo.
E 2) Iturbe, Kelvin e Atsu, tudo extremos e os putos com mais potencial que lá andam. Mesmo integrando um ou outro no losango (já que pelo menos o Kelvin consegue fazer duas posições lá) uma vez por outra dificilmente se consegue apostar em todos. Mas como este asno já decidiu que são para queimar de qualquer forma, não se perde muito.

Honestamente, alguém que faça chegar isto ao VP. mas suavizem a terminologia que, como está, ele não apanha metade do que está aí escrito. "Basculação"? "Pressão"? "Iturbe"?

PS: Acho que os avançados que temos chegam e sobram para este esquema. Principalmente porque jogariam o dobro ou triplo do que jogam agora. É a tal questão de se andar a avaliar os atletas pelo que conseguem fazer neste esquema asqueroso do bem amado Octávio Machado de Espinho.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Zé,

A falta de intensidade que tenho notado muitas vezes é visível quando há sempre um médio que não acompanha as movimentações e provoca desiquilibrios defensivos. O 4-3-3 com um jogador a meio gás como Lucho e um "tapa-fogos" como o Moutinho, deixa demasiadas vezes o trinco exposto. Revertendo para um 4-4-2 losango, havia dois médios de cobertura, interiores, e um médio mais solto. O trinco estaria menos isolado e podia estar mais atento às subidas dos laterais sem descuidar tanto a sua zona de influência.

Em relação ao ataque, ao lado do Jackson vejo mais o Varela e o James, nessa posição móvel, em jogos mais dificeis, com o Atsu a poder ser utilizado sobretudo em jogos que interesse ter alguém colado a uma banda para abrir o campo ao máximo. O Kleber, sinceramente, não lhe vejo futuro nem em 4-4-2 nem em 4-3-3 nem em 3-4-3. Cada vez que o vejo, parece desesperado, consciente de que está num nível acima das suas capacidades.

PS: Está claro que nenhum modelo é estático. Aliás, como disse no artigo, acho que na liga sagres, com os rivais que temos, com a bola nos pés, deviamos estar sempre dispostos em 3-4-3, com um lateral claramente como falso extremo e tendo dois jogadores da escola brasileira, é perfeitamente executável. Sem bola prefiro o modelo do 4-4-2 ao 4-3-3.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Hugo,

Como é evidente, o plantel não é perfeito nem para um 4-3-3 (faltam extremos) nem para um 4-4-2 (falta um avançado ao estilo do Lima, como apontou o Zé Rodrigues) que complemente o Jackson.

Sendo assim será difícil encontrar uma fórmula perfeita e quando falo do 4-4-2 não escrevo como um modelo a usar sempre, até porque a natureza do rival é importante para saber o que nos vamos encontrar. O que imagino é que um 4-4-2 seja mais útil para incorporar pontualmente um Kelvin ou um Iturbe do que um 4-3-3 que, ou os prende nas alas, ou os prende tacticamente ao trio do meio-campo.

Aos que possam pensar que com o 4-4-2 perdemos profundidade ofensiva, por não utilizar extremos puros (que no futebol actual quase não existem) utilizei o exemplo de 2004. Uma equipa que atacava bem, por todos os lados, e sem extremos puros no plantel.

João disse...

Basta ver a cara de metade dos jogadores para perceber que estão a navegar à vista. Não há plano de jogo, não há dinâmicas estudadas e implementadas, não há nada. São 11 lá para dentro e desemmerdem-se, a pessoa que menos percebe de futebol naquele balneário (com iluminados como o Varela) é o treinador. Dizem por aí que até os jogadores gozavam com isso por sms na época passada, entre telemóveis romenos e brasileiros, então, acho que foi uma abuso. A questão aqui era mudar para um sistema onde a capacidade dos jogadores respondesse por si e as imbecilidades do treinador tivessem o menor impacto possível. E aí, sem dúvida, era o 4-4-2. De longe.

Mas se em qualquer clube que não fosse tão paradinho no tempo isso já era difícil, no clube que decidiu perpetuar o sistema do treinador mais cagão que por cá passou nos últimos 6 anos (lindo aquelas segundas partes com 1-0 a levar banho de bola de Beira-Mares, Naval, Paços, encostados às cordas) é completamente impossível. Mas é como a questão do treinador. Quando começarem a perder campeonatos a sério e a ter meio estádio porque ninguém paga anual para ver esta miséria, acordam para a vida.

João disse...

Exposto!? O Fernando passou metade da época passada a fazer de organizador de jogo, é ao imbecil que este sistema chegou. Isto quando não é logo o Maicon ou o Ota a fazerem os únicos passes de ruptura que se consegue ver.

E lá na frente, à falta de um avançado mais móvel e com outra capacidade técnica, é o Kléber, qual é a dúvida? Desaprendeu desde que veio do Marítimo? Não, pois não. Simplesmente passa os jogos no meio de 3 centrais a tentar aparar passes à queima do Helton ou dos centrais, querem que ele faça o quê? Milagres? Se for preciso vai para lá o Atsu que também se safa de certeza, Varela é que POR AMOR DE DEUS, não! Acabou. Não rende, não vai ser vendido, perde 70% das bolas que lhe passam pelos chumbos, acabou! Já chega de Varela.

João disse...

A concentração também se encontra nos jogadores motivados, aqueles que sabem o que têm que fazer e como podem tentar fazê-lo. Aqueles que têm objectivos em campo. Aqueles que têm um plano de jogo definido. Não se culpe os jogadores por estarem desmotivados enquanto andam por ali à nora.

Rafael Araújo disse...

em termos tácticos, o nosso jogo tornou-se demasiado previsível para os adversários, e isso tem-se visto esta época, todas as equipas mais pequenas não tendo poder financeiro para continuar a ir ao Brasil comprar meia dúzia de brinca na areia se reforçaram no banco com um bom treinador, e um bom treinador em portugal não tem dificuldades de preparar um jogo com um FCP que joga sempre da mesma maneira ...

Mefistófeles disse...

Sinceramente, eu nem sou grande adepto do VP ( a quem reconheço, no entanto, honestidade na função ) mas acho que se desanca no homem por duas razões principalmente: por tudo e por nada.
Não vai o homem em 1º, ex aequo com o Supremo Mestre da Táctica e Catedrático do Futebol, treinador da mais melhor equipa do Mundo e quiçá da Europa?
Não percebo...mais valia falar-se era do Porto B: isso é que deveria ser motivo para tanta porrada.

Anónimo disse...

Não concordo em nada. por duas simples razões! em primeiro lugar não tem jogadores para jogar em 4-4-2. em segundo lugar tem bons jogadores para jogar noutro modelo. simples. curto e grosso.
Depois, duas notas. Qual a necessidade que muitos portistas têm em que seja o James a brilhar e em que ele se dê bem em determinada posição? o que interessa é ganhar. mais nada.
e já agora a que propósito surgiu esta análise da táctica? por ter empatado em vila do conde? se agora goleasse-mos o PSG o 4-3-3 é que era bom?

Cumps,
Juca

João disse...

E desde quando a agremiação falida ou o nabo do Jesus são o nosso termo de comparação?

João disse...

E desde quando é que a agremiação ou o nabo do Jesus são o nosso termo de comparação? E se estivermos a ganhar joguinhos arrancados a ferros com qualquer grupo recreativo das distritais com a equipa a jogar metade do que consegue, jogadores valorizados a uma fracção do seu potencial, prestações europeias tipo época passada.. É para manter? Ainda dizem que nós somos adeptos exigentes, haja senso.. Papamos qualquer merda que o Pinto meta aos comandos, depois está tudo no Dragão com aquele ar de frete a rezar para que o Maicon continue a ir buscá - las todas e o Helton não se lembre de enterrar. Enfim..

João disse...

Em relação à "solidez defensiva" é comparar o volume de jogo que passa pelo Garay com meia dúzia de troncos à frente e ao lado com o Maicon, prémio bombeiro do ano 2012..

Daniel disse...

Penso que o 4-4-2 poderia ser utilizado mas não como sistema principal. Mas à semelhança do que fez Mourinho quando vencemos a Champions em 2004, o 4-4-2 era mais de contenção e não de ataque, para atacar temos o 4-3-3 ou o 4-2-3-1, sendo que neste último poderíamos incorporar o James na posição 10 e o Fernando + Moutinho/Lucho como médios de contenção, permitindo a subida dos laterais. Para já e visto que a época já rola, não faria sentido mudar o sistema tático principal, mas antes ir preparando um 4-4-2 para jogar fora na Champions. O atual sistema permite tirar melhor partido dos jogadores que temos com extremos bons (James e Varela) e outros razoáveis mas com capacidade para explodir (Iturbe, Atsu e Kelvin).

Miguel Lourenço Pereira disse...

João,

Sem dúvida. Um balneário sem um lider é uma nau que vai ao fundo!

Miguel Lourenço Pereira disse...

João,

Totalmente de acordo!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Mefistófoles,

Não desanco no VP, simplesmente afirmo o que para mim é uma realidade: não é um bom treinador e não é o primeiro não bom treinador que ganha algo quando há condições que lhe permitam vencer para lá das suas capacidades.

Aqui o que tento discutir é o uso de um modelo táctico alternativo a um modelo gasto, conhecido de sobra e que não se adequa ao plantel que lhe deixaram.

um abraço

Miguel Lourenço Pereira disse...

João,

O Iturbe, como o Kelvin, começou a dar nas vistas a jogar no meio. Mas no futebol moderno, onde o 4-3-3 impera, há a tendência de pegar nos jogadores mais técnicos e colá-los à banda. O Atsu é um caso particular, mas como este sistema não deve ser hermético, haveria espaço para ele de certeza.

O Danilo a interior é uma aposta interessante, já o era no Santos e a jogar pelo Brasil, daria dinamismo ao meio-campo e maior profundidade ofensiva e Lucho e Defour disputariam o outro posto, no lado esquerdo deixando o Moutinho à frente do Fernando.

um abraço

Pedro disse...

O 4-2-3-1 seria uma soluçao para aplicar já, em que nao era necessária muita intervençao do treinador, em que faria algo para mim fundamental: colocar James no meio, porque pensar o jogo a partir de uma posiçao central é muito diferente do que duma posiçao lateral, entao quando a posse de bola é de tao má qualidade... para além de dar mais qualidade na posse de bola e na construçao ofensiva do meio-campo.
Enfim neste momento provavelmente ficaria consolado com qualquer soluçao em que isso acontecesse mesmo sabendo o défice de trabalho nos treinos que para mim é demais evidente, já para nao falar na incapacidade de VP conseguir colocar todos a remar para o mesmo lado.
Mas tentando ser mais "sério" existe algo sobre o qual me tenho interrogado, já à algum tempo: será que VP sabe como treinar de forma a colocar esta filosofia de jogo a funcionar, será que tudo isto lhe foi imposto ou nao sabendo nem tendo coragem para alterar as coisas tenta apenas colar-se ao legado de AVB?
Deixo aqui apenas uma pista: como é que alguém pode querer por em prática este tipo de jogo, e defender que o meio-campo serve apenas para lutar e correr pela bola, que o meio-campo é um local de batalha.

Nightwish disse...

"So' mesmo no Football Manager."

O José já não joga FM à muitos anos...

Mefistófeles disse...

Miguel,

Não será um bom treinador mas não é decerto o pior que por lá passou. Ainda me lembro do Octávio, por exemplo.
Não quero dizer com isto que não respeite certas opiniões, aqui ou ali posso concordar,mas por sistema... o que me parece é que se bate demasiado no homem e não vejo assim tantos motivos para tal, honestamente.
Afinal, os "bons treinadores" como o AVB - que nos deixou numa altura bem complicada - ou o Jesus também fazem cagada da grossa.Ou não é assim ?

Abraço

Mefistófeles disse...

Só para completar: estou-me nas tintas para o sistema táctico, desde que no fim se consigam os títulos.

O Anti Lampião disse...

comportamento vergonhoso da agremiação e que foi sonegado pela comunicação social portuguesa
http://oantilampiao.blogspot.pt/2012/10/uma-fiel-representacao-do-que-e.html

Duarte disse...

Miguel, ao plantel que lhe deixaram e, já agora, ao plantel que ele construiu. Eu sei que não é o teu caso, mas já há quem esteja a tentar fazer esquecer e escamotear o facto de, esta época, o VP ter tido carta branca para dispensar quem quis. A título de exemplo, se não temos o Belluschi, que tanto jeito dava a um meio-campo curto, foi porque o treinador assim o entendeu. E é certo que perdemos o Hulk, mas há quem não tenha um lateral-esquerdo, um suplente para o lateral-direito e, igualmente, tenha perdido em poucos dias dois jogadores titularíssimos, sem que para eles tenha arranjado substitutos.

Quanto ao post, acho-o muitíssimo pertinente e concordo com as tuas ideias, mesmo que só as ache praticáveis, na sua plenitude, a médio prazo.

Anónimo disse...

"(...)e apostas em transições rápidas. De Oliveira a Pereira, creio que todos os adeptos azuis e brancos conhecem o santo e senha do sistema."

Não me leve a mal, mas esta frase está realmente cómica!

Joaquim Soares disse...

Sinceramente, o vosso grande problema é que ainda perdem tempo com a época 2012/13. Com estre destreinador estão à espera de quê? De outro milagre?

Quando se está a ver um filme repetido, nas partes de que não se gosta o que se faz? Avança-se no filme. 'Fast foward' diz-vos alguma coisa?

Eu já estou na época 2013/14. Esta já está dada como perdida. Venha a próxima. Deviam fazer o mesmo, a não ser que sejam masoquistas. Se o são, 'be my guest'.

Muitos consolam-se com o fato se o presidente manteve o treinador é porque sabe o que faz. O que não percebem é que a escolha de um novo treinador é última coisa com que o presidente se quis ou quer chatear. Nos últimos tempos, as preocupações prioritárias centram-se, e legitimamente, na importância não se esquecer de tomar os comprimidos para baixar o colesterol e diabetes ao jantar, medir a tensão todos os dias, ter cuidado com a próstata e desejar que a coluna vai doer menos no dia seguinte. Pensar em futebol, já há muito tempo que deixou de ser prioridade. Vocês ainda acham que o homem ainda tem a força e a saúde de há 30 anos atrás. Pensam que vai viver para sempre? Quando é que começam a aceitar a realidade?

Com um novo treinador poderemos ser novamente campeões em 2013/14.

DC disse...

Mais uma polémica estéril. Mas afinal estas "inovações" sugeridas pelo Miguel não têm sido experimentadas?
Alguém viu o James colado à linha contra o Rio Ave? Eu não vi. Eu vi-o alternar posições no meio-campo ofensivo entre o centro e qualquer uma das alas. A não ser que o 4-4-2 implique a proibição que o pobre do homem calque o terreno mais lateral do campo...
Os grandes problemas são simples: não temos um Derlei, só temos 4 médios e o James não é o Deco.
De resto, com Mourinho o Deco era muitas vezes encostado às linhas principalmente quando havia uma fragilidade nas laterais do adversário. Recordo-me bem de quando foi incumbido de ir expulsar o Miguel contra o 5LB e jogou totalmente encostado ao lado esquerdo do nosso ataque.

Mas enfim, já sabemos que toda a gente no fórum sabe mais de futebol do que o pobre campeão Vítor Pereira.

P. Ungaro disse...

Boas,

Curiosamente na semana passada estive a rever em dvd a final de Sevilha, e que bem funcionou o 4-4-2, com o meio campo com Costinha (saiu lesionado no inicio do jogo e entrou Ricardo costa para a lateral e Paulo Ferreira foi para o meio campo), Maniche, Alenichev e Deco e com Capucho e Derlei no ataque dada a ausencia de Benny Mcarty ... e disse para os meus botões, porque não jogar na champions com este esquema, como viria a fazer mourinho na epoca seguinte como esquema alternativo.
Mas se no meio campo não seria dificil escolher os jogadores, quem jogaria ao lado de "Action" Jackson ??? Varela, Iturbe, Atsu, Kelvin ??? era um Derlei ... que corria 90 minutos atacava e defendia, mas com essas caracteristicas não temos ninguem.

Um abraço

http://fcportonoticias-dodragao.blogspot.pt/

José Rodrigues disse...

"O 4-3-3 com um jogador a meio gás como Lucho e um "tapa-fogos" como o Moutinho, deixa demasiadas vezes o trinco exposto. Revertendo para um 4-4-2 losango, havia dois médios de cobertura, interiores, e um médio mais solto."

Antes de mais nada, eu nao concordo nada que o Fernando/trinco se ve^ muitas vezes exposto. Pelo contrario, na esmagadora maioria dos jogos, entre os 2 centrais e o Fernando se calhar ate' temos um jogador a mais (ou meio jogador...), tal a forma recuada como os adversarios jogam.

Mas mesmo q isso hipoteticamente fosse verdade nao vejo como meter o James a 10 iria ajudar. O James nao e' nenhum Deco com vocacao para ajudar em tarefas defensivas, e o Moutinho e o Lucho nao iam passar a ajudar mais em tarefas defensivas pq ja' hoje aventuram-se pouco em tarefas ofensivas...

Anónimo disse...

Boas... concordo plenamente com o artigo!!!
MAS NAO TENHAM ESPERANÇA, ENQUANTO ESTE TREINADOR LA ESTIVER IREMOS SEMPRE JOGAR EM 4-3-3
OUTRA COISA QUE ME REVOLTA É O DESPERDICIO QUE LE TEM FEITO DE ALGUNS ATIVOS... TB EXISTEM PROBLEMAS POR EXEMPLO NO REAL E O QUE É QUE O ZÉ FAZ?? RISCA OS JOGADORES DAS ESCOLHAS??? OU APROVEITA A REVOLTA DOS JOGADORES PARA LHES TIRAR O MAXIMO??
SOU PORTISTA DESDE QUE NASCI E SÓCIO MAS RECUSO ME A ASSISTIR A CONF.IMPR. DO V.P.... NAO ACEITO QUE DEPOIS DE UM EMPATE, O MEU TREINADOR RESPONDA A UMA PERGUNTA COM..."ISSO GOSTAVA EU DE SABER""".... INACREDITAVEL!!!!
NAÕ É TREINADOR PARA O PORTO!!!!

João disse...

Porque não Fernando/Moutinho/Danilo/James ou Fernando/Moutinho/Defour/James. Desde quando é que o Lucho é impreterível? Parecem-me losangos excessivamente cautelosos para as despesas da Liga Portuguesa mas qualquer deles serve e tem margem para a entrada do Lucho (e de qualquer outro jogador) consoante o rumo do jogo.. O 10 de um 4-4-2 não passa muito tempo em tarefas defensivas, nem o Deco perdia assim tanto tempo nisso, não mais do que o James perde agora certamente..

Anónimo disse...

A polemica nao é esteril, os defensores do statuos quo vem com a lenga-lenga de que o james nao fica colado a linha...meus senhores o futebol é para quem sabe...o james até pode ser um falso extremo e vir muitas vezes para dentro mas nessa posicao hibrida nao rende metade do que rendeu contra o beira.mar ...entenderam ou é preciso fazer um desenho?
Aposto dobrado contra singelo em como o rapaz jogando no meio isso era garantia de pelo menos mais meia duzia de oportunidades claras para os nossos avancados.
Agora assim anda ao sabor dos caprichos de um casmurro...

Nuno Maiato disse...

O grande problema deste treinador do FC Porto é a sua mentalidade, em que não espera conquistar os pontos suficientes para ganhar o campeonato, mas espera é que os outros percam pontos suficientes para o deixarem ganhar.

Serãos os outros a decidir se seremos tricampeões ou não. Já não está nas nossas mãos. E não está porque o treinador não quer essa responsabilidade. Fê-lo na época passada e rezará fervorosamente à santinha para que se repita esta época.

Já chegamos a este ponto. E isto já não é FC Porto. Já não é respeitada toda uma história de conquistas e sacrifícios que se fizeram para que acontecessem.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Duarte,

Não tenho informações suficientes para avaliar se a saída de jogadores como Sapunaru e Belluschi se deve mais à atitude que tiveram no ano passado no balneário do que, propriamente, à sua mais valia futebolistica.

Dito isso, naturalmente que o treinador sabe que plantel tem, mas no FCP parto sempre do principio que o técnico manda muito menos do que noutros clubes em relação a definir os jogadores com que vai contar.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Juca,

Está no seu direito. Gostava de saber que tipo de modelo é o ideal para um plantel que tem 2 extremos puros em 24 jogadores e dois avançados centro.

O propósito foi, basicamente, porque achei pertinente. Se tivessemos ganho 6-0 ao Benfica continuaria a pensar o mesmo. Não me deixo levar pelo resultadismo para fazer bestas passarem a bestiais, e vice-versa!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Daniel,

James não é extremo. Nunca foi e nunca será um grande extremo. Ele já o deixou claro, quem o viu no Banfield sabe-o e quem o vê com a Colombia também. Querer forçar James a ser esquerdo como opção principal é queimar um jogador com um potencial tremendo quando está solto no meio. Iturbe e Kelvin são histórias parecidas, salvo as comparações.

Puros, no plantel, o FC Porto tem 2 extremos: Atsu e Varela. Nada mais.

De qualquer forma, o 4-4-2 pode ser usado em jogos fora, por isso mencionei um modelo com James/Jackson na frente e 4 médios, com Danilo, no meio. Mas não vejo porque não mudar a meio da época o modelo táctico de forma progressiva, não seria a primeira vez que um técnico o faz com sucesso.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Mefistófeles,

Pessoalmente, e é uma opinião pessoal, no mandato de Pinto da Costa, coloco o Vitor Pereira ao mesmo nível que Quinito, José Couceiro, Octávio Machado e Fernando Santos e não tenho o mais minimo problema em dizê-lo. Pode ser tricampeão nacional que a minha opinião, salvo dê mostras tácticas e de gestão em contrário, será a mesma.

Não há treinadores perfeitos, mas há uns melhores que outros. No FCP essa bitola habitualmente mede-se por sucessos europeus. Sempre que tivemos grandes técnicos fomos a finais europeias seja no caso de Pedroto (com Morais), Artur Jorge, José Mourinho e AVB.

Miguel Lourenço Pereira disse...

DC,

Partindo do principio que a sua análise táctica é tão válida como a minha, porque é, e que está claro que o James não é o Deco da era Mourinho (mas à sua idade é melhor do que era o Deco de Fernando Santos, não esqueçam) e que durante o jogo possa haver ajustes que não definem modelos, só me resta uma dúvida: porque é que cada vez que alguém escreve sobre algo que não seja louvar se etiqueta de imediato de "polémica estéril". Debater o futebol que a equipa joga e o sistema que utiliza não é, também, reflectir sobre o nosso FCP?

É que se é só para dizer bem, temos a Dragões!

Miguel Lourenço Pereira disse...

Ungaro,

Esse jogo, como foram depois os jogos com Depor, United ou Lyon na Champions, é um óptimo exemplo de como um 4-4-2 pode ser tão ou mais eficaz que um 4-3-3 clássico e conservador como o que temos utilizado. Claro que é preciso ter jogadores e treinador para isso, mas também é preciso ter jogadores e treinador para jogar bem num 4-3-3..

PS: Faltava Postiga, expulso em Roma, McCarthy só chegou no ano seguinte! ;-)

Mefistófeles disse...

Miguel,

Até partilho dessa opinião, já tinha referido que não sou grande adepto de VP. Agora continuo a achar que ele merecia mais suporte da massa adepta e um pouco mais de crédito. Desde que substituiu AVB que vive com um estigma de adjunto-que-nunca-será-bom-treinador-principal. Mas a verdade é que recuperou de 6 pontos ao mestre da táctica e ainda acabou 5 pontos à frente. Dirás que ele é que se colocou nessa posição mas factos são factos.
Veremos, por mim acho que ainda precisa de mais tempo. E que o merece.

João,

Respondendo à pergunta repetida:
"E desde quando a agremiação falida ou o nabo do Jesus são o nosso termo de comparação?"

1- O Jesus tem muitos defeitos mas de nabo não tem nada ou tem muito pouco, nestas coisas da bola;
2- O recreativo e os calimeros é que são os nossos rivais, não são nem o Barcelona nem o Real Madrid.Portanto só nos podemos comparar com os primeiros, pois é com eles que disputamos os títulos.
E como diz o outro: "fia-te na virgem e não corras"...o papa-pastilhas, no 1º ano, limpou o campeonato, e a jogar bom futebol. É preciso cuidado.
E quanto à "falência" do recreativo, o melhor é estarmos calados...

Um abraço aos dois

DC disse...

Sim é de salutar o debate, agora como pode ver pelas reacções ao seu texto, o que ele propiciou foram críticas ao treinador.
Os anti-VP para variar, aproveitaram-se do seu texto para dizer "O VP nem sabe o que é um 4-4-2" e coisas do género.
Como eu lhe disse o VP tem experimentado várias variantes, eu já o vi a jogar em 4-3-3, 4-4-2, 4-2-3-1 e outras variantes com Djalma a lateral por exemplo.
Ele faz o que o plantel lhe permite, não tem um 2º avançado como Derlei e o James jogou toda a sua carreira na ala logo não é de um momento para o outro que se torna perfeito para o meio.
Aliás estranho que ninguém se tenha lembrado de pedir o 4-4-2 a AVB quando tinha no plantel Hulk para jogar a 2º avançado e várias médios com diferentes características como James, Belluschi, Guarin, Moutinho, Souza e Fernando...

DC disse...

Ainda bem que o caro anónimo sabe tanto de futebol então.
Teach us, Master!

Miguel Lourenço Pereira disse...

DC,

Se cada pessoa que fosse escrever o que acredita que deve tivesse de pensar sempre nas reacções alheias, não saía um só artigo porque sempre encontrará reacções a favor e contra e pessoas que aproveitam um debate táctico para atacar ou defender o treinador, o plantel, os directivos. Mas a isso, de certa forma, chama-se falar sobre futebol em toda a sua complexidade.

Quanto a AVB, a resposta é muito simples, DC: o 4-3-3 de AVB funcionava perfeitamente e quando um sistema funciona perfeitamente, apesar de ser interessante ver alternativas, a necessidade de mudar não é tão evidente. O 4-3-3 do AVB era mais similar ao do modelo Barcelona do que o de Vitor Pereira, mais espesso, previsivel e fácil de contrariar. É quando surgem esses problemas que urge pensar em alternativas. Se a equipa, com VP, jogasse como jogava com AVB, talvez nem me passasse pela cabeça lembrar-me do bom velho 4-4-2.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Mefistófeles,

Os estigmas colam-se e deslocam-se tendo em conta o caracter do personagem. Bob Paisley chegou ao Liverpool com o estigma de segundo de Shankly e venceu mais titulos que ele. Tito Vilanova chegou com o estigma de segundo de Guardiola e tem o melhor arranque da história do clube. Quando um treinador não demonstra caracter para um cargo é normal que surjam os estigmas e as criticas, não há vacas sagradas e não acredito na filosofia de temos de apoiar porque sim, como se não houvesse massa critica entre os adeptos de futebol.

Não acredito que o VP mereça mais do que o crédito que tem porque olho para o futuro e vejo uma continuidade, não uma evolução. Como disse, pode servir para vencer títulos, mas a minha bitola do valor real do FCP é na Europa. É aí que quero ver como VP se comporta porque foi aí onde falharam os Jesualdo, Adriaanse, Fernando Santos, Oliveiras e companhias no passado. Onde se separa o trigo do joio!

um abraço

Luís Negroni disse...

"Naturalmente que muita da culpa do sucesso desse ano se deve à classe dos jogadores, infinitamente superior ao do plantel actual"

Infinitamente superior? Que exagero! Onde e' que um meio campo que pode ser constituido por Fernando, Moutinho, Lucho e Danilo e' infinitamente inferior ao meio campo de que dispunha Mourinho? Onde e' que um conjunto de laterais constituido por Alex Sandro, Danilo e Miguel Lopes e' infinitamente inferior aqueles de que dispunha Mourinho? Onde e' que uma linha avançada constituida por Jackson e James e' inferior a McCarthy e Derlei? Ja falei de cerca de 80% da equipa e o que vejo e' uma equipa actual de valia muito semelhante a' do tempo de Mourinho. A unica grande diferença para a equipa de Mourinho, na minha opiniao, e' nao haver um central de categoria mundial como havia na altura Ricardo Carvalho. E haver um treinador que e' um tapado, um burro, um obtuso - que ainda por cima e' um convencido apesar da aparente modestia - que se tem aplicado a desvalorizar jogadores. Foi antes com Alvaro Pereira, Guarin, etc. e e' agora com Iturbe e principalmente Danilo, que e' o jogador que podia tranportar este Porto para outro patamar e nem titular e'. Iturbe e Danilo sao jogadores de categoria mundial (nao e' pelos nomes, e' pelo que ja' mostraram e mostram em campo, quando os deixam jogar), Atsu nao e' nem nunca sera' mas e' nele que VP aposta constantemente, em detrimento dos outros 2, muito melhores. Danilo devia ser titular, sempre, e Iturbe devia ser um suplente muito utilizado. Atsu, so' o tenho visto receber mal bolas (ja' parece o em boa hora despachado "Samurai") e tomar ma's decisoes. Golos, ne'pia, assistencias nada, sera' que e' assim tao bom como alguns dizem so' por ser da formaçao do Porto? Mas o Iturbe e o Danilo e muitos outros tambem o sao, a formaçao de um jogador so' termina, determina a Fifa, no dia em que um jogador faz 23 anos.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Luis,

Permite-me discordar mas, jogador por jogador, posição por posição, não acredito que tenhamos agora um jogador melhor do que o que dispunha Mourinho, salvo se comparamos James a Carlos Alberto. O plantel actual está na linha dos suplentes da época, com a excepção de Hélton, Danilo, Moutinho e Lucho.

José Rodrigues disse...

"O plantel actual está na linha dos suplentes da época, com a excepção de Hélton, Danilo, Moutinho e Lucho."

O plantel do FCP campeao europeu era melhor do q este, mas tambem me parece haver ENORME exagero da parte do Miguel. Era melhor, mas nao era "imensamente superior", nem pouco mais ou menos.

So' para dar um exemplo: parece-me uma barbaridade dizer q um Alex Sandro esta' ao nivel de um Mario Silva (o def esq suplente da altura), claramente abaixo de N Valente; ou Fernando ao nivel de um Tiago, claramente abaixo de um Costinha. Ou ate' mesmo q um Jackson esta' ao nivel de um Jankauskas ou Hugo Almeida.

O Miguel parece esquecer-se q como habituais suplentes tinhamos jogadores como M Silva, Tiago, JKK, H Almeida, mas tb ainda Maciel, M Ferreira, R Fernandes, R Costa, Secretario...

Se calhar 'a primeira vista ate' pode parecer um bocado assim, mas e' ai' q entra o treinador... uns treinadores potencializam a valia e eficacia dos jogadores (como Mourinho fez), outros nem por isso (VP).

Alias: eu diria mesmo q o 11 titular (ou ate’ mesmo os 15 jogadores mais utilizados) eram na altura melhor do q agora, mas o plantel na globalidade nao era melhor.

E muito mau era se nao fosse assim, quando o dinheiro investido neste plantel e’ para ai’ o TRIPLO do dinheiro gasto no plantel de 03/04 (ja’ ajustado para a inflacao media no mundo do futebol no q diz respeito a passes).

Miguel Lourenço Pereira disse...

Zé,

Se contar com o McCarthy como suplente (como sucedeu em Gelsenkrichen) em comparação com o Jackson, mais o César Peixoto, que fez um excelente inicio de época, em comparação com o Varela, o Maciel/Sérgio Conceição, em comparação com o Atsu, o Secretário, em comparação com o Miguel Lopes, e o Pedro Mendes/Alenitchev em comparação com o Defour, creio que esse banco ficaria a ganhar.

Concedo que no caso do Fernando - que devia ter mencionado acima - e no do Alex Sandro, apesar de ter visto muito pouco dele que me tenha entusiasmado, tanto no Brasil como aqui, a situação não é tão evidente.
Mas entre o Jankauskas e o Kléber, o Ricardo Fernandes e o Castro, o Ricardo Costa e o Rolando não venho onde está a grande diferença a favor do plantel actual sinceramente.

Sector por sector, não acredito que nenhum jogador do plantel actual pudesse sequer competir na primeira equipa com os que havia e as três ou quatro primeiras opções de banco (McCarthy/C. Alberto, Alenitchev/Pedro Mendes, Maciel/Conceição/Peixoto e Jankauskas/Hugo Almeida) salvo os jogadores mencionados, mais o caso Fernando e Sandro, os pontos fracos nos suplentes na era Mourinho sem dúvida.

Quando dizes que os tais 15 eram melhores, falas nos jogadores que têm, ao longo do ano, quase 80% a 90% dos minutos de jogo. O core da equipa, que é o que realmente importa. Se depois tens seis jogadores de low profile para momentos pontuais que tenham de cumprir os 20% a 10% minutos restantes, há um bom trabalho de gestão, tanto da equipa técnica como da directiva.

Precisamente pelo plantel actual ter custado o triplo do que se gastou então se pode falar de uma má gestão tanto da directiva como do staff técnico.

DC disse...

O James hoje jogou no sítio certo? :D

Miguel Lourenço Pereira disse...

DC,

O James fez um grande jogo e como é um grande jogador tem condições para brilhar em várias posições. Isso não exclui que, quando basculou no miolo, foi muito mais perigoso do que quando esteve preso a uma ala. E o grande jogo de ontem, grande grande jogo, não muda nem uma virgula ao artigo que escrevi. O problema, muitas vezes, é que as pessoas vivem, pensam e escrevem sobre futebol só a pensar nos resultados. Um clube grande tem de ir um pouco mais além, é a nossa tradição pensar no depois de amanhã!

DC disse...

Meu caro, o jogo de ontem só veio de encontro ao que lhe tinha dito. James a 10 já tem sido muitas vezes visto. Ontem tinha 3 médios atrás dele e jogou a 10 pelo menos depois da entrada do Defour.
O VP não anda a dormir!

Miguel Lourenço Pereira disse...

DC,

Eu vi um James com liberdade de movimento mas sempre a partir da banda, num 4-3-3 que lembra o do Barcelona de Rijkaard com o Ronaldinho a partir da banda esquerda. Isso não é um 4-4-2 de nenhuma forma, é uma adaptação mais do 4-3-3. O artigo falava noutro modelo táctico não em variações do actual!

DC disse...

Com Atsu ou Varela nunca vamos ter um 4-4-2 puro. Mas da mesma forma também posso dizer que nunca jogamos num 4-3-3 puro.
Eu vejo James a calcar os terrenos que o jogo vai pedindo. Por vezes a organizar, outras vezes na zona de decisão, um pouco como Messi.
E acho sinceramente que aos poucos o treinador está a tirar o melhor dele.