sábado, 16 de fevereiro de 2013

Arrumar a casa antes do regresso à velha Europa



O campeonato português está impregnado de jogos como assistimos esta noite em Aveiro. Bola que corre em sentido único. Uma equipa que defende e outra que ataca. Em metade do campo se joga, apenas intervalado por uns pífios tiros de pólvora seca, sempre no ensejo de quem dispara ver lume a soltar da camara. Não têm nome, pois muitos são os que lhes usam as vestes, que trocam entre si a cada semana que passa. Olhanense, Beira-Mar, tanto faz, ao filme já todos nós lhe conhecemos a sinopse, podendo contudo variar o final da história.

Ainda a refazer-se de uma dessas películas que não lhe coube ao melhor engodo, o FC Porto fez-se de novo à acção desta trama maior do futebol português, o assalto à muralha. Bem se pode dizer que a azia do passado Domingo deu lugar a um relaxado início de fim-de-semana. A vitória azul e branca foi tranquila e Vítor Pereira conseguiu ter margem de manobra para gerir o grupo com decorrer favorável da partida, pensando, invariavelmente, na importante contenda com o Málaga para a Liga dos Campeões.

Não obstante do belo trajecto que a nossa equipa tem feito ao longo desta época, derrubar conjuntos ultra-defensivos como este Beira-Mar tem-nos causado alguns problemas. O jogo enrodilhado não permite fazer uso do estilo de bola corrida que os jogadores portistas apreciam e dominam. O ritmo tende a baixar e muitas vezes, estranhamente, tendemos a acompanhar o balanço.

Felizmente, hoje, o movimento disruptivo de Cristian Atsu veio relativamente cedo. Pelo menos a tempo de evitar desconforto geral às hostes azuis e brancas. O remate pleno de intensão do jovem ganês explorou bem um dos pontos fracos da equipa aveirense, o seu guarda-redes, permitindo que a nossa equipa encara-se o que restava do jogo com alguma serenidade.

Os homens de Ulisses Morais não criaram uma única ocasião de golo. Apenas alguns lançamentos em profundidade prometedores. Carlos Xistra apitava a tudo o que se mexia e puxou de cartões com demasiada facilidade. Magala bem pode lamentar-se do rigor do árbitro. Mas nestas coisas os jogadores devem antever aquilo que vai na cabeça dos homens do apito e não o que está na lei. Pôs-se a jeito e queimou-se. Para próxima alguém que o avise antes de cair na mesma esparrela.

Agruras de arbitragem à parte, a sentença do jogo foi arquitectada por Jackson Martinez – pois claro – num movimento fabuloso onde o colombiano põe em prática toda a sua técnica e excelente colocação de remate. Aí vão vinte golos em dezanove jogos de Cha Cha Cha, que tenuemente vai ameaçando recordes de heróis de dragão ao peito doutros tempos.

Entre o empate com o Olhanense e o triunfo desta noite diante do Beira-Mar a diferença não esteve no futebol jogado mas sim na eficácia nos momentos chave. Converter quando as oportunidades sugerem vale ouro e o FC Porto soube catapultar a sua sorte quando esta lhe sorriu. Eficácia, essa que também poderá ser crucial na próxima Terça-Feira. Mas aí o adversário é outro. Não faz uso das manhas destas equipinhas lusitanas e, sobretudo, tem um naipe de jogadores de enorme qualidade.

10 comentários:

Nightwish disse...

Não gosto de defender o Xistra, mas ele tem razão, o Mangala fartou-se de fazer faltas (normais) e bem podia ter saído mais cedo. Não houve nenhuma violenta, mas assim não dá.

Rui Anjos (Dragaopentacampeao) disse...

Jogo seguro e tranquilo frente a uma equipa sem ambição, propício pois para quem tem de disputar um jogo de grande responsabilidade, já na próxima Terça-feira, para a CL.

O jogo deu para gerir, para descansar com bola e somar os três pontos.

Claro que não podia faltar a "xistralhada» do costume, desta vez com prejuízo injusto para Mangala.

Enfim, mais do mesmo.

Um abraço

.:GM:. disse...

Mas no lance em que ele foi expulso, nem falta foi.

Mario disse...

"Pôs-se a jeito e queimou-se." Não concordo nada com esta frase, ontem todos os 11 jogadores do FCP puseram-se a jeito, bastou para isso...entrarem em campo. Hoje parece que quem é defesa central não pode fazer duas faltas seguidas sem levar um amarelo, isto é ridículo. O Mangala está perfeitamente queimado pelos árbitros, pela comunicação social e por muitos adeptos que começam a embarcar nessa onda. Como o Bruno Alves já cá não mora, querem ver que agora o alvo é o Mangala ????

Silva Pereira disse...

Boa tarde,
Concordo a 98%.
Entendo que o FCP entrou com pouca intensidade (parece que não mudam o chipe). Não consigo perceber porque nestes jogos em que o adversário vai jogar com o autocarro, fazer antijogo, passar o tempo à espera dum milagre (como na jornada anterior) não entram com uma intensidade que leve a marcar um golo e que desmorone a estratégia do adversário e então sim “descansam”. Acho também os lances de bola parada são uma autêntica nulidade (ao contrário do que pensa a maioria dos portistas), raramente criam perigo e quando acontece é como diz o povo tantas vezes vai o cântaro á fonte que uma vez irá partir.
A outra pequena divergência é o VP que deve estar atento ao rumo do jogo e prever/antecipar o que estava “escrito” (parece que ainda acredita que certos árbitros são “inocentes/corretos”). Após o 1º amarelo dado ao Mangala viu-se que quer os jogadores do BM, quer o público estavam a fazer tudo para a sua expulsão, achei que deveria ter protegido o jogador, mesmo sabendo que ele não fez nada para ser castigado.
Acha que a exclusão de 2 jogadores fundamentais da defesa do FCP foi uma coincidência? Obviamente que não, como não é coincidência a nomeação de certos árbitros.
Cumprimentos

Anónimo disse...

O Porto fez o jogo que lhe competia sabendo que na terça é que vai ser!!! Só um pequeno mas grande aparte, para quando a renovação de Fernando e Atsu?? será que vamos ver mais um Paulo Assunção?? Espero bem que a direcção não adormeça, é que ultimamente parece que anda a tomar calmantes em demasia!
Fonseca

Filipe Sousa disse...

As duas faltas que deram cartão ao Mangala, não existem. Que podia ter sido admoestado noutras, aceito. Dar cartões em faltas que não existem, só serve para acumular pontos no redpass. O VP podia tê-lo substituído antes, mas o mal já estava feito, e já era certo que ia falhar a próxima jornada. O cartão do Alex Sandro é justo.

Nightwish disse...

Não, as 6 anteriores foram. Foi um dia não para o nosso prodígio, parecia que não acertava uma. Um pouco antes tinha impedido um jogador de ir à bola já perto da linha de fundo, sem o Xistra marcar.

José Correia disse...

De acordo com as estatísticas da LPFP, o Mangala cometeu 4 faltas e viu 2 cartões amarelos.

Mário Faria disse...

Não sofrer golos, neste tipo de jogos, é muito importante. Ainda que não se jogue bem, ainda que se o faça com baixa intensidade, o FCP tem jogadores com qualidade para fazer a diferença e, pelo menos, marcar o golo da ordem.
Ontem, marcámos o primeiro golo com um remate de meia distância e por mais três vezes criámos perigo, por esta via : com o remate de Danilo no primeiro tempo, de Moutinho e James já perto do fim.
É difícil jogar com equipas que se fecham muito, nomeadamente quando não contamos com jogadores velosos nas alas (embora Atsu tenha cumprido e bem) e se joga demasiado por dentro e com pouca verticalidade. Se juntarmos a esse “pequeno” pormenor, o facto de Moutinho ter estado abaixo da sua capacidade produtiva (no primeiro tempo), Lucho bem na zona de pressão e pouco assertivo na zona de construção(durante todo o jogo) , Jackson muito preso na teia defensiva que o adversário criou à sua volta (na primeira parte) e os laterais não se terem exibido com a qualidade e potencial que têm, poderemos melhor entender as dificuldades encontradas que se repetem em jogos desta jaez, se não encontrarmos cedo o golo e deixarmos a adversário adaptar-se e passar, depois, a controlar os nossos movimentos ofensivos, com o equilíbrio e confiança conquistados.
Ontem, porém, percebe-se que tenha havido alguma contenção, que se não está no plano sempre paira na cabeça dos jogadores, antes de um jogo da CL em que todos querem estar presentes.
Boa vitória: fiquei satisfeito e não pedia mais. Mangala excelente. O árbitro amarelou de forma muito “criteriosa”. E o que parece…..é.