sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O 32ª treinador mundial

O crescimento do FC Porto com Vitor Pereira ao leme não é só uma questão de percepção. É um dado real.
Estatisticamente falando, o técnico azul já é considerado como o 32º melhor treinador mundial. Num desporto ainda bastante tradicionalista, ao contrário dos desportos mais populares nos Estados Unidos, a estatística ainda é olhada com suspeita/desprezo pelos adeptos, analistas e muitos dirigentes. Mas parece-me a mim que é cada vez mais a melhor forma de apalpar a realidade, sem falsas questões pelo meio. A subida de Vitor Pereira nesse ranking diz muito do que o espinhense tem logrado.

O ranking, como conto aqui, chama-se Football Coach World Ranking e é organizado pela Institute of Football Coaching Statistics, uma organização holandesa que se dedica a trabalhar com agências de apostas, clubes, federações e sites especializados e que fornece dados estatísticos actualizados sobre o trabalho desenvolvido por treinadores de 40 países. O ranking tem as suas regras e os jogos, naturalmente, não valem o mesmo, o que dá ainda mais destaque a quem está na parte alta da tabela classificativa. A lista é liderada por outro ex-treinador do FC Porto, José Mourinho, se bem que este só chegou ao primeiro lugar em Outubro, depois de seis meses em que Pep Guardiola não somou qualquer ponto.


O caso de Vitor Pereira é significativo e ameaça tornar-se num dos case studies da organização que gere o site. A 5 de Dezembro do ano passado estava na posição 159 na tabela, perdido entre maus resultados domésticos, uma eliminação precoce na Champions League e muitas dúvidas sobre o seu futuro. Em Maio, quando conquistou o título nacional, VP tinha trepado ao 55º posto, mesmo assim uma posição bastante modesta para quem se acabava de sagrar vencedor de uma das seis ligas mais cotadas do ranking. Meio ano depois, está às portas do top 30 e se contabilizamos apenas os treinadores das ligas europeias (o ranking é mundial), Pereira seria o 21º. À sua frente estariam nomes como Lucescu, Garde, Pellegrini, Stevens, Allegri, Mazzari, Klopp, Wenger, Mancini ou Emery em muitos dos casos apenas e só porque, como sucede com a Bota de Ouro, os pontos somados variam de liga para liga, conforme a sua importância e todos estes trabalham em competições melhor valoradas que a Liga Sagres.

Vitor Pereira pode ser um treinador questionado pela sua falta de capacidade de comunicar, pela sua falta de aura como "manager" e até por algumas questões futebolísticas, do sistema aos jogadores que utiliza. Mas como o meu colega José Correia mencionou há uns dias, parece-me evidente que a pouco e pouco começa a tomar controlo do balneário e a dar forma à equipa com base na sua filosofia de jogo. Os jogos na Champions League, repletos de autoridade, eficácia e maturidade, são um bom exemplo de como transformar estes dados estatísticos em sensações.

Se repetir o título de liga, como seria natural, e realizasse uma Champions League à altura das expectativas do clube (apuramento para os Quartos de Final, na minha óptica), agora que o apuramento para a próxima fase está matematicamente assegurado, não duvido que Vitor Pereira chegará a Junho como um dos 10 técnicos mais valorizados do mundo. Deve-o à estrutura do FC Porto - que apostou nele, manteve-o quando era difícil - mas também o deve a si mesmo, depois de ter sobrevivido à perda de metade da equipa que venceu a Europe League em 2011 (Fucile, Alvaro, Sapunaru, Hulk, Falcao, Bellushi, Guarin) e ter forjado um projecto cada vez mais sólido.

PS: A título de mera curiosidade, o ranking inclui ainda os últimos treinadores que passaram pelo FCP. Já sabemos que Mourinho vai à frente (e assim continuará durante largos meses), enquanto AVB está actualmente na posição 58º (chegou a ser o 4º em Maio de 2011). Jesualdo quase que fecha o top 100 (está no lugar 98), Adriaanse encontra-se no 515º posto e claro, o mestre da táctica, Jorge Jesus, aparece perdido no 48º lugar sendo que o melhor que logrou no ranking foi um sétimo posto. 

59 comentários:

João disse...

"A estatística é como o soutien, já é bom mas não mostra tudo"

Podia alongar-me mais, mas até o mais acérrimo defensor deste treinador conhece o nível exibicional que fica escondido por trás de vitórias magras, tangenciais e suadinhas que se viu até muito recentemente. Não vale a pena. E mais uma vez, se perdeu Guarín e Belluschi foi porque quis. É, aliás, o toque de midas que não potenciou um único jogador ao longo de época e meia e se prepara para queimar 3 ou 4 dos mais promissores que por cá passaram

Miguel Lourenço Pereira disse...

João,

Não sou, é fácil descobrir onde e porquê, o maior admirador do Vitor Pereira. Mas sou, indiscutivelmente, um dos mais acérrimos defensores do uso da estatística no desporto, seja o baseball ou o futebol. As sensações são importantes e há um pano de fundo de gestão que não pode ser ignorado. Mas o FC Porto também é um dos clubes onde o treinador tem menos a dizer na gestão, organização e definição de um plantel, pelo que parte dessa responsabilidade, tanto nos êxitos como nos fracassos, deve ser compartida.

Vitor Pereira está num clube com uma estrutura tremenda que sempre possibilitará ter treinadores entre os melhores da Europa. Mas a sua evolução é clara e os números não mentem. É um dos 25 técnicos europeus mais bem sucedidos do Mundo com um ano e quatro meses de carreira como treinador profissional numa primeira divisão e esse feito deve ser olhado com respeito. Não estava dentro do balneário para saber porque Belluschi e Guarin foram embora, mas já vi treinadores de nível mundial como Guardiola ou Ferguson venderem jogadores porque não souberam lidar com eles por valores de mercado bem inferiores como foi o caso de Ibrahimovic, Etoo ou Beckham. Não conheço nenhum treinador que nunca tenha tido problemas num vestuário e isso é especialmente dificil para quem herda o que VP herdou e chega a um balneário onde mais de metade dos jogadores quer ir embora, não só porque Villas-Boas partiu, mas porque já chegaram ao FC Porto com essa intenção original. Disso VP não tem culpa. Dos números tem, grande parte. De momento, fico com os números!

um abraço

Anónimo disse...

Eu como um dos grandes criticos das capacidades de V. Pereira teria muito por onde comentar e demonstrar que uma coisa são estatisticas e outra bem diferente é a real aferição das capacidades dos treinadores e o seu real valor nos resultados obtidos pelas respectivas equipas.

Mas só me vou ficar com o comentário ao P.S do Post que no fundo demonstra o que eu quero dizer.

PS:"... enquanto AVB está actualmente na posição 58º (chegou a ser o 4º em Maio de 2011). Jesualdo quase que fecha o top 100 (está no lugar 98), Adriaanse encontra-se no 515º posto e claro, o mestre da táctica, Jorge Jesus, aparece perdido no 48º lugar sendo que o melhor que logrou no ranking foi um sétimo posto"

Ou seja, pela lista o AVB que num ano ganhou tudo o que tinha para ganhar e que todos nós portistas sabemos como ele como treinador é bem mais capaz que o seu anterior adjunto VP; nesta lista estava nessa altura em 55º lugar e agora sem resultados nem de perto tão bons está só 3 lugares abaixo no 58º. Já o VP que todos nós sabemos o que realmente vale e o que venceu, mas também perdeu com o FCP está em 32º... para mim está tudo dito ao que esta ESTATISTICA diz respeito como base de aferição das capacidades de um treinador. No máximo deveria de servir para um item de uma verdadeira tabela estatistica e avaliação de treinadores.

Gostemos ou não, queiramos ou não o Vitor Pereira é isto e não mais que isto que todos nós conhecemos... um treinador banalissimo, que consegue os resultados que consegue porque tem a estrutura que tem a apoiar.

Sinceramente gostaria de ver o Pedro Emanuel no FCP e o V. Pereira na Académica e se calhar veriamos um FCP muito mais capaz e uma Académica na rua da amargura.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Anónimo,

Não entendo o seu raciocínio. A estatística serve quando AVB chega ao número 4, correspondente a vencer tudo o que havia para vencer num só ano, e não serve para um Vitor Pereira que ainda só venceu uma liga e uma supertaça mas que está no posto 32º?

A estatística, como está explicado no post do link, é aferida através de cálculos matemáticos exactos que correspondem a 52 semanas prévias, o que mede o valor real actual de um treinador. Se desde Maio de 2011 a AVB lhe passou um despedimento do Chelsea e um arranque tímido no Tottenham (onde as vitórias conta mais do que na Liga Sagres, relembro) é normal que esteja na segunda metade do top 100 da tabela. Vitor Pereira soma menos pontos que todos os técnicos que estão à sua frente nas vitórias nacionais e mesmo assim corre o risco de terminar o ano no top 20. Isso é um mérito estatístico que é preciso ter em consideração. Cada um pode ter a apreciação pessoal que quiser de AVB, VP, Mourinho, Guardiola, etc, e a parte do futebol como fenómeno de "sensações" é também parte da sua magia. Mas os números são os números, seja em que desporto for. No futebol são desprezados habitualmente pelos mais conservadores. Só convido a que se lhes olhe com outros olhos.

um abraço

Miguel Lourenço Pereira disse...

Por curiosidade, Pedro Emanuel ocupa o lugar 166 da lista!

Anónimo disse...

Estes comparadores de VP com AVB de certeza que não viram aqueles jogos miseráveis que o porto fez no ano em que villa-boas trabalhava cá. aqueles jogos em que, mesmo ganhando toda a gente tremia. O 5-1 ao villareal foi um jogo épico por exemplo. mas foi dos jogos mais sortudos do porto no qual o mister villas-boas se lembrou de adiantar a equipa toda. conclusão: ao intervalo podiamos estar a perder 3 ou 4 zero.
para estes comparadores o facto de villas boas fracassar completamente no chelsea (que depois dele sair até a champions venceu com um interino) não significa nada.
Só pelo simples facto de um treinador dizer que está na cadeira de sonho e abandonar logo que pode e convidar o seu adjunto e este recusar.... só por isso VP devia ser adorado.

Juca

Miguel Lourenço Pereira disse...

Juca,

O sucesso no futebol, como em qualquer desporto, será sempre uma consequência de resultados (números) e sensações. Sempre foi assim em toda a história. O FC Porto nunca teria sido campeão europeu se Costinha não tivesse quebrado as ordens de Mourinho e mudasse a sua posição num livre em Old Trafford. Que teria sido da final do Prater se o Fernando Gomes tivesse jogado? Não sabemos.

Para a posteridade ficam os resultados e aí a estatística diz-nos quem falhou ou não. AVB está na posição em que está (e já esteve bem pior) precisamente porque falhou com o Chelsea. Todas essas pequenas realidades são tidas em consideração. Os números não podem apagar as sensações mas não devem ser deixados para segundo plano!

um abraço

Anónimo disse...

Podia o douto João - que azia, amigo...- dizer-nos quem potenciou um jogador chamado Maicon numa altura em que lhe chamaram tudo menos amigo?!

DC disse...

VP em ano e meio tem uma derrota para o campeonato, teve uma péssima Champions (numa altura em que tinha Kléber como avançado e 3 ou 4 jogadores a jogar contrariados) e uma brilhante e ainda 2 supertaças.

Posto isto, o seu currículo, vemos autênticas "hienas" a tentar devorar o homem porque segundo "elas" VP nunca jogou bom futebol, nunca potenciou um jogador, mandou jogadores importantes embora, etc, etc, etc...

Ora, apesar de eu saber que estes críticos nem se vão preocupar em tentar entender os meus argumentos, vou contrariar essas críticas:
1º O suposto mau futebol - Sim, houve jogos maus. Sim, houve jogs em que a equipa adormeceu. No entanto também vimos jogos brilhantes como contra o Marítimo, PSG, Sporting, 5LB na Luz, etc... Digo sem qualquer dúvida que foram mais as exibições acima da média que as más exibições. Além disto, a equipa que joga tão mal segundo os críticos, teve melhor ataque e melhor defesa do campeonato. É estranho ouvir tantos críticas.
E relembrando AVB, para estes críticos o supra-sumo das boas exibições, eu por acaso lembro-me de exibições bem fracas com a Naval, com o Marítimo em casa, com o Sevilha fora de casa (onde não fomos goleados graças a São Hélton e marcamos graças a São Falcao), com o Villarreal fora e na 1ª parte em casa, com o Sporting fora de casa... Só que, e felizmente, AVB teve um saldo positivíssimo no final da época e os adeptos concentraram-se nisso, no essencial. Já VP teve um saldo positivo na época, com apenas uma derrota (e todos vimos a arbitragem de Barcelos) e estes críticos concentraram-se nas supostas más exibições. Queriam 5-0 ao 5LB todas as épocas? Até eu queria, mas o David Luiz não joga sempre à esquerda e o Sidnei já deixou de jogar há muito.

2ºNunca potenciou um jogador - este argumento eu adoro, tenho que confessar. O Maicon que eu apelidava de insultos que ainda nem tinham sido inventados, de repente passa a titular e um dos melhores centrais do campeonato. O que aconteceu? Quem lhe deu confiança, quem lhe corrigiu o posicionamento, quem lhe limou as falhas? Segundo os críticos, o VP não foi certamente, foi o menino Jesus provavelmente ou foi o AVB através do telemóvel.
Porque dizem eles que o VP só o queimou ao colocá-lo à direita e que ele não ganhou nada com isso. Eu por acaso vi-o ganhar confiança, vi-o ganhar rotinas, vi-o ganhar experiência e vi-o ganhar "matreirice" ao jogar à direita. E vi-o um central completamente diferente quando voltou ao meio, ao ponto de já lhe ter pedido desculpas 1000 vezes pelo que lhe chamava.
E ainda sobre a sua adaptação à direita, um tal de Special One adaptava o Ricardo Costa à esquerda nos jogos mais complicados para deixar subir o Paulo Ferreira, no Real já colocou a jogar a lateral direito meia equipa e agora o Essien é lateral esquerdo, no Inter (e esta adaptação é a que mais se pode comparar com a de Maicon) tirou o Eto'o do ataque e colocou-o a trabalhar defensivamente como nunca. Perdeu um ponta-de-lança e ganhou uma equipa (e uma Champions).
E além de Maicon? Eu pessoalmente, nunca vi Fernando a jogar tão bem como na época passada e até me lembro dele com AVB tentar oferecer um golo ao Mossoró na final da Europa League. Mas VP não terá nada a ver com isto...
Eu vejo o Alex Sandro a entrar na equipa como se cá estivesse há 10 anos, certamente aprendeu tudo sozinho...
Eu vejo James a experimentar movimentações e rotinas novas e cada vez mais a tornar-se o patrão da equipa, certamente VP não fez nada por isso...
Eu vejo o Jackson cada vez mais entrusado com os seus companheiros e a ter o melhor início de época da carreira, mas certamente aprendeu tudo no México...
Ah e tal, mas falta o Iturbe. Aquele que contra o St. Eulália, com jogadores de 40 anos e 120kg não conseguiu fazer uma única jogada digna desse nome, aquele que na equipa B é medíocre, aquele que pensa que o futebol é fintar 10 gajos em cada jogada... Esse a culpa já é toda do VP!

DC disse...

3ºMandou jogadores embora ou ficaram contrariados por culpa dele - Eu pergunto, até ao miserável jogo de Braga, culminado com os murros ao banco de suplentes, VP tinha ou não apostado regularmente no Álvaro? E a substituição do Alvaro em Braga foi ou não justa? Que culpa tem ele de ter um mercenário no balneário? Acham que foi ele que deu ordem para o Álvaro não jogar a Supertaça Europeia ou terão sido ordens superiores? E com essa ordem quem passou a mensagem de que Álvaro estava com pé e meio fora do clube? Ele ou a direcção?
E Rolando? Não foi sempre aposta até ao acto ridículo com a Académica? Não foi ele quem com péssimas exibições, declarações incómodas e actos de indisciplina cavou a sua sepultura? E já nem vou entrar em rumores de que ele rejeitou todas as propostas que teve para sair.
E Guarín, que até quando estava lesionado vinha para o twitter mandar bitaites que queria ser titular? A culpa dele se andar a arrastar em campo, com lesões constantes e com uma má atitude foi do VP? Ou foi do seu péssimo profissionalismo?

Eu vi Hulk, Moutinho, Maicon, Fernando, Hélton e agora Lucho a dar o litro e a lutar pela equipa e pelo treinador! Se existiam cancros no plantel que culpa tem VP?
E mais, que lógica tem culpar VP destes actos de indisciplina e esquecer-se da autêntica rebelião que AVB teve no Chelsea? AVB transformou o balneário do Chelsea num barril de pólvora e bastou ele sair para passarem de medíocres a vencedores da Champions. VP conseguiu "virar" um balneário de acomodados e pseudo-estrelas e levá-los ao título, AVB não conseguiu no Chelsea e será que volta a ganhar alguma coisa na carreira (e o caso Lloris que ainda agora chegou e já critica AVB?).

Finalizando, VP não é o meu treinador preferido e eu se tivesse dinheiro ia buscar o Guardiola, mas é um bom treinador, é um treinador campeão, é um treinador que gosta do clube (sem cadeiras de sonho) e é MUITO mais competente do que estes críticos querem fazer passar.
E enquanto for o treinador do Porto eu irei sempre apoiá-lo, aplaudí-lo e só considerar a sua substituição caso não seja campeão e nunca por um JJ ou por um Domingos como tantos queriam.

Jorge disse...

O comentario do Juca e muito pertinente e podiamos falar tambem da campanha do Chelsea na UCL na epoca passada.
Ha imensos factores fora do controlo dos treinadores que afectam os resultados, havendo muita aleatoriedade na forma como muitos lances, jogos sao resolvidos.
A compilacao de estatisticas que usam a informacao disponivel de uma forma inteligente permitem capturar parte do impacto do trabalho do treinador.
Mas dada a variabilidade e diversidade das occurencias por detras dos numeros e muito dificil compilar numeros com valor estatistico significativo.
A melhor forma de analisar um trabalho de um treinador e de combinar essas estatisticas com a observacao do trabalho do treinador e a forma como a equipa se comporta no terreno abstraindo-se da parte que o treinador nao pode controlar (o erro individual, a qualidade do adversario, a sorte,...). Mas para isso e necessario ter conhecimentos que nao reconheco a grande parte das pessoas que comentam na larga maioria dos media (incluindo blogs).
Acho que a grande diferenca entre o Porto e o Sporting por exemplo (e um bom exemplo porque a diferenca e brutal) e o facto do Porto ter dirigentes que teem capacidade para avaliar o trabalho do treinador abstraindo-se dos resultados, conseguem olhar para uma equipa que nao ganha e perceber que ha qualidade no trabalho do treinador e ver falhas do treinador numa equipa com algum sucesso.
Sem ter o privilegio de ver os treinos, olhando para a forma como a equipa se comporta tacticamente em todas as situacoes do jogo acho que o VP e muito bom treinador, possivelmente o melhor treinador portugues a seguir ao Mourinho. Vendo o trabalho do AVB tanto no Chelsea como no Tottenham muitas vezes me pergunto que parte dos resultados que alcancou no Porto se deveu ao VP.

João disse...

Chamaram? Quem? Oh meu amigo, limite-se ao que sabe. Ainda o Maicon jogava no Nacional, já eu dizia o que ainda agora não dizem dele. Mas o Maicon em alguma altura, e excluídos os excessos de confiança que davam em fífia, teve um nível muito inferior ao que apresenta agora? Só se for para distraídos.. Não tenho azia nenhuma, gostava de ter visto ficar o Belluschi e Guarín, principalmente o primeiro, e gostava de poder ver jogar o Iturbe, Kelvin, Tiago Ferreira, Ba (aleluia!) sem ser no Porto canal. Gostava de dizer que algum jogar cresceu ("efectivamente", que é diferente de "começou a jogar a titular", portanto nem me venham com o James) na última época e meia. Mas não posso.

DC disse...

João sabe que nem todos podemos ser visionários com o senhor.
Eu por exemplo continuo com muitas reticências em relação ao Iturbe e ao Kelvin pelo que tenho visto na equipa B, embora pense que ambos têm muito boa capacidade técnica.
E quanto ao Tiago Ferreira já nem são reticências, são muitíssimas dúvidas, já que apesar do rapaz ser esforçado tem enterrado como se não houvesse amanhã nos jogos da equipa B. Às habituais falhas pelo ar devido a ser um central relativamente baixo e que não controla ainda o tempo de salto, juntou-se no jogo contra o Atlético um golo em que é batido em velocidade com um avanço de mais de 2 metros para a bola, demonstrando também alguma lentidão.
O Ba, por acaso, foi só o jogador mais expulso no ano passado, aposto que o João se deliciava com as suas expulsões dizendo "este é craque de certezinha!". E contra o St. Eulália o rapaz até esteve mal, bastante mal se considerarmos que jogava contra trolhas e padeiros, mas enfim...

Por favor deixe-se de conversa, você, como eu e como todos os portistas, quando o Maicon ofereceu 2 golos ao 5LB na derrota por 2-0 em casa não tinha certeza de nada. Tinha dúvidas, muitas dúvidas e deve-lhe ter chamado tantos nomes como eu. Eu saí do Dragão com um melão do tamanho da Torre dos Clérigos e não vim a dizer "Este Maicon é que vai ser jogador" tal como você nem ninguém veio!
E mais, ainda hoje não sei onde chegará o Maicon, porque ainda há muita falha que pode corrigir.
Mas acredito que você já me possa dizer...

João disse...

Vamos lá a factos então. Ganhou duas supertaças (aos portentos futebolísticos europeus a que se convencionou chamar Académica de Coimbra e Vitória de Guimarães), sempre com tremideira, como é apanágio. Foi arrumado da Taça com 3 batatas sem resposta da Académica, mais uma vez desculpável face à valia do colosso adversário. Ganhou o campeonato (feito inédito no FC Porto, esse sim de louvar porque é coisa que mais nenhum treinador fez recentemente), fez uma campanha miserável no grupo mais fácil da Champions, não um, não dois, não três, mas SEIS péssimos jogos contra as powerhouses APOEL, Zenit e Shakhtar com direito a goleadas evitadas por muito pouco em Nicósia e São Petersburgo só para mostrar classe. Para não destoar muito, aviados com um 6-1 no conjunto da eliminatória pelo City da Liga Europa, curiosamente, em dois dos poucos jogos de jeito que fizemos essa época.
Se é certo que fomos roubados à Paixão em Barcelos (e em Olhão, já agora) também é certo que saímos de lá com 3 para não serem 4 ou 5. Do Gil.. Derrotas foi só uma, empates foram 6 e é por muito perdão de muito craque tipo o Balboa em Aveiro.
Este é o registo, sem pintura nem expressão dramática.

Acabar com a melhor defesa e ataque depende em grande medida do que fazem as outras equipas e mais uma vez, continuo sem perceber desde quando os desgraçados dos lampiões que costumam ficar a 2 potes de nós na Champions agora são a nossa bitola. Acho esquisito..
Se ideia for comparar "exibições menos conseguidas" nem precisamos de ir buscar jogos e eliminatórias resolvidas (e ganhas, já agora), podemo-nos facilmente ficar pelos que perdemos. E empatamos. Foram vários, é só escolher. É tão simples como avaliar todas vezes que passamos a fronteira até ao Natal e já temos uma figura aproximada.

Quanto a potenciar jogadores, pela enésima vez, torna-se um bocado ridículo estar a falar do Maicon e James que sempre evidenciaram um nível muito próximo do actual sendo que raramente jogavam. Se lhes chamavam outra coisa qualquer, olhem, estudassem, é fazer uso do discernimento para não tomar um excesso de confiança por um jogo todo. Mesma estupidez que se fazia com o Belluschi, por exemplo..

Aprendi foi esta coisa brutal do treinar centrais colocando-os a jogar a laterais. Mais, o exemplo acabado do central de elite treinado pelo modelo é o Ricardo Costa, que aprendeu a ser o novo Costacurta porque não havia alternativa ao Nuno Valente. Muito bom!
O Fernando é provavelmente dos 3 a 5 melhores trincos a actuar na Europa.. desde que joga no Porto. Inventar a partir daí já é para quem quer cavar argumentos à força toda. E ir buscar o lance da final da Liga Europa.. é ridículo, no mínimo. É de um anedótico equivalente a dizer que o Bruno Alves evoluiu imenso desde Manchester, o Guarín desde a Supetaça Europeia ou que o Helton evoliu imenso todas as épocas logo a seguir a enterrar nos quartos-de-final da Champions como tem por costume.
Ah e pronto, ficavam a faltar os jogadores que entretanto se vão entrosando com a equipa, não pelo facto de treinarem com as mesmas 20 criaturas todo o santo dia ou por terem maior facilidade de adaptação ou por mérito de qualquer outra pessoa do staff ou direcção. Não senhor, tudo Vítor Pereira. Como é evidente.

Porra, até ia responder ao próximo mas parece que estou nalguma comédia de 2ª. Fica para o próxima. De qualquer forma, foi porreiro DC. Tomara eu ter essa confiança no homem e mais que isso, que ele me prove errado muitas vezes, quantas mais, melhor.

reine margot disse...

Muito interessante que as estatísticas possam nem sequer convencer alguns a pensarem de outra forma ou a re-pensarem !
Futebol é realmente muitas coisas, e entre elas, a melhor forma de a gente ter raivas... e, pronto o VP foi escolhido para alvo. Como antes dele o Jesualdo. Porque sim.
(O Mourinho, por exemplo, dá-me muito enjoo, mas não deixo de saber apreciar todas as suas muitas capacidades.)

Enfim...sentimentos.

Ao menos os números, apesar de haver várias tentativas nestes comentários de nos tentar convencer do contrário, são o que são.

Costa disse...

"Vendo o trabalho do AVB tanto no Chelsea como no Tottenham muitas vezes me pergunto que parte dos resultados que alcancou no Porto se deveu ao VP."

Ui que heresia...

Mas assino por baixo.

Joao Goncalves disse...

Eu sempre fui um dos maiores opositores a VP, essencialmente pela catastrófica gestão do plantel, em predomino, na vertente ligada à desvalorização de passes de jogadores e consequente quebra de receitas acentuada para o clube, mas também pelo pouco futebol que a equipa praticou todo o ano passado.

Contudo, este ano VP não é o mesmo treinador. A equipa está mais confiante e sabe o que está a fazer.

A Saída de Hulk veio potenciar a equipa como um todo e seria isso que VP não conseguia fazer com Hulk dentro da equipa pois todos sabemos que Hulk era um jogador à parte... tão à parte que jogava sozinho fosse tecnicamente fosse tacticamente.

Seja lá por aquilo que for, mesmo nos maus resultados averbados esta época, a equipa foi outra e com mais categoria.

Temos a problemática do 1-0 a equipa começar a defender mas penso que esse problema será resolvido a espaços.

Verdade seja dita, Vitor Pereira não perdeu metade da equipa que ganhou a Liga Europa... jogou fora o que é muitíssimo diferente, mas temo mérito (repartido com a estrutura) de ter uma equipa fortissima que provavelmente seria candidata ao mesmo.

Vamos ver o que o futuro nos dirá.

Joao Goncalves disse...

Eu sempre fui um dos maiores opositores a VP, essencialmente pela catastrófica gestão do plantel, em predomino, na vertente ligada à desvalorização de passes de jogadores e consequente quebra de receitas acentuada para o clube, mas também pelo pouco futebol que a equipa praticou todo o ano passado.

Contudo, este ano VP não é o mesmo treinador. A equipa está mais confiante e sabe o que está a fazer.

A Saída de Hulk veio potenciar a equipa como um todo e seria isso que VP não conseguia fazer com Hulk dentro da equipa pois todos sabemos que Hulk era um jogador à parte... tão à parte que jogava sozinho fosse tecnicamente fosse tacticamente.

Seja lá por aquilo que for, mesmo nos maus resultados averbados esta época, a equipa foi outra e com mais categoria.

Temos a problemática do 1-0 a equipa começar a defender mas penso que esse problema será resolvido a espaços.

Verdade seja dita, Vitor Pereira não perdeu metade da equipa que ganhou a Liga Europa... jogou fora o que é muitíssimo diferente, mas temo mérito (repartido com a estrutura) de ter uma equipa fortissima que provavelmente seria candidata ao mesmo.

Vamos ver o que o futuro nos dirá.

RCBC disse...

O problema para muitos é que agarrados às suas parvas teorias em relação a VP, constatam jornada apos jornada que estavam redondamente enganados em relação à competência de VP… E agora ainda arranjam teorias mais parvas como “com este plantel, VP tem toda a obrigação de ganhar”.

Parvoíces atrás de parvoíces, quiçá até à parvoíce final, que virá lá mais para o final da época…

RCBC disse...

O problema para muitos é que agarrados às suas parvas teorias em relação a VP, constatam jornada apos jornada que estavam redondamente enganados em relação à competência de VP… E agora ainda arranjam teorias mais parvas como “com este plantel, VP tem toda a obrigação de ganhar”.
Parvoíces atrás de parvoíces, quiçá até à parvoíce final, que virá lá mais para o final da época…

José Lopes disse...

Concordo com a generalidade do seu comentario, excepto com o facto de qualificar como ma a exibicao em Alvalade na epoca do Villas-Boas (fomos roubados no golo deles e na expulsao do Maicon) e a exibicao em casa contra o Maritimo na mesma epoca (ganhamos 4-1). Corrijo o que diz sobre o jogo em Sevilha, porque o Falcao estava lesionado; quem marcou os golos foram o Rolando e o Guarin num lance de muita sorte e alguma sagacidade do Cebola.

José Lopes disse...

Concordo com a generalidade do seu comentario, excepto com o facto de qualificar como ma a exibicao em Alvalade na epoca do Villas-Boas (fomos roubados no golo deles e na expulsao do Maicon) e a exibicao em casa contra o Maritimo na mesma epoca (ganhamos 4-1). Corrijo o que diz sobre o jogo em Sevilha, porque o Falcao estava lesionado; quem marcou os golos foram o Rolando e o Guarin num lance de muita sorte e alguma sagacidade do Cebola.

Quanto a quem critica e a forma como critica, uma coisa e ser-se construtivo e equilibrado (tal como quem elogia); outra e a cegueira militante, normalmente associada a arrogancia. Temos isso bem visivel na resposta do Joao ao Anonimo.

DiLaurentis disse...

Caro DC,

Imagino a coleção de elogios e argumentos positivos que deve ter preparado para o nosso tremendo ex-treinador Octávio Machado. Ah, este não foi campeão? Pois, mas ele pode argumentar que não o deixaram como deixaram a Vitor Pereira.

Pode preparar mais um belo texto a defender o grande Octávio. Ready? Steady? Go!

Duarte disse...

"parece-me evidente que a pouco e pouco começa a tomar controlo do balneário e a dar forma à equipa com base na sua filosofia de jogo. Os jogos na Champions League, repletos de autoridade, eficácia e maturidade, são um bom exemplo de como transformar estes dados estatísticos em sensações."

Sim, Miguel, só que isso tudo já devia ter acontecido no ano passado. Mas pronto, também acho que não devemos andar sempre a remoer na última temporada e o que passou, passou.

"epois de ter sobrevivido à perda de metade da equipa que venceu a Europe League em 2011 (Fucile, Alvaro, Sapunaru, Hulk, Falcao, Bellushi, Guarin)".

Bem, mas a esmagadora maioria desses atletas saíram por opção de Vítor Pereira e/ou pela falta de tacto dele para lidar com situações menos agradáveis (mas que acontecem em qualquer grande equipa deste planeta) na época passada e Hulk só este ano foi para outras paragens. No entanto, lá está, dá a sensação de que este ano VP melhorou também nesse capítulo e ainda bem.

Duarte disse...

Claro, eu já estou habituado a este discurso da parte de alguns portistas: foi a sorte que ditou a goleada ao Villareal e ao Benfica, com exibições estrondosas (aquela raça e atitude na segunda parte do jogo com os espanhóis não sairá da minha memória). E, já agora, foi só por um sortilégio que fomos à Luz "remontar" na Taça, como por sorte se deveu a Supertaça em Aveiro, o título em plena Luz, uma Liga ganha com 21 pontos de avanço e etc, etc, etc, etc.

"para estes comparadores o facto de villas boas fracassar completamente no chelsea (que depois dele sair até a champions venceu com um interino) não significa nada. "

Não significa muito, realmente. Isto sobretudo se nos lembrarmos que um tal de José Mourinho, na época em que abandonou o Chelsea, também não mostrou resultados e exibições brilhantes (por isso foi demitido). Para o substituir veio um tal de Avram Grant (grande treinador sem dúvida), que também leva os blues à final da Champions. Não ganhou, ao contrário do que fez Di Matteo? Pois não, não ganhou por que foi a penaltys (tal e qual aconteceu com o Chelsea da época passada) e o John Terry escorregou no momento em que ia marcar o penalty decisivo e mandou a bola ao poste, ao contrário do que se passou com Drogba em Munique. Há alguma diferença prática entre os dois casos? Nenhuma, na prática nenhuma.

Duarte disse...

"Digo sem qualquer dúvida que foram mais as exibições acima da média que as más exibições."

Isto é sempre muito subjectivo, claro. Se quiseres reduzir o universo de jogos a esta época, até posso concordar. Se contabilizarmos todos os jogos desde o ano passado, então (mesmo com a subjectividade da coisa), terei de discordar totalmente. A maioria dos jogos com VP ao leme foram aborrecidíssimos. Na temporada passada contamos o jogo da Luz, em Braga e pronto. Mais nenhum encontro convenceu e aliou a um resultado positivo um bom futebol.


"E relembrando AVB, para estes críticos o supra-sumo das boas exibições, eu por acaso lembro-me de exibições bem fracas com a Naval, com o Marítimo em casa, com o Sevilha fora de casa (onde não fomos goleados graças a São Hélton e marcamos graças a São Falcao), com o Villarreal fora e na 1ª parte em casa, com o Sporting fora de casa... Só que, e felizmente, AVB teve um saldo positivíssimo no final da época e os adeptos concentraram-se nisso, no essencial."

Por amor da santa. Que houve jogos maus com AVB, claro que houve (há sempre com qualquer equipa e com qualquer treinador), mas confinar 2010/2011 a resultados é de uma má-fé tremenda. É até atentatório para a própria história do clube. O Villareal? O jogo com o Villareal foi extraordinário. Uma equipa que tinha estado por baixo na primeira parte, transfigurou-se na segunda e vergou o 3º classificado da liga espanhola (não foi um Apoel desta vida). Isto já para não falar dos jogos com o Benfica e até aquela derrota do Dragão para a 1ª mão da meia final da taça, é inesquecível. E é inesquecível justamente pela capacidade de reacção da equipa de uma maneira inolvidável, ao fazer uma exibição soberba em Lisboa. O jogo em Sevilha? Até poderei concordar contigo, mas acho que te ficava bem teres dito que, depois no Dragão, se passou exactamente o oposto: jogamos bem, podíamos ter goleado e perdemos (tendo mesmo assim conseguido passar).

"Queriam 5-0 ao 5LB todas as épocas? Até eu queria, mas o David Luiz não joga sempre à esquerda e o Sidnei já deixou de jogar há muito."

Ah sim, foi só por isso que os goleamos, mas vou seguir o teu raciocínio. Pois não, o David Luiz não joga sempre a lateral esquerdo, da mesma maneira que não é todos os anos que se apanha o Emerson a defesa esquerdo, nem que se joga na Luz (ainda para mais ali) contra dez durante algum tempo. Nem é todos os dias que o Garay se lesiona e para o seu lugar entra o Miguel Vítor e que o Artur dá uma frangalhada. É justo fazer este raciocínio para a vitória no galinheiro do ano passado e retirar parte do mérito a jogadores e treinador? Não, não é, é da mais profunda injustiça.

Querem defender VP? Tudo bem, eu próprio que nunca fui fã dele dou a mão à palmatória até esta altura da época e digo que as exibições, de um modo geral, me têm agradado e entretido. Mas, por favor, defendam este treinador sem menosprezar a nossa história, sem inferiorizar aquela que foi uma das épocas mais gloriosas da história do melhor clube português: pelos resultados alcançados e pelo futebol praticado.

Duarte disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Duarte disse...

"Sem ter o privilegio de ver os treinos, olhando para a forma como a equipa se comporta tacticamente em todas as situacoes do jogo acho que o VP e muito bom treinador, possivelmente o melhor treinador portugues a seguir ao Mourinho. Vendo o trabalho do AVB tanto no Chelsea como no Tottenham muitas vezes me pergunto que parte dos resultados que alcancou no Porto se deveu ao VP."

E pronto, passamos aos exageros. Claro, o êxito de AVB foi mérito de VP. Foi moda que pegou em Portugal atribuir-se o mérito dos títulos aos adjuntos. As vitórias do Jesualdo por cá também eram por causa do Carlos Azenha se bem se lembram:). Da mesma maneira que o Ferguson só ia ganhando por causa do Carlos Queiroz. Antes e depois dele é o marasmo que se conhece.

VP está a trilhar o seu caminho. O melhor depois de Mourinho? Isso parece-me, no mínimo, precipitado até por que o nosso actual treinador praticamente nunca teve outra experiência noutro clube (a última foi no Sta. Clara, com resultados aquém dos esperados). Colocar VP no lote dos bons treinadores portugueses, aí já começo a admitir que sim sem problema nenhum.

PS: E eu gostava de saber o que tem de mau o trabalho de AVB no Tottenham até agora. Vai em 4º lugar na Premier League e até foi ganhar a Old Trafford (coisa que os Spurs não faziam desde tempos imemoriais). Mas pode-se-lhe pedir mais? Por acaso o Tottenham tem equipa e está habituado a outras andanças mais ambiciosas do que estas? Enfim...

Duarte disse...

E aos jogos referi poderiam ser acrescentados as exibições em Viena, debaixo de uma queda de neve ininterrupta; em Coimbra, com uma chuva torrencial e relvado impróprio para consumo; em Istambul, com dez jogadores e um ambiente terrível nas bancadas e os cinco golos no Dragão ao Spartak, com a mesma receita a ser aplicada na Rússia, num relvado sintético e com um frio cortante. Sorte pura e simples, claro está.

Carlos Santos disse...

Sinceramente, fico perplexo com alguns dos comentários que aqui leio.

O ano passado os jogadores não tinham culpa nenhuma das exibições, era só o VP, este ano o VP já não tem nada a ver com as boas exibições, é tudo trabalho dos jogadores. Realmente, parece-me bastante lógico...

Depois houve um comentário que referiu que é normal os jogadores melhorarem sozinhos depois de tantos treinos juntos. Mas que, eles treinam sozinhos? Era capaz de jurar que o VP orienta todos os treinos da equipa...

Sem me querer alongar muito mais, para quem percebe de futebol e perdoem-me a arrogância de me incluir neste grupo pois trabalhei mais de 20 anos nesta área, o 1º golo do FCP frente ao Marítimo prova sem sombra de dúvidas que VP é competente. Nem mais, nem menos. Não sabemos se é o melhor Português a seguir a Mourinho, ou se é o pior. É muito competetente, ponto.

Fred disse...

Já agora coloco aqui o primeiro golo contra o Marítimo.

http://www.dtlportugal.com/iniciativas/eduardextreme/pm1.gif

Miguel Lourenço Pereira disse...

Duarte,

Todos os clubes gostam de transições tranquilas, há técnicos que herdam equipas e projectos e fazem-nos seus imediatamente e outros que demoram mais tempo. Se no final cumprem com os objectivos do início da época (creio que VP ficou a 50% com o título de liga) habitualmente sobrevivem e ganham o balão de oxigénio que precisam.

Eu não acredito que tenha sido opção sua. Como disse no artigo/comentário, há jogadores que utilizam o FCP para trepar na carreira. Trepar sem ligação nenhuma ao clube por muito que doa aos adeptos. Falcao e Hulk não queriam sair, seguramente, ai foi a SAD que geriu os casos para obter essenciais mais valias. Mas nos casos restantes não tenho dúvidas que fosse quem fosse o treinador, como sucedeu em 2005, todos iam querer entrar na dança dos milhões do futebol inglês, italiano, espanhol e russo. Não creio que haja falta de tacto do VP nestes casos, nem Mourinho nem Guardiola nem Ferguson estiveram imunes ao mesmo problema e estes não treinam, propriamente, clubes-ponte!

um abraço

João disse...

DC se não acredita não lhe posso fazer muito. O máximo que lhe posso fazer é ir ler os artigos deste blog desde a contratação do Maicon e ver o que sempre disse aqui. Limite-se ao que sabe.
O que lhe posso dizer já é que o Maicon é dos melhores centrais dos principais campeonatos europeus. Não é de agora, já o foi na época passada e continua a ser.
Agora se o DC não tem capacidade para avaliar um jogador pelo todo e não por um ou dois lances (como faz com o Abdoulaye, pela mesma linha de raciocínio o Mangala podia ter sido expulso 5x só no jogo contra o Beira-Mar, portanto também deve ser fraco e ter potencial nenhum) já é consigo. Mais uma vez, não lhe posso fazer nada.

João disse...

Não, caro amigo, houve um comentário que disse que o facto de o Alex Sandro estar entrosado PODE EVENTUALMENTE ter a ver com o facto de treinar todos os dias com o plantel há época e meia, mérito de qualquer outro elemento do staff, como ser obra do VP, o que outra pessoa tinha por dado adquirido. É preciso saber ler as coisas..

João disse...

Uma obra de arte, sem dúvida :) É este tipo de dinâmicas que se precisam de ver mais vezes. Gostei da entrevista de VP, ele próprio admite isso e que é preciso dar melhores espectáculos. Espero que consiga transpor, porque já começava a ser altura. E quando for assim, como não tive problema nenhum em admitir contra o Marítimo, venho aqui dar o braço a torcer.

Daniel Gonçalves disse...

Caro João,

existe alguma cegueira nas suas análises, que não aprecie o Vítor Pereira e as suas tácticas é uma coisa agora não reconhcer que o mesmo vem melhorando - a nível táctico, de liderança, de discurso - é outra.
Algumas das suas afirmações nos comentários feitos a este post, assim como no post anterior «O mérito de VP», parecem-me erradas:
"AVB potenciou Guarin". Não, sejamos justos, quem potenciou Guarin foi Jesualdo, assim como foi mérito do referido treinador a motivação de Hulk, Falcão, como os jogadores publicamente reconheceram.

"Lucho melhor a dormir que o Belluschi acordado!? Tem-se visto, desde que aterrou no aeroporto, é só exibições de grande calibre..." O sarcasmo da sua afirmação menospreza o trabalho de Lucho, que o mesmo não aguente 90 minutos de alto nível concedo, agora que ele ainda não demonstrou nada de relevante no seu regresso ao FC Porto é falso.

"O Miguel Lopes e o Sapunaru não dão meio Fucile..." Como??????????? Sobre o Miguel Lopes ainda espero pelo futuro para ter uma análise mais cuidada do valor dele, agora que o Fucile é muito melhor (na sua opinião) que o romeno é uma análise de bradar aos céus, que o uruguaio tenha mais garra, mais fervor admito, mas isso não é suficiente para fazer dele um jogador melhor que o Sapunaru. O romeno possuía disciplina táctica, frieza, capacidade de raciocínio e de análise das jogadas que Fucile não tinha nem nunca terá. Basta ver as várias vezes em que a garra (o sangue quente típico dos latinos) do Fucile prejudicou a equipa: uma eliminatória frente ao Schalke 04, o jogo em Londres frente ao Arsenal, o jogo em San Peterburgo frente ao Zenith, e outros jogos. Não foi à toa que AVB preferia o Sapunaru.

"O Fernando é provavelmente dos 3 a 5 melhores trincos a actuar na Europa.. desde que joga no Porto." E nesta situação não existirá mérito do Jesualdo? Ou, na opinião expressa nos seus comentários, só André Villas Boas é que tem mérito e os outros recentes treinadores do FC Porto são uns pobres coitados e uns incompetentes que só ganham devido à estrutura do clube? Parece-me, a avaliar pelos seus cometários, que o AVB é um Deus na Terra, o único competente para colocar uma equipa a jogar futebol de alto nível e os outros uns pecadores que estragaram ou desvirtuam o trabalho do mesmo.

Daniel Gonçalves disse...

Eu fui, na temporada passada, um crítico - racional - de Vítor Pereira e cheguei a considerar a sua substituição após a desastrosa campanha na Champions. Escrevi que o mesmo era um zero a nível pedagógico/motivacional, e agora VP demonstra possuir um discurso galvanizador.
Mas reconheço que o VP tem evoluído e melhorados em diversos aspectos, não reconhecer este facto era ser injusto e incorrecto. Houves jogos miseráveis, do ponto de vista exibicional, na temporada passada, podemos apontar vários factores para esse nível exibicional: alguma incapacidade táctica do treinador; incapacidade motivacional do VP; jogadores amuados no balneário, que se reflectia no seu desempenho no campo; a perturbação anímica que esses jogadores colocavam na equipa; a ausência de avançado concretizador.....
VP conseguiu, até agora, contornar a ausência de Hulk e criar rotinas tácticas na equipa e as exibições da equipa vêm melhorando. Espero que se mantenha este nível. O FC Porto de AVB também teve exibições fraquíssimas, não reconhecer este facto é incorrecto, ainda me lembro de o mesmo afirmar que não podia haver sempre ópera. Lembro-me de jogo no Dragão frente ao Portimonense, onde após o 1-0 a nosso favor, golo (chapéu) de Walter, sofremos para marcar o 2-0 (no minuto 90 através de um penalty) e durante o jogo arriscamos sofrer um golo e o consequente empate.

Quem lida com com grupos humanos, sabe como a indisciplina pode minar a confiança e o trabalho de um todo, basta um caso isolado para contaminar o restante grupo. Admito que houve amuos em jogadores como Álvaro Pereira, Guarín, Rolando e que esse amuo traduzido em insubordinação e indisciplina prejudicou o trabalho de Vítor Pereira. Também é justo reconhecer que VP, fruto de alguma inexperiência a alto nível, não soube lidar da melhor forma com esses amuos e perdeu-se a possibilidade de recuperar emocionalmente os jogadores e trazê-los de volta para a equipa e que os mesmos estivessem exclusivamente concentrados no FC Porto.

Duarte disse...

"Falcao e Hulk não queriam sair"

O segundo não queria, o primeiro queria e só tu é que continuas a achar o contrário. Mas pronto, é um tema mais do que discutido, não vale a pena voltarmos a ele.

Não concordo com a tua leitura, além de que se era para iniciar um ciclo novo e não apostar na continuidade em relação a 2010/2011 (e ao manter o esqueleto desse plantel, parece-me evidente que era isso que a SAD queria, e muito bem quanto a mim), tenho sérias dúvidas que fosse VP o treinador escolhido. Mas lá está, coisas há que fazem apenas parte das nossas convicções, não estamos lá dentro para afirmar com certezas.

Um abraço.

DC disse...

Ignorando o comentário do João porque sinceramente não vale a pena perder mais tempo, agradeço a correcção em relação ao jogo de Sevilha, embora os pressupostos se mantenham.
Quanto ao argumento do Octávio, também não vou perder tempo porque é preciso ser-se algo ignorante para comparar as opções tácticas e modelos de jogo de um treinador a outro.

De resto, eu não inferiorizei nada nem sequer disse que o VP era melhor que o AVB. Disse sim que o AVB teve circunstâncias a favor dele que o VP não teve, desde logo com um plantel fortíssimo e sem falhas (onde as saídas de Meireles e Alves foram devidamente e atempadamente colmatadas com Otamendi e Moutinho) e ainda a motivação extra de ir atrás dum título perdido em vez de o defender (que como se pode ver pela luta Real-Barça tem muito significado na motivação).
VP provavelmente não é melhor que AVB, mas é um bom treinador, foi campeão numa época muito conturbada e esta época com mais estabilidade (embora lhe tenham mais uma vez vendido o melhor jogador e não tenha sido contratado nenhum substituto para essa posição) tem estado bem. Serei o primeiro a pedir a saída dele caso não sejamos campeões, agora pedir a cabeça dele por razões tão subjectivas e acima de tudo exageradas como as que o Sr. João usa nunca!

Não irei estar a dissecar os argumentos do Dilaurentis e do Duarte porque se baseiam na visão que cada um tem dos jogos e portanto são tão defensáveis como os meus (ao contrário do radicalismo exacerbado (esta aprendi com o AVB, ele também era o melhor do mundo a usar a palavra exacerbado) do Sr. João).
Mas acho que mesmo não gostando do treinador e havendo defeitos a apontar-lhe, concordamos (mais uma vez, com excepção do Sr. João) que neste momento só temos é que o apoiar, que não faz qualquer sentido considerar a sua substituição caso se mantenha campeão e que nem sequer há uma alternativa no mercado a um preço acessível que pudéssemos considerar para o seu lugar.

DC disse...

Desculpe mas perder com o Wigan em casa e com mais uma série de equipas medianas não será nunca bom. O único resultado acima da média esta época realmente foi a vitória em Old Trafford, num jogo em que foi sufocado e ficaram 2 penaltis por marcar para o Utd.
Não quer dizer que não venha a ter sucesso esta época mas não acho que se possa dizer para já que está a fazer algo de transcendente ou de assinalar.

Milesh disse...

A proposito das estatísticas e do seu uso, lembrei-me desta reportagem do Simon Kuper no Financial Times de Junho de 2011, sobre como alguns treinadores/clubes da Premier League (Wenger, Ferguson, Allardyce no Bolton...) estão a usar estatisticas. Recomendo vivamente: http://www.ft.com/intl/cms/s/2/9471db52-97bb-11e0-9c37-00144feab49a.html#axzz1QCIuRoNo

Milesh disse...

A propósito das estatísticas e do seu uso no futebol, lembrei-me deste artigo que li no Financial Times, pelo Simon Kuper (escreve bastante sobre futebol) em Junho de 2011, sobre como treinadores da Premier League estão a usar estatísticas, aprendendo um bocado com os americanos. Recomendo: http://www.ft.com/intl/cms/s/2/9471db52-97bb-11e0-9c37-00144feab49a.html#axzz1QCIuRoNo.

Milesh

Duarte disse...

Eu também não disse que estava a fazer nada de transcendente. Mas do mesmo modo que não está a fazer nada de por aí além, também não se lhe pode apontar nada de negativo. Está em 4º lugar neste momento, que corresponde à melhor classificação do Tottenham, provavelmente, dos últimos 20 anos.

Duarte disse...

"Disse sim que o AVB teve circunstâncias a favor dele que o VP não teve, desde logo com um plantel fortíssimo e sem falhas (onde as saídas de Meireles e Alves foram devidamente e atempadamente colmatadas com Otamendi e Moutinho) e ainda a motivação extra de ir atrás dum título perdido em vez de o defender."

DC, mais uma vez, existe o reverso da medalha. Eu acredito que é muito mais difícil construir-se um projecto vencedor sobre uma derrota do que sobre uma vitória e, no nosso caso, os anos do penta (em que tivemos 3 treinadores) estão aí para o comprovar. AVB chegou ao clube num ano em que tudo estava em causa: o FC Porto tinha ficado em 3º lugar em 2009/2010, o Benfica tinha vencido jogando melhor, demonstrando ter uma melhor equipa (aparentemente, pelo menos) e parecia que estávamos perante o fim do ciclo hegemónico do FCP, em que até Pinto da Costa para alguns estava finito. Além disto, tínhamos ido buscar um treinador cuja única experiência como treinador principal se resumia a meio ano de Académica. A desconfiança dos adeptos em torno de AVB era mais do que muita, é só fazermos um exercício de memória. Então depois de uma pré-época má, a nível de resultados e exibições (recordam-se do torneio de Paris?), muitos de nós, adeptos, chegamos ao jogo da Supertaça a rezar para não sermos vergados e não vale a pena estar a ignorar isto. O resultado e a exibição, logo nesse jogo, foram o que se viu.

Já VP entrou com um capital de confiança da parte dos adeptos que AVB não teve. Eu sou um exemplo disso e assumo-o sem problema nenhum: AVB não era o meu favorito (nem o da maior parte dos adeptos, porventura) para 2010/2011 nem por sombras e Vítor Pereira foi uma escolha quase consensual para 2011/2012. No que toca ao plantel de um e de outro, o do início de 2011/2012 é praticamente igual ao de 2010/2011. Sim, faltava o Falcao e isto não é de somenos importância. Só que também não justifica que tivéssemos tido um role inacabável de jogos deploráveis, onde o que falhou foi muito mais do que a falta de um goleador. A partir daqui, a tese/teoria da conspiração vigente foi a de atribuir as culpas unicamente aos jogadores. Eu não me custa a acreditar que tenha havido futebolistas descontentes, mas não acredito que não fosse possível recuperá-los (mais uma vez, não faltam exemplos de jogadores que no nosso clube, a certa altura, tiveram atitudes menos correctas, mas que rapidamente desceram à terra) e sobretudo não acredito que, com tantos casos, as culpas pendam sempre para os mesmos (jogadores/SAD) e o treinador não tenha uma quota/parte de culpa muito importante e decisiva. Além de que se foi tudo tão linear quanto alguns pintam, por que é que o Palito foi titular quase toda a temporada quando havia Alex Sandro (sim, este último até veio lesionado, mas lá para Novembro/Dezembro já estava recuperado)? Por que é que Rolando foi uma vaca sagrada toda a temporada, metendo água sucessivamente, e não se apostou na dupla Maicon/Otamendi como este ano? Por que é que Fucile jogou tantas vezes, numa altura em que Sapunaru (profissional abnegado que tudo deu sempre) parecia votado ao ostracismo? A leitura que faço é que VP foi vítima da sua inexperiência e impreparação para lidar da melhor forma com este tipo de questões. Este ano, o nosso treinador parece que cresceu e evoluiu muitíssimo também nesse sentido (também, mas não só). Dou-lhe os meus parabéns por isso e só quero e espero que seja para continuar.

PS: não quero dizer que a missão de VP na época transacta fosse um mar de rosas. Não era, mas também não era tão difícil quanto por vezes se diz e a obrigação do treinador era ter feito muito melhor, especialmente além-fronteiras. Da mesma maneira que - e se a memória nos falhar basta ir aos arquivos de tantos e tantos blogs do nosso clube e ler as caixas de comentários - AVB tinha pela frente uma missão muito delicada, com grande turbulência externa.

DC disse...

Meu caro, o Tottenham foi 4º no ano passado e há 3 anos e 5º há 2 anos.
Repito: o AVB não está a fazer nada de especial até agora, aliás neste momento está em 6º e se vencer sim, volta ao 4º lugar mas em igualdade pontual com Everton e West Bromwich.

DC disse...

Há uma pequena diferença, antes do despedimento o Mourinho venceu 2 campeonatos e uma catrafada de taças...
E na época em que saiu foi mais por confrontos com o presidente (devido ao Shevchenko, por exemplo) do que pelos resultados, já que estava em boa posição para ganhar qualquer uma das competições.

DC disse...

"Não irei estar a dissecar os argumentos do Dilaurentis e do Duarte"

Obviamente queria dizer José Lopes e Duarte.

Anónimo disse...

Eu tenho pena de alguns comentadores, cuja aversão tão visceral ao técnico, deve produzir um secreto desejo de ver o porto perder. Todos os técnicos têm defeitos, mas enquanto foi técnico do Porto, sempre admirei, pelos pontos positivos, o Jesualdo, depois admirei o AVB, e agora fico muito contente que os jogos calem a boca dos críticos da vez.

E sobre a LC de ano passado, não foram seis jogos miseráveis. Quem me lembre foram dois - os do Hapoel. E se quisermos comparar orçamentos até estávamos em terceiro lugar (atrás do Zenit e Shaktar). Mas há sempre quem olhe para o copo meio cheio pensando que está meio vazio.

João disse...

Muito gostam vocês de ir buscar comentários avulsos..
Não me recordo de ter dito em lado algum que não se venha melhorando, aliás, já reconheci duas ou três vezes aqui que gostei dos jogos contra Marítimo e Dinamo. O Guarín tem 2186 mins jogados com o Villas-Boas, 1413 com o Jesualdo. A mim parece-me evidente quem soube melhor aproveitar o Guarín, mas se o Daniel discorda, está no seu direito.

Sobre o Lucho também já me pronunciei aqui, não me vou estar a alongar muito. É muita desmarcação para a linha de fundo, muito remate para a VCI e muito pé que fica por meter naquele meio campo. Recordo-me de uma, talvez duas exibições condizentes com o estatuto que tem. Daí a "ser melhor a dormir que o Belluschi acordado" vai caminho, ou não?
E relativamente ao Fucile, acho que também há uma certa dose de memória curta. Pode ter tido jogos muito infelizes, ferver em pouca água, agora dizer que o Sapunaru, que se borrava todo quando o Di Maria ia para cima dele e metade dos cruzamentos eram para a bandeirola de canto, ou o Miguel Lopes chegam sequer ao nível.. nem vale a pena, não vamos concordar em definitivo.

Para acabar, se me conseguir citar onde disse que o Fernando era mérito do Villas-Boas pago-lhe um jantar, fica prometido. Ou qualquer outra parte do que inventou para aí.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Milesh,

Tive a oportunidade de conversar com o Simon Kuper há algum tempo, quando lhe realizei esta entrevista, e ele falava também dessa realidade. Foi a propósito do brilhante livro que co-escreveu, o Soccernomics.

http://www.futebolmagazine.com/soccernomics-o-visionario-simon-kuper

Daniel Gonçalves disse...

João disse "gostava de ter visto ficar o Belluschi e Guarín" Eu também gostava, sobretudo do colombiano, o nosso Carlos Valderama, mas, tendo em consideração as atitudes dos mesmos na época passada, não me parece que os mesmos tivessem muito interessados em permanecer mais tempo no FC Porto, sobretudo Guarín, que quando soube do interesse do Inter nele e da pouca vontade do FC Porto em prescindir dele, começou com birras e com exibições cinzentas. Sobre o Beluschi, considero que as birras dele e a provável indisciplina que poderia trazer ao balneário, levaram VP a proscrever o jogador. Terá sido a melhor atitude? Conseguir-se-ia recuperar psicologicamente o jogador, transmitindo-lhe motivação e focando-o exclusivamente no FC Porto? Não sei, e só quem acompanhava por dentro o balneário saberia a melhor atitude a adoptar nesta situação, dou o benefício da dúvida a VP.

Relativamente ao AVB, considero que ele teve no Chelsea o mesmo problema que VP teve no FC Porto na temporada passada: problemas com alguns jogadores no balneário, e também não soube lidar da melhor forma com eles. Obviamente que o plantel do Chelsea possui outro valor que o do FC Porto, mas o problema foi o mesmo, portanto não percebo este "endeusamento" do AVB, além de que foi pouco abonatório para a fama deste vir um adjunto, um inexperiente naquelas andanças, triunfar onde AVB falhou e vencendo a Champions.
No FC Porto teve a vantagem de herdar um plantel disciplinado (mérito de Jesualdo) onde os possíveis focos de distúrbio foram "despachados": Bruno Alves e o Pai do mesmo. Herdou um plantel ressentido pela forma como perdera o campeonato anterior e sedento de vitória para repor justiça. AVB teve mérito em tirar partido desse ambiente psicológico e motivar os jogadores para vitórias. VP não herdou um plantel com o mesmo ambiente, havia jogadores que desejavam sair, que já tinham a cabeça noutros lugares, e temos de reconhecer que este facto (força anímica do plantel) influencia as exibições tanto como o sistema táctico. AVB teve ainda outro facto que o ajudou na brilhante temporada no FC Porto em 2010/2011: uma excelente equipa técnica, bons adjuntos como o foram VP e Pedro Emanuel. Vítor Pereira não teve a mesma sorte na temporada passada, Rui Quintas parece-me que ainda não possuía traquejo para o nível do FC Porto e este facto ressentiu-se no fraco apoio – vindo da restante equipa técnica - que VP teve quando necessitou dela.

Duarte disse...

"Disse sim que o AVB teve circunstâncias a favor dele que o VP não teve, desde logo com um plantel fortíssimo e sem falhas (onde as saídas de Meireles e Alves foram devidamente e atempadamente colmatadas com Otamendi e Moutinho) e ainda a motivação extra de ir atrás dum título perdido em vez de o defender."

DC, mais uma vez, existe o reverso da medalha. Eu acredito que é muito mais difícil construir-se um projecto vencedor sobre uma derrota do que sobre uma vitória e, no nosso caso, os anos do penta (em que tivemos 3 treinadores) estão aí para o comprovar. AVB chegou ao clube num ano em que tudo estava em causa: o FC Porto tinha ficado em 3º lugar em 2009/2010, o Benfica tinha vencido jogando melhor, demonstrando ter uma melhor equipa (aparentemente, pelo menos) e parecia que estávamos perante o fim do ciclo hegemónico do FCP, em que até Pinto da Costa para alguns estava finito. Além disto, tínhamos ido buscar um treinador cuja única experiência como treinador principal se resumia a meio ano de Académica. A desconfiança dos adeptos em torno de AVB era mais do que muita, é só fazermos um exercício de memória. Então depois de uma pré-época má, a nível de resultados e exibições (recordam-se do torneio de Paris?), muitos de nós, adeptos, chegamos ao jogo da Supertaça a rezar para não sermos vergados e não vale a pena estar a ignorar isto. O resultado e a exibição, logo nesse jogo, foram o que se viu.

Já VP entrou com um capital de confiança da parte dos adeptos que AVB não teve. Eu sou um exemplo disso e assumo-o sem problema nenhum: AVB não era o meu favorito (nem o da maior parte dos adeptos, porventura) para 2010/2011 nem por sombras e Vítor Pereira foi uma escolha quase consensual para 2011/2012. No que toca ao plantel de um e de outro, o do início de 2011/2012 é praticamente igual ao de 2010/2011. Sim, faltava o Falcao e isto não é de somenos importância. Só que também não justifica que tivéssemos tido um role inacabável de jogos deploráveis, onde o que falhou foi muito mais do que a falta de um goleador. A partir daqui, a tese/teoria da conspiração vigente foi a de atribuir as culpas unicamente aos jogadores. Eu não me custa a acreditar que tenha havido futebolistas descontentes, mas não acredito que não fosse possível recuperá-los (mais uma vez, não faltam exemplos de jogadores que no nosso clube, a certa altura, tiveram atitudes menos correctas, mas que rapidamente desceram à terra) e sobretudo não acredito que, com tantos casos, as culpas pendam sempre para os mesmos (jogadores/SAD) e o treinador não tenha uma quota/parte de culpa muito importante e decisiva. Além de que se foi tudo tão linear quanto alguns pintam, por que é que o Palito foi titular quase toda a temporada quando havia Alex Sandro (sim, este último até veio lesionado, mas lá para Novembro/Dezembro já estava recuperado)? Por que é que Rolando foi uma vaca sagrada toda a temporada, metendo água sucessivamente, e não se apostou na dupla Maicon/Otamendi como este ano? Por que é que Fucile jogou tantas vezes, numa altura em que Sapunaru (profissional abnegado que tudo deu sempre) parecia votado ao ostracismo? A leitura que faço é que VP foi vítima da sua inexperiência e impreparação para lidar da melhor forma com este tipo de questões. Este ano, o nosso treinador parece que cresceu e evoluiu muitíssimo também nesse sentido (também, mas não só). Dou-lhe os meus parabéns por isso e só quero e espero que seja para continuar.

PS: não quero dizer que a missão de VP na época transacta fosse um mar de rosas. Não era, mas também não era tão difícil quanto por vezes se diz e a obrigação do treinador era ter feito muito melhor, especialmente além-fronteiras. Da mesma maneira que - e se a memória nos falhar basta ir aos arquivos de tantos e tantos blogs do nosso clube e ler as caixas de comentários - AVB tinha pela frente uma missão muito delicada, com grande turbulência externa.

Daniel Gonçalves disse...

João disse "Quanto a potenciar jogadores, pela enésima vez, torna-se um bocado ridículo estar a falar do Maicon e James que sempre evidenciaram um nível muito próximo do actual..." Discordo e não devemos ter visto os mesmos jogos, ainda me lembro da fraca exibição do James frente ao slb, na 1ª mão da Taça de Portugal 2010/11, no Dragão, quando perdermos por 2-0 e o jogador esteve bastante mal, falhando mesmo uma finalização clara de golo. No mesmo jogo, Maicon fez uma péssima exibição, oferecendo um golo ao nosso adversário. Em Alvalade na mesma temporada, Maicon deixou-se, de forma infantil, desarmar por Liedson tendo de recorrer à falta acabando por ser expulso e prejudicando a equipa que tinha cabado de marcar o golo do empate e estava galvanizada para a vitória, pois após a expulsão tivemos de segurar um empate. Chegou a ser considerado um eventual empréstimo do James no Inverno de 2010, para o "crescimento" do jogador, portanto afirmar, como faz o João, que os referidos jogadores sempre estiveram num alto nível exibicional é falso. Houve um crescimento gradual, e evolução dos jogadores, que em James se notou na final da Taça de Portugal, frente ao Vitória de Guimarães. De quem é mérito? Penso que não seja de ninguém em exclusivo, nem que alguém possua 100% de mérito nessa evolução, mas sim repartido por vários: AVB, VP e restante estrutura do FC Porto. E já agora, que jogadores foram potenciados, exclusivamente, por AVB? Hulk, Falcão e Guarín tiveram dedo e foram trabalhados por Jesualdo, pelo que valorizar unicamente o trabalho de AVB e só a este atribuir mérito nesta situação é errado.

Obviamente que reconheço um grande papel, e o principal, a AVB na excepcional temporada de 2010/2011, e que o mesmo demonstrou, até agora, ser melhor treinador que VP, mas considero que AVB, desde que saiu do FC Porto e foi para Inglaterra, bloqueou no seu desenvolvimento como treinador, enquanto VP tem evoluído e melhorado.

Miguel Lourenço Pereira disse...

Duarte,

Eu continuo na minha no caso Falcao porque a minha fonte é de tal forma directa que não me permite duvidar. Outra coisa é que a proposta final fosse boa para todas as partes, como sucedeu com Hulk. No fundo todos os jogadores querem sempre mais, seja dinheiro ou títulos noutras ligas.

Um abraço

Daniel Gonçalves disse...

Caro João,

“qualquer outra parte do que inventou para aí”. Em minha defesa afirmo que não é meu hábito inventar ou falsificar factos ou ideias para defender os meus argumentos como o Sr. me acusa, agora se o João não consegue argumentar, nem possui factos para tal, ou não sabe defender as suas ideias sem fazer um ataque pessoal é outra coisa.

“Se me conseguir citar onde disse que o Fernando era mérito do AVB…” A verdade é que nos seus comentários só lemos louvores e bajulações ao trabalho de AVB e um menosprezo, uma desconsideração e críticas (umas justas, outras injustas, na minha humilde opinião) a outros treinadores (VP e Jesualdo), e quando o João fala no Fernando esquece o papel do Jesualdo no crescimento do jogador, obviamente que quem ler os seus comentários conclui que só o AVB é competente e possuidor do mérito na totalidade. Se não era isso que queria dizer tem de expressar melhor a sua opinião nos comentários.

“A mim parece-me evidente quem soube melhor aproveitar o Guarín…” Não era isso que estava em questão, mas sim quem o potenciou. É claro que AVB apanhou o Guarín na melhor fase do jogador e soube aproveitar essa situação, mas quem o trabalhou foi o Jesualdo. Uma coisa é potenciar um jogador, outra é tirar proveito dele, quem nos garante que, na eventualidade da continuação de Jesualdo, Guarín não faria as mesmas exibições que efectuou com AVB a treinador?

Sejamos sérios sobre Beluschi, lembro-me de tantos passes errados dele, das vezes em que se deixou desarmar infantilmente pelos adversários. Ou só Lucho é que erra? Remates para a VCI? Não me lembro de nenhum do Lucho, mas remates para a bancada também os teve o Beluschi. Que o Lucho não aguente 90 minutos de alto nível é uma coisa, agora que Beluschi é melhor do que El Comandante é uma opinião que só o Sr. apoia.

Se, na sua opinião, a grande vantagem – e o ponto forte - do Fucile era a garra e ferocidade com que abordava os lances era preferível colocarmos, em lugar dele, um buldog ou um doberman. Porque não falar também dos centros para a bancada, para a linha de fundo ou para a bandeirola de canto em que o Fucile era perito, muito mais que o Sapunaru.

Duarte disse...

Mas eu não disse o contrário. Eu sei que foi 4º no ano passado, mas melhor do que isso não conseguiu. Se conseguir chegar ao 4º, AVB chega ao nível dos melhores naquele clube. Raciocínio mais simples do que este não há.

Duarte disse...

Claro, o Mourinho venceu muito enquanto teve milhões para contratar quem quis. Depois na penúltima época também teve milhões, mas contratou-se quem ele não quis (com o Sheva à cabeça) e, na última temporada, teve só tostões (quem não se lembra do JM numa conferência de imprensa a falar das diferentes qualidades de ovos no supermercado?).

Com AVB passou-se a mesma coisa: contratou Mata, Raul Meireles e pronto. Mourinho, nos primeiros anos, levou para Stamford Bridge quem entendeu, dois dos jogadores contratados até tinham estado com ele no Porto. AVB quis levar com ele jogadores nossos, mas Abramovich não lhe quis dar. Mourinho contrata Drogba e R. Carvalho e só aqui gasta mais do que AVB nas aquisições todas. E para além daqueles dois, o Special One ainda teve Robben, Petr Cech, Paulo Ferreira e Kezman. Bem diferente do que o que tinha AVB. E isto sem querer fazer comparações entre a qualidade de um e de outro, apenas para dizer de que quando não lhe deram condições, Mourinho não venceu e AVB perdeu nas mesmíssimas circunstâncias.

Andre Correia disse...

Sou portista de lugar anual .... e a minha opiniao e que este senhor nao m da grandes garantias ...... s formos a ver ben todos sabem o que este homem vai fazer s quiser mexer num jogo....nem sei para e k o porto leva mais gajos po banco de suplentes ...bastava so defour atsu e castro .... o gajo e previsivell.....e nao venham com a treta que foi campeao e bla bla .... pk sempre ouvi dizer que com a estrutura do porto ate um arrumador de carros era campeao .... agra o que diferencia os varios tecnicos que passam n dragao e que eu aprecio bastante e o espetaculo em jogo jogado ou entao s perferirem a nota artistica e este em para ai 60 jogos em todas as competicoes fez uns 10 ja foi bom .... Numa equipa com a qualidade dos jogadores do porto deveria em pelo menos 80% dos jogos fazer exibicoes de grande nivel e nao uns 15%

HULK 11M disse...

Penso que Pedro Emanuel ainda não demonstrou que poderá fazer melhor do que Vitor Pereira no comando da equipa do FCP.
Apenas manifestei a minha opinião, e de forma irónica, porque achei completamente descabida a comparação entre os 2 técnicos. Um conduz um Ferrari e outro um calhambeque. Um tem por trás o apoio duma estrutura "à Ferrari" e o outro... se calhar, recorre aos serviços dum qualquer garageiro lá para os lados do Calhabé.
Mas o mais importante é a quantidade de comentários-record que o "RP" consegue com os artigos sobre Vitor Pereira: neste artigo já vão em 42 e nos anterior atingiram 57 e 104 respectivamente !!!
É um autêntico "case study".
Se a existência deste blogue dependesse financeiramente da quantidade de comentários, então... teria encontrado a receita mágica para aumentar a sua facturação!!!